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16 de dezembro de 2019

"Quero ir atrás dos meus resultados"

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Rafael Reis prepara-se para ser o líder do Feirense, que contará com uma equipa muito jovem, aumentando a responsabilidade do ciclista de 27 anos. Depois de representar a W52-FC Porto e a espanhola Caja Rural, assina por uma formação com uma estrutura bem diferente, mas não hesita em afirmar que considera ser a melhor opção. Garante que se sente muito motivado para mostrar o seu valor e para agarrar a oportunidade de poder ser o chefe-de-fila em praticamente todas as corridas.

"Acho que vai ser bastante benéfico para mim. Todos sabem que a W52-FC Porto é a melhor equipa nacional e nem vale a pena estar com rodeios, mas no Feirense tenho mais probabilidade de poder ser sempre o líder. O [director desportivo] Joaquim Andrade deu-me a oportunidade de poder fazer isso e estou muito contente com essa opção. Espero vingar no próximo ano", salientou Rafael Reis ao Volta ao Ciclismo.

O corredor compreende que se olhe para esta escolha como um passo atrás numa carreira que o levou a estar dois anos na equipa que tem dominado o ciclismo nacional (2016 e 2019) e outros tantos numa das de referência em Espanha, a Caja Rural, tendo feito uma Volta a Espanha. "São caminhos... As coisas às vezes não correm como estamos à espera. Acho que é uma situação normal. Não sou o primeiro, nem serei o último a quem isto acontece. As coisas são assim. Há que dar a volta. Ainda só tenho 27 anos", disse, sem qualquer tipo de lamentos. Agora quer viver mais a pensar no presente, pois considera que olhar muito para o que o futuro pode ou não ser, "pode prejudicar um pouco as coisas".

"Quero ir atrás dos meus resultados", realçou, recordando como na primeira passagem pela W52-FC Porto teve oportunidades e foi uma temporada recheada de vitórias. "Agora vamos esperar conseguir fazer o mesmo e aguardar pelos momentos certos para fazer a diferença." Rafael Reis referiu como é altura de "ir com calma" e tentar apostar noutro tipo de terrenos, como a montanha: "Não perdi ambição!" 


"Ficar na W52-FC Porto e não fazer a Volta... Agora [a formação] é Continental e a equipa para a Volta está feita. Acho que não fazia sentido ficar"

É um contra-relogista por excelência e em 2018 vestiu a camisola amarela da Volta a Portugal depois de vencer o prólogo, tal como havia acontecido em 2016. Este ano ficou de fora da prova, mas era algo que sabia que iria acontecer, com o ciclista a salientar que ir à China era uma viagem que desejava fazer. "[A Volta ao Lago Qinghai] era de nível mais alto do que a Volta a Portugal, com 13 dias - das maiores a seguir às grandes voltas - e fiquei muito contente com a experiência. Se calhar não vou voltar a fazer esta corrida. Não estou arrependido de ter ido à China", contou. Aliás, o calendário mais internacional que acabou por fazer esta época foi algo que lhe agradou quando assinou por uma W52-FC Porto do escalão Profissional Continental.

No entanto, Rafael Reis recordou como o projecto era suposto ter mais anos, mas só durou um. E com o regresso ao terceiro nível, o número de ciclistas na equipa foi reduzido e o calendário passará novamente mais por Portugal, ainda que com umas visitas ao estrangeiro. "Ficar na W52-FC Porto e não fazer a Volta... Agora é Continental e a equipa para a Volta está feita. Acho que não fazia sentido ficar", afirmou.

É tempo de olhar para 2020 e utilizar a experiência que já tem ao serviço de um Feirense que muito dependerá de Rafael Reis. Só mais três ciclistas - Gonçalo Amado, Fábio Oliveira e o espanhol Óscar Pelegrí - não são sub-23 e Rafael será o veterano da equipa: "Estou mesmo muito motivado por estar no Feirense." A equipa de Joaquim Andrade perdeu patrocinadores e com um orçamento mais pequeno, foi preciso proceder a uma reestruturação, apostando ainda mais em corredores que estão em fase de formação.

Mas antes de terminar a conversa com Rafael Reis, falou-se de Ruben Guerreiro. São amigos e muitas vezes companheiros de treino. Rafael não escondeu o orgulho que sentiu ao ver Guerreiro realizar uma Volta a Espanha de tão alto nível. "Ele perguntou-me como foi quando eu estive lá e eu contei-lhe a minha experiência", recordou, frisando que não duvida que assinar pela EF Education First foi uma excelente escolha do amigo: "Vai tudo correr seguramente bem!"

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13 de dezembro de 2019

"Em África também temos muitos ciclistas talentosos"

(Fotografia: © Team Astana)
Merhawi Kudus tornou-se numa das referência do ciclismo africano, sendo um dos ciclistas que ascendeu ao mais alto nível no projecto da MTN-Qhubeka (Dimension Data no World Tour). Até parece difícil acreditar que Kudus ainda nem tenha completado 26 anos, pois há muito que se fala dele e se olha para este ciclista como um dos africanos que poderá vencer em grandes corridas. Na Astana encontrou uma equipa à sua medida e depois de um 2019 de adaptação, está preparado para mais responsabilidade e procurar concretizar um dos seus objectivos de carreira: ganhar uma etapa na Volta a França. 

O eritreu esteve recentemente em Portugal, a convite da comissária internacional portuguesa Isabel Fernandes, uma profunda conhecedora do ciclismo africano, com uma vasta experiência em corridas realizadas naquele continente. Kudus foi um dos ciclistas presentes na Gala dos 120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo, um momento de descontracção antes de começar o trabalho para 2020. A Astana demonstrou confiar em Kudus, o primeiro africano a representar esta formação, ao renovar o contrato por dois anos e o ciclista quer retribuir essa aposta com boas exibições e resultados.

Com Rui Costa e Ruben Guerreiro, por exemplo, também presentes na gala, Kudus deixou um elogio: "Os portugueses são dos ciclistas de maior nível no mundo, como se pode ver com o Rui Costa e outros corredores. São muito talentosos." Mas não hesitou em dizer ao Volta ao Ciclismo: "Em África também temos muitos ciclistas talentosos, mas não existem as oportunidades como as que existem na Europa. É uma diferença enorme." Kudus considera essencial que os jovens corredores possam "ter acesso ao básico". "Temos de passar por todos os passos desde os juniores, nos sub-23 e temos de nos adaptar a todas as condições."


"É muito fácil trabalhar com Alexander Vinokourov. Ele é muito directo e muito organizado"

Kudus teve essa possibilidade de adaptar-se a uma dura realidade como é a do ciclismo, com todo o apoio necessário, quando integrou a MTN-Qhubeka em 2014, estreando-se logo nesse ano na Vuelta, que entretanto já fez por quatro vezes. Em 2015 foi ao Tour - nesse ano o seu companheiro e compatriota Daniel Teklehaimanot fez história ao vestir a camisola da montanha durante quatro dias - e em 2016, já com a equipa como World Tour, o eritreu foi ao Giro. Evoluiu numa estrutura que tinha como objectivo abrir as portas aos ciclistas africanos. Mas a Astana foi um passo desejado.

"Foi uma grande mudança, pois há uma grande diferença entre as equipas. Na Dimension Data apostam mais nos sprinters e na Astana luta-se mais pelas classificações gerais. Claro que, dadas as minhas características, eu prefiro a Astana", salientou. Trabalhar com Alexander Vinokourov, o director da estrutura cazaque é "super fácil", segundo Kudus: "É muito fácil trabalhar com ele. Ele é muito directo e muito organizado."

