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1 de janeiro de 2020

Principais transferências e calendário nacional de 2020

(© João Fonseca Photographer)
Ano novo, equipamentos novos! É tempo dos ciclistas que mudaram de equipas mostrarem as novas cores. Algumas das formações que ainda não tinham apresentado as escolhas de camisola e calções para 2020, revelaram como se vão apresentar e até houve a confirmação de como se chamará a equipa de Mathieu van der Poel: Alpecin-Fenix (ex-Corendon-Circus). Nas redes sociais sucederam-se neste primeiro dia de 2020 as fotografias de muitas das figuras internacionais que vão começar uma nova fase na carreira, mas por cá, o ritmo é diferente. Com a época a arrancar a 16 de Fevereiro, durante este mês ficar-se-á a conhecer mais pormenores sobre equipamentos e bicicletas das nove equipas portuguesas Continentais e alguma eventual contratação de última hora.

Só a Kelly-InOutBuild-UDO (UD Oliveirense-InOutBuild em 2019) já avançou com o novo nome e a camisola a usar em 2020. Porém, já se conhecem as muitas mexidas no pelotão, com alguns dos principais ciclistas a competirem por cá a serem protagonistas de transferências, algumas que até surpreenderam um pouco. E claro que há o regresso de um ciclista muito apreciado pelos adeptos. Amaro Antunes está de volta à W52-FC Porto, dois anos depois de ter partido para a CCC, com 2019 a ter sido ano de presença no World Tour.

A equipa que tem dominado a Volta a Portugal e grande parte da temporada nacional, contratou ainda o campeão nacional José Mendes. Porém, o destaque deste defeso vai para a rival Efapel. E é isso mesmo que a equipa de Rúben Pereira quer ser: uma rival à altura da W52-FC Porto. Até foi buscar dois ciclistas aos azuis e brancos: António Carvalho e César Fonte.

O primeiro não deixou de ser uma surpresa. Era um dos esteios da equipa de Nuno Ribeiro, um elemento essencial nas conquistas das últimas Voltas, além de alcançar também vitórias pessoais, como no Grande Prémio Jornal de Notícias. Procura ter mais liberdade, mas na Efapel terá Joni Brandão à frente na hierarquia. A Efapel contratou ainda Tiago Machado (ex-Sporting-Tavira) e o sempre muito lutador Luís Mendonça (ex-Rádio Popular-Boavista). Outro destaque é o jovem Tiago Antunes (SEG Racing).

Estas contratações fazem perspectivar uma época mais equilibrada entre estas duas equipas e a expectativa de uma luta ainda mais feroz na Volta a Portugal. Ambas estão a fazer-se valer de financeiramente serem claramente as que de melhor saúde gozam em Portugal e assim garantir muitos dos melhores ciclistas que competem no pelotão nacional.

Com a descida ao escalão Continental, a W52-FC Porto reduziu um pouco o plantel e ficou sem ciclistas como Joaquim Silva e Rafael Reis, mas a preocupação está mesmo se Raúl Alarcón vai ou não ser suspenso, depois da análise positiva divulgado pela UCI num teste anti-doping. O espanhol está suspenso provisoriamente, garante que está inocente, mas é para já baixa na equipa. Contudo, com João Rodrigues e Amaro Antunes a liderança está assegurada e alguns dos principais gregários vão continuar. Continua a ser uma equipa muito forte.

Se a Efapel quer equiparar-se à W52-FC Porto, as restantes equipas podem não ter os mesmos argumentos, mas não significa que não possam ter boas temporadas. A Aviludo-Louletano, por exemplo, contratou dois bons ciclistas. João Matias será homem do sprint, enquanto Jesus del Pino irá reforçar o bloco de apoio a Vicente García de Mateos. Ambos deixaram a Vito-Feirense-PNB. Sergey Shilov (Gazprom-RusVelo) apresenta-se, para já, como uma incógnita sobre o que poderá acrescentar à equipa, ainda que já tenha vencido uma etapa na Volta em 2014.  No entanto, a equipa algarvia perdeu uma das figuras dos últimas duas temporadas. Luís Fernandes será um reforço importante para a Rádio Popular-Boavista.

Gonçalo Carvalho (UC Mónaco) também será aposta do director José Santos, um dos jovens a seguir em 2020 juntamente com Miguel Salgueiro, que depois de dois anos na Sicasal-Constantinos, chega à elite na LA Alumínios-LA Sport. Dois atletas de enorme de qualidade.

Mas quanto aos mais experientes, Henrique Casimiro troca a Efapel pela Kelly-InOutBuild, que irá contar também com Luís Gomes (ex-Rádio Popular-Boavista), vencedor de uma etapa na Volta a Portugal em 2019. Casimiro venceu o Troféu Joaquim Agostinho. Bruno Silva, outro homem da Efapel, irá dar experiência à LA Alumínios-LA Sport, enquanto Joaquim Silva regressa à equipa que representou como sub-23, a Miranda-Mortágua, e Rafael Reis será o líder de um Feirense recheado de ciclistas muito jovens. Ambos procuram reavivar as carreiras.

O Tavira, agora sem Sporting, foi a equipa mais discreta, sendo apenas conhecido um reforço, o jovem Marcelo Salvador (ex-Sicasal-Constantinos).

Pode confirmar neste link os plantéis para 2020 das nove equipas Continentais portuguesas.

Quanto ao calendário, mais uma vez a época arranca com a Prova de Abertura Região de Aveiro, a 16 de Fevereiro, seguindo-se depois a prova mais importante a nível de categoria internacional que se realiza no país: a Volta ao Algarve.

A principal novidade é a mudança do Grande Prémio Jornal de Notícias. Depois da Volta (de 29 de Julho a 9 de Agosto, com a última etapa marcada para Lisboa), a época entrava numa fase de descompressão, com os habituais circuitos a seguirem-se ao Grande Prémio de Mortágua. Porém, uma das corridas que desperta maior interesse entre as formações lusas, irá realizar-se apenas entre 24 a 30 de Agosto, ou seja, já na recta final da temporada, em vez de ser no mês de Junho. Para terminar 2020, o pelotão terá a segunda edição da clássica Rota da Filigrana, a 12 de Setembro.

