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31 de dezembro de 2019

Momentos de 2019 em Portugal

2020 está já aí, mas antes de se olhar para o novo ano, aqui ficam cinco marcos da época  por cá, com um inevitável destaque para a Volta a Portugal, mas sem esquecer como uma das novas estrelas do ciclismo mundial começou a mostrar-se nas estradas algarvias.

Emoção final na Volta a Portugal
(© Podium/Paulo Maria)
É inevitável começar pelo emocionante última dia de Volta a Portugal. Dois ciclistas partiram em igualdade pontual, com Joni Brandão de amarelo. Tinha a experiência do seu lado, sendo um ciclista que já havia subido ao pódio. O rival era o jovem João Rodrigues, que em dois anos teve uma rápida ascensão na hierarquia da W52-FC Porto, tendo trabalhado muito o contra-relógio. Naquele 11 de Agosto, num Porto vestido de azul e branco, Rodrigues fez valer essa aposta no esforço individual e bateu o rival da Efapel, deixando-o a 27 segundos. A emoção desportiva só beneficiou daquele ambiente sensacional na Avenida dos Aliados, num dos finais mais bonitos de anos mais recentes na Volta a Portugal. Foi uma corrida que por si só até merece outros destaques, como as vitórias de Rodrigues e de António Carvalho na Serra da Estrela (foi o regresso da Torre como local de meta) e Senhora da Graça, respectivamente, sem esquecer o triunfo no nevoeiro da Serra do Larouco de Luís Gomes, da Rádio Popular-Boavista.

Emanuel Duarte venceu juventude na Volta e conquista a do Futuro
(© Podium/Paulo Maria)
Mas destaca-se outro momento na Volta a Portugal, alargado depois à do Futuro. A vitória de Emanuel Duarte foi importante para mostrar a relevância da aposta de três equipas em serem Continentais sub-25 (denominação que não existirá em 2020, mantendo-se o escalão). Não foram anos fáceis para LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua ou UD Oliveirense-InOutBuild, mas todas tiveram os seus momentos e a vitória de Ramalho na classificação da juventude da Volta a Portugal foi o ponto alto. O ciclista da LA Alumínios-LA Sport sofreu para segurar a camisola branca e fê-lo por apenas dois segundos frente ao basco Urko Berrade (Fundação Euskadi), mas tornou-se no primeiro português a conseguir esta camisola desde David Rodrigues em 2014. Foi naturalmente um momento ofuscado pela vitória de João Rodrigues na geral, mas a conquista de Emanuel Duarte merece reconhecimento, sem esquecer que foi depois à Volta à Portugal do Futuro vencer a amarela.

Henrique Casimiro conquista Troféu Joaquim Agostinho
(© João Fonseca Photographer)
Uma vitória que também envolveu muita emoção, mas numa perspectiva diferente: "É uma vitória que dedico à família. Há seis anos, quando fiz terceiro, a minha esposa, que estava grávida, perdeu a nossa filha. Ficou prometido que venceria o Troféu Joaquim Agostinho para lhe dedicar. Mais do que um objectivo desportivo, este era um compromisso pessoal." Henrique Casimiro cumpriu a promessa e foi um homem muito emocionado no final de uma das mais importantes corridas do calendário nacional. Em 2018, quatro segundos separaram-no do primeiro lugar, em 2019 eram oito os que o mantinham novamente em segundo antes da última etapa. No Montejunto não ganhou, mas alcançou a diferença necessária para tirar a amarela a Gustavo Veloso, que até caiu para quinto. Um grande dia para um ciclista que tem sido tão importante na Efapel, muito regular e de confiança quando está na ajuda aos líderes. Prepara-se para um novo desafio na Kelly-InOutBuild-UDO.

Pogacar ascende ao estrelato no Algarve
(© João Calado/Volta ao Algarve)
O actor principal foi um esloveno, mas o palco foi a Volta ao Algarve, a corrida de categoria mais elevada na UCI em Portugal. Por isso, aqui se coloca como um dos momentos a vitória de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) primeiro no Alto da Fóia, numa exibição que - perante o que se viu mais tarde na época - foi apenas uma demonstração da enorme qualidade deste ciclista. Em segundo, o destaque vai para a conquista da Algarvia, numa luta no Malhão em que não baixou os braços e assim venceu, no seu ano de estreia no World Tour, a primeira corrida de uma carreira que tanto promete.

Mais um jovem a mostrar-se
(© João Fonseca Photographer)
A Vito-Feirense-PNB tem feito questão de ter no seu plantel ciclistas que, terminada a fase de juniores, possam evoluir como sub-23 numa estrutura profissional. A pressão é, naturalmente reduzida, mas a ambição destes jovens é sempre enorme. Pedro Andrade tornou-se num dos rostos da nova geração por dois motivos. Primeiro surpreendeu ao conquistar a sua primeira vitória, com apenas 19 anos, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota (23 de Junho), num triunfo em que não se pode esquecer a ajuda de outro ciclista jovem da equipa, João Barbosa. Segundo, Pedro Andrade tornou-se no próximo português a entrar numa das melhores equipas de formação mundial, a Hagens Berman Axeon, que irá representar em 2020. Seguirá os passos de Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira, João Almeida e André Carvalho. Este último será companheiro de equipa de Andrade, filho de Joaquim Andrade, director da Vito-Feirense-PNB e antigo ciclista, e neto de um corredor que venceu a Volta a Portugal, também de nome Joaquim Andrade.

