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29 de janeiro de 2021

Domingos Gonçalves suspenso perde etapa ganha na Volta a Portugal

Suspenso provisoriamente desde Dezembro de 2019, Domingos Gonçalves sabe agora que só pode regressar à competição nesse mesmo mês em 2023. A UCI confirmou uma sanção de quatro anos ao ciclista português por uso de métodos e/ou substâncias proibidas.

Segundo as datas publicadas pela UCI, a desqualificação do atleta começa a 11 de Julho de 2018, ou seja, a partir desse dia todos os resultados estão anulados. 2018 foi precisamente o melhor ano da carreira do corredor de Barcelos, com seis vitórias, ao serviço da Rádio Popular-Boavista, mais a medalha de prata no contra-relógio nos Jogos do Mediterrâneo, com a camisola da selecção nacional. Essa medalha irá mantê-la, assim como os títulos nacionais de fundo e contra-relógio.

No entanto, a etapa ganha em Boticas na Volta a Portugal fica sem efeito, assim como o nono lugar na classificação geral. A prestação do gémeo nessa temporada, abriu-lhe as portas de uma segunda oportunidade na Caja Rural, equipa que representou em 2019.

Ainda assim, a anulação de resultados acaba por não remontar a 2016, como chegou a ser possível. Aquando da comunicação da suspensão provisória a UCI explicou: "[...] O ciclista português Domingos Gonçalves foi notificado da violação de uma regra anti-doping de uso de uma substância proibida baseada em anomalias detectadas no seu passaporte biológico entre 2016 e 2018."

Ou seja, 2016 e 2017 foram anos analisados, mas as datas agora reveladas apenas se referem aos resultados a partir de Julho de 2018.

Domingos Gonçalves faz 32 anos em Fevereiro e é profissional desde 2002. Além da equipa de José Santos, representou em Portugal a Efapel (2015) e esteve no estrangeiro três temporadas: La Pomme Marseille 13 (2014) e Caja Rural (2016 e 2019). Nas duas primeiras saídas teve como companheiro de equipa o irmão José Gonçalves.

Um possível regresso ao ciclismo só a partir de 12 de Dezembro de 2023, sendo Domingos o segundo português suspenso actualmente. André Cardoso está quase a poder voltar ao activo, com a sanção, também de quatro anos, a terminar a 26 de Junho.

Já Edgar Pinto está suspenso provisoriamente, tal como o espanhol Raúl Alarcón, vencedor de duas Voltas a Portugal pela W52-FC Porto.

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28 de janeiro de 2021

Ano de continuidade mas com um regresso há muito esperado

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Ano de continuidade, na Rádio Popular-Boavista, mas com o regresso "a casa", há muito esperado, de um dos ciclistas portugueses mais acarinhado pelos adeptos. Aliás, este regresso surpreende por só ter acontecido em 2021. Tiago Machado é um dos dois reforços da Rádio Popular-Boavista, equipa onde deu as primeiras pedaladas como profissional e que representou durante cinco temporadas.

Nunca escondeu, na sua longa carreira no estrangeiro, que a porta estava sempre aberta para voltar. Depois das passagens pelo Sporting-Tavira e Efapel, o filho pródigo regressou mesmo a casa. Daniel Freitas é a outra cara nova na equipa, na qual um jovem receberá maior atenção, depois da excelente prestação na Volta a Portugal: Hugo Nunes (na foto).

Com a saída de dois ciclistas influentes, Daniel Silva e David Rodrigues, a chegada de Tiago Machado e Daniel Freitas não só trazem também muita experiência, como são dois atletas que competem sempre com a vitória em mente. Freitas até foi uma das figuras da Volta a Portugal - entre aqueles que não lutavam pela geral -, ao serviço do Miranda-Mortágua. Forte no sprint, foi mostrar como também sabe subir, terminando num excelente 13º lugar. Terminou sempre no top 20 das etapas (em cinco fez top 10), com a excepção do contra-relógio final, no qual foi 31º.

Na Rádio Popular-Boavista poderá, aos 29 anos, será uma das principais apostas na procura por vitórias, sabendo-se que Tiago Machado será sempre um ciclista com um papel mais livre. Gosta de fazer a sua corrida, tentar a sua sorte e não ficar tão preso ao trabalho colectivo. A liderança no Sporting-Tavira não correu como desejava e na Efapel é difícil avaliar uma temporada que praticamente não existiu. Na Volta a Portugal pouco se viu.

Aos 35 anos não dá mostras de estar a pensar em parar e na Rádio Popular-Boavista terá a responsabilidade de não só procurar resultados, como, sendo um ciclista com tanta experiência (nove anos no estrangeiro, oito no World Tour), também será uma voz de liderança para os mais jovens.

Fotografia: Facebook Rádio Popular-Boavista
Pedro Silva, Vinício Rodrigues e Afonso Silva têm entre 19 e 20 anos, Gonçalo Carvalho 23 e mesmo Hugo Nunes tem apenas 24 anos. São ciclistas ainda em progressão e têm a oportunidade de continuar a fazer em 2021, o que em 2020 pouco foi possível. No entanto, este último, Hugo Nunes, comprovou com um grande resultado as qualidades que já lhe eram reconhecidas há muito.

Bom trepador, assumiu a responsabilidade de tentar conquistar a classificação da montanha da Volta a Portugal e conseguiu. Ajudado pela equipa, este discreto ciclista, mas muito certo naquilo que faz na estrada, mostrou um pouco do que pode fazer mais e melhor no futuro, sendo que para este ano haverá maior atenção às suas prestações.

João Benta e Luís Fernandes são mais dois ciclistas experientes que olham sempre para o topo das classificações, assim como Alberto Gallego. O espanhol regressou em 2020 após uma suspensão por doping logo com uma vitória na Prova de Abertura Região de Aveiro. Esperava que fosse o início de um ano em grande, mas, já sabe, não houve plano que resistisse na temporada passada.

A Rádio Popular-Boavista continua a ser uma equipa que tem várias cartas para jogar para perseguir vitórias, para todo o tipo de terreno, para todo o tipo de corrida. Tem sido uma receita com sucesso.

Equipa para 2021:

Permanências: Alberto Gallego, Hugo Nunes, João Benta, Pedro Silva, Luís Fernandes, Gonçalo Carvalho, Vinício Rodrigues e Afonso Silva.

Reforços: Daniel Freitas (Miranda-Mortágua), Tiago Machado (Efapel).

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30 de novembro de 2020

Vozes da experiência mudam de equipa mas continuam a competir


2020 não foi o melhor dos anos para concretizar muitos dos planos! No que diz respeito ao ciclismo, um dos exemplos está a ser o adiamento do final de carreira de alguns atletas. Por cá, Gustavo Veloso já havia dito que queria competir mais um ano (vai para a equipa Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), depois de ficar novamente muito perto de conquistar a sua terceira Volta a Portugal. Entretanto, juntou-se mais um veterano, este com uma carreira internacional de muito respeito: Sérgio Paulinho ainda não vai dizer adeus ao ciclismo. E depois há Tiago Machado. No seu caso, nem se ouve falar de terminar carreira. O que mais quer é continuar a correr, sempre com o seu estilo muito próprio e que o tornam num dos ciclistas mais populares do pelotão nacional.

Em comum, Paulinho e Machado têm o terem optado por regressar às origens. O primeiro vai mudar-se para a LA Alumínios-LA Sport, enquanto o segundo vai novamente trabalhar com José Santos na Rádio Popular-Boavista. Os papéis serão diferentes, mas igual será o prestígio que continuam a trazer ao ciclismo nacional, sendo dois ciclistas com uma longa carreira no estrangeiro.

A Efapel vê sair dois experientes corredores e esta experiência é um ponto muito importante para a LA Alumínios-LA Sport. Esta época, praticamente todos os ciclistas tinham menos de 25 anos, excepção feita a Bruno Silva (32), ciclista contratado precisamente para ser uma voz de comando entre tanta juventude. Sérgio Paulinho já entrou nos 40, tornando-se em mais um exemplo de longevidade na modalidade.

O director desportivo Hernâni Brôco é o primeiro a admitir a relevância de contar com um ciclista com o currículo de Sérgio Paulinho. Mas claro, não significa que não esteja aberta a porta a lutar por vitórias. O ciclista regressou a Portugal em 2017, depois de 12 épocas ao mais alto nível. Deu o salto no ano seguinte a conquistar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, tendo nessa temporada representado a então LA-Pecol.

