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1 de fevereiro de 2021

União entre uma equipa e um ciclista que tanto querem ganhar novamente a Volta a Portugal

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Gustavo Veloso está há cinco anos a tentar uma muito desejada conquista da sua terceira Volta a Portugal. Em Tavira suspira-se por uma vitória nessa corrida há mais tempo. O último a vencer foi Ricardo Mestre, em 2011. A equipa algarvia bem tem tentado encontrar forma de colocar o seu líder no topo do pódio. Esteve perto com Joni Brandão e Frederico Figueiredo mais recentemente. Veloso, desde que Rui Vinhas o bateu em 2016, que tem de viver com uma concorrência interna, onde há sempre alguém pronto a ser líder e a obrigar o espanhol a ficar em segundo plano. 2020 foi a gota de água. Apesar da boa forma, a W52-FC Porto concentrou-se em Amaro Antunes. Veloso adiou a reforma e assinou por uma equipa do Tavira que estará totalmente à sua disposição.

Vinhas, um gregário por excelência, surpreendeu em 2016, é certo. A partir de então Veloso ou não esteve no seu melhor, ou a escolha de líder acabou por ser outra. Com 40 anos, apresentou-se fortíssimo na última Volta a Portugal, sendo mais uma vez segundo, atrás de um companheiro de equipa. Agora com já com 41, celebrados a 29 de Janeiro, prepara-se para a que deverá ser a sua derradeira tentativa. Despedir-se de uma longa carreira em tempo de pandemia, com tão poucas corridas realizadas na época passada e depois de estado tão bem na Volta, não parecia bem. Por isso, adiou a reforma por uma época, mas era necessário mudar de ares.

A Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel espera que as ganas de ganhar e a boa forma que Veloso apresentou em 2020 persistam este ano. Apesar de Frederico Figueiredo demonstrar na primeira época em que não teve concorrência pela liderança que poderia ser uma boa aposta, o ciclista mudou-se para a Efapel, o que ajuda a que não haja questões de quem é o número um na formação algarvia. E é mesmo isso que Veloso quer.

Uma das curiosidades será o reencontro com Alejandro Marque. O primeiro dissabor numa Volta a Portugal foi em 2013. Ambos estavam na OFM-Quinta da Lixa (actual W52-FC Porto), quando Marque venceu a Volta, batendo Veloso, por apenas quatro segundos. Nos dois anos seguintes, Veloso venceria, já sem Marque como colega de equipa.

Marque é mais um veterano no pelotão nacional, completando 40 anos em Outubro. Apesar de manter a ambição de querer lutar por vitórias, de temporada para temporada as suas exibições têm ficado cada vez mais longe do que é necessário para disputar a corrida mais desejada, apesar das boas classificações finais, com top 10 ou top 15.

Volvidos oito anos irá Marque dar uma preciosa ajuda para Veloso vencer a Volta? A necessidade de um bom braço-direito na montanha é crucial para tentar fazer frente à W52-FC Porto. Veloso mais do que ninguém, sabe disso.

Este conhecimento poderá ser muito importante na forma como a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel enfrentará essa corrida. Afinal, Veloso tem um conhecimento profundo de como a equipa rival se prepara tacticamente. No entanto, o director Vidal Fitas também irá precisar de um Aleksandr Grigorev e de Alvaro Trueba a grande nível. São dois ciclistas que cumprem a bem a missão de gregário e em quem o responsável confia, mas que cedem cedo na montanha.

E aqui entrará Emanuel Duarte. O melhor jovem da Volta em 2019 e vencedor da Volta a Portugal do Futuro nesse mesmo ano, deixa a LA Alumínios-LA Sport para continuar a sua progressão numa das principais estruturas do pelotão nacional. Com Veloso a ser uma solução de curta duração, Duarte terá a possibilidade de evoluir em 2021, sempre com os olhos postos em bons resultados, claro, e mais tarde assumir-se ele próprio com um papel de maior destaque. É uma aposta de futuro.

Assim como Rafael Lourenço (23 anos), ainda que com objectivos diferentes. Estreou-se como profissional no Sporting-Tavira em 2016, mas na temporada seguinte mudou-se para a formação de Oliveira de Azeméis (actual Kelly-Simoldes-UDO), na qual evoluiu as suas qualidades de sprinter. Será um reencontro com César Martingil. Ambos são muito lutadores e podem ser solução para tentar conquistar vitórias ao longo do ano e não apenas a pensar na Volta.

O espanhol Samuel Blanco (26) está de regresso a Portugal - representou a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e a Liberty Seguros, no final da época de 2018, tendo sido companheiro de Lourenço e Martingil -, sendo mais um homem rápido para o plantel do Tavira.

Quatro reforços com ambição, enquanto entre as permanências está um Rúben Simão que vai continuar o seu trabalho de evolução (tem apenas 20 anos) e estão ainda mais dois ciclistas da total confiança de Vidal Fitas. Valter Pereira (30 anos) tem feito a sua carreira no Tavira, tal como David Livramento (37), um dos corredores mais respeitados do pelotão nacional. São ambos gregários, trepadores e que poderão fazer parte de um grupo muito experiente na ajuda a Veloso.