120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo
Há que não deixar passar esta marca. É a federação mais antiga de Portugal, numa modalidade que continua a ser das mais admiradas no país, tanto entre os que seguem as corridas, como aqueles que não dispensam a bicicleta na sua vida. O trabalho do organismo abrange hoje todos, os profissionais, os amadores, aposta nas crianças num programa de apoio que chega às escolas. Mas o Ciclismo para Todos é mesmo para todas as idades. É impossível não destacar o trabalho nas selecções que tantas medalhas tem rendido, na estrada, na pista (que está perto de um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos) e no BTT. Hoje temos dois campeões do mundo de elite, Tiago Ferreira (BTT - XCM) e Rui Costa (estrada).




29 de abril de 2018

"Iria sempre ter de mudar de tarefa no futuro e achei que agora era a altura certa"

"Eu gostava da competição, mas estava a chegar a uma idade ou dava o salto para algo que fosse espectacular ou então... sentia que não estava a dar o clique com o passo à frente." Os convites não faltaram para continuar no ciclismo como atleta. Porém, Hélder Ferreira considerou que tinha chegado o momento de seguir outro rumo e aceitou o convite para integrar a equipa da Federação Portuguesa de Ciclismo. Não esconde que sente falta dos treinos, do ambiente de estágio, de estar com os companheiros, mas também não hesita em dizer o quanto está a gostar das novas funções, do quanto está a aprender agora que vive a modalidade que adora noutra perspectiva.

Considerou que seria "mais desafiante e mais enriquecedor" ter outra função na modalidade e passou a ser técnico da federação. "Estou mais na área do Ciclismo para Todos, apesar de gostar da competição e pretender ao máximo envolver-me nesse aspecto", explicou ao Volta ao Ciclismo. E tem marcado presença nas corridas. Agora fora da bicicleta, mas sem muito tempo para sentir a falta da competição. "Não tinha noção de algumas coisas. Na Volta ao Algarve, por exemplo, eu por vezes saía muito tarde do secretariado e fazia trabalhos que não fazia a menor ideia que eram feitos, como imprimir não sei quantos comunicados para a imprensa e muitas outras coisas. Não sabia que se tinha de fazer algumas funções", contou, admitindo que ganhou um novo respeito pelas organizações das provas.

"Se se quer que as coisas corram bem, há que ter muita preparação, há muito trabalho a fazer. Não é fácil! É necessário meios para fazer uma corrida, é necessário gente que saiba o que fazer... Eu ainda estou a aprender, mas já vejo a dificuldade que é pôr uma prova na estrada, ou uma de BTT", referiu. Acrescentou como agora está a conhecer pessoas que estão há muitos mais anos do que ele no ciclismo: "Eu andava de bicicleta e o resto passava-me um pouco ao lado."


"Tenho saudades de sair para treinar com os meus colegas, também de competir, do ambiente de estágio, dos jantares quando estávamos todos juntos... mas tudo passa"

Foi Sérgio Sousa - que no ano passado assumiu o cargo de director da federação depois de terminar a carreira de ciclista - que desafiou Hélder Ferreira. "Eu tinha a possibilidade de continuar [a competir]. Até tive o convite de um treinador com quem já tinha trabalhado e que gostava muito que eu fosse para o projecto dele. Tinha também a possibilidade de continuar no Louletano. Eles contavam comigo. Por acaso este ano até tinha algumas hipóteses em aberto. Mas pensei que era o momento certo para mudar e acho que fiz bem", salientou. A decisão nem se prendeu com questões financeiras. Hélder Ferreira considerou que simplesmente tinha chegado o momento de apostar em algo diferente "Iria sempre ter de mudar de tarefa no futuro e achei que agora era a altura certa."

A carreira de ciclista ficou assim terminada aos 26 anos (entretanto já fez 27), depois de quatro temporadas como profissional, três na Efapel e a última no Louletano-Hospital de Loulé. Fez três Voltas a Portugal e foi sempre um ciclista de confiança para os líderes que apoiou. Regressar é algo que considera difícil, até porque não se cansa de dizer que está mesmo a gostar do que agora faz, ainda mais por ter a oportunidade de realizar diferentes funções: "Estou numa fase de aprendizagem, vou passando por vários departamentos dentro da federação e acho que é útil conhecer as diferentes realidades que este organismo tem. É diferente, mas estou a gostar bastante."

No entanto, confessou: "Tenho saudades de sair para treinar com os meus colegas, também de competir, do ambiente de estágio, dos jantares quando estávamos todos juntos... mas tudo passa. Agora estou focado em tantas tarefas, em tanta coisa nova, que nem tenho tempo para pensar nisso!" Mas claro que apesar do muito trabalho, pedalar continua a fazer parte da sua vida.

Licenciado em Ciências do Desporto e com o mestrado em Treino de Alto Rendimento Desportivo, será que pensa em um dia enveredar pela carreira de treinador? "Gostava de experimentar, mas estou a viver muito o momento. Vou dando um passinho de cada vez. Quem sabe...", disse. "Agora estou a aprender a parte organizativa, como funciona a federação, não estou a fazer muitos projectos para o futuro. O dia de amanhã logo se vê", acrescentou.

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1 de janeiro de 2018

Está lançado um ano desafiante para o ciclismo

por Delmino Pereira, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Cada época desportiva é sempre um desafio renovado, 2018 será particularmente especial para o ciclismo português. Por um lado, porque sucede a 2017, o ano com mais medalhas em Mundiais e Europeus para o ciclismo luso. Por outro lado, porque 2018 será o primeiro ano de implementação de várias medidas de renovação e modernização da modalidade.

