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1 de janeiro de 2020

Principais transferências e calendário nacional de 2020

(© João Fonseca Photographer)
Ano novo, equipamentos novos! É tempo dos ciclistas que mudaram de equipas mostrarem as novas cores. Algumas das formações que ainda não tinham apresentado as escolhas de camisola e calções para 2020, revelaram como se vão apresentar e até houve a confirmação de como se chamará a equipa de Mathieu van der Poel: Alpecin-Fenix (ex-Corendon-Circus). Nas redes sociais sucederam-se neste primeiro dia de 2020 as fotografias de muitas das figuras internacionais que vão começar uma nova fase na carreira, mas por cá, o ritmo é diferente. Com a época a arrancar a 16 de Fevereiro, durante este mês ficar-se-á a conhecer mais pormenores sobre equipamentos e bicicletas das nove equipas portuguesas Continentais e alguma eventual contratação de última hora.

Só a Kelly-InOutBuild-UDO (UD Oliveirense-InOutBuild em 2019) já avançou com o novo nome e a camisola a usar em 2020. Porém, já se conhecem as muitas mexidas no pelotão, com alguns dos principais ciclistas a competirem por cá a serem protagonistas de transferências, algumas que até surpreenderam um pouco. E claro que há o regresso de um ciclista muito apreciado pelos adeptos. Amaro Antunes está de volta à W52-FC Porto, dois anos depois de ter partido para a CCC, com 2019 a ter sido ano de presença no World Tour.

A equipa que tem dominado a Volta a Portugal e grande parte da temporada nacional, contratou ainda o campeão nacional José Mendes. Porém, o destaque deste defeso vai para a rival Efapel. E é isso mesmo que a equipa de Rúben Pereira quer ser: uma rival à altura da W52-FC Porto. Até foi buscar dois ciclistas aos azuis e brancos: António Carvalho e César Fonte.

O primeiro não deixou de ser uma surpresa. Era um dos esteios da equipa de Nuno Ribeiro, um elemento essencial nas conquistas das últimas Voltas, além de alcançar também vitórias pessoais, como no Grande Prémio Jornal de Notícias. Procura ter mais liberdade, mas na Efapel terá Joni Brandão à frente na hierarquia. A Efapel contratou ainda Tiago Machado (ex-Sporting-Tavira) e o sempre muito lutador Luís Mendonça (ex-Rádio Popular-Boavista). Outro destaque é o jovem Tiago Antunes (SEG Racing).

Estas contratações fazem perspectivar uma época mais equilibrada entre estas duas equipas e a expectativa de uma luta ainda mais feroz na Volta a Portugal. Ambas estão a fazer-se valer de financeiramente serem claramente as que de melhor saúde gozam em Portugal e assim garantir muitos dos melhores ciclistas que competem no pelotão nacional.

Com a descida ao escalão Continental, a W52-FC Porto reduziu um pouco o plantel e ficou sem ciclistas como Joaquim Silva e Rafael Reis, mas a preocupação está mesmo se Raúl Alarcón vai ou não ser suspenso, depois da análise positiva divulgado pela UCI num teste anti-doping. O espanhol está suspenso provisoriamente, garante que está inocente, mas é para já baixa na equipa. Contudo, com João Rodrigues e Amaro Antunes a liderança está assegurada e alguns dos principais gregários vão continuar. Continua a ser uma equipa muito forte.

Se a Efapel quer equiparar-se à W52-FC Porto, as restantes equipas podem não ter os mesmos argumentos, mas não significa que não possam ter boas temporadas. A Aviludo-Louletano, por exemplo, contratou dois bons ciclistas. João Matias será homem do sprint, enquanto Jesus del Pino irá reforçar o bloco de apoio a Vicente García de Mateos. Ambos deixaram a Vito-Feirense-PNB. Sergey Shilov (Gazprom-RusVelo) apresenta-se, para já, como uma incógnita sobre o que poderá acrescentar à equipa, ainda que já tenha vencido uma etapa na Volta em 2014.  No entanto, a equipa algarvia perdeu uma das figuras dos últimas duas temporadas. Luís Fernandes será um reforço importante para a Rádio Popular-Boavista.

Gonçalo Carvalho (UC Mónaco) também será aposta do director José Santos, um dos jovens a seguir em 2020 juntamente com Miguel Salgueiro, que depois de dois anos na Sicasal-Constantinos, chega à elite na LA Alumínios-LA Sport. Dois atletas de enorme de qualidade.

Mas quanto aos mais experientes, Henrique Casimiro troca a Efapel pela Kelly-InOutBuild, que irá contar também com Luís Gomes (ex-Rádio Popular-Boavista), vencedor de uma etapa na Volta a Portugal em 2019. Casimiro venceu o Troféu Joaquim Agostinho. Bruno Silva, outro homem da Efapel, irá dar experiência à LA Alumínios-LA Sport, enquanto Joaquim Silva regressa à equipa que representou como sub-23, a Miranda-Mortágua, e Rafael Reis será o líder de um Feirense recheado de ciclistas muito jovens. Ambos procuram reavivar as carreiras.

O Tavira, agora sem Sporting, foi a equipa mais discreta, sendo apenas conhecido um reforço, o jovem Marcelo Salvador (ex-Sicasal-Constantinos).

Pode confirmar neste link os plantéis para 2020 das nove equipas Continentais portuguesas.

Quanto ao calendário, mais uma vez a época arranca com a Prova de Abertura Região de Aveiro, a 16 de Fevereiro, seguindo-se depois a prova mais importante a nível de categoria internacional que se realiza no país: a Volta ao Algarve.

A principal novidade é a mudança do Grande Prémio Jornal de Notícias. Depois da Volta (de 29 de Julho a 9 de Agosto, com a última etapa marcada para Lisboa), a época entrava numa fase de descompressão, com os habituais circuitos a seguirem-se ao Grande Prémio de Mortágua. Porém, uma das corridas que desperta maior interesse entre as formações lusas, irá realizar-se apenas entre 24 a 30 de Agosto, ou seja, já na recta final da temporada, em vez de ser no mês de Junho. Para terminar 2020, o pelotão terá a segunda edição da clássica Rota da Filigrana, a 12 de Setembro.

Confira o calendário de elite publicado pela Federação Portuguesa de Ciclismo:

16 de Fevereiro: Prova de Abertura Região de Aveiro
19 a 23 de Fevereiro: Volta ao Algarve
8 de Março: Clássica da Primavera
15 de Março: Clássica da Arrábida
18 a 22 de Março: Volta ao Alentejo
5 de Abril: Clássica Aldeias do Xisto
17 a 19 de Abril: Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela
17 de Maio: Volta a Albergaria
24 de Maio: Memorial Bruno Neves
28 a 31 de Maio: Grande Prémio O Jogo
10 e 14 de Junho: Grande Prémio Abimota
19 a 21 de Junho: Campeonatos Nacionais, em Paredes (elite e sub-23)
5 de Julho: Grande Prémio Anicolor
16 a 19 de Julho: Grande Prémio de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho
29 de Julho a 9 de Agosto: Volta a Portugal
15 de Agosto: Grande Prémio de Mortágua
16 de Agosto: Circuito da Malveira
20 de Agosto: Circuito de Alcobaça
24 a 30 de Agosto: Grande Prémio Jornal de Notícias
31 de Agosto: Circuito de Nafarros
31 de Agosto: Circuito da Moita

31 de dezembro de 2019

Momentos de 2019 em Portugal

2020 está já aí, mas antes de se olhar para o novo ano, aqui ficam cinco marcos da época  por cá, com um inevitável destaque para a Volta a Portugal, mas sem esquecer como uma das novas estrelas do ciclismo mundial começou a mostrar-se nas estradas algarvias.

