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1 de janeiro de 2020

Principais transferências e calendário nacional de 2020

(© João Fonseca Photographer)
Ano novo, equipamentos novos! É tempo dos ciclistas que mudaram de equipas mostrarem as novas cores. Algumas das formações que ainda não tinham apresentado as escolhas de camisola e calções para 2020, revelaram como se vão apresentar e até houve a confirmação de como se chamará a equipa de Mathieu van der Poel: Alpecin-Fenix (ex-Corendon-Circus). Nas redes sociais sucederam-se neste primeiro dia de 2020 as fotografias de muitas das figuras internacionais que vão começar uma nova fase na carreira, mas por cá, o ritmo é diferente. Com a época a arrancar a 16 de Fevereiro, durante este mês ficar-se-á a conhecer mais pormenores sobre equipamentos e bicicletas das nove equipas portuguesas Continentais e alguma eventual contratação de última hora.

Só a Kelly-InOutBuild-UDO (UD Oliveirense-InOutBuild em 2019) já avançou com o novo nome e a camisola a usar em 2020. Porém, já se conhecem as muitas mexidas no pelotão, com alguns dos principais ciclistas a competirem por cá a serem protagonistas de transferências, algumas que até surpreenderam um pouco. E claro que há o regresso de um ciclista muito apreciado pelos adeptos. Amaro Antunes está de volta à W52-FC Porto, dois anos depois de ter partido para a CCC, com 2019 a ter sido ano de presença no World Tour.

A equipa que tem dominado a Volta a Portugal e grande parte da temporada nacional, contratou ainda o campeão nacional José Mendes. Porém, o destaque deste defeso vai para a rival Efapel. E é isso mesmo que a equipa de Rúben Pereira quer ser: uma rival à altura da W52-FC Porto. Até foi buscar dois ciclistas aos azuis e brancos: António Carvalho e César Fonte.

O primeiro não deixou de ser uma surpresa. Era um dos esteios da equipa de Nuno Ribeiro, um elemento essencial nas conquistas das últimas Voltas, além de alcançar também vitórias pessoais, como no Grande Prémio Jornal de Notícias. Procura ter mais liberdade, mas na Efapel terá Joni Brandão à frente na hierarquia. A Efapel contratou ainda Tiago Machado (ex-Sporting-Tavira) e o sempre muito lutador Luís Mendonça (ex-Rádio Popular-Boavista). Outro destaque é o jovem Tiago Antunes (SEG Racing).

Estas contratações fazem perspectivar uma época mais equilibrada entre estas duas equipas e a expectativa de uma luta ainda mais feroz na Volta a Portugal. Ambas estão a fazer-se valer de financeiramente serem claramente as que de melhor saúde gozam em Portugal e assim garantir muitos dos melhores ciclistas que competem no pelotão nacional.

Com a descida ao escalão Continental, a W52-FC Porto reduziu um pouco o plantel e ficou sem ciclistas como Joaquim Silva e Rafael Reis, mas a preocupação está mesmo se Raúl Alarcón vai ou não ser suspenso, depois da análise positiva divulgado pela UCI num teste anti-doping. O espanhol está suspenso provisoriamente, garante que está inocente, mas é para já baixa na equipa. Contudo, com João Rodrigues e Amaro Antunes a liderança está assegurada e alguns dos principais gregários vão continuar. Continua a ser uma equipa muito forte.

Se a Efapel quer equiparar-se à W52-FC Porto, as restantes equipas podem não ter os mesmos argumentos, mas não significa que não possam ter boas temporadas. A Aviludo-Louletano, por exemplo, contratou dois bons ciclistas. João Matias será homem do sprint, enquanto Jesus del Pino irá reforçar o bloco de apoio a Vicente García de Mateos. Ambos deixaram a Vito-Feirense-PNB. Sergey Shilov (Gazprom-RusVelo) apresenta-se, para já, como uma incógnita sobre o que poderá acrescentar à equipa, ainda que já tenha vencido uma etapa na Volta em 2014.  No entanto, a equipa algarvia perdeu uma das figuras dos últimas duas temporadas. Luís Fernandes será um reforço importante para a Rádio Popular-Boavista.

Gonçalo Carvalho (UC Mónaco) também será aposta do director José Santos, um dos jovens a seguir em 2020 juntamente com Miguel Salgueiro, que depois de dois anos na Sicasal-Constantinos, chega à elite na LA Alumínios-LA Sport. Dois atletas de enorme de qualidade.

Mas quanto aos mais experientes, Henrique Casimiro troca a Efapel pela Kelly-InOutBuild, que irá contar também com Luís Gomes (ex-Rádio Popular-Boavista), vencedor de uma etapa na Volta a Portugal em 2019. Casimiro venceu o Troféu Joaquim Agostinho. Bruno Silva, outro homem da Efapel, irá dar experiência à LA Alumínios-LA Sport, enquanto Joaquim Silva regressa à equipa que representou como sub-23, a Miranda-Mortágua, e Rafael Reis será o líder de um Feirense recheado de ciclistas muito jovens. Ambos procuram reavivar as carreiras.

O Tavira, agora sem Sporting, foi a equipa mais discreta, sendo apenas conhecido um reforço, o jovem Marcelo Salvador (ex-Sicasal-Constantinos).

Pode confirmar neste link os plantéis para 2020 das nove equipas Continentais portuguesas.

Quanto ao calendário, mais uma vez a época arranca com a Prova de Abertura Região de Aveiro, a 16 de Fevereiro, seguindo-se depois a prova mais importante a nível de categoria internacional que se realiza no país: a Volta ao Algarve.

A principal novidade é a mudança do Grande Prémio Jornal de Notícias. Depois da Volta (de 29 de Julho a 9 de Agosto, com a última etapa marcada para Lisboa), a época entrava numa fase de descompressão, com os habituais circuitos a seguirem-se ao Grande Prémio de Mortágua. Porém, uma das corridas que desperta maior interesse entre as formações lusas, irá realizar-se apenas entre 24 a 30 de Agosto, ou seja, já na recta final da temporada, em vez de ser no mês de Junho. Para terminar 2020, o pelotão terá a segunda edição da clássica Rota da Filigrana, a 12 de Setembro.

Confira o calendário de elite publicado pela Federação Portuguesa de Ciclismo:

16 de Fevereiro: Prova de Abertura Região de Aveiro
19 a 23 de Fevereiro: Volta ao Algarve
8 de Março: Clássica da Primavera
15 de Março: Clássica da Arrábida
18 a 22 de Março: Volta ao Alentejo
5 de Abril: Clássica Aldeias do Xisto
17 a 19 de Abril: Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela
17 de Maio: Volta a Albergaria
24 de Maio: Memorial Bruno Neves
28 a 31 de Maio: Grande Prémio O Jogo
10 e 14 de Junho: Grande Prémio Abimota
19 a 21 de Junho: Campeonatos Nacionais, em Paredes (elite e sub-23)
5 de Julho: Grande Prémio Anicolor
16 a 19 de Julho: Grande Prémio de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho
29 de Julho a 9 de Agosto: Volta a Portugal
15 de Agosto: Grande Prémio de Mortágua
16 de Agosto: Circuito da Malveira
20 de Agosto: Circuito de Alcobaça
24 a 30 de Agosto: Grande Prémio Jornal de Notícias
31 de Agosto: Circuito de Nafarros
31 de Agosto: Circuito da Moita

31 de dezembro de 2019

Momentos de 2019 em Portugal

2020 está já aí, mas antes de se olhar para o novo ano, aqui ficam cinco marcos da época  por cá, com um inevitável destaque para a Volta a Portugal, mas sem esquecer como uma das novas estrelas do ciclismo mundial começou a mostrar-se nas estradas algarvias.

