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(Fotografia: © BettiniPhoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol) |
Aos 28 anos conquistou a vitória que não esconde que andava a perseguir desde o escalão de juniores. O mais perto que tinha ficado foi em 2012, enquanto sub-23, quando 44 segundos o separaram do então campeão Anton Vorobyev. Na elite, por uma ou outra razão, nem no pódio Dennis conseguiu ficar. "Nunca tinha ganho em nenhum escalão, por isso, vencer o meu primeiro [título] como sénior é mesmo especial", desabafou um Dennis que estava tão feliz, como aliviado de ter alcançado um objectivo de carreira.
Estava a transformar-se num eterno favorito que nunca confirmava esse estatuto, mas 2018 foi grande parte dedicado a preparar os Mundiais, a pensar neste contra-relógio de Innsbruck. Se em Bergen claudicou na subida, desta feita mostrou que o trabalho de casa foi feito e muito bem feito. Esteve praticamente imbatível nos contra-relógios esta temporada - seis vitórias até aos Mundiais - e fecha com uma camisola de arco-íris que deixa mais pessoas a esfregar as mãos de contentamento.
Se o talento estava lá, a verdade é que foi na BMC que o aprendeu a explorar no seu máximo. Foram quatro temporadas e meia numa equipa que o transformou num dos melhores do mundo, mas que quando finalmente vê o seu ciclista alcançar o melhor prémio, este vai vestir a camisola do arco-íris para outra equipa. Ganhou também a Bahrain-Merida com o triunfo de hoje, pelo menos no futuro protagonismo. Fica o mérito de quem na BMC o ajudou. A equipa americana perdeu o seu patrocinador, mas vai continuar agora com a CCC. Porém, chegou tarde a confirmação do futuro da estrutura e Dennis já tinha optado por partir para outro desafio.
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(Fotografia: © BettiniPhoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol) |
A sua exibição de hoje foi muito mais do que de um excelente contra-relogista. Foi de um exímio contra-relogista, daqueles que marcam a especialidade. Já foi recordista da hora, é agora campeão do mundo. Falta confirmar-se então como ciclista das grandes voltas, como já fez Tom Dumoulin, com o triunfo no Giro e os segundos lugares também em Itália e no Tour.
O holandês não esteve no seu melhor. Talvez, um Giro e um Tour feitos para ganhar e os pódios que alcançou tenham tido o seu peso. Mas Dumoulin não esteve mal, senão não teria terminado no pódio. Dennis é que esteve bem de mais para todos os outros. Completou os 52,5 quilómetros em 1:03:02 horas, a uma média de 49,9 quilómetros horas, menos 1:21 minutos que Dumoulin, que com o segundo lugar, conta agora com todas as medalhas em mundiais no contra-relógio, ainda que esta de prata vai custar olhar para ela, nos tempos mais próximos. "Não fui suficientemente bom", admitiu o holandês, que não escondeu não se ter sentido bem durante o longo percurso.
Olhando para o historial do contra-relógio, diferenças mais altas são da autoria de um suíço que deixou saudades. Em 2009, Fabian Cancellara venceu o sueco Gustav Erik Larsson por 1:27 minutos e em 2006 deixou David Zabriskie a 1:29. Mas nenhum era campeão do mundo como Dumoulin. Nesse aspecto, quando Tony Martin venceu o seu quarto título e "tirou" a camisola a Vasil Kiryienka, o alemão deixou o bielorrusso a 45 segundos.
Este foi um resultado para a história por parte de Rohan Dennis, de um dos contra-relógios mais longos. E se como voltista ainda não se afirmou, como contra-relogista foi um título mais do que merecido, ainda que dê vontade de dizer: "Isso não se faz a um campeão do mundo Dennis!" Haverá tempo para um ajuste de contas por parte de Dumoulin, numa rivalidade muito particular para os próximos tempos.
Ainda não foi desta para Nelson Oliveira
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(Fotografia: © BettiniPhoto/Federação Portuguesa de Ciclismo) |
"Hoje deixei tudo na estrada. Sabia que tinha de dar o máximo para representar estas cores e estou satisfeito. A condição física é boa e senti-me bem num contra-relógio em que a primeira parte era muito complicada para mim e na qual era necessário regular bem o esforço para que o troço final me corresse melhor. Foi isso que fiz. Dei o meu máximo, mais do que isto era complicado fazer. Os adversários foram muito mais fortes do que eu, mas vou continuar a sonhar para um dia chegar às tão desejadas medalhas", referiu Nelson Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.
Estamos perante um dos melhores da especialidade, mas a medalha teima em não chegar para o português, não ajudando que seja um ciclista obrigado a trabalhar para os líderes da Movistar, não podendo preparar uns Mundiais como Dennis ou Dumoulin podem. Mas neste tipo de provas, tudo pode acontecer. Campanaerts foi a prova disso em Innsbruck.
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(Fotografia: © BettiniPhoto/Federação Portuguesa de Ciclismo) |
Arrancam as corridas de fundo
Ponto final nos contra-relógios. Esta quinta-feira começam as corridas de fundo. Da parte da manhã serão as juniores femininas (8:10), da parte da tarde serão os rapazes do mesmo escalão (13:40). Esta última terá a participação de dois portugueses, os mesmos que fizeram o contra-relógio: Afonso Silva e Guilherme Mota.
A corrida terá 126,8 quilómetros e um acumulado de 1916 metros. Antes da entrada no duro circuito de Innsbruck, que será percorrido duas vezes, o pelotão terá algumas dificuldades pela frente. A primeira selecção deverá acontecer aos 70 quilómetros, quando se subir Gnadenwald, uma colina com 2,6 quilómetros e uma inclinação média de 10,5%, com vários troços superiores a 13%. No entanto, as maiores decisões deverão ficar guardadas para o chamado "circuito olímpico", a percorrer duas vezes, na parte final da prova. Os corredores terão de ultrapassar duas vezes a subida de 7,9 quilómetros com inclinação média de 5,7%, cujo topo fica a 13,9 quilómetros da meta.
Os dois ciclistas eleitos pelo seleccionador José Poeira são bons trepadores, pelo que a expectativa é para um resultado positivo.
Os campeões de Innsbruck até ao momento
Contra-relógio por equipas
Feminino: Canyon SRAM Racing (Alemanha)
Masculino: Quick-Step Floors (Bélgica)
Contra-relógio individual
Juniores femininas: Rozemarijn Ammerlaan (Holanda)
Juniores masculinos: Remco Evenepoel (Bélgica)
Sub-23 masculinos (não há este escalão para as raparigas): Mikkel Bjerg (Dinamarca) - renovou o título
Elite feminina: Annemiek van Vleuten (Holanda) - renovou o título
Elite masculina: Rohan Dennis (Austrália)
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