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26 de dezembro de 2019

João Matias destacou-se numa época difícil do Feirense, mas com jovens ciclistas a mostrarem-se

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
A saída de Edgar Pinto para a W52-FC Porto deixou a Vito-Feireinse-PNB sem um líder para as gerais. A equipa optou por mudar um pouco os seus objectivos, apostando ainda mais em João Matias, mas não deixando de olhar para a montanha com dois espanhóis com provas dadas em Portugal, Óscar Pelegrí e Jesus del Pino. Já a aposta em dar oportunidades a ciclistas muito jovens, como foi o caso de João Barbosa e Pedro Andrade, manteve-se, mas não deixou de ser uma temporada difícil. Ainda assim, terminou com quatro vitórias e algumas boas exibições, com Matias mostrar-se, sem surpresa, à altura da responsabilidade que teve. As dificuldades estão longe de estar terminadas e em 2020 a solução encontrada perante a redução de apoio financeiro foi olhar ainda mais para ciclistas jovens, mas com uma contratação de luxo.

O director desportivo, Joaquim Andrade, assumiu desde logo que sem Edgar Pinto a equipa seria diferente, contudo, não significaria que a ambição seria mais pequena. Apenas direccionada para outro tipo de lutas. João Matias já era um dos líderes, mas ganhou maior protagonismo. Foi incansável na procura por dar bons resultados à Vito-Feirense-PNB e a recompensa de todo o esforço chegou num dos palcos principais para as equipas portuguesas: o Grande Prémio Jornal de Notícias. Impôs-se na sua especialidade, ao sprint, na primeira etapa, num início de um mês de Junho que marcou a temporada da equipa.

No Grande Prémio Abimota, Óscar Pelegrí - que em 2018 venceu a corrida ao serviço da Rádio Popular-Boavista - ganhou uma etapa, assim como o jovem Pedro Andrade, filho do director desportivo. A equipa venceria colectivamente. Dois bons ensaios gerais para uma equipa que ia perseguir etapas, ou pelo menos uma, na Volta a Portugal. João Matias assumiu mais uma vez a responsabilidade. Tentou ao sprint, tentou através de uma fuga, mas ainda não foi desta que alcançou um triunfo que muito deseja na carreira. Matias fechou a temporada com a vitória no Circuito da Moita.

Jesus del Pino (ex-Efapel) também foi figura na Volta, não só por também ele procurar um triunfo, mas pelo estado em que terminou a penúltima etapa na Senhora da Graça. Uma queda deixou o espanhol muito mal tratado. Equipamento rasgado, com feridas bem visíveis, foi uma das imagens da corrida. Não só terminou aquela etapa, como partiu no dia seguinte para o contra-relógio final.

Dentro das limitações, a Vito-Feirense-PNB fez uma temporada com aspectos positivos, comprovados pelo facto dos seus ciclistas serem cobiçados pelas outras equipas nacionais. Incluindo os mais jovens. E para dar mais um exemplo de como esta aposta de Joaquim Andrade e restantes responsáveis em dar espaço a ciclistas que estão, muitos deles, a dar o salto de juniores para a equipa principal, há que regressar ao mês de Junho, mesmo no final, quando Bernardo Saavedra subiu ao pódio na corrida em linha de sub-23, ao ser terceiro. Uma medalha de bronze que mereceu ser celebrada quase como se fosse de ouro, tendo em conta que a prova foi ganha por João Almeida (Hagens Berman Axeon, a caminho da Deceuninck-QuickStep) e com Fábio Costa (UD Oliveirense-InOutBuild) a ser segundo, ele que foi dos melhores sub-23 em 2019.

Atrás de Saavedra ficou outro ciclista da Hagens Berman Axeon, André Carvalho, e esta equipa americana acaba por dar mais relevância ao trabalho feito nas camadas jovens que Joaquim Andrade tanto aposta. Uma das vitórias da Vito-Feirense-PNB acaba por ser ver Pedro Andrade assinar pela Hagens Berman Axeon para 2020. Já o aguerrido trepador João Barbosa vai ganhando o seu espaço no pelotão nacional e prepara-se para continuar a evolução na Miranda-Mortágua.

Apesar de ter apenas 21 anos, Saavedra terá mais responsabilidade em 2020, sendo apenas um dos três ciclistas que vai continuar. Óscar Pelegrí será um dos líderes de uma equipa que continuará a ter o Feirense como patrocinador, mas que viu o orçamento reduzir sem a manutenção de apoio idêntico das restantes empresas. António Ferreira é a terceira renovação, ao que se junta Afonso Eulálio, que estagiou na equipa na parte final da época. Quatro juniores vão começar a fase de sub-23 no Feirense, enquanto Rafael Ferreira terá uma oportunidade no profissionalismo aos 20 anos. Gonçalo Amado também está de regresso, sendo um ciclista de 25 anos e que em 2013 e 2014 esteve na então Rádio Popular, com uma passagem pelo ACDC Trofa em 2018.

Mesmo sendo uma equipa de orçamento reduzido - não segurando Matias e Del Pino, por exemplo, que vão para a Aviludo-Louletano -, a oportunidade de ser líder em quase todas as corridas seduziu um Rafael Reis à procura de um novo desafio, optando por sair da W52-FC Porto (neste link pode ler a entrevista do ciclista ao Volta ao Ciclismo). Aos 27 anos já tem muita experiência, incluindo dois anos na Caja Rural e uma Vuelta feita. Sabe o que é ganhar nas melhores corridas nacionais, já vestiu camisola amarela na Volta a Portugal e quer recuperar essa ambição no Feirense, que bem agradecerá ver o melhor de Rafael Reis.

Na véspera de Natal foi anunciada mais uma contratação, o décimo ciclista que faltava para a equipa poder competir no escalão Continental. De Espanha chegará Jesus Arozamena, da Super Froiz, vencedor da Taça de Espanha de sub-23 em 2018, com alguns top dez em provas espanholas no ano passado e que esteve no Grande Prémio Abimota a mostrar as suas capacidades como trepador.

Equipa para 2020: Óscar Pelegrí, Bernardo Saavedra, António Ferreira, Rafael Reis (W52-FC Porto), Gonçalo Amado, Afonso Eulálio (júnior do Feirense que estagiou na equipa principal na recta final da éoca de 2019), Luís Cabral (Sport Ciclismo S. João de Ver), Fábio Oliveira (Sport Ciclismo S. João de Ver), Rafael Ferreira, Jesus Arozamena (Super Froiz).

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11 de dezembro de 2019

Aviludo-Louletano de menor fulgor em 2019 reforça-se para não depender tanto de De Mateos

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Depois de duas temporadas de grande fulgor, com muitas vitórias e sucesso na Volta a Portugal, a Aviludo-Louletano enfrentou um 2019 mais difícil, com menos resultados de nota e uma Volta que acabou em desilusão, depois de muito ter crescido a ambição que Vicente García de Mateos poderia disputar a corrida. O espanhol preparou a época praticamente sempre a pensar na corrida principal para as equipas portuguesas, mas abandonou na penúltima etapa e com ele levou o sonho de pelo menos estar novamente no pódio final, sem, desta feira, ganhar qualquer etapa (somou seis entre 2015 e 2018).

