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31 de dezembro de 2019

Momentos de 2019 em Portugal

2020 está já aí, mas antes de se olhar para o novo ano, aqui ficam cinco marcos da época  por cá, com um inevitável destaque para a Volta a Portugal, mas sem esquecer como uma das novas estrelas do ciclismo mundial começou a mostrar-se nas estradas algarvias.

Emoção final na Volta a Portugal
(© Podium/Paulo Maria)
É inevitável começar pelo emocionante última dia de Volta a Portugal. Dois ciclistas partiram em igualdade pontual, com Joni Brandão de amarelo. Tinha a experiência do seu lado, sendo um ciclista que já havia subido ao pódio. O rival era o jovem João Rodrigues, que em dois anos teve uma rápida ascensão na hierarquia da W52-FC Porto, tendo trabalhado muito o contra-relógio. Naquele 11 de Agosto, num Porto vestido de azul e branco, Rodrigues fez valer essa aposta no esforço individual e bateu o rival da Efapel, deixando-o a 27 segundos. A emoção desportiva só beneficiou daquele ambiente sensacional na Avenida dos Aliados, num dos finais mais bonitos de anos mais recentes na Volta a Portugal. Foi uma corrida que por si só até merece outros destaques, como as vitórias de Rodrigues e de António Carvalho na Serra da Estrela (foi o regresso da Torre como local de meta) e Senhora da Graça, respectivamente, sem esquecer o triunfo no nevoeiro da Serra do Larouco de Luís Gomes, da Rádio Popular-Boavista.

Emanuel Duarte venceu juventude na Volta e conquista a do Futuro
(© Podium/Paulo Maria)
Mas destaca-se outro momento na Volta a Portugal, alargado depois à do Futuro. A vitória de Emanuel Duarte foi importante para mostrar a relevância da aposta de três equipas em serem Continentais sub-25 (denominação que não existirá em 2020, mantendo-se o escalão). Não foram anos fáceis para LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua ou UD Oliveirense-InOutBuild, mas todas tiveram os seus momentos e a vitória de Ramalho na classificação da juventude da Volta a Portugal foi o ponto alto. O ciclista da LA Alumínios-LA Sport sofreu para segurar a camisola branca e fê-lo por apenas dois segundos frente ao basco Urko Berrade (Fundação Euskadi), mas tornou-se no primeiro português a conseguir esta camisola desde David Rodrigues em 2014. Foi naturalmente um momento ofuscado pela vitória de João Rodrigues na geral, mas a conquista de Emanuel Duarte merece reconhecimento, sem esquecer que foi depois à Volta à Portugal do Futuro vencer a amarela.

Henrique Casimiro conquista Troféu Joaquim Agostinho
(© João Fonseca Photographer)
Uma vitória que também envolveu muita emoção, mas numa perspectiva diferente: "É uma vitória que dedico à família. Há seis anos, quando fiz terceiro, a minha esposa, que estava grávida, perdeu a nossa filha. Ficou prometido que venceria o Troféu Joaquim Agostinho para lhe dedicar. Mais do que um objectivo desportivo, este era um compromisso pessoal." Henrique Casimiro cumpriu a promessa e foi um homem muito emocionado no final de uma das mais importantes corridas do calendário nacional. Em 2018, quatro segundos separaram-no do primeiro lugar, em 2019 eram oito os que o mantinham novamente em segundo antes da última etapa. No Montejunto não ganhou, mas alcançou a diferença necessária para tirar a amarela a Gustavo Veloso, que até caiu para quinto. Um grande dia para um ciclista que tem sido tão importante na Efapel, muito regular e de confiança quando está na ajuda aos líderes. Prepara-se para um novo desafio na Kelly-InOutBuild-UDO.

Pogacar ascende ao estrelato no Algarve
(© João Calado/Volta ao Algarve)
O actor principal foi um esloveno, mas o palco foi a Volta ao Algarve, a corrida de categoria mais elevada na UCI em Portugal. Por isso, aqui se coloca como um dos momentos a vitória de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) primeiro no Alto da Fóia, numa exibição que - perante o que se viu mais tarde na época - foi apenas uma demonstração da enorme qualidade deste ciclista. Em segundo, o destaque vai para a conquista da Algarvia, numa luta no Malhão em que não baixou os braços e assim venceu, no seu ano de estreia no World Tour, a primeira corrida de uma carreira que tanto promete.

Mais um jovem a mostrar-se
(© João Fonseca Photographer)
A Vito-Feirense-PNB tem feito questão de ter no seu plantel ciclistas que, terminada a fase de juniores, possam evoluir como sub-23 numa estrutura profissional. A pressão é, naturalmente reduzida, mas a ambição destes jovens é sempre enorme. Pedro Andrade tornou-se num dos rostos da nova geração por dois motivos. Primeiro surpreendeu ao conquistar a sua primeira vitória, com apenas 19 anos, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota (23 de Junho), num triunfo em que não se pode esquecer a ajuda de outro ciclista jovem da equipa, João Barbosa. Segundo, Pedro Andrade tornou-se no próximo português a entrar numa das melhores equipas de formação mundial, a Hagens Berman Axeon, que irá representar em 2020. Seguirá os passos de Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira, João Almeida e André Carvalho. Este último será companheiro de equipa de Andrade, filho de Joaquim Andrade, director da Vito-Feirense-PNB e antigo ciclista, e neto de um corredor que venceu a Volta a Portugal, também de nome Joaquim Andrade.

120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo
Há que não deixar passar esta marca. É a federação mais antiga de Portugal, numa modalidade que continua a ser das mais admiradas no país, tanto entre os que seguem as corridas, como aqueles que não dispensam a bicicleta na sua vida. O trabalho do organismo abrange hoje todos, os profissionais, os amadores, aposta nas crianças num programa de apoio que chega às escolas. Mas o Ciclismo para Todos é mesmo para todas as idades. É impossível não destacar o trabalho nas selecções que tantas medalhas tem rendido, na estrada, na pista (que está perto de um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos) e no BTT. Hoje temos dois campeões do mundo de elite, Tiago Ferreira (BTT - XCM) e Rui Costa (estrada).




