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16 de dezembro de 2019

"Quero ir atrás dos meus resultados"

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Rafael Reis prepara-se para ser o líder do Feirense, que contará com uma equipa muito jovem, aumentando a responsabilidade do ciclista de 27 anos. Depois de representar a W52-FC Porto e a espanhola Caja Rural, assina por uma formação com uma estrutura bem diferente, mas não hesita em afirmar que considera ser a melhor opção. Garante que se sente muito motivado para mostrar o seu valor e para agarrar a oportunidade de poder ser o chefe-de-fila em praticamente todas as corridas.

"Acho que vai ser bastante benéfico para mim. Todos sabem que a W52-FC Porto é a melhor equipa nacional e nem vale a pena estar com rodeios, mas no Feirense tenho mais probabilidade de poder ser sempre o líder. O [director desportivo] Joaquim Andrade deu-me a oportunidade de poder fazer isso e estou muito contente com essa opção. Espero vingar no próximo ano", salientou Rafael Reis ao Volta ao Ciclismo.

O corredor compreende que se olhe para esta escolha como um passo atrás numa carreira que o levou a estar dois anos na equipa que tem dominado o ciclismo nacional (2016 e 2019) e outros tantos numa das de referência em Espanha, a Caja Rural, tendo feito uma Volta a Espanha. "São caminhos... As coisas às vezes não correm como estamos à espera. Acho que é uma situação normal. Não sou o primeiro, nem serei o último a quem isto acontece. As coisas são assim. Há que dar a volta. Ainda só tenho 27 anos", disse, sem qualquer tipo de lamentos. Agora quer viver mais a pensar no presente, pois considera que olhar muito para o que o futuro pode ou não ser, "pode prejudicar um pouco as coisas".

"Quero ir atrás dos meus resultados", realçou, recordando como na primeira passagem pela W52-FC Porto teve oportunidades e foi uma temporada recheada de vitórias. "Agora vamos esperar conseguir fazer o mesmo e aguardar pelos momentos certos para fazer a diferença." Rafael Reis referiu como é altura de "ir com calma" e tentar apostar noutro tipo de terrenos, como a montanha: "Não perdi ambição!" 


"Ficar na W52-FC Porto e não fazer a Volta... Agora [a formação] é Continental e a equipa para a Volta está feita. Acho que não fazia sentido ficar"

É um contra-relogista por excelência e em 2018 vestiu a camisola amarela da Volta a Portugal depois de vencer o prólogo, tal como havia acontecido em 2016. Este ano ficou de fora da prova, mas era algo que sabia que iria acontecer, com o ciclista a salientar que ir à China era uma viagem que desejava fazer. "[A Volta ao Lago Qinghai] era de nível mais alto do que a Volta a Portugal, com 13 dias - das maiores a seguir às grandes voltas - e fiquei muito contente com a experiência. Se calhar não vou voltar a fazer esta corrida. Não estou arrependido de ter ido à China", contou. Aliás, o calendário mais internacional que acabou por fazer esta época foi algo que lhe agradou quando assinou por uma W52-FC Porto do escalão Profissional Continental.

No entanto, Rafael Reis recordou como o projecto era suposto ter mais anos, mas só durou um. E com o regresso ao terceiro nível, o número de ciclistas na equipa foi reduzido e o calendário passará novamente mais por Portugal, ainda que com umas visitas ao estrangeiro. "Ficar na W52-FC Porto e não fazer a Volta... Agora é Continental e a equipa para a Volta está feita. Acho que não fazia sentido ficar", afirmou.

É tempo de olhar para 2020 e utilizar a experiência que já tem ao serviço de um Feirense que muito dependerá de Rafael Reis. Só mais três ciclistas - Gonçalo Amado, Fábio Oliveira e o espanhol Óscar Pelegrí - não são sub-23 e Rafael será o veterano da equipa: "Estou mesmo muito motivado por estar no Feirense." A equipa de Joaquim Andrade perdeu patrocinadores e com um orçamento mais pequeno, foi preciso proceder a uma reestruturação, apostando ainda mais em corredores que estão em fase de formação.

Mas antes de terminar a conversa com Rafael Reis, falou-se de Ruben Guerreiro. São amigos e muitas vezes companheiros de treino. Rafael não escondeu o orgulho que sentiu ao ver Guerreiro realizar uma Volta a Espanha de tão alto nível. "Ele perguntou-me como foi quando eu estive lá e eu contei-lhe a minha experiência", recordou, frisando que não duvida que assinar pela EF Education First foi uma excelente escolha do amigo: "Vai tudo correr seguramente bem!"

»»"Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade"««

»»"Em África também temos muitos ciclistas talentosos"««

3 de agosto de 2018

O dia foi da Aviludo-Louletano-Uli, mas o calor continua a ser protagonista

Alguns ciclistas até paravam para se refrescar, numa preciosa ajuda
dos bombeiros (Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Trabalho exímio da Aviludo-Louletano-Uli. Primeiro e segundo classificado na etapa e um recado de Vicente García de Mateos aos críticos. Uma queda partiu o pelotão e, por momentos, Domingos Gonçalves chegou a ser dado como o novo líder, mas o ciclista da Rádio Popular-Boavista terá de procurar outra oportunidade, pois a amarela continua com Rafael Reis. Era de tudo isso que se deveria destacar da segunda etapa da Volta a Portugal. Mas não, o calor continua no centro das atenções e a corrida começa a ser notícia lá fora por este factor. Fazem-se comparações com o que aconteceu com o Tour Down Under, na Austrália, que perante condições idênticas optou por encurtar etapas. O martírio do tempo quente vai continuar rumo à etapa rainha da corrida no domingo.

Uma das recentes vitórias dos ciclistas foi a aplicação do protocolo de tempo extremo. Ao ser incluindo nos regulamentos da UCI, passou a prever que podem ser feitas alterações às corridas devido a questões de meteorologia. O frio e a neve têm sido das principais razões para a sua aplicação, mas o calor não lhe fica atrás. O Tour Down Under não consegue escapar às temperaturas muito altas em Janeiro e pelo menos nas últimas duas edições houve etapas encurtadas. Com mais de 40 graus, a organização tem optado por tentar salvaguardar a saúde dos corredores. É difícil agradar a todos, com uns a considerarem que devem ser canceladas, outros não se importam de enfrentar o calor. Noutras corridas já se chegou a anular tiradas e até a Volta a França não escapa a estas medidas. Na inesquecível tirada em que Chris Froome correu a pé pelo Mont Ventoux, os ciclistas não foram ao topo devido ao forte vento.

