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9 de maio de 2021

João Rodrigues: do sorriso de um dia de azul à conquista de uma amarela histórica

© Volta ao Algarve
Em 2018, João Rodrigues subiu ao pódio da Volta ao Algarve no final da primeira etapa, em Lagos, para vestir a camisola azul da montanha. Então, o ciclista da W52-FC Porto havia integrado a fuga e garantiu um momento que então marcava a sua carreira. O sorriso não enganava o quanto estava orgulhoso por estar ali, ainda mais a correr na sua região. Numa conversa realizada mais tarde com o algarvio, Rodrigues admitiu o quanto aqueles minutos haviam sido especiais, mesmo que no dia seguinte tenha perdido a camisola. Foi só o início...

Naquela altura, João Rodrigues estava a crescer dentro da equipa. Estava a ser preparado para outros voos. Trabalhava o contra-relógio e aprimorava as suas capacidades na montanha. Era um gregário, mas na W52-FC Porto já era visto como um potencial vencedor. Em 2019, o jovem ciclista que havia dado as primeiras pedaladas no Tavira, afirmou-se definitivamente na equipa nortenha.

Começou por vencer a Volta ao Alentejo. Mas uma vez, custava-lhe acreditar no que havia alcançado, enquanto celebrava em Évora. A sua primeira vitória havia chegado precisamente no contra-relógio que tanto andava a trabalhar e garantiu depois a geral. Não esquecer que estamos a falar de uma corrida que também é de categoria internacional.

Nesse mesmo ano, João Rodrigues acabou a ser o líder na Volta a Portugal. Numa das edições mais disputadas em tempos recentes, mais uma vez foi no contra-relógio, na última etapa, que selou a vitória. Antes subiu a Torre para vencer. Para as equipas lusas, a Volta é o topo. Mas afinal, Rodrigues ainda não o tinha atingido quando há uma prova que é a de escalão mais alto que se realiza no nosso país. A Volta ao Algarve é ProSeries (segunda categoria, apenas abaixo das competições World Tour).

W52-FC Porto ao ataque no Malhão
© Volta ao Algarve
Em 2020, Rodrigues foi de extrema importância na vitória de Amaro Antunes na Volta, mas foi este domingo, 9 de Maio de 2021, que João Rodrigues escreveu uma história que atravessou fronteiras. Numa Volta ao Algarve dominada pelas grandes equipas em tempos recentes, com nomes como Remco Evenepoel, Tadej Pogacar, Primoz Roglic, Geraint Thomas, Alberto Contador a ganhar... vencer esta corrida tem sido uma miragem para quem está numa equipa portuguesa.

Se há um ano a Volta ao Algarve foi um dos últimos momentos de normalidade que se viveu, em 2021 nem conseguiu realizar-se no seu habitual calendário de Fevereiro. O pelotão foi diferente, mas nem por isso sem ciclistas de alto nível e/ou jovens talentos à procura de afirmação. A Ineos Grenadiers teve Ethan Hayter perto de alcançar a sua primeira grande conquista, a Deceuninck-QuickStep quis repetir a dose de Evenepoel com Kasper Asgreen, simplesmente o vencedor da Volta a Flandres.

A W52-FC Porto, que até tem sido das equipas portuguesas aquela que mais se mostra no Algarve - Amaro Antunes venceu no Malhão em 2017 -, apareceu com vontade de disputar a geral. João Rodrigues surgiu em excelente forma. Em Portugal ainda pouco se competiu, mas na equipa dirigida por Nuno Ribeiro preparou-se a participação com ambição a Algarvia. Rodrigues foi batido na Fóia por Hayter que depois viria a cair no contra-relógio de Lagoa. Ainda assim, ganhou 12 segundos ao português. Desta vez, o esforço individual não foi fonte do sucesso para Rodrigues, mas tudo ficou em aberto para a etapa do Malhão.

Asgreen, a 21 segundos, assumia que ia tentar a vitória. A W52-FC Porto sabia que estava perante uma oportunidade única de vencer uma corrida que é tão apreciada por equipas World Tour.

Hayter, debilitado pelas mazelas da queda, foi protegido pela Ineos Grenadiers até que a dois quilómetros da meta o britânico cedeu, quando a equipa portuguesa já havia acelerado e Rodrigues atacava. Asgreen até tinha sido quem tinha aberto as hostilidades a 15 quilómetros do fim. A Deceuninck-QuickStep colocou na fuga o sprinter Sam Bennett e o seu lançador Michael Morkov. Foram úteis a Asgreen, contudo, foi a táctica da W52-FC Porto, uma equipa Continental (terceiro escalão) que deu frutos.

© Volta ao Algarve
A equipa controlou as formações adversárias e só se mexeu com o Malhão à vista. Excelente o trabalho que João Rodrigues terminou exemplarmente. Foi novamente segundo na etapa, mas deixou Hayter a nove segundos e Asgreen a 28. Élie Gesbert (Arkéa Samsic) venceu a etapa, mas a principal festa foi portuguesa. Há 15 anos que tal não acontecia. Desde 2006 que um ciclista luso não vencia. Então foi João Cabreira o vencedor, com Hugo Sabido a triunfar no ano anterior. Depois sucederam-se nomes de corredores que estão entre os melhores do mundo.

Rodrigues acreditou até ao fim e claro que é ainda mais especial ser um algarvio vencer a "sua" corrida. Entre as competições internacionais com história que se realizam em Portugal, só lhe fica a faltar o Troféu Joaquim Agostinho. Aos 26 anos construiu já um currículo invejável.

© Volta ao Algarve
Mas há mais sucesso em português

Ficou um pouco ofuscado pela vitória de João Rodrigues, mas houve outro português a celebrar. Luís Fernandes saiu do top dez após um fraco contra-relógio, mas foi para a fuga do dia e somou os pontos suficientes na montanha para garantir a camisola azul. Também ele teve direito a estar no pódio final, numa conquista importante para a Rádio Popular-Boavista, equipa que este ano quis igualmente mostrar-se mais na Volta ao Algarve.

Rafael Reis (Efapel) foi segundo no contra-relógio, Iúri Leitão (Tavfer-Measindot-Mortágua) foi quinto no sprint de Portimão... os portugueses souberam tirar partido de uma Volta ao Algarve com condições excepcionais para terem uma projecção internacional que, por cá, só a Algarvia lhes dá.

Foi uma Volta ao Algarve que trouxe uma emoção diferente perante a forma de João Rodrigues. A oportunidade estava lá e o algarvio não a desperdiçou!

