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26 de dezembro de 2019

João Matias destacou-se numa época difícil do Feirense, mas com jovens ciclistas a mostrarem-se

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
A saída de Edgar Pinto para a W52-FC Porto deixou a Vito-Feireinse-PNB sem um líder para as gerais. A equipa optou por mudar um pouco os seus objectivos, apostando ainda mais em João Matias, mas não deixando de olhar para a montanha com dois espanhóis com provas dadas em Portugal, Óscar Pelegrí e Jesus del Pino. Já a aposta em dar oportunidades a ciclistas muito jovens, como foi o caso de João Barbosa e Pedro Andrade, manteve-se, mas não deixou de ser uma temporada difícil. Ainda assim, terminou com quatro vitórias e algumas boas exibições, com Matias mostrar-se, sem surpresa, à altura da responsabilidade que teve. As dificuldades estão longe de estar terminadas e em 2020 a solução encontrada perante a redução de apoio financeiro foi olhar ainda mais para ciclistas jovens, mas com uma contratação de luxo.

O director desportivo, Joaquim Andrade, assumiu desde logo que sem Edgar Pinto a equipa seria diferente, contudo, não significaria que a ambição seria mais pequena. Apenas direccionada para outro tipo de lutas. João Matias já era um dos líderes, mas ganhou maior protagonismo. Foi incansável na procura por dar bons resultados à Vito-Feirense-PNB e a recompensa de todo o esforço chegou num dos palcos principais para as equipas portuguesas: o Grande Prémio Jornal de Notícias. Impôs-se na sua especialidade, ao sprint, na primeira etapa, num início de um mês de Junho que marcou a temporada da equipa.

No Grande Prémio Abimota, Óscar Pelegrí - que em 2018 venceu a corrida ao serviço da Rádio Popular-Boavista - ganhou uma etapa, assim como o jovem Pedro Andrade, filho do director desportivo. A equipa venceria colectivamente. Dois bons ensaios gerais para uma equipa que ia perseguir etapas, ou pelo menos uma, na Volta a Portugal. João Matias assumiu mais uma vez a responsabilidade. Tentou ao sprint, tentou através de uma fuga, mas ainda não foi desta que alcançou um triunfo que muito deseja na carreira. Matias fechou a temporada com a vitória no Circuito da Moita.

Jesus del Pino (ex-Efapel) também foi figura na Volta, não só por também ele procurar um triunfo, mas pelo estado em que terminou a penúltima etapa na Senhora da Graça. Uma queda deixou o espanhol muito mal tratado. Equipamento rasgado, com feridas bem visíveis, foi uma das imagens da corrida. Não só terminou aquela etapa, como partiu no dia seguinte para o contra-relógio final.

Dentro das limitações, a Vito-Feirense-PNB fez uma temporada com aspectos positivos, comprovados pelo facto dos seus ciclistas serem cobiçados pelas outras equipas nacionais. Incluindo os mais jovens. E para dar mais um exemplo de como esta aposta de Joaquim Andrade e restantes responsáveis em dar espaço a ciclistas que estão, muitos deles, a dar o salto de juniores para a equipa principal, há que regressar ao mês de Junho, mesmo no final, quando Bernardo Saavedra subiu ao pódio na corrida em linha de sub-23, ao ser terceiro. Uma medalha de bronze que mereceu ser celebrada quase como se fosse de ouro, tendo em conta que a prova foi ganha por João Almeida (Hagens Berman Axeon, a caminho da Deceuninck-QuickStep) e com Fábio Costa (UD Oliveirense-InOutBuild) a ser segundo, ele que foi dos melhores sub-23 em 2019.

Atrás de Saavedra ficou outro ciclista da Hagens Berman Axeon, André Carvalho, e esta equipa americana acaba por dar mais relevância ao trabalho feito nas camadas jovens que Joaquim Andrade tanto aposta. Uma das vitórias da Vito-Feirense-PNB acaba por ser ver Pedro Andrade assinar pela Hagens Berman Axeon para 2020. Já o aguerrido trepador João Barbosa vai ganhando o seu espaço no pelotão nacional e prepara-se para continuar a evolução na Miranda-Mortágua.

