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21 de agosto de 2019

Os portugueses na Vuelta

A Vuelta irá contar com o maior contingente português nas grandes voltas em 2019. Serão cinco divididos por quatro equipas. No Giro, Portugal contou apenas com Amaro Antunes (CCC). No Tour, Rui Costa (UAE Team Emirates) e Nelson Oliveira (Movistar) foram os representantes nacionais. Na Vuelta só o corredor de Anadia repete a presença e é de longe o mais experiente. Para três dos ciclistas é uma estreia não só na Volta a Espanha - que começa este sábado - , mas mesmo numa corrida de três semanas.

© Caja Rural
Domingos Gonçalves (Caja Rural)
30 anos. Estreia na Vuelta
Nesta sua segunda passagem pela equipa espanhola, Domingos Gonçalves alcançou um dos seus objectivos para a temporada. Foi chamado para a Volta a Espanha e vai finalmente mostrar-se num dos maiores palcos do ciclismo mundial. Contudo, não tem sido uma temporada fácil para o gémeo de Barcelos. A grave queda na Volta à Catalunha afastou-o das corridas durante mais de dois meses e apesar de procurar sempre que pode uma vitória, 2019 está a ser bem diferente de 2018. Na Rádio Popular-Boavista venceu por seis ocasiões, incluindo os dois títulos nacionais e uma etapa na Volta a Portugal. Na Caja Rural a realidade é outra, mas foi o primeiro a dizer que tinha de alcançar bons resultados se não queria que acontecesse o mesmo que no final de 2016, quando a equipa não renovou contrato. Vai à caça de etapas, que o irmão, José, já chegou a estar perto de conquistar. Em forma, Domingos é um ciclista muito forte, que entra nas fugas a pensar que tudo é possível. Se esta for a atitude, é corredor para não passar despercebido. Abandonou na Volta a Portugal devido a indisposição, mas recebeu o voto de confiança de uma equipa que celebra os dez anos como estrutura profissional.

© Movistar
Nelson Oliveira (Movistar)
30 anos. Quinta presença Vuelta
É um dos homens de confiança da equipa, que durante o Tour renovou contrato por mais dois anos com o ciclista. Gregário por excelência, a vida de Nelson Oliveira não tem sido fácil com as constantes divisões entre mais do que um líder. E esta Vuelta promete não ser muito diferente da Volta a França. Nairo Quintana repete a presença, com a rivalidade interna a ser desta feita com o vencedor do Giro, Richard Carapaz. Há ainda Alejandro Valverde e Marc Soler... Porém, apesar desta instabilidade na Movistar, o ciclista português tem sempre se destacado pelo bom trabalho que realiza e não se espera outra coisa em Espanha. Será ainda mais essencial logo na primeira etapa, no contra-relógio colectivo e a ver vamos se lhe é dada liberdade na 10ª tirada para "ir a fundo" no contra-relógio individual.

© Burgos-BH
Nuno Bico (Burgos-BH)
25 anos. Estreia na Vuelta
A passagem pela Movistar não correu como esperava e Nuno Bico procurou uma equipa onde pudesse reencontrar a estabilidade emocional, sem a pressão de estar no World Tour. A alegria de competir ressurgiu na Burgos-BH. A época começou de forma tremida, também devido a doença, mas o português acabou por ser bastante regular e importante no apoio aos companheiros. Parte do seu papel nesta sua primeira Vuelta poderá passar precisamente por essa ajuda aos colegas, mas a Burgos-BH precisa urgentemente de resultados, pelo que não será de afastar a possibilidade de tentar entrar em fugas.



© Burgos-BH
Ricardo Vilela (Burgos-BH)
31 anos. Terceira presença na Vuelta
Ciclista muito experiente e de quem a Burgos-BH espera que apareça nas etapas de montanha. Esteve na Vuelta em 2015, com a Caja Rural e em 2017, com a Manzana Postobón. Vilela tem sido discreto esta época, mas, ainda assim, bastante regular. Nos Nacionais, em Melgaço, mostrou que estava a melhorar a sua forma, pelo que a Vuelta seria o seu principal objectivo. O início de temporada da Burgos-BH foi muito complicada, com uma suspensão devido aos casos de doping. A equipa sofreu mudanças profundas e precisa de estar bem nesta Volta a Espanha, pois a partir de 2020 poderá ter dificuldades em receber o convite para a corrida devido à mudança nos regulamentos de atribuição de wild cards. Se tal acontecer, será um rude golpe para uma estrutura que subiu no ano passado a Profissional Continental, precisamente a pensar em estar na Vuelta. Vilela será dos ciclistas com mais responsabilidade, mas é também dos que melhor sabe lidar com ela.

© Katusha-Alpecin
Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin)
25 anos. Estreia na Vuelta
Finalmente uma grande volta para Ruben Guerreiro. Há um ano parecia estar a caminho dessa estreia, até que uma queda num treino acabou com a possibilidade. Agora na Katusha-Alpecin, esta estreia acontece numa altura muito complicada para a equipa, ainda sem futuro garantido para 2020. Doença, problemas físicos, a chegada ao World Tour deste ciclista tem sido marcada por muitos problemas que têm prejudicado a sua evolução, mas a troca de formação - estava na Trek-Segafredo - até parece ter resultado nesse aspecto. Tem tendência a começar bem as temporadas e acabar também forte. A equipa e o seu director José Azevedo bem precisam que Ruben mostre o potencial que há muito lhe é reconhecido. A Katusha-Alpecin vai sem aspirações à geral, pelo que a ordem é lutar por etapas.


11 de agosto de 2018

Quatro portugueses à procura de surpreender os sprinters

Tiago Machado e Ricardo Vilela são dois dos seleccionados por José Poeira
Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Rui Costa, José Gonçalves, Tiago Machado e Ricardo Vilela estão em Glasgow para tentar surpreender uns sprinters favoritos à conquista do título europeu. Inevitavelmente, Peter Sagan lidera a lista de candidatos, ele que foi o primeiro campeão da Europa, quando os campeonatos foram abertos aos profissionais em 2016. Alexander Kristoff é o detentor do título e pretende continuar o bom momento com que terminou o Tour, ao vencer a etapa dos Campos Elísios.