26 de dezembro de 2019

João Matias destacou-se numa época difícil do Feirense, mas com jovens ciclistas a mostrarem-se

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
A saída de Edgar Pinto para a W52-FC Porto deixou a Vito-Feireinse-PNB sem um líder para as gerais. A equipa optou por mudar um pouco os seus objectivos, apostando ainda mais em João Matias, mas não deixando de olhar para a montanha com dois espanhóis com provas dadas em Portugal, Óscar Pelegrí e Jesus del Pino. Já a aposta em dar oportunidades a ciclistas muito jovens, como foi o caso de João Barbosa e Pedro Andrade, manteve-se, mas não deixou de ser uma temporada difícil. Ainda assim, terminou com quatro vitórias e algumas boas exibições, com Matias mostrar-se, sem surpresa, à altura da responsabilidade que teve. As dificuldades estão longe de estar terminadas e em 2020 a solução encontrada perante a redução de apoio financeiro foi olhar ainda mais para ciclistas jovens, mas com uma contratação de luxo.

O director desportivo, Joaquim Andrade, assumiu desde logo que sem Edgar Pinto a equipa seria diferente, contudo, não significaria que a ambição seria mais pequena. Apenas direccionada para outro tipo de lutas. João Matias já era um dos líderes, mas ganhou maior protagonismo. Foi incansável na procura por dar bons resultados à Vito-Feirense-PNB e a recompensa de todo o esforço chegou num dos palcos principais para as equipas portuguesas: o Grande Prémio Jornal de Notícias. Impôs-se na sua especialidade, ao sprint, na primeira etapa, num início de um mês de Junho que marcou a temporada da equipa.

No Grande Prémio Abimota, Óscar Pelegrí - que em 2018 venceu a corrida ao serviço da Rádio Popular-Boavista - ganhou uma etapa, assim como o jovem Pedro Andrade, filho do director desportivo. A equipa venceria colectivamente. Dois bons ensaios gerais para uma equipa que ia perseguir etapas, ou pelo menos uma, na Volta a Portugal. João Matias assumiu mais uma vez a responsabilidade. Tentou ao sprint, tentou através de uma fuga, mas ainda não foi desta que alcançou um triunfo que muito deseja na carreira. Matias fechou a temporada com a vitória no Circuito da Moita.

Jesus del Pino (ex-Efapel) também foi figura na Volta, não só por também ele procurar um triunfo, mas pelo estado em que terminou a penúltima etapa na Senhora da Graça. Uma queda deixou o espanhol muito mal tratado. Equipamento rasgado, com feridas bem visíveis, foi uma das imagens da corrida. Não só terminou aquela etapa, como partiu no dia seguinte para o contra-relógio final.

Dentro das limitações, a Vito-Feirense-PNB fez uma temporada com aspectos positivos, comprovados pelo facto dos seus ciclistas serem cobiçados pelas outras equipas nacionais. Incluindo os mais jovens. E para dar mais um exemplo de como esta aposta de Joaquim Andrade e restantes responsáveis em dar espaço a ciclistas que estão, muitos deles, a dar o salto de juniores para a equipa principal, há que regressar ao mês de Junho, mesmo no final, quando Bernardo Saavedra subiu ao pódio na corrida em linha de sub-23, ao ser terceiro. Uma medalha de bronze que mereceu ser celebrada quase como se fosse de ouro, tendo em conta que a prova foi ganha por João Almeida (Hagens Berman Axeon, a caminho da Deceuninck-QuickStep) e com Fábio Costa (UD Oliveirense-InOutBuild) a ser segundo, ele que foi dos melhores sub-23 em 2019.

Atrás de Saavedra ficou outro ciclista da Hagens Berman Axeon, André Carvalho, e esta equipa americana acaba por dar mais relevância ao trabalho feito nas camadas jovens que Joaquim Andrade tanto aposta. Uma das vitórias da Vito-Feirense-PNB acaba por ser ver Pedro Andrade assinar pela Hagens Berman Axeon para 2020. Já o aguerrido trepador João Barbosa vai ganhando o seu espaço no pelotão nacional e prepara-se para continuar a evolução na Miranda-Mortágua.

Apesar de ter apenas 21 anos, Saavedra terá mais responsabilidade em 2020, sendo apenas um dos três ciclistas que vai continuar. Óscar Pelegrí será um dos líderes de uma equipa que continuará a ter o Feirense como patrocinador, mas que viu o orçamento reduzir sem a manutenção de apoio idêntico das restantes empresas. António Ferreira é a terceira renovação, ao que se junta Afonso Eulálio, que estagiou na equipa na parte final da época. Quatro juniores vão começar a fase de sub-23 no Feirense, enquanto Rafael Ferreira terá uma oportunidade no profissionalismo aos 20 anos. Gonçalo Amado também está de regresso, sendo um ciclista de 25 anos e que em 2013 e 2014 esteve na então Rádio Popular, com uma passagem pelo ACDC Trofa em 2018.

Mesmo sendo uma equipa de orçamento reduzido - não segurando Matias e Del Pino, por exemplo, que vão para a Aviludo-Louletano -, a oportunidade de ser líder em quase todas as corridas seduziu um Rafael Reis à procura de um novo desafio, optando por sair da W52-FC Porto (neste link pode ler a entrevista do ciclista ao Volta ao Ciclismo). Aos 27 anos já tem muita experiência, incluindo dois anos na Caja Rural e uma Vuelta feita. Sabe o que é ganhar nas melhores corridas nacionais, já vestiu camisola amarela na Volta a Portugal e quer recuperar essa ambição no Feirense, que bem agradecerá ver o melhor de Rafael Reis.

