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31 de dezembro de 2019

Momentos de 2019 em Portugal

2020 está já aí, mas antes de se olhar para o novo ano, aqui ficam cinco marcos da época  por cá, com um inevitável destaque para a Volta a Portugal, mas sem esquecer como uma das novas estrelas do ciclismo mundial começou a mostrar-se nas estradas algarvias.

Emoção final na Volta a Portugal
(© Podium/Paulo Maria)
É inevitável começar pelo emocionante última dia de Volta a Portugal. Dois ciclistas partiram em igualdade pontual, com Joni Brandão de amarelo. Tinha a experiência do seu lado, sendo um ciclista que já havia subido ao pódio. O rival era o jovem João Rodrigues, que em dois anos teve uma rápida ascensão na hierarquia da W52-FC Porto, tendo trabalhado muito o contra-relógio. Naquele 11 de Agosto, num Porto vestido de azul e branco, Rodrigues fez valer essa aposta no esforço individual e bateu o rival da Efapel, deixando-o a 27 segundos. A emoção desportiva só beneficiou daquele ambiente sensacional na Avenida dos Aliados, num dos finais mais bonitos de anos mais recentes na Volta a Portugal. Foi uma corrida que por si só até merece outros destaques, como as vitórias de Rodrigues e de António Carvalho na Serra da Estrela (foi o regresso da Torre como local de meta) e Senhora da Graça, respectivamente, sem esquecer o triunfo no nevoeiro da Serra do Larouco de Luís Gomes, da Rádio Popular-Boavista.

Emanuel Duarte venceu juventude na Volta e conquista a do Futuro
(© Podium/Paulo Maria)
Mas destaca-se outro momento na Volta a Portugal, alargado depois à do Futuro. A vitória de Emanuel Duarte foi importante para mostrar a relevância da aposta de três equipas em serem Continentais sub-25 (denominação que não existirá em 2020, mantendo-se o escalão). Não foram anos fáceis para LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua ou UD Oliveirense-InOutBuild, mas todas tiveram os seus momentos e a vitória de Ramalho na classificação da juventude da Volta a Portugal foi o ponto alto. O ciclista da LA Alumínios-LA Sport sofreu para segurar a camisola branca e fê-lo por apenas dois segundos frente ao basco Urko Berrade (Fundação Euskadi), mas tornou-se no primeiro português a conseguir esta camisola desde David Rodrigues em 2014. Foi naturalmente um momento ofuscado pela vitória de João Rodrigues na geral, mas a conquista de Emanuel Duarte merece reconhecimento, sem esquecer que foi depois à Volta à Portugal do Futuro vencer a amarela.

Henrique Casimiro conquista Troféu Joaquim Agostinho
(© João Fonseca Photographer)
Uma vitória que também envolveu muita emoção, mas numa perspectiva diferente: "É uma vitória que dedico à família. Há seis anos, quando fiz terceiro, a minha esposa, que estava grávida, perdeu a nossa filha. Ficou prometido que venceria o Troféu Joaquim Agostinho para lhe dedicar. Mais do que um objectivo desportivo, este era um compromisso pessoal." Henrique Casimiro cumpriu a promessa e foi um homem muito emocionado no final de uma das mais importantes corridas do calendário nacional. Em 2018, quatro segundos separaram-no do primeiro lugar, em 2019 eram oito os que o mantinham novamente em segundo antes da última etapa. No Montejunto não ganhou, mas alcançou a diferença necessária para tirar a amarela a Gustavo Veloso, que até caiu para quinto. Um grande dia para um ciclista que tem sido tão importante na Efapel, muito regular e de confiança quando está na ajuda aos líderes. Prepara-se para um novo desafio na Kelly-InOutBuild-UDO.

Pogacar ascende ao estrelato no Algarve
(© João Calado/Volta ao Algarve)
O actor principal foi um esloveno, mas o palco foi a Volta ao Algarve, a corrida de categoria mais elevada na UCI em Portugal. Por isso, aqui se coloca como um dos momentos a vitória de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) primeiro no Alto da Fóia, numa exibição que - perante o que se viu mais tarde na época - foi apenas uma demonstração da enorme qualidade deste ciclista. Em segundo, o destaque vai para a conquista da Algarvia, numa luta no Malhão em que não baixou os braços e assim venceu, no seu ano de estreia no World Tour, a primeira corrida de uma carreira que tanto promete.