Num percurso que já viu Mark Cavendish sagrar-se campeão nacional em 2013 e no ano seguinte foi Geraint Thomas o vencedor da corrida nos Jogos da Commonwealth, este último resultado demonstra que é possível bater os sprinters. Nenhum destes britânicos estará presente nos Europeus de Glasgow, na Escócia, pelo que Adam Blythe e Ben Swift poderão ser a maior esperança britânica, ou então Ian Stannard, se optar por um ataque.

Mas no topo da lista de candidatos, além de Sagan (Eslováquia) e Kristoff (Noruega) estão os italianos Elia Viviani e Sonny Colbrelli, John Degenkolb (Alemanha) e Christophe Laporte (França). Greg van Avermaet e Jasper Stuyven (Bélgica) vão tentar intrometer-se nesta luta, ainda que Stuyven terá de mexer antes com a corrida, se de facto quiser ter possibilidade de vencer. E depois aparecem ciclistas como Matej Mohoric (Eslovénia), Mads Pedersen (Dinamarca) e Zdenek Stybar (República Checa) que não se podem excluir de estar na luta, também eles com possíveis ataques.

O quarteto português gostaria que o circuito urbano de 14,400 quilómetros (serão 16 voltas, para totalizar os 230) saísse de Glasgow para que as dificuldades pudessem ser mais selectivas. "O circuito é, por assim dizer, demasiado urbano. Para nós seria mais favorável se a corrida saísse da cidade e pudesse passar por zonas de maior inclinação, mas não é isso que temos pela frente e devemos adaptar-nos ao percurso existente. A corrida vai passar por zonas de peões e até pelo interior de um parque. A luta pela colocação vai ser permanente e muito desgastante. Com a chuva que se prevê, há troços muito traiçoeiros", explicou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

De recordar que no contra-relógio o belga Victor Campanaerts sagrou-se bicampeão europeu, na quarta-feira. Tiago Machado foi 18º, a 2:34 minutos, e José Gonçalves 22º, a 3:51.

Pode ver aqui a lista completa de inscritos.

A corrida de fundo tem início marcado para as 10:30 (fuso horário é o mesmo de Glasgow).


11 de setembro de 2017

Rui Costa regressa para liderar selecção nos Mundiais

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Já são conhecidos os seis ciclistas que vão representar Portugal nos Mundiais de Bergen. Depois de há um ano ter ficado de fora devido ao percurso plano do Qatar, Rui Costa está de regresso à convocatória, não sendo segredo que a corrida na Noruega é um dos objectivos do ano para o campeão do mundo de 2013. Numa selecção com direito a seis atletas, o poveiro será acompanhado por Nelson Oliveira (Movistar), José Gonçalves e Tiago Machado (Katusha-Alpecin), Ricardo Vilela (Manzana Postobón) e o campeão nacional Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo). Rui Costa estará também na prova de contra-relógio juntamente com o quatro vezes campeão nacional desta vertente, Nelson Oliveira.

De fora ficaram os dois ciclistas que actuam em Portugal, Amaro Antunes (W52-FC Porto) e Daniel Mestre (Efapel) e também José Mendes (Bora-Hansgrohe). Os três estavam na pré-convocatória. A escolha do seleccionador José Poeira não causa grande surpresa. Talvez a presença de Vilela possa ser uma pequena, pois fez a Volta a Espanha limitado fisicamente, mas com a prova de estrada a estar marcada para dia 24, deverá ter tempo para recuperar. "O ritmo competitivo, a capacidade de adaptação a provas extensas e a experiência no pelotão internacional foram os principais critérios para a escolha dos seis corredores", segundo o comunicado da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC).

"Vai ser uma eterna luta entre as selecções que pretendem endurecer a corrida para descartar os sprinters e aqueleas às quais interessa um ritmo moderado para que os homens mais rápidos possam estar na discussão da corrida. Pela nossa parte, estaremos concentrados em manter todas as opções em aberto", explicou José Poeira, citado pela FPC. "Quando os percursos não são declaradamente para velocistas temos sempre a ambição de bater-nos por um lugar nos dez primeiros e, desta vez, não será excepção", acrescentou.


Serão 12 voltas a um circuito em Bergen - antes cumprem-se 40 quilómetros na partida em Rong -, para completar 276,5 quilómetros. É um circuito interessante, pois não descarta alguns sprinters - e lá aparece Peter Sagan como um dos grandes favoritos -, mas permite a ciclistas como Rui Costa e mesmo os restantes portugueses, de procurar um bom resultado. Há uma subida de 1,5 quilómetros a meio do percurso, com pendente média 6,4%, que ao ter se ser ultrapassada 12 vezes poderá beneficiar ou alguma fuga, ou se o ritmo for elevado, deixar ficar para trás algum sprinter que passe menos bem estas inclinações.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quanto ao contra-relógio, tem apenas 31 quilómetros e termina numa verdadeira rampa. Se o campeão em título, Tony Martin, não gostou muito, já Nelson Oliveira terá ficado mais satisfeito do que com o percurso plano de há um ano, no Qatar. "É um contra-relógio que, em teoria, favorece mais os nossos corredores do que um longo exercício totalmente plano. No entanto, por ser diferente de tudo aquilo a que estamos habituados, será uma incógnita, obrigando a analisar bem o terreno para uma correcta escolha de andamentos e para decidirmos uma eventual troca de bicicletas no início da subida final", explicou o seleccionador. O campeão nacional, Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) não integrou sequer a lista de pré-convocados.


Nos sub-23 Portugal estará representado por André Carvalho (Cipollini Iseo Serrature Rime), Francisco Campos (Miranda-Mortágua) - campeão nacional de estrada na categoria -, Ivo Oliveira (Axeo Hagens Berman) e José Neves (Liberty Seguros-Carglass), o campeão nacional no contra-relógio. No entanto, Ivo Oliveira será o representante no esforço individual.

Os juniores competem apenas na prova de estrada: Afonso Silva (Sporting-Tavira-Formação Eng. Birto de Mana), Pedro José Lopes (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) e Pedro Miguel Lopes (Seissa-KTM Bikeseven-Matias & Araújo-Frulact). A única representante feminina será precisamente neste escalão: Maria Martins (Bairrada).

