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31 de dezembro de 2019

Momentos de 2019 em Portugal

2020 está já aí, mas antes de se olhar para o novo ano, aqui ficam cinco marcos da época  por cá, com um inevitável destaque para a Volta a Portugal, mas sem esquecer como uma das novas estrelas do ciclismo mundial começou a mostrar-se nas estradas algarvias.

Emoção final na Volta a Portugal
(© Podium/Paulo Maria)
É inevitável começar pelo emocionante última dia de Volta a Portugal. Dois ciclistas partiram em igualdade pontual, com Joni Brandão de amarelo. Tinha a experiência do seu lado, sendo um ciclista que já havia subido ao pódio. O rival era o jovem João Rodrigues, que em dois anos teve uma rápida ascensão na hierarquia da W52-FC Porto, tendo trabalhado muito o contra-relógio. Naquele 11 de Agosto, num Porto vestido de azul e branco, Rodrigues fez valer essa aposta no esforço individual e bateu o rival da Efapel, deixando-o a 27 segundos. A emoção desportiva só beneficiou daquele ambiente sensacional na Avenida dos Aliados, num dos finais mais bonitos de anos mais recentes na Volta a Portugal. Foi uma corrida que por si só até merece outros destaques, como as vitórias de Rodrigues e de António Carvalho na Serra da Estrela (foi o regresso da Torre como local de meta) e Senhora da Graça, respectivamente, sem esquecer o triunfo no nevoeiro da Serra do Larouco de Luís Gomes, da Rádio Popular-Boavista.

Emanuel Duarte venceu juventude na Volta e conquista a do Futuro
(© Podium/Paulo Maria)
Mas destaca-se outro momento na Volta a Portugal, alargado depois à do Futuro. A vitória de Emanuel Duarte foi importante para mostrar a relevância da aposta de três equipas em serem Continentais sub-25 (denominação que não existirá em 2020, mantendo-se o escalão). Não foram anos fáceis para LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua ou UD Oliveirense-InOutBuild, mas todas tiveram os seus momentos e a vitória de Ramalho na classificação da juventude da Volta a Portugal foi o ponto alto. O ciclista da LA Alumínios-LA Sport sofreu para segurar a camisola branca e fê-lo por apenas dois segundos frente ao basco Urko Berrade (Fundação Euskadi), mas tornou-se no primeiro português a conseguir esta camisola desde David Rodrigues em 2014. Foi naturalmente um momento ofuscado pela vitória de João Rodrigues na geral, mas a conquista de Emanuel Duarte merece reconhecimento, sem esquecer que foi depois à Volta à Portugal do Futuro vencer a amarela.

Henrique Casimiro conquista Troféu Joaquim Agostinho
(© João Fonseca Photographer)
Uma vitória que também envolveu muita emoção, mas numa perspectiva diferente: "É uma vitória que dedico à família. Há seis anos, quando fiz terceiro, a minha esposa, que estava grávida, perdeu a nossa filha. Ficou prometido que venceria o Troféu Joaquim Agostinho para lhe dedicar. Mais do que um objectivo desportivo, este era um compromisso pessoal." Henrique Casimiro cumpriu a promessa e foi um homem muito emocionado no final de uma das mais importantes corridas do calendário nacional. Em 2018, quatro segundos separaram-no do primeiro lugar, em 2019 eram oito os que o mantinham novamente em segundo antes da última etapa. No Montejunto não ganhou, mas alcançou a diferença necessária para tirar a amarela a Gustavo Veloso, que até caiu para quinto. Um grande dia para um ciclista que tem sido tão importante na Efapel, muito regular e de confiança quando está na ajuda aos líderes. Prepara-se para um novo desafio na Kelly-InOutBuild-UDO.

Pogacar ascende ao estrelato no Algarve
(© João Calado/Volta ao Algarve)
O actor principal foi um esloveno, mas o palco foi a Volta ao Algarve, a corrida de categoria mais elevada na UCI em Portugal. Por isso, aqui se coloca como um dos momentos a vitória de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) primeiro no Alto da Fóia, numa exibição que - perante o que se viu mais tarde na época - foi apenas uma demonstração da enorme qualidade deste ciclista. Em segundo, o destaque vai para a conquista da Algarvia, numa luta no Malhão em que não baixou os braços e assim venceu, no seu ano de estreia no World Tour, a primeira corrida de uma carreira que tanto promete.

Mais um jovem a mostrar-se
(© João Fonseca Photographer)
A Vito-Feirense-PNB tem feito questão de ter no seu plantel ciclistas que, terminada a fase de juniores, possam evoluir como sub-23 numa estrutura profissional. A pressão é, naturalmente reduzida, mas a ambição destes jovens é sempre enorme. Pedro Andrade tornou-se num dos rostos da nova geração por dois motivos. Primeiro surpreendeu ao conquistar a sua primeira vitória, com apenas 19 anos, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota (23 de Junho), num triunfo em que não se pode esquecer a ajuda de outro ciclista jovem da equipa, João Barbosa. Segundo, Pedro Andrade tornou-se no próximo português a entrar numa das melhores equipas de formação mundial, a Hagens Berman Axeon, que irá representar em 2020. Seguirá os passos de Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira, João Almeida e André Carvalho. Este último será companheiro de equipa de Andrade, filho de Joaquim Andrade, director da Vito-Feirense-PNB e antigo ciclista, e neto de um corredor que venceu a Volta a Portugal, também de nome Joaquim Andrade.

120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo
Há que não deixar passar esta marca. É a federação mais antiga de Portugal, numa modalidade que continua a ser das mais admiradas no país, tanto entre os que seguem as corridas, como aqueles que não dispensam a bicicleta na sua vida. O trabalho do organismo abrange hoje todos, os profissionais, os amadores, aposta nas crianças num programa de apoio que chega às escolas. Mas o Ciclismo para Todos é mesmo para todas as idades. É impossível não destacar o trabalho nas selecções que tantas medalhas tem rendido, na estrada, na pista (que está perto de um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos) e no BTT. Hoje temos dois campeões do mundo de elite, Tiago Ferreira (BTT - XCM) e Rui Costa (estrada).




25 de dezembro de 2019

Dez momentos de 2019

É tempo de olhar para trás, antes de nos concentramos definitivamente em 2020. Ou seja, é tempo de recordar alguns dos momentos marcantes da última temporada. Começando lá por fora, foi um 2019 dominado pela afirmação de uma nova geração, que está a tomar de assalto o pelotão internacional e, por isso, não surpreende que parte das escolhas para os 10 momentos do ano pertençam a exibições de ciclistas que são as novas figuras da modalidade. Mas também há espaço para um veterano e, infelizmente, nem todos os momentos foram de felicidade.

O objectivo inicial era escolher cinco momentos, acabou-se com dez e mesmo assim ficaram alguns de fora. Mas aqui ficam as escolhas do Volta ao Ciclismo. A ordem é cronológica.

