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31 de dezembro de 2019

Momentos de 2019 em Portugal

2020 está já aí, mas antes de se olhar para o novo ano, aqui ficam cinco marcos da época  por cá, com um inevitável destaque para a Volta a Portugal, mas sem esquecer como uma das novas estrelas do ciclismo mundial começou a mostrar-se nas estradas algarvias.

Emoção final na Volta a Portugal
(© Podium/Paulo Maria)
É inevitável começar pelo emocionante última dia de Volta a Portugal. Dois ciclistas partiram em igualdade pontual, com Joni Brandão de amarelo. Tinha a experiência do seu lado, sendo um ciclista que já havia subido ao pódio. O rival era o jovem João Rodrigues, que em dois anos teve uma rápida ascensão na hierarquia da W52-FC Porto, tendo trabalhado muito o contra-relógio. Naquele 11 de Agosto, num Porto vestido de azul e branco, Rodrigues fez valer essa aposta no esforço individual e bateu o rival da Efapel, deixando-o a 27 segundos. A emoção desportiva só beneficiou daquele ambiente sensacional na Avenida dos Aliados, num dos finais mais bonitos de anos mais recentes na Volta a Portugal. Foi uma corrida que por si só até merece outros destaques, como as vitórias de Rodrigues e de António Carvalho na Serra da Estrela (foi o regresso da Torre como local de meta) e Senhora da Graça, respectivamente, sem esquecer o triunfo no nevoeiro da Serra do Larouco de Luís Gomes, da Rádio Popular-Boavista.

Emanuel Duarte venceu juventude na Volta e conquista a do Futuro
(© Podium/Paulo Maria)
Mas destaca-se outro momento na Volta a Portugal, alargado depois à do Futuro. A vitória de Emanuel Duarte foi importante para mostrar a relevância da aposta de três equipas em serem Continentais sub-25 (denominação que não existirá em 2020, mantendo-se o escalão). Não foram anos fáceis para LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua ou UD Oliveirense-InOutBuild, mas todas tiveram os seus momentos e a vitória de Ramalho na classificação da juventude da Volta a Portugal foi o ponto alto. O ciclista da LA Alumínios-LA Sport sofreu para segurar a camisola branca e fê-lo por apenas dois segundos frente ao basco Urko Berrade (Fundação Euskadi), mas tornou-se no primeiro português a conseguir esta camisola desde David Rodrigues em 2014. Foi naturalmente um momento ofuscado pela vitória de João Rodrigues na geral, mas a conquista de Emanuel Duarte merece reconhecimento, sem esquecer que foi depois à Volta à Portugal do Futuro vencer a amarela.

Henrique Casimiro conquista Troféu Joaquim Agostinho
(© João Fonseca Photographer)
Uma vitória que também envolveu muita emoção, mas numa perspectiva diferente: "É uma vitória que dedico à família. Há seis anos, quando fiz terceiro, a minha esposa, que estava grávida, perdeu a nossa filha. Ficou prometido que venceria o Troféu Joaquim Agostinho para lhe dedicar. Mais do que um objectivo desportivo, este era um compromisso pessoal." Henrique Casimiro cumpriu a promessa e foi um homem muito emocionado no final de uma das mais importantes corridas do calendário nacional. Em 2018, quatro segundos separaram-no do primeiro lugar, em 2019 eram oito os que o mantinham novamente em segundo antes da última etapa. No Montejunto não ganhou, mas alcançou a diferença necessária para tirar a amarela a Gustavo Veloso, que até caiu para quinto. Um grande dia para um ciclista que tem sido tão importante na Efapel, muito regular e de confiança quando está na ajuda aos líderes. Prepara-se para um novo desafio na Kelly-InOutBuild-UDO.

Pogacar ascende ao estrelato no Algarve
(© João Calado/Volta ao Algarve)
O actor principal foi um esloveno, mas o palco foi a Volta ao Algarve, a corrida de categoria mais elevada na UCI em Portugal. Por isso, aqui se coloca como um dos momentos a vitória de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) primeiro no Alto da Fóia, numa exibição que - perante o que se viu mais tarde na época - foi apenas uma demonstração da enorme qualidade deste ciclista. Em segundo, o destaque vai para a conquista da Algarvia, numa luta no Malhão em que não baixou os braços e assim venceu, no seu ano de estreia no World Tour, a primeira corrida de uma carreira que tanto promete.

Mais um jovem a mostrar-se
(© João Fonseca Photographer)
A Vito-Feirense-PNB tem feito questão de ter no seu plantel ciclistas que, terminada a fase de juniores, possam evoluir como sub-23 numa estrutura profissional. A pressão é, naturalmente reduzida, mas a ambição destes jovens é sempre enorme. Pedro Andrade tornou-se num dos rostos da nova geração por dois motivos. Primeiro surpreendeu ao conquistar a sua primeira vitória, com apenas 19 anos, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota (23 de Junho), num triunfo em que não se pode esquecer a ajuda de outro ciclista jovem da equipa, João Barbosa. Segundo, Pedro Andrade tornou-se no próximo português a entrar numa das melhores equipas de formação mundial, a Hagens Berman Axeon, que irá representar em 2020. Seguirá os passos de Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira, João Almeida e André Carvalho. Este último será companheiro de equipa de Andrade, filho de Joaquim Andrade, director da Vito-Feirense-PNB e antigo ciclista, e neto de um corredor que venceu a Volta a Portugal, também de nome Joaquim Andrade.

120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo
Há que não deixar passar esta marca. É a federação mais antiga de Portugal, numa modalidade que continua a ser das mais admiradas no país, tanto entre os que seguem as corridas, como aqueles que não dispensam a bicicleta na sua vida. O trabalho do organismo abrange hoje todos, os profissionais, os amadores, aposta nas crianças num programa de apoio que chega às escolas. Mas o Ciclismo para Todos é mesmo para todas as idades. É impossível não destacar o trabalho nas selecções que tantas medalhas tem rendido, na estrada, na pista (que está perto de um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos) e no BTT. Hoje temos dois campeões do mundo de elite, Tiago Ferreira (BTT - XCM) e Rui Costa (estrada).




30 de dezembro de 2019

Mais um ano de vitórias, uma nova figura central, mas um 2020 a começar com uma preocupação

(© João Fonseca Photographer)
A nível interno foi um ano habitual para a W52-FC Porto. Ou seja, soma vitórias durante todo o ano, com diferentes ciclistas e termina a ganhar a Volta a Portugal. A novidade chamou-se João Rodrigues, que aproveitou a oportunidade para se tornar numa das figuras do ciclismo nacional. Há um ano foi o gregário de luxo de Raúl Alarcón, em 2019 foi ele o dono da camisola amarela na Volta. Porém, sendo Profissional Continental, olhava-se para a W52-FC Porto com outra responsabilidade a nível internacional. Somou alguns top dez, mas não será aposta para continuar.