Mais um jovem a mostrar-se
(© João Fonseca Photographer)
A Vito-Feirense-PNB tem feito questão de ter no seu plantel ciclistas que, terminada a fase de juniores, possam evoluir como sub-23 numa estrutura profissional. A pressão é, naturalmente reduzida, mas a ambição destes jovens é sempre enorme. Pedro Andrade tornou-se num dos rostos da nova geração por dois motivos. Primeiro surpreendeu ao conquistar a sua primeira vitória, com apenas 19 anos, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota (23 de Junho), num triunfo em que não se pode esquecer a ajuda de outro ciclista jovem da equipa, João Barbosa. Segundo, Pedro Andrade tornou-se no próximo português a entrar numa das melhores equipas de formação mundial, a Hagens Berman Axeon, que irá representar em 2020. Seguirá os passos de Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira, João Almeida e André Carvalho. Este último será companheiro de equipa de Andrade, filho de Joaquim Andrade, director da Vito-Feirense-PNB e antigo ciclista, e neto de um corredor que venceu a Volta a Portugal, também de nome Joaquim Andrade.

120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo
Há que não deixar passar esta marca. É a federação mais antiga de Portugal, numa modalidade que continua a ser das mais admiradas no país, tanto entre os que seguem as corridas, como aqueles que não dispensam a bicicleta na sua vida. O trabalho do organismo abrange hoje todos, os profissionais, os amadores, aposta nas crianças num programa de apoio que chega às escolas. Mas o Ciclismo para Todos é mesmo para todas as idades. É impossível não destacar o trabalho nas selecções que tantas medalhas tem rendido, na estrada, na pista (que está perto de um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos) e no BTT. Hoje temos dois campeões do mundo de elite, Tiago Ferreira (BTT - XCM) e Rui Costa (estrada).




26 de dezembro de 2019

João Matias destacou-se numa época difícil do Feirense, mas com jovens ciclistas a mostrarem-se

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
A saída de Edgar Pinto para a W52-FC Porto deixou a Vito-Feireinse-PNB sem um líder para as gerais. A equipa optou por mudar um pouco os seus objectivos, apostando ainda mais em João Matias, mas não deixando de olhar para a montanha com dois espanhóis com provas dadas em Portugal, Óscar Pelegrí e Jesus del Pino. Já a aposta em dar oportunidades a ciclistas muito jovens, como foi o caso de João Barbosa e Pedro Andrade, manteve-se, mas não deixou de ser uma temporada difícil. Ainda assim, terminou com quatro vitórias e algumas boas exibições, com Matias mostrar-se, sem surpresa, à altura da responsabilidade que teve. As dificuldades estão longe de estar terminadas e em 2020 a solução encontrada perante a redução de apoio financeiro foi olhar ainda mais para ciclistas jovens, mas com uma contratação de luxo.

O director desportivo, Joaquim Andrade, assumiu desde logo que sem Edgar Pinto a equipa seria diferente, contudo, não significaria que a ambição seria mais pequena. Apenas direccionada para outro tipo de lutas. João Matias já era um dos líderes, mas ganhou maior protagonismo. Foi incansável na procura por dar bons resultados à Vito-Feirense-PNB e a recompensa de todo o esforço chegou num dos palcos principais para as equipas portuguesas: o Grande Prémio Jornal de Notícias. Impôs-se na sua especialidade, ao sprint, na primeira etapa, num início de um mês de Junho que marcou a temporada da equipa.

No Grande Prémio Abimota, Óscar Pelegrí - que em 2018 venceu a corrida ao serviço da Rádio Popular-Boavista - ganhou uma etapa, assim como o jovem Pedro Andrade, filho do director desportivo. A equipa venceria colectivamente. Dois bons ensaios gerais para uma equipa que ia perseguir etapas, ou pelo menos uma, na Volta a Portugal. João Matias assumiu mais uma vez a responsabilidade. Tentou ao sprint, tentou através de uma fuga, mas ainda não foi desta que alcançou um triunfo que muito deseja na carreira. Matias fechou a temporada com a vitória no Circuito da Moita.