Philippe Gilbert venceu Roubaix e só falta Sanremo (14 de Abril)
(Fotografia: Facebook Paris-Roubaix)
Em 2017, Gilbert reacendeu o antigo sonho de conquistar os cinco monumentos ao vencer de forma brilhante, numa fuga solitária, a Volta a Flandres. Este ano, Nils Politt (Katusha-Alpecin) tentou dar luta, mas estava destinado que o fantástico ciclista belga vencesse o Paris-Roubaix e ficasse apenas com a Milano-Sanremo por conquistar para fazer o pleno. Um emotivo Gilbert celebrou muito a vitória de Roubaix, dando mais um triunfo a uma Deceuninck-QuickStep que é uma equipa especialistas em ganhar clássicas. Trocar a BMC por esta formação em 2017 foi uma escolha muito acertada de Gilbert. Porém, aos 37 anos e perante uma oferta de três anos de contrato da Lotto Soudal contra um da actual equipa, Gilbert optou por regressar a uma casa onde alcançou as primeiras grandes vitórias na carreira. Até parece certo que tente fechar o ciclo de monumentos onde o começou.

Van der Poel e uma Amstel Gold Race para a eternidade (21 de Abril)
Vão ser imagens que hão-de ser vistas e revistas durante muito tempo. Hão-de fazer parte dos grandes momentos do ciclismo e com razão. O que Mathieu van der Poel fez na Amstel Gold Race só está ao alcance dos melhores dos melhores. Quando chegou à primeira corrida das Ardenas, já trazia vitórias espectaculares alcançadas em poucas semanas e estava a marcar a época das clássicas. Mas queria mais. Parecia que estava tudo preparado para Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) - um dos homens que mais estava a ganhar - e Jakob Fuglsang (Astana) discutirem o triunfo. Tinham 40 segundos de vantagem e três quilómetros para a meta. Van der Poel fez o impensável. Arrancou com tamanha convicção, não se interessando quem se colava na sua roda, apenas olhando para quem tinha de apanhar na frente. Alaphilippe e Fuglsang podem ter exagerado no controlo um ao outro, mas o mérito esteve muito na força e crença de um Van der Poel que deixou todos de mãos na cabeça perante tal demonstração de ciclismo de ataque. Espectacular! Veja ou reveja este grande momento de 2019 no vídeo em baixo.


Queda de Chris Froome (12 de Junho)
O britânico jogava toda uma época na Volta a França e em conquistar a quinta vitória. Porém, no reconhecimento do contra-relógio do Critérium du Dauphiné, Froome sofreu uma aparatosa queda. Sofreu uma fractura no fémur, cotovelo e em algumas costelas, no esterno, osso situado na parte anterior e média do tórax, e na vértebra C7. Foi grave e as consequências assustaram. A época terminou ali e, passado meio ano, a dúvida mantém-se na própria Ineos: irá Froome conseguir recuperar o nível competitivo necessário para ganhar o Tour? O ciclista conseguiu regressar aos treinos mais cedo do que o esperado e já foi ao Japão mostrar-se, em ritmo de exibição, em cerca de três quilómetros, no habitual Critérium de Saitama de final de temporada. Mas a forma de Froome será uma das incógnitas para 2020.

Vitória de Bernal na Volta a França (28 de Julho)
(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Após um ano de estreia no World Tour de elevadíssimo nível, deveria ser raro quem não pensasse que, mais cedo ou mais tarde, Egan Bernal ia vencer a Volta a França. Foi mais cedo. A queda de Chris Froome abriu caminho à liderança do colombiano, mesmo com Geraint Thomas, o vencedor de 2018, a seu lado. A aposta da Ineos era em Bernal. O plano inicial era o colombiano atacar o Giro, mas uma queda afastou da corrida italiana. No Tour ficou a pequena frustração de ver a mãe natureza obrigar ao final antecipado da etapa que Bernal estava a demonstrar toda a sua qualidade (a 19ª). Foi o dia das impressionantes imagens do deslizamento de terra. Mas Bernal fez o suficiente para comprovar que era o mais forte e subiu merecidamente ao pódio nos Campos Elísios com a camisola amarela. Fica na história como o primeiro colombiano a fazê-lo.

Evenepoel mostrou um pouco do que se vai ver muito mais (3 de Agosto)
Talvez alguma ânsia ou mesmo alguma pressão para estar à altura do mediatismo que rodeou a sua passagem de júnior directamente para o World Tour e para a Deceuninck-QuickStep, tenha prejudicado um pouco as primeiras exibições de Evenepoel no arranque da temporada. Tom Boonen bem avisou que o jovem ciclista ia precisar de perceber que não ia ganhar tanto como aconteceu no escalão de juniores. O abandono por opção do ciclista na Volta aos Emirados Árabes Unidos não foi muito bem visto pelos responsáveis. Mais tarde, Patrick Lefevere chegou a dizer que Evenepoel estava gordo... Mas o jovem ciclista lá conseguiu fazer a transição, que se sabia ser difícil fazer em poucos dias. Demorou umas semanas, mas as exibições tornaram-se mais consistentes, venceu pela primeira vez na Volta à Bélgica, em Junho, e depois na Clássica de San Sebastián foi o Evenepoel dos ataques de longo, como tantas vezes fez em júnior. Faltavam 20 quilómetros quando se isolou e ninguém mais o apanhou. Só tem 19 anos, mas é mais um ciclista de quem se espera o que mostrou em Espanha e muito mais.

Marcel Kittel retira-se aos 31 anos (23 de Agosto)
Já se sabia que não era um ciclista feliz na Katusha-Alpecin. A chegada do antigo corredor Erik Zabel para trabalhar com alemão pareceu, numa primeira fase, algo de positivo no ânimo do sprinter alemão, mas não. Fez uma pausa em Maio e em Agosto anunciou que colocava o ponto final na carreira. Entretanto tinha sido pai e afirmou que não queria ver o filho crescer por Skype. A carreira acabou por ser curta, mas foi o tempo mais do que suficiente para ser recordado como um dos melhores sprinters. E foi mesmo!

Tadej Pogacar estrela na Vuelta (24 de Agosto a 19 de Setembro)
(Fotografia: © La Vuelta)
Até foi um compatriota que venceu, justamente, a corrida. Mas Primoz Roglic teve mesmo de partilhar a ribalta na Vuelta com mais um dos jovens com um potencial ainda por definir até onde pode ir. Tadej Pogacar começou por vencer categoricamente a Volta ao Algarve. Como esperado, foi apenas o início da sua afirmação, no primeiro ano no World Tour. A UAE Team Emirates sabe que tem uma aposta que pode ser mais do que ganha. Não era suposto fazer nenhuma grande volta esta temporada, mas depois de vencer a Volta à Califórnia e de mais umas exibições de enorme nível, a equipa levou-o a Espanha. Foi um senhor ciclista aos 21 anos. Três vitórias de etapas, terceiro na geral, vencedor da juventude, os números dizem quase tudo. Aquele penúltimo dia, na chegada à Plataforma de Gredos, Pogacar deixou a concorrência a mais de minuto e meio, sendo um dos grandes momentos de 2019.

