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26 de dezembro de 2019

João Matias destacou-se numa época difícil do Feirense, mas com jovens ciclistas a mostrarem-se

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
A saída de Edgar Pinto para a W52-FC Porto deixou a Vito-Feireinse-PNB sem um líder para as gerais. A equipa optou por mudar um pouco os seus objectivos, apostando ainda mais em João Matias, mas não deixando de olhar para a montanha com dois espanhóis com provas dadas em Portugal, Óscar Pelegrí e Jesus del Pino. Já a aposta em dar oportunidades a ciclistas muito jovens, como foi o caso de João Barbosa e Pedro Andrade, manteve-se, mas não deixou de ser uma temporada difícil. Ainda assim, terminou com quatro vitórias e algumas boas exibições, com Matias mostrar-se, sem surpresa, à altura da responsabilidade que teve. As dificuldades estão longe de estar terminadas e em 2020 a solução encontrada perante a redução de apoio financeiro foi olhar ainda mais para ciclistas jovens, mas com uma contratação de luxo.

O director desportivo, Joaquim Andrade, assumiu desde logo que sem Edgar Pinto a equipa seria diferente, contudo, não significaria que a ambição seria mais pequena. Apenas direccionada para outro tipo de lutas. João Matias já era um dos líderes, mas ganhou maior protagonismo. Foi incansável na procura por dar bons resultados à Vito-Feirense-PNB e a recompensa de todo o esforço chegou num dos palcos principais para as equipas portuguesas: o Grande Prémio Jornal de Notícias. Impôs-se na sua especialidade, ao sprint, na primeira etapa, num início de um mês de Junho que marcou a temporada da equipa.

No Grande Prémio Abimota, Óscar Pelegrí - que em 2018 venceu a corrida ao serviço da Rádio Popular-Boavista - ganhou uma etapa, assim como o jovem Pedro Andrade, filho do director desportivo. A equipa venceria colectivamente. Dois bons ensaios gerais para uma equipa que ia perseguir etapas, ou pelo menos uma, na Volta a Portugal. João Matias assumiu mais uma vez a responsabilidade. Tentou ao sprint, tentou através de uma fuga, mas ainda não foi desta que alcançou um triunfo que muito deseja na carreira. Matias fechou a temporada com a vitória no Circuito da Moita.

Jesus del Pino (ex-Efapel) também foi figura na Volta, não só por também ele procurar um triunfo, mas pelo estado em que terminou a penúltima etapa na Senhora da Graça. Uma queda deixou o espanhol muito mal tratado. Equipamento rasgado, com feridas bem visíveis, foi uma das imagens da corrida. Não só terminou aquela etapa, como partiu no dia seguinte para o contra-relógio final.

Dentro das limitações, a Vito-Feirense-PNB fez uma temporada com aspectos positivos, comprovados pelo facto dos seus ciclistas serem cobiçados pelas outras equipas nacionais. Incluindo os mais jovens. E para dar mais um exemplo de como esta aposta de Joaquim Andrade e restantes responsáveis em dar espaço a ciclistas que estão, muitos deles, a dar o salto de juniores para a equipa principal, há que regressar ao mês de Junho, mesmo no final, quando Bernardo Saavedra subiu ao pódio na corrida em linha de sub-23, ao ser terceiro. Uma medalha de bronze que mereceu ser celebrada quase como se fosse de ouro, tendo em conta que a prova foi ganha por João Almeida (Hagens Berman Axeon, a caminho da Deceuninck-QuickStep) e com Fábio Costa (UD Oliveirense-InOutBuild) a ser segundo, ele que foi dos melhores sub-23 em 2019.

Atrás de Saavedra ficou outro ciclista da Hagens Berman Axeon, André Carvalho, e esta equipa americana acaba por dar mais relevância ao trabalho feito nas camadas jovens que Joaquim Andrade tanto aposta. Uma das vitórias da Vito-Feirense-PNB acaba por ser ver Pedro Andrade assinar pela Hagens Berman Axeon para 2020. Já o aguerrido trepador João Barbosa vai ganhando o seu espaço no pelotão nacional e prepara-se para continuar a evolução na Miranda-Mortágua.

Apesar de ter apenas 21 anos, Saavedra terá mais responsabilidade em 2020, sendo apenas um dos três ciclistas que vai continuar. Óscar Pelegrí será um dos líderes de uma equipa que continuará a ter o Feirense como patrocinador, mas que viu o orçamento reduzir sem a manutenção de apoio idêntico das restantes empresas. António Ferreira é a terceira renovação, ao que se junta Afonso Eulálio, que estagiou na equipa na parte final da época. Quatro juniores vão começar a fase de sub-23 no Feirense, enquanto Rafael Ferreira terá uma oportunidade no profissionalismo aos 20 anos. Gonçalo Amado também está de regresso, sendo um ciclista de 25 anos e que em 2013 e 2014 esteve na então Rádio Popular, com uma passagem pelo ACDC Trofa em 2018.

