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2 de janeiro de 2021

O calendário que mais se quer que se concretize

© João Fonseca Photographer
Muitas corridas marcadas, principalmente até à Volta a Portugal, algumas alterações comparativamente com o calendário de épocas recentes. A pandemia começou por influenciar o arranque da temporada, com a Prova de Abertura Região de Aveiro a ser a segunda a realizar-se no país. A honra de ser a primeira cabe em 2021 à Volta ao Algarve, corrida internacional (de cinco) e de categoria mais elevada a disputar-se por cá. O desejo é que a pandemia não influencie muito mais...

A época irá arrancar a 17 de Fevereiro, com o pelotão nacional a ter de medir forças com muitas das melhores equipas mundiais, não fosse a Volta ao Algarve já uma das mais prestigiadas provas do circuito ProSeries. E são 30 formações estrangeiras a procurarem um lugar na Algarvia!

A Prova de Abertura como que irá assinalará o arranque da temporada do calendário mais nacional, não só para a elite, mas também para os sub-23. Será novamente a primeira de três corridas que contarão para a Taça de Portugal, juntamente com a Clássica da Arrábida e a Clássica Aldeias do Xisto.

Uma das pequenas alterações será a Clássica da Primavera, que avança uns dias para de facto realizar-se nessa estação do ano e não no Inverno. Em 2020 acabou por ser a derradeira prova (e era apenas a terceira) a ir para a estrada antes do confinamento. De recordar que foi ganha por Luís Gomes, da Kelly-InOutBuild-UDO.

Destaque para uma nova corrida entre 15 a 18 de Abril da Global Media Group, ainda sem nome, detentora do Jornal de Notícias e O Jogo, que terão os seus Grandes Prémios mais à frente na temporada.

Quanto às provas internacionais, temos além da Volta ao Algarve a Clássica da Arrábida (1.2), a Volta ao Alentejo (2.2), o Troféu Joaquim Agostinho (2.2) e a Volta a Portugal (2.1).

Infelizmente, depois da corrida que as equipas nacionais mais ambicionam, o calendário continua a ser escasso. Agosto, como é habitual termina com os habituais circuitos, mas com o Grande Prémio Jornal de Notícias a fechar o mês - novidade que era suposto ter sido de 2020 -, seguindo-se a clássica da Rota da Filigrana em Setembro. Esta corrida teve a sua primeira edição em 2019.

Para terminar, viagem até Tavira para o Festival de Pista.

Os sub-23 terão, espera-se, a sua Volta a Portugal do Futuro entre 25 e 27 de Junho, enquanto uma das principais corridas para os juniores, a Volta ao Concelho de Loulé, disputar-se-á entre 1 a 3 de Abril.

As senhoras têm uma das grandes novidades de 2021, com a primeira Volta a Portugal entre 20 e 22 de Agosto. Um passo importante para o desenvolvimento da modalidade na vertente feminina.

De referir ainda que os campeões nacionais serão decididos entre 18 e 20 de Junho, com a prova de rampa a manter-se no calendário (12 de Setembro), depois do regresso em 2020.

Agora é aguardar que, com o decorrer do ano, as notícias sejam boas e que a pandemia não force mais restrições que coloquem novamente em causa as corridas em território nacional.

Calendário de estrada 2021 elite (na maioria das provas também participam os sub-23):

➤ 17 a 21 de Fevereiro: Volta ao Algarve

➤ 7 de Março: Prova de Abertura Região de Aveiro (Taça de Portugal)

➤ 14 de Março: Clássica da Arrábida (Taça de Portugal)

➤ 17 a 21 de Março: Volta ao Alentejo

➤ 28 de Março: Clássica da Primavera

➤ 15 a 18 de Abril: Grande Prémio com nome a definir

➤ 25 de Abril: Grande Prémio de Mortágua

➤ 2 de Maio: Volta a Albergaria

➤ 9 de Maio: Clássica Aldeias do Xisto (Taça de Portugal)

➤ 13 a 16 de Maio: Grande Prémio O Jogo

➤ 30 de Maio: Memorial Bruno Neves

➤ 2 a 6 de Junho: Grande Prémio Abimota

➤ 18 a 20 de Junho: Campeonatos Nacionais

➤ 4 de Julho: Grande Prémio Anicolor

➤ 15 a 18 de Julho: Grande Prémio Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho

➤ 4 a 15 de Agosto: Volta a Portugal

➤ 20 de Agosto: Circuito de Alcobaça

➤ 22 de Agosto: Circuito da Malveira

➤ 23 de Agosto: Circuito da Moita

➤ 23 de Agosto: Circuito de Nafarros

➤ 30 de Agosto a 5 de Setembro: Grande Prémio Jornal de Notícias

➤ 12 de Setembro: Campeonato Nacional de Rampa

➤ 18 de Setembro: Rota da Filigrana

➤ 5 de Outubro: Festival de Pista de Tavira

A saber ainda...

➤ 8 a 12 de Setembro: Campeonatos da Europa

➤ 19 a 26 de Setembro: Campeonatos do Mundo

➤ Jogos Olímpicos: 24 de Julho, corrida de estrada masculina, 28 o contra-relógio; de 2 a 8 de Agosto realizam-se as provas de pista

Pode ver o calendário completo de todos os escalões neste link para o site da Federação Portuguesa de Ciclismo.

»»Mais pedidos do que vagas para a Volta ao Algarve««

»»2021 não será apenas mais um ano««

14 de março de 2020

Mais tempo em casa e sem ciclismo para ajudar a passar as horas

Até já pelotão, nacional e internacional
Não sei quantas vezes me perguntaram como é que eu consigo ficar horas e horas em casa a ver ciclismo. Para mim é algo natural. Adoro e nem penso duas vezes em ver grandes corridas (e até as mais pequenas), tentando até ajustar horários, sempre que possível, para o fazer. Sim, são horas e horas anualmente a ver ciclismo. Agora que o nosso mundo está virado do avesso devido ao Covid-19, agora que vamos passar muito mais tempo em casa e que bem que será preciso algo para distrair, e em que se terá tantas horas livres para ver ciclismo, não há!

