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30 de novembro de 2019

Final da Volta a Portugal regressa a Lisboa

Vinhas venceu a Volta na última vez que terminou na capital
(Fotografia: © Podium/Volta a Portugal)
Após sucesso que foi o final da Volta a Portugal no Porto, em 2020 a festa do vencedor será feita em Lisboa. Um regresso depois de em 2016 ter sido o palco de uma vitória que Rui Vinhas não esquecerá, mas que esteve longe de ter o público que encheu a Avenida dos Aliados em Agosto último, no triunfo de outro ciclista da W52-FC Porto, João Rodrigues.

A confirmação foi feita pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, durante a gala dos 120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo, que se realizou este sábado no Fórum Lisboa. Nesta década, a capital tem sido quem mais recebe o final da Volta, excepção feita em 2013 e 2017 quando a corrida fechou em Viseu, em 2018 em Fafe e este ano na Invicta.

Variou entre uma etapa em linha decidida ao sprint na Avenida da Liberdade, com passagem obrigatória no Marquês de Pombal, e o contra-relógio no Terreiro do Paço que desde 2015 tem sido a opção da organização para definir o vencedor da Volta. Ainda se terá de esperar para conhecer mais pormenores sobre a etapa e sobre o restante percurso, com a Senhora da Graça, por exemplo, a poder surgir mais cedo na corrida.

Em 2019, o final no Porto foi também especial para o director da prova, Joaquim Gomes, que há 30 anos ali celebrou a sua primeira Volta a Portugal. O público não desiludiu no fantástico ambiente que criou no apoio principalmente a João Rodrigues, que vestia a cores da W52-FC Porto. O azul e branco dominou entre os adeptos, sem surpresa.

Lisboa tem um ambiente muito diferente de outros tempos, numa altura em que o Benfica continua de costas voltadas para o ciclismo e o Sporting vai abandonar mais uma vez a modalidade, depois de quatro anos de união com o Tavira. A influência dos clubes continua a ter o seu peso no ciclismo nacional no que diz respeito à mobilização de adeptos, mas se os corredores da W52-FC Porto viveram momentos únicos este ano "em casa" (há que não esquecer que a equipa é do Sobrado), também se tem dado bem com os ares de Lisboa.

Vinhas venceu em 2016 e no ano antes foi Gustavo Veloso, repetindo o triunfo de 2014, mas com a equipa a então chamar-se W52-Quinta da Lixa e OFM-Quinta da Lixa, respectivamente. Em 2012 foi David Blanco o grande vencedor da Volta, na única vez que a Efapel venceu a corrida, tendo também ganho em 2010 ao serviço do Palmeiras Resort-Prio. Em 2011, Ricardo Mestre celebrou com a camisola do Tavira.

De referir, que um dos objectivos da W52-FC Porto é fazer o penta tendo o clube azul e branco como um dos patrocinadores. Ou seja, poderá alcançá-lo precisamente onde começou a contagem: em Lisboa.

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10 de outubro de 2019

Portugal com cinco corridas internacionais e com datas marcadas

Pogacar venceu a Algarvia este ano, no arranque de uma sensacional época
(Fotografia: © João Fonseca Photographer/Volta ao Algarve)
A Volta ao Algarve vai continuar a ser a corrida portuguesa de categoria mais alta na UCI. A partir de 2020, a denominação passa a ser ProSeries e não HC, mas continua a significar que a Algarvia pertence ao segundo escalão, apenas atrás do World Tour. A data já está marcada. De 19 a 23 de Fevereiro, o sul do país espera por algumas das melhores equipas do mundo e, claro, por algumas das principais figuras.

De forma a garantir uma maior estabilidade aos organizadores, a UCI passou a validar as categorias por três anos, um pouco à imagem do que acontece com as equipas no World Tour, que passam a ter licenças garantidas por três temporadas. Ao todo farão parte do escalão ProSeries 54 provas, por etapas e de um dia.

Na mesma data da Volta ao Algarve vai manter-se a Ruta del Sol, como tem acontecido nos últimos anos. Ambas têm atraído equipas do World Tour, mas a data da Volta aos Emirados Árabes Unidos será o maior senão. A prova que arrancou em 2019 vai novamente começar no último dia da Algarvia e da competição espanhola (23), o que poderá afastar alguns ciclistas que as equipas preferem levar onde o cachê é maior.

Porém, a Algarvia tem tornado-se uma das corridas preferidas de grandes nomes da modalidade - Geraint Thomas não foi este ano, mas chegou a escrever no Twitter que gostaria de estar no Algarve -, pelo que agora é esperar por novidades sobre as equipas que estarão presentes. Não deverão demorar.

Quanto à Volta a Portugal vai manter-se como 2.1, apesar de ainda ter sido noticiado que poderia subir a ProSeries. Realizar-se-á entre 29 de Julho e 9 de Agosto. A Clássica da Arrábida (1.2) está marcada para 15 de Março, seguindo-se a Volta ao Alentejo (2.2), de 18 a 22 do mesmo mês. O tradicional Grande Prémio Internacional de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho (2.2) irá para a estrada entre 9 e 12 de Julho, pouco antes da Volta a Portugal, como tem sido habitual.

O Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela deverá ser incluído em breve no calendário internacional como 2.2. Um atraso no processo, entretanto já concluído, fez que com não surgisse na lista agora divulgada pela UCI.


(Imagem: UCI.org)

Como curiosidade, o primeiro dia da Volta a Portugal irá coincidir com as provas de contra-relógio nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Entre 3 e 9 de Agosto vão disputar-se as medalhas na vertente de pista. As corridas de estrada realizam-se a 25 (masculina) e 26 de Julho (feminina).

A época de 2020 já está a ganhar forma - em Junho tinham sido anunciadas as provas do World Tour -, enquanto a de 2019 aproxima-se do fim. Este sábado realiza-se o último monumento do ano, Il Lombardia, com a temporada a fechar novamente na China, no que diz respeito a provas do principal escalão, na Volta a Guangxi (de 17 a 22 de Outubro).

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20 de setembro de 2019

Gustavo Veloso marca despedida mas ainda não sabe em que equipa

Veloso venceu duas Voltas a Portugal e andou cinco dias de amarelo em 2019
(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Começou como profissional em Portugal e é cá que quer acabar. Gustavo Veloso está preparado para colocar um ponto final numa carreira com quase 20 anos. Mas antes, haverá mais uma temporada. Disso tem a certeza, só não sabe em que equipa. Apenas a possibilidade de fazer uma grande volta poderá fazer Veloso deixar o pelotão nacional, mas nem o próprio acredita que tal seja provável.

O espanhol fará 40 anos a 29 de Janeiro, uma idade que há muito colocava como objectivo de chegar a competir, para então tomar uma decisão de deixar a vida de ciclista. "Serei um privilegiado por decidir quando vou terminar a minha carreira", afirmou Veloso ao site La Voz de Asturias. "Isto é uma como uma balança. Metes o que sacrificas por seres ciclista profissional de um lado e os benefícios que tens, chega a uma altura em que se desequilibra", acrescentou.

Veloso referiu como "são muitos anos e já custa estar longe de casa, da família", realçando como este é um momento que todos os atletas acabam por ter de enfrentar. Mas para o espanhol seria mais traumático se tivesse de abandonar devido a uma lesão ou por não ter equipa. E sem equipa, Veloso tem a certeza que não fica, apesar de, por enquanto, ainda não ter proposta para continuar na W52-FC Porto: "Não tenho pressa. Sei que não vou ter problema em arranjar equipa."