Decidimos introduzir novidades regulamentares desde as escolas ao ciclismo profissional, sem esquecer a renovação contratual para a concessão da Volta a Portugal. Todas as modificações têm um fio condutor, visam dotar o ciclismo português de maior capacidade de adaptação à realidade cada vez mais competitiva do desporto internacional e nacional: só os países e as modalidades que apostam na excelência conseguem ter sucesso. O ciclismo internacional tem sabido fazê-lo e Portugal precisa de manter a pedalada para continuar no pelotão da frente.

O pelotão profissional português cresceu 50 por cento face a 2017, devido às novas regras de formação de equipas continentais. Durante a última Volta a Portugal, na qual apenas dois corredores de equipas portuguesas eram elegíveis para a classificação da juventude, muito se falou na falta de jovens no pelotão da prova. Pois bem, o crescimento do pelotão continental para 2018 significa, sobretudo, um rejuvenescimento do mesmo. 

O acesso dos melhores jovens que representam equipas portuguesas à Volta a Portugal e à Volta ao Algarve é um dos primeiros legados da mudança regulamentar. O outro passa pelo aumento dos vencimentos auferidos pelos corredores com estatuto profissional. Acreditamos que outros legados positivos surgirão. Os sinais são já evidentes. Neste defeso, todo o pelotão nacional tem trabalhado de forma mais intensa do que no passado recente. Todos pretendem estar em bom nível nos preenchidos meses de fevereiro e março, durante os quais sobressai a Volta ao Algarve, evento de referência nacional e internacional, que, pela sua aposta na qualidade desportiva, criou um novo foco de mediatismo para a modalidade.

A Volta a Portugal, maior evento desportivo do país, pela sua tradição e implantação popular, supera as fronteiras do ciclismo e do desporto, assumindo-se também como acontecimento social e económico. Nesse sentido, as novas regras de concessão reafirmam a Federação como proprietária do evento, atribuindo-lhe capacidade de coordenação desportiva e institucional. O novo modelo organizativo assenta numa total cooperação entre a FPC e o organizador e tem a ambição de reforçar a qualidade desportiva da corrida e de permitir uma notoriedade nacional e internacional cada vez mais importante. Nesse sentido, a Volta deverá ser um baluarte do desporto limpo e ter um desenho desportivo que contribua para incrementar o espetáculo e o interesse de todos os Portugueses.

O ano de 2018 será também o momento de aprimorar o conceito das escolas de ciclismo, que têm de ser vistas por todos como um patamar de aprendizagem e convívio, sem a tentação da competição exacerbada. É nesse sentido que vão as modificações no regulamento das escolas, cuja dinâmica assentará num maior acompanhamento pedagógico, orientando a prática para um processo de capacitação em três níveis de conhecimento. A nova regulamentação admite a criação de escolas de ciclismo nas vertentes especiais, nascendo as primeiras escolas para as disciplinas de DHI e de enduro.

No âmbito do Programa Nacional Ciclismo para Todos e do protocolo com a Direção-Geral de Educação, será publicado em maio o guião do programa “O Ciclismo Vai à Escola”, importante instrumento para alargar a penetração social do ciclismo e a forma correta de iniciação em contexto escolar, definindo-se a forma como se deve ensinar as crianças a andar de bicicleta, assim como os vários níveis de ações e a interligação entre o ciclismo na escola, o desporto escolar e estrutura federada.

Destacamos também o novo regulamento da arbitragem, importante instrumento que permitirá melhorar a qualidade da arbitragem e o novo regulamento da Taça de Portugal de maratonas que estimulará esta disciplina do BTT junto das associações regionais.

2018 será o ano de arranque das qualificações para os Jogos Olímpicos Tóquio’2020. Teremos um ambicioso calendário internacional das Seleções Nacionais nas distintas vertentes e disciplinas. Vamos lançar o novo equipamento e a equipa técnica será reforçada com um novo selecionador para o ciclismo feminino e para a categoria de cadetes.

Este ano ficará para a história da nossa modalidade como o ano de construção das pistas olímpicas de BMX e XCO, passando o CAR Anadia a possuir a capacidade de desenvolver treinos em todas as especialidades olímpicas do ciclismo. Nascerá também o centro de avaliações e controle de treinos, espaço fundamental, onde trabalharemos e desenvolveremos o futuro dos nossos atletas, afirmando o CAR Anadia como uma das melhores infraestruturas desportivas de ciclismo em todo mundo, algo só possível com o forte apoio do município de Anadia e do IPDJ, o qual, desde já, agradecemos.

Portugal continua, em 2018, na rota dos grandes acontecimentos velocipédicos. Nos dias 7 e 8 de abril a Lousã será palco do Campeonato da Europa de DHI, um espetáculo de grande intensidade desportiva, que contribuirá também para a dinamização económica e Turística das Aldeias do Xisto, um dos territórios que interpreta o ciclismo como instrumento privilegiado de promoção regional onde estamos a implantar o programa Cyclin’Portugal - Aldeias do Xisto.

A atividade da Federação Portuguesa de Ciclismo é cada vez mais intensa e diversificada, com muitas outras novidades que enriquecerão os 365 dias de 2018. 