Nestes últimos dias tem sido uma autêntica invasão de notícias sobre este coronavírus. Compreensível. O ciclismo não é excepção. Desde que a Volta aos Emirados Árabes Unidos foi suspensa já perto do fim e as equipas e staff ficaram de quarentena, que o tema começou aos poucos a tomar conta também dos meios de comunicação social que acompanham a modalidade. Sucedem-se os cancelamentos de corridas, que já vão além da China e Itália, ainda que neste último país - onde a situação na Europa é a mais grave - tenha significado a não realização de algumas das principais provas desta altura do ano, como a Strade Bianche, Milano-Sanremo e Tirreno-Adriatico.

Também a Volta a Itália vai sofrer com esta pandemia. Era para começar a 9 de Maio, na Hungria, e terminar a 31 desse mês, mas a corrida foi adiada e antes de 3 de Abril não será conhecida a nova data. Não será fácil encaixar num calendário tão preenchido e ainda mais em ano de Jogos Olímpicos (se se realizarem, claro, pois neste momento não há certezas de nada).

Todas as provas de Março foram canceladas, as de Abril também para lá caminham, sendo que, quando a situação começar a dar sinais de melhorar, irá arrancar a difícil de missão de tentar reagendar, não surpreendendo se algumas corridas só regressarem para o ano. O Paris-Nice ainda avançou, foi encurtado um dia e esperava-se que tivesse sido interrompido mais cedo. Acabou este sábado (parabéns a Max Schachmann, da Bora-Hansgrohe - segundo na Volta ao Algarve -, que merecia ser o destaque e não o coronavírus) com um pelotão reduzido, dada a debandada - mais do que justificada - de muitas equipas. Diga-se que estes cancelamentos (que se deseja que possam ser adiamentos) estende-se a todo o tipo de vertentes nesta modalidade, tal como está a acontecer com os outros desportos.

Por cá, a Clássica da Arrábida, que deveria realizar-se este domingo, também ficará à espera de nova data, enquanto a Volta ao Alentejo - que arrancaria na quarta-feira - foi cancelada. O Grande Prémio Internacional das Beiras e Serra da Estrela, marcado para Abril (de 17 a 19) também não vai disputar-se, segundo o anúncio feito na quinta-feira pela organização. A Clássica Aldeias do Xisto (5 de Abril) corre risco idêntico, ou de pelo menos de um adiamento.

Sim, é frustrante não poder ver todas estas corridas, portuguesas e estrangeiras e ainda mais sabendo que a lista poderá continuar a aumentar. Mas vive-se uma fase de excepção, exigindo-se medidas excepcionais, desejando-se que o mais rapidamente possível se volte a alguma normalidade. E claro que aqui se fala muito além do ciclismo, pois não ver ciclismo (ou futebol, basquetebol, fórmula 1...) é apenas uma pequena parte do que neste últimos dias está a mudar nas rotinas. Se for preciso ficar em casa 14 dias sem ciclismo (ou até mais), para depois poder ver as minhas queridas clássicas e para ficar 21 dias a ver o Giro, ou Tour ou Vuelta, então que assim seja. Sem pânico, sem açambarcamento, com responsabilidade e bom senso.

10 de outubro de 2019

Portugal com cinco corridas internacionais e com datas marcadas

Pogacar venceu a Algarvia este ano, no arranque de uma sensacional época
(Fotografia: © João Fonseca Photographer/Volta ao Algarve)
A Volta ao Algarve vai continuar a ser a corrida portuguesa de categoria mais alta na UCI. A partir de 2020, a denominação passa a ser ProSeries e não HC, mas continua a significar que a Algarvia pertence ao segundo escalão, apenas atrás do World Tour. A data já está marcada. De 19 a 23 de Fevereiro, o sul do país espera por algumas das melhores equipas do mundo e, claro, por algumas das principais figuras.

De forma a garantir uma maior estabilidade aos organizadores, a UCI passou a validar as categorias por três anos, um pouco à imagem do que acontece com as equipas no World Tour, que passam a ter licenças garantidas por três temporadas. Ao todo farão parte do escalão ProSeries 54 provas, por etapas e de um dia.

Na mesma data da Volta ao Algarve vai manter-se a Ruta del Sol, como tem acontecido nos últimos anos. Ambas têm atraído equipas do World Tour, mas a data da Volta aos Emirados Árabes Unidos será o maior senão. A prova que arrancou em 2019 vai novamente começar no último dia da Algarvia e da competição espanhola (23), o que poderá afastar alguns ciclistas que as equipas preferem levar onde o cachê é maior.

Porém, a Algarvia tem tornado-se uma das corridas preferidas de grandes nomes da modalidade - Geraint Thomas não foi este ano, mas chegou a escrever no Twitter que gostaria de estar no Algarve -, pelo que agora é esperar por novidades sobre as equipas que estarão presentes. Não deverão demorar.

Quanto à Volta a Portugal vai manter-se como 2.1, apesar de ainda ter sido noticiado que poderia subir a ProSeries. Realizar-se-á entre 29 de Julho e 9 de Agosto. A Clássica da Arrábida (1.2) está marcada para 15 de Março, seguindo-se a Volta ao Alentejo (2.2), de 18 a 22 do mesmo mês. O tradicional Grande Prémio Internacional de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho (2.2) irá para a estrada entre 9 e 12 de Julho, pouco antes da Volta a Portugal, como tem sido habitual.

O Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela deverá ser incluído em breve no calendário internacional como 2.2. Um atraso no processo, entretanto já concluído, fez que com não surgisse na lista agora divulgada pela UCI.


(Imagem: UCI.org)

Como curiosidade, o primeiro dia da Volta a Portugal irá coincidir com as provas de contra-relógio nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Entre 3 e 9 de Agosto vão disputar-se as medalhas na vertente de pista. As corridas de estrada realizam-se a 25 (masculina) e 26 de Julho (feminina).