No World Tour tornou-se num dos melhores gregários, sendo um elemento de confiança para Alberto Contador, por exemplo. Venceu uma etapa no Tour e na Vuelta, mas foi como homem de trabalho que mais se destacou. Quando a Tinkoff acabou, Paulinho regressou a Portugal. Na Efapel procurou assumir um papel de líder, para lutar pela Volta a Portugal (e não só). Não foi uma transformação bem sucedida e acabou por ser novamente gregário, a função em que se sente tão bem. Em 2018, conseguiu um triunfo, numa etapa do Grande Prémio Abimota.

Sempre foi um ciclista de "low profile". O seu trabalho até pode passar despercebido à primeira vista, mas se o seu líder ganhar, sempre sentiu que a missão estava cumprida. Agora, entre a juventude da LA Alumínios-LA Sport, o seu trabalho volta a ser imperceptível à primeira vista.

Contudo, no papel de quem tem muito a ensinar, Brôco espera que Paulinho possa dar uma ajuda na evolução de ciclistas que nesta nova era da equipa tiveram um 2019 muito positivo e um 2020 longe do esperado, ainda que seja um ano que pouco se possa dizer sobre a prestação das equipas nacionais, devido às escassas corridas disputadas. A continuidade de Sérgio Paulinho, mesmo que seja apenas por mais um ano, é uma excelente notícia.

Quanto a Tiago Machado, é um regresso já esperado à estrutura de José Santos. Esteve cinco épocas no Boavista quando passou a profissional, antes de ir para o estrangeiro, com oito anos no World Tour e um no segundo escalão. Nunca escondeu a possibilidade de um dia voltar à agora Rádio Popular-Boavista, mas quando decidiu prosseguir a sua carreira em Portugal em 2019, escolheu o então Sporting-Tavira e depois a Efapel.

Na formação algarvia não foi o líder que o próprio queria ser, principalmente na Volta a Portugal. É um desejo ganhar esta corrida, mas têm estado longe de sequer lutar por um pódio. Na Efapel, sabia que não teria, em circunstâncias normais, esse papel e teve de ajudar Joni Brandão.

Na Rádio Popular-Boavista, Machado (35 anos) poderá ser mais aquele ciclista que bem se conhece. Irreverente, sempre pronto a animar corridas e para quem não há impossíveis. Em representação da Selecção Nacional, venceu em 2018 a Prova de Abertura Região de Aveiro (estava na Katusha-Alpecin), tendo pedalado sozinho durante 80 quilómetros! Um bom exemplo de como para Machado há que arriscar para ganhar.

Na equipa de José Santos corre-se muito assim. Os ciclistas têm muitas vezes mais liberdade, mesmo que haja um líder. Machado encaixa na perfeição na mentalidade da Rádio Popular-Boavista e será um corredor com caminho livre para ir à procura de vitórias. 

Um regresso em 2021

Na próxima época irá regressar a Portugal mais um experiente ciclista. Ricardo Vilela, depois de seis anos no estrangeiro, sempre no nível Profissional Continental (Caja Rural, Manzana Postobón e Burgos-BH) estará de volta à última equipa que representou antes de sair do país: a W52-FC Porto (então a OFM-Quinta da Lixa).

Aos 32 anos será mais um reforço de luxo para a formação que domina o pelotão nacional, podendo ser uma opção tanto para liderança, como para ajudar companheiros, visto esta ser uma equipa com mais chefes-de-fila. Não esquecer que Joni Brandão trocará a Efapel pela formação azul e branca para se juntar a Amaro Antunes e João Rodrigues.

2 de março de 2020

"Gosto de arriscar e enquadro-me muito bem na Rádio Popular-Boavista"

Era um dos ciclistas que começava a ganhar destaque na Miranda-Mortágua, com presenças na selecção nacional, quando resolveu fazer o seu último ano de sub-23 na U.C.Mónaco. Não sendo uma equipa muito conhecida, para Gonçalo Carvalho foi uma oportunidade que não queria desperdiçar. Agora está de regresso a Portugal, numa Rádio Popular-Boavista que considera assentar-lhe bem, tanto por poder conviver com ciclistas mais experientes, como pela possibilidade de ter liberdade em algumas corridas. Tem os objectivos bem definidos e um passa pela Volta a Portugal.

"A Rádio Popular-Boavista é uma equipa com muita história. Espero que seja bom para mim estar aqui e que possa evoluir ainda mais", começou por dizer Gonçalo Carvalho. Porém, antes de se falar sobre as expectativas para 2020, recuou-se a 2019, pois representar uma equipa monegasca gera curiosidade. "O que me levou a ir foi o calendário. Fiz praticamente 40 dias UCI e todos eles com o melhor pelotão sub-23. Tentei a minha sorte. Arrisquei para tentar fazer uma boa época e, quem sabe, abrir as portas para outras equipas. Não foi o caso, mas fica o contacto e quem sabe consiga voltar a ir para fora", explicou ao Volta ao Ciclismo.

Não hesita em considerar que "a experiência em França foi muito boa", tendo competido "sempre a alto nível, com as melhores equipas de sub-23, muitas delas satélites das do World Tour". Lamentou não ter conseguido uma classificação de destaque, apesar de considerar que esteve bem durante toda a temporada, com excepção de duas quedas que chegaram a afastá-lo provas importantes. "Foi algo novo e aprende-se sempre muito. Ao correr àquele nível ganhei mais experiência e maturidade. Agora encaro as corridas de outra maneira e penso que me vai ajudar no futuro", salientou, numa comparação com o calendário que teria feito se tivesse permanecido em Portugal.

Só faz 23 anos em Dezembro, mas a sua fase neste escalão terminou. É agora um atleta de elite, ainda que continue a disputar classificações da juventude. E estar na luta por ela na Volta a Portugal é um dos seus objectivos para 2020. Mas até lá... "Penso que num Grande Prémio das Beiras e Serra da Estrela ou num Abimota, aqui em Portugal, posso fazer boas corridas, tendo em conta que sou trepador e são provas para ciclistas com as minhas características. Mas em Espanha temos as Astúrias e a Volta a Madrid e também gostaria de estar bem aí", referiu.

"Há duas equipas muito fortes, mas creio que a nossa é bastante homogénea. Certamente que vamos estar sempre na discussão das classificações"

Estas duas corridas além fronteiras são vistas também como uma forma de mostrar-se novamente a nível internacional, com Gonçalo Carvalho a não esconder como continua a ambicionar correr numa equipa estrangeira de qualidade: "Já que vamos correr Espanha, onde há uma maior visão para fora e como tenho alguns contactos nesse campo, gostaria de mostrar o meu valor e quem sabe ter uma oportunidade."

No entanto, o jovem ciclista não quer falar apenas em planos pessoais. Destacou como quer aprender com os atletas mais experientes que estão na Rádio Popular-Boavista e ajudá-los nos seus objectivos. A equipa começou 2020 com uma vitória na Prova de Abertura Região de Aveiro, por intermédio do espanhol Alberto Gallego e quer mais, mesmo que isso signifique enfrentar o poderio da W52-FC Porto e da Efapel: "Há duas equipas muito fortes, mas creio que a nossa é bastante homogénea. Temos um grupo muito forte para a montanha. Somos muito unidos. Certamente que vamos estar sempre na discussão das classificações, apesar do W52-FC Porto e da Efapel terem mais destaque. Nós vamos lá estar a dar luta."

Ficou a garantia de um ciclista que não esconde como gosta de andar ao ataque, algo comum a muitos dos atletas que fazem parte da estrutura liderada pelo director desportivo José Santos. "Gosto de arriscar e enquadro-me muito bem na Rádio Popular-Boavista", frisou. Como balanço das primeiras semanas de trabalho do ano e concluída a Volta ao Algarve, disse que estava satisfeito, tanto pelo que fez para os colegas, como depois no Malhão, onde pode testar-se um pouco. A forma física é para ir melhorando e estar forte em Abril e Maio, antes de começar a pensar na Volta a Portugal.

Olhando mais além e no que precisa de trabalhar para se tornar num ciclista mais completo, como deseja, Gonçalo Carvalho fala de imediato no contra-relógio. "É um ponto fraco meu", desabafou. Agora é tempo de continuar os treinos, pois quer muito terminar a época com bons resultados para apresentar.