Apesar da subida de escalão, o director desportivo Nuno Ribeiro deixou sempre bem claro que os objectivos internos mantinham-se inalterados. E mais uma vez esta W52-FC Porto demonstrou todo o seu poderio, reforçado por ser Profissional Continental. Plantel maior e reforçado com referências das equipas rivais, como Daniel Mestre e Edgar Pinto (Efapel e Vito-Feirense, respectivamente), recuperando Joaquim Silva e Rafael Reis (estavam na Caja Rural) e começando o trabalho com dois jovens da Miranda-Mortágua, Jorge Magalhães e Francisco Campos.

É este lado de desenvolver jovens da W52-FC Porto que se tem de falar dado o sucesso de João Rodrigues. Está desde 2016 na equipa, tem apenas 25 anos e foi sendo preparado precisamente para o momento que viveu em Agosto, numa Avenida dos Aliados com um ambiente sensacional para consagrar o vencedor da Volta a Portugal. O plano inicial era ser aposta no início da temporada, para ser testado no papel de líder. Ganhou a Volta ao Alentejo, tendo no contra-relógio alcançado a sua primeira vitória como profissional.

A Volta era para Raúl Alarcón, que ia procurar a terceira conquista. Caiu no Grande Prémio Abimota, partiu a clavícula e ficou de fora. Gustavo Veloso foi chamado para substituir e há muito que não se via o espanhol àquele nível. Mas era a Volta de Rodrigues, que não se assustou com um Joni Brandão (Efapel) forte. O colectivo da W52-FC Porto voltou a fazer a diferença e no final, quando tudo dependia só dele, Rodrigues fez valer toda a sua preparação nos últimos dois anos para se tornar num bom contra-relogista. António Carvalho, Ricardo Mestre, Daniel Mestre (vencedor da classificação dos pontos), Edgar Pinto e um Samuel Caldeira que foi uma autêntica locomotiva a puxar o pelotão em muitas etapas, controlaram a corrida. A equipa venceu ainda cinco etapas, incluindo na Serra da Estrela e na Senhora da Graça!

Mas há que dar valor a toda a temporada. 18 vitórias (etapas, clássicas e classificações gerais), ao que se junta mais 15 classificações como montanha, pontos e por equipas. Ganharam os mais experientes - Ricardo Mestre conquistou o Grande Prémio Jornal de Notícias, por exemplo -, ganharam os mais novos, com Francisco Campos a fechar o ano a vencer a Rota da Filigrana, a nova corrida do calendário nacional, depois de já ter ser o mais forte no Grande Prémio Anicolor.

Lá fora, Edgar Pinto foi a principal escolha. Já tem experiência após dois anos na Skydive Dubai e em 2018, já no Feirense, venceu a Volta à Comunidade de Madrid. Este ano venceu uma etapa nas Astúrias e foi quinto na Volta à Turquia, uma corrida World Tour. Já na recta final da temporada, Joaquim Silva foi à China ser sétimo, depois de ter sido 10º no Luxemburgo.

No entanto, esta aposta na subida de escalão não compensou o esforço financeiro dos patrocinadores. Em algumas corridas lá fora, principalmente por Espanha, a W52-FC Porto esteve um pouco aquém do valor que tinha. A equipa estará de regresso ao nível Continental em 2020. Esta situação levou ciclistas como Joaquim Silva (Miranda-Mortágua), Rafael Reis (Feirense) e António Carvalho (Efapel) a mudarem de ares, à procura de mais liberdade para alcançar os seus resultados, já que não haverá tantas corridas para dividir lideranças. César Fonte também está de saída para a Efapel.

Nada que preocupe em demasia Nuno Ribeiro, que recuperou Amaro Antunes, de regresso após dois anos na CCC. Vai partilhar estatuto de líder com João Rodrigues, depois de ter feito uma dupla imbatível com Alarcón. Um desafio interessante. De um lado um Rodrigues vencedor da Volta e que quer mais de forma a ambicionar chegar a uma equipa World Tour, do outro um Amaro à procura de repetir o fabuloso ano de 2017.

Mas a maior preocupação não será conjugar estes dois ciclistas, mas sim lidar com uma indefinição chamada Alarcón. O espanhol está suspenso provisoriamente por suspeita de "uso de métodos proibidos e/ou substâncias proibidas", segundo a UCI. Não só a W52-FC Porto não sabe se poderá contar com Alarcón em 2020, como se o pior acontecer e o ciclista for sancionado, uma das dúvidas é se as irregularidades abrangem as duas Voltas a Portugal que venceu.

Será impossível afastar o fantasma que esta situação trará à equipa até que o caso seja concluído. Entretanto, além de Amaro Antunes, foi anunciado como reforço José Mendes. O campeão nacional vai deixar o Sporting-Tavira para vestir de azul e branco, mas terá um papel mais de apoio aos líderes, diferente do que aconteceu na formação algarvia. O espanhol Raúl Rico, que em Junho assinou pela Vito-Feirense-PNB, também é dado como ciclista da formação do Sobrado em 2020.

A equipa continuará forte naquele que será o ano de despedida de Gustavo Veloso, mas a Efapel está a tentar aproximar-se do nível da rival. O projecto de ser Profissional Continental foi curto, mas não restam dúvidas que para 2020, mesmo com as saídas e a dúvida sobre Alarcón, a W52-FC Porto será novamente a equipa que todos quererão bater e não será fácil.

Veja neste link todas as vitórias da W52-FC Porto e das restantes equipas portuguesas de elite.

Equipa para 2020: João Rodrigues, Rui Vinhas, Edgar Pinto, Samuel Caldeira, Daniel Mestre, Ricardo Mestre, Francisco Campos, Jorge Magalhães, Raúl Alarcón, Gustavo Veloso, Tiago Ferreira, Amaro Antunes (CCC), José Mendes (Sporting-Tavira), Raúl Rico (Vito-Feirense-PNB).


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11 de agosto de 2019

João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Não era para ser já. João Rodrigues estava a ser preparado para assumir a responsabilidade de liderar a W52-FC Porto na Volta a Portugal em breve. Mas não já. A equipa acreditava que estava perante um ciclista que tinha tudo para ganhar a Volta. Mas não já. O ano começou com o algarvio a ser testado nesse papel de líder. Passou exemplarmente, com destaque para a vitória na Alentejana, mas não só. A Volta era para Raúl Alarcón. Contudo, uma queda trocou as voltas ao espanhol, vencedor das últimas duas edições. Não era para ser já, mas teve mesmo de ser e não havia razões para hesitar. Rodrigues foi eleito um dos líderes. Gustavo Veloso acabou por estar muito tempo na linha da frente, mas mais uma queda trocou mais umas voltas, mas não a Volta de João Rodrigues. Venceu justamente a Grandíssima que em 2019 fez jus ao nome, tal como teria sido justo se Joni Brandão a tivesse conquistado. Numa Avenida dos Aliados vestida de azul e branco, levantou o troféu o algarvio que conquistou o norte.