Jesus del Pino (ex-Efapel) também foi figura na Volta, não só por também ele procurar um triunfo, mas pelo estado em que terminou a penúltima etapa na Senhora da Graça. Uma queda deixou o espanhol muito mal tratado. Equipamento rasgado, com feridas bem visíveis, foi uma das imagens da corrida. Não só terminou aquela etapa, como partiu no dia seguinte para o contra-relógio final.

Dentro das limitações, a Vito-Feirense-PNB fez uma temporada com aspectos positivos, comprovados pelo facto dos seus ciclistas serem cobiçados pelas outras equipas nacionais. Incluindo os mais jovens. E para dar mais um exemplo de como esta aposta de Joaquim Andrade e restantes responsáveis em dar espaço a ciclistas que estão, muitos deles, a dar o salto de juniores para a equipa principal, há que regressar ao mês de Junho, mesmo no final, quando Bernardo Saavedra subiu ao pódio na corrida em linha de sub-23, ao ser terceiro. Uma medalha de bronze que mereceu ser celebrada quase como se fosse de ouro, tendo em conta que a prova foi ganha por João Almeida (Hagens Berman Axeon, a caminho da Deceuninck-QuickStep) e com Fábio Costa (UD Oliveirense-InOutBuild) a ser segundo, ele que foi dos melhores sub-23 em 2019.

Atrás de Saavedra ficou outro ciclista da Hagens Berman Axeon, André Carvalho, e esta equipa americana acaba por dar mais relevância ao trabalho feito nas camadas jovens que Joaquim Andrade tanto aposta. Uma das vitórias da Vito-Feirense-PNB acaba por ser ver Pedro Andrade assinar pela Hagens Berman Axeon para 2020. Já o aguerrido trepador João Barbosa vai ganhando o seu espaço no pelotão nacional e prepara-se para continuar a evolução na Miranda-Mortágua.

Apesar de ter apenas 21 anos, Saavedra terá mais responsabilidade em 2020, sendo apenas um dos três ciclistas que vai continuar. Óscar Pelegrí será um dos líderes de uma equipa que continuará a ter o Feirense como patrocinador, mas que viu o orçamento reduzir sem a manutenção de apoio idêntico das restantes empresas. António Ferreira é a terceira renovação, ao que se junta Afonso Eulálio, que estagiou na equipa na parte final da época. Quatro juniores vão começar a fase de sub-23 no Feirense, enquanto Rafael Ferreira terá uma oportunidade no profissionalismo aos 20 anos. Gonçalo Amado também está de regresso, sendo um ciclista de 25 anos e que em 2013 e 2014 esteve na então Rádio Popular, com uma passagem pelo ACDC Trofa em 2018.

Mesmo sendo uma equipa de orçamento reduzido - não segurando Matias e Del Pino, por exemplo, que vão para a Aviludo-Louletano -, a oportunidade de ser líder em quase todas as corridas seduziu um Rafael Reis à procura de um novo desafio, optando por sair da W52-FC Porto (neste link pode ler a entrevista do ciclista ao Volta ao Ciclismo). Aos 27 anos já tem muita experiência, incluindo dois anos na Caja Rural e uma Vuelta feita. Sabe o que é ganhar nas melhores corridas nacionais, já vestiu camisola amarela na Volta a Portugal e quer recuperar essa ambição no Feirense, que bem agradecerá ver o melhor de Rafael Reis.

Na véspera de Natal foi anunciada mais uma contratação, o décimo ciclista que faltava para a equipa poder competir no escalão Continental. De Espanha chegará Jesus Arozamena, da Super Froiz, vencedor da Taça de Espanha de sub-23 em 2018, com alguns top dez em provas espanholas no ano passado e que esteve no Grande Prémio Abimota a mostrar as suas capacidades como trepador.

Equipa para 2020: Óscar Pelegrí, Bernardo Saavedra, António Ferreira, Rafael Reis (W52-FC Porto), Gonçalo Amado, Afonso Eulálio (júnior do Feirense que estagiou na equipa principal na recta final da éoca de 2019), Luís Cabral (Sport Ciclismo S. João de Ver), Fábio Oliveira (Sport Ciclismo S. João de Ver), Rafael Ferreira, Jesus Arozamena (Super Froiz).