»»"[O Gallego] é um bom profissional e acho que ficou provado aqui"««

»»Tiago Antunes à procura de relançar a carreira na Efapel««

16 de fevereiro de 2020

"[O Gallego] é um bom profissional e acho que ficou provado aqui"

"Chegou, regressou e ganhou." É a versão de José Santos da expressão veni, vidi, vici sobre a vitória de Alberto Gallego na Prova de Abertura Região de Aveiro. O espanhol foi para a fuga logo aos cinco quilómetros, com mais ciclistas, mas no final dos 181,3, em Vagos, estava sozinho. Foi o regresso perfeito à competição de um corredor que a Rádio Popular-Boavista está a dar uma segunda oportunidade na carreira depois de quase quatro anos de suspensão.

"Conheço-o bem. Mantivemos contacto este tempo todo. Sempre lhe disse para treinar que tinha aqui uma equipa. Ele é um bom profissional e acho que ficou provado aqui", afirmou o director desportivo da equipa ao Volta ao Ciclismo. E acrescentou: "Sempre acreditei nele. Sei do valor que ele tem e da injustiça de que foi alvo."

É impossível contornar as circunstâncias pelas quais se fala de um regresso. Gallego já tinha estado na equipa portuguesa na segunda metade da época de 2014 e depois na de 2015. Quando se preparava para representar a Caja Rural, acusou estanozol, um esteróide anabolizante, foi suspenso, mas sempre defendeu a sua inocência. Então, numa carta aberta, escreveu: "Para mim é óbvio que se não tomei propositadamente e se não está nos rótulos [dos suplementos], então eu sou uma vítima". Considerou ser uma vítima de contaminação no laboratório. José Santos foi peremptório sobre o que aconteceu: "São águas passadas."

O responsável acreditava que Gallego poderia fazer uma boa corrida e admite que a vitória logo a abrir a temporada, depois de ter terminado 2019 de uma forma tão forte, dá esperança para que 2020 possa ser um ano muito positivo para a Rádio Popular-Boavista. Gallego quer contribuir para isso mesmo e, apesar da enorme emoção que não conseguia esconder na meta em Vagos, garantiu que já estava a pensar na próxima corrida, a Volta ao Algarve.

"Só correr, para mim, era uma vitória. Os culpados disto são a minha família, o José Santos... Nem sei como me sinto... É um regresso incrível, nem acredito", desabafou ao Volta ao Ciclismo, perante abraços da família, colegas e de ciclistas de outras equipas que pararam para felicitar Gallego.

Uma corrida atribulada

A Prova de Abertura Região de Aveiro foi uma corrida atribulada no arranque de temporada em Portugal. Ainda nem tinha começado e o percurso já tinha sido alterado, com as equipas devidamente informadas. O Carnaval já se começa a fazer sentir nesta zona do país e foi preciso escolher uma rota inicial um pouco diferente. De 174,5 quilómetros, passou-se para 181,3. Manteve-se a única subida categorizada em Talhadas, onde a corrida foi neutralizada durante vários minutos, com direito a paragem total. Uma queda que afectou vários ciclistas e que obrigou a intervenção de todos os meios disponíveis de socorro, levou à decisão dos comissários.

Na altura os fugitivos, Gallego, Hugo Sancho (Miranda-Mortágua), Marvin Scheulen (LA Alumínios-LA Sport) e Franklín Chacón (Gios-Kiwi Atlantico) levavam cerca de 15 minutos de vantagem. Quando a corrida retomou, tinham dez. "Isso é importante não ser esquecido. Não foi explicado porquê", salientou José Santos que, perante a vitória, não quis alimentar polémicas.

José Dias (Equipa Portugal) e Francisco Pereira (JV Perfis-Gondomar Cultural) tentaram alcançar a frente da corrida, mas nunca conseguiram lá chegar, enquanto a cerca de 20 quilómetros do final Gallego deixou os companheiros de fuga, que seriam alcançados pelo pelotão. Houve um sprint para o segundo lugar, com o venezuelano Leangel Linarez (Miranda-Mortágua) a ser o mais forte, celebrando o que pensou ser a vitória. Não se apercebeu que Gallego não tinha sido alcançado. Em terceiro ficou Luís Mendonça, um dos reforços da Efapel.

Alberto Gallego cumpriu em 4:15.59 horas os 181,3 quilómetros, que começaram a ser percorridos em Albergaria-a-Velha e passaram por Estarreja, Ovar, Murtosa, Sever do Vouga, Talhadas, Águeda, Oliveira do Bairro, Anadia, Nariz e Ílhavo. O pelotão cortou a meta em Vagos 18 segundos depois.

A Rádio Popular-Boavista ganhou ainda por equipas, enquanto a Sicasal-CM Torres Vedras foi a melhor de clube. O melhor jovem foi Fábio Costa (Kelly-InOutBuild-UDO) - sétimo na geral -, com Gallego a levar ainda a classificação da montanha. As chamadas meta particulares, duas foram ganhas por Franlin Chacón (Gios-Kiwi Atlantico) e uma por Hugo Sancho (Miranda-Mortágua).

»»Começa a época em Portugal (finalmente)««

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15 de janeiro de 2020

Ponto final na carreira do ciclista que nunca teve medo de arriscar

Um dia marcante na carreira de Filipe Cardoso (Fotografia: © Volta a Portugal)
É o adeus de um ciclista que, em tempos recentes, foi a par de Rui Sousa dos mais acarinhados pelos adeptos portugueses. Filipe Cardoso foi sempre um corredor que não se coibiu de dar espectáculo, fosse pelo seu estilo atacante, sem medo de arriscar, fosse pelas pequenas acrobacias, que quem assista vibrava a ver. Nem que fosse um cavalinho em plena Senhora da Graça! Foi precisamente nesta mítica subida que viveu um dos grandes momentos da sua carreira, ele que foi um ciclista que tanto trabalhou para os líderes das equipas que representou. Contudo, para quem acompanhava na berma da estrada as corridas, Cardoso sempre foi um dos favoritos, pois nem tudo se resume a quem mais ganha. Ambicionava colocar um ponto final na carreira sob os seus termos. E assim foi. É altura de agarrar novos desafios.

"Quero acabar a carreira de bem com a modalidade e com as pessoas que dela fazem parte. Quero sair sabendo que vou ter vontade de ir assistir à Volta a Portugal e de telefonar aos meus amigos do pelotão. Obrigado pelas propostas das equipas que recebi e recusei para 2020", escreveu na sua página de Facebook. Realçou que o final de carreira não é uma coisa má, "é só uma mudança". O pelotão nacional perde uma das suas vozes mais fortes e que no último ano representou a Vito-Feirense-PNB. Nesta estrutura teve um papel importante ao lado de jovens companheiros que estavam a chegar ao mais alto nível do ciclismo português.

Parte da sua carreira foi passada na Efapel (seis anos), mas esteve na extinta Liberty Seguros, LA, reencontrou-se com o amigo Rui Sousa (que terminou a carreira em 2017) na Rádio Popular-Boavista, antes da última aventura no Feirense. Filipe Cardoso admitiu algum cansaço em ser ciclista profissional, mas deixa claro que continua a adorar andar de bicicleta, que continuará presente na nova fase da sua vida.

"Eu adoro as bicicletas e o ciclismo, mas sempre soube que a vida de ciclista profissional não dura para sempre e que a saída na altura errada nos pode perseguir por muito tempo, ou até para sempre. Por isso tenho vindo a preparar o final da minha carreira da forma que me parece mais acertada, por minha vontade, numa altura em que ainda tenho o que é preciso para ser combativo e acrescentar valor a uma equipa profissional de ciclismo. Não quero sair por qualquer outro motivo, mais tarde, contra minha vontade", lê-se no texto de despedida. E acrescentou: "Já me diziam os 'velhinhos' atletas nos meus primeiros anos de profissional: 'Quando começares a ter dúvidas é hora de parar'."

E Filipe Cardoso parou e a sua nova paragem passa pela Grandíssima. O projecto nasceu há pouco mais de dois anos e é mais do que uma loja. É onde se vive a "cultura da bicicleta". O adeus ao ciclismo profissional já estava a ser preparado desde que abraçou a Grandíssima, localizada em Sanfins, Santa Maria da Feira.

Mas antes de se fechar o capítulo de se escrever sobre o ciclista Filipe Cardoso, é inevitável recuar àquele 2 de Agosto de 2015. Foi o dia em que arriscou tudo para ganhar na Senhora da Graça. Naquele ano não houve cavalinhos, mas uma determinação em vencer num local que tanta história tem no ciclismo nacional.

