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8 de abril de 2021

Juventude e ambição totalmente em português

Fotografia: Facebook LA Alumínios-LA Sport
A contagem decrescente está quase a terminar para o arranque da época de 2021 em Portugal, este fim-de-semana. E faltava apresentar uma equipa das nove Continentais lusas: a LA Alumínios-LA Sport. Continua a apostar num plantel 100% português e com muita juventude. Um dos reforços é um jovem de... 41 anos! Sérgio Paulinho será a voz da experiência numa formação que viu sair duas das suas figuras: Emanuel Duarte e David Ribeiro.

O director desportivo Hernâni Brôco continua fiel à filosofia deste projecto em ajudar os mais novos na adaptação ao mais alto nível no pelotão nacional, sempre procurando que tal seja feito com a ambição de conquistar vitórias. Foi o que aconteceu em 2019, com a conquista da camisola da juventude da Volta a Portugal e da geral da Volta a Portugal do Futuro.

Claro que estes bons resultados fazem com que seja inevitável que os jovens talentos dêem o salto, como aconteceu com o autor das referidas conquistas. Emanuel Duarte vai prosseguir a sua carreira na Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel.

André Ramalho (25 anos), Marvin Scheulen (24) e Gonçalo Leaça (23) já tinham o seu papel de destaque, mas serão chamados a ainda mais responsabilidade. Da equipa do Tavira chega Marcelo Salvador, à procura de mais oportunidades depois de um 2020 muito difícil dada à falta de competições e que não permitiu ao jovem de 24 anos mostrar-se na sua primeira época na elite, depois de três temporadas na Sicasal-Constantinos.

Na expectativa de uma temporada com mais corridas, Brôco irá querer ver a evolução de ciclistas como Rodrigo Caixas (20 anos), João Macedo (19), Rafael Gouveia (19) e João Medeiros (20). Uma das principais curiosidades será Miguel Salgueiro. No arranque de 2020 este atleta foi aqui apontado como um dos ciclistas a seguir com atenção. Essa avaliação mantém-se.

Aos 21 anos, é um todo o terreno no que diz respeito a competir em várias vertentes e sempre competitivo. Foi terceiro no Nacional de ciclocrosse, com uma queda a prejudicar o objectivo de lutar pelo título. Porém, é na estrada que Salgueiro mais quer afirmar-se. Nas poucas provas de 2020, Brôco contou sempre com este corredor, que não desiludiu.

Ainda estando numa fase de evolução, uma época mais normal em termos de corridas será importante para melhor perceber no que poderá tornar-se este ciclista, sempre pronto a lutar por vitórias, mas também a trabalhar para a equipa. Não sabe correr mal.

Com o mais velho entre os jovens a ter 25 anos, percebe-se a razão por que Sérgio Paulinho é muito bem-vindo, no regresso a uma equipa com o patrocinador que representava quando foi aos Jogos Olímpicos conquistar a medalha de prata (Atenas2004) e que acabaria por ditar o salto para uma grande carreira internacional. Então a equipa era a LA-Pecol.

A sua experiência será essencial durante as corridas, perante companheiros tão jovens e muitos ainda a adaptar-se a competir na elite nacional. Ensinar, aconselhar, guiar será esse o principal papel de Sérgio Paulinho, que depois de na Efapel ter tentado assumir-se como um líder, mas ter preferido ser novamente um gregário importante, será agora um referência na aprendizagem dos ciclistas da LA Alumínios-LA Sport.

Não significa que não se veja Paulinho tentar uma vitória. Afinal este deverá ser o seu último ano na brilhante carreira e certamente que sair com um triunfo, seria bem especial. E desta LA Alumínios-LA Sport espera-se isso mesmo: a procura por bons resultados, sendo uma equipa que muito se vê em fugas, sempre pronta a assumir algum risco para alcançar o sucesso.

2020 não correu de feição, principalmente depois de um 2019 que marcou esta nova era do projecto. Para a nova temporada - que para a elite arranca no domingo, na Prova de Abertura Região de Aveiro -, a vontade é de fazer mais e melhor e continuar o caminho de formar jovens ciclistas.

»»União entre uma equipa e um ciclista que tanto querem ganhar novamente a Volta a Portugal««

»»Ano de continuidade mas com um regresso há muito esperado««

»»Kelly-Simoldes-UDO com fasquia mais alta««

30 de novembro de 2020

Vozes da experiência mudam de equipa mas continuam a competir


2020 não foi o melhor dos anos para concretizar muitos dos planos! No que diz respeito ao ciclismo, um dos exemplos está a ser o adiamento do final de carreira de alguns atletas. Por cá, Gustavo Veloso já havia dito que queria competir mais um ano (vai para a equipa Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), depois de ficar novamente muito perto de conquistar a sua terceira Volta a Portugal. Entretanto, juntou-se mais um veterano, este com uma carreira internacional de muito respeito: Sérgio Paulinho ainda não vai dizer adeus ao ciclismo. E depois há Tiago Machado. No seu caso, nem se ouve falar de terminar carreira. O que mais quer é continuar a correr, sempre com o seu estilo muito próprio e que o tornam num dos ciclistas mais populares do pelotão nacional.

Em comum, Paulinho e Machado têm o terem optado por regressar às origens. O primeiro vai mudar-se para a LA Alumínios-LA Sport, enquanto o segundo vai novamente trabalhar com José Santos na Rádio Popular-Boavista. Os papéis serão diferentes, mas igual será o prestígio que continuam a trazer ao ciclismo nacional, sendo dois ciclistas com uma longa carreira no estrangeiro.

A Efapel vê sair dois experientes corredores e esta experiência é um ponto muito importante para a LA Alumínios-LA Sport. Esta época, praticamente todos os ciclistas tinham menos de 25 anos, excepção feita a Bruno Silva (32), ciclista contratado precisamente para ser uma voz de comando entre tanta juventude. Sérgio Paulinho já entrou nos 40, tornando-se em mais um exemplo de longevidade na modalidade.

O director desportivo Hernâni Brôco é o primeiro a admitir a relevância de contar com um ciclista com o currículo de Sérgio Paulinho. Mas claro, não significa que não esteja aberta a porta a lutar por vitórias. O ciclista regressou a Portugal em 2017, depois de 12 épocas ao mais alto nível. Deu o salto no ano seguinte a conquistar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, tendo nessa temporada representado a então LA-Pecol.

No World Tour tornou-se num dos melhores gregários, sendo um elemento de confiança para Alberto Contador, por exemplo. Venceu uma etapa no Tour e na Vuelta, mas foi como homem de trabalho que mais se destacou. Quando a Tinkoff acabou, Paulinho regressou a Portugal. Na Efapel procurou assumir um papel de líder, para lutar pela Volta a Portugal (e não só). Não foi uma transformação bem sucedida e acabou por ser novamente gregário, a função em que se sente tão bem. Em 2018, conseguiu um triunfo, numa etapa do Grande Prémio Abimota.

Sempre foi um ciclista de "low profile". O seu trabalho até pode passar despercebido à primeira vista, mas se o seu líder ganhar, sempre sentiu que a missão estava cumprida. Agora, entre a juventude da LA Alumínios-LA Sport, o seu trabalho volta a ser imperceptível à primeira vista.

