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23 de dezembro de 2019

O momento de Frederico Figueiredo na nova fase do Tavira

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Nova fase na vida de uma das equipas de ciclismo mais antigas. Ao fim de quatro anos o Sporting deixa novamente a modalidade, ficando o Clube de Ciclismo de Tavira sem um forte suporte financeiro. Porém, já com 40 anos de muita história, o projecto algarvio é mesmo para continuar, mantendo grande parte dos ciclistas que competiram em 2019, mas com o inevitável destaque a ir para Frederico Figueiredo. Chegou o momento de um dos melhores  corredores do pelotão nacional ter o merecido estatuto de líder. É o senhor regularidade, pois terminar no top dez é algo absolutamente normal para Figueiredo, contudo, falta uma vitória e ter uma equipa a trabalhar para si para o ajudar a alcançar, algo que vai acontecer em 2020.

Desde que chegou à formação algarvia em 2017 que Frederico Figueiredo tem sido um dos elementos essenciais da estrutura. Contudo, Tiago Machado, Joni Brandão, Alejandro Marque e inicialmente até Rinaldo Nocentini, foram sendo as apostas, principalmente no que a uma Volta a Portugal, Troféu Joaquim Agostinho ou Grande Prémio Jornal de Notícias, diz respeito. Figueiredo é um gregário de luxo, sempre preparado para assumir mais responsabilidade, como já aconteceu, e sempre mostrando que poderia ser mais do que um plano B nas corridas mais importantes do calendário. Com Figueiredo, o Tavira sempre soube que teria garantia de bons resultados, mesmo que o ciclista estivesse a trabalhar para colegas.

Em 2019, Tiago Machado foi a principal figura, mas Figueiredo continuou a ser o senhor regularidade e na Volta, na montanha, foi o ciclista mais em forma do Sporting-Tavira. Preparava-se para fechar mais um top dez, mas uma queda na penúltima etapa, acabou com a sua corrida. Mesmo com uma fractura no pulso, Figueiredo subiu a Senhora da Graça, mas no dia seguinte foi impossível fazer o contra-relógio final entre Gaia e Porto.

No entanto, mais uma vez ficou-se a desejar mais e melhor para este ciclista. 2020 deverá então trazer finalmente a Figueiredo um estatuto mais forte na equipa, mesmo com Alejandro Marque também a continuar no Tavira. A saída do Sporting é um rombo no orçamento, mas depois de alguma indefinição, parte dos ciclistas de referência da estrutura vão permanecer. É o caso de David Livramento, um autêntico homem da casa e que esteve simplesmente fenomenal na última Volta a Portugal. Na ajuda, em fuga, na ajuda em fuga, Livramento foi um dos ciclistas que muito trabalhou para tentar salvar a Volta a Portugal do Tavira Curiosamente, nem estava convocado, substituindo Rinaldo Nocentini, que ficou doente.

Com Tiago Machado a não ser o líder para disputar a geral como o Sporting-Tavira desejava, mais uma vez o saldo não foi positivo, tal como grande parte da temporada. Apenas duas vitórias. César Martingil venceu a Clássica da Primavera e José Mendes sagrou-se campeão nacional, mas depois esteve apagado na Volta a Portugal e esteve discreto durante quase toda a época. É o primeiro a admitir que teve uma temporada abaixo do esperado. Nocentini, que acabaria por ficar de fora da Volta perto do início da prova, foi um erro de casting para 2019, competindo muito pouco e já não tendo muito mais para dar como ciclista. Aos 42 anos colocou um ponto final na longa carreira.

Aleksandr Grigorev, Valter Pereira e Alvaro Trueba são ciclistas de trabalho que renovaram, ainda que o russo também possa ser aposta em algumas corridas. César Martingil será novamente o sprinter de serviço, enquanto haverá mais um jovem a juntar-se ao trio de sub-23 (Ricardo Martins, Diogo Ribeiro e Rúben Simão) que este ano começou a evoluir na equipa. Marcelo Salvador chega da Sicasal-Constantinos, sendo para já o único reforço conhecido para a próxima época, mas não está afastada a possibilidade de ser contratado pelo menos mais um ciclista. Duas das principais figuras de 2019 estão de saída: Machado vai para a Efapel e José Mendes assinou pela W52-FC Porto.

O director desportivo Vidal Fitas sabe o que é ter de lutar para manter a equipa na estrada e muitas vezes nas adversidades surgem grandes figuras. Frederico Figueiredo, 28 anos, o senhor regularidade e também o senhor de confiança tem o perfil certo para assumir a responsabilidade de liderar o novo Tavira.

Equipa para 2020: Frederico Figueiredo, David Livramento, Alejandro Marque, Aleskandr Grigorev, Valter Pereira, Alvaro Trueba, César Martingil, Ricardo Martins, Diogo Ribeiro e Rúben Simão, Marcelo Salvador (Sicasal-Constantinos).

»»Sobreviver em 2019, crescer em 2020««

»»Rádio Popular-Boavista com razões para celebrar e a contratar para a montanha««

5 de agosto de 2019

Livramento preparou caminho que Marque não concluiu com a vitória que o Sporting-Tavira tanto precisa

Livramento realizou uma excelente exibição para ajudar Marque e a equipa
a vencer a etapa que acabou por escapar (Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Se há um ciclista que merecia que se entregasse um prémio da combatividade, esse é David Livramento. É um daqueles atletas de quem pouco se fala, mas que muito trabalha. É um verdadeiro homem da casa no Tavira, equipa que já passou por diferentes nomes, mas sempre com Livramento a ser um dos ciclistas de confiança. Chegou a esta Volta a Portugal chamado à última hora para substituir Rinaldo Nocentini e, para aqueles que podem não notar tão bem a importância do trabalho de alguém como Livramento, esteve na frente de uma fuga que tinha mais sete ciclistas, mas foi ele quem andou a "puxar" sozinho durante tanto tempo, na procura de abrir caminho para uma vitória que o Sporting-Tavira tanto procura e precisa, com Alejandro Marque a ser a aposta do dia.

David Livramento fez mais do que manter a fuga viva. Na subida de segunda categoria o pelotão até deixou claro que não ia perseguir o grupo da frente, mas David Livramento, sozinho (há que continuar a salientar esse aspecto), conseguiu inclusivamente aumentar em alguns segundos a vantagem, que passou a rondou os três minutos. Tempo confortável para se disputar a etapa. O Sporting-Tavira bem precisava de uma exibição de nível numa Volta a Portugal na qual lutar pela geral já não é objectivo, pelo que está em marcha o plano B: apostar forte em ganhar uma etapa.