Longe de ser um trepador nato, naquela quarta etapa da Volta a Portugal, Cardoso subiu quase como tal. Porém, ainda mostrou porque era um corredor que dava tudo pela equipa. Apesar de ter cerca de quatro minutos de vantagem antes dos oito quilómetros da mítica subida, Cardoso perguntou ao seu então director desportivo na Efapel se era necessário esperar por um companheiro. Américo Silva acreditou que o ciclista poderia ganhar, mesmo tendo Joni Brandão na luta pela geral. Deu-lhe liberdade para conquistar a glória. O risco compensou.

"Ao vir sozinho corri alguns riscos, mas quando se quer vencer não se pode pensar nisso. No dia em que tiver medo de arriscar deixarei de ser ciclista", disse após cortar a meta, algo incrédulo com o que tinha alcançado e com o seu companheiro, Joni Brandão, a recuperar praticamente todo o tempo que tinha de desvantagem, mas a não tirar um momento único na carreira de Filipe Cardoso. Somou outras vitórias, como três etapas na Volta ao Alentejo, lutou por muitas mais, ajudou companheiros a alcançar os objectivos.

Como se pode ver na fotografia que publicou no Facebook (ver em baixo), é tempo de brindar à carreira que teve e, principalmente, aos novos desafios.

Aqui fica o texto de despedida completo, publicado pelo agora ex-ciclista na referida rede social.




»»João Matias destacou-se numa época difícil do Feirense, mas com jovens ciclistas a mostrarem-se««

»»O recomeço de Ivo Oliveira««

1 de janeiro de 2020

Principais transferências e calendário nacional de 2020

(© João Fonseca Photographer)
Ano novo, equipamentos novos! É tempo dos ciclistas que mudaram de equipas mostrarem as novas cores. Algumas das formações que ainda não tinham apresentado as escolhas de camisola e calções para 2020, revelaram como se vão apresentar e até houve a confirmação de como se chamará a equipa de Mathieu van der Poel: Alpecin-Fenix (ex-Corendon-Circus). Nas redes sociais sucederam-se neste primeiro dia de 2020 as fotografias de muitas das figuras internacionais que vão começar uma nova fase na carreira, mas por cá, o ritmo é diferente. Com a época a arrancar a 16 de Fevereiro, durante este mês ficar-se-á a conhecer mais pormenores sobre equipamentos e bicicletas das nove equipas portuguesas Continentais e alguma eventual contratação de última hora.

Só a Kelly-InOutBuild-UDO (UD Oliveirense-InOutBuild em 2019) já avançou com o novo nome e a camisola a usar em 2020. Porém, já se conhecem as muitas mexidas no pelotão, com alguns dos principais ciclistas a competirem por cá a serem protagonistas de transferências, algumas que até surpreenderam um pouco. E claro que há o regresso de um ciclista muito apreciado pelos adeptos. Amaro Antunes está de volta à W52-FC Porto, dois anos depois de ter partido para a CCC, com 2019 a ter sido ano de presença no World Tour.

A equipa que tem dominado a Volta a Portugal e grande parte da temporada nacional, contratou ainda o campeão nacional José Mendes. Porém, o destaque deste defeso vai para a rival Efapel. E é isso mesmo que a equipa de Rúben Pereira quer ser: uma rival à altura da W52-FC Porto. Até foi buscar dois ciclistas aos azuis e brancos: António Carvalho e César Fonte.

O primeiro não deixou de ser uma surpresa. Era um dos esteios da equipa de Nuno Ribeiro, um elemento essencial nas conquistas das últimas Voltas, além de alcançar também vitórias pessoais, como no Grande Prémio Jornal de Notícias. Procura ter mais liberdade, mas na Efapel terá Joni Brandão à frente na hierarquia. A Efapel contratou ainda Tiago Machado (ex-Sporting-Tavira) e o sempre muito lutador Luís Mendonça (ex-Rádio Popular-Boavista). Outro destaque é o jovem Tiago Antunes (SEG Racing).

Estas contratações fazem perspectivar uma época mais equilibrada entre estas duas equipas e a expectativa de uma luta ainda mais feroz na Volta a Portugal. Ambas estão a fazer-se valer de financeiramente serem claramente as que de melhor saúde gozam em Portugal e assim garantir muitos dos melhores ciclistas que competem no pelotão nacional.

Com a descida ao escalão Continental, a W52-FC Porto reduziu um pouco o plantel e ficou sem ciclistas como Joaquim Silva e Rafael Reis, mas a preocupação está mesmo se Raúl Alarcón vai ou não ser suspenso, depois da análise positiva divulgado pela UCI num teste anti-doping. O espanhol está suspenso provisoriamente, garante que está inocente, mas é para já baixa na equipa. Contudo, com João Rodrigues e Amaro Antunes a liderança está assegurada e alguns dos principais gregários vão continuar. Continua a ser uma equipa muito forte.

Se a Efapel quer equiparar-se à W52-FC Porto, as restantes equipas podem não ter os mesmos argumentos, mas não significa que não possam ter boas temporadas. A Aviludo-Louletano, por exemplo, contratou dois bons ciclistas. João Matias será homem do sprint, enquanto Jesus del Pino irá reforçar o bloco de apoio a Vicente García de Mateos. Ambos deixaram a Vito-Feirense-PNB. Sergey Shilov (Gazprom-RusVelo) apresenta-se, para já, como uma incógnita sobre o que poderá acrescentar à equipa, ainda que já tenha vencido uma etapa na Volta em 2014.  No entanto, a equipa algarvia perdeu uma das figuras dos últimas duas temporadas. Luís Fernandes será um reforço importante para a Rádio Popular-Boavista.

Gonçalo Carvalho (UC Mónaco) também será aposta do director José Santos, um dos jovens a seguir em 2020 juntamente com Miguel Salgueiro, que depois de dois anos na Sicasal-Constantinos, chega à elite na LA Alumínios-LA Sport. Dois atletas de enorme de qualidade.

Mas quanto aos mais experientes, Henrique Casimiro troca a Efapel pela Kelly-InOutBuild, que irá contar também com Luís Gomes (ex-Rádio Popular-Boavista), vencedor de uma etapa na Volta a Portugal em 2019. Casimiro venceu o Troféu Joaquim Agostinho. Bruno Silva, outro homem da Efapel, irá dar experiência à LA Alumínios-LA Sport, enquanto Joaquim Silva regressa à equipa que representou como sub-23, a Miranda-Mortágua, e Rafael Reis será o líder de um Feirense recheado de ciclistas muito jovens. Ambos procuram reavivar as carreiras.

O Tavira, agora sem Sporting, foi a equipa mais discreta, sendo apenas conhecido um reforço, o jovem Marcelo Salvador (ex-Sicasal-Constantinos).

Pode confirmar neste link os plantéis para 2020 das nove equipas Continentais portuguesas.

Quanto ao calendário, mais uma vez a época arranca com a Prova de Abertura Região de Aveiro, a 16 de Fevereiro, seguindo-se depois a prova mais importante a nível de categoria internacional que se realiza no país: a Volta ao Algarve.

A principal novidade é a mudança do Grande Prémio Jornal de Notícias. Depois da Volta (de 29 de Julho a 9 de Agosto, com a última etapa marcada para Lisboa), a época entrava numa fase de descompressão, com os habituais circuitos a seguirem-se ao Grande Prémio de Mortágua. Porém, uma das corridas que desperta maior interesse entre as formações lusas, irá realizar-se apenas entre 24 a 30 de Agosto, ou seja, já na recta final da temporada, em vez de ser no mês de Junho. Para terminar 2020, o pelotão terá a segunda edição da clássica Rota da Filigrana, a 12 de Setembro.

Confira o calendário de elite publicado pela Federação Portuguesa de Ciclismo:

16 de Fevereiro: Prova de Abertura Região de Aveiro
19 a 23 de Fevereiro: Volta ao Algarve
8 de Março: Clássica da Primavera
15 de Março: Clássica da Arrábida
18 a 22 de Março: Volta ao Alentejo
5 de Abril: Clássica Aldeias do Xisto
17 a 19 de Abril: Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela
17 de Maio: Volta a Albergaria
24 de Maio: Memorial Bruno Neves
28 a 31 de Maio: Grande Prémio O Jogo
10 e 14 de Junho: Grande Prémio Abimota
19 a 21 de Junho: Campeonatos Nacionais, em Paredes (elite e sub-23)
5 de Julho: Grande Prémio Anicolor
16 a 19 de Julho: Grande Prémio de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho
29 de Julho a 9 de Agosto: Volta a Portugal
15 de Agosto: Grande Prémio de Mortágua
16 de Agosto: Circuito da Malveira
20 de Agosto: Circuito de Alcobaça
24 a 30 de Agosto: Grande Prémio Jornal de Notícias
31 de Agosto: Circuito de Nafarros
31 de Agosto: Circuito da Moita

15 de dezembro de 2019

Rádio Popular-Boavista com razões para celebrar e a contratar para a montanha

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
A época foi boa. Muito boa. A Rádio Popular-Boavista foi combativa praticamente toda a temporada, com Luís Mendonça a destacar-se e a aproveitar a oportunidade de não ter de partilhar lideranças. Quando chegou a Volta a Portugal, as individualidades destacaram-se à vez, dando força a um colectivo que conseguiu que a experiência triunfasse, mas com a juventude a confirmar ser uma aposta ganha.

