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30 de dezembro de 2019

Mais um ano de vitórias, uma nova figura central, mas um 2020 a começar com uma preocupação

(© João Fonseca Photographer)
A nível interno foi um ano habitual para a W52-FC Porto. Ou seja, soma vitórias durante todo o ano, com diferentes ciclistas e termina a ganhar a Volta a Portugal. A novidade chamou-se João Rodrigues, que aproveitou a oportunidade para se tornar numa das figuras do ciclismo nacional. Há um ano foi o gregário de luxo de Raúl Alarcón, em 2019 foi ele o dono da camisola amarela na Volta. Porém, sendo Profissional Continental, olhava-se para a W52-FC Porto com outra responsabilidade a nível internacional. Somou alguns top dez, mas não será aposta para continuar.

Apesar da subida de escalão, o director desportivo Nuno Ribeiro deixou sempre bem claro que os objectivos internos mantinham-se inalterados. E mais uma vez esta W52-FC Porto demonstrou todo o seu poderio, reforçado por ser Profissional Continental. Plantel maior e reforçado com referências das equipas rivais, como Daniel Mestre e Edgar Pinto (Efapel e Vito-Feirense, respectivamente), recuperando Joaquim Silva e Rafael Reis (estavam na Caja Rural) e começando o trabalho com dois jovens da Miranda-Mortágua, Jorge Magalhães e Francisco Campos.

É este lado de desenvolver jovens da W52-FC Porto que se tem de falar dado o sucesso de João Rodrigues. Está desde 2016 na equipa, tem apenas 25 anos e foi sendo preparado precisamente para o momento que viveu em Agosto, numa Avenida dos Aliados com um ambiente sensacional para consagrar o vencedor da Volta a Portugal. O plano inicial era ser aposta no início da temporada, para ser testado no papel de líder. Ganhou a Volta ao Alentejo, tendo no contra-relógio alcançado a sua primeira vitória como profissional.

A Volta era para Raúl Alarcón, que ia procurar a terceira conquista. Caiu no Grande Prémio Abimota, partiu a clavícula e ficou de fora. Gustavo Veloso foi chamado para substituir e há muito que não se via o espanhol àquele nível. Mas era a Volta de Rodrigues, que não se assustou com um Joni Brandão (Efapel) forte. O colectivo da W52-FC Porto voltou a fazer a diferença e no final, quando tudo dependia só dele, Rodrigues fez valer toda a sua preparação nos últimos dois anos para se tornar num bom contra-relogista. António Carvalho, Ricardo Mestre, Daniel Mestre (vencedor da classificação dos pontos), Edgar Pinto e um Samuel Caldeira que foi uma autêntica locomotiva a puxar o pelotão em muitas etapas, controlaram a corrida. A equipa venceu ainda cinco etapas, incluindo na Serra da Estrela e na Senhora da Graça!

Mas há que dar valor a toda a temporada. 18 vitórias (etapas, clássicas e classificações gerais), ao que se junta mais 15 classificações como montanha, pontos e por equipas. Ganharam os mais experientes - Ricardo Mestre conquistou o Grande Prémio Jornal de Notícias, por exemplo -, ganharam os mais novos, com Francisco Campos a fechar o ano a vencer a Rota da Filigrana, a nova corrida do calendário nacional, depois de já ter ser o mais forte no Grande Prémio Anicolor.

Lá fora, Edgar Pinto foi a principal escolha. Já tem experiência após dois anos na Skydive Dubai e em 2018, já no Feirense, venceu a Volta à Comunidade de Madrid. Este ano venceu uma etapa nas Astúrias e foi quinto na Volta à Turquia, uma corrida World Tour. Já na recta final da temporada, Joaquim Silva foi à China ser sétimo, depois de ter sido 10º no Luxemburgo.

No entanto, esta aposta na subida de escalão não compensou o esforço financeiro dos patrocinadores. Em algumas corridas lá fora, principalmente por Espanha, a W52-FC Porto esteve um pouco aquém do valor que tinha. A equipa estará de regresso ao nível Continental em 2020. Esta situação levou ciclistas como Joaquim Silva (Miranda-Mortágua), Rafael Reis (Feirense) e António Carvalho (Efapel) a mudarem de ares, à procura de mais liberdade para alcançar os seus resultados, já que não haverá tantas corridas para dividir lideranças. César Fonte também está de saída para a Efapel.

Nada que preocupe em demasia Nuno Ribeiro, que recuperou Amaro Antunes, de regresso após dois anos na CCC. Vai partilhar estatuto de líder com João Rodrigues, depois de ter feito uma dupla imbatível com Alarcón. Um desafio interessante. De um lado um Rodrigues vencedor da Volta e que quer mais de forma a ambicionar chegar a uma equipa World Tour, do outro um Amaro à procura de repetir o fabuloso ano de 2017.

Mas a maior preocupação não será conjugar estes dois ciclistas, mas sim lidar com uma indefinição chamada Alarcón. O espanhol está suspenso provisoriamente por suspeita de "uso de métodos proibidos e/ou substâncias proibidas", segundo a UCI. Não só a W52-FC Porto não sabe se poderá contar com Alarcón em 2020, como se o pior acontecer e o ciclista for sancionado, uma das dúvidas é se as irregularidades abrangem as duas Voltas a Portugal que venceu.

Será impossível afastar o fantasma que esta situação trará à equipa até que o caso seja concluído. Entretanto, além de Amaro Antunes, foi anunciado como reforço José Mendes. O campeão nacional vai deixar o Sporting-Tavira para vestir de azul e branco, mas terá um papel mais de apoio aos líderes, diferente do que aconteceu na formação algarvia. O espanhol Raúl Rico, que em Junho assinou pela Vito-Feirense-PNB, também é dado como ciclista da formação do Sobrado em 2020.

A equipa continuará forte naquele que será o ano de despedida de Gustavo Veloso, mas a Efapel está a tentar aproximar-se do nível da rival. O projecto de ser Profissional Continental foi curto, mas não restam dúvidas que para 2020, mesmo com as saídas e a dúvida sobre Alarcón, a W52-FC Porto será novamente a equipa que todos quererão bater e não será fácil.

Veja neste link todas as vitórias da W52-FC Porto e das restantes equipas portuguesas de elite.

Equipa para 2020: João Rodrigues, Rui Vinhas, Edgar Pinto, Samuel Caldeira, Daniel Mestre, Ricardo Mestre, Francisco Campos, Jorge Magalhães, Raúl Alarcón, Gustavo Veloso, Tiago Ferreira, Amaro Antunes (CCC), José Mendes (Sporting-Tavira), Raúl Rico (Vito-Feirense-PNB).


