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5 de março de 2020

"Fiquei com uma ideia do que é a realidade do ciclismo"

Da Venezuela para Espanha e agora em Portugal com os olhos postos no topo do mundo. Leangel Linarez vive um momento importante na sua carreira. Aos 22 anos não esconde o quanto está agradecido a Pedro Silva e à Miranda-Mortágua pela possibilidade de estar numa equipa Continental e de já ter estado a competir ao lado de alguns dos grandes ciclistas da actualidade. A Volta ao Algarve foi uma oportunidade de ganhar ritmo e experiência para um ciclista que, na Prova de Abertura Região de Aveiro, viveu um daqueles momentos caricatos, que de vez em quando acontecem nas corridas: festejou uma vitória que afinal não era sua. Mas que não restem dúvidas. Não ficou desiludido, apenas ainda mais motivado para ter um 2020 de sucesso.

"Pensei que tinha ganho... Foi uma confusão com a fuga. Eram quatro ou eram cinco... Mas terminei com boas sensações e deu-me tranquilidade para o resto da época." E é neste último aspecto que se concentra. Ao Volta ao Ciclismo contou que começou a preparar a nova temporada um pouco mais tarde do que os companheiros, devido a questões pessoais. Ser segundo em Vagos foi, por isso, motivador. Na Volta ao Algarve sabia que não teria possibilidade de medir forças com as referências do sprint mundial presentes, mas saboreou todos os instantes daquelas cinco etapas. Afinal, é àquele nível que quer chegar.

"Foi muito bonito estar ao lado de ciclistas que via na televisão. Agradeço à equipa a oportunidade de estar no Algarve e a confiança que teve em mim. Foi uma Volta importante para ganhar experiência para o futuro. Foi uma boa preparação. Era uma Volta difícil para estar na luta, mas sabia que era uma oportunidade para ganhar ritmo para encarar os próximos objectivos. Fiquei com uma ideia do que é a realidade do ciclismo", explicou.

Linarez foi contratado pela equipa dirigida por Pedro Silva em Julho de 2019. Então, já tinha deixado a sua marca em Portugal, ao vencer a segunda etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias, ao serviço da formação espanhola Kuota-Construcciones Paulino. Na época passada, conquistou seis vitórias. "Quero repetir [o triunfo no JN]! Creio que essa vitória deu-me mais confiança e acho que vai ser importante para o que vou fazer este ano. Espero que seja uma época produtiva."

"Quero correr uma grande volta. A minha preferida, como acontece com quase todos, é o Tour, mas ficaria muito feliz se fosse uma Volta a Espanha"

Com o sprint como ponto forte, não surpreende que Linarez tenha um discurso que inclua muito a ambição de vencer e a Volta a Portugal está, naturalmente, no topo das prioridades. Contudo, ainda faltam uns meses, pelo que agora está concentrado em apresentar-se forte na Volta ao Alentejo, de 18 a 22 de Março. "Não conheço, mas já me falaram muito dela. Tem muitas etapas ao sprint e quero estar lá bem", afirmou. Porém, antes, estará em acção este domingo, na Clássica da Primavera, na Póvoa de Varzim.

Quando fala da equipa, refere-se a ela como "uma grande família", um sentimento importante para quem tem a sua longe, num país que vive tempos conturbados. "Não foi fácil vir para a Europa e deixar a família, ainda mais com a situação política no país. Mas quem não arrisca, não petisca. As coisas estão a correr bem aqui. Quero ficar aqui na Europa", salientou. No entanto, não esconde que há sempre alguma preocupação presente no seu estado de espírito. "Estou em permanente contacto com eles. Não lhes falta o pão de cada dia e isso é o mais importante. Nesse aspecto estou um pouco tranquilo", contou. Acrescentou que o que o preocupa mais são os cuidados de saúde, que tem feito muitos venezuelanos dirigirem-se à Colômbia, por exemplo, para conseguirem ter acesso a alguns medicamentos. Mas realçou que tudo está bem com a sua família.

Quanto ao desporto, Linarez recordou como em tempos os ciclistas venezuelanos conseguiam fazer carreira no próprio país. Actualmente procuram viajar para a Europa. As suas primeiras pedaladas foram em 2008, quando um primo o levou à Escola de Ciclismo José Balaustre, nome de um antigo corredor venezuelano. Linarez evoluiu na sua terra natal, Barina, e em 2013 começou a ser chamado à selecção, tendo ainda apostado na pista. Em 2017, Jesús Rodríguez Magro chamou Linarez para a EC Cartucho-Magro, equipa de Madrid, mas que fechou portas pouco depois. Contudo, as suas exibições - quatro vitórias e vários top dez - valeram-lhe a continuidade em Espanha na Kuota-Construcciones Paulino.

Se a Colômbia tem sido a referência no que a ciclistas daquela zona do globo a triunfarem ao mais alto nível diz respeito, sem esquecer o Equador que Richard Carapaz também já colocou no mapa, Linarez acredita que num futuro próximo também se comece a olhar mais para os talentos venezuelanos. "Espero que um dia aconteça com a Venezuela o que está a acontecer com a Colômbia", disse, realçando como a Caja Rural - equipa espanhola do segundo escalão mundial - contratou um seu compatriota, também sprinter: Orluis Aular, de 23 anos.

Linarez não se cansa de dizer a necessidade de trabalhar muito para que possa continuar a viver o seu sonho e concretizar o que mais deseja: "Quero correr uma grande volta. A minha preferida, como acontece com quase todos, é o Tour, mas ficaria muito feliz se fosse uma Volta a Espanha."


7 de novembro de 2019

Regresso de Joaquim Silva fecha plantel mais experiente

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Já não era segredo, mas a Miranda-Mortágua deixou para o fim o anúncio do regresso de Joaquim Silva, que irá assumir o maior protagonismo de uma equipa que para 2020 aposta em mais experiência, mas sem deixar de ter jovens que procura valorizar. Para a sua terceira temporada na categoria Continental (agora sem ser sub-25), Pedro Silva escolheu um ciclista que dá mais opções para as gerais e garantiu ainda um outro reforço de peso, Angel Sanchez, para se juntar a Daniel Freitas, que foi dos corredores com melhores prestações em 2019, mostrando-se forte em vários sprints, vencendo o Circuito da Póvoa da Galega.

Foi a única vitória da Miranda-Mortágua este temporada, num ano também marcado pela prestação de Hugo Sancho na Volta a Portugal. Aquela etapa da Serra do Larouco escapou por tão pouco... A equipa mostrou-se lutadora, procurou fugas, tentou ajudar Daniel Freitas nos sprints, mas faltaram melhores resultados. A chegada de Joaquim Silva e de Ángel Sanchez, ambos da W52-FC Porto, dará mais opções entre ciclistas com uma experiência mais ampla, podendo assim contrabalançar melhor com a juventude de Artur Chaves e Pedro Pinto, por exemplo.