»»O momento de Frederico Figueiredo na nova fase do Tavira««

»»Sobreviver em 2019, crescer em 2020««

18 de dezembro de 2019

Mais um português a caminho da Hagens Berman Axeon

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Há mais um português a merecer a confiança de uma das principais equipas de formação a nível mundial. A Hagens Berman Axeon contratou Pedro Andrade, que assim se vai juntar a André Carvalho na estrutura que não pára de colocar jovens talentos no World Tour e com quatro portugueses a pertencerem a esse lote de luxo. Aos 19 anos, Andrade vê as portas do pelotão internacional abrirem-se, mesmo que a equipa até vá descer para o escalão Continental. No entanto, foi precisamente nesta categoria que se tornou numa referência.

Ruben Guerreiro foi o primeiro a dar o salto (Trek-Segafredo, Katusha-Alpecin e EF Education First em 2020), seguindo-se os gémeos Oliveira, Ivo e Rui (UAE Team Emirates) e o mais recente a "formar-se" foi João Almeida, que daqui a uns dias vai começar a vestir o equipamento da Deceuninck-QuickStep. Os quatro cumpriram duas temporadas na Hagens Berman Axeon antes de entrarem no World Tour. No anúncio da contratação de Pedro Andrade, a equipa americana, liderada por Axel Merckx, realçou precisamente essa ligação de cinco anos com Portugal.

E não deixou dúvidas sobre as razões que levaram a esta aposta no campeão nacional de juniores de 2018. "Sobressai tanto nas curtas como nas subidas longas. Ele espera ajudar a equipa quando for chamado para tal. O ciclista versátil também procurará aproveitar sprints em pequenos grupos, algo em que ele é surpreendentemente rápido. Andrade irá focar-se em melhorar o contra-relógio e as suas qualidades técnicas durante a época de 2020", lê-se no comunicado.

"Nesta nova etapa, o meu maior objectivo é evoluir o máximo possível e seguir as pisadas de todos os ciclistas portugueses que por lá passaram", afirmou o jovem ciclista, em declarações publicadas no Facebook da Vito-Feirense-PNB. No comunicado da sua nova equipa realçou que assinar pela equipa americana "é um sonho tornado realidade".

Depois de se destacar em cadetes e juniores, Pedro Andrade estreou-se no pelotão nacional de elite na Vito-Feirense-PNB. Apesar de ser sub-23 de primeiro ano, o jovem ciclista aproveitou muito bem as oportunidades que lhe foram sendo dadas pela equipa liderada pelo pai, Joaquim Andrade. Pedro conseguiu mesmo a sua primeira vitória, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota.

Além do pai - vencedor da Volta ao Algarve em 1991 e da Volta ao Alentejo em 2002 - Pedro tem ainda o avô como referência. Também de Joaquim Andrade, conquistou a Volta a Portugal em 1969, com a camisola do Sangalhos.

O jovem português é a quarta contratação da Hagens Berman Axeon para 2020, depois do belga Jens Reynders (21 anos), do australiano Jarrad Drizners (20) e do americano Michael Garrison (18). Como curiosidade, o irmão deste último, Ian Garrison, vai acompanhar João Almeida para a Deceuninck-QuickStep, enquanto Mikkel Bjerg (tricampeão do mundo de contra-relógio em sub-23) vai reencontrar-se com os gémeos Oliveira na UAE Team Emirates. São os três mais recentes ciclistas desta equipa a prepararem-se para entrar no World Tour.

»»E se a Hagens Berman Axeon ficasse com os ciclistas que forma e fosse do World Tour?««

23 de junho de 2019

W52-FC Porto em suspenso, Vito-Feirense-PNB aliviada, Efapel desiludida

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
O Grande Prémio Abimota terminou com emoções bem diferentes para várias equipas. A queda e ida ao hospital de Raúl Alarcón acaba por ser um dos principais destaques, tendo em conta a proximidade da Volta a Portugal. Na Efapel lamenta-se a perda de uma corrida na última etapa, numa altura em que mudou de director desportivo. Já na Vito-Feirense-PNB há razões para festejar. Tem sido uma temporada difícil, mas as duas vitórias de etapa dão à equipa de Joaquim Andrade uma dose extra de confiança muito bem-vinda.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Mas há que começar por referir o vencedor da 40ª edição da corrida de quatro etapas. Chama-se Gotzon Martin, é um espanhol de 23 anos da equipa Fundação Euskadi, que está a dar passos para tentar recuperar o prestígio da famosa Euskaltel-Euskadi, com Mikel Landa a ser o rosto do projecto basco. Martin teve dificuldades em acreditar no que conseguiu fazer. Entrou na fuga e foi segundo na etapa - 174,5 quilómetros entre Anadia e Águeda - em que começou a 15 segundos da liderança, acabando com 53 de vantagem sobre um desiludido Antonio Angulo.