Contudo, no papel de quem tem muito a ensinar, Brôco espera que Paulinho possa dar uma ajuda na evolução de ciclistas que nesta nova era da equipa tiveram um 2019 muito positivo e um 2020 longe do esperado, ainda que seja um ano que pouco se possa dizer sobre a prestação das equipas nacionais, devido às escassas corridas disputadas. A continuidade de Sérgio Paulinho, mesmo que seja apenas por mais um ano, é uma excelente notícia.

Quanto a Tiago Machado, é um regresso já esperado à estrutura de José Santos. Esteve cinco épocas no Boavista quando passou a profissional, antes de ir para o estrangeiro, com oito anos no World Tour e um no segundo escalão. Nunca escondeu a possibilidade de um dia voltar à agora Rádio Popular-Boavista, mas quando decidiu prosseguir a sua carreira em Portugal em 2019, escolheu o então Sporting-Tavira e depois a Efapel.

Na formação algarvia não foi o líder que o próprio queria ser, principalmente na Volta a Portugal. É um desejo ganhar esta corrida, mas têm estado longe de sequer lutar por um pódio. Na Efapel, sabia que não teria, em circunstâncias normais, esse papel e teve de ajudar Joni Brandão.

Na Rádio Popular-Boavista, Machado (35 anos) poderá ser mais aquele ciclista que bem se conhece. Irreverente, sempre pronto a animar corridas e para quem não há impossíveis. Em representação da Selecção Nacional, venceu em 2018 a Prova de Abertura Região de Aveiro (estava na Katusha-Alpecin), tendo pedalado sozinho durante 80 quilómetros! Um bom exemplo de como para Machado há que arriscar para ganhar.

Na equipa de José Santos corre-se muito assim. Os ciclistas têm muitas vezes mais liberdade, mesmo que haja um líder. Machado encaixa na perfeição na mentalidade da Rádio Popular-Boavista e será um corredor com caminho livre para ir à procura de vitórias. 

Um regresso em 2021

Na próxima época irá regressar a Portugal mais um experiente ciclista. Ricardo Vilela, depois de seis anos no estrangeiro, sempre no nível Profissional Continental (Caja Rural, Manzana Postobón e Burgos-BH) estará de volta à última equipa que representou antes de sair do país: a W52-FC Porto (então a OFM-Quinta da Lixa).

Aos 32 anos será mais um reforço de luxo para a formação que domina o pelotão nacional, podendo ser uma opção tanto para liderança, como para ajudar companheiros, visto esta ser uma equipa com mais chefes-de-fila. Não esquecer que Joni Brandão trocará a Efapel pela formação azul e branca para se juntar a Amaro Antunes e João Rodrigues.

19 de fevereiro de 2020

"Conheço a Fóia de olhos fechados"

Emanuel Duarte quando venceu a primeira etapa da Volta a Portugal do Futuro
© Podium/Paulo Maria
Não é qualquer um que pode dizer que começa a época a correr em casa, na corrida de categoria mais alta em Portugal - a Volta ao Algarve - e ao lado de ciclistas como Mathieu van der Poel, Vincenzo Nibali, Remco Evenepoel, Geraint Thomas ou Miguel Ángel López. O que Emanuel Duarte mais quer é no final da etapa da Fóia ver o seu nome junto das grandes figuras. Não entra em euforias, mas lá avisa que se há subida que conhece é a da Serra de Monchique e que tudo vai fazer para aguentar o máximo possível ao lado de algumas das referências mundiais que estão na Algarvia.

O corredor da LA Alumínios-LA Sport pode agora dizer que é um dos atletas emergentes do ciclismo nacional, depois de um 2019 memorável. Natural de Portimão, não escondeu o quanto é especial poder dar as primeiras pedaladas oficiais da temporada em casa e logo na Volta ao Algarve. Claro que se falou da etapa da corrida que melhor assenta às suas características e está tudo muito bem estudado, como revelou ao Volta ao Ciclismo: "Conheço a Fóia de olhos fechados. Na Pomba acho que vai ficar tudo partido lá. A parte inicial [da Fóia] é muito inclinada [máxima de 9,3%], é preciso ter pernas para aguentar o ritmo forte. Acho que vão ver-se ali os primeiros ataques. Depois há uma parte mais rolante e a seguir é sempre constante, 6/7% até lá acima."

A colocação será por isso chave, além de boa condição física. Um dos aspectos fundamentais da segunda etapa é a subida da Pomba ficar imediatamente antes da Fóia. Ou seja, se alguém perder contacto com a frente da corrida, não terá muito tempo para recuperar. A Fóia tem cerca de 7,5 quilómetros categorizadas, numa etapa de 183,9, com Sagres a regressar à Algarvia, agora como local de partida de uma tirada.

Já quando se fala do Malhão (quarta etapa, no sábado), Emanuel Duarte não esconde que não lhe agrada tanto. Pede mais "explosão", o que não beneficia o ciclista. "O Malhão já não é muito ao meu jeito, é uma subida explosiva e agora tem um alcatrão novo. Parece que agarra ainda mais. É uma subida complicada", contou. Mas ficou a garantia: "Vou tentar andar bem. Treinei muito para estar aqui na melhor condição possível. Claro que é complicado ao ser a primeira prova da época, mas vamos ver como estão as pernas. E optimista que vão estar boas!"


"Não somos uma equipa qualquer. Podemos lutar por vitórias e acho que este ano temos hipótese de ganhar, ir para as fugas e lutar por camisolas e mesmo pelas gerais"

Na Volta ao Algarve, Emanuel Duarte quer arrancar para uma época forte, apostando muito nas provas por etapa. Reconhece que depois de vencer a classificação da juventude da Volta a Portugal e pouco depois a Volta a Portugal do Futuro, é um corredor que receberá mais atenção. "Este ano vai ser uma etapa nova para mim. É o primeiro ano de elite, já não vou lutar pela juventude na Volta a Portugal. Vamos ter de encarar para a geral. Tenho a mentalidade de tentar fazer do que no ano passado", afirmou. Na Volta, isso significará ir além do 17º lugar.

Como principais objectivos até à Volta, o ciclista de 23 anos tem o Grande Prémio das Beiras e Serra da Estrela (17 a 19 de Abril), Abimota (10 a 14 de Junho) e o Troféu Joaquim Agostinho (16 a 19 de Julho). E que não restem dúvidas, depois dos resultados alcançados no ano passado, a LA Alumínios-LA Sport está com a confiança em alta e já não pensa apenas em entrar em fugas e mostrar a camisola. Agora qualquer um dos ciclistas sabe que é possível vencer. "Não somos uma equipa qualquer. Podemos lutar por vitórias e acho que este ano temos hipótese de ganhar, ir para as fugas e lutar por camisolas e mesmo pelas gerais."

Por momentos recuou-se ao momento em que subiu ao pódio numa Avenida dos Aliados com muito público, num ambiente incrível para o final da Volta a Portugal, em Agosto. Emanuel Duarte parecia então que estava com dificuldades em acreditar que ali estava a vestir a camisola branca da juventude. "Não estava nada à espera. Foi um sonho...", confessou. Realçou como tinha ido para a corrida com a missão de ajudar António Barbio, mas na etapa rainha tudo mudou. "Na Serra da Estrela, tive pernas e vi que tinha a oportunidade para lutar pela juventude e a partir daí começou um sonho e lutei por ele até ao fim e consegui. Na Volta a Portugal do Futuro sabia que tinha hipóteses, que estava em boa forma depois da Volta a Portugal, mas mais uma vez não estava à espera de conseguir ganhar", recordou.