Emoção final na Volta a Portugal
(© Podium/Paulo Maria)
É inevitável começar pelo emocionante última dia de Volta a Portugal. Dois ciclistas partiram em igualdade pontual, com Joni Brandão de amarelo. Tinha a experiência do seu lado, sendo um ciclista que já havia subido ao pódio. O rival era o jovem João Rodrigues, que em dois anos teve uma rápida ascensão na hierarquia da W52-FC Porto, tendo trabalhado muito o contra-relógio. Naquele 11 de Agosto, num Porto vestido de azul e branco, Rodrigues fez valer essa aposta no esforço individual e bateu o rival da Efapel, deixando-o a 27 segundos. A emoção desportiva só beneficiou daquele ambiente sensacional na Avenida dos Aliados, num dos finais mais bonitos de anos mais recentes na Volta a Portugal. Foi uma corrida que por si só até merece outros destaques, como as vitórias de Rodrigues e de António Carvalho na Serra da Estrela (foi o regresso da Torre como local de meta) e Senhora da Graça, respectivamente, sem esquecer o triunfo no nevoeiro da Serra do Larouco de Luís Gomes, da Rádio Popular-Boavista.

Emanuel Duarte venceu juventude na Volta e conquista a do Futuro
(© Podium/Paulo Maria)
Mas destaca-se outro momento na Volta a Portugal, alargado depois à do Futuro. A vitória de Emanuel Duarte foi importante para mostrar a relevância da aposta de três equipas em serem Continentais sub-25 (denominação que não existirá em 2020, mantendo-se o escalão). Não foram anos fáceis para LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua ou UD Oliveirense-InOutBuild, mas todas tiveram os seus momentos e a vitória de Ramalho na classificação da juventude da Volta a Portugal foi o ponto alto. O ciclista da LA Alumínios-LA Sport sofreu para segurar a camisola branca e fê-lo por apenas dois segundos frente ao basco Urko Berrade (Fundação Euskadi), mas tornou-se no primeiro português a conseguir esta camisola desde David Rodrigues em 2014. Foi naturalmente um momento ofuscado pela vitória de João Rodrigues na geral, mas a conquista de Emanuel Duarte merece reconhecimento, sem esquecer que foi depois à Volta à Portugal do Futuro vencer a amarela.

Henrique Casimiro conquista Troféu Joaquim Agostinho
(© João Fonseca Photographer)
Uma vitória que também envolveu muita emoção, mas numa perspectiva diferente: "É uma vitória que dedico à família. Há seis anos, quando fiz terceiro, a minha esposa, que estava grávida, perdeu a nossa filha. Ficou prometido que venceria o Troféu Joaquim Agostinho para lhe dedicar. Mais do que um objectivo desportivo, este era um compromisso pessoal." Henrique Casimiro cumpriu a promessa e foi um homem muito emocionado no final de uma das mais importantes corridas do calendário nacional. Em 2018, quatro segundos separaram-no do primeiro lugar, em 2019 eram oito os que o mantinham novamente em segundo antes da última etapa. No Montejunto não ganhou, mas alcançou a diferença necessária para tirar a amarela a Gustavo Veloso, que até caiu para quinto. Um grande dia para um ciclista que tem sido tão importante na Efapel, muito regular e de confiança quando está na ajuda aos líderes. Prepara-se para um novo desafio na Kelly-InOutBuild-UDO.

Pogacar ascende ao estrelato no Algarve
(© João Calado/Volta ao Algarve)
O actor principal foi um esloveno, mas o palco foi a Volta ao Algarve, a corrida de categoria mais elevada na UCI em Portugal. Por isso, aqui se coloca como um dos momentos a vitória de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) primeiro no Alto da Fóia, numa exibição que - perante o que se viu mais tarde na época - foi apenas uma demonstração da enorme qualidade deste ciclista. Em segundo, o destaque vai para a conquista da Algarvia, numa luta no Malhão em que não baixou os braços e assim venceu, no seu ano de estreia no World Tour, a primeira corrida de uma carreira que tanto promete.

Mais um jovem a mostrar-se
(© João Fonseca Photographer)
A Vito-Feirense-PNB tem feito questão de ter no seu plantel ciclistas que, terminada a fase de juniores, possam evoluir como sub-23 numa estrutura profissional. A pressão é, naturalmente reduzida, mas a ambição destes jovens é sempre enorme. Pedro Andrade tornou-se num dos rostos da nova geração por dois motivos. Primeiro surpreendeu ao conquistar a sua primeira vitória, com apenas 19 anos, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota (23 de Junho), num triunfo em que não se pode esquecer a ajuda de outro ciclista jovem da equipa, João Barbosa. Segundo, Pedro Andrade tornou-se no próximo português a entrar numa das melhores equipas de formação mundial, a Hagens Berman Axeon, que irá representar em 2020. Seguirá os passos de Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira, João Almeida e André Carvalho. Este último será companheiro de equipa de Andrade, filho de Joaquim Andrade, director da Vito-Feirense-PNB e antigo ciclista, e neto de um corredor que venceu a Volta a Portugal, também de nome Joaquim Andrade.

120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo
Há que não deixar passar esta marca. É a federação mais antiga de Portugal, numa modalidade que continua a ser das mais admiradas no país, tanto entre os que seguem as corridas, como aqueles que não dispensam a bicicleta na sua vida. O trabalho do organismo abrange hoje todos, os profissionais, os amadores, aposta nas crianças num programa de apoio que chega às escolas. Mas o Ciclismo para Todos é mesmo para todas as idades. É impossível não destacar o trabalho nas selecções que tantas medalhas tem rendido, na estrada, na pista (que está perto de um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos) e no BTT. Hoje temos dois campeões do mundo de elite, Tiago Ferreira (BTT - XCM) e Rui Costa (estrada).




12 de novembro de 2019

Trio de luxo para colocar bem alta a expectativa da Efapel

(Fotografias: © Podium/Paulo Maria - António Carvalho;
© João Fonseca Photographer - Luís Mendonça e Tiago Machado)
 
Se há equipa que apostou muito nos reforços foi a Efapel. A precisar de um bloco mais forte para ajudar Joni Brandão e assim enfrentar uma W52-FC Porto que faz do colectivo a sua arma para ajudar um líder que, quando chega o momento, faz a diferença, a equipa não se poupou em seduzir nomes de peso. Brandão soube fazer essa diferença de líder na Efapel na Volta a Portugal em 2019 (e não só), mas em 2020 o responsável Rúben Pereira quer garantir que a seu lado estejam alguns dos melhores ciclistas do pelotão nacional e aumentar o poderio do colectivo. Era algo essencial. E nada melhor do que ir tirar uma das figuras da equipa rival e juntar um dos mais corredores mais combativos e outro com experiência World Tour, que neste aspecto fará companhia a Sérgio Paulinho.