Dilúvio em Yorkshire (22 a 29 de Setembro)
Eram uns Mundiais aguardados com alguma expectativa. Bons percursos, garantia de bom ambiente devido ao entusiástico público e muito provavelmente alguma chuva para tornar as corridas mais desafiantes. E lá isso foram. Foi uma semana quase toda de autêntico dilúvio. Quase que era difícil acreditar que se estava a assistir ciclistas caírem no que mais pareciam ser piscinas na estrada. Algumas provas, incluindo a de elite masculina, tiveram de ser encurtadas, com a chuva a marcar por completo os Mundiais de Yorkshire. Carregue no play no vídeo em baixo e veja (ou recorde) uma das imagens fortes de 2019.



Fuga de 100 quilómetros (28 de Setembro)
"Todo o dia pensei que era super estúpido." Annemiek van Vleuten teve muito tempo para pensar no que estava a fazer, pois resolveu atacar a 100 quilómetros da meta, nos Mundiais. O ciclismo feminino vai tentando ganhar o seu espaço no mediatismo e Van Vleuten bem merece tê-lo, num dos poucos dias em que não houve dilúvio a marcar as corridas de Yorkshire. Não terá sido a única a pensar como um ataque daqueles está condenado ao insucesso, mas esta é uma ciclista que, apesar dos 36 anos, continua a estar no topo. Foi uma aventura solitária que começou com menos de 50 quilómetros feitos na corrida. Dificilmente alguém acreditou ser possível chegar ao fim como vencedora, talvez mesmo as adversárias. Mas foi possível e no fim, não foi nada estúpido a forma como Van Vleuten conquistou o título mundial, deixando as adversárias a mais de dois minutos de distância.

Época de Julian Alaphilippe
(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Para o fim fica o ciclista que não é justo escolher só um momento ou só uma corrida. Foi uma temporada simplesmente fenomenal de Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep). É um homem para todo o tipo de terreno. Ganhou o seu primeiro monumento e logo o dos sprinters (Milano-Sanremo), algo que ele nem é! Mas é quase tudo o resto. Homem de ataque, novo senhor da Flèche Wallonne (segunda vitória consecutiva), ataca a subir, ataca em plano, ataca quando sente que chegou o momento para tentar vencer. Só a Amstel lhe terá provocado alguma frustração, já mais do que esquecida depois de 14 dias de amarelo na Volta a França e duas vitórias de etapa. Ao todo foram 12 triunfos em 2019. Faltou fôlego nos Mundiais, o que nem surpreendeu dada a primeira fase de temporada a todo o gás. Alaphilippe é um fora de série e em França cresce a expectativa de quando (e se) este ciclista irá pensar em tornar-se num voltista para tentar ficar com aquela camisola amarela até aos Campos Elísios. Talvez um dia, mas não para já. Ainda só tem 27 anos.

»»A imparável Deceuninck-QuickStep««

»»Uma Bora-Hansgrohe cada vez mais para todo o terreno««

27 de novembro de 2019

Um fenomenal Pogacar leva UAE Team Emirates a um nível mais alto

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Se na Ineos se diz que nasceu uma das próximas grandes figuras do ciclismo mundial, na UAE Team Emirates surgiu outra. O colombiano Egan Bernal, da equipa britânica, já tem a sua Volta à França, apenas no seu segundo ano no World Tour, mas também sabe que há uma potencial rivalidade pronta para assumir destaque na modalidade com um esloveno. Tadej Pogacar é puro talento e não perdeu tempo na sua época de estreia ao mais alto nível a conquistar grandes vitórias. E a primeira que não se esquece, foi na Volta ao Algarve.

Numa época em que a UAE Team Emirates investiu muito na contratação de Fernando Gaviria, que inclusivamente quebrou contrato com a Deceuninck-QuickStep para seguir o projecto e o dinheiro que lhe foi oferecido, acabou por ser um jovem ciclista acabinho de chegar a "roubar" quase toda a luz da ribalta, enquanto Gaviria se foi apagando entre os sprints muito aquém e uma lesão que o manteve afastado muito tempo, inclusivamente do Tour.

Esta é uma equipa que está em plena fase de mudança de mentalidade. Depois de tomar conta da antiga Lampre-Merida no final de 2016, a estrutura, agora do Médio Oriente, apostou mais em nomes já com provas dadas, aproveitando Rui Costa, que já estava na equipa, e contratando ciclistas como Daniel Martin, Alexander Kristoff e Fabio Aru. Porém, não foi alcançado o esperado a nível de triunfos e o director espanhol Joxean Fernández Matxin fez com que a equipa, enquanto tentava tirar o melhor deste trio e de Rui Costa, olhá-se para uma nova geração.

2019 foi a primeira amostra de como o trabalho está a ser feito e com Tadej Pogacar a ser simplesmente fenomenal, mas sem esquecer um Jasper Philipsen, um "licenciado" da Hagens Berman Axeon, que também esteve em destaque, além dos bons sinais dados pelo português Rui Oliveira. O irmão, Ivo, ficou com a afirmação adiada devido a uma queda gravíssima num treino, que o manteve afastado cerca de seis meses.

Daniel Martin - que está de saída para a Israel Cycling Academy - lutou contra a pressão que colocou em si próprio e que o afastou de melhores exibições; Aru foi operado à artéria ilíaca na perna - problema que levou Nuno Bico a acabar a carreira - e apesar de se ter comprometido a aparecer a bom nível na Vuelta, nem a terminou; Kristoff foi ganhando, mas são notórias as crescentes dificuldades em disputar sprints com as principais figuras. Mas houve um Tadej Pogacar, tímido e discreto fora da bicicleta, mas de enorme irreverência nas corridas.
Ranking: 4º (11765,33 pontos) 
Vitórias: 29 (incluindo três etapas na Vuelta e uma no Giro, a Volta ao Algarve, Volta à Califórnia, Volta à Noruega e Volta à Eslovénia) 
Ciclista com mais triunfos: Tadej Pogacar (8)
Com Gaviria a abandonar o Giro - venceu uma etapa, após a desclassificação de Elia Viviani - devido à lesão no joelho que o limitaria praticamente toda a temporada, foi no outro jovem, o estreante, que a UAE Team Emirates encontrou a fonte para uma boa época e o início da afirmação desejada entre as melhores equipas do mundo. O objectivo de estar entre as cinco melhores está cumprido, agora vai olhar para o top três e claro, com vontade de destronar a Ineos.

Mas para concretizar essa vontade, o necessário é elevar Pogacar ao próximo nível. O esloveno, de apenas 21 anos, deixou de ser uma promessa logo na Volta ao Algarve quando ganhou categoricamente no Alto da Fóia, segurando a geral até final. Depois foi mostrar toda a sua classe na Volta à Califórnia, tendo antes ganho a juventude na Volta ao País Basco. Porém, foi depois do que fez na Vuelta que Pogacar se transformou num ciclista que ninguém menosprezará em 2020.

Venceu três etapas, a juventude e ainda foi terceiro na geral. Além dos números, as exibições foram entusiasmantes. E nem era suposto estrear-se em grandes voltas em 2019! Não tem medo de atacar de longe, não tem receio de enfrentar sem inibições ciclistas de maior experiência. É inteligente tacticamente, completo tecnicamente, pois além de ser um excelente trepador, defende-se muito bem no contra-relógio. É impossível não pensar de como será ver um frente-a-frente entre Egan Bernal e Tadej Pogacar.