Emoção final na Volta a Portugal
(© Podium/Paulo Maria)
É inevitável começar pelo emocionante última dia de Volta a Portugal. Dois ciclistas partiram em igualdade pontual, com Joni Brandão de amarelo. Tinha a experiência do seu lado, sendo um ciclista que já havia subido ao pódio. O rival era o jovem João Rodrigues, que em dois anos teve uma rápida ascensão na hierarquia da W52-FC Porto, tendo trabalhado muito o contra-relógio. Naquele 11 de Agosto, num Porto vestido de azul e branco, Rodrigues fez valer essa aposta no esforço individual e bateu o rival da Efapel, deixando-o a 27 segundos. A emoção desportiva só beneficiou daquele ambiente sensacional na Avenida dos Aliados, num dos finais mais bonitos de anos mais recentes na Volta a Portugal. Foi uma corrida que por si só até merece outros destaques, como as vitórias de Rodrigues e de António Carvalho na Serra da Estrela (foi o regresso da Torre como local de meta) e Senhora da Graça, respectivamente, sem esquecer o triunfo no nevoeiro da Serra do Larouco de Luís Gomes, da Rádio Popular-Boavista.

Emanuel Duarte venceu juventude na Volta e conquista a do Futuro
(© Podium/Paulo Maria)
Mas destaca-se outro momento na Volta a Portugal, alargado depois à do Futuro. A vitória de Emanuel Duarte foi importante para mostrar a relevância da aposta de três equipas em serem Continentais sub-25 (denominação que não existirá em 2020, mantendo-se o escalão). Não foram anos fáceis para LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua ou UD Oliveirense-InOutBuild, mas todas tiveram os seus momentos e a vitória de Ramalho na classificação da juventude da Volta a Portugal foi o ponto alto. O ciclista da LA Alumínios-LA Sport sofreu para segurar a camisola branca e fê-lo por apenas dois segundos frente ao basco Urko Berrade (Fundação Euskadi), mas tornou-se no primeiro português a conseguir esta camisola desde David Rodrigues em 2014. Foi naturalmente um momento ofuscado pela vitória de João Rodrigues na geral, mas a conquista de Emanuel Duarte merece reconhecimento, sem esquecer que foi depois à Volta à Portugal do Futuro vencer a amarela.

Henrique Casimiro conquista Troféu Joaquim Agostinho
(© João Fonseca Photographer)
Uma vitória que também envolveu muita emoção, mas numa perspectiva diferente: "É uma vitória que dedico à família. Há seis anos, quando fiz terceiro, a minha esposa, que estava grávida, perdeu a nossa filha. Ficou prometido que venceria o Troféu Joaquim Agostinho para lhe dedicar. Mais do que um objectivo desportivo, este era um compromisso pessoal." Henrique Casimiro cumpriu a promessa e foi um homem muito emocionado no final de uma das mais importantes corridas do calendário nacional. Em 2018, quatro segundos separaram-no do primeiro lugar, em 2019 eram oito os que o mantinham novamente em segundo antes da última etapa. No Montejunto não ganhou, mas alcançou a diferença necessária para tirar a amarela a Gustavo Veloso, que até caiu para quinto. Um grande dia para um ciclista que tem sido tão importante na Efapel, muito regular e de confiança quando está na ajuda aos líderes. Prepara-se para um novo desafio na Kelly-InOutBuild-UDO.

Pogacar ascende ao estrelato no Algarve
(© João Calado/Volta ao Algarve)
O actor principal foi um esloveno, mas o palco foi a Volta ao Algarve, a corrida de categoria mais elevada na UCI em Portugal. Por isso, aqui se coloca como um dos momentos a vitória de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) primeiro no Alto da Fóia, numa exibição que - perante o que se viu mais tarde na época - foi apenas uma demonstração da enorme qualidade deste ciclista. Em segundo, o destaque vai para a conquista da Algarvia, numa luta no Malhão em que não baixou os braços e assim venceu, no seu ano de estreia no World Tour, a primeira corrida de uma carreira que tanto promete.

Mais um jovem a mostrar-se
(© João Fonseca Photographer)
A Vito-Feirense-PNB tem feito questão de ter no seu plantel ciclistas que, terminada a fase de juniores, possam evoluir como sub-23 numa estrutura profissional. A pressão é, naturalmente reduzida, mas a ambição destes jovens é sempre enorme. Pedro Andrade tornou-se num dos rostos da nova geração por dois motivos. Primeiro surpreendeu ao conquistar a sua primeira vitória, com apenas 19 anos, na quarta etapa do Grande Prémio Abimota (23 de Junho), num triunfo em que não se pode esquecer a ajuda de outro ciclista jovem da equipa, João Barbosa. Segundo, Pedro Andrade tornou-se no próximo português a entrar numa das melhores equipas de formação mundial, a Hagens Berman Axeon, que irá representar em 2020. Seguirá os passos de Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira, João Almeida e André Carvalho. Este último será companheiro de equipa de Andrade, filho de Joaquim Andrade, director da Vito-Feirense-PNB e antigo ciclista, e neto de um corredor que venceu a Volta a Portugal, também de nome Joaquim Andrade.

120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo
Há que não deixar passar esta marca. É a federação mais antiga de Portugal, numa modalidade que continua a ser das mais admiradas no país, tanto entre os que seguem as corridas, como aqueles que não dispensam a bicicleta na sua vida. O trabalho do organismo abrange hoje todos, os profissionais, os amadores, aposta nas crianças num programa de apoio que chega às escolas. Mas o Ciclismo para Todos é mesmo para todas as idades. É impossível não destacar o trabalho nas selecções que tantas medalhas tem rendido, na estrada, na pista (que está perto de um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos) e no BTT. Hoje temos dois campeões do mundo de elite, Tiago Ferreira (BTT - XCM) e Rui Costa (estrada).




30 de dezembro de 2019

Mais um ano de vitórias, uma nova figura central, mas um 2020 a começar com uma preocupação

(© João Fonseca Photographer)
A nível interno foi um ano habitual para a W52-FC Porto. Ou seja, soma vitórias durante todo o ano, com diferentes ciclistas e termina a ganhar a Volta a Portugal. A novidade chamou-se João Rodrigues, que aproveitou a oportunidade para se tornar numa das figuras do ciclismo nacional. Há um ano foi o gregário de luxo de Raúl Alarcón, em 2019 foi ele o dono da camisola amarela na Volta. Porém, sendo Profissional Continental, olhava-se para a W52-FC Porto com outra responsabilidade a nível internacional. Somou alguns top dez, mas não será aposta para continuar.