2019 foi uma época de renascimento para o veterano ciclista. Quase ficou de fora da Volta a Portugal, sendo chamado para colmatar a ausência de Raúl Alarcón, que havia partido a clavícula. Veloso apareceu fortíssimo e andou cinco dias de amarelo. Conseguiu que se pensasse que talvez pudesse lutar por uma terceira vitória que nunca surgiu como ambicionou depois dos triunfos de 2014 e 2015, ainda que a Volta a Portugal tenha sido sempre ganha por um companheiro de equipa. E foi novamente assim este ano. Uma queda deixou as suas marcas em Veloso e João Rodrigues estava claramente mais forte. O espanhol foi terceiro, um excelente resultado que já não se esperava, principalmente depois de duas temporadas em que ficou longe de ser sequer um candidato.

Mas Veloso mostrou que ainda pode ser um ciclista que luta por vitórias, tendo ganho este ano o prólogo do Troféu Joaquim Agostinho. Mais um triunfo num currículo que conta com outra conquista de uma prestigiada corrida de uma semana: Volta a Catalunha. Em 2008 bateu por 16 segundos um tal de Rigoberto Uran. No ano seguinte concretizou um dos seus grandes sonhos ao conquistar uma etapa da Volta a Espanha, em Xorret de Cati. Nesse dia ficaram no top dez ciclistas como Alejandro Valverde (eventual vencedor dessa edição), Cadel Evans e Ivan Basso.

Estes momentos marcantes na carreira foram ao serviço da Xacobeo-Galicia (2008-2010), equipa pela qual fez quatro Vueltas e um Giro. No ano seguinte representou a Andalucia-Caja Granada e foi novamente à grande volta espanhola. Antes tinha estado duas épocas na Kaiku, uma na Relax-Bodysol, depois de três temporadas na sua primeira equipa como profissional: Carvalhelhos-Boavista (2001 a 2003).

Em 2013 regressou a Portugal para a então OFM-Quinta da Lixa, actual W52-FC Porto, que tem sido a sua casa. Independentemente da equipa que represente em 2020, Veloso quer sair com boas exibições. "O ano que vem vai ser o último em que vou correr. Tudo tem um princípio e tudo tem um fim. E eu quero deixar andando bem", realçou à La Voz de Asturias.

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»»João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto««

12 de agosto de 2019

As equipas da Volta a Portugal uma a uma

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Terminada a 81ª edição da Volta a Portugal e dado o peso que tem na época das formações nacionais, é o momento de fazer balanços. W52-FC Porto, Rádio Popular-Boavista e LA Alumínios-LA Sport são as que ficaram mais felizes, enquanto o Sporting-Tavira falhou novamente e a Aviludo-Louletano pagou o preço por apostar tudo num ciclista. Entre as estruturas estrangeiras, como sempre acontece, algumas mal se viram, mas Fundação Euskadi será sempre bem-vinda, com Euskadi-Murias e Amore & Vita-Prodir a conquistarem etapas. A formação suíça SRA também foi interessante de ver. (As equipas estão pela ordem da classificação colectiva.)

W52-FC Porto: Começou desde cedo a mostrar que continuava a ser a equipa mais forte. Porém, a queda de Bragança fez a estrutura tremer, com Joni Brandão a conseguir inclusivamente tirar a camisola amarela que a equipa não estava habituada a perder com a corrida tão avançada. Sem o vencedor das duas últimas edições, Raúl Alarcón (lesionado), foi o seu substituto que, de certa forma, surpreendeu ao mostrar um nível que não se via há dois anos. Gustavo Veloso (terceiro) voltou a sonhar com a terceira vitória, andou de amarela, mas a tal queda deixou-o limitado. João Rodrigues estava a ser preparado para assumir responsabilidade um dia. Esse dia chegou mais cedo e o algarvio de 24 anos foi brilhante. Também apanhou um susto ao cair em Bragança, mas não foi nada de grave. Ganhou na Torre, foi segundo na Senhora da Graça e avassalador no contra-relógio Gaia-Porto. Partiu com o mesmo tempo que Brandão e ganhou por 27 segundos. Foi o líder que a W52-FC Porto precisava. Samuel Caldeira foi o homem de trabalho que a equipa precisava e ainda ganhou o prólogo e vestiu a amarela no início. Daniel Mestre também ganhou uma etapa e trabalhou muito até partir uma costela em Bragança. Depois foi aguentar para conquistar a camisola verde dos pontos. Sobre Ricardo Mestre faltam palavras para descrever a sua importância, enquanto Edgar Pinto (quinto) foi novamente azarado com uma queda na Torre após toque com Vicente García de Mateos, mas foi essencial na luta pela vitória acabaria por ser de Rodrigues. António Carvalho começou bem, fraquejou a meio e foi um senhor na Senhora da Graça, terminando a Volta na quarta posição. Com uma equipa assim era difícil não ganhar, mas teve rival à altura para valorizar ainda mais a conquista, a sétima consecutiva da formação do Sobrado.

Rádio Popular-Boavista: Há um ano, a vitória de etapa e o top dez de Domingos Gonçalves já tinha sido muito positivo, mas em 2019, José Santos levou a sua equipa a um patamar que há muito não se via. João Benta e Luís Gomes ganharam etapas e este último ainda foi o rei da montanha. No contra-relógio final, a equipa deixou escapar a vitória por equipas, mas terminou com Benta (sexto), David Rodrigues (sétimo) e Daniel Silva (nono) no top dez. A influência na corrida foi tal, que tanto a W52-FC Porto e principalmente a Efapel procuraram alianças com esta equipa. Luís Mendonça não conseguiu a vitória que esteve perto, mas todos os ciclistas destacaram-se pelo trabalho feito para o sucesso alcançado, numa Volta a Portugal que a equipa tão cedo não esquecerá. Esperava-se a habitual equipa lutadora, mas desta feita a Rádio Popular-Boavista conseguiu traduzir em mais resultados essa forma de enfrentar as corridas.

Sporting-Tavira: Falta a confirmação oficial, mas terá sido a despedida do Sporting da Volta a Portugal. O clube deverá abandonar a modalidade, depois de ter regressado há quatro anos. Então, Jesus Ezquerra venceu uma etapa, mas a partir daí pouco correu bem à equipa de Vidal Fitas nesta corrida. 2019 não foi excepção. Tiago Machado foi uma aposta falhada, José Mendes, o campeão nacional, andou desaparecido. Alejandro Marque ainda parecia poder lutar pelo top dez, mas a etapa da Torre acabou com essa ideia. Frederico Figueiredo teve finalmente a oportunidade de procurar o seu resultado (há muito que merece ter um papel principal), mas o azar perseguiu-o. Sofreu quedas e a última, na etapa da Senhora da Graça, resultou num pulso partido. Foi quinto nesse dia, mas já não participou no contra-relógio final e o "senhor regularidade" não alcançou mais um top dez. Outro destaque foi um dos mais combativos da Volta: David Livramento. Chamado para substituir Rinaldo Nocentini, o algarvio esteve muito bem. Trabalhou tanto em fugas, que merecia ou ganhar uma etapa ou que um companheiro (Marque, por exemplo) o tivesse feito. Porém, o Sporting-Tavira terminou a Volta novamente sem qualquer conquista.

Efapel: Tudo pela Volta com Joni Brandão. E foi quase. Para uma equipa que teve um líder que deu luta a uma W52-FC Porto que tem dominado a corrida, não se pode dizer que tenha feito uma Volta aquém do desejado. Porém, os resultados não traduziram a ambição. Joni Brandão esteve três dias de amarelo, contudo, claudicou por completo no contra-relógio final. Partiu em igualdade pontual, mas perdeu 27 segundos. Sofreu duas quedas, perdeu tempo, foi penalizado em dez segundos quando os comissários consideraram que foi empurrado pelo mecânico, mas a derrota na Volta deveu-se àquela última prestação... E com influência da etapa na Torre. Era a subida que melhor assentava a Brandão, mas foi o dia em que não esteve ao nível desejado. Reagiu bem, mas ficou desperdiçou ali a oportunidade de ganhar tempo valioso e até perdeu para João Rodrigues. Colectivamente a Efapel não foi tão forte quanto se esperava. Henrique Casimiro foi de luxo, mas pagou o esforço na Senhora da Graça. Porém, nenhum dos companheiros teve uma exibição perto do nível de Casimiro. Às primeiras acelerações nas montanhas, rapidamente Brandão só ficava com Casimiro. Rafael Silva cumpriu o seu trabalho no terreno mais plano, mas esperava-se mais de Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Fabricio Ferrari e Nikolay Mihaylov. A Efapel saiu da Volta sem a camisola amarela e sem etapas ganhas. Ainda assim, fez algo que há muito não se via, fez a W52-FC Porto suar bem mais para ganhar.


