Mostrar mensagens com a etiqueta W52-FC Porto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta W52-FC Porto. Mostrar todas as mensagens

9 de maio de 2021

João Rodrigues: do sorriso de um dia de azul à conquista de uma amarela histórica

© Volta ao Algarve
Em 2018, João Rodrigues subiu ao pódio da Volta ao Algarve no final da primeira etapa, em Lagos, para vestir a camisola azul da montanha. Então, o ciclista da W52-FC Porto havia integrado a fuga e garantiu um momento que então marcava a sua carreira. O sorriso não enganava o quanto estava orgulhoso por estar ali, ainda mais a correr na sua região. Numa conversa realizada mais tarde com o algarvio, Rodrigues admitiu o quanto aqueles minutos haviam sido especiais, mesmo que no dia seguinte tenha perdido a camisola. Foi só o início...

Naquela altura, João Rodrigues estava a crescer dentro da equipa. Estava a ser preparado para outros voos. Trabalhava o contra-relógio e aprimorava as suas capacidades na montanha. Era um gregário, mas na W52-FC Porto já era visto como um potencial vencedor. Em 2019, o jovem ciclista que havia dado as primeiras pedaladas no Tavira, afirmou-se definitivamente na equipa nortenha.

Começou por vencer a Volta ao Alentejo. Mas uma vez, custava-lhe acreditar no que havia alcançado, enquanto celebrava em Évora. A sua primeira vitória havia chegado precisamente no contra-relógio que tanto andava a trabalhar e garantiu depois a geral. Não esquecer que estamos a falar de uma corrida que também é de categoria internacional.

Nesse mesmo ano, João Rodrigues acabou a ser o líder na Volta a Portugal. Numa das edições mais disputadas em tempos recentes, mais uma vez foi no contra-relógio, na última etapa, que selou a vitória. Antes subiu a Torre para vencer. Para as equipas lusas, a Volta é o topo. Mas afinal, Rodrigues ainda não o tinha atingido quando há uma prova que é a de escalão mais alto que se realiza no nosso país. A Volta ao Algarve é ProSeries (segunda categoria, apenas abaixo das competições World Tour).

W52-FC Porto ao ataque no Malhão
© Volta ao Algarve
Em 2020, Rodrigues foi de extrema importância na vitória de Amaro Antunes na Volta, mas foi este domingo, 9 de Maio de 2021, que João Rodrigues escreveu uma história que atravessou fronteiras. Numa Volta ao Algarve dominada pelas grandes equipas em tempos recentes, com nomes como Remco Evenepoel, Tadej Pogacar, Primoz Roglic, Geraint Thomas, Alberto Contador a ganhar... vencer esta corrida tem sido uma miragem para quem está numa equipa portuguesa.

Se há um ano a Volta ao Algarve foi um dos últimos momentos de normalidade que se viveu, em 2021 nem conseguiu realizar-se no seu habitual calendário de Fevereiro. O pelotão foi diferente, mas nem por isso sem ciclistas de alto nível e/ou jovens talentos à procura de afirmação. A Ineos Grenadiers teve Ethan Hayter perto de alcançar a sua primeira grande conquista, a Deceuninck-QuickStep quis repetir a dose de Evenepoel com Kasper Asgreen, simplesmente o vencedor da Volta a Flandres.

A W52-FC Porto, que até tem sido das equipas portuguesas aquela que mais se mostra no Algarve - Amaro Antunes venceu no Malhão em 2017 -, apareceu com vontade de disputar a geral. João Rodrigues surgiu em excelente forma. Em Portugal ainda pouco se competiu, mas na equipa dirigida por Nuno Ribeiro preparou-se a participação com ambição a Algarvia. Rodrigues foi batido na Fóia por Hayter que depois viria a cair no contra-relógio de Lagoa. Ainda assim, ganhou 12 segundos ao português. Desta vez, o esforço individual não foi fonte do sucesso para Rodrigues, mas tudo ficou em aberto para a etapa do Malhão.

Asgreen, a 21 segundos, assumia que ia tentar a vitória. A W52-FC Porto sabia que estava perante uma oportunidade única de vencer uma corrida que é tão apreciada por equipas World Tour.

Hayter, debilitado pelas mazelas da queda, foi protegido pela Ineos Grenadiers até que a dois quilómetros da meta o britânico cedeu, quando a equipa portuguesa já havia acelerado e Rodrigues atacava. Asgreen até tinha sido quem tinha aberto as hostilidades a 15 quilómetros do fim. A Deceuninck-QuickStep colocou na fuga o sprinter Sam Bennett e o seu lançador Michael Morkov. Foram úteis a Asgreen, contudo, foi a táctica da W52-FC Porto, uma equipa Continental (terceiro escalão) que deu frutos.

© Volta ao Algarve
A equipa controlou as formações adversárias e só se mexeu com o Malhão à vista. Excelente o trabalho que João Rodrigues terminou exemplarmente. Foi novamente segundo na etapa, mas deixou Hayter a nove segundos e Asgreen a 28. Élie Gesbert (Arkéa Samsic) venceu a etapa, mas a principal festa foi portuguesa. Há 15 anos que tal não acontecia. Desde 2006 que um ciclista luso não vencia. Então foi João Cabreira o vencedor, com Hugo Sabido a triunfar no ano anterior. Depois sucederam-se nomes de corredores que estão entre os melhores do mundo.

Rodrigues acreditou até ao fim e claro que é ainda mais especial ser um algarvio vencer a "sua" corrida. Entre as competições internacionais com história que se realizam em Portugal, só lhe fica a faltar o Troféu Joaquim Agostinho. Aos 26 anos construiu já um currículo invejável.

© Volta ao Algarve
Mas há mais sucesso em português

Ficou um pouco ofuscado pela vitória de João Rodrigues, mas houve outro português a celebrar. Luís Fernandes saiu do top dez após um fraco contra-relógio, mas foi para a fuga do dia e somou os pontos suficientes na montanha para garantir a camisola azul. Também ele teve direito a estar no pódio final, numa conquista importante para a Rádio Popular-Boavista, equipa que este ano quis igualmente mostrar-se mais na Volta ao Algarve.

Rafael Reis (Efapel) foi segundo no contra-relógio, Iúri Leitão (Tavfer-Measindot-Mortágua) foi quinto no sprint de Portimão... os portugueses souberam tirar partido de uma Volta ao Algarve com condições excepcionais para terem uma projecção internacional que, por cá, só a Algarvia lhes dá.

Foi uma Volta ao Algarve que trouxe uma emoção diferente perante a forma de João Rodrigues. A oportunidade estava lá e o algarvio não a desperdiçou!

De referir que Sam Bennett venceu a classificação dos pontos (camisola verde), enquanto o americano Sean Quinn (Hagens Berman Axeon) juntou a camisola branca da juventude, à vitória na semana anterior na Clássica da Arrábida. A W52-FC Porto venceu por equipas.

O ciclismo nacional volta à estrada já no próximo fim-de-semana com o Grande Prémio O Jogo (sábado e domingo), enquanto por Itália as atenções centram-se em João Almeida (Deceuninck-QuickStep) e ainda em Rúben Guerreiro (EF Education-Nippo) e Nelson Oliveira (Movistar), o trio de portugueses no Giro.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

»»Asgreen recordista. Hayter caiu mas continua de amarelo. João Rodrigues mantém sonho vivo««

»»Sam Bennett é o rei dos sprints na Volta ao Algarve««

8 de maio de 2021

Asgreen recordista. Hayter caiu mas continua de amarelo. João Rodrigues mantém sonho vivo

© João Calado
Enquanto se ia assistindo ao recorde de Remco Evenepoel no percurso de contra-relógio em Lagoa a ser batido não por um, nem por dois, mas por três ciclistas, a luta pela geral parecia que iria ser apenas uma questão de perceber quantos segundos ficariam a separar os primeiros e se alguém entraria ou sairia da luta pela amarela. Mas, uma queda de Ethan Hayter assustou a Ineos Grenadiers, enquanto na W52-FC Porto poderia estar em aberto a possibilidade de João Rodrigues ficar com a camisola amarela antes da etapa decisiva do Malhão. Por um lado percebeu-se que o algarvio está bem ciente que está perante uma oportunidade que pode ser única, por outro conheceu-se um pouco mais do carácter de Hayter.