A primeira temporada deste puro trepador na Astana foi positiva, vencendo duas etapas e a geral na Volta ao Ruanda, além de boas prestações em provas do World Tour, quase sempre na ajuda aos seus líderes. Contudo, não foi a nenhuma corrida de três smeanas. Por isso, para 2020 tem desde logo um objectivo: "Quero voltar a uma grande volta. Após o estágio vou saber o meu calendário, mas sim, quero estar numa das grandes voltas." E quando se fala do que mais gostaria de concretizar na carreira, Kudus responde rapidamente: "É muito difícil competir nestas corridas, principalmente tendo em conta que compito muito nas de World Tour. Mas o que eu gostaria era de ganhar uma etapa na Volta a França."

Perante a sua afirmação ao mais alto nível, as pedalas de Kudus são seguidas com atenção no seu país. O próprio contou que na Eritreia o ciclismo é das modalidades mais populares e que se procura saber as notícias sobre ele e outros atletas. "Estamos a inspirar os jovens para tentarem ser ciclistas", frisou.

Natnael Berhane (Cofidis) e Amanuel Ghebreigzabhier (Dimension Data), por exemplo, são outros compatriotas de sucesso e a Eritreia é o país africano que vai estando mais representado no ciclismo além da África do Sul. Neste caso, Daryl Impey (Mitchelton-Scott) ainda este ano venceu uma etapa na Volta a França, enquanto Louis Meintjes (Dimension Data) já fez top dez. Porém, fora deste país - da Dimension Data -, ainda há muito potencial por descobrir, mas aos poucos, ciclistas como Kudus vão abrindo caminho e mostrando o que o ciclista africano pode fazer aos mais alto nível se lhe for dada essa oportunidade.

E se o Ruanda conseguir organizar os Mundiais de 2025 - já apresentou a candidatura -, percebe-se porque tal é visto como um potencial ponto de viragem para o ciclismo africano.

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10 de dezembro de 2019

"Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade"

(Fotografia: © Team Katusha-Alpecin)
Foi apenas um ano na Katusha-Alpecin, mas Ruben Guerreiro considera que a experiência foi muito importante para a sua carreira e até o ajudou a redescobrir o potencial para ser um ciclista de topo nas provas por etapas, a pensar nas grandes voltas. A Vuelta marcou-o de tal forma que só pensa em regressar a uma corrida de três semanas. Prepara-se para mudar novamente para uma equipa americana. Na EF Education First não tem dúvidas que terá as suas oportunidades e é o próprio a dizer: "Porque não afirmar-me como corredor por etapas?"

Aos 25 anos (faz 26 em 2020) sorri ao recordar que já não vai contar mais para as classificações da juventude, mas rapidamente acrescenta que ainda é um jovem com muito para evoluir. Não esconde como as boas prestações na Volta a Espanha o motivaram ainda mais para trabalhar e alcançar os objectivos que tem na carreira. Um deles é ganhar uma etapa numa grande volta e olha também para a classificação geral: "Espero todos os anos fazer uma grande volta e porque não um dia fazer um top dez? Ficaria um palmarés bonito. Vou lutar por esse objectivo."

As fugas que integrou, estar por duas vezes perto de conquistar uma etapa na Vuelta (foi segundo na 15ª), mas principalmente a forma como o seu corpo reagiu à alta montanha e teve a recuperação necessária para estar ao mais alto nível durante três semanas, foram momentos decisivos para Ruben Guerreiro perceber que pode mesmo ambicionar a este tipo de corridas. "A certa altura da carreira não pensava que fosse possível, mas acho que depois da Volta a Espanha posso acreditar outra vez", admitiu ao Volta ao Ciclismo. O Tour recolhe a sua preferência, até porque realiza-se no mês em que faz anos, como realçou. Contudo, não se importa rigorosamente nada em ir ao Giro e/ou Vuelta, agora que inicia nova etapa na sua vida.


"Gostam da minha maneira de correr [na EF Education First]. Vou trabalhar imenso para os ajudar e espero que me ajudem também"

Com o final da Katusha-Alpecin - a licença World Tour foi comprada pela Israel Cycling Academy - e com vínculo apenas até ao final de 2019, a prestação na Vuelta tornou Ruben Guerreiro num ciclista mais pretendido, com a EF Education First a contratá-lo. Depois da então Axeon Hagens Berman e a Trek-Segafredo (equipa com que se estreou no escalão principal) é o regresso aos Estados Unidos. "Acho que me dou bem com a cultura e com o ciclismo americano", disse, acrescentando que os dois anos de contrato dão-lhe alguma tranquilidade para trabalhar, ainda que não tenha problema em competir sob pressão. "Acho que vou ter as minhas oportunidades e que foi a melhor opção."

Quando foi apresentado como reforço da equipa, o director Jonathan Vaughters descreveu o português como "ousado", mas com o talento para justificar essa forma de ser. Ruben Guerreiro espera precisamente poder manter a sua forma de ser e a sua forma de enfrentar as corridas. "Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade", salientou. E acrescentou: "Gostam da minha maneira de correr [na EF Education First]. Também não posso consigo mudar muito. Vou trabalhar imenso para os ajudar e espero que me ajudem também."

Apesar de desejar estar em pelo menos uma das grandes voltas na próxima temporada, o campeão nacional de 2017 não quer afastar-se das clássicas, pois referiu como uma Strade Bianche e as Ardenas lhe assentam bem.

Depois de duas temporadas na Trek-Segafredo com aspectos muito positivos, mas também com quedas ou problemas de saúde a impedirem Ruben Guerreiro de ser mais regular, o português escolheu mudar-se para a Katusha-Alpecin e não hesita em afirmar: "Acho que foi importante para perceber como estava como corredor. Na Trek-Segafredo acho que poderia ter o mesmo espaço, mas o apoio de José Azevedo foi fundamental. Podemos perceber inglês, mas ouvir português conta muito. Foi um ano para analisar, para tentar evoluir e reencaminhar a minha carreira outra vez."


"Foi uma pena que as coisas tivessem terminado assim, mas cresci mais um pouco como ciclista"

Havia mais um compatriota na equipa, o ciclista José Gonçalves, mas o director José Azevedo acabou por ser um apoio essencial para que Ruben Guerreiro chegasse à Vuelta a acreditar que poderia mostrar-se, depois da desilusão de ter ficado fora do Tour. Apesar de ter sido a época mais regular desde que chegou ao World Tour, ainda assim houve uma clavícula partida que contribuiu para adiar o sonho da Volta a França.

Azevedo também teve influência quando o futuro da Katusha-Alpecin começou a ficar muito incerto. A situação não foi fácil de lidar. "Notava-se muito com desenrolar do ano e muitos corredores foram afectados por isso. Eu fui fazendo o meu trabalho e os directores incentivaram-me bastante, tal como o fez José Azevedo. Tentei sempre fazer o meu caminho. Foi uma pena que as coisas tivessem terminado assim, mas cresci mais um pouco como ciclista e tenho de lhes agradecer por este ano na equipa", frisou.

Quando chegou ao World Tour foi considerado por muitos um dos jovens a seguir com atenção. Depois de prestações muito animadoras - dá-se muito bem com os ares da Austrália - a definitiva afirmação poderá ter começado com a estreia numa grande volta, que finalmente aconteceu este ano. Vai para uma equipa que está a apostar em vários ciclistas jovens, como são os casos dos colombianos Daniel Martínez e Sergio Higuita, Hugh Carthy, Sean Bennett e vai chegar Neilson Powless da Jumbo-Visma, assim como o sprinter da Ineos, Kristoffer Halvorsen. Rigoberto Uran, Michael Woods e Sep Vanmarcke, continuam a ser a voz da experiência de uma estrutura que encontrou estabilidade financeira desde que o actual patrocinador investiu no ciclismo e que em 2019 teve como um ponto alto a conquista de um monumento: a Volta a Flandres, por intermédio de Alberto Bettiol.

