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6 de dezembro de 2017

Faltou Chaves, um pouco mais dos Yates, mas houve muito Ewan

Lesão no joelho limitou toda a temporada de Chaves
(Fotografia: Facebook Orica-Scott)
Não se pode dizer que longe vão os tempos de uma Orica que lutava por etapas, que era das melhores equipas no contra-relógio colectivo e apostava também nas clássicas. Não vão longe, mas começam a parecer distantes. A equipa australiana tem feito uma evolução notável em transformar-se numa formação que quer passar a lutar sempre por classificações gerais e aponta cada vez mais às grandes voltas. Já se percebeu que o potencial está lá, principalmente através dos gémeos Yates, mantendo-se a expectativa para com Carlos Verona. E claro, Johan Esteban Chaves.

2017 deixou claro que Caleb Ewan é sprinter para discutir vitórias com os melhores, ainda que continue um nível abaixo de Fernando Gaviria ou Marcel Kittel, por exemplo. Tem apenas 23 anos e a Orica-Scott sabe que tem ainda muito trabalho pela frente no desenvolvimento de todo o potencial do australiano. Certo é que apesar do seu 1,65 metros e daquela forma estranha de sprintar, deitado no guiador, já pouco se fala desse estilo. Fala-se que temos sprinter. Foram dez as vitórias nesta temporada, uma no Giro.

Também ficou novamente claro que os Yates são dos melhores jovens voltistas. No Tour deste ano ganhou Simon essa classificação, há um ano tinha sido Adam. No Giro, Bob Jungels (Quick-Step Floors) estragou a festa. E agora? Têm 25 anos e está na altura de lutarem por outras camisolas.  Simon fez sétimo no Tour, Adam nono no Giro. A Vuelta não correu muito bem. O potencial para top dez é conhecido, mas ficou um dissabor de não se ver os Yates mais competitivos na luta por um pódio ou uma etapa, pelo menos. A Orica-Scott sabe que tem dois ciclistas que podem ir mais longe, falta saber se, tal como acontece com outras estruturas, os conseguirá rodear de homens com qualidade para os apoiar. Quando há uma Sky ou uma Movistar que são exemplos de como se trabalha em equipa, é cada vez mais utópico pensar que se pode ganhar uma grande volta pelo puro talento de um ciclista. Até a Sunweb sabe disso e quer Tom Dumoulin bem protegido.

Ranking: 7º (7190 pontos)
Vitórias: 29 (incluindo uma etapa no Giro e no Paris-Nice)
Ciclista com mais triunfos: Caleb Ewan (10)

A desilusão nem foi os Yates não terem feito um pouco mais, foi Chaves. Um problema nunca bem explicado no joelho do colombiano, fez com que o colombiano estivesse quatro meses sem competir. E quando reapareceu, foi uma sombra do ciclista que fez pódio no Giro e Vuelta em 2016. Foi ao Tour para recuperar sensações e mal se viu. Na Vuelta tentou mostrar-se, surgiu bem numa ou outra subido e durante uma parte da corrida parecia ser o único capaz de fazer frente a Chris Froome. Perdeu fôlego com o passar dos dias e depois do contra-relógio individual, na etapa 16 (tem mesmo de melhorar neste aspecto, urgentemente), foi caindo até ficar fora do top dez (11º). O ano não foi perdido, mas esteve longe de ser ganho. No entanto, se aparecer a 100% em 2018... Cuidado com ele. Ao contrário dos Yates, poderá ser um ciclista que mesmo com menos ajuda de companheiros é capaz de bons resultados. E é nele que residem as maiores esperanças da equipa australiana em alcançar algo histórico para o seu currículo: conquistar uma grande volta.

O que continua a entusiasmar na Orica-Scott é que, apesar da mudança de objectivos, mantém um grupo de ciclistas sempre pronto a lutar por etapas. Ainda assim, certamente que teria gostado de um desempenho mais produtivo nas grandes voltas. Só as clássicas parecem ter ficado mais em segundo plano este ano e, desta vez, não houve surpresas como Mathew Hayman ganhar o Paris-Roubaix. Mas a situação poderá mudar já que a caminho vai Matteo Trentin, uma das sensações de 2017 ao serviço da Quick-Step Floors. O italiano quer sair da sombra dos grandes homens de clássicas que a equipa belga sempre tem e afirmar-se ele próprio como um desses ciclistas de referência. E claro que ganhar etapas em grandes voltas também continuará a ser ambição. Também vai chegar Mikel Nieve e é possível imaginar como poderá ser colocado ali bem ao lado de Chaves.

Cameron Meyer regressa à estrutura depois de um ano pelo escalão Continental (na Mitchelton Scott) e Jack Bauer também deixou a Quick-Step Floors. Ambos serão dois ciclistas que podem dar outra solidez à equipa no que diz respeito ao apoio aos líderes.

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3 de dezembro de 2017

O telefonema de Porte que evitou a reforma de Gerrans

(Fotografia: Orica-Scott)
Para Simon Gerrans tinha chegado o momento de parar. A vida na Orica-Scott já não era tão radiante como em anos anteriores e o australiano sabia que estava a chegar ao fim a longa relação com a equipa do seu país e que tanto ajudou a tornar-se numa das melhores do World Tour. Gerrans nem estava à procura de encontrar outra formação. Aos 37 anos sentia-se preparado para começar uma nova fase. No entanto, um telefonema fê-lo recuperar a alegria que tinha perdido ao ser preterido pela Orica-Scott na convocatória para a Volta a França e para outras importantes corridas. Do outro lado da chamada estava Richie Porte a convidá-lo para estar ao seu lado na BMC em 2018: "Estás interessado?" Gerrans não resistiu ao convite.

"Penso que é o que nos faltou, um homem com a experiência do Simon para tomar as decisões na estrada", explicou Richie Porte, citado pelo Herald Sun. "Ele é um bom companheiro e está feliz por vir correr para mim e ajudar-me a atingir o meu objectivo", acrescentou.

Para Gerrans - que em 2003 passou pelo pelotão português, na então Carvalhelhos-Boavista - era algo impossível de recusar e ser o próprio Porte a fazer o primeiro contacto foi também importante. "Fiquei lisonjeado por ele ver que eu posso contribuir de forma valiosa para a sua época e na Volta a França. Depois de falar com alguns responsáveis da BMC, eles viram que eu posso acrescentar valor à equipa", salientou o australiano, que não teve dúvidas que aceitar o convite era a decisão mais correcta.