É o tudo por tudo do espanhol para ganhar novamente a Volta antes de colocar um ponto final na carreira, com a histórica formação do Tavira à procura de maior glória, que há tanto tempo lhe escapa. Aposta forte nessa corrida, mas a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel tem um plantel que poderá conquistar outros triunfos relevantes durante a temporada, principalmente entre os ciclistas mais jovens, ambiciosos e sempre prontos a mostrar o que valem.

Permanências: Alejandro Marque, Aleksandr Grigorev, Alvaro Trueba, César Martingil, David Livramento, Rúben Simão, Valter Pereira.

Reforços: Emanuel Duarte (LA Alumínios-LA Sport), Gustavo Veloso (W52-FC Porto), Rafael Lourenço (Kelly-Simoldes-UDO), Samuel Blanco (Super Froiz).

»»Ano de continuidade mas com um regresso há muito esperado««

»»Nova era no Louletano-Loulé Concelho««

19 de fevereiro de 2020

"Conheço a Fóia de olhos fechados"

Emanuel Duarte quando venceu a primeira etapa da Volta a Portugal do Futuro
© Podium/Paulo Maria
Não é qualquer um que pode dizer que começa a época a correr em casa, na corrida de categoria mais alta em Portugal - a Volta ao Algarve - e ao lado de ciclistas como Mathieu van der Poel, Vincenzo Nibali, Remco Evenepoel, Geraint Thomas ou Miguel Ángel López. O que Emanuel Duarte mais quer é no final da etapa da Fóia ver o seu nome junto das grandes figuras. Não entra em euforias, mas lá avisa que se há subida que conhece é a da Serra de Monchique e que tudo vai fazer para aguentar o máximo possível ao lado de algumas das referências mundiais que estão na Algarvia.

O corredor da LA Alumínios-LA Sport pode agora dizer que é um dos atletas emergentes do ciclismo nacional, depois de um 2019 memorável. Natural de Portimão, não escondeu o quanto é especial poder dar as primeiras pedaladas oficiais da temporada em casa e logo na Volta ao Algarve. Claro que se falou da etapa da corrida que melhor assenta às suas características e está tudo muito bem estudado, como revelou ao Volta ao Ciclismo: "Conheço a Fóia de olhos fechados. Na Pomba acho que vai ficar tudo partido lá. A parte inicial [da Fóia] é muito inclinada [máxima de 9,3%], é preciso ter pernas para aguentar o ritmo forte. Acho que vão ver-se ali os primeiros ataques. Depois há uma parte mais rolante e a seguir é sempre constante, 6/7% até lá acima."

A colocação será por isso chave, além de boa condição física. Um dos aspectos fundamentais da segunda etapa é a subida da Pomba ficar imediatamente antes da Fóia. Ou seja, se alguém perder contacto com a frente da corrida, não terá muito tempo para recuperar. A Fóia tem cerca de 7,5 quilómetros categorizadas, numa etapa de 183,9, com Sagres a regressar à Algarvia, agora como local de partida de uma tirada.

Já quando se fala do Malhão (quarta etapa, no sábado), Emanuel Duarte não esconde que não lhe agrada tanto. Pede mais "explosão", o que não beneficia o ciclista. "O Malhão já não é muito ao meu jeito, é uma subida explosiva e agora tem um alcatrão novo. Parece que agarra ainda mais. É uma subida complicada", contou. Mas ficou a garantia: "Vou tentar andar bem. Treinei muito para estar aqui na melhor condição possível. Claro que é complicado ao ser a primeira prova da época, mas vamos ver como estão as pernas. E optimista que vão estar boas!"


"Não somos uma equipa qualquer. Podemos lutar por vitórias e acho que este ano temos hipótese de ganhar, ir para as fugas e lutar por camisolas e mesmo pelas gerais"

Na Volta ao Algarve, Emanuel Duarte quer arrancar para uma época forte, apostando muito nas provas por etapa. Reconhece que depois de vencer a classificação da juventude da Volta a Portugal e pouco depois a Volta a Portugal do Futuro, é um corredor que receberá mais atenção. "Este ano vai ser uma etapa nova para mim. É o primeiro ano de elite, já não vou lutar pela juventude na Volta a Portugal. Vamos ter de encarar para a geral. Tenho a mentalidade de tentar fazer do que no ano passado", afirmou. Na Volta, isso significará ir além do 17º lugar.

Como principais objectivos até à Volta, o ciclista de 23 anos tem o Grande Prémio das Beiras e Serra da Estrela (17 a 19 de Abril), Abimota (10 a 14 de Junho) e o Troféu Joaquim Agostinho (16 a 19 de Julho). E que não restem dúvidas, depois dos resultados alcançados no ano passado, a LA Alumínios-LA Sport está com a confiança em alta e já não pensa apenas em entrar em fugas e mostrar a camisola. Agora qualquer um dos ciclistas sabe que é possível vencer. "Não somos uma equipa qualquer. Podemos lutar por vitórias e acho que este ano temos hipótese de ganhar, ir para as fugas e lutar por camisolas e mesmo pelas gerais."

