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8 de abril de 2021

Juventude e ambição totalmente em português

Fotografia: Facebook LA Alumínios-LA Sport
A contagem decrescente está quase a terminar para o arranque da época de 2021 em Portugal, este fim-de-semana. E faltava apresentar uma equipa das nove Continentais lusas: a LA Alumínios-LA Sport. Continua a apostar num plantel 100% português e com muita juventude. Um dos reforços é um jovem de... 41 anos! Sérgio Paulinho será a voz da experiência numa formação que viu sair duas das suas figuras: Emanuel Duarte e David Ribeiro.

O director desportivo Hernâni Brôco continua fiel à filosofia deste projecto em ajudar os mais novos na adaptação ao mais alto nível no pelotão nacional, sempre procurando que tal seja feito com a ambição de conquistar vitórias. Foi o que aconteceu em 2019, com a conquista da camisola da juventude da Volta a Portugal e da geral da Volta a Portugal do Futuro.

Claro que estes bons resultados fazem com que seja inevitável que os jovens talentos dêem o salto, como aconteceu com o autor das referidas conquistas. Emanuel Duarte vai prosseguir a sua carreira na Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel.

André Ramalho (25 anos), Marvin Scheulen (24) e Gonçalo Leaça (23) já tinham o seu papel de destaque, mas serão chamados a ainda mais responsabilidade. Da equipa do Tavira chega Marcelo Salvador, à procura de mais oportunidades depois de um 2020 muito difícil dada à falta de competições e que não permitiu ao jovem de 24 anos mostrar-se na sua primeira época na elite, depois de três temporadas na Sicasal-Constantinos.

Na expectativa de uma temporada com mais corridas, Brôco irá querer ver a evolução de ciclistas como Rodrigo Caixas (20 anos), João Macedo (19), Rafael Gouveia (19) e João Medeiros (20). Uma das principais curiosidades será Miguel Salgueiro. No arranque de 2020 este atleta foi aqui apontado como um dos ciclistas a seguir com atenção. Essa avaliação mantém-se.

Aos 21 anos, é um todo o terreno no que diz respeito a competir em várias vertentes e sempre competitivo. Foi terceiro no Nacional de ciclocrosse, com uma queda a prejudicar o objectivo de lutar pelo título. Porém, é na estrada que Salgueiro mais quer afirmar-se. Nas poucas provas de 2020, Brôco contou sempre com este corredor, que não desiludiu.

Ainda estando numa fase de evolução, uma época mais normal em termos de corridas será importante para melhor perceber no que poderá tornar-se este ciclista, sempre pronto a lutar por vitórias, mas também a trabalhar para a equipa. Não sabe correr mal.

Com o mais velho entre os jovens a ter 25 anos, percebe-se a razão por que Sérgio Paulinho é muito bem-vindo, no regresso a uma equipa com o patrocinador que representava quando foi aos Jogos Olímpicos conquistar a medalha de prata (Atenas2004) e que acabaria por ditar o salto para uma grande carreira internacional. Então a equipa era a LA-Pecol.

A sua experiência será essencial durante as corridas, perante companheiros tão jovens e muitos ainda a adaptar-se a competir na elite nacional. Ensinar, aconselhar, guiar será esse o principal papel de Sérgio Paulinho, que depois de na Efapel ter tentado assumir-se como um líder, mas ter preferido ser novamente um gregário importante, será agora um referência na aprendizagem dos ciclistas da LA Alumínios-LA Sport.

Não significa que não se veja Paulinho tentar uma vitória. Afinal este deverá ser o seu último ano na brilhante carreira e certamente que sair com um triunfo, seria bem especial. E desta LA Alumínios-LA Sport espera-se isso mesmo: a procura por bons resultados, sendo uma equipa que muito se vê em fugas, sempre pronta a assumir algum risco para alcançar o sucesso.

2020 não correu de feição, principalmente depois de um 2019 que marcou esta nova era do projecto. Para a nova temporada - que para a elite arranca no domingo, na Prova de Abertura Região de Aveiro -, a vontade é de fazer mais e melhor e continuar o caminho de formar jovens ciclistas.