Estas vitórias foram importantes para o projecto da LA Alumínios-LA Sport, que tem Hernâni Brôco como director desportivo. Porém, Emanuel Duarte rapidamente recusa ficar com o mérito todo, pois foi uma temporada positiva para a equipa em geral. Exemplificou como o facto de David Ribeiro ter andado um dia como líder da montanha na Volta ao Algarve ter sido muito relevante. "Pode ter sido só um dia, mas marcou o nome da LA para o resto da época", frisou, não esquecendo como o mesmo ciclista repetiu o feito na Volta a Portugal.

Com a equipa a querer continuar a crescer e a consolidar-se como formação Continental, este ano chegou um ciclista a quem experiência não falta. Emanuel Duarte não hesita e elogiar e a valorizar a contratação de Bruno Silva, antigo corredor da Efapel. "Tem muita experiência, já ganhou a camisola da montanha na Volta a Portugal... Não é um ciclista qualquer para dar apoio. Em certos momentos vai saber manter a calma e a experiência dele vai ser muito importante para nós", referiu.

Aqui ficam os ciclistas que estão na Volta ao Algarve, com os respectivos dorsais: 211-Emanuel Duarte, 212-Gonçalo Leaça, 213-André Ramalho, 214-David Ribeiro, 215-Marvin Scheulen, 216-Bruno Silva, 217-Miguel Salgueiro.


31 de dezembro de 2019

Momentos de 2019 em Portugal

2020 está já aí, mas antes de se olhar para o novo ano, aqui ficam cinco marcos da época  por cá, com um inevitável destaque para a Volta a Portugal, mas sem esquecer como uma das novas estrelas do ciclismo mundial começou a mostrar-se nas estradas algarvias.

Emoção final na Volta a Portugal
(© Podium/Paulo Maria)
É inevitável começar pelo emocionante última dia de Volta a Portugal. Dois ciclistas partiram em igualdade pontual, com Joni Brandão de amarelo. Tinha a experiência do seu lado, sendo um ciclista que já havia subido ao pódio. O rival era o jovem João Rodrigues, que em dois anos teve uma rápida ascensão na hierarquia da W52-FC Porto, tendo trabalhado muito o contra-relógio. Naquele 11 de Agosto, num Porto vestido de azul e branco, Rodrigues fez valer essa aposta no esforço individual e bateu o rival da Efapel, deixando-o a 27 segundos. A emoção desportiva só beneficiou daquele ambiente sensacional na Avenida dos Aliados, num dos finais mais bonitos de anos mais recentes na Volta a Portugal. Foi uma corrida que por si só até merece outros destaques, como as vitórias de Rodrigues e de António Carvalho na Serra da Estrela (foi o regresso da Torre como local de meta) e Senhora da Graça, respectivamente, sem esquecer o triunfo no nevoeiro da Serra do Larouco de Luís Gomes, da Rádio Popular-Boavista.

Emanuel Duarte venceu juventude na Volta e conquista a do Futuro
(© Podium/Paulo Maria)
Mas destaca-se outro momento na Volta a Portugal, alargado depois à do Futuro. A vitória de Emanuel Duarte foi importante para mostrar a relevância da aposta de três equipas em serem Continentais sub-25 (denominação que não existirá em 2020, mantendo-se o escalão). Não foram anos fáceis para LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua ou UD Oliveirense-InOutBuild, mas todas tiveram os seus momentos e a vitória de Ramalho na classificação da juventude da Volta a Portugal foi o ponto alto. O ciclista da LA Alumínios-LA Sport sofreu para segurar a camisola branca e fê-lo por apenas dois segundos frente ao basco Urko Berrade (Fundação Euskadi), mas tornou-se no primeiro português a conseguir esta camisola desde David Rodrigues em 2014. Foi naturalmente um momento ofuscado pela vitória de João Rodrigues na geral, mas a conquista de Emanuel Duarte merece reconhecimento, sem esquecer que foi depois à Volta à Portugal do Futuro vencer a amarela.

Henrique Casimiro conquista Troféu Joaquim Agostinho
(© João Fonseca Photographer)
Uma vitória que também envolveu muita emoção, mas numa perspectiva diferente: "É uma vitória que dedico à família. Há seis anos, quando fiz terceiro, a minha esposa, que estava grávida, perdeu a nossa filha. Ficou prometido que venceria o Troféu Joaquim Agostinho para lhe dedicar. Mais do que um objectivo desportivo, este era um compromisso pessoal." Henrique Casimiro cumpriu a promessa e foi um homem muito emocionado no final de uma das mais importantes corridas do calendário nacional. Em 2018, quatro segundos separaram-no do primeiro lugar, em 2019 eram oito os que o mantinham novamente em segundo antes da última etapa. No Montejunto não ganhou, mas alcançou a diferença necessária para tirar a amarela a Gustavo Veloso, que até caiu para quinto. Um grande dia para um ciclista que tem sido tão importante na Efapel, muito regular e de confiança quando está na ajuda aos líderes. Prepara-se para um novo desafio na Kelly-InOutBuild-UDO.

Pogacar ascende ao estrelato no Algarve
(© João Calado/Volta ao Algarve)
O actor principal foi um esloveno, mas o palco foi a Volta ao Algarve, a corrida de categoria mais elevada na UCI em Portugal. Por isso, aqui se coloca como um dos momentos a vitória de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) primeiro no Alto da Fóia, numa exibição que - perante o que se viu mais tarde na época - foi apenas uma demonstração da enorme qualidade deste ciclista. Em segundo, o destaque vai para a conquista da Algarvia, numa luta no Malhão em que não baixou os braços e assim venceu, no seu ano de estreia no World Tour, a primeira corrida de uma carreira que tanto promete.

Mais um jovem a mostrar-se
(© João Fonseca Photographer)
A Vito-Feirense-PNB tem feito questão de ter no seu plantel ciclistas que, terminada a fase de juniores, possam evoluir como sub-23 numa estrutura profissional. A pressão é, naturalmente reduzida, mas a ambição destes jovens é sempre enorme. Pedro Andrade tornou-se num dos rostos da nova geração por dois motivos. Primeiro surpreendeu ao conquistar a sua primeira vitória, com apenas 19 anos, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota (23 de Junho), num triunfo em que não se pode esquecer a ajuda de outro ciclista jovem da equipa, João Barbosa. Segundo, Pedro Andrade tornou-se no próximo português a entrar numa das melhores equipas de formação mundial, a Hagens Berman Axeon, que irá representar em 2020. Seguirá os passos de Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira, João Almeida e André Carvalho. Este último será companheiro de equipa de Andrade, filho de Joaquim Andrade, director da Vito-Feirense-PNB e antigo ciclista, e neto de um corredor que venceu a Volta a Portugal, também de nome Joaquim Andrade.

120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo
Há que não deixar passar esta marca. É a federação mais antiga de Portugal, numa modalidade que continua a ser das mais admiradas no país, tanto entre os que seguem as corridas, como aqueles que não dispensam a bicicleta na sua vida. O trabalho do organismo abrange hoje todos, os profissionais, os amadores, aposta nas crianças num programa de apoio que chega às escolas. Mas o Ciclismo para Todos é mesmo para todas as idades. É impossível não destacar o trabalho nas selecções que tantas medalhas tem rendido, na estrada, na pista (que está perto de um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos) e no BTT. Hoje temos dois campeões do mundo de elite, Tiago Ferreira (BTT - XCM) e Rui Costa (estrada).