Ruben Guerreiro reforçará essa aposta nos mais jovens da EF Education First e depois do estágio de Dezembro, o ciclista português ficará a conhecer melhor o seu possível calendário que não passará pela Volta ao Algarve, já que a equipa não elegeu a corrida do sul do país para competir no arranque da temporada.

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2 de dezembro de 2019

"Talvez seja das provas mais duras em que vou representar o meu país"

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Rui Costa não só está com os olhos postos no futuro próximo, como até já fez uma viagem a Tóquio para começar a prepará-lo muito bem. No entanto, houve tempo para regressar um pouco ao passado e aquele 29 de Setembro de 2013, dia em que o desporto português viveu um dos seus momentos mais importantes, foi recordado e originou mais uma homenagem. É a data marcante em que Rui Costa sagrou-se campeão do mundo. Na gala dos 120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo, o poveiro foi um dos destaques e não escondeu a emoção de rever as imagens de quando bateu ao sprint o espanhol Joaquim Rodríguez. No entanto, falou-se do futuro próximo e de como os Jogos Olímpicos estão entre as prioridades do ciclista, que inclusivamente está a ponderar se fazer a sua querida Volta a França é ou não a melhor opção a pensar em Tóquio2020.

"Tóquio é um bom objectivo. Vão ser uns Jogos muito complicados. Muito duros. Talvez seja das provas mais duras em que vou representar o meu país. É um percurso de 240 quilómetros com quase cinco mil metros de desnível positivo. Isso demonstra a dificuldade que vai ter a corrida e isso requer que se esteja na melhor condição física", realçou Rui Costa ao Volta ao Ciclismo. E o ciclista sabe bem do que está a falar, pois viajou com Nelson Oliveira (a aposta para o contra-relógio e preciosa ajuda para a prova de estrada) e o seleccionador José Poeira para fazer o reconhecimento.

A corrida olímpica está marcada para 25 de Julho, ou seja, seis dias após o final da Volta a França. Esta viagem foi assim muito importante para que Rui Costa pudesse perceber não só o que o espera, mas para melhor estudar o seu calendário para chegar a Tóquio na melhor forma. Fica claro como conquistar uma medalha olímpica (feito alcançado por Sérgio Paulinho em Atenas2004 - prata) é algo que vai concentrar muita da atenção de Rui Costa. "Ainda não sei ao certo que tipo de calendário vou fazer a nível de preparação para os Jogos, mas qualquer decisão vai ser certamente a pensar na melhor trajectória para chegar a Tóquio em boa condição física", salientou. E acrescentou: "No fundo, acho que uma coisa que me está a deixar talvez um pouco indeciso é se vou fazer o Tour ou não para chegar na minha melhor condição. Esse será o ponto que terei de reflectir bem."

"Acredito que o Tour seria bom [como preparação], mas nunca para o terminar"

Paixão vs razão. Ou seja, de um lado está o conhecido gosto que o português, de 33 anos, tem pela Volta a França, mas por outro está o facto de não haver muito tempo de recuperação entre o Tour e os Jogos Olímpicos. E há que contar com os quase 10 mil quilómetros que separam as duas cidades e a diferença horária de mais oito horas na cidade japonesa, comparativamente com Paris. Rui Costa realçou como será necessário um maior período de adaptação precisamente por essa última razão, mas não significa que irá excluir a Volta a França do seu calendário em 2020: "Acredito que o Tour seria bom [como preparação], mas nunca para o terminar."

A decisão será feita no próximo estágio da UAE Team Emirates, com a Volta a Itália a ser uma hipótese que não estará afastada. Certo será a aposta nas clássicas que tanto aprecia, com o monumento da Liège-Bastogne-Liège, no qual já fez pódio, sempre entre as principais preferências: "É uma das clássicas que as pessoas que me conhecem sabem que gostava de ganhar e para o ano não vai fugir aos meus objectivos. Este ano devido a uma queda que tive na preparação para as clássicas, atrapalhou-me a condição e a minha forma física veio a sair depois na Romandia." A corrida Suíça foi dos seus melhores momentos de 2019, sendo segundo em duas etapas e repetindo essa posição no final, atrás de uma das grandes figuras da época: Primoz Roglic (Jumbo-Visma).

Questionado se estaria a perder protagonismo na UAE Team Emirates, Rui Costa recordou como tem sido difícil ter temporadas sem percalços, com a de 2019 a ficar marcada com o acidente com um camião durante um treino, em Março. "Eu acredito que quando se faz uma certa preparação para certas competições, para se chegar nas melhores condições aos nossos objectivos, requer que até lá tudo corra bem. Muitas vezes, ou por doença ou por uma queda, não chegamos nas melhores condições. Nos últimos anos isso tem acontecido muito. Mas pronto, é passado. Tenho uma nova temporada e estou já a prepará-la. O que quero é definir os meus objectivos e prepará-los da melhor maneira", afirmou.

E será que essa preparação vai passar pela Volta ao Algarve? Desde 2014, quando vestia a camisola do arco-íris, que Rui Costa não inclui a Algarvia nos seus planos: "Possivelmente o próximo ano pode ser o meu regresso à Volta ao Algarve. Gostava muito. Ainda não sei o meu calendário, mas acredito que em 2020 possa ser uma das provas que irá estar no meu calendário." Há que esperar pela confirmação oficial, não esquecendo que a UAE Team Emirates é uma das sete equipas World Tour já confirmadas na corrida.

"[Os gémeos Oliveira] são jovens com muito talento. Certamente que na estrada vão dar um salto de qualidade muito maior"

É um regresso desejado para os adeptos portugueses, que ainda recentemente elegeram a sua vitória em Florença em 2013 como um dos oito momentos mais importantes do desporto nacional. A votação online realizada pelo jornal Record deu origem a uma exposição no NewsMuseum, no Centro Histórico de Sintra, em que a conquista de Rui Costa surge ao lado do golo de Éder que deu a Portugal o título europeu de futebol em 2016 e as medalhas olímpicas de ouro na maratona de Carlos Lopes (1984) e Rosa Mota (1986), por exemplo.

Rui Costa foi um dos quatro ciclistas homenageados pela Federação Portuguesa de Ciclismo, na gala dos 120 anos que decorreu no último sábado, no Fórum Lisboa. O nome do poveiro surgiu ao lado de José Bento Pessoa, Alves Barbosa e Joaquim Agostinho. "São nomes de peso do ciclismo português, que deram muito ao país. São motivo de orgulho para todos nós. Um exemplo para esta nova geração. Sinto-me muito feliz com este reconhecimento e é mais um motivo de força para continuar a fazer o meu trabalho diariamente", afirmou.

No vídeo que recordou a história do ciclismo nacional focado nestas figuras e sem esquecer José Maria Nicolau, Alfredo Trindade, Ribeiro da Silva, ou mais recentemente, Sérgio Paulinho e José Azevedo, entre outras, o momento da conquista do Mundial de 2013 finalizou as imagens, recordando as emotivas palavras de Rui Costa após a vitória. "São sempre imagens muito giras... Boas recordações. Foi dos momentos mais altos da minha carreira, um momento lindo com a camisola de Portugal, por isso, para mim diz tudo. Foi um orgulho enorme ter vencido o campeonato do mundo pelo nosso país", disse, agradecendo ainda o reconhecimento da Federação Portuguesa de Ciclismo.