»»União entre uma equipa e um ciclista que tanto querem ganhar novamente a Volta a Portugal««

»»Ano de continuidade mas com um regresso há muito esperado««

»»Kelly-Simoldes-UDO com fasquia mais alta««

21 de fevereiro de 2021

Nacional de ciclocrosse e um pouco de competição num 2021 em espera

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Nada como um temporal no dia antes para ajudar a tornar o percurso de ciclocrosse deste domingo mais complicado, aumentando a emoção na disputa por um título nacional. Houve competição em 2021 em Portugal, enquanto se aguarda pela luz verde para o arranque dos calendários nas diferentes vertentes. A pandemia obrigou a que apenas a categoria de elite pudesse participar no Nacional de ciclocrosse, com 46 corredores a partirem para o circuito em redor do Centro de Alto Rendimento, em Anadia.

34 foram homens, mais 12 mulheres, que em comum tinham a muita vontade de sentir novamente a adrenalina de uma corrida. Entre BTT e estrada, os atletas juntaram-se no ciclocrosse, com o título a ser discutido entre um de cada vertente, na prova masculina. Mário Costa (Axpo/FirstBike Team/Vila do Conde) é um habitué nestas andanças e tem mais um grande resultado na sua carreira. Não teve missão fácil frente ao jovem Miguel Salgueiro (LA Alumínios-LA Sport), um todo-o-terreno que pode ter escolhido a estrada, mas é competitivo em qualquer vertente.

Os dois e Ricardo Marinheiro (Clube BTT Matosinhos) formaram o trio que se destacou inicialmente. Contudo, ao fim de três voltas, Costa e Salgueiro ganharam vantagem, proporcionando uma corrida muito táctica, estudando-se mutuamente. Preparavam-se para discutir o título nacional quando, na penúltima curva, os travões traíram Miguel Salgueiro. Saiu em frente e chegou a cair. Mário Costa cortou a meta com 15 segundos de vantagem sobre Vítor Santos (Axpo/FirstBike Team/Vila do Conde).

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Miguel Salgueiro ficou com a roda danificada na queda e o ciclista terminou a prova a correr, com a bicicleta ao ombro. A vantagem que tinha não lhe permitiu salvar o segundo lugar, mas pelo menos conseguiu subir merecidamente ao pódio.

"Foi um campeonato nacional muito disputado. Era de prever que assim fosse, por tratar-se de um circuito muito plano. Menos mal que choveu bastante ontem, o que tornou o percurso mais selectivo. Houve estudo mútuo nas diferentes partes do circuito, tentando perceber onde se poderia fazer a diferença. Acabei por ter a experiência suficiente para manter a calma e jogar as cartas no sítio certo. Fui feliz e estou satisfeito por voltar a vestir a camisola de campeão nacional de ciclocrosse, que era o mais importante", salientou Mário Costa, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que recuperou a camisola que havia conquistado em 2018.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
A corrida feminina ficou marcada pelo domínio de Ana Santos. Sub-23 de primeiro ano foi pela terceira vez campeão de elite. A atleta da X-Sauce Factory Team rapidamente ganhou vantagem, que aumentou a cada volta que completava. Joana Monteiro (Axpo/FirstBike Team/Vila do Conde) foi segunda, a 2:25 segundos, com Daniela Pereira (Clube BTT Matosinhos) a cortar a meta 5:09 depois da vencedora, para fechar o pódio.

"Vinha com o objectivo de dar o melhor de mim. Era importante ver em que condição me encontro, até porque já não corríamos há muito tempo. Dei o máximo ao longo de toda a prova, num circuito muito duro devido à lama. Foi excelente voltar à competição, no meu primeiro ano de sub-23. Será uma época em que pretendo ganhar experiência, fazendo o maior número possível de provas fora de Portugal para me adaptar ao ritmo internacional", referiu Ana Santos.

Próximas corridas? É esperar para ver. Duas de BTT programadas para Março já foram adiadas, sendo que na estrada - depois da Volta ao Algarve ter sido "empurrada" de Fevereiro para Maio (se a UCI aceitar a nova data) - a 7 de Março está agendada a Prova de Abertura Região de Aveiro, seguindo-se mais tarde a Clássica da Arrábida e a da Primavera, com a Volta ao Alentejo a já ter sido adiada também. Porém, para já, a incerteza quanto à realização das provas continua.

Classificação masculina e feminina (quadros Federação Portuguesa de Ciclismo).


Pode ver a tabela masculina completa neste link.