24 de novembro de 2019

Passo de qualidade e de sucesso na LA Alumínios-LA Sport

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Vitória na classificação da juventude da Volta a Portugal, conquista da Volta a Portugal do Futuro e mais duas etapas, um circuito e outros bons resultados que foram levando alguns ciclistas da LA Alumínio-LA Sport ao pódio, ou, pelo menos, mostravam, corrida após corrida, como estavam a evoluir. Depois do um ano zero de 2018 como equipa Continental sub-25, foi dado um grande passo de qualidade. E a ambição continua a crescer, com reforços bem interessantes a chegar à equipa de Hernâni Brôco.

Com a UD Oliveirense-InOutBuild e a Miranda-Mortágua a serem há alguns anos referências na formação de jovens ciclistas - para referir as outras duas estruturas de clube que subiram a Continental - , em duas temporadas a LA Alumínios-LA Sport mostrou que quer e pode também ser um bom exemplo. Desde a criação da equipa que o director desportivo tem um discurso de motivar os seus atletas, para acreditarem neles perante um pelotão com ciclistas com mais experiência, passando a palavra que era possível triunfar um dia atingir o sonhado triunfo. Ao segundo ano chegaram as vitórias e logo aquelas que estas três equipas colocam como principais objectivos.

É preciso não esquecer que, como patrocinador, a LA Alumínios deixou uma estrutura de elite para apostar nos jovens e não demorou a alcançar destaque. O que Emanuel Duarte fez na Volta a Portugal marcará a ainda curta carreira, mas também foi de extrema importância para a equipa. Há um ano, foram as constantes presenças em fugas que ajudaram a mostrar a camisola. Agora esteve no pódio final com uma das camisolas.

E inevitavelmente Emanuel Duarte terminou a época como uma das grandes figuras. Vencer a camisola da juventude e depois conquistar a Volta a Portugal do Futuro comprovou o potencial que Brôco viu neste ciclista que conheceu na Sicasal-Constantinos (estrutura também de extrema relevância na formação em Portugal), sendo que em 2018, Duarte esteve na FGP-Cube-Bombarral. Será agora um ciclista que irá gerar alguma curiosidade na sua evolução, numa altura em que passará ao escalão de elite.

Mas há outro ciclista que não pode ficar esquecido. David Ribeiro representa tudo o que Brôco pede aos seus corredores. É muito combativo e essa características levaram-o ao pódio na Volta ao Algarve um dia para vestir a camisola da montanha, feito que repetiu na Volta a Portugal. Não as manteve, mas não deixou de ser um destaque quando se fala das duas competições mais importantes em Portugal. Além disso, passou 2019 na luta por bons resultados e não surpreende que vá continuar, assim como Emanuel Duarte.

Hernâni Brôco vai mesmo manter grande parte do seu plantel, pois tanto Gonçalo Leaça - que tal como Ribeiro está na equipa desde 2018 - Marvin Scheulen e André Ramalho (vencedor do Circuito de Alcobaça) deram garantias que podem contribuir para que a LA Alumínios-LA Sport possa dar mais um passo em frente em 2020. Rodrigo Caixas também irá prosseguir e depois de um ano de adaptação, visto ter sido o seu primeiro como sub-23, a responsabilidade e a aposta neste jovem irá aumentar.

Quanto a reforços, chegará um ciclista muito importante. Bruno Silva foi um dos homens de trabalho da Efapel nos últimos três anos, mas aos 31 anos irá assumir funções bem diferentes. Bruno Silva terá a oportunidade de ser líder, mas será principalmente uma voz de comando e de muita experiência, que poderá fazer diferença num grupo com os ciclistas muito jovens. António Barbio teve esse papel esta temporada, mas decidiu colocar um ponto final na carreira aos 25 anos, tal como André Crispim (23).

Na Efapel não foram muitas as oportunidades que teve para se mostrar, mas em 2019, por exemplo, ganhou o Circuito de Nafarros e somou classificações da montanha: na Volta a Castela e Leão, Memorial Bruno Neves e no Grande Prémio Jornal de Notícias.

Depois chegará Miguel Salgueiro. E fica já o aviso para se seguir com muita atenção este ciclista. É o autêntico todo-o-terreno numa perspectiva que não há vertente em que não tenha qualidade. BTT, ciclocrosse, Salgueiro está sempre na luta por vitórias, tal como na estrada. A sua subida a uma equipa Continental era previsível depois das boas temporadas na Sicasal-Constantinos e de se já ter destacado como júnior. Ciclista rápido e, lá está, muito combativo como Hernâni Brôco tanto gosta. Impossíveis para Salgueiro, não existem.

O açoriano João Medeiros convenceu a LA Alumínios-LA Sport durante o estágio na segunda metade da temporada, com o júnior João Macedo a ser outra das contratações. Venceu a Volta ao Concelho de Loulé, uma das competições de referência do escalão. Estava no Bairrada, estrutura que não é estranha a ver ciclistas seus chegarem longe no ciclismo, por exemplo, João Almeida, que vai para a Deceuninck-QuickStep. Outro júnior a subir a sub-23 será Rafael Gouveia, que será promovido da equipa de Paio Pires.

A LA Almunínios-LA Sport vai querer continuar a afirmar-se na luta da juventude, mas o próximo passo já começa a passar por almejar a uma conquista de maior destaque entre a elite.

Equipa para 2020: Emanuel Duarte (22 anos), David Ribeiro (24), Marvin Scheulen (22), André Ramalho (23), Gonçalo Leaça (22), Rodrigo Caixas (19), Bruno Silva (31, Efapel), Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos), João Macedo (18, Bairrada), João Medeiros (19, Juventude Lajense/Terauto/Bike, estagiou com a LA Alumínios-LA Sport na segunda metade da temporada de 2019), Rafael Gouveia (18, Paio Pires).

Veja aqui as conquistas das nove equipas Continentais portuguesas em 2019.


»»Trio de luxo para colocar bem alta a expectativa da Efapel««

»»Regresso de Joaquim Silva fecha plantel mais experiente««

8 de setembro de 2019

Emanuel Duarte conquista Volta a Portugal do Futuro

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Final de época de sonho para a LA Alumínios-LA Sport. Depois de conquistar a classificação da juventude na Volta a Portugal, Emanuel Duarte foi até à do Futuro confirmar esse estatuto de melhor jovem vencendo a competição mais desejada para o seu escalão de sub-23. É a afirmação de um projecto 100% português, liderado por Hernâni Brôco.

O ciclista algarvio, de 22 anos, venceu a primeira etapa, na quinta-feira, e não mais largou a camisola amarela. O último dia não foi fácil, com duas segundas categorias em Serra de São Mamede e Cabeço do Mouro. Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos) fugiu para a vitória em Portalegre, com Emanuel Duarte e o companheiro Gonçalo Leaça a controlarem as operações e até conseguiram um pequeno corte de quatro segundos para Pedro Miguel Lopes, que ainda aspirava à vitória final. O jovem da UD Oliveirense-InOutBuild terminou na geral a 1:11 minutos,  saltando da quarta posição para a segunda. Contudo, não conseguiu dar continuidade à senda de vitórias da equipa de Manuel Correia, depois de José Neves ganhar em 2017 e Venceslau Fernandes em 2018.