Depois da desilusão na Torre, Alejandro Marque tentou reconquistar algum ânimo, contudo, terminou novamente triste. O trabalho de Livramento foi fenomenal, mas acabou por também permitir que os adversários se poupassem, apesar de ter imposto um ritmo elevado. Marco Tizza andou quase sempre mais na retaguarda e guardou forças essenciais para bater um Marque que não conseguiu finalizar a preparação feita por Livramento. Na derradeira subida do dia - uma terceira categoria, com final em empedrado e com uma inclinação final que até foi feita por Tizza aos ziguezagues - Marque tentou isolar-se. Livramento já tinha terminado a sua missão e houve alguns ataques e contra-ataques antes do espanhol da formação algarvia ficar na frente.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Tizza apareceu e passou directo por um Marque cujo o murro no guiador após cortar a meta espelhava bem o seu estado de alma. A última vitória de etapa na Volta a Portugal do Sporting-Tavira foi em 2016, por intermédio de Jesús Ezquerra. No ano passado, este aspecto foi atenuado pelo segundo lugar na geral de Joni Brandão. No entanto, nesta edição, Tiago Machado continua a perder tempo (está a 3:40 de Gustavo Veloso), Marque está a 7:09, sobrando o "senhor regularidade" Frederico Figueiredo, que a 2:08 pode ainda ambicionar ao top dez, mas que já foi afectado por quedas. José Mendes, campeão nacional de fundo, está "afundado" na classificação a mais de 26 minutos de Veloso.

Resultados precisam-se na equipa de Vidal Fitas que está a finalizar o contrato que liga o Clube Ciclismo de Tavira ao Sporting, sem garantia de continuidade.

Já a Amore & Vita-Prodir está a salvar a sua temporada na Volta a Portugal. Segunda vitória na corrida, a terceira da temporada. Depois de Davide Appollonio ter ganho a primeira etapa, o director Ivano Fanini avisou que a equipa queria mais. Foi um esforço tremendo de Tizza, que mal cortou a meta, não aguentou e ficou sentado junto às grades a tentar recuperar o fôlego.

O pelotão chegou 1:44 minutos depois. Houve um aceleramento na tentativa de provocar pequenos cortes e Joni Brandão (Efapel) ganhou dois segundos ao líder Gustavo Veloso (W52-FC Porto) e quatro ao segundo classificado João Rodrigues (W52-FC Porto) e ao terceiro Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano). Uma aproximação ao pódio, mas com os olhos postos na camisola amarela ainda tem 25 segundos para recuperar.

Os 158 quilómetros entre Oliveira do Hospital e Guarda foram os últimos da primeira fase da Volta, que esta terça-feira terá o seu dia de descanso com Daniel Mestre (W52-FC Porto) na liderança dos pontos, Emanuel Duarte na juventude e agora David Ribeiro na montanha, o que significa que a LA Alumínios-LA Sport veste duas camisolas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

6ª etapa: Moncorvo - Bragança, 189,2 km (quarta-feira)



O regresso à competição será o dia perfeito para os homens mais rápidos do pelotão aproveitarem a oportunidade para conquistar uma vitória, com as decisões na geral a começarem-se a jogar no dia seguinte, quinta-feira, na Serra do Larouco.

»»João Rodrigues perfeito, Veloso de amarelo, Mestre de verde. Domínio da W52-FC Porto intocável após a Torre««

»»Subida à Torre será enfrentada com ânimos diferentes««

30 de junho de 2019

Já podes sorrir Zé Mendes!

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Algo cabisbaixo, de poucos sorrisos, longe dos holofotes, José Mendes foi um importante reforço para o Sporting-Tavira tendo em conta a sua experiência internacional, mas faltava algo ao ciclista, que não deixava transparecer a alegria de outrora. A saída da Bora-Hansgrohe não foi fácil de aceitar. A passagem pela Burgos-BH foi discreta e sem história. A época na equipa portuguesa estava a ser abaixo do esperado. Mas às vezes basta um momento para dar uma volta de 180 graus. José Mendes espera que esse o momento seja quando ultrapassou Ricardo Mestre e sagrou-se campeão nacional.

O grito que lançou ao cortar a meta era mais do que de alegria. Era de desabafo. De alívio. Finalmente o melhor José Mendes conseguiu voltar a mostrar-se. "Tem sido um ano em que as coisas, por muito que tentasse, não têm corrido bem, não sei... Tentei procurar explicações, mas simplesmente as coisas não correm como se quer. Com o aproximar dos Campeonatos Nacionais, os problemas que ia tendo foram desaparecendo", explicou. "A melhor recompensa", como descreveu, chegou em Melgaço, três anos depois da primeira conquista, em Braga. Um minhoto a ganhar em casa!

Quando vestiu a camisola de campeão nacional pela primeira vez, com no ano seguinte a Bora-Hansgrohe a subir a World Tour, José Mendes era um homem de muitos sorrisos sempre que se falava daquela conquista e de onde tinha chegado na sua carreira. "Todos os dias que a visto tenho um sentimento muito especial", disse então numa entrevista ao Volta ao Ciclismo. Era um ciclista orgulhoso pela vitória que nunca hesitou em considerar a melhor da carreira. Agora passa a ter uma para rivalizar.


(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Numa disputa com o seu lado clubístico, não tivesse acabado por ser um frente-a-frente entre Sporting-Tavira e W52-FC Porto, Ricardo Mestre parecia estar bem encaminhado para chegar ao título. José Mendes não deixou e António Carvalho, que realizou uma forte recuperação, não teve metros suficientes para alcançar um dos objectivos que tanto sonha na carreira. Família, amigos, sorrisos e lágrimas do lado de José Mendes e Sporting-Tavira. Desolação do lado azul e branco depois de muito trabalhar por parte da equipa mais representada nos Nacionais: dez ciclistas. Mestre e Carvalho ficaram a dois segundos de Mendes. As camisolas verde e brancas foram seis, mas duas rapidamente começaram a ver-se mais na parte de trás da corrida.

O triunfo seguiu-se a uma corrida bem animada, atacada e incerta até final. José Gonçalves (campeão de contra-relógio e ciclista da Katusha-Alpecin) e Nelson Oliveira (Movistar) eram as grande referências internacionais, com Domingos Gonçalves (Caja Rural) à procura do segundo título consecutivo e José Neves (Burgos-BH) a tentar mostrar uma boa forma que pouco se tem visto em 2019 e ainda não foi desta. Joni Brandão, Henrique Casimiro e Bruno Silva da Efapel, João Benta e Daniel Silva da Rádio Popular Boavista, houve muita qualidade num pelotão ainda assim curto.

"Temos apenas 50 e poucos corredores a participar no campeonato nacional, mas não deixam de ser de grande nível e foi uma corrida bem disputada.  Foi dura e a grande velocidade", disse um José Mendes que tinha ao seu redor muitas pessoas a quererem celebrar a conquista, a começar pelos dois filhos. A emoção acabou por tomar conta do momento. Mais palavras ficarão para depois quando, como o próprio afirmou, digerir a vitória.


(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Foram 197 quilómetros que deixaram marca na carreira de um ciclista que chegou a ser uma peça importante na então NetApp-Endura, depois Bora-Argon18 e por fim, já no World Tour, Bora-Hansgrohe. A época menos boa de 2017 não teve perdão - ainda que tenha concretizado o objectivo de estar no Giro e feito o pleno nas grandes voltas -, pois com a equipa em fase de mudança para se tornar cada vez mais uma de topo mundial, fecharam-se as portas para o corredor português. Porém, aos 34 anos, José Mendes ganhou em Melgaço um novo ânimo para tirar o melhor partido deste seu regresso a Portugal, onde no passado representou a LA Alumínios, Liberty Seguros e também o Benfica, antes de partir para o estrangeiro, com uma passagem pela CCC.