Com a saída de Luís Mendonça para a Rádio Popular-Boavista, a formação algarvia centrou-se quase exclusivamente no seu líder, De Mateos. Leonel Coutinho chegou para ser a aposta em corridas discutidas ao sprint. Apesar de algumas prestações positivas, Coutinho não conseguiu atingir o nível que de certo teria gostado, não se podendo esquecer que em 2018 sofreu uma queda grave. Aos 27 anos decidiu colocar um ponto final na carreira.

Com De Mateos muito concentrado em preparar-se para a Volta a Portugal, com o decorrer da temporada outros ciclistas foram tendo alguma liberdade para disputar vitórias. Luís Fernandes foi um dos destaques muito positivos da Aviludo-Louletano. Venceu as classificações da montanha na Clássica Aldeias do Xisto e no Grande Prémio de Mortágua, sendo uma das figuras na Volta a Portugal, tanto na perspectiva do trabalho que fez em prol da equipa, como por ter tentado vencer a etapa da Senhora da Graça.

Já no Sporting-Tavira havia demonstrado ser um ciclista importante no apoio aos líderes, mas, aos 32 anos, poderá encontrar na Rádio Popular-Boavista maior liberdade e é uma perda relevante para a Aviludo-Louletano para 2020.

No entanto, o director desportivo Jorge Piedade procurou um substituto que pudesse estar ao mesmo nível e contratou Jesús del Pino, da Vito-Feireinse-PNB, com passagem pela Efapel em 2017 e 2018. Importante era também encontrar um ciclista que assumisse mais protagonismo na luta por vitórias, para que a equipa não esteja tão dependente de De Mateos. Do Feirense vai chegar também João Matias. Forte no sprint e com capacidade para ultrapassar terrenos com alguma dificuldade, Matias tornou-se neste últimos três anos um ciclista importante no pelotão nacional e tem o perfil indicado para dar mais opções à Aviludo-Louletano, sem que colida com as ambições de De Mateos. É um lutador e tem muita capacidade de liderança, sabendo motivar os seus companheiros.

Com a excepção de Luís Fernandes, a equipa algarvia vai manter os ciclistas que constituem o bloco de apoio ao ciclista espanhol: Oscar Hernandez, Márcio Barbosa, André Evangelista, Nuno Meireles e David de la Fuente.

Vicente García de Mateos abandonou a Volta a Portugal devido a uma indisposição, deixando assim o saldo da Aviludo-Louletano em 2019 com apenas duas vitórias (foram oito em 2018): uma etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias (primeiro sector da terceira tirada) precisamente por intermédio do espanhol, com Márcio Barbosa a vencer o Circuito da Malveira.

A Aviludo-Louletano pode ter um orçamento bem diferente de uma W52-FC Porto ou Efapel, mas continua empenhada em mostrar que pode provocar uma surpresa na Volta a Portugal, enquanto na próxima temporada, com a chegada de João Matias, procurará mais vitórias antes de chegar à corrida mais ambicionada. Para fechar as contratações, chegará o jovem Daniel Silva (21 anos) da Sicasal-Constantinos e o experimente russo Sergey Shilov (31), que esteve nas últimas duas temporadas na Gazprom-RusVelo e antes representou a Lokosphinx.

Com a equipa do escalão Continental, Shilov participou em várias corridas em Portugal, incluindo a Volta, tendo inclusivamente vencido uma etapa, em Castelo Branco (2014), batendo ao sprint Samuel Caldeira e Manuel Cardoso. Em 2015 conquistou duas tiradas no Troféu Joaquim Agostinho.

Equipa para 2020: Vicente García de Mateos, Oscar Hernandez, Márcio Barbosa, André Evangelista, Nuno Meireles, David de la Fuente, João Matias (Vito-Feirense-PNB), Jesús del Pino (Vito-Feirense-PNB), Daniel Silva (Sicasal-Constantinos), Sergey Shilov (Gazprom-RusVelo).

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30 de julho de 2019

Ciclistas a seguir... além dos da W52-FC Porto

Volta a Portugal começa esta quarta-feira (Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A ausência de Raúl Alarcón dá um imediato destaque a uma equipa que tem dominado a Volta a Portugal nos últimos seis anos. A W52-FC Porto é notícia ainda antes da corrida começar e continua a ser a mais forte candidata a ser notícia quando a Volta terminar. Mas, ainda antes de se confirmar a ausência do vencedor das últimas edições, havia uma expectativa de ser uma edição um pouco mais competitiva e há um responsável para se pensar assim: Joni Brandão. A forma do líder Efapel tem-se traduzido numa época de muitas vitórias, além da equipa, na generalidade, apresentar-se mais forte do que em anos anteriores.

Haverá mais candidatos? O Sporting-Tavira aposta forte em Tiago Machado, com José Mendes a ser outra possibilidade, enquanto a Aviludo-Louletano espera que Vicente García de Mateos seja novamente candidato a pelo menos um pódio e conquiste alguma etapa. A luta pela geral poderá não ter uma lista extensa, mas há mais ciclistas a seguir nesta Volta, além da poderosa W52-FC Porto, que mesmo sem Raúl Alarcón, continua a apresentar um bloco muito forte e com mais do que um candidato a líder, como foi ontem aqui referido (pode ler o texto neste link).

De referir que além da saída de última hora da lista de inscritos de Alarcón, também Rinaldo Nocentini foi substituído por David Livramento no Sporting-Tavira. O colombiano Robinson Chalapud não vai participar pela equipa Medellin, depois de ganhar a Volta ao Lago Qinghai, na China. A formação sul-americana vai mesmo competir com menos um ciclista.

Joni Brandão (29 anos): Chega à Volta com seis vitórias esta temporada, das nove da Efapel. O regresso à equipa foi o que a carreira do ciclista precisava, depois de dois anos menos conseguidos no Sporting-Tavira, também marcados por um problema de saúde. Esses tempos difíceis estão para trás e Joni não vai à procura de estar novamente no pódio: quer ganhar. Duas questões: perante a boa forma já apresentada, o pico será mesmo na Volta? Se sim, então será um fantástico Joni, tendo em conta o que já fez esta época; vai a Efapel estar à altura de uma W52-FC Porto no apoio ao líder? É um conjunto equilibrado, com  Henrique Casimiro e Sérgio Paulinho, a mostrarem estarem bem no teste final que foi o Troféu Joaquim Agostinho (primeiro e terceiro classificado).