Miranda-Mortágua: Gaspar Gonçalves entrou com tudo na Volta a Portugal, à procura da camisola da montanha ou dos pontos. Quando chegaram as etapas mais difíceis, foi o experiente Hugo Sancho que assumiu protagonismo. O grito de frustração na Serra do Larouco revelou bem como o ciclista apostou forte naquela etapa, tendo sido batido com a meta à vista por Luís Gomes. Tentou de novo nas duas últimas tiradas em linha, mas foi naquela que teve a grande oportunidade de ganhar e dar uma vitória a esta equipa Continental sub-25. O director desportivo Pedro Silva nunca desistiu de procurar subir ao pódio na Volta e Sancho fê-lo no Porto ao receber o prémio da combatividade.

UD Oliveirense-InOutBuild: Aquela queda de Rafael Lourenço em Bragança... Momento de enorme frustração para a outra equipa Continental sub-25 do pelotão nacional (há ainda a LA Alumínios-LA Sport). É um dos mais recentes jovens a despontar na formação de Manuel Correia e conseguiu ficar no grupo reduzido que ia disputar a vitória de etapa. Caiu numa curva, numa estrada molhada pela chuva. Foi uma pena para o ciclista e para a equipa que tentou mostrar-se em fugas. Contratou o colombiano Juan Filipe Osorio para dar um pouco mais de experiência a um plantel tão jovem e o antigo ciclista da Manzana Postobón, sem equipa desde o fim da estrutura, tentou aparecer na montanha. Porém, aquele momento de Rafael Lourenço marcou a corrida de uma UD Oliveirense-InOutBuild que esteve tão perto da possibilidade de lutar por uma etapa.

Medellin: Com pouco tempo para recuperar de uma corrida feita na China, não surpreendeu quando a maioria dos ciclistas da formação colombiano começaram rapidamente a eclipsar-se. Foi o caso de Fabio Duarte, mas não de Cristhian Montoya. A equipa até começou com menos um ciclista, pois o vencedor da Volta ao Lago Qinghai, Robinson Chalapud, acabou por ficar de fora. Aos 42 anos, Óscar Sevilla até arrancou a Volta a Portugal muito bem, mas uma queda limitou-o fisicamente. Ainda lutou por uma etapa, mas os problemas físicos e o cansaço da corrida e viagem chinesa tiveram o seu peso nas prestações. Já Montoya conseguiu ser o único corredor de uma equipa estrangeira a intrometer-se no top dez, sendo oitavo, a 5:24 minutos de João Rodrigues. Nunca esteve na disputa sequer do pódio, mas foi muito regular nas etapas mais difíceis.

Aviludo-Louletano: Apostar tudo num só ciclista tem destas coisas. A corrida estava a correr bem, com Vicente García de Mateos não só na luta por um terceiro pódio consecutivo, mas também pela vitória. Estava a 34 segundos da liderança, então de Joni Brandão, antes da etapa da Senhora da Graça. Passou mal a noite e a indisposição acabou mesmo por obrigá-lo a abandonar no penúltimo dia de corrida, com Oscar Hernandez e André Evangelista a fazerem o mesmo. Fim de Volta para a equipa algarvia. Depois de dois anos com pódio, camisola verde e etapas, a Aviludo-Louletano saiu sem nada. Luís Fernandes, que realizou uma boa corrida, ainda andou no top dez (terminou na 12ª posição) e deu tudo o que tinha para ganhar na Senhora da Graça, mas não conseguiu. Volta frustrante para o director desportivo Jorge Piedade.

Vito-Feirense-PNB: Já era expectável que seria uma Volta complicada para a equipa de Joaquim Andrade. Sem Edgar Pinto - agora na W52-FC Porto -, não houve uma referência para a geral, sendo o objectivo procurar uma vitória de etapa. João Matias tentou ao sprint e ainda procurou a solução de uma fuga. Sem sucesso. Filipe Cardoso procurou a mesma táctica da fuga, mas também sem resultado. Óscar Pelegrí esteve apagado e o principal destaque acabou por ser um Jesus del Pino que se tornou no exemplo de perseverança da corrida. Caiu na etapa da Senhora da Graça e ficou muito, mas mesmo muito mal tratado. Partiu para o contra-relógio cheio de ligaduras, mas terminou.

Caja Rural: Domingos Gonçalves está longe da forma que apresentava há um ano, então na Rádio Popular-Boavista e quando venceu uma etapa. O gémeo de Barcelos ainda entrou em fugas, incluindo na etapa da Torre, mas abandonou na sexta etapa, por motivos de saúde. Se o português era inevitavelmente uma das figuras da equipa espanhola do segundo escalão do ciclismo mundial, havia mais corredores com potencial para aparecerem na corrida. Matteo Malucelli ainda procurou os sprints, mas David González López (também abandonou no mesmo dia de Gonçalves) e o veterano Sergio Pardilla, por exemplo, estiveram muito discretos.

LA Alumínios-LA Sport: Segundo ano do projecto Continental sub-25 e uma grande conquista para a equipa de Hernâni Brôco. Emanuel Duarte estreou-se na Volta vencendo a classificação da juventude, que segurou no conta-relógio final por apenas dois segundos. Todos os ciclistas da equipa 100% portuguesa chegaram ao fim e com razões para celebrar. Um prémio para o trabalho que está a ser realizado nesta formação, destacando-se ainda David Ribeiro, que andou em fugas, procurou incessantemente vestir a camisola da montanha, que conseguiu durante um dia.

Fundação Euskadi: Sempre uma atitude de lutar, de dar espectáculo. Esta Euskadi recuperou as populares camisolas laranjas da saudosa Euskaltel-Euskadi e os seus jovens ciclistas nunca desperdiçam uma oportunidade para conquistar bons resultados. A equipa foi presença assídua nas fugas, procurou vencer uma etapa, foi líder da montanha nos primeiros dias com Peio Goikoetxea e uma queda na tirada da Senhora da Graça atirou para fora da corrida Unai Cuadrado, que liderava a classificação da juventude. A competir assim, é uma equipa muito bem-vinda.

Israel Cycling Academy: A formação Profissional Continental esteve pelo terceiro ano na Volta a Portugal, mas excluindo em 2017 quando Krists Neilands venceu a classificação da juventude, a equipa tem tendência a passar relativamente despercebida. O australiano Zak Dempster ainda foi terceiro na Guarda, mas a Israel Cycling Academy tinha ciclistas para se mostrar um pouco mais.

Euskadi-Murias: É presença assídua em Portugal, mesmo depois de subir ao segundo escalão e não costuma desiludir. Não trouxe o ciclista que este ano tem ganho por cá, Enrique Sanz, mas Mikel Aristi (segunda etapa) e Hector Saez (sexta) conquistaram etapas, com a equipa a estar ainda na luta pela juventude, com Urko Berrade, que perdeu por dois segundos. Seis das sete vitórias que a formação basca tem em 2019 foram alcançadas em provas portuguesas. Procurou mais destaque, participando em algumas fugas, valorizando a sua presença na Volta.