E por falar em ciclistas ainda muito jovens, o director desportivo contratou um dos estreantes no pelotão nacional de elite com melhores prestações. João Barbosa está a pouco mais de um mês de completar 22 anos e demonstrou na Vito-Feirense-PNB grande potencial e muito ainda por evoluir. Ao lado de Hugo Sancho e Joaquim Silva poderá desenvolver ainda mais as suas qualidades como trepador.

O venezuelano que estagiou na parte final da temporada, Leangel Linarez, e o britânico da Crédtio Agrícola-Jorbi-Almodôvar, Ash Coning, foram as restantes contratações, mais dois jovens para trabalhar e ver como irão evoluir.

Depois de em 2019 Hugo Sancho, Daniel Freitas e Gaspar Gonçalves - outro dos ciclistas que se destacou esta temporada - terem regressado à equipa de Mortágua, é agora a vez de Joaquim Silva. Enquanto sub-23, entre 2011 e 2014, o ciclista de Penafiel, não demorou muito a mostrar o seu talento. Foi campeão nacional do escalão, estreou-se na Volta a Portugal (ao serviço da selecção) com um 25º lugar e foi oitavo no prestigiado Tour de l'Avenir ou Volta a França do Futuro. Nesse 2014 para recordar, foi 16º nos Mundiais de Ponferrada.

A W52-FC Porto não esperou e contratou o ciclista. Nas três temporadas seguintes a evolução foi notória, mesmo muito preso a um papel de gregário. Sem grande surpresa chegou a oportunidade de ir para o estrangeiro, com Joaquim Silva a assinar pela Caja Rural por duas temporadas. Porém, só cumpriria uma. Alternou entre prestações ao seu nível, com outras menos conseguidas. Veio à Volta a Portugal como líder, mas abandonou ao segundo dia, sendo a primeira das vítimas do calor que marcou a edição de 2018 da corrida. Foi uma enorme desilusão para o ciclista e para a equipa, que apostava forte no português.

A expectativa de se estrear numa grande volta em Espanha não se confirmou e a Caja Rural acabaria por dispensar o ciclista, que regressou à W52-FC Porto. Joaquim Silva acabou por fazer uma calendário mais pelo estrangeiro, mas só na recta final da temporada, na China mostrou um pouco do seu melhor. Ainda assim vai mudar novamente de ares, tentando aos 27 anos relançar a carreira onde despontou para o ciclismo.

Depois de se ter tornado uma equipa sub-23 de referência, que formou vários corredores que chegaram ao profissionalismo, não deixa de ser curioso que a Miranda-Mortágua na versão Continental continue a recuperar alguns dos seus melhores pupilos e que seja com eles que vá à procura de mais e melhor em 2020.

Equipa: Hugo Sancho (37 anos), Artur Chaves (20), Daniel Freitas (28), Gaspar Gonçalves (24), Pedro Pinto (19), Joaquim Silva (27, W52-FC Porto), Ángel Sanchez (26, W52-FC Porto), João Barbosa (21, Vito-Feirense-PNB), Leangel Linarez (22, Kuota-Construcciones Paulino, estagiou a partir de Agosto de 2018 na Miranda-Mortágua), Ash Coning (19, Crédito Agrícola-Jorbi-Almodôvar).


24 de abril de 2019

Seis equipas portuguesas na Volta a Castela e Leão

(Fotografia: © Photo Gómez Sport/Vuelta Castilla y León)
Seis equipas portuguesas, tantas como as espanholas, vão percorrer nos próximos três dias (quinta-feira a sábado) uma rota que respeita o Caminho de Santiago, passando pelas províncias de Burgos, Palência e Leão. Não sendo uma corrida com muita montanha, tem a suficiente para fazer diferenças e para permitir que trepadores garantam o triunfo, contudo, o percurso beneficia também ciclistas que, não sendo os puros especialistas a subir, adaptam-se bem a todo o tipo de terreno, com Jonathan Hivert (Total Direct Energie) a ser o exemplo recente, ao vencer a corrida em 2017. Há um ano Rubén Plaza (Israel Cycling Academy) ganhou pela segunda vez e vai tentar uma terceira.

Já Hivert será uma das ausências, num pelotão que conta com uma equipa World Tour, a Movistar. Nelson Oliveira estará presente, na ajuda a Carlos Barbero, com Edu Prades e Rubén Fernández a serem mais duas hipóteses para discutir a geral. Das equipas espanholas estarão ainda as Profissionais Continentais Caja Rural, Euskadi-Murias e Burgos-BH, e as Continentais Fundação Euskadi e Kometa, está última com a presença do português Daniel Viegas.

Seis formações espanholas para rivalizar com as seis portuguesas:

W52-FC Porto: Gustavo Veloso, Rui Vinhas, Daniel Mestre, Francisco Campos, Ángel Sánchez, Joaquim Silva e António Carvalho.

Sporting-Tavira: Frederico Figueiredo, José Mendes, Alvaro Trueba, David Livramento, Alejandro Marque, César Martingil e Valter Pereira.

Efapel: Bruno Silva, Marcos Jurado, Henrique Casimiro, Rafael Silva, Antonio Angulo e Pedro Paulinho.

Aviludo-Louletano: Juan Ignacio Perez, David de la Fuente, André Evangelista, Oscar Hernandez, Leonel Coutinho, Mário Barbosa e Nuno Meireles.

Vito-Feirense-PNB: Björn Thurau, Filipe Cardoso, Jesus del Pino, João Matias, Oscar Pelegrí, Pedro Andrade e Rui Rodrigues.

Miranda-Mortágua: Daniel Freitas, Hugo Sancho, Sérgio Vega, Gaspar Gonçalves, Ivo Pinheiro e Jesús Nanclares.

Do segundo escalão estarão, além das espanholas, W52-FC Porto e da Israel Cycling Academy de Plaza, a colombiana Manzana Postobón e as francesas Delko Marseille Provence e Total Direct Energie. Do nível Continental, além das cinco formações portuguesas e duas espanholas, estão inscritas a russa Lokosphinx e a japonesa Matrix Powertag, que conta com o veterano Francisco Mancebo. Aos 43 anos não dá mostras de querer parar, tendo vencido esta corrida em 2000 e 2003.

Entre os ilustres vencedores estão também Alejandro Valverde, Pierre Rolland, Alberto Contador, Alexander Vinokourov e, recuando aos anos 90, Miguel Indurain.

Lista completa de inscritos neste link, via ProCyclingStats.

1ª etapa (quinta-feira): Belorado - Castrojeriz, 181 quilómetros



2ª etapa (sexta-feira): Fromista-Villada, 170,3 quilómetros



3ª etapa (sábado): León-Villafranca del Bierzo, 151,8 quilómetros



»»Edgar Pinto agarra oportunidade e dá à W52-FC Porto um resultado muito importante««

»»W52-FC Porto com calendário que a levará até à China, com passagem pelo Luxemburgo e Turquia««

19 de fevereiro de 2019

"Acima de tudo podem esperar que seremos a imagem do responsável máximo desta equipa"

(Fotografia: Miranda-Mortágua)
Aos 37 anos, parar é uma palavra que Hugo Sancho não nega que já vai entrando no seu léxico. Porém, enquanto a motivação existir e os desafios surgirem, o ciclista só pensa em sair para cada corrida, para cada treino com a mesma dedicação de sempre. E essa motivação cresceu em 2019, pois está de regresso a uma casa que bem conhece dos tempos de formação, ainda que agora tenha uma responsabilidade diferente. É o mais velho de uma equipa predominantemente jovem e partilhar a sua experiência terá um peso importante para que o Miranda-Mortágua possa enfrentar a época com a ambição que o director Pedro Silva sempre tem.