Na Volta a Portugal o ciclismo não tem parado... tirando quando alguns ciclistas ficaram debaixo das mangueiras dos bombeiros. As equipas redobraram ou mesmo triplicam os esforços para garantir que os seus corredores não sofrem de desidratação. Estes defendem-se como podem. Vão muito mais devagar (média pouco acima dos 30 quilómetros/hora) e aproveitam todas as mangueiradas para apanhar um verdadeiro duche frio. Merecem todo o respeito estes ciclistas porque a corrida não pára. A Associação de Ciclistas Profissionais (CPA, na sigla em francês) colocou no Twitter que ia pedir à organização da Volta para aplicar o protocolo de tempo extremo. "O organizador é responsável pela segurança e saúde dos ciclistas e não pode deixá-los competir nestas condições terríveis. Todos os ciclistas têm de ter os mesmos direitos e tratamentos", lê-se.

Já na quinta-feira, Tiago Machado chamou a atenção para o que os ciclistas estão a enfrentar e apelou para que se seguisse o exemplo do Tour Down Under, referindo mesmo que a RTP iria compreender. As transmissões televisivas têm um peso enorme, ainda mais quando é a Volta a Portugal que dá praticamente todo o protagonismo e retorno mediático aos patrocinadores das equipas portuguesas.

Foram 203,6 quilómetros entre Beja e Portalegre. Um ambiente tórrido, mas que mesmo assim só viu um ciclista sair de cena. O dinamarquês Louis Bendixen, da Team Coop, nem partiu e tornou-se assim na segunda desistência, depois do português Joaquim Silva (Caja Rural).

O dia do Louletano


 (Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
"Não está só o Porto e o Sporting nesta Volta. O Louletano também está." A frase é peremptória e é o sinal de ambição que sempre acompanha Luís Mendonça. Dois segundos lugares consecutivos. No primeiro ficou frustrado, agora foi como se tivesse ganho. Foi ele quem lançou o sprint, apanhou Domingos Gonçalves que tentou afastar-se da concorrência, mas depois foi Vicente García de Mateos quem aproveitou a roda para ganhar. Duas cartadas, dois ases. Perfeito para a Aviludo-Louletano-Uli que já tem a sua etapa. Falta a geral. Sim, o director desportivo, Jorge Piedade, quer ganhar a Volta com Mateos.

O espanhol foi terceiro há um ano. Quase ficou de fora desta edição devido a irregularidades no passaporte biológico. Foi o Tribunal Arbitral do Desporto quem levantou a suspensão, enquanto o processo ainda decorre. Mateos mandou calar. Os críticos, os detractores, fosse quem fosse que o esteja a colocar em causa. Mateos não se quis alongar nesses comentários. Só pensa em competir. Só pensa que a partir deste sábado começa a Volta, por assim dizer.

A montanha chega na chamada Etapa Vida, que irá passar por muitas das localidades mais afectadas pelos incêndios de 2017. Serão 177,8 quilómetros entre a Sertã e Oliveira do Hospital, com duas quartas categorias, duas terceiras e uma segunda, na Serra da Lousã, pelo que poderá haver uma nova classificação geral.

(Texto continua por baixo da imagem.)



Rafael Reis (Caja Rural) estará de amarelo, depois de provisoriamente ter perdido para Domingos Gonçalves. Uma queda a 500 metros da meta cortou o pelotão, mas ficaram dúvidas se antes já haveriam diferenças. Os comissários acabaram por optar dar o mesmo tempo a todos os que estavam no grupo. O líder da juventude e segundo à geral, César Martingil, ficou um pouco mal tratado, mas garantiu não ter nada partido. Mario Vogt (Sapura Cyling) manteve a camisola azul da montanha, o Sporting-Tavira não desarma da classificação colectiva, mas a dos pontos tem um novo líder: depois de dois segundos lugares, Luís Mendonça vai amanhã partir de verde.

Pode ver aqui as classificações.

O pontapé na roda

Merece o destaque, pois não é todos os dias que vemos um ciclista dar um pontapé numa roda de a fazer voar para longe. Quando se fizer um best of de maus tratos ao equipamento, o de Domingos Gonçalves tem de lá estar! Já com o pelotão lançado para começar a arrumar as suas peças para discutir a etapa, o campeão nacional de fundo e contra-relógio furou. Uma falha de comunicação fez com que o director desportivo, José Santos, não se apercebesse que o ciclista já tinha encostado e foi atrás de Filipe Cardoso que estava a recuar no pelotão.

Nas imagens é notório como Domingos gritou para o rádio ao ver o seu carro de apoio passar. Tirou ele a roda de trás e saiu remate! Foi Joaquim Andrade, da Vito-Feirense-BlackJack quem parou para o seu mecânico ajudar um potencial adversário para um final a que certamente a equipa também tinha pretensões. Um gesto extraordinário de fair play.

»»Calor roubou as atenções e fez a primeira vítima na Volta a Portugal««

»»"Perdi alguma confiança, mas comecei a acreditar novamente em mim"««

1 de agosto de 2018

"Eu tentava e as coisas não resultavam. Agora estão a começar a melhorar"

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
E tudo mudou em dois prólogos! Rafael Reis voltou a sorrir. Foram semanas e semanas em que nada parecia sair bem. O ciclista português nem parecia o mesmo. Mas as sensações foram melhorando e na melhor altura da época, eis que surgem as vitórias. Se no Troféu Joaquim Agostinho já tinha sido importante, vencer na Volta a Portugal, vestir mais uma vez a camisola amarela e, ainda mais, perto de casa (é de Palmela)... dizer que tem um sentimento especial é pouco.

Com a Vuelta a 25 dias de distância, regressar aos triunfos nesta altura poderia ser decisivo no momento de ser escolhida a equipa que estará na última grande volta do ano, mas o ciclista não faz parte da pré-selecção. Manter a amarela torna-se agora num objectivo, ainda que o ciclista saiba que acabará por ter de pensar noutros planos e quem sabe passará por ajudar o compatriota e colega Joaquim Silva. "A Caja Rural não está aqui para passear" garantiu. "Temos uma equipa forte, com muitos trepadores. Só eu e o [Josu] Zabala é que somos piores na montanha. Estamos aqui para fazer um bom resultado", acrescentou ao Volta ao Ciclismo.

Confrontado com aquele ciclista mais triste que se viu durante algum tempo, Rafael Reis desabafou: "É normal. Se as coisas não correm bem, não podemos andar bem. Eu tentava e as coisas não resultavam. Havia qualquer coisa que eu não estava a fazer bem. Agora estão a começar a melhorar. Acho que estou no caminho certo. Já me estava a sentir melhor [antes do Troféu Joaquim Agostinho]. Já ali tinha ganho [no Turcifal]. Foi um alívio bastante grande." Considera importante realizar uma boa prestação na Volta a Portugal, pelo que podem contar com Rafael Reis para lutar até onde puder pela manutenção da amarela.

Em 2016, foi em Oliveira de Azeméis que alcançou o mesmo feito, então ao serviço da W52-FC Porto. É um especialista em prólogos e a Vuelta abre com um contra-relógio de oito quilómetros em Málaga... Mas agora há que pensar numa corrida que já conhece, tal como acontece com Joaquim Silva, mas ri-se quando se refere que também conhece bem a equipa que tem dominado a competição nos últimos cinco anos, a W52-FC Porto. Se haverá uma vantagem nesse factor ou não, os próximos dias o dirão, mas a motivação está em alta.