Vicente García de Mateos (30): Dois terceiros lugares, duas classificações dos pontos e etapas ganhas, três no ano passado. O espanhol da Aviludo-Louletano tem de estar entre os candidatos, ainda que 2019 não tenha sido um ano com exibições tão convincentes como em temporadas anteriores, principalmente a nível de discussão de vitórias. Porém, somou alguns top dez e o plano passou mesmo por apostar tudo na Volta  a Portugal. No mínimo é para repetir 2017 e 2018, mas na equipa algarvia sonha-se sempre com algo mais.

Tiago Machado (33): Nunca escondeu que gostaria de regressar a Portugal e tentar ganhar a Volta. Finda a carreira lá fora, escolheu o Sporting-Tavira para ser o líder, mas está longe de ser um ciclista ganhador e pouco tem aparecido na discussão das corridas. Ainda assim surge como número um da formação de Vidal Fitas, que conta com um motivado José Mendes (34). Sagrou-se campeão nacional pela segunda vez em Melgaço e está mais confiante. Poderá ser um plano B (ou mesmo A) muito viável, caso Machado não confirme o seu estatuto de líder na estrada. O Sporting-Tavira precisa desesperadamente de bons resultados. A relação com o clube de Alvalade poderá terminar no final desta temporada, na qual a equipa somou apenas dois triunfos. Além do título nacional, César Martingil venceu a Clássica da Primavera, em Março. Vitórias precisam-se!

Luís Mendonça (33): Correu o risco de ficar de fora da Volta devido à utilização de uma substância no tratamento a um joelho. No entanto, a decisão da Autoridade Antidopagem de Portugal chegou a tempo de permitir que o ciclista da Rádio Popular-Boavista fosse inscrito. É um homem para caçar etapas. Tem trabalhado muito a montanha para não se limitar a discutir ao sprint, ainda que não seja ciclista para lutar pela geral. Esse será João Benta (32), tão habituado ao top dez, mas ainda à procura do pódio. Mendonça tem tendência a não passar despercebido, agora falta saber como irá apresentar-se Benta, ciclista sempre com potencial para fazer algo de nota.

João Matias (28): A sua estreia na Volta, há dois anos, ficou marcada por andar vários dias com a camisola da montanha. Uma surpresa, até para o ciclista, que entretanto dedicou-se à sua especialidade: tentar ganhar etapas mais ao sprint. Ainda não alcançou a vitória, mas em pouco tempo tornou-se num ciclista respeitado no pelotão e que não vira a cara à luta. Faz da determinação uma arma muito forte e a sua "escola" de pista também tem influência no ciclista que é hoje. Atenção a Óscar Pelegrí. É ciclista para entrar em fugas, adaptando-se bem a certas subidas, sendo mais uma opção para a Vito-Feirense-PNB.

Domingos Gonçalves (30): Regressou à Caja Rural, mas uma queda na Volta à Catalunha estragou-lhe parte da temporada. Está em contra-relógio para obter bons resultados e será precisamente nesta especialidade que poderá começar por apostar para tentar ganhar uma etapa (é bicampeão nacional, tendo o irmão, José,lhe "tirado" o título este ano), mas certamente que se verá Domingos em ataques e fugas, que há um ano foi uma táctica que lhe rendeu uma vitória em Boticas.

Mario Gonzalez (27): Nome conhecido do ciclismo nacional depois de três anos no Sporting-Tavira. O espanhol está agora na Euskadi-Murias e regressa com a possibilidade de procurar um resultado próprio e não ficar preso ao trabalho de gregário. Se passar bem a etapa da Torre, Gonzalez poderá entrar na luta por um top dez.

Fabio Duarte (33): Apesar da equipa Medellin contar com Óscar Sevilla, que aos 42 anos não pára de alcançar bons resultados, como o segundo lugar na China há três dias, ainda assim, não é o espanhol de quem mais se espera. Fabio Duarte foi considerado um colombiano de grande potencial, mas nunca conseguiu dar o salto para o mais alto nível do ciclismo. Ainda assim, na primeira metade da década ficou perto de ganhar etapas no Giro e na Vuelta. Se estiver bem é um ciclista a ter em conta, mas poderá ter o mesmo problema de Sevilla: acabou de chegar da China e mal teve tempo para se adaptar a Portugal.

Brice Feillu (34): É impossível deixar de fora este francês. É um vencedor de uma etapa da Volta a França, em 2009, num dia com final em Andorra. Tem muita experiência de grandes voltas, tendo feito sete Tours e um Giro, apesar de ter representado equipas do segundo escalão. Em 2011 esteve no World Tour ao serviço da Leopard Trek. Está numa fase de menos fulgor da carreira, mas não significa que não possa ir atrás de um bom resultado até porque conhece a Volta a Portugal. Será a sua terceira participação. Depois da estreia em 2008, o destaque vai para 2012, quando foi sexto na geral, a 1:57 minutos do vencedor David Blanco (Efapel). Então representou a Saur-Sojasun, vestindo agora as cores da Arkéa-Samsic, equipa que procura subir ao World Tour e que viu no último domingo Warren Barguil ser 10º no Tour. A Arkéa-Samsic não trouxe a sua melhor equipa, mas tem ciclistas a querer mostrar serviço.

Prólogo (31 de Julho): Viseu - Viseu, 6 km (contra-relógio individual)


A Volta a Portugal arranca com o habitual prólogo. Há sempre potencial de alguém perder alguns segundos, pelo que o objectivo passa muito por evitar percalços, mas não se pode ir com a mãos nos travões.


3 de março de 2019

Portugal mantém-se na corrida aos Jogos Olímpicos após Mundiais

(Fotografia: Arquivo Federação Portuguesa de Ciclismo)
Rui Oliveira abriu a participação portuguesa nos Mundiais de Pruszków, com uma prometedora exibição no scratch, mas nas disciplinas olímpicas (omnium e madison) os resultados ficaram aquém do desejado. Ainda assim, a Portugal mantém-se nos lugares de apuramento para os Jogos Olímpicos, havendo mais provas para disputar, como os Europeus.

A fechar os Mundiais polacos, os gémeos Oliveira marcaram presença no madison, mas não foi um dia bom para Ivo e Rui. "Foi uma corrida em que as três melhores selecções fizeram uma média dois quilómetros por hora superior ao que aconteceu no anterior Mundial e nas melhores provas da Taça do Mundo. O Ivo e o Rui não entraram bem no ritmo intenso da corrida e isso foi gerando fadiga, que se acumulou e provocou o resultado aquém do que esperávamos. Ainda assim, foi importante terminar a corrida, porque isso permitiu somar pontos para o ranking olímpico. A qualificação mantém-se possível, mas teremos de melhorar no Europeu de elite e na próxima época da Taça do Mundo", salientou o seleccionador nacional, Gabriel Mendes, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

A dupla terminou na 17ª posição, com 57 pontos negativos, numa prova ganha pelos alemães Roger Kluge e Theo Reinhardt, com uma média fantástica de 59,243 quilómetros por hora.