»»João Matias destacou-se numa época difícil do Feirense, mas com jovens ciclistas a mostrarem-se««

»»O momento de Frederico Figueiredo na nova fase do Tavira««

22 de outubro de 2019

Raúl Alarcón: "Estou inocente e que não pratiquei qualquer infracção"

Um dia depois de ser conhecida a sua suspensão provisória por parte da UCI, Raúl Alarcón reagiu num comunicado partilhado na sua conta de Facebook. O ciclista da W52-FC Porto garantiu que não cometeu qualquer violação das regras de anti-doping e que tem provas que demonstram isso mesmo.

A UCI colocou ontem o espanhol na lista de corredores suspensos provisoriamente, por suspeita de "uso de métodos proibidos e/ou substâncias proibidas". O organismo não adiantou mais nenhuma explicação até ao momento. Já Alarcón confirmou que recebeu na segunda-feira de manhã a notificação da UCI. "Tenho em meu poder pareceres médicos absolutamente concludentes no sentido de que não existiu nenhuma violação pela minha parte a normas anti-dopagem", lê-se no comunicado.

Alarcón afirmou ainda que vai lutar para demonstrar a sua inocência, para que possa ficar livre para competir: "Vou, por isso, tentar, com todas as minhas forças, demonstrar no processo que me é levantado que estou inocente e que não pratiquei qualquer infracção."

O ciclista de 33 anos venceu a Volta a Portugal em 2017 e 2018, mas ficou de fora na última edição devido a uma lesão. Alarcón caiu no Grande Prémio Abimota, fracturando a clavícula e não recuperou a tempo de tentar a terceira conquista na Volta.

Aqui fica o comunicado na íntegra.


»»Raúl Alarcón suspenso provisoriamente««

»»W52-FC Porto não pediu licença para permanecer no segundo escalão««

21 de outubro de 2019

Raúl Alarcón suspenso provisoriamente

Raúl Alarcón foi suspenso provisoriamente pela União Ciclista Internacional. O nome do espanhol da W52-FC Porto surge na lista divulgada pelo organismo, mas não são explicados muitos pormenores. Apenas se lê que a suspensão se deve ao "uso de métodos proibidos e/ou substâncias proibidas".

A situação poderá estar relacionada com o passaporte biológico, mas será necessário aguardar por mais explicações por parte da UCI, da equipa ou do ciclista, para se perceber melhor o caso e, principalmente a quando se referem as suspeitas que levaram à suspensão.

O espanhol de 33 anos venceu as edições da Volta a Portugal em 2017 e 2018, falhando a última edição, depois de fracturar a clavícula numa queda no Grande Prémio Abimota, cerca de um mês antes do início da Volta. Alarcón ainda alimentou a esperança de recuperar a tempo, mas acabou por ficar de fora das escolhas da W52-FC Porto, com o compatriota Gustavo Veloso a preencher a vaga. Qualquer resultado que tenha sido alcançado antes da eventual anomalia detectada, não ficará em causa.

Um jovem Alarcón estreou-se há 12 anos no World Tour pela Saunier-Duval, mas duas temporadas depois, o espanhol entrou numa espiral descendente, que culminou no regresso ao estatuto de amador. Em 2011, a então Barbot-Efapel recuperou o ciclista e em Portugal, Alarcón reencontrou a alegria de competir. Passou pelo Louletano, antes de em 2015 integrar a que é actualmente a W52-FC Porto. Sob as ordens de Nuno Ribeiro, Alarcón acabaria por mostrar algum do potencial que o levou tão cedo ao topo do ciclismo mundial. Conseguiu tornar-se num dos líderes da equipa e conquistou as vitórias mais importantes da sua carreira.

2019 foi um ano abaixo das expectativas, mas Alarcón tem agora o futuro em suspenso até resolver esta situação de suspeita de doping. Em baixo, a lista divulgada pela UCI, dando conta dos ciclistas que estão suspensos provisoriamente, actualizada esta segunda-feira.



»»W52-FC Porto não pediu licença para permanecer no segundo escalão««

2 de agosto de 2019

Terminou a longa espera de Gustavo Veloso

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Esperou quatro anos, mas Gustavo Veloso vestiu novamente a camisola amarela na Volta a Portugal. A última vez havia sido a 9 de Agosto de 2015, quando, em Lisboa, celebrou a sua segunda conquista. Parecia que dificilmente não chegaria ao terceiro triunfo, mas um companheiro de equipa surpreendeu tudo e todos, inclusivamente ele próprio, para alcançar a vitória de uma vida. Rui Vinhas venceu em 2016 frente a um Veloso muito pouco satisfeito por ter ficado em segundo. O espanhol não mais apareceria àquele nível e no ano passado foi mesmo uma Volta penosa para o outrora temido ciclista, bom a subir e excelente no contra-relógio.

A W52-FC Porto puxou Raúl Alarcón para a liderança, com o sucesso que se conhece: duas vitórias, tal como Veloso. No ano em que parecia que finalmente o eterno capitão ficaria de fora, aos 39 anos foi chamado para herdar o dorsal 1 de um Alarcón ausente por lesão. O que fez Veloso? Ficou a centésimas de ganhar o prólogo e ao terceiro dia vestiu uma camisola que conhece tão bem.

Gustavo Veloso recusa atribuir o estatuto de grande candidato a si próprio. Aliás, nem dá a ninguém da equipa, mantendo o discurso adoptado da W52-FC Porto em passar toda a responsabilidade para Joni Brandão.

Samuel Caldeira, o antigo detentor da camisola, cedo deu mostras que o seu reinado estava a chegar ao fim. Foi dos que mais trabalhou na W52-FC Porto até a Efapel de Brandão tomar conta das operações. Aquele final não era para Caldeira, pelo que era a oportunidade de Veloso mostrar que não está na Volta para ficar em segundo plano.

Há dois anos claudicou na etapa da Torre. Em 2018 passou ao lado da corrida, dando ajuda quando podia, mas foi uma sombra do ciclista que se conhece. Perante o plantel com tanta qualidade, no qual qualquer dos ciclistas muito provavelmente estaria na Volta a Portugal se estivesse noutra equipa, Veloso ficar de fora dos convocados não era nada de inesperado. Contudo, pode já não ser um jovem ciclista, mas aí está Veloso de volta à ribalta, comprovando que a forma mostrada no Troféu Joaquim Agostinho - ganhou uma etapa - não foi um acaso.

Samuel Caldeira liderou durante muitos quilómetros o pelotão
(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Era este Veloso que a W52-FC Porto precisava perante a perda de Alarcón. Este fim-de-semana ficará já respondido se será ciclista para discutir a Volta ou se irá ajudar algum companheiro, mas estando na liderança contribuiu para aumentar dúvida entre os adversários. Afinal para quem devem olhar? João Rodrigues e António Carvalho podem ter perdido uns segundos - cinco e sete para Veloso - devido a mais uma queda perto da meta, mas todos eles estão no top dez e na discussão, juntamente com Edgar Pinto.