O britânico estava a realizar um bom contra-relógio e pedalava para uma possível diferença que lhe desse mais tranquilidade no Malhão, este domingo. Recorde-se que este sábado, antes do contra-relógio, três ciclistas estavam empatados em tempo (Hayter, Rodrigues e Jonathan Lastra, da Caja Rural). Porém, numa curva, perdeu o controlo da bicicleta e caiu. Teve de trocar de "máquina", mas lá seguiu caminho, com tempo precioso perdido e um corpo mal-tratado.

João Rodrigues dava o tudo por tudo para minimizar possíveis perdas, ou então conseguir mesmo superiorizar-se Hayter. Com a queda do britânico, a segunda hipótese ficou ainda mais perto de se tornar realidade. Mas foi aqui que se assistiu como este jovem ciclista tem perfil de vencedor. Não foram quilómetros fáceis, mas superou dores e certamente a frustração de ter caído para cortar a meta com um tempo melhor que Rodrigues.

A amarela continua com Hayter, mas como estará o ciclista este domingo? Depois de Richie Porte, Geraint Thomas e Michal Kwiatkowski, a Ineos Grenadiers procura vencer a Algarvia com um ciclista em que aposta para o futuro. Rodrigues vive um momento que, tendo em conta o pelotão que normalmente está na corrida quando esta se realiza em Fevereiro, poderá não estar tão cedo numa situação tão privilegiada como esta. E Kasper Asgreen quer contribuir ainda mais para o domínio da Deceuninck-QuickStep.

© João Calado
O dinamarquês venceu o contra-relógio, mas teve de se aplicar bastante. Era o seu objectivo, mas quando partiu, já sabia que Benjamin Thomas tinha batido o recorde do percurso que Remco Evenepoel estabeleceu em 2020 (24:07 minutos). O francês da Groupama-FDJ fez 24:01.

Depois uma surpresa, mas só para quem não conhece Rafael Reis. É um especialista do contra-relógio e apareceu em grande forma. Este ano mudou-se para a Efapel e no Algarve deixou Thomas sem a possibilidade de vitória. Completou os 20,3 quilómetros em 23:55. Estava mais perto um triunfo português, algo que não acontece desde que Amaro Antunes venceu no Malhão, em 2017.

Kasper Agreen estragou a festa. O dinamarquês fez 23:52 minutos e reentrou na luta pela geral, sendo agora terceiro a 21 segundos, recuperando mais de um minuto para Hayter. Rodrigues ficou a 12, enquanto Lastra ficou mais longe, a 42.

Este triunfo significa que são três vitórias em quatro etapas da Deceuninck-QuickStep, que ainda tem Sam Bennett com a camisola verde virtualmente garantida (só precisa de terminar este domingo), depois da pontuação máxima que somou com os sprints que ganhou em Portimão e Tavira. Falta agora ver se Asgreen não vai tentar a amarela e suceder ao colega de equipa, Evenepoel.

Thibault Guernalec (Arkéa Samsic) - um ciclista que já participou na Volta a Portugal - também de um salto na classificação, sendo agora quatro, a 22 segundos de Hayter.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

5ª etapa: Albufeira-Malhão (170,1 quilómetros)


Com a geral em aberto, o pelotão irá este domingo enfrentar a subida do Malhão, que só será feita uma vez. Etapa curta (170,1 quilómetros), com início em Albufeira, e que terá muito sobe e desce. Só na fase final do dia, os ciclistas terão uma sucessão de subidas exigentes, antes da escalada do Malhão (2,6 quilómetros com inclinação média de 9,2%). As restantes subidas estão colocadas em Vermelhos (3,2 km a 5,9%, a 43,1 km da chegada), Ameixeiras (1 km a 14%, a 32,2 km da meta) e Alte (2,1 km a 5%, a 14 km do final). Antes desta sequência, ainda haverá duas subidas de terceira categoria. Para aquecer!

A única certeza para o final desta 47ª edição da Volta ao Algarve é que quem a conquistar fá-lo-á pela primeira vez. E como curiosidade, se João Rodrigues o conseguir, será o primeiro português desde João Cabreira, que ganhou em 2006.

»»Sam Bennett é o rei dos sprints na Volta ao Algarve««

»»Ethan Hayter, mais um jovem ciclista a conquistar o Alto da Fóia««

25 de abril de 2021

Joni Brandão mostra-se na W52-FC Porto e época ameaça ser animada

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Chuva, frio e paisagens bonitas. A Clássica Aldeias do Xisto é uma das corridas que proporciona um espectáculo além competição dos mais cativantes, passando por regiões de Portugal que bem vale a pena visitar. De bicicleta ou não! Para o pelotão nacional foi mais uma oportunidade de estar na estrada, ficando a sensação que cada prova vale ouro, depois de tanta incerteza, cancelamentos e adiamentos. A vontade de competir é muita e depois da Efapel abrir a época com uma vitória, a W52-FC Porto respondeu.

A rivalidade entre as duas equipas promete e nenhuma esperou para "aquecer" esta temporada. Começaram a ganhar e a mostrar o quanto o querem fazer. Mas nas Aldeias do Xisto a Tavfer-Measindot-Mortágua (antiga Miranda-Mortágua) mostrou que juntar Tiago Antunes a Joaquim Silva foi uma boa opção. Apesar deste destaque, foi Joni Brandão que este domingo demonstrou que quer ter o seu lugar numa equipa em que muitos dos seus ciclistas podem ser líderes.

E basta ver dois dos corredores que ajudaram Brandão. José Neves e Ricardo Vilela estão de regresso a Portugal. O primeiro venceu o Troféu Joaquim Agostinho em 2018, precisamente pela equipa azul e branca, enquanto Vilela acumulou uma enorme experiência internacional e mesmo sendo muitas vezes gregário, é ciclista com qualidade para almejar mais agora que está de volta ao seu país.

Mas o dia era mesmo para Brandão. Apesar de ter falhado inicialmente a presença no grupo de dez ciclistas que se isolou na frente, juntamente com o companheiro José Neves e Tiago Antunes, Joaquim Silva e ainda Frederico Figueiredo (Efapel), a contratação mais sonante do pelotão nacional em 2021, chegou à frente ao atacar no Cêpos. Depois beneficiou do trabalho dos colegas para no final ser mais forte que Antunes (segundo, a quatro segundos) e Figueiredo (terceiro, a seis).

"Tive uma pequena distracção, quando se deram as movimentações decisivas e quase que pagava caro por isso, mas consegui chegar à frente, embora um pouco 'justo'. Mas os meus companheiros trabalharam para eu me poupar para a parte final. Só tive de rematar", salientou o ciclista.

Para Joni Brandão é muito importante começar a ganhar e a Clássica Aldeias do Xisto é uma corrida que aprecia. Em 2019 venceu ao serviço da Efapel (no ano passado a prova não se realizou). Ao mudar-se precisamente da Efapel para a grande rival, o ciclista perdeu o estatuto de líder indiscutível, pois na W52-FC Porto terá de lutar por esse posto com ciclistas como Amaro Antunes e João Rodrigues, os dois últimos vencedores da Volta a Portugal.

