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20 de dezembro de 2019

A dor de cabeça para a atribuição dos convites

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
A mudança de regras para 2020 quanto à atribuição convites para as grandes voltas, além dos 18 lugares automaticamente atribuídos às equipas do World Tour, tornaram-se numa dor de cabeça para as organizações. Passaram de quatro para dois. A tendência recaía muito em dar um wildcard às equipas Profissionais Continentais da casa, o que era e é sempre essencial para manter alguns desses projectos na estrada. Porém, com escolha limitada, também as "estrangeiras" que procurarem um desses convites vêem a probabilidade reduzir drasticamente. É em Espanha onde a concorrência está mais acesa.

Dos quatro lugares até agora disponíveis, um foi ocupado com a subida da Cofidis a World Tour. Passam a ser 19 as equipas neste escalão. A nova regra determina que a melhor equipa Profissional Continental do ranking ganha acesso às três grandes voltas. A vencedora foi a Total Direct Energie, tal como a Cofidis, uma formação francesa. Com os percursos de Giro, Tour e Vuelta já conhecidos, agora falta saber quais serão as eleitas para completar o pelotão que continuará a ser de 22 equipas neste tipo de corridas.

Na Volta a Itália, de 9 a 31 de Maio, uma outra regra ajudou o director Mauro Vegni a respirar de alívio. Uma consequência da diminuição de convites, é que sem ter a perspectiva de uma presença na grande volta do país dessa equipa, é também difícil convencer patrocinadores a financiarem estruturas do segundo escalão. Para os italianos é ainda mais grave tendo em conta que neste momento não têm qualquer equipa World Tour. 

Em 2017, por exemplo, a Androni ficou de fora porque a organização convidou duas equipas estrangeiras e apenas duas da casa: a polaca CCC e a russa Gazprom-RusVelo. Houve polémica. A Androni resolveu desde então essa questão vencendo a Taça de Itália, que dava entrada directa no Giro, ou seja, a equipa que ganhasse ficava com um convite. Isso acaba a partir de 2020. Nas duas últimas edições, a Israel Cycling Academy ficou com um wildcard o que atirou para fora do Giro uma das quatro formação italianas.

A situação já não era ideal, mas ia havendo esperança de um convite. Porém, com quatro equipas italianas e com as novas regras, ficava a certeza que não haveria espaço para todas. A Nippo Vini Fantini Faizanè fechou portas. Vegni continuava a ter de deixar uma equipa de fora e perante o panorama de ver importantes estruturas terminarem, deixar uma equipa italiana de fora começa a ter repercussões mais graves no ciclismo daquele país.

É aqui que entra uma das nova regras que poderá salvar a situação para as três sobreviventes Profissionais Continentais em Itália: Bardiani-CSF-Faizanè, Androni Giocattoli-Sidermec e Vini Zabú-KTM. A vencedora do ranking - neste caso a Total Direct Energie - pode abdicar da presença numa ou mais grandes voltas. Foi o que aconteceu. Os responsáveis da equipa francesa admitiram que não tinham condições para fazer um calendário tão exigente, já que têm de cumprir com as obrigações com os patrocinadores de competir muito em França. Alguns meios de comunicação social avançaram que Mauro Vegni terá ajudado a persuadir a esta escolha, inclusivamente dando dinheiro em troca. Algo não confirmado. Problema resolvido com esta renúncia, não esquecendo que a Israel Cycling Academy (Israel Start-Up Nation em 2020) também será World Tour depois de ter comprado a licença da Katusha-Alpecin, pelo que não entrará nas contas dos convites.

Viajando até França. No Tour (de 27 de Junho e 19 de Julho) a situação até nem se altera muito. Dos quatro convites, três estavam a ir para as equipas da casa, com a belga Wanty Groupe-Gobert (futura Circus-Wanty Gobert) a ficar com o quarto. A Delko Marseille sido excluída, mas é compensada com a presença em clássicas e em corridas por etapas da ASO, como o Paris-Roubaix e o Paris-Nice, por exemplo. Já a Vital Concept-B&B Hotels, criada em 2018, não ficou nada satisfeita por ficar de fora nas últimas duas edições.