Esta táctica de esconder o jogo da W52-FC Porto está a dar um ponto de interesse extra à Volta a Portugal. A etapa da Torre, no domingo, promete...

Já Tiago Machado não pode dizer o mesmo quanto a não ficar preocupado com segundos perdidos. O líder do Sporting-Tavira deixou escapar 20 segundos para o vencedor da etapa, 17 para o primeiro grupo de candidatos, o que se traduz em 43 segundos para Veloso na geral. Nada de assustador, é certo, mas não estaria nos planos.

Esta perda de tempo se não for compensada na Torre, poderá significar que é outro veterano a chegar-se à frente para assumir o papel de destaque. Alejandro Marque esteve bem no prólogo e evitou os problemas da queda na chegada a Santo António dos Cavaleiros, cortando a meta com Veloso, Brandão e Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano). São apenas 11 segundos a separá-lo da amarela, ele que também a conhece muito bem, já que venceu a Volta em 2013.

De referir que nesta etapa não se aplicava a regra dos três quilómetros como aconteceu em Leiria, por a meta ser numa subida categorizada. Por isso, foram contabilizados os cortes.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Euskadi-Murias adora Portugal

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Em seis vitórias esta temporada, a equipa basca conquistou cinco em Portugal. Enrique Sanz tem sido o abono de família, mas Mikel Aristi juntou finalmente um nome diferente à lista de vencedores. Sanz venceu três etapas na Volta ao Alentejo, uma no Troféu Joaquim Agostinho e ainda alcançou o único triunfo da Euskadi-Murias em Espanha, na terceira etapa da Volta a Castela e Leão.

O sprinter não está na Volta a Portugal - talvez a pensar numa Volta a Espanha -, mas isso não significa que a equipa não tenha vindo com intenções de vencer. O final de etapa mais longa da Volta - 198,5 quilómetros entre a Marinha Grande e Santo António dos Cavaleiros - eram 1400 metros com uma pendente média de 8%. Parecia estar a chamar por Luís Mendonça, que respondeu a esse apelo.

Depois de ter ficado envolvido na queda da primeira etapa, Mendonça apareceu com vontade de vencer e estava já a distanciar-se na frente quando se deu nova caída perto do fim. Desta feita nem deu por ela. A meta estava a 25 metros de distância, quando num ímpeto final, Mikel Aristi ultrapassou o ciclista da Rádio Popular-Boavista. Ainda não foi desta que Mendonça conquistou a sua tão desejada etapa na Volta.

Foi a segunda vitória na carreira do ciclista basco, de 26 anos, depois de vencer a primeira etapa da Tropicale Amissa Bongo há dois anos, ao serviço da francesa Delko Marseille Provence KTM. Em 2018, a Euskadi-Murias já havia ganho na Volta a Portugal, por intermédio de Enrique Sanz, pois claro! Agora o objectivo está bem definido: ganha a primeira etapa, é para repetir e se possível já este sábado. A equipa basca Profissional Continental viu ainda Urko Berrade vestir a camisola branca, de líder da juventude.

3ª etapa: Santarém - Castelo Branco, 194,1 km



Mais um dia longo e que vai servir para "aquecer motores" para a subida à Torre no domingo, no dia que marcará um muito desejado regresso de uma chegada ao ponto mais alto de Portugal Continental.

As subida de terceira e quarta categoria não deverão evitar uma discussão ao sprint. Porém, a chegada a Castelo Branco é técnica e já tem criado dissabores no passado a alguns ciclistas. Tendo em conta que em duas etapas em linha houve duas quedas na aproximação à meta, haverá atenção máxima por parte de todos, pois ninguém quer partir para a difícil etapa de domingo com marcas de queda.

A partida será às 12:45 na Avenida D. Afonso Henriques (Campo Emílio Infante da Câmara), com a chegada prevista às 17:30, na Avenida Nuno Álvares.

»»Regressou após quatro anos de suspensão e agradeceu à equipa com vitória em Leiria««

»»Um susto para a Efapel««

29 de julho de 2019

Raúl Alarcón de fora na W52-FC Porto. Luís Mendonça entra na lista da Rádio Popular-Boavista

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A W52-FC Porto deverá partir para a Volta a Portugal sem o vencedor das últimas duas edições. Raúl Alarcón não terá recuperado da lesão na clavícula e não terá assim a oportunidade de procurar o tri. No seu lugar entrará outro antigo vencedor, também por duas vezes: Gustavo Veloso. Apesar de, aos 39 anos, continuar a ser uma voz de comando na equipa, o espanhol não será o candidato à liderança. Edgar Pinto e João Rodrigues são os mais prováveis a ficar com o estatuto. Mas se há equipa cuja dor de cabeça não é a falta de bons líderes e manter um colectivo fortíssimo, é esta W52-FC Porto.

A ausência do espanhol ainda não foi confirmada oficialmente. O Jogo, JN e RTP avançaram com a notícia e no Facebook da Volta a Portugal foi colocada uma fotografia do ciclista com a frase: "Vamos ter saudades. As melhoras @r86.alarcon." Alarcón caiu durante o Grande Prémio Abimota, há cerca de cinco semanas, e fracturou a clavícula. Não ficou excluída a participação na Volta, mas o corredor de 33 anos sabia que estava num autêntico contra-relógio para não só recuperar da lesão, mas estar em condições físicas de disputar uma exigente Volta a Portugal. Alarcón até tinha prevista a participação na clássica do seu país Villafranca-Ordizia, na última quinta-feira, mas não competiu por não estar a 100%.

Esta terça-feira é dia de apresentação das equipas em Viseu, onde na quarta-feira arranca a 81ª edição da corrida mais ambicionada pelas equipas portuguesas. Mesmo que se confirme a ausência de Alarcón, a W52-FC Porto continua a partir como a favorita para conquistar a sétima vitória consecutiva. João Rodrigues tem apenas 24 anos, mas já demonstrou ser dono de uma maturidade que o coloca como um dos principais membros da estrutura do Sobrado. Começou a época com a oportunidade de liderar e na Volta ao Alentejo confirmou todo o seu potencial para a alta responsabilidade. Venceu a geral, depois de vestir a amarela no contra-relógio que ganhou.

O algarvio tem feito um trabalho de evolução na equipa, precisamente a pensar em assumir o papel de líder na Volta. E poderá ser já. Há um ano foi uma das revelações, ou talvez seja mais correcto dizer, uma das confirmações. Começou discreto para aparecer na fase mais importante da corrida, sendo decisivo para a vitória de Alarcón. Foi um gregário de luxo a mostrar que poderia ser mais no futuro próximo.