Corridas com participação dos ciclistas portugueses: 
18 de setembro-Contrarrelógio Individual Sub-23, 37,2 km 
20 de setembro-Contrarrelógio Individual Elite, 31 km 
22 de setembro-Prova de Fundo Juniores Femininas, 76,4 km 
22 de setembro-Prova de Fundo Sub-23, 191 km 
23 de setembro-Prova de Fundo Juniores, 135,5 km
24 de setembro-9:05: Prova de Fundo Elite, 276,5 km 


10 de setembro de 2017

Os mais e menos desta sensacional Vuelta

O pódio da 72ª edição da Vuelta: Zakarin (3º), Froome (1º) e Nibali (2º)
(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
É verdade que já se repetiu aqui várias vezes a "sensacional Vuelta", ou "fenomenal Vuelta". Mas foi e há que sublinhar isso mesmo. Com um Giro interessante, mas não tão espectacular como em anos anteriores e com uma Volta a França, mais emotiva do que tem sido normal, mas ainda assim a pecar por ter um percurso conservador, esta Vuelta foi uma corrida de três semanas de fazer os adeptos de ciclismo ficarem sentados quase da primeira à última etapa sem grandes momentos para se bocejar! Chegou ao fim e podemos começar a pensar no final de temporada, com os Mundiais e a Lombardia como principais destaques. Mas antes fica aqui os mais e menos de uma Vuelta de emoções fortes.

Os mais...

Chris Froome, claro. É o primeiro ciclista a fazer a dobradinha Tour/Vuelta desde que as corridas estão no actual calendário. Depois de três segundos lugares, finalmente a vitória e com uma demonstração do poderio que nos habituámos a ver no Tour e que este ano tinha sido colocado em causa. Venceu duas etapas (uma foi o contra-relógio) e vestiu a camisola vermelha na terceira etapa e nunca mais a tirou. A Sky também esteve em grande nível, depois de há um ano ter falhado perante o seu líder na Vuelta. Wout Poels foi imperial, Gianni Moscon uma confirmação que é mais um homem preparado para servir a Sky nas grandes voltas.

Alberto Contador. Começou tão mal esta Vuelta que se chegou a temer que a despedida seria marcada por um abandono. Afinal, a má etapa de Andorra tinha sido devido a um problema de saúde. Recuperou e foi espectáculo atrás de espectáculo. Custou, mas ganhou uma etapa e logo no Angliru. É o primeiro ciclista a vencer duas vezes nesta mítica subida. Faltou-lhe o pódio na hora do adeus, mas deixou uma marca tão profunda nesta Volta a Espanha, que garantiu que será lembrado por mais uma grande corrida que fez, independentemente do quarto lugar. E que bonita foi aquela entrada em Madrid, com o pelotão a deixar-se ficar para trás, deixando Contador receber uma enorme ovação pelas ruas da sua cidade. Mais um pormenor: salvou a Espanha de não ter nenhum ciclista seu a vencer em casa, algo que só aconteceu em 1996.

Ilnur Zakarin e Wilco Kelderman. O russo da Katusha-Alpecin consegue o seu primeiro pódio numa grande volta. A aposta de José Azevedo começa a render, depois do quinto lugar no Giro. A concorrência era bem mais feroz na Vuelta e apesar de um início pouco convincente, Zakarin terminou em grande e a dizer que está pronto para um maior desafio em 2018: o Tour. Quanto ao holandês da Sunweb, depois de ter sido o homem de confiança que Tom Dumoulin perdeu no incidente com a moto no Giro, agarrou com tudo o que tinha a oportunidade de liderar uma grande volta. Acabou por cair de terceiro para quinto lugar no Angliru, mas ainda assim são mais os aspectos positivos a tirar do que os negativos. Demonstrou que a Sunweb tinha razão em mandar para casa um Warren Barguil a querer ser a estrela e não um homem de equipa. A ver vamos o que reserva a Kelderman em 2018, sendo certo que não irá livrar-se de ajudar Dumoulin, mas a merecer nova oportunidade como líder.

Michael Woods. É a surpresa no top dez. Aos 30 anos fez a sua melhor corrida, naquela que foi apenas a sua segunda grande volta. Brilhante sétimo lugar do canadiano que pouco se falou até hoje, mas que agora fica-se a pensar se tem mais para mostrar ou se apenas garantiu um lugar na equipa para 2018, no apoio a Rigoberto Uran. Pode já ter aparecido tarde, mas serão três semanas marcantes na carreira de um ciclista que normalmente mostra-se em provas de uma semana nos EUA, ou nas clássicas. Por curiosidade, Woods ganhou em 2015 a Clássica Internacional de Loulé. A Cannondale-Drapac colocou ainda Davide Villella como o rei da montanha, num ano muito positivo nas provas de três semanas, mesmo com a ameaça de ser o fim da linha da formação, algo já confirmado que não irá acontecer.

Miguel Ángel López. O Super-Homem do ciclismo está de regresso. Foi um ano penoso depois no final de 2016 ter sofrido uma queda grave num treino, na qual fracturou a perna. A confirmação do seu talento para as três semanas não aconteceu na Vuelta de 2016 (também caiu e abandonou depois de ter vencido nesse ano a Volta a Suíça), surgiu nesta, com duas vitórias de etapa e o oitavo posto na geral. Foi o melhor ciclista da Astana, que tinha Fabio Aru como líder. É um ciclista com um futuro muito (mesmo muito) promissor.

Os caçadores de etapas. Matteo Trentin (quatro) e Tomasz Marczynski (duas) foram os ciclistas que repetiram vitórias na Vuelta, além de López e Froome. Para o italiano foi o passaporte para o grupo de corredores que conquistaram tiradas nas três grandes voltas, enquanto o polaco estreou-se a vencer nestas corridas. Trentin venceu em Madrid, mas falhou a camisola verde porque, ao contrário do que se esperava, Froome foi sprintar e garantiu por dois pontos essa classificação. Ainda assim, para o italiano e para a Quick-Step Floors foi um saldo muito positivo. A equipa belga sai da Vuelta com seis vitórias, mais uma do que as conquistas no Giro e no Tour. Que época tremenda! Mas Marczynski contribuiu também para a Lotto Soudal ter razões para sorrir depois de um Tour em que ficou a zero. Armée Sander e Thomas de Gendt também venceram para a equipa. O belga juntou-se a Trentin como o vencedor nas três grandes.