Com a Volta a ser o palco de eleição para as equipas portuguesas, uma das mais antigas do pelotão nacional realizou uma corrida para mais tarde recordar. Luís Gomes (foi também rei da montanha) e João Benta conquistaram etapas. Só a W52-FC Porto foi superior na classificação por equipas, pois a Rádio Popular-Boavista terminou a corrida com três ciclistas no top dez: Benta (6º e uma presença habitual), David Rodrigues (7º) e Daniel Silva (9º). Além destes resultados, foram constantes as presenças em fugas dos corredores, sempre à procura de mais e melhor.

Nada de novo na forma de competir desta equipa. E foi por isso que Luís Mendonça encaixou tão bem na Rádio Popular-Boavista, depois de dois anos na Aviludo-Louletano. Não sentiu minimamente a responsabilidade de preencher a vaga deixada pelo ciclista que tantas vitórias deu em 2018: Domingos Gonçalves (seis). Mendonça é um corredor que gosta de estar bem praticamente toda a temporada e apesar de ter somado vários segundos lugares (prova de como está sempre disponível para lutar por vitórias em quase todo o tipo de terreno, sendo mais forte ao sprint), conseguiu conquistar a Taça de Portugal, a primeira etapa e a geral do Troféu O Jogo. A pequena frustração aconteceu na Volta. Foi importante no trabalho para a equipa, mas continua a faltar-lhe a etapa que tanto persegue. Vai agora à procura dessa vitória na Efapel.

Daniel Silva fecharia a contagem de vitórias da equipa em 2019 no Grande Prémio de Mortágua, naquele que foi a melhor temporada desde o seu regresso. E aos 34 anos vai continuar a ser uma das vozes de liderança de uma Rádio Popular-Boavista que poderá não ter os mesmo argumentos financeiros de uma W52-FC Porto ou Efapel, mas que reforçou-se a pensar ainda mais na montanha. Chegará um dos ciclistas mais consistentes do pelotão: Luís Fernandes. Depois de Sporting-Tavira e Aviludo-Louletano, é numa equipa do Porto que irá ter mais espaço para mostrar o que já se conhece deste atleta. É dos melhores trepadores em Portugal e aos 32 anos não lhe falta experiência e aquele espírito combativo que tanto agrada a José Santos.

Fernandes juntar-se-á a Benta, Silva e Rodrigues, num bloco muito interessante, sem esquecer o jovem Hugo Nunes. E este ciclista vai ter a companhia de Gonçalo Carvalho. Ambos representaram a Miranda-Mortágua, mas Carvalho optou por competir em França em 2019, no UC Mónaco. Volta agora para o seu país, sendo mais um trepador de talento, que tem sido presença regular nas selecções jovens.

Mas destaque-se Hugo Nunes, um dos exemplos de como a aposta na juventude compensou. Chegou à Rádio Popular-Boavista cotado como um dos melhores enquanto sub-23 e não desiludiu. Aproveitou este passo para evoluir junto a trepadores de referência como João Benta e Daniel Silva. Fiável no trabalho para os companheiros, não deixou de agarrar os momentos em que lhe era concedida mais liberdade. É um ciclista a seguir em 2020, tal como Carvalho e Afonso Silva. No seu primeiro ano como sub-23, o alentejano mostrou que está a adaptar-se bem pelotão de elite.

Para 2020, José Santos irá começar a aproveitar o projecto de formação sub-23 da JV Perfis-Gondomar Cultural. Vinício Rodrigues é o primeiro a dar o salto. Já Pedro Silva, do Seissa-Roriz, passará directamente do escalão de juniores para a Rádio Popular-Boavista e difere das características de muitos companheiros. É um bom rolador e forte no sprint.

A maior surpresa nos reforços chama-se Alberto Gallego. O espanhol cumpriu quase quatro anos de suspensão por doping, depois da sua defesa de contaminação não ter convencido a UCI. Após boas prestações precisamente na Rádio Popular-Boavista (foi terceiro no Troféu Joaquim Agostinho, por exemplo), Gallego preparava-se para representar a Caja Rural, mas foi suspenso ainda antes da primeira corrida pela nova equipa. Aos 29 anos recebe agora um voto de confiança por parte de um director que o conhece tão bem e será mais um ciclista para a montanha.

Com as corridas no calendário nacional a terem a maioria dificuldades montanhosas, à Rádio Popular-Boavista não lhe faltam alternativas para mais uma vez ser muito combativa toda a temporada, mesmo com as saídas de elementos importantes como Mendonça e Luís Gomes (Kelly-InOutBuild-UDO). E claro, os olhos estão bem postos em chegar novamente ao pódio na geral da Volta a Portugal, com Daniel Silva a ter sido o último em 2016.

Equipa para 2020: João Benta, Daniel Silva, David Rodrigues, Afonso Silva, Hugo Nunes, Luís Fernandes (Aviludo-Louletano), Gonçalo Carvalho (UC Mónaco), Vinício Rodrigues (JV Perfis-Gondomar Cultural), Pedro Silva (Seissa-Roriz), Alberto Gallego (sem equipa).

»»Aviludo-Louletano de menor fulgor em 2019 reforça-se para não depender tanto de De Mateos««

»»Passo de qualidade e de sucesso na LA Alumínios-LA Sport««

12 de dezembro de 2019

Domingos Gonçalves suspenso provisoriamente pela UCI

Domingos Gonçalves foi suspenso provisoriamente depois de terem sido detectada anomalias no seu passaporte biológico entre os anos de 2016 e 2018. Esta situação coloca a Caja Rural sob alçada da Comissão Disciplinar da UCI, pois é o segundo caso de violação do regulamento anti-doping num espaço de 12 meses (2016 e 2017), o que pode resultar numa suspensão da equipa entre 15 a 45 dias.

"A União Ciclista Internacional (UCI) anuncia que o ciclista português Domingos Gonçalves foi notificado da violação de uma regra anti-doping de uso de uma substância proibida baseada em anomalias detectadas no seu passaporte biológico entre 2016 e 2018", lê-se no comunicado do organismo.

O corredor de Barcelos representou a equipa espanhola este ano, mas a suspeita de doping remonta à sua primeira passagem pela Caja Rural, em 2016 e às duas temporadas que passou na Rádio Popular-Boavista. No início deste ano, Jaime Rosón foi suspenso por razão idêntica que agora deixa Gonçalves fora de competição. Apesar de estar na Movistar, as anomalias remontavam ao ano de 2017, quando representava a Caja Rural. A UCI explicou em comunicado que ambos os casos ocorreram num espaço de 12 meses, o que activa o artigo que defende a suspensão das equipas. Rosón, que sempre clamou inocência, cumpre uma suspensão efectiva de quatro anos.

Gonçalves, de 30 anos, poderá defender-se, mas enfrenta a possibilidade de ter de cumprir uma longa suspensão, caso não prove que não cometeu qualquer irregularidade. Depois de um 2016 discreto, o corredor de Barcelos regressou a Portugal para tentar reavivar a sua carreira na Rádio Popular-Boavista. E assim foi. Principalmente 2018 foi uma temporada fortíssima de Domingos Gonçalves. Venceu os títulos nacionais de estrada e contra-relógio (este pela segunda vez consecutiva), ganhou a sexta etapa da Volta a Portugal em Boticas, sendo depois nono na classificação geral, somando ainda vitórias na Clássica da Primavera, Circuito de São Bernardo e Circuito da Malveira.

As exibições levaram a Caja Rural a dar uma segunda oportunidade ao ciclista português, mas a época ficou marcada por uma queda grave na Volta à Catalunha, no final do mês de Março. Quando regressou, realizou exibições que levaram os responsáveis a colocá-lo entre os oito eleitos para a Vuelta, naquela que foi a sua primeira grande volta. Porém, abandonou após a 13ª etapa, depois de já não ter concluído a Volta a Portugal. Chegou a ser falado um possível regresso à Rádio Popular-Boavista, mas a carreira de Domingos Gonçalves fica agora em suspenso até ser conhecida a decisão final quanto às suspeitas de doping.