Edgar Pinto tem do seu lado a experiência. Aos 33 anos sabe bem o que é ser um líder na Volta a Portugal (e não só) e quando consegue afastar os azares, apresentando-se em boa forma é sempre um ciclista capaz de alcançar bons resultados. Trocou a Vito-Feirense-BlackJack pela equipa mais forte do pelotão nacional e terá assim acesso a um apoio que não teve há um ano.

O ciclista alcançou um importante quinto lugar na Volta à Turquia, em Abril, e no último teste para a Volta, no Troféu Joaquim Agostinho, foi 12º, depois do nono lugar nos Nacionais em Melgaço. Edgar Pinto nunca escondeu que o seu sonho era ganhar uma Volta e pode estar perante uma oportunidade única para lutar com condições que o colocam como forte candidato.

Mas a W52-FC Porto tem mais alternativas. Ricardo Mestre é mais um antigo vencedor da Volta e tem realizado uma época positiva, tendo ganho o Grande Prémio Jornal de Notícias. António Carvalho nem sempre prima pela regularidade nas suas exibições, mas se se apresentar ao nível de há dois anos, pode ser mais uma alternativa, se se apresentar a oportunidade Qualquer um pode ser líder e qualquer um é um excelente homem de trabalho numa equipa que se dá ao luxo de deixar de fora Rui Vinhas e Joaquim Silva, por exemplo.

Vinhas regressou há pouco tempo à competição após uma curta suspensão, devido um controlo anti-doping na última Volta ter detectado a substância betametasona. O ciclista venceu uma etapa no Troféu Joaquim Agostinho, mas ficou de fora das escolhas do director desportivo Nuno Ribeiro para a Volta que venceu em 2016. Já Joaquim Silva foi o escolhido para liderar a equipa na viagem à China, tendo terminado a Volta ao Lago Qinghai no sétimo lugar, corrida ganha pelo colombiano Robinson Chalapud, que estará em Portugal com a formação Medellin.

A W52-FC Porto terá ainda Daniel Mestre e Samuel Caldeira, dois ciclistas que vão procurar vitórias de etapas.

Luís Mendonça respira de alívio e vai à Volta a Portugal

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
O ciclista da Rádio Popular-Boavista foi suspenso preventivamente no final de Maio por ter acusado a mesma substância de Rui Vinhas. Tanto Luís Mendonça, como a equipa, explicaram que tal se deveu a uma lesão no joelho e que não havia qualquer irregularidade em causa.

Uma possível demora na investigação colocou em risco a presença numa Volta a Portugal em que Luís Mendonça tem estado a pensar desde o início do ano, mas a resolução do processo deu-se a tempo de ser inscrito. "São situações que nos podem custar uma carreira desportiva, onde se não formos fortes facilmente deitamos a toalha ao chão e tudo acaba", escreveu há uns dias na sua página de Facebook. "Foi um momento terrível de ser vivido, mas como se costuma dizer, o que não nos mata torna-nos mais fortes", acrescentou, salientando que sempre acreditou que se faria justiça.

Mendonça deixou a Aviludo-Louletano para ter um papel de maior liberdade na Rádio Popular-Boavista e vai à Volta focado em lutar por etapas, depois de uma temporada em que soma três conquistas: Taça de Portugal e uma etapa e geral do Troféu O Jogo.

Para a equipa de José Santos é igualmente um alívio, pois Luís Mendonça foi contratado precisamente para ir atrás de vitórias, preenchendo o lugar deixado por Domingos Gonçalves, que regressou à Caja Rural e que em 2018 venceu uma tirada na Volta.

No entanto, a equipa terá ainda João Benta para lutar por um lugar na geral, com Daniel Silva a ser outro corredor importante para a montanha. Afonso Silva foi o ciclista "sacrificado" para dar lugar a Mendonça na Volta.

Equipa: João Benta, David Rodrigues, Luís Gomes, Hugo Nunes, Daniel Silva, Luís Mendonça e Pablo Guerrero.


24 de junho de 2019

Confirmada lesão de Raúl Alarcón mas Volta a Portugal não está excluída

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Num curto texto publicado no Facebook, a W52-FC Porto confirmou que Raúl Alarcón foi submetido a uma intervenção cirúrgica após a queda no domingo, no Grande Prémio Abimota. O espanhol fracturou a clavícula, mas a equipa não adiantou o tempo de recuperação. Não é impossível que possa estar presente na Volta a Portugal, mas será um contra-relógio para se apresentar em forma.

Esta é uma das lesões mais comuns entre os ciclistas e são vários os exemplos dos que em pouco tempo regressaram à competição. Egan Bernal é o mais recente. Fracturou a clavícula no início de Maio e ficou afastado do Giro, mas em cerca de duas semanas já estava a treinar e menos de dois meses depois da queda, venceu a Volta à Suíça.

Recuperar de uma fractura como esta pode demorar dois a três meses até estar novamente a 100%. No entanto, como se viu em Bernal, o tempo pode ser reduzido, dependendo também do tipo de lesão. Pelo menos nas duas primeiras semanas é recomendada a imobilização, ainda que se possa realizar simples tarefas. Andar de bicicleta não é uma delas.

Participar na Volta a Portugal é possível, mas irá levantar-se a questão em que forma estará Alarcón. Tem sido uma época relativamente discreta para o espanhol de 33 anos, com a aposta numa terceira vitória consecutiva na Volta a ser o principal objectivo, para não dizer único. A queda poderá obrigar o director desportivo Nuno Ribeiro a pensar num plano B. Tendo em conta a qualidade do plantel, nem é uma dor de cabeça muito grande.

João Rodrigues poderá ter a oportunidade mais cedo do que o esperado. A sua evolução na equipa está a ser pensada para que seja um futuro líder. Este ano respondeu muito bem quando foi chamado a assumir a responsabilidade, conquistando a Volta ao Alentejo. Pode ter apenas 24 anos, mas a sua maturidade já lhe confere estatuto na W52-FC Porto e depois há que contar que terá uma equipa muito experiente a ajudá-lo. Tem também a seu favor ser forte no contra-relógio e na Volta há um a abrir e um a fechar.

Outro forte candidato é Edgar Pinto. Chegou esta época à W52-FC Porto, oriundo da Vito-Feirense-BlackJack, tendo no currículo duas temporadas na Sky Dive Dubai. Aos 33 anos, o que não falta a Edgar Pinto é experiência, mas tem faltado sorte. Ainda assim, no ano passado parece ter afastado os azares - que se mostraram muito através de quedas, algumas graves, como na Volta de 2017 - e ficou à porta do pódio na Volta a Portugal. Trepador por excelência, o ciclista esteve muito bem na Volta à Turquia, corrida World Tour, sendo quinto na geral.

Se não há dúvidas que como gregário na W52-FC Porto seria um de luxo, como líder também dá garantias e, se for eleito como líder, terá a oportunidade por que tanto esperou: lutar pela Volta a Portugal numa equipa fortíssima e que não tem tido rival nos últimos anos.