A Aqua Blue Sport foi a única equipa das que receberam um convite para a Vuelta a conquistar uma vitória de etapa. A formação irlandesa - que conta com o massagista português Pedro Claudino - tentou ao sprint com o campeão inglês em 2016 Adam Blythe e integrou algumas fugas. Foi assim que conseguiu um triunfo por intermédio do austríaco Stefan Denifl. Foi uma vitória de extrema importância para uma formação a cumprir o seu primeiro ano de existência e a justificar um convite que surpreendeu muitos. Cofidis, Manzana Postobón e a formação da casa, Caja Rural, não conseguiram o mesmo protagonismo.

Os menos...

Começando pelas outras promessas além de López. As atenções eram muito sobre as espanholas e foi Marc Soler quem mais se mostrou. O jovem de 23 anos entrou em fugas e esteve muito activo na Vuelta, mas não foi recompensado nem com uma vitória de etapa, nem com uma classificação na geral digna de nota (perdeu mais de duas horas). Ganhou experiência o que poderá ser importante para o futuro, já que é um ciclista muito novo. O mesmo acontece com Jaime Rosón. Esteve um pouco melhor, mas o reforço da Movistar para 2017 - actualmente na Caja Rural - não se viu muito e acabou com mais de uma hora de atraso. Mais um caso em que se pode dizer que ganhou experiência.

Há ainda Rubén Fernández e David de la Cruz. O primeiro, da Movistar, deu tanto espectáculo há um ano e neste... praticamente nada. O segundo, da Quick-Step Floors e de malas feitas para a Sky, mostrou debilidades sempre que as dificuldades montanhosas mais complicadas apareceram. Quando se queria mostrar para garantir pelo menos um top dez, caiu antes de chegar ao Angliru e abandonou. Esperava-se mais e melhor dos dois.

Já se falou de dois ciclistas da Movistar, mas se há um grande menos nesta Vuelta é a equipa espanhola. Orfã de um líder (Nairo Quintana fez o Giro e o Tour e Alejandro Valverde está a recuperar de uma grave queda na Volta a França), a oportunidade dada aos ciclistas mais novos não deu frutos, pelos menos nesta Vuelta. Aposta para o futuro dirá o director desportivo Eusebio Unzué. Também não ajudou Carlos Betancur desistir após uma queda, ele que até parecia estar de facto bem fisicamente. Mas para uma equipa espanhol, a única do World Tour, com um patrocinador tão exigente que nem deixa que o campeão espanhol utilize uma camisola que o identifique claramente como tal, ter o melhor classificado na 36ª posição a 1:43.45 horas (Richard Carapaz)... Não há razões para sorrir. E nem uma etapa foi ganha pela Movistar. Volta para esquecer da equipa de Nelson Oliveira.

Destacam-se pela negativa mais duas equipas. A BMC que começou por vestir a vermelha e tentar disputar a geral primeiro com Rohan Dennis (mais uma vez não acabou uma grande volta) e depois com Nicholas Roche que foi um descalabro depois de sonhar com o pódio. Salvou-se o top dez de Tejay van Garderen, "oferecido" por Fabio Aru no Angliru. A Orica-Scott apostou forte com Johan Esteban Chaves e os gémeos Yates. Adam e Simon foram uma tremenda desilusão. Talento não lhes falta, mas está a faltar algo para começarem finalmente a discutir grandes voltas, além das classificações da juventude. Quanto a Chaves, foi ao Tour para ganhar ritmo depois de meio ano perdido a recuperar de uma lesão no joelho. Apareceu bem na Vuelta, mas não na apresentada há um ano, que lhe valeu o pódio. Com um contra-relógio de 40 quilómetros foi impossível lutar por resultado idêntico. Apesar de no início ser o colombiano o único que não largava Froome, quebrou e terminou fora do top dez. Mesmo com alguns problemas na montanha, que revelam que ainda não está a 100%, tem de melhorar no contra-relógio se quer aspirar a algo mais.

Já aqui se falou de Fabio Aru. O que dizer de um ciclista que perdeu 15 minutos no Angliru? Terminou o Tour doente e não conseguiu estar ao seu melhor na Vuelta. É uma pena, porque numa corrida com tanto espectáculo, teria sido tão bom ver este italiano a ser aquele ciclista irreverente que sabe e gosta de ser.

Os portugueses

José Gonçalves não terminou, pois uma queda na sexta etapa acabou com a sua Vuelta. Mas o contingente português contou com mais quatro ciclistas e todos andaram em fugas. Rui Costa e Nelson Oliveira com bons resultados, mas não houve vitória. O ciclista da UAE Team Emirates conseguiu um quarto lugar, que tem de ser valorizado já que fez uma parte da Vuelta com uma ferida nas costas, resultado de uma queda. Ainda este domingo tentou novamente a sua sorte. Foi 43º, a 1:58.46 horas, mas mais do que esta classificação ficaram indicações que poderá aparecer bem nos Mundiais. Nelson Oliveira conseguiu um quinto lugar e a certa altura chegou a bater à porta do top dez. Foi um teste às capacidades de voltista do ciclista da Movistar, sem estar no papel de gregário. Mas esta Vuelta é mesmo muito dura e com o passar das montanhas Oliveira foi perdendo tempo. Terminou na 47ª posição, a 2:16.03. No contra-relógio, o próprio assumiu que foi uma desilusão a sua exibição nesse dia, ficando longe dos melhores: a 2 2:47 de Chris Froome.

Ricardo Vilela fez a Vuelta lesionado. Ainda assim manteve-se em prova até final, representando uma Manzana Postobón que tanto se quis mostrar nesta corrida. Foi 50º, a 2:25.21 de Froome. Rafael Reis fez a sua estreia e acabou por ser o intervenientes de um dos momentos negativos na Vuelta. Não por sua responsabilidade. Quando integrava uma fuga, acabou por ser tocado por uma moto, que lhe provocou uma queda. Infelicidade para o português da Caja Rural que certamente ganhou uma experiência importante durante as últimas três semanas, naquele que está a ser o seu primeiro ano numa equipa Profissional Continental. Terminou na 132ª posição, a 4:27.14.

Muito mais haveria a dizer, mas vamos evitar um testamento. De ano para ano esta Vuelta tem sido o palco de cada vez mais espectáculo e, por isso, entramos em contagem decrescente até à próxima, a 73ª edição.