Pode parecer redutor falar da época da UAE Team Emirates quase exclusivamente na perspectiva de Pogacar, mas os seus resultados fizeram muito a diferença, enquanto ciclistas de maior estatuto estiveram abaixo das expectativas. Aru, por exemplo, vai ter um ano fulcral se quiser não só manter estatuto, como se procurar manter-se na equipa.

Mas refira-se como Jan Polanc andou de camisola rosa na Volta a Itália e de como Diego Ulissi - outra das figuras que estava na Lampre-Merida, tal como Rui Costa - continua a deixar sempre uma pequena frustração por tanto conseguir ser um ciclista capaz de discutir grandes corridas, como um que desaparece no extenso pelotão internacional.

Quanto aos portugueses, Rui Costa teve alguns bons momentos, como foi o caso na Volta à Romandia (segundo na geral) e, como tem sido normal, no final de temporada, com um 10º lugar nos Mundiais de Yorkshire. No entanto, não restam dúvidas de como está a perder estatuto e apesar de nova renovação de contrato, o seu papel será cada vez mais de apoio às figuras emergentes como Tadej Pogacar, sendo que a experiência do poveiro será essencial num grupo cada vez mais jovem desta UAE Team Emirates.

A estreia de Rui Oliveira no World Tour, outro "licenciado" da Hagens Berman Axeon, foi muito positiva, estando a transformar-se num ciclista de trabalho de muita qualidade. Ao lado de Jasper Philipsen, por exemplo, foi importante em alguns dos bons resultados deste sprinter belga, também com talento para as clássicas.

Já Ivo iniciou o seu regresso à competição na recta final da temporada e agora é aguardar que possa recuperar a sua melhor forma, tanto para se poder afirmar na estrada ao mais alto nível, como a pensar no apuramento de Portugal para os Jogos Olímpicos na vertente de pista, sendo os gémeos Oliveira elementos importantes para garantir este feito inédito.

E por falar de jovens na UAE Team Emirates, vão chegar mais uns muito prometedores: Brandon McNulty (21 anos, trepador da Rally UHC Cycling) e Mikel Bjerg (21, tricampeão mundial de contra-relógio de sub-23), com o italiano Alessandro Covi (21, Colpack) e o colombiano Andrés Ardila (20, EPM Scott) a serem mais dois ciclistas com qualidades de trepadores, com Covi a também se adaptar bem a algumas clássicas.

David Formolo (Bora-Hansgrohe), David de la Cruz (Ineos) e Joe Dombrowski (EF Education First) são contratações para equilibrar com a muita juventude, sem esquecer o veterano de 36 anos Max Richeze (Deceuninck-QuickStep), que se espera que venha a ser o líder do comboio que Gaviria deseja, sendo um reencontro depois de terem sido uma dupla de sucesso na equipa belga.

»»Versão avassaladora da Astana desaparece nas grandes voltas««

»»Reinado da Ineos continua, muda o rei««

13 de novembro de 2019

Sete equipas World Tour confirmadas com um regresso após dois anos de ausência

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
São sete as equipas do World Tour que já confirmaram a presença na 46ª edição da Volta ao Algarve. As duas melhores do ranking em 2019 vão estar nas estradas algarvias, mas o destaque acaba por ser para o regresso da Astana. Depois de dois anos de ausência, a formação cazaque aposta em Portugal para o início de temporada e tem um ciclista com algumas contas a ajustar com esta corrida.

A Deceuninck-QuickStep e a Bora-Hansgrohe, primeira e segunda do ranking, estão asseguradas. Será que é desta que Peter Sagan se deixa seduzir pelo Algarve? Por enquanto pode-se sonhar, pois no calendário já conhecido do eslovaco há uma aberta nas datas da prova portuguesa, que se realiza entre 19 e 23 de Fevereiro. Mas há mais estrelas que podem preencher o pelotão da Algarvia, pois CCC, a Groupama-FDJ, a Lotto Soudal e UAE Team Emirates não dispensaram mais uma vez viajar até ao sul do país.

Quanto à UAE Team Emirates, a questão é se trará o vencedor de 2019, Tadej Pogacar. Começou a época como jovem promessa que conquistou a sua primeira vitória como profissional na Volta ao Algarve (venceu no Alto da Fóia, a geral e a juventude) e terminou o ano como uma das novas figuras do pelotão mundial, com três etapas na Vuelta, o pódio (terceiro) e a camisola da juventude.

Quanto à Astana, Luis León Sánchez poderá ser um potencial seleccionado para estar na Volta ao Algarve. Este espanhol bem tentou estar pelo menos no pódio da corrida. Ficou perto e num ano até liderava quando sofreu uma aparatosa queda no contra-relógio de Sagres. Foi em 2016. No ano antes, havia sido quinto na geral, com sete segundos a separá-lo de Tiago Machado, terceiro nessa edição.

Em 2017 regressou com vontade de finalmente concretizar o objectivo, mas o pódio ficou a quatro segundos, com Tony Gallopin a ser terceiro. O vencedor foi Primoz Roglic, com 59 segundos a separá-lo de Sánchez. Independentemente dos ciclistas escolhidos, a forma atacante de correr da Astana, sempre à procura de vitórias, traz animação às corridas, muito ao estilo do seu director, o antigo ciclista Alexandre Vinokourov.

São esperadas que mais algumas equipas de topo de juntem às sete anunciadas pela organização esta quarta-feira. A Ineos, por exemplo, tem sido presença assídua e Michal Kwiatkowski anunciou que a Volta ao Algarve poderia estar no seu calendário de início de época. A Jumbo-Visma e a Trek-Segafredo também não têm dispensado o Algarve em edições recentes. A Cofidis prepara-se para subir ao escalão principal e também não tem falhado a corrida, cuja empresa tem sido uma das patrocinadoras.

A Algarvia faz parte do arranque do circuito ProSeries da UCI, mantendo-se como a corrida mais cotada do calendário português internacionalmente. Já são conhecidas as cidades de partida e chegada, com o contra-relógio a ser a etapa decisiva. Mais pormenores sobre o percurso no link em baixo.

»»Volta ao Algarve será decidida no contra-relógio««

8 de novembro de 2019

Volta ao Algarve será decidida no contra-relógio

(Fotografia: © João Fonseca Photographer/Volta ao Algarve)
Mantém a génese, mas "baralha" as etapas, proporcionando um fim-de-semana de tiradas decisivas. A Volta ao Algarve não sofrerá grandes alterações quanto ao percurso, nem nos locais de partida e chegada, contudo, o contra-relógio surgirá no último dia, após a subida ao Alto do Malhão, que em anos recentes tem fechado a prova. A mudança poderá obrigar a uma alteração de táctica tanto entre os ciclistas que não são especialistas no esforço individual, como nos que fazem desta vertente um (ou mesmo o) ponto forte.