Na véspera de Natal foi anunciada mais uma contratação, o décimo ciclista que faltava para a equipa poder competir no escalão Continental. De Espanha chegará Jesus Arozamena, da Super Froiz, vencedor da Taça de Espanha de sub-23 em 2018, com alguns top dez em provas espanholas no ano passado e que esteve no Grande Prémio Abimota a mostrar as suas capacidades como trepador.

Equipa para 2020: Óscar Pelegrí, Bernardo Saavedra, António Ferreira, Rafael Reis (W52-FC Porto), Gonçalo Amado, Afonso Eulálio (júnior do Feirense que estagiou na equipa principal na recta final da éoca de 2019), Luís Cabral (Sport Ciclismo S. João de Ver), Fábio Oliveira (Sport Ciclismo S. João de Ver), Rafael Ferreira, Jesus Arozamena (Super Froiz).

»»O momento de Frederico Figueiredo na nova fase do Tavira««

»»Sobreviver em 2019, crescer em 2020««

18 de dezembro de 2019

Mais um português a caminho da Hagens Berman Axeon

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Há mais um português a merecer a confiança de uma das principais equipas de formação a nível mundial. A Hagens Berman Axeon contratou Pedro Andrade, que assim se vai juntar a André Carvalho na estrutura que não pára de colocar jovens talentos no World Tour e com quatro portugueses a pertencerem a esse lote de luxo. Aos 19 anos, Andrade vê as portas do pelotão internacional abrirem-se, mesmo que a equipa até vá descer para o escalão Continental. No entanto, foi precisamente nesta categoria que se tornou numa referência.

Ruben Guerreiro foi o primeiro a dar o salto (Trek-Segafredo, Katusha-Alpecin e EF Education First em 2020), seguindo-se os gémeos Oliveira, Ivo e Rui (UAE Team Emirates) e o mais recente a "formar-se" foi João Almeida, que daqui a uns dias vai começar a vestir o equipamento da Deceuninck-QuickStep. Os quatro cumpriram duas temporadas na Hagens Berman Axeon antes de entrarem no World Tour. No anúncio da contratação de Pedro Andrade, a equipa americana, liderada por Axel Merckx, realçou precisamente essa ligação de cinco anos com Portugal.

E não deixou dúvidas sobre as razões que levaram a esta aposta no campeão nacional de juniores de 2018. "Sobressai tanto nas curtas como nas subidas longas. Ele espera ajudar a equipa quando for chamado para tal. O ciclista versátil também procurará aproveitar sprints em pequenos grupos, algo em que ele é surpreendentemente rápido. Andrade irá focar-se em melhorar o contra-relógio e as suas qualidades técnicas durante a época de 2020", lê-se no comunicado.

"Nesta nova etapa, o meu maior objectivo é evoluir o máximo possível e seguir as pisadas de todos os ciclistas portugueses que por lá passaram", afirmou o jovem ciclista, em declarações publicadas no Facebook da Vito-Feirense-PNB. No comunicado da sua nova equipa realçou que assinar pela equipa americana "é um sonho tornado realidade".

Depois de se destacar em cadetes e juniores, Pedro Andrade estreou-se no pelotão nacional de elite na Vito-Feirense-PNB. Apesar de ser sub-23 de primeiro ano, o jovem ciclista aproveitou muito bem as oportunidades que lhe foram sendo dadas pela equipa liderada pelo pai, Joaquim Andrade. Pedro conseguiu mesmo a sua primeira vitória, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota.

Além do pai - vencedor da Volta ao Algarve em 1991 e da Volta ao Alentejo em 2002 - Pedro tem ainda o avô como referência. Também de Joaquim Andrade, conquistou a Volta a Portugal em 1969, com a camisola do Sangalhos.

O jovem português é a quarta contratação da Hagens Berman Axeon para 2020, depois do belga Jens Reynders (21 anos), do australiano Jarrad Drizners (20) e do americano Michael Garrison (18). Como curiosidade, o irmão deste último, Ian Garrison, vai acompanhar João Almeida para a Deceuninck-QuickStep, enquanto Mikkel Bjerg (tricampeão do mundo de contra-relógio em sub-23) vai reencontrar-se com os gémeos Oliveira na UAE Team Emirates. São os três mais recentes ciclistas desta equipa a prepararem-se para entrar no World Tour.

»»E se a Hagens Berman Axeon ficasse com os ciclistas que forma e fosse do World Tour?««

16 de dezembro de 2019

"Quero ir atrás dos meus resultados"

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Rafael Reis prepara-se para ser o líder do Feirense, que contará com uma equipa muito jovem, aumentando a responsabilidade do ciclista de 27 anos. Depois de representar a W52-FC Porto e a espanhola Caja Rural, assina por uma formação com uma estrutura bem diferente, mas não hesita em afirmar que considera ser a melhor opção. Garante que se sente muito motivado para mostrar o seu valor e para agarrar a oportunidade de poder ser o chefe-de-fila em praticamente todas as corridas.

"Acho que vai ser bastante benéfico para mim. Todos sabem que a W52-FC Porto é a melhor equipa nacional e nem vale a pena estar com rodeios, mas no Feirense tenho mais probabilidade de poder ser sempre o líder. O [director desportivo] Joaquim Andrade deu-me a oportunidade de poder fazer isso e estou muito contente com essa opção. Espero vingar no próximo ano", salientou Rafael Reis ao Volta ao Ciclismo.

O corredor compreende que se olhe para esta escolha como um passo atrás numa carreira que o levou a estar dois anos na equipa que tem dominado o ciclismo nacional (2016 e 2019) e outros tantos numa das de referência em Espanha, a Caja Rural, tendo feito uma Volta a Espanha. "São caminhos... As coisas às vezes não correm como estamos à espera. Acho que é uma situação normal. Não sou o primeiro, nem serei o último a quem isto acontece. As coisas são assim. Há que dar a volta. Ainda só tenho 27 anos", disse, sem qualquer tipo de lamentos. Agora quer viver mais a pensar no presente, pois considera que olhar muito para o que o futuro pode ou não ser, "pode prejudicar um pouco as coisas".