Milano-Sanremo e Liège-Bastogne-Liège são duas das suas principais vitórias. Mas além dos monumentos, Gerrans venceu ainda duas etapas no Tour e vestiu a camisola amarela, dois Grandes Prémios do Quebeque e um de Montreal, ao que junta conquistas no seu país, incluindo quatro Tour Down Under. Sempre tentou aproveitar as oportunidades quando elas surgiam, mas também foi sempre um ciclista que não tinha problemas em ajudar um colega. É precisamente esse papel que Porte procura, podendo ser uma voz de comando em etapas nervosas, como aquelas longas e planas, que tantas vezes têm feito a diferença devido a quedas colectivas, ou ao vento que parte o pelotão.

A escolha é um sinal claro de Richie Porte a rodear-se de homens que conhece bem, como é o caso do compatriota. Também Patrick Bevin, neozelandês da Cannondale-Drapac, irá reforçar a equipa, tal como Alberto Bettiol, igualmente da formação americana, ainda que o italiano poderá dividir a sua temporada entre as clássicas com Greg van Avermaet e depois o Tour com Richie Porte.

Para Simon Gerrans será talvez uma derradeira oportunidade para se mostrar ao mais alto nível. É que se estar ao lado de Porte já seria suficiente para dizer sim à BMC, no entanto, o australiano explicou que a equipa acredita que ainda pode dar algumas vitórias, principalmente nas corridas de um dia. "Se eles tivessem dito que iria ser um ciclista para apoiar a 100%, eu teria aceite bem isso, mas nas negociações os responsáveis disseram: 'Ainda acreditamos que há muitas vitórias em ti, por isso, queremos dar-te também objectivos pessoais'", contou.

É apenas um ano de contrato, para já, mas pode ser um dos mais importantes para Gerrans. Se houve algo que não conseguiu na Orica-Scott foi ajudar um dos líderes a ganhar uma grande volta. Richie Porte apresentou-se como um fortíssimo candidato a vencer a última Volta a França. Uma queda acabou com o sonho e com a temporada e até foi ainda durante a recuperação que fez o telefonema para Gerrans. Porte quer entrar de novo na corrida francesa como candidato e a BMC está a dar todas as condições que o australiano quer para poder assim voltar a conquistar o Tour, depois de Cadel Evans o ter feito em 2011.



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12 de setembro de 2017

Orica-Scott procura novo patrocinador

(Fotografia: Facebook Orica-Scott)
Resolveu-se o problema na Cannondale-Drapac, mas há outra equipa que procura uma solução, ainda que tenha uma garantia tranquilizadora. A Orica vai deixar de apoiar a estrutura australiana, como tinha anunciado há um ano, contudo, não há perigo, pelo menos para já, de extinção. O líder da GreenEdge garantiu que irá continuar a financiar tanto a equipa masculina, como a feminina e também a de sub-23, que está no escalão Continental. Nestes dois últimos casos, acresce a questão da saída da federação no apoio às formações.

O anúncio do adeus da Orica foi feito ainda em 2016, em Junho, com a garantia da empresa da indústria mineira que não abandonaria o projecto até ao final de 2017. A marca de bicicletas Scott entrou nesta época e tem contrato durante três anos. Já fornecia as bicicletas, mas escolheu dar também o nome na equipa. Mas é preciso mais. Os responsáveis da estrutura estão já no terreno para encontrar um patrocinador que preencha a vaga deixada pela Orica. Porém, parece haver neste momento uma total tranquilidade, pois já se prepara a próxima temporada. Mikel Nieve (Sky) e Matteo Trentin e Jack Bauer, ambos da Quick-Step Floors, são três nomes confirmados, com Johan Esteban Chaves e os gémeos Yates a serem novamente as apostas para as grandes voltas. Alguns ciclistas também renovaram, casos de Mathew Hayman, vencedor surpresa do Paris-Roubaix em 2016.

A continuidade da equipa feminina também não estará nada em causa. Foi uma das melhores do nível World Tour, somando 18 vitórias, sete das quais em corridas do principal escalão. Tal como a formação sub-23, também deixará de receber da federação, que se encontra em fase de reestruturação, depois de um Jogos Olímpicos com resultados aquém do esperado.

A Austrália é uma das potências no ciclismo de pista, mas nos últimos anos tem visto renascer também a sua vertente de estrada, muito por causa do trabalho da Orica-Scott, equipa que dá o nome actual ao projecto que nasceu na GreenEdge Cycling. Simon Gerrans, mais veterano, e a estrela em ascensão Caleb Ewan são duas das actuais referências, tal como Michael Matthews, que este ano foi para a Sunweb, mas cresceu como ciclista na estrutura da australiana.

As garantias do líder da GreenEdge, Gerry Ryan - que deu nome à equipa desde a criação em 2012, juntamente com a Orica, até ao ano passado -, são suficientes para continuar a trabalhar, já que Ryan terá mesmo dito que cobriria os valores necessários para manter as estruturas na estrada em 2018 e 2019. Porém, os responsáveis sabem como é importante não depender em demasia de uma "fonte", pelo que farão tudo para assegurar um novo patrocinador o mais rapidamente possível.

Desportivamente a equipa vai conquistando os seus resultados, apesar da aposta nas grandes voltas não ter igualado o sucesso de 2016 (destaque para os pódios de Chaves no Giro e na Vuelta).  Ainda assim são 29 vitórias em 2017, 10 do pequeno sprinter Ewan. No entanto, há também o lado da imagem, sendo a Orica-Scott uma equipa muito popular e das melhores a se apresentar junto dos fãs, muito à custa dos vídeos originais que partilham nas redes sociais e que permitem ver um outro lado do ciclismo profissional.

23 de agosto de 2017

Tácticas, golpes perfeitos e algum bluff

(Fotografia: Facebook La Vuelta)
Estipulam-se objectivos, planeiam-se tácticas e faz-se as adaptações às circunstâncias de uma corrida que muito pode mudar ao longo de três semanas. E no que diz respeito à Vuelta, tal não podia ser mais verdade. Até a Sky tem dificuldades em manter um plano do princípio ao fim, como tanto gosta de fazer no Tour. Porém, até ao momento, é a táctica da equipa britânica que está a ter o melhor resultado. Dá-se até ao luxo de fazer bluff, só para no final deixar quase todos os rivais de Chris Froome para trás. Já não há dúvidas que o britânico está com tudo para ganhar finalmente a Vuelta e em Espanha vive-se um ambiente idêntico aos últimos anos no Tour: todos querem descobrir qual é a táctica para bater Froome e a Sky.

Em 2016, Alberto Contador e Nairo Quintana perceberam que era preciso arriscar e principalmente surpreender. Era preciso ser o golpe perfeito e assim foi. Froome perdeu a Vuelta quando os dois se uniram, com uma ajuda de outros ciclistas, incluindo colegas do colombiano da Movistar. Táctica idêntica será difícil em 2017. A Sky terá aprendido com o erro colossal da etapa de Formigal.