A época de 2020 já está a ganhar forma - em Junho tinham sido anunciadas as provas do World Tour -, enquanto a de 2019 aproxima-se do fim. Este sábado realiza-se o último monumento do ano, Il Lombardia, com a temporada a fechar novamente na China, no que diz respeito a provas do principal escalão, na Volta a Guangxi (de 17 a 22 de Outubro).

»»Volta à Turquia sai do calendário World Tour««

»»W52-FC Porto não pediu licença para permanecer no segundo escalão««

17 de março de 2019

"Nem acredito! É a minha primeira vitória e é importantíssima"

Jonathan Lastra festejava de olhos bem arregalados. O espanhol não conseguia esconder o sentimento de alguma incredulidade quando cortou a meta em primeiro lugar na Clássica da Arrábida. Até vinha com intenção de discutir a corrida e alcançar finalmente uma vitória como profissional, mas ao consegui-lo, não estava a ser fácil acreditar. Numa corrida em que a W52-FC Porto apostava forte, foi Lastra (Caja Rural) quem com um ataque forte a dois quilómetros da meta começou a selar o destino de uma clássica muito intensa e que não desiludiu a nível de espectacularidade.

"Nem acredito! É a minha primeira vitória e é importantíssima", admitiu ao Volta ao Ciclismo. Com apenas 22 anos, o corredor de Bilbau foi chamado à equipa principal da Caja Rural, em 2016, depois de duas temporadas a evoluir na estrutura amadora. Até essa passagem ao profissionalismo, mostrou-se não só na estrada, mas também no ciclocrosse, vertente em que conquistou um título nacional como cadete e dois em sub-23. No entanto, é na estrada que está 100% concentrado nesta fase da carreira e tem sido um ciclista em evolução dentro da equipa. No época passada estreou-se na Vuelta, num momento que considerou então ser inesquecível. Agora, com 25 anos, veio a Portugal conquistar a sua primeira vitória como profissional.

"Terei mais responsabilidade [após este triunfo]", salientou, considerando que a importância da conquista da Clássica da Arrábida vai além de um sucesso pessoal, pois foi também a primeira vitória de 2019 para a equipa, que conta novamente com o campeão nacional português, Domingos Gonçalves (abandonou na Arrábida). "A partir de agora haverá ainda mais motivação na equipa para alcançar mais triunfos", disse Lastra.

Foi na segunda passagem pelo Alto da Serra, a 14 quilómetros do fim dos 185 que começaram em Palmela, que se deu o ataque que ditou aqueles que iriam discutir a terceira edição desta clássica internacional (categoria 1.1). Julen Amezqueta e Jonathan Lastra (Caja Rural-Seguros RGA), Raúl Alarcón e João Rodrigues (W52-FC Porto), David de la Fuente (Aviludo-Louletano), Alexander Vdovin (Lokosphinx) e James Fouché (Team Wiggins-LeCol) deixaram a concorrência para trás.

Com Amezqueta a assumir grande parte das despesas a dois mil metros da meta, Lastra, mais fresco (dentro do possível depois de uma corrida que incluiu dois troços de terra batida) arriscou e levou com ele Vdovin. O russo queria repetir o feito de Dmitry Strakhov, ciclista da Lokosphinx que venceu há um ano, estando agora na Katusha-Alpecin. Na subida até ao Castelo de Sesimbra, Lastra foi mais forte nos 500 metros que o separavam de uma vitória que não esquecerá.

Se o rosto de Lastra era o de um ciclista a tentar saber lidar com a felicidade do momento, já os de Raúl Alarcón e João Rodrigues eram o exemplo da desilusão. A W52-FC Porto apostou forte na Clássica da Arrábida, mas ainda não foi desta que os ciclistas de Nuno Ribeiro abriram a lista de vitórias no ano de estreia como Profissional Continental.

O pódio foi 100% espanhol, com David de la Fuente (Aviludo-Louletano) a ficar em terceiro a 14 segundos, atrás de Alarcón (a 10), com João Rodrigues a fechar na quarta posição e a ficar com classificação da montanha. A Caja Rural colocou ainda mais dois ciclistas no top dez, Julen Amezqueta (sétimo) e Gonzalo Serrano (oitavo), o que ajudou à conquista da classificação por equipas. O neozelandês James Fouché, que há um ano foi segundo na Arrábida, terminou no quinto lugar, sendo o melhor sub-23.

Lastra e Fouché lideram a Taça de Portugal em elites e sub-23, respectivamente

© João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo
Está a ser um início de temporada muito forte para o ciclista da Team Wiggins-LeCol, que aos 20 anos sagrou-se campeão nacional de elite, em Janeiro, dois dias depois de conquistar o título de contra-relógio, mas em sub-23. Agora é também o líder da Taça de Portugal Jogos Santa Casa, em igualdade pontual, 75, com Iúri Leitão (Sicasal-Constantinos), que tinha sido o melhor sub-23 na Prova de Abertura Região de Aveiro. Lastra lidera a competição de elite, com 75 pontos, os mesmos de Rui Oliveira, que venceu em Aveiro, ao serviço da Selecção Nacional, mas não esteve presente na Arrábida, pois está a fazer o calendário com a sua UAE Team Emirates.

Amaro Antunes, Dmitry Strakhov e agora Jonathan Lastra fazem parte do historial de uma Clássica da Arrábida que contou com o pelotão mais internacional da sua curta existência, mas quer continuar a crescer a consolidar-se como uma competição de referência.