António Carvalho (30, W52-FC Porto), Luís Mendonça (33, Rádio Popular-Boavista) e Tiago Machado (34m Sporting-Tavira) formam um trio de luxo que se funcionar bem ao serviço de Joni Brandão, então a Efapel poderá tornar-se numa ameaça ainda maior ao domínio da W52-FC Porto. Mas há ainda mais um nome a ter em conta. Tiago Antunes (22) pode ser jovem e vai dar o salto para o profissionalismo, mas chega à Efapel depois de ano e meio na SEG  Racing Academy, uma das mais importantes estruturas de formação no ciclismo. É um dos talentos emergentes da modalidade em Portugal.

O director desportivo Rúben Pereira tem agora à sua disposição uma equipa mais forte, mas tem também o desafio de lidar com egos de corredores ambiciosos, mas que têm provas dadas que ao trabalharem para o colectivo, são elementos de enorme valor. No entanto, também procuram resultados pessoais.

Quando se fala de gregários por excelência, Tiago Machado foi um durante os nove anos que passou no estrangeiro, ainda que nunca tenha desperdiçado uma oportunidade para se mostrar quando lhe era dada liberdade. Regressou a Portugal para assumir um papel de liderança no Sporting-Tavira que tinha perdido aquele que agora será seu companheiro, Joni Brandão. Contudo, a "transformação" não decorreu como o esperado, um pouco à imagem do que aconteceu com Sérgio Paulinho, quando o ciclista voltou ao seu país em 2017, depois de uma carreira exemplar no World Tour como gregário.

Paulinho é um homem de trabalho por excelência e a Efapel beneficia mais ao explorar essa sua vertente, mesmo aos 39 anos. Machado também o é, tendo ainda aquela vertente atacante que poderá a qualquer momento resultar numa vitória. E vencer está sempre nos horizontes de Luís Mendonça. Rafael Silva tem sido a opção principal para os sprints, mas terá agora concorrência. Porém, o ciclista que este ano alcançou três vitórias, somando ainda vários segundos lugares na Rádio Popular-Boavista, tem trabalhado na evolução nas subidas e o segundo lugar na Clássicas Aldeias do Xisto foi a prova que pode pensar em vários tipos de terrenos e não apenas nas corridas mais típicas para sprinters, que em Portugal escasseiam.

No entanto, os objectivos pessoais de Mendonça não chocarão com os de Brandão - o ciclista que ganhou nas Aldeias do Xisto -, o que significa que quando chegar a Volta a Portugal, o primeiro terá as suas oportunidades, mas irá depois trabalhar para o líder. Sabe fazê-lo bem, que o diga Vicente García de Mateos, quando ambos se cruzaram na Aviludo-Louletano.

Já António Carvalho tem sido importantíssimo nas conquistas recentes na Volta da W52-FC Porto. No entanto, nunca escondeu que um dia gostaria de ter a sua oportunidade. Na equipa do Sobrado era difícil, na Efapel poderá quanto muito ocupar o segundo lugar na hierarquia. Será um ciclista que precisará de objectivos pessoais. Venceu por duas vezes o Grande Prémio Jornal de Notícias e este ano conseguiu finalmente a sua etapa na Volta a Portugal e logo na mítica Senhora da Graça. Alguma corrida irá ter Carvalho como o líder da Efapel, mas em condições normais, a Volta será para trabalhar.

Rúben Pereira terá de fazer algo idêntico ao que Nuno Ribeiro faz na W52-FC Porto. Com tanto ciclista com potencial para ganhar, todos têm de ter o seu espaço para lutar por vitórias, para que quando chegar o momento de ser gregário, a motivação esteja sempre em alta.

Não há dúvidas quem será o número um da Efapel, equipa que faz desde já um discurso a pensar em ganhar a Volta a Portugal com Joni Brandão, ainda que até lá haverá muito para lutar. Mas com a época das equipas nacionais a ser muito pensada na chamada "grandíssima", não surpreende que ainda em 2019 se fale em ganhar a edição da Volta de 2020, depois de mais um segundo lugar de Brandão. Perder no contra-relógio para João Rodrigues foi difícil de digerir, mas também motivou ainda mais um ciclista que aos 29 anos (fará 30 a 20 de Novembro), depois de três segundos lugares, acredita mais do que nunca que é possível subir o degrau que lhe falta no pódio.

Chegarão ainda o espanhol Gerard Armillas (24 anos), um rolador por excelência, e o colombiano de 22 anos Nicolás Saenz, que estava sem equipa desde o final da Manzana Postobón. É um trepador, portanto, mais um ciclista que tem tudo para entrar no bloco de apoio a Joni Brandão. O português Diogo Almeida vai dar o salto da equipa de júniores da estrutura da Efapel, para evoluir junto às principais figuras.

Muitas saídas

Com 11 ciclistas para 2020, a Efapel optou por mudar quase todo o plantel, mostrando que é também uma nova era, após a saída do director Américo Silva, a meio da temporada. Só permaneceram quatro: José Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho e o irmão Pedro. A maior surpresa talvez seja a saída de Henrique Casimiro, que tem vindo a ser um dos destaque da equipa. Há quatro anos que faz top dez na Volta, esta época ganhou o Troféu Joaquim Agostinho e foi o melhor apoio que Joni Brandão teve nas etapas de montanha da Volta a Portugal. As forças faltaram na etapa da Senhora da Graça, mas toda a restante corrida foi de elevado nível.

Bruno Silva foi também um dos homens de confiança nas três temporadas que esteve de amarelo. Em 2020 representará a LA Alumínios-LA Sport. O espanhol Marcos Jurado foi um lutador e deu algumas alegrias à Efapel nos dois últimos anos, enquanto o uruguaio Fabricio Ferrari e o búlgaro Nikolay Mihaylov não corresponderam totalmente às expectativas na época que estiveram de amarelo. Antonio Angulo dá o salto para a Fundação Euskadi, que na próxima temporada será Profissional Continental.

O investimento da Efapel é grande para tentar terminar de vez com o jejum na Volta a Portugal. David Blanco ganhou em 2012, mas desde então que a actual W52-FC Porto não dá hipótese. Brandão, Carvalho e Mendonça, por exemplo, têm contratos até 2021 numa tentativa de dar outra estabilidade aos ciclistas, num país onde o mais normal são vínculos anuais. A expectativa será muito alta.

Equipa para 2020:  Joni Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho, Pedro Paulinho, Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista), António Carvalho (W52-FC Porto), Tiago Machado (Sporting-Tavira), Gerard Armillas (Team Compak), Tiago Antunes (SEG Academy), Nicolás Saenz (Team AV Villas), Diogo Almeida (júnior da Efapel). 

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»»Regresso de Joaquim Silva fecha plantel mais experiente««

31 de outubro de 2019

Regresso a Portugal de dois jovens ciclistas

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Algumas das equipas portuguesas têm estado a anunciar os seus plantéis para 2020 e já se sabe que dois jovens vão regressar a Portugal para se estrearem como ciclistas de elite. Tiago Antunes e Gonçalo Carvalho vão reforçar a Efapel e a Rádio Popular-Boavista, respectivamente. O primeiro esteve as últimas duas temporadas no estrangeiro, enquanto o segundo trocou a Miranda-Mortágua pela U.C. Mónaco em 2019. Ambos são bons trepadores, mas terão papéis diferentes nas suas equipas.