"É uma alegria imensa. A equipa veio para cá a pensar na vitória. Felizmente conseguimos duas camisolas, a amarela e a branca, o que para nós tem uma importância imensa", salientou Emanuel Duarte, o detentor da amarela, enquanto a branca (dos pontos) ficou para Leaça, que no sábado venceu o contra-relógio. Foi uma Volta a Portugal memorável para a equipa que arrancou em 2018 com um patrocinador bem conhecido do ciclismo nacional, mas com uma nova estrutura, dedicada aos sub-25. Pertence ao escalão Continental, o que permite competir em todas as competições do calendário nacional (e não só), como a Volta ao Algarve e a Volta a Portugal.

O ano zero (2018) não foi fácil, mas foram criadas as bases para que fosse possível preparar melhor 2019 e os resultados estão à vista, pois às conquistas de Emanuel Duarte, junta-se a vitória de André Ramalho no Circuito de São Bernardo, em Alcobaça. Além dos triunfos houve outras exibições de nota, sem esquecer como David Ribeiro foi líder da montanha por um dia na Volta ao Algarve e, depois de muito lutar, também chegou a andar de azul na Volta a Portugal.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Tiago Leal (Miranda-Mortágua) fechou o pódio na Volta a Portugal do Futuro, a 2:00 minutos de Emanuel Duarte. A UD Oliveirense-InOutBuild conquistou a classificação por equipas, com Pedro Miguel Lopes a ter como consolação a camisola laranja da geral da juventude. Com a fuga do último dia, Miguel Salgueiro foi o rei da montanha.

Etapas:

1ª Sertã (115,6 quilómetros): Emanuel Duarte (LA Alumínios-LA Sport)
2ª Abrantes (168,2): Rafael Lourenço (UD Oliveirense-InOutBuild)
3ª Abrantes-Castelo de Vide (79,9): Jose Martinez (Baque-Ideus-BH Team)
4ª Castelo de Vide (8,4 - contra-relógio individual): Gonçalo Leaça (LA Alumínios-LA Sport)

5ª Portalegre (122,8): Carlos Salgueiro (Sicasal-Constantinos)

(Nota: No sábado houve dupla jornada, com uma etapa em linha de manhã e o contra-relógio à tarde.)

Classificações via FirstCycling.


A época de ciclismo em Portugal aproxima-se rapidamente do fim. No sábado (14 de Setembro) realiza-se a última prova de estrada, com a estreia da clássica Rota da Filigrana Gondomar-Póvoa de Lanhoso, que contará com as equipas sub-25 e o pelotão de elite. A 5 de Outubro a temporada encerrá oficialmente com o habitual Festival de Pista de Tavira.

»»Rafael Silva conquista o merecido prémio com vitória em Albergaria««

»»As equipas da Volta a Portugal uma a uma««

12 de agosto de 2019

As equipas da Volta a Portugal uma a uma

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Terminada a 81ª edição da Volta a Portugal e dado o peso que tem na época das formações nacionais, é o momento de fazer balanços. W52-FC Porto, Rádio Popular-Boavista e LA Alumínios-LA Sport são as que ficaram mais felizes, enquanto o Sporting-Tavira falhou novamente e a Aviludo-Louletano pagou o preço por apostar tudo num ciclista. Entre as estruturas estrangeiras, como sempre acontece, algumas mal se viram, mas Fundação Euskadi será sempre bem-vinda, com Euskadi-Murias e Amore & Vita-Prodir a conquistarem etapas. A formação suíça SRA também foi interessante de ver. (As equipas estão pela ordem da classificação colectiva.)

W52-FC Porto: Começou desde cedo a mostrar que continuava a ser a equipa mais forte. Porém, a queda de Bragança fez a estrutura tremer, com Joni Brandão a conseguir inclusivamente tirar a camisola amarela que a equipa não estava habituada a perder com a corrida tão avançada. Sem o vencedor das duas últimas edições, Raúl Alarcón (lesionado), foi o seu substituto que, de certa forma, surpreendeu ao mostrar um nível que não se via há dois anos. Gustavo Veloso (terceiro) voltou a sonhar com a terceira vitória, andou de amarela, mas a tal queda deixou-o limitado. João Rodrigues estava a ser preparado para assumir responsabilidade um dia. Esse dia chegou mais cedo e o algarvio de 24 anos foi brilhante. Também apanhou um susto ao cair em Bragança, mas não foi nada de grave. Ganhou na Torre, foi segundo na Senhora da Graça e avassalador no contra-relógio Gaia-Porto. Partiu com o mesmo tempo que Brandão e ganhou por 27 segundos. Foi o líder que a W52-FC Porto precisava. Samuel Caldeira foi o homem de trabalho que a equipa precisava e ainda ganhou o prólogo e vestiu a amarela no início. Daniel Mestre também ganhou uma etapa e trabalhou muito até partir uma costela em Bragança. Depois foi aguentar para conquistar a camisola verde dos pontos. Sobre Ricardo Mestre faltam palavras para descrever a sua importância, enquanto Edgar Pinto (quinto) foi novamente azarado com uma queda na Torre após toque com Vicente García de Mateos, mas foi essencial na luta pela vitória acabaria por ser de Rodrigues. António Carvalho começou bem, fraquejou a meio e foi um senhor na Senhora da Graça, terminando a Volta na quarta posição. Com uma equipa assim era difícil não ganhar, mas teve rival à altura para valorizar ainda mais a conquista, a sétima consecutiva da formação do Sobrado.

Rádio Popular-Boavista: Há um ano, a vitória de etapa e o top dez de Domingos Gonçalves já tinha sido muito positivo, mas em 2019, José Santos levou a sua equipa a um patamar que há muito não se via. João Benta e Luís Gomes ganharam etapas e este último ainda foi o rei da montanha. No contra-relógio final, a equipa deixou escapar a vitória por equipas, mas terminou com Benta (sexto), David Rodrigues (sétimo) e Daniel Silva (nono) no top dez. A influência na corrida foi tal, que tanto a W52-FC Porto e principalmente a Efapel procuraram alianças com esta equipa. Luís Mendonça não conseguiu a vitória que esteve perto, mas todos os ciclistas destacaram-se pelo trabalho feito para o sucesso alcançado, numa Volta a Portugal que a equipa tão cedo não esquecerá. Esperava-se a habitual equipa lutadora, mas desta feita a Rádio Popular-Boavista conseguiu traduzir em mais resultados essa forma de enfrentar as corridas.

Sporting-Tavira: Falta a confirmação oficial, mas terá sido a despedida do Sporting da Volta a Portugal. O clube deverá abandonar a modalidade, depois de ter regressado há quatro anos. Então, Jesus Ezquerra venceu uma etapa, mas a partir daí pouco correu bem à equipa de Vidal Fitas nesta corrida. 2019 não foi excepção. Tiago Machado foi uma aposta falhada, José Mendes, o campeão nacional, andou desaparecido. Alejandro Marque ainda parecia poder lutar pelo top dez, mas a etapa da Torre acabou com essa ideia. Frederico Figueiredo teve finalmente a oportunidade de procurar o seu resultado (há muito que merece ter um papel principal), mas o azar perseguiu-o. Sofreu quedas e a última, na etapa da Senhora da Graça, resultou num pulso partido. Foi quinto nesse dia, mas já não participou no contra-relógio final e o "senhor regularidade" não alcançou mais um top dez. Outro destaque foi um dos mais combativos da Volta: David Livramento. Chamado para substituir Rinaldo Nocentini, o algarvio esteve muito bem. Trabalhou tanto em fugas, que merecia ou ganhar uma etapa ou que um companheiro (Marque, por exemplo) o tivesse feito. Porém, o Sporting-Tavira terminou a Volta novamente sem qualquer conquista.

