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28 de fevereiro de 2021

A afirmação de Pedersen no pós-título mundial

© Trek-Segafredo
Mads Pedersen vestiu a camisola de campeão do mundo no pior ano! A pandemia fez com que não pudesse desfrutar daquele símbolo como merecia. Ainda assim, nunca desmoralizou e só quis mostrar-se com a camisola do arco-íris nas oportunidades que surgissem. No calendário possível em 2020, Pedersen conseguiu o seu destaque. Esteve perto de ganhar na Volta a França, venceu no BinckBank Tour e, naquele que foi certamente o ponto alto, conquistou a Gent-Wevelgem, que se realizou em Outubro. É neste terreno, das clássicas do pavé, que Pedersen tem vindo a ganhar nome. O título mundial em Yorkshire foi uma surpresa e este dinamarquês conquistou o que muitos esperam uma carreira para alcançar - que o diga Alejandro Valverde - e agora, aos 25 anos, prossegue a sua afirmação.

Talvez a idade tenha ajudado a Pedersen a enfrentar a sua época como campeão do mundo em título de forma muito descontraída. Não pareceu sucumbir à pressão, como aconteceu a outros ciclistas e que deu azo à chamada "maldição". Ou seja, quem veste as cores do arco-íris não consegue ganhar. O dinamarquês ganhou e até deu um passo em frente na carreira. Demonstrou que, não sendo sprinter, podem contar com ele para se intrometer nestas discussões. Este domingo, na Kuurne-Bruxelles-Kuurne (197 quilómetros) foi assim que venceu.

Não enfrentou os sprinters puros, é certo. Porém, Pedersen está a confirmar as expectativas criadas quando em 2018 foi uma das figuras das clássicas do pavé, tendo sido segundo na Volta a Flandres. Andou um pouco discreto depois dessa fase, mas o título mundial despertou algo no dinamarquês que o está a levar a afirmar-se no terreno que tão bem lhe assenta, além de também aprimorar o sprint.

Para a Trek-Segafredo é uma alívio ver Pedersen confirmar o seu potencial. Desde que Fabian Cancellara se retirou, que a equipa não conseguiu alcançar o destaque de então nas clássicas. Jasper Stuyven é um ciclista de enorme qualidade, contudo, escasseiam as vitórias. A aposta em John Degenkolb foi completamente falhada e Pedersen foi o jovem que desde 2017 foi sendo trabalhado para que possa ser uma referência. Ninguém pede que seja um Cancellara, mas a Trek-Segafredo quer um forte candidato e que possa assegurar mais vitórias.

No sábado, a equipa teve uma Omloop Het Niewsblad para esquecer, mas, ainda assim, o início de época está a ser promissor para a Trek-Segafredo, já com quatro vitórias, incluindo a de Pedersen na Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Stuyven será sempre um líder, mas é no dinamarquês que se vai centrar muita atenção nesta fase de clássicas do pavé. E Stuyven até já faz de lançador do colega. Os dois juntos, podem dar à formação americana um mês de Março e Abril de sucesso.

Pedersen começou a carreira em grande com um título mundial, mas agora quer cumprir o objectivo de ser um vencedor de uma Volta a Flandres, ou de um Paris-Roubaix, no que a monumentos diz respeito. Stuyven não desiste de procurar o que muitos previram que tinha tudo para conquistar. Uma dupla de respeito na Trek-Segafredo.

Cuidado com Pidcock

É caso para dizer que entrou com tudo! Depois de na Omloop Het Niewsblad ter sido protagonista de uma boa recuperação para o grupo da frente, demonstrando que está preparado para rapidamente se afirmar naquele que é o seu primeiro ano no World Tour, Thomas Pidcock mostrou como é mentalmente.

No sábado, fez uma boa corrida, mas uma queda perto do fim estragou-lhe os planos de discutir a vitória. Como reagiu? No domingo esteve sempre atento às muitas movimentações na Kuurne-Bruxelles-Kuurne, não se intimidou com os ciclistas mais experientes a tentarem tirar-lhe o bom posicionamento e atacou o sprint final. Primeiro pódio (terceiro) desde que chegou à Ineos Grenadiers e logo na terceira corrida.

Apesar de não querer centrar a sua carreira apenas nas clássicas, é, para já, nestas corridas em que se espera ver este campeão de ciclocrosse mostrar como pode ser mais um ciclista que, ao concentrar-se na estrada, pode tornar-se num grande nome da modalidade.

Mathieu van der Poel é um desse exemplos. O holandês tentou uma fuga a 80 quilómetros da meta, apanhou o grupo que ia na frente, mas a 1600 metros da meta foi apanhado. É o ciclista da Alpecin-Fenix a dar espectáculo, como se gosta, mas a não conseguir o resultado desejado, o que no final é o mais importante.

Pidcock, que na temporada de ciclocrosse foi consecutivamente batido por Van der Poel, vai dando os seus passos para se juntar à nova elite na estrada, que durante os próximos anos promete umas clássicas de muita emoção.

Na  Kuurne-Bruxelles-Kuurne esteve presente um português. André Carvalho (Cofidis) não conseguiu desta feita terminar a corrida, mas terça-feira terá nova oportunidade, na prova de Le Samyn.

Classificação completa da Kuurne-Bruxelles-Kuurne, via ProCyclingStats.

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26 de fevereiro de 2021

Novo equipamento e bicicleta no arranque de época de Maria Martins

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Maria Martins vai estar no fim-de-semana de abertura das clássicas! Finalmente chega a fase da temporada sempre tão espectacular, com a Omloop Het Nieuwsblad a dar o mote este sábado, antes de no domingo se disputar a Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Esta última é só para os homens, mas a primeira terá prova masculina e feminina. A ciclista portuguesa vai dar as primeiras pedaladas na estrada de 2021 com a sua Drops-Le Col s/b Tempur, mas este fim-de-semana teremos mais lusos em acção. André Carvalho, por exemplo, em ano de estreia no World Tour, estará nas duas clássicas com a Cofidis.