Confira o calendário de elite publicado pela Federação Portuguesa de Ciclismo:

16 de Fevereiro: Prova de Abertura Região de Aveiro
19 a 23 de Fevereiro: Volta ao Algarve
8 de Março: Clássica da Primavera
15 de Março: Clássica da Arrábida
18 a 22 de Março: Volta ao Alentejo
5 de Abril: Clássica Aldeias do Xisto
17 a 19 de Abril: Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela
17 de Maio: Volta a Albergaria
24 de Maio: Memorial Bruno Neves
28 a 31 de Maio: Grande Prémio O Jogo
10 e 14 de Junho: Grande Prémio Abimota
19 a 21 de Junho: Campeonatos Nacionais, em Paredes (elite e sub-23)
5 de Julho: Grande Prémio Anicolor
16 a 19 de Julho: Grande Prémio de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho
29 de Julho a 9 de Agosto: Volta a Portugal
15 de Agosto: Grande Prémio de Mortágua
16 de Agosto: Circuito da Malveira
20 de Agosto: Circuito de Alcobaça
24 a 30 de Agosto: Grande Prémio Jornal de Notícias
31 de Agosto: Circuito de Nafarros
31 de Agosto: Circuito da Moita

11 de dezembro de 2019

Aviludo-Louletano de menor fulgor em 2019 reforça-se para não depender tanto de De Mateos

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Depois de duas temporadas de grande fulgor, com muitas vitórias e sucesso na Volta a Portugal, a Aviludo-Louletano enfrentou um 2019 mais difícil, com menos resultados de nota e uma Volta que acabou em desilusão, depois de muito ter crescido a ambição que Vicente García de Mateos poderia disputar a corrida. O espanhol preparou a época praticamente sempre a pensar na corrida principal para as equipas portuguesas, mas abandonou na penúltima etapa e com ele levou o sonho de pelo menos estar novamente no pódio final, sem, desta feira, ganhar qualquer etapa (somou seis entre 2015 e 2018).

Com a saída de Luís Mendonça para a Rádio Popular-Boavista, a formação algarvia centrou-se quase exclusivamente no seu líder, De Mateos. Leonel Coutinho chegou para ser a aposta em corridas discutidas ao sprint. Apesar de algumas prestações positivas, Coutinho não conseguiu atingir o nível que de certo teria gostado, não se podendo esquecer que em 2018 sofreu uma queda grave. Aos 27 anos decidiu colocar um ponto final na carreira.

Com De Mateos muito concentrado em preparar-se para a Volta a Portugal, com o decorrer da temporada outros ciclistas foram tendo alguma liberdade para disputar vitórias. Luís Fernandes foi um dos destaques muito positivos da Aviludo-Louletano. Venceu as classificações da montanha na Clássica Aldeias do Xisto e no Grande Prémio de Mortágua, sendo uma das figuras na Volta a Portugal, tanto na perspectiva do trabalho que fez em prol da equipa, como por ter tentado vencer a etapa da Senhora da Graça.

Já no Sporting-Tavira havia demonstrado ser um ciclista importante no apoio aos líderes, mas, aos 32 anos, poderá encontrar na Rádio Popular-Boavista maior liberdade e é uma perda relevante para a Aviludo-Louletano para 2020.

No entanto, o director desportivo Jorge Piedade procurou um substituto que pudesse estar ao mesmo nível e contratou Jesús del Pino, da Vito-Feireinse-PNB, com passagem pela Efapel em 2017 e 2018. Importante era também encontrar um ciclista que assumisse mais protagonismo na luta por vitórias, para que a equipa não esteja tão dependente de De Mateos. Do Feirense vai chegar também João Matias. Forte no sprint e com capacidade para ultrapassar terrenos com alguma dificuldade, Matias tornou-se neste últimos três anos um ciclista importante no pelotão nacional e tem o perfil indicado para dar mais opções à Aviludo-Louletano, sem que colida com as ambições de De Mateos. É um lutador e tem muita capacidade de liderança, sabendo motivar os seus companheiros.

Com a excepção de Luís Fernandes, a equipa algarvia vai manter os ciclistas que constituem o bloco de apoio ao ciclista espanhol: Oscar Hernandez, Márcio Barbosa, André Evangelista, Nuno Meireles e David de la Fuente.

Vicente García de Mateos abandonou a Volta a Portugal devido a uma indisposição, deixando assim o saldo da Aviludo-Louletano em 2019 com apenas duas vitórias (foram oito em 2018): uma etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias (primeiro sector da terceira tirada) precisamente por intermédio do espanhol, com Márcio Barbosa a vencer o Circuito da Malveira.

A Aviludo-Louletano pode ter um orçamento bem diferente de uma W52-FC Porto ou Efapel, mas continua empenhada em mostrar que pode provocar uma surpresa na Volta a Portugal, enquanto na próxima temporada, com a chegada de João Matias, procurará mais vitórias antes de chegar à corrida mais ambicionada. Para fechar as contratações, chegará o jovem Daniel Silva (21 anos) da Sicasal-Constantinos e o experimente russo Sergey Shilov (31), que esteve nas últimas duas temporadas na Gazprom-RusVelo e antes representou a Lokosphinx.

Com a equipa do escalão Continental, Shilov participou em várias corridas em Portugal, incluindo a Volta, tendo inclusivamente vencido uma etapa, em Castelo Branco (2014), batendo ao sprint Samuel Caldeira e Manuel Cardoso. Em 2015 conquistou duas tiradas no Troféu Joaquim Agostinho.

Equipa para 2020: Vicente García de Mateos, Oscar Hernandez, Márcio Barbosa, André Evangelista, Nuno Meireles, David de la Fuente, João Matias (Vito-Feirense-PNB), Jesús del Pino (Vito-Feirense-PNB), Daniel Silva (Sicasal-Constantinos), Sergey Shilov (Gazprom-RusVelo).

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2 de maio de 2019

Três equipas portuguesas dividem-se entre Astúrias e Troféu O Jogo

Ricardo Mestre venceu uma etapa em 2018 e terminou no pódio
(Fotografia: Volta às Astúrias)
A W52-FC Porto será uma das equipas em destaque na Volta às Astúrias, que decorre entre sexta-feira e domingo. Nos últimos dois anos a formação portuguesa colocou outros tantos ciclistas no pódio. Em 2017 conquistou mesmo a vitória na geral com Raúl Alarcón que, no entanto, será uma das ausências mais notadas. Já Ricardo Mestre, terceiro em 2018, está entre os eleitos de Nuno Ribeiro. Mas a equipa do Sobrado não estará sozinha, com a Rádio Popular-Boavista e a Aviludo-Louletano a também viajarem até Espanha.

Estas três equipas vão dividir-se por duas corridas, já que este fim-de-semana decorre o Troféu O Jogo, prova que foi acrescentada ao calendário nacional no decorrer da temporada. Nas Astúrias, a W52-FC Porto apresenta-se com uma equipa que poderá discutir novamente um bom resultado. Além de Mestre - que ganhou a última etapa no ano passado -, foram escolhidos Joaquim Silva, António Carvalho, Rui Vinhas, o espanhol Ángel Sánchez e Edgar Pinto, ciclista que recentemente alcançou um excelente quinto lugar na Volta à Turquia e que dá-se bem com os ares de Espanha. Há um ano venceu a Volta à Comunidade de Madrid, que se realiza na próxima semana.