Mas depois de se celebrar o passado, é para o futuro que se olha e ao seu lado na UAE Team Emirates, Rui Costa tem dois dos ciclistas portugueses de quem muito se espera: os gémeos Oliveira. E não tem dúvida que vão ser apostas importantes na equipa: "São jovens com muito talento. Deu para ver pelos resultados que obtiveram na pista e certamente que na estrada vão dar um salto de qualidade muito maior. Este ano já deu para ver que, principalmente o Rui, demonstrou ter evoluído muito até ao final da temporada. O Ivo teve um acidente que lhe dificultou os seus objectivos, mas tanto um como o outro são talentos muito importantes para Portugal e a equipa aposta muito neles. Tanto que tiveram um contrato de três anos e essa preparação com ambos vai ser feita da melhor maneira. Certamente que no próximo ano vão ser cartadas bem importantes."

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»»Um fenomenal Pogacar leva UAE Team Emirates a um nível mais alto««

6 de agosto de 2019

LA Alumínios-LA Sport lidera duas classificações na Volta a Portugal: "Melhor acho que era impossível"

(Fotografia: © João Fonseca Photographer / LA Alumínios-LA Sport)
O objectivo estava bem definido: vestir a camisola da montanha com David Ribeiro, o máximo de tempo possível. Porém, a meio da Volta a Portugal, a LA Alumínios-LA Sport está a superar expectativas, sendo uma das equipas em destaque na prova rainha do ciclismo nacional. Não é qualquer uma que pode dizer que divide as camisolas com a toda poderosa W52-FC Porto, ao vestir duas das quatro em discussão. O feito tem ainda mais significado quando se está perante uma formação que, sendo Continental, é sub-25 e 100% portuguesa. David Ribeiro andou desde a primeira etapa atrás da camisola azul da montanha e finalmente conseguiu-a na Guarda, antes do dia folga. Já Emanuel Duarte subiu a Torre com categoria e veste de branco, como líder da juventude. O que se pode dizer? "Melhor acho que era impossível", afirmou Hernâni Brôco.

É, naturalmente, um director desportivo feliz e muito orgulhoso do que foi alcançado. E esperançoso. É o primeiro a admitir que a sua equipa terá um desafio muito complicado para manter as duas camisolas. Contudo, garantiu que todos os ciclistas vão à luta para que pelo menos uma fiquei na LA Alumínios-LA Sport e assim haver um corredor no pódio no grande final da Volta no Porto. "O que lhes disse foi que chegámos onde chegámos e vamos desfrutar ao máximo do dia de descanso e destas duas camisolas. Agora que as temos vestidas é tentar segurá-las ao máximo e, quem sabe, chegar ao Porto de azul ou de branco. Seria fantástico ficar pelo menos com uma camisola. Sabemos que é difícil, mas vamos lutar por ela com todas as nossas forças", salientou Hernâni Brôco ao Volta ao Ciclismo.

O responsável explicou como o plano inicial era David Ribeiro repetir o feito da Volta ao Algarve, quando vestiu na primeira etapa a camisola da montanha. O basco Peio Goikoetxea começou por estragar a festa, mas Ribeiro não baixou os braços. Hernâni Brôco sabe que com chegadas na Serra do Larouco e na Senhora da Graça pela frente, além de muitas subidas pelo meio, que o seu jovem ciclista de 23 anos, não vai ter uma missão nada fácil. Entrar em fugas será essencial para manter o sonho vivo.


"É difícil gerir as emoções. Para a maior parte é a primeira Volta que fazem e em Portugal é a única prova com um mediatismo tão grande. Eles não estão habituados"

"Quanto à juventude, sabia que tinha dois atletas bastante fortes para esta camisola. Com o Emanuel, na chegada à Torre, numa subida tão longa, eu sabia que ele ia fazer diferenças", admitiu. Se o corredor de 22 anos mantiver o nível, os seus maiores adversários deverão ser dois bascos: Unai Cuadrado (21 anos, Fundação Euskadi), a 33 segundos e Urko Berrade (21, Euskadi-Murias), a 1:04 minutos. Na quarta posição surge outro português, mas Pedro José Lopes (UD Oliveirense-InOutBuild) está a mais de 15 minutos.

Agora será preciso gerir emoções num ambiente a que estes jovens ciclistas estão pouco habituados. Neste aspecto, Hernâni Brôco realça a importância de António Barbio. Os objectivos pessoais do ciclista não correram de feição e Barbio já deixou de parte a intenção de procurar um bom lugar na geral. O director desportivo afirmou que foi o próprio ciclista a dizer que queria lutar por o que a equipa já tinha. "Isso deixa-me orgulhoso e tranquilo", referiu. "É difícil gerir as emoções. Para a maior parte é a primeira Volta que fazem e em Portugal é a única prova com um mediatismo tão grande", realçou, acreditando que a equipa vai continuar à altura do desafio.

Independentemente do que venha a acontecer, a Volta a Portugal da LA Alumínios-LA Sport já terá o carimbo de muito positiva. O projecto sub-25 nasceu em 2018 e deu um salto de qualidade em 2019. Luís Almeida "deixou" a elite para apostar na formação e de ciclistas portugueses. Brôco e os seus corredores destacam sempre como o seu patrocinador nunca lhes coloca pressão para alcançar vitórias, mas o trabalho de evolução está à vista, tentando tornar-se na prova como as equipas sub-25 têm o seu espaço e o seu sucesso, apesar de não ser consensual no ciclismo nacional as vantagens deste tipo de estruturas. Além da LA Alumínios-LA Sport, estão no pelotão nacional na mesma condição a UD Oliveirense-InOutBuild de Manuel Correia e a Miranda-Mortágua de Pedro Silva.

A LA Alumínios-LA Sport vai partir para a sexta etapa com todos os seus elementos em prova e com todos focados em continuar a realizar uma Volta de sonho: 171-António Barbio, 172-Gonçalo Leaça, 173-Emanuel Duarte, 174-David Ribeiro, 175-Fábio Oliveira, 176-André Ramalho, 177-Marvin Scheulen.

6ª etapa: Moncorvo - Bragança, 189,2 km



O regresso à competição será o dia perfeito para os homens mais rápidos do pelotão aproveitarem a oportunidade para conquistar uma vitória, com as decisões na geral a começarem-se a jogar na quinta-feira, na Serra do Larouco. Daniel Mestre tem três metas volantes para defender e até tentar consolidar a sua liderança na classificação dos pontos. Soma 81, mais 29 do que o norueguês August Jensen (Israel Cycling Academy). Além de ajudar Mestre, a W52-FC Porto irá proteger a camisola amarela de Gustavo Veloso e o segundo lugar de João Rodrigues, pois aproximam-se as etapas decisivas, antes do contra-relógio final.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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23 de julho de 2019

"Não contava ser director desportivo tão no imediato, mas não tenho medo do desafio"

Está a ser um início de carreira como director desportivo auspicioso. Com apenas 27 anos e com quase todos os seus ciclistas a serem mais velhos, Rúben Pereira assumiu as rédeas da Efapel e logo com um feito: pela primeira vez a equipa venceu o Troféu Joaquim Agostinho. A estreia foi no Grande Prémio Abimota, poucos dias depois da surpreendente saída de Américo Silva. Rúben Pereira há muito que está ligado à estrutura e deixa uma garantia: "Lidar com uma equipa destas não é fácil, mas estou preparado. Sei da dimensão do desafio, da responsabilidade a que fui chamado. O desporto é mesmo assim, qualquer dia ia ter que ser. Somos uma equipa de referência a nível nacional e quando se trabalha com profissionais como os que tenho, não é difícil guiá-los."