Efapel: Tudo pela Volta com Joni Brandão. E foi quase. Para uma equipa que teve um líder que deu luta a uma W52-FC Porto que tem dominado a corrida, não se pode dizer que tenha feito uma Volta aquém do desejado. Porém, os resultados não traduziram a ambição. Joni Brandão esteve três dias de amarelo, contudo, claudicou por completo no contra-relógio final. Partiu em igualdade pontual, mas perdeu 27 segundos. Sofreu duas quedas, perdeu tempo, foi penalizado em dez segundos quando os comissários consideraram que foi empurrado pelo mecânico, mas a derrota na Volta deveu-se àquela última prestação... E com influência da etapa na Torre. Era a subida que melhor assentava a Brandão, mas foi o dia em que não esteve ao nível desejado. Reagiu bem, mas ficou desperdiçou ali a oportunidade de ganhar tempo valioso e até perdeu para João Rodrigues. Colectivamente a Efapel não foi tão forte quanto se esperava. Henrique Casimiro foi de luxo, mas pagou o esforço na Senhora da Graça. Porém, nenhum dos companheiros teve uma exibição perto do nível de Casimiro. Às primeiras acelerações nas montanhas, rapidamente Brandão só ficava com Casimiro. Rafael Silva cumpriu o seu trabalho no terreno mais plano, mas esperava-se mais de Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Fabricio Ferrari e Nikolay Mihaylov. A Efapel saiu da Volta sem a camisola amarela e sem etapas ganhas. Ainda assim, fez algo que há muito não se via, fez a W52-FC Porto suar bem mais para ganhar.


Miranda-Mortágua: Gaspar Gonçalves entrou com tudo na Volta a Portugal, à procura da camisola da montanha ou dos pontos. Quando chegaram as etapas mais difíceis, foi o experiente Hugo Sancho que assumiu protagonismo. O grito de frustração na Serra do Larouco revelou bem como o ciclista apostou forte naquela etapa, tendo sido batido com a meta à vista por Luís Gomes. Tentou de novo nas duas últimas tiradas em linha, mas foi naquela que teve a grande oportunidade de ganhar e dar uma vitória a esta equipa Continental sub-25. O director desportivo Pedro Silva nunca desistiu de procurar subir ao pódio na Volta e Sancho fê-lo no Porto ao receber o prémio da combatividade.

UD Oliveirense-InOutBuild: Aquela queda de Rafael Lourenço em Bragança... Momento de enorme frustração para a outra equipa Continental sub-25 do pelotão nacional (há ainda a LA Alumínios-LA Sport). É um dos mais recentes jovens a despontar na formação de Manuel Correia e conseguiu ficar no grupo reduzido que ia disputar a vitória de etapa. Caiu numa curva, numa estrada molhada pela chuva. Foi uma pena para o ciclista e para a equipa que tentou mostrar-se em fugas. Contratou o colombiano Juan Filipe Osorio para dar um pouco mais de experiência a um plantel tão jovem e o antigo ciclista da Manzana Postobón, sem equipa desde o fim da estrutura, tentou aparecer na montanha. Porém, aquele momento de Rafael Lourenço marcou a corrida de uma UD Oliveirense-InOutBuild que esteve tão perto da possibilidade de lutar por uma etapa.

Medellin: Com pouco tempo para recuperar de uma corrida feita na China, não surpreendeu quando a maioria dos ciclistas da formação colombiano começaram rapidamente a eclipsar-se. Foi o caso de Fabio Duarte, mas não de Cristhian Montoya. A equipa até começou com menos um ciclista, pois o vencedor da Volta ao Lago Qinghai, Robinson Chalapud, acabou por ficar de fora. Aos 42 anos, Óscar Sevilla até arrancou a Volta a Portugal muito bem, mas uma queda limitou-o fisicamente. Ainda lutou por uma etapa, mas os problemas físicos e o cansaço da corrida e viagem chinesa tiveram o seu peso nas prestações. Já Montoya conseguiu ser o único corredor de uma equipa estrangeira a intrometer-se no top dez, sendo oitavo, a 5:24 minutos de João Rodrigues. Nunca esteve na disputa sequer do pódio, mas foi muito regular nas etapas mais difíceis.

Aviludo-Louletano: Apostar tudo num só ciclista tem destas coisas. A corrida estava a correr bem, com Vicente García de Mateos não só na luta por um terceiro pódio consecutivo, mas também pela vitória. Estava a 34 segundos da liderança, então de Joni Brandão, antes da etapa da Senhora da Graça. Passou mal a noite e a indisposição acabou mesmo por obrigá-lo a abandonar no penúltimo dia de corrida, com Oscar Hernandez e André Evangelista a fazerem o mesmo. Fim de Volta para a equipa algarvia. Depois de dois anos com pódio, camisola verde e etapas, a Aviludo-Louletano saiu sem nada. Luís Fernandes, que realizou uma boa corrida, ainda andou no top dez (terminou na 12ª posição) e deu tudo o que tinha para ganhar na Senhora da Graça, mas não conseguiu. Volta frustrante para o director desportivo Jorge Piedade.

Vito-Feirense-PNB: Já era expectável que seria uma Volta complicada para a equipa de Joaquim Andrade. Sem Edgar Pinto - agora na W52-FC Porto -, não houve uma referência para a geral, sendo o objectivo procurar uma vitória de etapa. João Matias tentou ao sprint e ainda procurou a solução de uma fuga. Sem sucesso. Filipe Cardoso procurou a mesma táctica da fuga, mas também sem resultado. Óscar Pelegrí esteve apagado e o principal destaque acabou por ser um Jesus del Pino que se tornou no exemplo de perseverança da corrida. Caiu na etapa da Senhora da Graça e ficou muito, mas mesmo muito mal tratado. Partiu para o contra-relógio cheio de ligaduras, mas terminou.

Caja Rural: Domingos Gonçalves está longe da forma que apresentava há um ano, então na Rádio Popular-Boavista e quando venceu uma etapa. O gémeo de Barcelos ainda entrou em fugas, incluindo na etapa da Torre, mas abandonou na sexta etapa, por motivos de saúde. Se o português era inevitavelmente uma das figuras da equipa espanhola do segundo escalão do ciclismo mundial, havia mais corredores com potencial para aparecerem na corrida. Matteo Malucelli ainda procurou os sprints, mas David González López (também abandonou no mesmo dia de Gonçalves) e o veterano Sergio Pardilla, por exemplo, estiveram muito discretos.

LA Alumínios-LA Sport: Segundo ano do projecto Continental sub-25 e uma grande conquista para a equipa de Hernâni Brôco. Emanuel Duarte estreou-se na Volta vencendo a classificação da juventude, que segurou no conta-relógio final por apenas dois segundos. Todos os ciclistas da equipa 100% portuguesa chegaram ao fim e com razões para celebrar. Um prémio para o trabalho que está a ser realizado nesta formação, destacando-se ainda David Ribeiro, que andou em fugas, procurou incessantemente vestir a camisola da montanha, que conseguiu durante um dia.