Quanto à Rádio Popular-Boavista, José Santos vai dar oportunidade a ciclistas jovens, mas contando com a experiência de David Rodrigues e do espanhol Pablo Guerreiro. Os dois estarão acompanhados por Antonio Gómez, Luís Gomes, Afonso Silva e Hugo Nunes, este último a mostrar-se a bom nível nesta primeira temporada com a equipa.

A Aviludo-Louletano aposta em Vicente García de Mateos, David de la Fuente, André Evangelista, Oscar Hernandez, Francisco García Rus, Luís Fernandes, Juan Ignacio Perez.

A Movistar apostou nas Astúrias como última paragem de Mikel Landa, antes de atacar a Volta a Itália, que arranca a 11 de Maio, sendo a única equipa World Tour presente. A seu lado estará outro ciclista de referência, o equatoriano Richard Carapaz, que venceu a geral das Astúrias em 2018.

As Burgos-BH (Profissional Continental) contará com dois portugueses, Ricardo Vilela e José Neves, enquanto Daniel Viegas foi um dos eleitos pela Kometa (Continental).

As restantes equipas inscritas são a Caja Rural, Euskadi-Murias, Israel Cycling Academy, Gazprom-RusVelo e Manzana Postobón do escalão Profissional Continental. Do nível Continental estarão a Fundação Euskadi, Coldeportes Zenu, Lokosphinx, Coldeportes Bicicletas Strongman e Guerciotti-Kiwi Atlántico.

Pode ver neste link a lista de inscritos, via ProCyclingStats.

Percurso (gráficos La Flamme Rouge):

1ª etapa: Oviedo - Pola de Lena (179,1 quilómetros)

2ª etapa: Soto de Ribera - Cangas del Narcea (174,1 quilómetros)

3ª etapa: Cangas del Narcea - Oviedo (119,5 quilómetros)

24 de abril de 2019

Seis equipas portuguesas na Volta a Castela e Leão

(Fotografia: © Photo Gómez Sport/Vuelta Castilla y León)
Seis equipas portuguesas, tantas como as espanholas, vão percorrer nos próximos três dias (quinta-feira a sábado) uma rota que respeita o Caminho de Santiago, passando pelas províncias de Burgos, Palência e Leão. Não sendo uma corrida com muita montanha, tem a suficiente para fazer diferenças e para permitir que trepadores garantam o triunfo, contudo, o percurso beneficia também ciclistas que, não sendo os puros especialistas a subir, adaptam-se bem a todo o tipo de terreno, com Jonathan Hivert (Total Direct Energie) a ser o exemplo recente, ao vencer a corrida em 2017. Há um ano Rubén Plaza (Israel Cycling Academy) ganhou pela segunda vez e vai tentar uma terceira.

Já Hivert será uma das ausências, num pelotão que conta com uma equipa World Tour, a Movistar. Nelson Oliveira estará presente, na ajuda a Carlos Barbero, com Edu Prades e Rubén Fernández a serem mais duas hipóteses para discutir a geral. Das equipas espanholas estarão ainda as Profissionais Continentais Caja Rural, Euskadi-Murias e Burgos-BH, e as Continentais Fundação Euskadi e Kometa, está última com a presença do português Daniel Viegas.

Seis formações espanholas para rivalizar com as seis portuguesas:

W52-FC Porto: Gustavo Veloso, Rui Vinhas, Daniel Mestre, Francisco Campos, Ángel Sánchez, Joaquim Silva e António Carvalho.

Sporting-Tavira: Frederico Figueiredo, José Mendes, Alvaro Trueba, David Livramento, Alejandro Marque, César Martingil e Valter Pereira.

Efapel: Bruno Silva, Marcos Jurado, Henrique Casimiro, Rafael Silva, Antonio Angulo e Pedro Paulinho.

Aviludo-Louletano: Juan Ignacio Perez, David de la Fuente, André Evangelista, Oscar Hernandez, Leonel Coutinho, Mário Barbosa e Nuno Meireles.

Vito-Feirense-PNB: Björn Thurau, Filipe Cardoso, Jesus del Pino, João Matias, Oscar Pelegrí, Pedro Andrade e Rui Rodrigues.

Miranda-Mortágua: Daniel Freitas, Hugo Sancho, Sérgio Vega, Gaspar Gonçalves, Ivo Pinheiro e Jesús Nanclares.

Do segundo escalão estarão, além das espanholas, W52-FC Porto e da Israel Cycling Academy de Plaza, a colombiana Manzana Postobón e as francesas Delko Marseille Provence e Total Direct Energie. Do nível Continental, além das cinco formações portuguesas e duas espanholas, estão inscritas a russa Lokosphinx e a japonesa Matrix Powertag, que conta com o veterano Francisco Mancebo. Aos 43 anos não dá mostras de querer parar, tendo vencido esta corrida em 2000 e 2003.

Entre os ilustres vencedores estão também Alejandro Valverde, Pierre Rolland, Alberto Contador, Alexander Vinokourov e, recuando aos anos 90, Miguel Indurain.

Lista completa de inscritos neste link, via ProCyclingStats.

1ª etapa (quinta-feira): Belorado - Castrojeriz, 181 quilómetros



2ª etapa (sexta-feira): Fromista-Villada, 170,3 quilómetros



3ª etapa (sábado): León-Villafranca del Bierzo, 151,8 quilómetros



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14 de janeiro de 2019

Márcio Barbosa e a júnior Ana Santos são os campeões nacionais de ciclocrosse

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Márcio Barbosa tem apostado no ciclocrosse enquanto a época de estrada não começa e está a somar vitórias. Ana Santos é júnior de primeiro ano, mas inscreveu-se na competição de elite e conquistou logo o título nacional. Os dois ciclistas vão ter a oportunidade de vestir as camisolas de campeões já no próximo domingo, na decisão da Taça de Portugal. Os Nacionais de ciclocrosse marcaram o último fim-de-semana em vários países, com destaque para o britânico Tom Pidcock que conquistou a sua primeira vitória em elite. O domínio de Van der Poel mantém-se intacto, enquanto Van Aert não conseguiu regressar à habitual senda de triunfos.