A palavra de ordem é continuidade. A mudança na liderança não significou uma quebra com o passado recente. "Apesar da saída do Américo, não se irá mudar a estrutura, nem a maneira de trabalhar da equipa. Continuamos com um grupo fantástico, muito unido, motivados para o que se espera da época", salientou ao Volta ao Ciclismo. E a motivação está mesmo em alta.

A Efapel estava a realizar uma época muito positiva, com muitas vitórias, mas faltava conquistar uma classificação geral, com Joni Brandão a ficar perto de ganhar o Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela e o Grande Prémio Jornal de Notícias. Antonio Angulo foi segundo no Abimota, mas Henrique Casimiro venceu uma das corridas mais desejadas. "A par do JN, o Troféu Joaquim Agostinho é a mais importante antes da Volta a Portugal."

Foi uma vitória especial. Há seis anos, Casimiro tinha prometido ganhar a prova. Tinha sido terceiro e a sua mulher, grávida, havia perdido a filha. Promessa concretizada e um momento emotivo que marcou todos na Efapel.

São nove as vitórias da equipa, com mais 15 conquistas de classificações como da montanha, pontos e colectiva, por exemplo. "Os números falam por si. É das épocas que mais temos ganho. Temos um líder assumido que é o Joni Brandão e temos trabalhado com outros objectivos além da Volta a Portugal", referiu, salientando como nunca encarou os segundos ou terceiros lugares como uma derrota mas "como estando cada vez mais perto do objectivo". Agora que o objectivo foi cumprido no Troféu Joaquim Agostinho, os olhos estão postos na Volta a Portugal que começa a 31 de Julho, em Viseu.


"Nós temos um líder que é o Joni, mas o nosso capitão é o Sérgio. Ele é como se fosse um director desportivo em cima da bicicleta"

"Temos das equipas mais fortes dos últimos anos. Foi criada 100% em redor do Joni. Temos de nos assumir como candidatos. Gosto de correr de maneira diferente. Gosto de correr com humildade, respeitar os adversários. Sabemos a nossa importância, o nosso papel e vamos apresentar um bloco muito forte na Volta a Portugal em que temos as condições reunidas para estar na discussão. Vamos fazer tudo para ganhar", realçou.

Joni terá ao seu lado Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro, Rafael Silva, Bruno Silva, o uruguaio Fabricio Ferrari e o búlgaro Nikolay Mihaylov, os dois últimos reforços em 2019. Todos terão um papel essencial, mas o trio português Joni/Paulinho/Casimiro gera alguma curiosidade pela qualidade que poderá apresentar na montanha, sem esquecer um incansável Bruno Silva, sempre importante seja em que terreno for.

Aos 39 anos, Sérgio Paulinho não conseguiu fazer a passagem de gregário para líder no regresso a Portugal e será no papel que fez dele um ciclista de referência no pelotão World Tour que poderá ser essencial na ambição da Efapel. "Eu digo sempre que o Sérgio Paulinho enquanto quiser correr tem equipa. Não é um corredor que ganhe, mas que dá muito a ganhar. Tem uma experiência inabalável, uma sabedoria, uma grande leitura de corrida. Nós temos um líder que é o Joni, mas o nosso capitão é o Sérgio. Ele é como se fosse um director desportivo em cima da bicicleta. Quando lhe dizemos que o papel dele é trabalhar, o sorriso dele diz tudo. Ele tem esse gosto de dar 100% pelos colegas", realçou.

Sobre a Volta a Portugal, Rúben Pereira considera que o percurso é feito para as características de Joni Brandão e acredita que haverá luta até final, com o contra-relógio final entre Gaia e Porto até poder ser bom para o seu ciclista, que tem aprimorado esta especialidade. "Quando analisei o percurso, acho que a Volta pode ser decidida só no último dia, no contra-relógio. Este tem uma dureza que os outros não têm tido, o que pode ser o factor decisivo para nós. Se calhar a Torre é outro factor decisivo e também haver várias chegadas em alto. Será uma Volta a Portugal muito competitiva e será um nível mais igualado entre as equipas e não tão desfasado como aconteceu com a W52-FC Porto nos últimos anos."

A Efapel vai competir para tentar repetir o feito alcançado em 2012, quando David Blanco venceu a Volta a Portugal com esta equipa. Até regressou um elemento que então estava na equipa técnica. José Augusto Silva, que há dois anos foi o director da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, voltou ao ciclismo para ser adjunto. Rúben Pereira não hesita em considerar esta contratação uma mais valia, até pela experiência que José Augusto Silva traz à estrutura.


"Não quero ser melhor que ninguém, nem irei copiar outros directores desportivos. Tenho a minha ideologia, a minha maneira de trabalhar e é nessa linha que irei seguir até ao final do ano"

O ciclismo sempre fez parte da vida de Rúben Pereira. Passou por todos os escalões de formação como corredor, abandonando a carreira de atleta enquanto como sub-23, categoria em que pouco competiu. Então dedicou-se aos estudos, mas admitiu como era o outro lado da modalidade que o fascinava. É filho de Carlos Pereira, um nome há muito ligado ao ciclismo e que actualmente é o responsável da Efapel. Rúben tem estado envolvido no crescimento da equipa em anos recentes.

"Não era o director desportivo oficial, era o Américo, mas sempre cumpri um papel como director dentro da equipa. Toda a envolvência da equipa, toda a estrutura passava por mim. Era eu o responsável desta estrutura, desde contratar ciclistas, patrocinadores... Todo esse trabalho era feito por mim. Se o objectivo era ser director desportivo? Sim era, não contava ser tão no imediato, mas não tenho medo do desafio. Como disse anteriormente, sei da responsabilidade que é estar à frente da Efapel. Não quero ser melhor que ninguém, nem irei copiar outros directores desportivos. Tenho a minha ideologia, a minha maneira de trabalhar e é nessa linha que irei seguir até ao final do ano", afirmou.

Apenas o espanhol Antonio Angulo é da sua idade, com todo o restante plantel a ser mais velho do que o jovem director, algo pouco visto na modalidade. Define-se como "um director desportivo que trabalha muito bem o psicológico do corredor. "Sei como trabalhar o corredor. Não sou melhor do que ninguém, nem me comparo com ninguém. Tenho uma maneira muito especial de correr. Sou jovem e como é óbvio não tenho a experiência de um Américo Silva, ou do meu pai [Carlos Pereira] que já foi director desportivo. Todos os dias aprendo com os meus ciclistas, com o meu staff e estou rodeado de um staff fantástico, os mecânicos, os massagistas e ao fim e ao cabo, um director desportivo é mais do que ir num carro, tem de conhecer muito bem o ciclista", acrescentou.

Quanto ao seu antecessor, Rúben Pereira frisou como "será sempre uma pessoa que marcou esta equipa ao longo dos cinco anos como director desportivo". Com Américo Silva no comando já se falava em levar a Efapel ao escalão Profissional Continental, como aconteceu com a W52-FC Porto. "O nosso plano é sermos mais profissionais. As pessoas podem reparar como temos evoluído e demos o salto de qualidade a nível de estrutura, logística e plantel. Se ambicionamos subir de escalão? Sim, mas não é o foco, nem obsessão", afirmou.