Mesmo sendo uma equipa de orçamento reduzido - não segurando Matias e Del Pino, por exemplo, que vão para a Aviludo-Louletano -, a oportunidade de ser líder em quase todas as corridas seduziu um Rafael Reis à procura de um novo desafio, optando por sair da W52-FC Porto (neste link pode ler a entrevista do ciclista ao Volta ao Ciclismo). Aos 27 anos já tem muita experiência, incluindo dois anos na Caja Rural e uma Vuelta feita. Sabe o que é ganhar nas melhores corridas nacionais, já vestiu camisola amarela na Volta a Portugal e quer recuperar essa ambição no Feirense, que bem agradecerá ver o melhor de Rafael Reis.

Na véspera de Natal foi anunciada mais uma contratação, o décimo ciclista que faltava para a equipa poder competir no escalão Continental. De Espanha chegará Jesus Arozamena, da Super Froiz, vencedor da Taça de Espanha de sub-23 em 2018, com alguns top dez em provas espanholas no ano passado e que esteve no Grande Prémio Abimota a mostrar as suas capacidades como trepador.

Equipa para 2020: Óscar Pelegrí, Bernardo Saavedra, António Ferreira, Rafael Reis (W52-FC Porto), Gonçalo Amado, Afonso Eulálio (júnior do Feirense que estagiou na equipa principal na recta final da éoca de 2019), Luís Cabral (Sport Ciclismo S. João de Ver), Fábio Oliveira (Sport Ciclismo S. João de Ver), Rafael Ferreira, Jesus Arozamena (Super Froiz).

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20 de fevereiro de 2019

"Eu mais do que ninguém acredito que mereço estar aqui. Trabalhei muito"

João Barbosa sabia que cada dia na Volta ao Algarve seria um de muita aprendizagem. Ao fim dos primeiros 199,1 quilómetros da primeira etapa, já aprendeu bastante. A sua estreia como profissional foi tornada ainda mais memorável ao ser chamado para uma corrida que conta com equipas do World Tour e alguns dos melhores ciclistas do mundo. Foi um baptismo de fogo e o jovem ciclista não escondeu o misto de emoções que viveu. No final da etapa não hesitou em dizer que aquele nível de ciclismo não é para qualquer um, pelo que o importante é continuar a assimilar todos os pormenores desta incrível experiência.

"Hoje aprendi a andar a 100 à hora! Não me lembrava de tal coisa! Vamos ver o que vou aprender amanhã!" O dia difícil não lhe tirou a boa disposição. Foi com esse estado de espírito que começou a manhã, ainda que então não escondesse alguma ansiedade. Só queria era arrancar em Portimão, com a meta à sua espera em Lagos, para a sua primeira etapa como ciclista profissional da Vito-Feirense-PNB. "Começar logo no Algarve, no meio destes tubarões, é uma coisa fenomenal. Vão ser cinco dias de muita aprendizagem, não só com os membros da minha equipa mais velhos, mas também com os de fora, com o que vamos vendo", salientou ao Volta ao Ciclismo, antes do arranque da etapa. 

Só desejava "aproveitar ao máximo" a oportunidade dada por Joaquim Andrade. O director desportivo não lhe colocou pressão, aconselhando-o a preparar-se bem e para estar atento durante a corrida. E, claro, aprender. Barbosa era um jovem encantado com o que estava prestes a tornar-se realidade, mas não quis de imediato destacar nenhum ciclista que desejasse estar lado-a-lado: "Admiro que qualquer ciclista que esteja aqui a correr, não só os do Pro Tour, também os portugueses que estão cá." Mas lá deu dois exemplos: "Quero olhar de frente para um Fabio Aru e ver o que é que ele tem de especial. Ou olhar para um Groenewegen, que tem o triplo do meu cabedal! Ver bem o real ciclismo."

Garantiu que iria saber separar o João Barbosa adepto da modalidade e o João Barbosa ciclista profissional, afinal lutou muito para chegar a este patamar. "Eu mais do que ninguém acredito que mereço estar aqui. Trabalhei muito. O passo para profissional é sempre muito difícil de ser dado", salientou.