Apesar da subida de escalão, o director desportivo Nuno Ribeiro deixou sempre bem claro que os objectivos internos mantinham-se inalterados. E mais uma vez esta W52-FC Porto demonstrou todo o seu poderio, reforçado por ser Profissional Continental. Plantel maior e reforçado com referências das equipas rivais, como Daniel Mestre e Edgar Pinto (Efapel e Vito-Feirense, respectivamente), recuperando Joaquim Silva e Rafael Reis (estavam na Caja Rural) e começando o trabalho com dois jovens da Miranda-Mortágua, Jorge Magalhães e Francisco Campos.

É este lado de desenvolver jovens da W52-FC Porto que se tem de falar dado o sucesso de João Rodrigues. Está desde 2016 na equipa, tem apenas 25 anos e foi sendo preparado precisamente para o momento que viveu em Agosto, numa Avenida dos Aliados com um ambiente sensacional para consagrar o vencedor da Volta a Portugal. O plano inicial era ser aposta no início da temporada, para ser testado no papel de líder. Ganhou a Volta ao Alentejo, tendo no contra-relógio alcançado a sua primeira vitória como profissional.

A Volta era para Raúl Alarcón, que ia procurar a terceira conquista. Caiu no Grande Prémio Abimota, partiu a clavícula e ficou de fora. Gustavo Veloso foi chamado para substituir e há muito que não se via o espanhol àquele nível. Mas era a Volta de Rodrigues, que não se assustou com um Joni Brandão (Efapel) forte. O colectivo da W52-FC Porto voltou a fazer a diferença e no final, quando tudo dependia só dele, Rodrigues fez valer toda a sua preparação nos últimos dois anos para se tornar num bom contra-relogista. António Carvalho, Ricardo Mestre, Daniel Mestre (vencedor da classificação dos pontos), Edgar Pinto e um Samuel Caldeira que foi uma autêntica locomotiva a puxar o pelotão em muitas etapas, controlaram a corrida. A equipa venceu ainda cinco etapas, incluindo na Serra da Estrela e na Senhora da Graça!

Mas há que dar valor a toda a temporada. 18 vitórias (etapas, clássicas e classificações gerais), ao que se junta mais 15 classificações como montanha, pontos e por equipas. Ganharam os mais experientes - Ricardo Mestre conquistou o Grande Prémio Jornal de Notícias, por exemplo -, ganharam os mais novos, com Francisco Campos a fechar o ano a vencer a Rota da Filigrana, a nova corrida do calendário nacional, depois de já ter ser o mais forte no Grande Prémio Anicolor.

Lá fora, Edgar Pinto foi a principal escolha. Já tem experiência após dois anos na Skydive Dubai e em 2018, já no Feirense, venceu a Volta à Comunidade de Madrid. Este ano venceu uma etapa nas Astúrias e foi quinto na Volta à Turquia, uma corrida World Tour. Já na recta final da temporada, Joaquim Silva foi à China ser sétimo, depois de ter sido 10º no Luxemburgo.

No entanto, esta aposta na subida de escalão não compensou o esforço financeiro dos patrocinadores. Em algumas corridas lá fora, principalmente por Espanha, a W52-FC Porto esteve um pouco aquém do valor que tinha. A equipa estará de regresso ao nível Continental em 2020. Esta situação levou ciclistas como Joaquim Silva (Miranda-Mortágua), Rafael Reis (Feirense) e António Carvalho (Efapel) a mudarem de ares, à procura de mais liberdade para alcançar os seus resultados, já que não haverá tantas corridas para dividir lideranças. César Fonte também está de saída para a Efapel.

Nada que preocupe em demasia Nuno Ribeiro, que recuperou Amaro Antunes, de regresso após dois anos na CCC. Vai partilhar estatuto de líder com João Rodrigues, depois de ter feito uma dupla imbatível com Alarcón. Um desafio interessante. De um lado um Rodrigues vencedor da Volta e que quer mais de forma a ambicionar chegar a uma equipa World Tour, do outro um Amaro à procura de repetir o fabuloso ano de 2017.

Mas a maior preocupação não será conjugar estes dois ciclistas, mas sim lidar com uma indefinição chamada Alarcón. O espanhol está suspenso provisoriamente por suspeita de "uso de métodos proibidos e/ou substâncias proibidas", segundo a UCI. Não só a W52-FC Porto não sabe se poderá contar com Alarcón em 2020, como se o pior acontecer e o ciclista for sancionado, uma das dúvidas é se as irregularidades abrangem as duas Voltas a Portugal que venceu.

Será impossível afastar o fantasma que esta situação trará à equipa até que o caso seja concluído. Entretanto, além de Amaro Antunes, foi anunciado como reforço José Mendes. O campeão nacional vai deixar o Sporting-Tavira para vestir de azul e branco, mas terá um papel mais de apoio aos líderes, diferente do que aconteceu na formação algarvia. O espanhol Raúl Rico, que em Junho assinou pela Vito-Feirense-PNB, também é dado como ciclista da formação do Sobrado em 2020.

A equipa continuará forte naquele que será o ano de despedida de Gustavo Veloso, mas a Efapel está a tentar aproximar-se do nível da rival. O projecto de ser Profissional Continental foi curto, mas não restam dúvidas que para 2020, mesmo com as saídas e a dúvida sobre Alarcón, a W52-FC Porto será novamente a equipa que todos quererão bater e não será fácil.

Veja neste link todas as vitórias da W52-FC Porto e das restantes equipas portuguesas de elite.

Equipa para 2020: João Rodrigues, Rui Vinhas, Edgar Pinto, Samuel Caldeira, Daniel Mestre, Ricardo Mestre, Francisco Campos, Jorge Magalhães, Raúl Alarcón, Gustavo Veloso, Tiago Ferreira, Amaro Antunes (CCC), José Mendes (Sporting-Tavira), Raúl Rico (Vito-Feirense-PNB).


»»João Matias destacou-se numa época difícil do Feirense, mas com jovens ciclistas a mostrarem-se««

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22 de outubro de 2019

Raúl Alarcón: "Estou inocente e que não pratiquei qualquer infracção"

Um dia depois de ser conhecida a sua suspensão provisória por parte da UCI, Raúl Alarcón reagiu num comunicado partilhado na sua conta de Facebook. O ciclista da W52-FC Porto garantiu que não cometeu qualquer violação das regras de anti-doping e que tem provas que demonstram isso mesmo.

A UCI colocou ontem o espanhol na lista de corredores suspensos provisoriamente, por suspeita de "uso de métodos proibidos e/ou substâncias proibidas". O organismo não adiantou mais nenhuma explicação até ao momento. Já Alarcón confirmou que recebeu na segunda-feira de manhã a notificação da UCI. "Tenho em meu poder pareceres médicos absolutamente concludentes no sentido de que não existiu nenhuma violação pela minha parte a normas anti-dopagem", lê-se no comunicado.

Alarcón afirmou ainda que vai lutar para demonstrar a sua inocência, para que possa ficar livre para competir: "Vou, por isso, tentar, com todas as minhas forças, demonstrar no processo que me é levantado que estou inocente e que não pratiquei qualquer infracção."

O ciclista de 33 anos venceu a Volta a Portugal em 2017 e 2018, mas ficou de fora na última edição devido a uma lesão. Alarcón caiu no Grande Prémio Abimota, fracturando a clavícula e não recuperou a tempo de tentar a terceira conquista na Volta.

Aqui fica o comunicado na íntegra.