Ricardo Mestre também é uma solução. Tem 35 anos e sabe o que é vencer a Volta a Portugal. Fê-lo em 2011 com a camisola do Tavira. Chegou à W52-FC Porto em 2016 e rapidamente tornou-se num dos homens de confiança de Nuno Ribeiro, mesmo cedendo o papel de destaque para ser um ciclista de trabalho. Sabe agarrar as oportunidades que tem e não teria qualquer problema em assumir-se novamente como líder. Nunca é de mais recordar que Mestre esteve no World Tour, na Euskaltel-Euskadi, infelizmente apanhou a fase final da equipa basca (2013).

António Carvalho adoraria estar nessa posição de líder, mas desde a grande Volta a Portugal de 2017, que o ciclista de 29 anos não tem conseguido repetir as exibições. A equipa conta com mais dois vencedores da corrida além de Mestre e Alarcón: Gustavo Veloso e Rui Vinhas. O primeiro está na recta final da carreira e aos 39 anos, vencer por uma terceira vez a Volta não parece já estar nos planos. Quanto a Vinhas, ainda se desconhece se estará na corrida, pois está a resolver a sua situação do resultado anómalo no teste anti-doping durante a Volta de 2018. Acusou betametasona, mas em causa poderão estar os medicamentos que tomou após a queda que o deixou muito mal tratado dias antes do controlo a que foi submetido.

»»W52-FC Porto em suspenso, Vito-Feirense-PNB aliviada, Efapel desiludida««

»»Américo Silva sai da Efapel««

23 de junho de 2019

W52-FC Porto em suspenso, Vito-Feirense-PNB aliviada, Efapel desiludida

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
O Grande Prémio Abimota terminou com emoções bem diferentes para várias equipas. A queda e ida ao hospital de Raúl Alarcón acaba por ser um dos principais destaques, tendo em conta a proximidade da Volta a Portugal. Na Efapel lamenta-se a perda de uma corrida na última etapa, numa altura em que mudou de director desportivo. Já na Vito-Feirense-PNB há razões para festejar. Tem sido uma temporada difícil, mas as duas vitórias de etapa dão à equipa de Joaquim Andrade uma dose extra de confiança muito bem-vinda.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Mas há que começar por referir o vencedor da 40ª edição da corrida de quatro etapas. Chama-se Gotzon Martin, é um espanhol de 23 anos da equipa Fundação Euskadi, que está a dar passos para tentar recuperar o prestígio da famosa Euskaltel-Euskadi, com Mikel Landa a ser o rosto do projecto basco. Martin teve dificuldades em acreditar no que conseguiu fazer. Entrou na fuga e foi segundo na etapa - 174,5 quilómetros entre Anadia e Águeda - em que começou a 15 segundos da liderança, acabando com 53 de vantagem sobre um desiludido Antonio Angulo.

Para o ciclista da Efapel teria sido um triunfo com uma importância acrescida numa fase de mudança. Américo Silva rescindiu por mútuo acordo após do Grande Prémio Jornal de Notícias, com Rúben Pereira a assumir o cargo, ajudado por José Augusto Silva, que chegou à equipa a pensar também na Volta a Portugal. Angulo venceu a terceira etapa, mas a geral escapou novamente à Efapel, tal como na corrida do Jornal de Notícias e também os Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela, ainda que nestes dois exemplos, não tenha chegado a liderar, mas ficou no pódio com Joni Brandão, muito perto de vencer.

A Efapel competiu apenas com cinco homens, o que não ajudou no controlo da corrida. Entre os ciclistas em estágio em altitude e Rafael Silva que competiu este domingo nos Jogos Europeus, Rúben Pereira apresentou-se com uma equipa reduzida e que está a adaptar-se a uma nova realidade, ainda que o agora director desportivo já fosse um homem da casa.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Pedro Andrade tornou-se numa das figuras da prova. Corredor de 19 anos, foi promovido esta temporada à equipa principal, depois de evoluir nos juniores. O jovem esteve em fuga com outro ciclista muito novo, João Barbosa (21 anos) e alcançou a sua primeira vitória de elite. Se para Pedro Andrade será um momento marcante na sua carreira, para a Vito-Feirense-PNB, o sucesso tem o condão para deixar a equipa mais tranquila. Os triunfos demoraram a chegar, mas João Matias - outro corredor que esteve nos Jogos Europeus, em Minsk - abriu a contagem na primeira etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias, Oscar Pelegrí venceu a segunda no Abimota e Pedro Andrade aumentou agora a contagem.

Com a saída de Edgar Pinto para a W52-FC Porto, a Vito-Feirense-PNB teve de alterar a sua forma de enfrentar as corridas e nestas duas últimas provas ficou bem claro como irá encarar as Volta a Portugal. Matias será homem para os sprints, com as fugas a serem apostas fortes na luta por vitórias de etapas, pensando muito pouco numa classificação geral.

Também a W52-FC Porto poderá ter de mudar estratégia, pelo menos no que diz respeito ao líder para a Volta. Ainda é prematuro afastar Raúl Alarcón, com o espanhol à espera dos resultados dos exames para saber como será o seu futuro próximo. Alarcón caiu e foi transportado para o hospital. O vencedor das últimas duas edições da Volta a Portugal poderá ter em risco a tentativa de lutar pela terceira, o que poderá levar o director desportivo Nuno Ribeiro a ter de eleger um novo líder, numa equipa que conta com opções muito fortes para esse lugar.

Nesta fase da temporada, já se está muito em modo de aprimorar pormenores para a Volta a Portugal. Mas há equipas que não estão com vida fácil. A Rádio Popular-Boavista é uma delas. Luís Mendonça está suspenso à espera de resolver a situação do controlo adverso que teve. E no Abimota, uma intoxicação alimentar levou ao abandono da maioria dos atletas. Só João Salgado e João Benta terminaram, com este último a ser 10º, a 1:28 minutos de Gotzon Martin.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Quanto às restantes classificações do Abimota, a Vito-Feirense-PNB subiu mais uma vez ao pódio como a melhor equipa. O classificação da montanha foi para uma equipa de clube, a Fortunna-Maia, através de Patrick Videira. Angulo ficou com a camisola dos pontos e Jorge Magalhães (W52-FC Porto) foi o melhor jovem. Rafael Lourenço (UD Oliveirense-InOutBuild) ficou com a camisola das Autarquias e David Ribeiro (LA Alumínios-LA Sport) com a das Bolinhas.

30 de abril de 2019

Clássica Aldeias do Xisto vai decidir Taça de Portugal

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Mudança de data, mas a expectativa de uma boa corrida mantém-se. A Clássica Aldeias do Xisto tem sempre a capacidade de fazer uma selecção de quem vai discutir a vitória, não facilitando se alguém franquejar. A terceira edição tem como novidade a realização a 1 de Maio e não em Março, estando novamente em disputa um outro troféu. Desta feita será a Taça de Portugal, com o vencedor a estar em aberto, até porque os líderes não vão estar presentes.