Para a equipa de Maria Martins é o início de uma nova era depois de ter chegado um muito desejado reforço financeiro. A Le Col, marca de equipamentos, respondeu ao apelo de ajudar a equipa britânica a crescer e passou de apenas fornecedora a co-patrocinadora.

© Drops-Le Col s/b Tempur
O momento teve de ser marcado com um novo equipamento, pois claro, e é bem vistoso. Já em 2020 não era um que passasse despercebido, mas para esta época a Le Col 
aproveitou o conhecimento da McLaren no pelotão profissional - na época passada chegou mesmo a ter o seu nome na equipa da Bahrain, mas entretanto abandonou o ciclismo - para criar um equipamento moderno e que faça a sua parte para contribuir para o sucesso das ciclistas. A marca explicou que camisola e calções foram criados com o melhor dos materiais, para permitir a melhor aerodinâmica, além do essencial conforto.

Recorde-se que a Drops quer ascender ao principal escalão e 2021 será um ano importante para alcançar o objectivo já na próxima temporada. A questão financeira parece estar num bom caminho, agora procuram-se bons resultados. Além da Le Col passar a co-patrocinadora, chegou a Tempur (colchões e almofadas), a Ribble fornece as bicicletas, com a Mavic a entrar no ciclismo feminino através desta equipa.

Maria Martins chegou à Drops em 2020 depois de dois anos na Sopela Women's Team, para onde deu o salto depois de representar o Clube de Ciclismo da Bairrada. Com apenas 21 aos, Tata, como é conhecida, já fez história na modalidade em Portugal, ao tornar-se na primeira mulher lusa a apurar-se para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em pista. Nesta vertente já soma medalhas, enquanto procura afirmar-se também na estrada.

Forte no sprint, 2020 foi um ano difícil devido à escassez de corridas. Esta época também não está fácil para o calendário feminino, pelo que há que aproveitar todas as oportunidades que surjam. A Omloop Het Nieuwsblad contará com alguns grandes nomes, como Annemiek van Vleuten (Movistar) e Lizzie Deignan (Trek-Segafredo).

Maria Martins, que terá o dorsal 162, estará acompanhada na sua equipa pela britânica Elizabeth Bennett, a sueca Sara Penton, a alemã Finja Smekal e as holandesas Maike van der Duin e Marjolein van't Geloof.

© Drops-Le Col s/b Tempur
A bicicleta de Tata

A Ribble, marca britânica com mais de 100 anos de história, escolheu os modelos Ribble Endurance SLR e Ultra TT (contra-relógio) para serem utilizados pelas ciclistas da Drops-Le Col s/b Tempur.

Nas fotografias divulgadas pela equipa, será uma bicicleta que não passará despercebida. Afinal, na Drops há o lema de "colour the road" (dar cor à estrada), o que também é bem perceptível pelos equipamentos. Nas imagens é possível ver que além das rodas Mavic, a bicicleta está equipada com o grupo Shimano Ultrega, selim Fizik e pneus Continental.

É esta a nova máquina de Maria Martins, que este ano não terá a companhia na aventura no estrangeiro, ainda que em equipas diferentes, de Daniela Reis. A primeira ciclista portuguesa a ir além fronteiras colocou um ponto final na carreira. Quanto a Tata, depois da Omloop Het Nieuwsblad (124,4 quilómetros entre Gent e Ninove) participará na corrida Le Samyn, na Bélgica, na terça-feira.

A Drops-Le Col s/b Tempur terá como um dos pontos altos da temporada a presença na primeira edição do mítico Paris-Roubaix para senhoras, prova agendada para 11 de Abril.

(Texto continua após o vídeo.)


No masculino...

Relativamente a André Carvalho, o outro português em acção nas clássicas deste fim-de-semana - sem esquecer que João Almeida (Deceuninck-QuickStep) e Ruben Guerreiro (EF Education-Nippo) estão na Volta aos Emirados Árabes Unidos, que acaba este sábado -, o ciclista de 23 anos estreou-se na Cofidis na Clássica de Almeria (100º lugar), mas a Omloop Het Nieuwsblad marcará a sua primeira corrida World Tour.

Carvalho, dorsal 84, terá o francês Christophe Laporte como líder, com a Cofidis a chamar ainda Piet Allegaert, Tom Bohli, Jempy Drucker, Emmanuel Morin e Szymon Sajnok. Serão 200,5 quilómetros entre Gent e Ninove.

Para a Kuurne-Bruxelles-Kuurne sai Sjanok e entra Jelle Wallays (Carvalho terá o dorsal 136), com o português a poder fazer o pleno, pois também está na lista da Cofidis para o Le Samyn, na terça-feira.

De referir que este sábado também se realiza em França uma corrida de um dia, a Faun-Ardèche, que contará com o trio luso da UAE Team Emirates: Rui Costa e os gémeos Oliveira. Serão 171,3 quilómetros que começam e acabam em Guilherand-Granges.


1 de março de 2019

Estão aí as clássicas!

A Omloop Het Nieuwsblad abre a época do pavé
(Fotografia: © Photonews/Omloop Het Nieuwsblad)
É já este sábado que arranca a época de clássicas. Chamam-lhe o "fim-de-semana de abertura" das corridas do pavé, com a Omloop Het Nieuwsblad (sábado, 200 quilómetros) e a Kuurne-Bruxelles-Kuurne (domingo, 201,1) no programa. Pela frente, nos próximos dois meses, teremos muitas corridas sempre espectaculares neste tipo de terreno, mais adiante virão as Ardenas, haverá quatro dos cinco monumentos e ainda o oficioso sexto, a Strade Bianche. É uma fase da temporada muito aguardada e muito intensa. São vários os suspeitos do costume, mas há vários jovens a ter em conta e uma rivalidade que vai saltar do ciclocrosse para a estrada.

Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) - que não se verá neste fim-de-semana-, Greg van Avermaet (CCC), Philippe Gilbert (Deceuninck-QuickStep), Sep Vanmarcke (EF Education First), Oliver Naesen (AG2R), Tiesj Benoot (Lotto Soudal), Jasper Stuyven (Trek-Segafredo), Niki Terpstra (Direct Energie), Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), Jürgen Roelandts (Movistar) são nomes que estão cronicamente entre os candidatos, alguns com mais vitórias que outros, mas todos com capacidade para vencer este tipo de corridas. E sem esquecer Michael Valgren, o vencedor da Omloop Het Nieuwsblad em 2019, que trocou a Astana pela Dimension Data.  Mas a nova geração está aí e não se pode considerá-los apenas como outsiders.