Tiago Antunes, 22 anos (foto em cima), foi esta quinta-feira anunciado como reforço da Efapel, equipa que está a fortalecer o seu bloco, muito a pensar em dar a Joni Brandão mais e melhor apoio. Antunes fez parte da sua formação na Sicasal-Constantinos, mas em 2018, depois de feito o final de temporada na espanhola Aldro, surgiu o que parecia ser uma oportunidade de ouro. Abriram-se as portas do Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas em Abril Tiago Antunes deixou o projecto. Ao perceber que não iria competir em provas importantes como lhe havia sido dito, regressou à Aldro. Não ficou muito tempo, dando o salto para a SEG Racing Academy, uma das mais prestigiadas equipas de formação. Daquela estrutura saíram ciclistas como Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) e Cees Bol (Sunweb).

O ciclista português tem oscilado entre resultados de nota, inclusivamente pódios, com alguns abaixo das expectativas. Porém, continua a ser visto como um dos talentos jovens de grande potencial e a Efapel quer tentar que exibições como as que fez em Portugal na recta final desta temporada (venceu a Volta às Terras de Santa Maria da Feira, por exemplo) se tornem constantes, agora que poderá encontrar alguma estabilidade competitiva neste seu regresso a Portugal.

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quanto a Gonçalo Carvalho (faz 22 anos a 3 de Dezembro - foto do lado direito) foi uma presença habitual esta época na selecção nacional de sub-23, tendo competido nas prestigiadas Ronde de l'Isard e Tour de l'Avenir. É um ciclista que encaixa muito bem numa Rádio Popular-Boavista que tanto gosta de corredores combativos, que gostem de arriscar e que não têm problemas em entrar em fugas. Apesar da sua juventude, o director desportivo José Santos sabe que poderá ver de Gonçalo Carvalho prestações como as de Hugo Nunes, que este ano foi um atleta incansável tanto na ajuda a companheiros, como a procurar também ele dar resultados à equipa. Será um reencontro entre ambos, já que representaram a Miranda-Mortágua antes de em 2019 seguirem caminhos diferentes.

De referir que a Rádio Popular-Boavista reforçou-se com o sub-23 da JV Perfis-Gondomar Cultural, Vinício Rodrigues, começando assim a cumprir-se um dos objectivos da criação desta equipa de formação, que passa por preparar ciclistas que eventualmente possam dar o salto para a estrutura de José Santos. Pedro Silva do Seissa-Roriz também foi contratado, assim como o espanhol Alberto Gallego, que regressa à competição depois de cumprir uma suspensão por doping. Luís Fernandes (Aviludo-Louletano) irá igualmente juntar-se a esta equipa. João Benta, Daniel Silva, David Rodrigues e Afonso Silva renovaram.

Quanto à Efapel, vai promover o júnior Diogo Almeida e contratou Gerard Armillas (Team Compak). Joni Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho, Pedro Paulinho vão continuar e a maior expectativa são os anúncios oficiais de três reforços de peso que têm sido dados como estando a caminho da equipa de Rúben Pereira: Tiago Machado (Sporting-Tavira), Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista) e António Carvalho (W52-FC Porto).

Outras duas equipas têm estado a anunciar os ciclistas para 2020. A LA Alumínios-LA Sport de Hernâni Brôco confirmou a continuidade de Emanuel Duarte (vencedor da camisola da juventude na Volta a Portugal, conquistando depois a geral da Volta a Portugal do Futuro), David Ribeiro, Marvin Scheulen, André Ramalho, Gonçalo Leaça, Rodrigo Caixas, João Medeiros (estagiou com a equipa na segunda metade da temporada de 2019).

Pedro Silva, director desportivo da Miranda-Mortágua, vai contar com Hugo Sancho, Artur Chaves, Daniel Freitas, Gaspar Gonçalves, Pedro Pinto, dois reforços muito importantes como é o caso de Joaquim Silva (W52-FC Porto) e Ángel Sanchez (W52-FC Porto), juntando-se Leangel Linarez (Kuota-Construcciones Paulino, estagiou na equipa portuguesa a partir de Agosto).

Em todas as equipas aqui referidas, haverá mais novidades nos próximos dias.

»»Época de despedida para muitos dos ciclistas mais experientes««

»»Fundação Euskadi reforça-se com ciclistas da Murias, Movistar e com um da Efapel««

1 de setembro de 2019

Rafael Silva conquista o merecido prémio com vitória em Albergaria

(Fotografia de arquivo)
Rafael Silva é um dos elementos da espinha dorsal da Efapel. Tornou-se num dos imprescindíveis nos principais momentos da equipa durante a temporada, sendo um homem de trabalho de muita qualidade. No entanto, também tem as suas oportunidades, principalmente quando se proporciona uma chegada ao sprint. Este ano ainda não tinha alcançado uma vitória, mas com o pano a cair na temporada de 2019, Rafael Silva foi o mais forte na Volta a Albergaria, batendo um ciclista que muitos segundos lugares somou este ano: Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista).

Para Rafael Silva foi o prémio merecido para quem tanto se sacrifica pela equipa. Não sendo um homem de montanha, tem um trabalho muitas vezes menos visível, mas a razão que ano após ano a Efapel não o deixa escapar é precisamente por ser sempre essencial. Há dois anos, demonstrou bem o seu carácter quando ao terceiro dia da Volta a Portugal sofreu uma queda aparatosa. Consequências? 17 pontos (14 nas costas e três no braço) e uns quantos hematomas. No entanto, não só chegou ao fim, como sempre que pôde deu a ajuda possível a Sérgio Paulinho, o líder da Efapel naquele ano.

Um momento marcante na carreira, que ainda como sub-23 já teve vitórias importantes na Volta a Portugal do Futuro e que como profissional alcançou na época passada dois triunfos em tiradas do Grande Prémio Jornal de Notícias, uma das corridas mais ambicionadas pelas equipas portuguesas. Em 2019 estava difícil subir ao pódio, mas em Albergaria teve o seu dia. "O Rafael Silva há muito que merecia esta vitória, porque é um grande companheiro de equipa e hoje teve a sua recompensa", reconheceu o director desportivo da Efapel, Rúben Pereira.

A temporada de estrada termina a 14 de Setembro com a estreia de uma nova corrida do calendário: Rota da Filigrana Gondomar-Póvoa de Lanhoso. Mas antes, entre esta quinta-feira e domingo, os sub-23 vão disputar a Volta a Portugal do Futuro. A época termina oficialmente no Festival de Pista de Tavira, a 5 de Outubro.

Quanto à Volta a Albergaria, Luís Mendonça foi batido no sprint, depois de 155,7 quilómetros que começaram a acabaram em Albergaria-a-Velha. O ciclista da Rádio Popular-Boavista foi um dos destaques da temporada e alcançou as suas vitórias no Troféu O Jogo e conquistou a Taça de Portugal. O facto de somar muitos segundos lugares, também significa que está muitas vezes na luta pelas vitórias, como diria um certo tricampeão do mundo, Peter Sagan!

Vicente García de Mateos foi terceiro, ajudando a Aviludo-Louletano a conquistar a classificação por equipas. Rafael Silva ainda ganhou a da meta autarquias, ao passo que Tiago Antunes (SEG Racing Academy) foi o melhor jovem, Daniel Freitas (Miranda-Mortágua) impôs-se nas metas volantes e a Efapel teve também Henrique Casimiro a subir ao pódio como o vencedor da montanha.