Se se confirmar a suspensão da Caja Rural (o caso vai ser analisado), será a segunda equipa espanhola Profissional Continental a enfrentar uma sanção deste tipo num curto espaço de tempo, depois da Burgos-BH ter ficado 21 dias impedida de competir, entre 16 de Janeiro e 5 de Fevereiro deste ano.


31 de outubro de 2019

Regresso a Portugal de dois jovens ciclistas

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Algumas das equipas portuguesas têm estado a anunciar os seus plantéis para 2020 e já se sabe que dois jovens vão regressar a Portugal para se estrearem como ciclistas de elite. Tiago Antunes e Gonçalo Carvalho vão reforçar a Efapel e a Rádio Popular-Boavista, respectivamente. O primeiro esteve as últimas duas temporadas no estrangeiro, enquanto o segundo trocou a Miranda-Mortágua pela U.C. Mónaco em 2019. Ambos são bons trepadores, mas terão papéis diferentes nas suas equipas.

Tiago Antunes, 22 anos (foto em cima), foi esta quinta-feira anunciado como reforço da Efapel, equipa que está a fortalecer o seu bloco, muito a pensar em dar a Joni Brandão mais e melhor apoio. Antunes fez parte da sua formação na Sicasal-Constantinos, mas em 2018, depois de feito o final de temporada na espanhola Aldro, surgiu o que parecia ser uma oportunidade de ouro. Abriram-se as portas do Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas em Abril Tiago Antunes deixou o projecto. Ao perceber que não iria competir em provas importantes como lhe havia sido dito, regressou à Aldro. Não ficou muito tempo, dando o salto para a SEG Racing Academy, uma das mais prestigiadas equipas de formação. Daquela estrutura saíram ciclistas como Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) e Cees Bol (Sunweb).

O ciclista português tem oscilado entre resultados de nota, inclusivamente pódios, com alguns abaixo das expectativas. Porém, continua a ser visto como um dos talentos jovens de grande potencial e a Efapel quer tentar que exibições como as que fez em Portugal na recta final desta temporada (venceu a Volta às Terras de Santa Maria da Feira, por exemplo) se tornem constantes, agora que poderá encontrar alguma estabilidade competitiva neste seu regresso a Portugal.

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quanto a Gonçalo Carvalho (faz 22 anos a 3 de Dezembro - foto do lado direito) foi uma presença habitual esta época na selecção nacional de sub-23, tendo competido nas prestigiadas Ronde de l'Isard e Tour de l'Avenir. É um ciclista que encaixa muito bem numa Rádio Popular-Boavista que tanto gosta de corredores combativos, que gostem de arriscar e que não têm problemas em entrar em fugas. Apesar da sua juventude, o director desportivo José Santos sabe que poderá ver de Gonçalo Carvalho prestações como as de Hugo Nunes, que este ano foi um atleta incansável tanto na ajuda a companheiros, como a procurar também ele dar resultados à equipa. Será um reencontro entre ambos, já que representaram a Miranda-Mortágua antes de em 2019 seguirem caminhos diferentes.

De referir que a Rádio Popular-Boavista reforçou-se com o sub-23 da JV Perfis-Gondomar Cultural, Vinício Rodrigues, começando assim a cumprir-se um dos objectivos da criação desta equipa de formação, que passa por preparar ciclistas que eventualmente possam dar o salto para a estrutura de José Santos. Pedro Silva do Seissa-Roriz também foi contratado, assim como o espanhol Alberto Gallego, que regressa à competição depois de cumprir uma suspensão por doping. Luís Fernandes (Aviludo-Louletano) irá igualmente juntar-se a esta equipa. João Benta, Daniel Silva, David Rodrigues e Afonso Silva renovaram.

Quanto à Efapel, vai promover o júnior Diogo Almeida e contratou Gerard Armillas (Team Compak). Joni Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho, Pedro Paulinho vão continuar e a maior expectativa são os anúncios oficiais de três reforços de peso que têm sido dados como estando a caminho da equipa de Rúben Pereira: Tiago Machado (Sporting-Tavira), Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista) e António Carvalho (W52-FC Porto).

Outras duas equipas têm estado a anunciar os ciclistas para 2020. A LA Alumínios-LA Sport de Hernâni Brôco confirmou a continuidade de Emanuel Duarte (vencedor da camisola da juventude na Volta a Portugal, conquistando depois a geral da Volta a Portugal do Futuro), David Ribeiro, Marvin Scheulen, André Ramalho, Gonçalo Leaça, Rodrigo Caixas, João Medeiros (estagiou com a equipa na segunda metade da temporada de 2019).

Pedro Silva, director desportivo da Miranda-Mortágua, vai contar com Hugo Sancho, Artur Chaves, Daniel Freitas, Gaspar Gonçalves, Pedro Pinto, dois reforços muito importantes como é o caso de Joaquim Silva (W52-FC Porto) e Ángel Sanchez (W52-FC Porto), juntando-se Leangel Linarez (Kuota-Construcciones Paulino, estagiou na equipa portuguesa a partir de Agosto).

Em todas as equipas aqui referidas, haverá mais novidades nos próximos dias.

»»Época de despedida para muitos dos ciclistas mais experientes««

»»Fundação Euskadi reforça-se com ciclistas da Murias, Movistar e com um da Efapel««

17 de agosto de 2019

Rádio Popular-Boavista imparável

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Se há equipa que parece não querer tirar o pé do acelerador neste final de época é a Rádio Popular-Boavista. Depois de uma excelente Volta a Portugal, só houve uma mexida na equipa para o Grande Prémio de Mortágua, com o jovem João Salgado e entrar para o lugar do espanhol Pablo Guerrero. E aqueles que foram figuras na Volta, uma semana depois lá estiveram novamente na luta e com Daniel Silva a conquistar a vitória. Mas não foi o único a subir ao pódio da equipa.

Logo ao seu lado esteve David Rodrigues, que fez top dez na Volta. Luís Mendonça (12º em Mortágua) ficou com a classificação das metas volantes e a Rádio Popular-Boavista ainda venceu colectivamente. João Benta - ganhou uma etapa na Volta - foi oitavo, Hugo Nunes 13º e Luís Gomes - rei da montanha e vencedor de uma etapa na Volta - 25º. Foi a primeira vitória do ano para Daniel Silva, a sexta da equipa. Pode estar longe das 17 da W52-FC Porto, mas a formação de José Santos está a três da Efapel. E dada a atitude dos seus ciclistas, a Rádio Popular-Boavista quer tentar somar mais algumas numa fase da época dominada pelos tradicionais circuitos, antes das duas corridas de estrada finais, em Setembro.

Os 144 quilómetros por Mortágua foram marcados por muitos ataques, o que levou a que a fuga que chegou a vingar de sete ciclistas, acabasse por ser apanhada. Mas foi precisamente com um ataque perfeito que Daniel Silva escapou para cortar a meta isolado, com o companheiro David Rodrigues a chegar 22 segundos depois. Hugo Sancho ficou novamente perto de uma vitória, sendo terceiro a 29 segundos, num triunfo que era muito desejado pela Miranda-Mortágua, que corria em casa. Ainda assim, foi uma importante subida ao pódio de um ciclista que, tal como os da Rádio Popular-Boavista, mantém o ímpeto da Volta a Portugal.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
E junta-se a esta lista Luís Fernandes. Foi um dos homens em destaque da Volta da Aviludo-Louletano e venceu a classificação da montanha em Mortágua. A juventude ficou para Venceslau Fernandes (UD Oliveirense-InOutBuild), enquanto Guilherme Simão (Sicasal-Constantinos) foi o melhor entre as equipas de clube.

De referir ainda, que terminaram no top dez Tiago Machado e o campeão nacional José Mendes, duas das principais figuras do Sporting-Tavira e que ficaram muito aquém do esperado na Volta a Portugal. O clube de Alvalade deverá estar a despedir-se do ciclismo e conta apenas com duas conquistas em 2019

Segunda-feira arrancam os circuitos: Bombarral, dia 19; Alcobaça, 20 - inclui a quinta Prova Taça de Portugal Paraciclismo -; Póvoa da Galega, 24; Malveira, 25; Moita e Nafarros realizam-se no mesmo dia: 26.

A 1 de Setembro disputa-se a Volta a Albergaria, com a Clássica Rota da Filigrana a estrear-se este ano no calendário, a 14 do mesmo mês. O Festival de Pista de Tavira irá encerrar oficialmente a época a 5 de Outubro, como tem sido habitual.