Arkéa Samsic: Esperava-se um pouco mais desta equipa Profissional Continental. Se era expectável que alguns dos ciclistas pudessem ter uma atitude mais de rodar em Portugal, ainda assim também se esperaria ver um pouco das suas capacidades. Excepto dois, um deles, um dos nomes mais sonantes da corrida. Brice Feillu procurou uma boa classificação na geral, mas nunca teve pernas para pensar num top dez. Ficou na 16ª posição, a 13:33 minutos do vencedor. Mas quem mais sobressaiu foi um jovem de 22 anos. Prestações interessantes de Thibault Guernalec. Foi quarto e quinto classificado nos contra-relógios e ainda fez outro quarto lugar na etapa de Braga. Mas ainda assim, soube a pouco para esta Arkéa Samsic, que, sem surpresa, não trouxe nenhum grande estrela (Warren Barguil e André Greipel, por exemplo, representam esta formação francesa), mas tinha potencial para mais e melhor.

Amore & Vita-Prodir: Duas vitórias de etapa e a procura por mais. Atitude de valorizar desta equipa com licença da Letónia, ainda que seja de raízes italianas. Davide Appollonio foi o actor principal de umas das histórias iniciais da Volta a Portugal. Foi a sua primeira corrida após uma suspensão de quatro anos por doping e venceu logo a primeira etapa, em Leiria. A equipa ficou ainda mais motivada e Marco Tizza conquistou o difícil final da Guarda. A procura por mais continuou, com Tizza em destaque.

Swiss Racing Academy: Equipa interessante de ver. Ciclistas muito jovens, mas com vontade de aproveitar a oportunidade de mostrarem-se numa corrida tão exigente. Por centésimos de segundo, Gian Friesecke quase surpreendeu no prólogo e foi sexto no contra-relógio final. Mathias Reutimann foi outro dos destaques positivos, mas na montanha. Foi terceiro na Serra do Larouco, faltando forças para um sprint final com Luís Gomes e Hugo Sancho. A SRA foi uma equipa muito activa que entrou em várias fugas. Prestação muito positiva.

Bai-Sicasal-Petro de Luanda: Só o estar na Volta a Portugal foi uma vitória para a equipa angolana. Conseguir entrar em fugas e mostrar a camisola na televisão foi uma considerado uma conquista. Porém, viu-se pouco dos ciclistas angolanos e foi mesmo um português a assumir algum protagonismo, como já era esperado. Depois de duas temporadas mais dedicado ao BTT, Micael Isidoro conseguiu regressar à estrada aos 37 anos. Procurou fugas e mostrar-se no terreno onde se sente mais à vontade, na montanha, tendo uma liberdade que raramente encontrou numa carreira passada como gregário. O destaque foi para a etapa da Bragança, com Micael a terminar no oitavo lugar.

ProTouch: A equipa 100% sul-africana pretendeu dar aos ciclistas a possibilidade de experimentar uma corrida por etapas mais longa e com grande dureza. Não foi fácil para os corredores e só três chegaram ao fim, com James Fourie a ser o "lanterna vermelha" ao terminar a 3:21:04 horas do vencedor João Rodrigues. Tentou as fugas, mas pouco se viu desta formação.

»»João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto««

»»Regressou após quatro anos de suspensão e agradeceu à equipa com vitória em Leiria««

11 de agosto de 2019

João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Não era para ser já. João Rodrigues estava a ser preparado para assumir a responsabilidade de liderar a W52-FC Porto na Volta a Portugal em breve. Mas não já. A equipa acreditava que estava perante um ciclista que tinha tudo para ganhar a Volta. Mas não já. O ano começou com o algarvio a ser testado nesse papel de líder. Passou exemplarmente, com destaque para a vitória na Alentejana, mas não só. A Volta era para Raúl Alarcón. Contudo, uma queda trocou as voltas ao espanhol, vencedor das últimas duas edições. Não era para ser já, mas teve mesmo de ser e não havia razões para hesitar. Rodrigues foi eleito um dos líderes. Gustavo Veloso acabou por estar muito tempo na linha da frente, mas mais uma queda trocou mais umas voltas, mas não a Volta de João Rodrigues. Venceu justamente a Grandíssima que em 2019 fez jus ao nome, tal como teria sido justo se Joni Brandão a tivesse conquistado. Numa Avenida dos Aliados vestida de azul e branco, levantou o troféu o algarvio que conquistou o norte.

Um jovem Rodrigues, de apenas 18 anos, viveu uma experiência que não esqueceu quando em 2015 fez a estreia na Volta a Portugal. Sofreu, mas terminou. Desde logo ficou a vontade de trabalhar mais e melhor para um dia regressar e cumprir o sonho de ser o campeão. Deixou a equipa da sua região, o Tavira, quando a W52-FC Porto o chamou para lhe permitir evoluir e explorar o potencial que os responsáveis viam em Rodrigues. Durante duas temporadas, o algarvio foi sendo preparado, em corridas em que tinha a responsabilidade de trabalhar para colegas, mas sem a pressão de apresentar resultados.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
João Rodrigues preferiu dar este passo em detrimento de procurar uma equipa de clube, por exemplo, onde, como sub-23, talvez pudesse ter mais destaque. No entanto, não só nunca se arrependeu da escolha, como em 2018 ficou claro como tinha sido a mais correcta. Finalmente regressou à Volta a Portugal. Um João tão diferente do jovem inexperiente de 2015. Apareceu em grande na fase decisiva da corrida, contribuindo e muito para que Alarcón vencesse pela segunda vez. O verdadeiro gregário de luxo, mas que mostrava que podia ser mais.

Esta época deram-lhe liberdade na "sua" Volta ao Algarve e João Rodrigues fez nono, um ano depois de até ter ido ao pódio para vestir a camisola azul da montanha, ainda que só por um dia. Nesse top dez ficaram nomes como Wout Poesl (Ineos), Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) e Sam Oomen (Sunweb), por exemplo, sem esquecer o vencedor Tadej Pogacar (UAE Team Emirates), um dos jovens que este ano se afirmou no World Tour.

Rodrigues continuou a afirmar-se por cá. Por agora... A W52-FC Porto apostou nele para a Clássica da Arrábida, mas um azar na subida final, tirou-o da discussão. Foi à Volta ao Alentejo alcançar finalmente a sua primeira vitória como profissional. Um contra-relógio, uma especialidade que nos últimos dois anos tanto tem trabalhado. Venceu mesmo a geral e até lhe custava acreditar no que tinha acabado de alcançar. Mal ele sabia que um fantástico 2019 estava apenas a começar! Seguia-se a possibilidade de se mostrar numa corrida World Tour. Ficou doente e a Volta a Turquia ficou fora do seu calendário, para sua enorme desilusão.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Mas ainda tinha tanto por ambicionar. Seria sempre um dos planos da equipa para a Volta a Portugal, mesmo com Raúl Alarcón como primeira escolha. Uma fractura na clavícula no Grande Prémio Abimota afastou o esapnhol. Rodrigues acabou como provável número um, mesmo que Gustavo Veloso, o suplente chamado à última hora, surgisse numa forma como já não se esperava. Rodrigues respeita a hierarquias e sempre colocou Veloso como líder, ainda mais com o espanhol de amarelo. No entanto, foi o algarvio que foi rei na Torre, um sinal que estava mesmo muito bem. A queda em Bragança foi um enorme susto. Rodrigues ainda foi ao hospital, mas estava tudo bem. Veloso ficou pior, além de Daniel Mestre ter partido uma costela.

A Volta deu mesmo uma volta, com Joni Brandão a aparecer em grande e a W52-FC a fraquejar um pouco. Só um pouco. Rodrigues respondeu na Senhora da Graça ao segundo de desvantagem e partiu de igual para igual com Brandão para o contra-relógio. A especialidade que tanto tem trabalhado acabou por lhe render duas conquistas no ano em que se tornou definitivamente uma figura do pelotão nacional.  27 segundos ficaram a separar os dois após 19,5 quilómetros entre Gaia e Porto. Não ficaram dúvidas de quem era o mais forte, tal como não ficam dúvidas que Rodrigues é o mais recente valor nacional a despontar e logo com a vitória mais desejada.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
E não esquecer, além das duas etapas do algarvio, Samuel Caldeira ganhou o prólogo, Daniel Mestre a terceira etapa e ainda conquistou a classificação dos pontos, mesmo com a costela partida. António Carvalho venceu na Senhora da Graça e a W52-FC Porto foi novamente a vencedora por equipas.