E é inevitável começar o lançamento da época do pavé, com um duelo muito aguardado. Rivais no ciclocrosse, Wout van Aert e Mathieu van der Poel vão agora encontrar-se na estrada. O primeiro já em 2018 deu, e muito, nas vistas, com um terceiro lugar na Strade Bianche, nono na Volta a Flandres e 13º no Paris-Roubaix. Isto só para referir três dos bons resultados alcançados pelo belga de 24 anos. Ultrapassadas as dúvidas se iria ou não competir em 2019, devido à rescisão com a antiga equipa e com o caso a ser levado a tribunal, Van Aert recebeu luz verde da UCI para antecipar um ano a assinatura com a Jumbo-Visma.

Apesar da UCI ter avisado que estará atenta ao que o tribunal decidir, Van Aert encontrou a paz que procurava, ainda que não tenha sido uma notícia que chegasse a tempo para lhe dar tranquilidade na temporada de ciclocrosse, que ficou muito aquém do normal para este excepcional ciclista.

Se a entrada de Van Aert numa equipa World Tour seria por si só um dos pontos de maior interesse das clássicas, a subida a Profissional Continental da Corendon-Circus veio dar mais um. Nela está Mathieu van der Poel (24 anos), o grande rival de Van Aert no ciclocrosse e que venceu a maioria das provas desta vertente nas últimas semanas, incluindo o título mundial. Como a formação belga depende de convites para entrar nas grandes provas, será um frente-a frente que não vai verificar-se em todas as clássicas. Teremos de esperar mais para o fim de Março.

Até lá, Van Aert vai ganhar muita rodagem, pois a Jumbo-Visma quase tudo neste ciclista para as clássicas, que preenchem maioritariamente o seu calendário para todo o ano. Mas entre outros nomes a ter em conta aparece um Dylan Groenewegen que tem vindo a aprimorar qualidades nestas provas. Venceu a Kuurne-Bruxelles-Kuurne pelo que terá a liderança na corrida de domingo.

E quanto aos tais outros nomes a ter em conta começa-se por outro que também é bem conhecido, mas que surge em 2019 com responsabilidade acrescida: Yves Lampaert. Com a saída de Niki Terpstra para a Direct Energie e de Fernando Gaviria para a UAE Team Emirates - o colombiano estava a iniciar a sua adaptação às clássicas no ano passado -, o campeão belga terá de assumir um papel de maior destaque, mesmo com Gilbert na equipa. O director da Deceuninck-QuickStep, Patrick Levefere já alertou para isso mesmo, dizendo ainda que Lampaert terá de correr mais com a cabeça e menos com o coração. O belga venceu as últimas duas edições da Através da Flandres.

Mads Pedersen foi uma das sensações de 2018 ao fechar o pódio da Volta a Flandres. O dinamarquês tem apenas 23 anos, mas já demonstrou enorme potencial para as clássicas do pavé e não apenas com aquele resultado. Numa Trek-Segafredo que procura um homem que preencha o vazio deixado por Fabian Cancellara - será que John Degenkolb vai regressar ao seu melhor? - Pedersen tem credenciais, tal como Ryan Mullen. O irlandês, 24 anos, já foi considerado o mais provável sucessor do suíço, mas ainda não alcançou o nível necessário para entrar na disputa destas complicadas e exigentes corridas. Porém, dentro da equipa há uma enorme esperança sobre o que Mullen poderá evoluir. Para já, comprovou ser um excelente contra-relogista, mas falta ser mais competitivo no pavé.

Iván García Cortina é um espanhol que foge um pouco ao tipo de ciclista que se tem destacado em anos recentes naquele país. Vai começando a intrometer-se em alguns sprints, mas vai mostrando que tem capacidade para as duras clássicas das próximas semanas. Tem 23 anos e é uma aposta da Bahrain-Merida, juntamente com o esloveno Matej Mohoric (24).

Na Sky, Dylan van Baarle terá maior destaque, não só pelo bom início de temporada - venceu a Herald Sun Tour -, mas também porque Ben Swift sofreu uma queda aparatosa num treino e vai estar várias semanas longe das corridas. Luke Rowe está "guardado" para os monumentos Paris-Roubaix e Volta a Flandres, mas Baarle está mais do que preparado para assumir a liderança.

Tem apenas 20 anos, mas Jasper Philipsen já venceu na sua estreia no World Tour pela UAE Team Emirates, na quinta etapa do Tour Down Under, e as expectativas são grandes para o que possa fazer nas clássicas. Para já, a exigência não está elevada, mas Philipsen - escola Hagens Berman Axeon de Axel Merckx - quer mostrar-se desde cedo.

Com Peter Sagan apenas escalado para aparecer nas clássicas mais para o fim do mês, é Pascal Ackermann quem vai ser o homem a ter em atenção neste fim-de-semana de abertura, pelo menos. O alemão de 25 anos é uma estrela em ascensão na equipa e no pelotão. No sprint já se sabe o que pode fazer, nas clássicas já conquistou três em 2018, mais dois segundos lugares, pelo que poderá ser um ciclista a seguir as pisadas do companheiro Sagan. Mas quando o eslovaco entrar em acção, será ele o centro das atenções, claro.

Para terminar Soren Kragh Andersen. Mais um dinamarquês de 24 anos que poderá este ano ser uma das revelações das clássicas. Segundo na Volta ao Algarve, não estará nas duas primeiras clássicas do ano, mas é um dos jovens da Sunweb que muito promete neste terreno.

Com as corridas do pavé a marcarem esta primeira fase de clássicas, com a Milano-Sanremo a "intrometer-se", sem esquecer a sempre espectacular Strade Bianche, com o seu sterrato (9 de Março), os primeiros destaques vão precisamente para ciclistas que fazem do pavé uma especialidade.