"Quero ir atrás dos meus resultados", realçou, recordando como na primeira passagem pela W52-FC Porto teve oportunidades e foi uma temporada recheada de vitórias. "Agora vamos esperar conseguir fazer o mesmo e aguardar pelos momentos certos para fazer a diferença." Rafael Reis referiu como é altura de "ir com calma" e tentar apostar noutro tipo de terrenos, como a montanha: "Não perdi ambição!" 


"Ficar na W52-FC Porto e não fazer a Volta... Agora [a formação] é Continental e a equipa para a Volta está feita. Acho que não fazia sentido ficar"

É um contra-relogista por excelência e em 2018 vestiu a camisola amarela da Volta a Portugal depois de vencer o prólogo, tal como havia acontecido em 2016. Este ano ficou de fora da prova, mas era algo que sabia que iria acontecer, com o ciclista a salientar que ir à China era uma viagem que desejava fazer. "[A Volta ao Lago Qinghai] era de nível mais alto do que a Volta a Portugal, com 13 dias - das maiores a seguir às grandes voltas - e fiquei muito contente com a experiência. Se calhar não vou voltar a fazer esta corrida. Não estou arrependido de ter ido à China", contou. Aliás, o calendário mais internacional que acabou por fazer esta época foi algo que lhe agradou quando assinou por uma W52-FC Porto do escalão Profissional Continental.

No entanto, Rafael Reis recordou como o projecto era suposto ter mais anos, mas só durou um. E com o regresso ao terceiro nível, o número de ciclistas na equipa foi reduzido e o calendário passará novamente mais por Portugal, ainda que com umas visitas ao estrangeiro. "Ficar na W52-FC Porto e não fazer a Volta... Agora é Continental e a equipa para a Volta está feita. Acho que não fazia sentido ficar", afirmou.

É tempo de olhar para 2020 e utilizar a experiência que já tem ao serviço de um Feirense que muito dependerá de Rafael Reis. Só mais três ciclistas - Gonçalo Amado, Fábio Oliveira e o espanhol Óscar Pelegrí - não são sub-23 e Rafael será o veterano da equipa: "Estou mesmo muito motivado por estar no Feirense." A equipa de Joaquim Andrade perdeu patrocinadores e com um orçamento mais pequeno, foi preciso proceder a uma reestruturação, apostando ainda mais em corredores que estão em fase de formação.

Mas antes de terminar a conversa com Rafael Reis, falou-se de Ruben Guerreiro. São amigos e muitas vezes companheiros de treino. Rafael não escondeu o orgulho que sentiu ao ver Guerreiro realizar uma Volta a Espanha de tão alto nível. "Ele perguntou-me como foi quando eu estive lá e eu contei-lhe a minha experiência", recordou, frisando que não duvida que assinar pela EF Education First foi uma excelente escolha do amigo: "Vai tudo correr seguramente bem!"

»»"Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade"««

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23 de junho de 2019

W52-FC Porto em suspenso, Vito-Feirense-PNB aliviada, Efapel desiludida

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
O Grande Prémio Abimota terminou com emoções bem diferentes para várias equipas. A queda e ida ao hospital de Raúl Alarcón acaba por ser um dos principais destaques, tendo em conta a proximidade da Volta a Portugal. Na Efapel lamenta-se a perda de uma corrida na última etapa, numa altura em que mudou de director desportivo. Já na Vito-Feirense-PNB há razões para festejar. Tem sido uma temporada difícil, mas as duas vitórias de etapa dão à equipa de Joaquim Andrade uma dose extra de confiança muito bem-vinda.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Mas há que começar por referir o vencedor da 40ª edição da corrida de quatro etapas. Chama-se Gotzon Martin, é um espanhol de 23 anos da equipa Fundação Euskadi, que está a dar passos para tentar recuperar o prestígio da famosa Euskaltel-Euskadi, com Mikel Landa a ser o rosto do projecto basco. Martin teve dificuldades em acreditar no que conseguiu fazer. Entrou na fuga e foi segundo na etapa - 174,5 quilómetros entre Anadia e Águeda - em que começou a 15 segundos da liderança, acabando com 53 de vantagem sobre um desiludido Antonio Angulo.

Para o ciclista da Efapel teria sido um triunfo com uma importância acrescida numa fase de mudança. Américo Silva rescindiu por mútuo acordo após do Grande Prémio Jornal de Notícias, com Rúben Pereira a assumir o cargo, ajudado por José Augusto Silva, que chegou à equipa a pensar também na Volta a Portugal. Angulo venceu a terceira etapa, mas a geral escapou novamente à Efapel, tal como na corrida do Jornal de Notícias e também os Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela, ainda que nestes dois exemplos, não tenha chegado a liderar, mas ficou no pódio com Joni Brandão, muito perto de vencer.

A Efapel competiu apenas com cinco homens, o que não ajudou no controlo da corrida. Entre os ciclistas em estágio em altitude e Rafael Silva que competiu este domingo nos Jogos Europeus, Rúben Pereira apresentou-se com uma equipa reduzida e que está a adaptar-se a uma nova realidade, ainda que o agora director desportivo já fosse um homem da casa.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Pedro Andrade tornou-se numa das figuras da prova. Corredor de 19 anos, foi promovido esta temporada à equipa principal, depois de evoluir nos juniores. O jovem esteve em fuga com outro ciclista muito novo, João Barbosa (21 anos) e alcançou a sua primeira vitória de elite. Se para Pedro Andrade será um momento marcante na sua carreira, para a Vito-Feirense-PNB, o sucesso tem o condão para deixar a equipa mais tranquila. Os triunfos demoraram a chegar, mas João Matias - outro corredor que esteve nos Jogos Europeus, em Minsk - abriu a contagem na primeira etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias, Oscar Pelegrí venceu a segunda no Abimota e Pedro Andrade aumentou agora a contagem.