Apesar de ter apenas 21 anos, Saavedra terá mais responsabilidade em 2020, sendo apenas um dos três ciclistas que vai continuar. Óscar Pelegrí será um dos líderes de uma equipa que continuará a ter o Feirense como patrocinador, mas que viu o orçamento reduzir sem a manutenção de apoio idêntico das restantes empresas. António Ferreira é a terceira renovação, ao que se junta Afonso Eulálio, que estagiou na equipa na parte final da época. Quatro juniores vão começar a fase de sub-23 no Feirense, enquanto Rafael Ferreira terá uma oportunidade no profissionalismo aos 20 anos. Gonçalo Amado também está de regresso, sendo um ciclista de 25 anos e que em 2013 e 2014 esteve na então Rádio Popular, com uma passagem pelo ACDC Trofa em 2018.

Mesmo sendo uma equipa de orçamento reduzido - não segurando Matias e Del Pino, por exemplo, que vão para a Aviludo-Louletano -, a oportunidade de ser líder em quase todas as corridas seduziu um Rafael Reis à procura de um novo desafio, optando por sair da W52-FC Porto (neste link pode ler a entrevista do ciclista ao Volta ao Ciclismo). Aos 27 anos já tem muita experiência, incluindo dois anos na Caja Rural e uma Vuelta feita. Sabe o que é ganhar nas melhores corridas nacionais, já vestiu camisola amarela na Volta a Portugal e quer recuperar essa ambição no Feirense, que bem agradecerá ver o melhor de Rafael Reis.

Na véspera de Natal foi anunciada mais uma contratação, o décimo ciclista que faltava para a equipa poder competir no escalão Continental. De Espanha chegará Jesus Arozamena, da Super Froiz, vencedor da Taça de Espanha de sub-23 em 2018, com alguns top dez em provas espanholas no ano passado e que esteve no Grande Prémio Abimota a mostrar as suas capacidades como trepador.

Equipa para 2020: Óscar Pelegrí, Bernardo Saavedra, António Ferreira, Rafael Reis (W52-FC Porto), Gonçalo Amado, Afonso Eulálio (júnior do Feirense que estagiou na equipa principal na recta final da éoca de 2019), Luís Cabral (Sport Ciclismo S. João de Ver), Fábio Oliveira (Sport Ciclismo S. João de Ver), Rafael Ferreira, Jesus Arozamena (Super Froiz).

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22 de novembro de 2018

Um Edgar Pinto livre de azares e um João Matias cada vez mais líder

Há um ponto que se tem de destacar de imediato na temporada da Vito-Feirense-BlackJack: Edgar Pinto teve finalmente uma época sem incidentes . Isto é, sem quedas, sem furos, sem os azares que pareciam persegui-lo. O que é que isso significou? Vitórias! E também disputar a Volta a Portugal, ou pelo menos, discutir o pódio. Depois houve um João Matias cada vez mais confiante, cada vez mais forte e cada vez mais com perfil de líder. Numa época em que houve mais um recomeçar da estrutura, Joaquim Andrade conseguiu que a sua equipa tivesse os seus momentos, tendo ido a Madrid conquistar o maior dos feitos da temporada.

2018 marcou o regresso do Feirense ao ciclismo, para assim festejar o centenário do clube. Muito se recordou a vitória na Volta de Fernando Carvalho, mas a equipa que viu Joaquim Andrade assumir a responsabilidade de a liderar, quis mais do que pensar na Volta. Neste recomeço da estrutura - que foi em parte a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack em 2017 - o antigo ciclista juntou alguns jovens corredores do Sport Ciclismo S. João de Ver aos mais experientes, para assim dar continuidade à formação feita no clube.

Porém, a responsabilidade de alcançar resultados estava com as principais figuras, com Leonel Coutinho a ser o mais infeliz. Regressou a Portugal depois de uma passagem por Espanha (G.D. Supermercados Froiz), mas não teve uma época fácil, prejudicada por problemas físicos desde Junho. João Matias foi quem assumiu desde a primeira corrida o objectivo de tentar garantir vitórias para dar a maior tranquilidade possível à equipa e aos novos patrocinadores.

Depois de um 2017 durante o qual demonstrou ter dado um salto de qualidade no seu ciclismo, Joaquim Andrade deu-lhe um papel de maior destaque e João Matias não teve problemas em assumi-lo. Discutiu várias corridas, ainda que o triunfo só tenha chegado em Julho, na quinta etapa do Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Mas a sua atitude, a forma como disputa cada quilómetro faz dele um ciclista que o director desportivo confia e Matias não desiludiu.