Sobre a temporada o ciclista explicou como "a preparação foi bastante diferente." "No ano passado fiz altitude e não me acertei muito bem. Este ano, [a treinar] em casa tenho estado melhor, mesmo na montanha", contou.

A quase surpresa que quer ser a concorrência de Rafael Reis

O prólogo de apenas 1,8 quilómetros em Setúbal potenciava outro tipo de ciclistas, além dos especialistas em contra-relógio. César Martingil mostrou isso mesmo. Esteve muito tempo sentado na cadeira de líder, com a Liberty Seguros-Carglass a ter ficado a apenas dois segundos de uma vitória que teria sido histórica. É o primeiro ano da equipa como Continental, ainda que seja sub-25. É uma formação muito jovem e um triunfo e a camisola amarela teria sido um início de sonho. Rafael Reis não deixou, mas o discurso de Martingil foi que iria tentar a amarela já esta quinta-feira, na chegada a Albufeira.

Daniel Mestre (Efapel, ficou a três segundos), Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista, a quatro) ou João Matias (Vito-Feirense-BlackJack, a quatro) serão outros três ciclistas com a mesma ambição, antes da montanha mais difícil começar a aparecer a partir de sábado.

O vencedor de 2017, Raúl Alarcón (W52-FC Porto), ficou a nove segundos de Rafael Reis, com a maioria dos candidatos à geral a ficarem dentro da margem de 10 segundos. O ciclista da Caja Rural cumpriu a distância em 2:18, minutos, com uma média de 47 quilómetros/hora.

Esta quinta-feira é tempo de pedalar para o Algarve pela primeira vez na Volta em 10 anos. Albufeira irá receber o final da segunda etapa mais longa da corrida, 191,8 quilómetros, que começam em Alcácer do Sal às 12:45. A chegada está prevista para cerca das 17:30, com as temperaturas a poderem ultrapassar os 40 graus em certas zonas do sul do país.

Pode ver aqui as classificações completas do prólogo.


Nota: O texto foi corrigido para incluir a notícia que Rafael Reis não está na lista de pré-seleccionados da Caja Rural para a Vuelta. Aquando da entrevista ainda não era conhecida.

»»Ambição e convicção. Adversários querem fazer a W52-FC Porto suar««


10 de abril de 2018

Convites para a Vuelta sem surpresas e a abrir a porta a três ciclistas portugueses

A Euskadi-Murias recebeu um muito desejado convite para a Vuelta
A subida da Burgos BH e da Euskadi-Murias ao escalão Profissional Continental, onde só estava a Caja Rural, representa uma melhoria nas condições das equipas espanholas, pelo que era expectável que fossem premiadas com a presença na Vuelta. Afinal um, senão o, principal objectivo para os patrocinadores que investiram nestes projectos. O director da corrida, Javier Guillén, já tinha deixado indicações que os convites para a próxima edição da Volta a Espanha seriam entregues às equipas do país, sobrando um, que ficou para a francesa Cofidis. Mas também aqui não há surpresa, pois esta é uma marca que tem investido muito no ciclismo de Espanha, inclusivamente no apoio às selecções.

A alegria de uns é a grande desilusão de outros, principalmente da Aqua Blue Sport e da Manzana Postobón. A irlandesa recebeu um dos convites em 2017 e logo no seu ano de estreia no ciclismo. Depois das peripécias de ter visto o seu autocarro arder e de ter a portuguesa LA Alumínios-Metalusa-BlackJack a ceder o seu, a Aqua Blue Sport conseguiu vencer uma etapa, por intermédio do austríaco Stefan Denifl. O director, Rick Delaney, escreveu nas redes sociais estar "furioso" com a situação, questionando os critérios de escolha.

"No ano passado não tínhamos história e conseguimos alguns convites fantásticos, este ano temos alguma história positiva e temos poucos ou nenhuns convites. Investi milhões neste desporto [...]. Sem corridas significa que não há tráfego no site, que significa que não há vendas e, logo, não há financiamento para a nossa equipa", lê-se. Delaney critica ainda nem ter havido a cortesia de um telefonema a dizer que a Aqua Blue Sport tinha sido preterida.

Já a colombiana Manzana Postobón, de Ricardo Vilela, foi principalmente uma animadora nas fugas, com o holandês Jetse Bol a ser uma das figuras da primeira semana, quando chegou a figurar no top dez.

Desta feita ficarão de fora, assim como a CCC Sprandi Polkowice. A equipa polaca de Amaro Antunes sabia que as possibilidades eram quase nulas, mas depois de ficar de fora da Volta a Itália, restava sonhar com a Vuelta, mas nada feito. Porém, as escolhas feitas podem permitir ter três portugueses na corrida. Na Caja Rural, Rafael Reis poderá repetir a presença de 2017 (foi 132º), com Joaquim Silva a ter em perspectiva uma estreia em grandes voltas.

Já para José Mendes poderá ser o regresso, ele que conta com duas participações na Vuelta, em 2013 (22º) e 2016 (54º), num total de cinco grandes voltas: dois Tours e um Giro. O ciclista português foi um dos reforços da Burgos BH, depois de cinco temporadas na estrutura da actual Bora-Hansgrohe.

Na Euskadi-Murias a notícia foi recebida efusivamente. "É um momento importante para o ciclismo basco e para o desporto basco em geral", salientou Jon Odriozola, director da equipa. Desde que a popular Euskaltel-Euskadi terminou, que no País Basco há muito se aguarda pelo aparecimento de uma estrutura que dê de novo àquela região uma referência no ciclismo. Nas provas em que tem participado, a Euskadi-Murias tem assumido sempre uma postura atacante, procurando estar nas fugas. E poderemos comprovar isso já a partir de sexta-feira, pois a formação basca, juntamente com a Burgos BH, será uma das equipas estrangeiras a marcar presença no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. Estas duas formações espanholas têm sido presença regular em Portugal nos últimos anos, tal como a Caja Rural.

A Cofidis irá gerar um interesse maior do que em anos anteriores, pois a equipa contratou os irmãos Herrada, José e Jesús, que durante grande parte das suas carreiras foram duas figuras da Movistar, a única equipa espanhola no World Tour. Os Herrada juntaram-se a Luis Ángel Maté e Daniel Navarro.

A Volta a Espanha começa a 25 de Agosto com um contra-relógio de oito quilómetros em Málaga. Madrid consagrará o campeão a 16 de Setembro.

28 de dezembro de 2017

Tony Martin e Arnaud Démare inscritos na Volta ao Algarve

Martin já não vestirá a camisola do arco-íris na próxima Volta ao Algarve,
mas procurará a terceira vitória na corrida
O arranque da época aproxima-se e os calendários dos ciclistas vão sendo definidos. Com a Volta ao Algarve preparada para arrancar em Albufeira a 14 de Fevereiro, os primeiros nomes começam a ser inscritos para a 44ª edição. Tony Martin é já uma figura habitual na Algarvia e Arnaud Démare também estará de regresso. Entre os portugueses que estão em equipas estrangeiras, quatro já estão nas listas enviadas à organização: José Gonçalves, Tiago Machado, Rafael Reis e Joaquim Silva.