"É sempre marcante quando ganhas pela primeira vez pela nova equipa. A vitória é da W52-FC Porto que me ajudou a vencer. Foi um dia muito duro, com condições climatéricas muito difíceis. A isso juntou-se o terreno, sempre de sobe e desce. Acabámos por salvar bem o dia e ganhar, que era o mais importante", afirmou.

A época ameaça ser animada, faltando perceber se alguma equipa vai conseguir intrometer-se entre a W52-FC Porto e a Efapel - venceu a Prova de Abertura Região de Aveiro, com Luís Mendonça -, com a Tavfer-Measindot-Mortágua a mostrar valor nos 142,1 quilómetros entre as aldeias da Benfeira, Arganil, e do Fajão, Pampilhosa da Serra, na procura por uma vitória na temporada de 2021.

De referir que a W52-FC Porto foi ainda a melhor equipa, com Vilela a ser o rei da montanha. Pedro Andrade (Hagens Berman Axeon) foi o melhor jovem. A Clássica Aldeias do Xisto foi a segunda prova pontuável para a Taça de Portugal.

E para a semana há mais. O calendário nacional prossegue com a Clássica da Arrábida, no domingo, mais uma corrida que não se realizou no ano passado devido à pandemia e que esta época sofreu um adiamento. De 5 a 9 de Maio teremos a Volta ao Algarve.

»»Efapel controla, Luís Mendonça finaliza com ataque certeiro««

»»A espera está a terminar. Conheça o calendário nacional para 2021««

15 de março de 2021

O difícil caminho da credibilização

© João Fonseca Photographer
Foi mais um golpe para o ciclismo nacional, que em tempos recentes tem visto alguns ciclistas serem suspensos por doping. A confirmação da sanção a Raúl Alarcón termina (finalmente) com um processo que se arrastava desde Outubro de 2019 e demonstra como o caminho da credibilização da modalidade em Portugal continua com percalços e com trabalho a fazer. Mas que vai sendo feito.

Mas se se tem de suspender, que se o faça. Se alguém não joga limpo, que seja retirado do jogo. Seja quem for. A sanção de Alarcón atingiu outro mediatismo entre as quatro recentes que aconteceram. Vencedor de duas Voltas a Portugal e líder da equipa que tem dominado o ciclismo em Portugal, o espanhol tornou-se numa das referências do pelotão nacional na W52-FC Porto, que vê agora o projecto ficar marcado por um caso de doping que lhe custa uma vitória na Volta.

Uma, porque, em 2017, o segundo classificado foi Amaro Antunes, então companheiro de Alarcón. Em 2018, Joni Brandão - que representava o Sporting-Tavira - ficou atrás do espanhol na geral. Terão de se fazer mais rectificações nas classificações entre 28 de Julho de 2015 e 21 de Outubro de 2019. Uma já está confirmada. Em Espanha, a organização da Volta às Astúrias já declarou Nairo Quintana como o vencedor da edição de 2017, que havia sido ganha por Alarcón.

Que seja reposta a verdade desportiva, ainda que ninguém esteja a celebrar vitórias atribuídas desta forma, o que se compreende.

Enquanto se acertam estes pormenores classificativos nas muitas corridas em que Alarcón participou durante as épocas incluídas na sanção, o ciclismo nacional recebe novamente uma publicidade negativa, numa altura muito delicada para a modalidade.

Com a pandemia, as restrições e os problemas em colocar provas na estrada, as equipas lutam para manterem-se activas, sabendo que ou competem, ou não têm forma de dar retorno ao investimento de patrocinadores. E estes não abundam. Já não abundavam e com a crise a crescer, a saúde financeira de muitas empresas pode "desviar" investimentos no ciclismo.

Todos os escalões estão a sofrer com a situação, com a elite a conseguir manter as nove equipas que tem no escalão Continental. Notícias do arranque da temporada demoram em chegar - deverá acontecer em Abril -, contudo, o doping acaba por marcar esta espera por corridas. Em Janeiro, Domingos Gonçalves foi suspenso por uso de métodos e/ou substâncias proibidas, a mesma razão apontada pela UCI a Alarcón. Quatro anos para ambos, com o espanhol de 34 anos a estar suspenso até 20 de Outubro de 2023.

Em Dezembro de 2020, Rinaldo Nocentini e Xuban Errazkin também receberam pesadas sanções, ainda que nenhum estivesse a competir. No entanto, foram mais dois ciclistas com passagem por Portugal a entrar na lista de suspensões da UCI.

Não tem sido fácil credibilizar o ciclismo nacional, ainda com algumas feridas por sarar do caso Liberty Seguros em 2009. "Credibilização" foi a palavra utilizada por Delmino Pereira. O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo considera que estamos perante uma demonstração que o sistema funciona. "O ciclismo é das modalidades que tem um sistema mais eficaz e evoluído do mundo, e estamos numa onda de maior credibilização da modalidade. Só que este processo pode resultar no que aconteceu agora, mas acho que a modalidade está no bom caminho", disse à Lusa.

Que este caminho de credibilização inclua o fim de um clima de suspeição, para que aqueles que jogam limpo, que honram a modalidade com trabalho e dedicação, não sejam arrastados para rumores que nada ajudam para a sobrevivência de um ciclismo a precisar de boa publicidade para recuperar do rombo de falta de competição devido à pandemia. Que se valorize e respeite quem merece.

Numa época em que tanto se fala de testar, testar, testar, que se o faça em Portugal, sem facilitismo, no ciclismo. É uma modalidade que historicamente tem estado sob pressão, com casos que marcam um dos piores lado do desporto, mas que, internacionalmente, soube mudar as regras e a forma de as aplicar e, assim... credibilizar. Que não se veja como perseguição, mas como forma de garantir que ninguém esteja a tentar fugir à verdade desportiva.

»»Domingos Gonçalves suspenso perde etapa ganha na Volta a Portugal««

»»Nocentini e Errazkin suspensos por quatro anos««

3 de janeiro de 2021

Joni Brandão na W52-FC Porto é o passo certo?

© Podium/Paulo Maria
2021 vai ser um ano com muitas mudanças. Foram várias as transferências nas equipas portuguesas, pelo que já se sabe que o início da época será passado a tentar adaptar-nos a ver os ciclistas com novas cores. É o que vai acontecer com Joni Brandão, aquela que poderá ser vista como a contratação mais mediática. Afinal, o ciclista que nos últimos anos mais vezes andou mais perto andou dos rivais da W52-FC Porto na Volta a Portugal, vai agora vestir de azul e branco.

Por um lado, parece a opção óbvia. Muda-se para a equipa que tem dominado o panorama nacional. Por outro, não irá poder dizer que é um líder indiscutível, pelo que será interessante perceber como irá encaixar Joni Brandão numa estrutura que tem Amaro Antunes como o último vencedor da Volta e ainda João Rodrigues, que bateu Brandão no contra-relógio em 2019.

Gustavo Veloso saiu, sem surpresa, pois percebeu que por melhor forma que apresente, se o líder designado estiver bem, o espanhol não terá o apoio para conquistar a muito desejada terceira Volta a Portugal. Joni Brandão terá de convencer e muito para não ficar na mesma situação que Veloso.

Para a W52-FC Porto é um contratação de luxo. Vai buscar o seu grande rival e reforça (e de que maneira) a estrutura. Porém, Amaro Antunes tem um estatuto quase intocável e merecidamente. Aliás, regressou à equipa e ficou como número um, apesar de João Rodrigues ter tido um 2019 simplesmente fenomenal.