Talvez tenha ficado um pouco desiludido por não ter conseguido uma tão desejada vitória de etapa na Volta a Portugal, depois de há um ano ter sido uma das revelações, ainda que num terreno que não é a sua especialidade. Esteve muito tempo vestido de azul, como líder da montanha, numa estreia na corrida inesquecível. Não ganhou este ano, mas entrou nas discussões ao sprint e foi muito importante no trabalho colectivo.



Ranking: 6º (1330 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo a Volta à Comunidade de Madrid)
Ciclista com mais triunfos: Edgar Pinto (3)

E quando se fala do colectivo, Ricardo Vale e Luís Afonso desempenharam o seus papéis, com Vale a recuperar o bom caminho da sua carreira, depois de um 2017 complicado na Rádio Popular-Boavista, devido a lesão. E o veterano Hugo Sancho não pode ser esquecido.

Mesmo sem ter uma equipa que pudesse ombrear com a W52-FC Porto ou o Sporting-Tavira, por exemplo, a Vito-Feirense-BlackJack conseguiu ter o melhor de Edgar Pinto. Ganhar na Volta ao Alentejo foi o primeiro sinal que o ciclista, de 33 anos, estava recuperado da terrível queda na Grandíssima em 2017, em mais um dos azares que o afectaram quando estava em boa forma.

O ponto alto chegou em Espanha. Edgar Pinto venceu a primeira etapa da Volta à Comunidade de Madrid e acabaria por conquistar a geral, numa prova muito disputada, em que os 18 primeiros acabaram com o mesmo tempo. O corredor levou para casa um enorme troféu e uma confiança reforçada para a Volta a Portugal. Tentou o pódio, mas faltou-lhe estar melhor no contra-relógio e acabou por ficar muito só - esperava-se mais do marroquino Soufiane Haddi na ajuda ao líder -, quando as etapas de montanha foram atacadas, ainda que tenha estado quase sempre na frente. Foi uma Volta muito positiva para Edgar Pinto: em 11 etapas, terminou oito no top dez, tendo sido segundo na Senhora da Graça.

Errazkin teve um sabor agridoce para a Vito-Feirense-BlackJack. Ganhou a classificação da juventude na Volta, mas o resultado anómalo da substância terbutalina, detectado numa amostra recolhida durante Grande Prémio Abimota, não foi a melhor das notícias para terminar a temporada. O jovem espanhol, de 22 anos, realizou uma segunda parte de época muito forte e, por isso, Joaquim Andrade mantém a confiança em Errazkin, que irá manter-se no plantel para 2019. De salientar que a substância não está entre as que dão origem a uma suspensão provisória enquanto o processo decorre.

A Vito-Feirense-BlackJack teve assim uma temporada em que seria difícil pedir mais. A vitória em Madrid até foi mais do que seria de esperar e foi importante para garantir que o projecto possa continuar, procurando uma estabilidade que permita que 2019 possa ser ainda melhor.

Porém, a equipa perderá Edgar Pinto, que irá para a W52-FC Porto, mas Joaquim Andrade foi contratar ciclistas interessantes, a começar por Oscar Pelegrí, que apesar da boa temporada na Rádio Popular-Boavista - ganhou o Grande Prémio Abimota, por exemplo -, não viu o seu contrato ser renovado. Outro espanhol, Jesus del Pino, é um excelente ciclista de equipa e que também tem capacidade para entrar em fugas e disputar bons resultados. Nos últimos dois anos foi um dos homens de confiança na Efapel.

Da formação Aviludo-Louletano-Uli chega Rui Rodrigues, que poderá procurar um pouco mais de liberdade. A maior surpresa foi o alemão de 30 anos, Bjorn Thurau (Holdsworth Pro Racing). É um corredor que representou equipas como a Europcar (actual Direct Energie) ou a Bora-Argon 18 (então Profissional Continental, sendo agora a Bora-Hansgrohe). Experiência não lhe falta.

Juntam-se ao plantel os juniores Pedro Andrade e António Ferreira, com João Barbosa a chegar da Maia. Permanecem João Matias - que com a saída de Edgar Pinto, assumirá ainda mais o papel de líder -, Xuban Errazkin, Luís Afonso, João Santos, Bernardo Saavedra.