De referir que Sam Bennett venceu a classificação dos pontos (camisola verde), enquanto o americano Sean Quinn (Hagens Berman Axeon) juntou a camisola branca da juventude, à vitória na semana anterior na Clássica da Arrábida. A W52-FC Porto venceu por equipas.

O ciclismo nacional volta à estrada já no próximo fim-de-semana com o Grande Prémio O Jogo (sábado e domingo), enquanto por Itália as atenções centram-se em João Almeida (Deceuninck-QuickStep) e ainda em Rúben Guerreiro (EF Education-Nippo) e Nelson Oliveira (Movistar), o trio de portugueses no Giro.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

»»Asgreen recordista. Hayter caiu mas continua de amarelo. João Rodrigues mantém sonho vivo««

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8 de maio de 2021

Asgreen recordista. Hayter caiu mas continua de amarelo. João Rodrigues mantém sonho vivo

© João Calado
Enquanto se ia assistindo ao recorde de Remco Evenepoel no percurso de contra-relógio em Lagoa a ser batido não por um, nem por dois, mas por três ciclistas, a luta pela geral parecia que iria ser apenas uma questão de perceber quantos segundos ficariam a separar os primeiros e se alguém entraria ou sairia da luta pela amarela. Mas, uma queda de Ethan Hayter assustou a Ineos Grenadiers, enquanto na W52-FC Porto poderia estar em aberto a possibilidade de João Rodrigues ficar com a camisola amarela antes da etapa decisiva do Malhão. Por um lado percebeu-se que o algarvio está bem ciente que está perante uma oportunidade que pode ser única, por outro conheceu-se um pouco mais do carácter de Hayter.

O britânico estava a realizar um bom contra-relógio e pedalava para uma possível diferença que lhe desse mais tranquilidade no Malhão, este domingo. Recorde-se que este sábado, antes do contra-relógio, três ciclistas estavam empatados em tempo (Hayter, Rodrigues e Jonathan Lastra, da Caja Rural). Porém, numa curva, perdeu o controlo da bicicleta e caiu. Teve de trocar de "máquina", mas lá seguiu caminho, com tempo precioso perdido e um corpo mal-tratado.

João Rodrigues dava o tudo por tudo para minimizar possíveis perdas, ou então conseguir mesmo superiorizar-se Hayter. Com a queda do britânico, a segunda hipótese ficou ainda mais perto de se tornar realidade. Mas foi aqui que se assistiu como este jovem ciclista tem perfil de vencedor. Não foram quilómetros fáceis, mas superou dores e certamente a frustração de ter caído para cortar a meta com um tempo melhor que Rodrigues.

A amarela continua com Hayter, mas como estará o ciclista este domingo? Depois de Richie Porte, Geraint Thomas e Michal Kwiatkowski, a Ineos Grenadiers procura vencer a Algarvia com um ciclista em que aposta para o futuro. Rodrigues vive um momento que, tendo em conta o pelotão que normalmente está na corrida quando esta se realiza em Fevereiro, poderá não estar tão cedo numa situação tão privilegiada como esta. E Kasper Asgreen quer contribuir ainda mais para o domínio da Deceuninck-QuickStep.

© João Calado
O dinamarquês venceu o contra-relógio, mas teve de se aplicar bastante. Era o seu objectivo, mas quando partiu, já sabia que Benjamin Thomas tinha batido o recorde do percurso que Remco Evenepoel estabeleceu em 2020 (24:07 minutos). O francês da Groupama-FDJ fez 24:01.

Depois uma surpresa, mas só para quem não conhece Rafael Reis. É um especialista do contra-relógio e apareceu em grande forma. Este ano mudou-se para a Efapel e no Algarve deixou Thomas sem a possibilidade de vitória. Completou os 20,3 quilómetros em 23:55. Estava mais perto um triunfo português, algo que não acontece desde que Amaro Antunes venceu no Malhão, em 2017.

Kasper Agreen estragou a festa. O dinamarquês fez 23:52 minutos e reentrou na luta pela geral, sendo agora terceiro a 21 segundos, recuperando mais de um minuto para Hayter. Rodrigues ficou a 12, enquanto Lastra ficou mais longe, a 42.

Este triunfo significa que são três vitórias em quatro etapas da Deceuninck-QuickStep, que ainda tem Sam Bennett com a camisola verde virtualmente garantida (só precisa de terminar este domingo), depois da pontuação máxima que somou com os sprints que ganhou em Portimão e Tavira. Falta agora ver se Asgreen não vai tentar a amarela e suceder ao colega de equipa, Evenepoel.

Thibault Guernalec (Arkéa Samsic) - um ciclista que já participou na Volta a Portugal - também de um salto na classificação, sendo agora quatro, a 22 segundos de Hayter.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

5ª etapa: Albufeira-Malhão (170,1 quilómetros)


Com a geral em aberto, o pelotão irá este domingo enfrentar a subida do Malhão, que só será feita uma vez. Etapa curta (170,1 quilómetros), com início em Albufeira, e que terá muito sobe e desce. Só na fase final do dia, os ciclistas terão uma sucessão de subidas exigentes, antes da escalada do Malhão (2,6 quilómetros com inclinação média de 9,2%). As restantes subidas estão colocadas em Vermelhos (3,2 km a 5,9%, a 43,1 km da chegada), Ameixeiras (1 km a 14%, a 32,2 km da meta) e Alte (2,1 km a 5%, a 14 km do final). Antes desta sequência, ainda haverá duas subidas de terceira categoria. Para aquecer!

A única certeza para o final desta 47ª edição da Volta ao Algarve é que quem a conquistar fá-lo-á pela primeira vez. E como curiosidade, se João Rodrigues o conseguir, será o primeiro português desde João Cabreira, que ganhou em 2006.

»»Sam Bennett é o rei dos sprints na Volta ao Algarve««

»»Ethan Hayter, mais um jovem ciclista a conquistar o Alto da Fóia««

26 de setembro de 2020

Quem desafia a W52-FC Porto? Volta a Portugal arranca este domingo, mas já com uma má notícia

© João Fonseca Photographer
W52-FC Porto a favorita, Efapel a mais forte adversária, Rádio Popular-Boavista sempre à caça de vitórias, Aviludo-Louletano e Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel à procura de um pódio... A história da Volta a Portugal tem sido idêntica nos últimos anos. A diferença tem sido a aproximação principalmente da Efapel à equipa do Sobrado, que, contudo, domina há sete anos. Porém, a pandemia e o confinamento trocou a volta a todos. Preparação para uma diferente fase do ano, incerteza de quando (e se) haveria corrida, que terá menos dias (nove) e não haverá descanso. Tudo junto poderão ser factores de tornem a apelidada de Edição Especial diferente, para melhor.