No sábado foi João Matias quem esteve em pista, no omnium, disciplina composta por quatro provas. O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack começou mal, com um 18º lugar no scratch e 20º na corrida tempo. Matias apareceu bem melhor na eliminação, ficando na 13ª posição. Iniciou a corrida por pontos no 18º lugar da geral. Conseguiu entrar no grupo que ganhou uma volta, pontuou em mais um sprint e assim subiu um lugar, fechando o concurso com 45 pontos.

Apesar dos resultados menos conseguidos nas disciplinas olímpicas, Portugal não foi ultrapassado por nenhuma das selecções rivais na disputa por um lugar em Tóquio.

Maria Martins fez a sua estreia nestas andanças. Depois de estar sempre a melhorar nas Taças do Mundo, a ciclista alcançou um 14º lugar no omnium nestes Mundiais. Foi 10ª no scratch, 17ª na corrida tempo, 13ª na eliminação e após na corrida por pontos conseguiu três pontos que lhe valeram a subida ao 14º posto. Maria Martins mantém-se também ela na luta por um lugar em Tóquio2020.

Nas provas não olímpicas, Rui Oliveira foi quinto no scratch e um inédito título mundial em elite na pista ficou a cerca de 100 metros. O corredor português tentou um ataque a sete voltas do fim e só foi apanhado já com a meta à vista. Ficou no quinto lugar. Já Ivo não conseguiu repetir o lugar na final da perseguição individual de há um ano, quando foi vice-campeão mundial.


14 de fevereiro de 2019

Quatro eleitos à procura de um pouco mais de história

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O ciclismo de pista já não é uma modalidade que passe despercebida em Portugal e com os Mundiais à porta, a expectativa vai aumentando. O trabalho realizado nos últimos anos, com Gabriel Mendes ao leme, tem tornado a vertente cada vez mais procurada por ciclistas e, claro, com os gémeos Oliveira a ser a referência máxima. As principais conquistas são de Ivo e Rui, mas não estão sós nesta transformação da pista. João Matias e, no feminino, Maria Martins, são dois nomes incontornáveis e completam o quarteto eleito para ir aos Campeonatos do Mundo à procura de fazer um pouco mais de história.

Com os resultados a melhorarem praticamente a cada grande competição feita, a selecção nacional apurou-se para os concursos masculino e feminino de omnium e para as provas masculinas de madison, perseguição individual e scratch. Maria Martins estará então no omnium, mas ainda não foi adiantado a distribuição de provas por Ivo, Rui e Matias. Na perseguição individual será uma surpresa não ver Ivo Oliveira a competir, visto que é o vice-campeão mundial.

Os Mundiais vão decorrer em Pruszków, na Polónia, entre 27 de Fevereiro e 3 de Março. Maria Martins competirá no dia 1: scratch (14:00), corrida tempo (16:10), eliminação (18:30) e corrida por pontos (19:55). No mesmo dia realiza-se a perseguição individual masculina, com as qualificações a arrancarem às 14:45 e finais estão agendadas para as 19:20.

O primeiro ciclista a entrar em acção será no dia 28, às 18:50, no scratch. A 2 de Março assistir-se-á ao ominum masculino, com o alinhamento e horários a serem os mesmos da prova feminina do dia anterior. A despedida será feita no madison, no dia 3, ás 13:55.

Com os resultados já alcançados em vários escalões, incluindo em elite, mais as recentes prestações muito positivas nas Taças do Mundo, é inevitável que as expectativas sejam cada vez mais altas. No entanto, o seleccionador Gabriel Mendes mantém-se focado também noutro objectivo: os Jogos Olímpicos. "O nosso grande foco são as disciplinas olímpicas de omnium e de madison. Tentaremos obter o maior número possível de pontos para o ranking de apuramento para os Jogos Olímpicos e para os rankings individuais", referiu, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Os Mundiais têm um grande peso nas qualificações olímpicas, o que, a acontecer em Tóquio2020, será um feito inédito para o desporto português.



27 de janeiro de 2019

Portugal sempre a melhorar e o pódio ficou tão perto

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Está a ser sempre a melhorar. As prestações dos ciclistas portugueses na pista continuam a atingir novos níveis nas Taças do Mundo. O destaque da participação da etapa de Hong Kong vai para o quarto lugar no madison, num resultado que tem tanto de bom, como de um pouco de frustrante, afinal dois pontos apenas separaram João Matias e Rui Oliveira do pódio. Mas também Maria Martins está a aproveitar muito bem as oportunidades que está a ter para competir nestas importantes provas. Foi sexta no omnium. 

Em três participações, Maria Martins passou de um 16º lugar em Londres, para um sexto em Hong Kong, com um 12º pelo meio na Nova Zelândia. Maria Martins começou com um quinto posto no scratch, um sexto na corrida tempo e 11º na eliminação. A derradeira prova, a corrida por pontos, foi disputada a uma média de 48,265 quilómetros/hora. Maria Martins não somou qualquer ponto, mas ainda assim garantiu o melhor resultado de sempre no ciclismo de pista feminino de Portugal, numa Taça do Mundo. Terminou o concurso do omnium com 82 pontos.

A holandesa Kirsten Wild, campeã mundial da disciplina, venceu com 137 pontos, a francesa Laurie Berthon foi segunda, com 114 e a australiana Alexandra Manly fechou o pódio com 112. 

Apesar do próximo objectivo serem os Mundiais de Pruszkow, na Polónia, entre 27 de Fevereiro e 3 de Março, a qualificação para os Jogos Olímpicos está sempre presente na mente dos ciclistas. Por isso mesmo, o quarto lugar no madison da dupla Matias/Oliveira é ainda mais relevante. Os dois ciclistas realizaram uma excelente prova, tendo estado praticamente toda corrida em lugares de pódio. Só no último sprint a dupla acabou por cair para o quarto posto. A Equipa Portugal não conseguiu pontuar, finalizando a prova com 19 pontos, a apenas dois dos franceses Benjamin Thomas e Florian Maitre.

Os neozelandeses Thomas Sexton e Campbell Stewart foram os vencedores com 33 pontos, seguidos pelos australianos Sam Welsford e Kelland O’Brien, que somaram 29.

No sábado, João Matias havia alcançado outro bom resultado no scratch, um sexto lugar, enquanto na disciplina olímpica do omnium, Rui Oliveira teve um mau dia, ficando apenas no 19º posto.

Foram semanas intensas da selecção de pista, que agora espera por conhecer as quotas para os Mundiais, para assim Gabriel Mendes escolher os ciclistas que irão representar Portugal.

O regresso de David Rosa

Também no BTT Portugal teve um ciclista em acção este fim-de-semana. Foi o final de uma longa paragem para o atleta olímpico David Rosa, que não competia desde Maio do ano passado. Em Lanzarote, foi 17º no sábado, melhorando para 13º no domingo na prova espanhola.