Um jovem Rodrigues, de apenas 18 anos, viveu uma experiência que não esqueceu quando em 2015 fez a estreia na Volta a Portugal. Sofreu, mas terminou. Desde logo ficou a vontade de trabalhar mais e melhor para um dia regressar e cumprir o sonho de ser o campeão. Deixou a equipa da sua região, o Tavira, quando a W52-FC Porto o chamou para lhe permitir evoluir e explorar o potencial que os responsáveis viam em Rodrigues. Durante duas temporadas, o algarvio foi sendo preparado, em corridas em que tinha a responsabilidade de trabalhar para colegas, mas sem a pressão de apresentar resultados.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
João Rodrigues preferiu dar este passo em detrimento de procurar uma equipa de clube, por exemplo, onde, como sub-23, talvez pudesse ter mais destaque. No entanto, não só nunca se arrependeu da escolha, como em 2018 ficou claro como tinha sido a mais correcta. Finalmente regressou à Volta a Portugal. Um João tão diferente do jovem inexperiente de 2015. Apareceu em grande na fase decisiva da corrida, contribuindo e muito para que Alarcón vencesse pela segunda vez. O verdadeiro gregário de luxo, mas que mostrava que podia ser mais.

Esta época deram-lhe liberdade na "sua" Volta ao Algarve e João Rodrigues fez nono, um ano depois de até ter ido ao pódio para vestir a camisola azul da montanha, ainda que só por um dia. Nesse top dez ficaram nomes como Wout Poesl (Ineos), Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) e Sam Oomen (Sunweb), por exemplo, sem esquecer o vencedor Tadej Pogacar (UAE Team Emirates), um dos jovens que este ano se afirmou no World Tour.

Rodrigues continuou a afirmar-se por cá. Por agora... A W52-FC Porto apostou nele para a Clássica da Arrábida, mas um azar na subida final, tirou-o da discussão. Foi à Volta ao Alentejo alcançar finalmente a sua primeira vitória como profissional. Um contra-relógio, uma especialidade que nos últimos dois anos tanto tem trabalhado. Venceu mesmo a geral e até lhe custava acreditar no que tinha acabado de alcançar. Mal ele sabia que um fantástico 2019 estava apenas a começar! Seguia-se a possibilidade de se mostrar numa corrida World Tour. Ficou doente e a Volta a Turquia ficou fora do seu calendário, para sua enorme desilusão.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Mas ainda tinha tanto por ambicionar. Seria sempre um dos planos da equipa para a Volta a Portugal, mesmo com Raúl Alarcón como primeira escolha. Uma fractura na clavícula no Grande Prémio Abimota afastou o esapnhol. Rodrigues acabou como provável número um, mesmo que Gustavo Veloso, o suplente chamado à última hora, surgisse numa forma como já não se esperava. Rodrigues respeita a hierarquias e sempre colocou Veloso como líder, ainda mais com o espanhol de amarelo. No entanto, foi o algarvio que foi rei na Torre, um sinal que estava mesmo muito bem. A queda em Bragança foi um enorme susto. Rodrigues ainda foi ao hospital, mas estava tudo bem. Veloso ficou pior, além de Daniel Mestre ter partido uma costela.

A Volta deu mesmo uma volta, com Joni Brandão a aparecer em grande e a W52-FC a fraquejar um pouco. Só um pouco. Rodrigues respondeu na Senhora da Graça ao segundo de desvantagem e partiu de igual para igual com Brandão para o contra-relógio. A especialidade que tanto tem trabalhado acabou por lhe render duas conquistas no ano em que se tornou definitivamente uma figura do pelotão nacional.  27 segundos ficaram a separar os dois após 19,5 quilómetros entre Gaia e Porto. Não ficaram dúvidas de quem era o mais forte, tal como não ficam dúvidas que Rodrigues é o mais recente valor nacional a despontar e logo com a vitória mais desejada.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
E não esquecer, além das duas etapas do algarvio, Samuel Caldeira ganhou o prólogo, Daniel Mestre a terceira etapa e ainda conquistou a classificação dos pontos, mesmo com a costela partida. António Carvalho venceu na Senhora da Graça e a W52-FC Porto foi novamente a vencedora por equipas.

João Rodrigues tem 24 anos, faz 25 a 15 de Novembro. Vão colocar-se questões sobre o seu futuro. Vai a W52-FC Porto colocá-lo como líder indiscutível para a Volta de 2020, ou irá partilhar o estatuto de Alarcón? Irá Rodrigues ficar por Portugal? Apesar de sair para equipas com outros potenciais ser objectivo para qualquer ciclista, também é verdade que alguns valores nacionais têm feito carreira por cá: Joni Brandão (Efapel) e Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) são dois exemplos disso mesmo.

Haverá tempo para responder às questões sobre o futuro deste ciclista tão completo e ainda com margem para continuar a evoluir. Agora é altura de celebrar um triunfo especial por ser a Volta a Portugal, por ser a primeira conquista em apenas três participações e por ter sido numa das melhores, mais difícil e mais emocionante edições dos últimos anos. Não era para ser já, mas para a W52-FC Porto e para o seu director desportivo, Nuno Ribeiro, acabou por ser o momento certo! Ficou a confirmação que a aposta e a crença no potencial do jovem Rodrigues foram completamente acertadas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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10 de agosto de 2019

Final de Volta a Portugal mais emocionante é impossível

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A etapa da Senhora de Graça foi rainha e foi mesmo decisiva para esta Volta a Portugal. Foi decisiva para tornar esta uma das edições mais emocionantes, mais espectaculares e de nervos à flor da pele. Este domingo vai ser mesmo assim: de nervos. Dois ciclistas partem em igualdade de tempo. Um deles é há muito visto como um dos portugueses com mais potencial para vencer a Volta. O outro confirmou há um ano o seu potencial e em 2019 "explodiu", tornando-se num dos mais recentes valores do ciclismo nacional. Agora já não interessa quem tem a equipa mais forte, já não interessa o que aconteceu de bom e de mau na última semana e meia. Agora Joni Brandão e João Rodrigues têm 19,5 quilómetros para disputar uma camisola amarela que há muito não estava tão indefinida na derradeira etapa. Gustavo Veloso perdeu contacto, mas para um excelente contra-relogista como o espanhol, 40 segundos não é missão impossível.

E como é no contra-relógio que todos já estão a pensar, então fale-se dele. 30 anos depois o Porto recebe o final da Volta. O director da corrida Joaquim Gomes, venceu nesse 1989. A derradeira tirada liga Gaia ao Porto num percurso que não se adapta ao contra-relogista que gosta mais de rolar. Tem subidas que vão quebrar o ritmo e tem descidas em que haverá de ponderar entre o risco para não perder tempo e o cuidado para evitar algum dissabor.

É um contra-relógio que agrada a Joni Brandão, 29 anos - já duas vezes segundo na Volta -, que tanto tem trabalhado esta especialidade e até ganhou a crono-escalada do Grande Prémio Jornal de Notícias. Mas também João Rodrigues adapta-se bem ao percurso. Há um ano, numa conversa com o ciclista, o algarvio explicou ao Volta ao Ciclismo como estava a tentar evoluir no esforço individual. Pouco depois demonstrou como todo o trabalho estava a dar frutos quando foi segundo no contra-relógio final da Volta a Portugal em Fafe.