»»Recta final de temporada em Portugal com poucas corridas mas com uma estreia««

»»As equipas da Volta a Portugal uma a uma««

12 de agosto de 2019

As equipas da Volta a Portugal uma a uma

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Terminada a 81ª edição da Volta a Portugal e dado o peso que tem na época das formações nacionais, é o momento de fazer balanços. W52-FC Porto, Rádio Popular-Boavista e LA Alumínios-LA Sport são as que ficaram mais felizes, enquanto o Sporting-Tavira falhou novamente e a Aviludo-Louletano pagou o preço por apostar tudo num ciclista. Entre as estruturas estrangeiras, como sempre acontece, algumas mal se viram, mas Fundação Euskadi será sempre bem-vinda, com Euskadi-Murias e Amore & Vita-Prodir a conquistarem etapas. A formação suíça SRA também foi interessante de ver. (As equipas estão pela ordem da classificação colectiva.)

W52-FC Porto: Começou desde cedo a mostrar que continuava a ser a equipa mais forte. Porém, a queda de Bragança fez a estrutura tremer, com Joni Brandão a conseguir inclusivamente tirar a camisola amarela que a equipa não estava habituada a perder com a corrida tão avançada. Sem o vencedor das duas últimas edições, Raúl Alarcón (lesionado), foi o seu substituto que, de certa forma, surpreendeu ao mostrar um nível que não se via há dois anos. Gustavo Veloso (terceiro) voltou a sonhar com a terceira vitória, andou de amarela, mas a tal queda deixou-o limitado. João Rodrigues estava a ser preparado para assumir responsabilidade um dia. Esse dia chegou mais cedo e o algarvio de 24 anos foi brilhante. Também apanhou um susto ao cair em Bragança, mas não foi nada de grave. Ganhou na Torre, foi segundo na Senhora da Graça e avassalador no contra-relógio Gaia-Porto. Partiu com o mesmo tempo que Brandão e ganhou por 27 segundos. Foi o líder que a W52-FC Porto precisava. Samuel Caldeira foi o homem de trabalho que a equipa precisava e ainda ganhou o prólogo e vestiu a amarela no início. Daniel Mestre também ganhou uma etapa e trabalhou muito até partir uma costela em Bragança. Depois foi aguentar para conquistar a camisola verde dos pontos. Sobre Ricardo Mestre faltam palavras para descrever a sua importância, enquanto Edgar Pinto (quinto) foi novamente azarado com uma queda na Torre após toque com Vicente García de Mateos, mas foi essencial na luta pela vitória acabaria por ser de Rodrigues. António Carvalho começou bem, fraquejou a meio e foi um senhor na Senhora da Graça, terminando a Volta na quarta posição. Com uma equipa assim era difícil não ganhar, mas teve rival à altura para valorizar ainda mais a conquista, a sétima consecutiva da formação do Sobrado.

Rádio Popular-Boavista: Há um ano, a vitória de etapa e o top dez de Domingos Gonçalves já tinha sido muito positivo, mas em 2019, José Santos levou a sua equipa a um patamar que há muito não se via. João Benta e Luís Gomes ganharam etapas e este último ainda foi o rei da montanha. No contra-relógio final, a equipa deixou escapar a vitória por equipas, mas terminou com Benta (sexto), David Rodrigues (sétimo) e Daniel Silva (nono) no top dez. A influência na corrida foi tal, que tanto a W52-FC Porto e principalmente a Efapel procuraram alianças com esta equipa. Luís Mendonça não conseguiu a vitória que esteve perto, mas todos os ciclistas destacaram-se pelo trabalho feito para o sucesso alcançado, numa Volta a Portugal que a equipa tão cedo não esquecerá. Esperava-se a habitual equipa lutadora, mas desta feita a Rádio Popular-Boavista conseguiu traduzir em mais resultados essa forma de enfrentar as corridas.

Sporting-Tavira: Falta a confirmação oficial, mas terá sido a despedida do Sporting da Volta a Portugal. O clube deverá abandonar a modalidade, depois de ter regressado há quatro anos. Então, Jesus Ezquerra venceu uma etapa, mas a partir daí pouco correu bem à equipa de Vidal Fitas nesta corrida. 2019 não foi excepção. Tiago Machado foi uma aposta falhada, José Mendes, o campeão nacional, andou desaparecido. Alejandro Marque ainda parecia poder lutar pelo top dez, mas a etapa da Torre acabou com essa ideia. Frederico Figueiredo teve finalmente a oportunidade de procurar o seu resultado (há muito que merece ter um papel principal), mas o azar perseguiu-o. Sofreu quedas e a última, na etapa da Senhora da Graça, resultou num pulso partido. Foi quinto nesse dia, mas já não participou no contra-relógio final e o "senhor regularidade" não alcançou mais um top dez. Outro destaque foi um dos mais combativos da Volta: David Livramento. Chamado para substituir Rinaldo Nocentini, o algarvio esteve muito bem. Trabalhou tanto em fugas, que merecia ou ganhar uma etapa ou que um companheiro (Marque, por exemplo) o tivesse feito. Porém, o Sporting-Tavira terminou a Volta novamente sem qualquer conquista.

Efapel: Tudo pela Volta com Joni Brandão. E foi quase. Para uma equipa que teve um líder que deu luta a uma W52-FC Porto que tem dominado a corrida, não se pode dizer que tenha feito uma Volta aquém do desejado. Porém, os resultados não traduziram a ambição. Joni Brandão esteve três dias de amarelo, contudo, claudicou por completo no contra-relógio final. Partiu em igualdade pontual, mas perdeu 27 segundos. Sofreu duas quedas, perdeu tempo, foi penalizado em dez segundos quando os comissários consideraram que foi empurrado pelo mecânico, mas a derrota na Volta deveu-se àquela última prestação... E com influência da etapa na Torre. Era a subida que melhor assentava a Brandão, mas foi o dia em que não esteve ao nível desejado. Reagiu bem, mas ficou desperdiçou ali a oportunidade de ganhar tempo valioso e até perdeu para João Rodrigues. Colectivamente a Efapel não foi tão forte quanto se esperava. Henrique Casimiro foi de luxo, mas pagou o esforço na Senhora da Graça. Porém, nenhum dos companheiros teve uma exibição perto do nível de Casimiro. Às primeiras acelerações nas montanhas, rapidamente Brandão só ficava com Casimiro. Rafael Silva cumpriu o seu trabalho no terreno mais plano, mas esperava-se mais de Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Fabricio Ferrari e Nikolay Mihaylov. A Efapel saiu da Volta sem a camisola amarela e sem etapas ganhas. Ainda assim, fez algo que há muito não se via, fez a W52-FC Porto suar bem mais para ganhar.


Miranda-Mortágua: Gaspar Gonçalves entrou com tudo na Volta a Portugal, à procura da camisola da montanha ou dos pontos. Quando chegaram as etapas mais difíceis, foi o experiente Hugo Sancho que assumiu protagonismo. O grito de frustração na Serra do Larouco revelou bem como o ciclista apostou forte naquela etapa, tendo sido batido com a meta à vista por Luís Gomes. Tentou de novo nas duas últimas tiradas em linha, mas foi naquela que teve a grande oportunidade de ganhar e dar uma vitória a esta equipa Continental sub-25. O director desportivo Pedro Silva nunca desistiu de procurar subir ao pódio na Volta e Sancho fê-lo no Porto ao receber o prémio da combatividade.

UD Oliveirense-InOutBuild: Aquela queda de Rafael Lourenço em Bragança... Momento de enorme frustração para a outra equipa Continental sub-25 do pelotão nacional (há ainda a LA Alumínios-LA Sport). É um dos mais recentes jovens a despontar na formação de Manuel Correia e conseguiu ficar no grupo reduzido que ia disputar a vitória de etapa. Caiu numa curva, numa estrada molhada pela chuva. Foi uma pena para o ciclista e para a equipa que tentou mostrar-se em fugas. Contratou o colombiano Juan Filipe Osorio para dar um pouco mais de experiência a um plantel tão jovem e o antigo ciclista da Manzana Postobón, sem equipa desde o fim da estrutura, tentou aparecer na montanha. Porém, aquele momento de Rafael Lourenço marcou a corrida de uma UD Oliveirense-InOutBuild que esteve tão perto da possibilidade de lutar por uma etapa.