Summary - Stage 21 - La Vuelta 2017 por la_vuelta



14 de agosto de 2017

O contingente português na Vuelta

(Fotografia: Facebook Rui Costa)
Estamos em contagem decrescente para o início da Vuelta, a última grande volta do ano. São poucas as equipas que ainda não confirmaram o nove eleito e das que contam com portugueses no plantel, só uma ainda não definiu os ciclistas. Rui Costa, Nelson Oliveira, José Gonçalves e Rafael Reis estão confirmados na Volta a Espanha.

Para Rui Costa e José Gonçalves será a segunda presença numa corrida de três semanas em 2017. Ambos estiveram no Giro e será de esperar um papel idêntico aos que tiveram em Itália. Rui Costa está a ter um ano muito diferente ao que tem sido habitual desde que está ao mais alto nível do ciclismo. Será a sua 10ª grande volta, mas tal como aconteceu no Giro, fará a sua estreia na Vuelta.

Louis Meintjes será o homem para a geral, pelo que o campeão do Mundo de 2013 deverá ter a liberdade para procurar vitórias de etapas. No Giro fez dois segundos lugares e a motivação está em alta para a corrida espanhola, naquele que está a ser uma excelente temporada de Rui Costa. Só lhe falta uma etapa numa grande volta. Porém, também é possível que o poveiro dê uma ajuda a Meintjes, pois ainda com John Darwin Atapuma nos eleitos, a UAE Team Emirates tem a responsabilidade de fazer algo interessante na corrida.

Já José Gonçalves conhece bem os cantos à Vuelta. Já fez duas, ainda que no ano passado tenha abandonado. A estreia em 2015 foi memorável: um segundo lugar, um terceiro e dois quintos em etapas. Foi dos ciclistas mais combativos, então ao serviço da Caja Rural. Perante as características do ciclista português de 28 anos, bem que gostaríamos de o ver com liberdade para também ele tentar ganhar uma etapa. Porém, com Ilnur Zakarin como líder, o mais provável é que seja novamente um aliado muito importante para o russo, tal como aconteceu no Giro.

Para Nelson Oliveira chegou a oportunidade de salvar algo de uma época infeliz. A queda no Paris-Roubaix estragou-lhe parte da temporada, tendo ficado de fora das escolhas para o Tour. Nos Nacionais viveu o insólito momento de nem sequer partir para o contra-relógio por não saber da mudança de horário da partida. Mas já naquela altura tinha a Vuelta em mente, corrida onde conquistou uma etapa em 2015, ao serviço da Lampre-Merida. Sem o lesionado Alejandro Valverde e com Nairo Quintana a descansar depois de fazer o Giro e o Tour, a Movistar apresenta-se sem um líder claro, pelo que Nelson Oliveira poderá tentar a sua sorte.

Quanto a Rafael Reis fará a sua estreia numa grande volta. Para o ciclista da Caja Rural é o concretizar de um sonho. Assinar pela equipa espanhola foi um passo que procurava na sua carreira e estar na Vuelta era um dos seus objectivos do ano. A Caja Rural quer ganhar uma etapa e é possível que Rafael Reis tente entrar em alguma fuga e também terá a oportunidade para mostrar as suas qualidades como contra-relogista.

De fora estão José Mendes e Tiago Machado. O primeiro esteve no Giro, mas não irá regressar à corrida na qual foi o líder da equipa em 2016. O ciclista está em final de contrato com a Bora-Hansgrohe e desconhece-se ainda o seu futuro. Quando a Machado esteve no Tour e foi dos melhores corredores da Katusha-Alpecin. Nuno Bico (Movistar) e Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) ainda não são apostas para estas andanças.

A Manzana Postobón foi convidada para a Volta a Espanha, contudo, não apresentou o seu nove. Ricardo Vilela faz parte do plantel, mas não aparece nos pré-convocados. A equipa colombiana deverá apostar maioritariamente em ciclistas do seu país.

A Vuelta começa este sábado na cidade francesa de Nîme, com um contra-relógio por equipas.

(Nota de actualização: A Manzana Postobón já confirmou entretanto a equipa para a Vuelta e Ricardo Vilela irá ser o quinto português na corrida)

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27 de março de 2017

Manzana Postobón de Ricardo Vilela recebe convite para a Volta a Espanha

Era um objectivo, mas tendo em conta que a equipa só este ano foi para a estrada, conseguir um convite para a Volta a Espanha logo na estreia é algo fantástico para a Manzana Postobón e naturalmente que a equipa está a celebrar como uma grande vitória. O projecto colombiano nasceu com uma enorme ambição e nas corridas que tem participado, os seus ciclistas tudo têm feito para se mostrar. As vitórias chegaram em Portugal, com a conquista da classificação da montanha na Volta ao Algarve por parte de Juan Felipe Osorio e duas vitórias de etapas na Volta ao Alentejo, por intermédio de Juan Sebastian Molano. Ricardo Vilela é uma das principais figuras da formação, que apostou em três ciclistas europeus com experiência para ajudar na evolução dos jovens colombianos que são a principal aposta da Manzana Postobón.

Este projecto quer recuperar o que a Team Colombia fez durante uns anos, ou seja, dar uma oportunidade aos ciclistas daquele país sul-americano de competir ao mais alto nível e, por isso mesmo, quis uma licença Profissional Continental, para assim tentar ter acesso a grandes corridas. Neste arranque de temporada, a Manzana Postobón queria tentar entrar em algumas provas World Tour, principalmente em Espanha: conseguiu e esteve na Volta à Catalunha. Além de Ricardo Vilela, o holandês Jetse Bol e o espanhol Antonio Piedra são os restantes ciclistas europeus que fazem parte do plantel da equipa. Recentemente, o corredor português, de 29 anos, disse ao Volta ao Ciclismo que os responsáveis da Manzana Postobón são ambiciosos, mas que a equipa tem a estrutura para concretizar os objectivos, além de ter um patrocinador muito importante na Colômbia, que apoia também outros desportos.

O convite atribuído pela organização da Vuelta está a ter uma forte repercussão na Colômbia, com os meios de comunicação social a darem destaque ao facto de equipa ter conseguido entrar numa grande volta logo no primeiro ano de existência. Numa altura em que alguns dos melhores ciclistas da actualidade são colombianos, o projecto da Manzana Postobón era muito desejado, para que assim possa existir uma equipa que permita a evolução de possíveis sucessores de Nairo Quintana, Jarlinson Pantano, Fernando Gaviria...