E ânimo também se precisa no Sporting-Tavira. É que a Volta a Portugal está aí. Falta apenas um mês para o arranque. Tiago Machado apresenta-se como líder, mas José Mendes acaba por mostrar que ser apenas gregário poderá ser pouco para quem conquistou o segundo título nacional.

Para o Sporting-Tavira esta é uma vitória de extrema importância. Acaba mesmo por ser uma das mais relevantes desde o regresso do clube leonino ao ciclismo. Tinha um triunfo numa etapa na Volta a Portugal, há três anos. Soma outras vitórias, mas ganhar o título nacional de elite dá alento a uma equipa que em 2019 tinha visto apenas César Martingil levantar os braços na Clássica da Primavera, em Março. E esta é a última temporada em do contrato inicialmente acordado entre o Clube de Ciclismo de Tavira e o Sporting Clube de Portugal.

Quanto ao ciclista de Guimarães, depois da exibição em Melgaço, é mesmo caso para dizer: já podes sorrir Zé Mendes!

Classificação completa da prova de elite, via ProCyclingStats.

Aqui fica uma ronda por outros Campeonatos Nacionais:

➤ Espanha: Alejandro Valverde (Movistar)
➤ França: Warren Barguil (Arkéa-Samsic)
➤ Itália: Davide Formolo (Bora-Hangrohe)
➤ Grã-Bretanha: Ben Swift (Ineos)
➤ Alemanha: Max Schachmann (Bora-Hansgrohe)
➤ Bélgica: Tim Merlier (Corendon-Circus)
➤ Holanda: Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep)
➤ Eslováquia: Juraj Sagan (Bora-Hansgrohe)
➤ Irlanda: Sam Bennett (Bora-Hansgrohe)
➤ Áustria: Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe)
➤ Luxemburgo: Bob Jungels (Deceuninck-QuickStep)
➤ Suíça: Sébastian Reichenbach (Groupama-FDJ)
➤ Cazaquistão: Alexey Lutsenko (Astana)
➤ Letónia: Toms Skujins (Trek-Segafredo)
➤ Polónia: Michal Paluta (CCC Development Team)
➤ Rússia: Aleksandr Vlasov (Gazprom-RusVelo)
➤ Eritrea: Natnael Berhane (Cofidis)

»»Dobradinhas confirmadas mas foi necessário lutar muito para as alcançar««

»»Favoritismo confirmado no primeiro dia dos Nacionais««

27 de junho de 2019

"Nas primeiras corridas começa-se a pensar duas vezes, mas o lema é nunca desistir"

Dar o salto directamente de uma equipa de juniores para uma profissional, nem foi uma decisão difícil de tomar. Já adaptar-se ao ritmo do pelotão de elite, foi outra história. As primeiras corridas não foram fáceis para Ruben Simão, um dos três juniores que o Sporting-Tavira foi buscar à sua formação. Agora, já está mais adaptado, mas não esconde o choque inicial. O jovem de 18 anos está muito satisfeito com a experiência que está a viver, pois o director desportivo Vidal Fitas não tem exigido demasiado do corredor, deixando que prossiga a sua fase de evolução sem pressão.

"Considero que está a ser uma óptima experiência. Numa equipa profissional aprendemos muito com os ciclistas mais experientes, mas sim, é um salto bastante grande. Notei isso logo nas primeiras corridas! O nível competitivo é muito elevado e nós [juniores] não estamos habituados nem a metade disto", admitiu ao Volta ao Ciclismo. Quando chegou o momento de deixar o Sporting/Tavira/Formação Eng. Brito da Mana e escolher entre uma equipa de clube ou ir directamente para uma profissional, ponderou o seu futuro, mas sem perder muito tempo em fazer a escolha. "O que acabou por me seduzir foi já estar na equipa, ainda que nos escalões de formação. Esta é uma equipa profissional... E ter o nome Sporting... É uma das melhores equipas em Portugal, por isso, aceitei prontamente o convite. Estava ciente que ia ser difícil, mas estou cá para lutar!"

O corredor, de 18 anos, realçou que não pensa estar a saltar uma fase importante na formação como ciclista por não ter ido para uma equipa sub-23 e explicou porquê: "Aqui estou a cumprir essa fase. Em Portugal não há muitas equipas para sub-23 e esse foi um dos aspectos que ponderei, porque sabia que ia correr com os profissionais. Ficar numa equipa profissional ou sub-23 ia ser praticamente a mesma coisa." E claro, estando no Sporting-Tavira está a mostrar-se directamente aos responsáveis de uma das principais estruturas do ciclismo nacional. Além disso, está a ter a oportunidade de pedalar lado-a-lado com atletas que se habituou a ver na televisão, como Tiago Machado, por exemplo, e frisou como todos os mais experientes do Sporting-Tavira estão sempre prontos a dar conselhos para ajudar os mais novos.


"A maior dificuldade era que rapidamente ficava para trás. Não estava preparado para o ritmo"

Não hesita em agradecer por estarem a dar-lhe liberdade para evoluir, ainda que não signifique que não tenha responsabilidades. Pedem-lhe principalmente que termine as corridas, mas numa altura da temporada em que já está mais adaptado ao ritmo do pelotão, já vai tentando ajudar os colegas. "Senti bastante dificuldades, principalmente nas primeiras quatro corridas. Foi necessário ser forte psicologicamente. A maior dificuldade era que rapidamente ficava para trás. Não estava preparado para o ritmo", desabafou. "Nas primeiras corridas começa-se a pensar duas vezes, mas o lema é nunca desistir", acrescentou.

Ruben Simão, um trepador em perspectiva, explicou como fisicamente já nota a diferença, até porque, além das corridas, também os treinos são mais exigentes. Contudo, há outro aspecto importante que agora já domina bem melhor: "Nas primeiras corridas nem conseguia comer e beber e agora já consigo fazer isso melhor. Faço melhor essa gestão." Prova de Abertura Região de Aveiro, Clássica da Arrábida, Clássica Aldeias do Xisto, Troféu O Jogo, Memorial Bruno Neves, Grande Prémio Anicolor e Grande Prémio Abimota. O jovem ciclista não tem qualquer razão de queixa quanto ao tempo de corrida que tem tido. Seguem-se os Nacionais (realizam-se entre esta sexta-feira e domingo, em Melgaço), talvez o Troféu Joaquim Agostinho, para depois pensar num dos grandes objectivos da temporada, a Volta a Portugal do Futuro. "Quero lutar e se ficar no top 15 será muito bom visto ser o primeiro ano de sub-23", afirmou.

Natural de Olhão, Ruben Simão está dedicado ao ciclismo, mas vai regressar aos estudos no próximo ano lectivo. Quer entrar na universidade, sabendo que terá de gerir de outra forma do seu tempo. "Terei de saber conciliar, mas acho que vou conseguir", disse, salientando que tem de estar preparado para quando o ciclismo acabar.