O Eurosport, como tem sido habitual nos últimos anos, transmitirá as clássicas. A Omloop Het Nieuwsblad poderá ser vista no Eurosport 2 a partir das 13:15 e a Kuurne-Bruxelles-Kuurne no principal canal, às 14:15, segundo a programação disponível no site.

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Atenção ciclistas como atiram os bidões

As regras para os ciclistas deitarem fora o lixo que fazem durante as corridas já sofreram algumas alterações, acompanhando a consciencialização que no desporto, seja em que modalidade for, também é necessário ser cada vez mais amigo/a do ambiente. Aos poucos o regulamento vai-se tornando ainda mais rígido e neste fim-de-semana de abertura das clássicas do pavé, na Omloop Het Nieuwsblad (sábado) e na Kuurne-Bruxelles-Kuurne (domingo), o atirar de bidões vai estar sobre escrutínio. Além da questão ambiental, está também em causa o risco de ferir alguém. Os ciclistas terão de ter mais cuidado, pois as multas aumentaram e os fãs, que tanto procuram um destes "brindes", terão de mudar algumas "tácticas" para ficar com algum bidão deitado fora pelos ciclistas.

Hoje em dia, os corredores não podem simplesmente deitar fora as embalagens dos géis, ou de qualquer outro produto que possam ingerir durante as corridas. Foram criadas as chamadas zonas verdes. Durante uns metros pré-definidos e devidamente identificados, os ciclistas deitam para o chão o seu lixo, que será depois limpo. Até lá, terão de os manter com eles ou entregar nos carros das equipas. Este exemplo também serve para quem não é profissional, com algumas marcas até a colocar mais um pequeno bolso nas camisolas, especial para o lixo, já que nos passeios/treinos do dia-a-dia não há zonas verdes. Só caixotes do lixo (às vezes nem isso)!

Os bidões eram uma excepção. Devem ser de material biodegradável, mas como são muito procurados por fãs, a maioria acaba por ser apanhado por alguém. E são várias as vezes que se vê o próprio ciclista a deitar fora em zonas com público, precisamente porque sabe que vai servir de uma bela recordação. Mas também este acto vai ter de ser feito com outro cuidado.

"Temos de parar aqueles ciclistas que deixam o seu lixo em todo o lado. Temos de parar aqueles que logo a seguir a ir ao carro da equipa, imediatamente atiram o bidão pelo ar", explicou Philippe Marien, comissário da UCI responsável das primeiras duas clássicas do pavé do ano, ao jornal belga Het Nieuwsblad. As multas podem variar entre 200, 500 e até 1000 francos suíços, ou seja, 880 euros no máximo, 176 no mínimo.

Além de terem de respeitar religiosamente a zona verde, os ciclistas ficam proibidos de atirar os bidões pelo ar, com as multas mais pesadas a incidirem sobre quem o fizer. "Podem gentilmente dirigi-los para o público ou entregá-los no carro da equipa, claro. Um ciclista que atire um bidão cheio ou meio-cheio para o público cheio de adrenalina, é um risco para a vida. Não queremos ver mais isso", salientou.

Ver um bidão voar até ao público não é anormal, principalmente quando um ciclista está no meio do pelotão. Atirá-los pelo chão, quando o corredor está do lado de fora do pelotão, é uma solução, mas corre-se o risco de bater em alguém, ou em algo e regressar para a estrada, podendo provocar uma queda.


Mais uma mudança de mentalidade em curso, que começará na Bélgica. Pequenas adaptações por parte dos ciclistas e de quem está nos carros das equipas. Quanto aos fãs, haverá sempre a possibilidade de um bidão rolar pelo chão até aos seus pés, senão pode ir sempre tentar a sua sorte no autocarro das equipas.


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25 de fevereiro de 2018

Avermaet prefere ter Sagan ao seu lado nas clássicas

(Fotografia: Chris Auld Photography/BMC)
Não há razões para se preocupar, mas o início das clássicas não foi o desejado por Greg van Avermaet. O belga avisou que se sentia melhor e que estava mais em forma do que em 2017, contudo, apesar de se ter mostrado na frente das corridas, acabou com resultados discretos. E é fácil explicar porquê. Avermaet foi o principal alvo das atenções de toda a concorrência, estatuto que normalmente pertence a Peter Sagan. O eslovaco adiou este ano o seu início nesta fase da temporada para o próximo sábado, falhando as duas primeiras corridas este fim-de-semana. Avermaet disse logo que preferia ter o seu grande rival em prova e tinha razão.

Nos últimos dois anos, o belga começou as clássicas deixando Sagan em segundo na Omloop Het Nieuwsblad. Apenas dois exemplos do eslovaco ser sido batido por Avermaet. É já uma das rivalidades que não se esquecerá e a prova como ter ciclistas de elevado nível como adversários, não só traz o melhor de cada um ao de cima, como, no caso de belga, o ajuda mesmo a vencer. "Parece estranho dizer, mas às vezes é mais fácil ter alguém como ele contigo, do que se ser o favorito para que todos olham. Acho que vai ser mais difícil." A frase foi de facto um prenúncio do que se veio a ver tanto na Omloop, no sábado, como este domingo na Kuurne-Bruxelles-Kuurne.

O que Avermaet disse ainda, explica bem o porquê de querer ter Sagan rapidamente ao seu lado: "Para mim não é uma vantagem o Peter não estar. Gosto de correr com o Peter. Ele abre a corrida e pedala a todo o gás." Esta é uma característica que marca de facto o tricampeão mundial e que tanto faz dele um dos melhores ciclistas, como também lhe traz muitos dissabores, pois trabalha tanto, para depois, por vezes, perder no último esforço.

Avermaet soube usar esta característica de Sagan a seu favor e bem sentiu a falta do rival. Depois da Omloop, corrida na qual andou na frente, mas não conseguiu discutir a vitória - foi 50º a 12 segundos de Michael Valgren (Astana) - o belga referiu como houve ataques, mas não houve cooperação no grupo que se formou na frente. Disse como tentou atacar, mas não quis ser apenas ele a puxar, enquanto todos ficavam na sua roda... Faltou-lhe Sagan!