Aos 31 anos, Joni Brandão tenta o tudo por tudo. É o objectivo da sua carreira conquistar uma Volta a Portugal. Já soma três segundos lugares, mais uns top dez, pelo que é compreensível que já sinta alguma frustração por andar tão perto, mas sempre a ser batido pela mesma equipa. Nem na Efapel, nem na então Sporting-Tavira, Brandão chegou ao primeiro lugar.

Mas nessas equipas não havia dúvidas de que era o líder. Brandão tinha os companheiros a trabalhar para si. Na W52-FC Porto, neste arranque de época, não tem essa garantia. A equipa fez poucas mudanças no seu plantel, pelo que a base mantém-se. Ou seja, Amaro vai continuar a contar com o apoio de João Rodrigues (que também terá as suas oportunidades), Samuel Caldeira e Ricardo Mestre, o lado algarvio da estrutura.

Há ainda Daniel Mestre (que já esteve ao lado de Brandão na Efapel) e também Rui Vinhas, outro vencedor da Volta pela equipa, mas sempre o eterno gregário de muita qualidade. É um grupo no qual a maioria dos ciclistas já competem juntos há bastante tempo.

A Joni Brandão espera-lhe uma missão difícil de se impor dentro de um conjunto vencedor, ainda que seja impossível contrariar que para ganhar a Volta, as hipóteses sobem substancialmente quando se está na W52-FC Porto. Afinal a estrutura soma oito vitórias consecutivas, contando com a fase em que tinha o nome de OFM-Quinta da Lixa e W52-Quinta da Lixa.

É um desafio que Joni Brandão assume em enfrentar, tudo para finalmente conquistar a camisola amarela.

Outros reforços

Além do reforço Joni Brandão, haverá dois regressos ao pelotão nacional para a W52-FC Porto. Ricardo Vilela e José Neves estavam ambos na espanhola Burgos-BH (segundo escalão), mas volta agora às origens. No caso de Vilela foram seis anos fora (Caja Rural, Manzana Postobón e Burgos-BH), ele que representou a então OFM-Quinta da Lixa em 2014.

Já José Neves não conseguiu impor-se lá fora. Chegou inclusivamente a estagiar na EF Education First-Drapac p/b Cannondale em 2018, mas a passagem pela Burgos-BH não foi a esperada. Apesar de uma ou outra boa exibição - venceu uma etapa no Troféu Joaquim Agostinho em 2019 -, o português não conseguiu demonstrar o nível que havia atingido na W52-FC Porto. Em 2020 competiu pouco e pouco se viu nas corridas onde esteve.

Tem apenas 25 anos, pelo que regressa a uma casa que bem conhece para tentar relançar a carreira.

Equipa W52-FC Porto para 2021

Permanências: Amaro Antunes, Daniel Mestre, Francisco Campos, João Rodrigues, Jorge Magalhães, José Mendes, Ricardo Mestre, Rui Vinhas, Samuel Caldeira.

Reforços: Joni Brandão (Efapel), José Neves e Ricardo Vilela (Burgos-BH).

»»O calendário que mais se quer que se concretize««

»»Mais pedidos do que vagas para a Volta ao Algarve««

30 de novembro de 2020

Vozes da experiência mudam de equipa mas continuam a competir


2020 não foi o melhor dos anos para concretizar muitos dos planos! No que diz respeito ao ciclismo, um dos exemplos está a ser o adiamento do final de carreira de alguns atletas. Por cá, Gustavo Veloso já havia dito que queria competir mais um ano (vai para a equipa Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), depois de ficar novamente muito perto de conquistar a sua terceira Volta a Portugal. Entretanto, juntou-se mais um veterano, este com uma carreira internacional de muito respeito: Sérgio Paulinho ainda não vai dizer adeus ao ciclismo. E depois há Tiago Machado. No seu caso, nem se ouve falar de terminar carreira. O que mais quer é continuar a correr, sempre com o seu estilo muito próprio e que o tornam num dos ciclistas mais populares do pelotão nacional.

Em comum, Paulinho e Machado têm o terem optado por regressar às origens. O primeiro vai mudar-se para a LA Alumínios-LA Sport, enquanto o segundo vai novamente trabalhar com José Santos na Rádio Popular-Boavista. Os papéis serão diferentes, mas igual será o prestígio que continuam a trazer ao ciclismo nacional, sendo dois ciclistas com uma longa carreira no estrangeiro.

A Efapel vê sair dois experientes corredores e esta experiência é um ponto muito importante para a LA Alumínios-LA Sport. Esta época, praticamente todos os ciclistas tinham menos de 25 anos, excepção feita a Bruno Silva (32), ciclista contratado precisamente para ser uma voz de comando entre tanta juventude. Sérgio Paulinho já entrou nos 40, tornando-se em mais um exemplo de longevidade na modalidade.

O director desportivo Hernâni Brôco é o primeiro a admitir a relevância de contar com um ciclista com o currículo de Sérgio Paulinho. Mas claro, não significa que não esteja aberta a porta a lutar por vitórias. O ciclista regressou a Portugal em 2017, depois de 12 épocas ao mais alto nível. Deu o salto no ano seguinte a conquistar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, tendo nessa temporada representado a então LA-Pecol.

No World Tour tornou-se num dos melhores gregários, sendo um elemento de confiança para Alberto Contador, por exemplo. Venceu uma etapa no Tour e na Vuelta, mas foi como homem de trabalho que mais se destacou. Quando a Tinkoff acabou, Paulinho regressou a Portugal. Na Efapel procurou assumir um papel de líder, para lutar pela Volta a Portugal (e não só). Não foi uma transformação bem sucedida e acabou por ser novamente gregário, a função em que se sente tão bem. Em 2018, conseguiu um triunfo, numa etapa do Grande Prémio Abimota.

Sempre foi um ciclista de "low profile". O seu trabalho até pode passar despercebido à primeira vista, mas se o seu líder ganhar, sempre sentiu que a missão estava cumprida. Agora, entre a juventude da LA Alumínios-LA Sport, o seu trabalho volta a ser imperceptível à primeira vista.

Contudo, no papel de quem tem muito a ensinar, Brôco espera que Paulinho possa dar uma ajuda na evolução de ciclistas que nesta nova era da equipa tiveram um 2019 muito positivo e um 2020 longe do esperado, ainda que seja um ano que pouco se possa dizer sobre a prestação das equipas nacionais, devido às escassas corridas disputadas. A continuidade de Sérgio Paulinho, mesmo que seja apenas por mais um ano, é uma excelente notícia.

Quanto a Tiago Machado, é um regresso já esperado à estrutura de José Santos. Esteve cinco épocas no Boavista quando passou a profissional, antes de ir para o estrangeiro, com oito anos no World Tour e um no segundo escalão. Nunca escondeu a possibilidade de um dia voltar à agora Rádio Popular-Boavista, mas quando decidiu prosseguir a sua carreira em Portugal em 2019, escolheu o então Sporting-Tavira e depois a Efapel.

Na formação algarvia não foi o líder que o próprio queria ser, principalmente na Volta a Portugal. É um desejo ganhar esta corrida, mas têm estado longe de sequer lutar por um pódio. Na Efapel, sabia que não teria, em circunstâncias normais, esse papel e teve de ajudar Joni Brandão.

Na Rádio Popular-Boavista, Machado (35 anos) poderá ser mais aquele ciclista que bem se conhece. Irreverente, sempre pronto a animar corridas e para quem não há impossíveis. Em representação da Selecção Nacional, venceu em 2018 a Prova de Abertura Região de Aveiro (estava na Katusha-Alpecin), tendo pedalado sozinho durante 80 quilómetros! Um bom exemplo de como para Machado há que arriscar para ganhar.