Pede-se espectáculo e emoção. Com a enorme vontade de todos em competirem - algo normal quando se fala da Volta a Portugal, mas acrescida por um ano tão complicado, tão atípico -, a expectativa é que se tenha as duas coisas em dose elevada. É verdade que no ano passado estes dois pormenores estiveram mais presentes do que em edições anteriores, sempre muito controladas por uma fortíssima W52-FC Porto.

As forças poderão em 2020 equilibrar mais, até porque a Efapel foi buscar um dos homens que vinha a ser um elemento muito importante na rival: António Carvalho. No entanto, será Joni Brandão o líder, ele que está cansado de segundos lugares e já são três.

Na W52-FC Porto, não haverá dúvidas quanto à liderança, desta feita. Será João Rodrigues, o vencedor de 2019. É uma equipa sempre com cartas para jogar e Amaro Antunes é um ciclista que os adversários sabem que têm de o ter debaixo de olho.

Mas uma palavra para Rui Vinhas, também ele um vencedor da Volta a Portugal. A corrida terminará em Lisboa, a 5 de Outubro, e da última vez que tal aconteceu, Vinhas consumou uma enorme surpresa ao bater o seu colega de equipa Gustavo Veloso. Foi um 2016 para não esquecer.

Colectivamente, estas duas equipas continuam a ser as mais fortes. Porém, será interessante ver como se irá apresentar a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel. Sem o Sporting como patrocinador, a equipa começou a competir de forma diferente. Mais agressiva e viva nas corridas. O próprio líder, Frederico Figueiredo assumiu a mudança de postura para 2020, numa entrevista dada ao Volta ao Ciclismo em Fevereiro, numa altura em que a pandemia parecia estar bem longe.

Figueiredo conquistou finalmente a sua primeira vitória como profissional e logo no Troféu Joaquim Agostinho, há uma semana. Aparece como outsider, mas contem com ele para procurar um pódio e ganhar etapas. Top dez não lhe faltam, mas aos 29 anos, saboreou a vitória e vai querer mais.

A outra equipa algarvia irá novamente tentar levar o espanhol Vicente García de Mateos ao topo. Pódio já sabe o que é, mas a Aviludo-Louletano sempre sonhou alto, mesmo que não tenha um conjunto que meça forças ao mesmo nível da W52-FC Porto ou a Efapel. Porém, já demonstrou que De Mateos pode intrometer-se na luta.

A Rádio Popular-Boavista tem "jogado por fora". No entanto, está lá sempre com homens no top dez e a ganhar etapas. Também sabe vencer por equipas, que tem sido um dos objectivos, já que a geral é mais difícil. João Benta e David Rodrigues costumam animar etapas e este ano há ainda Luís Fernandes. O espanhol Alberto Gallego, vencedor na Prova de Abertura Região de Aveiro, não vai passar despercebido.

O Feirense irá à procura de etapas... e a amarela. Rafael Reis irá a fundo no prólogo deste domingo para repetir o que conseguiu em 2018, pela Caja Rural, quando vestiu a amarela durante os três primeiros dias.

A LA Alumínios-LA Sport vai com ambições altas. Em 2019 venceu a classificação da juventude e a equipa tem crescido nesta nova era do projecto, com Hernâni Brôco ao leme. Emanuel Duarte será o destaque e, quem sabe, a olhar para um top dez.

O Miranda-Mortágua tem Joaquim Silva como grande aposta para finalmente dar uma vitória de etapa à equipa e também é ciclista que, em forma, pode alcançar uma boa classificação. Já foi fundamental na W52-FC Porto, passou sem sucesso na Caja Rural. Agora tem uma oportunidade para mostar o seu valor como líder na Volta.

Para o fim fica a Kelly-Simoldes-UDO (novo nome). A equipa de Manuel Correia merece destaque porque chega a Volta como a que mais ganhou em 2020: quatro vitórias, entre elas três títulos nacionais e o triunfo na Clássica da Primavera. Henrique Casimiro é mais um ciclista que procurou libertar-se do papel de gregário, ou de segunda aposta, com a equipa a ter ainda Luís Gomes e um campeão de sub-23 Fábio Costa sempre à espreita de um bom sprint.

As equipas estrangeiras

É sempre uma incógnita saber com que intenção vêm as equipas estrangeiras à Volta. Ganhar etapas, ganhar forma, lutar pela geral... Ao olhar-se para a lista, Ricardo Vilela e José Neves, da Burgos-BH, são dois ciclistas que vamos ver, afinal estão a correr em casa.

Destaque ainda para Delio Fernandez, espanhol que aos 34 anos representa a Nippo Delko One Provence, que tem José Azevedo como director desportivo. O experiente ciclista conhece bem o pelotão português, pois representou o Boavista e a actual W52-FCPorto (então OFM-Quinta da Lixa), entre 2011 e 2015. Já conta com vitórias em três etapas na Volta a Portugal, além da geral no Troféu Joaquim Agostinho, em 2014, tendo sido terceiro na Volta nesse mesmo ano. Diego Rubio (ex-Efapel) será outro regresso, mas pela Burgos-BH.

As cinco equipas estrangeiras são todas do segundo escalão, ProTeam: duas espanholas, duas francesas e uma dos EUA. Na Arkéa Samsic é impossível não destacar Anthony Delaplace, um ciclista com sete presenças na Volta a França. Estará ainda presente a Caja Rural e a americana Rally Cycling, uma equipa jovem e que gosta de animar corridas.

A má notícia

Infelizmente o pelotão irá ser mais curto do que o previsto, isto já tendo em conta que foi cortado em 20%, como medida de precaução devido à pandemia. João Salgado testou positivo à covid-19 e foi excluído, como levou os responsáveis a decidir tirar toda a Equipa Portugal da prova. Uma enorme desilusão para os jovens sub-23 escolhidos, que tão pouco tem competido este ano e que iriam ter uma grande oportunidade para se mostrar na Volta a Portugal.

Prólogo: Fafe – Fafe, 7 quilómetros (CRI)


O pelotão partirá assim com 98 ciclistas para os sete quilómetros de prólogo em Fafe e que, mesmo sendo uma distância curta, já deixará algumas diferenças entre candidatos, mas não se espera que sejam significativas.

David Rodrigues (Rádio Popular-Boavista) será o primeiro a partir às 15:43, mas aqui ficam alguns dos ciclistas a ter em atenção (arrancam com um minuto de diferença). Em baixo pode ver o quadro com a lista de inscritos.