De referir ainda que terminou este domingo a 20.ª edição do Troféu Alves Barbosa em Montemor-o-Velho, com o campeão nacional de fundo e de conta-relógio na categoria de cadetes, António Morgado (Anipura/GDM/Escola Alexandre Ruas, a vencer as duas etapas e a respectiva geral.


12 de agosto de 2019

As equipas da Volta a Portugal uma a uma

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Terminada a 81ª edição da Volta a Portugal e dado o peso que tem na época das formações nacionais, é o momento de fazer balanços. W52-FC Porto, Rádio Popular-Boavista e LA Alumínios-LA Sport são as que ficaram mais felizes, enquanto o Sporting-Tavira falhou novamente e a Aviludo-Louletano pagou o preço por apostar tudo num ciclista. Entre as estruturas estrangeiras, como sempre acontece, algumas mal se viram, mas Fundação Euskadi será sempre bem-vinda, com Euskadi-Murias e Amore & Vita-Prodir a conquistarem etapas. A formação suíça SRA também foi interessante de ver. (As equipas estão pela ordem da classificação colectiva.)

W52-FC Porto: Começou desde cedo a mostrar que continuava a ser a equipa mais forte. Porém, a queda de Bragança fez a estrutura tremer, com Joni Brandão a conseguir inclusivamente tirar a camisola amarela que a equipa não estava habituada a perder com a corrida tão avançada. Sem o vencedor das duas últimas edições, Raúl Alarcón (lesionado), foi o seu substituto que, de certa forma, surpreendeu ao mostrar um nível que não se via há dois anos. Gustavo Veloso (terceiro) voltou a sonhar com a terceira vitória, andou de amarela, mas a tal queda deixou-o limitado. João Rodrigues estava a ser preparado para assumir responsabilidade um dia. Esse dia chegou mais cedo e o algarvio de 24 anos foi brilhante. Também apanhou um susto ao cair em Bragança, mas não foi nada de grave. Ganhou na Torre, foi segundo na Senhora da Graça e avassalador no contra-relógio Gaia-Porto. Partiu com o mesmo tempo que Brandão e ganhou por 27 segundos. Foi o líder que a W52-FC Porto precisava. Samuel Caldeira foi o homem de trabalho que a equipa precisava e ainda ganhou o prólogo e vestiu a amarela no início. Daniel Mestre também ganhou uma etapa e trabalhou muito até partir uma costela em Bragança. Depois foi aguentar para conquistar a camisola verde dos pontos. Sobre Ricardo Mestre faltam palavras para descrever a sua importância, enquanto Edgar Pinto (quinto) foi novamente azarado com uma queda na Torre após toque com Vicente García de Mateos, mas foi essencial na luta pela vitória acabaria por ser de Rodrigues. António Carvalho começou bem, fraquejou a meio e foi um senhor na Senhora da Graça, terminando a Volta na quarta posição. Com uma equipa assim era difícil não ganhar, mas teve rival à altura para valorizar ainda mais a conquista, a sétima consecutiva da formação do Sobrado.

Rádio Popular-Boavista: Há um ano, a vitória de etapa e o top dez de Domingos Gonçalves já tinha sido muito positivo, mas em 2019, José Santos levou a sua equipa a um patamar que há muito não se via. João Benta e Luís Gomes ganharam etapas e este último ainda foi o rei da montanha. No contra-relógio final, a equipa deixou escapar a vitória por equipas, mas terminou com Benta (sexto), David Rodrigues (sétimo) e Daniel Silva (nono) no top dez. A influência na corrida foi tal, que tanto a W52-FC Porto e principalmente a Efapel procuraram alianças com esta equipa. Luís Mendonça não conseguiu a vitória que esteve perto, mas todos os ciclistas destacaram-se pelo trabalho feito para o sucesso alcançado, numa Volta a Portugal que a equipa tão cedo não esquecerá. Esperava-se a habitual equipa lutadora, mas desta feita a Rádio Popular-Boavista conseguiu traduzir em mais resultados essa forma de enfrentar as corridas.

Sporting-Tavira: Falta a confirmação oficial, mas terá sido a despedida do Sporting da Volta a Portugal. O clube deverá abandonar a modalidade, depois de ter regressado há quatro anos. Então, Jesus Ezquerra venceu uma etapa, mas a partir daí pouco correu bem à equipa de Vidal Fitas nesta corrida. 2019 não foi excepção. Tiago Machado foi uma aposta falhada, José Mendes, o campeão nacional, andou desaparecido. Alejandro Marque ainda parecia poder lutar pelo top dez, mas a etapa da Torre acabou com essa ideia. Frederico Figueiredo teve finalmente a oportunidade de procurar o seu resultado (há muito que merece ter um papel principal), mas o azar perseguiu-o. Sofreu quedas e a última, na etapa da Senhora da Graça, resultou num pulso partido. Foi quinto nesse dia, mas já não participou no contra-relógio final e o "senhor regularidade" não alcançou mais um top dez. Outro destaque foi um dos mais combativos da Volta: David Livramento. Chamado para substituir Rinaldo Nocentini, o algarvio esteve muito bem. Trabalhou tanto em fugas, que merecia ou ganhar uma etapa ou que um companheiro (Marque, por exemplo) o tivesse feito. Porém, o Sporting-Tavira terminou a Volta novamente sem qualquer conquista.

Efapel: Tudo pela Volta com Joni Brandão. E foi quase. Para uma equipa que teve um líder que deu luta a uma W52-FC Porto que tem dominado a corrida, não se pode dizer que tenha feito uma Volta aquém do desejado. Porém, os resultados não traduziram a ambição. Joni Brandão esteve três dias de amarelo, contudo, claudicou por completo no contra-relógio final. Partiu em igualdade pontual, mas perdeu 27 segundos. Sofreu duas quedas, perdeu tempo, foi penalizado em dez segundos quando os comissários consideraram que foi empurrado pelo mecânico, mas a derrota na Volta deveu-se àquela última prestação... E com influência da etapa na Torre. Era a subida que melhor assentava a Brandão, mas foi o dia em que não esteve ao nível desejado. Reagiu bem, mas ficou desperdiçou ali a oportunidade de ganhar tempo valioso e até perdeu para João Rodrigues. Colectivamente a Efapel não foi tão forte quanto se esperava. Henrique Casimiro foi de luxo, mas pagou o esforço na Senhora da Graça. Porém, nenhum dos companheiros teve uma exibição perto do nível de Casimiro. Às primeiras acelerações nas montanhas, rapidamente Brandão só ficava com Casimiro. Rafael Silva cumpriu o seu trabalho no terreno mais plano, mas esperava-se mais de Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Fabricio Ferrari e Nikolay Mihaylov. A Efapel saiu da Volta sem a camisola amarela e sem etapas ganhas. Ainda assim, fez algo que há muito não se via, fez a W52-FC Porto suar bem mais para ganhar.


Miranda-Mortágua: Gaspar Gonçalves entrou com tudo na Volta a Portugal, à procura da camisola da montanha ou dos pontos. Quando chegaram as etapas mais difíceis, foi o experiente Hugo Sancho que assumiu protagonismo. O grito de frustração na Serra do Larouco revelou bem como o ciclista apostou forte naquela etapa, tendo sido batido com a meta à vista por Luís Gomes. Tentou de novo nas duas últimas tiradas em linha, mas foi naquela que teve a grande oportunidade de ganhar e dar uma vitória a esta equipa Continental sub-25. O director desportivo Pedro Silva nunca desistiu de procurar subir ao pódio na Volta e Sancho fê-lo no Porto ao receber o prémio da combatividade.