Em 2019, esse treino pode ter um outro resultado bem mais importante e o ciclista, que aos 24 anos está cada vez mais completo, já teve um marcante: a primeira vitória como profissional de João Rodrigues foi no contra-relógio da Volta ao Alentejo, corrida que acabaria por conquistar.

Partir em igualdade para a última etapa é inédito, segundo a organização da Volta a Portugal, tal como será uma estreia se um destes ciclistas ganhar, a não ser que Veloso (39 anos) consiga um contra-relógio de luxo para alcançar uma terceira vitória que já não se acreditava que viria a lutar. Para quem ficou de fora dos eleitos da W52-FC Porto e foi chamado após a exclusão de Raúl Alarcón devido a lesão, foi uma prestação de nível do veterano corredor. Tem estado em quebra desde a queda de Bragança, mas continua na luta.

Ao contrário de Vicente García de Mateos, outro bom contra-relogista e que terminou no pódio nas duas últimas edições da Volta a Portugal. Desta feita, não a vai concluir. Uma indisposição obrigou o espanhol da Aviludo-Louletano a abandonar na etapa deste sábado. Os companheiros Oscar Hernandez e André Evangelista seguiram o exemplo.

Aliás, a nona tirada teve nove abandonos, a maioria devido a uma queda na descida após passar pelo Viso, uma segunda categoria que antecedeu as três de primeira, em 133,5 quilómetros muito intensos. Uma das vítimas foi Unai Cuadrado (Fundação Euskadi), líder da juventude. Emanuel Duarte saltou do terceiro lugar nesta classificação para o primeiro, para vestir novamente a camisola branca. Tem 56 segundos de vantagem sobre outro basco, Urko Berrade (Euskadi-Murias), para tentar segurar o que pode ser uma enorme vitória para a LA Alumínios-LA Sport, equipa Continental sub-25 e 100% portuguesa.

W52-FC Porto ao ataque e duas classificações fechadas


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Como já se esperava, a W52-FC Porto esteve ao ataque. O objectivo era rapidamente começar a eliminar os ciclistas da Efapel. E quando começaram as primeiras categorias do Alto da Barra e do Barreiro, os homens de amarelo pagaram o preço de ter de trabalhar na primeira fase da corrida, pois não podiam dar liberdade a António Carvalho, que entrou na fuga. O momento importante foi quando Edgar Pinto saiu do grupo e levou com consigo Henrique Casimiro. Acabariam apanhados, mas o corredor que tanto ajudou Brandão nesta Volta ficou desgastado e quebrou na Senhora da Graça.

Joni Brandão ficou sozinho, mas até quase que chegou. Gustavo Veloso não teve pernas para acompanhar o camisola amarela e só João Rodrigues não largou a roda do líder da Efapel e da Volta. O ciclista da W52-FC Portou contra-atacou nos metros finais para eliminar o segundo que o separava de Brandão e quase apanhava o companheiro António Carvalho, o vencedor do dia.

E são quatro etapas para a equipa azul e branca: Samuel Caldeira (prólogo), Daniel Mestre (quarta), João Rodrigues (quinta, chegada à Torre) e agora Carvalho na Senhora da Graça. A W52-FC Porto também tem garantida a camisola verde dos pontos. Daniel Mestre só tem de cumprir o contra-relógio. Tem uma costela partida após a queda em Bragança e está a realizar feito um grande esforço para continuar em prova e assim subir ao pódio na Avenida dos Aliados.

Luís Gomes também já assegurou o seu lugar no pódio final ao ser o rei da montanha. O ciclista da Rádio Popular-Boavista não teve para brincadeiras e começou a somar pontos na primeira subida de quarta categoria, logo a abrir a etapa. Antes da Senhora da Graça já tinha fechado as contas. A equipa trabalhou muito este sábado e até Joni Brandão tentou que o pudesse ajudar à falta de companheiros da Efapel. Chegou ao ponto de ir buscar água para entregar aos ciclistas da Rádio Popular-Boavista. O esforço dos corredores de José Santos não rendeu uma terceira vitória de etapa, mas ajudou a manter a liderança na classificação colectiva. Tem 2:51 minutos sobre a W52-FC Porto.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Horários do contra-relógio

Domingo cai o pano numa Volta a Portugal que se esperava que, perante o difícil e montanhoso percurso e a boa forma de Joni Brandão, pudesse significar mais emoção e uma ameaça ao domínio da W52-FC Porto. Estamos a ter tudo isso e até se pode dizer que a corrida está a superar expectativas. 

James Fourie (ProTouch) será o primeiro a sair para o contra-relógio às 14:57. Na luta pela juventude, Urko Berrade partirá às 16:22 e Emanuel Duarte às 16:23. O top dez vai para a estrada às 16:32 com Henrique Casimiro. Na discussão pela camisola amarela, Gustavo Veloso arranca às 16:46, João Rodrigues às 16:48 e Joni Brandão às 16:50.

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9 de agosto de 2019

W52-FC Porto ao ataque, Efapel à defesa e a Rádio Popular-Boavista a intrometer-se

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Ataque, contra-ataque e mais uns ataques. A W52-FC Porto não quis deixar a Efapel um metro descansada, começando por colocar Ricardo Mestre na fuga e depois provocando constantes mexidas, principalmente a partir da aproximação às duas subidas finais. Uns testes à resistência da equipa rival já a pensar que, na etapa da Senhora da Graça, este tipo de movimentações poderão ter outro de efeito. Haverá muito mais montanha para enfrentar antes da mítica subida. Esta é uma posição diferente para a W52-FC Porto - mais habituada a defender a liderança do que a ter de atacar - e para a Efapel, em tempos recentes. Ficou claro na oitava etapa que não haverá paz este sábado na tentativa de recuperar a amarela. Joni Brandão reagiu bem e vai à luta confiante vestido de líder. E mesmo com um contra-relógio para acertar contas no domingo, muito da Volta vai ser jogado na Senhora da Graça.

A tirada será curta, 133,5 quilómetros e com constante sobe e desce, como cada vez mais se vê nas provas por etapas. Se os ataques começarem cedo, será um teste duríssimo para todos, com a Efapel a estar em foco. Já demonstrou ter mais dificuldades em manter a equipa junto de Joni Brandão nas maiores dificuldades, mas a W52-FC Porto não é a mesma desde a queda de Bragança.

Logo no arranque em Fafe, o pelotão vai começar a subir. Serão 1200 metros, a com uma pendente média de 7,6% até Golães. A exigência vai aumentando com 13,5 quilómetros a 3,4% até ao alto do Viso. As duas subidas serão um aquecimento para o momento mais importante das etapas em linha da Volta. Serão três primeiras categorias para ajudar a decidir a corrida: Alto da Barra (13,3 quilómetros, a 5,8% de média), Barreiro (9,9, a 6,5%) e Senhora da Graça (8,3, a 7,2%).