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24 de abril de 2019

Seis equipas portuguesas na Volta a Castela e Leão

(Fotografia: © Photo Gómez Sport/Vuelta Castilla y León)
Seis equipas portuguesas, tantas como as espanholas, vão percorrer nos próximos três dias (quinta-feira a sábado) uma rota que respeita o Caminho de Santiago, passando pelas províncias de Burgos, Palência e Leão. Não sendo uma corrida com muita montanha, tem a suficiente para fazer diferenças e para permitir que trepadores garantam o triunfo, contudo, o percurso beneficia também ciclistas que, não sendo os puros especialistas a subir, adaptam-se bem a todo o tipo de terreno, com Jonathan Hivert (Total Direct Energie) a ser o exemplo recente, ao vencer a corrida em 2017. Há um ano Rubén Plaza (Israel Cycling Academy) ganhou pela segunda vez e vai tentar uma terceira.

Já Hivert será uma das ausências, num pelotão que conta com uma equipa World Tour, a Movistar. Nelson Oliveira estará presente, na ajuda a Carlos Barbero, com Edu Prades e Rubén Fernández a serem mais duas hipóteses para discutir a geral. Das equipas espanholas estarão ainda as Profissionais Continentais Caja Rural, Euskadi-Murias e Burgos-BH, e as Continentais Fundação Euskadi e Kometa, está última com a presença do português Daniel Viegas.

Seis formações espanholas para rivalizar com as seis portuguesas:

W52-FC Porto: Gustavo Veloso, Rui Vinhas, Daniel Mestre, Francisco Campos, Ángel Sánchez, Joaquim Silva e António Carvalho.

Sporting-Tavira: Frederico Figueiredo, José Mendes, Alvaro Trueba, David Livramento, Alejandro Marque, César Martingil e Valter Pereira.

Efapel: Bruno Silva, Marcos Jurado, Henrique Casimiro, Rafael Silva, Antonio Angulo e Pedro Paulinho.

Aviludo-Louletano: Juan Ignacio Perez, David de la Fuente, André Evangelista, Oscar Hernandez, Leonel Coutinho, Mário Barbosa e Nuno Meireles.

Vito-Feirense-PNB: Björn Thurau, Filipe Cardoso, Jesus del Pino, João Matias, Oscar Pelegrí, Pedro Andrade e Rui Rodrigues.

Miranda-Mortágua: Daniel Freitas, Hugo Sancho, Sérgio Vega, Gaspar Gonçalves, Ivo Pinheiro e Jesús Nanclares.

Do segundo escalão estarão, além das espanholas, W52-FC Porto e da Israel Cycling Academy de Plaza, a colombiana Manzana Postobón e as francesas Delko Marseille Provence e Total Direct Energie. Do nível Continental, além das cinco formações portuguesas e duas espanholas, estão inscritas a russa Lokosphinx e a japonesa Matrix Powertag, que conta com o veterano Francisco Mancebo. Aos 43 anos não dá mostras de querer parar, tendo vencido esta corrida em 2000 e 2003.

Entre os ilustres vencedores estão também Alejandro Valverde, Pierre Rolland, Alberto Contador, Alexander Vinokourov e, recuando aos anos 90, Miguel Indurain.

Lista completa de inscritos neste link, via ProCyclingStats.

1ª etapa (quinta-feira): Belorado - Castrojeriz, 181 quilómetros



2ª etapa (sexta-feira): Fromista-Villada, 170,3 quilómetros



3ª etapa (sábado): León-Villafranca del Bierzo, 151,8 quilómetros



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10 de março de 2019

Sporting-Tavira é a primeira equipa portuguesa a vencer em 2019

(© Elisabete Silva/Fotografia de arquivo)
"Venham para a estrada esta temporada, pois eu prometo vitórias." César Martingil não é um ciclista de meias palavras. Quando em Novembro foi apresentado como um dos reforços do Sporting-Tavira, de imediato assumiu, com as palavras citadas, o que pretendia alcançar. Este era o salto que o ribatejano há muito procurava e Martingil quer começar a cumprir a sua promessa já neste início de temporada. Agradece o Sporting-Tavira, pois não só conquista o seu primeiro triunfo da época, como até é a primeira equipa portuguesa a fazê-lo em 2019.

Depois de ter sido batido ao sprint por Rui Oliveira (Selecção Nacional) na Prova de Abertura Região de Aveiro, na Clássica da Primavera (não foi convocado para a Volta ao Algarve), Martingil foi o mais forte, relegando para os lugares secundários do pódio Rafael Silva (Efapel) e Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista). Aos 24 anos, chegou o momento da afirmação de mais um ciclista a sair de uma equipa que tem formado alguns dos jovens que mais se estão a destacar, como é o caso dos gémeos Oliveira e Ruben Guerreiro.

A actual Oliveirense-InOutbuild, ex-Liberty Seguros-Carlglass, teve precisamente em Martingil um dos destaques em 2018, no seu primeiro ano como equipa Continental. Ficou a dois segundos de vencer o prólogo da Volta a Portugal e foi líder da juventude até que uma queda o atirou para fora da corrida. Martingil mostrou-se assim no grande palco que é a Volta para as equipas nacionais e o Sporting-Tavira agarrou um sprinter que bem precisava.

Fábio Silvestre não conseguiu recuperar a sua melhor versão em 2017, no regresso ao país, e em 2018 sofreu uma queda muito grave logo em Janeiro, na Tropicale Amissa Bongo, no Gabão. Não competiu mais na época passada e colocou mesmo um ponto final da carreira. Vidal Fitas aposta agora em César Martingil, que pode não ter a experiência internacional que Silvestre tinha, mas compensa com os seus atributos de ser um ciclista que sabe colocar-se bem no pelotão quando quer discutir as corridas, tem capacidade de explosão e não se intimida com nada, nem ninguém. A sua dedicação à pista muito tem contribuído para a evolução que tem apresentado nos últimos três anos e que o colocaram como um sprinter a seguir no pelotão nacional, então ainda como sub-23.

O Sporting-Tavira conquistou sete triunfos em 2018 e venceu o ranking nacional colectivo, destronando a W52-FC Porto. Mas não só faltou vencer na Volta a Portugal, como a equipa ficou sem uma forte aposta para chegadas que assentam tão bem a Martingil, devido à ausência forçada de Fábio Silvestre.

A par de Francisco Campos, Martingil era um dos jovens sprinters que se esperava que desse o salto para uma equipa de maior destaque. Agora estão nas duas estruturas rivais, com o ribatejano a demonstrar tanto na primeira corrida, como agora na Póvoa de Varzim que quer tornar-se numa referência do sprint nacional.

Uma vitória não se pode considerar que a promessa está cumprida, mas certamente que mostrou aos adeptos do Sporting-Tavira que têm mesmo mais uma razão para ir para estrada e apoiar a equipa. Tiago Machado tem sido, inevitavelmente dado o seu currículo e toda a experiência, o grande destaque, mas Martingil não quer ficar na sombra do companheiro.