»»Raúl Alarcón suspenso provisoriamente««

»»W52-FC Porto não pediu licença para permanecer no segundo escalão««

21 de outubro de 2019

Raúl Alarcón suspenso provisoriamente

Raúl Alarcón foi suspenso provisoriamente pela União Ciclista Internacional. O nome do espanhol da W52-FC Porto surge na lista divulgada pelo organismo, mas não são explicados muitos pormenores. Apenas se lê que a suspensão se deve ao "uso de métodos proibidos e/ou substâncias proibidas".

A situação poderá estar relacionada com o passaporte biológico, mas será necessário aguardar por mais explicações por parte da UCI, da equipa ou do ciclista, para se perceber melhor o caso e, principalmente a quando se referem as suspeitas que levaram à suspensão.

O espanhol de 33 anos venceu as edições da Volta a Portugal em 2017 e 2018, falhando a última edição, depois de fracturar a clavícula numa queda no Grande Prémio Abimota, cerca de um mês antes do início da Volta. Alarcón ainda alimentou a esperança de recuperar a tempo, mas acabou por ficar de fora das escolhas da W52-FC Porto, com o compatriota Gustavo Veloso a preencher a vaga. Qualquer resultado que tenha sido alcançado antes da eventual anomalia detectada, não ficará em causa.

Um jovem Alarcón estreou-se há 12 anos no World Tour pela Saunier-Duval, mas duas temporadas depois, o espanhol entrou numa espiral descendente, que culminou no regresso ao estatuto de amador. Em 2011, a então Barbot-Efapel recuperou o ciclista e em Portugal, Alarcón reencontrou a alegria de competir. Passou pelo Louletano, antes de em 2015 integrar a que é actualmente a W52-FC Porto. Sob as ordens de Nuno Ribeiro, Alarcón acabaria por mostrar algum do potencial que o levou tão cedo ao topo do ciclismo mundial. Conseguiu tornar-se num dos líderes da equipa e conquistou as vitórias mais importantes da sua carreira.

2019 foi um ano abaixo das expectativas, mas Alarcón tem agora o futuro em suspenso até resolver esta situação de suspeita de doping. Em baixo, a lista divulgada pela UCI, dando conta dos ciclistas que estão suspensos provisoriamente, actualizada esta segunda-feira.



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5 de outubro de 2019

W52-FC Porto não pediu licença para permanecer no segundo escalão

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
As reformas da UCI não estão a convencer as equipas em procurarem o escalão Profissional Continental, que a partir de 2020 se chamará ProTeam. A W52-FC Porto poderá ser uma dessas "vítimas", com a equipa portuguesa a não surgir na lista divulgada este sábado das formações que pediram licença para o primeiro e segundo escalão. Ainda o poderá fazer, mas as novas regras implicam um maior orçamento. Se não houver mais inscrições, o nível ProTeam passará das 24 equipas de 2019 para 17 em 2020.

As equipas que quiserem pertencer ao segundo escalão são obrigadas a ter 20 ciclistas, mais quatro dos que actualmente representam a W52-FC Porto. Além disso, o acesso às principais competições do World Tour também ficará mais difícil, já que o primeiro escalão deverá subir de 18 para 20 equipas, diminuindo o espaço para convites para as ProTeam e não apenas nas grandes voltas. A formação portuguesa poderá assim seguir o já anunciado passo da americana Hagens Berman Axeon, que optou por regressar ao nível Continental. Também a Burgos-BH não surge na lista, depois de duas temporadas como Profissional Continental.

Se a W52-FC Porto optar por regressar a Continental, Portugal voltará a ficar sem equipas num escalão superior, ficando todas novamente no terceiro. Poderá ainda significar uma diminuição no plantel, já que o calendário ficará mais curto.

Pior são as notícias do final da espanhola Euskadi-Murias, da holandesa Roompot-Charles e da italiana Nippo Vini Fantini Faizanè (a Nippo surge para 2020 com a francesa Delko Marseille Provence, que vai contar com José Gonçalves, enquanto a Faizanè reforça o orçamento da Bardiani). Já a Fundação Euskadi (com o nome Fundacion-Orbea) e a norueguesa Uno-X Norwegian Development Team querem subir.

Entretanto, a Cofidis e a Arkéa-Samsic poderão estar a caminho do World Tour, com as equipas a passarem a ser chamadas em 2020 de WorldTeam. O mesmo deverá acontecer com a Israel Cycling Academy que comprou a licença da Katusha-Alpecin, no entanto, terá de respeitar os critérios da UCI, que estão a ser analisados.

Outra das novidades da lista apresentada é a ausência da Vital Concept-B&B Hotels - que segundo o nome que surge para 2020 irá inverter a ordem dos patrocinadores - e da Total Direct Energie. Esta última não deixa de ser uma surpresa. A chegada da Total, já com a época a decorrer, trouxe um reforço no orçamento e um dos objectivos passava pela subida de escalão. Porém, a equipa irá permanecer mais um ano no segundo nível. Sendo assim, se todas as formações cumprirem com os requisitos, nenhuma das equipas que pediu para ser WorldTeam ficará de fora, já que haverão 20 licenças disponíveis para os próximos três anos, outra das mudanças implementadas pela UCI.

Equipas que pediram licença WorldTeam:
  • AG2R La Mondiale
  • Astana
  • Bahrain-Merida
  • Bora-Hansgrohe
  • CCC Team
  • Cofidis
  • Deceuninck-QuickStep
  • EF Education First
  • Groupama-FDJ
  • Lotto soudal
  • Mitchelton-Scott
  • Movistar
  • NTT Pro Cycling Team (actual Dimension Data)
  • Arkéa-Samsic
  • Ineos
  • Jumbo-Visma
  • Katusha-Israel Cycling Academy (está a ser analisada pela UCI)
  • Sunweb
  • Trek-Segafredo
  • UAE Team Emirates
ProTeam:

  • Androni Giocattoli-Sidermec
  • B&B Hotels-Vital Concept
  • Bardiani CSF Faizanè
  • Caja Rural-Seguros RGA
  • Corendon-Circus
  • Fundacion-Orbea
  • Gazprom-Rusvelo
  • Nippo Delko Marseille Provence
  • Rally Cycling
  • Riwal Readynez Cycling Team
  • Sport Vlaanderen-Baloise
  • Novo Nordisk
  • Neri Sottoli Selle Italia KTM
  • Total Direct Energie
  • Uno-X Norwegian Development Team
  • Wallonie Bruxelles
  • Wanty Gobert-Tormans
WorldTeam feminino:

  • Alé BTC Ljubljana
  • Canyon-Sram Racing
  • CCC-Liv
  • FDJ Nouvelle-Aquitaine Futuroscope
  • Mitchelton-Scott
  • Movistar
  • Sunweb
  • Trek-Segafredo

20 de setembro de 2019

Gustavo Veloso marca despedida mas ainda não sabe em que equipa

Veloso venceu duas Voltas a Portugal e andou cinco dias de amarelo em 2019
(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Começou como profissional em Portugal e é cá que quer acabar. Gustavo Veloso está preparado para colocar um ponto final numa carreira com quase 20 anos. Mas antes, haverá mais uma temporada. Disso tem a certeza, só não sabe em que equipa. Apenas a possibilidade de fazer uma grande volta poderá fazer Veloso deixar o pelotão nacional, mas nem o próprio acredita que tal seja provável.