Na Kuurne-Bruxelles-Kuurne ficou na 56ª posição, numa corrida decidida ao sprint. Avermaet ainda se mostrou, mas rapidamente percebeu que dificilmente seria o seu dia. Ele vestiu a pele de Sagan e não foi agradável ver-se no papel de alvo a abater, ou pelo menos de alvo a receber muita (quase toda) a atenção. Na perspectiva dos adversários, os seus ataques eram para ser anulados ou aproveitados para ter uma roda a seguir, não para cooperar numa fuga. E pensamos: sina de Sagan!

Mas, como se começou este texto, não há razões para se preocupar. Até haverá muitas ilações a tirar. É que mesmo quando tiver Sagan a seu lado, Avermaet vai continuar a estar debaixo de olho da concorrência. É o preço de ter começado a ganhar muito e em grande em 2016 e 2017. O campeão olímpico está a apontar as baterias à Volta a Flandres, depois de ter conquistado o seu primeiro monumento no Paris-Roubaix. Quebrou um enguiço que estava difícil, mas é Flandres que mais quer. Ele e Sagan até se aliaram no ano passado para perseguir Philippe Gilbert, mas aquele casaco nas grades traiu os dois. Sagan caiu e levou com ele o belga. Aliás, os dois belgas, pois Oliver Naesen também lá estava.

As boas notícias para Avermaet (e para quem gosta de clássicas) é que Peter Sagan estará de volta no sábado, na Strade Bianche, e andará de "mãos dadas" no calendário com o rival até à Amstel Gold Race. Ou seja, depois da corrida do sterrato virá o Tirreno-Adriatico, Milano-Sanremo, E3 Harelbeke, Gent-Wevelgem, Volta a Flandres, Paris-Roubaix e depois, então, a corrida que abre a semana das Ardenas. Antes de Roubaix, Sagan estará na Scheldeprijs, já Avermaet prefere saltar essa competição.

Foi um estranho início de clássicas sem Peter Sagan. Até Avermaet sentiu a sua falta! Mas a normalidade está prestes a regressar.

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Dia de espectáculo da velha e da nova geração

Duas corridas por etapas, duas vitórias para Valverde
(Fotografia: Facebook Volta a Abu Dhabi)
A época está a começar a aquecer. Arrancaram as clássicas, mas vão continuando as provas por etapas e hoje foi um daqueles dias de muito bom ciclismo com a velha e a nova geração a mostrarem-se. E de que maneira! Alejandro Valverde retomou definitivamente a forma de 2017. Não parecem restar sequelas da grave queda no Tour, depois de se ter temido que a carreira poderia chegar ao fim. Duas corridas por etapas, duas vitórias. Por outro lado tivemos Dylan Groenewegen. Ganhou recentemente os sprints de Lagos e Tavira na Volta ao Algarve, antes venceu na primeira tirada da Volta a Omã e agora foi até à Kuurne-Bruxelles-Kuurne bater novamente Arnaud Démare. Não foi apenas melhor, foi de uma superioridade que já só se pede (quase se implora) vê-lo na discussão com mais concorrência, em luta com os principais sprinters, além de um Démare que já deve estar a ficar algo frustrado com o holandês.

Mas há que respeitar quem já tem um enorme currículo - que continua a aumentar - e começar por Alejandro Valverde. Iniciou a temporada a dizer que estava à procura de perceber como estava fisicamente nas corridas. Essa questão ficou resolvida com um 40º lugar na primeira das clássicas espanholas e depois foi terceiro e quarto lugar. Na Volta à Comunidade Valenciana ganhou duas etapas e a geral, fez segundo em Múrcia (prova de um dia) e agora venceu a etapa rainha em Abu Dhabi e a geral. "Começar desta maneira o ano dá muita motivação e anima-te para continuar a trabalhar", salientou o espanhol. E a motivação está mesmo em alta. O "Bala" já fala até em ir à Strade Bianche no próximo sábado, ainda que a próxima corrida no seu calendário fosse a Volta à Catalunha, que começa a 19 de Março.

Caminha para os 38 anos e simplesmente quer mais, mais e mais. Numa equipa que tenta mostrar união numa clara divisão entre Nairo Quintana e o reforço Mikel Landa, Valverde mantém o seu lugar intocável na Movistar. Onde vai, é para ganhar e se ninguém duvida que estará mais do que disponível para ajudar os outros dois líderes quando chegar a altura, ainda são menos as dúvidas que este Valverde, que pareceu estar tão perto de terminar a carreira devido à queda no contra-relógio no Tour, ainda tem tanto para dar. Abram alas, Valverde tem mais umas vitórias para amealhar e o olhar começa a ficar muito fixo nos Mundiais, a grande conquista que lhe falta na carreira.

Groenewegen deixou Démare bem distante (Imagem: print screen)
Quem também tem muitas vitórias pela frente é certamente Dylan Groenewegen. Está feito num sprinter fortíssimo e vai confirmando credenciais nas clássicas. 24 anos, 27 vitórias e vencer nos Campos Elísios em 2017 foi provavelmente apenas o início de uma senda grandes triunfos. O na Kuurne-Bruxelles-Kuurne confirma também a sua apetência para este tipo de clássicas. É certo que esta é das provas de pavé mais "simpática" para os sprinters, mas Groenewegen teve a oportunidade para ganhar experiência nestas corridas nos últimos anos e tem agora a liberdade e a responsabilidade de começar a recolher os frutos dessa fase de aprendizagem. E bem pode dar umas dicas a Fernando Gaviria (Quick-Step Floors), outro sprinter a tentar vingar nas clássicas do pavé, mas com um início desanimador: caiu na Omloop Het Nieuwsblad e abandonou na Kuurne-Bruxelles-Kuurne.

O trabalho da Lotto-Jumbo - descendente da Rabobank - com ciclistas jovens, a paciência que teve em esperar que se fizessem ciclistas, poderá a curto prazo colocar esta equipa noutro nível. Groenewegen está a fazer a sua parte, segue-se George Bennett (27 anos), que se irá tornar na grande aposta para as grandes voltas, sem que se tenha perdido totalmente a esperança em Steven Kruijswijk (30).