9 de dezembro de 2020

Miguel Salgueiro o melhor português na estreia do Mundial de Ciclismo Electrónico

© Federação Portuguesa de Ciclismo
O ciclismo saiu da estrada para o mundo virtual durante o confinamento, altura em que plataformas como a Zwift ganharam ainda mais utilizadores. Porém, foi a confirmação do que já se estava a verificar em tempos recentes. Em 2019 foi anunciado o primeiro Mundial virtual, apelidado de Electrónico. Mal se sabia o que se viria a viver poucos meses depois e como esta prova acabou por ter outra relevância, quando até já se realizaram uma Volta a Flandres e um Tour. Alguns dos grandes nomes do ciclismo de estrada participaram na corrida que se realizou esta quarta-feira. Entre os portugueses, Miguel Salgueiro mostrou que também nesta vertente podem contar com ele para alcançar bons resultados.

O ciclista da LA Alumínios-LA Sport esteve acompanhado por Jorge Magalhães (W52-FC Porto) e por Maria Martins (Drops), que tiveram como "base" o Centro de Alto Rendimento, em Anadia. O trio representou a selecção portuguesa, com Miguel Salgueiro a terminar na 33ª posição, a 32:33 segundos do vencedor, Jason Osborne. O alemão, de 26 anos, tornou-se assim no primeiro campeão do mundo do ciclismo electrónico, com a sul-africana Ashleigh Moolman Pasio (35) a alcançar o feito entre as mulheres.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
A prova feminina foi decidida ao sprint, com a australiana Sarah Gigante a ficar em segundo e com a sueca Cecilia Hansen a fechar o pódio, cortando a meta com apenas um segundo de diferença. Moolman Pasio completou os 50,035 quilómetros em 1:13.27 horas, com Maria Martins a ser 52ª, muito longe da discussão da corrida. A ciclista portuguesa regressou recentemente de férias e acusou a falta de ritmo.

Quanto a Miguel Salgueiro, estrada, BTT, ciclocrosse e até pista são vertentes em que já demonstrou como é competitivo. Agora comprova o seu estatuto de todo-o-terreno numa bicicleta no ciclismo electrónico.

"Foi uma prova muito dura, arrancou logo muito rápida. Tive de fazer vários sprints ao longo da corrida para conseguir manter-me no pelotão, mas este é um tipo de esforço a que me adapto bem. Isto acaba por ser uma corrida de eliminação. Mantive-me no grupo da frente e, na fase final, apesar de já estar muito desgastado, tentei a minha sorte. Foi demasiado cedo. Paguei a falta de experiência, pois nunca tinha competido a este nível, mas fica a aprendizagem para o futuro", afirmou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Salgueiro atacou no último quilómetro. Não resultou, mas terminou a prova atrás de corredores como o britânico Tom Pidcock (reforço da Ineos para 2021) e o belga Victor Campenaerts. Mas mais nomes bem conhecidos participaram, como Edvald Boasson Hagen, Michael Valgren, Rigoberto Uran e Domenico Pozzovivo, por exemplo.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Jorge Magalhães foi 49º, a 4:02 minutos de Osborne, tendo perdido contacto com o grupo da frente a meio da prova. "Foi quase um sprint na subida, como sou pouco explosivo, acabei por não conseguir passar na frente e depois já não foi possível regressar ao grupo da frente", explicou.

Watopia tornou-se uma popular subida na plataforma Zwift, que foi a parceira do primeiro Mundial de uma vertente que a UCI abraçou. De referir que Osborne foi o mais forte no sprint final, batendo dois dinamarqueses: Anders Foldager (a 1:74 segundos) e Nicklas Pedersen (a 2:09 segundos).

»»Vozes da experiência mudam de equipa mas continuam a competir««

28 de agosto de 2020

Equipa Portugal fecha Europeus com um top cinco

Daniela Campos discutiu o sprint na prova de juniores
No último dia dos Campeonatos Europeus em Plouay, França, a selecção portuguesa teve mais um dia de grande nível exibicional, mas também voltou a sofrer alguns azares, algo que marcou a prestação durante as provas da última semana. A júnior Daniela Campos fechou no quinto lugar a corrida de fundo, em mais um excelente resultado, pois já tinha sido nona no contra-relógio.

Problemas mecânicos, um furo, uma queda, questões físicas... A Equipa Portugal sai de Plouay com uma lista bem preenchida de tudo o que se quer que não aconteça, mas aconteceu. Ainda assim. Entre juniores, sub-23 e elite, o balanço final só pode ser positivo.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Daniela Campos é a prova disso mesmo. A júnior demonstrou estar muito atenta às movimentações que aconteceram nos 68,25 quilómetros de prova. Conseguiu ficar sempre na frente, evitando ter de fazer recuperações. Os consecutivos cortes que se foram verificando acabaram por determinar o grupo de cerca de 20 ciclistas que ficaram em melhores condições de discutir as medalhas.