UD Oliveirense-InOutBuild: Aquela queda de Rafael Lourenço em Bragança... Momento de enorme frustração para a outra equipa Continental sub-25 do pelotão nacional (há ainda a LA Alumínios-LA Sport). É um dos mais recentes jovens a despontar na formação de Manuel Correia e conseguiu ficar no grupo reduzido que ia disputar a vitória de etapa. Caiu numa curva, numa estrada molhada pela chuva. Foi uma pena para o ciclista e para a equipa que tentou mostrar-se em fugas. Contratou o colombiano Juan Filipe Osorio para dar um pouco mais de experiência a um plantel tão jovem e o antigo ciclista da Manzana Postobón, sem equipa desde o fim da estrutura, tentou aparecer na montanha. Porém, aquele momento de Rafael Lourenço marcou a corrida de uma UD Oliveirense-InOutBuild que esteve tão perto da possibilidade de lutar por uma etapa.

Medellin: Com pouco tempo para recuperar de uma corrida feita na China, não surpreendeu quando a maioria dos ciclistas da formação colombiano começaram rapidamente a eclipsar-se. Foi o caso de Fabio Duarte, mas não de Cristhian Montoya. A equipa até começou com menos um ciclista, pois o vencedor da Volta ao Lago Qinghai, Robinson Chalapud, acabou por ficar de fora. Aos 42 anos, Óscar Sevilla até arrancou a Volta a Portugal muito bem, mas uma queda limitou-o fisicamente. Ainda lutou por uma etapa, mas os problemas físicos e o cansaço da corrida e viagem chinesa tiveram o seu peso nas prestações. Já Montoya conseguiu ser o único corredor de uma equipa estrangeira a intrometer-se no top dez, sendo oitavo, a 5:24 minutos de João Rodrigues. Nunca esteve na disputa sequer do pódio, mas foi muito regular nas etapas mais difíceis.

Aviludo-Louletano: Apostar tudo num só ciclista tem destas coisas. A corrida estava a correr bem, com Vicente García de Mateos não só na luta por um terceiro pódio consecutivo, mas também pela vitória. Estava a 34 segundos da liderança, então de Joni Brandão, antes da etapa da Senhora da Graça. Passou mal a noite e a indisposição acabou mesmo por obrigá-lo a abandonar no penúltimo dia de corrida, com Oscar Hernandez e André Evangelista a fazerem o mesmo. Fim de Volta para a equipa algarvia. Depois de dois anos com pódio, camisola verde e etapas, a Aviludo-Louletano saiu sem nada. Luís Fernandes, que realizou uma boa corrida, ainda andou no top dez (terminou na 12ª posição) e deu tudo o que tinha para ganhar na Senhora da Graça, mas não conseguiu. Volta frustrante para o director desportivo Jorge Piedade.

Vito-Feirense-PNB: Já era expectável que seria uma Volta complicada para a equipa de Joaquim Andrade. Sem Edgar Pinto - agora na W52-FC Porto -, não houve uma referência para a geral, sendo o objectivo procurar uma vitória de etapa. João Matias tentou ao sprint e ainda procurou a solução de uma fuga. Sem sucesso. Filipe Cardoso procurou a mesma táctica da fuga, mas também sem resultado. Óscar Pelegrí esteve apagado e o principal destaque acabou por ser um Jesus del Pino que se tornou no exemplo de perseverança da corrida. Caiu na etapa da Senhora da Graça e ficou muito, mas mesmo muito mal tratado. Partiu para o contra-relógio cheio de ligaduras, mas terminou.

Caja Rural: Domingos Gonçalves está longe da forma que apresentava há um ano, então na Rádio Popular-Boavista e quando venceu uma etapa. O gémeo de Barcelos ainda entrou em fugas, incluindo na etapa da Torre, mas abandonou na sexta etapa, por motivos de saúde. Se o português era inevitavelmente uma das figuras da equipa espanhola do segundo escalão do ciclismo mundial, havia mais corredores com potencial para aparecerem na corrida. Matteo Malucelli ainda procurou os sprints, mas David González López (também abandonou no mesmo dia de Gonçalves) e o veterano Sergio Pardilla, por exemplo, estiveram muito discretos.

LA Alumínios-LA Sport: Segundo ano do projecto Continental sub-25 e uma grande conquista para a equipa de Hernâni Brôco. Emanuel Duarte estreou-se na Volta vencendo a classificação da juventude, que segurou no conta-relógio final por apenas dois segundos. Todos os ciclistas da equipa 100% portuguesa chegaram ao fim e com razões para celebrar. Um prémio para o trabalho que está a ser realizado nesta formação, destacando-se ainda David Ribeiro, que andou em fugas, procurou incessantemente vestir a camisola da montanha, que conseguiu durante um dia.

Fundação Euskadi: Sempre uma atitude de lutar, de dar espectáculo. Esta Euskadi recuperou as populares camisolas laranjas da saudosa Euskaltel-Euskadi e os seus jovens ciclistas nunca desperdiçam uma oportunidade para conquistar bons resultados. A equipa foi presença assídua nas fugas, procurou vencer uma etapa, foi líder da montanha nos primeiros dias com Peio Goikoetxea e uma queda na tirada da Senhora da Graça atirou para fora da corrida Unai Cuadrado, que liderava a classificação da juventude. A competir assim, é uma equipa muito bem-vinda.

Israel Cycling Academy: A formação Profissional Continental esteve pelo terceiro ano na Volta a Portugal, mas excluindo em 2017 quando Krists Neilands venceu a classificação da juventude, a equipa tem tendência a passar relativamente despercebida. O australiano Zak Dempster ainda foi terceiro na Guarda, mas a Israel Cycling Academy tinha ciclistas para se mostrar um pouco mais.

Euskadi-Murias: É presença assídua em Portugal, mesmo depois de subir ao segundo escalão e não costuma desiludir. Não trouxe o ciclista que este ano tem ganho por cá, Enrique Sanz, mas Mikel Aristi (segunda etapa) e Hector Saez (sexta) conquistaram etapas, com a equipa a estar ainda na luta pela juventude, com Urko Berrade, que perdeu por dois segundos. Seis das sete vitórias que a formação basca tem em 2019 foram alcançadas em provas portuguesas. Procurou mais destaque, participando em algumas fugas, valorizando a sua presença na Volta.

Arkéa Samsic: Esperava-se um pouco mais desta equipa Profissional Continental. Se era expectável que alguns dos ciclistas pudessem ter uma atitude mais de rodar em Portugal, ainda assim também se esperaria ver um pouco das suas capacidades. Excepto dois, um deles, um dos nomes mais sonantes da corrida. Brice Feillu procurou uma boa classificação na geral, mas nunca teve pernas para pensar num top dez. Ficou na 16ª posição, a 13:33 minutos do vencedor. Mas quem mais sobressaiu foi um jovem de 22 anos. Prestações interessantes de Thibault Guernalec. Foi quarto e quinto classificado nos contra-relógios e ainda fez outro quarto lugar na etapa de Braga. Mas ainda assim, soube a pouco para esta Arkéa Samsic, que, sem surpresa, não trouxe nenhum grande estrela (Warren Barguil e André Greipel, por exemplo, representam esta formação francesa), mas tinha potencial para mais e melhor.