Mas houve também festa na Irlanda. A primeira equipa Profissional Continental deste país recebeu igualmente um convite para competir na Vuelta (de 19 de Agosto a 10 de Setembro). A Aqua Blue Sport é um dos novos projectos de 2017 e apesar de ainda não contar com qualquer vitória, tem sido uma equipa muito interessante de seguir, animando as corridas e já esteve perto de vencer por intermédio da sua principal estrela, o campeão britânico, Adam Blythe.

A presença na Flèche Wallonne, Liège-Bastogne-Liège e Volta à Suíça já eram motivos de satisfação para os responsáveis da formação irlandesa, mas claro que a possibilidade de estar numa grande volta é uma excelente forma de credibilizar ainda mais o projecto. De salientar que a Aqua Blue Sport também conta com um português, o massagista Pedro Claudino.
Quanto aos dois outros convites, não houve grandes surpresas. A Caja Rural, a única equipa espanhola do segundo escalão, recebeu o habitual convite e Rafael Reis já admitiu que gostaria muito de fazer a Vuelta. A Cofidis completa o grupo de convidados, escolha que não surpreende, visto que a corrida começa este ano em França, mais concretamente em Nîmes. Nacer Bouhanni é a principal figura da formação gaulesa, contudo, a Volta a Espanha mantém-se fiel ao ideal dos últimos anos, sendo uma corrida com muitas montanhas, muitas rampas e muito pouco percurso que agrade aos sprinters.

»»O regresso do Angliru para decidir mais uma tremenda Volta a Espanha««

»»Ricardo Vilela: "Sair da Europa e passar para o outro lado do Atlântico é sempre uma aventura"««

»»Rafael Reis: "Gostava muito de estar na Volta a Espanha. É um dos meus principais objectivos ir aos Europeus e aos Mundiais"««

17 de março de 2017

"Sair da Europa e passar para o outro lado do Atlântico é sempre uma aventura"

Aos 29 anos, Ricardo Vilela deixou de ser "apenas" mais um ciclista de uma equipa. O português aceitou o desafio de uma formação colombiana que procurava na Europa corredores experientes, não só para serem líderes nas corridas, mas também para assumirem uma função de professor para os jovens que a Manzana Postobón pretende formar. "Eu gosto deste papel", admitiu Ricardo Vilela ao Volta ao Ciclismo, deixando ainda elogios a um projecto ambicioso e que o ciclista de Bragança garante ter todas as condições para evoluir e atingir os objectivos a que se propôs.

"Ainda não tem uma grande estrutura, mas estão num bom caminho. Os jovens, por exemplo, já fazem um trabalho muito apoiado na ciência, como concentrarem-se na potência, entre outros pormenores. É muito positivo o que está a acontecer aqui", explicou Ricardo Vilela. "A ambição é grande, mas a equipa tem estrutura para isso. A Manzana Postobón é uma grande empresa na Colômbia, patrocina vários desportos no país e agora está a apostar forte no ciclismo. Esperemos que assim continue", acrescentou. A equipa surge para voltar a dar à Colômbia uma formação que possa projectar os seus ciclistas como aconteceu com a extinta Team Colombia, então apoiada pelo governo do país.

Por isso, muitos dos ciclistas são sub-23 colombianos, o que fez os responsáveis procurarem ciclistas mais experientes. E como equipa Profissional Continental, correr na Europa é o plano principal. Ricardo Vilela é dos mais velhos, a seguir ao espanhol Antonio Piedra (31), que tal como o português passou pela Caja Rural. O holandês Jetse Bol (27), que chegou a passar pelo World Tour, completa o trio europeu.

"A ambição é grande, mas a equipa tem estrutura para isso. A Manzana Postobón é uma grande empresa na Colômbia, patrocina vários desportos no país e agora está a apostar forte no ciclismo"

Depois de se confirmar como um dos melhores trepadores em Portugal, ao serviço de algumas das principais equipas (Boavista, Efapel e OFM-Quinta da Lixa), Ricardo Vilela deu o salto esperado para o estrangeiro, representando nos últimos dois anos a Caja Rural. Conseguiu alguns resultados interessantes, fez uma Volta a Espanha, mas ao fim de dois anos, Vilela resolveu arriscar assinar por um projecto diferente, mas muito motivador.  "Sair da Europa e passar para o outro lado do Atlântico é sempre uma aventura. Mas está a ser uma boa experiência", confessou o ciclista.

Apesar do papel de professor que os responsáveis da equipa lhe pediram, na Manzana Postobón Vilela tem mais liberdade, até porque é um dos líderes. Já correspondeu com uma boa Volta ao Algarve, terminando na 17ª posição, com a formação colombiana a conquistar ainda a classificação da montanha por intermédio de Juan Felipe Osorio (22 anos). Na Volta ao Alentejo o português esteve mais discreto, algo normal tendo em conta o terreno menos favorável às suas características, mas ainda assim viu um colega seu, Juan Sebastian Molano (22), ganhar duas etapas.

Vilela fala em ir "para o outro lado do Atlântico", mas refere-se apenas em estar numa equipa colombiana, pois o seu calendário é, para já, exclusivamente europeu. A Manzana Postobón queria neste seu primeiro ano tentar participar em algumas corridas World Tour e conseguiu um convite para a Volta a Catalunha e claro que lá estará Vilela. "Vamos depois estar na Volta às Astúrias, Madrid e outras clássicas em Espanha, assim como corridas na Noruega e França", disse o ciclista. Mas será que gostava de fazer uma prova na casa da sua equipa? "Depende como terminar a época", respondeu. Porém, agora é altura de se concentrar em cumprir as suas funções num projecto que diz "estar a dar os primeiros passos" e que Vilela espera conseguir contribuir para que a equipa possa adaptar-se rapidamente à realidade do ciclismo europeu e começar a conquistar triunfos ainda mais importantes.


11 de março de 2017

José Poeira juntou grupo de talento para representar a selecção na Clássica Aldeias do Xisto

É preciso aproveitar todas as oportunidades e José Poeira não quis desperdiçar a possibilidade de conseguir juntar um grupo de muita qualidade de jovens ciclistas, para assim os analisar na Clássica Aldeias do Xisto - que se realiza este domingo - já a pensar nas corridas da Taça das Nações e, claro, nos Europeus e Mundiais. Para estes últimos campeonatos ainda faltam uns meses, mas o seleccionador nacional diz que é preciso começar a trabalhar logo no início do ano para preparar ao pormenor a participação portuguesa nos vários escalões. Os gémeos Oliveira, André Carvalho, João Almeida e Daniel Viegas são os jovens que José Poeira vai aproveitar para ver e que espera que possam também de beneficiar da experiência de André Cardoso, Tiago Machado e Ricardo Vilela.