Por momentos recuou-se ao momento em que subiu ao pódio numa Avenida dos Aliados com muito público, num ambiente incrível para o final da Volta a Portugal, em Agosto. Emanuel Duarte parecia então que estava com dificuldades em acreditar que ali estava a vestir a camisola branca da juventude. "Não estava nada à espera. Foi um sonho...", confessou. Realçou como tinha ido para a corrida com a missão de ajudar António Barbio, mas na etapa rainha tudo mudou. "Na Serra da Estrela, tive pernas e vi que tinha a oportunidade para lutar pela juventude e a partir daí começou um sonho e lutei por ele até ao fim e consegui. Na Volta a Portugal do Futuro sabia que tinha hipóteses, que estava em boa forma depois da Volta a Portugal, mas mais uma vez não estava à espera de conseguir ganhar", recordou.

Estas vitórias foram importantes para o projecto da LA Alumínios-LA Sport, que tem Hernâni Brôco como director desportivo. Porém, Emanuel Duarte rapidamente recusa ficar com o mérito todo, pois foi uma temporada positiva para a equipa em geral. Exemplificou como o facto de David Ribeiro ter andado um dia como líder da montanha na Volta ao Algarve ter sido muito relevante. "Pode ter sido só um dia, mas marcou o nome da LA para o resto da época", frisou, não esquecendo como o mesmo ciclista repetiu o feito na Volta a Portugal.

Com a equipa a querer continuar a crescer e a consolidar-se como formação Continental, este ano chegou um ciclista a quem experiência não falta. Emanuel Duarte não hesita e elogiar e a valorizar a contratação de Bruno Silva, antigo corredor da Efapel. "Tem muita experiência, já ganhou a camisola da montanha na Volta a Portugal... Não é um ciclista qualquer para dar apoio. Em certos momentos vai saber manter a calma e a experiência dele vai ser muito importante para nós", referiu.

Aqui ficam os ciclistas que estão na Volta ao Algarve, com os respectivos dorsais: 211-Emanuel Duarte, 212-Gonçalo Leaça, 213-André Ramalho, 214-David Ribeiro, 215-Marvin Scheulen, 216-Bruno Silva, 217-Miguel Salgueiro.


31 de dezembro de 2019

Momentos de 2019 em Portugal

2020 está já aí, mas antes de se olhar para o novo ano, aqui ficam cinco marcos da época  por cá, com um inevitável destaque para a Volta a Portugal, mas sem esquecer como uma das novas estrelas do ciclismo mundial começou a mostrar-se nas estradas algarvias.

Emoção final na Volta a Portugal
(© Podium/Paulo Maria)
É inevitável começar pelo emocionante última dia de Volta a Portugal. Dois ciclistas partiram em igualdade pontual, com Joni Brandão de amarelo. Tinha a experiência do seu lado, sendo um ciclista que já havia subido ao pódio. O rival era o jovem João Rodrigues, que em dois anos teve uma rápida ascensão na hierarquia da W52-FC Porto, tendo trabalhado muito o contra-relógio. Naquele 11 de Agosto, num Porto vestido de azul e branco, Rodrigues fez valer essa aposta no esforço individual e bateu o rival da Efapel, deixando-o a 27 segundos. A emoção desportiva só beneficiou daquele ambiente sensacional na Avenida dos Aliados, num dos finais mais bonitos de anos mais recentes na Volta a Portugal. Foi uma corrida que por si só até merece outros destaques, como as vitórias de Rodrigues e de António Carvalho na Serra da Estrela (foi o regresso da Torre como local de meta) e Senhora da Graça, respectivamente, sem esquecer o triunfo no nevoeiro da Serra do Larouco de Luís Gomes, da Rádio Popular-Boavista.

Emanuel Duarte venceu juventude na Volta e conquista a do Futuro
(© Podium/Paulo Maria)
Mas destaca-se outro momento na Volta a Portugal, alargado depois à do Futuro. A vitória de Emanuel Duarte foi importante para mostrar a relevância da aposta de três equipas em serem Continentais sub-25 (denominação que não existirá em 2020, mantendo-se o escalão). Não foram anos fáceis para LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua ou UD Oliveirense-InOutBuild, mas todas tiveram os seus momentos e a vitória de Ramalho na classificação da juventude da Volta a Portugal foi o ponto alto. O ciclista da LA Alumínios-LA Sport sofreu para segurar a camisola branca e fê-lo por apenas dois segundos frente ao basco Urko Berrade (Fundação Euskadi), mas tornou-se no primeiro português a conseguir esta camisola desde David Rodrigues em 2014. Foi naturalmente um momento ofuscado pela vitória de João Rodrigues na geral, mas a conquista de Emanuel Duarte merece reconhecimento, sem esquecer que foi depois à Volta à Portugal do Futuro vencer a amarela.