Amore & Vita-Prodir: Duas vitórias de etapa e a procura por mais. Atitude de valorizar desta equipa com licença da Letónia, ainda que seja de raízes italianas. Davide Appollonio foi o actor principal de umas das histórias iniciais da Volta a Portugal. Foi a sua primeira corrida após uma suspensão de quatro anos por doping e venceu logo a primeira etapa, em Leiria. A equipa ficou ainda mais motivada e Marco Tizza conquistou o difícil final da Guarda. A procura por mais continuou, com Tizza em destaque.

Swiss Racing Academy: Equipa interessante de ver. Ciclistas muito jovens, mas com vontade de aproveitar a oportunidade de mostrarem-se numa corrida tão exigente. Por centésimos de segundo, Gian Friesecke quase surpreendeu no prólogo e foi sexto no contra-relógio final. Mathias Reutimann foi outro dos destaques positivos, mas na montanha. Foi terceiro na Serra do Larouco, faltando forças para um sprint final com Luís Gomes e Hugo Sancho. A SRA foi uma equipa muito activa que entrou em várias fugas. Prestação muito positiva.

Bai-Sicasal-Petro de Luanda: Só o estar na Volta a Portugal foi uma vitória para a equipa angolana. Conseguir entrar em fugas e mostrar a camisola na televisão foi uma considerado uma conquista. Porém, viu-se pouco dos ciclistas angolanos e foi mesmo um português a assumir algum protagonismo, como já era esperado. Depois de duas temporadas mais dedicado ao BTT, Micael Isidoro conseguiu regressar à estrada aos 37 anos. Procurou fugas e mostrar-se no terreno onde se sente mais à vontade, na montanha, tendo uma liberdade que raramente encontrou numa carreira passada como gregário. O destaque foi para a etapa da Bragança, com Micael a terminar no oitavo lugar.

ProTouch: A equipa 100% sul-africana pretendeu dar aos ciclistas a possibilidade de experimentar uma corrida por etapas mais longa e com grande dureza. Não foi fácil para os corredores e só três chegaram ao fim, com James Fourie a ser o "lanterna vermelha" ao terminar a 3:21:04 horas do vencedor João Rodrigues. Tentou as fugas, mas pouco se viu desta formação.

»»João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto««

»»Regressou após quatro anos de suspensão e agradeceu à equipa com vitória em Leiria««

10 de agosto de 2019

Final de Volta a Portugal mais emocionante é impossível

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A etapa da Senhora de Graça foi rainha e foi mesmo decisiva para esta Volta a Portugal. Foi decisiva para tornar esta uma das edições mais emocionantes, mais espectaculares e de nervos à flor da pele. Este domingo vai ser mesmo assim: de nervos. Dois ciclistas partem em igualdade de tempo. Um deles é há muito visto como um dos portugueses com mais potencial para vencer a Volta. O outro confirmou há um ano o seu potencial e em 2019 "explodiu", tornando-se num dos mais recentes valores do ciclismo nacional. Agora já não interessa quem tem a equipa mais forte, já não interessa o que aconteceu de bom e de mau na última semana e meia. Agora Joni Brandão e João Rodrigues têm 19,5 quilómetros para disputar uma camisola amarela que há muito não estava tão indefinida na derradeira etapa. Gustavo Veloso perdeu contacto, mas para um excelente contra-relogista como o espanhol, 40 segundos não é missão impossível.

E como é no contra-relógio que todos já estão a pensar, então fale-se dele. 30 anos depois o Porto recebe o final da Volta. O director da corrida Joaquim Gomes, venceu nesse 1989. A derradeira tirada liga Gaia ao Porto num percurso que não se adapta ao contra-relogista que gosta mais de rolar. Tem subidas que vão quebrar o ritmo e tem descidas em que haverá de ponderar entre o risco para não perder tempo e o cuidado para evitar algum dissabor.

É um contra-relógio que agrada a Joni Brandão, 29 anos - já duas vezes segundo na Volta -, que tanto tem trabalhado esta especialidade e até ganhou a crono-escalada do Grande Prémio Jornal de Notícias. Mas também João Rodrigues adapta-se bem ao percurso. Há um ano, numa conversa com o ciclista, o algarvio explicou ao Volta ao Ciclismo como estava a tentar evoluir no esforço individual. Pouco depois demonstrou como todo o trabalho estava a dar frutos quando foi segundo no contra-relógio final da Volta a Portugal em Fafe.

Em 2019, esse treino pode ter um outro resultado bem mais importante e o ciclista, que aos 24 anos está cada vez mais completo, já teve um marcante: a primeira vitória como profissional de João Rodrigues foi no contra-relógio da Volta ao Alentejo, corrida que acabaria por conquistar.

Partir em igualdade para a última etapa é inédito, segundo a organização da Volta a Portugal, tal como será uma estreia se um destes ciclistas ganhar, a não ser que Veloso (39 anos) consiga um contra-relógio de luxo para alcançar uma terceira vitória que já não se acreditava que viria a lutar. Para quem ficou de fora dos eleitos da W52-FC Porto e foi chamado após a exclusão de Raúl Alarcón devido a lesão, foi uma prestação de nível do veterano corredor. Tem estado em quebra desde a queda de Bragança, mas continua na luta.

Ao contrário de Vicente García de Mateos, outro bom contra-relogista e que terminou no pódio nas duas últimas edições da Volta a Portugal. Desta feita, não a vai concluir. Uma indisposição obrigou o espanhol da Aviludo-Louletano a abandonar na etapa deste sábado. Os companheiros Oscar Hernandez e André Evangelista seguiram o exemplo.

Aliás, a nona tirada teve nove abandonos, a maioria devido a uma queda na descida após passar pelo Viso, uma segunda categoria que antecedeu as três de primeira, em 133,5 quilómetros muito intensos. Uma das vítimas foi Unai Cuadrado (Fundação Euskadi), líder da juventude. Emanuel Duarte saltou do terceiro lugar nesta classificação para o primeiro, para vestir novamente a camisola branca. Tem 56 segundos de vantagem sobre outro basco, Urko Berrade (Euskadi-Murias), para tentar segurar o que pode ser uma enorme vitória para a LA Alumínios-LA Sport, equipa Continental sub-25 e 100% portuguesa.

W52-FC Porto ao ataque e duas classificações fechadas


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Como já se esperava, a W52-FC Porto esteve ao ataque. O objectivo era rapidamente começar a eliminar os ciclistas da Efapel. E quando começaram as primeiras categorias do Alto da Barra e do Barreiro, os homens de amarelo pagaram o preço de ter de trabalhar na primeira fase da corrida, pois não podiam dar liberdade a António Carvalho, que entrou na fuga. O momento importante foi quando Edgar Pinto saiu do grupo e levou com consigo Henrique Casimiro. Acabariam apanhados, mas o corredor que tanto ajudou Brandão nesta Volta ficou desgastado e quebrou na Senhora da Graça.