Tony Martin pode não estar a atravessar o melhor momento da sua carreira, mas procura em 2018 compensar um ano de estreia na Katusha-Alpecin que ficou muito aquém do esperado. O quatro vezes campeão do mundo de contra-relógio quer estar bem neste início de temporada, pois está de olho nas clássicas da primavera. O alemão de 32 anos tem boas memórias da Volta ao Algarve, tendo vencido a corrida em 2011 e 2013. Martin tem condições para aspirar a outro triunfo, tendo em conta que o contra-relógio até tem potencial para o beneficiar. No entanto, a equipa levará outro forte candidato: Simon Spilak

José Azevedo tem como objectivo de temporada para o esloveno precisamente as corridas de uma semana, aproveitando assim as características deste ciclista que este ano ganhou a Volta a Suíça pela segunda vez na carreira. Jhonatan Restrepo é mais uma das promessas colombianas no pelotão internacional. O jovem de 23 anos quer fazer de 2018 a época da sua afirmação. As clássicas são o seu forte, mas aos poucos vai também mostrando que corridas como a Algarvia podem assentar-lhe bem, numa altura em que vai melhorando nas subidas. Robert Kiserlovski e Maurits Lammertink tanto podem ser uma boa ajuda, como podem tentar surpreender numa fuga. Os portugueses José Gonçalves e Tiago Machado completam a Katusha-Alpecin, ficando-se à espera de ver se terão liberdade, ainda mais estando a competir no seu país. Marcel Kittel, a grande contratação para 2018 e que já venceu na Algarvia, não está entre os nomes inscritos.

A FDJ traz um conjunto muito a pensar em Arnaud Démare. O sprinter campeão nacional francês é mais um ciclista que irá estar a preparar a fase das clássicas. Ignatas Konovalovas (campeão de estrada e de contra-relógio da Lituânia), David Cimolai, Jacopo Guarnieri e o reforço Antoine Duchesne (canadiano da Direct Energie) deverão estar mais no apoio a Démare, com o jovem Olivier le Gac (24 anos) a ter uma oportunidade para mostrar as suas qualidades, ainda que para a geral a aposta deverá ser o holandês - e mais um campeão nacional - Ramon Sinkeldam. O ciclista deixou a Sunweb para ter um papel de mais destaque e na Algarvia terá a possibilidade de começar a afirmar-se desde o início da temporada na FDJ.

Quanto à Caja Rural, os destaques vão inevitavelmente para os dois portugueses. Rafael Reis prepara-se para cumprir o segundo ano na estrutura espanhola do escalão Profissional Continental e irá ter ao seu lado em 2018 Joaquim Silva que, tal como Rafael, representou a W52-FC Porto. Ambos poderão ter um papel de destaque numa equipa que irá trazer ao Algarve ciclistas muito jovens. Rafael e Joaquim são mesmo os mais velhos (25 anos). Josu Zabala, Gonzalo Serrano, Mauricio Moreira, Miguel Ángel Benito e Julen Amezqueta são os eleitos.

De recordar que estas são listas de pré-inscritos e que podem sofrer alterações. A Dimension Data ainda não confirmou os seus ciclistas, mas Louis Meintjes foi o primeiro a anunciar que pretendia estar na Volta ao Algarve, de forma a preparar a estreia na Giro. Geraint Thomas (Sky) - vencedor em 2015 e 2016 - e Peter Kennaugh (Bora-Hansgrohe) também estarão presentes.

A Volta ao Algarve decorre entre 14 e 18 de Fevereiro e contará com um recorde de equipas do World Tour: 13. Veja aqui o percurso.


10 de setembro de 2017

Os mais e menos desta sensacional Vuelta

O pódio da 72ª edição da Vuelta: Zakarin (3º), Froome (1º) e Nibali (2º)
(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
É verdade que já se repetiu aqui várias vezes a "sensacional Vuelta", ou "fenomenal Vuelta". Mas foi e há que sublinhar isso mesmo. Com um Giro interessante, mas não tão espectacular como em anos anteriores e com uma Volta a França, mais emotiva do que tem sido normal, mas ainda assim a pecar por ter um percurso conservador, esta Vuelta foi uma corrida de três semanas de fazer os adeptos de ciclismo ficarem sentados quase da primeira à última etapa sem grandes momentos para se bocejar! Chegou ao fim e podemos começar a pensar no final de temporada, com os Mundiais e a Lombardia como principais destaques. Mas antes fica aqui os mais e menos de uma Vuelta de emoções fortes.

Os mais...

Chris Froome, claro. É o primeiro ciclista a fazer a dobradinha Tour/Vuelta desde que as corridas estão no actual calendário. Depois de três segundos lugares, finalmente a vitória e com uma demonstração do poderio que nos habituámos a ver no Tour e que este ano tinha sido colocado em causa. Venceu duas etapas (uma foi o contra-relógio) e vestiu a camisola vermelha na terceira etapa e nunca mais a tirou. A Sky também esteve em grande nível, depois de há um ano ter falhado perante o seu líder na Vuelta. Wout Poels foi imperial, Gianni Moscon uma confirmação que é mais um homem preparado para servir a Sky nas grandes voltas.

Alberto Contador. Começou tão mal esta Vuelta que se chegou a temer que a despedida seria marcada por um abandono. Afinal, a má etapa de Andorra tinha sido devido a um problema de saúde. Recuperou e foi espectáculo atrás de espectáculo. Custou, mas ganhou uma etapa e logo no Angliru. É o primeiro ciclista a vencer duas vezes nesta mítica subida. Faltou-lhe o pódio na hora do adeus, mas deixou uma marca tão profunda nesta Volta a Espanha, que garantiu que será lembrado por mais uma grande corrida que fez, independentemente do quarto lugar. E que bonita foi aquela entrada em Madrid, com o pelotão a deixar-se ficar para trás, deixando Contador receber uma enorme ovação pelas ruas da sua cidade. Mais um pormenor: salvou a Espanha de não ter nenhum ciclista seu a vencer em casa, algo que só aconteceu em 1996.

Ilnur Zakarin e Wilco Kelderman. O russo da Katusha-Alpecin consegue o seu primeiro pódio numa grande volta. A aposta de José Azevedo começa a render, depois do quinto lugar no Giro. A concorrência era bem mais feroz na Vuelta e apesar de um início pouco convincente, Zakarin terminou em grande e a dizer que está pronto para um maior desafio em 2018: o Tour. Quanto ao holandês da Sunweb, depois de ter sido o homem de confiança que Tom Dumoulin perdeu no incidente com a moto no Giro, agarrou com tudo o que tinha a oportunidade de liderar uma grande volta. Acabou por cair de terceiro para quinto lugar no Angliru, mas ainda assim são mais os aspectos positivos a tirar do que os negativos. Demonstrou que a Sunweb tinha razão em mandar para casa um Warren Barguil a querer ser a estrela e não um homem de equipa. A ver vamos o que reserva a Kelderman em 2018, sendo certo que não irá livrar-se de ajudar Dumoulin, mas a merecer nova oportunidade como líder.