Quanto à Taça de Portugal, o vencedor será conhecido na terceira e última corrida, a Clássica Aldeias do Xisto, que em 2019 realiza-se mais tarde do que tem sido habitual, no feriado de 1 de Maio. Os ciclistas seguem agora para a Volta ao Alentejo, que decorre entre quarta-feira e domingo, com um pelotão idêntico ao que esteve presente na Clássica da Arrábida, mas sem as equipas de clube portuguesas.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

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»»Volta ao Alentejo abrangente no percurso mas de portas fechadas para equipas sub-23 portuguesas««

6 de março de 2019

Clássica da Arrábida sempre a crescer e a continuar a ambicionar muito mais

(Fotografia: © João Fonseca)
Na terceira edição, a Clássica da Arrábida dá mais um passo rumo à consolidação. A ambição de tornar esta corrida em mais uma prova portuguesa de referência internacional, seduzindo inclusivamente equipas do World Tour, mantém-se intacta. A nível organizacional, a competição está preparada para dar o salto. Falta a necessária injecção financeira de um grande patrocinador, algo que está a ser trabalhado. João Serralheiro está confiante quanto ao futuro, mas é no presente que está concentrado para assim garantir o contínuo crescimento desta corrida.

"A Clássica da Arrábida vai tendo um pelotão cada vez melhor. Tem evoluído em termos de organização e acho que este ano temos a melhor clássica de todas, tanto a nível de organizacional, como a nível de equipas", salientou o responsável ao Volta ao Ciclismo. Serão oito os países representados no pelotão que irá para a estrada no domingo 17 de Março. Portugal terá, naturalmente, o maior peso, mas haverá formações representantes de Espanha, Noruega, Grã-Bretanha, Luxemburgo, Suíça, Rússia e Angola. "Do ponto de vista internacional a prova consolidou-se. Houve mais equipas a quererem vir, mas já não há espaço", disse.

João Serralheiro reiterou o objectivo de subir à categoria 1, mas como 2, a Clássica da Arrábida pode receber duas equipas do escalão Profissional Continental. As espanholas Caja Rural e Euskadi-Murias ocuparam essas vagas. Porém, com a W52-FC Porto a ter subido de escalão e sendo portuguesa, pelo que não conta para essas vagas, fará com que nesta clássicas estejam presentes três formações da segunda categoria.

Mesmo com os olhos postos num crescimento internacional, João Serralheiro é peremptório ao afirmar que deseja que a Clássica da Arrábida seja "uma prova portuguesa". Por isso mesmo, as equipas de clube têm as portas abertas para participar nesta corrida, um ponto positivo numa altura em que a Volta ao Alentejo deixou de fora as seis formações de sub-23: "Queremos que tenham a oportunidade de competir com equipas de outro nível e para os ciclista que tenham a pretensão de evoluir na carreira, podem mostrar aqui o que valem." No entanto, se no futuro se concretizar o sonho de subir de categoria, estas formações ficarão sem acesso. Serralheiro admitiu que, infelizmente, algo de bom terá o seu lado mau.

E o que falta para que o salto de categoria possa acontecer? "Falta sobretudo dinheiro. Do ponto de vista das condições técnicas, temos tudo reunido. A mudança de categoria implica uma série de custos adicionais, o orçamento quase que duplica", explicou. O principal apoio vem das autarquias de Setúbal, Palmela e Sesimbra. "Temos vindo a trabalhar nesse assunto [de assegurar um patrocinador forte], mas agora temos de mostrar que o evento está consolidado e poderá assim ser mais fácil ter uma grande empresa que se queira associar à prova", afirmou.

A Clássica da Arrábida mantém a tradição de ir variando os pontos de partida e chegada. Desta feita, Palmela receberá a partida (11:40) e o Alto da Serra/Castelo de Sesimbra espera para conhecer quem sucede a Amaro Antunes (então na W52-FC Porto) e Dmitri Strakhov (Lokosphinx), já que nenhum estará presente. O português representa actualmente a CCC e o russo está na Katusha-Alpecin, ambas equipas do World Tour.

Haverá duas passagens pela meta antes da terceira final. Pelo meio os ciclistas irão enfrentar quatro prémios de montanha nos 182,3 quilómetros: Palmela (aos 98,5), Arrábida (133) e Alto da Serra (151,5 e 167,7). A Clássica da Arrábida tem uma inspiração na italiana Strade Bianche - que se disputa este sábado - e, por isso, não poderiam faltar os sectores de sterrato, ou de terra batida. Serão dois sectores de 2,5 quilómetros no total, com o mais exigente a ter 1400 metros, na já conhecida Subida da Cobra, na aproximação ao prémio de montanha em Palmela.

Quanto às equipas, são as seguintes, por escalão: Caja Rural-Seguros RGA e Euskadi Basque Country-Murias (Espanha) e W52-FC Porto (Portugal) da categoria Profissional Continental;  Aviludo-Louletano, Efapel, LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua, Rádio Popular-Boavista, Sporting-Tavira, UD Oliveirense-InOutbuild e Vito-Feirense-PNB (Portugal), Lokosphinx (Rússia), Swiss Racing Academy (Suíça), Team Diffedange-GeBa (Luxemburgo), Team Wiggins Lecol (Grã-Bretanha), Bai-Sicasal-Petro (Angola) e Uno-X Norwegian Development Team (Noruega), do escalão Continental; ACDC Trofa-Trofense, Crédito Agrícola-Jorbi-Almodôvar, Fortunna-Maia, Jorbi-Team José Maria Nicolau, JV Perfis-Gondomar Cultural e Sicasal-Constantinos (Portugal) são as equipas de clube.

A Clássica da Arrábida será a segunda de três provas da Taça de Portugal Jogos Santa Casa, depois da Prova de Abertura Região de Aveiro. Rui Oliveira é o líder, mas o jovem português não estará presente. Venceu a primeira corrida ao serviço da Selecção Nacional, mas está agora concentrado na UAE Team Emirates e em algumas das principais clássicas do calendário internacional que se aproximam. Já Iúri Leitão (Sicasal-Constantinos) irá tentar defender a sua liderança nos sub-23. A derradeira corrida será a Clássica Aldeias do Xisto, a 1 de Maio.

(Texto continua por baixo do gráfico.)