Joni Brandão tem apenas um segundo a separá-lo de um jovem ambicioso João Rodrigues. O algarvio não assume a liderança com Gustavo Veloso a 18 segundos da liderança (perdeu três segundos no Alto de Santa Quitéria), mas, não havendo nenhum volte face, é Rodrigues quem está melhor fisicamente depois de ambos os ciclistas da W52-FC Porto terem ficado maltratados na já referida queda. Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) não está fora da luta. A 34 segundos tudo é possível. No entanto, o espanhol dá mostras de alguma quebra, ainda que, sendo forte no contra-relógio, poderá tentar gerir a etapa de forma a manter-se perto do pódio e apostar nos 19,5 quilómetros finais de domingo entre Gaia e Porto.

Edgar Pinto poderá assumir um papel importante, pois estando a 1:46 minutos, continua a não ter liberdade para escapar. Ou seja, um ataque seu terá de ter resposta da Efapel, que tem Henrique Casimiro a 52 segundos e que não vai ter um dia calmo para defender a amarela de Brandão. A W52-FC Porto já mostrou que parte da táctica passará por "partir" cedo a Efapel, que, contudo, poderá ter uma aliada inesperada.

A Rádio Popular-Boavista ameaça ter uma palavra a dizer. Não na luta directa pela geral, ainda que tenha João Benta e David Rodrigues no top dez, mas porque está decidida em conquistar a classificação colectiva. Para isso, não pode deixar que os ciclistas da W52-FC Porto ganhem muita vantagem. Já na etapa desta sexta-feira (156,6 quilómetros entre Viana do Castelo e Felgueiras), a equipa de José Santos ajudou nas respostas aos ataques da formação azul e branca e não deixou Ricardo Mestre ter demasiada vantagem quando o corredor andou na frente. Ainda por cima,  a Rádio Popular-Boavista tomou-lhe o gosto. Duas vitórias consecutivas: depois de Luís Gomes na Serra do Larouco, foi a fez de João Benta vencer em Felgueiras. Além disso tem Luís Gomes na liderança da classificação da montanha.

Se mantiver a postura, a Rádio Popular-Boavista poderá baralhar a táctica da W52-FC Porto, pois 3:52 minutos de vantagem podem desaparecer num instante na Senhora da Graça. E claro, outra vitória de etapa estará nos planos, com David Rodrigues a ser um homem com contas a ajustar com esta subida, onde há um ano perdeu a etapa para Raúl Alarcón com a meta ali tão perto.

A Volta a Portugal (e o ciclismo nacional) bem estava a precisar de uma corrida assim. Com espectáculo, indefinida nos momentos finais e com uma etapa exigente antes de uma das subidas mais históricas da modalidade por cá. E ainda há um contra-relógio! Fim-de-semana a não perder de ciclismo.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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8 de agosto de 2019

Um segundo chegou para Joni Brandão colocar a W52-FC Porto numa posição pouco habitual

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A queda de Bragança deixou mesmo marcas, mas não pode servir de única justificação para um dia que a W52-FC Porto não está nada habituada a ter. Joni Brandão faz parte da razão por se ter alcançado um feito quase inédito desde que a equipa de Sobrado começou a vencer ano após ano a Volta a Portugal desde 2013. Chegou à corrida em boa forma, mas caiu duas vezes, foi penalizado em dez segundos por os comissários terem considerado que foi empurrado pelo mecânico e não teve o melhor dos dias na Serra da Estrela. Porém, na do Larouco, o líder da Efapel arrancou, deixou todos para trás, focou-se numa meta oculta por nevoeiro, mas que não escondeu como Brandão está forte, estando agora de um tom amarelo que tanto procurava para "variar" o tom do equipamento da Efapel. Por um segundo assumiu o primeiro lugar e por um segundo conseguiu colocar a W52-FC Porto numa posição que só aconteceu uma vez e não foi na fase final da Volta.

Desde que Alejandro Marque venceu em 2013, então com a equipa a chamar-se OFM-Quinta da Lixa, que esta formação só uma vez tinha perdido a camisola amarela desde o momento em que a vestia e não demorou a recuperá-la. Nesse ano foi na penúltima etapa que Marque assumiu a liderança. Em 2014 foi na terceira e no ano seguinte na segunda, sempre por intermédio de Gustavo Veloso.

2016 foi o ano de glória de Rui Vinhas. Vestiu o símbolo da liderança após uma fuga na terceira etapa e só parou no pódio em Lisboa para celebrar a vitória na geral. No entanto, foi neste ano que a W52-FC Porto perdeu momentaneamente a amarela. Rafael Reis foi líder por um dia, antes de Daniel Mestre (então na Efapel) vestir a amarela por dois dias, ainda na fase inicial da corrida.  Seguiu-se Raúl Alarcón. Ficou de amarelo na primeira etapa em 2017 e em 2018 apoderou-se da camisola ao vencer em Oliveira do Hospital, na terceira tirada.

Mesmo com Joni Brandão a não ter uma primeira parte de Volta muito feliz, nunca ninguém o deixou de o ver como candidato. Veloso sempre disse que o rival era o principal favorito. Se foi para colocar mais pressão, Brandão não se ressentiu. Depois de tantos anos a ver de perto outros ficarem com a camisola que sempre ambicionou, Joni Brandão vai vesti-la pela primeira vez. Só o vai fazer esta sexta-feira, porque o mau tempo em Montalegre obrigou o cancelamento da cerimónia do pódio, que se realiza antes do arranque da oitava etapa, em Viana do Castelo.

Aos 29 anos, um dos melhores trepadores portugueses está no topo, mas um segundo não dá margem para tranquilidade. A Volta a Portugal está atípica, comparativamente com os anos de domínio da W52-FC Porto. Parecia estar a caminhar-se para a continuidade dessa história. Brandão reescreveu-a e o final está muito incerto. Agora é preciso ver como a Efapel vai defender a liderança. Brandão tem estado forte e reagiu bem depois de uma subida à Torre que não foi a que desejava. Falta a Senhora da Graça e Joni Brandão sabe que pode contar com Henrique Casimiro, mas a restante equipa não tem sido tão forte na montanha como seria de esperar.

A W52-FC Porto desfez-se na Serra do Larouco. Que coisa estranha de se ver! Está proibida de repetir a exibição, pois se tem tido um líder forte nos últimos anos, também se faz valer e muito do colectivo para ganhar. Gustavo Veloso mostrou debilidades logo na ascensão a Torneiros e confirmou as dificuldades no Larouco. A perna ainda lhe doía da queda de Bragança. João Rodrigues ficou sozinho muito cedo. Ricardo Mestre fez o trabalho do costume, mas Edgar Pinto não aguentou o ritmo que acabaria por colocar Brandão na frente do grupo. António Carvalho ficou ao lado de Veloso. Rodrigues teve de ir à luta a solo. Ele que na quarta-feira ainda visitou o hospital depois da queda que marca - e de que maneira - a equipa azul e branca. Esteve bem, mas não reagiu a tempo de evitar que por um segundo a amarela escapasse para a Efapel.