Para o ciclista da Efapel teria sido um triunfo com uma importância acrescida numa fase de mudança. Américo Silva rescindiu por mútuo acordo após do Grande Prémio Jornal de Notícias, com Rúben Pereira a assumir o cargo, ajudado por José Augusto Silva, que chegou à equipa a pensar também na Volta a Portugal. Angulo venceu a terceira etapa, mas a geral escapou novamente à Efapel, tal como na corrida do Jornal de Notícias e também os Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela, ainda que nestes dois exemplos, não tenha chegado a liderar, mas ficou no pódio com Joni Brandão, muito perto de vencer.

A Efapel competiu apenas com cinco homens, o que não ajudou no controlo da corrida. Entre os ciclistas em estágio em altitude e Rafael Silva que competiu este domingo nos Jogos Europeus, Rúben Pereira apresentou-se com uma equipa reduzida e que está a adaptar-se a uma nova realidade, ainda que o agora director desportivo já fosse um homem da casa.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Pedro Andrade tornou-se numa das figuras da prova. Corredor de 19 anos, foi promovido esta temporada à equipa principal, depois de evoluir nos juniores. O jovem esteve em fuga com outro ciclista muito novo, João Barbosa (21 anos) e alcançou a sua primeira vitória de elite. Se para Pedro Andrade será um momento marcante na sua carreira, para a Vito-Feirense-PNB, o sucesso tem o condão para deixar a equipa mais tranquila. Os triunfos demoraram a chegar, mas João Matias - outro corredor que esteve nos Jogos Europeus, em Minsk - abriu a contagem na primeira etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias, Oscar Pelegrí venceu a segunda no Abimota e Pedro Andrade aumentou agora a contagem.

Com a saída de Edgar Pinto para a W52-FC Porto, a Vito-Feirense-PNB teve de alterar a sua forma de enfrentar as corridas e nestas duas últimas provas ficou bem claro como irá encarar as Volta a Portugal. Matias será homem para os sprints, com as fugas a serem apostas fortes na luta por vitórias de etapas, pensando muito pouco numa classificação geral.

Também a W52-FC Porto poderá ter de mudar estratégia, pelo menos no que diz respeito ao líder para a Volta. Ainda é prematuro afastar Raúl Alarcón, com o espanhol à espera dos resultados dos exames para saber como será o seu futuro próximo. Alarcón caiu e foi transportado para o hospital. O vencedor das últimas duas edições da Volta a Portugal poderá ter em risco a tentativa de lutar pela terceira, o que poderá levar o director desportivo Nuno Ribeiro a ter de eleger um novo líder, numa equipa que conta com opções muito fortes para esse lugar.

Nesta fase da temporada, já se está muito em modo de aprimorar pormenores para a Volta a Portugal. Mas há equipas que não estão com vida fácil. A Rádio Popular-Boavista é uma delas. Luís Mendonça está suspenso à espera de resolver a situação do controlo adverso que teve. E no Abimota, uma intoxicação alimentar levou ao abandono da maioria dos atletas. Só João Salgado e João Benta terminaram, com este último a ser 10º, a 1:28 minutos de Gotzon Martin.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Quanto às restantes classificações do Abimota, a Vito-Feirense-PNB subiu mais uma vez ao pódio como a melhor equipa. O classificação da montanha foi para uma equipa de clube, a Fortunna-Maia, através de Patrick Videira. Angulo ficou com a camisola dos pontos e Jorge Magalhães (W52-FC Porto) foi o melhor jovem. Rafael Lourenço (UD Oliveirense-InOutBuild) ficou com a camisola das Autarquias e David Ribeiro (LA Alumínios-LA Sport) com a das Bolinhas.