João Rodrigues tem 24 anos, faz 25 a 15 de Novembro. Vão colocar-se questões sobre o seu futuro. Vai a W52-FC Porto colocá-lo como líder indiscutível para a Volta de 2020, ou irá partilhar o estatuto de Alarcón? Irá Rodrigues ficar por Portugal? Apesar de sair para equipas com outros potenciais ser objectivo para qualquer ciclista, também é verdade que alguns valores nacionais têm feito carreira por cá: Joni Brandão (Efapel) e Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) são dois exemplos disso mesmo.

Haverá tempo para responder às questões sobre o futuro deste ciclista tão completo e ainda com margem para continuar a evoluir. Agora é altura de celebrar um triunfo especial por ser a Volta a Portugal, por ser a primeira conquista em apenas três participações e por ter sido numa das melhores, mais difícil e mais emocionante edições dos últimos anos. Não era para ser já, mas para a W52-FC Porto e para o seu director desportivo, Nuno Ribeiro, acabou por ser o momento certo! Ficou a confirmação que a aposta e a crença no potencial do jovem Rodrigues foram completamente acertadas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

»»Final de Volta a Portugal mais emocionante é impossível««

»»W52-FC Porto ao ataque, Efapel à defesa e a Rádio Popular-Boavista a intrometer-se««

10 de agosto de 2019

Final de Volta a Portugal mais emocionante é impossível

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A etapa da Senhora de Graça foi rainha e foi mesmo decisiva para esta Volta a Portugal. Foi decisiva para tornar esta uma das edições mais emocionantes, mais espectaculares e de nervos à flor da pele. Este domingo vai ser mesmo assim: de nervos. Dois ciclistas partem em igualdade de tempo. Um deles é há muito visto como um dos portugueses com mais potencial para vencer a Volta. O outro confirmou há um ano o seu potencial e em 2019 "explodiu", tornando-se num dos mais recentes valores do ciclismo nacional. Agora já não interessa quem tem a equipa mais forte, já não interessa o que aconteceu de bom e de mau na última semana e meia. Agora Joni Brandão e João Rodrigues têm 19,5 quilómetros para disputar uma camisola amarela que há muito não estava tão indefinida na derradeira etapa. Gustavo Veloso perdeu contacto, mas para um excelente contra-relogista como o espanhol, 40 segundos não é missão impossível.

E como é no contra-relógio que todos já estão a pensar, então fale-se dele. 30 anos depois o Porto recebe o final da Volta. O director da corrida Joaquim Gomes, venceu nesse 1989. A derradeira tirada liga Gaia ao Porto num percurso que não se adapta ao contra-relogista que gosta mais de rolar. Tem subidas que vão quebrar o ritmo e tem descidas em que haverá de ponderar entre o risco para não perder tempo e o cuidado para evitar algum dissabor.

É um contra-relógio que agrada a Joni Brandão, 29 anos - já duas vezes segundo na Volta -, que tanto tem trabalhado esta especialidade e até ganhou a crono-escalada do Grande Prémio Jornal de Notícias. Mas também João Rodrigues adapta-se bem ao percurso. Há um ano, numa conversa com o ciclista, o algarvio explicou ao Volta ao Ciclismo como estava a tentar evoluir no esforço individual. Pouco depois demonstrou como todo o trabalho estava a dar frutos quando foi segundo no contra-relógio final da Volta a Portugal em Fafe.

Em 2019, esse treino pode ter um outro resultado bem mais importante e o ciclista, que aos 24 anos está cada vez mais completo, já teve um marcante: a primeira vitória como profissional de João Rodrigues foi no contra-relógio da Volta ao Alentejo, corrida que acabaria por conquistar.

Partir em igualdade para a última etapa é inédito, segundo a organização da Volta a Portugal, tal como será uma estreia se um destes ciclistas ganhar, a não ser que Veloso (39 anos) consiga um contra-relógio de luxo para alcançar uma terceira vitória que já não se acreditava que viria a lutar. Para quem ficou de fora dos eleitos da W52-FC Porto e foi chamado após a exclusão de Raúl Alarcón devido a lesão, foi uma prestação de nível do veterano corredor. Tem estado em quebra desde a queda de Bragança, mas continua na luta.

Ao contrário de Vicente García de Mateos, outro bom contra-relogista e que terminou no pódio nas duas últimas edições da Volta a Portugal. Desta feita, não a vai concluir. Uma indisposição obrigou o espanhol da Aviludo-Louletano a abandonar na etapa deste sábado. Os companheiros Oscar Hernandez e André Evangelista seguiram o exemplo.

Aliás, a nona tirada teve nove abandonos, a maioria devido a uma queda na descida após passar pelo Viso, uma segunda categoria que antecedeu as três de primeira, em 133,5 quilómetros muito intensos. Uma das vítimas foi Unai Cuadrado (Fundação Euskadi), líder da juventude. Emanuel Duarte saltou do terceiro lugar nesta classificação para o primeiro, para vestir novamente a camisola branca. Tem 56 segundos de vantagem sobre outro basco, Urko Berrade (Euskadi-Murias), para tentar segurar o que pode ser uma enorme vitória para a LA Alumínios-LA Sport, equipa Continental sub-25 e 100% portuguesa.

W52-FC Porto ao ataque e duas classificações fechadas


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Como já se esperava, a W52-FC Porto esteve ao ataque. O objectivo era rapidamente começar a eliminar os ciclistas da Efapel. E quando começaram as primeiras categorias do Alto da Barra e do Barreiro, os homens de amarelo pagaram o preço de ter de trabalhar na primeira fase da corrida, pois não podiam dar liberdade a António Carvalho, que entrou na fuga. O momento importante foi quando Edgar Pinto saiu do grupo e levou com consigo Henrique Casimiro. Acabariam apanhados, mas o corredor que tanto ajudou Brandão nesta Volta ficou desgastado e quebrou na Senhora da Graça.

Joni Brandão ficou sozinho, mas até quase que chegou. Gustavo Veloso não teve pernas para acompanhar o camisola amarela e só João Rodrigues não largou a roda do líder da Efapel e da Volta. O ciclista da W52-FC Portou contra-atacou nos metros finais para eliminar o segundo que o separava de Brandão e quase apanhava o companheiro António Carvalho, o vencedor do dia.

E são quatro etapas para a equipa azul e branca: Samuel Caldeira (prólogo), Daniel Mestre (quarta), João Rodrigues (quinta, chegada à Torre) e agora Carvalho na Senhora da Graça. A W52-FC Porto também tem garantida a camisola verde dos pontos. Daniel Mestre só tem de cumprir o contra-relógio. Tem uma costela partida após a queda em Bragança e está a realizar feito um grande esforço para continuar em prova e assim subir ao pódio na Avenida dos Aliados.

Luís Gomes também já assegurou o seu lugar no pódio final ao ser o rei da montanha. O ciclista da Rádio Popular-Boavista não teve para brincadeiras e começou a somar pontos na primeira subida de quarta categoria, logo a abrir a etapa. Antes da Senhora da Graça já tinha fechado as contas. A equipa trabalhou muito este sábado e até Joni Brandão tentou que o pudesse ajudar à falta de companheiros da Efapel. Chegou ao ponto de ir buscar água para entregar aos ciclistas da Rádio Popular-Boavista. O esforço dos corredores de José Santos não rendeu uma terceira vitória de etapa, mas ajudou a manter a liderança na classificação colectiva. Tem 2:51 minutos sobre a W52-FC Porto.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Horários do contra-relógio

Domingo cai o pano numa Volta a Portugal que se esperava que, perante o difícil e montanhoso percurso e a boa forma de Joni Brandão, pudesse significar mais emoção e uma ameaça ao domínio da W52-FC Porto. Estamos a ter tudo isso e até se pode dizer que a corrida está a superar expectativas. 