Para terminar: Filipe Cardoso. É uma das principais transferências em Portugal, não fosse ele um dos ciclistas mais populares do pelotão. Depois de duas épocas na Rádio Popular-Boavista, o corredor aceitou um novo desafio e aos 34 anos não se espera outra coisa que não seja ser igual a si mesmo.

Sempre disponível para ajudar, está ainda mais disponível para animar corridas, dar espectáculo e ser um autêntico relações públicas em cima da bicicleta das equipas que representa. Tal como Matias, tem um espírito que contagia, numa equipa que terá mais ciclistas com capacidade de ganhar, ainda que não tenha um claro substituto para Edgar Pinto. Cardoso completa um conjunto com ciclistas quase todos com características de lutadores, daqueles que não baixam os braços nem por nada.

Veja aqui todos os resultados da Vito-Feirense-BlackJack em 2018 e das restantes equipas nacionais.

6 de maio de 2018

"Ganhar em Madrid dá-me confiança para o futuro"

Adeus azares e que venham mais vitórias! É assim que Edgar Pinto espera que seja o seu futuro. Depois de ter chegado a pensadr em terminar a carreira, o ciclista reencontrou-se com os grandes momentos e juntou uma etapa e a geral da Volta à Comunidade de Madrid à tirada que tinha conquistado na Volta ao Alentejo. Foi dia de festa para a Vito-Feirense-BlackJack frente ao Estádio Santiago Bernabéu, pois a equipa ganhou ainda a classificação da juventude, com Xuban Errazkin.

"Isto tinha que mudar, este azar todo! Começou no Alentejo com a vitória de etapa e depois aqui, no primeiro dia com o triunfo, vi que estava a passar o bom momento e aproveitei da melhor forma, vencendo a geral", salientou Edgar Pinto ao Volta ao Ciclismo. Admitiu que tem sido um ano em que tem estado "mais tranquilo", com o pensamento mais centrado na Volta a Portugal. Porém, não gosta de deixar passar oportunidades e com este regresso às vitórias, a motivação é bem diferente, principalmente tendo em conta a grave queda na Volta do ano passado, que lhe prejudicou a preparação para 2018. "Ganhar em Madrid dá-me confiança para o futuro. É um prestígio muito grande. É uma corrida que tem o palmarés que tem, teve as equipas que teve e tinha os colombianos aqui em força", referiu.

Quanto ao palmarés, quando Edgar Pinto subiu ao pódio foi de imediato recordado como um português já por lá tinha passado em 2011. Rui Costa também venceu a Volta à Comunidade de Madrid. Outros nomes que não passam despercebidos, apesar de terem ficado em segundo, são Alejandro Valverde, Nairo Quintana e Mikel Landa. Este ano, acompanharam Edgar Pinto no pódio o colombiano Fabio Duarte (Manzana Postobón) e o equatoriano Jonathan Caicedo, colega de Oscar Sevilla, ciclista de 41 anos da Medellin e que em 2017 bateu Raúl Alarcón (W52-FC Porto) na geral (pode conferir aqui as classificações da corrida espanhola que decorreu entre sexta-feira e este domingo).

"Eu gosto sempre de aproveitar as oportunidades! Nunca as descarto! Mas vamos desfrutar desta vitória"

Preparado para regressar de imediato a Portugal, a longa viagem ia ser bem mais fácil e relaxada com o enorme troféu na bagageira. É tempo de festejar, mas há que começar a pensar na fase da temporada que se aproxima e que conta com algumas das corridas mais importantes, como o Grande Prémio Jornal de Notícias, Troféu Joaquim Agostinho e, claro, a Volta a Portugal. "Agora é como no início [da época]: pensar na Volta. Mas eu gosto sempre de aproveitar as oportunidades! Nunca as descarto! Mas vamos desfrutar desta vitória", realçou. E quando chegasse a casa teria de descobrir onde colocar a taça: "Estava a comentar com a minha mulher que a que ganhei na sexta-feira tinha de ficar por cima da vitrina, mas esta não cabe lá! Nunca tinha ganho um troféu tão grande. É um bocado exagerado, mas assim não me esqueço!"