Com a demonstração de força de Froome logo nos primeiros dias da Vuelta, as equipas rivais adoptaram a postura de expectativa. O britânico já lidera, pelo que será a sua equipa a controlar as etapas. Mais uma vez, na quinta etapa, o plano delineado foi cumprido com enorme sucesso. Só Johan Esteban Chaves continua a ser aquele que não quebra.

Com as diferenças tão curtas, questionava-se se Froome poderia largar a liderança para assim libertar a equipa da responsabilidade de liderar em todas as etapas. Com uma fuga que chegou a ter mais de sete minutos de vantagem, a Manzana Postobón (de Ricardo Vilela) parecia que poderia viver um sonho. Jetse Bol chegou a ser camisola vermelha virtual. Táctica ideal? A Sky dava a liderança a um ciclista que não entra para as contas, para certamente a ir buscar quando considerasse o momento certo. Evitaria desta forma que um dos rivais fosse o líder e assim dar aquele factor de motivação a quem a Sky quer garantir que continue ansioso por descobrir como há-de bater Froome.

Bluff! Na derradeira subida do dia, em Alcossebre, que chegou a ter 20% de inclinação, já Alexey Lutsenko (Astana) festejava a sua primeira vitória numa grande volta quando Froome jogou a sua cartada. Porém, há que recuar uns quilómetros. Depois de muitos cumpridos a um ritmo mais calmo, deu-se a aceleração, com a BMC a fazer o previsível. Com Nicholas Roche e Tejay van Garderen a dois segundos de Froome, a equipa americana queria recuperar a camisola vermelha que Rohan Dennis vestiu na primeira etapa. Froome esperou pelo momento certo, aumentou a velocidade na subida e foi o "ai Jesus" no grupo que já não era grande naquela fase. Que não fiquem dúvidas, a Sky tinha tudo controlado e Froome rematou a etapa novamente com sucesso.

Só um renascido Alberto Contador (Trek-Segafredo), Michael Woods (Cannondale-Drapac) e Chaves conseguiram aguentar o ritmo. Contador até se meteu na frente de Froome, como que a passar a mensagem que ainda tem algo para dar nesta Vuelta, pelo menos para lutar por uma etapa. Van Garderen perdeu oito segundos, Adam Yates, Roche, Zakarin e Fabio Aru 11, David de la Cruz 21 e Vincenzo Nibali 26. Sempre que o terreno tem subido um pouco mais, o italiano da Bahrain-Merida cede e como desta vez não houve descida para o salvar - até venceu uma etapa já por causa disso -, Nibali começa a alimentar dúvidas se pode realmente ser um adversário temível para Froome.

Chaves é nesta fase inicial a dor de cabeça de Froome. A única diferença feita (11 segundos) foi no contra-relógio colecivo e nas bonificações que o britânico já conseguiu. Para a Orica-Scott é excelente ver o seu colombiano de volta às boas exibições depois de um ano marcado por uma lesão no joelho, que o manteve afastado das corridas a maior parte da temporada. Fez pódio em 2016 no Giro e na Vuelta e se quer melhor terá de encontrar uma forma de ganhar tempo, pois no contra-relógio de 40 quilómetros, não terá hipótese contra Froome. Ou seja, Chaves tem-se mantido na roda do líder da Sky. A paciência pode ser uma virtude. Não mostra o jogo, mas mostra que pode jogar forte. Aqui entra a táctica da Orica-Scott. Quando será o momento para Chaves atacar?

O colombiano irá evitar ser previsível. Tem os gémeos Yates para baralhar a Sky e quem também ainda está na luta (e são vários apesar deste domínio inicial de Froome). A Orica-Scott não irá entrar em bluffs, pois procurará o tal golpe perfeito para bater Froome.

Ainda é cedo para reduzir a Vuelta a Froome e Chaves, mas já se espera com ansiedade pelas etapas de alta montanha do fim-de-semana. Até lá, mais umas de "rompe pernas".


Resumen - Etapa 5 - La Vuelta 2017 por la_vuelta


31 de julho de 2017

Viviani afinal está bem na Sky. Mercado de transferências abre esta terça-feira

(Fotografia: Facebook Elia Viviani)
Está quase! A especulação está perto de terminar para dar lugar às confirmações oficiais. Quem vai para onde? O mercado de transferências abre esta terça-feira e há muitas indefinições para resolver. Certo é que Elia Viviani não vai sair da Sky como chegou a ser avançado por um jornal italiano. Apesar de ter ficado desiludido por não ter ido nem ao Giro, nem ao Tour e a presença na Vuelta também está longe de ser uma certeza, Viviani confirmou que não vai para a UAE Abu Dhabi e quer cumprir até final o contrato com a Sky, ou seja, até 2018. No entanto, a equipa britânica irá perder um ciclista que importante no apoio a Chris Froome, enquanto a Quick-Step Floors renovou com uma das suas jovens estrelas.

Começando por Viviani. O descontentamento do ciclista por ter sido excluído do Giro100 era conhecida. Era uma edição especial e o sprinter italiano queria deixar uma marca na corrida. Porém a equipa apostou em Geraint Thomas e Mikel Landa para a geral e os restantes ciclistas foram escolhidos para ajudá-los. Com Chris Froome na luta por mais um Tour era mais do que certo que não haveria espaço para Viviani. O ano não tem sido muito produtivo e a Gazzetta dello Sport dava conta que o sprinter queria sair já em Agosto para a UAE Abu Dhabi e assim garantir a presença na Vuelta. A formação de Rui Costa está apostada em reforçar-se bem para 2018, mas afinal não contará com Viviani. Não para já, pelo menos.

"Estou feliz na Sky. Fiquei desiludido por ter perdido as grandes voltas, todos sabemos disso, mas espero estar nessas corridas na próxima época", garantiu Viviani ao Cycling News. Com esta decisão, o italiano não se irá tornar num dos poucos casos no ciclismo de alguém que quebrou contrato com uma equipa. Viviani salientou ainda que não só está satisfeito na Sky, como tem o objectivo bem definido em conquistar dez vitórias esta temporada. Faltam seis e quer que uma delas seja nos Europeus da próxima semana.

De saída está mesmo Mikel Nieve. Oficialmente a confirmação só será feita a partir de amanhã, mas foi Chris Froome quem assumiu que o espanhol vai para a Orica-Scott em 2018. "Não queríamos perder o Mikel Nieve, mas a Orica fez uma oferta fabulosa e irá dar-lhe um papel de mentor de jovens, algo que é muito adequado para ele", disse o britânico, numa entrevista ao The Sunday TimesNieve está há quatro anos na Sky, depois de ter construído a sua carreira na Euskaltel-Euskadi.