Daniela Campos conseguiu um quinto lugar, num sprint ganho pela italiana Eleonora Gasparrini, com as  belgas Matith Vanhove e Katrijn de Clercq, a serem segunda e terceira, respectivamente. Para a portuguesa é um resultado de revela a boa evolução como atleta no último ano.

Beatrix Roxo ficou do lado azarado da selecção. Segundo explica a Federação Portuguesa de Ciclismo, a jovem ciclista teve uma avaria logo na primeira volta ao circuito e foi ainda vítima de outra situação de corrida. Depois, quando estava quase a reentrar no grupo principal, esteve "partiu", deixando a portuguesa nos lugares mais atrasados. Terminaria no 40º lugar, a 10:22 minutos de Gasparrini.


Nos juniores masculinos, os azares continuaram a perseguir os ciclistas portugueses. Fábio Fernandes teve um furo e João Ferreira foi vítima de queda. Dado o elevado ritmo da prova, ambos acabaram por não conseguir manter-se na frente e abandonaram. dinamarquês Kasper Andersen sagrou-se campeão europeu, com o checo Pavel Bittner e o belga Arnaud de Lie a completarem o pódio (classificação neste link).

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Na quinta-feira, foi Miguel Salgueiro a figura, ao alcançar um excelente nono lugar na corrida de sub-23. O português foi um dos melhores no pelotão que perseguiu sem sucesso uma fuga que decidiria as medalhas. O norueguês Jonas Iversby Hvideberg venceu, com o dinamarquês Anthon Charmig e o checo Vojtech Repa a ficarem com a medalha de prata e bronze, respectivamente.

"Foi mais uma boa corrida da nossa selecção. Apesar da falta de ritmo conseguimos estar com os melhores, discutindo as posições cimeiras. Penso que o estágio prévio ao Europeu foi uma importante preparação. O Miguel esteve muito bem, arriscando quando foi necessário e entrando no sprint nas primeiras posições do pelotão, condição fundamental para se poder aspirar a um bom resultado", salientou o seleccionador José Poeira.

Sprint final da prova de sub-23
Guilherme Mota foi 70º, a 55 segundos, e Afonso Silva 83º, a 2m52s. Pedro Miguel Lopes integrou a fuga que viria a discutir as medalhas, mas, infelizmente, acabou por abandonar devido a cãibras.

E há que recordar que na prova de fundo elite, Rui Costa teve problemas com o selim, o que lhe retirou a oportunidade de lançar o ataque que pretendia para lutar pela vitória. No conta-relógio foi Rafael Reis que teve problemas com as mudanças, o que o afastou de um muito provável top dez.

No entanto, na corrida de fundo, a Equipa Portugal realizou uma das melhores exibições colectivas que já se tinha assistido, merecendo um resultado bem mais recompensador. Contudo, tendo em conta que foi preciso discutir o sprint, o 14º lugar de Rui Oliveira foi muito positivo. Até porque o gémeo também teve um pequeno azar ao ser fechado e ter de parar de pedalar por instantes.

Apesar da lista de imprevistos, o importante a retirar é que em todos os escalões as exibições foram de nota e motivantes, ainda mais num ano em que as corridas são escassas e que não é fácil ter picos de forma.


24 de novembro de 2019

Passo de qualidade e de sucesso na LA Alumínios-LA Sport

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Vitória na classificação da juventude da Volta a Portugal, conquista da Volta a Portugal do Futuro e mais duas etapas, um circuito e outros bons resultados que foram levando alguns ciclistas da LA Alumínio-LA Sport ao pódio, ou, pelo menos, mostravam, corrida após corrida, como estavam a evoluir. Depois do um ano zero de 2018 como equipa Continental sub-25, foi dado um grande passo de qualidade. E a ambição continua a crescer, com reforços bem interessantes a chegar à equipa de Hernâni Brôco.