Ciclismo além da competição e virado para o turismo

Se há algo que o ciclismo tem de muito bom é a capacidade para promover as regiões por onde as corridas passam. A subida de categoria e a eventual presença de equipas do World Tour, colocariam a região da Arrábida ainda mais nas "bocas do mundo", numa altura que Portugal começa a apostar cada vez mais no turismo de bicicleta. Mas o trabalho de promoção está já a ser feito e na apresentação da corrida, que decorreu esta quarta-feira em Setúbal, foi também revelado o Guia de Percursos Cicláveis da Arrábida.


"Hoje em dia ninguém está indiferente ao potencial que o turismo e a bicicleta têm. Portugal tem estado um pouco fora das rotas desta movimentação de pessoas que usam o argumento de ir pedalar para ir conhecer outros países, No entanto, nesta fase nota-se uma clara mudança e Portugal aparece referenciado junto das grandes agências. Nós também quisemos criar um recurso local", referiu João Serralheiro.

O director da Clássica assegurou que a pretensão passa por tornar a Arrábida numa região de ciclismo e o guia é mais uma forma de ajudar as pessoas a conhecerem os locais de bicicleta. São 13 percursos, com quatro graus de dificuldade, que poderão ser feitos por quem gosta de simples passeios e por quem procura grandes desafios. Haverá uma versão impressa, que será distribuída gratuitamente, mas para quem não quiser esperar, poderá já ver através deste link, com o guia a estar disponível no site da Federação Portuguesa de Ciclismo.

Outra alternativa passa pelos cada vez mais populares granfondos. O da Arrábida vai para a quinta edição e irá realizar-se novamente no mesmo dia da clássica. Serão duas distâncias: 128 quilómetros (1700 metros de acumulado) e 89 (1200 metros). Já já há mais de 800 inscritos, mas a organização ainda espera poder chegar aos mil. Os interessados poderão ver mais informação no site oficial desta prova.

»»Estreou-se no World Tour mas veio a Portugal celebrar a primeira vitória como elite««

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2 de janeiro de 2019

Calendário nacional para 2019. Época arranca a 10 de Fevereiro

Daqui a pouco mais de um mês o pelotão nacional sairá para a estrada, com a Prova de Abertura Região de Aveiro a dar novamente o mote para a nova temporada de ciclismo em Portugal. O calendário de elite mantém-se praticamente igual, com a novidade de terminar a Taça de Portugal, ainda que as corridas que a constituíam vão continuar a realizar-se. Passará a existir a Taça Jogos Santa Casa, que se disputará nas provas que antes formavam o Troféu Liberty Seguros. Por definir está ainda o Grande Prémio de Portugal Nacional 2, corrida que se estreou em 2018, mas ainda não tem dias confirmados para 2019.

Há alguns pequenos ajustes de datas, como por exemplo a mudança para mais tarde da Clássica Aldeias do Xisto, que está marcada para o feriado de 1 de Maio, deixando assim o mês de Março. De realçar ainda os Nacionais de Elite e Sub-23 que em 2019 vão disputar-se em Melgaço.

A Taça de Portugal de elite irá então desaparecer, tal como o Troféu Liberty Seguros, surgindo a Taça Jogos Santa Casa, que estará em disputa na primeira prova do ano, na Clássica da Arrábida e na Aldeias do Xisto. De referir que nasce ainda a Taça Nacional de Esperanças, para os ciclistas sub-23 das equipas de clube e para os juniores, com o Grande Prémio Portimão Cidade Europeia Desporto (10 e 11 Abril) e depois a 10 e 11 de Agosto, em Murtosa e Curia.

Em baixo fica o calendário de estrada de elite, mas neste link (página do site da Federação Portuguesa de Ciclismo) pode ver o programa completo de ciclismo de estrada em Portugal, de todos os escalões.
  • Prova de Abertura Região de Aveiro (Taça Jogos Santa Casa) - 10 de Fevereiro
  • Volta ao Algarve - 20 a 24 de Fevereiro
  • Clássica da Primavera - 10 de Março
  • Clássica da Arrábida (Taça Jogos Santa Casa) - 17 de Março
  • Volta ao Alentejo - 20 a 24 de Março
  • GP Internacional Beiras e Serra da Estrela - 12 a 14 de Abril
  • Clássica Aldeias do Xisto (Taça Jogos Santa Casa) - 1 de Maio
  • Memorial Bruno Neves - 26 de Maio
  • Grande Prémio Anicolor - 2 de Junho
  • Grande Prémio Jornal de Notícias - 4 a 10 de Junho
  • Grande Prémio Abimota - 19 a 23 de Junho
  • Campeonato Nacional de Elite e Sub-23 - 28 a 30 de Junho
  • Troféu Internacional de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho - 11 a 14 de Julho
  • Volta a Portugal - 31 de Julho a 11 de Agosto
  • Grande Prémio de Mortágua - 17 de Agosto
  • Circuito do Bombarral - 19 de Agosto
  • Circuito de Alcobaça - 20 de Agosto
  • Circuito da Póvoa da Galega - 24 de Agosto
  • Circuito da Malveira - 25 de Agosto
  • Circuito da Moita - 26 de Agosto
  • Circuito de Nafarros - 26 de Agosto
  • Volta a Albergaria - 1 de Setembro
  • Festival de Pista de Tavira - 5 de Outubro

1 de outubro de 2018

Volta ao Algarve "lidera" corridas portuguesas no calendário internacional

O pano vai caindo sobre a temporada de 2018. A próxima está a ser preparada a grande ritmo, tanto pelas equipas - que estão a preparar os seus plantéis -, como pelas organizações, para colocar na estrada as esperadas corridas. Neste último aspecto, já são conhecidas quais as provas portuguesas que farão parte do calendário internacional UCI, com a Volta ao Algarve a ser novamente aquela que terá a categoria mais alta: 2.HC, ou seja, pertence ao segundo escalão, só abaixo das competições do World Tour.