Henrique Casimiro conquista Troféu Joaquim Agostinho
(© João Fonseca Photographer)
Uma vitória que também envolveu muita emoção, mas numa perspectiva diferente: "É uma vitória que dedico à família. Há seis anos, quando fiz terceiro, a minha esposa, que estava grávida, perdeu a nossa filha. Ficou prometido que venceria o Troféu Joaquim Agostinho para lhe dedicar. Mais do que um objectivo desportivo, este era um compromisso pessoal." Henrique Casimiro cumpriu a promessa e foi um homem muito emocionado no final de uma das mais importantes corridas do calendário nacional. Em 2018, quatro segundos separaram-no do primeiro lugar, em 2019 eram oito os que o mantinham novamente em segundo antes da última etapa. No Montejunto não ganhou, mas alcançou a diferença necessária para tirar a amarela a Gustavo Veloso, que até caiu para quinto. Um grande dia para um ciclista que tem sido tão importante na Efapel, muito regular e de confiança quando está na ajuda aos líderes. Prepara-se para um novo desafio na Kelly-InOutBuild-UDO.

Pogacar ascende ao estrelato no Algarve
(© João Calado/Volta ao Algarve)
O actor principal foi um esloveno, mas o palco foi a Volta ao Algarve, a corrida de categoria mais elevada na UCI em Portugal. Por isso, aqui se coloca como um dos momentos a vitória de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) primeiro no Alto da Fóia, numa exibição que - perante o que se viu mais tarde na época - foi apenas uma demonstração da enorme qualidade deste ciclista. Em segundo, o destaque vai para a conquista da Algarvia, numa luta no Malhão em que não baixou os braços e assim venceu, no seu ano de estreia no World Tour, a primeira corrida de uma carreira que tanto promete.

Mais um jovem a mostrar-se
(© João Fonseca Photographer)
A Vito-Feirense-PNB tem feito questão de ter no seu plantel ciclistas que, terminada a fase de juniores, possam evoluir como sub-23 numa estrutura profissional. A pressão é, naturalmente reduzida, mas a ambição destes jovens é sempre enorme. Pedro Andrade tornou-se num dos rostos da nova geração por dois motivos. Primeiro surpreendeu ao conquistar a sua primeira vitória, com apenas 19 anos, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota (23 de Junho), num triunfo em que não se pode esquecer a ajuda de outro ciclista jovem da equipa, João Barbosa. Segundo, Pedro Andrade tornou-se no próximo português a entrar numa das melhores equipas de formação mundial, a Hagens Berman Axeon, que irá representar em 2020. Seguirá os passos de Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira, João Almeida e André Carvalho. Este último será companheiro de equipa de Andrade, filho de Joaquim Andrade, director da Vito-Feirense-PNB e antigo ciclista, e neto de um corredor que venceu a Volta a Portugal, também de nome Joaquim Andrade.

120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo
Há que não deixar passar esta marca. É a federação mais antiga de Portugal, numa modalidade que continua a ser das mais admiradas no país, tanto entre os que seguem as corridas, como aqueles que não dispensam a bicicleta na sua vida. O trabalho do organismo abrange hoje todos, os profissionais, os amadores, aposta nas crianças num programa de apoio que chega às escolas. Mas o Ciclismo para Todos é mesmo para todas as idades. É impossível não destacar o trabalho nas selecções que tantas medalhas tem rendido, na estrada, na pista (que está perto de um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos) e no BTT. Hoje temos dois campeões do mundo de elite, Tiago Ferreira (BTT - XCM) e Rui Costa (estrada).




24 de novembro de 2019

Passo de qualidade e de sucesso na LA Alumínios-LA Sport

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Vitória na classificação da juventude da Volta a Portugal, conquista da Volta a Portugal do Futuro e mais duas etapas, um circuito e outros bons resultados que foram levando alguns ciclistas da LA Alumínio-LA Sport ao pódio, ou, pelo menos, mostravam, corrida após corrida, como estavam a evoluir. Depois do um ano zero de 2018 como equipa Continental sub-25, foi dado um grande passo de qualidade. E a ambição continua a crescer, com reforços bem interessantes a chegar à equipa de Hernâni Brôco.

Com a UD Oliveirense-InOutBuild e a Miranda-Mortágua a serem há alguns anos referências na formação de jovens ciclistas - para referir as outras duas estruturas de clube que subiram a Continental - , em duas temporadas a LA Alumínios-LA Sport mostrou que quer e pode também ser um bom exemplo. Desde a criação da equipa que o director desportivo tem um discurso de motivar os seus atletas, para acreditarem neles perante um pelotão com ciclistas com mais experiência, passando a palavra que era possível triunfar um dia atingir o sonhado triunfo. Ao segundo ano chegaram as vitórias e logo aquelas que estas três equipas colocam como principais objectivos.