A mensagem principal é de confiança, peço a todos os agentes desportivos e aos ciclistas a uma prática responsável e determinada. 

Honrar a nossa história defendendo o presente e o direito ao sonho das novas gerações.

Um excelente ano para todos, cheio de pedalada!

19 de junho de 2017

Ou vão aos Nacionais ou ficam de fora dos Europeus e Mundiais

José Mendes é o actual campeão nacional de estrada
(Fotografia: Stiehl Photography/Bora-Hansgrohe)
O aviso muito sério foi feito pela Federação Italiana de Ciclismo. A regra é clara e o organismo resolveu há uns dias relembrar as principais estrelas da modalidade transalpina que os Nacionais são importantes e que devem marcar presença, sob pena de ficar de fora das convocatórias para os Europeus e para os Mundiais. Esta mesma norma aplica-se também na Bélgica e em França e em Espanha a federação pondera adoptá-la em 2018. E em Portugal, é uma regra a implementar?

Com os Nacionais a realizarem-se a uma semana do arranque da Volta a França, alguns ciclistas preferem resguardar-se e não arriscar algum incidente que os possa prejudicar. Aconteceu o ano passado com Rui Costa. Campeão em título, optou por não ir a Braga e concentrar-se no Tour. "Poderemos no futuro vir a ponderar essa regra, mas até agora não sentimos essa necessidade porque a maior parte dos nossos grandes ciclistas vêm ao campeonato", salientou Delmino Pereira ao Volta ao Ciclismo. O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) reforça a importância dos corredores com estatuto internacional de darem também eles "o seu contributo a um título nacional transversal a todas as categorias e vertentes" da modalidade.

O aumento de ciclistas a competir no estrangeiro, inclusivamente há cada vez mais portugueses em formações do World Tour, faz com que a federação esteja atenta ao que possa acontecer nos Nacionais. "Se essa situação se acentuar, nós poderemos vir a ponderar colocar uma regra como essa", afirmou o dirigente. "O título de campeão nacional também é importante para os atletas. Dá pontuação internacional, para o ranking da UCI e é um título de prestígio", referiu.

Porém, Delmino Pereira realça um pormenor nem sempre fácil de controlar: "Algumas equipas internacionais não estimulam muito os seus ciclistas a irem às provas por causa da mudança de camisola, por causa da questão da imagem." O presidente da FPC deu o exemplo do que acontece com a Movistar, pois o campeão espanhol, que nos últimos anos tem sido muitas vezes um ciclista desta formação, acaba por ter uma camisola na qual pouco se vê as cores da bandeira, mantendo-se o destaque para o patrocinador. O mesmo já não acontece com a Bélgica ou a França, cujos ciclistas vestem-se com as cores da bandeira, sendo equipamentos personalizados em detrimento das cores das equipas que o ciclista representa.

Há ainda o caso da Bora-Hansgrohe. A equipa alemã que este ano subiu para o principal escalão, contratou dois campeões nacionais - Rafal Majka (Polónia) e Juraj Sagan (Eslováquia) - e o campeão do Mundo e da Europa, Peter Sagan. No seu plantel manteve José Mendes, o campeão português. A formação tenta tirar partido deste factor a nível de marketing, além de ter camisolas que destacam o título nacional, mas em que se vê bem os nomes dos patrocinadores.

"Esta forma de interpretar não é igual em todas as equipas", frisou Delmino Pereira, que acrescentou que as equipas portuguesas não têm qualquer problema em ter um campeão nacional. "Nós até facilitámos o regulamento da camisola, que foi aprovado há um mês. Tornámos a camisola mais simples, ou seja, as faixas diminuíram de dez para oito centímetros, deixou de ter qualquer aplicação a nível de golas ou mangas. Fizemos essa diminuição da faixa de forma a libertar espaço para a aplicação dos interesses dos patrocinadores", explicou o dirigente. Além disto, já não há o calção associado à camisola, tudo, segundo o dirigente, para que o equipamento de um campeão nacional "não seja um problema para as marcas". "Interessa-nos que as marcas digam 'ok, vai lá disputar o campeonato e espero que ganhes'", frisou.

Delmino Pereira não esquece que quem paga os salários são as marcas pelo que afirmou ter a noção da necessidade de perceber o interesse publicitário que existe nos equipamentos. No entanto, realçou o prestígio que é ver a camisola de campeão português no Tour - como aconteceu com Rui Costa -, no Giro e na Vuelta (nestas duas corridas por intermédio de José Mendes). E claro, há que não deixar de parte Nelson Oliveira, também já conta com um título de estrada, mas tem sido dominador no contra-relógio, com quatro conquistas.

A proximidade com o Tour é um dos problemas, como já foi referido, mas mudar a calendarização dos Nacionais não está nos planos. "É uma regra do calendário europeu. Já sabemos que no último fim-de-semana de Junho, uma semana antes da Volta a França temos os Campeonatos Nacionais. Não vejo necessidade de mudar", disse. Na Austrália e também em alguns países do continente americano, estas corridas acontecem no início do ano, mas tal também se prende com o factor meteorológico.