Fundação Euskadi: Sempre uma atitude de lutar, de dar espectáculo. Esta Euskadi recuperou as populares camisolas laranjas da saudosa Euskaltel-Euskadi e os seus jovens ciclistas nunca desperdiçam uma oportunidade para conquistar bons resultados. A equipa foi presença assídua nas fugas, procurou vencer uma etapa, foi líder da montanha nos primeiros dias com Peio Goikoetxea e uma queda na tirada da Senhora da Graça atirou para fora da corrida Unai Cuadrado, que liderava a classificação da juventude. A competir assim, é uma equipa muito bem-vinda.

Israel Cycling Academy: A formação Profissional Continental esteve pelo terceiro ano na Volta a Portugal, mas excluindo em 2017 quando Krists Neilands venceu a classificação da juventude, a equipa tem tendência a passar relativamente despercebida. O australiano Zak Dempster ainda foi terceiro na Guarda, mas a Israel Cycling Academy tinha ciclistas para se mostrar um pouco mais.

Euskadi-Murias: É presença assídua em Portugal, mesmo depois de subir ao segundo escalão e não costuma desiludir. Não trouxe o ciclista que este ano tem ganho por cá, Enrique Sanz, mas Mikel Aristi (segunda etapa) e Hector Saez (sexta) conquistaram etapas, com a equipa a estar ainda na luta pela juventude, com Urko Berrade, que perdeu por dois segundos. Seis das sete vitórias que a formação basca tem em 2019 foram alcançadas em provas portuguesas. Procurou mais destaque, participando em algumas fugas, valorizando a sua presença na Volta.

Arkéa Samsic: Esperava-se um pouco mais desta equipa Profissional Continental. Se era expectável que alguns dos ciclistas pudessem ter uma atitude mais de rodar em Portugal, ainda assim também se esperaria ver um pouco das suas capacidades. Excepto dois, um deles, um dos nomes mais sonantes da corrida. Brice Feillu procurou uma boa classificação na geral, mas nunca teve pernas para pensar num top dez. Ficou na 16ª posição, a 13:33 minutos do vencedor. Mas quem mais sobressaiu foi um jovem de 22 anos. Prestações interessantes de Thibault Guernalec. Foi quarto e quinto classificado nos contra-relógios e ainda fez outro quarto lugar na etapa de Braga. Mas ainda assim, soube a pouco para esta Arkéa Samsic, que, sem surpresa, não trouxe nenhum grande estrela (Warren Barguil e André Greipel, por exemplo, representam esta formação francesa), mas tinha potencial para mais e melhor.

Amore & Vita-Prodir: Duas vitórias de etapa e a procura por mais. Atitude de valorizar desta equipa com licença da Letónia, ainda que seja de raízes italianas. Davide Appollonio foi o actor principal de umas das histórias iniciais da Volta a Portugal. Foi a sua primeira corrida após uma suspensão de quatro anos por doping e venceu logo a primeira etapa, em Leiria. A equipa ficou ainda mais motivada e Marco Tizza conquistou o difícil final da Guarda. A procura por mais continuou, com Tizza em destaque.

Swiss Racing Academy: Equipa interessante de ver. Ciclistas muito jovens, mas com vontade de aproveitar a oportunidade de mostrarem-se numa corrida tão exigente. Por centésimos de segundo, Gian Friesecke quase surpreendeu no prólogo e foi sexto no contra-relógio final. Mathias Reutimann foi outro dos destaques positivos, mas na montanha. Foi terceiro na Serra do Larouco, faltando forças para um sprint final com Luís Gomes e Hugo Sancho. A SRA foi uma equipa muito activa que entrou em várias fugas. Prestação muito positiva.

Bai-Sicasal-Petro de Luanda: Só o estar na Volta a Portugal foi uma vitória para a equipa angolana. Conseguir entrar em fugas e mostrar a camisola na televisão foi uma considerado uma conquista. Porém, viu-se pouco dos ciclistas angolanos e foi mesmo um português a assumir algum protagonismo, como já era esperado. Depois de duas temporadas mais dedicado ao BTT, Micael Isidoro conseguiu regressar à estrada aos 37 anos. Procurou fugas e mostrar-se no terreno onde se sente mais à vontade, na montanha, tendo uma liberdade que raramente encontrou numa carreira passada como gregário. O destaque foi para a etapa da Bragança, com Micael a terminar no oitavo lugar.

ProTouch: A equipa 100% sul-africana pretendeu dar aos ciclistas a possibilidade de experimentar uma corrida por etapas mais longa e com grande dureza. Não foi fácil para os corredores e só três chegaram ao fim, com James Fourie a ser o "lanterna vermelha" ao terminar a 3:21:04 horas do vencedor João Rodrigues. Tentou as fugas, mas pouco se viu desta formação.

»»João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto««

»»Regressou após quatro anos de suspensão e agradeceu à equipa com vitória em Leiria««

6 de agosto de 2019

LA Alumínios-LA Sport lidera duas classificações na Volta a Portugal: "Melhor acho que era impossível"

(Fotografia: © João Fonseca Photographer / LA Alumínios-LA Sport)
O objectivo estava bem definido: vestir a camisola da montanha com David Ribeiro, o máximo de tempo possível. Porém, a meio da Volta a Portugal, a LA Alumínios-LA Sport está a superar expectativas, sendo uma das equipas em destaque na prova rainha do ciclismo nacional. Não é qualquer uma que pode dizer que divide as camisolas com a toda poderosa W52-FC Porto, ao vestir duas das quatro em discussão. O feito tem ainda mais significado quando se está perante uma formação que, sendo Continental, é sub-25 e 100% portuguesa. David Ribeiro andou desde a primeira etapa atrás da camisola azul da montanha e finalmente conseguiu-a na Guarda, antes do dia folga. Já Emanuel Duarte subiu a Torre com categoria e veste de branco, como líder da juventude. O que se pode dizer? "Melhor acho que era impossível", afirmou Hernâni Brôco.

É, naturalmente, um director desportivo feliz e muito orgulhoso do que foi alcançado. E esperançoso. É o primeiro a admitir que a sua equipa terá um desafio muito complicado para manter as duas camisolas. Contudo, garantiu que todos os ciclistas vão à luta para que pelo menos uma fiquei na LA Alumínios-LA Sport e assim haver um corredor no pódio no grande final da Volta no Porto. "O que lhes disse foi que chegámos onde chegámos e vamos desfrutar ao máximo do dia de descanso e destas duas camisolas. Agora que as temos vestidas é tentar segurá-las ao máximo e, quem sabe, chegar ao Porto de azul ou de branco. Seria fantástico ficar pelo menos com uma camisola. Sabemos que é difícil, mas vamos lutar por ela com todas as nossas forças", salientou Hernâni Brôco ao Volta ao Ciclismo.

O responsável explicou como o plano inicial era David Ribeiro repetir o feito da Volta ao Algarve, quando vestiu na primeira etapa a camisola da montanha. O basco Peio Goikoetxea começou por estragar a festa, mas Ribeiro não baixou os braços. Hernâni Brôco sabe que com chegadas na Serra do Larouco e na Senhora da Graça pela frente, além de muitas subidas pelo meio, que o seu jovem ciclista de 23 anos, não vai ter uma missão nada fácil. Entrar em fugas será essencial para manter o sonho vivo.