Quanto à corrida, Nuno Meireles (Aviludo-Louletano), Paulo Silva (Fortunna-Maia), Aitor Bugarin e Óscar González (Super Froiz) foram os fugitivos do dia. O primeiro garantiu assim a classificação da montanha, o segundo a das metas volantes e o terceiro a do pavé. A Aviludo-Louletano foi ainda a melhor equipa. Francisco Campos (W52-FC Porto) foi quarto no sprint, o que lhe valeu a distinção de melhor sub-23, naquela que foi a sua estreia com as cores da sua nova equipa, depois de uma formação de muito sucesso no Miranda-Mortágua.

Os 147,2 quilómetros ficaram marcados por percurso selectivo, com sete subidas ao Monte São Félix e passagem por sectores de empedrado. Apesar da esperada selecção de ciclistas, ainda assim a chegada foi em grupo, algo que não tem sido habitual na Clássica da Primavera. Desde 2015, que não acontecia. Foram 18 os que ficaram com o mesmo tempo de Martingil. O ciclista do Sporting-Tavira sucedeu a Domingos Gonçalves, que partiu para uma temporada fortíssima depois de vencer esta corrida em 2018 (pode ver a classificação completa neste link, pdf via Federação Portuguesa de Ciclismo)

Na terceira corrida de 2019 em Portugal, uma equipa lusa venceu finalmente, já que as viagens à Argentina, Espanha e Colômbia, também não renderam triunfos ao Sporting-Tavira, W52-FC Porto e Efapel, respectivamente. E no próximo domingo há mais. A Clássica da Arrábida é uma das corridas mais espectaculares do calendário, sendo uma prova internacional (1.2). Está marcada para domingo, 17 de Março, e pode ler mais pormenores no link em baixo.


Num fim-de-semana de muito ciclismo, destaca-se ainda a vitória de André Domingues (EC Bruno Neves) no arranque da Taça de Portugal de juniores. Foram 105 quilómetros com partida e chegada em Castelo Branco. Daniel Dias (Seissa-KTM Bikeseven-Matias & Araújo/Frulact) e André Silva (Academia Joaquim Agostinho-UDO) completaram o pódio, ficando a três segundos do vencedor.

No BTT, o romeno Vlad Dascalu (Brújula Bike Racing Team) e a portuguesa Raquel Queirós (Quinta das Arcas/Jetclass/Xarão) ganharam as provas de elite da primeira corrida da Taça de Portugal de Cross County Olímpico (XCO), disputada em Vila Franca do Lima, Viana do Castelo. 

E na vertente BMX, o espanhol Alejandro Kim (Yellow Mad BMX) é o líder da Taça de Portugal de BMX Race, depois de conquistar as duas primeiras rondas da competição, que se realizaram este fim-de-semana em Setúbal. 


4 de fevereiro de 2019

Depois do Sporting-Tavira é a vez da W52-FC Porto entrar em acção

(Fotografia: Facebook W52-FC Porto)
O Sporting-Tavira foi a primeira equipa portuguesa a sair para a estrada, viajando até à Argentina. Aleskandr Grigorev foi o melhor, ao fechar no 14º lugar a 1:48 minutos do vencedor Winner Anacona (Movistar). Agora é a vez da W52-FC Porto arrancar a sua época, tendo escolhido Espanha para as primeiras pedaladas oficiais. A Volta à Comunidade Valenciana marcará a estreia da equipa como Profissional Continental.

A W52-FC Porto está assim no segundo escalão, como há muito ambicionava e irá medir forças com algumas do World Tour: Sky, Movistar, Mitchelton-Scott, Astana, UAE Team Emirates, Katusha-Alpecin, Jumbo-Visma, AG2R, Bahrain-Merida, CCC e Dimension Data. O campeão do mundo Alejandro Valverde estará presente, assim como o vencedor da Volta a França, Geraint Thomas. E são apenas dois dos grandes nomes que estarão na prova espanhola, com alguns a terem viajada marcada para o Algarve (de 20 a 24 de Fevereiro).

Quanto à equipa portuguesa, segundo o site oficial da corrida, também deverá levar algumas das suas estrelas, a começar por três vencedores da Volta a Portugal: Raúl Alarcón, Rui Vinhas e Gustavo Veloso. No seu regresso "a casa" depois da passagem pela Caja Rural, Rafael Reis e Joaquim Silva serão aposta de Nuno Ribeiro, tal como João Rodrigues - uma das revelações da última Volta a Portugal - e o muito experiente Samuel Caldeira, que perdeu parte da temporada de 2018 devido a lesão. (* Ver nota em baixo)

A corrida decorre entre quarta-feira e domingo, com um contra-relógio a abrir e a etapa rainha agendada para sábado. O Eurosport irá transmitir a corrida em directo.

1ª etapa: Orihuela - Orihuela (10,2 quilómetros)
2ª etapa: Alicante - Alicante (166 quilómetros)
3ª etapa: Quart de Poblet - Chera (191 quilómetros)
4ª etapa: Vila-Real - Alcala-Alcocebre (188 quilómetros)
5ª etapa: Paterna - Valência (88 quilómetros)

Mais duas estreias: Amaro Antunes e José Neves

A W52-FC Porto tem boas recordação da Volta à Comunidade Valenciana. Amaro Antunes começou a dar os primeiros sinais que ia ter uma temporada de 2017 memorável na corrida espanhola, ao ser terceiro na etapa rainha, ganha por Nairo Quintana. O algarvio prepara-se agora para um momento muito especial na sua carreira. Aos 28 anos fará a estreia numa equipa World Tour, com a CCC a deter a partir de 2019 esse estatuto.

Apesar da presença do líder Greg van Avermaet, o belga está a pensar mais na preparação para as clássicas, pelo que Amaro Antunes poderá ter alguma liberdade para se mostrar logo a abrir a temporada.

José Neves também fará a sua estreia, mas pela equipa Burgos-BH, que pertence ao escalão Profissional Continental. Depois de evoluir na Liberty Seguros-Carglass e de apenas num ano na W52-FC Porto -  venceu o Troféu Joaquim Agostinho -, que acabou num estágio na formação do World Tour EF Education First, Neves dá mais um passo na carreira, ele que é um dos jovens promissores da nova geração do ciclismo nacional.

Haverá mais portugueses em prova. Rui Costa (UAE Team Emirates) irá arrancar com a sua época, enquanto José Gonçalves (Katusha-Alpecin) e Nelson Olveira (Movistar) já participaram no Challenge de Maiorca. O primeiro fez um dos troféus, enquanto o segundo esteve em três dos quatro que compõem a competição.

Pode ver neste link a lista completa de inscritos da Volta à Comunidade Valenciana.

Resultados do Sporting-Tavira em San Juan

A equipa de Vidal Fitas contou com a maioria dos ciclistas mais experientes do plantel na corrida argentina. Aleskandr Grigorev foi um dos ciclistas mais consistes do Sporting-Tavira em 2018, comprovando ser um excelente reforço. Começou bem 2019 em San Juan, demonstrando que poderão contar com ele para ser mais do que apenas gregário.