Estamos perante uma situação nova na Volta a Portugal. A três etapas do fim a W52-FC Porto tem de recuperar a liderança. Por esta altura, os seus ciclistas estão mais habituados a defender e controlar adversários, agora vão ter de atacar. Um segundo não é nada, mas pode decidir a vitória. Veloso está a 15 e sendo forte no contra-relógio, tal como Rodrigues, continua na luta. Mas Brandão também melhorou na especialidade e o percurso de 19,5 quilómetros entre Gaia e Porto, no domingo, até não é mau para o líder da Efapel se defender. Porém, a Senhora da Graça é o espaço ideal para Joni Brandão tentar consolidar a sua posição.

A Volta de destaque da Rádio Popular-Boavista


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Com a maior parte das atenções centradas na luta W52-FC Porto/Efapel, a Rádio Popular-Boavista tem feito a sua corrida e não se pode dizer que está completamente em segundo plano nesta recta final da Volta a Portugal. Em dois dias viu Luís Gomes vestir de azul (líder da montanha) e ganhar a etapa na Serra do Larouco. Excelente vitória do ciclista de 25 anos, que tem mostrado uma boa evolução desde que integrou a equipa em 2017. Foi perseverante e apesar das dificuldades não deixou escapar Hugo Sancho (Miranda-Mortágua) e Mathias Reutimann (Swiss Racing Academy). Em grande esforço, conquistou a uma vitória memorável.

Para reforçar a boa prestação da Rádio Popular-Boavista, João Benta e David Rodrigues estão no top dez. E o director José Santos alcançou outro objectivo: lidera colectivamente, com mais 3:23 minutos do que o Sporting-Tavira e 4:04 da W52-FC Porto, antiga número um desta classificação. A equipa tudo irá fazer para guardar a camisola da montanha de Luís Gomes e subir ao pódio no Porto como a melhor da Volta.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

8ª etapa: Viana do Castelo - Felgueiras, 156,6 km

Mas porque não tentar fazer diferenças já esta sexta-feira? Se há algo que esta Volta nos ensinou é que não há etapas para descansar e muito menos calmas. A de amanhã poderá ser propícia a um pouco de acção no final. Haverá mais uma rampa para testar as forças, que começam a ficar justas. A chegada é no alto de Santa Quitéria, Felgueiras, com 1600 metros a uma média de 8,9%. A partida será às 13:20 na Alameda 5 de Outubro, em Viana do Castelo.

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7 de agosto de 2019

Queda de Veloso e Rodrigues aumenta incerteza na véspera de subir a Serra do Larouco

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Regresso à estrada, após o dia de descanso, com algum nervosismo, muita chuva e uma queda que Gustavo Veloso parecia adivinhar. De um momento para o outro, a Volta a Portugal ganha uma nova incerteza. Já perto da meta, em Bragança, uma queda deixou no chão o camisola amarela, o segundo classificado João Rodrigues e o camisola verde Daniel Mestre. Todos apresentaram queixas físicas e os últimos dois foram ao hospital após a etapa. Joni Brandão (Efapel) também caiu, com Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) a ser o único dos quatro primeiros a sair incólume do caótico final de etapa. Esta quinta-feira é dia de subir a Serra do Larouco, numa das tiradas mais importantes da corrida e as sequelas das quedas poderão ser determinantes, quando as diferenças estão tão curtas.

Gustavo Veloso bem avisava antes do arranque em Moncorvo que seria uma etapa que teria de ser feita com muita atenção. Depois do calor veio a chuva e aumentou o risco de quedas, que nesta edição da Volta têm sido frequentes. O camisola amarela só queria que todos chegassem bem a Bragança. Mais parecia um prenúncio. Numa rotunda, bastou cair um que vários se seguiram, incluindo os três homens da W52-FC Porto, que estavam juntos. Gerou-se alguma confusão, com os ciclistas a chegarem a conta gotas à meta, nada preocupados com o tempo, já que a queda deu-se nos três quilómetros finais, mas se Brandão pareceu estar relativamente tranquilo, Veloso apresentava queixas e Rodrigues não conseguiu esconder um esgar de dor enquanto era ajudado a terminar a etapa por Daniel Mestre e Luís Gomes, o corredor da Rádio Popular-Boavista.

João Rodrigues, que está a 15 segundos de Veloso na geral, explicou que as dores eram na perna. A equipa escreveu no seu site que tanto o algarvio, como Daniel Mestre foram transportados para o hospital, mas não apresentavam "cuidados de maior". Já Rúben Pereira garantiu que Joni Brandão está bem, assim como Henrique Casimiro e Bruno Silva. "Apesar da queda final, onde grande parte da equipa ficou envolvida, não houve males de maior nem mazelas", afirmou o director desportivo.

Serra do Larouco ainda mais decisiva

É uma das etapas mais difíceis e com potencial para se fazerem diferenças. No entanto, perante os acontecimentos desta quarta-feira, ganha ainda mais importância, pois será essencial perceber como estão os dois principais ciclistas da W52-FC Porto. A meta coincide com uma primeira categoria de 9,2 quilómetros, com uma pendente média de 5,8%. Antes, a cerca de 40 quilómetros do final, está colocada outra dificuldade de primeira categoria, em Torneiros, com 4,5 quilómetros e inclinação média de 8,7%.

Até ao quinto classificado, Henrique Casimiro, há 45 segundos de diferença e até ao 10º, Luís Fernandes (Aviludo-Louletano), são 1:33 minutos de diferença. Em qualquer das subidas, quem passar mal pode perder tempo que fará mossa na classificação geral. A W52-FC Porto poderá sofrer mais ataques do que o esperado dado o que aconteceu, mas continua a ter outra arma: Edgar Pinto. Caiu na Serra da Estrela, mas parece estar bem e a 1:14 minutos não será uma carta fora do baralho se for preciso tentar sacar um ás, caso Veloso e/ou Rodrigues não estejam bem.

A Efapel tem dois homens no top dez, tal como a Aviludo-Louletanto e a Rádio Popular-Boavista, com David Rodrigues (esteve muito bem na Serra da Estrela) e João Benta. Mesmo com a Senhora da Graça à espera de todos no sábado, a etapa desta quinta-feira tem potencial para mexer com a geral, com uma maior dúvida a surgir agora que uma queda abanou uma W52-FC Porto que tem controlado a Volta a Portugal.

A etapa começa em Bragança às 12:55, no Parque Quinta da Braguinha e terá 156,2 quilómetros.

Dia movimentado de Moncorvo a Bragança

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A sexta etapa, de 189,2 quilómetros, foi tudo menos calma. Com três contagens de montanha logo nos primeiros 55, houve tantas movimentações que, na última subida, o pelotão partiu-se e ficaram os candidatos à geral na frente, com alguns companheiros de equipa e os restantes corredores atrasaram-se. A W52-FC Porto estava praticamente completa e aproveitou para garantir pontos para Daniel Mestre na classificação da camisola verde. Entretanto, Luís Gomes já tinha assegurado a azul da montanha, tirando-a por um ponto a David Ribeiro, da LA Alumínios-LA Sport. O pelotão acabaria por se voltar a juntar.

Os últimos 100 quilómetros foram mais "normais" até à fase final algo caótica, muito porque a chuva tornou perigosa a passagem por Bragança. A fuga triunfou, com a Euskadi-Murias a conquistar a segunda vitória de etapa, agora com o espanhol Hector Saez. Foi a primeira vitória como profissional deste ciclista de 25 anos, que foi campeão nacional de juniores em 2010.