Serão 154 quilómetros, com as aldeias eleitas para receber a partida e chegada a serem a de Pedrógão Pequeno e de Gondramaz, respectivamente. O percurso tem um acumulado de subida de 2750 metros, incluindo quatro prémios de montanha: Sertã (quarta categoria, ao quilómetro 16,1), Portela do Gavião (terceira, ao quilómetro 63,6), Pampilhosa da Serra (segunda, ao quilómetro 80) e Gondramaz. Esta última, de segunda categoria, será coincidente com a meta, tendo 5,5 quilómetros e uma pendente média de 8,5%. Ou seja, tem os ingredientes certos para ataques.


Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) e Daniel Mestre (então na Efapel, agora ciclista da W52-FC Porto) foram os vencedores das duas primeiras edições. Porém, salvo alguma alteração de última hora - a lista oficial só será conhecida esta quarta-feira ao final da manhã -, nenhum dos ciclistas estará presente.

Além da vitória na Clássica Aldeias do Xisto, estará então em disputa a conquista da Taça de Portugal Jogos Santa Casa, pelo que será uma corrida duplamente importante, ainda mais tendo em conta que, das nove equipas portuguesas Continentais, só três já venceram em 2019: W52-FC Porto, Sporting-Tavira e Efapel. Nas duas primeiras edições, a corrida decidiu o Troféu Liberty Seguros, agora extinto.

Raúl Alarcón, da W52-FC Porto, é quem parte com alguma vantagem. Os dois líderes, Rui Oliveira e Jonathan Lastra não estarão presentes. O primeiro venceu a Prova de Abertura Região de Aveiro ao serviço da selecção, mas está actualmente a cumprir a época com a sua equipa World Tour, a UAE Team Emirates. Já o espanhol fica de fora, pois é a Caja Rural amadora que estará na corrida.

A Clássica Aldeias do Xisto deixou de ser uma prova de categoria internacional, como inicialmente previsto e como aconteceu nas duas primeiras edições. Pertence ao calendário nacional, o que faz com que as formações estrangeiras tenham de ser amadoras. Não haverá Lastra - venceu a Clássica da Arrábida -, mas será a oportunidade para ver dois jovens talentos portugueses: Diogo Barbosa e Guilherme Mota, ambos de 18 anos, que assinaram esta época pela equipa de Espanha.

Além das ausências dos líderes do ranking, há também outras muito devido ao percurso. César Martingil é um ciclista que se dá melhor com terrenos menos "acidentados", por exemplo, pelo que não estará presente pelo Sporting-Tavira, ele que soma os mesmos 65 pontos de Alarcón.

Quem estará então na luta? Luís Mendonça não é um trepador nato, mas nas últimas duas temporadas tem feito um trabalho intenso para melhorar nas subidas. Está na luta e desejoso de dar uma vitória à sua nova equipa, a Rádio Popular-Boavista. Mendonça soma 60 pontos.

Raúl Alarcón e Luís Mendonça são os principais candidatos, ainda que com 75 pontos para atribuir ao vencedor, algum ciclista com pontuação menor, poderá entrar na disputa, dependendo de como decorrer a corrida. Já entre os sub-23 está tudo muito mais por definir. Fábio Costa (UD Oliveirense-InOutBuild), Francisco Guerreiro (Sicasal-Constantinos) e Leonel Firmino (LA Alumínios-LA Sport) são três dos corredores que estarão na luta.

Por equipas, a Sicasal-Constantinos já garantiu o troféu em sub-23, comprovando o seu poderio neste escalão, num ano em que praticamente não dá hipóteses à concorrência. Entre a elite, a Aviludo-Louletano lidera com 32 pontos, mais cinco do que a W52-FC Porto.

A Clássica Aldeias do Xisto arrancará às 12:00, com a chegada prevista para cerca das 16:30.

Lista de inscritos provisória (clique na imagem para ampliar).



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11 de dezembro de 2018

O passo seguinte. W52-FC Porto confirmada no segundo escalão

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A espera terminou. A UCI anunciou hoje as licenças para os dois primeiros escalões. A W52-FC Porto vai subir a Profissional Continental em 2019, abrindo-se as portas para outro tipo de corridas, com a perspectiva de um convite para uma grande volta a ser agora algo possível de ambicionar. Mas antes que tal possa acontecer, a equipa terá de mostrar a sua capacidade para defrontar outro tipo de pelotão, sendo que já ficou bem claro que a aposta nas corridas nacionais, principalmente na Volta a Portugal, continuará a estar no topo das prioridades. A hegemonia por cá, é para manter.

Desde 2008 que Portugal não tinha uma equipa no segundo escalão, então com o Benfica a estar a este nível, no seu então curto regresso ao ciclismo. Há dois anos que Nuno Ribeiro queria ver a W52-FC Porto dar o passo seguinte, depois de se afirmar como não só a melhor equipa no país, mas como aquela que domina quase a seu gosto, com destaque para a Volta, na qual soma seis vitórias consecutivas (nem sempre com o mesmo nome).

Foi feito um trabalho de reforço da estrutura, tanto a nível logístico, como na garantia que chegaria a este ponto com ciclistas capazes de disputar as corridas que lhes esperam, com Raúl Alarcón a ser o líder, depois de duas Voltas conquistadas em 2017 e 2018. Corredores como António Carvalho, Rui Vinhas (vencedor da Volta em 2016), Ricardo Mestre (ganhou em 2011 pelo Tavira) e Samuel Caldeira tornaram-se na espinha dorsal da equipa, sem esquecer que houve outro ciclista a vencer duas Voltas com a equipa, o veterano Gustavo Veloso. A caminho dos 39 anos, continua a ser o capitão na equipa. José Ferreira, Angel Sanchez Rebollido e César Fonte também prosseguem.

Depois há um jovem como João Rodrigues, que já é uma certeza, a quem se vai juntar Francisco Campos e Jorge Magalhães, dois sub-23 de talento, que se afirmaram no Miranda-Mortágua. Perante as maiores exigências, não só do nível das corridas, mas do número de provas que irão realizar, o plantel teve de ser reforçado e há que salientar que as contratações são, até ao momento, todas portuguesas.

Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) e Daniel Mestre (Efapel) trazem experiência e muita qualidade, enquanto da Caja Rural regressam "a casa" Rafael Reis e Joaquim Silva. São dois ciclistas que o director desportivo bem conhece e sabe como tirar partido do melhor de ambos. Ter uma equipa portuguesa no segundo escalão, com tantos ciclistas do país a formarem a estrutura, ajuda a valorizar ainda mais a modalidade em Portugal e é de elogiar.