  • 16:13: Emanuel Duarte (LA Alumínios-LA Sport)
  • 16:52: Amaro Antunes (W52-FC Porto)
  • 17:00: Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel)
  • 17:03: Mauro Finetto (Nippo Delko One Provence)
  • 17:06: Gustavo César Veloso (W52-FC Porto)
  • 17:07: João Benta (Rádio Popular-Boavista)
  • 17:08: Joaquim Silva (Miranda-Mortágua)
  • 17:10: Henrique Casimiro (Kelly-Simoldes-UDO)
  • 17:11: Rafael Reis (Feirense)
  • 17:12: Joni Brandão (Efapel)
  • 17:13: Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano)
  • 17:16: Gavin Mannion (Rally Cycling)
  • 17:19: José Neves (Burgos-BH)
  • 17:20: João Rodrigues (W52-FC Porto)

Lista de inscritos (clique na imagem para ampliar):


9 de setembro de 2020

Volta a Portugal ganha forma. Edição Especial já tem etapas

© João Fonseca Photographer
Agora sim, cresce o sentimento que temos Volta! Foram divulgadas as oito etapas mais o prólogo da considerada Edição Especial da Volta a Portugal, que se realizará entre 27 de Setembro e 5 de Outubro. As principais novidades? Viana do Castelo e Viseu estão presentes, dois dos municípios que disseram que não queriam receber a corrida este ano, quando esta estava agendada na data original. Guarda, outro local reticente na altura, também está presente como cidade de partida no dia da chegada à Torre.

Já era conhecida a etapa da Senhora da Graça, que surge logo ao terceiro dia, depois do habitual prólogo que será em Fafe e uma primeira etapa que obriga os candidatos à vitória na geral a estarem bem. Termina na pequena, mas por norma espectacular subida a Santa Luzia, em Viana do Castelo.

Quanto à Senhora da Graça, sabe-se agora que antes da mítica subida do Monte Farinha, o pelotão terá de ultrapassar o Marão e o Barreiro. Esta última já não basta ser difícil, ainda tem zonas em empedrado para tornar a passagem ainda mais complicada. Além das três primeiras categorias, a subida ao Velão também está incluída, sendo de quarta categoria.



Surgir tão cedo no percurso poderá proporcionar uma selecção logo ao terceiro dia daqueles que estão de facto em condições de lutar pela vitória final ou, pelo menos, provocar problemas a algum ciclista que comece mal a Volta.


A Torre como etapa rainha, pois claro

2019 marcou o regresso da Torre a um final de etapa à Volta quatro anos depois, com uma etapa que teve quatro contagens de montanha (uma segunda, duas terceiras e uma quarta), antes da histórica subida final na Serra da Estrela. Não foram feitas grandes diferenças, com João Rodrigues a ser o vencedor.

Então, o dia começou na Pampilhosa da Serra. Desta feita, Guarda será o local de partida, com a subida às Penhas Douradas a ser aquela que começará por testar os ciclistas. É uma escolha que poderá ajudar a mexer com a etapa entre os favoritos. É uma segunda categoria, que será seguida por uma terceira em Sarzedo antes do pelotão começar a longa ascensão (cerca de 20 quilómetros) até à Torre.

Como é normal, será a única categoria especial na Volta a Portugal e surgirá apenas dois dias depois da Senhora da Graça. Menos etapas, mais intensidade!


Etapa de homenagem


De realçar a tirada (sexta) que recordará um momento do ciclismo português: o cinquentenário da primeira vitória de Joaquim Agostinho na Volta a Portugal. Esta conquista será recordada com um dia na região Oeste, com as Caldas da Rainha e Torres Vedras a receberam a partida e chegada, respectivamente, numa tirada de 155 quilómetros. É uma etapa com terreno ondulado, ainda que sem contagens de montanha. Contudo, dado ser uma zona em que o vento faz-se muitas vezes sentir, pode ser um dia em que será necessária muita atenção dos ciclistas que ambicionam a camisola amarela.



Regresso a Lisboa

Depois do final apoteótico no Porto em 2019, numa Avenida dos Aliados que se encheu de adeptos para celebrar a vitória de João Rodrigues (W52-FC Porto), o final da Volta regressa a Lisboa. Não haverá certamente tantas pessoas, até porque os tempos que vivemos não o permitem.

A última vez que houve festa na capital, foi também na Praça do Comércio, quando Rui Vinhas (W52-FC Porto) surpreendeu ao conquistar a edição de 2016. De referir que este final já havia sido anunciado no final do ano passado, numa altura em que estávamos longe de imaginar como seria viver em tempos de pandemia.

A Edição Especial é organizada pela Federação Portuguesa de Ciclismo, depois da Podium, a quem os direitos estão cedidos, ter adiado a 82ª edição para 2021. A Volta a Portugal ir para a estrada será muito importante para tentar garantir a sobrevivências das equipas e do próprio ciclismo nacional.

As etapas:

Prólogo (27 de Setembro): Fafe – Fafe, 7 quilómetros (CRI)
1ª Etapa (28 de Setembro): Montalegre – Santa Luzia (Viana do Castelo), 180 quilómetros
2ª Etapa (29 de Setembro): Paredes – Senhora da Graça (Mondim de Basto), 167 quilómetros
3ª Etapa (30 de Setembro): Felgueiras – Viseu, 171,9 quilómetros
4ª Etapa (1 de Outubro): Guarda – Torre (Covilhã), 148 quilómetros
5ª Etapa (2 de Outubro): Oliveira do Hospital – Águeda, 176,3 quilómetros
6ª Etapa (5 de Outubro): Caldas da Rainha – Torres Vedras, 155 quilómetros
7ª Etapa (4 de Outubro): Loures – Setúbal, 161 quilómetros
8ª Etapa (5 de Outubro): Lisboa – Lisboa, 17,7 quilómetros (CRI)

Neste especial da Volta a Portugal pode ver os perfis de todas as etapas da Edição Especial.

Volta em números:
  • 1183,9 quilómetros será distância total a percorrer da Edição Especial da Volta a Portugal 2020;
  • Haverá três etapas com final em montanha: Santa Luzia, em Viana do Castelo, terceira categoria, Senhora da Graça, em Mondim de Basto, primeira categoria, e Torre (Covilhã), categoria especial;
  • Para a luta da camisola da montanha, haverá 17 contagens: uma de categoria especial, três de primeira categoria, três de segunda, quatro de terceira e seis de quarta;
  • Serão 24,7 quilómetros de contrarrelógio: sete no prólogo e 17,7 na última etapa;
  • A distância da etapa mais longa será a primeira, com 180 quilómetros entre Montalegre e Santa Luzia, em Viana do Castelo.