Os Nacionais em Portugal vão realizar-se de 23 a 25 de Junho (de sexta a domingo), com as provas de contra-relógio a estarem agendadas para Santa Maria da Feira, enquanto as corridas em linha vão disputar-se em Gondomar, Cidade Europeia do Desporto. Para se assistir terá de se o fazer no local. "Falta a transmissão televisiva, mas temos essa ambição. É a oportunidade para se ter uma corrida com os grandes nomes nacionais", disse Delmino Pereira que recordou as diferentes realidades de outros países. "Há campeonatos que são autênticos acontecimentos nacionais. Na Bélgica é transmitido em directo e há uma luta para os transmitir. Em França é igual. Essa regra [de obrigar os ciclistas a estarem presentes se quiserem ir aos Europeus e Mundiais] acabou por valorizar os campeonatos. Tem que haver um respeito pelo trabalho das federações. Os principais ciclistas de hoje também precisaram no passado do dinamismo das federações", referiu.

Ainda a propósito das transmissões, se para já não haverá para os Nacionais de estrada, já nos Europeus de pista de sub-23 e juniores, que se vão realizar em Anadia entre 18 e 23 de Julho, a federação irá proporcionar o live streaming: "Vamos fazer uma aposta. Serão mais de 30 países presentes, com algumas potências de ciclismo que têm redes de distribuição de informação. Libertando esse sinal, estou convencido que vamos chegar a muitas pessoas lá fora." Além desta forma de transmissão, decorrem também negociações com um canal de cabo.

O ambiente fechado do ciclismo de pista facilita o live streaming, pois a logística de uma prova de estrada é diferente e mais dispendiosa. Porém, o ciclismo em Portugal tem vindo a aumentar o interesse a nível televisivo. Ainda este ano a Volta ao Algarve voltou a ser transmitida, com uma aposta da TVI24 e com o Eurosport a integrar a prova portuguesa na sua extensa programação da modalidade. A RTP também tem alargado a sua cobertura, ainda que com provas estrangeiras.

Os ciclistas portugueses estão cada vez mais a competir entre os melhores do mundo. Além do World Tour, temos também corredores em equipas do segundo escalão e também em Continentais estrangeiras, ainda que esta seja também a categoria das formações portuguesas. Muitos dos corredores não têm apenas passagens, são ciclistas com papéis importantes nas formações. Talvez por isso se possa esperar que mais cedo ou mais tarde os Nacionais sejam transmitidos em directo, pois será a oportunidade de os ver todos juntos a disputar um título. Com ou sem transmissão televisiva, pode sempre ir para a estrada apoiar os ciclistas. Veja aqui o percurso da prova de contra-relógio e neste link os das corridas de estrada.


12 de junho de 2017

59 agentes da autoridade numa corrida com 56 ciclistas

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Segurança acima de tudo, mas este caso foi bastante insólito. Aconteceu no Prémio de Ciclismo "Força Minho", corrida para a categoria cadetes e juniores, que se realizou no último sábado, dia 10 de Junho. A Associação de Ciclismo do Minho tinha organizado um protesto contra o aumento dos custos de policiamento em nas competições de ciclismo e revelou os números de agentes que estavam destacados para a corrida em causa. O pelotão de jovens era composto por 56 ciclistas, numa prova com 40 quilómetros, mas no total estiveram de serviço 59 agentes e 18 veículos da PSP e GNR. Ou seja, houve mais polícia do que corredores, algo inédito.

A partida simbólica, em Guimarães, ficou marcada por apitos que os ciclistas utilizaram para se fazerem ouvir no protesto. O aumento de custos com o policiamento está na agenda da FPC. A forma de destacar agentes provoca, segundo o organismo, uma duplicação de meios que aumenta não só os custos, mas também leva a "uma perda de eficiência na qualidade da segurança". "A FPC já expôs a sua posição junto do Secretário de Estado da Administração Interna, sugerindo que o destacamento eventual de trânsito para as provas ciclismo fosse desempenhado por uma única força de segurança, da partida à chegada, independentemente da área territorial de cada força", salientou Delmino Pereira, citado pela FPC. O presidente do organismo que tutela a modalidade acrescentou que se tem "vindo a assistir, com frequência, a esta nova e inédita forma de criação de dois destacamentos eventuais de trânsito para uma mesma prova, provocando uma duplicação desnecessária de meios humanos e logísticos". "Essa duplicação de custos é acrescida de uma perda de eficiência na qualidade da segurança prestada aos ciclistas e à população no decorrer das provas", alertou.

Delmino Pereira espera que o Ministério da Administração Interna possa "clarificar" e de uma forma "mais sensata" a organização do policiamento nas corridas. "A nossa modalidade pratica-se na via pública e teremos sempre de organizar as nossas actividades numa total e boa colaboração com as forças de segurança", reforçou o dirigente.

Na sua página de Facebook, a Associação de Ciclismo do Minho publicou a imagem, que mostramos ao lado, quando anunciou o protesto marcado para o início da corrida. E mais deverão seguir-se. "Depois deste primeiro protesto e até que o assunto seja efectivamente resolvido serão promovidas mais manifestações noutros pontos do país", lê-se no site da associação.

"Explicámos previamente que o evento desportivo não era uma corrida de agentes da autoridade mas uma corrida de ciclismo amador, afigurando-se absolutamente desproporcionado e inexplicável o destacamento de um contingente total de 59 agentes da autoridade e de 18 viaturas”, frisou José Luís Ribeiro, presidente da associação. O dirigente deixa ainda alguns exemplos como os custos aumentaram para quem quer organizar provas de ciclismo, além do policiamento, como este: “Em provas de ciclismo amador do Campeonato do Minho em que, por exemplo, participe um atleta da Galiza (o que é frequente), por integrar um atleta estrangeiro é aplicada a tabela mais cara. Nas provas amadoras de âmbito regional que integrem actividades de iniciação para os mais pequenos experimentarem a modalidade é aplicada a tabela mais cara porque é permita a participação do público em geral.”