Lagoa voltará a ser o palco do contra-relógio, como nas últimas duas edições, com 20,3 quilómetros para definir o vencedor da 46ª edição da Algarvia, entre 19 e 23 de Fevereiro. As etapas serão as seguintes: 
  • Portimão-Lagos
  • Sagres-Alto da Fóia
  • Faro-Tavira (mais de 200 quilómetros)
  • Albufeira-Alto do Malhão
  • Lagoa-Lagoa (20,3 quilómetros)

As distâncias e mais pormenores sobre o percurso ficaram guardados para serem divulgados mais tarde, mas a Volta ao Algarve continuará a ter duas etapas para sprinters (primeira e terceira), duas para trepadores (segunda e quarta) e um contra-relógio. Ou seja, agrada aos diferentes estilos de ciclistas, o que tem sido um ponto forte na altura de seduzir as grandes equipas e alguns dos principais nomes da modalidade a escolherem a corrida portuguesa.

A crescente concorrência em Fevereiro de provas, principalmente no Médio Oriente, não facilita as organizações das corridas europeias, mas é novamente esperado na Algarvia um pelotão muito interessante, com várias figuras do World Tour. Michal Kwiatkowski, por exemplo, já admitiu que a Algarvia está nos seus planos provisórios para o arranque de temporada. O polaco venceu em 2014 e 2018 e foi segundo em 2015 e 2017. A confirmar-se, significará que a Ineos continuará a marcar presença numa corrida que tanto gosta de ganhar. Mas para saber que equipas World Tour e Profissionais Continentais estarão presentes, também terá de se esperar mais um pouco.

Quanto ao percurso, Portimão repetirá o ponto de partida da Volta ao Algarve, depois de ter sido o local escolhido para tal em 2019. Os pontos de chegada mantêm-se inalterados, mas o contra-relógio estava colocado a meio da corrida e o Alto do Malhão tem decidido o vencedor. Em 2020, as duas passagens pela curta mas difícil subida da Serra do Caldeirão (2,5 quilómetros com inclinação média de 9,9%) serão no sábado e "divididas" por um percurso mais curto do que o que tem sido escolhido. Terá cerca de 20 quilómetros. O objectivo passa por tentar que a etapa seja ainda mais atacada, do que normalmente já é.

Para quem não é tão forte no contra-relógio, poderá estar obrigado a tentar ganhar no Malhão a maior distância possível para os especialistas, dependendo, claro, do que já terá sido feito na tradicional subida ao Alto da Fóia, na Serra de Monchique. Para esta etapa a organização desvendou também um pormenor: os ciclistas terão de subir o Alferce e Pomba, antes da Fóia e a Pomba estará muito mais perto da dificuldade final. É uma ascensão de 3,9 quilómetros com pendente média de 7,1%, cujo topo estará a apenas sete quilómetros do início da subida à Fóia. Esta terá oito quilómetros a uma média de 6,3% de inclinação. Em 2019, quase 30 quilómetros separaram a Pomba da Fóia.

A última vez que o contra-relógio decidiu o vencedor, a Algarvia foi ganha por um dos maiores especialistas de sempre: o quatro vezes campeão mundial, Tony Martin. O alemão ganhou em 2011 e 2013. No primeiro ano tirou a amarela no contra-relógio final a Steve Cummings e no segundo a Sergio Henao, tendo ganho a etapa em ambas as ocasiões.

Em 2019, o vencedor foi o jovem Tadej Pogacar, naquele que foi o arranque de uma temporada de estreia no World Tour para recordar do esloveno, umas das novas estrelas em ascensão do ciclismo mundial, que tem apenas 21 anos.

De referir que o Algarve Granfondo também já tem data marcada e em 2020 irá realizar-se no dia da última etapa da corrida, no domingo de Carnaval, em Lagoa.


14 de setembro de 2019

Roglic conquista a Vuelta e o seu lugar na história

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Em Fevereiro de 2017 escreveu-se neste blog: "Desculpa Roglic, mas vamos falar de Amaro Antunes". Nesse dia o algarvio tinha acabado de vencer no Alto do Malhão, numa Volta ao Algarve conquistada pelo esloveno. Era uma vitória demasiado importante para o ciclismo nacional para não deixar Roglic em segundo plano. Hoje tudo é diferente e Roglic merece todo o destaque. Hoje é dia de Primoz Roglic ter textos sobre ele escritos nas mais variadas línguas, lidos em todo o mundo. Sim, vai partilhar um pouco da ribalta com o compatriota Tadej Pogacar, é inevitável, mas hoje é o dia que Roglic entra para história da Eslovénia, um país que agora pode dizer que tem um vencedor de uma grande volta. Sempre se há-de recordar que Roglic foi um saltador de esqui, que começou tarde no ciclismo, mas o importante é que chegou mais do que a tempo de ter o seu lugar na história.

Pé ante pé, Roglic foi conquistando estatuto na equipa, Jumbo-Visma, e no pelotão mundial. Começou a ganhar etapas - a primeira foi no Giro logo em 2016, o seu primeiro ano no World Tour -, com foco no contra-relógio. Depois foi-se afirmando em provas de uma semana. Ainda assim, há dois anos continuava-se a duvidar que se estaria perante um voltista com capacidade para lutar pela vitória na geral. O Tour de 2018 mudou tudo. Roglic ficou à porta do pódio, falhando, curiosamente, na sua especialidade, o contra-relógio. Pagou o esforço de no dia antes ter apostado numa fuga solitária para ganhar a etapa. Não subiu ao pódio em Paris, mas foi como se gritasse bem alto que estava na altura de ter a oportunidade de ser líder indiscutível.

A Jumbo-Visma apostou tudo no esloveno no Giro, mas foi entusiasmo a mais. Entrou forte em 2019 - ganhou todas as provas até à Volta a Itália: Volta aos Emirados Árabes Unidos, Tirreno-Adriatico e Volta à Romandia - e entrou ainda mais forte no Giro, quebrando a partir do meio da corrida. Fez pódio, terceiro, o que foi um prémio merecido. Mas Roglic queria mais.

Aprendeu a lição. Surgiu na Vuelta com menos competição antes da corrida, só competindo nos nacionais, na prova em linha (foi quarto). Entrou com calma na Volta a Espanha, ainda que tenha tido um arranque acidentado com a queda colectiva no contra-relógio por equipas. Nas etapas seguintes - e na Vuelta quase todas são difíceis -, manteve-se atento aos rivais, foi controlando o seu esforço e, no contra-relógio individual (10ª etapa), venceu e vestiu a vermelha, para não mais a largar.

Foi atacado por todos e sempre respondeu. Soube aliar-se nos momentos certos a rivais para ganhar tempo a outros rivais e assim foi garantindo a vantagem que, por outro lado, foi desmoralizando uma concorrência que percebeu que Roglic estava forte de mais, física e mentalmente.