Perante a hegemonia da W52-FC Porto, este parecia ser o passo seguinte mais do que lógico. Foi preciso aumentar o orçamento e para tal, era essencial ter os patrocinadores de acordo com o investimento que seria feito. Em Espanha, a equipa já tinha dado bem conta de si, como por exemplo no ano passado, com Alarcón a vencer a Volta às Astúrias e a ser segundo na Volta à Comunidade de Madrid. Amaro Antunes também esteve a bom nível, mas o algarvio seguiu entretanto outro caminho, que o levará ao World Tour em 2019. Espera-se que tenha sido um aperitivo para o que aí vem.

Chegou o momento de ver esta poderosa W52-FC Porto mostrar-se mais no estrangeiro, ficando-se agora à espera de conhecer o calendário. E claro, quanto melhor forem as exibições, mais aumenta a probabilidade de convites para corridas cada vez mais importantes. Está lançado o repto a um grupo de ciclistas experiente, com jovens com total capacidade para rapidamente se tornarem também eles em elementos muito importantes. .

A espera terminou e a W52-FC Porto é Profissional Continental. Que esta possa ser uma aposta com continuidade e não efémera e que mais lhe possam seguir o exemplo, com a Efapel a ponderar fazê-lo em 2020. Esta subida é também uma demonstração do crescimento do ciclismo nacional, depois de anos negros de uma intensa crise, que tanto prejudicou a modalidade.

As outras novidades: super estrela do ciclocrosse vê equipa também subir de escalão

Além da W52-FC Porto, vão estrear-se como Profissionais Continentais a dinamarquesa Riwal Readynez e a belga Corendon-Circus, que conta com a super estrela do ciclocrosse, Mathieu van der Poel, o grande rival de Wout van Aert. O holandês, de 23 anos, já fala em fazer as clássicas do pavé, sonhando em marcar presença no Paris-Roubaix. Van der Poel tem contrato até 2023!

No World Tour não há novidades. A BMC sai, mas a CCC tomou conta da estrutura e contará com Amaro Antunes. De salientar apenas as mudanças de nome da Quick-Step Floors, que passará a ser a Deceunink-QuickStep, enquanto a Lotto-Jumbo ia ser apenas Jumbo, mas foi hoje anunciada a chegada de mais um patrocinador e será então a Jumbo-Visma.

Aqui fica a lista completa das licenças.

World Tour (18 equipas)

  • AG2R La Mondiale (Fra)
  • Astana (Caz)
  • Bahrain-Merida (Bar)
  • Bora-Hansgrohe (Ale)
  • CCC Team  - de Amaro Antunes (Pol)
  • Deceuninck-Quick-Step (Bel)
  • Dimension Data (AFS)
  • EF Education First-Drapac p/b Cannondale (EUA)
  • Groupama-FDJ (Fra)
  • Jumbo-Visma (Hol)
  • Katusha-Alpecin - de José Gonçalves e Ruben Guerreiro (Sui)
  • Lotto Soudal (Bel)
  • Mitchelton-Scott (Aus)
  • Movistar - de Nelson Oliveira (Esp)
  • Sky (GB)
  • Sunweb (Ale)
  • Trek-Segafredo (EUA)
  • UAE Team Emirates - de Rui Costa, Ivo e Rui Oliveira (EAU)


Profissional Continental (25)

  • Androni Giocattoli-Sidermec (Ita)
  • Arkea-Samsic (Fra)
  • Bardiani CSF (Ita)
  • Burgos BH - de Ricardo Vilela, José Neves e Nuno Bico (Esp)
  • Caja Rural-Seguros RGA - de Domingos Gonçalves (Esp)
  • Cofidis, Solutions Credits (Fra)
  • Corendon-Circus (Bel)
  • Delko Marseille Provence (Fra)
  • Direct Energie (Fra)
  • Euskadi Basque Country-Murias (Esp)
  • Gazprom-Rusvelo (Rus)
  • Hagens Berman Axeon - de João Almeida e André Carvalho (EUA)
  • Israel Cycling Academy (Isr)
  • Manzana Postobón (Col)
  • Nippo-Vini Fantini-Faizanè (Ita)
  • Novo Nordisk (EUA)
  • Rally UHC Cycling (EUA)
  • Riwal Readynez (Din)
  • Roompot-Charles (Hol)
  • Sport Vlaanderen-Baloise (Bel)
  • Tharcor (Wilier Triestina-Selle Italia em 2018) (Ita)
  • Vital Concept-B&B Hotels (Fra)
  • W52-FC Porto (Por)
  • Wallonie-Brussels (Bel)
  • Wanty-Gobert (Bel)

26 de novembro de 2018

A intocável W52-FC Porto

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Ano após ano, sai uma figura, entra outra ou aparece uma nova dentro da equipa. As soluções na W52-FC Porto não se esgotam, permitindo gerir uma temporada como mais nenhuma estrutura em Portugal tem esse luxo. Por momento, por breves momentos, parecia haver uma porta entreaberta para bater a equipa na Volta a Portugal, mas, quando o momento da verdade chegou, Nuno Ribeiro fez a sua jogada e, mais uma vez, o poderio da W52-FC Porto demonstrou ser inquestionável. Se Raúl Alarcón manteve a senda de sucesso de 2017, José Neves foi uma jovem contratação de sucesso. César Fonte encontrou os caminhos das vitórias (mas com um final de época negativo) e depois há João Rodrigues. Pode-se dizer que foi a revelação, ainda que possa ser mais justo considerar que foi a confirmação.

Estrutura sólida, financeiramente não só é estável, mas acima de qualquer outra equipa no pelotão nacional. Isso permite  que o director desportivo, Nuno Ribeiro, possa movimentar-se muito melhor no mercado de transferências e assim ter sempre um conjunto forte. A saída de Amaro Antunes não foi facilmente colmatada. Talvez nem tenha sido e foi essa a grande diferença na Volta a Portugal, por exemplo. Mas o que chegou a parecer ser uma equipa que poderia estar menos forte do que em 2017, teve apenas uma estratégia diferente, adaptada aos ciclistas que a representaram em 2018.

No final, os números dizem praticamente tudo: sexta Volta consecutiva, 15 vitórias ao todo na temporada, ao que se acrescenta outras 21 conquistas, entre classificações por equipas, prémios da montanha, metas volantes... Grande Prémio Jornal de Notícias, Troféu Joaquim Agostinho e o Grande Prémio de Portugal Nacional 2 foram as outras corridas que ficaram no currículo da W52-FC Porto que vai finalmente atrás de mais. Depois de tanto domínio por cá, a equipa conseguiu reunir as condições e os apoios necessários financeiros para concretizar um sonho que durava há dois/três anos: pedir a licença do segundo escalão, Profissional Continental.