"Depois de ver isto [primeira etapa], não sei se fico mais entusiasmado ou mais preocupado. Até à Fóia há muito terreno para andar. A grande diferença entre nós e eles é o ritmo"

Contudo, este seu primeiro dia de profissionalismo em competição, as expectativas não corresponderam bem à realidade, como contou no final da etapa: "Eu pensava que ia ser um bocado mais fácil. Fiquei a perceber que isto não é para qualquer um. O ritmo era bastante certo, mas muito elevado. Não tem nada a ver com o que estamos habituados. Realmente é passar por elas para perceber o que isto é."

Talvez tenha ajudado terem-lhe dito que seria uma tirada tranquila, algo que acabou por não acontecer. "Foi uma etapa bastante movimentada em termos de acelerações. A fuga não preocupava muito, mas houve movimentações das equipas mais fortes e fez com que o ritmo acelerasse bastante. E depois da queda foi sempre à morte", contou. Portanto, a tranquilidade durou cerca de 20 quilómetros. "Logo naquele momento percebi que há muito trabalho a fazer para chegar a este nível. Dei por mim um bocadinho leve de mais para vir fazer o Algarve!"

Esta quinta-feira entrará num terreno que prefere. É um trepador e espera-o o Alto da Fóia, mas o dia terá várias subidas para romper bem as pernas antes da ascensão final. "Depois de ver isto [primeira etapa], não sei se fico mais entusiasmado ou mais preocupado. Até à Fóia há muito terreno para andar. A grande diferença entre nós e eles é o ritmo. Eu dei por mim a tentar controlar-me a 180 a subir e isso já era um ritmo bastante elevado. Eu estava a pensar como vou fazer para os acompanhar se isto agora está controlado e eu vou a 180!"

O ritmo foi de facto muito elevado, com a etapa a terminar até antes do previsto. Quando há uma Deceuninck-QuickStep, uma Bora-Hansgrohe e uma Jumbo-Visma a ditar a velocidade não é de esperar outra coisa, mas para João Barbosa era uma realidade que tinha assistido apenas de fora. Apesar das dificuldades, o susto de uma queda que o fez ficar cortado da frente da corrida, apesar de não ter caído, e de uma pulsação bem alta para acompanhar um pelotão com 12 equipas World Tour, João Barbosa - que terminou na 108ª posição a dois minutos do vencedor, Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) - não hesitou em resumir o seu dia assim: "Foi bom! Foi um misto de emoções espectaculares. Estavam lá alguns dos melhores do mundo e deu para perceber porque o são."

Melhorar as suas principais qualidades... e no contra-relógio

Depois de evoluir na equipa da Maia, Joaquim Andrade foi buscar João Barbosa para uma Vito-Feirense-PNB que, nestes dois anos de vida, demonstrou que quer dar espaço a jovens talentos. O ciclista de Penafiel realçou que "a adaptação foi fantástica" à sua nova equipa. Barbosa só tem elogios para a estrutura: "Aqui não me faltam ferramentas para aprender, para melhorar, entre as pessoas e material. Não falta nada. As pessoas são todas muito acessíveis, prontas a ajudar, a ensinar-nos, a dar-nos conselhos, tudo o mais importante para um ciclista que suba a profissional."

Ainda tem uma grande margem de progressão, mas é de ideias bem claras: "Eu sou a favor se somos bons numa coisa, o melhor é explorar ainda mais o que somos bons. Se fazemos a diferença num terreno, se o melhorarmos ainda mais, essa diferença vai aumentar. Se melhorar como trepador, óptimo. Se me defender como contra-relogista, melhor ainda, porque ainda perco muito. Ainda não consegui treinar da melhor forma o contra-relógio. A nível físico não consigo tirar grandes ganhos, mas é algo que se treinar, vou melhorar."


"Gostaria de fazer um Grande Prémio Jornal de Notícias e disputar uma juventude. Isso seria óptimo"

A nível de objectivos para 2019, é a presença na Volta a Portugal do Futuro que está planeada e está entusiasmado com essa perspectiva e explicou porquê. "Quero fazer o que não consegui fazer no ano passado numa Volta a Portugal do Futuro, porque em princípio vamos lá estar. Como profissional será uma evolução muito maior e quero fazer algo de engraçado." Isso significa disputá-la? "Exactamente", respondeu.

Quanto a outras corridas que gostaria de fazer e com o seu calendário a ir sendo definido com o decorrer da temporada, após uma insistência admitiu: "Gostaria de fazer um Grande Prémio Jornal de Notícias e disputar uma juventude. Isso seria óptimo." Fica à atenção de Joaquim Andrade... E num futuro mais além: "Gostaria de fazer um Tour."

É altura de aproveitar o momento, pois é o primeiro a dizer que está concentrado no presente. O futuro será o resultado do que fizer agora e este jovem ciclista só quer trabalhar e aprender nesta nova fase de uma carreira que dá os primeiros passos no profissionalismo.