Tiago Machado, o novo líder da formação algarvia, começou logo a mostrar na fuga do primeiro dia. Fechou a corrida na 24ª posição a 3:07 minutos de Anacona. Seguiu-se Alejandro Marque, 60º a 13:24, Nicola Toffali, 80º a 18:12, o reforço José Mendes, 142º a 46:32 e o veterano Rinaldo Nocentini, 147º a 56:51.

Arranque oficial no domingo

As restantes equipas nacionais vão começar a temporada na Prova de Abertura Região de Aveiro, este domingo. O pelotão nacional reúne-se em Sever do Vouga, com 162,4 quilómetros até Estarreja, com passagem por Albergaria-a-Velha, Águeda, Oliveira do Bairro, Anadia, Vagos, Ílhavo, Aveiro, Ovar e Murtosa.

A Efapel apresentará uma equipa mais reduzida, com Américo Silva a levar duas das suas principais figuras entre os seis ciclistas eleitos, Joni Brandão e Sérgio Paulinho, à Volta à Colômbia. A formação irá competir entre 12 e 17 de Fevereiro, ao lado de equipas como a Sky, Movistar, Deceuninck-QuickStep, Astana, EF Education First e UAE Team Emirates.

Já a W52-FC Porto, apesar de ter algumas figuras na Volta à Comunidade Valenciana, como tem de ter mais ciclistas no plantel devido à subida de escalão, não terá problemas em ter uma equipa completa e forte.

* NOTA: A equipa oficial da W52- FC Porto, confirmada após o texto ter sido publicado, é: Raúl Alarcón, António Carvalho, Edgar Pinto, João Rodrigues, Joaquim Silva, Rui Vinhas e Samuel Caldeira.



23 de janeiro de 2019

Sporting-Tavira na Argentina com muita experiência e com bicicletas de travão de disco

O Sporting-Tavira não só mudou um dos seus líderes, como também vai mudar as bicicletas. A equipa algarvia é a primeira no país a passar para os travões de disco, que vão assim chegar ao pelotão português. Vidal Fitas realça como é um sistema que pode trazer vantagens e não antevê problemas, como por exemplo, no momento de ter de trocar rapidamente de rodas. De partida para a Argentina, é o arranque para uma nova temporada com novas caras e a ambição de quebrar o domínio da W52-FC Porto.

Esse tem sido o discurso de Tiago Machado desde que foi anunciado como reforço do Sporting-Tavira. Mas, para já, é altura de ganhar forma e tentar começar bem a temporada. Depois do Gabão em 2018, a equipa viaja esta quinta-feira para competir na Volta a San Juan, corrida argentina que vai contar com um lote de ciclistas muito fortes, principalmente ao nível do sprint. Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) e Mark Cavendish (Dimension Data) são alguns de cabeça de cartaz, juntando-se nomes que partem como candidatos à vitória na geral, como Nairo Quintana e Richard Carapaz (Movistar), Julian Alaphilippe (Deuceninck-QuickStep) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal). Estará ainda presente a sensação dos Mundiais de Innsbruck, com Remco Evenepoel (Deuceninck-QuickStep) a ter estreia marcada como profissional na Argentina, depois de ter ganho praticamente todas as provas de juniores em que participou em 2018.

O director desportivo do Sporting-Tavira considera importante que a equipa esteja numa corrida que terá uma cobertura mediática maior do que a do Gabão. Na corrida africana, Rinaldo Nocentini venceu duas etapas e lutar por vitórias na Argentina é algo que está nos planos. Porém, não é o principal objectivo.

"Essencialmente, o que pretendemos é ganhar ritmo competitivo para podermos depois, no início de época em Portugal, apresentar uma melhor condição do que aquela que estamos agora. No entanto, não quer dizer que, se a nossa condição der para tentar disputar a corrida ou uma etapa, não o façamos. É a primeira corrida do ano e nós não sabemos como vamos estar em relação aos nossos adversários. Essa é sempre a incógnita nesta altura. Sabes como estás, mas não sabes como estão os outros", salientou Vidal Fitas ao Volta ao Ciclismo.

O seis eleito prima pela experiência: Tiago Machado, José Mendes, Rinaldo Nocentini, Alejandro Marque, Aleskandr Grigorev e Nicola Toffali. Os dois primeiros estão de regresso a Portugal depois de vários anos a competir no estrangeiro, com presença nas três grandes voltas. Oito das nove épocas de Tiago Machado no pelotão internacional foram passados no World Tour. Aos 33 anos regressou com a ambição de lutar por vitórias, sendo o novo rosto da liderança, depois de Joni Brandão ter optado por voltar à Efapel.

(Fotografia: KTM)
A outra grande novidade para 2019 é a adopção de bicicletas com travão de disco. O Sporting-Tavira troca as Jorbi pelas KTM Revelator Lisse Prestige e seguirá a tendência que já se tem visto no World Tour. Apesar de continuar a não ser consensual entre os ciclistas a utilização deste sistema de travagem, a maioria das marcas já aposta nele.

"Praticamente, em 2019, todas as grandes marcas internacionais estão a optar por esta solução. Esta marca propor-nos isso. Em 2018, a Trek e a Specialized, por exemplo, praticamente já só tinham modelos equipados com este tipo de sistema de travagem. Do que sei, este ano, a maior parte delas também tem essa solução, portanto, se isto é uma realidade dos próximos anos, quanto mais cedo começarmos a trabalhar nela, mais cedo nos adaptaremos ao que temos de nos adaptar", explicou.

Vidal Fitas realçou que há vantagens, como a maior eficácia numa descida, por exemplo. Porém, há ainda um pouco a aprender. "Uma coisa é andar no BTT e outra é no pelotão e se ter de trocar de rodas e essas coisas todas. Há actuações que início podem correr mal, mas quanto mais cedo nos adaptarmos, mais cedo conseguimos pôr isto a funcionar", salientou. E precisamente sobre a questão de mudança de roda, que tantas vezes é essencial que decorra de forma célere, o responsável não acredita que será um problema: "É uma questão de prática, de ter as coisas mecanizadas para um novo sistema. Não estou a ver que demore assim tanto tempo. Os encaixes são fáceis. É uma questão de mecanizar bem as coisas. Não vai ser por aí que as coisas não funcionarão."

Sete etapas para todos os gostos

A Volta a San Juan realiza-se de domingo a domingo (de 27 de Janeiro a 3 de Fevereiro), com um dia de descanso na quinta-feira, 31 de Janeiro. A presença de sprinters tão importantes como os que escolheram a Argentina nesta fase inicial da temporada, tem razão de ser. Só duas etapas serão claramente para trepadores (quarta e sexta), além do curto contra-relógio de 12 quilómetros no terceiro dia.

Há um ano, a corrida teve um vencedor surpresa, com o homem da casa Gonzalo Najar (Sindicato Empleados Públicos de San Juan) a bater nomes como Rafal Majka, Tiesj Benoot e Jarlinson Pantano, por exemplo. Contudo, o ciclista de 25 anos testou positivo por CERA e terminou a época a ser suspenso por quatro anos, com a vitória a ser atribuída ao então segundo classificado, o veteraníssimo Óscar Sevilla (Medellin).