Michael Woods. É a surpresa no top dez. Aos 30 anos fez a sua melhor corrida, naquela que foi apenas a sua segunda grande volta. Brilhante sétimo lugar do canadiano que pouco se falou até hoje, mas que agora fica-se a pensar se tem mais para mostrar ou se apenas garantiu um lugar na equipa para 2018, no apoio a Rigoberto Uran. Pode já ter aparecido tarde, mas serão três semanas marcantes na carreira de um ciclista que normalmente mostra-se em provas de uma semana nos EUA, ou nas clássicas. Por curiosidade, Woods ganhou em 2015 a Clássica Internacional de Loulé. A Cannondale-Drapac colocou ainda Davide Villella como o rei da montanha, num ano muito positivo nas provas de três semanas, mesmo com a ameaça de ser o fim da linha da formação, algo já confirmado que não irá acontecer.

Miguel Ángel López. O Super-Homem do ciclismo está de regresso. Foi um ano penoso depois no final de 2016 ter sofrido uma queda grave num treino, na qual fracturou a perna. A confirmação do seu talento para as três semanas não aconteceu na Vuelta de 2016 (também caiu e abandonou depois de ter vencido nesse ano a Volta a Suíça), surgiu nesta, com duas vitórias de etapa e o oitavo posto na geral. Foi o melhor ciclista da Astana, que tinha Fabio Aru como líder. É um ciclista com um futuro muito (mesmo muito) promissor.

Os caçadores de etapas. Matteo Trentin (quatro) e Tomasz Marczynski (duas) foram os ciclistas que repetiram vitórias na Vuelta, além de López e Froome. Para o italiano foi o passaporte para o grupo de corredores que conquistaram tiradas nas três grandes voltas, enquanto o polaco estreou-se a vencer nestas corridas. Trentin venceu em Madrid, mas falhou a camisola verde porque, ao contrário do que se esperava, Froome foi sprintar e garantiu por dois pontos essa classificação. Ainda assim, para o italiano e para a Quick-Step Floors foi um saldo muito positivo. A equipa belga sai da Vuelta com seis vitórias, mais uma do que as conquistas no Giro e no Tour. Que época tremenda! Mas Marczynski contribuiu também para a Lotto Soudal ter razões para sorrir depois de um Tour em que ficou a zero. Armée Sander e Thomas de Gendt também venceram para a equipa. O belga juntou-se a Trentin como o vencedor nas três grandes.

A Aqua Blue Sport foi a única equipa das que receberam um convite para a Vuelta a conquistar uma vitória de etapa. A formação irlandesa - que conta com o massagista português Pedro Claudino - tentou ao sprint com o campeão inglês em 2016 Adam Blythe e integrou algumas fugas. Foi assim que conseguiu um triunfo por intermédio do austríaco Stefan Denifl. Foi uma vitória de extrema importância para uma formação a cumprir o seu primeiro ano de existência e a justificar um convite que surpreendeu muitos. Cofidis, Manzana Postobón e a formação da casa, Caja Rural, não conseguiram o mesmo protagonismo.

Os menos...

Começando pelas outras promessas além de López. As atenções eram muito sobre as espanholas e foi Marc Soler quem mais se mostrou. O jovem de 23 anos entrou em fugas e esteve muito activo na Vuelta, mas não foi recompensado nem com uma vitória de etapa, nem com uma classificação na geral digna de nota (perdeu mais de duas horas). Ganhou experiência o que poderá ser importante para o futuro, já que é um ciclista muito novo. O mesmo acontece com Jaime Rosón. Esteve um pouco melhor, mas o reforço da Movistar para 2017 - actualmente na Caja Rural - não se viu muito e acabou com mais de uma hora de atraso. Mais um caso em que se pode dizer que ganhou experiência.

Há ainda Rubén Fernández e David de la Cruz. O primeiro, da Movistar, deu tanto espectáculo há um ano e neste... praticamente nada. O segundo, da Quick-Step Floors e de malas feitas para a Sky, mostrou debilidades sempre que as dificuldades montanhosas mais complicadas apareceram. Quando se queria mostrar para garantir pelo menos um top dez, caiu antes de chegar ao Angliru e abandonou. Esperava-se mais e melhor dos dois.

Já se falou de dois ciclistas da Movistar, mas se há um grande menos nesta Vuelta é a equipa espanhola. Orfã de um líder (Nairo Quintana fez o Giro e o Tour e Alejandro Valverde está a recuperar de uma grave queda na Volta a França), a oportunidade dada aos ciclistas mais novos não deu frutos, pelos menos nesta Vuelta. Aposta para o futuro dirá o director desportivo Eusebio Unzué. Também não ajudou Carlos Betancur desistir após uma queda, ele que até parecia estar de facto bem fisicamente. Mas para uma equipa espanhol, a única do World Tour, com um patrocinador tão exigente que nem deixa que o campeão espanhol utilize uma camisola que o identifique claramente como tal, ter o melhor classificado na 36ª posição a 1:43.45 horas (Richard Carapaz)... Não há razões para sorrir. E nem uma etapa foi ganha pela Movistar. Volta para esquecer da equipa de Nelson Oliveira.

Destacam-se pela negativa mais duas equipas. A BMC que começou por vestir a vermelha e tentar disputar a geral primeiro com Rohan Dennis (mais uma vez não acabou uma grande volta) e depois com Nicholas Roche que foi um descalabro depois de sonhar com o pódio. Salvou-se o top dez de Tejay van Garderen, "oferecido" por Fabio Aru no Angliru. A Orica-Scott apostou forte com Johan Esteban Chaves e os gémeos Yates. Adam e Simon foram uma tremenda desilusão. Talento não lhes falta, mas está a faltar algo para começarem finalmente a discutir grandes voltas, além das classificações da juventude. Quanto a Chaves, foi ao Tour para ganhar ritmo depois de meio ano perdido a recuperar de uma lesão no joelho. Apareceu bem na Vuelta, mas não na apresentada há um ano, que lhe valeu o pódio. Com um contra-relógio de 40 quilómetros foi impossível lutar por resultado idêntico. Apesar de no início ser o colombiano o único que não largava Froome, quebrou e terminou fora do top dez. Mesmo com alguns problemas na montanha, que revelam que ainda não está a 100%, tem de melhorar no contra-relógio se quer aspirar a algo mais.

Já aqui se falou de Fabio Aru. O que dizer de um ciclista que perdeu 15 minutos no Angliru? Terminou o Tour doente e não conseguiu estar ao seu melhor na Vuelta. É uma pena, porque numa corrida com tanto espectáculo, teria sido tão bom ver este italiano a ser aquele ciclista irreverente que sabe e gosta de ser.