James Fourie (ProTouch) será o primeiro a sair para o contra-relógio às 14:57. Na luta pela juventude, Urko Berrade partirá às 16:22 e Emanuel Duarte às 16:23. O top dez vai para a estrada às 16:32 com Henrique Casimiro. Na discussão pela camisola amarela, Gustavo Veloso arranca às 16:46, João Rodrigues às 16:48 e Joni Brandão às 16:50.

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9 de agosto de 2019

W52-FC Porto ao ataque, Efapel à defesa e a Rádio Popular-Boavista a intrometer-se

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Ataque, contra-ataque e mais uns ataques. A W52-FC Porto não quis deixar a Efapel um metro descansada, começando por colocar Ricardo Mestre na fuga e depois provocando constantes mexidas, principalmente a partir da aproximação às duas subidas finais. Uns testes à resistência da equipa rival já a pensar que, na etapa da Senhora da Graça, este tipo de movimentações poderão ter outro de efeito. Haverá muito mais montanha para enfrentar antes da mítica subida. Esta é uma posição diferente para a W52-FC Porto - mais habituada a defender a liderança do que a ter de atacar - e para a Efapel, em tempos recentes. Ficou claro na oitava etapa que não haverá paz este sábado na tentativa de recuperar a amarela. Joni Brandão reagiu bem e vai à luta confiante vestido de líder. E mesmo com um contra-relógio para acertar contas no domingo, muito da Volta vai ser jogado na Senhora da Graça.

A tirada será curta, 133,5 quilómetros e com constante sobe e desce, como cada vez mais se vê nas provas por etapas. Se os ataques começarem cedo, será um teste duríssimo para todos, com a Efapel a estar em foco. Já demonstrou ter mais dificuldades em manter a equipa junto de Joni Brandão nas maiores dificuldades, mas a W52-FC Porto não é a mesma desde a queda de Bragança.

Logo no arranque em Fafe, o pelotão vai começar a subir. Serão 1200 metros, a com uma pendente média de 7,6% até Golães. A exigência vai aumentando com 13,5 quilómetros a 3,4% até ao alto do Viso. As duas subidas serão um aquecimento para o momento mais importante das etapas em linha da Volta. Serão três primeiras categorias para ajudar a decidir a corrida: Alto da Barra (13,3 quilómetros, a 5,8% de média), Barreiro (9,9, a 6,5%) e Senhora da Graça (8,3, a 7,2%).



Joni Brandão tem apenas um segundo a separá-lo de um jovem ambicioso João Rodrigues. O algarvio não assume a liderança com Gustavo Veloso a 18 segundos da liderança (perdeu três segundos no Alto de Santa Quitéria), mas, não havendo nenhum volte face, é Rodrigues quem está melhor fisicamente depois de ambos os ciclistas da W52-FC Porto terem ficado maltratados na já referida queda. Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) não está fora da luta. A 34 segundos tudo é possível. No entanto, o espanhol dá mostras de alguma quebra, ainda que, sendo forte no contra-relógio, poderá tentar gerir a etapa de forma a manter-se perto do pódio e apostar nos 19,5 quilómetros finais de domingo entre Gaia e Porto.

Edgar Pinto poderá assumir um papel importante, pois estando a 1:46 minutos, continua a não ter liberdade para escapar. Ou seja, um ataque seu terá de ter resposta da Efapel, que tem Henrique Casimiro a 52 segundos e que não vai ter um dia calmo para defender a amarela de Brandão. A W52-FC Porto já mostrou que parte da táctica passará por "partir" cedo a Efapel, que, contudo, poderá ter uma aliada inesperada.

A Rádio Popular-Boavista ameaça ter uma palavra a dizer. Não na luta directa pela geral, ainda que tenha João Benta e David Rodrigues no top dez, mas porque está decidida em conquistar a classificação colectiva. Para isso, não pode deixar que os ciclistas da W52-FC Porto ganhem muita vantagem. Já na etapa desta sexta-feira (156,6 quilómetros entre Viana do Castelo e Felgueiras), a equipa de José Santos ajudou nas respostas aos ataques da formação azul e branca e não deixou Ricardo Mestre ter demasiada vantagem quando o corredor andou na frente. Ainda por cima,  a Rádio Popular-Boavista tomou-lhe o gosto. Duas vitórias consecutivas: depois de Luís Gomes na Serra do Larouco, foi a fez de João Benta vencer em Felgueiras. Além disso tem Luís Gomes na liderança da classificação da montanha.

Se mantiver a postura, a Rádio Popular-Boavista poderá baralhar a táctica da W52-FC Porto, pois 3:52 minutos de vantagem podem desaparecer num instante na Senhora da Graça. E claro, outra vitória de etapa estará nos planos, com David Rodrigues a ser um homem com contas a ajustar com esta subida, onde há um ano perdeu a etapa para Raúl Alarcón com a meta ali tão perto.

A Volta a Portugal (e o ciclismo nacional) bem estava a precisar de uma corrida assim. Com espectáculo, indefinida nos momentos finais e com uma etapa exigente antes de uma das subidas mais históricas da modalidade por cá. E ainda há um contra-relógio! Fim-de-semana a não perder de ciclismo.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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8 de agosto de 2019

Um segundo chegou para Joni Brandão colocar a W52-FC Porto numa posição pouco habitual

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A queda de Bragança deixou mesmo marcas, mas não pode servir de única justificação para um dia que a W52-FC Porto não está nada habituada a ter. Joni Brandão faz parte da razão por se ter alcançado um feito quase inédito desde que a equipa de Sobrado começou a vencer ano após ano a Volta a Portugal desde 2013. Chegou à corrida em boa forma, mas caiu duas vezes, foi penalizado em dez segundos por os comissários terem considerado que foi empurrado pelo mecânico e não teve o melhor dos dias na Serra da Estrela. Porém, na do Larouco, o líder da Efapel arrancou, deixou todos para trás, focou-se numa meta oculta por nevoeiro, mas que não escondeu como Brandão está forte, estando agora de um tom amarelo que tanto procurava para "variar" o tom do equipamento da Efapel. Por um segundo assumiu o primeiro lugar e por um segundo conseguiu colocar a W52-FC Porto numa posição que só aconteceu uma vez e não foi na fase final da Volta.

Desde que Alejandro Marque venceu em 2013, então com a equipa a chamar-se OFM-Quinta da Lixa, que esta formação só uma vez tinha perdido a camisola amarela desde o momento em que a vestia e não demorou a recuperá-la. Nesse ano foi na penúltima etapa que Marque assumiu a liderança. Em 2014 foi na terceira e no ano seguinte na segunda, sempre por intermédio de Gustavo Veloso.

2016 foi o ano de glória de Rui Vinhas. Vestiu o símbolo da liderança após uma fuga na terceira etapa e só parou no pódio em Lisboa para celebrar a vitória na geral. No entanto, foi neste ano que a W52-FC Porto perdeu momentaneamente a amarela. Rafael Reis foi líder por um dia, antes de Daniel Mestre (então na Efapel) vestir a amarela por dois dias, ainda na fase inicial da corrida.  Seguiu-se Raúl Alarcón. Ficou de amarelo na primeira etapa em 2017 e em 2018 apoderou-se da camisola ao vencer em Oliveira do Hospital, na terceira tirada.