Roglic aprendeu a lição do Giro, mas a Jumbo-Visma também. Foi escolhido um grupo mais forte, entre jovens e experientes ciclistas e nem a saída de Steven Kruijswijk devido à queda na primeira etapa, enfraqueceu a equipa. Tony Martin foi o bom velho Martin ainda que também tenha abandonado por queda na antepenúltima etapa. George Bennett variou entre o melhor e uns momentos menos bons, Robert Gesink é a voz da experiência e Sepp Kuss é um jovem de grande maturidade, tendo ganho uma etapa. Lennard Hofstede e Neilson Powless cumpriram a suas funções, sendo normalmente dos primeiros a serem sacrificados juntamente com Tony Martin.

A Jumbo-Visma não foi perfeita e chegou a deixar cedo de mais o seu líder sozinho, mas também aí Roglic comprovou que é o chefe-de-fila que a equipa precisa. Respondeu com categoria às dificuldades e só o facto da Vuelta ser propícia a reviravoltas é que não deixou que se dissesse há mais tempo que a corrida estava ganha.

Na Plataforma de Gredos, Roglic pôde finalmente celebrar. Não é dos ciclistas mais efusivos, mas o lugar na história é seu. Agora há que chegar a Madrid este domingo para fechar um ciclo que a equipa da Jumbo-Visma tanto queria e começar a pensar no próximo, o da consolidação entre as melhores equipas nas grandes voltas. Ou seja, ser a grande rival da Ineos! A descendente da Rabobank ganha novamente uma grande volta dez anos depois de Denis Menchov ter conquistado o Giro. 

Foi um caminho difícil, de incerteza - a estrutura quase fechou portas quando perdeu o patrocínio da Rabobank -, mas aí está uma Jumbo-Visma a ganhar e a ser a única equipa que colocou um ciclista no pódio das três grandes voltas. Roglic foi terceiro no Giro e Kruijswijk alcançou a mesma posição no Tour.

Depois de Madrid, depois da festa será altura de assumir o próximo desafio para 2020. Roglic irá atrás da confirmação de voltista vencedor, querendo uma segunda vitória que nem sempre é fácil de alcançar. Que o diga Tom Dumoulin! O holandês que será precisamente um dos rostos novos da Jumbo-Visma para assim rivalizar com a Ineos. Conquistada a Vuelta, arranca uma nova era numa equipa que já pode dizer que sabe o que é ganhar uma grande volta em tempos recentes.

Pogacar irresistível


(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Roglic chegou tarde ao ciclismo, mas aos 29 anos está longe de ser um velho corredor. Porém, já sabe que na Eslovénia terá o seu rival na história que este país começa a escrever na modalidade. Com apenas 20 anos (faz 21 a 21 de Setembro), Pogacar já conquistou tudo e todos. Mais uma brilhante exibição na 20ª etapa, Arenas de San Pedro - Plataforma de Gredos (190,4 quilómetros). Na primeira tirada de montanha da última semana, Pogacar fraquejou um pouco, mas para quem não sabia o que era competir três semanas, ficou-se a saber que tem de facto tudo e mais alguma coisa para ser um excelente voltista.

Pogacar fez o que tão poucos têm coragem de fazer. Atacou sozinho a quase 40 quilómetros da meta. Ninguém o conseguiu ou quis seguir. Arriscou e assim garantiu a classificação da juventude que tirou a um Miguel Ángel López que antes tinha tentando atacar, mas nem ele nem a Astana já tinham forças para fazer melhor. A Movistar ficou a olhar não se sabe bem para onde e para quem e Nairo Quintana perdeu o seu lugar no pódio para Pogacar. Alejandro Valverde ainda se teve de aplicar para garantir que não cedia o segundo posto. O esloveno, sem ter qualquer ajuda dos colegas da UAE Team Emirates, saltou de quinto para terceiro, ganhou a sua terceira etapa na Vuelta e tudo na estreia de uma grande volta.

Este sábado e domingo serão dias para se falar de Roglic, mas não vai demorar a que se fala e muito deste fabuloso Pogacar. E puxando um pouco para o lado português, são dois ciclistas vencedores da Volta ao Algarve!

Classificações completas, via ProCyclingStats.

20ª etapa: Fuenlabrada - Madrid (106,6 quilómetros)



Etapa de consagração para Primoz Roglic, Tadej Pogacar e Geoffrey Bouchard (vencedor da classificação da montanha, da AG2R) e com os resistentes sprinters à procura de subir ao último pódio da Vuelta. Cai o pano na 74ª edição da corrida, na qual se celebrou 10 anos de camisola vermelha que vai para a Eslovénia.




»»Não vale tudo para ganhar««

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9 de setembro de 2019

Roglic vai aproveitando todos os rivais para consolidar a liderança

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Por um longo momento parecia que tinham desistido. Parecia que tinham aceite a superioridade de Primoz Roglic e que a Vuelta estava entregue. Tudo se pensa quando uma etapa com tanto potencial para o espectáculo e para mexer na luta pela camisola vermelha, acaba por ser das mais aborrecidas de montanha, não só da corrida espanhola, mas das três grandes voltas de 2019. Os ataques ficaram guardados bem para o fim. Não com a meta a vista, mas quase. Espectáculo não houve, tivemos direito apenas a uns minutos em que Roglic cedeu ligeiramente após o ataque de Miguel Ángel López, ganhando depois fôlego para mais uma demonstração que será preciso os rivais fazerem muito (mas mesmo muito) mais para o baterem.

Desta 16ª etapa ficará a vitória que Jakob Fuglsang há tanto tempo perseguia. O dinamarquês está a ter o melhor ano da sua carreira. Depois de conquistar o seu primeiro monumento na Liège-Bastogne-Liège, numa campanha das Ardenas simplesmente fenomenal, Fuglsang conquistou a primeira vitória numa grande volta. Cortou a meta isolado no Alto de la Cubilla e consegue assim atenuar a desilusão que foi a Volta a França, corrida que abandonou após queda. E há que não esquecer que venceu o Critérium du Dauphiné e a Ruta del Sol, fez pódio na Amstel Gold Race, Flèche Wallonne, Strade Bianche e no Tirreno-Adriatico.

(Fotografia: © La Vuelta)
Aos 34 anos, Fuglsang não só mostrou estar de regresso à melhor forma, como vive uma época marcante, que ainda deverá passar pelos Mundiais de Yorkshire.

Tal como aconteceu com Sepp Kuss (Jumbo-Visma) no sábado, Fuglsang foi lançado na frente da corrida com Luis León Sánchez a pensar numa possível ajuda a López. Porém, a Astana acabou por optar por apostar na etapa com o dinamarquês. A conquista da geral apresenta-se muito difícil. López não está tão forte como precisaria de estar nesta fase e Roglic, o líder da Vuelta, está fortíssimo.

Em três etapas de montanha, Roglic "colou-se" a rivais para ganhar vantagem a outros. Começou por aliar-se a Pogacar a deixou Alejandre Valverde, Nairo Quintana e López, para trás. No sábado foi com Valverde e aumentou o fosso para o colombiano e afastou o compatriota da UAE Team Emirates. Neste domingo, ainda viu López e Pogacar afastarem-se um pouco, mas quando resolveu que queria juntar-se à dupla, rapidamente lá chegou e deixou Valverde, o segundo classificado, para trás. Ganhou 23 segundos e tem agora 2:48 minutos sobre o espanhol da Movistar, com Pogacar a ser terceiro a 3:42 e López quarto, a 3:59. Quintana (Movistar) está em queda livre. Perdeu mais de 2:30 e já são 7:43 para Roglic. Até foi ultrapassado por Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) por três segundos.