Medellin: Com pouco tempo para recuperar de uma corrida feita na China, não surpreendeu quando a maioria dos ciclistas da formação colombiano começaram rapidamente a eclipsar-se. Foi o caso de Fabio Duarte, mas não de Cristhian Montoya. A equipa até começou com menos um ciclista, pois o vencedor da Volta ao Lago Qinghai, Robinson Chalapud, acabou por ficar de fora. Aos 42 anos, Óscar Sevilla até arrancou a Volta a Portugal muito bem, mas uma queda limitou-o fisicamente. Ainda lutou por uma etapa, mas os problemas físicos e o cansaço da corrida e viagem chinesa tiveram o seu peso nas prestações. Já Montoya conseguiu ser o único corredor de uma equipa estrangeira a intrometer-se no top dez, sendo oitavo, a 5:24 minutos de João Rodrigues. Nunca esteve na disputa sequer do pódio, mas foi muito regular nas etapas mais difíceis.

Aviludo-Louletano: Apostar tudo num só ciclista tem destas coisas. A corrida estava a correr bem, com Vicente García de Mateos não só na luta por um terceiro pódio consecutivo, mas também pela vitória. Estava a 34 segundos da liderança, então de Joni Brandão, antes da etapa da Senhora da Graça. Passou mal a noite e a indisposição acabou mesmo por obrigá-lo a abandonar no penúltimo dia de corrida, com Oscar Hernandez e André Evangelista a fazerem o mesmo. Fim de Volta para a equipa algarvia. Depois de dois anos com pódio, camisola verde e etapas, a Aviludo-Louletano saiu sem nada. Luís Fernandes, que realizou uma boa corrida, ainda andou no top dez (terminou na 12ª posição) e deu tudo o que tinha para ganhar na Senhora da Graça, mas não conseguiu. Volta frustrante para o director desportivo Jorge Piedade.

Vito-Feirense-PNB: Já era expectável que seria uma Volta complicada para a equipa de Joaquim Andrade. Sem Edgar Pinto - agora na W52-FC Porto -, não houve uma referência para a geral, sendo o objectivo procurar uma vitória de etapa. João Matias tentou ao sprint e ainda procurou a solução de uma fuga. Sem sucesso. Filipe Cardoso procurou a mesma táctica da fuga, mas também sem resultado. Óscar Pelegrí esteve apagado e o principal destaque acabou por ser um Jesus del Pino que se tornou no exemplo de perseverança da corrida. Caiu na etapa da Senhora da Graça e ficou muito, mas mesmo muito mal tratado. Partiu para o contra-relógio cheio de ligaduras, mas terminou.

Caja Rural: Domingos Gonçalves está longe da forma que apresentava há um ano, então na Rádio Popular-Boavista e quando venceu uma etapa. O gémeo de Barcelos ainda entrou em fugas, incluindo na etapa da Torre, mas abandonou na sexta etapa, por motivos de saúde. Se o português era inevitavelmente uma das figuras da equipa espanhola do segundo escalão do ciclismo mundial, havia mais corredores com potencial para aparecerem na corrida. Matteo Malucelli ainda procurou os sprints, mas David González López (também abandonou no mesmo dia de Gonçalves) e o veterano Sergio Pardilla, por exemplo, estiveram muito discretos.

LA Alumínios-LA Sport: Segundo ano do projecto Continental sub-25 e uma grande conquista para a equipa de Hernâni Brôco. Emanuel Duarte estreou-se na Volta vencendo a classificação da juventude, que segurou no conta-relógio final por apenas dois segundos. Todos os ciclistas da equipa 100% portuguesa chegaram ao fim e com razões para celebrar. Um prémio para o trabalho que está a ser realizado nesta formação, destacando-se ainda David Ribeiro, que andou em fugas, procurou incessantemente vestir a camisola da montanha, que conseguiu durante um dia.

Fundação Euskadi: Sempre uma atitude de lutar, de dar espectáculo. Esta Euskadi recuperou as populares camisolas laranjas da saudosa Euskaltel-Euskadi e os seus jovens ciclistas nunca desperdiçam uma oportunidade para conquistar bons resultados. A equipa foi presença assídua nas fugas, procurou vencer uma etapa, foi líder da montanha nos primeiros dias com Peio Goikoetxea e uma queda na tirada da Senhora da Graça atirou para fora da corrida Unai Cuadrado, que liderava a classificação da juventude. A competir assim, é uma equipa muito bem-vinda.

Israel Cycling Academy: A formação Profissional Continental esteve pelo terceiro ano na Volta a Portugal, mas excluindo em 2017 quando Krists Neilands venceu a classificação da juventude, a equipa tem tendência a passar relativamente despercebida. O australiano Zak Dempster ainda foi terceiro na Guarda, mas a Israel Cycling Academy tinha ciclistas para se mostrar um pouco mais.

Euskadi-Murias: É presença assídua em Portugal, mesmo depois de subir ao segundo escalão e não costuma desiludir. Não trouxe o ciclista que este ano tem ganho por cá, Enrique Sanz, mas Mikel Aristi (segunda etapa) e Hector Saez (sexta) conquistaram etapas, com a equipa a estar ainda na luta pela juventude, com Urko Berrade, que perdeu por dois segundos. Seis das sete vitórias que a formação basca tem em 2019 foram alcançadas em provas portuguesas. Procurou mais destaque, participando em algumas fugas, valorizando a sua presença na Volta.

Arkéa Samsic: Esperava-se um pouco mais desta equipa Profissional Continental. Se era expectável que alguns dos ciclistas pudessem ter uma atitude mais de rodar em Portugal, ainda assim também se esperaria ver um pouco das suas capacidades. Excepto dois, um deles, um dos nomes mais sonantes da corrida. Brice Feillu procurou uma boa classificação na geral, mas nunca teve pernas para pensar num top dez. Ficou na 16ª posição, a 13:33 minutos do vencedor. Mas quem mais sobressaiu foi um jovem de 22 anos. Prestações interessantes de Thibault Guernalec. Foi quarto e quinto classificado nos contra-relógios e ainda fez outro quarto lugar na etapa de Braga. Mas ainda assim, soube a pouco para esta Arkéa Samsic, que, sem surpresa, não trouxe nenhum grande estrela (Warren Barguil e André Greipel, por exemplo, representam esta formação francesa), mas tinha potencial para mais e melhor.

Amore & Vita-Prodir: Duas vitórias de etapa e a procura por mais. Atitude de valorizar desta equipa com licença da Letónia, ainda que seja de raízes italianas. Davide Appollonio foi o actor principal de umas das histórias iniciais da Volta a Portugal. Foi a sua primeira corrida após uma suspensão de quatro anos por doping e venceu logo a primeira etapa, em Leiria. A equipa ficou ainda mais motivada e Marco Tizza conquistou o difícil final da Guarda. A procura por mais continuou, com Tizza em destaque.

Swiss Racing Academy: Equipa interessante de ver. Ciclistas muito jovens, mas com vontade de aproveitar a oportunidade de mostrarem-se numa corrida tão exigente. Por centésimos de segundo, Gian Friesecke quase surpreendeu no prólogo e foi sexto no contra-relógio final. Mathias Reutimann foi outro dos destaques positivos, mas na montanha. Foi terceiro na Serra do Larouco, faltando forças para um sprint final com Luís Gomes e Hugo Sancho. A SRA foi uma equipa muito activa que entrou em várias fugas. Prestação muito positiva.

Bai-Sicasal-Petro de Luanda: Só o estar na Volta a Portugal foi uma vitória para a equipa angolana. Conseguir entrar em fugas e mostrar a camisola na televisão foi uma considerado uma conquista. Porém, viu-se pouco dos ciclistas angolanos e foi mesmo um português a assumir algum protagonismo, como já era esperado. Depois de duas temporadas mais dedicado ao BTT, Micael Isidoro conseguiu regressar à estrada aos 37 anos. Procurou fugas e mostrar-se no terreno onde se sente mais à vontade, na montanha, tendo uma liberdade que raramente encontrou numa carreira passada como gregário. O destaque foi para a etapa da Bragança, com Micael a terminar no oitavo lugar.

ProTouch: A equipa 100% sul-africana pretendeu dar aos ciclistas a possibilidade de experimentar uma corrida por etapas mais longa e com grande dureza. Não foi fácil para os corredores e só três chegaram ao fim, com James Fourie a ser o "lanterna vermelha" ao terminar a 3:21:04 horas do vencedor João Rodrigues. Tentou as fugas, mas pouco se viu desta formação.

»»João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto««

»»Regressou após quatro anos de suspensão e agradeceu à equipa com vitória em Leiria««