Joni Brandão ficou sozinho, mas até quase que chegou. Gustavo Veloso não teve pernas para acompanhar o camisola amarela e só João Rodrigues não largou a roda do líder da Efapel e da Volta. O ciclista da W52-FC Portou contra-atacou nos metros finais para eliminar o segundo que o separava de Brandão e quase apanhava o companheiro António Carvalho, o vencedor do dia.

E são quatro etapas para a equipa azul e branca: Samuel Caldeira (prólogo), Daniel Mestre (quarta), João Rodrigues (quinta, chegada à Torre) e agora Carvalho na Senhora da Graça. A W52-FC Porto também tem garantida a camisola verde dos pontos. Daniel Mestre só tem de cumprir o contra-relógio. Tem uma costela partida após a queda em Bragança e está a realizar feito um grande esforço para continuar em prova e assim subir ao pódio na Avenida dos Aliados.

Luís Gomes também já assegurou o seu lugar no pódio final ao ser o rei da montanha. O ciclista da Rádio Popular-Boavista não teve para brincadeiras e começou a somar pontos na primeira subida de quarta categoria, logo a abrir a etapa. Antes da Senhora da Graça já tinha fechado as contas. A equipa trabalhou muito este sábado e até Joni Brandão tentou que o pudesse ajudar à falta de companheiros da Efapel. Chegou ao ponto de ir buscar água para entregar aos ciclistas da Rádio Popular-Boavista. O esforço dos corredores de José Santos não rendeu uma terceira vitória de etapa, mas ajudou a manter a liderança na classificação colectiva. Tem 2:51 minutos sobre a W52-FC Porto.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Horários do contra-relógio

Domingo cai o pano numa Volta a Portugal que se esperava que, perante o difícil e montanhoso percurso e a boa forma de Joni Brandão, pudesse significar mais emoção e uma ameaça ao domínio da W52-FC Porto. Estamos a ter tudo isso e até se pode dizer que a corrida está a superar expectativas. 

James Fourie (ProTouch) será o primeiro a sair para o contra-relógio às 14:57. Na luta pela juventude, Urko Berrade partirá às 16:22 e Emanuel Duarte às 16:23. O top dez vai para a estrada às 16:32 com Henrique Casimiro. Na discussão pela camisola amarela, Gustavo Veloso arranca às 16:46, João Rodrigues às 16:48 e Joni Brandão às 16:50.

»»W52-FC Porto ao ataque, Efapel à defesa e a Rádio Popular-Boavista a intrometer-se««

»»Um segundo chegou para Joni Brandão colocar a W52-FC Porto numa posição pouco habitual««

9 de agosto de 2019

W52-FC Porto ao ataque, Efapel à defesa e a Rádio Popular-Boavista a intrometer-se

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Ataque, contra-ataque e mais uns ataques. A W52-FC Porto não quis deixar a Efapel um metro descansada, começando por colocar Ricardo Mestre na fuga e depois provocando constantes mexidas, principalmente a partir da aproximação às duas subidas finais. Uns testes à resistência da equipa rival já a pensar que, na etapa da Senhora da Graça, este tipo de movimentações poderão ter outro de efeito. Haverá muito mais montanha para enfrentar antes da mítica subida. Esta é uma posição diferente para a W52-FC Porto - mais habituada a defender a liderança do que a ter de atacar - e para a Efapel, em tempos recentes. Ficou claro na oitava etapa que não haverá paz este sábado na tentativa de recuperar a amarela. Joni Brandão reagiu bem e vai à luta confiante vestido de líder. E mesmo com um contra-relógio para acertar contas no domingo, muito da Volta vai ser jogado na Senhora da Graça.

A tirada será curta, 133,5 quilómetros e com constante sobe e desce, como cada vez mais se vê nas provas por etapas. Se os ataques começarem cedo, será um teste duríssimo para todos, com a Efapel a estar em foco. Já demonstrou ter mais dificuldades em manter a equipa junto de Joni Brandão nas maiores dificuldades, mas a W52-FC Porto não é a mesma desde a queda de Bragança.

Logo no arranque em Fafe, o pelotão vai começar a subir. Serão 1200 metros, a com uma pendente média de 7,6% até Golães. A exigência vai aumentando com 13,5 quilómetros a 3,4% até ao alto do Viso. As duas subidas serão um aquecimento para o momento mais importante das etapas em linha da Volta. Serão três primeiras categorias para ajudar a decidir a corrida: Alto da Barra (13,3 quilómetros, a 5,8% de média), Barreiro (9,9, a 6,5%) e Senhora da Graça (8,3, a 7,2%).



Joni Brandão tem apenas um segundo a separá-lo de um jovem ambicioso João Rodrigues. O algarvio não assume a liderança com Gustavo Veloso a 18 segundos da liderança (perdeu três segundos no Alto de Santa Quitéria), mas, não havendo nenhum volte face, é Rodrigues quem está melhor fisicamente depois de ambos os ciclistas da W52-FC Porto terem ficado maltratados na já referida queda. Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) não está fora da luta. A 34 segundos tudo é possível. No entanto, o espanhol dá mostras de alguma quebra, ainda que, sendo forte no contra-relógio, poderá tentar gerir a etapa de forma a manter-se perto do pódio e apostar nos 19,5 quilómetros finais de domingo entre Gaia e Porto.

Edgar Pinto poderá assumir um papel importante, pois estando a 1:46 minutos, continua a não ter liberdade para escapar. Ou seja, um ataque seu terá de ter resposta da Efapel, que tem Henrique Casimiro a 52 segundos e que não vai ter um dia calmo para defender a amarela de Brandão. A W52-FC Porto já mostrou que parte da táctica passará por "partir" cedo a Efapel, que, contudo, poderá ter uma aliada inesperada.

A Rádio Popular-Boavista ameaça ter uma palavra a dizer. Não na luta directa pela geral, ainda que tenha João Benta e David Rodrigues no top dez, mas porque está decidida em conquistar a classificação colectiva. Para isso, não pode deixar que os ciclistas da W52-FC Porto ganhem muita vantagem. Já na etapa desta sexta-feira (156,6 quilómetros entre Viana do Castelo e Felgueiras), a equipa de José Santos ajudou nas respostas aos ataques da formação azul e branca e não deixou Ricardo Mestre ter demasiada vantagem quando o corredor andou na frente. Ainda por cima,  a Rádio Popular-Boavista tomou-lhe o gosto. Duas vitórias consecutivas: depois de Luís Gomes na Serra do Larouco, foi a fez de João Benta vencer em Felgueiras. Além disso tem Luís Gomes na liderança da classificação da montanha.

Se mantiver a postura, a Rádio Popular-Boavista poderá baralhar a táctica da W52-FC Porto, pois 3:52 minutos de vantagem podem desaparecer num instante na Senhora da Graça. E claro, outra vitória de etapa estará nos planos, com David Rodrigues a ser um homem com contas a ajustar com esta subida, onde há um ano perdeu a etapa para Raúl Alarcón com a meta ali tão perto.

A Volta a Portugal (e o ciclismo nacional) bem estava a precisar de uma corrida assim. Com espectáculo, indefinida nos momentos finais e com uma etapa exigente antes de uma das subidas mais históricas da modalidade por cá. E ainda há um contra-relógio! Fim-de-semana a não perder de ciclismo.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

»»Um segundo chegou para Joni Brandão colocar a W52-FC Porto numa posição pouco habitual««

»»Queda de Veloso e Rodrigues aumenta incerteza na véspera de subir a Serra do Larouco««