É preciso não esquecer que, como patrocinador, a LA Alumínios deixou uma estrutura de elite para apostar nos jovens e não demorou a alcançar destaque. O que Emanuel Duarte fez na Volta a Portugal marcará a ainda curta carreira, mas também foi de extrema importância para a equipa. Há um ano, foram as constantes presenças em fugas que ajudaram a mostrar a camisola. Agora esteve no pódio final com uma das camisolas.

E inevitavelmente Emanuel Duarte terminou a época como uma das grandes figuras. Vencer a camisola da juventude e depois conquistar a Volta a Portugal do Futuro comprovou o potencial que Brôco viu neste ciclista que conheceu na Sicasal-Constantinos (estrutura também de extrema relevância na formação em Portugal), sendo que em 2018, Duarte esteve na FGP-Cube-Bombarral. Será agora um ciclista que irá gerar alguma curiosidade na sua evolução, numa altura em que passará ao escalão de elite.

Mas há outro ciclista que não pode ficar esquecido. David Ribeiro representa tudo o que Brôco pede aos seus corredores. É muito combativo e essa características levaram-o ao pódio na Volta ao Algarve um dia para vestir a camisola da montanha, feito que repetiu na Volta a Portugal. Não as manteve, mas não deixou de ser um destaque quando se fala das duas competições mais importantes em Portugal. Além disso, passou 2019 na luta por bons resultados e não surpreende que vá continuar, assim como Emanuel Duarte.

Hernâni Brôco vai mesmo manter grande parte do seu plantel, pois tanto Gonçalo Leaça - que tal como Ribeiro está na equipa desde 2018 - Marvin Scheulen e André Ramalho (vencedor do Circuito de Alcobaça) deram garantias que podem contribuir para que a LA Alumínios-LA Sport possa dar mais um passo em frente em 2020. Rodrigo Caixas também irá prosseguir e depois de um ano de adaptação, visto ter sido o seu primeiro como sub-23, a responsabilidade e a aposta neste jovem irá aumentar.

Quanto a reforços, chegará um ciclista muito importante. Bruno Silva foi um dos homens de trabalho da Efapel nos últimos três anos, mas aos 31 anos irá assumir funções bem diferentes. Bruno Silva terá a oportunidade de ser líder, mas será principalmente uma voz de comando e de muita experiência, que poderá fazer diferença num grupo com os ciclistas muito jovens. António Barbio teve esse papel esta temporada, mas decidiu colocar um ponto final na carreira aos 25 anos, tal como André Crispim (23).

Na Efapel não foram muitas as oportunidades que teve para se mostrar, mas em 2019, por exemplo, ganhou o Circuito de Nafarros e somou classificações da montanha: na Volta a Castela e Leão, Memorial Bruno Neves e no Grande Prémio Jornal de Notícias.

Depois chegará Miguel Salgueiro. E fica já o aviso para se seguir com muita atenção este ciclista. É o autêntico todo-o-terreno numa perspectiva que não há vertente em que não tenha qualidade. BTT, ciclocrosse, Salgueiro está sempre na luta por vitórias, tal como na estrada. A sua subida a uma equipa Continental era previsível depois das boas temporadas na Sicasal-Constantinos e de se já ter destacado como júnior. Ciclista rápido e, lá está, muito combativo como Hernâni Brôco tanto gosta. Impossíveis para Salgueiro, não existem.

O açoriano João Medeiros convenceu a LA Alumínios-LA Sport durante o estágio na segunda metade da temporada, com o júnior João Macedo a ser outra das contratações. Venceu a Volta ao Concelho de Loulé, uma das competições de referência do escalão. Estava no Bairrada, estrutura que não é estranha a ver ciclistas seus chegarem longe no ciclismo, por exemplo, João Almeida, que vai para a Deceuninck-QuickStep. Outro júnior a subir a sub-23 será Rafael Gouveia, que será promovido da equipa de Paio Pires.

A LA Almunínios-LA Sport vai querer continuar a afirmar-se na luta da juventude, mas o próximo passo já começa a passar por almejar a uma conquista de maior destaque entre a elite.

Equipa para 2020: Emanuel Duarte (22 anos), David Ribeiro (24), Marvin Scheulen (22), André Ramalho (23), Gonçalo Leaça (22), Rodrigo Caixas (19), Bruno Silva (31, Efapel), Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos), João Macedo (18, Bairrada), João Medeiros (19, Juventude Lajense/Terauto/Bike, estagiou com a LA Alumínios-LA Sport na segunda metade da temporada de 2019), Rafael Gouveia (18, Paio Pires).

Veja aqui as conquistas das nove equipas Continentais portuguesas em 2019.