O espanhol fará 40 anos a 29 de Janeiro, uma idade que há muito colocava como objectivo de chegar a competir, para então tomar uma decisão de deixar a vida de ciclista. "Serei um privilegiado por decidir quando vou terminar a minha carreira", afirmou Veloso ao site La Voz de Asturias. "Isto é uma como uma balança. Metes o que sacrificas por seres ciclista profissional de um lado e os benefícios que tens, chega a uma altura em que se desequilibra", acrescentou.

Veloso referiu como "são muitos anos e já custa estar longe de casa, da família", realçando como este é um momento que todos os atletas acabam por ter de enfrentar. Mas para o espanhol seria mais traumático se tivesse de abandonar devido a uma lesão ou por não ter equipa. E sem equipa, Veloso tem a certeza que não fica, apesar de, por enquanto, ainda não ter proposta para continuar na W52-FC Porto: "Não tenho pressa. Sei que não vou ter problema em arranjar equipa."

2019 foi uma época de renascimento para o veterano ciclista. Quase ficou de fora da Volta a Portugal, sendo chamado para colmatar a ausência de Raúl Alarcón, que havia partido a clavícula. Veloso apareceu fortíssimo e andou cinco dias de amarelo. Conseguiu que se pensasse que talvez pudesse lutar por uma terceira vitória que nunca surgiu como ambicionou depois dos triunfos de 2014 e 2015, ainda que a Volta a Portugal tenha sido sempre ganha por um companheiro de equipa. E foi novamente assim este ano. Uma queda deixou as suas marcas em Veloso e João Rodrigues estava claramente mais forte. O espanhol foi terceiro, um excelente resultado que já não se esperava, principalmente depois de duas temporadas em que ficou longe de ser sequer um candidato.

Mas Veloso mostrou que ainda pode ser um ciclista que luta por vitórias, tendo ganho este ano o prólogo do Troféu Joaquim Agostinho. Mais um triunfo num currículo que conta com outra conquista de uma prestigiada corrida de uma semana: Volta a Catalunha. Em 2008 bateu por 16 segundos um tal de Rigoberto Uran. No ano seguinte concretizou um dos seus grandes sonhos ao conquistar uma etapa da Volta a Espanha, em Xorret de Cati. Nesse dia ficaram no top dez ciclistas como Alejandro Valverde (eventual vencedor dessa edição), Cadel Evans e Ivan Basso.

Estes momentos marcantes na carreira foram ao serviço da Xacobeo-Galicia (2008-2010), equipa pela qual fez quatro Vueltas e um Giro. No ano seguinte representou a Andalucia-Caja Granada e foi novamente à grande volta espanhola. Antes tinha estado duas épocas na Kaiku, uma na Relax-Bodysol, depois de três temporadas na sua primeira equipa como profissional: Carvalhelhos-Boavista (2001 a 2003).

Em 2013 regressou a Portugal para a então OFM-Quinta da Lixa, actual W52-FC Porto, que tem sido a sua casa. Independentemente da equipa que represente em 2020, Veloso quer sair com boas exibições. "O ano que vem vai ser o último em que vou correr. Tudo tem um princípio e tudo tem um fim. E eu quero deixar andando bem", realçou à La Voz de Asturias.

»»Temporada nacional fecha com mais uma vitória da W52-FC Porto««

»»João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto««

14 de setembro de 2019

Temporada nacional fecha com mais uma vitória da W52-FC Porto

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Fim de época para o pelotão nacional. Ficará a faltar o habitual Festival de Pista de Tavira (5 de Outubro), mas na estrada, a nova clássica da Rota da Filigrana recebeu a última corrida de 2019. A W52-FC Porto terminou com mais uma vitória, a 18ª da temporada, por intermédio de um dos jovens que este ano se estreou na equipa: Francisco Campos. O ciclista bateu ao sprint Daniel Freitas (Miranda-Mortágua) e Rafael Silva (Efapel).

132 quilómetros ligaram Gondomar a Póvoa de Lanhoso, na primeira edição da clássica, que integra um fim-de-semana de muito ciclismo. Depois da prova profissional, este domingo é dia de granfondo. Mas na corrida do calendário nacional, Joaquim Silva (W52-FC Porto), Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano), Marcos Jurado (Efapel), Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista) e Alejandro Marque (Sporting-Tavira) protagonizaram a fuga do dia. Acabaram por não se entender, mas Mendonça - que juntamente com Barbosa e Marque foi dos mais resistentes - ainda alcançou algo de positivo ao garantir a classificação da montanha.

A corrida resolveu-se ao sprint e nesse aspecto Francisco Campos vai-se afirmando como um dos melhores portugueses na especialidade. Aos 21 anos, deixou o Miranda-Mortágua pela equipa azul e branca e a 2 de Junho alcançou o seu primeiro triunfo pela W52-FC Porto, no Grande Prémio Anicolor. Porém, logo no início da temporada, Campos venceu a segunda etapa do Tour de l'Espoir (5 de Fevereiro), mas ao serviço da selecção nacional de sub-23.

De referir, que tanto Daniel Freitas, como Rafael Silva foram dos ciclistas em melhor forma nesta recta final de temporada, no pós-Volta a Portugal. O ciclista do Miranda-Mortágua conquistou o Circuito da Póvoa da Galega, enquanto o corredor da Efapel venceu há duas semanas a Volta a Albergaria.

Quanto às restantes classificações da Rota da Filigrana, Luís Pereira, da JV-Perfis-Gondomar Cultural, foi o melhor entre as equipas de clube, com a sua formação a ser a mais forte entre essas estruturas. Já o Sporting-Tavira venceu em elite, podendo ter sido a despedida do clube de Alvalade do ciclismo.

Neste link pode confirmar todas as vitórias das equipas Continentais portuguesas em 2019.

Classificação via FirstCycling.


12 de agosto de 2019

As equipas da Volta a Portugal uma a uma

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Terminada a 81ª edição da Volta a Portugal e dado o peso que tem na época das formações nacionais, é o momento de fazer balanços. W52-FC Porto, Rádio Popular-Boavista e LA Alumínios-LA Sport são as que ficaram mais felizes, enquanto o Sporting-Tavira falhou novamente e a Aviludo-Louletano pagou o preço por apostar tudo num ciclista. Entre as estruturas estrangeiras, como sempre acontece, algumas mal se viram, mas Fundação Euskadi será sempre bem-vinda, com Euskadi-Murias e Amore & Vita-Prodir a conquistarem etapas. A formação suíça SRA também foi interessante de ver. (As equipas estão pela ordem da classificação colectiva.)