"O David Rosa andou sempre no grupo da frente, em mais uma etapa de velocidade muito elevada para o BTT. Numa etapa mais longa do que a de véspera, as sensações do David já foram melhores, o que nos deixa optimistas para o que ainda falta de competição", afirmou o seleccionador Pedro Vigário, quando ficam a faltar duas etapas da prova.

Na estrada, mas pelas respectivas equipas, Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) e Ivo Oliveira (UAE Team Emirates) estiveram na Cadel Evans Great Ocean Race, na Austrália. O campeão nacional de 2017 foi 15º, com o mesmo tempo do vencedor, o italiano Elia Viviani (Deuceninck-QuickStep). Já Ivo abandonou na sua segunda corrida do World Tour.


21 de janeiro de 2019

João Matias e Rui Oliveira em destaque na Nova Zelândia

(Fotografia: © António Borga/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Enquanto Ivo Oliveira estava a fazer uma boa estreia no World Tour, no Tour Down Under, pelo mesmo continente, mas noutro país e na pista, o irmão Rui Oliveira realizou mais duas excelentes prestações na pista, juntamente com João Matias e Maria Martins, em mais uma Taça do Mundo, rumo aos Jogos Olímpicos. A selecção nacional viajou até à Nova Zelândia para mais uma etapa da Taça do Mundo e obteve os melhores resultados na edição de 2018/19 tanto no madison como no omnium. Os sextos lugares são muito animadores, numa altura em que se está em pleno apuramento para os Jogos Olímpicos, mas também porque o pensamento imediato é a presença nos Mundiais, que estão aí à porta.

Em Cambridge, neste último fim-de-semana, Gabriel Mendes chamou Rui Oliveira (UAE Team Emirates), João Matias (Vito-Feirense-PNB) e Maria Martins (Sopela Women's Team) e ninguém desiludiu. Muito pelo contrário. A dupla masculina que competiu no madison esteve sempre à procura de pontuar e conseguiu fazê-lo em seis dos 12 sprints, das 120 voltas (30 quilómetros). Matias e Oliveira somaram 16 pontos. A vitória foi para o duo da casa Campbell Stewart e Aaron Gate (76 pontos). Os holandeses Yoeri Havik e Roy Pieters, com 30, e os americanos Daniel Holloway e Adrian Hegyvary, com 26, fecharam o pódio, tendo as três selecções conseguido dar uma volta de avanço às restantes equipas.

Um bom sexto lugar para começar e outro igualmente importante a fechar. No omnium, Rui Oliveira começou com um nono lugar em scratch, seguiu-se a corrida tempo, na qual foi sexto. Voltou a ser nono na eliminação. Na corrida por pontos, Rui Oliveira venceu dois sprints e foi segundo no sprint de chegada, o que valeu o sexto lugar, com 94 pontos. O vencedor foi o suíço Claudio Imhof (113), com o bielorrusso Raman Tsishkou (112) e o italiano Liam Bertazzo (108) a completarem o pódio.

O madison e o omnium são as duas disciplinas olímpicas em que Portugal procura o inédito apuramento para Tóquio2020. Na competição feminina, Maria Martins tem uma missão complicada para também ela estar nos Jogos do próximo ano no omnium, mas está a agarrar todas as oportunidades que tem para obter bons resultados. Até teve uma gripe a impedi-la de estar no seu melhor na Nova Zelândia, mas, ainda assim, fez melhor do que na sua anterior Taça do Mundo. Foi 12ª entre 22 participantes, depois de ter feito um 16º lugar na sua estreia nestas andanças, no final do ano passado, em Londres.

Foi 12ª em scratch, 15ª na corrida tempo, 10ª em eliminação. Na corrida por pontos não pontuou mas garantiu o bom 12º lugar final. Já no domingo, na corrida de scratch, Maria Martins atacou de longe e só à entrada da última volta foi apanhada. Depois de um enorme esforço, não conseguiu recuperar, terminando na 16ª e última posição.

"O balanço global é muito positivo, principalmente porque demos um passo muito importante para garantir a qualificação para o próximo Campeonato do Mundo nas disciplinas olímpicas", afirmou o seleccionador Gabriel Mendes. "Conseguimos melhorar todos os resultados em relação às rondas anteriores. Estou muito satisfeito com o desempenho de todos. Em madison melhorámos muito, fomos mais competitivos e consistentes. O Rui Oliveira esteve muito bem no omnium e a Maria Martins, apesar de debilitada devido a gripe, deu o máximo e melhorou em relação à última etapa da Taça do Mundo", salientou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

A Equipa Portugal segue agora para Hong Kong para este fim-de-semana (de 25 a 27 de Janeiro) marcar presença em mais uma Taça do Mundo e fechar as contas a pensar nos Mundiais, que irá realizar-se em Pruszkow, Polónia, entre 27 de Fevereiro e 3 de Março.

»»As contas rumo aos Jogos Olímpicos««

»»João Matias com melhor resultado no omnium de Portugal e Maria Martins com estreia positiva««

5 de janeiro de 2019

Rui Oliveira e Maria Martins conquistam primeiros títulos nacionais de 2019

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O ano 2019 de ciclismo arrancou em Portugal, com a pista a fazer novamente as honras. O  velódromo de Anadia foi o palco de uma emocionante prova de omnium masculina. Rui Oliveira e Maria Martins ficaram com os primeiros títulos nacionais em disputa.

Se Maria Martins dominou a prova feminina, já Rui Oliveira e João Matias proporcionaram uma luta bem acesa pela vitória até à última das quatro corridas. Foi o ciclista de Gaia quem começou melhor ao vencer no scratch. Contudo, Matias respondeu ao ser superior na corrida tempo e foi também mais forte na de eliminação, na qual Rui é vice-campeão europeu. Para a decisiva prova, Matias levou dois pontos de vantagem.

Na corrida por pontos Rui acabou por assegurar o título nacional, terminando o omnium com 203 pontos, mais 18 do que João Matias. A seguir ao corredor da Vito-Feirense-PNB ficou o reforço do Sporting-Tavira, César Martingil, com 160 pontos. Para Rui Oliveira foi uma excelente forma de estrear o equipamento da UAE Team Emirates, no início da sua carreira como ciclista do World Tour.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O omnium está integrado nos Jogos Olímpicos e é uma das provas, juntamente com o madison, em que Portugal está a tentar conseguir um inédito apuramento para Tóquio2020.

Quanto à prova feminina, a corredora da Sopela Women's Team demonstrou porque tem sido uma das principais apostas do seleccionador nacional de pista, Gabriel Mendes. Maria Martins venceu as quatro corridas, deixando Soraia Silva (Velo Performance) a 40 pontos. Raquel Rodrigues (ACD Milharado/EC Manuel Martins) fechou o pódio, com 217 pontos negativos. Com o ciclismo de pista feminino ainda a estar numa fase inicial de desenvolvimento, estas foram as únicas três portuguesas a participarem no omnium.