José Luís Ribeiro deixa ainda um lamento, nas declarações publicadas no site da associação: “Tristemente, mais evidenciadas ficam as injustiças se relembrarmos que o Estado assume integralmente (não comparticipa, paga mesmo na totalidade) o acompanhamento policial de claques de futebol e o policiamento em redor dos estádios.”

3 de março de 2017

Clássica da Arrábida. "Estamos a trabalhar para a curto prazo ter aqui equipas do World Tour"

A Clássica da Arrábida tem todos os ingredientes de uma super clássica. E não é por acaso. A ambição é enorme e dentro de poucos anos Portugal poderá contar com mais uma grande corrida internacional. Talvez seja um efeito de contágio da Volta ao Algarve e também da Volta ao Alentejo. E estes contágios são muito bem vindos. Pela primeira vez, a Clássica da Arrábida tem uma categoria internacional (1.2), podendo assim receber equipas do segundo escalão (Profissional Continental). Excelente! Contudo, o objectivo está bem definido: "Estamos a trabalhar para a curto prazo ter aqui equipas do World Tour." A garantia foi dada ao Volta ao Ciclismo por João Serralheiro, da empresa Lima e Limão, co-organizadora da corrida programada para domingo.

"O plano é manter esta categoria de 1.2 e eventualmente no futuro subir de escalão e assim atrair equipas de outro nível", afirmou. O percurso é desde já muito convidativo a ciclistas que gostam de clássicas com alguma dureza, pois além do sobe e desce, junta-se o sterrato (caminhos de terra) e o pavé. São actualmente alguns dos ingredientes que compõem as principais clássicas. "A tentativa é aproximar a corrida a grandes provas do calendário internacional que se realizam neste altura do ano", explicou João Serralheiro. "O percurso é técnico, exigente e o ciclista que ganhar aqui tem de ser muito completo e com um nível bastante alto", acrescentou.

Serão 186,6 quilómetros com início na Avenida Luísa Todi (11:15), em Setúbal, com a meta instalada no Miradouro de Palmela. Os últimos 70 serão de loucos, com constantes subidas - quatro de terceira categoria e uma de segunda que coincide com o final - e passagens pela Arrábida e também pelo Alto das Necessidades, perto de Azeitão, ascensão que já fez parte do percurso da Volta a Portugal. E também será perto do fim que o sterrato e o pavé vão aparecer. "Penso que será uma prova bastante disputada e será um grande espectáculo de ciclismo", salientou João Serralheiro. O orçamento não permite apostar numa transmissão televisiva, mas o responsável afirmou que existem vários locais onde se pode assistir à passagem do pelotão, como precisamente o Alto das Necessidades, a zona do prémio de montanha em Sesimbra, ou as meta volantes em Pegões e Quinta do Conde, por exemplo.




A Clássica da Arrábida poderá ser o mote para uma mudança na forma de se olhar para as corridas de um dia em Portugal. As provas por etapas fazem parte de uma longa tradição, mas José Serralheiro acredita que corridas como a Clássica da Arrábida "podem ter um papel muito importante e uma dimensão grande no panorama" do ciclismo português, até agora mais habituado a ter corridas de um dia em formato de circuito, como acontece no final da temporada.

"Até agora, se calhar ninguém teve a abordagem que nós estamos a ter. Quando digo nós refiro-me à minha empresa, à Federação Portuguesa de Ciclismo e à própria região, nomeadamente os municípios de Sesimbra, Palmela e Setúbal que apoiam a prova", frisou. O contrato com as regiões é válido por três anos, mas inclui ainda mais ciclismo. Além da corrida para profissionais, realiza-se este sábado o Granfondo que contará com cerca de 500 participantes. É a lógica do ciclismo para todos, quer seja a um nível mais competitivo, como apenas para aproveitar as fantásticas paisagens daquela região. O granfondo terá 134 quilómetros, o mediafondo 113 e o minifondo 54, com o Castelo de Palmela à espera de quem terminar o passeio/competição (depende da forma como for encarado).

Mas quanto à corrida para os profissionais, serão 20 as equipas presentes. As formações de elite nacional: Efapel, LA Alumínios-Metalusa BlackJack, Louletano-Hospital de Loulé, Rádio Popular-Boavista, Sporting-Tavira e W52 FC Porto; as de clube: ACDC Trofa, Jorbi/Team José Maria Nicolau, Liberty Seguros/Carglass, Maia, Miranda/Mortágua, Moreira Congelados/Feira/Bicicletas Andrade e Sicasal/Constantinos/Delta Cafés; e do estrangeiro inscreveram-se: Burgos BH e Caja Rural-Seguros RGA sub-23 (Espanha), Axeon Hagens Berman - será a estreia de Rui Oliveira pela equipa na estrada - e Rally Cycling (EUA); a Equipo Bolivia do português Nuno Meireles; a Team Sparebanken Sor (Noruega) e, para terminar, da Rússia estará a Lokosphinx.

Lista de inscritos neste link.

A Clássica da Arrábida será a segunda corrida a contar para o Troféu Liberty Seguros, liderado pelo jovem Francisco Campos (Miranda-Mortágua), que surpreendeu a elite ao vencer a Prova de Abertura Região de Aveiro.