W52-FC Porto: Começou desde cedo a mostrar que continuava a ser a equipa mais forte. Porém, a queda de Bragança fez a estrutura tremer, com Joni Brandão a conseguir inclusivamente tirar a camisola amarela que a equipa não estava habituada a perder com a corrida tão avançada. Sem o vencedor das duas últimas edições, Raúl Alarcón (lesionado), foi o seu substituto que, de certa forma, surpreendeu ao mostrar um nível que não se via há dois anos. Gustavo Veloso (terceiro) voltou a sonhar com a terceira vitória, andou de amarela, mas a tal queda deixou-o limitado. João Rodrigues estava a ser preparado para assumir responsabilidade um dia. Esse dia chegou mais cedo e o algarvio de 24 anos foi brilhante. Também apanhou um susto ao cair em Bragança, mas não foi nada de grave. Ganhou na Torre, foi segundo na Senhora da Graça e avassalador no contra-relógio Gaia-Porto. Partiu com o mesmo tempo que Brandão e ganhou por 27 segundos. Foi o líder que a W52-FC Porto precisava. Samuel Caldeira foi o homem de trabalho que a equipa precisava e ainda ganhou o prólogo e vestiu a amarela no início. Daniel Mestre também ganhou uma etapa e trabalhou muito até partir uma costela em Bragança. Depois foi aguentar para conquistar a camisola verde dos pontos. Sobre Ricardo Mestre faltam palavras para descrever a sua importância, enquanto Edgar Pinto (quinto) foi novamente azarado com uma queda na Torre após toque com Vicente García de Mateos, mas foi essencial na luta pela vitória acabaria por ser de Rodrigues. António Carvalho começou bem, fraquejou a meio e foi um senhor na Senhora da Graça, terminando a Volta na quarta posição. Com uma equipa assim era difícil não ganhar, mas teve rival à altura para valorizar ainda mais a conquista, a sétima consecutiva da formação do Sobrado.

Rádio Popular-Boavista: Há um ano, a vitória de etapa e o top dez de Domingos Gonçalves já tinha sido muito positivo, mas em 2019, José Santos levou a sua equipa a um patamar que há muito não se via. João Benta e Luís Gomes ganharam etapas e este último ainda foi o rei da montanha. No contra-relógio final, a equipa deixou escapar a vitória por equipas, mas terminou com Benta (sexto), David Rodrigues (sétimo) e Daniel Silva (nono) no top dez. A influência na corrida foi tal, que tanto a W52-FC Porto e principalmente a Efapel procuraram alianças com esta equipa. Luís Mendonça não conseguiu a vitória que esteve perto, mas todos os ciclistas destacaram-se pelo trabalho feito para o sucesso alcançado, numa Volta a Portugal que a equipa tão cedo não esquecerá. Esperava-se a habitual equipa lutadora, mas desta feita a Rádio Popular-Boavista conseguiu traduzir em mais resultados essa forma de enfrentar as corridas.

Sporting-Tavira: Falta a confirmação oficial, mas terá sido a despedida do Sporting da Volta a Portugal. O clube deverá abandonar a modalidade, depois de ter regressado há quatro anos. Então, Jesus Ezquerra venceu uma etapa, mas a partir daí pouco correu bem à equipa de Vidal Fitas nesta corrida. 2019 não foi excepção. Tiago Machado foi uma aposta falhada, José Mendes, o campeão nacional, andou desaparecido. Alejandro Marque ainda parecia poder lutar pelo top dez, mas a etapa da Torre acabou com essa ideia. Frederico Figueiredo teve finalmente a oportunidade de procurar o seu resultado (há muito que merece ter um papel principal), mas o azar perseguiu-o. Sofreu quedas e a última, na etapa da Senhora da Graça, resultou num pulso partido. Foi quinto nesse dia, mas já não participou no contra-relógio final e o "senhor regularidade" não alcançou mais um top dez. Outro destaque foi um dos mais combativos da Volta: David Livramento. Chamado para substituir Rinaldo Nocentini, o algarvio esteve muito bem. Trabalhou tanto em fugas, que merecia ou ganhar uma etapa ou que um companheiro (Marque, por exemplo) o tivesse feito. Porém, o Sporting-Tavira terminou a Volta novamente sem qualquer conquista.

Efapel: Tudo pela Volta com Joni Brandão. E foi quase. Para uma equipa que teve um líder que deu luta a uma W52-FC Porto que tem dominado a corrida, não se pode dizer que tenha feito uma Volta aquém do desejado. Porém, os resultados não traduziram a ambição. Joni Brandão esteve três dias de amarelo, contudo, claudicou por completo no contra-relógio final. Partiu em igualdade pontual, mas perdeu 27 segundos. Sofreu duas quedas, perdeu tempo, foi penalizado em dez segundos quando os comissários consideraram que foi empurrado pelo mecânico, mas a derrota na Volta deveu-se àquela última prestação... E com influência da etapa na Torre. Era a subida que melhor assentava a Brandão, mas foi o dia em que não esteve ao nível desejado. Reagiu bem, mas ficou desperdiçou ali a oportunidade de ganhar tempo valioso e até perdeu para João Rodrigues. Colectivamente a Efapel não foi tão forte quanto se esperava. Henrique Casimiro foi de luxo, mas pagou o esforço na Senhora da Graça. Porém, nenhum dos companheiros teve uma exibição perto do nível de Casimiro. Às primeiras acelerações nas montanhas, rapidamente Brandão só ficava com Casimiro. Rafael Silva cumpriu o seu trabalho no terreno mais plano, mas esperava-se mais de Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Fabricio Ferrari e Nikolay Mihaylov. A Efapel saiu da Volta sem a camisola amarela e sem etapas ganhas. Ainda assim, fez algo que há muito não se via, fez a W52-FC Porto suar bem mais para ganhar.


Miranda-Mortágua: Gaspar Gonçalves entrou com tudo na Volta a Portugal, à procura da camisola da montanha ou dos pontos. Quando chegaram as etapas mais difíceis, foi o experiente Hugo Sancho que assumiu protagonismo. O grito de frustração na Serra do Larouco revelou bem como o ciclista apostou forte naquela etapa, tendo sido batido com a meta à vista por Luís Gomes. Tentou de novo nas duas últimas tiradas em linha, mas foi naquela que teve a grande oportunidade de ganhar e dar uma vitória a esta equipa Continental sub-25. O director desportivo Pedro Silva nunca desistiu de procurar subir ao pódio na Volta e Sancho fê-lo no Porto ao receber o prémio da combatividade.

UD Oliveirense-InOutBuild: Aquela queda de Rafael Lourenço em Bragança... Momento de enorme frustração para a outra equipa Continental sub-25 do pelotão nacional (há ainda a LA Alumínios-LA Sport). É um dos mais recentes jovens a despontar na formação de Manuel Correia e conseguiu ficar no grupo reduzido que ia disputar a vitória de etapa. Caiu numa curva, numa estrada molhada pela chuva. Foi uma pena para o ciclista e para a equipa que tentou mostrar-se em fugas. Contratou o colombiano Juan Filipe Osorio para dar um pouco mais de experiência a um plantel tão jovem e o antigo ciclista da Manzana Postobón, sem equipa desde o fim da estrutura, tentou aparecer na montanha. Porém, aquele momento de Rafael Lourenço marcou a corrida de uma UD Oliveirense-InOutBuild que esteve tão perto da possibilidade de lutar por uma etapa.

Medellin: Com pouco tempo para recuperar de uma corrida feita na China, não surpreendeu quando a maioria dos ciclistas da formação colombiano começaram rapidamente a eclipsar-se. Foi o caso de Fabio Duarte, mas não de Cristhian Montoya. A equipa até começou com menos um ciclista, pois o vencedor da Volta ao Lago Qinghai, Robinson Chalapud, acabou por ficar de fora. Aos 42 anos, Óscar Sevilla até arrancou a Volta a Portugal muito bem, mas uma queda limitou-o fisicamente. Ainda lutou por uma etapa, mas os problemas físicos e o cansaço da corrida e viagem chinesa tiveram o seu peso nas prestações. Já Montoya conseguiu ser o único corredor de uma equipa estrangeira a intrometer-se no top dez, sendo oitavo, a 5:24 minutos de João Rodrigues. Nunca esteve na disputa sequer do pódio, mas foi muito regular nas etapas mais difíceis.