"Neste caso o interesse maior é pelos sub-23 porque são com eles que vamos trabalhando durante o ano em diferentes corridas da Taça das Nações. Por vezes é complicado juntá-los antes porque estão em diferentes equipas e vai ser interessantes vê-los este domingo", explicou José Poeira ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador valoriza o facto de ciclistas do World Tour - André Cardoso (Trek-Segafredo) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin) - e de formações Profissionais Continentais - Ricardo Vilela (Manzana Postobón) - terem interesse em representar nesta fase da época a selecção: "É bom para eles, é bom para nós e é bom para a corrida, pois enriquece o pelotão e torna as coisas mais interessantes. Motiva toda a gente, pois são ciclistas que fazem a Volta a Itália ou a Volta a França e isso é importante para a corrida e para o ciclismo." Apesar do objectivo não ser lutar pela vitória, pois ver os como estão os ciclistas é o mais importante, José Poeira não afasta a possibilidade de algum dos seus corredores entrar na luta por um bom resultado.

Há que salientar que o grupo de potenciais ciclistas eligíveis para a selecção conta com alguns que estão em equipas nacionais, mas José Poeira disse que esses vão competindo nas suas formações. O seleccionador tenta aproveitar para ver aqueles que estão no estrangeiro, como João Almeida, por exemplo. O jovem de 18 anos assinou pela italiana Unieuro Trevigiani-Hemus 1896, do escalão continental, e José Poeira vai aproveitar para ver como está a evoluir o ciclista, agora que subiu ao escalão de sub-23.

Não conhecendo o trabalho que está a ser feito com João Almeida na formação transalpina, o seleccionador deixa o alerta: "Essas equipas, esses directores têm de ter cuidado, pois há que se ter a percepção que estão a lidar com um jovem que veio de júnior, onde a distância das corridas e o ritmo é diferente. Penso que essas pessoas têm a percepção que ciclistas como o João Almeida devem fazer corridas adequadas para a idade e não devem fazer muitas. Para se ter bons atletas, temos de saber trabalhar com eles nestas alturas das carreiras."

Quanto a Ivo e Rui Oliveira assinaram por uma das melhores equipas de formação, a americana Axeon Hagens Berman de Axel Merckx, e José Poeira deixa elogios aos gémeos. "Eles devem muito à pista. São dotados de uma técnica e de uma experiência de domínio da bicicleta no pelotão. Estão a evoluir fisicamente, estão a melhorar nas subidas e já passam bem a média montanha, além de terem uma excelente ponta final. Para a idade que têm [20], em corridas de sub-23 dão bem conta de si e discutem os primeiros lugares", realçou.

Clássica Aldeias do Xisto para decidir o Troféu Liberty Seguros

Serão 140 quilómetros de sobe e desce, com o pelotão a começar na Aldeia da Barroca (Fundão) às 12:00 e com a meta colocada na subida de segunda categoria na Aldeia da Cerdeira (Lousã). Pelo meio haverá duas ascensões de terceira e uma de primeira que antecede a última subida do dia. E para fazer jus ao nome, a clássica passará pelas aldeias Janeiro de Baixo, Janeiro de Cima, Casal Novo, Talasnal e do Candal.

O Troféu Liberty Seguros é liderado pelo jovem Francisco Campos (Miranda-Mortágua), em igualdade pontual com Amaro Antunes (W52-FC Porto), que foram os vencedores da primeira e segunda corrida respectivamente, ou seja, na prova de abertura Região de Aveiro e na Clássica da Arrábida. Dado o fantástico início de temporada que está a realizar, Amaro Antunes é o grande favorito à vitória tanto na corrida, como à conquista do troféu.




16 de fevereiro de 2017

Um domínio azul da Bélgica, mas com os portugueses a mostrarem-se (principalmente um... de azul)

Primoz Roglic bem tentou, mas ficou na sombra de Daniel Martin
Duas etapas, duas vitórias e já lá vão 12 em 2017. Daniel Martin bem tinha avisado que a Volta ao Algarve era boa para ele e que toda a equipa está nas competições para ganhar e não com o pensamento de apenas preparar outras provas. Ao sprint, Fernando Gaviria cumpriu, na subida ao Alto da Fóia, Martin fez o seu trabalho. Primoz Roglic ainda assustou, mas o irlandês parte para o contra-relógio desta sexta-feira com quatro segundos de vantagem. Mesmo não sendo o mais forte nesta especialidade, tendo em conta que tem o Alto do Malhão, Martin é desde já o grande favorito à vitória final, ainda mais tendo em conta que a sua equipa tem sido exímia no apoio aos seus líderes. Mas atenção a Roglic.

Ainda faltam três etapas, muitos quilómetros e com candidatos a começar precisamente por Roglic (Lotto-Jumbo) que gosta da Volta ao Algarve, tendo no ano passado terminado no quinto lugar. O esloveno tem uma vantagem perante Martin, pois é um excelente contra-relogista, tendo vencido um no Giro em 2016 e foi 10º nos Jogos Olímpicos. Michal Kwiatkowski (Sky) conquistou a Algarvia em 2014, mas o polaco está longe do seu melhor há muito - foi campeão do Mundo em 2014 -, pelo que parece tentar em Portugal começar uma segunda vida no ciclismo e principalmente na equipa britânica (e bem precisa, pois está em final de contrato).

E atenção aos portugueses. Mais uma vez: grande Amaro Antunes (W52-FC Porto). O algarvio está a confirmar o bom momento de forma e terminou na quarta posição a 33 segundos de Martin. No regresso a Portugal, Edgar Pinto (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) começa a mostrar serviço no seu terreno: foi nono, a 35 segundos do vencedor. Ainda no top 15 ficou Ricardo Vilela (Manzana Postobón), a 54 segundos do irlandês.