A Algarvia tem estado a crescer de ano para ano. Irá para a sua terceira edição como 2.HC e espera-se por mais um elevado número de equipas do escalão principal a marcarem presença. Em 2018, 13 das 18 estiveram no sul do país, um recorde para a Volta ao Algarve. Até ao final do ano haverá novidades sobre a 45ª edição da corrida que traz o World Tour a Portugal.

Em Março haverá mais duas corridas categorizadas internacionalmente. A Clássica da Arrábida continua na estrada como 1.2. Uma prova com o espectáculo do sterrato, ou, sem estrangeirismos, terra batida. A organização quer fazer crescer esta prova, que marca pela diferença por cá, sendo que por agora vai consolidando o seu lugar.  Realiza-se no domingo dia 17, seguindo-se na quarta-feira a Volta ao Alentejo (de 20 a 24). É uma corrida 2.2.

No mês seguinte, o Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela irá manter a categoria de 2.1, estando agendado entre 12 e 14. Em dia de feriado, 1 de Maio, teremos a Clássica Aldeias do Xisto, da classe 1.2. E numa altura em que a Volta a Portugal começará a estar no pensamento das equipas nacionais, teremos o tradicional Grande Prémio Internacional de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho. Será uma corrida 2.2, realizando-se entre 11 e 14 de Julho.

Para terminar haverá a Grandíssima. A Volta a Portugal irá começar a 31 de Julho, com o vencedor a ser consagrado a 11 de Agosto. A corrida será 2.1.

Por definir está o Grande Prémio Estrada Nacional 2, que este ano foi para a estrada pela primeira vez. O vencedor foi Raúl Alarcón (W52-FC Porto), antes de conquistar pela segunda vez a Volta a Portugal. Esta corrida por etapas ,que percorre a mítica estrada que liga o norte ao sul do país, ainda não tem data. Contudo, a Federação Portuguesa de Ciclismo (não é a organizadora desta prova), que revelou as datas e categorias aqui mencionadas, refere que se espera que seja incluída no calendário internacional da UCI.

A temporada de 2019 começa a ganhar forma, faltando agora conhecer as provas que irão completar o calendário nacional.

11 de março de 2018

"Dá sempre motivação conseguir a camisola amarela. Vamos tentar mantê-la"

Chuva, vento, um pouco de granizo, caminhos de terra batida, ou sterrato se se preferir chamar assim, dificuldades que só serviram para tornar a Clássica da Arrábida mais espectacular. No final falou-se muito russo, com Dmitry Strakhov (22 anos) a aproveitar uma das subidas para encetar uma fuga solitária de 51 quilómetros. Ganhou a etapa, a classificação da montanha e a Lokosphinx ainda levou o prémio de melhor equipa. Mas de camisola amarela ficou Óscar Hernández, o espanhol da Aviludo-Louletanto-Uli, que ao fechar o pódio garantiu a liderança do Troféu Liberty Seguros.


Strakhov deixou a concorrência a 34 segundos
"Foi um dia muito difícil. Era preciso estar atento desde o início porque quando há este tempo de chuva e vento, há que andar sempre na frente", desabafou um Hernández a recuperar fôlego depois de uma corrida muito intensa, feita a grande velocidade. Só na primeira hora foram cumpridos 49 quilómetros! A atenção compensou Hernández que entrou na fuga de 19 corredores que se formou logo aos 20 quilómetros. O grupo passou os três sectores de sterrato na frente, mas na subida de segunda categoria para Palmela, iniciou-se a aventura em solitário de Strakhov, que aguentou a vantagem nas três dificuldades de terceira categoria que se seguiram. Hernández cortou a meta em Setúbal a 34 segundos do russo, com o neozelandês James Fouche (Team Wiggins) a ficar em segundo e a ser o melhor sub-23.


O pódio da 2ª edição da Clássica da Arrábida
Ser terceiro foi bom, vestir a camisola amarela do Troféu Liberty Seguros deu razão para arrancar um sorriso, que depois de um dia de tanto sofrimento, não era fácil mostrar. "Dá sempre motivação conseguir a camisola amarela. Vamos tentar mantê-la", salientou ao Volta ao Ciclismo. Há um ano, Vicente Garcia de Mateos foi à Clássica Aldeias do Xisto ganhar a corrida e o troféu. Agora é Hernández quem poderá assumir esse papel de destaque. "Deverei ter liberdade para tentar manter a amarela. Vamos tentar ganhar novamente o troféu para ficar novamente na equipa", afirmou.

A competição inclui três competições: Prova de Abertura Região de Aveiro (ganha por Tiago Machado, ao serviço da selecção nacional, que não esteve presente na corrida deste domingo), Clássica da Arrábida e Clássica Aldeias do Xisto, que se realiza a 25 de Março.

Será então um dia em que Óscar Hernández, 25 anos, poderá assumir a liderança da Aviludo-Louletanto-Uli, já que grande parte da temporada a sua função será outra: "Vou ajudar o Vicente, mas também o Luís [Mendonça] nos sprints." No ano passado, o ciclista espanhol abandonou a Volta a Portugal logo na primeira etapa, mas a infelicidade só lhe deu mais ganas: "Estou com vontade de andar mais e estou muito motivado."


André Carvalho é o líder da juventude no Troféu Liberty Seguros
Quanto a portugueses, o melhor foi Domingos Gonçalves, a 37 segundos de Strakhov. O ciclista da Rádio Popular-Boavista, que também integrou a fuga, comprovou que está em boa forma neste início de temporada, depois de há uma semana ter ganho a Clássica da Primavera. André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) chegou na 26ª posição, a 2:02 minutos, mas subiu ao pódio para vestir a camisola da liderança da juventude do troféu, que quer agora defender na Clássica da Arrábida.