Com a saída de Edgar Pinto para a W52-FC Porto, a Vito-Feirense-PNB teve de alterar a sua forma de enfrentar as corridas e nestas duas últimas provas ficou bem claro como irá encarar as Volta a Portugal. Matias será homem para os sprints, com as fugas a serem apostas fortes na luta por vitórias de etapas, pensando muito pouco numa classificação geral.

Também a W52-FC Porto poderá ter de mudar estratégia, pelo menos no que diz respeito ao líder para a Volta. Ainda é prematuro afastar Raúl Alarcón, com o espanhol à espera dos resultados dos exames para saber como será o seu futuro próximo. Alarcón caiu e foi transportado para o hospital. O vencedor das últimas duas edições da Volta a Portugal poderá ter em risco a tentativa de lutar pela terceira, o que poderá levar o director desportivo Nuno Ribeiro a ter de eleger um novo líder, numa equipa que conta com opções muito fortes para esse lugar.

Nesta fase da temporada, já se está muito em modo de aprimorar pormenores para a Volta a Portugal. Mas há equipas que não estão com vida fácil. A Rádio Popular-Boavista é uma delas. Luís Mendonça está suspenso à espera de resolver a situação do controlo adverso que teve. E no Abimota, uma intoxicação alimentar levou ao abandono da maioria dos atletas. Só João Salgado e João Benta terminaram, com este último a ser 10º, a 1:28 minutos de Gotzon Martin.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Quanto às restantes classificações do Abimota, a Vito-Feirense-PNB subiu mais uma vez ao pódio como a melhor equipa. O classificação da montanha foi para uma equipa de clube, a Fortunna-Maia, através de Patrick Videira. Angulo ficou com a camisola dos pontos e Jorge Magalhães (W52-FC Porto) foi o melhor jovem. Rafael Lourenço (UD Oliveirense-InOutBuild) ficou com a camisola das Autarquias e David Ribeiro (LA Alumínios-LA Sport) com a das Bolinhas.

24 de abril de 2019

Seis equipas portuguesas na Volta a Castela e Leão

(Fotografia: © Photo Gómez Sport/Vuelta Castilla y León)
Seis equipas portuguesas, tantas como as espanholas, vão percorrer nos próximos três dias (quinta-feira a sábado) uma rota que respeita o Caminho de Santiago, passando pelas províncias de Burgos, Palência e Leão. Não sendo uma corrida com muita montanha, tem a suficiente para fazer diferenças e para permitir que trepadores garantam o triunfo, contudo, o percurso beneficia também ciclistas que, não sendo os puros especialistas a subir, adaptam-se bem a todo o tipo de terreno, com Jonathan Hivert (Total Direct Energie) a ser o exemplo recente, ao vencer a corrida em 2017. Há um ano Rubén Plaza (Israel Cycling Academy) ganhou pela segunda vez e vai tentar uma terceira.

Já Hivert será uma das ausências, num pelotão que conta com uma equipa World Tour, a Movistar. Nelson Oliveira estará presente, na ajuda a Carlos Barbero, com Edu Prades e Rubén Fernández a serem mais duas hipóteses para discutir a geral. Das equipas espanholas estarão ainda as Profissionais Continentais Caja Rural, Euskadi-Murias e Burgos-BH, e as Continentais Fundação Euskadi e Kometa, está última com a presença do português Daniel Viegas.

Seis formações espanholas para rivalizar com as seis portuguesas:

W52-FC Porto: Gustavo Veloso, Rui Vinhas, Daniel Mestre, Francisco Campos, Ángel Sánchez, Joaquim Silva e António Carvalho.

Sporting-Tavira: Frederico Figueiredo, José Mendes, Alvaro Trueba, David Livramento, Alejandro Marque, César Martingil e Valter Pereira.

Efapel: Bruno Silva, Marcos Jurado, Henrique Casimiro, Rafael Silva, Antonio Angulo e Pedro Paulinho.

Aviludo-Louletano: Juan Ignacio Perez, David de la Fuente, André Evangelista, Oscar Hernandez, Leonel Coutinho, Mário Barbosa e Nuno Meireles.

Vito-Feirense-PNB: Björn Thurau, Filipe Cardoso, Jesus del Pino, João Matias, Oscar Pelegrí, Pedro Andrade e Rui Rodrigues.

Miranda-Mortágua: Daniel Freitas, Hugo Sancho, Sérgio Vega, Gaspar Gonçalves, Ivo Pinheiro e Jesús Nanclares.

Do segundo escalão estarão, além das espanholas, W52-FC Porto e da Israel Cycling Academy de Plaza, a colombiana Manzana Postobón e as francesas Delko Marseille Provence e Total Direct Energie. Do nível Continental, além das cinco formações portuguesas e duas espanholas, estão inscritas a russa Lokosphinx e a japonesa Matrix Powertag, que conta com o veterano Francisco Mancebo. Aos 43 anos não dá mostras de querer parar, tendo vencido esta corrida em 2000 e 2003.

Entre os ilustres vencedores estão também Alejandro Valverde, Pierre Rolland, Alberto Contador, Alexander Vinokourov e, recuando aos anos 90, Miguel Indurain.

Lista completa de inscritos neste link, via ProCyclingStats.