Depois de ter passado grande parte da carreira na LA Antarte e antes no Benfica, Sancho esteve na última temporada na Vito-Feirense-BlackJack. É dos ciclistas mais experientes e respeitados do pelotão nacional. Motivação e experiência são, para Hugo Sancho, as mais valias quando se chega à sua idade ainda a competir a alto nível. Porém, o comportamento físico é, inevitavelmente, diferente. "Corrigimos aqueles pormenores que nos vão ajudar. É óbvio que aos 37 tenta-se dar ao corpo o que ele já não tem. Se calhar fica mais lento e nós temos de trabalhar mais outras partes", referiu ao Volta ao Ciclismo.

O que poderá seguir-se à carreira de ciclista é algo que ainda não pensou muito, mas já vai começando a analisar possibilidades. No entanto, se vai parar este ano ou daqui a dois, é algo que não tem decidido. "Por um lado gostaria de ficar ligado ao ciclismo, por outro tenho algumas coisas que a família me pode proporcionar. Não sei... Ainda não pensei muito bem, mas vou pensando cada vez mais", afirmou. A família tem uma grande influência nas suas decisões: "Se eu não puder dar a elas [às filhas] o que elas precisam, eu não estaria no ciclismo. Vivo em função de ter as pessoas à minha volta felizes. Se não não estaria aqui."

Pensar na retirada fica para outra altura, pois o que tem pela frente a curto prazo é mais uma temporada, que a partir desta quarta-feira e até domingo, passa pela Volta ao Algarve. O Miranda-Mortágua viu algumas das suas principais figuras saírem, como foi o caso de Francisco Campos, Hugo Nunes, Gonçalo Carvalho e Jorge Magalhães, por exemplo. Neste segundo ano como Continental sub-25, a remodelação teve de ser profunda. "Se têm qualidade têm que dar o salto, têm de pensar no futuro deles. É sempre assim", salientou. Sendo uma equipa que aposta na formação, acaba por ser sinal do seu sucesso.


"É importante ter estas equipas [sub-25], como é importante ter uma como a W52-FC Porto, uma equipa Profissional Continental, que dá outras condições e ambição aos corredores mais novos"

Apesar das muitas mudanças, Sancho não duvida que o Miranda-Mortágua vai estar sempre na luta, como aconteceu na Prova de Abertura Região de Aveiro, em que os ciclista da equipa muito trabalharam para colocar Daniel Freitas na disputa do sprint. "Acima de tudo podem esperar que seremos a imagem do responsável máximo desta equipa. A ambição em cada dia e tentar dignificar ao máximo os patrocinadores. E vamos estar aí para alcançar algumas vitórias, alguns resultados. Temos os nossos desafios, queremos mostrar os nossos patrocinadores. São eles que nos dão condições para seguir o ano todo", referiu.

O Miranda-Mortágua foi uma das três estruturas - UD Oliveirense-InOutBuild e LA Alumínios-LA Sport - que na época passada decidiu aproveitar a oportunidade para subir ao escalão Continental, ainda que como sub-25. Foi um passo visto com desconfiança por muitos e Hugo Sancho foi um deles. Entretanto, mudou de opinião: "Eu de início achava que ter só sub-25 não era favorável para o ciclismo. Mas também foi a forma como nos foi apresentado tudo isto. Agora vejo que o inserir das pessoas mais jovens e dar-lhes mais responsabilidade, faz com que elas evoluam. Acho que é isso que está acontecer. Têm mais responsabilidade, são profissionais e têm de se dedicar."


Equipa que estará presente na Volta ao Algarve (Imagem: Miranda-Mortágua)
Por isso, considera que formações como o Miranda-Mortágua são um ponto muito positivo no ciclismo nacional. "É importante ter estas equipas, como é importante ter uma como a W52-FC Porto, uma equipa Profissional Continental, que dá outras condições e ambição aos corredores mais novos. Saíram daqui dois [Francisco Campos e Jorge Magalhães] e agora têm essa responsabilidade de competir num calendário mais abrangente e com mais qualidade. Toda esta estrutura, desde estas equipas [sub-25] e depois às com a responsabilidade da W52-FC Porto, é um ciclo que deve ser cada vez mais solidificado", realçou.

Hugo Sancho é um dos ciclistas com mais de 25 anos escolhido pelo Miranda-Mortágua para ajudar a dar continuidade a um projecto de referência na formação, pois este é um ciclista que pode ser uma voz de comando essencial durante as corridas: "Acima de tudo sou o mais velho e tenho de transmitir algumas coisas aos mais novos. É uma responsabilidade que não pesa, mas é uma responsabilidade."


19 de novembro de 2018

Miranda-Mortágua confirma talentos em ano de mudança

A vida de equipas de formação é assim. Desenvolve-se jovens talentos e quando são bons, é inevitável que partam para outros desafios, para equipas com outras ambições. O Miranda-Mortágua é uma das melhores estruturas para os ciclistas evoluírem e ao subir ao escalão Continental como sub-25, não mudou nada, apenas confirmou que tinha um grupo de jovens corredores forte e que seria difícil não vê-los seguir em frente na carreira.

Numa época de mudança, Pedro Silva manteve o núcleo duro que em 2017 tinha realizado uma época bem positiva. A realidade pode ter sido um pouco diferente nesta temporada com o acesso a grandes corridas, mas de quem se esperava ter tudo para demonstrar que é no profissionalismo que tem lugar, mostrou-o. Francisco Campos, Hugo Nunes, Gonçalo Carvalho e Jorge Magalhães estiveram em destaque e não surpreende que para o ano estejam em equipas como a W52-FC Porto ou a Rádio Popular-Boavista.

Uma palavra para Francisco Campos. Tão longe que está aquele rapaz que nem queria acreditar que tinha acabado de bater os profissionais na Prova de Abertura Região de Aveiro em 2017. Está a tornar-se num senhor ciclista, num sprinter de qualidade. Em Portugal já se sabe, um sprinter tem de saber subir e Francisco Campos é um dos sub-23 (campeão no ano passado) de quem se espera ver-se mais e melhor agora que vai para a equipa que tem dominado o ciclismo nacional. 

Este ano somou três vitórias, duas na Volta a Portugal do Futuro e conquistou a Taça de Portugal do seu escalão, além de também ser o melhor sub-23 no ranking. Bem tentou uma vitória de maior gabarito, mas por mais qualidade que o Miranda-Mortágua pudesse ter, nas grandes corridas não se podia esperar mais do que foi feito. E foi muito positivo.