»»O jovem que surpreendeu a elite em Ovar: "Ainda estou em choque!"««

»»Ivo Oliveira: "Não podia estar numa equipa melhor. Só quero agarrar esta oportunidade como nunca"««

20 de fevereiro de 2017

"Estava a faltar um ciclista português fazer o que fez Amaro Antunes no Malhão"

Foto: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo
Quando se tem na corrida alguns dos melhores ciclistas do mundo, o que se quer é que esses ciclistas vençam. Parte do prestígio das competições, principalmente de escalões abaixo do World Tour, vem do prestígio dos corredores que nela participam e que nela conquistam vitórias. Porém, fica sempre o desejo de ver alguém ganhar que pareça não ter hipóteses de derrotar os considerados melhores do mundo. Ainda mais vontade é que esse alguém seja um ciclista da nacionalidade onde se realiza a competição. Perfeito, perfeito, é ser mesmo da terra. Amaro Antunes encaixa... na perfeição.

No ano em que a Volta ao Algarve subiu de categoria, teve transmissão televisiva para mais de meia centena de países, a 43ª edição acabou com a vitória de um português, de um algarvio na etapa do Malhão. Delmino Pereira não hesitou em dizer: "Foi uma boa forma de terminar e é também um sinal que há muito desejávamos. É importante que as equipas portuguesas se preparem para todas as corridas e que façam desta Volta ao Algarve uma oportunidade para se revelarem ao mundo." Para o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Portugal "tem neste momento um bom lote de corredores que se tem vindo a afirmar internacionalmente", mas salientou que "estava a faltar um ciclista português fazer o que fez Amaro Antunes no Malhão". "E fê-lo com grande categoria, com grande nível, num local onde todos queriam brilhar", acrescentou ao Volta ao Ciclismo.

Para o dirigente é importante que o ciclista seja "bom todo o ano". "É importante para que um ciclista português que se queira afirmar e se quiser ter uma carreira internacional, fazer o que fez o Amaro Antunes", referiu. Porém, esta foi uma edição da Volta ao Algarve em que as equipas portuguesas apareceram a bom nível, não se deixando levar pelo discurso que por vezes se ouve de "as formações do World Tour são demasiado fortes". Delmino Pereira destacou precisamente o facto das equipas nacionais terem estado beml, com natural destaque para a W52-FC Porto de Amaro Antunes, mas também a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack que conseguiu um 10º lugar através de Edgar Pinto, o Sporting-Tavira viu Rinaldo Nocentini ficar em nono e Alejandro Marque em 13º, o Louletano-Hospital de Loulé teve o seu sprinter, Luís Mendonça a fazer top 20 nas duas etapas que eram para as suas características e Vicente Garcia de Mateos foi segundo no Malhão, a Rádio Popular-Boavista teve João Benta numa fuga e a Efapel teve Rafael Silva a sprintar para um top 20 na primeira etapa.

"As equipas portuguesas já perceberam que é importante estar bem nesta altura do ano. Nós quando intensificámos o calendário em Fevereiro e Março com provas internacionais, foi exactamente com esse objectivo", explicou Delmino Pereira, que afirmou ainda que a federação aposta num arranque de temporada em força, para que não se esteja somente à espera da prova rainha, a Volta a Portugal, que se realiza apenas em Agosto.

O ponto de equilíbrio da Volta ao Algarve

De ano para ano a Algarvia tem crescido e conquistado o seu espaço de referência no calendário internacional. A partir de 2017 faz parte da categoria 2.HC (apenas abaixo das corridas do World Tour) e nesta última edição atraiu 12 das 18 equipas do principal escalão. Será que se ambiciona dar mais um passo? Ou seja, chegar à categoria máxima? Delmino Pereira considera que a Volta ao Algarve "está no ponto de equilíbrio perfeito". "Nós demos um passo e conseguimos atingir os nossos objectivos. Neste momento vamos consolidar o projecto", frisou.

O responsável disse mesmo que "não é uma prioridade" chegar ao World Tour, apesar de não fechar a porta a essa possibilidade no futuro. No entanto, repetiu: "A Volta ao Algarve está com o equilíbrio desejável e o segredo do seu sucesso está num conjunto de factores. Primeiro é o equilíbrio desportivo, ou seja, é uma corrida interessante para os sprinters, para os contra-relogistas e para os trepadores. Segundo, o clima e o percurso adequado para esta altura do ano, pois há subidas que vão a 400/500 metros de altitude, que é a melhor forma de preparação da época. Terceiro, o equilíbrio do pelotão, metade com equipas do World Tour e a outra metade com formações do segundo e terceiro escalão."

Delmino Pereira cita ainda José Azevedo, director da Katusha-Alpecin: "Já não é uma corrida para rolar, nem para treinar. Esta corrida já entra no currículo. Esta corrida é importante ganhar porque o histórico nos últimos anos está recheado de ciclistas de grande prestígio." E se subir à categoria principal é algo que não está nos planos mais próximos - mas "pode vir a acontecer", segundo o presidente da federação -, continuar a "seduzir" grandes ciclistas é um dos objectivos, como por exemplo Chris Froome, Alberto Contador (que já venceu duas edições da Algarvia) e outros ciclistas do nível destes dois.

Para que tal possa acontecer, a transmissão televisiva poderá ter um papel relevante e Delmino Pereira garantiu que apesar de ser um investimento grande, compensa e é para manter.