»»Trio de luxo para colocar bem alta a expectativa da Efapel««

»»Regresso de Joaquim Silva fecha plantel mais experiente««

27 de setembro de 2019

Eekhoff inconformado com desqualificação. Título mundial foi para Itália

(Imagem: print screen)
Nils Eekhoff nem queria acreditar no que lhe estava a acontecer. Samuele Battistella demorou um pouco a perceber o que lhe estava a acontecer. O primeiro ganhou um difícil sprint para ser campeão do mundo de sub-23. Mas foi o segundo que acabou a vestir a camisola do arco-íris. Uma desqualificação que está a custar e muito a Eekhoff aceitar, deu o título ao italiano, numa decisão pouco ou nada pacífica dado o passado recente. Numa fase ainda inicial da corrida, Eekhoff caiu e para recuperar o seu lugar no grupo principal, ficou algum tempo atrás do carro da equipa. Com recurso ao video-árbitro, os comissários da UCI não perdoaram.

De repente a Volta a Espanha regressa à mente. O dia em que Primoz Roglic e Miguel Ángel López ficaram para trás após queda e os comissários autorizaram que ficassem atrás dos carros, enquanto na frente a Movistar atacava. Também fica por perceber porque a decisão não foi tomada durante a corrida, evitando toda esta situação. Eekhoff viu os regulamentos serem respeitados à risca e o holandês não se conforma. "Nem sei bem o que sentir neste momento... estou furioso", desabafou. E explicou o que aconteceu: "Caí e desloquei o ombro, meti no sítio, mas também tive um problema mecânico, por isso demorei mais. Voltei e o carro levou-me até à caravana e a partir daí fui sozinho até ao pelotão."

A queda acontece a cerca de 125 quilómetros da meta. "Na minha opinião, eu lutei. Deveria ser possível após uma queda poder ser levado até à caravana. Não sabia que estava a correr um risco", disse. Até à desqualificação passou cerca de uma hora, mas, entretanto, Eekhoff já tinha sido chamado pelo júri da corrida. Ao ser confirmado que não seria o campeão mundial, o holandês admitiu que só queria ir para casa. No hotel foi confortado pelos pais, mas não será fácil para o jovem ciclista lidar com a desilusão, apesar da SEG Cycling, que o representa, estar a analisar se poderá recorrer da decisão da UCI.

Já Samuele Battistella nem percebia o que se estava a passar quando lhe disseram que era ele o campeão mundial de sub-23, em Yorkshire. Só com a camisola do arco-íris vestida e com a medalha de ouro ao peito, finalmente acreditou e percebeu que era mesmo o seu grande momento. "Sinto-me o vencedor. Ele foi desqualificado e há uma razão porque ele não é o vencedor. Lamento por ele, mas eu sou o vencedor. Isto é o ciclismo", afirmou o italiano. O suíço Stefan Bissegger ficou com a medalha de prata, enquanto o fenómeno britânico Thomas Pidcock ganhou assim o bronze.


A corrida foi feita a grande ritmo, com os 171,6 quilómetros a serem feito a uma média horária de 44,025. Chuva, frio, vento, foi um daqueles dias que era certo que vai proporcionar uma prova acidentada e muito complicada, se não mesmo impossível, de controlar. E assim foi. O quarteto português que o diga. Nenhum conseguiu ficar no pequeno grupo que viria a discutir a vitória. Na subida de Greenhow foi feita a selecção, na qual já não estava Emanuel Duarte. Miguel Salgueiro acabou por ceder, enquanto André Carvalho e João Almeida, que não estava muito bem colocados, acabaram por ficar no corte. O primeiro ainda se viu envolvido num incidente que não ajudou nada.

Ainda assim, Carvalho foi o melhor português, na 30ª posição, a 3:02 minutos do vencedor. "Eu sabia que devia colocar-me melhor na fase decisiva e tentei fazê-lo, mas tive um toque com um corredor dos Estados Unidos. Não caí, mas perdi alguns metros para a frente e fiquei com o guiador virado para baixo, tendo de fazer mais de 50 quilómetros numa posição incómoda", explicou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Miguel Salgueiro foi 57º e João Almeida 76º, a 12:42 minutos. Emanuel Duarte abandonou.

Da parte da manhã, competiu Daniela Campos, que se estreou na prova de juniores com um 83º lugar, a 13:21 minutos da campeã que confirmou as expectativas, a americana Megan Jastrab. "A corrida foi caótica. A dada altura, para tentar evitar uma queda, fiz um movimento da perna que me deixou com o pé preso entre o quadro e a roda de trás. A bicicleta começou a travar e as corredoras que vinham atrás chocaram comigo e caí pela segunda vez", contou a ciclista. Nesta queda, Daniela Campos teve de trocar de bicicleta e perdeu muito tempo, mas não quis abandonar, mostrando mais uma vez o seu forte carácter.

Este sábado corre Maria Martins, que pela primeira vez estará entre a elite mundial, visto não haver escalão de sub-23 nas corridas femininas. Será o dorsal 143, com a prova a começar às 11:40 (Eurosport 1), sendo 149,4 quilómetros muito exigentes.

Classificações da corrida de sub-23, via First Cycling.