1ª etapa (quinta-feira): Belorado - Castrojeriz, 181 quilómetros



2ª etapa (sexta-feira): Fromista-Villada, 170,3 quilómetros



3ª etapa (sábado): León-Villafranca del Bierzo, 151,8 quilómetros



»»Edgar Pinto agarra oportunidade e dá à W52-FC Porto um resultado muito importante««

»»W52-FC Porto com calendário que a levará até à China, com passagem pelo Luxemburgo e Turquia««

5 de abril de 2019

W52-FC Porto com calendário que a levará até à China, com passagem pelo Luxemburgo e Turquia

Equipa regressa à competição após a conquista da Alentejana
e vai ter um calendário preenchido até à Volta a Portugal
Depois de uma paragem de quase duas semanas, a W52-FC Porto regressa à competição após a vitória na Volta ao Alentejo, acompanhada por mais duas equipas portuguesas, que viajaram até Espanha para mais uma edição do Grande Prémio Miguel Indurain: Rádio Popular-Boavista e Vito-Feirense-PNB. Para a única formação nacional do escalão Profissional Continental será o início de um calendário bastante preenchido, com várias saídas do país, além das provas dentro de portas. O destaque vai para a presença na Volta à Turquia, uma corrida World Tour, mas haverá muitas mais hipóteses dos ciclistas de Nuno Ribeiro mostrarem-se lá fora, como no Luxemburgo e até na China.

O périplo começa então já este sábado numa corrida que vai para a sua 21ª edição e terá 192,9 quilómetros, com partida e a meta em Estella, na região de Navarra. Em anos recentes, Alejandro Valverde, Simon Yates e Ion Izagirre venceram a corrida que homenageia um dos grandes nomes do ciclismo espanhol. E entre a lista de vencedores estão dois corredores conhecidos do pelotão português. Rinaldo Nocentini (Sporting-Tavira) ganhou em 2007, então ao serviço da AG2R, deixando atrás de si Joaquim Rodríguez e Valverde. Em 2008 foi David de la Fuente a triunfar, espanhol que está na Aviludo-Louletano e que naquele ano representava a Fuji-Servetto.


Estas duas equipas não estarão presentes, mas haverá ciclistas a seguir nas três formações portuguesas inscritas. João Rodrigues, o recente vencedor da Alentejana (a sua primeira vitória como profissional tanto em etapa, como na geral), encabeça a lista de eleitos da W52-FC Porto. Será acompanhado por outros dois jovens talentos e que reforçaram a equipa em 2019: Francisco Campos e Jorge Magalhães. Rui Vinhas, um vencedor da Volta a Portugal, e Edgar Pinto serão as vozes da experiência, com Joaquim Silva e Tiago Ferreira a completarem a equipa.

José Santos também escolheu alguns jovens para estarem ao lado de Luís Mendonça, que por três segundos perdeu a Alentejana que venceu há um ano. David Rodrigues, Pablo Guerrero, Antonio Gomez, Luís Gomes, João Salgado e Hugo Nunes serão as apostas para o Grande Prémio Miguel Indurain.

Quanto à Vito-Feirense-PNB aposta num misto de juventude e experiência, tendo Joaquim Andrade levado apenas seis ciclistas: Filipe Cardoso, João Barbosa, Óscar Pelegrí, Jesus del Pino, Bernardo Saavedra e Pedro Andrade. Rui Rodrigues saiu da lista inicialmente divulgada.

Estarão presentes outros três ciclistas portugueses que representam equipas estrangeiras: Rui Oliveira (UAE Team Emirates), José Neves (Burgos-BH) e Paulo Silva, ex LA Alumínios e que está na Guerciotti-Kiwi Atlántico, formação da Guiné-Bissau. Além da UAE Team Emirates, Astana, Mitchelton-Scott e uma Movistar com Mikel Landa e Nairo Quintana, serão as formações World Tour presentes. Pode ver neste link a lista de inscritos completa, via ProCyclingStats.

Calendário da W52-FC Porto até à Volta a Portugal

Com a subida ao escalão Profissional Continental, uma das naturais "consequências" é uma maior presença em corridas além fronteiras. A W52-FC Porto arrancou a sua temporada na Volta à Comunidade Valenciana, mas depois andou por Portugal. Agora o calendário vai ficar bem preenchido, com corridas que já participou em anos anteriores, mas não só.

Após o Grande Prémio Miguel Indurain, realiza-se o Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela (de 12 a 14 de Abril), seguindo-se então um ponto alto com a presença numa corrida World Tour, a primeira desta formação portuguesa. A Volta à Turquia está marcada para 16 a 21 deste mês. Depois será o regresso a Espanha para a Castilla y Leon (de 26 a 28).

Maio começa logo no primeiro dia com a Clássica Aldeias do Xisto, corrida que decidirá a Taça de Portugal. A Volta às Astúrias será logo depois (de 3 a 5), com o Troféu O Jogo a sobrepor-se no calendário (de 4 a 5). Sendo Profissional Continental, a W52-FC Porto tem um plantel maior que lhe permite estar em condições normais em duas corridas em simultâneo sem grandes preocupações. Seguem-se a Volta à Comunidade de Madrid (de 9 a 12 de Maio), a Volta a Aragón (de 17 a 19) e o Memorial Bruno Neves para fechar o mês (26).

Em Junho o Grande Prémio Anicolor será no dia 2 e segue-se uma viagem ao Luxemburgo para a Volta deste país (5 a 9). O Grande Prémio Jornal de Notícias (6 a 10) e o Grande Prémio Abimota (19 a 23) fecham o mês. Já com a Volta a Portugal a estar no pensamento de todos, haverá o Troféu Joaquim Agostinho, uma das corridas mais importantes no país (11 a 14 de Julho), com a equipa ter uma longa deslocação até à China para o Tour de Qinghai Lake (14 a 27).

A Volta a Portugal arrancará a 31 o que significa que quem ficar fora das escolhas, terá uma excelente oportunidade para se mostrar numa corrida chinesa de segunda categoria mundial (HC), a mesma da Volta ao Algarve, por exemplo.

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20 de fevereiro de 2019

"Eu mais do que ninguém acredito que mereço estar aqui. Trabalhei muito"

João Barbosa sabia que cada dia na Volta ao Algarve seria um de muita aprendizagem. Ao fim dos primeiros 199,1 quilómetros da primeira etapa, já aprendeu bastante. A sua estreia como profissional foi tornada ainda mais memorável ao ser chamado para uma corrida que conta com equipas do World Tour e alguns dos melhores ciclistas do mundo. Foi um baptismo de fogo e o jovem ciclista não escondeu o misto de emoções que viveu. No final da etapa não hesitou em dizer que aquele nível de ciclismo não é para qualquer um, pelo que o importante é continuar a assimilar todos os pormenores desta incrível experiência.