Em baixo ficam as classificações, via ProCyclingStats, da Volta a Abu Dhabi, com Rui Costa (UAE Team Emirates), vencedor em 2017, a terminar na oitavo posição, a 1:28 de Valverde (por defeito está a aparecer a classificação por equipas, basta carregar na "general" para ver a individual)...


... e da Kuurne-Bruxelles-Kuurne, que não contou com ciclistas portugueses.


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23 de fevereiro de 2018

Um estranho início das clássicas sem Peter Sagan

Sagan não estará nas primeiras clássicas do ano
(Fotografia: Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe)
Quando este sábado o pelotão arrancar para a corrida que se pode dizer que abre a época das clássicas, a Omloop Het Nieuwsblad, será estranho não ver Peter Sagan e a sua camisola de campeão do mundo. O eslovaco, segundo classificado nas últimas duas edições atrás de Greg van Avermaet, escolheu um calendário um pouco diferente, de forma a aproveitar mais a sua recente paternidade. Só na Strade Bianche regressará à competição (3 de Março), mas haverá até lá umas corridas que servem para começar a aquecer os motores e a fazer crescer o apetite pela Volta a Flandres e, claro, o Paris-Roubaix.

O pavé marca então esta primeira fase de clássicas e há alguns frente-a-frente que se espera ver. Mesmo com Sagan menos presente, não faltará espectáculo. Basicamente, o eslovaco é rival de todos, mesmo tendo uma tendência para os segundos lugares. Seja em que clássica participar, será sempre candidato (provavelmente, "o" candidato) e mais do que nunca parte para a época determinado em confirmar as expectativas de amealhar monumentos. Mas há outras rivalidades e aproveitando que Sagan começa de fora, aqui ficam alguns exemplos a ter em atenção.

Greg van Avermaet/Philippe Gilbert
Quando estavam na BMC já havia rivalidade. É o próprio Greg van Avermaet (31 anos) que admite que a saída do compatriota para a Quick-Step Floors foi positivo para que ficasse mais livre e sem concorrência interna. Avermaet ganhou em 2017 o seu primeiro monumento no Paris-Roubaix, depois de muito esbarrar em azares, ou em segundos lugares frustrantes. A Gilbert (35) fez muito bem a mudança de ares. Regressou às grandes vitórias e que grande vitória foi aquela na Volta a Flandres! Em 2018 surgem os dois extremamente motivados e com a ambição em alta. Avermaet diz estar em melhor forma do que no ano passado e quer mais uns monumentos. Gilbert vai apostar forte na Milano-Sanremo e no Paris-Roubaix para tentar entrar na história, ficando com os cinco monumentos no currículo. São os dois belgas, estão com objectivos idênticos e esta promete ser uma rivalidade quentinha...

Oliver Naesen/Tiesj Benoot/Jasper Stuyven
Tom Boonen saiu de cena após o Paris-Roubaix de 2017, mas na Bélgica não há crises de quem poderá tomar o seu lugar. Até porque Gilbert e Avermaet são duas referências a ter em conta, ainda que sem o currículo no pavé de Boonen. Mas no país já se olha além dos dois ciclistas referidos. Oliver Naesen (27 anos), Tiesj Benoot (23) e Jaspert Stuyven (25) são os senhores que se seguem. Candidatos são certamente. Naesen confirmou no ano passado o seu potencial para estas corridas e a AG2R pode continuar mais concentrada em Romain Bardet e no Tour, mas já percebeu que tem muito a ganhar com este belga, que irá contar com uma ajuda preciosa do reforço Silvan Dillier (ex-BMC). Quanto a Benoot, terá este ano maior responsabilidade na Lotto Soudal, depois de ter demonstrado enquanto sub-23 que tem capacidade e principalmente inteligência táctica para estar ao nível dos mais experientes. Benoot e Naesen são a rivalidade da nova geração belga, juntamente Jasper Stuyven. Mesmo tendo Degenkolb na equipa, a Trek-Segafredo tem todo o interesse em dar liberdade ao jovem belga. Em 2016 venceu a Kuurne-Bruxelles-Kuurne e no ano passado foi segundo e depois quarto em Roubaix.

Arnaud Démare/Fernando Gaviria
Dos sprints para as clássicas. É a primeira rivalidade lógica que Gaviria terá, muito por ambos serem sprinters. Démare (FDJ) já tem um momumento, a Milano-Sanremo (2016) e este ano preparou-se muito para tentar melhorar as suas exibições nas corridas de um dia e não focar-se apenas na Volta a França. Já Gaviria (Quick-Step Floors), depois de ter sido avassalador na estreia numa grande volta, no Giro100 - quatro vitórias de etapa e a classificação dos pontos -, não só quer ir fazer o mesmo no Tour, como decidiu que vai já para as clássicas. Há uma enorme curiosidade para o ver em acção na Volta a Flandres e no Paris-Roubaix. Fisicamente tem o poderio que se pede, mas isso não chega e que o diga Démare. Antes dos monumentos do pavé, haverá a Milano-Sanremo e os dois partirão como fortes candidatos. Dois sprinters, que passam bem certas subidas... Junta-se Sagan e temos um potencial pódio... Se Michal Kwiatkowski não aparecer para surpreender outra vez!

Sep Vanmarcke/Sep Vanmarcke
Sendo a Bélgica terra de classicistas aqui temos um que causa enorme frustração. Em 2012 venceu esta corrida e juntou mais uns quantos resultados promissores. Somou top dez, uns pódios, mas vitórias nem vê-las. Pelo meio apareceram umas quedas ou outros azares. Vanmarcke consegue ser o seu principal rival. Não precisa de ninguém para o tirar da luta. Aos 29 anos ainda se acredita que poderá fazer algo. Afinal, praticamente todos os anos mostra o seu talento. Mas fica sempre a faltar algo. Vanmarcke (EF Education First-Drapac powered by Cannondale) precisa de superar-se a si próprio. Se o conseguir, será um espectáculo vê-lo e quem sabe alcance finalmente a grande vitória que lhe parecia estar destinada. Tem Greg van Avermaet como exemplo... Nunca é tarde!