Aos 42 anos, o espanhol estará de regresso para tentar novo triunfo. A Medellin será uma das nove equipas Continentais, onde se inclui o Sporting-Tavira: Equipo Continental Municipalidad de Pocito, Asociacion Civil Mardan, Agrupacion Virgen De Fatima, Municipalidad de Rawson Somos Todos, Start Team Gusto, Team Beltrami Tsa-Hopplà-Petroli Firenze e Biesse Carrera.

Do escalão Profissional Continental estarão presentes a Androni Giocattoli-Sidermec, Neri Sottoli-Selle Italia-KTM, Nippo Vini Fantini Faizanè, Caja Rural e Israel Cycling Academy. O pelotão fica completo com as selecções da Argentina, México, Chile, Cuba, Brasil, Uruguai e Peru.

Etapas:

  • 1ª etapa: San Juan-Pocito (159,1 quilómetros)
  • 2ª etapa: Chimbas-Peri Lago Punta Negra (160,2)
  • 3ª etapa (contra-relógio individual): Pocito-Pocito (12)
  • 4ª etapa: San José de Jáchal Valle Fértil-Villa San Agustín (185,8)
  • 31 de Janeiro (quinta-feira): dia de descanso
  • 5ª etapa: San Martín-Alto Colorado (169,5)
  • 6ª etapa: Autódromo El Villicúm-Autódromo El Villicúm (153,5)
  • 7ª etapa: San Juan-San Juan (141,3)

Equipa do Sporting-Tavira em 2019: Frederico Figueiredo, David Livramento, Rinaldo Nocentini, Alejandro Marque, Aleskandr Grigorev, Valter Pereira, Nicola Toffali, Alvaro Trueba, Tiago Machado (Katusha-Alpecin), José Mendes (Burgos-BH), César Martingil (Liberty Seguros-Carglass), Ricardo Martins, Diogo Ribeiro e Rúben Simão (os três do Sporting/Tavira/Formação Eng. Brito da Mana).

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7 de janeiro de 2019

Efapel e Sporting-Tavira com viagens marcadas para a América do Sul

Joni Brandão está de regresso à Efapel
(Fotografia: Facebook Efapel)
A preparar-se para a sua segunda edição, a Volta à Colômbia promete ter novamente um pelotão com grandes nomes do ciclismo, indo desta feita mais além das muitas estrelas do país que estão no topo mundial da modalidade. Chris Froome, por exemplo, resolveu juntar-se ao vencedor de 2018, Egan Bernal, optando por arrancar a época na América do Sul em detrimento da Austrália. Julian Alaphilippe repete a presença, com Marc Soler a fazer a mesma escolha que Froome para começar 2019. Na lista de inscritos está também o português Joni Brandão.

A Efapel vai marcar presença na corrida colombiana, com o Sporting-Tavira a escolher igualmente atravessar o oceano para dar as que serão primeiras pedaladas oficiais da nova equipa de Tiago Machado e José Mendes. A formação de Vidal Fitas vai à Argentina, competir na Volta a San Juan, que já tem Peter Sagan, Mark Cavendish e Tiesj Benoot entre as confirmações, além de Fernando Gaviria e Nairo Quintana, colombianos que também estarão na corrida do seu país.

A Volta a San Juan é a primeira a realizar-se, entre 27 de Janeiro e 3 de Fevereiro. O veterano Óscar Sevilla venceu em 2018 - após a desclassificação de Gonzalo Najar devido a doping -, com Bauke Mollema a ser o mais forte no ano anterior. Já a grande vitória deste ano é a presença do ciclista que qualquer organização gosta de ver nas suas provas: Peter Sagan. O líder da Bora-Hansgrohe vai fazer muitos quilómetros de avião neste início de temporada, já que se encontra neste momento na Austrália. Além da equipa alemã, estará ainda a Deceuninck-Quick Step - Alaphilippe também estará na Argentina -, Dimension Data, Movistar, UAE Team Emirates e Lotto Soudal para fechar o grupo de estruturas do World Tour.

Do segundo escalão, destaque para a Caja Rural que levará um português: o campeão nacional de estrada e contra-relógio, Domingos Gonçalves. Acrescenta-se a Israel Cycling Academy, Androni Giocattoli-Sidermec, Neri Sottoli-Selle Italia-KTM e a Nippo Vini Fantini Faizanè.

Entre as seis Continentais surge então o Sporting-Tavira, que juntamente com a italiana Biesse Carrera Gavardo são as únicas europeias. As restantes são argentinas e a Medellín viaja da Colômbia, novamente com Sevilla como líder. 42 anos e não pensa em parar! Estão ainda previstas selecções do Brasil, Uruguai, Cuba, Chile, México e, claro, Argentina (pode ver aqui a lista de inscritos que está a ser actualizada à medida que vão sendo conhecidos os ciclistas eleitos, via ProCyclingStats). Ainda não se conhece os convocados da equipa algarvia, mas Tiago Machado, José Mendes e Rinaldo Nocentini são um trio de ciclistas com experiência ao mais alto nível do ciclismo.

Há um ano, o director desportivo Vidal Vitas arrancou a temporada em África, na Tropicale Amissa Bongo (Gabão). E Rinaldo Nocentini foi uma das figuras ao vencer duas etapas, sendo sexto na geral. Joni Brandão foi 23º, mas em 2019 optou por regressar à Efapel. Américo Silva volta assim a contar com um dos melhores corredores portugueses da actualidade, reforçando uma equipa que aposta muito forte na Volta a Portugal, juntando Joni a Sérgio Paulinho, não esquecendo outro nome que tem aparecido entre os melhores da corrida que todos mais querem vencer: Henrique Casimiro.

Joni já confirmou a sua presença na Colômbia. Com a Volta ao Algarve a atrair muitas das melhores equipas do World Tour, os corredores do pelotão nacional sabem o que é estar entre os melhores. No entanto, Froome e Quintana não têm escolhido o Algarvia para o seu calendário. Rigoberto Uran (EF Education First) e Miguel Ángel López (Astana) serão outros dois dos nomes fortes entre uma corrida colombiana que, como só poderia acontecer naquele país, é para trepadores. Mesmo ao jeito de Brandão.

Há muito que se pedia que a Colômbia tivesse uma prova que seduzisse os principais ciclistas. Tendo tantos "padrinhos" de qualidade, não está a ser difícil trazer outros nomes, de outras nacionalidades. Para Joni Brandão será uma oportunidade de ouro de estar entre os melhores voltistas. Excelente forma de começar a temporada.

A Volta à Colômbia disputa-se entre 12 e 17 de Fevereiro (pode ver aqui a lista de inscritos, que está em actualização, via ProCyclingStats). Das equipas já conhecidas, Sky, Bora-Hansgrohe, Movistar, Deceuninck-Quick-Step, Bahrain-Merida, Astana, EF Ecucation First e a UAE Team Emirates são as do World Tour confirmadas. Israel Cycling Academy, Androni Giocattoli-Sidermec e Manzana Postobón são as Profissionais Continentais, enquanto do terceiro escalão, além da Efapel, estarão presentes as colombianas EPM e GW-Shimano.