Não só por parte de Campos, que juntamente com Jorge Magalhães, vai a caminho da W52-FC Porto. Nuno Ribeiro não deixa escapar jovens talentos! Magalhães também venceu uma etapa na Volta a Portugal do Futuro e é um trepador com muita margem de progressão. Tal como Hugo Nunes (vai para a Rádio Popular-Boavista) e Gonçalo Carvalho, este último está a caminho da equipa francesa U.C. Mónaco.


Ranking: 8º (369 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo Memorial Bruno Neves e três etapas da Volta a Portugal do Futuro)
Ciclista com mais triunfos: Francisco Campos (3) 

Foi uma temporada regular para este quarteto que sabe o que é representar a selecção em grandes competições internacionais de sub-23. Carvalho esteve muito bem na sua estreia em Mundiais, em Innsbruck (38º, o melhor português). O director desportivo, Pedro Silva, tem razões para ficar orgulhoso do trabalho realizado com estes ciclistas, que muito contribuíram para a estreia positiva no escalão Continental, dentro do que era expectável, já que medir forças de igual para igual com as equipas profissionais seria sempre uma missão complicada.

Nuno Meireles e António Barbio foram os ciclistas mais experientes contratados para esta nova fase do Miranda-Mortágua. Apesar de ter ganho o Memorial Bruno Neves, Barbio esteve longe do ciclista que representou a Efapel. Foi um regresso a casa que não correu como esperado. A Nuno Meireles parece ser difícil tirar-lhe o sorriso. Depois de uma temporada complicada na Equipo Bolivia - que fechou portas a meio da época -, Meireles reencontrou a alegria do ciclismo. Homem de trabalho por excelência, cumpriu com a missão de ajudar na evolução dos jovens companheiros. Por ser um daqueles corredores com quem se pode sempre contar, Jorge Piedade foi buscá-lo para o Aviludo-Louletano-Uli. Barbio irá mudar-se para a LA Alumínios.

Num ano de mudança e que serviu para confirmar o bom trabalho realizado na formação do Miranda-Mortágua, o grande teste poderá chegar em 2019, já que são muitas as caras novas, cortando com a continuidade que se verificou esta época. Apenas três ciclistas se manterão na estrutura: Artur Chaves, Pedro Teixeira e Tiago Leal. As contratações são um misto de experiência e de juventude.

Pedro Silva aposta no regresso de Hugo Sancho (36 anos, Vito-Feirense-BlackJack) e Daniel Freitas (27, W52-FC Porto), que passaram pelos escalões de formação, tal como Gaspar Gonçalves (23, Liberty Seguros-Carglass), que esteve na categoria de cadetes e juniores na estrutura. Este ciclista poderá ser uma das figuras em 2019 do Miranda-Mortágua. Ivo Pinheiro (20, ACDC Trofa) terá uma oportunidade para se mostrar noutro nível, com o júnior Pedro Pinto (18, Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel) a dar um salto importante agora que sobe de escalão. De Espanha chegarão dois ciclistas de 22 anos: Cristian Mota (Aldro Team), Sergio Vega (Froiz). Este último fará 23 em Dezembro.

Uma profunda renovação, numa altura em que a estrutura quererá consolidar-se como Continental sub-25 e poderá procurar resultados de destaque em corridas além das sub-23. Essas serão atacadas com a prata da casa, com o trio que permanece a assumir maior responsabilidade, além de Pinheiro e Pedro Pinto.

Veja aqui todos os resultados do Miranda-Mortágua em 2018 e das restantes equipas nacionais.

»»O ano zero numa nova era de um patrocinador histórico««

6 de novembro de 2018

Transferências e renovações nas equipas portuguesas

As equipas portuguesas estão a ultimar os plantéis para 2019. Já são muitas as mudanças confirmadas, ainda que mais algumas deverão acontecer em breve. Os regressos de Tiago Machado ao pelotão português e o de Joni Brandão a uma casa que bem conhece, assim como a mudança de Daniel Mestre e também de Luís Mendonça, são algumas das principais transferências. Aqui ficam as contratações e renovações já confirmadas.

Depois de nove anos a competir no estrangeiro, oito, no World Tour, depois de dez grandes voltas e seis monumentos, o pelotão português contará novamente com um dos ciclistas que mais marca uma geração e que irá deixar a Katusha-Alpecin. Tiago Machado, o combativo por excelência, aceitou a proposta do Sporting-Tavira para liderar uma equipa que quer acabar com a hegemonia da W52-FC Porto. A formação azul e branca foi por sua vez buscar um dos ciclistas mais valiosos do nosso pelotão. Daniel Mestre deixa a Efapel depois de três temporadas em que foi uma das grandes figuras e aposta na formação que poderá estar em 2019 no escalão Profissional Continental, com Raúl Alarcón a continuar a ser o líder.


Nuno Ribeiro deverá manter a maioria dos ciclistas que representaram a equipa em 2018, com Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) a caminho, tal como Rafael Reis, que, a confirmar-se, estará de volta à equipa depois de dois anos na Caja Rural. Outro ciclista que poderá regressar a Portugal é José Mendes, que disse ter propostas do Sporting-Tavira e Efapel, apesar de ficar na Burgos-BH era uma hipótese ainda não afastada em Outubro.

Mas estas são transferências ainda não oficializadas. Continuando nas já confirmadas...

A Efapel é a outra autora de uma das principais transferências. Joni Brandão volta à casa que bem conhece, depois de duas temporadas no Sporting-Tavira. A primeira ficou marcada por um problema de saúde que não só o limitou, como o afastou mesmo da Volta a Portugal. Mas em 2018 esteve ao seu nível, foi segundo na Volta e venceu o ranking nacional. Antes da passagem pela formação algarvia, tinha estado quatro anos na Efapel, onde se tornou num dos ciclistas de referência do pelotão nacional. Assinou por duas temporadas. A equipa de Américo Silva já confirmou as renovações de Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Rafael Silva e Pedro Paulinho.

Uma das equipas que realizou uma temporada inesquecível tem o seu plantel preparado para 2019. A Aviludo-Louletano-Uli - que passará a ser LudoFoods-Louletano - contratou Nuno Meireles (Miranda-Mortágua), Leonel Coutinho ((Vito-Feirense-BlackJack), Ricardo Vale (Vito-Feirense-BlackJack) e o espanhol Francisco Garcia Rus (GSport-Valencia Sports-Wolfbike). Quanto a renovações, o líder Vicente García de Mateos vai continuar na formação de Jorge Piedade, tal como Luís Fernandes, Óscar Hernández, Márcio Barbosa, André Evangelista, David de la Fuente e Juan Ignacio (Nacho) Perez.