John Degenkolb/John Degenkolb
Mais um caso de um ciclista tem ele próprio como principal rival. Desde o atropelamento que foi vítima durante o estágio em 2016 que o alemão nunca mais se reencontrou com a confiança. Esteve em forma no ano passado. Isso mesmo demonstrou quando conseguia estar na frente das corridas. Porém, nunca respondeu nos momentos decisivos e não pareceu ser por falta de pernas. Estamos a falar de um ciclista que venceu a Milano-Sanremo e o Paris-Roubaix em 2015. Porém, na Trek-Segafredo não só está longe de fazer esquecer Fabian Cancellara, como está longe de se lembrar de como é vencer grandes corridas. Degenkolb (29 anos) está a precisar urgentemente de um triunfo numa clássica para assim, talvez, reencontrar o seu caminho e afastar certos certos fantasmas.

Fabio Fellline/Matteo Trentin
Talvez haja a tentação para se dizer que os italianos estão a jogar por fora. Porém, principalmente Matteo Trentin, é um ciclista a ter muito em conta. Nesta disputa transalpina, o ciclista que agora representa a Mitchelton-Scott está, aos 28 anos, a viver a melhor fase na carreira. Fechou o ano, na Quick-Step Floors, com quatro etapas na Vuelta e um quarto lugar nos Mundiais. Trentin não quis mais ser lançador de ninguém e surge agora com convicção que pode também no pavé conquistar uma vitória. A rivalidade com Felline (27 anos) será interessante, tendo em conta que o homem da Trek-Segafredo até se tem mostrado, mas no ano passado foi um dos que aprendeu de quanto custa tentar deixar Sagan fazer o trabalho todo. O eslovaco aprendeu de vez que ou ajudam, ou não leva ninguém à frente para depois perder. Kwiatkowski foi uma grande lição para Sagan! Felline tem o potencial, mas tacticamente não é tão forte como Trentin. Ainda assim, Itália tem aqui dois ciclistas que pode suceder a Alessandro Balan (2009) como vencedores da Volta a Flandres, com Trentin a ir também a Roubaix, onde um italiano não ganha desde Andrea Tafi, em 1999.

Estas são apenas uma rivalidades particulares, numas clássicas de pavé que tanto espectáculo costumam proporcionar. Zdenek Stybar, Niki Terpstra (vencedor do Paris-Roubaix em 2014) e Yves Lampaert, todos da Quick-Step Floors, são armas a jogar por uma equipa belga sempre muito forte para esta altura do ano. Dylan van Baarle tem nesta fase da época a oportunidade para se mostrar na Sky, depois de bons resultados, principalmente na Volta a Flandres, ao serviço da então Cannondale-Drapac; Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) tem a experiência do seu lado, mas falta-lhe uma grande clássica no seu currículo; Michael Matthews (Sunweb) vai aparecer em algumas provas do pavé, mas apostará mais na semana das Ardenas e antes na Milano-Sanremo (e cuidado com ele); Alexey Lutsenko (Astana) ganhou há poucos dias a Volta a Omã e o cazaque vem com grandes ideias para este fim-de-semana de clássicas.

A Omloop Het Nieuwsblad abre então a temporada de clássicas e terá transmissão neste sábado no Eurosport2, a partir das 14:30. E no domingo, será a vez da Kuurne-Bruxelles-Kuurne, que apesar de não fazer parte do calendário World Tour, é sempre muito bem frequentada pelos corredores especialistas nestas corridas (13:00, no Eurosport2).

»»Tom Boonen vai ser conselheiro na rival da Quick-Step Floors««

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7 de março de 2017

Peter Sagan: uma simples mensagem que pode influenciar uma vida

Ruby imitou o gesto de Sagan e o ciclista reagiu ao vídeo da criança britânica
(Imagens: print screen)
Já se sabe que Peter Sagan é um ciclista especial. Poderoso nas corridas e irreverente fora delas, o eslovaco é a primeira super estrela do ciclismo na era dominada pelas redes sociais. O bicampeão do mundo tem toda uma equipa a tratar da sua imagem que ele próprio cultiva ao pormenor. Sagan vale milhões e está disposto a rentabilizar quem quiser pagar. No entanto, mantém também um grande respeito pelos fãs e na Strade Bianche, por exemplo, competiu para não desiludir quem estava em Itália para o apoiar, apesar de não estar bem fisicamente. Acaboi por abandonar quando perdeu o contacto com a frente da corrida após uma queda, mas quis tentar. Ficou o gesto. Mas em mais uma atitude de se tirar o chapéu, Sagan deu uns segundos do seu valioso tempo para proporcionar uma grande alegria a uma jovem fã. E uma simples mensagem pode ter a capacidade de influenciar toda uma vida.

Sagan venceu a Kuurne-Bruxelles-Kuurne, mas mais do que a sua primeira vitória do ano e pela nova equipa, a Bora-Hansgrohe, foram as gomas que comeu mal cortou a meta que fizeram um grande sucesso. O eslovaco parou a bicicleta e com os repórteres fotográficos e de imagem à procura do melhor plano, com os jornalistas a procurarem as palavras do campeão, eis que Sagan mete as mãos em concha e um membro do staff da Bora-Hansgrohe deita-lhe várias gomas, com a marca bem visível. Não só foi visto por milhões logo no momento, como o vídeo se tornou viral. Qual a melhor comida para iniciar a recuperação após uma corrida? Para Sagan são as gomas! Foi a espécie de slogan oficioso que começou a aparecer nas redes sociais.

Ruby Isaac, tem oito anos, vive na Grã-Bretanha e é fã de Sagan. Resolveu recriar o momento das gomas e publicou o vídeo do Twitter. "Estava um pouco cansada após um longo treino... Por sorte recebi uma dica de Peter Sagan", lê-se na mensagem.

Para provável surpresa de Ruby, Sagan reagiu ao vídeo: "Até podes ser campeã do mundo daqui a uns anos... Por isso, lembra-te nunca desistas!"

E para tornar a atitude do eslovaco ainda mais bonita, Sagan tornou-se seguidor de Ruby e o ciclista só segue 63 contas no Twitter (número registado na altura que este texto foi escrito). E assim se pode influenciar toda uma vida, ainda mais tendo em conta que Ruby é uma aspirante a ciclista.