Na equipa de José Santos corre-se muito assim. Os ciclistas têm muitas vezes mais liberdade, mesmo que haja um líder. Machado encaixa na perfeição na mentalidade da Rádio Popular-Boavista e será um corredor com caminho livre para ir à procura de vitórias. 

Um regresso em 2021

Na próxima época irá regressar a Portugal mais um experiente ciclista. Ricardo Vilela, depois de seis anos no estrangeiro, sempre no nível Profissional Continental (Caja Rural, Manzana Postobón e Burgos-BH) estará de volta à última equipa que representou antes de sair do país: a W52-FC Porto (então a OFM-Quinta da Lixa).

Aos 32 anos será mais um reforço de luxo para a formação que domina o pelotão nacional, podendo ser uma opção tanto para liderança, como para ajudar companheiros, visto esta ser uma equipa com mais chefes-de-fila. Não esquecer que Joni Brandão trocará a Efapel pela formação azul e branca para se juntar a Amaro Antunes e João Rodrigues.

22 de outubro de 2020

Edgar Pinto suspenso provisoriamente quer provar inocência

Edgar Pinto foi suspenso provisoriamente pela UCI devido à suspeita de "uso de métodos e/ou substâncias proibidas". O ciclista português já divulgou uma explicação para o sucedido, mas aguarda agora pela decisão final, tal como acontece com outro ciclista da W52-FC Porto, Raúl Alarcón.

No entanto, tanto Edgar Pinto, como a equipa salientam que as suspeitas em causa referem-se a antes do corredor assinar pela W52-FC Porto, em 2019. O caso está nas mãos da Comissão Antidopagem da UCI.

"Tendo sabido que a UCI tomou a decisão de me suspender da actividade, por suspeitas de indícios de irregularidade no passaporte biológico, venho garantir a minha inocência e a minha vontade de afastar essas suspeitas, que são infundadas, tratando-se de amostras obtidas durante os anos de 2015, 2016 e 2017, em alturas de grande sofrimento, tendo sido sujeito a diversas intervenções cirúrgicas, resultantes de várias quedas graves", explicou Edgar Pinto (35 anos), num comunicado.

Nos primeiros dois anos referidos, o ciclista de Albergaria-a-Velha representava a equipa da Skydive Dubai e em 2017 a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Foram temporadas azaradas para Edgar Pinto, com quedas que obrigaram a longas paragens e difíceis recuperações.

"Quero, para além disso, confirmar que estão em causa análises referentes a um período anterior à minha contratação pela equipa W52-FCPorto, que nada tem, por isso, a ver com este processo e onde desejo prosseguir a minha carreira, depois de provar a minha inocência", acrescentou o atleta.

A equipa, num comunicado assinado por Adriano Quintanilha, segundo o jornal O Jogo, reforça este último ponto: "Os factos que estão na origem da investigação são todos eles anteriores à contratação do Edgar pela nossa equipa, contudo aguardaremos o desfecho do processo, esperando que o corredor, que sempre teve, ao nosso serviço, um comportamento exemplar, possa provar a sua inocência e que continue a demonstrar o seu valor ao serviço da nossa equipa."

E este é um ponto importante para a formação azul e branca. Alarcón está há um ano a aguardar pela conclusão do seu processo, estando suspenso provisoriamente pelas mesma razões agora apontadas a Edgar Pinto. A pandemia e todas as restrições que já estiveram em vigor, não ajudaram à conclusão mais célere do processo do espanhol, vencedor duas duas Voltas a Portugal, em 2017 e 2018.

Duas casos a afectar a mesma equipa poderia ser problemático e colocar a W52-FC Porto sobre alçada disciplinar, dependendo do tempo que separa as duas sanções. Porém, segundo as afirmações de corredor e formação, não é essa situação.

Há outro ciclista português suspenso provisoriamente. Domingos Gonçalves foi notificado em Dezembro do ano passado e as possíveis irregularidades não só afectam o primeiro ano em que esteve na Caja Rural, como os dois seguintes na Rádio Popular-Boavista. Nestes conquistou várias vitórias, incluindo uma etapa da Volta a Portugal e três títulos nacionais: dois de contra-relógio e um na prova de fundo.

»»Domingos Gonçalves suspenso provisoriamente pela UCI««

»»Raúl Alarcón: "Estou inocente e que não pratiquei qualquer infracção"««

7 de outubro de 2020

Pandemia muda planos de reforma

© João Fonseca Photographer
Se há algo que um atleta gosta é de se despedir pelos seus próprios termos, uns mais em alta do que outros, é certo, uns com planos mais ganhadores do que outros. Marcam-se uns últimos objectivos, uns últimos momentos para assinalar o adeus. Muitas vezes são tão simples como participar em certas corridas, uns juntam o desejo de mais uma vitória, outros de ajudar um companheiro a vencer. Num 2020 marcado por uma pandemia, com corridas canceladas, um calendário com grandes provas a coincidirem, uns Jogos Olímpicos adiados, colocar o ponto final na carreira em 2020 não está a parecer adequado para alguns corredores.

"Eu quero despedir-me do ciclismo com ciclismo de verdade." A frase diz muito e foi ouvida por cá há dois dias. Gustavo Veloso tinha anunciado que 2020 ia ser o seu último ano, despedindo-se do ciclismo aos 40. Mas numa temporada em que mal competiu devido à pandemia e não conseguiu fazer o tri na Volta a Portugal, o espanhol da W52-FC Porto decidiu que se impõe mais um ano a competir.

Lá por fora acontece o mesmo. Tony Martin (35 anos) e André Greipel (38), por exemplo, estavam a ponderar deixar o ciclismo, mas acabaram a renovar contrato com a Jumbo-Visma e a Israel Start-Up Nation, respectivamente. E não apenas por um ano, mas até 2022. Paul Martens (36), também da Jumbo-Visma, adiou a reforma até Junho de 2021.

Alejandro Valverde também só sairá de cena depois dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, naquele que o espanhol vê como o seu último grande objectivo e a medalha que lhe falta num currículo de mais de cem vitórias. E já sabe o que fará depois. Valverde irá assumir novas funções na estrutura da Movistar, equipa que representa desde 2005.

Em Portugal vamos então ter Veloso por mais uma temporada. Vencedor de duas edições da Volta a Portugal (2014 e 2015), a terceira conquista não tem estado fácil. Esteve perto em 2016 e esta época, mas viu colegas de equipa a celebrarem. Primeiro Rui Vinhas e na segunda-feira, Amaro Antunes. Veloso foi segundo em ambas as edições.

"Vou correr mais um ano, para estar numa Volta com todos os adeptos que ano após ano estão na beira da estrada e, desta vez, não puderam estar. Ver a Senhora da Graça vazia não é igual", referiu em declarações à RTP.

Veloso demonstrou na Volta a Portugal que a idade ainda não pesa, apesar de já ter passado por momentos menos bons. Porém, sendo uma das figuras do pelotão nacional, onde está desde 2013, mas já com passagem no início do século pelo Boavista, Veloso certamente que quer terminar a carreira com o tão desejado tri na Volta e sair pela porta grande. Um pouco à imagem de David Blanco, que em 2012 colocou um ponto final na carreira dessa forma e com o recorde de vitórias na geral: quatro.

Essa marca Veloso já não alcançará. Em realidades completamente diferentes, André Greipel já está numa função mais de voz da experiência e Tony Martin quer continuar a ser o gregário de luxo. Já Veloso ambiciona alto para uma derradeira tentativa de vitória na Volta em 2021.

5 de outubro de 2020

É tua Amaro!