Os próximos títulos nacionais de pista em jogo serão os de scratch, corrida por pontos e perseguição individual, que serão disputados a 2 de Fevereiro.

Classificação masculina (clique na imagem para ampliar):

16 de dezembro de 2018

João Matias com melhor resultado no omnium de Portugal e Maria Martins com estreia positiva

(Fotografia: © António Borga/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Mais um fim-de-semana de pista, com João Matias em destaque ao obter a melhor classificação da Equipa Portugal no omnium na edição 2018/19 da Taça do Mundo, até ao momento. Em Londres, o ciclista da Vito-Feirense-BlackJack foi 10º classificado, num resultado mais animador, rumo ao objectivo de qualificação para os Jogos Olímpicos. A etapa londrina ficou ainda marcada pela estreia Maria Martins e César Martingil neste tipo de competições, com Tata, como é conhecida, a deixar boas indicações. Já Martingil não foi feliz.

João Matias foi este domingo sétimo em scratch, nono na corrida tempo e 10º em eliminação, chegando no nono lugar à última e decisiva prova do omnium, a corrida por pontos. O ciclista não somou qualquer ponto, cedendo uma posição no derradeiro sprint, terminando assim a competição com 74 pontos.

A vitória foi para o britânico Matthew Walls, com 131 pontos, mais oito do que o mexicano Ignacio Prado. Na terceira posição ficou um nome bem conhecido, um campeão olímpico da especialidade e o corredor mais vitorioso na época de estrada ao serviço da Quick-Step Floors: o italiano Elia Viviani (114).

No sábado, Maria Martins participou pela primeira vez numa Taça do Mundo. Com Portugal a ser o quinto país de reserva no omnium, a chamada surgiu depois de algumas selecções não terem participado. A ciclista portuguesa, da Sopela Women's Team, aproveitou bem a oportunidade. Foi 16º em scratch, 13ª na corrida tempo e oitava em eliminação. Após a corrida por pontos, Maria Martins segurou a 14ª posição, terminado o omnium com 54 pontos.

A holandesa Kirsten Wild mostrou as razões de envergar a camisola de campeã do mundo e bateu toda a concorrência, com 124 pontos. Seguiu-se a americana Jennifer Valente, com 118, e a canadiana Allison Beveridge, com 106.

No madison, a Equipa Portugal não foi feliz. César Martingil fez dupla com Miguel do Rego e ambos acusaram a inexperiência, num pelotão de elevado nível. Ao acumularem duas voltas de atraso, foram obrigados a abandonar a prova.

A vitória foi para os os dinamarqueses Casper von Folsach e Julius Johansen, com 46 pontos, seguidos pelos britânicos Fred Wright e Matthew Walls, com 30. Os espanhóis Albert Torres e Sebastián Mora fecharam o pódio, com 21. Há uma semana, no Troféu Internacional Município de Anadia, a dupla britânica havia ganhou, deixando os rivais da Dinamarca na segunda posição.

A selecção portuguesa irá ter um início de 2019 muito intenso na pista. Irá competir nas etapas da Taça do Mundo da Nova Zelândia (18 a 20 de Janeiro) e de Hong Kong (25 a 27 do mesmo mês), seguindo depois para o Mundial, que vai realizar-se em Pruszkow, Polónia, entre 27 de Fevereiro e 3 de Março.


14 de dezembro de 2018

As contas rumo aos Jogos Olímpicos

Portugal vai este fim-de-semana procurar somar mais uns valiosos pontos rumo ao objectivo de apurar pela primeira vez atletas de ciclismo de pista para os Jogos Olímpicos. A qualificação é longa e as contas dependem de vários factores. Porém, o seleccionador Gabriel Mendes, que sido um dos mentores do sucesso desta vertente que tem crescido nos últimos anos no país, está confiante que o feito inédito é possível, mas ainda há muito trabalho pela frente.

A quarta etapa da Taça do Mundo realiza-se em Londres, com a Equipa Portugal a marcar presença no madison e no omnium, as duas disciplinas em que procura a qualificação olímpica. Maria Martins também terá a oportunidade de estar presente, no que poderá ser o início de um feito também no feminino.

Mas afinal, como se processa esta qualificação? Está tudo interligado, ou seja, há que estar bem nas Taças do Mundo, para reforçar os rankings, para assim se estar nos Mundiais, que têm o maior peso quando se quer estar em Tóquio2020. O Campeonato do Mundo é a competição que dá mais pontos, pelo que haverá dois: o que finaliza esta temporada de 2018/19 e o de 2019/20 para influenciar o ranking olímpico.

O Campeonato da Europa também entra nas contas, enquanto as Taças do Mundo, são as melhores três de cada temporada que vão ser contabilizadas no ranking olímpico. De salientar que as selecções têm obrigatoriamente de fazer uma fora do seu continente, ou seja, Portugal não pode fazer apenas as Taças do Mundo na Europa, se assim fosse, só contariam duas.

Para se conseguir o apuramento para as Taças do Mundo, interessa o ranking indivual dos atletas, que entra depois para o ranking nações, com as pontuações dos três melhores ciclistas.

Apesar do objectivo de qualificação dos Jogos Olímpicos ser um dos principais, Gabriel Mendes fala em Tóquio2020 como algo a alcançar a médio prazo, porque salientou ao Volta ao Ciclismo como a Equipa Portugal entra nas competições para as discutir, sejam disciplinas olímpicas, ou não (a perseguição individual, na qual Ivo Oliveira é vice-campeão europeu e mundial, não está no programa olímpico). Portanto, há Mundiais e Europeus para se preparar antes dos Jogos.

Mas continuando com o processo de qualificação para Tóquio. Portugal procurar agarrar uma vaga no madison e omnium, ou pelo menos nesta última disciplina. Se conseguir no madison, automaticamente terá um ciclista no omnium.

São 16 as vagas no madison, sendo que oito são preenchidas pelas nações que se apurarem na perseguição por equipas. Ou seja, Portugal olha para as restantes oito vagas. "Está a correr bem. Temos dois oitavos lugares na prova de madison, no omnium temos um 11º e o Rui fez 16º na última Taça do Mundo [em Berlim] e ainda temos três Taças do Mundo para melhorar resultados", referiu Gabriel Mendes, que realçou a necessidade de melhorar no omnium. "É um processo passo a passo", referiu quanto à qualificação.

No ranking olímpico, Portugal é neste momento, antes do início da Taça do Mundo de Londres, 15º classificado, com 1550 pontos, não estando longe dos adversários imediatamente acima, como Irlanda (1620) e Bielorrússia (1720), por exemplo. Já no omnium, Portugal ocupa a 23º posição no ranking olímpico, com 515 pontos.

De referir que competições como o recente Troféu Internacional Município de Anadia também têm pontos em jogo, mas menos do que os dados em Taças do Mundo, Europeus e Mundiais.