"Hoje aprendi a andar a 100 à hora! Não me lembrava de tal coisa! Vamos ver o que vou aprender amanhã!" O dia difícil não lhe tirou a boa disposição. Foi com esse estado de espírito que começou a manhã, ainda que então não escondesse alguma ansiedade. Só queria era arrancar em Portimão, com a meta à sua espera em Lagos, para a sua primeira etapa como ciclista profissional da Vito-Feirense-PNB. "Começar logo no Algarve, no meio destes tubarões, é uma coisa fenomenal. Vão ser cinco dias de muita aprendizagem, não só com os membros da minha equipa mais velhos, mas também com os de fora, com o que vamos vendo", salientou ao Volta ao Ciclismo, antes do arranque da etapa. 

Só desejava "aproveitar ao máximo" a oportunidade dada por Joaquim Andrade. O director desportivo não lhe colocou pressão, aconselhando-o a preparar-se bem e para estar atento durante a corrida. E, claro, aprender. Barbosa era um jovem encantado com o que estava prestes a tornar-se realidade, mas não quis de imediato destacar nenhum ciclista que desejasse estar lado-a-lado: "Admiro que qualquer ciclista que esteja aqui a correr, não só os do Pro Tour, também os portugueses que estão cá." Mas lá deu dois exemplos: "Quero olhar de frente para um Fabio Aru e ver o que é que ele tem de especial. Ou olhar para um Groenewegen, que tem o triplo do meu cabedal! Ver bem o real ciclismo."

Garantiu que iria saber separar o João Barbosa adepto da modalidade e o João Barbosa ciclista profissional, afinal lutou muito para chegar a este patamar. "Eu mais do que ninguém acredito que mereço estar aqui. Trabalhei muito. O passo para profissional é sempre muito difícil de ser dado", salientou.


"Depois de ver isto [primeira etapa], não sei se fico mais entusiasmado ou mais preocupado. Até à Fóia há muito terreno para andar. A grande diferença entre nós e eles é o ritmo"

Contudo, este seu primeiro dia de profissionalismo em competição, as expectativas não corresponderam bem à realidade, como contou no final da etapa: "Eu pensava que ia ser um bocado mais fácil. Fiquei a perceber que isto não é para qualquer um. O ritmo era bastante certo, mas muito elevado. Não tem nada a ver com o que estamos habituados. Realmente é passar por elas para perceber o que isto é."

Talvez tenha ajudado terem-lhe dito que seria uma tirada tranquila, algo que acabou por não acontecer. "Foi uma etapa bastante movimentada em termos de acelerações. A fuga não preocupava muito, mas houve movimentações das equipas mais fortes e fez com que o ritmo acelerasse bastante. E depois da queda foi sempre à morte", contou. Portanto, a tranquilidade durou cerca de 20 quilómetros. "Logo naquele momento percebi que há muito trabalho a fazer para chegar a este nível. Dei por mim um bocadinho leve de mais para vir fazer o Algarve!"

Esta quinta-feira entrará num terreno que prefere. É um trepador e espera-o o Alto da Fóia, mas o dia terá várias subidas para romper bem as pernas antes da ascensão final. "Depois de ver isto [primeira etapa], não sei se fico mais entusiasmado ou mais preocupado. Até à Fóia há muito terreno para andar. A grande diferença entre nós e eles é o ritmo. Eu dei por mim a tentar controlar-me a 180 a subir e isso já era um ritmo bastante elevado. Eu estava a pensar como vou fazer para os acompanhar se isto agora está controlado e eu vou a 180!"

O ritmo foi de facto muito elevado, com a etapa a terminar até antes do previsto. Quando há uma Deceuninck-QuickStep, uma Bora-Hansgrohe e uma Jumbo-Visma a ditar a velocidade não é de esperar outra coisa, mas para João Barbosa era uma realidade que tinha assistido apenas de fora. Apesar das dificuldades, o susto de uma queda que o fez ficar cortado da frente da corrida, apesar de não ter caído, e de uma pulsação bem alta para acompanhar um pelotão com 12 equipas World Tour, João Barbosa - que terminou na 108ª posição a dois minutos do vencedor, Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) - não hesitou em resumir o seu dia assim: "Foi bom! Foi um misto de emoções espectaculares. Estavam lá alguns dos melhores do mundo e deu para perceber porque o são."

Melhorar as suas principais qualidades... e no contra-relógio

Depois de evoluir na equipa da Maia, Joaquim Andrade foi buscar João Barbosa para uma Vito-Feirense-PNB que, nestes dois anos de vida, demonstrou que quer dar espaço a jovens talentos. O ciclista de Penafiel realçou que "a adaptação foi fantástica" à sua nova equipa. Barbosa só tem elogios para a estrutura: "Aqui não me faltam ferramentas para aprender, para melhorar, entre as pessoas e material. Não falta nada. As pessoas são todas muito acessíveis, prontas a ajudar, a ensinar-nos, a dar-nos conselhos, tudo o mais importante para um ciclista que suba a profissional."

Ainda tem uma grande margem de progressão, mas é de ideias bem claras: "Eu sou a favor se somos bons numa coisa, o melhor é explorar ainda mais o que somos bons. Se fazemos a diferença num terreno, se o melhorarmos ainda mais, essa diferença vai aumentar. Se melhorar como trepador, óptimo. Se me defender como contra-relogista, melhor ainda, porque ainda perco muito. Ainda não consegui treinar da melhor forma o contra-relógio. A nível físico não consigo tirar grandes ganhos, mas é algo que se treinar, vou melhorar."