Mesmo com Joni Brandão a não ter uma primeira parte de Volta muito feliz, nunca ninguém o deixou de o ver como candidato. Veloso sempre disse que o rival era o principal favorito. Se foi para colocar mais pressão, Brandão não se ressentiu. Depois de tantos anos a ver de perto outros ficarem com a camisola que sempre ambicionou, Joni Brandão vai vesti-la pela primeira vez. Só o vai fazer esta sexta-feira, porque o mau tempo em Montalegre obrigou o cancelamento da cerimónia do pódio, que se realiza antes do arranque da oitava etapa, em Viana do Castelo.

Aos 29 anos, um dos melhores trepadores portugueses está no topo, mas um segundo não dá margem para tranquilidade. A Volta a Portugal está atípica, comparativamente com os anos de domínio da W52-FC Porto. Parecia estar a caminhar-se para a continuidade dessa história. Brandão reescreveu-a e o final está muito incerto. Agora é preciso ver como a Efapel vai defender a liderança. Brandão tem estado forte e reagiu bem depois de uma subida à Torre que não foi a que desejava. Falta a Senhora da Graça e Joni Brandão sabe que pode contar com Henrique Casimiro, mas a restante equipa não tem sido tão forte na montanha como seria de esperar.

A W52-FC Porto desfez-se na Serra do Larouco. Que coisa estranha de se ver! Está proibida de repetir a exibição, pois se tem tido um líder forte nos últimos anos, também se faz valer e muito do colectivo para ganhar. Gustavo Veloso mostrou debilidades logo na ascensão a Torneiros e confirmou as dificuldades no Larouco. A perna ainda lhe doía da queda de Bragança. João Rodrigues ficou sozinho muito cedo. Ricardo Mestre fez o trabalho do costume, mas Edgar Pinto não aguentou o ritmo que acabaria por colocar Brandão na frente do grupo. António Carvalho ficou ao lado de Veloso. Rodrigues teve de ir à luta a solo. Ele que na quarta-feira ainda visitou o hospital depois da queda que marca - e de que maneira - a equipa azul e branca. Esteve bem, mas não reagiu a tempo de evitar que por um segundo a amarela escapasse para a Efapel.

Estamos perante uma situação nova na Volta a Portugal. A três etapas do fim a W52-FC Porto tem de recuperar a liderança. Por esta altura, os seus ciclistas estão mais habituados a defender e controlar adversários, agora vão ter de atacar. Um segundo não é nada, mas pode decidir a vitória. Veloso está a 15 e sendo forte no contra-relógio, tal como Rodrigues, continua na luta. Mas Brandão também melhorou na especialidade e o percurso de 19,5 quilómetros entre Gaia e Porto, no domingo, até não é mau para o líder da Efapel se defender. Porém, a Senhora da Graça é o espaço ideal para Joni Brandão tentar consolidar a sua posição.

A Volta de destaque da Rádio Popular-Boavista


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Com a maior parte das atenções centradas na luta W52-FC Porto/Efapel, a Rádio Popular-Boavista tem feito a sua corrida e não se pode dizer que está completamente em segundo plano nesta recta final da Volta a Portugal. Em dois dias viu Luís Gomes vestir de azul (líder da montanha) e ganhar a etapa na Serra do Larouco. Excelente vitória do ciclista de 25 anos, que tem mostrado uma boa evolução desde que integrou a equipa em 2017. Foi perseverante e apesar das dificuldades não deixou escapar Hugo Sancho (Miranda-Mortágua) e Mathias Reutimann (Swiss Racing Academy). Em grande esforço, conquistou a uma vitória memorável.

Para reforçar a boa prestação da Rádio Popular-Boavista, João Benta e David Rodrigues estão no top dez. E o director José Santos alcançou outro objectivo: lidera colectivamente, com mais 3:23 minutos do que o Sporting-Tavira e 4:04 da W52-FC Porto, antiga número um desta classificação. A equipa tudo irá fazer para guardar a camisola da montanha de Luís Gomes e subir ao pódio no Porto como a melhor da Volta.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

8ª etapa: Viana do Castelo - Felgueiras, 156,6 km

Mas porque não tentar fazer diferenças já esta sexta-feira? Se há algo que esta Volta nos ensinou é que não há etapas para descansar e muito menos calmas. A de amanhã poderá ser propícia a um pouco de acção no final. Haverá mais uma rampa para testar as forças, que começam a ficar justas. A chegada é no alto de Santa Quitéria, Felgueiras, com 1600 metros a uma média de 8,9%. A partida será às 13:20 na Alameda 5 de Outubro, em Viana do Castelo.

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7 de agosto de 2019

Queda de Veloso e Rodrigues aumenta incerteza na véspera de subir a Serra do Larouco

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Regresso à estrada, após o dia de descanso, com algum nervosismo, muita chuva e uma queda que Gustavo Veloso parecia adivinhar. De um momento para o outro, a Volta a Portugal ganha uma nova incerteza. Já perto da meta, em Bragança, uma queda deixou no chão o camisola amarela, o segundo classificado João Rodrigues e o camisola verde Daniel Mestre. Todos apresentaram queixas físicas e os últimos dois foram ao hospital após a etapa. Joni Brandão (Efapel) também caiu, com Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) a ser o único dos quatro primeiros a sair incólume do caótico final de etapa. Esta quinta-feira é dia de subir a Serra do Larouco, numa das tiradas mais importantes da corrida e as sequelas das quedas poderão ser determinantes, quando as diferenças estão tão curtas.

Gustavo Veloso bem avisava antes do arranque em Moncorvo que seria uma etapa que teria de ser feita com muita atenção. Depois do calor veio a chuva e aumentou o risco de quedas, que nesta edição da Volta têm sido frequentes. O camisola amarela só queria que todos chegassem bem a Bragança. Mais parecia um prenúncio. Numa rotunda, bastou cair um que vários se seguiram, incluindo os três homens da W52-FC Porto, que estavam juntos. Gerou-se alguma confusão, com os ciclistas a chegarem a conta gotas à meta, nada preocupados com o tempo, já que a queda deu-se nos três quilómetros finais, mas se Brandão pareceu estar relativamente tranquilo, Veloso apresentava queixas e Rodrigues não conseguiu esconder um esgar de dor enquanto era ajudado a terminar a etapa por Daniel Mestre e Luís Gomes, o corredor da Rádio Popular-Boavista.

João Rodrigues, que está a 15 segundos de Veloso na geral, explicou que as dores eram na perna. A equipa escreveu no seu site que tanto o algarvio, como Daniel Mestre foram transportados para o hospital, mas não apresentavam "cuidados de maior". Já Rúben Pereira garantiu que Joni Brandão está bem, assim como Henrique Casimiro e Bruno Silva. "Apesar da queda final, onde grande parte da equipa ficou envolvida, não houve males de maior nem mazelas", afirmou o director desportivo.

Serra do Larouco ainda mais decisiva

É uma das etapas mais difíceis e com potencial para se fazerem diferenças. No entanto, perante os acontecimentos desta quarta-feira, ganha ainda mais importância, pois será essencial perceber como estão os dois principais ciclistas da W52-FC Porto. A meta coincide com uma primeira categoria de 9,2 quilómetros, com uma pendente média de 5,8%. Antes, a cerca de 40 quilómetros do final, está colocada outra dificuldade de primeira categoria, em Torneiros, com 4,5 quilómetros e inclinação média de 8,7%.

Até ao quinto classificado, Henrique Casimiro, há 45 segundos de diferença e até ao 10º, Luís Fernandes (Aviludo-Louletano), são 1:33 minutos de diferença. Em qualquer das subidas, quem passar mal pode perder tempo que fará mossa na classificação geral. A W52-FC Porto poderá sofrer mais ataques do que o esperado dado o que aconteceu, mas continua a ter outra arma: Edgar Pinto. Caiu na Serra da Estrela, mas parece estar bem e a 1:14 minutos não será uma carta fora do baralho se for preciso tentar sacar um ás, caso Veloso e/ou Rodrigues não estejam bem.