Quick-Step Floors anuncia primeira renovação

Perante tanta incerteza quanto ao futuro da equipa e que faz com que os ciclistas estivessem todos em final de contrato, Patrick Lefevere ou assegurou o patrocinador que tanto queria para se juntar à Quick-Step, ou vai mesmo continuar com os actuais, ainda que isso signifique que não tenha o reforço financeiro desejado. Bob Jungels é o primeiro a renovar contrato e logo por três anos. O luxemburguês é um dos jovens talentos da equipa e Lefevere tem esperança estar perante o ciclista que irá definitivamente colocar a equipa a lutar por algo mais que o top dez numa grande volta.

Jungels tem 24 anos (faz 25 em Setembro) e foi no Giro que se destacou. Venceu duas vezes a classificação da juventude e na última edição junto uma vitória de etapa. A juntar-se a Jungels na renovação estará quase certo Fernando Gaviria (22). O sprinter colombiano é uma autêntica pérola e as quatro vitórias de etapa no Giro são vistas como apenas o início de uma carreira fantástica como sprinter nas principais corridas.

Julian Alaphilippe (25) também é um dos ciclistas com um futuro promissor e Philippe Gilbert será a voz da experiência. Aos 35 anos reencontrou-se com as vitórias e com as grandes exibições. Patrick Lefevere quer continuar a contar com o belga, tendo em vista a fase das clássicas. Já Marcel Kittel e Daniel Martin estarão a estudar propostas. O alemão estará a ser tentado pela Katusha-Alpecin e o irlandês pela UAE Team Emirates.

A partir desta terça-feira vamos começar a saber o que decidiram. Aqui fica a lista com alguns dos principais ciclistas que estão em final de contrato. De recordar que dos portugueses no World Tour só falta definir o futuro de José Mendes (Bora-Hansgrohe) e de André Cardoso (Trek-Segafredo). Este último ainda espera pelo resultado da contra-análise do caso de suspeita de doping, encontrando-se suspenso provisoriamente.

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18 de maio de 2017

Sprinters de malas feitas. Só deverá restar o super Gaviria

(Fotografia: Giro d'Italia)
Cinco etapas ao sprint e Fernando Gaviria ficou com três. Eram seis, mas Lukas Pöstlberger surpreendeu todos com um ataque no primeiro dia e estragou o objectivo de muitos sprinters de vestir a maglia rosa. Esta quinta-feira será a última oportunidade para os homens rápidos deixarem a sua marca no Giro100, pois muitos deles vão voltar para casa e começar a pensar nos próximos objectivos. A partir de sábado é montanha todos os dias, com um contra-relógio a fechar a corrida. Para André Greipel e Caleb Ewan, por exemplo, não vale a pena o esforço. Só Gaviria deverá resistir à razia, pois desde cedo que assumiu que queria terminar e conquistar a maglia ciclamino.

O colombiano da Quick-Step Floors voltou a ser o rei do sprint na 12ª etapa e a classificação por pontos ainda não está garantida, mas começa a parecer que não há rivais, até porque aqueles que eventualmente lhe poderiam dar mais luta, nem sequer se esforçaram para tal devido aos planos de abandonar após a tirada desta sexta-feira. Jasper Stuyven (Trek-Segafredo) é o segundo classificado, a 80 pontos de Gaviria.

Em 2016, André Greipel viu-se num centro de uma polémica ao deixar o Giro quando liderava a classificação por pontos. Repetir a atitude nunca cai bem, mas visto que Gaviria vai permanecer na corrida, não se fala tanto da opção do alemão da Lotto Soudal. "Para ser sincero este ano não é uma escolha difícil. A decisão foi fácil de fazer quando se tem a Volta a França em Julho", salientou André Greipel ao Cycling Weekly. O terreno maioritariamente montanhoso dos próximos dias foram o factor que facilitaram a opção do campeão germânico.

O jovem Jakub Mareczko tem sido um dos italianos em destaque, aparecendo na discussão dos sprints ainda que sem conseguir a desejada vitória. O ciclista de 23 anos, da Wilier-Selle Italia, não revelou se vai ou não abandonar, salientando que será a equipa a decidir. "Depois de Tortona [onde acaba a etapa de sexta-feira] tenho de pensar no meu programa e o que é melhor, mas as três semanas no Giro ajudam a evoluir como ciclista", referiu.

Tal como Greipel, Caleb Ewan venceu uma etapa. Apesar de não haver confirmação da Orica-Scott, é provável que o pequeno sprinter não se vá desgastar na brutal última semana da Volta a Itália. Giacomo Nizzolo (Trek-Segafredo) já foi para casa devido a alergias, mas o outro principal sprinter italiano, Sacha Modolo (UAE Team Emirates) também está a passar ao lado, outra vez, do Giro, pelo que é provável que comece a apontar baterias para outras corridas.

Sam Bennett, da Bora-Hansgrohe, muito tem tentado a vitória, mas Gaviria tem sido sempre superior. Ainda assim, a equipa estará satisfeita com a exibição do irlandês de 26 anos, que cada vez mais vai conseguindo estar ao nível dos melhores. Dadas as suas características e o facto de não haver um líder assumido a precisar de ajuda, é também provável que Bennett regresse a casa.

Mas antes de fazerem as malas, os sprinters têm uma etapa que se pode chamar de transição para os homens da geral, mas muito séria para os homens rápidos. Mais plana é impossível. Nem contagens de montanha existem, o que garante a Omar Fraile (Dimension Data) a manutenção da camisola azul, depois de esta quinta-feira a ter tirado a Jan Polanc (UAE Team Emirates).


E deverá ser uma etapa muito rápida. Depois do dia mais longo do Giro (229 quilómetros), serão apenas 167 entre Reggio Emilia-Tortona. Qualquer final que não seja ao sprint será uma enorme surpresa.

Veja aqui as classificações após a 12ª etapa da Volta a Itália.


Giro d'Italia - Stage 12 - Highlights por giroditalia


»»E a vitória ali tão perto para Rui Costa««

»»Show de Tom Dumoulin no contra-relógio. Mas será que pode mesmo ganhar o Giro?««

15 de maio de 2017

Director do Giro defende polícia que provocou acidente. Landa tem muitas dores, mas vai continuar na corrida

Mikel Landa conseguiu treinar esta segunda-feira e vai continuar
na corrida (Fotografia: Russ Ellis/Team Sky)
O incidente antes do início da ascensão ao Blockhaus marcou inevitavelmente a Volta a Itália, principalmente porque deixou muito provavelmente dois ciclistas fora da luta (Geraint Thomas e Adam Yates), Wilco Kelderman abandonou e não vai ser o apoio importante que Tom Dumoulin esperava, enquanto Mikel Landa ainda pensou que teria também de deixar a corrida, mas os testes desta segunda-feira foram positivos e o espanhol estará no contra-relógio. O director do Giro lamenta o que aconteceu, estando triste pela competição ter ficado sem alguns dos seus candidatos. No entanto, Mauro Vegni saiu em defesa do polícia em causa, admitindo, contudo, que houve um erro de cálculo, com consequências graves.