Numa corrida tão espectacular houve, infelizmente, uma má notícia para José Mendes. O ciclista da Burgos-BH estava a representar a selecção nacional, tendo sofrido uma queda. Foi transportado para o hospital onde foi confirmada uma fractura na clavícula. O ciclista português estava escalado para a Volta à Catalunha, que começa no dia 19. Também David Livramento (Sporting-Tavira) sofreu infortúnio idêntico.

A terceira edição da Clássica da Arrábida já está a ser preparada, tendo sido revelado que Sesimbra será o local onde se consagrará o vencedor, depois deste domingo ter recebido a partida. De recordar que esta é uma corrida internacional, com a classificação de 1.2.

(Classificação via ProCyclingStats, mas corrige a distância da corrida: por razões de segurança, um troço de sterrato foi retirado do percurso, que passou a ter 145,4 quilómetros.)




Antes da Clássica do Xisto, o pelotão regressa a sul, agora para a Volta ao Alentejo, que se realiza de quarta-feira a domingo. Pode ver os pormenores da corrida no link em baixo.

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10 de março de 2018

Clássica da Arrábida mais curta, mas com potencial para ser uma das melhores corridas do ano

Logo na primeira edição não restaram grandes dúvidas que se estava perante uma das corridas com um dos cenários mais bonitos do país e com um percurso com tudo para tornar a Clássica da Arrábida mais uma prova de referência, a começar pelo calendário nacional, mas a olhar já mais além fronteiras. A classificação 1.2 dá-lhe estatuto internacional e não é segredo que o desejo é no futuro contar com equipas do World Tour. Porém, esta clássica está a dar os primeiros passos de consolidação e neste domingo o espectáculo promete: quatro contagens de montanha, mas o que é a imagem desta corrida são os sectores de terra batida, o famoso sterrato, que serão três.

O percurso sofreu algumas alterações comparativamente com a primeira edição, a começar logo pelos locais de partida e chegada. Sesimbra será o palco do início da prova (12:00, na Avenida da Liberdade), com Setúbal a receber desta feita a chegada (Avenida José Mourinho, com a previsão a apontar para as 15:45). Ao todo estavam inicialmente previstos 169,6 quilómetros, mas por razões de segurança a prova foi encurtada para 145,4.

A principal acção fica guardada mais para perto da segunda metade da corrida. O primeiro sector estará na Estrada de Lagameças, ao quilómetro 59,1, com uma extensão de 1500 metros. Segue-se o troço de Cajados, ao quilómetro 63,8, (1700 metros). Pouco depois, aos 67,5 quilómetros, no Golfe do Montado, haverá mais 1400 metros de sterrato. Estava previsto o derradeiro sector ser na Estrada da Cobra, mas por razões de segurança a organização alterou essa zona do percurso. Passará então pela Estrada do Vale dos Barris. De salientar que devido ao mau tempo dos últimos dias, estes troços foram todos alvos de intervenção para garantir a segurança dos ciclistas.

O pelotão seguirá em direcção a Palmela para a subida de segunda categoria, antes de ir para a Serra da Arrábida. Seguem-se três terceiras categorias: Alto das Necessidades (aos 108,8 quilómetros), Picheleiros (117,1) e Arrábida (130,8). A última estará a menos de 15 quilómetros da meta.

Esta é uma daquelas corridas que se gosta de apelidar de rompe pernas. Uma chegada ao sprint é improvável, mas ao contrário do que aconteceu em 2017 - com a chegada em Palmela -, também não significa que seja mais para os trepadores. Amaro Antunes (então na W52-FC Porto) venceu, com Sérgio Paulinho (Efapel) a ficar em segundo. O norueguês Andreas Vangstad (Team Sparebanken Sor) fechou o pódio. No top dez ficaram ciclistas como Vicente Garcia de Mateos, Joni Brandão e Frederico Figueiredo.

Os ciclistas da casa

Será interessante seguir Rafael Reis e Ruben Guerreiro. São dois ciclistas que conhecem as estradas da zona da Arrábida como poucos, pois afinal são daquela zona. O primeiro estará com a Caja Rural - tendo ao seu lado Joaquim Silva e atenção a este ciclista -, enquanto o campeão nacional - e que recentemente terminou em segundo na etapa do Malhão na Volta ao Algarve - será um dos elementos da selecção nacional, juntamente com José Mendes, Ricardo Vilela e o jovem Daniel Viegas.

Com a segunda categoria a ser a primeira das subidas, poderá haver tempo para algumas recuperações caso alguém perca pouco tempo, mas esta é uma corrida que tem potencial para ser muito atacada e será muito difícil alguma equipa tentar controlar. Domingos Gonçalves venceu na semana passada a Clássica da Primavera e é um forte candidato a dar mais uma vitória à Rádio Popular-Boavista. Dependendo do seu momento de forma, esta é uma corrida que também assenta bem a Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), mas a verdade é que esta é uma competição muita aberta, com muitas variáveis. Uma delas será a meteorologia. Vento, chuva... Vai ser um teste à resistência física e mental dos ciclistas.

Além das nove equipas Continentais portuguesas, estarão ainda as de clube ACDC Trofa-Trofense, FGP-Cube-Bombarral, Fortunna-Maia, Jorbi-Team José Maria Nicolau e a Sicasal-Constantinos-Delta Cafés. De Espanha vem a amadora Alumínios Cortizo-Anova, mas o destaque vão para as Profissionais Continentais Caja Rural e Euskadi Basque Country-Murias. Da Rússia virá a Lokosphinx e do Reino Unido estará a equipa de Bradley Wiggins, a Team Wiggins. Ambas pertencem ao escalão Continental.

Troféu em disputa

A Clássica da Arrábida é a segunda corrida do Troféu Liberty Seguros, que ficará encerrado no final do mês na Clássica Aldeias do Xisto (25 de Março). Tiago Machado é o líder depois de vencer a Prova de Abertura Região de Aveiro, pela selecção nacional, mas não estará presente, tal como o primeiro da juventude, Rui Oliveira, que também vestiu as cores de Portugal na primeira corrida.