Não pode ser nada fácil ter uma camisola amarela, ter 17,7 quilómetros de contra-relógio a separar da vitória final e ter como principal adversário um companheiro de equipa. Ser um ciclista de equipa rival, faz parte do ciclismo, rivalidades internas são sempre muito complicadas. Amaro Antunes partiu para a derradeira etapa da Volta a Portugal, neste 5 de Outubro, sabendo que Gustavo Veloso era um forte candidato a tirar-lhe a amarela que há tanto ambiciona. Restava-lhe fazer o contra-relógio de uma vida, sabendo o algarvio que está longe de ser o seu forte, ao contrário de Veloso. As lágrimas que foram impossíveis de segurar diziam tudo. Ao cortar a meta na Praça do Comércio, Amaro nem força teve para celebrar. Libertou as emoções sob a forma de lágrimas. A Volta é tua Amaro!

O algarvio sempre teve ambição de alcançar algo grande na sua carreira. Sonhou com a possibilidade de chegar ao World Tour um dia. Com a CCC concretizou esse sonho e esteve numa grande volta, o Giro. A experiência não correu como desejaria e regressou a Portugal, à W52-FC Porto onde há dois anos viveu a sua melhor época. Aquela vitória no Malhão, na Volta ao Algarve foi marcante. Mas faltava-lhe a Volta a Portugal.

Desde os seus tempos de júnior que Amaro era visto como um ciclista com potencial. Não demorou a mostrar as suas características de trepador nato e a sua evolução em Portugal foi acompanhada sempre com atenção. Em 2013 apostou numa ida para o estrangeiro. A italiana Ceramica Flaminia-Fondriest tinha como objectivo apostar em jovens. Além de Amaro, passaram por lá Pedro Paulinho (Efapel), Rafael Reis (Feirense) e António Barbio (já se retirou). A experiência não foi nada do que os ciclistas esperavam.

Banco BIC-Carmin e depois LA Antarte, Amaro continua a mostrar como poderia ser um líder com capacidade para disputar a Volta. Chegou então 2017, o ano em que tudo mudou. Na W52-FC Porto, o algarvio deu o salto que há muito se esperava. Além do triunfo no Malhão, conquistou o Troféu Joaquim Agostinho, venceu na etapa da Serra da Estrela na Volta a Portugal, foi segundo e o rei da montanha. E ajudou Raúl Alarcón a vencer a corrida.

Neste 2020 tão atípico, marcado por uma pandemia que quase levou a Volta a Portugal a não se concretizar, Amaro Antunes surgiu forte, mesmo estando na equipa o vencedor de 2019, João Rodrigues. De algarvio para algarvio, o troféu fica no sul do país. Não vai para Espanha. Gustavo Veloso procurava a sua terceira vitória. Repetiu-se a história de 2016.

Veloso venceu o contra-relógio final de Lisboa, mas vê um companheiro ganhar. Primeiro Rui Vinhas, agora Amaro Antunes. Aos 40 anos surgiu muito competitivo, mas o tri continua a escapar-lhe. Se concretizar a anunciada despedida, Veloso fez a sua última tentativa.

Quanto a Amaro, aos 29 anos, o algarvio cumpre um objectivo de carreira. As lágrimas foram dando lugar ao sorriso. A festa em Lisboa de ser contida. As restrições devido à pandemia assim o exigiram. Mas numa edição que foi apelidada de Especial, Amaro colocou o seu nome entre os vencedores da Volta a Portugal.

E já são oito

O domínio da W52-FC Porto continua. Antes da Volta, nas poucas corridas realizadas em 2020, a formação de Nuno Ribeiro não somava qualquer triunfo. Como sempre, apresenta-se na Volta, mesmo numa altura diferente do ano do habitual, fortíssima. Se em 2019 só garantiu o triunfo na última etapa, desta feita o grande passo foi dado logo ao terceiro dia, na Senhora da Graça. Com Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel) a ser o mais directo rival (de uma equipa diferente), desde a Serra da Estrela que se percebeu que seriam Amaro e Veloso a provavelmente discutir a vitória no contra-relógio.

O espanhol recuperou algum tempo. Começou a 1:13, terminou a 42 segundos. Amaro fez mesmo um grande contra-relógio, pois no prólogo tinha perdido 32 segundos em sete quilómetros. Desta feita foram 31 em 17,7 quilómetros. A diferença que faz na motivação e na força mental (às vezes mais do que na física) ter vestida uma camisola amarela.

Com este triunfo, a equipa do sobrado eleva para oito as vitórias consecutivas na Volta, um domínio que começou com Alejandro Marque, continuou com Gustavo Veloso (duas vitórias), teve em Rui Vinhas a maior surpresa, Raúl Alarcón venceu mais duas vezes para a equipa, João Rodrigues foi o herói da Avenida dos Aliados, antes de Amaro continuar a senda.

De referir que, por equipas, são sete as vitórias consecutivas e com o FC Porto como patrocinador - e nestes momentos as alusões ao futebol dificilmente ficam de lado -  a equipa fez o penta! Veloso venceu o prólogo e o contra-relógio final, Amaro foi o mais forte na Senhora da Graça, ou seja, três vitórias para a equipa, que vestiu a amarela do primeiro ao último dia (dois com Veloso e os restantes com Amaro).

Terminada a Edição Especial, a pergunta que tanto se coloca há anos, continua sem resposta: quem bate a W52-FC Porto na Volta a Portugal?

As camisolas e um merecido pódio

O jovem Hugo Nunes, da Rádio Popular-Boavista, levou para casa a camisola da montanha, enquanto Luís Gomes, o rei desta classificação em 2019, conquistou desta feita a dos pontos, numa excelente Volta para a Kelly-Simoldes-UDO - Gomes venceu ainda a etapa de Viana do Castelo. O britânico da Nippo Delko One Provence, Simon Carr, foi o melhor na juventude, batendo o francês Matis Louvel, da Arkéa Samsic, por 11:08 minutos. José Azevedo regressou a Portugal como director desportivo desta equipa e sai da Volta satisfeito com o seu jovem atleta, de 22 anos.

De referir ainda Frederico Figueiredo. Não conseguiu segurar o segundo lugar, mas ficou num mais do que merecido pódio. Foi ele que arriscou com um ataque de longe na Senhora da Graça, ainda que depois na Serra da Estrela não tenha conseguido fazer a diferença que queria. O senhor regularidade do pelotão, que tantos top dez soma, conseguiu em 2020 a sua primeira vitória como profissional, ao vencer uma etapa e a geral no Troféu Joaquim Agostinho e foi terceiro na Volta. Finalmente a equipa apostou nele como líder e eis o resultado.

Classificações completas, via FirstCycling.

(Fotografias: © João Fonseca Photographer)

»»Amaro Antunes mais perto da vitória, mas ainda há uma ameaça««

»»Uma segunda categoria para uma última tentativa««

4 de outubro de 2020

Amaro Antunes mais perto da vitória, mas ainda há uma ameaça

© João Fonseca Photographer
O contra-relógio vai mesmo decidir tudo. Nenhum dos candidatos quis aproveitar a Arrábida para, pelo menos, encurtar distâncias. Amaro Antunes está bem encaminhado para conquistar a Volta a Portugal, mas será que um certo ciclista vai deixar? Frederico Figueiredo vai tentar, mas o especialista e maior ameaça até é Gustavo Veloso, colega de Amaro na W52-FC Porto. Estando cada um por si, o espanhol não vai "levantar o pé".

1:13 separa Gustavo de Amaro, com Frederico Figueiredo a 13 segundos. O problema para o líder da Atum General-Tavira- Maria Nova Hotel é que o contra-relógio é o seu calcanhar de Aquiles. Por mais que vá tentar, manter o lugar no pódio será um objectivo. Amaro Antunes também está longe de ser forte nesta especialidade, o que faz com que a sua maior preocupação seja quem está a mais de um minuto.