Portanto, no Tour, a Cofidis e a Total Direct Energie eram crónicas convidadas, assim como a Arkéa-Samsic, que também não terá problemas em assegurar uma entrada para 2020. Portanto, a Vital Concept-B&B Hotels (o nome dos patrocinadores irá inverter-se a partir de Janeiro) e a Circus-Wanty Gobert estarão na luta pelo último wildcard, com a formação belga a já ter a garantia que estará nas clássicas, pois ao ser segunda do ranking, garantiu esses lugares. A Delko - que terá José Gonçalves no seu plantel - continua a "jogar por fora".

É em Espanha que a concorrência está maior. A Total Direct Energie não abdicou da sua entrada na Vuelta, pelo que só haverá mesmo dois convites. O director Javier Guillén tem estendido a mão às equipas espanholas que surgiram recentemente no segundo escalão, mas agora não o poderá fazer. Ou seja, havia a Caja Rural e nos últimos dois anos a Burgos-BH e Euskadi-Murias subirão ao segundo escalão e foram convidadas. A última não vai para a estrada em 2020, mas chegará a Fundação Euskadi, ou melhor Fundacíon-Orbea (a quarta convidada era a Cofidis, que apesar de ser francesa, a empresa tem muito peso no ciclismo espanhol, sendo, por exemplo, um patrocinador da federação).

Mas a francesa Arkéa-Samsic também quer estar na Vuelta e o seu reforço, Nairo Quintana, até foi à apresentação do percurso. E depois há Mathieu van der Poel. O holandês gostaria de se estrear numa grande volta em Espanha. Resultado, Javier Guillén já alertou que, apesar do orgulho em ter um ciclista como Van der Poel a querer ir à Vuelta, não haverá lugar para a Corendon. Guillén salientou que a prioridade irá para as equipas espanholas, o que criará problemas à Arkéa-Samsic.

Contudo, se o critério caseiro subsistir, qual ficará de fora? A Caja Rural tem uma década de história e tal terá o seu peso. A Fundacíon-Orbea pode só agora chegar ao nível de Profissional Continental, mas o entusiasmo em redor desta equipa e a força do ciclismo basco poderá dar argumentos para lutar com a Burgos-BH, mesmo que esta última tenha feito uma boa Vuelta em 2019 (Ángel Madrazo venceu uma etapa e andou vários dias com a camisola de líder da montanha).

Sendo a última grande volta (de 14 de Agosto a 6 de Setembro), é possível que os convites só sejam atribuídos no mês de Abril, ou seja, a temporada que as equipas estiverem a realizar será outro dos argumentos de peso.

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5 de dezembro de 2019

Total Direct Energie renuncia à Volta a Itália

(Imagem: © Team Total Direct Energie)
No ano em que começou a nova forma de apurar equipas  do segundo escalão para as corridas World Tour, não sendo agora apenas por convite, a Total Direct Energie foi a melhor entre as Profissionais Continentais, mas não vai aproveitar a vaga que estava à sua espera para a Volta a Itália. O director da equipa francesa justifica a decisão com o facto de ter um número insuficiente de ciclistas que lhe permita atacar todas as provas do principal calendário, além do calendário mais caseiro que pretende fazer, ainda que não tenha adiantado se irá renunciar a mais alguma das participações a que tem direito.

"Depois de discutir com os responsáveis desportivos, decidimos não ir. Apesar de estarmos muito felizes pelo primeiro lugar no ranking Pro Continental em Outubro, o nosso recrutamento está quase completo. Não tivemos tempo suficiente para ajustar a nossa força de trabalho", salientou Jean-René Bernaudeau, no comunicado divulgado pela Total Direct Energie. O director da estrutura acrescentou: "Colocar-nos-íamos em perigo se fossemos lá [à Volta a Itália]. O plantel não é suficiente para ter sucesso na Milano-Sanremo, corridas da Flandres, o Giro e a Volta a França."

A possibilidade da Total Direct Energie renunciar à Volta a Itália já tinha sido avançada pelo jornal L'Equipe, que escreveu que o responsável pela prova italiana teria entrado em contacto com Bernaudeau para o persuadir a não ir ao Giro. Assim abriria uma vaga para que pudesse ser convidada uma equipa da casa. Vegni estaria também disponível a compensar financeiramente a formação francesa se renunciasse. 