Com a UD Oliveirense-InOutBuild e a Miranda-Mortágua a serem há alguns anos referências na formação de jovens ciclistas - para referir as outras duas estruturas de clube que subiram a Continental - , em duas temporadas a LA Alumínios-LA Sport mostrou que quer e pode também ser um bom exemplo. Desde a criação da equipa que o director desportivo tem um discurso de motivar os seus atletas, para acreditarem neles perante um pelotão com ciclistas com mais experiência, passando a palavra que era possível triunfar um dia atingir o sonhado triunfo. Ao segundo ano chegaram as vitórias e logo aquelas que estas três equipas colocam como principais objectivos.

É preciso não esquecer que, como patrocinador, a LA Alumínios deixou uma estrutura de elite para apostar nos jovens e não demorou a alcançar destaque. O que Emanuel Duarte fez na Volta a Portugal marcará a ainda curta carreira, mas também foi de extrema importância para a equipa. Há um ano, foram as constantes presenças em fugas que ajudaram a mostrar a camisola. Agora esteve no pódio final com uma das camisolas.

E inevitavelmente Emanuel Duarte terminou a época como uma das grandes figuras. Vencer a camisola da juventude e depois conquistar a Volta a Portugal do Futuro comprovou o potencial que Brôco viu neste ciclista que conheceu na Sicasal-Constantinos (estrutura também de extrema relevância na formação em Portugal), sendo que em 2018, Duarte esteve na FGP-Cube-Bombarral. Será agora um ciclista que irá gerar alguma curiosidade na sua evolução, numa altura em que passará ao escalão de elite.

Mas há outro ciclista que não pode ficar esquecido. David Ribeiro representa tudo o que Brôco pede aos seus corredores. É muito combativo e essa características levaram-o ao pódio na Volta ao Algarve um dia para vestir a camisola da montanha, feito que repetiu na Volta a Portugal. Não as manteve, mas não deixou de ser um destaque quando se fala das duas competições mais importantes em Portugal. Além disso, passou 2019 na luta por bons resultados e não surpreende que vá continuar, assim como Emanuel Duarte.

Hernâni Brôco vai mesmo manter grande parte do seu plantel, pois tanto Gonçalo Leaça - que tal como Ribeiro está na equipa desde 2018 - Marvin Scheulen e André Ramalho (vencedor do Circuito de Alcobaça) deram garantias que podem contribuir para que a LA Alumínios-LA Sport possa dar mais um passo em frente em 2020. Rodrigo Caixas também irá prosseguir e depois de um ano de adaptação, visto ter sido o seu primeiro como sub-23, a responsabilidade e a aposta neste jovem irá aumentar.

Quanto a reforços, chegará um ciclista muito importante. Bruno Silva foi um dos homens de trabalho da Efapel nos últimos três anos, mas aos 31 anos irá assumir funções bem diferentes. Bruno Silva terá a oportunidade de ser líder, mas será principalmente uma voz de comando e de muita experiência, que poderá fazer diferença num grupo com os ciclistas muito jovens. António Barbio teve esse papel esta temporada, mas decidiu colocar um ponto final na carreira aos 25 anos, tal como André Crispim (23).

Na Efapel não foram muitas as oportunidades que teve para se mostrar, mas em 2019, por exemplo, ganhou o Circuito de Nafarros e somou classificações da montanha: na Volta a Castela e Leão, Memorial Bruno Neves e no Grande Prémio Jornal de Notícias.

Depois chegará Miguel Salgueiro. E fica já o aviso para se seguir com muita atenção este ciclista. É o autêntico todo-o-terreno numa perspectiva que não há vertente em que não tenha qualidade. BTT, ciclocrosse, Salgueiro está sempre na luta por vitórias, tal como na estrada. A sua subida a uma equipa Continental era previsível depois das boas temporadas na Sicasal-Constantinos e de se já ter destacado como júnior. Ciclista rápido e, lá está, muito combativo como Hernâni Brôco tanto gosta. Impossíveis para Salgueiro, não existem.

O açoriano João Medeiros convenceu a LA Alumínios-LA Sport durante o estágio na segunda metade da temporada, com o júnior João Macedo a ser outra das contratações. Venceu a Volta ao Concelho de Loulé, uma das competições de referência do escalão. Estava no Bairrada, estrutura que não é estranha a ver ciclistas seus chegarem longe no ciclismo, por exemplo, João Almeida, que vai para a Deceuninck-QuickStep. Outro júnior a subir a sub-23 será Rafael Gouveia, que será promovido da equipa de Paio Pires.

A LA Almunínios-LA Sport vai querer continuar a afirmar-se na luta da juventude, mas o próximo passo já começa a passar por almejar a uma conquista de maior destaque entre a elite.