Está agora prestes a começar a prova de fogo da Efapel - e de todas as equipas portuguesas de elite e sub-25 -, que nos últimos anos não tem conseguido combater o poderio da W52-FC Porto. Nem a Efapel, nem ninguém.  É o início de uma carreira de um jovem director desportivo, num pelotão nacional onde quase todas as formações contam com responsáveis com anos e anos de experiência. Hernâni Brôco, agora com 38 anos, tinha sido o mais novo a chegar quando tomou conta da LA Alumínios-LA Sport no ano passado, depois de Nuno Ribeiro (41 anos) se ter tornado num também jovem director e de muito sucesso na W52-FC Porto, ainda que Rúben Pereira bata todos na idade com que chega ao cargo. A nova geração de directores começa lentamente a aparecer.

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1 de julho de 2019

"Estamos a superar as expectativas a todos os níveis"

(Fotografia: © UD Oliveirense-InOutBuild)
Fábio Costa podia estar desolado por ter ficado tão perto de juntar o título nacional de sub-23 à Taça de de Portugal, mas na UD Oliveirense-InOutBuild havia novas razões para sorrir. O final de 2018 foi desgastante para os responsáveis da equipa e 2019 começou com um enorme esforço para garantir que os ciclistas tivessem as melhores condições possíveis para estar na estrada. A saída dos dois patrocinadores abalou a estrutura de uma equipa referência na formação de jovens ciclistas, mas Manuel Correia e Luís Pinheiro lutaram para que o projecto continuasse vivo. Nas últimas semanas, uma temporada que se adivinhava complicada, ganhou contornos muito animadores a nível desportivo. Fábio Costa pode não ter sido campeão nacional, mas Manuel Correia não escondeu como tinha tantas razões para estar orgulhoso do seu ciclista e dos seus restantes corredores.

"A equipa tem estado a um nível [suspiro profundo]... Sabia da qualidade deles, sei como iniciámos a época... Se calhar hoje ninguém imagina como arrancámos com esta equipa. Sabia da qualidade dos miúdos e tinha dito que íamos ter mais dificuldade nas corridas de maior número de dias. Nas clássicas, nas corridas de poucos dias, conseguimos estar num nível muito elevado. Mas surpreendentemente, no Grande Prémio Jornal de Notícias estivemos a um nível elevadíssimo e no Abimota também", salientou o director desportivo ao Volta ao Ciclismo. E acrescentou: "Estamos a fazer uma época muito melhor do que em 2018. Incrível! Daqui para a frente não sei, mas até aqui temos o mais do dobro dos pódios. Estamos a superar as expectativas a todos os níveis."

Além das medalhas nos Nacionais e da Taça de Portugal de sub-23, há a destacar umas classificações da juventude: Troféu O Jogo e Memorial Bruno Neves por parte de Pedro Miguel Lopes e no Grande Prémio Jornal de Notícias, com Rafael Lourenço, que venceu ainda a classificação das Autarquias no Abimota.

"As coisas até se tem vindo a compor, mas nós merecemos mais. O concelho de Oliveira de Azeméis tem de olhar para nós de outra forma"

O final de 2018 foi um autêntico contra-relógio para garantir os patrocínios da equipa, que há dois anos subiu ao escalão Continental, como sub-25. Porém, manteve-se fiel às suas raízes de formação, com os nomes recentes a chegaram ao mais alto nível do ciclismo a serem Ivo e Rui Oliveira e Ruben Guerreiro. E acrescenta-se Rui Costa, Ricardo Vilela e também outros gémeos, os Gonçalves (Domingos e José), como exemplo de corredores que chegaram longe na modalidade.

"Uma coisa garanto: nestas condições não faço mais ciclismo. As coisas até se tem vindo a compor, mas nós merecemos mais. O concelho de Oliveira de Azeméis tem de olhar para nós de outra forma. É muito complicado fazer ciclismo com os meios que nós temos. Temo-lo feito com dignidade e a nível de imagem temos dignificado o ciclismo nacional. Acho que está na hora de olharem para aquilo de bom que temos feito ao longo destes anos. Se as coisas não melhorarem, para o ano... Apesar da garantia do nosso primeiro patrocinador, que está muito entusiasmado e quer continuar, só o farei com muito mais", assegurou.

O plantel é curto e jovem e algumas lesões não têm ajudado na gestão da equipa. Contudo, ganhou reforços importantes já durante a temporada. Primeiro foi o espanhol Josu Zabala, ciclista de 26 anos e de alguma experiência, que veio da Caja Rural. Zabala chegou em Março e há poucas semanas foi um dos talentos emergentes da modalidade em Portugal que se juntou à estrutura: Guilherme Mota. Também veio da Caja Rural, mas da equipa de sub-23, onde esteve alguns meses este ano, mas optou regressar a Portugal para melhor conciliar o ciclismo com os estudos. No entanto, a UD Oliveirense-InOutBuild, está à procura de pelo menos mais um ciclista com 22/23 anos, para ter mais maturidade na equipa na Volta a Portugal.

"O caso do Zabala, ele já queria veria em Janeiro, mas nós não tínhamos condições para o ter. Depois de muita persistência dele e da própria Caja Rural para lhe dar uma oportunidade, conseguimos algo para o compensar, apesar de não ter nada a ver com o valor dele, mas ele está feliz aqui. Espero que ele possa pisar os grandes palcos, estar nas grandes equipas porque acho que é um corredor de enormíssima qualidade", salientou. Quanto a Guilherme Mota, apesar da juventude - é sub-23 de primeiro ano (18 anos) -, Manuel Correia não hesita em considerar que "acrescenta muito à equipa". E conquistou a medalha de bronze no contra-relógio dos Nacionais, no seu escalão.

"Veio tarde, está com peso a mais, mas é normal. Faculdade, estar numa equipa longe de casa, é complicado", referiu o responsável, que elogiou a postura do seu ciclista em querer continuar a estudar. "Isto é uma mais valia para todos nós. Temos de nos orgulhar. O Guilherme encontrou o seu espaço. Ele já é feliz aqui. Estava a passar um mau bocado. Se ele estiver cá para o ano, espero contar com ele", disse.

E é nestas expressões que se percebe que Manuel Correia pode não querer continuar no ciclismo perante as dificuldades que tem passado, mas deseja manter viva a sua equipa. Além de Guilherme Mota e Fábio Costa, Rafael Lourenço é outro atleta que o director desportivo gostaria de continuar a trabalhar.

"Independentemente de termos perdido para um grande corredor e ser justa a vitória do João, nós merecíamos mais nesta corrida"

Há um ano conquistou uma etapa no Grande Prémio Jornal de Notícias e só não repetiu o feito em 2019 porque celebrou cedo de mais e foi ultrapassado sobre a meta. No entanto, fez top dez na geral e foi o melhor jovem. "Isso faz parte da aprendizagem. Já vimos no World Tour a fazer igual! Há que chamar a atenção, mas não o recriminar, nem penalizar por isso. Ele nunca mais voltará a fazer isso!" Manuel Correia considera também que um excesso de confiança acabou por tirar um possível top cinco a Rafael Lourenço. "É um corredor que tem subido degrau a degrau, ano após ano e hoje está num nível elevadíssimo", afirmou.