Em Marrazes, Leiria, Márcio Barbosa fez este domingo uma corrida de trás para a frente. Não sendo tão explosivo como os seus adversários, a maioria com o BTT como principal vertente, o ciclista da Aviludo-Louletano terminou com 14 segundos de vantagem sobre Mário Costa (UC Vila do Conde) e 23 sobre Roberto Ferreira (BTT Seia). De referir que o líder da Taça de Portugal, Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés) optou por competir no escalão de sub-23, tendo sido segundo classificado, a 16 segundos de Bruno Silva (Quinta das Arcas/Jetclass/Xarão).

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quanto ao escalão feminino, Ana Santos foi a surpresa. A júnior do UC Vila do Conde teve uma performance autoritária na corrida de elite, com a sub-23 Raquel Queirós (Quinta das Arcas/Jetclass/Xarão) a ficar a 1:21 minutos. A campeã de 2018, Sandra dos Santos (CC Pèrigueux/Drodogne), fechou o pódio, a 1:38.

A prova de sub-23 feminina contou apenas com Rafaela Ramalho (Maiatos). Os restantes títulos nacionais das categorias mais jovens ficaram para o júnior Diogo Neves (BTT Loulé/Elevis) e para os cadetes João Cruz (UC Vila do Conde) e Sara Ferreira (Maiatos).

Melgaço irá receber a decisiva prova da Taça de Portugal. Márcio Barbosa e Raquel Queirós venceram a última etapa, em Sesimbra, mas o ciclista da equipa algarvia é quarto na classificação a 64 pontos de Miguel Salgueiro, que tem 38 sobre o adversário mais próximo, Vítor Santos (Quinta das Arcas/Jetclass/Xarão). Raquel Queirós está a 50 de Isabel Caetano, com Marta Branco (Maiatos) a ter 15 pontos a separá-la da líder da competição.

A primeira vitória de elite do prodígio britânico

A expectativa continua a ser enorme sobre Tom Pidcock, que até já tem um título mundial de estrada em contra-relógio como júnior (2017), mas continua a ter no ciclocrosse a sua grande paixão e ainda não se concentrou exclusivamente na vertente de estrada. Aos 19 anos competiu na corrida de elite dos Nacionais e juntou mais uma camisola às muitas que já tem entre títulos nacionais, europeus e mundiais da especialidade. Porém, esta foi a sua primeira vitória como elite. Foi mais um espectáculo ao estilo de Pidcock, que deixou a concorrência distante, com Ben Turner a cortar a meta 1:27 minutos depois. Thomas Mein fechou o pódio a 2:02.

Na Holanda, o homem que tem sido dono e senhor do ciclocrosse esta temporada, somou o quinto título consecutivo. Está a ser quase impossível bater Mathieu van der Poel. O ciclista irá receber muita atenção também na estrada em 2019, pois a sua equipa, a Corendon-Circus, subiu ao escalão Profissional Continental e vai estar em várias das principais clássicas, incluindo o monumento Volta a Flandres.

O seu rival, mas que tem estado muito abaixo do normal devido à rescisão de contrato que ameaçou obrigar Wout van Aert a parar um ano na vertente de estrada, não conseguiu conquistar o título belga. Agora que o seu futuro já está garantido com a Jumbo-Visma, Van Aert encontrou alguma tranquilidade, mas ainda assim foi batido por Toon Aerts, que ganhou com 52 segundos de vantagem.


3 de agosto de 2018

O dia foi da Aviludo-Louletano-Uli, mas o calor continua a ser protagonista

Alguns ciclistas até paravam para se refrescar, numa preciosa ajuda
dos bombeiros (Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Trabalho exímio da Aviludo-Louletano-Uli. Primeiro e segundo classificado na etapa e um recado de Vicente García de Mateos aos críticos. Uma queda partiu o pelotão e, por momentos, Domingos Gonçalves chegou a ser dado como o novo líder, mas o ciclista da Rádio Popular-Boavista terá de procurar outra oportunidade, pois a amarela continua com Rafael Reis. Era de tudo isso que se deveria destacar da segunda etapa da Volta a Portugal. Mas não, o calor continua no centro das atenções e a corrida começa a ser notícia lá fora por este factor. Fazem-se comparações com o que aconteceu com o Tour Down Under, na Austrália, que perante condições idênticas optou por encurtar etapas. O martírio do tempo quente vai continuar rumo à etapa rainha da corrida no domingo.

Uma das recentes vitórias dos ciclistas foi a aplicação do protocolo de tempo extremo. Ao ser incluindo nos regulamentos da UCI, passou a prever que podem ser feitas alterações às corridas devido a questões de meteorologia. O frio e a neve têm sido das principais razões para a sua aplicação, mas o calor não lhe fica atrás. O Tour Down Under não consegue escapar às temperaturas muito altas em Janeiro e pelo menos nas últimas duas edições houve etapas encurtadas. Com mais de 40 graus, a organização tem optado por tentar salvaguardar a saúde dos corredores. É difícil agradar a todos, com uns a considerarem que devem ser canceladas, outros não se importam de enfrentar o calor. Noutras corridas já se chegou a anular tiradas e até a Volta a França não escapa a estas medidas. Na inesquecível tirada em que Chris Froome correu a pé pelo Mont Ventoux, os ciclistas não foram ao topo devido ao forte vento.

Na Volta a Portugal o ciclismo não tem parado... tirando quando alguns ciclistas ficaram debaixo das mangueiras dos bombeiros. As equipas redobraram ou mesmo triplicam os esforços para garantir que os seus corredores não sofrem de desidratação. Estes defendem-se como podem. Vão muito mais devagar (média pouco acima dos 30 quilómetros/hora) e aproveitam todas as mangueiradas para apanhar um verdadeiro duche frio. Merecem todo o respeito estes ciclistas porque a corrida não pára. A Associação de Ciclistas Profissionais (CPA, na sigla em francês) colocou no Twitter que ia pedir à organização da Volta para aplicar o protocolo de tempo extremo. "O organizador é responsável pela segurança e saúde dos ciclistas e não pode deixá-los competir nestas condições terríveis. Todos os ciclistas têm de ter os mesmos direitos e tratamentos", lê-se.

Já na quinta-feira, Tiago Machado chamou a atenção para o que os ciclistas estão a enfrentar e apelou para que se seguisse o exemplo do Tour Down Under, referindo mesmo que a RTP iria compreender. As transmissões televisivas têm um peso enorme, ainda mais quando é a Volta a Portugal que dá praticamente todo o protagonismo e retorno mediático aos patrocinadores das equipas portuguesas.

Foram 203,6 quilómetros entre Beja e Portalegre. Um ambiente tórrido, mas que mesmo assim só viu um ciclista sair de cena. O dinamarquês Louis Bendixen, da Team Coop, nem partiu e tornou-se assim na segunda desistência, depois do português Joaquim Silva (Caja Rural).