Os portugueses

José Gonçalves não terminou, pois uma queda na sexta etapa acabou com a sua Vuelta. Mas o contingente português contou com mais quatro ciclistas e todos andaram em fugas. Rui Costa e Nelson Oliveira com bons resultados, mas não houve vitória. O ciclista da UAE Team Emirates conseguiu um quarto lugar, que tem de ser valorizado já que fez uma parte da Vuelta com uma ferida nas costas, resultado de uma queda. Ainda este domingo tentou novamente a sua sorte. Foi 43º, a 1:58.46 horas, mas mais do que esta classificação ficaram indicações que poderá aparecer bem nos Mundiais. Nelson Oliveira conseguiu um quinto lugar e a certa altura chegou a bater à porta do top dez. Foi um teste às capacidades de voltista do ciclista da Movistar, sem estar no papel de gregário. Mas esta Vuelta é mesmo muito dura e com o passar das montanhas Oliveira foi perdendo tempo. Terminou na 47ª posição, a 2:16.03. No contra-relógio, o próprio assumiu que foi uma desilusão a sua exibição nesse dia, ficando longe dos melhores: a 2 2:47 de Chris Froome.

Ricardo Vilela fez a Vuelta lesionado. Ainda assim manteve-se em prova até final, representando uma Manzana Postobón que tanto se quis mostrar nesta corrida. Foi 50º, a 2:25.21 de Froome. Rafael Reis fez a sua estreia e acabou por ser o intervenientes de um dos momentos negativos na Vuelta. Não por sua responsabilidade. Quando integrava uma fuga, acabou por ser tocado por uma moto, que lhe provocou uma queda. Infelicidade para o português da Caja Rural que certamente ganhou uma experiência importante durante as últimas três semanas, naquele que está a ser o seu primeiro ano numa equipa Profissional Continental. Terminou na 132ª posição, a 4:27.14.

Muito mais haveria a dizer, mas vamos evitar um testamento. De ano para ano esta Vuelta tem sido o palco de cada vez mais espectáculo e, por isso, entramos em contagem decrescente até à próxima, a 73ª edição.


Summary - Stage 21 - La Vuelta 2017 por la_vuelta



25 de agosto de 2017

Acidente com moto acaba com etapa de Rafael Reis

Rafael Reis tornou-se a mais recente vítima de um acidente com uma moto durante uma corrida. A Volta a Espanha já tem um historial de casos destes e até com portugueses. Sérgio Paulinho ainda hoje se recorda da violenta queda em 2015. O choque com Rafael Reis não foi tão grave, mas deitou ao chão o ciclista da Caja Rural, que faz a sua estreia em grandes voltas, e acabou ali com as suas hipóteses de ainda tentar reentrar na discussão da etapa.

Faltavam cerca de 15 quilómetros e Rafael Reis tentava não deixar escapar em demasia os ciclistas, companheiros de fuga, que começavam a afastar-se na última subida do dia. O ciclista de 25 anos dirigia-se para o lado direito da estrada, no qual estava uma zona que não era em empedrado. Porém, uma moto também escolheu esse lado para ultrapassar o ciclista. Deu-se o choque e Rafael Reis foi ao chão e por muito pouco não provocou a queda do homem da Manzana Postobón que seguia atrás de si.

Visivelmente chateado com a situação, Reis regressou à corrida e terminou em 14º, a 2:40 do vencedor Matej Mohoric (UAE Team Emirates). Em 2015, Sérgio Paulinho também foi deitado ao chão por uma moto. Levou 17 pontos e acabou por abandonar. Essa edição da Vuelta foi para esquecer para a Tinkov, pois o mesmo aconteceu com Peter Sagan.

Os acidentes com motos têm sido recorrentes nos últimos anos, tendo provocado já casos graves e um acidente foi mesmo mortal (Antoine Demoitié). Muito pressionada para agir, a UCI apertou as regras e principalmente as sanções para motards - e também condutores dos automóveis que estão na caravana das corridas - que as desrespeitem. No entanto, o que aconteceu com Rafael Reis é um alerta que ainda há trabalho a fazer para evitar estes acidentes.

Foi um dia acidentado para os portugueses, pois Rui Costa também caiu, ainda na fase de neutralização. O ciclista da UAE Team Emirates diz que as feridas são profundas, mas que aguenta. José Gonçalves já não está em prova. O corredor da Katusha-Alpecin abandonou na sexta-feira após uma queda.

Etapa acidentada

Rafael Reis não foi o único a ficar envolvido num acidente. Foram vários os que caíram quando encontraram uma bicicleta de BTT na estrada. O campeão americano, Larry Warbasse, diz recordar-se de ver a bicicleta que provocou uma queda colectiva na estrada, tendo o ciclista da Aqua Blue Sport sido um dos casos mais graves. Fracturou a mão direita e ficou bastante mal tratado num braço e perna.

Merhawi Kudus foi outro dos ciclistas afectados. Abandonou e foi transportado para o hospital. Para a Dimension Data está a ser uma Vuelta muito complicada, pois em sete etapas já perdeu quatro ciclistas.

Pesadelo da Movistar continua

(Fotografia: Instagram Carlos Betancur)
O dia começou com a notícia que Carlos Betancur não iria estar à partida em Llíria. O colombiano seguia com Chris Froome, Alberto Contador e Tejay van Garderen, mas o americano caiu e levou consigo Betancur. Garderen retomou a corrida (ainda que tenha voltado a cair), tal como o ciclista da Movistar. Betancur cortou a meta ensanguentado, imagens que têm sido partilhadas nas redes sociais.

No hospital foi confirmado que o ciclista tinha uma fractura no tornozelo e que terá de ser submetido a uma cirugia no rosto. Betancur tinha na Vuelta uma oportunidade para se afirmar na Movistar. A equipa espanhola apostou no ciclista quando este tinha perdido grande parte do crédito por um comportamento pouco profissional quando esteve na AG2R. Este ano parecia que finalmente estava a corresponder melhor ao que é esperado dele. Sem Nairo Quintana e Alejandro Valverde, a porta estava escancarada para Betancur na Volta a Espanha.

Está a ser um pesadelo para a Movistar. Quintana falhou no Giro e no Tour, Valverde caiu na Volta a França e ainda está a recuperar, não podendo cumprir o papel de líder que lhe estava destinado na Vuelta. A equipa espanhola, a única do país no World Tour, resolveu dar a oportunidade a jovens ciclistas de se mostrar, sem ter grandes pretensões à geral. Até foi um veterano que começou melhor. Daniel Moreno (35) parecia dar algumas garantias no início da corrida, mas caiu e caiu também na classificação. Betancur passou a ser o melhor classificado... e agora também caiu. Pior, abandonou e tem pela frente uma paragem para recuperar fisicamente.