Regressando a um Fábio Costa que, durante a conversa com Manuel Correia, tentava recuperar da desilusão de tanto ter lutado pelo título nacional, tendo passado grande parte da corrida em fuga (143,2 quilómetros no circuito de Melgaço), o director desportivo frisou como o ciclista "quis em determinados pontos puxar de igual para igual com o João [Almeida] e isso se calhar custou-lhe caro". "Independentemente de termos perdido para um grande corredor e ser justa a vitória do João, nós merecíamos mais nesta corrida", disse. E ficaram rasgados elogios a João Almeida (Hagens Berman Axeon), ciclista já com experiência e vitórias importantes além fronteiras e que o responsável da UD Oliveirende-InOutBuild não dúvida que vai dar muitas alegrias. Ainda assim: "Acho que o Fábio com um bocadinho mais de maturidade poderia ter surpreendido o João."

Agora é olhar em frente para uma fase importante da temporada, com a aproximação da Volta a Portugal (de 31 de Julho a 11 de Agosto), com o Troféu Joaquim Agostinho a realizar-se um pouco antes, de 11 a 14 de Julho. Se estar bem na Volta é importante, a Volta a Portugal do Futuro é sempre um objectivo para os jovens ciclistas. "Eu já ganhei 11 Voltas a Portugal do Futuro e eram muito mais competitivas. É mais [importante] para eles do que para mim. Qualquer um gosta de a ganhar."

Uma coisa é certa na UD Oliveirense-InOutBuild, os ciclistas estão motivados em procurar mais bons resultados. Apesar dos problemas que a estrutura atravessou e atravessa para continuar na estrada, os corredores estão animados. "Acho que sempre estiveram. Mais do que eu! Eles são jovens, às vezes nem se apercebem das dificuldades. Quando arrancámos com a equipa explicámos a situação, mas acho que eles nem notaram. Acho que nós também tentámos deixá-los confortáveis. Nunca faltou nada e continua a não faltar e as coisas inclusive tem vindo a melhorar."

»»Guilherme Mota regressa a Portugal para poder garantir um futuro além do ciclismo««

»»"Pensava em júnior que era um bom ciclista, mas quando damos um salto destes, percebemos que há muito pela frente"««

»»Dobradinhas confirmadas mas foi necessário lutar muito para as alcançar««

28 de junho de 2019

"Gostava ainda de fazer grandes corridas"

Quando se diz que o segundo lugar sabe a triunfo, não se está a falar de uma vitória moral, mas sim de uma verdadeira conquista. Para Liliana Jesus, a medalha de prata nos Nacionais de contra-relógio tem uma sensação a ouro, tendo em conta que à sua frente está a melhor ciclista nacional, do nível World Tour. As diferenças entre ambas são, naturalmente, muitas, mas há algo que têm em comum: a ambição.

Liliana Jesus não pode despender o mesmo tempo de dedicação ao ciclismo que a adversária. Enquanto Daniela Reis está numa equipa do World Tour - a Doltcini-Van Eyck Sport - e pode dedicar-se mais aos treinos, além de competir em algumas das melhores corridas do mundo, Liliana divide o seu tempo entre a enfermagem e o ciclismo. Trabalha no Centro Hospitalar de Setúbal e nem sempre é fácil conciliar o emprego e a paixão pela bicicleta. O que falta para se aproximar mais do nível de Daniela Reis? "Falta-me um pouco mais de qualidade de vida. No sentido de tranquilidade, de ter os treinos mais concentrados, mais descanso após os treinos. É a profissão dela e ela está de parabéns por aquilo que tem conseguido alcançar até agora."


Liliana Jesus, Daniela Reis e Melissa Maia, o pódio feminino
nos Nacionais de 2019 em Melgaço
E acrescentou: "Eu sou enfermeira. É muito complicado, principalmente porque uma das coisas em que eu sofro muito é depois de fazer o turno da noite. Mas, não há nada como uma boa gestão de tempo e fazer as coisas com gosto e com paixão. É meio caminho andando." Com o apoio dos colegas no trabalho, sonha voar mais alto, pois se há algo que não vê como impeditivo é a idade. Tem 35 anos, mas garante que sente que tem capacidade para tentar concretizar um desejo: "Gostava ainda fazer grandes corridas." É realista sabendo que pode sentir-se bem, mas a idade pode ser um entrave para dar o salto para uma equipa estrangeira. Porém, não vai desistir. "Só com trabalho e muita dedicação poderá acontecer. Mas vamos passo a passo. Um de cada vez e bem seguro, para não cair", realçou ao Volta ao Ciclismo.


"Já cometi erros e noto que agora estou mais sapiente no controlo de tudo. A cabeça também amadureceu um pouco"

Começou de forma mais séria na modalidade apenas em 2015, apesar de algumas participações em corridas em anos anteriores. Não hesita em dizer que da primeira vez que andou numa bicicleta de estrada foi "amor à primeira pedalada". Tem sido um processo de evolução, contudo, apesar de ser enfermeira, não significa que seja uma ajuda maior para saber como desenvolver as suas capacidades físicas. "Apesar de ser enfermeira, tenho aprendido mais sobre o meu corpo enquanto atleta. A perceber as sensações, o que é que ele quer, o que não quer e ir adequando ao longo do dia. Já cometi erros e noto que agora estou mais sapiente no controlo de tudo. A cabeça também amadureceu um pouco. Comecei tarde no ciclismo, pelo que tem sido tudo uma aprendizagem", explicou.


Excelente primeiro dia de Nacionais para o CE Gonçalves/Azeitonense
com medalha de prata para Liliana Jesus e bronze para Melissa Maia
Foi a segunda vez que subiu ao pódio, contando agora com um bronze e uma prata. Este sábado irá partir, às 10 horas, para 86,6 quilómetros da corrida feminina de fundo em Melgaço, sempre com ambição alta, mas o percurso será bem complicado. "Vamos ver... A subida final é uma rampa bastante jeitosa. Vai depender muito do que as outras adversárias fizerem em corrida. O contra-relógio já está em cima das pernas", alertou.

Define-se como "uma ciclista versátil", não se considerando uma trepadora e muito menos uma sprinter. "Defendo-me bem nas subidas constantes, não muito inclinadas e tenho uma boa capacidade de resistência", disse.

Quanto ao contra-relógio desta sexta-feira, gerir o esforço e conhecer o percurso foram factores determinantes. "O percurso [de 24,6 quilómetros] era muito rectilíneo. Tinha a dureza da subida, mas era um percurso que era preciso saber gerir muito bem toda a prova até ao momento da subida, que iria exigir a maior força da nossa parte. Soube controlar-me bem até esse momento. Fiz um bom trabalho de casa, tanto a reconhecer, como a visualizar o percurso nos dias prévios ao campeonato. Correu bem. Estava com fé", analisou.

Foram 3:41 minutos de diferença para Daniela Reis (26 anos), que diz tudo sobre a qualidade da campeã nacional da especialidade pela quinta vez. "O segundo lugar para mim é um excelente resultado. A Daniela era a favorita e atendendo a performance dela, era a candidata mais apostada para vencer. Sonhei com o pódio, que era possível e consegui", afirmou uma muito satisfeita Liliana Jesus.


27 de junho de 2019

"Nas primeiras corridas começa-se a pensar duas vezes, mas o lema é nunca desistir"

Dar o salto directamente de uma equipa de juniores para uma profissional, nem foi uma decisão difícil de tomar. Já adaptar-se ao ritmo do pelotão de elite, foi outra história. As primeiras corridas não foram fáceis para Ruben Simão, um dos três juniores que o Sporting-Tavira foi buscar à sua formação. Agora, já está mais adaptado, mas não esconde o choque inicial. O jovem de 18 anos está muito satisfeito com a experiência que está a viver, pois o director desportivo Vidal Fitas não tem exigido demasiado do corredor, deixando que prossiga a sua fase de evolução sem pressão.