O dia do Louletano


 (Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
"Não está só o Porto e o Sporting nesta Volta. O Louletano também está." A frase é peremptória e é o sinal de ambição que sempre acompanha Luís Mendonça. Dois segundos lugares consecutivos. No primeiro ficou frustrado, agora foi como se tivesse ganho. Foi ele quem lançou o sprint, apanhou Domingos Gonçalves que tentou afastar-se da concorrência, mas depois foi Vicente García de Mateos quem aproveitou a roda para ganhar. Duas cartadas, dois ases. Perfeito para a Aviludo-Louletano-Uli que já tem a sua etapa. Falta a geral. Sim, o director desportivo, Jorge Piedade, quer ganhar a Volta com Mateos.

O espanhol foi terceiro há um ano. Quase ficou de fora desta edição devido a irregularidades no passaporte biológico. Foi o Tribunal Arbitral do Desporto quem levantou a suspensão, enquanto o processo ainda decorre. Mateos mandou calar. Os críticos, os detractores, fosse quem fosse que o esteja a colocar em causa. Mateos não se quis alongar nesses comentários. Só pensa em competir. Só pensa que a partir deste sábado começa a Volta, por assim dizer.

A montanha chega na chamada Etapa Vida, que irá passar por muitas das localidades mais afectadas pelos incêndios de 2017. Serão 177,8 quilómetros entre a Sertã e Oliveira do Hospital, com duas quartas categorias, duas terceiras e uma segunda, na Serra da Lousã, pelo que poderá haver uma nova classificação geral.

(Texto continua por baixo da imagem.)



Rafael Reis (Caja Rural) estará de amarelo, depois de provisoriamente ter perdido para Domingos Gonçalves. Uma queda a 500 metros da meta cortou o pelotão, mas ficaram dúvidas se antes já haveriam diferenças. Os comissários acabaram por optar dar o mesmo tempo a todos os que estavam no grupo. O líder da juventude e segundo à geral, César Martingil, ficou um pouco mal tratado, mas garantiu não ter nada partido. Mario Vogt (Sapura Cyling) manteve a camisola azul da montanha, o Sporting-Tavira não desarma da classificação colectiva, mas a dos pontos tem um novo líder: depois de dois segundos lugares, Luís Mendonça vai amanhã partir de verde.

Pode ver aqui as classificações.

O pontapé na roda

Merece o destaque, pois não é todos os dias que vemos um ciclista dar um pontapé numa roda de a fazer voar para longe. Quando se fizer um best of de maus tratos ao equipamento, o de Domingos Gonçalves tem de lá estar! Já com o pelotão lançado para começar a arrumar as suas peças para discutir a etapa, o campeão nacional de fundo e contra-relógio furou. Uma falha de comunicação fez com que o director desportivo, José Santos, não se apercebesse que o ciclista já tinha encostado e foi atrás de Filipe Cardoso que estava a recuar no pelotão.

Nas imagens é notório como Domingos gritou para o rádio ao ver o seu carro de apoio passar. Tirou ele a roda de trás e saiu remate! Foi Joaquim Andrade, da Vito-Feirense-BlackJack quem parou para o seu mecânico ajudar um potencial adversário para um final a que certamente a equipa também tinha pretensões. Um gesto extraordinário de fair play.

»»Calor roubou as atenções e fez a primeira vítima na Volta a Portugal««

»»"Perdi alguma confiança, mas comecei a acreditar novamente em mim"««

1 de fevereiro de 2018

O pelotão nacional visto por Nuno Sabido

Depois de um ano marcado pelo regresso ao pelotão nacional de alguns nomes de referência como Sérgio Paulinho, Edgar Pinto e Fábio Silvestre, 2018 tem desde logo como destaque o surgimento das equipas sub-25, ou seja, têm licença do escalão Continental, ainda que mantenham o estatuto de não profissional. Sem alteração parece estar qual será a equipa num patamar elevado, com as restantes a terem de enfrentar a toda poderosa W52-FC Porto. Há quem tenha mais pressão para demonstrar resultados, há quem procure uma oportunidade para encontrar o caminho das vitórias, inevitavelmente com a Volta a Portugal em mente. O Volta ao Ciclismo falou com Nuno Sabido, antigo ciclista e que actualmente gere a Sabido's Cycling Training Center juntamente o irmão Hugo Sabido, fazendo também os comentários da modalidade na TVI24.

E começou-se precisamente pela novidade. Liberty Seguros-Carglass e Miranda-Mortágua era duas equipas de referência nos escalão de sub-23, mas aproveitaram as alterações nos regulamentos para pedirem a licença Continental. A elas junta-se a LA Alumínios, um patrocinador já tradicional no ciclismo em Portugal, mas que agora aposta numa equipa de jovens. Será que estamos perante uma mudança no panorama da modalidade no país?

"Nada muda. Não sou a favor desta alteração. Acho que em nada beneficia o ciclismo nacional, em nada beneficia os ciclistas sub-23. Temos uma realidade completamente diferente da que é praticada no estrangeiro, com estes atletas destas idades. O que a Federação Portuguesa de Ciclismo quis, foi pegar no modelo internacional, em que as equipas do World Tour têm uma equipa de formação Continental, mas esquecem-se que essas equipas têm orçamentos com alguns milhões de euros. Aqui, atendendo à nossa realidade, estamos a falar destas equipas continentais não profissionais em que parte dos ciclistas não vai ganhar dinheiro absolutamente nenhum, continuam amadores, como eram", critica Nuno Sabido.

Apenas dois dos ciclistas dessas estruturas serão profissionais e Sabido considera que os restantes vão estar expostos a uma maior pressão, salientando: "[Os corredores] vão fazer toda a temporada do calendário profissional, sem serem profissionais e sem estarem capacitados fisicamente para tal. Às vezes isso leva depois a que se cometam asneiras e essas em nada beneficiam e nem dão a melhor imagem do que é o nosso ciclismo." Sabido vai mesmo mais longe, dizendo que participar numa Volta ao Algarve e numa Volta a Portugal não irá fazer diferença nesta fase da carreira dos jovens ciclistas. "A maior parte não terá nenhum benefício. Naturalmente que aqueles que têm mais talento e uma maior capacidade física, poderão beneficiar destas participações. Será uma minoria que poderá integrar-se e conseguir chegar no pelotão ou tentar não perderem muito tempo em relação ao grupo principal. A maioria terá grande dificuldade. O benefício não será tão grande quanto se espera", frisa.