Vários portugueses estavam na fuga e quando o grupo começou com ataques e contra-ataques a 15 quilómetros da meta, só Rafael Lourenço conseguiu ficar numa posição de discutir uma etapa que valeria ouro para a UD Oliveirense-InOutBuild. Contudo, tornou-se a primeira vítima das condições meteorológicas. Caiu e o sonho ficou adiado.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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4 de agosto de 2019

João Rodrigues perfeito, Veloso de amarelo, Mestre de verde. Domínio da W52-FC Porto intocável após a Torre

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Depois de se afirmar como elemento essencial de trabalho na W52-FC Porto, João Rodrigues não demorou em confirmar a sua capacidade para ser um líder. Já assim o tinha demonstrado ao vencer a Volta ao Alentejo e fê-lo novamente numa das duas etapas míticas da Volta a Portugal. Três vitórias na carreira como elite, todas em 2019. O algarvio não se limitou a vencer na Torre. Foi imperial. Fez uma subida de qualidade, plena de confiança, com direito a um teste antes de o ataque decisivo. Ninguém o apanhou. Aos 24 anos, João Rodrigues vive uma época de sonho e colocou-se definitivamente na posição para disputar a Volta. Mas haverá hierarquias a respeitar, pois a Torre colocou, como se esperava, todos no seu lugar e colocou Gustavo Veloso como um sério candidato a uma vitória já pouco esperada nesta fase da carreira. É o espanhol que está de amarelo e portanto a primeira opção, mas sabendo que haverá alguém pronto a assumir a responsabilidade se ceder.

Dos quatro possíveis líderes, faltou pernas a António Carvalho, enquanto Edgar Pinto viveu mais do mesmo: o azar não larga este ciclista! Ainda assim, a 1:07 minutos da amarela, poderá sempre ser um joker, agora que Veloso e Rodrigues serão os protegidos. A Torre foi mais um exemplo do que há muito se sabe. A W52-FC Porto é a mais poderosa, com mais do que uma solução para controlar a Volta e ir ganhando etapas, enquanto vai mantendo a camisola amarela que detém desde o primeiro dia, primeiro com Samuel Caldeira antes de Veloso a vestir. Em cinco etapas, ganhou três, com três ciclistas diferentes: Caldeira, Daniel Mestre (líder da classificação dos pontos) e agora João Rodrigues.


João Rodrigues foi perfeito na subida à Torre
(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Apesar deste regresso da Torre como final de etapa, quatro anos depois - o último vencedor havia sido Delio Fernández, da então W52-Quinta da Lixa -, ter colocado todos no seu lugar, não ditou grandes diferenças. No entanto, deixou claro algumas debilidades e também como há quem não queira virar a cara à luta, apesar de não ter as armas da W52-FC Porto. Foi o caso da Aviludo-Louletano. Tomou, algo surpreendentemente, as rédeas na derradeira subida de cerca de 19 quilómetros (145 no total, que começaram na Pampilhosa da Serra), partindo de imediato o grupo. Excelente trabalho de Óscar Hernández, com Luís Fernandes a tentar escapar, obrigando a que o ritmo se mantivesse alto para o perseguir. O líder, Vicente García de Mateos, esteve bem, mas, tal como aconteceu nas últimas duas edições em que foi terceiro, não consegue atacar os rivais de forma a fazer diferença. Mas está a 20 segundos de Veloso e é um bom contra-relogista. A equipa algarvia sai da Torre com a ambição intocável.

O espanhol perdeu alguns segundos ao estar envolvido num incidente que deitou as aspirações de Edgar Pinto ao chão, literalmente. Num ziguezague numa altura em que ninguém ia com muita força, com a meta à vista, os ciclistas tocaram-se. O corredor da W52-FC Porto caiu e teve de acabar a etapa a pé, pois a bicicleta não ficou em condições. Ficou ainda com feridas visíveis na perna e braço esquerdo. Vicente García de Mateos também quase teve de parar, o que o fez perder ritmo e cinco segundos, bem mais simpático do que os 56 de Edgar Pinto. Este é um ciclista que tem uma carreira marcada por incidentes que o foram afastando de lutar por bons resultados.

Outra equipa a destacar-se pela positiva foi a Rádio Popular-Boavista. Audaz, sem medo de arriscar, não colheu o fruto desejado da vitória de etapa, mas tem João Benta a 1:06 e David Rodrigues a 1:08 - muito atacou este ciclista -, ambos no top dez. Para uma equipa que aposta sempre forte em vencer etapas, sai da Torre a olhar para um possível pódio.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Já pela negativa esteve a Efapel. A equipa desfez-se como um castelo de cartas no primeiros quilómetros da subida à Torre. Até Joni Brandão pareceu sofrer um pouco, mas acabou bem e até tentou um ataque, ainda que pouco convincente. Valeu ao líder um Henrique Casimiro em boa forma, que foi um apoio essencial e o braço direito que Brandão precisa. Esperava-se um pouco mais da equipa, que parecia ser a única a ter argumentos para enfrentar a W52-FC Porto, mas no primeiro teste de fogo, claudicou.

Derrotado saiu o Sporting-Tavira. Alejandro Marque era o melhor classificado, mas pouco antes do início da Torre, ficou para trás devido a um incidente com um ciclista da Vito-Feirense-PNB. Numa táctica estranha e provavelmente falta de comunicação, a equipa atacava na frente, enquanto tentava recolocar o espanhol no grupo principal. Perdeu mais de oito minutos. Tiago Machado pode até ter feito uma boa subida, mas cortou a meta a 1:57 minutos e já são 2:45 para recuperar. Porém, há Frederico Figueiredo. O senhor regularidade. Há dois dias foi o azarado ao cair duas vezes, mas ali esteve junto ao grupo principal na Serra da Estrela, apenas cedendo já perto da meta. Está a 2:01 de Veloso. Será desta que este excelente ciclista vai ter a sua oportunidade?

Há muito que a merece. É um dos melhores ciclistas do nosso pelotão. Um exímio gregário, com capacidade para constantemente terminar entre os melhores, mesmo que não seja a escolha número um da equipa. Há que esperar que o Sporting-Tavira solte as amarras de trabalho a Frederico Figueiredo e o deixe procurar o seu resultado. A equipa não deverá ficar desiludida e bem precisa que alguém se destaque.

Agora começa-se a olhar muito para o próximo fim-de-semana, com a Senhora da Graça e o contra-relógio final entre Gaia e Porto. No entanto, há uma etapa que ainda poderá fazer diferença. Na quinta-feira, haverá duas primeiras categorias em 45 quilómetros, com um difícil final na Serra do Larouco.

Veloso, Rodrigues e Mateos são bons contra-relogistas e poderão sempre ter essa arma final. Já Joni Brandão, ou os homens da Rádio Popular-Boavista, têm de ganhar tempo na montanha. Brandão melhorou substancialmente no esforço individual, mas se 27 segundos podem ser recuperáveis numa boa exibição na montanha, será bem mais complicado bater qualquer dos três ciclistas referidos no contra-relógio. Com as diferenças tão pequenas, está-se, por agora, a perceber que por um segundo se pode ganhar ou perder esta Volta.