"Penso que não é correcto apontar o dedo ao polícia. Não quer que fiquem com toda a culpa porque a polícia tem feito um excelente trabalho na protecção aos ciclistas durante 70 anos. Naturalmente que eles também estão chocados com o que aconteceu. Infelizmente as coisas podem correr mal, mas não deve arruinar a imagem da polícia", salientou Mauro Vegni. O responsável acrescentou que na corrida estão cerca de 50 veículos, entre motos e carros, que têm o objectivo de proteger os ciclistas. Explicou ainda que a decisão do agente em parar na estrada deveu-se à preocupação de garantir que todos os ciclistas estariam em segurança, numa altura em que o pelotão estava a partir-se em vários grupos mais pequenos. "Concordo que houve um erro de cálculo ao parar ali, numa zona estreita da estrada. Talvez pudesse ter parado cem metros mais à frente", referiu Mauro Vegni.

A Orica-Scott e a Sky foram as equipas mais afectadas, pois os seus líderes acabaram por perder muito tempo. Adam Yates está a 4:49 minutos do líder Nairo Quintana, com Geraint Thomas a 5:14. A missão dos dois britânicos é muito complicada, ainda que nenhum esteja disposto a desistir de pelo menos chegar ao pódio. Afinal ainda há duas semanas de corrida pela frente. 

Já Mikel Landa está feliz por ainda conseguir estar no Giro. O espanhol até foi dos mais rápidos a retomar a prova, mas acabou por perder muito tempo. A dor na perna esquerda provocou-lhe muitos problemas na subida ao Blockhaus. Tem 27:06 minutos de desvantagem, mas depois da desilusão de domingo, Mikel Landa mostrou-se satisfeito pelos exames feitos hoje terem demonstrado que não tem uma lesão grave e depois de um treino de uma hora, o espanhol da Sky assegurou que vai estar no contra-relógio. O ciclista ainda tem dores, mas espera conseguir "fazer coisas bonitas" nas etapas que ainda faltam no Giro.

Já Tom Dumoulin não escondeu a fúria por ter perdido Wilco Kelderman, que teria um importante papel de o apoiar nas etapas de montanha. O holandês da Sunweb chegou mesmo a classificar o incidente como "estúpido".

Contra-relógio para voltar a mudar a classificação geral


Depois do descanso espera aos ciclistas mais um teste. O primeiro de dois contra-relógios individuais é já esta quinta-feira, com 39,8 quilómetros não muito planos a prometeram que haverá um ataque forte de Tom Dumoulin à maglia rosa, camisola que já vestiu no Giro de 2016, precisamente após o esforço individual, logo no primeiro dia. O holandês já garantiu que se se sentir bem, terminar o dia na liderança é o objectivo. O ciclista da Sunweb esteve muito bem no Blockhaus, terminando na terceira posição, com 30 segundos a separá-lo de Nairo Quintana.

O colombiano da Movistar afirmou que gostaria de continuar de rosa, mas admitiu que será difícil, considerando que tanto Dumoulin, como Thibaut Pinot (FDJ) - que está a 28 segundos - são melhores que ele no contra-relógio. Quintana prefere olhar já para as próximas montanhas, onde pretende regressar à liderança, caso a perca na terça-feira. No dia seguinte terá logo essa oportunidade será uma etapa para romper pernas, com duas segundas categorias e duas terceiras. Mas o líder da Movistar terá mesmo marcada a tirada de sábado com a chegada em alto a Oropa.

»»Não basta ter estilo Nibali, é preciso ter categoria e Quintana tem muita««

»»Chega de irresponsabilidade. O acidente no Giro não foi ciclismo, foi estupidez««

14 de maio de 2017

Chega de irresponsabilidade. O acidente no Giro não foi ciclismo, foi estupidez

Thomas ficou mal tratado, mas acabou a etapa (Fotografia: Giro d'Italia)
Os olhares dos ciclistas da Sky envolvidos na queda no início da subida ao Blockhaus para o polícia que tinha provocado o acidente dizem quase tudo. Eram fulminantes. É inacreditável como foi possível acontecer algo tão irresponsável, numa das principais corridas mundiais, com uma elevada exigência de profissionalismo de todos os participantes, seja em que função for. O polícia escolheu parar na berma, mas ainda na estrada, quando o pelotão se aproximava a alta velocidade, concentrado em preparar o início de uma das subidas mais difíceis do Giro. Os ciclistas da frente conseguiram desviar-se, mas a Sky foi ao chão, Adam Yates caiu, Wilco Kelderman terminou ali a Volta a Itália, para revolta do seu líder Tom Dumoulin. O homem da Sunweb não teve problemas em considerar o que aconteceu como consequência de um acto estúpido. Palavra dura, mas que explica tudo. Foi uma estupidez o que aconteceu e quem pagou foram homens que passaram meses a preparar o Giro e que agora viram esse trabalho deitado fora porque um polícia resolveu parar a moto num local proibido com o pelotão a passar.

Recentemente a UCI anunciou novas regras que visavam proteger os ciclistas dos incidentes com as motos. No entanto, é impossível à UCI e aos organizadores das corridas evitarem o que aconteceu este domingo na Volta a Itália. É impossível prever que alguém, que certamente terá recebido formação para estar naquela função, resolvesse parar na naquele local, numa altura em que o pelotão ainda estava muito bem composto e a ocupar todo o espaço disponível da estrada, como seria de prever naquela fase da etapa. Foi um erro na avaliação da corrida por parte do polícia, que certamente que não queria provocar uma queda, mas que inadvertidamente se tornou numa das figuras do Giro, pela pior das razões.

(Carregue no play que o vídeo começará no momento do acidente.)


Giro d'Italia - Stage 9 - Highlights por giroditalia

Os ciclistas bem tentaram desviar-se, mas bastou um não conseguir e foi uma queda colectiva. O resultado afecta a classificação geral da corrida, pois Geraint Thomas, Mikel Landa e Adam Yates eram três homens com aspiração à vitória final. Perder a Volta a Itália por condições físicas, até mesmo por se ter um furo ou uma avaria mecânica no pior dos momentos, isso pode-se dizer que é ciclismo. Uma queda provocada por um acto irresponsável, irreflectido, não!