No entanto, o conjunto algarvio perde um dos ciclistas que conquistou uma das vitórias mais importantes do ano. Luís Mendonça conquistou a Volta ao Alentejo, confirmando assim o seu potencial, depois de ter começado tarde no ciclismo, mas mais do que a tempo de ter uma carreira de sucesso. José Santos, director desportivo da Rádio Popular-Boavista, viu em Mendonça o ciclista ideal para preencher a vaga deixada por Domingos Gonçalves, que irá para a Caja Rural. Luís Mendonça encontrará uma equipa, na qual terá ainda mais liberdade para lutar por triunfos e, claro, a pensar na Volta a Portugal.

João Benta, Daniel Silva, Luís Gomes, David Rodrigues e o jovem de 19 anos João Salgado vão continuar na estrutura, que se reforçou ainda com um dos talentosos trepadores da nova geração, Hugo Nunes (Miranda-Mortágua). O júnior Afonso Silva esteve recentemente no Mundial de Innsbruck, é um campeão nacional de contra-relógio  e dará o salto para uma equipa profissional para fazer o seu primeiro ano como sub-23. Estava no Sporting-Tavira-Formação Engenheiro Brito da Mana. De Espanha chega Antonio Gómez, que este ano representou a equipa amadora da Caja Rural.

A Vito-Feirense-BlackJack foi buscar um alemão cujo nome poderá não dizer muito, mas é um ciclista com muita experiência no escalão Profissional Continental. Bjorn Thurau, 30 anos, esteve em equipas como a Europcar (actual Direct Energie), Bora-Argon 18, e Wanty-Groupe Gobert. Este ano esteve na Holdsworth Pro Racing, do escalão Continental.

Jesus del Pino (Efapel) e Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli) estão confirmados, assim como João Barbosa, que vem do Maia. Os juniores Pedro Andrade e António Ferreira vão ter uma oportunidade na equipa principal, agora que passam a sub-23. Sem Edgar Pinto, João Matias será o líder principal, com Luís Afonso, João Santos e Bernardo Saavedra a manterem-se na equipa.

Nas equipas Continentais sub-25 haverá grandes mudanças, pelo menos no Miranda-Mortágua e na LA Alumínios. Na primeira apenas três ciclistas renovaram: Artur Chaves, Pedro Teixeira e Tiago Leal. A equipa de Pedro Silva promoveu o regresso de Daniel Freitas, que representou o Miranda-Mortágua na sua formação e que nas últimas três épocas esteve na W52-FC Porto.

O experiente Hugo Sancho (Vito-Feirense-BlackJack) vai aos 36 anos ter um novo desafio, numa equipa onde terá um papel importante entre tantos jovens. Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros-Carglass) poderá encontrar espaço para ter destaque, com Pedro Pinto (Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel), Ivo Pinheiro (ACDC Trofa) e os espanhóis Cristian Mota (Aldro Team) e Sergio Vega (Froiz) a completarem a equipa, do que já foi revelado.

Na LA Alumínios também só três ciclistas de 2018 vão continuar em 2019: David Ribeiro, Gonçalo Leaça e Fábio Oliveira. Chega António Barbio, que apesar de ter alcançado uma vitória no Memorial Bruno Neves, não teve a época que desejava no Miranda-Mortágua e vai agora trabalhar com Hernâni Brôco na LA Alumínios. André Crispim (Libery Seguros-Carglass), André Ramalho (Jorbi-Team José Maria Nicolau), Emanuel Duarte e Leonel Firmino, ambos do FGP-Cube-Bombarral, vão vestir as cores de um dos patrocinadores mais antigos do ciclismo nacional.

Quanto à Liberty Seguros-Carglass a principal novidade até ao momento é a nova aliança entre o Bike Clube de Portugal - detentor da equipa - e a União Desportiva Oliveirense, que assim abriu o seu núcleo de ciclismo e irá ter o seu nome no pelotão em 2019.

Enquanto se espera pelas equipas completas para 2019, aqui ficam duas curiosidades relativamente às máquinas a utilizar na próxima temporada. A W52-FC Porto irá contar com as bicicletas da marca Swift em vez das KTM. A Rádio Popular-Boavista deixará de ter bicicletas Focus para procurar vitórias com as Cervélo.

Nuno Almeida termina carreira

Com apenas 27 anos, o ciclista que esta época representou a LA Alumínios decidiu colocar um ponto final na sua carreira. Sem contrato para 2019, Nuno Almeida tomou a difícil decisão, revelando que adiou uma intervenção cirúrgica durante toda a temporada.

"É difícil chegar a esta altura sem equipa e sem ter colocação para 2019 mas faz parte do percurso de vida de qualquer pessoa. Foi um ano duro, sem dúvida o mais difícil da minha carreira. Partir um osso na primeira corrida da época e só parar para ser operado após a última da mesma. Dei tudo o que tinha, sei que arrisquei a minha saúde mas não me arrependo. Tal como não me arrependo de ter parado os meus estudos, já em ano de Tese, e arriscar tudo nesta modalidade. Fiz o que me fazia feliz ! Não resultou e é hora de seguir em frente", escreveu o Nuno Almeida no Facebook, a 20 de Outubro.

Antes de aceitar o desafio de ser um dos líderes da nova vida da LA Alumínio, Almeida esteve no Louletano-Hospital de Loulé e na Efapel. O ciclista agradeceu a todos os que o apoiaram durante os 10 anos de carreira, tendo começado um pouco mais tarde do que a maioria, como o próprio recordou, na sua mensagem. "Saio com 4 Voltas a Portugal no currículo, todas melhores que as anteriores, algo que nunca imaginei na minha vida pois nem gostava de ciclismo e tão pouco pratiquei a modalidade desde jovem", escreveu.

"Eu e a bicicleta seguiremos o nosso caminho, agora em modo cicloturista e com o objectivo de desfrutar ao máximo da mesma", concluiu.

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17 de setembro de 2018

Final de época na estrada com a Taça de Portugal a estar entregue

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Fim de época para o pelotão nacional, pelo menos a nível de estrada. O cancelamento daquela que seria a última corrida, em Outubro, antecipou as decisões da Taça de Portugal. Resta o Festival de Pista em Tavira, mas todos os principais troféus já estão entregues, com David Rodrigues a terminar em alta um ano muito positivo da Rádio Popular-Boavista, com a W52-FC Porto a despedir-se também com mais uma vitória. De destacar ainda Francisco Campos. O jovem do Miranda-Mortágua conquistou o troféu na categoria de sub-23 e não ficou muito longe de ficar também com o de elite.

Foi o regresso do pelotão nacional à região de Aveiro, onde começou a temporada, então com Tiago Machado a passar por Portugal para conquistar uma grande vitória. Numa reorganização do calendário, a Taça de Portugal ficou para ser decidida até ao final da época. Era suposto ser em Tavira, a 6 de Outubro, mas a prova foi cancelada. Foram então os 151,6 quilómetros entre Anadia e Murtosa os decisivos. David Rodrigues partiu como líder, mas longe de ter a conquista garantida. Foi um ano muito positivo para o ciclista de 27 anos, que venceu uma etapa no Grande Prémio Abimota, mas foi a exibição na tirada da Senhora da Graça na Volta a Portugal que, até este domingo, tinha marcado a sua época.