Equipa para 2020: Emanuel Duarte (22 anos), David Ribeiro (24), Marvin Scheulen (22), André Ramalho (23), Gonçalo Leaça (22), Rodrigo Caixas (19), Bruno Silva (31, Efapel), Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos), João Macedo (18, Bairrada), João Medeiros (19, Juventude Lajense/Terauto/Bike, estagiou com a LA Alumínios-LA Sport na segunda metade da temporada de 2019), Rafael Gouveia (18, Paio Pires).

Veja aqui as conquistas das nove equipas Continentais portuguesas em 2019.


»»Trio de luxo para colocar bem alta a expectativa da Efapel««

»»Regresso de Joaquim Silva fecha plantel mais experiente««

30 de setembro de 2019

Portugal cumpre objectivos nuns Mundiais nada fáceis de enfrentar

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Com o final dos Campeonatos Mundiais em Yorkshire é tempo de fazer balanços e não há dúvidas que países como Estados Unidos, Itália e Holanda saíram bastantes felizes, ainda que as últimas duas selecções tenham visto escapar o título na elite masculina. A Dinamarca também não tem razões de queixas com Mikkel Bjerg a fazer história nos sub-23 (terceiro título consecutivo no contra-relógio) e Mads Pedersen a surpreender tudo e todos na elite. A Bélgica é das equipas que sai mais cabisbaixa, enquanto a selecção de Portugal apontava mais com João Almeida, mas as condições eram difíceis para fazer melhor. Já Rui Costa cumpriu, garantindo o seu quarto top dez em Mundiais.

A comitiva nacional variou entre querer dar experiência aos mais novos - como os juniores Daniela Campos, João Carvalho e André Domingues e também a Maria Martins que, sendo sub-23, correu pela primeira vez na elite por não haver este escalão no sector feminino - e apostar no talento de João Almeida e experiência de Rui Costa, sem esquecer Nelson Oliveira.

Os eleitos para os sub-23 tinham potencial para fazer um bom resultado. João Almeida é um dos jovens que se vai estrear no próximo ano no World Tour, na Deceuninck-QuickStep, André Carvalho está numa das melhores equipas de formação, a americana Hagens Berman Axeon, enquanto Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos) é um dos principais talentos a emergir em Portugal. Já Emanuel Duarte venceu a classificação da juventude da Volta a Portugal e a geral da Volta a Portugal do Futuro, numa época marcante na LA Alumínios-LA Sport como Continental sub-25.

O mau tempo dificultou a missão dos dois primeiros no contra-relógio, com João Almeida a inclusivamente cair. Na prova em linha, as dificuldades de um percurso que chegou a ser encurtado para que os ciclistas não terminassem já com pouca luz natural, devido ao mau tempo e ao horário da corrida (foi no mesmo dia das juniores femininas), acabaram por deixar Portugal longe de um bom resultado, com nenhum dos ciclistas a conseguir ficar na frente da prova quando começaram a verificar-se cortes. André Carvalho foi o melhor, na 30ª posição, com Emanuel Duarte a abandonar.

Na elite, Nelson Oliveira ficou a 14 segundos da medalha de bronze no contra-relógio, continuando a ficar constantemente entre os melhores do mundo nesta especialidade. Foi oitavo, mas o terceiro posto ficou ali tão perto! O ciclista da Movistar teve depois a missão de ajudar Rui Costa na prova em linha e fez o seu trabalho, tal como José Gonçalves e Rui Oliveira. Em condições meteorológicas miseráveis, que levaram a UCI a cortar duas subidas na fase inicial da corrida, não foi fácil conseguir depois chegar ao fim.

Os três acabariam por abandonar, com Ruben Guerreiro a resistir um pouco mais, ele que poderia funcionar como joker. Porém, também não terminaria, deixando a corrida já depois de garantir que Rui Costa ficava no grupo certo. A partir daí o campeão do mundo de 2013 ficou sozinho. Não foi com Mathieu van der Poel, na movimentação que levou os últimos ciclistas à frente da corrida, pelo que o português ficou a enfrentar a difícil missão de resistir à chuva e frio, sem que ninguém trabalhasse para fechar a diferença. O 10º lugar foi um objectivo cumprido, com Rui Costa a mostrar como tem tendência a aparecer bem nos Mundiais.