31 de dezembro de 2019

Momentos de 2019 em Portugal

2020 está já aí, mas antes de se olhar para o novo ano, aqui ficam cinco marcos da época  por cá, com um inevitável destaque para a Volta a Portugal, mas sem esquecer como uma das novas estrelas do ciclismo mundial começou a mostrar-se nas estradas algarvias.

Emoção final na Volta a Portugal
(© Podium/Paulo Maria)
É inevitável começar pelo emocionante última dia de Volta a Portugal. Dois ciclistas partiram em igualdade pontual, com Joni Brandão de amarelo. Tinha a experiência do seu lado, sendo um ciclista que já havia subido ao pódio. O rival era o jovem João Rodrigues, que em dois anos teve uma rápida ascensão na hierarquia da W52-FC Porto, tendo trabalhado muito o contra-relógio. Naquele 11 de Agosto, num Porto vestido de azul e branco, Rodrigues fez valer essa aposta no esforço individual e bateu o rival da Efapel, deixando-o a 27 segundos. A emoção desportiva só beneficiou daquele ambiente sensacional na Avenida dos Aliados, num dos finais mais bonitos de anos mais recentes na Volta a Portugal. Foi uma corrida que por si só até merece outros destaques, como as vitórias de Rodrigues e de António Carvalho na Serra da Estrela (foi o regresso da Torre como local de meta) e Senhora da Graça, respectivamente, sem esquecer o triunfo no nevoeiro da Serra do Larouco de Luís Gomes, da Rádio Popular-Boavista.

Emanuel Duarte venceu juventude na Volta e conquista a do Futuro
(© Podium/Paulo Maria)
Mas destaca-se outro momento na Volta a Portugal, alargado depois à do Futuro. A vitória de Emanuel Duarte foi importante para mostrar a relevância da aposta de três equipas em serem Continentais sub-25 (denominação que não existirá em 2020, mantendo-se o escalão). Não foram anos fáceis para LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua ou UD Oliveirense-InOutBuild, mas todas tiveram os seus momentos e a vitória de Ramalho na classificação da juventude da Volta a Portugal foi o ponto alto. O ciclista da LA Alumínios-LA Sport sofreu para segurar a camisola branca e fê-lo por apenas dois segundos frente ao basco Urko Berrade (Fundação Euskadi), mas tornou-se no primeiro português a conseguir esta camisola desde David Rodrigues em 2014. Foi naturalmente um momento ofuscado pela vitória de João Rodrigues na geral, mas a conquista de Emanuel Duarte merece reconhecimento, sem esquecer que foi depois à Volta à Portugal do Futuro vencer a amarela.

Henrique Casimiro conquista Troféu Joaquim Agostinho
(© João Fonseca Photographer)
Uma vitória que também envolveu muita emoção, mas numa perspectiva diferente: "É uma vitória que dedico à família. Há seis anos, quando fiz terceiro, a minha esposa, que estava grávida, perdeu a nossa filha. Ficou prometido que venceria o Troféu Joaquim Agostinho para lhe dedicar. Mais do que um objectivo desportivo, este era um compromisso pessoal." Henrique Casimiro cumpriu a promessa e foi um homem muito emocionado no final de uma das mais importantes corridas do calendário nacional. Em 2018, quatro segundos separaram-no do primeiro lugar, em 2019 eram oito os que o mantinham novamente em segundo antes da última etapa. No Montejunto não ganhou, mas alcançou a diferença necessária para tirar a amarela a Gustavo Veloso, que até caiu para quinto. Um grande dia para um ciclista que tem sido tão importante na Efapel, muito regular e de confiança quando está na ajuda aos líderes. Prepara-se para um novo desafio na Kelly-InOutBuild-UDO.

Pogacar ascende ao estrelato no Algarve
(© João Calado/Volta ao Algarve)
O actor principal foi um esloveno, mas o palco foi a Volta ao Algarve, a corrida de categoria mais elevada na UCI em Portugal. Por isso, aqui se coloca como um dos momentos a vitória de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) primeiro no Alto da Fóia, numa exibição que - perante o que se viu mais tarde na época - foi apenas uma demonstração da enorme qualidade deste ciclista. Em segundo, o destaque vai para a conquista da Algarvia, numa luta no Malhão em que não baixou os braços e assim venceu, no seu ano de estreia no World Tour, a primeira corrida de uma carreira que tanto promete.

Mais um jovem a mostrar-se
(© João Fonseca Photographer)
A Vito-Feirense-PNB tem feito questão de ter no seu plantel ciclistas que, terminada a fase de juniores, possam evoluir como sub-23 numa estrutura profissional. A pressão é, naturalmente reduzida, mas a ambição destes jovens é sempre enorme. Pedro Andrade tornou-se num dos rostos da nova geração por dois motivos. Primeiro surpreendeu ao conquistar a sua primeira vitória, com apenas 19 anos, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota (23 de Junho), num triunfo em que não se pode esquecer a ajuda de outro ciclista jovem da equipa, João Barbosa. Segundo, Pedro Andrade tornou-se no próximo português a entrar numa das melhores equipas de formação mundial, a Hagens Berman Axeon, que irá representar em 2020. Seguirá os passos de Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira, João Almeida e André Carvalho. Este último será companheiro de equipa de Andrade, filho de Joaquim Andrade, director da Vito-Feirense-PNB e antigo ciclista, e neto de um corredor que venceu a Volta a Portugal, também de nome Joaquim Andrade.

120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo
Há que não deixar passar esta marca. É a federação mais antiga de Portugal, numa modalidade que continua a ser das mais admiradas no país, tanto entre os que seguem as corridas, como aqueles que não dispensam a bicicleta na sua vida. O trabalho do organismo abrange hoje todos, os profissionais, os amadores, aposta nas crianças num programa de apoio que chega às escolas. Mas o Ciclismo para Todos é mesmo para todas as idades. É impossível não destacar o trabalho nas selecções que tantas medalhas tem rendido, na estrada, na pista (que está perto de um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos) e no BTT. Hoje temos dois campeões do mundo de elite, Tiago Ferreira (BTT - XCM) e Rui Costa (estrada).




30 de dezembro de 2019

Mais um ano de vitórias, uma nova figura central, mas um 2020 a começar com uma preocupação

(© João Fonseca Photographer)
A nível interno foi um ano habitual para a W52-FC Porto. Ou seja, soma vitórias durante todo o ano, com diferentes ciclistas e termina a ganhar a Volta a Portugal. A novidade chamou-se João Rodrigues, que aproveitou a oportunidade para se tornar numa das figuras do ciclismo nacional. Há um ano foi o gregário de luxo de Raúl Alarcón, em 2019 foi ele o dono da camisola amarela na Volta. Porém, sendo Profissional Continental, olhava-se para a W52-FC Porto com outra responsabilidade a nível internacional. Somou alguns top dez, mas não será aposta para continuar.