O pódio final da Volta à Comunidade de Madrid
Os sorrisos era muitos e rasgados na Vito-Feirense-BlackJack. O projecto que este ano foi para a estrada com Joaquim Andrade ao leme e que marcou o regresso do clube de Santa Maria da Feira ao ciclismo, está a somar resultados positivos. "Ganhar a Volta à Comunidade de Madrid é mais do que excelente! Nós sabemos que o Edgar é um ciclista de nível mundial, que pode vencer em qualquer lado, mas sabemos também das nossas limitações, dos problemas que temos tido, de algumas lesões que temos sofrido, mas temos conseguido contornar as coisas", afirmou o director desportivo ao Volta ao Ciclismo.

O objectivo passava principalmente por tentar vencer a etapa, algo que Edgar Pinto resolveu logo na primeira: "Isso deu-nos alguma tranquilidade para enfrentar os dias seguintes. Ontem [sábado] perdemos a camisola. No primeiro momento foi um sabor amargo, mas quando analisámos, pensámos que talvez fosse melhor assim e as coisas correram bem." E acrescentou: "Esta vitória é importante para nós, para o clube e para o ciclismo português."

Se para a equipa estas conquistas são de extrema importância, ver Edgar Pinto a vencer também deixa Joaquim Andrade muito satisfeito. "Ele passou um período de defeso complicado. Recuperava de uma lesão enquanto todos os outros já se preparavam. Ponderava até a possibilidade de continuar a correr ou não. Tinha sido muito azar seguido, muita mazela. Fazer as coisas bem, acreditar no seu valor e ir alcançado as vitórias vai-lhe dar uma tranquilidade e segurança que ele necessitava. É um dos melhores corredores portugueses, sem dúvida. Contamos muito com ele", frisou.


Joaquim Andrade: "Esta vitória é importante para nós, para o clube e para o ciclismo português"

Também o resultado de Xuban Errazkin merece o devido destaque. Para o responsável da equipa, a vitória na classificação da juventude do espanhol de 21 anos - já com passagem na Rádio Popular-Boavista, depois de ter estagiado na estrutura da actual Wilier Triestina-Selle Italia - terá o condão de incentivar os outros ciclistas mais novos, pois a formação é parte importante deste projecto da Vito-Feirense-BlackJack. "Acredito que todos eles têm um futuro risonho pela frente", disse. E por falar nos jovens, a equipa celebrou mais uma vitória neste domingo, com o júnior Diogo Barbosa a vencer na quinta e última etapa da Taça de Portugal, na Palmeira, em Braga. Guilherme Mota, do Alcobaça CC-Crédito Agrícola, venceu o troféu.

Depois de uma paragem de algumas semanas, o calendário nacional de elite irá ser retomado com o Grande Prémio Jornal de Notícias, de 28 de Maio a 3 de Junho. Contudo, a passagem por Espanha de algumas equipas portuguesas terminou com bons resultados em Madrid. A Vito-Feirense-BlackJack conseguiu o prémio maior, mas destaque ainda para a W52-FC Porto que foi a melhor equipa da corrida. Presentes estavam, por exemplo, a Movistar (World Tour), Manzana Postobón, Caja Rural, Burgos BH e Euskadi Murias (todas do escalão Profissional Continental).

A Efapel viu Marcos Jurado regressar a um pódio para levar a camisola das metas volantes, algo que já tinha feito na Volta a Castela e Leão. A Aviludo-Louletano-Uli, Rádio Popular-Boavista e o Miranda-Mortágua fecharam o contingente português na capital espanhola, reforçado por Nuno Bico (Movistar) e Rafael Reis (Caja Rural).

De referir que a última etapa foi ganha por Carlos Barbero, ciclista da Movistar, que no ano passado se tornou no primeiro ciclista a ganhar por duas vezes a Volta ao Alentejo. O espanhol bateu ao sprint Óscar Pelegri (Rádio Popular-Boavista) e Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), que continua a mostrar-se depois de ter conquistado a Alentejana, em Março.

(Pode ver aqui os principais resultados das equipas portuguesas.)