"Foi preciso estar muito forte psicologicamente para encarar um Mundial como este, porque foi um dia de muita chuva e frio. Durante uma prova tão longa como esta [261,8 quilómetros], muitas coisas nos passam pela cabeça. As sensações eram boas no início, mas a meio não estava tão bem. Foi preciso ultrapassar esses momentos difíceis, esse sofrimento, para chegar melhor aos últimos quilómetros. A corrida fez-se muito dura com o frio e com a chuva", explicou Rui Costa, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O ciclista considera que o percurso original teria feito uma maior selecção de ciclistas mais cedo, contudo ficou satisfeito com mais um top dez, terminando a 1:10 minutos de Mads Pedersen.

O seleccionador José Poeira não pôde contar com Domingos Gonçalves, que não viajou para Inglaterra, alegando motivos pessoais. Um ciclista a menos numa corrida tão difícil, é algo a lamentar, mas Rui Costa finalizou da melhor forma. "Apesar dos colegas terem ajudado o Rui Costa em determinada fase da corrida, ele ficou sozinho durante muito tempo. Nessa circunstância, não podia ter feito mais do que fez. Esteve muito bem", salientou José Poeira.

Os Mundiais não serão de grandes recordações não só para algumas equipas, mas também para a própria organização. A intempérie que marcou quase toda a semana de provas, colocou à prova o poder de decisão dos comissários e nem sempre as opções foram consensuais. O contra-relógio de sub-23 ficou marcado por quedas aparatosas devido às condições da estrada, que teve partes que mais pareciam piscinas. No entanto, a prova não foi adiada, como aconteceu depois com a das senhoras. A UCI decidiu encurtar as corridas dos sub-23 e da elite, por diferentes razões. Esta opção agradou a uns e não a outros, dependendo das características dos ciclistas e do que preferiam ver num percurso.

Depois houve a desqualificação de Nils Eekhoff, que numa fase inicial caiu e recuperou posição no pelotão pedalando atrás do carro da equipa. Os comissários só analisaram a situação no final, com recurso ao vídeo-árbitro, depois do holandês ter ganho a corrida de sub-23. Além de se questionar a dualidade de critérios, comparativamente com o que aconteceu na Volta a Espanha com Primoz Roglic e Miguel Ángel López, também se perguntou porque não foi tomada uma decisão mais cedo, evitando a enorme desilusão que o jovem ciclista foi obrigado a enfrentar ao não ser declarado o vencedor.

A nível de público, Yorkshire foi o esperado, mesmo com o mau tempo, principalmente no fim-de-semana. Afinal, é um público mais do que habituado a esta meteorologia. Porém, a chuva, vento e frio, que limitaram as transmissões televisivas e criaram constrangimentos aos ciclistas, acabando por tirar algum brilho aos Mundiais, mas houve espectáculo, surpresas, drama, um filme completo de bom ciclismo, para contrabalançar um pouco do que de mau se viu.

Para o ano, os Mundiais irão disputar-se no Cantão de Vaud e no de Valais, na Suíça.


27 de setembro de 2019

Eekhoff inconformado com desqualificação. Título mundial foi para Itália

(Imagem: print screen)
Nils Eekhoff nem queria acreditar no que lhe estava a acontecer. Samuele Battistella demorou um pouco a perceber o que lhe estava a acontecer. O primeiro ganhou um difícil sprint para ser campeão do mundo de sub-23. Mas foi o segundo que acabou a vestir a camisola do arco-íris. Uma desqualificação que está a custar e muito a Eekhoff aceitar, deu o título ao italiano, numa decisão pouco ou nada pacífica dado o passado recente. Numa fase ainda inicial da corrida, Eekhoff caiu e para recuperar o seu lugar no grupo principal, ficou algum tempo atrás do carro da equipa. Com recurso ao video-árbitro, os comissários da UCI não perdoaram.

De repente a Volta a Espanha regressa à mente. O dia em que Primoz Roglic e Miguel Ángel López ficaram para trás após queda e os comissários autorizaram que ficassem atrás dos carros, enquanto na frente a Movistar atacava. Também fica por perceber porque a decisão não foi tomada durante a corrida, evitando toda esta situação. Eekhoff viu os regulamentos serem respeitados à risca e o holandês não se conforma. "Nem sei bem o que sentir neste momento... estou furioso", desabafou. E explicou o que aconteceu: "Caí e desloquei o ombro, meti no sítio, mas também tive um problema mecânico, por isso demorei mais. Voltei e o carro levou-me até à caravana e a partir daí fui sozinho até ao pelotão."