Raúl Alarcón até teve uma primeira fase de temporada mais apagada, comparativamente com 2017, mas foi devido a uma queda que o afastou da competição algumas semanas. Porém, preparou-se para a fase da época que mais lhe interessava. Aqueceu motores com uma etapa no Grande Prémio Abimota e foi depois vencer outra e a geral da primeira edição do Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Mas era a Volta que mais interessava.

Desta feita não haviam dúvidas que era o líder, mesmo com Gustavo Veloso ainda na equipa. O respeito pelo capitão esteve sempre lá, mas a vitória na terceira e quarta tirada de Alarcón esclareceu tudo quando a lideranças. Sem Amaro, não houve um ciclista que praticamente nunca deixasse Alarcón, como aconteceu em 2017. Talvez se possa mesmo dizer que a W52-FC Porto funcionou ao estilo Sky. Todos tinham o seu papel e quando chegava o momento de o líder agir, Alarcón nunca entrava em acção e nunca falhou. Esta situação de Alarcón ficar mais cedo sozinho deu esperança aos adversários, principalmente a Joni Brandão e ao Sporting-Tavira. Mas os ataques, alguns mal medidos, não resultaram, pois a W52-FC Porto era mais forte. E Raúl Alarcón arrumou com a concorrência quando teve essa responsabilidade.

Ranking: 2º (2333 pontos)
Vitórias: 15 (incluindo a Volta a Portugal, GP Jornal de Notícias e Troféu Joaquim Agostinho)
Ciclista com mais triunfos: Raúl Alarcón (7)

O espanhol não foi surpresa, pelo que é João Rodrigues que deixou uma marca nova nesta Volta. Depois de dois anos a evoluir dentro da estrutura. O jovem algarvio muito trabalhou desde a Volta ao Algarve para que 2018 pudesse ser o seu ano de afirmação na equipa. Assim foi. Aos 24 anos, feitos este mês, João Rodrigues demonstrou grandes melhorias na montanha, dedicando-se também ao contra-relógio, o que até o levou a participar nos Nacionais nesta especialidade. Rodrigues quer tornar-se no ciclista mais completo possível e, para já, é um gregário que, se repetir as exibições não só da Volta, mas de outras corridas, irá rapidamente ser um de luxo.

Não foi António Carvalho, não foi César Fonte, nem Ricardo Mestre que mais se viram ao lado de Alarcón. Foi o jovem Rodrigues. Foi sétimo na geral e segundo no contra-relógio final de Fafe. Excelente!

Carvalho venceu o Grande Prémio Jornal de Notícias, que era um dos seus objectivos da temporada, mas foi uma sombra do ciclista que em 2017 esteve ao nível de Alarcón e Amaro Antunes. César Fonte agarrou a oportunidade para ir para esta equipa e assim ter mais oportunidades de ganhar. Somou três triunfos, mas na Volta esteve apenas focado no trabalho colectivo. Contudo, em Outubro soube-se que o ciclista tinha acusado betametasona, numa amostra recolhida após a vitória na sétima etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias.

Mestre continua a ser um ciclista que cumpre à risca o que lhe é pedido, tendo sido essencial em mais uma conquista da Volta a Portugal - ele que já a venceu em 2011 - e teve o seu triunfo na terceira etapa da Volta às Astúrias. Samuel Caldeira viu uma lesão condicioná-lo durante grande parte da época, enquanto Gustavo Veloso ganhou uma tirada na Volta ao Alentejo, mas, aos 38 anos (faz 39 em Janeiro), é um ciclista em clara perda de rendimento. Porém, é um capitão que todos respeitam.

Não nos podemos esquecer de Rui Vinhas, certamente que não era assim que queria ser novamente falado, mas um choque com um carro de outra equipa, na quinta etapa da Volta, deixou-o com feridas em grande parte do corpo, das pernas, aos braços, ao rosto... A imagem de um Vinhas ensanguentando marcou a corrida. A imagem de um Vinhas, com ligaduras espalhadas pelo corpo, a puxar, a trabalhar e, finalmente, a cortar em meta final em Fafe deve ser ainda mais marcante pelo que representa. Venceu a Volta há dois anos e conquistou uma nova vitória por ser um exemplo de profissionalismo, de esforço, de dedicação e de uma entrega total à equipa.

E temos ainda José Neves. O jovem que até teve pena em deixar a Liberty Seguros-Carglass, mas que estava mais do que preparado para uma equipa de nível mais elevado. Por vezes discreto, por vezes a colocar todo o seu potencial na estrada, Neves venceu o Troféu Joaquim Agostinho, uma corrida internacional e uma que em Portugal mais se ambiciona conquistar. Categoria pura aos 23 anos, que lhe valeu um estágio, a partir de Agosto, na americana EF Education First-Drapac p/b Cannondale.

Outra realidade, outro ritmo, nem sempre foi fácil, mas foi uma experiência importante para Neves que, mesmo não tendo ficado, deixa sempre as portas entreabertas já estar estado numa equipa do World Tour. Neves tem qualidade e não surpreende que uma grande formação o quisesse ver de perto. Agora vai para a Burgos-BH, equipa espanhola Profissional Continental, onde terá a companhia de Nuno Bico (Movistar).

Para 2019, a equipa deverá então ter uma licença Profissional Continental e vai preparando uma temporada que continuará a ter como aposta as corridas nacionais, com foco na Volta, claro, mas também irá competir mais no estrangeiro, já que terá acesso a outras provas, agora que irá para o segundo escalão do ciclismo.

Está confirmada uma mudança: a Swift irá fornecer as bicicletas, deixando a equipa de utilizar as KTM. Quanto a ciclistas, Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) e Daniel Mestre (Efapel) serão as novas caras, com a W52-FC Porto a tirar à concorrência dois dos ciclistas com maior capacidade para conquistar bons resultados. Além disso, experiência não lhes falta e ambos têm a oportunidade para competir a outro nível. Francisco Campos e Jorge Magalhães serão duas jovens apostas vindas do Miranda-Mortágua. O primeiro mais dotado para os sprints e com um título de campeão nacional de sub-23 conquistado em 2017, o segundo um trepador em evolução.

Raúl Alarcón continuará como líder e a maioria dos ciclistas que constituem a espinha dorsal da equipa do Sobrado, deverão permanecer às ordens de Nuno Ribeiro. Este ano, até ficou em segundo lugar no ranking nacional, elaborado pela Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, e não foi um dos seus ciclistas a ganhar individualmente (venceu o Sporting-Tavira e Joni Brandão). Porém, até poderão haver novos objectivos na W52-FC Porto, mas quando 2019 arrancar, não restam dúvidas que mais uma vez será colocada a questão se alguém conseguirá bater esta equipa.

Veja aqui todos os resultados da W52-FC Porto em 2018 e das restantes equipas nacionais.

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