"Gostaria de fazer um Grande Prémio Jornal de Notícias e disputar uma juventude. Isso seria óptimo"

A nível de objectivos para 2019, é a presença na Volta a Portugal do Futuro que está planeada e está entusiasmado com essa perspectiva e explicou porquê. "Quero fazer o que não consegui fazer no ano passado numa Volta a Portugal do Futuro, porque em princípio vamos lá estar. Como profissional será uma evolução muito maior e quero fazer algo de engraçado." Isso significa disputá-la? "Exactamente", respondeu.

Quanto a outras corridas que gostaria de fazer e com o seu calendário a ir sendo definido com o decorrer da temporada, após uma insistência admitiu: "Gostaria de fazer um Grande Prémio Jornal de Notícias e disputar uma juventude. Isso seria óptimo." Fica à atenção de Joaquim Andrade... E num futuro mais além: "Gostaria de fazer um Tour."

É altura de aproveitar o momento, pois é o primeiro a dizer que está concentrado no presente. O futuro será o resultado do que fizer agora e este jovem ciclista só quer trabalhar e aprender nesta nova fase de uma carreira que dá os primeiros passos no profissionalismo.


28 de dezembro de 2018

"Se eu e o João Matias nos entendermos bem, poderemos dar que falar em muitas corridas"

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O mês de Outubro estava a terminar quando, no Twitter, Óscar Pelegrí anunciou que não tinha contrato para 2019, destacando como a sua estreia como profissional tinha sido marcada por excelentes resultados, incluindo duas vitórias. Em Espanha, o seu twit teve repercussão, com vários meios de comunicação social a noticiarem o caso de Pelegrí, que não deixava de ser uma surpresa perante o que tinha feito na Rádio Popular-Boavista. Também em Portugal a situação de Pelegrí recebeu atenção e foi de cá que partiu a oportunidade de continuar a competir. Depois de dias difíceis para o corredor, a Vito-Feirense-BlackJack de Joaquim Andrade "agarrou" Pelegrí, que agora só pensa em agradecer a confiança nele depositada com mais bons resultados.

"Foram momentos de susto que não recomendo a nenhum ciclista. Não encontras explicação... Foi complicado", confessou o ciclista espanhol ao Volta ao Ciclismo. Aos 24 anos, Pelegrí teve um 2018 pleno de surpresas. Começou por ir além dos objectivos que tinha com as vitórias na geral do Grande Prémio Abimota e na terceira etapa no Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Acabou com a surpresa desagradável de se ver sem equipa. "Sim, fiquei surpreendido. Tinha outras opções mas não estavam seguras, pelo que queria esperar. E por questões de dias, ou de um dia, vi-me na situação de ficar sem equipa", referiu.

Pelegrí explicou que recebeu uma oferta da Rádio Popular-Boavista, mas que devido a "uma série de acontecimentos" a renovação não se concretizou. "A equipa estava completa e quando me decidi, já era tarde." Sem solução à vista, foi então que se virou para o Twitter, a exemplo de outros ciclistas no passado e conseguiu o feedback desejado: "Estou satisfeito por ir para a Vito-Feirense-BlackJack. É uma boa equipa e é uma boa oportunidade. Acho que posso encaixar bem na sua filosofia. Espero ter um bom ano", salientou.

"No início do ano, o meu objectivo era ver-me como profissional, mas nunca pensei que conseguisse a primeira vitória"

A formação de Joaquim Andrade irá perder um dos seus líderes, Edgar Pinto, que vai para  a W52-FC Porto. Abre-se um espaço para outros ciclistas mostrarem mais o seu potencial, a começar por Pelegrí. E o espanhol já só pensa como poderá procurar novos sucessos, ao lado de um ciclista que tem ganho um lugar de cada vez mais destaque no pelotão nacional e com o qual considera ter um perfil idêntico como atleta. "Se eu e o João Matias nos entendermos bem, poderemos dar que falar em muitas corridas", realçou.

Ultrapassada a incerteza quanto ao ter ou não equipa para 2019, Pelegrí consegue agora recordar com maior satisfação a sua estreia como profissional. Este campeão de Espanha de sub-23 em 2016 já tinha passagens pela italiana Amore & Vita e pela espanhola Caja Rural, como estagiário, antes de assinar pela Rádio Popular-Boavista. "Foi uma época muita positiva. Na Amore-Vita e na Caja Rural aprendi muito, sobretudo sobre a forma de correr e de me ver no pelotão internacional. Isso só me ajudou a que a adaptação este ano fosse mais rápida", disse.

"Não esperava conseguir tanto [em 2018]. No início do ano, o meu objectivo era ver-me como profissional, mas nunca pensei que conseguisse a primeira vitória. O objectivo era consegui-la nos dois primeiros anos. E foi um triunfo de etapa e numa Volta. Foi a primeira vez que ganhei uma Volta, pelo que fiquei super contente", acrescentou.

As suas exibições em Portugal foram seguidas com atenção no seu país. Ainda assim, não surgiu a oferta que todos os ciclistas procuram, ou seja, chegar a uma equipa de escalão superior. Nada que preocupe Pelegrí que só agradece ter a Vito-Feirense-BlackJack (futura Vito-Feirense-PNB) para prosseguir com a sua carreira. Depois de um 2018 tão positivo, Pelegrí admite que é ambicioso e que quer mais. Enquanto não arranca a temporada - a 10 de Fevereiro, com a Prova de Abertura Região de Aveiro -, o espanhol vai conciliando na pré-época os treinos de estrada, com a presença na pista: "É uma vertente que gosto muito e penso que entre pista e estrada há um benefício mútuo."

Pelegrí será uma das muitas caras novas na equipa do director desportivo Joaquim Andrade. Filipe Cardoso (Rádio Popular-Boavista), Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli), Jesus del Pino (Efapel), Bjorn Thurau (Holdsworth Pro Racing), João Barbosa (Maia), Pedro Andrade e António Ferreira (promovidos da equipa de juniores) juntam-se ao projecto que continuará a contar com João Matias, Xuban Errazkin, Luís Afonso, João Santos, Bernardo Saavedra.

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