Foi fraqueza ou táctica?

Quando Roglic não seguiu na roda de López e Pogacar - ainda tentou, mas não forçou em demasia o seu andamento - a vontade de se querer ver alguma acção ainda fez pensar que talvez fosse o momento em que a Vuelta deixaria de parecer que está praticamente resolvida. O esloveno é visto a olhar para trás, onde estava Valverde e chegou a deixar-se apanhar pelo espanhol. Pouco depois arrancou e foi o ciclista do costume nesta Vuelta: imbatível. Roglic explicou que tentou perceber como estava Valverde e só quando teve a certeza que o espanhol não estava bem é que foi atrás de López e Pogacar, consolidando assim a sua liderança, quando ficam a faltar cinco dias para o final da Vuelta, com dois a terem ainda muita montanha para ultrapassar.

Para López foi mais um dia frustrante. Desta feita atacou, ainda que foi muito tarde para fazer grandes diferenças, mas fica claro que as forças já não são muitas. Nem do colombiano, nem de ninguém. López não se aproximou de Roglic na geral, nem de Pogacar, com quem luta pelo pódio e pela liderança na juventude. 17 segundos separam os dois ciclistas.

Ruben Guerreiro, outra vez

Na etapa de Pravia  a  Alto de La Cubilla (144,4 quilómetros) é obrigatório falar mais uma vez do português da Katusha-Alpecin. Na longa subida final - quase 20 quilómetros -, a última de categoria especial da Vuelta, Ruben esteve quase sempre com os principais homens da geral. Perdeu menos de um minuto para Roglic e subiu mais um lugar na geral, sendo 15º, a 17:26 minutos. Nunca é de mais recordar dois pormenores: é a estreia numa grande volta e ainda não tem contrato para 2020...

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Aranda de Duero - Guadalajara (219,6 quilómetros)



Esta terça-feira descansa-se! E quarta é um dia estranho na Vuelta. Será a etapa mais longa, 219,6 quilómetros, sem contagens de montanha! Haverá a subida ao Alto de Carrascosa, que levará o pelotão aos 1380 metros de altitude, mas não haverá pontos em jogo, numa altura em que a liderança da montanha mudou de dono. Ángel Madrazo perdeu a camisola para o francês da AG2R, Geoffrey Bouchard. O ciclista da Burgos-BH era o líder desde a segunda etapa, a primeira em linha.

Quanto à tirada de quarta-feira, na grande volta das fugas, é mais uma oportunidade para se apostar forte em escapar ao pelotão, mas as equipas dos sprinters poderão ter outras ideias. Quinta-feira volta tudo à normalidade. Haverá mais uma etapa bem complicada de montanha, na aproximação ao grande final de Madrid.




»»Kuss e Roglic em dia perfeito para a Jumbo-Visma. Mas Ruben Guerreiro é cada vez mais uma figura da Vuelta««

»»Dois dias em que falhar poderá ser o adeus à luta pela Volta a Espanha««

7 de setembro de 2019

Dois dias em que falhar poderá ser o adeus à luta pela Volta a Espanha

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Estava tudo a correr tão calmamente, como quase todos assim o desejavam, quando um toque entre ciclistas terminou numa queda colectiva. Não ajudou estar-se no momento em que o sprint estava a ser lançado. A velocidade era grande, o susto foi ainda maior para muitos ciclistas e Luka Mezgec (Mitchelton-Scott) foi para o hospital. Tadej Pogacar foi dos ciclistas a cair completamente desamparado, mas no final da etapa não mostrava grande preocupação com o sangue visível num braço e perna. Alejandro Valverde também não escapou. Alguns dos homens da geral tiveram um final de dia atribulado, algo completamente indesejável quando vêm aí duas etapas de montanha complicadas.

A queda partiu o pelotão - que já não conta com o português Domingos Gonçalves (Caja Rural) -, ficando um grupo reduzido na frente na tirada de 188 quilómetros entre San Vicente de la Barquer e Oviedo. Tosh Van der Sande (Lotto Soudal) tentou surpreender perante a confusão, mas Sam Bennett mostrou ser o sprinter que ainda tem pernas após tanta montanha. Respondeu ao ataque, não se intimidou com a perseguição de Max Richeze (Deceuninck-QuickStep) e quase se pode dizer que o ciclista da Bora-Hansgrohe teve uma vitória fácil, a sua segunda na Vuelta.

Um breve momento para os sprinters aparecerem, pois os próximos dois dias é só montanha. Por isso, é grande a curiosidade para perceber como a queda afectou Pogacar e Valverde. O primeiro disse que "foram só uns cortes", o segundo admitiu ter dores no pulso, mas esperava que não o prejudicasse este domingo e segunda-feira.

Roglic foi dos que não ganhou para o susto. Conseguiu tirar o pé do pedal a tempo de evitar a queda dos ciclistas à sua frente. E não tem dúvidas que são alturas como esta que uma dose de sorte vem a calhar. "Estes finais são sempre muito rápidos e de doidos, por isso precisas de um pouco de sorte", desabafou.

Quanto a Mezgec, o esloveno tem uma fractura na zona da anca, mas não vai precisar de ser operado. Segundo a o médico da Mitchelton-Scott, Matteo Beltemacchi, o ciclista terá de ficar em repouso entre uma a três semanas.

Proibido falhas nas próximas duas etapas

A folga será só terça-feira, com os dois dias que se seguem a poderem definir ainda mais a classificação. Quem percegue Primoz Roglic não pode falhar mais. Miguel Ángel López (Astana), por exemplo, está proibido de falhar como em Los Machucos. As diferenças nada decidem, mas dão conforto a Roglic para poder controlar. Quinta-feira e sábado ainda haverá mais duas oportunidades para tirar a camisola vermelha ao esloveno, mas perante a vantagem do ciclista da Jumbo-Visma, é preciso começar a recuperar terreno, pois Roglic não parece estar a quebrar. Pelo contrário, dá mostras de estar a melhorar.

Recorde-se que Alejandro Valverde (Movistar) está a 2:25 minutos, Pogacar a 3:01, López a 3:18 e Nairo Quintana a 3:33. Segue-se Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) a 6:15, já longe, tal como todos os restantes no top dez. A luta deverá mesmo ser a cinco.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Aqui ficam as duas etapas que se seguem.

15ª etapa: Tineo - Santuario del Acebo (154,5 quilómetros)



Esta etapa tem a particularidade da primeira e última subida serem no mesmo local, mas por lados diferentes. Serão quatro primeiras categorias para enfrentar. Puerto del Acebo: 8,2 quilómetros com 7,1% de pendente média; Puerto del Connio: 11,7 a 6,2%; Puerto del Pozo de las Mujeres Muertas: 11,3 a 6,8%; Puerto del Acebo: 7,9 a 9,7%.