Para Veloso, a estrada decidirá o mais forte. No prólogo, que venceu, deixou Amaro Antunes a 32 segundos em apenas sete quilómetros. Em Lisboa, esta segunda-feira, serão 17,7 quilómetros, em terreno plano e com empedrado. Veloso, além de ser melhor contra-relogista, está num terreno que o beneficia.

É quase um déjà vu. Em 2016, também Veloso tentou tirar a camisola amarela ao colega Rui Vinhas. Não conseguiu. Anda desde esse ano à procura da terceira vitória na Volta e aos 40 de idade não está longe. Porém, apesar do prólogo não ter sido o melhor para Amaro, as circunstâncias são outras neste último dia. Certamente que, como aconteceu com Vinhas, a motivação de Amaro estará em alta. Já foi segundo em 2017, agora pode vencer uma corrida que, mesmo quando foi para a CCC durante dois anos, nunca escondeu que queria ganhar.

Numa Volta a Portugal que se resumiu muito à etapa da Senhora da Graça, a W52-FC Porto fez o que tem feito há oito anos. Domina e até tem novamente dois ciclistas que podem ganhar.

© João Fonseca Photographer
A Efapel abdicou de um ataque de Joni Brandão na Arrábida, que provavelmente pouco resultado teria, para levar António Carvalho a uma vitória de etapa que merecia. O ciclista apresentou-se forte desde o início da corrida, mas acabou a sacrificar-se por Brandão. A Efapel perdeu a Volta na Senhora da Graça e ainda não foi desta que conseguiu contrariar a W52-FC Porto, mas Carvalho, um antigo ciclista da equipa do Sobrado, foi a Setúbal conquistar a etapa, ele que em 2019 havia vencido na Senhora da Graça. 
Não se pode dizer que serve de compensação para a equipa, mas sim de prémio para o ciclista.

Entre a Ribeira das Naus e a Praça do Comércio, a Volta chegará ao fim, com pouco para contar, mas ainda com Veloso a querer reescrever uma história que Amaro espera estar perto de ter um final feliz e assim levar a taça novamente para o Algarve, tal como João Rodrigues em 2019.

De salientar que na última etapa em linha (Loures-Setúbal, 161 quilómetros), Luís Gomes foi para a fuga, somando mais do que os pontos que precisava para garantir a camisola vermelha. Só um o separava de Daniel McLay (Arkéa Samsic), mas o britânico já estava satisfeito com as duas vitórias de etapa. Para a Kelly-Simoldes-UDO é mais um objectivo alcançado, depois do mesmo ciclista ter ganho a tirada que terminou no Alto de Santa Luzia, em Viana do Castelo.

Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista) já tinha garantida a camisola da montanha, numa conquista muito importante para um jovem de apenas 23 anos.

Classificações completas, via FirstCycling.




3 de outubro de 2020

Uma segunda categoria para uma última tentativa

© João Fonseca Photographer
A Arrábida é a última oportunidade de montanha para quem procura um derradeiro ataque à camisola amarela na Volta a Portugal. São apenas 6,5 quilómetros, com a meta a ficar a menos de 20 quilómetros. Para Amaro Antunes e a W52-FC Porto será preciso atenção para evitar percalços, pois não é uma subida que cause problemas ao camisola amarela, mesmo que Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel) esteja a apenas 13 segundos.

A Volta a Portugal aproxima-se de Lisboa, onde segunda-feira haverá o contra-relógio final. Em Torres Vedras, a história da etapa resumiu-se ao sprint final, mas entre Loures e Setúbal, a Arrábida será uma última dificuldade. Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista) já tem a camisola da montanha segura, pelo que o maior interesse estará em perceber se haverá uma derradeira tentativa de reduzir vantagens na geral.

João Benta (Rádio Popular-Boavista) está a 1:27 e Joni Brandão (Efapel) a 1:37. A missão tem contornos de impossível, mas será que alguém já atirou a toalha ao chão? A distância é grande e o objectivo poderá passar mais por tentar a presença no pódio.

No último degrau está Gustavo Veloso, companheiro de Amaro Antunes, a 1:13. É um ciclista forte no contra-relógio e que mostrou que aos 40 anos ao vencer o pódio, não pode ser afastado da luta quando, em Lisboa, será uma etapa de cada um por si.




Mas antes haverá Loures-Setúbal este domingo. 165 quilómetros para cumprir. É uma tirada ao jeito de ciclistas como Daniel Mestre (W52-FC Porto) ou Daniel Freitas (Miranda-Mortágua), que está a realizar uma excelente corrida. Mas atenção a Luís Gomes. O corredor da Kelly-Simoldes-UDO perdeu a camisola vermelha dos pontos por apenas um, para o britânico Daniel McLay (Arkéa Samsic), que em Torres Vedras alcançou a segunda vitória consecutiva.

© João Fonseca Photographer
A etapa deste domingo assenta melhor a Luís Gomes, devido à segunda categoria. Tudo dependerá se McLay consegue e estará interessado em manter a camisola vermelha, cujo vencedor fica decidido na sétima etapa.

A homenagem

Em Torres Vedras é obrigatória a paragem junto à estátua de Joaquim Agostinho. A tirada que percorreu a zona Oeste (155 quilómetros que começaram na Caldas da Rainha), foi uma de homenagem ao ciclista, pois há 50 anos venceu a sua primeira Volta a Portugal, de três. A esposa de Agostinho esteve no pódio final e recebeu uma das maiores ovações do dia.

Classificações completas, via FirstCycling.


2 de outubro de 2020

Etapa normal ao sprint mas acidentada para Joni Brandão

© João Fonseca Photographer
Rumo a Lisboa bem rápido. A quinta etapa foi para sprinters, ainda que Joni Brandão tenha desviado algumas atenções. Na corrida tentou com António Carvalho uma fuga, antes soube que tinha sofrido uma penalização de 20 segundos e ainda sofreu uma queda ao ir ao pódio, correspondente à tirada da Torre. No final, ficou tudo na mesma na geral, com Daniel McLay a cumprir o objectivo que o trouxe à Volta a Portugal, ganhando uma etapa ao sprint.

Mas o dia começou com o momento insólito para o vencedor da etapa da Torre. Devido ao mau tempo na Serra da Estrela, o pódio ficou adiado para esta sexta-feira, antes da partida em Oliveira do Hospital (na fotografia). Brandão escorregou e caiu, sem consequências físicas. Aliás, mostrou isso quando na etapa que terminava em Águeda (176,3 quilómetros) atacou muito longe da meta, com António Carvalho. No entanto, Amaro Antunes (W52-FC Porto) estava atento e a tentativa heróica, ficou-se por isso mesmo, uma tentativa.

O líder da Efapel quis responder com um ataque à notícia que também ele foi alvo de uma penalização de 20 segundos por receber abastecimento dentro dos dez quilómetros finais na subida à Torre, algo que já não era permitido. Está agora a 1:37 minutos de Amaro Antunes. António Carvalho havia recebido a mesma sanção após a etapa, após visionar as imagens, os comissários viram que também Brandão tinha recebido um bidão e de manhã anunciaram a decisão. Os 20 segundos apenas são reflectidos na classificação geral e não na etapa. Início de dia atribulado para a Efapel.

© João Fonseca Photographer
Quanto à etapa, tudo acabou em Águeda, terra das bicicletas - é onde está uma importante indústria das duas rodas - como esperado. As equipas trabalharam para que não houvesse surpresas como em Viseu. A Arkéa Samsic, primeira classificada do ranking das ProTeam (segundo escalão) esteve sempre atenta, deixando outras equipas controlar durante a etapa, para assumir as rédeas na parte final e levar Daniel McLay à vitória. O britânico saiu frustrado de Viseu, ao ser segundo, agora cumpriu a missão.