Aviludo-Louletano: Apostar tudo num só ciclista tem destas coisas. A corrida estava a correr bem, com Vicente García de Mateos não só na luta por um terceiro pódio consecutivo, mas também pela vitória. Estava a 34 segundos da liderança, então de Joni Brandão, antes da etapa da Senhora da Graça. Passou mal a noite e a indisposição acabou mesmo por obrigá-lo a abandonar no penúltimo dia de corrida, com Oscar Hernandez e André Evangelista a fazerem o mesmo. Fim de Volta para a equipa algarvia. Depois de dois anos com pódio, camisola verde e etapas, a Aviludo-Louletano saiu sem nada. Luís Fernandes, que realizou uma boa corrida, ainda andou no top dez (terminou na 12ª posição) e deu tudo o que tinha para ganhar na Senhora da Graça, mas não conseguiu. Volta frustrante para o director desportivo Jorge Piedade.

Vito-Feirense-PNB: Já era expectável que seria uma Volta complicada para a equipa de Joaquim Andrade. Sem Edgar Pinto - agora na W52-FC Porto -, não houve uma referência para a geral, sendo o objectivo procurar uma vitória de etapa. João Matias tentou ao sprint e ainda procurou a solução de uma fuga. Sem sucesso. Filipe Cardoso procurou a mesma táctica da fuga, mas também sem resultado. Óscar Pelegrí esteve apagado e o principal destaque acabou por ser um Jesus del Pino que se tornou no exemplo de perseverança da corrida. Caiu na etapa da Senhora da Graça e ficou muito, mas mesmo muito mal tratado. Partiu para o contra-relógio cheio de ligaduras, mas terminou.

Caja Rural: Domingos Gonçalves está longe da forma que apresentava há um ano, então na Rádio Popular-Boavista e quando venceu uma etapa. O gémeo de Barcelos ainda entrou em fugas, incluindo na etapa da Torre, mas abandonou na sexta etapa, por motivos de saúde. Se o português era inevitavelmente uma das figuras da equipa espanhola do segundo escalão do ciclismo mundial, havia mais corredores com potencial para aparecerem na corrida. Matteo Malucelli ainda procurou os sprints, mas David González López (também abandonou no mesmo dia de Gonçalves) e o veterano Sergio Pardilla, por exemplo, estiveram muito discretos.

LA Alumínios-LA Sport: Segundo ano do projecto Continental sub-25 e uma grande conquista para a equipa de Hernâni Brôco. Emanuel Duarte estreou-se na Volta vencendo a classificação da juventude, que segurou no conta-relógio final por apenas dois segundos. Todos os ciclistas da equipa 100% portuguesa chegaram ao fim e com razões para celebrar. Um prémio para o trabalho que está a ser realizado nesta formação, destacando-se ainda David Ribeiro, que andou em fugas, procurou incessantemente vestir a camisola da montanha, que conseguiu durante um dia.

Fundação Euskadi: Sempre uma atitude de lutar, de dar espectáculo. Esta Euskadi recuperou as populares camisolas laranjas da saudosa Euskaltel-Euskadi e os seus jovens ciclistas nunca desperdiçam uma oportunidade para conquistar bons resultados. A equipa foi presença assídua nas fugas, procurou vencer uma etapa, foi líder da montanha nos primeiros dias com Peio Goikoetxea e uma queda na tirada da Senhora da Graça atirou para fora da corrida Unai Cuadrado, que liderava a classificação da juventude. A competir assim, é uma equipa muito bem-vinda.

Israel Cycling Academy: A formação Profissional Continental esteve pelo terceiro ano na Volta a Portugal, mas excluindo em 2017 quando Krists Neilands venceu a classificação da juventude, a equipa tem tendência a passar relativamente despercebida. O australiano Zak Dempster ainda foi terceiro na Guarda, mas a Israel Cycling Academy tinha ciclistas para se mostrar um pouco mais.

Euskadi-Murias: É presença assídua em Portugal, mesmo depois de subir ao segundo escalão e não costuma desiludir. Não trouxe o ciclista que este ano tem ganho por cá, Enrique Sanz, mas Mikel Aristi (segunda etapa) e Hector Saez (sexta) conquistaram etapas, com a equipa a estar ainda na luta pela juventude, com Urko Berrade, que perdeu por dois segundos. Seis das sete vitórias que a formação basca tem em 2019 foram alcançadas em provas portuguesas. Procurou mais destaque, participando em algumas fugas, valorizando a sua presença na Volta.

Arkéa Samsic: Esperava-se um pouco mais desta equipa Profissional Continental. Se era expectável que alguns dos ciclistas pudessem ter uma atitude mais de rodar em Portugal, ainda assim também se esperaria ver um pouco das suas capacidades. Excepto dois, um deles, um dos nomes mais sonantes da corrida. Brice Feillu procurou uma boa classificação na geral, mas nunca teve pernas para pensar num top dez. Ficou na 16ª posição, a 13:33 minutos do vencedor. Mas quem mais sobressaiu foi um jovem de 22 anos. Prestações interessantes de Thibault Guernalec. Foi quarto e quinto classificado nos contra-relógios e ainda fez outro quarto lugar na etapa de Braga. Mas ainda assim, soube a pouco para esta Arkéa Samsic, que, sem surpresa, não trouxe nenhum grande estrela (Warren Barguil e André Greipel, por exemplo, representam esta formação francesa), mas tinha potencial para mais e melhor.

Amore & Vita-Prodir: Duas vitórias de etapa e a procura por mais. Atitude de valorizar desta equipa com licença da Letónia, ainda que seja de raízes italianas. Davide Appollonio foi o actor principal de umas das histórias iniciais da Volta a Portugal. Foi a sua primeira corrida após uma suspensão de quatro anos por doping e venceu logo a primeira etapa, em Leiria. A equipa ficou ainda mais motivada e Marco Tizza conquistou o difícil final da Guarda. A procura por mais continuou, com Tizza em destaque.

Swiss Racing Academy: Equipa interessante de ver. Ciclistas muito jovens, mas com vontade de aproveitar a oportunidade de mostrarem-se numa corrida tão exigente. Por centésimos de segundo, Gian Friesecke quase surpreendeu no prólogo e foi sexto no contra-relógio final. Mathias Reutimann foi outro dos destaques positivos, mas na montanha. Foi terceiro na Serra do Larouco, faltando forças para um sprint final com Luís Gomes e Hugo Sancho. A SRA foi uma equipa muito activa que entrou em várias fugas. Prestação muito positiva.

Bai-Sicasal-Petro de Luanda: Só o estar na Volta a Portugal foi uma vitória para a equipa angolana. Conseguir entrar em fugas e mostrar a camisola na televisão foi uma considerado uma conquista. Porém, viu-se pouco dos ciclistas angolanos e foi mesmo um português a assumir algum protagonismo, como já era esperado. Depois de duas temporadas mais dedicado ao BTT, Micael Isidoro conseguiu regressar à estrada aos 37 anos. Procurou fugas e mostrar-se no terreno onde se sente mais à vontade, na montanha, tendo uma liberdade que raramente encontrou numa carreira passada como gregário. O destaque foi para a etapa da Bragança, com Micael a terminar no oitavo lugar.