O seleccionador está confiante que a qualificação pode mesmo ser uma realidade, ainda que se esteja numa fase inicial: "Estamos a fazer o nosso trabalho e estamos a fazer bem." Os gémeos Oliveira têm uma vital importância neste processo, sendo o rosto do ciclismo de pista que, no entanto, tem outro elemento essencial. João Matias é já um valor mais do que confirmado, com César Martingil a ser aposta constante, preparando-se para a estreia em Taças do Mundo este fim-de-semana.

Ivo e Rui estão a cerca de 15 dias de vestir pela primeira vez o equipamento de uma formação do World Tour. Os gémeos vão representar a UAE Team Emirates, mas a pista irá continuar a ser aposta para ambos. Gabriel Mendes garantiu que não haverá problemas em conciliar a pista e a estrada. "É uma questão de planeamento e nós trabalhamos com a equipa para podermos lutar por este objectivo. Eles são fundamentais. A equipa está a colaborar nesse plano trabalho. Não vejo problemas", disse. O seleccionador deu o exemplo do que aconteceu com o italiano Elia Viviani, que conciliou a pista e a estrada e tanto a equipa como a selecção ficaram a ganhar. O mesmo pode acontecer com a UAE Team Emirates, pois, para Gabriel Mendes, também sai valorizada com o sucesso de Ivo e Rui na pista.

Maria Martins com oportunidade de ouro

Com o ciclismo feminino a anos-luz do masculino em Portugal, Maria Martins é neste momento a grande referência no que a pista diz respeito. Aos 19 anos vai quebrando barreiras, tentando ser uma pioneira nesta vertente. Apesar da idade, já compete em elite e recebeu a oportunidade de ouro de ir à Taça do Mundo de Londres.

Voltamos a fazer contas. "Não obtivemos qualificação por vaga para a Taça do Mundo, somos a reserva número cinco na prova de omnium e a Maria tem a possibilidade de competir, uma vez que houve países que não fizeram uso da quota", explicou Gabriel Mendes. Isto significa que Maria Martins tem a possibilidade de pontuar para o ranking olímpico, no qual já tem um nono lugar conquistados nos Europeus. Por outro lado, um bom resultado permite subir no ranking individual e ambicionar estar nos Mundiais. A maior parte da quota é preenchida por quem se apura via ranking das nações, mas, como afirmou o seleccionador, 1/3 é preenchida pelo ranking individual e é aí que entra Maria Martins.

Numa ambição maior, se conseguir um lugar no Campeonato do Mundo, podem começar a abrirem-se as portas para uma possível qualificação olímpica, o que seria mais um feito inédito. Nesta caso, estamos a falar numa presença na disciplina do omnium, com Maria Martins a ocupar a 36ª posição no ranking, com 900 pontos, mas também com algumas adversárias acima da ciclista portuguesa na tabela a estarem muito perto.

Taça do Mundo de Londres

César Martingil e Maria Martins vão então fazer a sua estreia nestas competições este fim-de-semana. O ciclista da Liberty Seguros-Carglass e que irá mudar-se para o Sporting-Tavira em 2019, vai formar dupla com Miguel do Rego (CM Aubervilliers) no madison, numa prova marcada para as 18:45 de sábado.

João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) vai competir no omnium no domingo: scratch às 9:45, corrida tempo às 12:20, eliminação às 15:10 e corrida por pontos às 17:05.

Quanto a Maria Martins é no sábado que estará em acção no omnium: scratch às 9:45, corrida tempo às 12:20, eliminação às 15:10 e corrida por pontos às 17:05.


5 de dezembro de 2018

Fim-de-semana prolongado de ciclismo de pista em Anadia

(Fotografia: António Borga/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Tudo preparado para mais uma edição do Troféu Internacional Município de Anadia. O espectáculo do ciclismo de pista está de regresso ao Velódromo Nacional, com a competição que inclui disciplinas olímpicas a atrair muitos ciclistas estrangeiros, mas com as principais figuras portuguesas a marcarem também presença de sexta-feira a domingo. A entrada é gratuita para o público assistir a uma modalidade na qual Portugal está a procurar marcar presença pela primeira vez nos Jogos Olímpicos.

Colocada num calendário entre duas etapas da Taça do Mundo, Berlim e Londres, a competição de Anadia é uma oportunidade para muitos atletas apurarem a sua forma a pensar nos desafios que têm pela frente, com Tóquio2020 a estar cada vez mais no pensamento de todos. Estão confirmados 168 inscritos, oriundos de 27 países: Argélia, Argentina, Azerbaijão, Barbados, Canadá, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos da América, França, Grã-Bretanha, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, México, Nova Zelândia, Polónia, Portugal, Roménia, Rússia, Suécia, Suíça e Uzbequistão.

A Equipa Portugal contará com um dos reforços do Sporting-Tavira, César Martingil (Liberty Seguros-Carglass), com Maria Martins (Sopela Women Team) e Miguel do Rego (CM Auberviliers). Mas estarão mais três portugueses presentes, em representação das suas equipas e que são presenças habituais na selecção: Ivo e Rui Oliveira (Hagens Berman Axeon) - que também farão provas pela equipa nacional - e João Matias (Vito-Feirense-BlackJack).

Os últimos dois estiveram no último fim-de-semana em Berlim. A dupla ficou na oitava posição na prova de madison. No omnium, Rui Oliveira foi 16º, tendo competido debilitado devido aos problemas gastrointestinais que sofreu durante a semana.

O programa do Troféu Internacional Município de Anadia inclui então provas das disciplinas olímpicas de madison, omnium, velocidade e keirin, além de perseguição individual, corrida por pontos e scratch.

Na sexta-feira as corridas realizam-se entre as 14:00 e as 19:30. No sábado começam às 9:30 até às 13:00 e depois das 16:00 às 19:30. Para terminar, no domingo, as provas estão agendadas para o período entre as 9:30 e as 15:00.

Em paralelo vai disputar-se no sábado o Campeonato Nacional Universitário de Pista nas disciplinas de perseguição individual e de scratch, corridas que estão marcadas para as 12:30 e para as 16:00.

Na próxima semana (15 e 16 de Dezembro), a Equipa Portugal segue para Londres para a quarta ronda da Taça do Mundo. O seleccionador Gabriel Mendes pré-convocou César Martingil, João Matias e Miguel do Rego, que irão competir nas provas de madison e de omnium.

»»Perfis das etapas da 45ª Volta ao Algarve««

»»André Carvalho assina pela Hagens Berman Axeon««

22 de novembro de 2018

Um Edgar Pinto livre de azares e um João Matias cada vez mais líder

Há um ponto que se tem de destacar de imediato na temporada da Vito-Feirense-BlackJack: Edgar Pinto teve finalmente uma época sem incidentes . Isto é, sem quedas, sem furos, sem os azares que pareciam persegui-lo. O que é que isso significou? Vitórias! E também disputar a Volta a Portugal, ou pelo menos, discutir o pódio. Depois houve um João Matias cada vez mais confiante, cada vez mais forte e cada vez mais com perfil de líder. Numa época em que houve mais um recomeçar da estrutura, Joaquim Andrade conseguiu que a sua equipa tivesse os seus momentos, tendo ido a Madrid conquistar o maior dos feitos da temporada.