Apesar da subida de escalão, o director desportivo Nuno Ribeiro deixou sempre bem claro que os objectivos internos mantinham-se inalterados. E mais uma vez esta W52-FC Porto demonstrou todo o seu poderio, reforçado por ser Profissional Continental. Plantel maior e reforçado com referências das equipas rivais, como Daniel Mestre e Edgar Pinto (Efapel e Vito-Feirense, respectivamente), recuperando Joaquim Silva e Rafael Reis (estavam na Caja Rural) e começando o trabalho com dois jovens da Miranda-Mortágua, Jorge Magalhães e Francisco Campos.

É este lado de desenvolver jovens da W52-FC Porto que se tem de falar dado o sucesso de João Rodrigues. Está desde 2016 na equipa, tem apenas 25 anos e foi sendo preparado precisamente para o momento que viveu em Agosto, numa Avenida dos Aliados com um ambiente sensacional para consagrar o vencedor da Volta a Portugal. O plano inicial era ser aposta no início da temporada, para ser testado no papel de líder. Ganhou a Volta ao Alentejo, tendo no contra-relógio alcançado a sua primeira vitória como profissional.

A Volta era para Raúl Alarcón, que ia procurar a terceira conquista. Caiu no Grande Prémio Abimota, partiu a clavícula e ficou de fora. Gustavo Veloso foi chamado para substituir e há muito que não se via o espanhol àquele nível. Mas era a Volta de Rodrigues, que não se assustou com um Joni Brandão (Efapel) forte. O colectivo da W52-FC Porto voltou a fazer a diferença e no final, quando tudo dependia só dele, Rodrigues fez valer toda a sua preparação nos últimos dois anos para se tornar num bom contra-relogista. António Carvalho, Ricardo Mestre, Daniel Mestre (vencedor da classificação dos pontos), Edgar Pinto e um Samuel Caldeira que foi uma autêntica locomotiva a puxar o pelotão em muitas etapas, controlaram a corrida. A equipa venceu ainda cinco etapas, incluindo na Serra da Estrela e na Senhora da Graça!

Mas há que dar valor a toda a temporada. 18 vitórias (etapas, clássicas e classificações gerais), ao que se junta mais 15 classificações como montanha, pontos e por equipas. Ganharam os mais experientes - Ricardo Mestre conquistou o Grande Prémio Jornal de Notícias, por exemplo -, ganharam os mais novos, com Francisco Campos a fechar o ano a vencer a Rota da Filigrana, a nova corrida do calendário nacional, depois de já ter ser o mais forte no Grande Prémio Anicolor.

Lá fora, Edgar Pinto foi a principal escolha. Já tem experiência após dois anos na Skydive Dubai e em 2018, já no Feirense, venceu a Volta à Comunidade de Madrid. Este ano venceu uma etapa nas Astúrias e foi quinto na Volta à Turquia, uma corrida World Tour. Já na recta final da temporada, Joaquim Silva foi à China ser sétimo, depois de ter sido 10º no Luxemburgo.

No entanto, esta aposta na subida de escalão não compensou o esforço financeiro dos patrocinadores. Em algumas corridas lá fora, principalmente por Espanha, a W52-FC Porto esteve um pouco aquém do valor que tinha. A equipa estará de regresso ao nível Continental em 2020. Esta situação levou ciclistas como Joaquim Silva (Miranda-Mortágua), Rafael Reis (Feirense) e António Carvalho (Efapel) a mudarem de ares, à procura de mais liberdade para alcançar os seus resultados, já que não haverá tantas corridas para dividir lideranças. César Fonte também está de saída para a Efapel.

Nada que preocupe em demasia Nuno Ribeiro, que recuperou Amaro Antunes, de regresso após dois anos na CCC. Vai partilhar estatuto de líder com João Rodrigues, depois de ter feito uma dupla imbatível com Alarcón. Um desafio interessante. De um lado um Rodrigues vencedor da Volta e que quer mais de forma a ambicionar chegar a uma equipa World Tour, do outro um Amaro à procura de repetir o fabuloso ano de 2017.

Mas a maior preocupação não será conjugar estes dois ciclistas, mas sim lidar com uma indefinição chamada Alarcón. O espanhol está suspenso provisoriamente por suspeita de "uso de métodos proibidos e/ou substâncias proibidas", segundo a UCI. Não só a W52-FC Porto não sabe se poderá contar com Alarcón em 2020, como se o pior acontecer e o ciclista for sancionado, uma das dúvidas é se as irregularidades abrangem as duas Voltas a Portugal que venceu.

Será impossível afastar o fantasma que esta situação trará à equipa até que o caso seja concluído. Entretanto, além de Amaro Antunes, foi anunciado como reforço José Mendes. O campeão nacional vai deixar o Sporting-Tavira para vestir de azul e branco, mas terá um papel mais de apoio aos líderes, diferente do que aconteceu na formação algarvia. O espanhol Raúl Rico, que em Junho assinou pela Vito-Feirense-PNB, também é dado como ciclista da formação do Sobrado em 2020.

A equipa continuará forte naquele que será o ano de despedida de Gustavo Veloso, mas a Efapel está a tentar aproximar-se do nível da rival. O projecto de ser Profissional Continental foi curto, mas não restam dúvidas que para 2020, mesmo com as saídas e a dúvida sobre Alarcón, a W52-FC Porto será novamente a equipa que todos quererão bater e não será fácil.

Veja neste link todas as vitórias da W52-FC Porto e das restantes equipas portuguesas de elite.

Equipa para 2020: João Rodrigues, Rui Vinhas, Edgar Pinto, Samuel Caldeira, Daniel Mestre, Ricardo Mestre, Francisco Campos, Jorge Magalhães, Raúl Alarcón, Gustavo Veloso, Tiago Ferreira, Amaro Antunes (CCC), José Mendes (Sporting-Tavira), Raúl Rico (Vito-Feirense-PNB).