Agora é Nelson Oliveira o melhor da Movistar. É 22º, a 3:02 minutos de Chris Froome (Sky). Será interessante ver com o português responde a esta posição. Oliveira já venceu uma etapa na Vuelta, em 2015 e tem aqui a oportunidade para o voltar a fazer, mas também quererá testar-se numa corrida de três semanas sem ser no papel de gregário. Para já, está a ser uma boa corrida do ciclista português.

O regresso da alta-montanha


Depois de três etapas chamadas de "rompe pernas", está de regresso a alta montanha e mais uns testes para os candidatos. As fugas têm estado a ter sucesso, mas com o dia de descanso na segunda-feira, o fim-de-semana poderá servir para tentar perceber se Chris Froome está tão forte como tem parecido. O destaque deste sábado vai para a última subida. O Alto Xorret de Catí é daquelas rampas típicas de uma Vuelta. Curta, não deverá estabelecer grandes diferenças, mas poderá expor fraquezas. Serão cinco quilómetros, com uma pendente média de 9%, com o máximo de 18%. A maior parte até é acima dos 10%, mas o início (2%) e o final (7,8%) acabam por baixar a média.

No entanto, a etapa não acaba quando os ciclistas atingirem o topo. Há ainda uma descida e um último quilómetro que não é plano. Vincenzo Nibali tem falhado nas subidas, mas a descida está a pedir uma demonstração das qualidades de descedor do italiano da Bahrain-Merida. Pelo menos Froome está à espera de dois dias bem animados.


Summary - Stage 7 - La Vuelta 2017 por la_vuelta


Veja aqui as classificações após sete etapas.

»»Contador apareceu e lançou o pânico no pelotão««

»»Tácticas, golpes perfeitos e algum bluff««

14 de agosto de 2017

O contingente português na Vuelta

(Fotografia: Facebook Rui Costa)
Estamos em contagem decrescente para o início da Vuelta, a última grande volta do ano. São poucas as equipas que ainda não confirmaram o nove eleito e das que contam com portugueses no plantel, só uma ainda não definiu os ciclistas. Rui Costa, Nelson Oliveira, José Gonçalves e Rafael Reis estão confirmados na Volta a Espanha.

Para Rui Costa e José Gonçalves será a segunda presença numa corrida de três semanas em 2017. Ambos estiveram no Giro e será de esperar um papel idêntico aos que tiveram em Itália. Rui Costa está a ter um ano muito diferente ao que tem sido habitual desde que está ao mais alto nível do ciclismo. Será a sua 10ª grande volta, mas tal como aconteceu no Giro, fará a sua estreia na Vuelta.

Louis Meintjes será o homem para a geral, pelo que o campeão do Mundo de 2013 deverá ter a liberdade para procurar vitórias de etapas. No Giro fez dois segundos lugares e a motivação está em alta para a corrida espanhola, naquele que está a ser uma excelente temporada de Rui Costa. Só lhe falta uma etapa numa grande volta. Porém, também é possível que o poveiro dê uma ajuda a Meintjes, pois ainda com John Darwin Atapuma nos eleitos, a UAE Team Emirates tem a responsabilidade de fazer algo interessante na corrida.

Já José Gonçalves conhece bem os cantos à Vuelta. Já fez duas, ainda que no ano passado tenha abandonado. A estreia em 2015 foi memorável: um segundo lugar, um terceiro e dois quintos em etapas. Foi dos ciclistas mais combativos, então ao serviço da Caja Rural. Perante as características do ciclista português de 28 anos, bem que gostaríamos de o ver com liberdade para também ele tentar ganhar uma etapa. Porém, com Ilnur Zakarin como líder, o mais provável é que seja novamente um aliado muito importante para o russo, tal como aconteceu no Giro.

Para Nelson Oliveira chegou a oportunidade de salvar algo de uma época infeliz. A queda no Paris-Roubaix estragou-lhe parte da temporada, tendo ficado de fora das escolhas para o Tour. Nos Nacionais viveu o insólito momento de nem sequer partir para o contra-relógio por não saber da mudança de horário da partida. Mas já naquela altura tinha a Vuelta em mente, corrida onde conquistou uma etapa em 2015, ao serviço da Lampre-Merida. Sem o lesionado Alejandro Valverde e com Nairo Quintana a descansar depois de fazer o Giro e o Tour, a Movistar apresenta-se sem um líder claro, pelo que Nelson Oliveira poderá tentar a sua sorte.

Quanto a Rafael Reis fará a sua estreia numa grande volta. Para o ciclista da Caja Rural é o concretizar de um sonho. Assinar pela equipa espanhola foi um passo que procurava na sua carreira e estar na Vuelta era um dos seus objectivos do ano. A Caja Rural quer ganhar uma etapa e é possível que Rafael Reis tente entrar em alguma fuga e também terá a oportunidade para mostrar as suas qualidades como contra-relogista.

De fora estão José Mendes e Tiago Machado. O primeiro esteve no Giro, mas não irá regressar à corrida na qual foi o líder da equipa em 2016. O ciclista está em final de contrato com a Bora-Hansgrohe e desconhece-se ainda o seu futuro. Quando a Machado esteve no Tour e foi dos melhores corredores da Katusha-Alpecin. Nuno Bico (Movistar) e Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) ainda não são apostas para estas andanças.

A Manzana Postobón foi convidada para a Volta a Espanha, contudo, não apresentou o seu nove. Ricardo Vilela faz parte do plantel, mas não aparece nos pré-convocados. A equipa colombiana deverá apostar maioritariamente em ciclistas do seu país.

A Vuelta começa este sábado na cidade francesa de Nîme, com um contra-relógio por equipas.

(Nota de actualização: A Manzana Postobón já confirmou entretanto a equipa para a Vuelta e Ricardo Vilela irá ser o quinto português na corrida)

»»Rafael Reis vai à Volta a Espanha««

»»Alberto Contador num adeus sem tristeza na Vuelta««

11 de agosto de 2017

Rafael Reis vai à Volta a Espanha

Era um dos objectivos de temporada para Rafael Reis e está agora assegurado. O ciclista português está entre os nove eleitos pela Caja Rural para disputar a Volta a Espanha, naquela que será a estreia do vice-campeão nacional de contra-relógio nas grandes voltas. Pela equipa espanhola têm passado alguns portugueses e em 2015 José Gonçalves foi mesmo um dos mais combativos da Vuelta, sendo um ciclista que muito lutou por uma vitória de etapa, que acabou por nunca alcançar.

Depois de uma excelente temporada na W52-FC Porto, na qual foi o ciclista com mais vitórias (oito, incluindo o prólogo na Volta a Portugal) e o primeiro do ranking nacional, Rafael Reis conseguiu a oportunidade que tanto ambicionava. Deu o salto para uma equipa do escalão Profissional Continental, que já serviu de trampolim para dois portugueses chegarem ao World Tour: André Cardoso e José Gonçalves. O ano começou muito bem para o corredor de 25 anos na Argentina, mas uma queda na Volta à Comunidade Valenciana obrigou-o a parar devido a uma lesão no pulso. Recentemente foi 24º no contra-relógio dos Europeus, tendo abandonado na prova de fundo.