Geraint Thomas perdeu 5:08 minutos, Adam Yates (Orica-Scott) 4:39. Milkel Landa, o outro líder da Sky baixou completamente os braços perante as dores com que ficou e perdeu 26:56. Se calhar pode-se tentar ver o lado positivo realçando como nada de muito grave aconteceu aos ciclistas, isto comparando com acidentes com motos em corridas num passado recente. Porém, é impossível não existir alguma frustração, irritação e uma vontade enorme de exigir justiça perante o que aconteceu.

A Sky optou por um discurso mais racional, tentando não alimentar a polémica, mas o mesmo não aconteceu com a Orica-Scott. Se a corrida pudesse ter sido neutralizada foi uma questão levantada, Matt White apontou antes o dedo à Movistar. A equipa espanhola estava a impor um ritmo elevado há algum tempo e não abrandou. "Penso que a decisão da Movistar não foi correcta. Não havia uma fuga, era uma fase a descer e todos estavam cientes que tinha acontecido uma queda. A melhor decisão de desportivismo seria ter desacelerado por um ou dois minutos. Teria dado tempo aos rapazes para regressar ao pelotão. Não havia necessidade para puxar como eles puxaram. É uma desilusão porque tenho muito respeito pela equipa, mas acho que tomaram uma má decisão", salientou o director desportivo da Orica-Scott.

Porém, Nairo Quintana contrariou a afirmação de Matt White que tinham conhecimento da queda. "As ordens eram para puxar na frente. Não sabíamos o que tinha acontecido atrás, não sabíamos que tinha sido tão grave", explicou o colombiano, que acabaria por ganhar a etapa com uma grande exibição e subir à liderança da corrida. Quintana lamentou ainda o sucedido.

Já Dave Brailsford, director da Sky, tenta ser a voz da razão perante o seu grupo de ciclistas prontos a explodir de raiva. "Às vezes os postes da baliza mexem-se, sabes que isso acontecerá e tens de responder. A moto não deveria ter estado ali, penso que todos vêem isso, mas tenho a certeza que o homem que a conduzia sabe disso também, tenho a certeza que também não se sente muito bem", frisou. Para Brailsford é importante que se deixe o que incidente no passado, a nível desportivo, mas há que "questionar porque é que aconteceu". "Portanto, continuamos a lutar. Recalibrar e continuar", disse o director da Sky.

Talvez esta seja a melhor forma de pensar para garantir que os seus ciclistas continuem em prova e tenta salvar algo de mais um azar a atingir a Sky na Volta a Itália. Com Richie Porte houve o incidente do furo e da roda dada por um compatriota, mas que não era companheiro de equipa, com Mikel Landa foi uma gastroenterite em 2016... O contra-relógio de terça-feira ainda pode recolocar Thomas pelo menos no top dez. Mas a ver vamos como estão os ciclistas fisicamente. Mentalmente não esconderam estar de rastos. Há muito trabalho a fazer nesta segunda-feira de descanso por parte de Brailsford para elevar o moral dos atletas.

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12 de maio de 2017

Sete etapas sem vencedores italianos no Giro. A crise chega agora às vitórias e logo na 100ª edição

É em Nibali que cada vez mais recaem todas as esperanças não só de vencer
o Giro, mas de conquistar também etapas (Fotografia: Giro d'Italia)
Sete etapas, zero vencedores italianos. Eis algo que em Itália não se está habituado quando se fala do Giro. Porém, em ano de edição centenária, o facto é apenas mais uma demonstração de como o ciclismo italiano enfrenta uma enorme crise, para a qual não parece existir solução à vista. É certo que um dos principais candidatos é italiano, Vincenzo Nibali, contudo, se há animadores no Giro, costumam ser os italianos. A realidade tem vindo a mudar nos últimos anos e a modalidade vive momentos que podem deixar uma tremenda desilusão numa edição tão especial, principalmente se Nibali não ganhar.

Não falta talento, nem ciclistas com talento a aparecer. Os italianos até estão em maior número no pelotão do World Tour, comparativamente com nacionalidades como francesa e espanhola, belga e holandesa, também elas muito representadas, como é habitual. No entanto, a saída da Lampre do ciclismo deixou um vazio quanto a equipas transalpinas ao mais alto nível. Os equipamentos rosas há muito que andavam no pelotão e desde há algum tempo que eram os que representavam Itália ao mais alto nível. Em 2017 restaram quatro equipas Profissionais Continentais (segundo escalão) e nenhuma está a ter um ano particularmente brilhante. A Androni Giocattoli já se tem mostrado, mas nem convite para o Giro recebeu. E a verdade é que se haveria equipa para animar a corrida, esta seria uma delas, certamente. A outra seria a Bardiani-CSF. Essa sim está na Volta a Itália, mas tornou-se mais um exemplo de como a reputação do ciclismo italiano está em baixa. Antes do Giro começar, Nicola Ruffoni e Stefano Pirazzi foram afastados devido a um teste de doping positivo.

A globalização, que também atingiu inevitavelmente o ciclismo, fez com que mais nacionalidades começassem a aparecer, terminando a hegemonia belga, holandesa, italiana, francesa e mais tarde espanhola. Britânicos, americanos, até portugueses têm vindo a aumentar a sua presença, tal como países que ainda há uma década ou pouco mais seria impensável ver entre os melhores, como a Eslováquia, por exemplo. Isto não significa que Itália tenha perdido força no que diz respeito as ciclistas. Perdeu sim força relativamente a estruturas profissionais.

Quem acompanha o ciclismo há mais tempo certamente que se recorda de patrocinadores como a Mapei, Liquigas, Fassa Bortolo e a Mercatone Uno, esta última que tanta fama ganhou na era de Marco Pantani. Aos poucos as empresas foram desaparecendo do ciclismo, sendo a última a Lampre. Durante um tempo ainda se pensou que a empresa poderia ficar como patrocinador secundário da actual UAE Team Emirates, mas a decisão foi sair por completo, terminando uma relação com a modalidade que durava desde os anos 90.

Em 2016 chegou a Segafredo, mas juntou-se à Trek (americana), enquanto as marcas de bicicletas, Pinarello e Colnago, por exemplo, estão ligadas a equipas de diferentes nacionalidades. Algumas das principais figuras do ciclismo italiano têm alertado para o afastamento das grandes empresas da modalidade naquele país e casos como os de Ruffoni e Pirazzi não ajudam. Não se pode esquecer que também continua a pairar as acusações de ciclistas pagarem para correr em determinadas equipas, com um dos suspeitos a ser Gianni Savio (foi absolvido em tribunal), da Androni Giocattoli.