»»Soufiane Haddi: "O Edgar é meu amigo e foi por ele que vim"««

»»Edgar Pinto: "Cheguei mesmo a ponderar abandonar"««

7 de dezembro de 2017

"Estamos confiantes que poderemos criar a curto prazo um projecto muito forte no ciclismo"

(Fotografia: Vito-Feirense-BlackJack)
Se há um ano se celebrava o regresso de alguns ciclistas que permitiram fortalecer e dar outro mediatismo ao pelotão nacional, agora o ciclismo português dá mais um passo rumo a uma consolidação, depois de anos de crise. A Vito-Feirense-BlackJack será uma das responsáveis. É um novo projecto que traz de volta à elite um nome bem conhecido da modalidade: Joaquim Andrade, agora no papel de director desportivo de uma formação Continental. O coincidir de três vontades permitiu que nascesse esta equipa, que quer já em 2018 lutar pela Volta a Portugal e contribuir durante o ano para que a hegemonia da W52-FC Porto comece a ser quebrada.

É um novo desafio que entusiasma Joaquim Andrade, mesmo que os começos sejam sempre difíceis. "Penso que estamos num bom caminho. Estamos confiantes que poderemos criar a curto prazo um projecto muito forte no ciclismo", salientou o responsável ao Volta ao Ciclismo. Esta confiança advém do facto da Vito-Feirense-BlackJack ter herdado parte dos ciclistas que constituíram a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack em 2017, como Edgar Pinto e a revelação na Volta a Portugal e no ciclismo de pista, João Matias, mas também por dar a oportunidade a jovens talentos do Sport Ciclismo São João de Ver de serem profissionais.

Joaquim Andrade explicou que no São João de Ver havia a ideia de criar uma equipa Continental, de forma a dar continuidade ao trabalho de formação. Numa viagem até à Volta a Portugal, um amigo e membro da direcção do Feirense, comentou o desejo do clube de futebol em ter uma equipa de ciclismo para celebrar o centenário. Primeiro foram as conversas com o presidente do Feirense, Rodrigo Nunes, mais tarde surgiu a oportunidade de ficar com parte da estrutura da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Mais uma conversa, agora com Fernando Pinto da formação de ciclismo, e: "Em pouco tempo chegámos a um consenso. Juntámos as três partes para atingir os nossos objectivos."

"Conheço o trajecto dele [Soufiane Haddi] e sei que é um ciclista com enorme potencial. Vai dar um grande contributo à equipa"

O sonho do São João de Ver em ter uma equipa Continental não era para ser concretizado tão cedo, mas a oportunidade não podia ser desperdiçada. Juntar aos jovens Bernardo Saavedra, Gonçalo Santos e João Santos, ciclistas como Edgar Pinto, Hugo Sancho, Luís Afonso e João Matias - que estavam na LA - "foi a forma de fazer a transição mais sustentada", segundo Joaquim Andrade. A este grupo junta-se Ricardo Vale (Rádio Popular-Boavista), Leonel Coutinho (G.D. Supermercados Froiz) e ainda o marroquino Soufiane Haddi. "Foi colega do Edgar na Skydive Dubai e já correu em Portugal, na Volta ao Algarve e no Troféu Joaquim Agostinho. Conheço o trajecto dele e sei que é um ciclista com enorme potencial", referiu o responsável, frisando que Haddi "vai dar um grande contributo à equipa". "Esteve para integrar a equipa da LA, mas teve um problema com o visto porque já tinha um passado para o Dubai e não foi possível vir", disse.

Elogios aos ciclistas que farão parte da equipa não faltam. A começar pelos jovens que farão a estreia como profissionais:

"O João Santos é um ciclista que tem já uma escola muito grande. Embora seja o primeiro ano, creio que será muito útil. Já sabe o que é trabalhar para uma equipa e é também rápido. Por isso é que digo que ele pode estar na ajuda aos corredores mais rápidos [João Matias e Leonel Coutinho]";

"O Gonçalo Santos é da mesma idade do João [22], mas tem pouca escola de ciclismo de estrada. Penso que será um ano de algum crescimento e amadurecimento, contudo, também tem muita qualidade. Poderá surpreender um pouco as pessoas que não o conhecem muito bem";

"O Bernardo Saavedra é o mais jovem deles todos e ainda vai para a sua segunda época como sub-23. Está a completar os estudos e iremos dar-lhe alguma liberdade. Vamos com mais calma com ele. Mas é um atleta que tem demonstrado capacidade para vir a ser um bom ciclista no futuro."