ProTouch: A equipa 100% sul-africana pretendeu dar aos ciclistas a possibilidade de experimentar uma corrida por etapas mais longa e com grande dureza. Não foi fácil para os corredores e só três chegaram ao fim, com James Fourie a ser o "lanterna vermelha" ao terminar a 3:21:04 horas do vencedor João Rodrigues. Tentou as fugas, mas pouco se viu desta formação.

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»»Regressou após quatro anos de suspensão e agradeceu à equipa com vitória em Leiria««

11 de agosto de 2019

João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Não era para ser já. João Rodrigues estava a ser preparado para assumir a responsabilidade de liderar a W52-FC Porto na Volta a Portugal em breve. Mas não já. A equipa acreditava que estava perante um ciclista que tinha tudo para ganhar a Volta. Mas não já. O ano começou com o algarvio a ser testado nesse papel de líder. Passou exemplarmente, com destaque para a vitória na Alentejana, mas não só. A Volta era para Raúl Alarcón. Contudo, uma queda trocou as voltas ao espanhol, vencedor das últimas duas edições. Não era para ser já, mas teve mesmo de ser e não havia razões para hesitar. Rodrigues foi eleito um dos líderes. Gustavo Veloso acabou por estar muito tempo na linha da frente, mas mais uma queda trocou mais umas voltas, mas não a Volta de João Rodrigues. Venceu justamente a Grandíssima que em 2019 fez jus ao nome, tal como teria sido justo se Joni Brandão a tivesse conquistado. Numa Avenida dos Aliados vestida de azul e branco, levantou o troféu o algarvio que conquistou o norte.

Um jovem Rodrigues, de apenas 18 anos, viveu uma experiência que não esqueceu quando em 2015 fez a estreia na Volta a Portugal. Sofreu, mas terminou. Desde logo ficou a vontade de trabalhar mais e melhor para um dia regressar e cumprir o sonho de ser o campeão. Deixou a equipa da sua região, o Tavira, quando a W52-FC Porto o chamou para lhe permitir evoluir e explorar o potencial que os responsáveis viam em Rodrigues. Durante duas temporadas, o algarvio foi sendo preparado, em corridas em que tinha a responsabilidade de trabalhar para colegas, mas sem a pressão de apresentar resultados.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
João Rodrigues preferiu dar este passo em detrimento de procurar uma equipa de clube, por exemplo, onde, como sub-23, talvez pudesse ter mais destaque. No entanto, não só nunca se arrependeu da escolha, como em 2018 ficou claro como tinha sido a mais correcta. Finalmente regressou à Volta a Portugal. Um João tão diferente do jovem inexperiente de 2015. Apareceu em grande na fase decisiva da corrida, contribuindo e muito para que Alarcón vencesse pela segunda vez. O verdadeiro gregário de luxo, mas que mostrava que podia ser mais.

Esta época deram-lhe liberdade na "sua" Volta ao Algarve e João Rodrigues fez nono, um ano depois de até ter ido ao pódio para vestir a camisola azul da montanha, ainda que só por um dia. Nesse top dez ficaram nomes como Wout Poesl (Ineos), Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) e Sam Oomen (Sunweb), por exemplo, sem esquecer o vencedor Tadej Pogacar (UAE Team Emirates), um dos jovens que este ano se afirmou no World Tour.

Rodrigues continuou a afirmar-se por cá. Por agora... A W52-FC Porto apostou nele para a Clássica da Arrábida, mas um azar na subida final, tirou-o da discussão. Foi à Volta ao Alentejo alcançar finalmente a sua primeira vitória como profissional. Um contra-relógio, uma especialidade que nos últimos dois anos tanto tem trabalhado. Venceu mesmo a geral e até lhe custava acreditar no que tinha acabado de alcançar. Mal ele sabia que um fantástico 2019 estava apenas a começar! Seguia-se a possibilidade de se mostrar numa corrida World Tour. Ficou doente e a Volta a Turquia ficou fora do seu calendário, para sua enorme desilusão.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Mas ainda tinha tanto por ambicionar. Seria sempre um dos planos da equipa para a Volta a Portugal, mesmo com Raúl Alarcón como primeira escolha. Uma fractura na clavícula no Grande Prémio Abimota afastou o esapnhol. Rodrigues acabou como provável número um, mesmo que Gustavo Veloso, o suplente chamado à última hora, surgisse numa forma como já não se esperava. Rodrigues respeita a hierarquias e sempre colocou Veloso como líder, ainda mais com o espanhol de amarelo. No entanto, foi o algarvio que foi rei na Torre, um sinal que estava mesmo muito bem. A queda em Bragança foi um enorme susto. Rodrigues ainda foi ao hospital, mas estava tudo bem. Veloso ficou pior, além de Daniel Mestre ter partido uma costela.

A Volta deu mesmo uma volta, com Joni Brandão a aparecer em grande e a W52-FC a fraquejar um pouco. Só um pouco. Rodrigues respondeu na Senhora da Graça ao segundo de desvantagem e partiu de igual para igual com Brandão para o contra-relógio. A especialidade que tanto tem trabalhado acabou por lhe render duas conquistas no ano em que se tornou definitivamente uma figura do pelotão nacional.  27 segundos ficaram a separar os dois após 19,5 quilómetros entre Gaia e Porto. Não ficaram dúvidas de quem era o mais forte, tal como não ficam dúvidas que Rodrigues é o mais recente valor nacional a despontar e logo com a vitória mais desejada.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
E não esquecer, além das duas etapas do algarvio, Samuel Caldeira ganhou o prólogo, Daniel Mestre a terceira etapa e ainda conquistou a classificação dos pontos, mesmo com a costela partida. António Carvalho venceu na Senhora da Graça e a W52-FC Porto foi novamente a vencedora por equipas.

João Rodrigues tem 24 anos, faz 25 a 15 de Novembro. Vão colocar-se questões sobre o seu futuro. Vai a W52-FC Porto colocá-lo como líder indiscutível para a Volta de 2020, ou irá partilhar o estatuto de Alarcón? Irá Rodrigues ficar por Portugal? Apesar de sair para equipas com outros potenciais ser objectivo para qualquer ciclista, também é verdade que alguns valores nacionais têm feito carreira por cá: Joni Brandão (Efapel) e Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) são dois exemplos disso mesmo.

Haverá tempo para responder às questões sobre o futuro deste ciclista tão completo e ainda com margem para continuar a evoluir. Agora é altura de celebrar um triunfo especial por ser a Volta a Portugal, por ser a primeira conquista em apenas três participações e por ter sido numa das melhores, mais difícil e mais emocionante edições dos últimos anos. Não era para ser já, mas para a W52-FC Porto e para o seu director desportivo, Nuno Ribeiro, acabou por ser o momento certo! Ficou a confirmação que a aposta e a crença no potencial do jovem Rodrigues foram completamente acertadas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

»»Final de Volta a Portugal mais emocionante é impossível««

»»W52-FC Porto ao ataque, Efapel à defesa e a Rádio Popular-Boavista a intrometer-se««