A Efapel tem dois homens no top dez, tal como a Aviludo-Louletanto e a Rádio Popular-Boavista, com David Rodrigues (esteve muito bem na Serra da Estrela) e João Benta. Mesmo com a Senhora da Graça à espera de todos no sábado, a etapa desta quinta-feira tem potencial para mexer com a geral, com uma maior dúvida a surgir agora que uma queda abanou uma W52-FC Porto que tem controlado a Volta a Portugal.

A etapa começa em Bragança às 12:55, no Parque Quinta da Braguinha e terá 156,2 quilómetros.

Dia movimentado de Moncorvo a Bragança

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A sexta etapa, de 189,2 quilómetros, foi tudo menos calma. Com três contagens de montanha logo nos primeiros 55, houve tantas movimentações que, na última subida, o pelotão partiu-se e ficaram os candidatos à geral na frente, com alguns companheiros de equipa e os restantes corredores atrasaram-se. A W52-FC Porto estava praticamente completa e aproveitou para garantir pontos para Daniel Mestre na classificação da camisola verde. Entretanto, Luís Gomes já tinha assegurado a azul da montanha, tirando-a por um ponto a David Ribeiro, da LA Alumínios-LA Sport. O pelotão acabaria por se voltar a juntar.

Os últimos 100 quilómetros foram mais "normais" até à fase final algo caótica, muito porque a chuva tornou perigosa a passagem por Bragança. A fuga triunfou, com a Euskadi-Murias a conquistar a segunda vitória de etapa, agora com o espanhol Hector Saez. Foi a primeira vitória como profissional deste ciclista de 25 anos, que foi campeão nacional de juniores em 2010.

Vários portugueses estavam na fuga e quando o grupo começou com ataques e contra-ataques a 15 quilómetros da meta, só Rafael Lourenço conseguiu ficar numa posição de discutir uma etapa que valeria ouro para a UD Oliveirense-InOutBuild. Contudo, tornou-se a primeira vítima das condições meteorológicas. Caiu e o sonho ficou adiado.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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6 de agosto de 2019

LA Alumínios-LA Sport lidera duas classificações na Volta a Portugal: "Melhor acho que era impossível"

(Fotografia: © João Fonseca Photographer / LA Alumínios-LA Sport)
O objectivo estava bem definido: vestir a camisola da montanha com David Ribeiro, o máximo de tempo possível. Porém, a meio da Volta a Portugal, a LA Alumínios-LA Sport está a superar expectativas, sendo uma das equipas em destaque na prova rainha do ciclismo nacional. Não é qualquer uma que pode dizer que divide as camisolas com a toda poderosa W52-FC Porto, ao vestir duas das quatro em discussão. O feito tem ainda mais significado quando se está perante uma formação que, sendo Continental, é sub-25 e 100% portuguesa. David Ribeiro andou desde a primeira etapa atrás da camisola azul da montanha e finalmente conseguiu-a na Guarda, antes do dia folga. Já Emanuel Duarte subiu a Torre com categoria e veste de branco, como líder da juventude. O que se pode dizer? "Melhor acho que era impossível", afirmou Hernâni Brôco.

É, naturalmente, um director desportivo feliz e muito orgulhoso do que foi alcançado. E esperançoso. É o primeiro a admitir que a sua equipa terá um desafio muito complicado para manter as duas camisolas. Contudo, garantiu que todos os ciclistas vão à luta para que pelo menos uma fiquei na LA Alumínios-LA Sport e assim haver um corredor no pódio no grande final da Volta no Porto. "O que lhes disse foi que chegámos onde chegámos e vamos desfrutar ao máximo do dia de descanso e destas duas camisolas. Agora que as temos vestidas é tentar segurá-las ao máximo e, quem sabe, chegar ao Porto de azul ou de branco. Seria fantástico ficar pelo menos com uma camisola. Sabemos que é difícil, mas vamos lutar por ela com todas as nossas forças", salientou Hernâni Brôco ao Volta ao Ciclismo.

O responsável explicou como o plano inicial era David Ribeiro repetir o feito da Volta ao Algarve, quando vestiu na primeira etapa a camisola da montanha. O basco Peio Goikoetxea começou por estragar a festa, mas Ribeiro não baixou os braços. Hernâni Brôco sabe que com chegadas na Serra do Larouco e na Senhora da Graça pela frente, além de muitas subidas pelo meio, que o seu jovem ciclista de 23 anos, não vai ter uma missão nada fácil. Entrar em fugas será essencial para manter o sonho vivo.


"É difícil gerir as emoções. Para a maior parte é a primeira Volta que fazem e em Portugal é a única prova com um mediatismo tão grande. Eles não estão habituados"

"Quanto à juventude, sabia que tinha dois atletas bastante fortes para esta camisola. Com o Emanuel, na chegada à Torre, numa subida tão longa, eu sabia que ele ia fazer diferenças", admitiu. Se o corredor de 22 anos mantiver o nível, os seus maiores adversários deverão ser dois bascos: Unai Cuadrado (21 anos, Fundação Euskadi), a 33 segundos e Urko Berrade (21, Euskadi-Murias), a 1:04 minutos. Na quarta posição surge outro português, mas Pedro José Lopes (UD Oliveirense-InOutBuild) está a mais de 15 minutos.

Agora será preciso gerir emoções num ambiente a que estes jovens ciclistas estão pouco habituados. Neste aspecto, Hernâni Brôco realça a importância de António Barbio. Os objectivos pessoais do ciclista não correram de feição e Barbio já deixou de parte a intenção de procurar um bom lugar na geral. O director desportivo afirmou que foi o próprio ciclista a dizer que queria lutar por o que a equipa já tinha. "Isso deixa-me orgulhoso e tranquilo", referiu. "É difícil gerir as emoções. Para a maior parte é a primeira Volta que fazem e em Portugal é a única prova com um mediatismo tão grande", realçou, acreditando que a equipa vai continuar à altura do desafio.

Independentemente do que venha a acontecer, a Volta a Portugal da LA Alumínios-LA Sport já terá o carimbo de muito positiva. O projecto sub-25 nasceu em 2018 e deu um salto de qualidade em 2019. Luís Almeida "deixou" a elite para apostar na formação e de ciclistas portugueses. Brôco e os seus corredores destacam sempre como o seu patrocinador nunca lhes coloca pressão para alcançar vitórias, mas o trabalho de evolução está à vista, tentando tornar-se na prova como as equipas sub-25 têm o seu espaço e o seu sucesso, apesar de não ser consensual no ciclismo nacional as vantagens deste tipo de estruturas. Além da LA Alumínios-LA Sport, estão no pelotão nacional na mesma condição a UD Oliveirense-InOutBuild de Manuel Correia e a Miranda-Mortágua de Pedro Silva.

A LA Alumínios-LA Sport vai partir para a sexta etapa com todos os seus elementos em prova e com todos focados em continuar a realizar uma Volta de sonho: 171-António Barbio, 172-Gonçalo Leaça, 173-Emanuel Duarte, 174-David Ribeiro, 175-Fábio Oliveira, 176-André Ramalho, 177-Marvin Scheulen.

6ª etapa: Moncorvo - Bragança, 189,2 km



O regresso à competição será o dia perfeito para os homens mais rápidos do pelotão aproveitarem a oportunidade para conquistar uma vitória, com as decisões na geral a começarem-se a jogar na quinta-feira, na Serra do Larouco. Daniel Mestre tem três metas volantes para defender e até tentar consolidar a sua liderança na classificação dos pontos. Soma 81, mais 29 do que o norueguês August Jensen (Israel Cycling Academy). Além de ajudar Mestre, a W52-FC Porto irá proteger a camisola amarela de Gustavo Veloso e o segundo lugar de João Rodrigues, pois aproximam-se as etapas decisivas, antes do contra-relógio final.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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»»João Rodrigues perfeito, Veloso de amarelo, Mestre de verde. Domínio da W52-FC Porto intocável após a Torre««