»»Domingos Gonçalves de fora dos Mundiais««

»»Juniores campeões mundiais em Yorkshire já estão a caminho de uma equipa World Tour««

8 de setembro de 2019

Emanuel Duarte conquista Volta a Portugal do Futuro

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Final de época de sonho para a LA Alumínios-LA Sport. Depois de conquistar a classificação da juventude na Volta a Portugal, Emanuel Duarte foi até à do Futuro confirmar esse estatuto de melhor jovem vencendo a competição mais desejada para o seu escalão de sub-23. É a afirmação de um projecto 100% português, liderado por Hernâni Brôco.

O ciclista algarvio, de 22 anos, venceu a primeira etapa, na quinta-feira, e não mais largou a camisola amarela. O último dia não foi fácil, com duas segundas categorias em Serra de São Mamede e Cabeço do Mouro. Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos) fugiu para a vitória em Portalegre, com Emanuel Duarte e o companheiro Gonçalo Leaça a controlarem as operações e até conseguiram um pequeno corte de quatro segundos para Pedro Miguel Lopes, que ainda aspirava à vitória final. O jovem da UD Oliveirense-InOutBuild terminou na geral a 1:11 minutos,  saltando da quarta posição para a segunda. Contudo, não conseguiu dar continuidade à senda de vitórias da equipa de Manuel Correia, depois de José Neves ganhar em 2017 e Venceslau Fernandes em 2018.

"É uma alegria imensa. A equipa veio para cá a pensar na vitória. Felizmente conseguimos duas camisolas, a amarela e a branca, o que para nós tem uma importância imensa", salientou Emanuel Duarte, o detentor da amarela, enquanto a branca (dos pontos) ficou para Leaça, que no sábado venceu o contra-relógio. Foi uma Volta a Portugal memorável para a equipa que arrancou em 2018 com um patrocinador bem conhecido do ciclismo nacional, mas com uma nova estrutura, dedicada aos sub-25. Pertence ao escalão Continental, o que permite competir em todas as competições do calendário nacional (e não só), como a Volta ao Algarve e a Volta a Portugal.

O ano zero (2018) não foi fácil, mas foram criadas as bases para que fosse possível preparar melhor 2019 e os resultados estão à vista, pois às conquistas de Emanuel Duarte, junta-se a vitória de André Ramalho no Circuito de São Bernardo, em Alcobaça. Além dos triunfos houve outras exibições de nota, sem esquecer como David Ribeiro foi líder da montanha por um dia na Volta ao Algarve e, depois de muito lutar, também chegou a andar de azul na Volta a Portugal.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Tiago Leal (Miranda-Mortágua) fechou o pódio na Volta a Portugal do Futuro, a 2:00 minutos de Emanuel Duarte. A UD Oliveirense-InOutBuild conquistou a classificação por equipas, com Pedro Miguel Lopes a ter como consolação a camisola laranja da geral da juventude. Com a fuga do último dia, Miguel Salgueiro foi o rei da montanha.

Etapas:

1ª Sertã (115,6 quilómetros): Emanuel Duarte (LA Alumínios-LA Sport)
2ª Abrantes (168,2): Rafael Lourenço (UD Oliveirense-InOutBuild)
3ª Abrantes-Castelo de Vide (79,9): Jose Martinez (Baque-Ideus-BH Team)
4ª Castelo de Vide (8,4 - contra-relógio individual): Gonçalo Leaça (LA Alumínios-LA Sport)

5ª Portalegre (122,8): Carlos Salgueiro (Sicasal-Constantinos)

(Nota: No sábado houve dupla jornada, com uma etapa em linha de manhã e o contra-relógio à tarde.)

Classificações via FirstCycling.


A época de ciclismo em Portugal aproxima-se rapidamente do fim. No sábado (14 de Setembro) realiza-se a última prova de estrada, com a estreia da clássica Rota da Filigrana Gondomar-Póvoa de Lanhoso, que contará com as equipas sub-25 e o pelotão de elite. A 5 de Outubro a temporada encerrá oficialmente com o habitual Festival de Pista de Tavira.

»»Rafael Silva conquista o merecido prémio com vitória em Albergaria««

»»As equipas da Volta a Portugal uma a uma««

6 de agosto de 2019

LA Alumínios-LA Sport lidera duas classificações na Volta a Portugal: "Melhor acho que era impossível"

(Fotografia: © João Fonseca Photographer / LA Alumínios-LA Sport)
O objectivo estava bem definido: vestir a camisola da montanha com David Ribeiro, o máximo de tempo possível. Porém, a meio da Volta a Portugal, a LA Alumínios-LA Sport está a superar expectativas, sendo uma das equipas em destaque na prova rainha do ciclismo nacional. Não é qualquer uma que pode dizer que divide as camisolas com a toda poderosa W52-FC Porto, ao vestir duas das quatro em discussão. O feito tem ainda mais significado quando se está perante uma formação que, sendo Continental, é sub-25 e 100% portuguesa. David Ribeiro andou desde a primeira etapa atrás da camisola azul da montanha e finalmente conseguiu-a na Guarda, antes do dia folga. Já Emanuel Duarte subiu a Torre com categoria e veste de branco, como líder da juventude. O que se pode dizer? "Melhor acho que era impossível", afirmou Hernâni Brôco.