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11 de agosto de 2019

João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Não era para ser já. João Rodrigues estava a ser preparado para assumir a responsabilidade de liderar a W52-FC Porto na Volta a Portugal em breve. Mas não já. A equipa acreditava que estava perante um ciclista que tinha tudo para ganhar a Volta. Mas não já. O ano começou com o algarvio a ser testado nesse papel de líder. Passou exemplarmente, com destaque para a vitória na Alentejana, mas não só. A Volta era para Raúl Alarcón. Contudo, uma queda trocou as voltas ao espanhol, vencedor das últimas duas edições. Não era para ser já, mas teve mesmo de ser e não havia razões para hesitar. Rodrigues foi eleito um dos líderes. Gustavo Veloso acabou por estar muito tempo na linha da frente, mas mais uma queda trocou mais umas voltas, mas não a Volta de João Rodrigues. Venceu justamente a Grandíssima que em 2019 fez jus ao nome, tal como teria sido justo se Joni Brandão a tivesse conquistado. Numa Avenida dos Aliados vestida de azul e branco, levantou o troféu o algarvio que conquistou o norte.

Um jovem Rodrigues, de apenas 18 anos, viveu uma experiência que não esqueceu quando em 2015 fez a estreia na Volta a Portugal. Sofreu, mas terminou. Desde logo ficou a vontade de trabalhar mais e melhor para um dia regressar e cumprir o sonho de ser o campeão. Deixou a equipa da sua região, o Tavira, quando a W52-FC Porto o chamou para lhe permitir evoluir e explorar o potencial que os responsáveis viam em Rodrigues. Durante duas temporadas, o algarvio foi sendo preparado, em corridas em que tinha a responsabilidade de trabalhar para colegas, mas sem a pressão de apresentar resultados.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
João Rodrigues preferiu dar este passo em detrimento de procurar uma equipa de clube, por exemplo, onde, como sub-23, talvez pudesse ter mais destaque. No entanto, não só nunca se arrependeu da escolha, como em 2018 ficou claro como tinha sido a mais correcta. Finalmente regressou à Volta a Portugal. Um João tão diferente do jovem inexperiente de 2015. Apareceu em grande na fase decisiva da corrida, contribuindo e muito para que Alarcón vencesse pela segunda vez. O verdadeiro gregário de luxo, mas que mostrava que podia ser mais.

Esta época deram-lhe liberdade na "sua" Volta ao Algarve e João Rodrigues fez nono, um ano depois de até ter ido ao pódio para vestir a camisola azul da montanha, ainda que só por um dia. Nesse top dez ficaram nomes como Wout Poesl (Ineos), Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) e Sam Oomen (Sunweb), por exemplo, sem esquecer o vencedor Tadej Pogacar (UAE Team Emirates), um dos jovens que este ano se afirmou no World Tour.

Rodrigues continuou a afirmar-se por cá. Por agora... A W52-FC Porto apostou nele para a Clássica da Arrábida, mas um azar na subida final, tirou-o da discussão. Foi à Volta ao Alentejo alcançar finalmente a sua primeira vitória como profissional. Um contra-relógio, uma especialidade que nos últimos dois anos tanto tem trabalhado. Venceu mesmo a geral e até lhe custava acreditar no que tinha acabado de alcançar. Mal ele sabia que um fantástico 2019 estava apenas a começar! Seguia-se a possibilidade de se mostrar numa corrida World Tour. Ficou doente e a Volta a Turquia ficou fora do seu calendário, para sua enorme desilusão.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Mas ainda tinha tanto por ambicionar. Seria sempre um dos planos da equipa para a Volta a Portugal, mesmo com Raúl Alarcón como primeira escolha. Uma fractura na clavícula no Grande Prémio Abimota afastou o esapnhol. Rodrigues acabou como provável número um, mesmo que Gustavo Veloso, o suplente chamado à última hora, surgisse numa forma como já não se esperava. Rodrigues respeita a hierarquias e sempre colocou Veloso como líder, ainda mais com o espanhol de amarelo. No entanto, foi o algarvio que foi rei na Torre, um sinal que estava mesmo muito bem. A queda em Bragança foi um enorme susto. Rodrigues ainda foi ao hospital, mas estava tudo bem. Veloso ficou pior, além de Daniel Mestre ter partido uma costela.

A Volta deu mesmo uma volta, com Joni Brandão a aparecer em grande e a W52-FC a fraquejar um pouco. Só um pouco. Rodrigues respondeu na Senhora da Graça ao segundo de desvantagem e partiu de igual para igual com Brandão para o contra-relógio. A especialidade que tanto tem trabalhado acabou por lhe render duas conquistas no ano em que se tornou definitivamente uma figura do pelotão nacional.  27 segundos ficaram a separar os dois após 19,5 quilómetros entre Gaia e Porto. Não ficaram dúvidas de quem era o mais forte, tal como não ficam dúvidas que Rodrigues é o mais recente valor nacional a despontar e logo com a vitória mais desejada.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
E não esquecer, além das duas etapas do algarvio, Samuel Caldeira ganhou o prólogo, Daniel Mestre a terceira etapa e ainda conquistou a classificação dos pontos, mesmo com a costela partida. António Carvalho venceu na Senhora da Graça e a W52-FC Porto foi novamente a vencedora por equipas.

João Rodrigues tem 24 anos, faz 25 a 15 de Novembro. Vão colocar-se questões sobre o seu futuro. Vai a W52-FC Porto colocá-lo como líder indiscutível para a Volta de 2020, ou irá partilhar o estatuto de Alarcón? Irá Rodrigues ficar por Portugal? Apesar de sair para equipas com outros potenciais ser objectivo para qualquer ciclista, também é verdade que alguns valores nacionais têm feito carreira por cá: Joni Brandão (Efapel) e Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) são dois exemplos disso mesmo.

Haverá tempo para responder às questões sobre o futuro deste ciclista tão completo e ainda com margem para continuar a evoluir. Agora é altura de celebrar um triunfo especial por ser a Volta a Portugal, por ser a primeira conquista em apenas três participações e por ter sido numa das melhores, mais difícil e mais emocionante edições dos últimos anos. Não era para ser já, mas para a W52-FC Porto e para o seu director desportivo, Nuno Ribeiro, acabou por ser o momento certo! Ficou a confirmação que a aposta e a crença no potencial do jovem Rodrigues foram completamente acertadas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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10 de agosto de 2019

Final de Volta a Portugal mais emocionante é impossível

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A etapa da Senhora de Graça foi rainha e foi mesmo decisiva para esta Volta a Portugal. Foi decisiva para tornar esta uma das edições mais emocionantes, mais espectaculares e de nervos à flor da pele. Este domingo vai ser mesmo assim: de nervos. Dois ciclistas partem em igualdade de tempo. Um deles é há muito visto como um dos portugueses com mais potencial para vencer a Volta. O outro confirmou há um ano o seu potencial e em 2019 "explodiu", tornando-se num dos mais recentes valores do ciclismo nacional. Agora já não interessa quem tem a equipa mais forte, já não interessa o que aconteceu de bom e de mau na última semana e meia. Agora Joni Brandão e João Rodrigues têm 19,5 quilómetros para disputar uma camisola amarela que há muito não estava tão indefinida na derradeira etapa. Gustavo Veloso perdeu contacto, mas para um excelente contra-relogista como o espanhol, 40 segundos não é missão impossível.