"Considero que está a ser uma óptima experiência. Numa equipa profissional aprendemos muito com os ciclistas mais experientes, mas sim, é um salto bastante grande. Notei isso logo nas primeiras corridas! O nível competitivo é muito elevado e nós [juniores] não estamos habituados nem a metade disto", admitiu ao Volta ao Ciclismo. Quando chegou o momento de deixar o Sporting/Tavira/Formação Eng. Brito da Mana e escolher entre uma equipa de clube ou ir directamente para uma profissional, ponderou o seu futuro, mas sem perder muito tempo em fazer a escolha. "O que acabou por me seduzir foi já estar na equipa, ainda que nos escalões de formação. Esta é uma equipa profissional... E ter o nome Sporting... É uma das melhores equipas em Portugal, por isso, aceitei prontamente o convite. Estava ciente que ia ser difícil, mas estou cá para lutar!"

O corredor, de 18 anos, realçou que não pensa estar a saltar uma fase importante na formação como ciclista por não ter ido para uma equipa sub-23 e explicou porquê: "Aqui estou a cumprir essa fase. Em Portugal não há muitas equipas para sub-23 e esse foi um dos aspectos que ponderei, porque sabia que ia correr com os profissionais. Ficar numa equipa profissional ou sub-23 ia ser praticamente a mesma coisa." E claro, estando no Sporting-Tavira está a mostrar-se directamente aos responsáveis de uma das principais estruturas do ciclismo nacional. Além disso, está a ter a oportunidade de pedalar lado-a-lado com atletas que se habituou a ver na televisão, como Tiago Machado, por exemplo, e frisou como todos os mais experientes do Sporting-Tavira estão sempre prontos a dar conselhos para ajudar os mais novos.


"A maior dificuldade era que rapidamente ficava para trás. Não estava preparado para o ritmo"

Não hesita em agradecer por estarem a dar-lhe liberdade para evoluir, ainda que não signifique que não tenha responsabilidades. Pedem-lhe principalmente que termine as corridas, mas numa altura da temporada em que já está mais adaptado ao ritmo do pelotão, já vai tentando ajudar os colegas. "Senti bastante dificuldades, principalmente nas primeiras quatro corridas. Foi necessário ser forte psicologicamente. A maior dificuldade era que rapidamente ficava para trás. Não estava preparado para o ritmo", desabafou. "Nas primeiras corridas começa-se a pensar duas vezes, mas o lema é nunca desistir", acrescentou.

Ruben Simão, um trepador em perspectiva, explicou como fisicamente já nota a diferença, até porque, além das corridas, também os treinos são mais exigentes. Contudo, há outro aspecto importante que agora já domina bem melhor: "Nas primeiras corridas nem conseguia comer e beber e agora já consigo fazer isso melhor. Faço melhor essa gestão." Prova de Abertura Região de Aveiro, Clássica da Arrábida, Clássica Aldeias do Xisto, Troféu O Jogo, Memorial Bruno Neves, Grande Prémio Anicolor e Grande Prémio Abimota. O jovem ciclista não tem qualquer razão de queixa quanto ao tempo de corrida que tem tido. Seguem-se os Nacionais (realizam-se entre esta sexta-feira e domingo, em Melgaço), talvez o Troféu Joaquim Agostinho, para depois pensar num dos grandes objectivos da temporada, a Volta a Portugal do Futuro. "Quero lutar e se ficar no top 15 será muito bom visto ser o primeiro ano de sub-23", afirmou.

Natural de Olhão, Ruben Simão está dedicado ao ciclismo, mas vai regressar aos estudos no próximo ano lectivo. Quer entrar na universidade, sabendo que terá de gerir de outra forma do seu tempo. "Terei de saber conciliar, mas acho que vou conseguir", disse, salientando que tem de estar preparado para quando o ciclismo acabar.

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14 de junho de 2019

"A ideia é ter um projecto com continuidade e formar campeões"

Num escalão de sub-23 no qual não se vivem tempos nada fáceis, nasceu um projecto que quer vingar, tornando-se numa escola de formação para uma equipa de elite. A JV Perfis-Gondomar Cultural é uma das duas novas estruturas de jovens que esta temporada integram o pelotão, com a outra a ser a alentejana Crédito Agrícola-Jorbi-Almodôvar. José Barros admite que a equipa foi "feita um pouco à pressa", mas acredita que os ciclistas estão a melhorar e que este é um projecto que pode ter continuidade.

"Quando estiverem nas provas para sub-23, queremos que eles consigam dar o máximo para mostrar as suas capacidades. Tenho aqui atletas de valor de sub-23", garantiu ao Volta ao Ciclismo o director desportivo, salientando como a maioria dos ciclistas escolhidos estão no seu primeiro ano deste escalão. Uma vitória seria perfeito, mas José Barros quer pelo menos ver os seus ciclistas na luta e sempre combativos, neste último aspecto também nas corridas de elite, como se viu recentemente no Grande Prémio Jornal de Notícias.

Com um orçamento de 50 mil euros, o responsável considera ser o ideal para começar. "Este projecto nasce com uma parceria com o José Santos, como presidente do Gondomar Cultural. Contactou-me para fazer uma equipa de sub-23, visto que já tínhamos alguns apoios e assim fizemos. Temos uma equipa de oito atletas feita um pouco à pressa", admitiu, mas elogiando os jovens que fazem parte da JV Perfis-Gondomar Cultural. São eles: Francisco Pereira, Rafael Torres, Luís Silva, Rodrigo Silva, Júlio Gonçalves, Luís Pereira e Vinício Rodrigues. Já com a época a decorrer chegou um sul-africano de 23 anos, Jacobus Christian Jooste, que tentou mostrar-se às equipas profissionais, pois a ambição passa por assinar por uma das formações de elite.

"É fundamental haver estas ligações [com equipas profissionais] para haver uma continuidade e dar seguimento à formação"

E é precisamente poder ser uma estrutura que possa servir de trampolim para o profissionalismo, que José Barros quer ver a sua equipa transformar-se. José Santos é também o director da Rádio Popular-Boavista e um nome que se confunde com a história do ciclismo nacional. "A ideia é ter um projecto com continuidade e formar campeões", explicou José Barros, que referiu a JV Perfis-Gondomar Cultural como "uma equipa satélite do Boavista".

Esta relação é mais um factor de motivação para os jovens atletas, que assim têm a certeza que estão a ser observados de perto por um director desportivo de uma equipa profissional: "Eles encaram positivamente visto haver uma ligação forte com o professor José Santos. Sabem que são seguidos. É fundamental haver estas ligações para haver uma continuidade e dar seguimento à formação", realçou José Barros.

A missão de formar ciclistas não é fácil. 2019 tornou-se num ano em que as dificuldades de manutenção de projectos de sub-23 (ou de clube) aumentaram. A ausência de convite para a Volta ao Alentejo foi um rude golpe para as seis formações. "Temos de pensar positivamente, mas também depende muito das organizações e da federação. Quando haviam poucas equipas, existam provas e corríamos algumas com os profissionais. Agora há muitas equipas e não há corridas. Têm de repensar se querem formação ou não", alertou. No Grande Prémio Jornal de Notícias três destas estruturas não estiveram presentes.

A Volta a Portugal do Futuro é sempre um dos grandes objectivos das equipas deste escalão e a JV Perfis-Gondomar Cultura não irá fugir à regra. Porém, até Setembro (de 5 a 8), é certo que estes jovens estarão determinados em mostrar o seu valor, numa estrutura que lhes pode abrir outras portas, com a Rádio Popular-Boavista à espera de poder tirar partido da evolução que tiverem sob a orientação de José Barros.

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