Uma referência à LA Alumínios-LA Sport. Mesmo com a luta pela geral a centrar as atenções, não pode ficar de parte como esta equipa está na luta pela montanha com David Ribeiro e conseguiu vestir a camisola branca da juventude com Emanuel Duarte. Falta muita Volta, mas a equipa sub-25 está a encontrar o seu lugar não só de destaque, mas também no pódio. Excelente trabalho dos ciclistas de Hernâni Brôco.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

5ª etapa: Oliveira do Hospital - Guarda, 158 km



Na teoria, esta é uma etapa que até pede movimentações nos últimos 20/25 quilómetros. São duas subidas consecutivas, uma de segunda e outra de terceira categoria, que coincide com a meta na cidade da Guarda. Falta saber se resta força depois de uma Serra da Estrela capaz de desgastar o mais resistente dos ciclistas. Terça-feira é dia de descanso, pelo que poderá ajudar a que alguém tente recuperar algum tempo perdido.

A tirada arranca no Largo Ribeiro do Amaral, em Oliveira do Hospital, às 13:10, com chegada prevista ao Largo General Humberto Delgado por volta das 17:20.

»»Subida à Torre será enfrentada com ânimos diferentes««

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25 de março de 2019

"Se esperava ganhar já uma corrida? Não"

Há pouco mais de um ano, João Rodrigues era um jovem muito feliz no pódio da Volta ao Algarve, ao vestir a camisola da montanha após a primeira etapa. Estava a competir em casa, pelo que o momento teve um lado ainda mais emocional. Foi apenas um dia, mas foi o primeiro sinal que este era um ciclista que estava a num excelente processo de evolução e que comprovou durante toda a época. Agora foi até ao Alentejo vestir uma camisola amarela como o vencedor de uma corrida: "Se esperava ganhar já uma corrida? Não."

João Rodrigues nem hesitou na resposta, mas também não hesitou em acrescentar: "O que é certo é que tenho vindo a trabalhar muito bem, com a ajuda dos meus colegas, do meu preparador, do meu director desportivo. Neste início de época tinha o objectivo de entrar bem na Volta ao Algarve e consegui um top dez com os melhores do mundo, o que foi bastante motivante." Foi nono na Algarvia e na Clássica da Arrábida foi novamente aposta, com Raúl Alarcón (que esta segunda-feira celebrou 33 anos) sempre próximo. Aliás está a ser assim este início de temporada. Alarcón e Rodrigues numa dupla que na Volta a Portugal demonstrou poder ser de muito respeito e que está a ganhar força em 2019.

Mas estaremos perante uma sucessão nas próximas épocas? "Não sou um sucessor do Alarcón. Isso é quase impossível. Ele é um atleta impressionante. O ciclismo em Portugal é pequeno para ele. Merecia estar numa equipa World Tour, sem dúvida. Ele é impressionante", salientou ao Volta ao Ciclismo. Porém, fica claro como o jovem de 24 anos tem um papel de maior destaque dentro da equipa em 2019 e está a agarrar a oportunidade.  Ainda assim, afirmou como não terá maior responsabilidade, nem depois de vencer a Volta ao Alentejo, pois considera que só vestir o equipamento que enverga já traz toda a responsabilidade: "Só por representar esta equipa temos um peso grande. Esta camisola pesa muito."

Desde 2016 na equipa liderada por Nuno Ribeiro depois da estreia como profissional no Tavira em 2013, João Rodrigues recordou a sua evolução na W52-FC Porto: "Para alguns andei um pouco escondido no início de carreira, mas de ano para ano tenho vindo sempre a evoluir. No primeiro ano só trabalhava para a equipa. No segundo comecei discutir camisolas das metas volantes, autarquias, classificações secundárias, o que me motivava. Eu sempre quis ser um atleta ganhador e viram que eu tinha essa capacidade. De ano para ano tenho vindo a evoluir e chegou o meu momento."

"Não me sinto superior a nenhum [ciclista] na equipa, nem me sinto um chefe-de-fila. Longe disso! Sou mais um na equipa, para ajudar no que for preciso"

E chegou na Volta ao Alentejo, corrida de categoria internacional e das mais importantes em Portugal. Rodrigues podia até não esperar ganhar já a prova, mas não escondeu que pensou que o contra-relógio lhe assentava bem e foi naqueles 8,4 quilómetros de Castelo de Vide que foi buscar por três segundos a camisola amarela que estava com o vencedor de 2018, Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista). E mais, foi mesmo ganhar a etapa, a sua primeira vitória como profissional. Quem diria, já que o esforço individual nunca foi o seu forte, o que o levou a trabalhar intensamente a vertente. Os primeiros sinais de melhoria foram dados em 2018. Em 2019, foi decisivo. "Não esperava de todo que a minha primeira vitória fosse num contra-relógio. É uma disciplina que tinha de melhorar e tenho trabalhado bastante. Para vencer uma corrida por etapas não é só ser bom na montanha ou ser um bom descedor. Tem que se fazer um bom contra-relógio. O trabalho está a dar frutos", referiu.

Apesar de estar a ser um ciclista em destaque, com papel de liderança e inclusivamente ter um Raúl Alarcón, duas vezes vencedor da Volta a Portugal, a ser o seu escudeiro, não há nada - nem a vitória na Alentejana - que faça Rodrigues sentir-se num pedestal. "Nas últimas corridas tenho sido um corredor mais protegido, é verdade. Mas não me sinto superior a nenhum [ciclista] na equipa, nem me sinto um chefe-de-fila. Longe disso! Sou mais um na equipa, para ajudar no que for preciso. Todos temos oportunidades, todos temos muita qualidade. Eu sou só mais um para ajudar a equipa a alcançar os objectivos", afirmou.

O primeiro foi alcançado, com a W52-FC Porto a estrear-se a vencer como formação Profissional Continental. Um pouco de história que ficará com o nome de João Rodrigues gravada e que deixa o algarvio feliz. Mas o pensamento já está no próximo objectivo. "Não vou parar porque quero aproveitar este momento de forma. Vou agora fazer um estágio em altitude para preparar a Volta à Turquia [de 16 a 21 de Abril], uma corrida World Tour. Quem sabe se é a única corrida World Tour que faço na minha carreira e quero aproveitar para estar no melhor nível e testar-me frente aos melhores mais uma vez", realçou.

João Rodrigues quer concentrar-se no presente e na W52-FC Porto, mas apesar da declaração de poder ser "única corrida World Tour" que fará, não significa que não tenha a ambição de ir mais longe no ciclismo mundial. "Eu sonho em ir para uma equipa World Tour, claro! Mas tudo a seu tempo. Agora vou desfrutar desta vitória e trabalhar para ter mais momentos como este." 

»»"Não vou mentir, não é que estivesse a ficar desmotivado, mas já eram muitos anos a ter os mesmos objectivos"««

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