"É difícil gerir as emoções. Para a maior parte é a primeira Volta que fazem e em Portugal é a única prova com um mediatismo tão grande. Eles não estão habituados"

"Quanto à juventude, sabia que tinha dois atletas bastante fortes para esta camisola. Com o Emanuel, na chegada à Torre, numa subida tão longa, eu sabia que ele ia fazer diferenças", admitiu. Se o corredor de 22 anos mantiver o nível, os seus maiores adversários deverão ser dois bascos: Unai Cuadrado (21 anos, Fundação Euskadi), a 33 segundos e Urko Berrade (21, Euskadi-Murias), a 1:04 minutos. Na quarta posição surge outro português, mas Pedro José Lopes (UD Oliveirense-InOutBuild) está a mais de 15 minutos.

Agora será preciso gerir emoções num ambiente a que estes jovens ciclistas estão pouco habituados. Neste aspecto, Hernâni Brôco realça a importância de António Barbio. Os objectivos pessoais do ciclista não correram de feição e Barbio já deixou de parte a intenção de procurar um bom lugar na geral. O director desportivo afirmou que foi o próprio ciclista a dizer que queria lutar por o que a equipa já tinha. "Isso deixa-me orgulhoso e tranquilo", referiu. "É difícil gerir as emoções. Para a maior parte é a primeira Volta que fazem e em Portugal é a única prova com um mediatismo tão grande", realçou, acreditando que a equipa vai continuar à altura do desafio.

Independentemente do que venha a acontecer, a Volta a Portugal da LA Alumínios-LA Sport já terá o carimbo de muito positiva. O projecto sub-25 nasceu em 2018 e deu um salto de qualidade em 2019. Luís Almeida "deixou" a elite para apostar na formação e de ciclistas portugueses. Brôco e os seus corredores destacam sempre como o seu patrocinador nunca lhes coloca pressão para alcançar vitórias, mas o trabalho de evolução está à vista, tentando tornar-se na prova como as equipas sub-25 têm o seu espaço e o seu sucesso, apesar de não ser consensual no ciclismo nacional as vantagens deste tipo de estruturas. Além da LA Alumínios-LA Sport, estão no pelotão nacional na mesma condição a UD Oliveirense-InOutBuild de Manuel Correia e a Miranda-Mortágua de Pedro Silva.

A LA Alumínios-LA Sport vai partir para a sexta etapa com todos os seus elementos em prova e com todos focados em continuar a realizar uma Volta de sonho: 171-António Barbio, 172-Gonçalo Leaça, 173-Emanuel Duarte, 174-David Ribeiro, 175-Fábio Oliveira, 176-André Ramalho, 177-Marvin Scheulen.

6ª etapa: Moncorvo - Bragança, 189,2 km



O regresso à competição será o dia perfeito para os homens mais rápidos do pelotão aproveitarem a oportunidade para conquistar uma vitória, com as decisões na geral a começarem-se a jogar na quinta-feira, na Serra do Larouco. Daniel Mestre tem três metas volantes para defender e até tentar consolidar a sua liderança na classificação dos pontos. Soma 81, mais 29 do que o norueguês August Jensen (Israel Cycling Academy). Além de ajudar Mestre, a W52-FC Porto irá proteger a camisola amarela de Gustavo Veloso e o segundo lugar de João Rodrigues, pois aproximam-se as etapas decisivas, antes do contra-relógio final.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

»»Livramento preparou caminho que Marque não concluiu com a vitória que o Sporting-Tavira tanto precisa««

»»João Rodrigues perfeito, Veloso de amarelo, Mestre de verde. Domínio da W52-FC Porto intocável após a Torre««

17 de fevereiro de 2019

"Não aparecem oportunidades destas todos os dias"

Aí está a elite. André Ramalho é um dos ciclistas que este ano entrou no pelotão de elite nacional, através da LA Alumínios-LA Sport. Destacou-se como sub-23 na Jorbi-Team José Maria Nicolau, representou a selecção e agora deu o passo esperado. Os estudos universitários influenciaram a sua decisão de completar o seu escalão antes de subir, mas agora só pensa em evoluir e a palavra "vitória" surge no seu discurso curto, directo e confiante, de um ciclista com objectivos bem definidos.

A menos de um mês de celebrar o 23º aniversário, André Ramalho considera que "foi a altura certa" para assinar por uma equipa que lhe permitirá dar um passo importante na sua carreira. É o primeiro a salientar que várias corridas acabarão por ser as mesmas que já fazia na formação de sub-23, contudo, é peremptório em dizer: "A responsabilidade é bem diferente." "De certa forma foi propositado [subir só em 2019]. Estou num curso de cinco anos [Engenharia Mecânica, na Faculdade de Ciências e Tecnologia] e é sempre difícil treinar. Eu e o José Nicolau achámos melhor ir até ao fim dos sub-23", explicou ao Volta ao Ciclismo. "Agora é aproveitar a oportunidade. Não aparecem oportunidades destas todos os dias", acrescentou.

Ramalho referiu como uma das mudanças foi precisamente ter mais tempo para treinar e preparar a nova temporada, aparecendo em melhor forma, comparativamente com 2018. "No ano passado não tive tempo nenhum. Este ano tenho mais horas de treino." Como júnior já tinha representado a equipa desse escalão da LA. Agora está numa estrutura que se estreou no ano passado como Continental sub-25 e que foi criada para permitir que mais jovens ciclistas portugueses tenham mais espaço para evoluírem e assim continuarem a sonhar em chegar ainda mais longe.


"É muito bom trabalhar com o Hernâni Brôco. Ele trata sempre de tudo nos treinos e não nos falta nada. Tem muita experiência e é fácil trabalhar com ele"

"Aqui, na LA, quero sempre melhorar. Ao fim de algum tempo todos pensam em saltar para fora do país e esse é também o meu objectivo", admitiu. Para 2019 quer então evoluir, mas...  "Se conseguir uma vitória, ainda melhor." Aprimorar as suas características a subir é o que ambiciona a curto prazo, até porque gosta de corridas que possam ter algumas pendentes mais complicadas. "Mas tenho de melhorar", reitera. 

Satisfeito com o ambiente que encontrou na sua nova equipa, também elogia o director desportivo: "É muito bom trabalhar com o Hernâni Brôco. Ele trata sempre de tudo nos treinos e não nos falta nada. Tem muita experiência e é fácil trabalhar com ele."

Apesar de ser o primeiro a falar de ter uma maior responsabilidade, assegurou que está preparado para a assumir. Chegou o momento de se afirmar no principal pelotão nacional e o que é que lhe falta para conseguir? "Falta-me uma vitória, que dá sempre para uma pessoa se afirmar." A época começou com um 39º lugar na Prova de Abertura Região de Aveiro, a 11 segundos do vencedor, Rui Oliveira (Equipa Portugal). Porém, é para a frente que olha. Na LA Alumínios-LA Sport abrem-se as portas das corridas de categoria internacional. Como qualquer ciclista português, estar na "sua" Volta é um sonho, mas, no imediato, é a Volta ao Algarve que muito deseja.

E Hernâni Brôco vai ajudar a concretizá-lo, pois André Ramalho está entre os eleitos para a corrida que se realiza entre quarta-feira e domingo, juntamente com António Barbio, André Crispim, David Ribeiro, Emanuel Duarte, Fábio Oliveira e Marvin Scheulen. "Estar tanto tempo a vê-los na televisão e poder estar ao lado deles...", desabafou. Ramalho nem elege nenhum ciclista que mais queira estar a pedalar lado-a-lado. "Quero é lá estar!" E vai mesmo.