Seguiu-se a inevitável pergunta: A W52-FC Porto continuará a ser o "alvo a abater"? "É a equipa com a melhor organização no ciclismo nacional. Parte da força colectiva tem a ver com a união de todos os elementos. Não só dos atletas, mas também do staff. Depois,do ponto de vista salarial é a equipa que tem maior consideração em relação aos atletas e tudo isso promove e desencadeia os resultados que eles conseguem alcançar ao longo de toda a temporada."

Saiu Amaro Antunes e Joaquim Silva, mas chegou César Fonte e José Neves, dois reforços que agradam a Nuno Sabido. O primeiro considera que poderá ser importante na estratégia colectiva, enquanto o segundo irá beneficiar na forma como Nuno Ribeiro lida com atletas jovens. "Ele de alguma forma protege os ciclistas mais novos. Submete-os a determinado trabalho, mas não os explorando, nem exigindo o que não seria o melhor para eles. Temos o caso do Joaquim Silva, que agora saiu para a Caja Rural, mas enquanto lá esteve foi sempre tido em muita consideração a sua evolução. Penso que é uma óptima equipa para albergar e depois lançar novos talentos", afirma.

E irá Raúl Alarcón ser o líder assumido depois da vitória na Volta a Portugal? Sabido continua a colocar Gustavo Veloso também com esse estatuto, realçando como fisicamente mantém-se a bom nível e como tem a ambição de ganhar novamente a principal corrida para as equipas nacionais. Porém, considera que existe ainda uma terceira opção: "O António Carvalho está desejoso ter a oportunidade dele e é outro que faz parte desse lote. O Nuno Ribeiro e os restantes directores estarão tranquilos por mais uma época porque têm várias opções para utilizarem."

Sporting-Tavira pressionado, Efapel nem tanto

O facto de ser o Sporting, a pressão é bem real, algo que não aconteceria se se tratasse do Tavira, segundo Nuno Sabido. "A direcção do Sporting Clube de Portugal quer vencer, até porque porque existe alguma rivalidade com o FC Porto." O antigo ciclista recorda como foi o regresso dos dois clubes ao ciclismo. Primeiro foi o clube de Lisboa a abordar Nuno Ribeiro, mas acabou por serem os portistas a chegarem a acordo com a que era a equipa mais ganhadora do pelotão e assim continua. O Sporting virou-se então para o Algarve. "Se no primeiro ano [a pressão] não era tão acentuada, agora é. Tiveram um segundo ano para tentarem provar e agora têm um terceiro e dificilmente será uma pressão colocada de lado."

Nuno Sabido coloca a W52-FC Porto num patamar acima, com o Sporting-Tavira ao nível de equipas como a Efapel e a Rádio Popular-Boavista. "Têm bons ciclistas, mas não têm atletas ao ponto de serem vencedores da Volta a Portugal."

Apesar do investimento feito para o garantir em 2017 Sérgio Paulinho, ciclista medalhado olímpico e que durante mais de uma década esteve no World Tour, Sabido refere que a direcção da Efapel reconhece o plantel que tem. Diz que Paulinho "dificilmente irá vencer a Volta a Portugal em situações normais de um para um". No entanto, salienta a reconhecida qualidade do ciclista e como uma situação de corrida favorável e tudo poderá acontecer. "Se ele tiver uma pequena vantagem, bastará de um minuto, poderá ser difícil alcançar o Sérgio."

Henrique Casimiro, que também fez top dez na última Volta a Portugal, é um caso que Sabido considera idêntico ao de Paulinho, com a grande diferença de ainda estar em plena evolução. "Ainda é um ciclista em desenvolvimento, veremos qual foi a sua evolução para a nova temporada. Temos de esperar para ver se o Henrique conseguiu subir mais um patamar para ganhar uma Volta a Portugal ou estar nos lugares cimeiros."

Louletano reforçado, mas não muito diferente; Boavista mantém génese

Depois do pódio de Vicente de Mateos na Volta a Portugal, a agora Aviludo-Louletano reforçou-se com ciclistas para tentar dar maior apoio ao líder, como Márcio Barbosa. "Acho que não vai influenciar muito o resultado do Louletano individual o se terem reforçado colectivamente. É uma equipa que irá continuar à procura das vitórias individuais." Nuno Sabido diz mesmo que pensa que a equipa algarvia "não terá a capacidade de confrontar directamente e colectivamente a W52-FC Porto" e que quando chegar o momento das decisões, Mateos terá de reagir. "Veremos se mais alguém da equipa o acompanhará."

Quanto à Rádio Popular-Boavista, entrará na fase pós-Rui Sousa, com Nuno Sabido a realçar que João Benta manter-se-á como o "ciclista em destaque", como "o homem forte". Já o russo Egor Silin, que chegou já no decorrer da temporada em 2017, depois de ter ficado sem lugar na Katusha-Alpecin, Sabido afirma que já "teve as suas oportunidades, mas não as aproveitou da melhor maneira". "Esta descida de divisão tão repentina teve a ver com algum descrédito por parte dessas equipas por que já passou e neste momento, tendo em conta o ciclismo em Portugal, tremendamente agressivo, eu direi que poderá continuar na sua toada, com fugas e tentar vencer etapas e, se calhar pouco mais do que isso."

Já a presença de dois jovens que irão cumprir o primeiro ano de sub-23, Francisco Moreira e João Salgado, mas logo numa equipa profissional, é algo que Nuno Sabido vê como positivo, sendo uma situação distinta dos mais novos que estão nas equipas sub-25. "É muito bom já lá estarem [numa estrutura profissional]. Acresce a motivação, têm um salário e só isso é uma mais valia", explica. Quanto à pressão, "existe sempre e a maior parte das vezes não é colocada pela equipa, pelos directores e staff técnico, é uma pressão que está inerente a cada atleta". Acrescenta que a ambição de chegar ao World Tour faz com que essa pressão surja, mas diz ser saudável, desde que a saibam controlar.

A Vito-Feirense-BlackJack herdou parte da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, mas Sabido atira logo a diferença que será a mudança de estatuto. "Parte do plantel mantém-se porque infelizmente os ciclistas não tinham alternativa, estão quase que obrigados a ficar na mesma formação." Sabido refere como as condições são diferentes "mesmo do ponto de vista salarial e tudo mais, não serão as mesmas, serão com toda a certeza inferiores". "É a tal motivação que está presente nesses atletas, em quererem fazer melhor esta temporada, para no próximo ano estarem numa equipa profissional", afirmou.

Contudo, espera que Edgar Pinto possa ter uma época livre de incidentes para finalmente mostrar toda a sua qualidade, enquanto João Matias, uma das revelações de 2017, "estará mais marcado".