Rodrigues esteve 70 quilómetros em fuga solitária até que Raúl Alarcón (W52-FC Porto) o apanhou a apenas 250 metros da meta. Como reagiu? A pensar que poderia tentar de novo numa próxima vez. Não houve discurso derrotista, apenas um olhar para o futuro. Na sua quarta temporada na equipa de José Santos, Rodrigues tem demonstrou, uma evolução muito interessante. Há um ano conquistou a sua primeira vitória como profissional, no Grande Prémio de Mortágua e em 2018 confirmou que está preparado para ter maiores responsabilidades.

A Taça de Portugal é um prémio para uma temporada positiva de Rodrigues, mas também de toda a Rádio Popular-Boavista, que venceu colectivamente a competição. Foram 11 vitórias em 2018, seis por parte de Domingos Gonçalves. Só a W52-FC Porto ganhou mais, com César Fonte a ser o responsável pela 15ª vitória do ano, a sua terceira. Isto só para falar de triunfos em etapas, corridas de um dia ou classificações gerais.

César Fonte disputou o sprint em Murtosa com Jacobo Ucha (Fortunna-Maia), enquanto David Rodrigues estava no pelotão, onde se assistiu à luta pela Taça de Portugal. Foi oitavo e chegou para ganhar, com 16 pontos sobre Francisco Campos. A pensar na conquista da Taça em sub-23, este sprinter que cada vez mais está a afirmar-se no pelotão nacional, quase ficou também com o troféu de elite. André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) era o líder em sub-23, apesar da igualdade pontual. Foi quarto na corrida, atrás de Campos, e o ciclista do Miranda-Mortágua foi quem celebrou, depois de na Volta a Portugal do Futuro ter sido uma das figuras, ao vencer duas etapas e a classificação dos pontos.

Fim de uma época de estrada ficando apenas por fechar o ranking nacional, que tem Joni Brandão (Sporting-Tavira) como líder, com mais 222 pontos do que Raúl Alarcón.

Pode ver aqui os resultados de 2018 das equipas de elite portuguesas.

»»"A Efapel, pelo percurso que tem tido, tem tudo para sonhar com um projecto dessa envergadura"««

»»Estou calmo. O que tiver de ser, será««

17 de agosto de 2018

"Demos uma chapada de luva branca a toda a gente, mesmo às equipas profissionais"

Hugo Nunes foi um dos vários jovens que se estreou na Volta a Portugal, muito devido às equipas sub-25 que este ano têm a licença Continental. Para o ciclista foi o concretizar de um sonho, mas é rápido em pensar antes no futuro, como esta experiência o influenciou, como ainda tem objectivos para conquistar em 2018, com os olhos postos no prémio maior: chegar ao mais alto nível do ciclismo mundial.

Com corredores jovens e a maioria inexperiente numa compeitção tão exigente como a Volta a Portugal, havia dúvidas sobre como iriam aguentar o desafio que lhes era apresentado. No final, Hugo Nunes não hesitou em dizer: "Demos uma chapada de luva branca a toda a gente, mesmo às equipas profissionais. As equipas chamadas sub-25 mostraram que merecem estar no nível em que já estão, no profissionalismo." O corredor, de 21 anos, reforçou a ideia: "Alcançámos bons resultados. O Miranda-Mortágua, tal como a Liberty Seguros-Carglass e a LA Alumínios, estivemos sempre presentes e muito activos e mostrámos que merecemos estar cá, no profissionalismo. As estruturas das equipas sub-25 estão ao nível ou melhor do que as estruturas profissionais em Portugal."

Satisfeito com a sua prestação e do Miranda-Mortágua, Hugo Nunes garantiu que os objectivos foram cumpridos, mesmo quando tiveram de mudar um pouco os planos com o abandono precoce de António Barbio. "Foi um momento menos bom. Era o nosso líder, mas passou um bocado mal. No entanto, demos a volta por cima", afirmou ao Volta ao Ciclismo. A equipa perdeu ainda na terceira etapa Pedro Teixeira, mas o restante quinteto foi até ao fim, tentando surgir em fugas, com Francisco Campos a lutar nos sprints e com Gonçalo Carvalho a fechar em terceiro na classificação da juventude.

"Foi uma experiência incrível, muito motivadora, mas também muito dura"

Hugo Nunes foi oitavo, a 34:16 minutos de Xuban Errazkin (Vito-Feirense-BlackJack) nesta luta dos mais jovens, terminando em 41º na geral, a 44:09 minutos de Raúl Alarcón (W52-FC Porto). "Evolui bastante a nível físico e psicológico como ciclista nesta Volta. Para as próximas corridas terei muito mais experiência para alcançar outros objectivos. Estou com mais maturidade", explicou, em forma de balanço sobre a sua Volta a Portugal. Realçou que não partiu com expectativas elevadas: "Não ia discutir uma Volta! Mas cumpri com os objectivos da equipa e ajudei os meus colegas a alcançar os deles. Estou satisfeito com a minha prestação."

Ao partir em Setúbal para a sua primeira Volta a Portugal, Hugo Nunes cumpriu um dos seus sonhos. "Houve muitas emoções. Para mim era tudo novo. O público foi incrível! O que já via na televisão era incrível, por dentro é ainda mais", contou. "Foi uma experiência incrível, muito motivadora, mas também muito dura. Era um sonho fazer uma Volta a Portugal. Espero fazer muitas mais e conseguir o melhor resultado possível nas próximas vezes", acrescentou.

Mas não haverá tempo para descanso depois de um ponto alto da época. O Miranda-Mortágua tem ainda objectivos a cumprir até final da temporada. António Barbio lidera a Taça de Portugal e este sábado a equipa corre em casa, na terceira de cinco etapas desta competição, o Grande Prémio de Mortágua. "É preciso estar muito bem e ganhar em casa será muito bom para todos os patrocinadores e para a família Mortágua", realçou. Hugo Nunes é segundo na Taça de sub-23 e Francisco Campos, terceiro, ambos com 125 pontos, a cinco do líder André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass). Porém, Nunes considera que o mais importante é garantir a vitória em elites: "Se tiver de ajudar o Barbio, farei tudo por ele. Se vier a de sub-23, ainda melhor."

"É o meu último ano de sub-23 e quero evoluir ao máximo e quem sabe ir para outro nível do ciclismo"

O jovem ciclista não esconde onde mais ambiciona agora estar na luta por uma vitória: na Volta a Portugal do Futuro, que se realiza entre 5 e 9 de Setembro. "A nível pessoal é o objectivo principal. É o meu último ano de sub-23 e quero evoluir ao máximo e quem sabe ir para outro nível do ciclismo", referiu, concluindo com o desabafo de querer chegar onde todo ciclista deseja: "É o sonho de qualquer um chegar longe, ao World Tour."