Tudo na mesma com as classificações: Amaro Antunes (camisola amarela), Luís Gomes (camisola vermelha, dos pontos), Hugo Nunes (branca e vermelha, da montanha), Simon Carr (branca, da juventude) e W52-FC Porto lidera por equipas.

Classificações completas, via FirstCycling.

6ª etapa: Caldas da Rainha – Torres Vedras, 155 quilómetros



Depois de um dia típico de sprint, este sábado é muito possível que se repita. Porém, não será apenas mais uma etapa. Ir-se-á a Torres Vedras, terra de Joaquim Agostinho, no cinquentenário da sua primeira vitória (de três) da Volta a Portugal.

Em 1970, o ciclista já havia vencido etapas no Tour, já era uma referência do ciclismo nacional, mas faltava a Volta. Com Firmino Bernardino e Leonel Miranda a seu lado no Sporting, Agostinho triunfou numa corrida de 24 etapas! Na Edição Especial da Volta a Portugal, o seu feito será recordado. É dia de homenagem à grande referência do nosso ciclismo.

Os candidatos, se não houver surpresas, são os suspeitos do costume: Daniel McLay (Arkéa Samsic), César Martingil (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), João Matias (Aviludo-Louletano), Samuel Caldeira (W52-FC Porto), Leangel Linarez (Miranda-Mortágua) e Rafael Silva (Efapel).

Será um périplo pela zona Oeste. São Martinho do Porto, Salir do Porto, Foz do Arelho, Óbidos e Bombarral, por exemplo, fazem parte de um percurso que terá apenas uma quarta categoria em Alfeizerão, logo nos primeiros quilómetros, dos 155. Em Alcobaça, Cadaval e Santa Cruz estão instaladas as metas volantes.

»»Dia de Joni Brandão mas nem o frio quebrou Amaro Antunes««

»»Uma Torre de gelo à espera pelotão««

1 de outubro de 2020

Dia de Joni Brandão mas nem o frio quebrou Amaro Antunes

© João Fonseca Photographer
Era necessário responder à W52-FC Porto depois do mau dia na Senhora da Graça. A Efapel não teve muito tempo para ponderar uma táctica que recolocasse Joni Brandão mais próximo, pois apenas dois dias separaram as duas etapas mais importantes. Não haveria outra hipótese senão atacar. A questão era quando e como preparar essa movimentação. António Carvalho juntou-se ao companheiro para, à vez, tentar quebrar uma W52-FC Porto que teve João Rodrigues como elemento essencial na protecção a Amaro Antunes.

Sem grande surpresa, as decisões entre os candidatos ficaram para a subida final, os 20 quilómetros da única categoria especial da Volta a Portugal, depois das Penhas Douradas (segunda categoria) e Sarzedo (terceira). Nos 148 quilómetros que começaram na Guarda, Frederico Figueiredo não pode ficar em segundo plano. Repetiu a boa exibição, da Senhora da Graça. E se a amarela ficou mais difícil, pois Amaro não falhou, o ciclista da Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel mantém-se no segundo lugar.


Mas o dia pertence a Joni Brandão. A tentativa de ganhar mais tempo não resultou, foram apenas três segundos. Porém, ganhar na Torre é sempre especial e para a equipa teve ainda outro significado. Luís Mendonça saiu da Volta devido ao estado de saúde do pai e a Efapel queria dedicar uma etapa ao ciclista. Com o frio (e estava mesmo muito frio na Torre, com a cerimónia do pódio a ser adiada para esta sexta-feira antes do arranque da etapa), com o vento forte, nevoeiro, foi daqueles dias que marcam uma corrida e certamente marcará a carreira de Brandão.

© João Fonseca Photographer
Porém, ganhar a Volta está muito complicado depois da Senhora da Graça. A Efapel é colectivamente a equipa que mais se aproxima da W52-FC Porto, mas nesta luta particular e apesar dos ataques e contra-ataques, é mais um ano em que a equipa azul e branca tem sempre solução para anular os rivais. O vencedor da Volta de 2019 é desta feita o gregário que fez Amaro ficar perto da conquista final. Nem com dois ciclistas a Efapel conseguiu quebrar a W52-FC Porto, que está novamente a dominar e, mesmo com algarvio de amarelo, continua a ter outra possível aposta.

Gustavo Veloso tem estado muito bem. Já sofreu uma grande derrota na Torre, mas desta feita, terminou junto de Amaro Antunes e com 1:13 de desvantagem para o companheiro, o facto de ser mais forte no contra-relógio, não é ciclista para se afastar da luta pela vitória. Afinal, não será inédito ver dois atletas da W52-FC Porto lutarem pela conquista da Volta.

Lisboa 2016. Veloso tentou tirar a amarela a Rui Vinhas, que fez o contra-relógio de uma vida para conseguir uma vitória surpreendente, para quem tinha o papel de gregário. 2020 marca o regresso à capital, com mais um final em contra-relógio.

Com três etapas em linha antes, já não haverá alta montanha para Frederico Figueiredo (está a 13 segundos) e Joni Brandão (a 1:17 minutos). Há que mudar a táctica, pois tanto na tirada de sexta-feira (ver em baixo), como na de sábado, que termina em Torres Vedras, o terreno e o possível vento, pode ainda mexer com a corrida.

© João Fonseca Photographer
De certa forma, começa uma outra Volta, com Rúben Pereira e Vidal Fitas, directores desportivos da Efapel e Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel, respectivamente, a terem de repensar estratégias. E se querem ainda atacar a amarela, há que arriscar, há que tentar algo. No contra-relógio estes dois ciclistas e Amaro são muito idênticos, não sendo a especialidade de nenhum, ao contrário de Veloso (está a 1:13).

Amaro está bem encaminhado para a sua primeira Volta a Portugal, oitava consecutiva da equipa, mas ainda não é tempo de celebrar. A W52-FC Porto vai continuar o seu trabalho de controlo, mas sabe que não terá dias de descanso até ao contra-relógio.

Classificações completas, via FirstCycling. António Carvalho foi penalizado em 20 segundos por ter recebido abastecimento dentro dos 10 quilómetros finais. Mais penalizações poderão ser conhecidas amanhã, com os comissários a estarem a rever imagens para perceber se mais alguém desrespeitou o regulamento.

As camisolas mantiveram-se em Luís Gomes (pontos), Hugo Nunes (montanha), Simon Carr (juventude) e a W52-FC Porto lidera colectivamente.

5ª etapa: Oliveira do Hospital – Águeda, 176,3 quilómetros



É dia de regressar à capital das bicicletas. Desde 2001 que Águeda não recebe a corrida, então com italiano Salvatore Commesso a ganhar. O Grande Prémio Abimota tem esta cidade como palco e se recuarmos a 2007, no Grande Prémio CTT Correios de Portugal, temos um ciclista vencedor em Águeda e que agora está na caravana como director desportivo da Nippo Delko One Provence: José Azevedo.

Azevedo não era sprinter, mas esta sexta-feira, a expectativa é de uma chegada para os homens mais rápidos, que saíram frustrados de Viseu. Oier Lazkano (Caja Rural) conseguiu manter-se isolado à frente do pelotão, numa etapa que teve mais dificuldades do que terá a desta quinta-feira.

Celavisa e Espinheira são duas quartas categorias e apesar de algum sobe e desce na primeira metade da etapa, os últimos 70 quilómetros serão maioritariamente planos.

»»Uma Torre de gelo à espera««

»»Amaro está de volta««