Possíveis destaques para 2018

Nuno Sabido joga à defesa quanto a algum ou alguns ciclistas que possam destacar-se este ano. "Esperar para ver!" No entanto, questionado sobre jovens que se deve seguir com maior atenção e que ainda não se tenha referido, tendo também em conta as novas estruturas Continentais, fala-se de nomes como Francisco Campos, campeão nacional de sub-23 e vencedor da Prova de Abertura Região de Aveiro em 2017, mas também César Martingil e Gaspar Gonçalves, dois corredores que se tornaram profissionais com a Liberty Seguros-Carglass.

Considerando que estas equipas vão tentar criar as suas oportunidades, como entrar em fugas ou lutar pelas classificações secundárias, Sabido refere como Francisco Campos é um sprinter que consegue passar bem algumas dificuldades e como César Martingil irá reforçar precisamente essas chegadas com o pelotão compacto. Gaspar Gonçalves, um corredor mais completo, poderá tentar acompanhar os melhores, mas ainda lhe falta a experiência para poder alcançar grandes resultados. Porém, Sabido espera que a adquira e possa tornar-se numa referência do ciclismo nacional.

Não será preciso esperar muito pelo início da acção nas estradas portuguesas, pois é já este domingo que o pelotão nacional se faz à estrada na Prova de Abertura Região de Aveiro. Serão 155,5 quilómetros que começarão em Oliveira do Bairro, com a meta colocada na Torreira.



21 de novembro de 2017

O ano da confirmação de Mateos e de um Louletano-Hospital de Loulé cada vez mais ambicioso

Vicente Garcia de Mateos. Eis um ciclista que se deveria seguir com atenção em 2017, ainda mais quando no ano anterior tinha terminado no top dez da Volta a Portugal. Claro que num pelotão que ia contar novamente com uma super equipa como a W52-FC Porto, que iria ter um Sporting-Tavira renovado e fortalecido, uma Efapel que foi buscar Sérgio Paulinho ao World Tour, o Louletano-Hospital de Loulé quase que poderia passar despercebido. Quase, porque a equipa algarvia estava determinada em entrar na discussão das corridas, por mais forte que fosse a concorrência. O ciclista espanhol era a grande aposta e não demorou a mostrar que poderia tornar-se num sério candidato a algo mais do que um top dez na Volta a Portugal. A contratação mais falada foi a de Luís Mendonça, que aos 31 anos chegou à elite nacional. Apostou tarde no ciclismo, mas vontade e ambição não lhe faltavam e o sprinter não se inibiu de andar na frente, mesmo quando ao seu lado teve um Fernando Gaviria e um André Greipel na Volta ao Algarve. No primeiro sprint, Mendonça foi o melhor português.

Jorge Piedade, director desportivo, preparou a temporada para que o seu líder, Mateos, estivesse sempre em crescendo. A primeira vitória surgiu logo na Clássica Aldeias do Xisto e por Espanha somou bons resultados, como o 13º lugar na Volta à Comunidade de Madrid e o sétimo na Volta a La Rioja. Em Junho ganhou o Grande Prémio Abimota e uma etapa. Com o aproximar da Volta a Portugal, Mateos entrou numa fase mais discreta, quebrada apenas com o sexto lugar nos Nacionais. No Troféu Joaquim Agostinho foi apenas 29º, o que talvez tenha contribuído para não entrar no lote dos grandes favoritos para a Volta a Portugal.

Ranking nacional: 4º (1528 pontos)
Vitórias: 4 (incluindo uma etapa na Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Vicente Garcia de Mateos (4)

Contudo, tal não deverá acontecer de novo. A Volta serviu para Mateos enviar uma clara mensagem: contem com ele para fazer frente aos melhores. Porém, também o Louletano-Hospital de Loulé deixou a sua mensagem: um orçamento mais pequeno, uma equipa mais curta não significa que não se possa ser grande, principalmente quando se pode ter menos, mas o que se têm é de qualidade. O ciclista espanhol realizou uma Volta a Portugal a todos os níveis espectacular. Venceu uma etapa e terminou em terceiro. Para quem ainda há poucos anos procurava entrar mais em sprints, a evolução de Mateos foi notória e impressionante. Em 2018 a equipa algarvia vai querer mais e tens razões e base para isso.

O Louletanto-Hospital de Loulé chegou à Volta sem Luís Mendonça, que dias antes havia sido agredido durante um treino por um condutor. Fracturou o braço e não houve tempo para recuperar. Logo na primeira etapa foi Oscar Hernandez que não teve condições para prosseguir, deixando Mateos sem uma importante ajuda. Ainda assim, a reacção foi lutar pelo pódio e Jorge Piedade não tem dúvidas que o seu ciclista poderia estar com a camisola amarela antes da Serra da Estrela se tivesse mais apoio. Nessa etapa ficou mais do que claro que é preciso mais do que um Vicente Garcia de Mateos em forma para bater a W52-FC Porto.

E é esse passo que a formação algarvia quer dar em 2018. Márcio Barbosa (A.C.D.C. Trofa) poderá ser um reforço importante para a montanha, por exemplo. Certo será que a Aviludo-Louletano, como se chamará na próxima temporada, e Vicente Garcia de Mateos não serão novamente remetidos para um segundo plano na habituais listas de candidatos.

15 de novembro de 2017

Pelotão nacional de 2018 vai ganhando forma

As equipas portuguesas estão de olhos postos em 2018, mas continuam a limar algumas arestas quanto a contratações e renovações. A W52-FC Porto anunciou em dois dias duas novas caras e a manutenção de um dos ciclistas portugueses de maior valor: António Carvalho. Em comum há a aposta dos directores desportivos em manterem os principais corredores, pelo que, depois de um ano com grandes novidades - desde os regressos mediáticos de Sérgio Paulinho, Fábio Silvestre e Edgar Pinto, às mudanças de Joni Brandão, Amaro Antunes e Alejandro Marque, por exemplo -, em 2018 vamos assistir a uma continuidade dos núcleos fortes.

Das mais recentes contratações destaca-se a subida a profissional do jovem José Fernandes (22 anos), campeão sub-23 de contra-relógio. A evolução na Liberty Seguros-Carglass deixava antever que o passo para outro nível estaria perto e a W52-FC Porto assegura um dos ciclistas mais promissores da nova geração. José Fernandes ganhou a Volta a Portugal do Futuro, foi quinto no Troféu Joaquim Agostinho e o melhor na classificação da juventude.

César Fonte irá trazer experiência à equipa de Nuno Ribeiro. Aos 30 anos abraça um novo projecto depois de um ano na LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e três na Rádio Popular-Boavista. Antes passou pela estrutura da Efapel. O ciclista irá colmatar a saída de Amaro Antunes, sendo certamente um importante apoio a Raúl Alarcón e Gustavo Veloso, sendo de esperar que tenha alguma liberdade em certas corridas, como o director desportivo tenta sempre conceder durante a temporada.