Hugo Nunes tem aparecido regularmente entre os melhores jovens nas corridas em que participa, tanto em Portugal, como no estrangeiro, sendo também um dos atletas que o seleccionador José Poeira tem chamado. Além da qualidade como desportista, este trepador por excelência, demonstra uma forte mentalidade para concretizar os seus sonhos, que não deixou dúvidas que passam por continuar a subir de nível, depois de este ano ter tido a oportunidade de ascender ao escalão Continental com o Miranda-Mortágua. Teve acesso a corridas como a Volta ao Algarve e a Volta a Portugal e foi a Madrid ser segundo na juventude. Agora quer ainda mais e melhor.

»»"O que fiz nesta Volta foi reconhecido pela W52-FC Porto"««

»»"Aqui uma fuga sai aos 20 quilómetros e é apanhada pouco depois. Isso nunca acontece na Bélgica!"««

1 de julho de 2018

Marcos Jurado vence mas Barbio segura liderança na Taça de Portugal

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Efapel continua a sua senda vencedora em 2018. Desta feita foi Marcos Jurado a conquistar uma vitória que o coloca também na disputa pela Taça de Portugal. O início de temporada ficou marcado por uma lesão no joelho e uma gripe, mas desde Abril que um dos reforços da equipa tem demonstrado o porquê da aposta de Américo Silva. O espanhol foi o mais forte na Volta a Albergaria (155,7 quilómetros), batendo ao sprint o compatriota Ángel Sánchez (W52-FC Porto) e deixando a dois segundos David de la Fuente (Aviludo-Louletano-Uli).

Numa Taça de Portugal renovada e que só será concluída no último dia da temporada, a 6 de Outubro, em Tavira, António Barbio segurou a liderança com o 15º lugar em Albergaria. Depois da vitória no Memorial Bruno Neves, a 10 de Junho, o ciclista do Miranda-Mortágua soma 85 pontos, contra os 80 de Jurado e os 73 de Pedro Paulinho, também da Efapel.

"É a minha primeira vitória da época. O meu trabalho era tentar estar no corte final, o que consegui. Nem sempre ganha sempre o que tem mais força, por vezes é o que tem mais cabeça. Sabia que o final era em subida, o que me favorecia", afirmou Jurado, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. No périplo da Efapel por Espanha, o ciclista tinha ganho as classificações das metas volantes da Volta a Castela e Leão e à Comunidade de Madrid.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Já no escalão de sub-23 houve uma mudança na frente da prova. André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) foi quinto e soma agora 130 pontos, mais cinco que o anterior líder, Hugo Nunes e também Francisco Campos, ambos do Miranda-Mortágua. André Ramalho terminou na sétima posição, o que coloca o ciclista da Jorbi-Team José Maria Nicolau a apenas 20 pontos de Carvalho.

A Taça de Portugal regressa pouco depois da Volta a Portugal. A terceira etapa será no Grande Prémio de Mortágua, a 18 de Agosto.

A Volta a Albergaria foi também uma etapa, a quarta, da Taça de Portugal de Paraciclismo. João Monteiro (Mozinho RT Martos Pellets) ganhou em C4, enquanto Manuel Ferreira (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel) foi o mais forte em C5. Telmo Pinão (Casa do Benfica MMV/APCA/Paracycling) venceu em C2. Nas restantes categorias houve apenas um participante: João Marques (ACD Milharado/EC Manuel Martins) na classe D, Bernardo Vieira em C1, Francisco Martins em C3, João Pinto em H3, Flávio Pacheco (Sporting/Tavira-Paracycling) em H4 e Luís Costa (Sporting/Tavira – Paracycling) em H5.

Em Castelo de Vide disputaram-se os Nacionais de Juniores e Cadetes. Pedro Andrade (Vito-Feirense-BlackJack) e Rúben Silva (Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel) foram os campeões na prova de fundo. No sábado foi dia de contra-relógios. Guilherme Mota (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) foi o mais forte em juniores e João Ferreira (Cruz de Cristo) em cadetes.

No sector feminino, depois das provas de fundo se terem realizado há uma semana em Belmonte, assim como o contra-relógio de elite (ganhou Daniela Reis), ficou-se a conhecer as campeãs no esforço individual, que são: Joana Pereira e Daniela Campos, ambas das 5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ venceram em juniores e cadetes, respectivamente, a master 30 Inês Trancoso (Maiatos-Reabnorte), a master 40 Filomena Paulo (ACD Milharado-EC Manuel Martins) e a master 50 Maria Jesus (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), categoria em que não é atribuído o título, por só terem participado duas ciclistas, sendo necessário um mínimo de três.



10 de junho de 2018

Miranda-Mortágua com início de sonho na Taça de Portugal

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Melhor era impossível. A vitória finalmente chegou para uma equipa Miranda-Mortágua do escalão Continental. No ano de estreia a este nível, a contratação de António Barbio e Nuno Meireles pretendia dar uma experiência de elite à estrutura que até 2017 era uma das melhores de formação. Era e é, mesmo com a mudança, mas a primeira vitória veio mesmo de quem foi uma das figuras da Volta a Portugal. Curiosamente foi um triunfo muito ao estilo do que fez em Santo Tirso há quase um ano. Barbio tem de novo razões para sorrir, numa vitória que estava difícil, contudo, chegou num momento importante. Ganhar o Memorial Bruno Neves não só dá um alento bem-vindo nesta fase da época - vem aí a Volta e esse factor é incontornável -, como coloca o ciclista e a equipa na luta por um troféu: a Taça de Portugal.

E como se referiu no início, melhor era impossível. O Miranda-Mortágua ganhou a corrida, foi a melhor equipa e Hugo Nunes é o líder de sub-23 na Taça. Além de ser o melhor do seu escalão, venceu a classificação da montanha e as metas volantes. Só Luís Gomes  (Rádio Popular-Boavista) tirou o pleno ao triunfar nos sprints especiais.

Barbio passou na sua formação por esta equipa, antes da Efapel lhe abrir de vez as portas do profissionalismo. Excelente rolador, tornou-se num homem de confiança no trabalho para os líderes. Na Volta a Portugal, no ano passado, entrou numa fuga e acabou por arrancar em solitário até à meta na Nossa Senhora da Assunção. Foi a única vitória da equipa na corrida. Foi a confirmação que, tendo a oportunidade, Barbio pode dar mais do que apoio ao seu chefe-de-fila. Com a subida de escalão do Miranda-Mortágua, Barbio foi aliciado com a possibilidade de ser um líder, ainda que com a função de dar um forte apoio ao restantes ciclistas jovens que estão no primeiro ano a este nível. E há que não esquecer que Barbio não é nenhum veterano. Tem apenas 24 anos e toda uma carreira pela frente.

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A época tem tido muitos baixos e poucos altos. No entanto, vencer no Memorial Bruno Neves pode ser o tal alto que o ciclista procurava para o empurrar para uma segunda fase de temporada mais forte. É que não foi só a vitória. Foi como a alcançou. As parecenças com a da Volta a Portugal são muitas, mas só para lhe dar uns contornos mais memoráveis, nada como um dia desta Primavera invernal que estamos a ter. Nada parou Barbio. Ganhou o Miranda-Mortágua e talvez as próximas corridas, pois espera-se que o ciclista apareça agora mais e melhor na procura por vitórias. Costuma-se dizer que a primeira é a mais difícil...