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27 de novembro de 2018

Sporting-Tavira a melhorar mas com uma época que soube a pouco

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Quando a Volta a Portugal começava a aproximar-se, Vidal Fitas via a sua equipa a melhorar a forma a cada corrida em que competia e via um Joni Brandão com capacidade para ser o líder para que foi contrato, depois de um 2017 marcado por um problema de saúde. O Sporting-Tavira demonstrava estar melhor, mais competitivo, mas conseguiria estar ao nível da arqui-rival W52-FC Porto?

A equipa começou cedo (e longe) a ganhar, ainda que tenha perdido Fábio Silvestre para toda a temporada. Aleskandr Grigorev não demorou muito a mostrar que era uma boa contratação, com Mario Gonzalez a subir de nível e com um Frederico Figueiredo igual a ele próprio. O que é sinónimo de excelência. Porém, na corrida em que se aposta praticamente tudo, o pódio foi bom, soube a pouco.

Na viagem ao Gabão, logo em Janeiro, Rinaldo Nocentini ganhou duas etapas na Tropicale Amissa Bongo. Não lhe chamem velho para o ciclismo, pois mesmo já com 41 anos, o italiano ainda tem algo para dar. Além das vitórias, o seu passado não passa despercebido e o Sporting-Tavira recebeu bastante atenção por ter nas suas fileiras um ciclista que já vestiu a camisola amarela na Volta a França. Apesar deste arranque, Nocentini não esteve o nível de 2017, mas continua a ser uma voz de comando na estrutura.

O italiano ir perdendo preponderância na disputa por vitórias não é uma surpresa. A grande questão era como estaria Joni Brandão. Em Março deu as primeiras indicações que estava a regressar ao seu melhor, com um pódio na Clássica Aldeias do Xisto. Depois, foi sempre a melhorar. Por mais que lutasse por uma vitória (foi segundo nos Nacionais) era na Volta que estava concentrado. Ele e a equipa. Já são mais de 30 anos de espera por uma conquista para o Sporting, um bastante menos para o Tavira (2011).

A época foi praticamente toda jogada na Volta a Portugal. O que não é novidade. Joni começou bem, atacou quando mais ninguém o fez numa subida na Serra da Estrela, que ficou sem Torre devido ao intenso calor (a organização decidiu mudar a etapa), o que não agradou ao líder sportinguista. Raúl Alarcón (W52-FC Porto) teve de trabalhar para deixar claro a Joni que seria preciso mais para o derrotar.

Era preciso um esforço colectivo, que foi confuso e não funcionou quando mais era necessário. Na etapa da Senhora da Graça os ataques foram infrutíferos, mal medidos e faltou um Alejandro Marque mais disponível para o papel de gregário, um Nocentini em melhor forma e ainda houve um Grigovev que ficou abaixo das expectativas depois da época que realizou. Frederico Figueiredo é bom, mas sozinho a ajudar o líder não chega para tornar a equipa forte para derrotar uma W52-FC Porto com tanta qualidade e poderio colectivo.


Ranking: 1º (2421 pontos)
Vitórias: 7 (incluindo etapas nos GP Beiras e Serra da Estrela, Jornal de Notícias e Abimota)
Ciclista com mais triunfos: Rinaldo Nocentini (2)

O segundo lugar de Joni foi merecido, mas não houve vitória de etapa e o objectivo de ganhar a Volta ficou longe de ser alcançado. Além disso, a classificação da montanha e de equipas acabou nas mãos da rival. Soube mesmo a pouco, deixando alguma frustração numa temporada em que se esperava mais quando chegou o momento para que o Sporting-Tavira mais se preparou.

A equipa foi regular, somou sete vitórias - começou a ganhar no Gabão e acabou na Ásia a conquistar a Volta à China II com Marque -, mas faltou-lhe um grande triunfo. No entanto, a regularidade valeu o primeiro lugar no ranking nacional da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, com Joni a vencer individualmente.

São três anos de parceria sempre a melhorar. Disso não restam dúvidas. Mas quando se pensava que seria em redor de Joni Brandão que o Sporting-Tavira continuaria a criar o colectivo que possa discutir a corrida mais desejada, eis que o ciclista regressa à Efapel.

Mesmo com a mudança na direcção no Sporting, a aposta no ciclismo mantém-se, com Marco Chagas a ser um "reforço", como conselheiro. O antigo corredor, de 62 anos, foi o último a vencer a Volta com a camisola verde e branca, em 1986. O investimento na equipa está a ser grande. Para já, estão garantidos dois regressos a Portugal de ciclistas com muita experiência internacional, inclusivamente do World Tour: Tiago Machado (Katusha-Alpecin) e José Mendes (Burgos-BH). César Martingil (Liberty Seguros-Carglass) viu premiada a sua boa temporada, que teve como destaque precisamente a boa exibição na Volta.

Martingil vai para a equipa para lutar nos sprints, agora que Fábio Silvestre deverá retirar-se, aos 28 anos. A queda no Gabão foi grave, com o ciclista a fracturar a tíbia e a ficar muito mal tratado. Não competiu esta temporada. De referir que também David Livramento teve uma longa paragem de cerca de quatro meses.

Marco Chagas confirmou a permanência de Nocentini, enquanto Marque até já deu as boas-vindas a Machado, recordando quando foram colegas de equipa há 14 anos, na então Carvalhelhos-Boavista. De saída está Mario Gonzalez. O espanhol que há um ano foi chamado para preencher a vaga de Brandão na Volta, em 2018 conquistou um lugar de destaque na equipa por mérito próprio, tendo vencido uma etapa no Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela. As suas exibições garantiram-lhe um contrato com a Euskadi-Murias, equipa basca que subiu ao escalão Profissional Continental esta temporada e que até se candidatou a um convite para o Tour em 2019.

Quando se fala de ciclistas regulares, Frederico Figueiredo é a definição, numa regularidade de top 10, apesar de poucas vezes ter liberdade por lutar por uma vitória para si. É um corredor a manter. A partir de agora será Machado o líder, ainda que se levante a questão se, depois de tanto tempo como gregário, poderá ser um ciclista líder que discuta a Volta. Sérgio Paulinho não conseguiu fazer essa passagem com sucesso na Efapel.

Tiago Machado é um ciclista diferente de Paulinho, um lutador por excelência e que se irá ver na frente de outras corridas antes de chegar a Volta. Não é ciclista para ser discreto agora que terá toda a liberdade. Não é um trepador nato como Joni Brandão, mas poderá defender-se na montanha e irá, certamente, realizar um trabalho mais específico para a nova função.

Contudo, além de tirar partido da qualidade individual de Machado, o desafio do Sporting-Tavira do próximo ano será ter finalmente um colectivo a funcionar ao nível de uma W52-FC Porto. A funcionar em prol do líder. Só assim será possível discutir a Volta.

2019 é o último ano de parceria do contrato assinado por quatro temporadas entre leões e o Tavira, ficando agora a curiosidade de saber se é para continuar. No entanto, não restam dúvidas que em 2019 se tentará dar mais um passo no aumento de competitividade da equipa.

Veja aqui todos os resultados do Sporting-Tavira em 2018 e das restantes equipas nacionais.

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