É, naturalmente, um director desportivo feliz e muito orgulhoso do que foi alcançado. E esperançoso. É o primeiro a admitir que a sua equipa terá um desafio muito complicado para manter as duas camisolas. Contudo, garantiu que todos os ciclistas vão à luta para que pelo menos uma fiquei na LA Alumínios-LA Sport e assim haver um corredor no pódio no grande final da Volta no Porto. "O que lhes disse foi que chegámos onde chegámos e vamos desfrutar ao máximo do dia de descanso e destas duas camisolas. Agora que as temos vestidas é tentar segurá-las ao máximo e, quem sabe, chegar ao Porto de azul ou de branco. Seria fantástico ficar pelo menos com uma camisola. Sabemos que é difícil, mas vamos lutar por ela com todas as nossas forças", salientou Hernâni Brôco ao Volta ao Ciclismo.

O responsável explicou como o plano inicial era David Ribeiro repetir o feito da Volta ao Algarve, quando vestiu na primeira etapa a camisola da montanha. O basco Peio Goikoetxea começou por estragar a festa, mas Ribeiro não baixou os braços. Hernâni Brôco sabe que com chegadas na Serra do Larouco e na Senhora da Graça pela frente, além de muitas subidas pelo meio, que o seu jovem ciclista de 23 anos, não vai ter uma missão nada fácil. Entrar em fugas será essencial para manter o sonho vivo.


"É difícil gerir as emoções. Para a maior parte é a primeira Volta que fazem e em Portugal é a única prova com um mediatismo tão grande. Eles não estão habituados"

"Quanto à juventude, sabia que tinha dois atletas bastante fortes para esta camisola. Com o Emanuel, na chegada à Torre, numa subida tão longa, eu sabia que ele ia fazer diferenças", admitiu. Se o corredor de 22 anos mantiver o nível, os seus maiores adversários deverão ser dois bascos: Unai Cuadrado (21 anos, Fundação Euskadi), a 33 segundos e Urko Berrade (21, Euskadi-Murias), a 1:04 minutos. Na quarta posição surge outro português, mas Pedro José Lopes (UD Oliveirense-InOutBuild) está a mais de 15 minutos.

Agora será preciso gerir emoções num ambiente a que estes jovens ciclistas estão pouco habituados. Neste aspecto, Hernâni Brôco realça a importância de António Barbio. Os objectivos pessoais do ciclista não correram de feição e Barbio já deixou de parte a intenção de procurar um bom lugar na geral. O director desportivo afirmou que foi o próprio ciclista a dizer que queria lutar por o que a equipa já tinha. "Isso deixa-me orgulhoso e tranquilo", referiu. "É difícil gerir as emoções. Para a maior parte é a primeira Volta que fazem e em Portugal é a única prova com um mediatismo tão grande", realçou, acreditando que a equipa vai continuar à altura do desafio.

Independentemente do que venha a acontecer, a Volta a Portugal da LA Alumínios-LA Sport já terá o carimbo de muito positiva. O projecto sub-25 nasceu em 2018 e deu um salto de qualidade em 2019. Luís Almeida "deixou" a elite para apostar na formação e de ciclistas portugueses. Brôco e os seus corredores destacam sempre como o seu patrocinador nunca lhes coloca pressão para alcançar vitórias, mas o trabalho de evolução está à vista, tentando tornar-se na prova como as equipas sub-25 têm o seu espaço e o seu sucesso, apesar de não ser consensual no ciclismo nacional as vantagens deste tipo de estruturas. Além da LA Alumínios-LA Sport, estão no pelotão nacional na mesma condição a UD Oliveirense-InOutBuild de Manuel Correia e a Miranda-Mortágua de Pedro Silva.

A LA Alumínios-LA Sport vai partir para a sexta etapa com todos os seus elementos em prova e com todos focados em continuar a realizar uma Volta de sonho: 171-António Barbio, 172-Gonçalo Leaça, 173-Emanuel Duarte, 174-David Ribeiro, 175-Fábio Oliveira, 176-André Ramalho, 177-Marvin Scheulen.

6ª etapa: Moncorvo - Bragança, 189,2 km



O regresso à competição será o dia perfeito para os homens mais rápidos do pelotão aproveitarem a oportunidade para conquistar uma vitória, com as decisões na geral a começarem-se a jogar na quinta-feira, na Serra do Larouco. Daniel Mestre tem três metas volantes para defender e até tentar consolidar a sua liderança na classificação dos pontos. Soma 81, mais 29 do que o norueguês August Jensen (Israel Cycling Academy). Além de ajudar Mestre, a W52-FC Porto irá proteger a camisola amarela de Gustavo Veloso e o segundo lugar de João Rodrigues, pois aproximam-se as etapas decisivas, antes do contra-relógio final.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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»»João Rodrigues perfeito, Veloso de amarelo, Mestre de verde. Domínio da W52-FC Porto intocável após a Torre««