Para o ano há mais e agora é altura do pelotão nacional concentrar-se na Volta ao Alentejo, que começa esta quarta-feira e que contará com uma equipa World Tour: a Movistar de Nelson Oliveira e Nuno Bico.

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11 de fevereiro de 2017

"[Terminar a carreira] não foi uma decisão difícil de tomar"

Antes ouvia os discursos. Agora terá de os fazer. Antes aparecia nas partidas preparado para o seu trabalho nas equipas por onde passou. Agora está nas partidas (e chegadas) a garantir que tudo está preparado para receber os ciclistas. Sérgio Sousa, director da Federação Portuguesa de Ciclismo, mostra-se encantado com a nova fase da sua vida. O ciclismo profissional chegou ao fim em 2016 por decisão do próprio e agora só pensa em conhecer todos os aspectos do "outro lado" da modalidade, fora da bicicleta. "Esta foi uma oportunidade, um desafio, que me propuseram e que eu agarro com toda a confiança", salientou ao Volta ao Ciclismo.

Passou ainda pouco tempo desde que colocou um ponto final na carreira e naturalmente que durante a apresentação das equipas em Aveiro, no passado dia 4 de Fevereiro, a cerimónia mexeu um pouco com Sérgio Sousa. "Fiz muitas apresentações ao longo da minha carreira, mas nunca fiz um discurso! Não imaginava o que era estar deste lado", disse. A decisão de deixar de ser ciclista profissional foi feita "a meio do ano passado". "Confesso que não foi uma decisão difícil de tomar. Em 12 anos penso que deixei a minha marca no ciclismo nacional. Penso que foi suficiente", afirmou. Não consegue dizer se foi o momento ideal para deixar a estrada, mas tem a certeza que se sente "capaz de agarrar este novo desafio." "Estou satisfeito. Isto dá-me uma adrenalina enorme. Tentar perceber como funciona o outro lado da modalidade foi algo que sempre me fascinou. Quem sabe se um dia serei director, depois comissário... conhecer diferentes lados!" Ou seja, podemos esperar ver um Sérgio Sousa a continuar ligado ao ciclismo. Falta saber em que diferentes papéis.


"É uma responsabilidade enorme, mas ao mesmo tempo continuo a sentir a mesma adrenalina da azáfama diária. Agora sei o que é preparar as competições, preparar toda uma época desportiva para o nosso pelotão"

Como ciclista, a sua última equipa foi a austríaca Vorarlberg, tendo em Portugal representado formações como a Efapel, Boavista e LA Alumínios-Antarte.

Apesar de estar preparado para começar uma nova função no ciclismo, Sérgio Sousa admitiu que está a ser diferente do que imaginava. "É uma responsabilidade enorme, mas ao mesmo tempo continuo a sentir a mesma adrenalina da azáfama diária. Agora sei o que é preparar as competições, preparar toda uma época desportiva para o nosso pelotão. Estou bastante satisfeito e é uma honra representar a Federação Portuguesa de Ciclismo.

Agora aproxima-se a Volta ao Algarve, a corrida portuguesa com melhor categoria na UCI (apenas abaixo das provas World Tour). Sérgio Sousa viveu bons momentos nas várias participações que conta na Algarvia, como a conquista da camisola da montanha em 2012. "Em termos de organização a Volta ao Algarve melhorou e muito e sempre teve a sorte de ter grandes equipas internacionais atraídas pela nossa gente, pelo nosso clima, pelas estradas algarvias e pela posição no calendário internacional. A organização teve o cuidado de entender o que as equipas World Tour procuram nesta altura do ano e percebeu as necessidades delas. Isso tornou-se na chave do sucesso da Volta ao Algarve", referiu.


"Eu não divido as equipas por escalão, pois um corredor de uma formação Continental, com ambição, pode conseguir mostrar-se [na Volta ao Algarve]"

No entanto, o que é uma vantagem para atrair as principais equipas - e este ano serão 12 das 18 do principal escalão a estarem presentes - é uma desvantagem para as formações portuguesas. "A Federação Portuguesa de Ciclismo teve esse cuidado de angariar, digamos assim, competições para anteceder a Volta ao Algarve de forma a preparar melhor as nossas equipas, pois sabemos que sem corridas não irão conseguir fazer frente às grandes formações." Porém, com o cancelamento da prova em Vila Nova de Cacela, o pelotão nacional só teve a Prova de Abertura na Região de Aveiro, com alguns ciclistas a também fazerem a temporada de pista. Já alguns dos principais corredores da W52-FC Porto estiveram na Volta à Comunidade Valenciana.

Mas a eventual falta de ritmo dos corredores do pelotão nacional não deverá ser sinónimo de não ter alguém a mostrar-se. E Sérgio Sousa falou Amaro Antunes, precisamente da equipa azul e branca, que no ano passado foi décimo e que na semana passada, na corrida espanhola, alcançou um excelente sexto lugar numa etapa e um a todos os níveis brilhante terceiro na tirada ganha por Nairo Quintana. "Eu não divido as equipas por escalão, pois um corredor de uma formação Continental, com ambição, pode conseguir mostrar-se."

Sérgio Sousa confessou que o seu maior sonho é que o World Tour venha a ter uma equipa portuguesa que "possa bater-se com as melhores". Não havendo... "É mais complicado". Contudo, há toda uma temporada pela frente para as formações nacionais se mostrarem e o antigo ciclista está dedicado em garantir que esteja tudo preparado para que se possa ter espectáculo nas estradas portuguesas.

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