Mas o maior problema continua a ser uma crise que por mais que vendam a ideia que o pior já passou, ainda há muita gente com a corda ao pescoço, pelo que o apoio (muito dispendioso) a uma equipa de ciclismo, ainda mais se for do World Tour, é algo complicado de se concretizar. Mesmo as formações do segundo escalão sofrem para continuar vivas. A Nippo-Vini Fantini - que também ficou de fora do Giro - tem uma ligação com o Japão para ser financeiramente sustentável.

Em Itália lamenta-se que os "seus" ciclistas não tenham ainda conquistado qualquer vitória no Giro100. Lamenta-se que poucos tenham sido animadores das etapas. Lamenta-se que Sacha Modolo ou Giacomo Nizzolo, para nomear dois, sejam de grande qualidade, mas estão num patamar abaixo de ciclistas como André Greipel, Fernando Gaviria e Caleb Ewan. Elia Viviani nem foi convocado e Diego Rosa não tem a liberdade na Sky que tinha na Astana, Diego UIissi ficou guardado pela UAE Team Emirates para a Volta a França, ele que foi dos ciclistas mais interessantes de ver nas duas últimas edições, tendo vencido sempre etapas. Os outros italianos em prova têm funções mais de ajuda aos líderes e os que podem tentar algo terão muitas dificuldades dada a elevada qualidade do pelotão que este ano está na corrida.

Sem Fabio Aru, a esperança transalpina chama-se Vincenzo Nibali. Porém, mesmo que vença o Giro, será uma vitória que não irá apagar a crise que se vive no ciclismo em Itália, cujas estruturas profissionais vão diminuindo e teme-se que possa ainda piorar depois dos casos de doping na Bardiani-CSF (ainda se espera pelos resultados da contra-análise) e da Androni Giocattoli ir perder o seu principal patrocinador depois de ter ficado dois anos consecutivos fora do Giro.

Caleb Ewan confirma estatuto. Italianos fora da luta no sprint

(Fotografia: Giro d'Italia)
A bandeira italiana é constante no Giro, naturalmente, mas quando chega ao momento da consagração, não se vê nenhum transalpino. Nesta quinta-feira o melhor foi Enrico Battaglin (Lotto-Jumbo), que terminou na sétimo, mas já com um corte de dois segundos. Para se ver, apesar dos sprinters italianos em prova, foi Vincenzo Nibali quem fechou o top dez.

Relativamente a uma etapa que valeu pelos últimos metros, Caleb Ewan (Orica-Scott) conseguiu finalmente a vitória que tanto procurava, a primeira no Giro, segunda em grandes voltas (já tinha uma na Vuelta de 2015). Este era o triunfo que o pequeno australiano de 22 anos tanto procurava para continuar a sua afirmação entre a elite do sprint, agora no Giro. Fica a faltar uma vitória no Tour. Ewan bateu um super Fernando Gaviria (Quick-Step Floors), que ao não estar na melhor posição quando o australiano arrancou, foi obrigado a ultrapassar ciclistas, o que o atrasou um pouco. Em terceiro ficou Sam Bennett (Bora-Hansgrohe), que aos poucos também vai tentando aparecer entre os melhores.


Giro d'Italia - Stage 7 - Highlights por giroditalia

Na classificação geral tudo na mesma, com Bob Jungels (Quick-Step Floors) a continuar de rosa. Gaviria é que aproveitou todos os sprints intermédios para ganhar pontos a Jasper Stuyven que é assumidamente o seu rival para a maglia ciclamino, ainda que para já pareça difícil bater o colombiano.

Veja aqui as classificações após a sétima etapa.

Este sábado poderá ser um dia de maior nervosismo. A etapa endurece um pouco, mas o pensamento vai estar na subida ao Blockhaus no domingo, tirada em que poderemos finalmente começar a ver os candidatos a mexerem na classificação. Mas antes será necessário cumprir os 189 quilómetros entre Molfetta e Peschici, com uma contagem de segunda categoria que poderá partir um pouco o pelotão. Uma fuga, ou um ataque na quarta categoria a pouco mais de 40 quilómetros da meta poderão decidir o vencedor, já que as equipas dos favoritos deverão tentar controlar a corrida de forma a que as forças possam ser poupadas ao máximo para o Blockhaus.


1 de maio de 2017

Giro. Candidatos: Kruijswijk, Zakarin e Yates

Steven Kruijswijk (29 anos, Holanda, Lotto-Jumbo)

Aquela queda... Parecia que o difícil seria perder o Giro de 2016. Kruijswijk tinha estado simplesmente brilhante até que uma descida em condições meteorológicas pouco simpáticas colocaram um ponto final num sonho que estava tão perto de se tornar realidade. Aquele mortal para a neve... O holandês nunca esquecerá como deixou fugir a Volta a Itália. Mas é também por isso mesmo que aparece em 2017 muito motivado, ciente que é capaz de estar na luta, só que este ano terá um Nairo Quintana que tem tendência a impor-se.

Mas Kruijswijk não tem que ficar intimidado. Não tem nada a perder. É um ciclista de qualidade, sem que seja um prodígio. Mas não é preciso o ser para se ganhar. O seu estilo sóbrio e calculista de competir fazem com que passe despercebido em grande parte das corridas. Foi assim que entrou no Giro de 2016. Analisou os seus adversários e escolheu o momento certo para atacar.

Toda a sua preparação este ano foi feita a pensar no Giro. Apesar de ser um percurso mais duro que em 2016, Kruijswijk deverá adaptar-se sem grande dificuldade e tem a vantagem de se defender melhor no contra-relógio do que alguns dos seus adversários.

Há naturalmente curiosidade para ver se o holandês consegue repetir o nível e não ficar conhecido como um acaso o que fez em 2016. Na Vuelta teve o azar de ir contra um pequeno poste na estrada, que provocou uma queda violenta. A Lotto-Jumbo tem grande esperança de ter um ciclista que possa, no mínimo, chegar ao pódio no Giro100.

Ilnur Zakarin (27 anos, Rússia, Katusha-Alpecin)

Tudo por Zakarin. Depois do flop que foi Alexander Kristoff na época das clássicas (e a vitória desta segunda-feira na Eschborn-Frankfurt não altera esse facto), a Katusha-Alpecin aposta quase tudo o que tem no russo. Pensava-se que depois de nos dois últimos anos Ilnur Zakarin ter somado bons resultados na Volta a Itália, que seria aposta para o Tour. Porém, o ciclista e a equipa vêem no Giro uma oportunidade de vencer, já que na Volta a França já se sabe: bater Froome e a Sky é uma missão demasiado difícil.