A época de Ricardo Vale foi marcada por uma lesão, mas Joaquim Andrade afirmou ter "muito potencial". Hugo Sancho e Luís Afonso oferecem qualidade ao do bloco que estará ao lado de um Edgar Pinto que a Vito-Feirense-BlackJack quer ver lutar pela Volta a Portugal. Já João Matias é um ciclista de quem o responsável espera muito e irá continuar a poder conjugar a estrada com a pista.

Leonel Coutinho está de regresso a Portugal, depois de um ano por Espanha. Joaquim Andrade considera que, tal como aconteceu com João Matias, a experiência poderá revelar-se ser muito importante. "Penso que o poderá ajudar a encarar esta época com uma maior motivação e acredito que se poderá impor. Fizemos algumas provas em Espanha com o Leonel e agradou-me muito a forma como ele encarava as corridas, como fez as provas. Ganhou algumas e ajudou a ganhar outras", salientou.

Discutir a Volta a Portugal e quebrar uma hegemonia

Joaquim Andrade teve uma carreira com mais de 20 anos, detém o recorde de 21 Voltas a Portugal consecutivas, passou por muito, mas admite que uma hegemonia como o da W52-FC Porto não é muito normal. "O ciclismo foi sempre marcado por domínios. Quando eu comecei a correr havia a Sicasal - de que fiz parte - que dominava grande parte das épocas, mas normalmente na Volta a Portugal as coisas equilibravam um pouco mais. Não tem acontecido com a equipa da W52-FC Porto", recordou.

O responsável considera que as restantes equipas do pelotão reforçaram-se bem e que poderá verificar-se um maior equilíbrio, ainda que é provável que se mantenha um pouco a tendência de superioridade da formação do Sobrado. O facto de conseguir ter mais opções, ajuda a que o director desportivo Nuno Ribeiro consiga manter um nível de vencedor nas diferentes corridas. Mas como é que se pode ganhar à W52-FC Porto? "Não é fácil! Temos de ir aproveitando os pontos fracos que eles tenham ao longo do ano e começar a estudar uma forma de os derrotar. A melhor forma é a união e aproveitar o melhor que temos para que durante a temporada se possa contrariar esse domínio."

"Havendo uma equipa a dar esse passo importante [para o escalão Profissional Continental] poderá haver outras empresas a querer seguir esse caminho"

Edgar Pinto está já a preparar-se para estar na luta na Volta a Portugal. O ciclista ainda não está a 100% depois da queda que o atirou para fora da corrida na última edição, mas já treina. Este ano apareceu bem na Volta ao Algarve, algo que poderá não acontecer em 2018: "Vamos com um pouco mais de calma para não haver sobressaltos mais tarde." Apesar de querer disputar outras corridas e ganhá-las, até porque realçou que sempre foi assim que enfrentou o ciclismo, Joaquim Andrade coloca a Volta a Portugal como o principal objectivo.

Depois de deixar a vida de ciclista, o agora director da Vito-Feirense-BlackJack liderou a Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, voltou para a estrada, mas como responsável da Maia, antes aceitar o cargo no Sport Ciclismo São João de Ver. Sente-se motivado para este novo desafio, para esta nova responsabilidade, num projecto que deixará de contar com a equipa de sub-23. Não podendo ter duas formações a competir no mesmo pelotão, o calendário exclusivo do escalão é curto para manter a estrutura. Porém, manter-se-á os juniores, precisamente com o plano de lhes dar uma eventual oportunidade ao mais alto nível em Portugal.

Com o pelotão nacional a crescer com equipas Continentais - também o Miranda-Mortágua e a Liberty Seguros-Carglass seguem esse caminho - Joaquim Andrade acredita que "os anos mais difíceis já passaram". "Estamos numa fase de consolidação", frisou. Ter duas ou três equipas no escalão Profissional Continental seria o ideal na opinião do responsável, até porque acredita que a mentalidade está a mudar e as empresas estão a constatar que associarem-se ao ciclismo poderá ser rentável: "Havendo uma equipa a dar esse passo importante poderá haver outras empresas a querer seguir esse caminho."

Joaquim Andrade está determinado a arrancar em força com este novo projecto e permitir que este se torne num exemplo de como é possível abrir portas a jovens formados no clube e ter uma equipa forte e competitiva ao mais alto nível em Portugal.