Por isso, acrescenta-se mais dois nomes de ciclistas a seguir este domingo. João Matias (segundo na Torreira atrás de Machado) tem estado muito bem no início de temporada, tanto na estrada como na pista. E já se sabe que não sendo um trepador, não se deixa intimidar, como deixou bem claro quando ando de camisola azul na montanha na Volta a Portugal, que só perdeu na etapa da Serra da Estrela. Ao corredor da Vito-Feirense-BlackJack, junta-se Luís Mendonça, terceiro na primeira prova. Pode ser um sprinter, mas o ciclista da Aviludo-Louletano-Uli está numa grande forma e a subir muito bem. Recuando à Volta ao Algarve, na Fóia perdeu apenas um minuto para o vencedor Michal Kwiatkowski e no Malhão 2:22 minutos.

Podem querer equiparar à Strade Bianche devido ao sterrato - com as devidas diferenças, naturalmente -, mas a Clássica da Arrábida demonstrou que tem a sua própria personalidade e só se pode esperar que encontre as condições necessárias para crescer. É uma pena que não tenha transmissão televisiva, pelo que é mais uma razão para ver in loco.

Em baixo fica a lista de inscritos (clique em cima da imagem para ampliar).



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5 de janeiro de 2018

Calendário nacional com alterações e mais competitividade até Outubro

Falta um mês para a primeira corrida do ano em Portugal. A Prova de Abertura será novamente na região de Aveiro, a 4 de Fevereiro, dez dias antes da prova de maior importância a nível internacional, a Volta ao Algarve (de 14 a 18 de Fevereiro). Verificam-se algumas alterações de forma a tentar preencher melhor o calendário, ou seja, evitar fases extensas sem competições em território nacional. Também se destaca mudanças na Taça de Portugal que será discutida até ao final da temporada.

A Volta ao Alentejo regressa a Março, depois da experiência de a colocar mais perto da Algarvia não ter obtido o resultado desejado, ou seja, as equipas do World Tour ficaram por Portugal. Só a Movistar permaneceu. E Março será um mês bem interessante, pois inclui ainda a Clássica da Primavera, além das duas corridas que completam o Troféu Liberty Seguros: Clássica da Arrábida e Aldeias do Xisto (a primeira é a Prova de Abertura). São duas competições com um percurso espectacular... e muito bonito. O Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela será mais cedo, em Abril. Junho e Julho serão meses em que já muito se estará a pensar na Volta a Portugal (de 1 a 12 de Agosto), mas destaque para os Campeonatos Nacionais, que este ano serão novamente organizados pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Outra das alterações, relativamente a 2017, a ter em conta é a Taça de Portugal. A competição irá terminar apenas na última prova do ano, em Tavira, quando se realizava o Festival de Pista. Serão cinco etapas para se conhecer o vencedor - em 2017 foi Samuel Caldeira (W52-FC Porto) -, a primeira a 10 de Junho, no Memorial Bruno Neves.

Com esta alteração, o calendário nacional mantém-se mais competitivo após a Volta a Portugal, pois serão duas as etapas da Taça que se irão cumprir em Setembro e Outubro, com Agosto a ficar marcado com os habituais circuitos, depois de terminada a Grandíssima.

Neste link pode conferir o calendário de todas as vertentes, mas em baixo ficam as corridas a ter em atenção quanto ao calendário de estrada.

4 de Fevereiro: Prova de Abertura Região de Aveiro-Troféu Liberty Seguros
14 a 18 de Fevereiro: Volta ao Algarve
4 de Março: Clássica da Primavera (Póvoa do Varzim)
11 de Março: Clássica da Arrábida-Troféu Liberty Seguros
14 a 18 de Março: Volta ao Alentejo
25 de Março: Clássica Aldeias do Xisto-Troféu Liberty Seguros
13 a 15 de Abril: Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela
28 de Maio a 3 de Junho: Grande Prémio Jornal de Notícias
9 de Junho: Troféu Concelhio Oliveira de Azeméis
10 de Junho: Memorial Bruno Neves, primeira etapa Taça de Portugal
14 a 17 de Junho: Grande Prémio Abimota
22 a 24 de Junho: Campeonatos Nacionais
1 de Julho: Volta a Albergaria, segunda etapa Taça de Portugal
12 a 15 de Julho: Grande Prémio Torres Vedras-Troféu Joaquim Agostinho
1 a 12 de Agosto: Volta a Portugal
18 de Agosto: Grande Prémio Mortágua, terceira etapa da Taça de Portugal
19 de Agosto: Circuito do Bombarral
20 de Agosto: Circuito de Alcobaça
25 de Agosto: Circuito Póvoa da Galega
26 de Agosto: Circuito da Malveira
27 de Agosto: Circuito da Moita
27 de Agosto: Circuito de Nafarros
16 de Setembro: Quarta etapa Taça de Portugal
6 de Outubro: Quinta etapa Taça de Portugal (Tavira)

Outras corridas:
11 de Março: Primeira etapa Taça de Portugal Júnior
24 de Março: Primeira etapa Taça de Portugal Femininas
25 de Março: Segunda etapa Taça de Portugal Femininas
29 a 31 de Março: Volta a Loulé Júnior
7 e 8 de Abril: Volta a Santa Maria da Feira
14 de Abril: Segunda etapa Taça de Portugal Júnior CRI - Troféu José Poeira
15 de Abril: Terceira etapa Taça de Portugal Júnior CRI - Troféu José Poeira
29 de Abril: Terceira etapa Taça de Portugal Feminina
5 de Maio: Quarta etapa Taça de Portugal Júnior
6 de Maio: Quinta etapa Taça de Portugal Júnior
27 de Maio: Quarta etapa Taça de Portugal Feminina
30 de Junho e 1 de Julho: Campeonato Nacional de Fundo de Cadetes e Júniores
27 de Julho: Volta a Portugal de Cadetes-Liberty Seguros
5 a 9 de Setembro: Volta a Portugal do Futuro