Em baixo fica o vídeo do especial reforço energético de Sagan após a vitória na clássica belga.




»»Sagan e Ewan aprenderam rapidamente com os erros««

»»Clássicas. Tudo começou com um cenário bem conhecido: Avermaet a bater Sagan. Mas será que vão ser desqualificados?««

»»Sagan, Avermaet, Boonen... A época das clássicas vai começar««

26 de fevereiro de 2017

Sagan e Ewan aprenderam rapidamente com os erros

Ewan já ia festejar quando Kittel o ultrapassou, no sprint da 2ª etapa em Abu Dhabi
(Fotografia: Facebook Volta a Abu Dhabi)
Mesmo os mais experientes fazem erros. Faz parte de qualquer profissão, de qualquer atleta de alta competição. Por outro lado, quando ainda se está numa fase de desenvolvimento, há lições que podem ser muito dolorosas e a forma como se as "encaixa" e como as colocam em prática, pode ser a diferença entre um atleta se tornar num vencedor, ou ficar a ver os outros vencerem. Quando já se tem alguma experiência, é preciso saber admitir que não se é invencível e que se está sempre a aprender. Este domingo assistimos aos dois casos. O primeiro refere-se a Caleb Ewan, o segundo a Peter Sagan. Ambos conquistaram vitórias depois de dois erros quase de principiantes em dias anteriores. Sagan já se sabe que é um ganhador, mas pode ser ainda mais se começar a assimilar melhor algumas lições. Quanto a Ewan, a juventude e a emoção pregaram-lhe uma dura partida, mas o australiano está agora pronto para se impor entre a elite dos sprinters.

Comecemos por Caleb Ewan. O australiano tem apenas 22 anos, mas desde 2014 que a Orica-Scott acredita que está perante um talentoso sprinter. No ano seguinte foi à Volta a Espanha conquistar uma etapa, mas 2016 não foi exactamente o ano de afirmação que se esperava. No que diz respeito em debater-se com os melhores, Ewan mostrou na época passada ainda não estar preparado. Começou 2017 em grande no seu país: quatro vitórias no Tour Down Under, mais a classificação por pontos. Porém, continuava a faltar aquele triunfo em frente dos grandes nomes. O momento parecia ter chegado na segunda etapa da Volta a Abu Dhabi. Tudo bem feito pela Orica-Scott e Ewan já levantava os braços quando Marcel Kittel o passou. Mais do que um erro de principiante, é um daqueles humilhantes e que é preciso estofo para recuperar. Dois dias depois, chegou a redenção e a prova que Ewan tem o que é necessário para se debater com os melhores, tanto física, como psicologicamente.



Foi com autoridade que bateu Mark Cavendish e André Greipel e o pequeno australiano, -que sprinta de forma tão estranha, deitado no guiador - admitiu publicamente o erro de festejo precoce, mostrando que custou, mas que foi uma lição que perdurará para o resto da carreira. E se era preciso mais provas, desta feita até teve tempo para festejar antes de cortar a meta, mas só o fez depois! Pelo sim, pelo não! Há que não esquecer, tem apenas 22 anos. É pequeno e com umas constituição física bem diferente de sprinters como Kittel e Greipel, mas Ewan, assim como Fernando Gaviria (Quick-Step Floors), são desde já os líderes de uma nova geração de sprinters que está preparada para se impor nos grandes momentos da temporada.

Quanto a Peter Sagan, com tantos segundos lugares seria de esperar que já tivesse a fórmula certa para não cometer erros básicos. Porém, isto é ciclismo e uma decisão mal feita num segundo e estraga-se horas de trabalho. Foi o que aconteceu no sábado na Omloop Het Nieuwsblad. A forma como quis controlar Avermaet no sprint final, abrindo espaço na curva, deixando caminho aberto para o belga foi algo estranho de se ver. Depois faltaram pernas para apanhar Avermaet. Sagan foi ainda criticado por ter trabalho durante muitos quilómetros antes da formação do trio que disputaria a vitória. Porém, é a forma de Sagan correr e se é certo que tem de se resguardar um pouco mais, também é verdade que é quase contranatura ver Sagan jogar à defesa.

Peter Sagan conquistou a primeira vitória de 2017
(Fotografia: ©BORA-hansgrohe/Stiehl Photography)
Na Kuurne-Bruxelles-Kuurne, Sagan não deixou de trabalhar bastante, ainda que teve mais ajuda, até porque o grupo era composto por cinco ciclistas. Porém, o factor decisivo foi a forma como encarou a última curva antes da recta da meta. Preocupou-se em ficar bem colocado e não em ver como estavam os outros. Depois foi esperar pelo momento certo para atacar. Quase parece fácil quando se vê Sagan ganhar assim. E desta vez não houve Avermaet para estragar a festa do eslovaco. A "besta negra" do campeão do mundo ficou para trás quando Jasper Stuyven atacou e não foi atrás de Sagan quando o ciclista da Bora-Hansgrohe resolveu ir para a frente da corrida.

Por falar em Bora-Hansgrohe, certamente que os responsáveis estarão mais tranquilos. A sua grande estrela mostrou que aprende rápido e conquistou a primeira vitória da equipa desde que a formação alemã - que conta com o campeão nacional José Mendes - chegou ao escalão World Tour. Ainda assim, é um pouco preocupante ver que ninguém consegue acompanhar Sagan para o ajudar em momentos importantes das corridas. O eslovaco está habituado, é certo - teve uma grande escola na Tinkoff -, e há muito que se "desenrasca" sozinho. Mas ainda assim, esperava-se mais da Bora-Hansgrohe como equipa.

Veja aqui os resultados da clássica belga.

Lições aprendidas e vitórias conquistadas. Para Ewan foi a primeira frente aos melhores, para Sagan a primeira de 2017. Tanto um como outro certamente que terão oportunidade para mais festejos. É muito provavelmente uma questão de começar a contar e, para Sagan, o difícil costuma ser conquistar a primeira vitória, depois... engata!

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