A compra da Total da empresa Direct Energie traduziu-se não só na continuidade do patrocínio à equipa de ciclismo, como um reforço no orçamento. A formação chegou a ser dada como uma das interessadas em subir ao escalão World Tour, sendo uma das favoritas para conseguir as duas novas licenças que então estavam disponíveis. No entanto, a Total Direct Energie optou por se manter como Profissional Continental e, como é tão natural nas formações deste país, a principal aposta é sempre as competições internas. A AG2R e a Groupama-FDJ estão há muito no World Tour e mesmo assim olham muito para a conquista de bons resultados nas provas francesas, sejam ou não da principal categoria.

A Total Direct Energie vai continuar a olhar para a Volta a França, ainda que a Vuelta deva entrar nos planos da equipa. Já na primeira fase da temporada, as clássicas serão objectivo, ainda mais quando tem um Niki Tepstra na equipa.

Em Itália, a notícia terá sido recebida com alívio pelas três equipas do país que restam no segundo escalão. A Androni Giocattoli-Sidermec, Bardiani-CSF-Faizanè e Neri Sottoli-Selle Italia não terão de lutar por dois convites. Vegni está mais do que interessado em ter as três no Giro numa altura em que o ciclismo italiano perdeu mais uma das equipas que era Profissional Continental. A Nippo-Vini-Fantini fechou portas, em parte por ter uma possibilidade reduzida de participar no Giro. E há que não esquecer que Itália não tem qualquer equipa no World Tour desde que a Lampre-Merida foi vendida à UAE Team Emirates, no final de 2016.

Num outro pormenor relativo à Total Direct Energie, a equipa apresentou há uns dias os novos equipamentos, que não sofreram alterações de maior comparativamente aos que foram adoptados com a chegada da Total. As mangas passam a ser vermelhas (como se pode ver na fotografia em cima), com a justificação que assim os adeptos poderão identificar mais rapidamente os ciclistas da formação francesa.


11 de abril de 2019

As novas cores da agora Total Direct Energie

(Fotografia: Facebook Total Direct Energie)
Antes da Sky apresentar-se com um novo equipamento e nome no próximo mês, é a francesa Direct Energie a autora da primeira grande mudança do ano. A estreia será no Paris-Roubaix, este domingo. O preto e amarelo darão lugar ao azul e branco e à Total Direct Energie, novo nome da formação de Niki Terpstra e Lilian Calmejane.

Estava a ser a quarta temporada do patrocinador, mas a petrolífera Total adquiriu a Direct Energie, pelo que a imprensa francesa já avançava com a possibilidade da empresa colocar também o seu nome no ciclismo. Mas esta entrada da Total irá trazer mais à estrutura do que a mudança de nome, a começar por um provável aumento no orçamento. O primeiro objectivo é a subida a World Tour, tendo pedido a licença para o período de 2020-2022. Agora terá esperar para saber se é uma das eleitas, sendo que, na estrada, está na luta pelos pontos para o melhor ranking possível e assim ter o mérito desportivo do seu lado. Contudo terá ainda de corresponder às regras financeiras, éticas, organizacionais e administrativas.

Mas para já é tempo de mostrar as novas cores e a mudança é radical, respeitando as cores que distinguem a Total. A equipa anunciou através de um vídeo publicado nas redes sociais (ver em baixo). Infelizmente para a formação, não terá no dia de estreia a sua principal estrela das clássicas do pavé, pois Niki Terpstra, o grande reforço de 2019, caiu na Volta a Flandres e sofreu uma concussão cerebral. Por precaução, não irá competir no monumento Paris-Roubaix, que venceu em 2014. O holandês também conquistou a Flandres em 2018.

Esta situação poderá levar Adrien Petit e Anthony Turgis a assumirem um maior protagonismo na nova fase de uma equipa que já teve outros nomes, como Europcar por exemplo, já passou por algumas dificuldades, mas foi sobrevivendo e quer agora voltar a subir de nível, procurando também figuras que ocupem o lugar deixado por Thomas Voeckler.