2018 marcou o regresso do Feirense ao ciclismo, para assim festejar o centenário do clube. Muito se recordou a vitória na Volta de Fernando Carvalho, mas a equipa que viu Joaquim Andrade assumir a responsabilidade de a liderar, quis mais do que pensar na Volta. Neste recomeço da estrutura - que foi em parte a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack em 2017 - o antigo ciclista juntou alguns jovens corredores do Sport Ciclismo S. João de Ver aos mais experientes, para assim dar continuidade à formação feita no clube.

Porém, a responsabilidade de alcançar resultados estava com as principais figuras, com Leonel Coutinho a ser o mais infeliz. Regressou a Portugal depois de uma passagem por Espanha (G.D. Supermercados Froiz), mas não teve uma época fácil, prejudicada por problemas físicos desde Junho. João Matias foi quem assumiu desde a primeira corrida o objectivo de tentar garantir vitórias para dar a maior tranquilidade possível à equipa e aos novos patrocinadores.

Depois de um 2017 durante o qual demonstrou ter dado um salto de qualidade no seu ciclismo, Joaquim Andrade deu-lhe um papel de maior destaque e João Matias não teve problemas em assumi-lo. Discutiu várias corridas, ainda que o triunfo só tenha chegado em Julho, na quinta etapa do Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Mas a sua atitude, a forma como disputa cada quilómetro faz dele um ciclista que o director desportivo confia e Matias não desiludiu.

Talvez tenha ficado um pouco desiludido por não ter conseguido uma tão desejada vitória de etapa na Volta a Portugal, depois de há um ano ter sido uma das revelações, ainda que num terreno que não é a sua especialidade. Esteve muito tempo vestido de azul, como líder da montanha, numa estreia na corrida inesquecível. Não ganhou este ano, mas entrou nas discussões ao sprint e foi muito importante no trabalho colectivo.



Ranking: 6º (1330 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo a Volta à Comunidade de Madrid)
Ciclista com mais triunfos: Edgar Pinto (3)

E quando se fala do colectivo, Ricardo Vale e Luís Afonso desempenharam o seus papéis, com Vale a recuperar o bom caminho da sua carreira, depois de um 2017 complicado na Rádio Popular-Boavista, devido a lesão. E o veterano Hugo Sancho não pode ser esquecido.

Mesmo sem ter uma equipa que pudesse ombrear com a W52-FC Porto ou o Sporting-Tavira, por exemplo, a Vito-Feirense-BlackJack conseguiu ter o melhor de Edgar Pinto. Ganhar na Volta ao Alentejo foi o primeiro sinal que o ciclista, de 33 anos, estava recuperado da terrível queda na Grandíssima em 2017, em mais um dos azares que o afectaram quando estava em boa forma.

O ponto alto chegou em Espanha. Edgar Pinto venceu a primeira etapa da Volta à Comunidade de Madrid e acabaria por conquistar a geral, numa prova muito disputada, em que os 18 primeiros acabaram com o mesmo tempo. O corredor levou para casa um enorme troféu e uma confiança reforçada para a Volta a Portugal. Tentou o pódio, mas faltou-lhe estar melhor no contra-relógio e acabou por ficar muito só - esperava-se mais do marroquino Soufiane Haddi na ajuda ao líder -, quando as etapas de montanha foram atacadas, ainda que tenha estado quase sempre na frente. Foi uma Volta muito positiva para Edgar Pinto: em 11 etapas, terminou oito no top dez, tendo sido segundo na Senhora da Graça.

Errazkin teve um sabor agridoce para a Vito-Feirense-BlackJack. Ganhou a classificação da juventude na Volta, mas o resultado anómalo da substância terbutalina, detectado numa amostra recolhida durante Grande Prémio Abimota, não foi a melhor das notícias para terminar a temporada. O jovem espanhol, de 22 anos, realizou uma segunda parte de época muito forte e, por isso, Joaquim Andrade mantém a confiança em Errazkin, que irá manter-se no plantel para 2019. De salientar que a substância não está entre as que dão origem a uma suspensão provisória enquanto o processo decorre.

A Vito-Feirense-BlackJack teve assim uma temporada em que seria difícil pedir mais. A vitória em Madrid até foi mais do que seria de esperar e foi importante para garantir que o projecto possa continuar, procurando uma estabilidade que permita que 2019 possa ser ainda melhor.

Porém, a equipa perderá Edgar Pinto, que irá para a W52-FC Porto, mas Joaquim Andrade foi contratar ciclistas interessantes, a começar por Oscar Pelegrí, que apesar da boa temporada na Rádio Popular-Boavista - ganhou o Grande Prémio Abimota, por exemplo -, não viu o seu contrato ser renovado. Outro espanhol, Jesus del Pino, é um excelente ciclista de equipa e que também tem capacidade para entrar em fugas e disputar bons resultados. Nos últimos dois anos foi um dos homens de confiança na Efapel.

Da formação Aviludo-Louletano-Uli chega Rui Rodrigues, que poderá procurar um pouco mais de liberdade. A maior surpresa foi o alemão de 30 anos, Bjorn Thurau (Holdsworth Pro Racing). É um corredor que representou equipas como a Europcar (actual Direct Energie) ou a Bora-Argon 18 (então Profissional Continental, sendo agora a Bora-Hansgrohe). Experiência não lhe falta.

Juntam-se ao plantel os juniores Pedro Andrade e António Ferreira, com João Barbosa a chegar da Maia. Permanecem João Matias - que com a saída de Edgar Pinto, assumirá ainda mais o papel de líder -, Xuban Errazkin, Luís Afonso, João Santos, Bernardo Saavedra.

Para terminar: Filipe Cardoso. É uma das principais transferências em Portugal, não fosse ele um dos ciclistas mais populares do pelotão. Depois de duas épocas na Rádio Popular-Boavista, o corredor aceitou um novo desafio e aos 34 anos não se espera outra coisa que não seja ser igual a si mesmo.

Sempre disponível para ajudar, está ainda mais disponível para animar corridas, dar espectáculo e ser um autêntico relações públicas em cima da bicicleta das equipas que representa. Tal como Matias, tem um espírito que contagia, numa equipa que terá mais ciclistas com capacidade de ganhar, ainda que não tenha um claro substituto para Edgar Pinto. Cardoso completa um conjunto com ciclistas quase todos com características de lutadores, daqueles que não baixam os braços nem por nada.

Veja aqui todos os resultados da Vito-Feirense-BlackJack em 2018 e das restantes equipas nacionais.