Agora irá estar ao lado de Chris Froome, Fabio Aru e verá de perto Alberto Contador na corrida de despedida do ciclista espanhol. Rafael Reis faz parte de uma equipa muito interessante da Caja Rural, que nunca passa despercebida na Vuelta e tem como principal objectivo vencer uma etapa. Jaime Rosón será um ciclista a seguir com muita atenção. O jovem de 24 anos será reforço da Movistar em 2018, depois de nos dois últimos anos ter começado a dar e bem nas vistas. Em Abril mediu forças com Vincenzo Nibali na Volta à Croácia, tendo ficado em segundo na geral, a oito segundos do italiano da Bahrain-Merida. Venceu uma etapa nessa corrida.

A contrabalançar a juventude estará Sergio Pardilla (33 anos), que já foi top 20 da Vuelta em duas ocasiões, e David Arroyo (37), vencedor de uma etapa e cinco presenças no top 20. Lluis Mas, Fabricio Ferrari, Diego Rubio, Héctor Sáez e Nick Schultz completam a formação da Caja Rural. A Vuelta começa na cidade francesa de Nîmes, a 19 de Agosto.



25 de julho de 2017

Misto de juventude e experiência para atacar os Europeus

Rafael Reis e Ruben Guerreiro, amigos que vão lutar pelo título europeu
Será o segundo ano em que os profissionais poderão competir nos Europeus, com Herning, na Dinamarca, a ser o palco da corridas entre 2 e 6 de Agosto. Há um ano Peter Sagan coleccionou mais uma camisola, que acabou por nunca ser vista na estrada, pois era campeão do mundo quando ganhou e renovou o título em Outubro. Jonathan Castroviejo venceu no contra-relógio e essa camisola até a vimos na Volta ao Algarve. Quem serão os próximos campeões europeus? Portugal aposta num misto de juventude e experiência para enfrentar as habituais potências do ciclismo: Ruben Guerreiro, Rafael Reis, José Mendes e Tiago Machado.

Este ano serão apenas quatro os que formarão a equipa na competição de elite, como José Mendes (Bora-Hansgrohe) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin) a repetirem a chamada, ainda que o primeiro tenha acabo por não competir devido a problemas físicos. Em 2016, a táctica assumida foi de apoio a Rui Costa, que terminou na sexta posição. Este ano e dado ser uma equipa mais curta, as características dos ciclistas beneficiam a procura de uma fuga ou de ataques nos quilómetros finais, por exemplo. Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) sagrou-se recentemente campeão nacional de fundo, enquanto Rafael Reis (Caja Rural) foi vice-campeão de contra-relógio, perdendo para Domingos Gonçalves, que no dia 4 começa a Volta a Portugal com a Rádio Popular-Boavista.

Sem surpresa, Rafael Reis irá estar tanto no esforço individual como na prova de fundo, tal como Tiago Machado. Rafael Reis é um especialista nesta vertente e na Volta a Portugal de 2016 venceu o prólogo e vestiu a camisola amarela. O percurso do contra-relógio é essencialmente plano (46 quilómetros), tal como o escolhido para a prova de fundo (241,2). Será percorrido em circuito para assim potenciar a visibilidade de quem quiser assistir in loco à corrida.

Bikey, a mascote dos Europeus
Perante estas características e o número reduzido de ciclistas da equipa portuguesa, percebe-se ainda melhor a escolha de José Poeira. Tiago Machado (31 anos) é exímio neste tipo de ataques. Na Katusha-Alpecin as suas funções mudaram, sendo agora um excelente gregário, mas as qualidades do homem de ataque que é não se perderam. Certamente que o ciclista estará desejoso de as mostrar, depois de um Tour muito positivo, ainda que no trabalho para Alexander Kristoff. José Mendes (32) gosta mais de percursos com algumas inclinações, ainda assim a sua experiência poderá ser importante, pois também sabe integrar bem potenciais fugas.

Rafael Reis (25) e Ruben Guerreiro (23) são ciclistas que se adaptam facilmente a este tipo de corridas. Ambos começaram bem a temporada nas novas equipas, mas o primeiro fracturou o pulso e o segundo teve um problema dentário. As paragens forçadas quebraram a subida de forma dos dois, contudo, estão novamente a atingir bons picos de intensidade física.

O percurso dos Europeus não assentaria a Rui Costa, por exemplo, mas Nelson Oliveira falhará a presença no contra-relógio porque nesse dia (3) estará na Volta à Polónia com a Movistar, a preparar a Volta a Espanha, corrida para a qual espera ser convocado. Em 2016, Nelson Oliveira falhou o pódio por 17 segundos.

A comitiva portuguesa não se fica por estes quatro ciclistas. Serão 16 ao todo que irão competir também nos sub-23, juniores e no sector feminino.

Sub-23: André Carvalho (Cipollini Iseo Serrature Rime), César Martingil (Liberty Seguros/Carglass), Francisco Campos (Miranda/Mortágua), Gaspar Gonçalves (LIberty Seguros/Carglass) e João Almeida (Unieuro Trevigiani-Hemus 1896). Só Gaspar Gonçalves participará também no contra-relógio.

Juniores: João Dinis (RP-Boavista), Pedro Miguel Lopes (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact) Pedro José Lopes (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) e Pedro Teixeira (Maia). Os últimos dois estão inscritos para a corrida de fundo e contra-relógio.

Gabriel Mendes é o responsável no sector feminino, que só irá competir nas provas de fundo. As eleitas são a elite Daniela Reis (Lares-Waowdeals), a sub-23 Soraia Silva (Bairrada) e a júnior Maria Martins (Bairrada),que na semana passada foi vice-campeã da Europa do seu escalão na prova de eliminação dos Europeus de pista que se realizariam em Anadia.

Em baixo fica o calendário das corridas em que irão participar os ciclistas portugueses (fuso horário de Portugal Continental):
  • 2 de Agosto, 11:45 Contra-relógio Juniores Masculinos, 31,5 km 
  • 3 de Agosto, 11:15 Contra-relógio Sub-23 Masculinos, 31,5 km 
  • 3 de Agosto, 14:00 Contra-relógio Elite Masculina, 46 km 
  • 4 de Agosto, 8:00 Prova de Fundo Juniores Femininas, 60,3 km 
  • 4 de Agosto, 11:00 Prova de Fundo Sub-23 Femininas, 100,5 km 
  • 4 de Agosto, 15:00 Prova de Fundo Juniores Masculinos, 120,6 km 
  • 5 de Agosto, 8:00 Prova de Fundo Sub-23 Masculinos, 160,8 km 
  • 5 de Agosto, 13:00 Prova de Fundo Elite Feminina, 120,6 km 
  • 6 de Agosto, 10:00 Prova de Fundo Elite Masculina, 241,2 km