Zakarin falhou o pódio há um ano devido a uma queda assustadora durante uma descida. Enquanto Kruijswijk caiu na neve, o russo ainda desceu uma parte de uma ribanceira. É um ciclista de grande qualidade para as corridas de três semanas e com a retirada de Joaquim Rodríguez, a Katusha-Alpecin colocou Zakarin como o número um, sem discussão, da equipa para as grandes voltas.

O director da formação suíça, José Azevedo, acredita que Zakarin está pronto para se debater pela vitória no Giro, mesmo que a concorrência seja mais forte do que nos anos anteriores. A preparação até foi algo discreta, mas este é um ciclista explosivo. Tanto não se o vê, como de repente lá está ele a mexer com tudo e com todos. Foi assim na Volta a Abu Dhabi, que acabou por perder para Rui Costa (UAE Team Emirates).

Zakarin é um candidato de respeito. Um ciclista pronto para se afirmar como um dos melhores neste tipo de corridas.

Adam Yates (24 anos, Grã-Bretanha, Orica-Scott)

É a vez de Yates. Nos últimos anos a Orica-Scott tem preparado os gémeos britânicos para que possam ser ciclistas com condições por lutar pelas corridas de três semanas. Ambos são novos, mas já com experiência. Era suposto estarem os dois no Giro, mas a incerteza quanto ao estado físico de Johan Esteban Chaves fez com que a equipa preferisse jogar pelo seguro e vai levar Simon ao Tour. Adam será assim o líder indiscutível na equipa, tal como aconteceu em 2016, mas na Volta a França.

A irreverência da juventude talvez tenha ajudado a que não se tenha deixado intimidar pelo domínio da Sky, como pareceu ter acontecido com outros ciclistas bem mais experientes. Ganhou a classificação a juventude, ficou no quarto lugar na geral e pode-se queixar de lhe ter sido retirada a hipótese de lutar por uma etapa, quando levou (literalmente) com o insuflável que sinalizava o último quilómetro em cima.

Adam já conta com uma Clássica de San Sebastian, Uma Volta à Turquia, este ano foi quarto na Volta à Catalunha... Yates é um daqueles ciclistas de quem tudo já se espera, apesar de ter apenas 24 anos. Há um ano Chaves vestiu a camisola rosa, mas não conseguiu segurá-la na penúltima etapa. Ficou em segundo. A Orica-Scott procura resultado idêntico, com uma ambição um pouco maior que não é expressa publicamente, mas que também é difícil esconder: ver Yates deixar de ser uma promessa e vencer o Giro. Porque não?!

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28 de abril de 2017

Giro. Candidatos (e não só): Jungels, Brambilla e Verona

Bob Jungels (24 anos, Luxemburgo, Quick-Step Floors)

Com a saída de cena algo inglória dos irmãos Schleck, o Luxemburgo olha com enorme esperança para Bob Jungels. Depois de evoluir na estrutura da actual Trek-Segafredo - passou inclusivamente pela equipa de formação em 2012 - Jungels optou por trocar de ares e assinou pela Quick-Step Floors, atraído pela perspectiva de rapidamente conseguir ter a possibilidade de se mostrar numa grande volta. E assim foi.

Na Trek-Segafredo a saída de Jungels foi vista como quase uma traição pelos directores da equipa, que tinham grandes planos para Jungels. Mas o luxemburguês não quis esperar e na Volta a Itália de 2016 começou a comprovar aquilo que se esperava dele, talvez até mais cedo que o próprio Patrick Levefere, que o contratou, esperava. Chegou a liderar a corrida e venceu a classificação da juventude. Foi campeão nacional de contra-relógio e da prova em linha e venceu o título mundial de contra-relógio colectivo.

Há um ano foi aposta (ganha) apenas no Giro, mas em 2017 terá pela frente também o Tour. Porém, não há dúvidas que é em Itália que se quer apresentar ao seu melhor. Jungels parte com ambição para a corrida. Não se pode dizer que é um candidato à vitória, mas a expectativa é enorme para ver se consegue pelo menos repetir o que fez em 2016, sendo que a Quick-Step gostaria de o ver entrar no top cinco e apontar a um pódio. Difícil, mas este Jungels tem tudo para ser um excelente voltista.

Gianluca Brambilla (29 anos, Itália, Quick-Step Floors)

2016 foi um ano inesquecível para Brambilla. Viveu um autêntico sonho durante Volta a Itália. Venceu uma etapa, vestiu a camisola rosa que tanto o emocionou e apesar de ao longo da corrida ter perdido algum protagonismo, manteve-se como uma ajuda preciosa a Jungels. Na Volta a Espanha também ganhou uma etapa. E Brambilla quer tentar repetir o sucesso de há um ano e talvez ir mais além.

Sabe que não é visto como um potencial candidato. É um bom trepador, mas as suas qualidades são mais adequadas para quem quer tentar ganhar etapas (ou clássicas). Será esse o objectivo de Brambilla. Estará certamente ao lado de Bob Jungels, mas no italiano recaem grandes expectativas de ser um dos homens espectáculo do Giro. Gosta de atacar, de arriscar e voltar a vestir aquela maglia rosa, nem que seja por um dia, será um dos principais objectivos do ano.

A Quick-Step pode ter em Jungels o homem para a geral, mas sabendo como está viciada em vitórias este ano (24), irá certamente tentar prosseguir essa senda com etapas no Giro e Brambilla é o ciclistas de características perfeitas para alguns dos dias. Entrar em fugas será um dos planos e o corredor irá tentar aproveitar uma das poucas oportunidades que irá gozar na equipa para alcançar resultados para ele próprio.

Carlos Verona (24 anos, Espanha, Orica-Scott)

Verona não é um candidato à vitória, mas é um candidato a dar espectáculo. O espanhol pertence a uma nova geração daquele país com um enorme potencial. A Orica-Scott sabia bem o que estava a fazer quando não se importou de pagar para ter Verona ainda durante 2016, com Patrick Lefevere a estar desta feita do outro lado da barricada, ou seja, o director belga não gostou nada de perder um ciclista que ajudou a evoluir nos últimos anos.

O Giro será a oportunidade para Verona se mostrar, ainda que tenha Adam Yates como líder indiscutível. Mas a Orica-Scott certamente que dará a possibilidade do espanhol dar algum espectáculo, pois é um ciclista que gosta de correr ao ataque.

Carlos Verona não entra na lista de candidatos, mas na lista de ciclistas a seguir com atenção. Este poderá ser o ano em que o espanhol começa a afirmar-se e a procurar o seu espaço para em breve ser ele um dos líderes. Dele podemos esperar animação, lutar por etapas e talvez um top 20.

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