E como é no contra-relógio que todos já estão a pensar, então fale-se dele. 30 anos depois o Porto recebe o final da Volta. O director da corrida Joaquim Gomes, venceu nesse 1989. A derradeira tirada liga Gaia ao Porto num percurso que não se adapta ao contra-relogista que gosta mais de rolar. Tem subidas que vão quebrar o ritmo e tem descidas em que haverá de ponderar entre o risco para não perder tempo e o cuidado para evitar algum dissabor.

É um contra-relógio que agrada a Joni Brandão, 29 anos - já duas vezes segundo na Volta -, que tanto tem trabalhado esta especialidade e até ganhou a crono-escalada do Grande Prémio Jornal de Notícias. Mas também João Rodrigues adapta-se bem ao percurso. Há um ano, numa conversa com o ciclista, o algarvio explicou ao Volta ao Ciclismo como estava a tentar evoluir no esforço individual. Pouco depois demonstrou como todo o trabalho estava a dar frutos quando foi segundo no contra-relógio final da Volta a Portugal em Fafe.

Em 2019, esse treino pode ter um outro resultado bem mais importante e o ciclista, que aos 24 anos está cada vez mais completo, já teve um marcante: a primeira vitória como profissional de João Rodrigues foi no contra-relógio da Volta ao Alentejo, corrida que acabaria por conquistar.

Partir em igualdade para a última etapa é inédito, segundo a organização da Volta a Portugal, tal como será uma estreia se um destes ciclistas ganhar, a não ser que Veloso (39 anos) consiga um contra-relógio de luxo para alcançar uma terceira vitória que já não se acreditava que viria a lutar. Para quem ficou de fora dos eleitos da W52-FC Porto e foi chamado após a exclusão de Raúl Alarcón devido a lesão, foi uma prestação de nível do veterano corredor. Tem estado em quebra desde a queda de Bragança, mas continua na luta.

Ao contrário de Vicente García de Mateos, outro bom contra-relogista e que terminou no pódio nas duas últimas edições da Volta a Portugal. Desta feita, não a vai concluir. Uma indisposição obrigou o espanhol da Aviludo-Louletano a abandonar na etapa deste sábado. Os companheiros Oscar Hernandez e André Evangelista seguiram o exemplo.

Aliás, a nona tirada teve nove abandonos, a maioria devido a uma queda na descida após passar pelo Viso, uma segunda categoria que antecedeu as três de primeira, em 133,5 quilómetros muito intensos. Uma das vítimas foi Unai Cuadrado (Fundação Euskadi), líder da juventude. Emanuel Duarte saltou do terceiro lugar nesta classificação para o primeiro, para vestir novamente a camisola branca. Tem 56 segundos de vantagem sobre outro basco, Urko Berrade (Euskadi-Murias), para tentar segurar o que pode ser uma enorme vitória para a LA Alumínios-LA Sport, equipa Continental sub-25 e 100% portuguesa.

W52-FC Porto ao ataque e duas classificações fechadas


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Como já se esperava, a W52-FC Porto esteve ao ataque. O objectivo era rapidamente começar a eliminar os ciclistas da Efapel. E quando começaram as primeiras categorias do Alto da Barra e do Barreiro, os homens de amarelo pagaram o preço de ter de trabalhar na primeira fase da corrida, pois não podiam dar liberdade a António Carvalho, que entrou na fuga. O momento importante foi quando Edgar Pinto saiu do grupo e levou com consigo Henrique Casimiro. Acabariam apanhados, mas o corredor que tanto ajudou Brandão nesta Volta ficou desgastado e quebrou na Senhora da Graça.

Joni Brandão ficou sozinho, mas até quase que chegou. Gustavo Veloso não teve pernas para acompanhar o camisola amarela e só João Rodrigues não largou a roda do líder da Efapel e da Volta. O ciclista da W52-FC Portou contra-atacou nos metros finais para eliminar o segundo que o separava de Brandão e quase apanhava o companheiro António Carvalho, o vencedor do dia.

E são quatro etapas para a equipa azul e branca: Samuel Caldeira (prólogo), Daniel Mestre (quarta), João Rodrigues (quinta, chegada à Torre) e agora Carvalho na Senhora da Graça. A W52-FC Porto também tem garantida a camisola verde dos pontos. Daniel Mestre só tem de cumprir o contra-relógio. Tem uma costela partida após a queda em Bragança e está a realizar feito um grande esforço para continuar em prova e assim subir ao pódio na Avenida dos Aliados.

Luís Gomes também já assegurou o seu lugar no pódio final ao ser o rei da montanha. O ciclista da Rádio Popular-Boavista não teve para brincadeiras e começou a somar pontos na primeira subida de quarta categoria, logo a abrir a etapa. Antes da Senhora da Graça já tinha fechado as contas. A equipa trabalhou muito este sábado e até Joni Brandão tentou que o pudesse ajudar à falta de companheiros da Efapel. Chegou ao ponto de ir buscar água para entregar aos ciclistas da Rádio Popular-Boavista. O esforço dos corredores de José Santos não rendeu uma terceira vitória de etapa, mas ajudou a manter a liderança na classificação colectiva. Tem 2:51 minutos sobre a W52-FC Porto.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Horários do contra-relógio

Domingo cai o pano numa Volta a Portugal que se esperava que, perante o difícil e montanhoso percurso e a boa forma de Joni Brandão, pudesse significar mais emoção e uma ameaça ao domínio da W52-FC Porto. Estamos a ter tudo isso e até se pode dizer que a corrida está a superar expectativas. 

James Fourie (ProTouch) será o primeiro a sair para o contra-relógio às 14:57. Na luta pela juventude, Urko Berrade partirá às 16:22 e Emanuel Duarte às 16:23. O top dez vai para a estrada às 16:32 com Henrique Casimiro. Na discussão pela camisola amarela, Gustavo Veloso arranca às 16:46, João Rodrigues às 16:48 e Joni Brandão às 16:50.

»»W52-FC Porto ao ataque, Efapel à defesa e a Rádio Popular-Boavista a intrometer-se««

»»Um segundo chegou para Joni Brandão colocar a W52-FC Porto numa posição pouco habitual««