Regressando a Quick-Step Floors, a equipa belga tem sido ano após ano uma das mais ganhadoras do World Tour. Portanto, não se pode dizer que seja uma surpresa este arranque fantástico de temporada. Porém, é de realçar como o está a fazer, ou seja, com quem: com as principais figuras, em todos os terrenos. Os sprints são, principalmente, de Gaviria e Marcel Kittel, Martin abriu a sua conta de 2017 na montanha e não esquecer Tom Boonen, que está a preparar a despedida no Paris-Roubaix e já deixou indicações que quer fazer uma última época de clássicas em grande.

Apesar dos muitos anos ao mais alto nível do ciclismo, o director desportivo Patrick Lefevere está mais uma vez em modo de missão de salvamento. Com o afastamento da Etixx como um dos patrocinadores principais, Lefevere procura outro apoio para garantir o futuro da equipa. Seria estranho ver a formação belga acabar, mas nem sempre o currículo salva as equipas em tempos de crise. Portanto, se há um ano bom para conquistar muitas vitórias logo a começar a temporada, é este. Quanto mais cedo "seduzir" alguém, mais cedo Lefevere pode voltar a preocupar-se exclusivamente com as corridas e em garantir o futuro dos seus ciclistas, já que agora nem tem renovado contratos e a indefinição pode prejudicar futuras contratações.

Esta sexta-feira, no contra-relógio de Sagres (18 quilómetros), o vencedor é possível que seja de outra equipa, para variar um pouco, mas em Tavira e no Malhão, Gaviria e Martin são novamente favoritos, apesar da forte concorrência, pois esta Volta ao Algarve está com o pelotão de luxo e o espectáculo ao nível de tal.








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24 de janeiro de 2017

Volta ao Algarve. Degenkolb, Vanmarcke; Ruben Guerreiro e Ricardo Vilela no ataque à geral...

Degenkolb é mais um grande nome confirmado
(Fotografia: Trek-Segafredo)
O pelotão da Volta ao Algarve vai ganhando forma com nomes que certamente começam a entusiasmar os adeptos. A lista de inscritos das equipas vão chegando e a mais recente informação da Federação Portuguesa de Ciclismo aponta para a presença de mais uns grandes ciclistas, como é o caso de John Degenkolb e também o português Ruben Guerreiro que poderá muito bem ser a aposta da Trek-Segafredo para a geral. Mas outro português também estará na corrida, pois Ricardo Vilela vai ao Algarve com a sua nova equipa, a colombiana Manzana Postobón.

Degenkolb (26 anos) torna-se desde já um dos principais nomes da 43ª edição da prova, que este ano subiu de nível, para o segundo mais alto da UCI (2.HC). O alemão estará na Volta ao Algarve a preparar a época das clássicas. Depois de um 2015 inesquecível, com vitórias em dois monumentos (a Milano-Sanremo e o Paris-Roubaix), Degenkolb começou 2016 a ser atropelado durante um treino em Alicante. Quase perdeu um dedo e a recuperação levou vários meses. O ciclista, então na Giant-Alpecin, nunca conseguiu atingir a melhor forma. Resolveu mudar de ares e procura na Trek-Segafredo reencontrar-se com as grandes vitórias, enquanto a equipa americana espera que Degenkolb possa preencher a vaga de sucesso deixada pela retirada de Fabian Cancellara.

O director desportivo da Trek-Segafredo - equipa que se inscreveu à última hora, após o cancelamento da Volta ao Qatar -, Dirk Demol, escolheu para acompanhar Degenkolb outro talentoso ciclista para as clássicas, Jasper Stuyven, os homens de trabalho Marco Coledan, Koen de Kort, Mads Pedersen e Gregory Rast e também o sprinter Giacomo Nizzolo. No entanto, o campeão italiano sofre de uma tendinite que o afastou da Volta a San Juan, também já cancelou a sua presença na Volta ao Dubai e o próprio admite que está em risco a participação na corrida portuguesa. "Os médicos avisaram-me para continuar com a terapia. É o que estou a fazer e penso que estou lentamente a melhorar", explicou Nizzolo, citado pelo Velonews. Esta terça-feira, o italiano ia ser avaliado pelo médico e tinha esperança de voltar à bicicleta já na quarta-feira. Se tal acontecer, então ainda é possível que Nizzolo comece a temporada no Algarve.

Mas o destaque da Trek-Segafredo vai também para Ruben Guerreiro. O português de 22 anos teve uma excelente estreia no Tour Down Under: liderou a classificação da juventude, andou pelo top 10, terminando na 18ª posição, naquela que foi a primeira corrida a nível do World Tour. Ruben Guerreiro poderá muito bem ter a oportunidade de lutar pela geral na Algarvia.

Dos Estados Unidos vem também a Cannondale-Drapac com a sua grande contratação: Sep Vanmarcke. O belga, de 28 anos, também está a preparar as fase das clássicas. Em 2016 foi o autor de um dos actos de maior fairplay do ano quando na Volta a Flandres não sprintou com Fabian Cancellara, deixando o suíço ficar em segundo (Peter Sagan já tinha cortado a meta), numa demonstração de respeito para um ciclista que havia vencido aquela corrida três vezes e a estava a fazer pela última vez. Ao trocar a Lotto-Jumbo pela Cannondale-Drapac, Vanmarcke espera mudar o estigma que o tem acompanhado: vai ficando perto de vencer um monumento, mas fica sempre a faltar um bocadinho.

Taylor Phinney é outro dos reforços da equipa e o americano quer relançar a sua carreira. Wouter Wippert, Ryan Muller, Alberto Bettiol, Sebastian Langeveld, Dylan Vanbaarle e Davide Villella completam a formação que estará no Algarve.

A Manzana Postobón, do escalão Profissional Continental, deseja que Colômbia volte a ter uma equipa de respeito. Naturalmente que pretende ser uma porta para os ciclistas colombianos, mas apostou também em ciclistas com experiência na Europa, pois quer competir com regularidade no Velho Continente. O português Ricardo Vilela e o holandês Jetse Bol foram escolhidos para liderar na Algarvia. O primeiro é aposta para o Alto da Fóia e Malhão e o segundo para as etapas planas. O espanhol Antonio Piedra completa o trio de europeus que será acompanhado pelos colombianos Aldemar Reyes, Hernán Aguirre, Juan Molano, Hernando Bohórquez e Juan Osorio.

De recordar que já estavam confirmados ciclistas como Thibaut Pinot, Tony Martin, Luis León Sánchez e os portugueses da Katusha-Alpecin Tiago Machado e José Gonçalves.

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