16ª etapa: Pravia - Alto de la Cubilla (144,4 quilómetros)



A tirada de segunda-feira terá a última categoria especial da Volta a Espanha. Estar de vermelho no Alto de la Cubilla poderá ser um passo de gigante rumo à vitória final. Não é das maiores dificuldades da Vuelta, numa perspectiva de ter pendentes muito complicadas. Não chega aos 10% de máxima, mas depois de tantos quilómetros, tantas montanhas, o desgaste é enorme e pode pesar numa subida tão longa como esta. Depois de uns primeiros quilómetros mais planos, são pouco mais de 100 sempre a subir e descer e qualquer uma das subidas a acabar sempre acima dos mil metros de altitude. Puerto de San Lorenzo: 10 quilómetros com 8,5% de pendente média; Alto de Cobertoria, 8,3 a 8,2%; Alto de la Cubilla, 17,8 a 6,2%.




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6 de setembro de 2019

A aliança perfeita. Até quando?

(Fotografia: © Bettiniphoto/UAE Team Emirates)
Fabio Aru abandonou a Vuelta. E no entanto, nem na própria equipa se pensa muito nessa saída. A UAE Team Emirates tem a sua nova estrela, uma que está a confirmar e até a superar as expectativas na corrida. Tem apenas 20 anos (faz 21 a 21 de Setembro), está na sua primeira grande volta, ganhou a sua segunda etapa, subiu a terceiro na geral e é difícil não pensar que vai olhar mais para cima. Tadej Pogacar só não é o centro das atençōes na Volta a Espanha porque Primoz Roglic está igualmente fenomenal. Contudo, na equipa dos Emirados não há dúvidas que Pogacar receberá toda a atenção, agora e no futuro.

Aru vai ter uma concorrência forte em 2020. Terá mesmo de produzir boas exibições e alcançar resultados de nota rapidamente se quiser tentar manter estatuto de líder, ainda que seja inevitável partilhá-lo com Pogacar. Mas há tanto tempo que não se vê o melhor de Aru... Na Vuelta em que queria mostrar que o pior já tinha passado - foi operado a uma perna, num problema que o estaria a limitar fisicamente - acaba por sair devido a uma lesão muscular. Ainda se mostrou após a queda no contra-relógio colectivo que afectou quase toda a equipa, mas acabou por se "apagar" por completo. Por outro lado, Pogacar - que até estava previsto estrear-se em provas de três semanas apenas 2020 - está a ser mais um dos jovens talentos com muito futuro a tornar-se numa figura do presente, à imagem de Egan Bernal, Mathieu van der Poel, Wout van Aert, Remco Evenepoel... E já se sabe como esta lista é longa e com tanta qualidade.

Depois de vencer em Cortals d’Encamp, na difícil de etapa de Andorra, foi rei em Los Machucos, uma daquelas subidas que quebra o melhor dos trepadores. Que o diga Miguel Ángel López! Houve uma aliança entre Pogacar e Roglic (Jumbo-Visma), dois ciclistas que estão a colocar a Eslovénia cada vez mais no mapa do ciclismo. Roglic nem tentou disputar a vitória de etapa nos metros finais, mas tal não retira mérito a Pogacar, que foi quem lançou o ataque que deixou todos os rivais para trás e levou Roglic na roda durante bastante tempo.

Uma ajuda preciosa ao camisola vermelha, que também acelerou e fez o seu trabalho para aumentar uma vantagem que os rivais tanto falavam em querer reduzir, naquele que diziam ser o seu terreno. O problema para López, Nairo Quintana e Alejandro Valverde é que a montanha é também cada vez mais o terreno de Roglic, além do contra-relógio.

A aliança eslovena levou ainda Pogacar à liderança na juventude e deixa Roglic com 2:25 minutos de vantagem sobre Alejandro Valverde e 3:33 sobre Nairo Quintana. Os corredores da Movistar perderam 27 segundos nos Los Machucos, mas o maior derrotado foi López. O colombiano perdeu 1:01 depois da Astana ter assumido a corrida, numa perseguição a alta velocidade que, não só não quebrou a Jumbo-Visma como pretendia, como talvez tenha desgastado o próprio líder. López saiu do pódio e tem de recuperar 3:18 minutos para Roglic.

A aliança Roglic/Pogacar até foi "anunciada" no final da etapa de quinta-feira, em Bilbau. A cumplicidade entre ambos foi demonstrada ao cortarem a meta, com um cumprimento e uma animada troca de palavras. Em Los Machucos, Roglic foi cumprimentar Pogacar (e se lhe agradeceu, fez muito bem), mas, e agora? Se Pogacar mantiver a forma, até quando vai durar esta aliança? Quando irá Pogacar atacar o compatriota?

As etapas de domingo e segunda-feira serão mais duas muito complicadas. Os eslovenos podem ter mais uma oportunidade de deixar a concorrência para trás antes de eventualmente se tornarem rivais. Pogacar afirmou querer ficar no pódio com Roglic, contudo, a competir assim, vai querer mais do que um terceiro ou segundo posto, ocupado por Valverde. A concorrência é que levou um rude golpe. Este Roglic, não é o ciclista do Giro e vai dando mostras de estar em crescendo na Vuelta. 

Ninguém vai desistir, pois na Volta a Espanha basta um dia mau para que haja nova reviravolta na geral. Mas lá que Roglic está bem encaminhado para um vitória histórica para o seu país, isso é difícil não começar a pensar. "Só" falta saber se aguenta a condição física e se Pogacar não se vai tornar ou não numa preocupação. Se Roglic não falhar e se Pogacar mantiver o nível, López terá mesmo de ser um Super-Homem para ganhar, com Quintana e Valverde a também precisarem de super poderes.

Da Eslovénia até Portugal. Não se pode deixar de referir mais uma excelente prestação de Ruben Guerreiro. Integrou novamente a fuga que desta feita não singrou, mas fez uma boa subida em Los Machucos, terminando na 11ª posição, a 1:13 minutos de Pogacar. Esta é uma subida com pendentes de 25%, com o mais fácil a rondar os 10%, salvo umas curtas fases de descanso. O português da Katusha-Alpecin subiu uma posição na geral, sendo 19º a 18:13 minutos de Roglic. Que Vuelta tão positiva está a fazer Guerreiro, na sua primeira grande volta. Assim, é bem provável que um novo contrato no World Tour esteja a caminho.

Classificações completas, via ProCyclingStats.


14ª etapa: San Vincente de la Barquera - Oviedo (188 quilómetros)


Antes de duas etapas muito importantes na luta pela geral, a organização da Vuelta vai deixar os sprinters terem novamente o seu momento. Será preciso haver força nas equipas destes ciclistas para perseguir a fuga, mas tendo em conta que as oportunidades são tão escassas, até a terceira categoria que não podia faltar para dificultar um pouco as coisas, poderá não afastar Sam Bennett, Fabio Jakobsen e Fernando Gaviria, por exemplo, de lutar pela vitória.




»»Philippe Gilbert mostra como se reage a uma desilusão««

»»A vitória que poderá dar um empurrão à continuidade da equipa««