Nuno Ribeiro bem tinha prometido que a equipa continuaria forte, apesar da saída do ciclista algarvio para a CCC Sprandi Polkowice e das incertezas quanto ao futuro de Alarcón, vencedor da Volta a Portugal, e António Carvalho (sexto na Grandíssima e com um ano recheado de excelentes resultados e prestações na ajuda aos líderes). Os últimos dois optaram por renovar.

O Sporting-Tavira foi buscar dois ciclistas desconhecidos: o russo Alexander Grigoryev (Russian Helicopters) e o italiano Nicola Toffali (0711|Cycling). Vidal Fitas também já garantiu Álvaro Trueba, corredor que estava na Efapel. Américo Silva tinha como objectivo tentar ficar com a equipa praticamente intacta. Perdeu Trueba e António Barbio (Miranda-Mortágua), mas foi buscar o experiente David Arroyo. Aos 37 anos, o espanhol pensava que iria terminar a carreira na Caja Rural, mas ao proporcionar-se este regresso a Portugal, agarrou a oportunidade. Em 2004 esteve na LA Pecol, terminando em segundo a Volta a Portugal. David Bernabéu foi o vencedor nesse ano, com Nuno Ribeiro (actual director desportivo da W52-FC Porto) a fechar o pódio e com Sérgio Paulinho a ser sexto. Agora serão companheiros de equipa. David Arroyo tem ainda experiência de World Tour, tendo estado oito anos na estrutura da Movistar.

Jorge Piedade quer colocar o Louletano-Hospital de Loulé (Aviludo-Louletano em 2018) mais perto do nível da W52-FC Porto, para assim ter novamente Vicente Garcia de Mateos na discussão da Volta a Portugal e apontar a mais vitórias noutras corridas. Luís Fernandes (Sporting-Tavira) e Juan Ignacio Perez (W52-FC Porto) estão contratados, tendo o responsável da formação algarvia aberto novamente as portas da elite a Márcio Barbosa (A.C.D.C. Trofa).

A Rádio Popular-Boavista prepara-se para a vida pós-Rui Sousa. Ficou com as principais figuras e foi buscar o veterano Yuri Trofimov (33 anos), que esteve na Caja Rural até meio da temporada transacta. Antes representou a Tinkoff e Katusha no World Tour. Também da equipa espanhola veio Oscar Pelegri e Manuel Sola chegou a ser anunciado, mas antes de assinar contrato foi conhecido um positivo num teste anti-doping, pelo que o acordo ficou sem efeito e falta um ciclista para fechar o plantel de José Santos.

Temos ainda a nova equipa: Vito-Feirense-Blackjack. É o regresso do clube ao ciclismo em ano de centenário. Vencedor da Volta a Portugal em 1990 com Fernando Carvalho, a equipa terá como director desportivo o antigo ciclista Joaquim Andrade e contará com alguns dos principais nomes da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack: Edgar Pinto, João Matias, Hugo Sancho e Luís Afonso. Leonel Coutinho irá regressar a Portugal depois de um ano em Espanha, o marroquino Soufiane Haddi irá reencontrar Edgar Pinto, de quem foi colega na Skydive Dubai. Ricardo Vale deixa a Rádio Popular-Boavista. Três ciclistas do Sport Ciclismo São João de Ver vão estar entre a elite nacional: João Santos, Gonçalo Santos e Bernardo Saavedra.

Em 2018, a formação do Miranda-Mortágua - que este ano esteve em destaque em várias corridas, principalmente com Francisco Campos - irá subir ao escalão Continental, sem, no entanto, perder o seu carácter de formação. Além dos jovens sub-23, destaque para o regresso de Nuno Meireles ao pelotão nacional depois de uma experiência pouco feliz na equipa Bolívia, projecto que terminou a meio da temporada. António Barbio será uma das grandes figuras. Vencedor de uma etapa na Volta a Portugal em 2017, o ciclista deixa a Efapel para regressar a uma estrutura que conhece bem.

Aqui fica o que já se conhece do pelotão nacional (ordem das equipas de acordo com o ranking nacional de 2017, sendo a Vito-Feirense-BlackJack uma nova formação e o Miranda-Mortágua subiu de escalão).

W52-FC Porto-Mestre da Cor: Raúl Alarcón, António Carvalho, Gustavo Veloso, Rui Vinhas, João Rodrigues, Samuel Caldeira, Ricardo Mestre, César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack), José Fernandes (Liberty Seguros-Carglass);

Sporting-Tavira: Joni Brandão, Alejandro Marque, Rinaldo Nocentini, Frederico Figueiredo, Álvaro Trueba (Efapel), Alexander Grigoryev (Russian Helicopters), Nicola Toffali (0711|Cycling);

Efapel: Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro, Daniel Mestre, Rafael Silva, Bruno Silva, Jesus del Pino, David Arroyo (Caja Rural);

Aviludo-Louletano: Vicente Garcia de Mateos, Luís Mendonça, Rui Rodrigues, David de la Fuente, André Evangelista, Oscar Hernandez, Luís Fernandes (Sporting-Tavira), Juan Ignacio Perez (W52-FC Porto), Márcio Barbosa (A.C.D.C. Trofa);

Rádio Popular-Boavista: Domingos Gonçalves, João Benta, Filipe Cardoso, David Rodrigues, Luís Gomes, Egor Silin, Yuri Trofimov (Caja Rural até Julho), Oscar Pelegri (Caja Rural);

Vito-Feirense-BlackJack: Edgar Pinto, João Matias, Hugo Sancho, Luís Afonso, Leonel Coutinho (G.D. Supermercados Froiz), Ricardo Vale (Rádio Popular-Boavista), Soufiane Haddi (Skydive Dubai-Al Ahli), João Santos (Sport Ciclismo São João de Ver), Gonçalo Santos (Sport Ciclismo São João de Ver), Bernardo Saavedra (Sport Ciclismo São João de Ver);

Miranda-Mortágua: Nuno Meireles, António Barbio, Hugo Nunes, Francisco Campos, Jorge Magalhães, Gonçalo Carvalho, Damien Cordeiro, João Rocha, José Sousa, Pedro Teixeira e Artur Chaves.

NOTA: Por lapso não foi incluída na primeira versão do texto a equipa do Miranda-Mortágua. Aqui fica o pedido de desculpa e a inclusão de uma formação que subirá de escalão e que poderá assim participar nas principais competições nacionais, como a Volta a Portugal e a Volta ao Algarve. Boas notícias para o pelotão português.