Hugo Nunes também merece destaque. Este jovem trepador tem estado muito bem esta época, tanto na equipa, como pela selecção, tendo recentemente terminado na 25ª posição na Ronde de l'Isard, uma das principais competições para o seu escalão. Foi sexto no Memorial Bruno Neves e aos 21 anos vai-se afirmando como um dos bons ciclistas da nova geração e que deixa a impressão que tem uma margem de progressão muito interessante...

Quanto à corrida, esta foi a décima edição de uma prova que homenageia um ciclista que morreu em plena Clássica de Amarante, em 2008. Se o Miranda-Mortágua acabou por levar os prémios quase todos, o Sporting-Tavira foi novamente das equipas mais activas, como já tinha acontecido no Grande Prémio Jornal de Notícias. Frederico Figueiredo está em crescendo de forma e o russo Alexander Grigoryev é a confirmação de um corredor de qualidade contratado por Vidal Fitas. Foi segundo, não tendo conseguido recuperar a desvantagem com que ficou após o ataque de Barbio, a cerca de 20 quilómetros do final (foram 146 quilómetros que começaram em Oliveira de Azeméis e terminaram em Nogueira do Cravo). A fechar o pódio ficou um homem que também tem razões para sorrir. Pedro Paulinho (Efapel) não desperdiçou o dia em que teve liberdade para discutir o resultado (pode ver aqui as classificações).

Esta foi a primeira de cinco etapas da Taça de Portugal, que este ano prolonga-se para lá da Volta a Portugal, terminando em Tavira, a 6 de Outubro. António Barbio lidera com 75 pontos, os mesmo que soma Hugo Nunes na classificação de sub-23. Alexander Grigoryev e Ivo Oliveira (Hagens Berman Axeon) somam 65 nos devidos escalões. Depois, até ao 12º lugar, os ciclistas são separados por cinco pontos. Veja aqui a classificação de elite e neste link a de sub-23. 

A Volta a Albergaria-a-Velha será o palco da segunda ronda, no dia 1 de Julho.

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21 de maio de 2018

"Temos de ter mais rigor. Temos de mostrar aos nossos patrocinadores que merecemos estar aqui"

Competir ao lado de Geraint Thomas, Vasil Kiryienka ou mesmo de Nelson Oliveira na Volta ao Algarve são momentos que Gonçalo Carvalho não irá esquecer. Destacou apenas três, mas estar nas mesmas corridas em que algumas das melhores equipas do mundo também marcam presença é algo motivante para um jovem ciclista, que vive o presente a pensar como tirar os benefícios desta experiência num futuro próximo. Com a subida ao escalão Continental do Miranda-Mortágua, Carvalho referiu como a responsabilidade é maior e fez um balanço positivo da primeira metade da temporada, tanto pessoal, como colectivamente.

"As corridas têm corrido bem. A nível da geral até penso que tenho estado a bom nível, tal como a equipa, apesar de ainda não termos vitórias. Mas estamos sempre presentes nas corridas e nos primeiros geral da juventude. Estamos a tentar alcançar o triunfo. É o que interessa. Havemos de lá chegar", realçou Gonçalo Carvalho ao Volta ao Ciclismo. Ainda este domingo, a equipa colocou três ciclistas no pódio do Grande Prémio Anicolor, com Nuno Meireles a ganhar a classificação das metas-volantes, António Barbio os "pontos-quentes" e Francisco Campos foi o melhor sub-23. Carvalho considera que a mudança de escalão elevou o nível da competitividade, o que leva que a equipa não esteja a somar tantos triunfos como em 2017. Porém, garantiu: "A equipa está motivada. Isso não nos desanima."

E a subida de nível, em vários aspectos, é precisamente um dos temas de conversa. No escalão Continental, ainda que seja uma equipa sub-25, o Miranda-Mortágua passou a ter acesso a corridas mais importantes, o que sendo uma oportunidade para os jovens ciclistas de evoluírem ainda mais, também implicou mudanças. "Mudou a nossa responsabilidade de fazer tudo bem a nível de treinos, alimentação, o rigor... Temos de ter mais rigor. Temos de mostrar aos nossos patrocinadores que merecemos estar aqui. Isso é muito importante. E também o nível sobe. Fazer uma Volta a Portugal, fizemos a Volta ao Algarve, ao Alentejo... é um nível muito mais elevado. Temos de nos preparar muito bem na pré-época e continuar o trabalho durante a temporada", explicou o corredor de 20 anos.


"Tenho de melhorar no contra-relógio. É um ponto fraco que eu tenho"

Como júnior e sub-23, Gonçalo Carvalho soma vitórias e várias classificações relevantes. Neste ano de estreia no escalão Continental tem sido muito regular, estando na maioria das corridas entre os melhores do seu escalão. "Os resultados são muito motivantes. Tento estar a bom nível durante toda a época", afirmou. E também demonstrou como está a aprender a lidar com as diferentes responsabilidades, gerindo a sua temporada, na qual inclui as possíveis chamadas à selecção nacional: "Temos de delinear objectivos. Não podemos estar a top em todas as corridas. Temos que gerir muito bem, senão não concretizamos os objectivos."

Os Nacionais e a Volta a Portugal são duas das competições que Carvalho quer estar bem. Na Volta até se pode falar de uma corrida dentro da corrida que irá haver. Além do Miranda-Mortágua, também a Liberty Seguros-Carglass e a LA Alumínios subiram ao escalão Continental, sendo estruturas sub-25. Esta presença das três equipas irá animar a luta pela classificação da Juventude com uma maior presença de ciclistas portugueses. "É uma classificação na qual podemos mostrar as nossas qualidades. Penso que as três equipas vão tentar estar na discussão."

Ainda não se conhece o percurso da Volta a Portugal, mas já se sabe que apela sempre aos melhores trepadores para se mostrarem. Gonçalo Carvalho é um dos jovens com estas características a mostrar-se em Portugal. Contudo, rapidamente frisou: "Tenho de melhorar no contra-relógio. É um ponto fraco que eu tenho."

É altura de pensar na fase da época em que já se entra em contagem decrescente para o momento alto das equipas nacionais, isto é, na Volta a Portugal e Gonçalo Carvalho não foge à regra. Mas recuando por uns instantes à Volta a Algarve: "Significou muito correr ao lado de ídolos. Estar ao lado deles e conseguir ir com eles em certas alturas da corrida é muito motivante para o resto da época. Temos de aprender com estes ciclistas." Gonçalo Carvalho disse que até tem treinado com Nelson Oliveira, contudo, foi a primeira vez que teve a oportunidade de competir ao lado do ciclista português da Movistar, um especialista no contra-relógio (quatro vezes campeão nacional). "Foi um sonho", confessou. "Temos que manter a concentração [ao correr ao lado dos ídolos], mas foi uma mais valia e espero um dia estar ao lado deles no pelotão internacional", acrescentou.

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