A queda acontece a cerca de 125 quilómetros da meta. "Na minha opinião, eu lutei. Deveria ser possível após uma queda poder ser levado até à caravana. Não sabia que estava a correr um risco", disse. Até à desqualificação passou cerca de uma hora, mas, entretanto, Eekhoff já tinha sido chamado pelo júri da corrida. Ao ser confirmado que não seria o campeão mundial, o holandês admitiu que só queria ir para casa. No hotel foi confortado pelos pais, mas não será fácil para o jovem ciclista lidar com a desilusão, apesar da SEG Cycling, que o representa, estar a analisar se poderá recorrer da decisão da UCI.

Já Samuele Battistella nem percebia o que se estava a passar quando lhe disseram que era ele o campeão mundial de sub-23, em Yorkshire. Só com a camisola do arco-íris vestida e com a medalha de ouro ao peito, finalmente acreditou e percebeu que era mesmo o seu grande momento. "Sinto-me o vencedor. Ele foi desqualificado e há uma razão porque ele não é o vencedor. Lamento por ele, mas eu sou o vencedor. Isto é o ciclismo", afirmou o italiano. O suíço Stefan Bissegger ficou com a medalha de prata, enquanto o fenómeno britânico Thomas Pidcock ganhou assim o bronze.


A corrida foi feita a grande ritmo, com os 171,6 quilómetros a serem feito a uma média horária de 44,025. Chuva, frio, vento, foi um daqueles dias que era certo que vai proporcionar uma prova acidentada e muito complicada, se não mesmo impossível, de controlar. E assim foi. O quarteto português que o diga. Nenhum conseguiu ficar no pequeno grupo que viria a discutir a vitória. Na subida de Greenhow foi feita a selecção, na qual já não estava Emanuel Duarte. Miguel Salgueiro acabou por ceder, enquanto André Carvalho e João Almeida, que não estava muito bem colocados, acabaram por ficar no corte. O primeiro ainda se viu envolvido num incidente que não ajudou nada.

Ainda assim, Carvalho foi o melhor português, na 30ª posição, a 3:02 minutos do vencedor. "Eu sabia que devia colocar-me melhor na fase decisiva e tentei fazê-lo, mas tive um toque com um corredor dos Estados Unidos. Não caí, mas perdi alguns metros para a frente e fiquei com o guiador virado para baixo, tendo de fazer mais de 50 quilómetros numa posição incómoda", explicou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Miguel Salgueiro foi 57º e João Almeida 76º, a 12:42 minutos. Emanuel Duarte abandonou.

Da parte da manhã, competiu Daniela Campos, que se estreou na prova de juniores com um 83º lugar, a 13:21 minutos da campeã que confirmou as expectativas, a americana Megan Jastrab. "A corrida foi caótica. A dada altura, para tentar evitar uma queda, fiz um movimento da perna que me deixou com o pé preso entre o quadro e a roda de trás. A bicicleta começou a travar e as corredoras que vinham atrás chocaram comigo e caí pela segunda vez", contou a ciclista. Nesta queda, Daniela Campos teve de trocar de bicicleta e perdeu muito tempo, mas não quis abandonar, mostrando mais uma vez o seu forte carácter.

Este sábado corre Maria Martins, que pela primeira vez estará entre a elite mundial, visto não haver escalão de sub-23 nas corridas femininas. Será o dorsal 143, com a prova a começar às 11:40 (Eurosport 1), sendo 149,4 quilómetros muito exigentes.

Classificações da corrida de sub-23, via First Cycling.




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22 de dezembro de 2017

"Vou apostar mais na estrada. Acho que é o caminho certo"

Seja na estrada, no BTT, no ciclocrosse, na pista, dêem-lhe uma bicicleta e Miguel Salgueiro mostra as suas qualidades de ciclista. Tem dividido o seu tempo principalmente entre as duas primeiras vertentes, mas aos 18 anos fez uma escolha para assim concretizar o objectivo de se tornar profissional. Será na estrada que Salgueiro irá apostar, mas claro que espreitará uma oportunidade para não deixar completamente de parte pelo menos o BTT. Já a pista até se poderá tornar um complemento na sua evolução na estrada.

"Vou apostar mais na estrada. Acho que é o caminho certo. O XCO [uma classe do BTT] não tem grande saída em Portugal e mesmo para fazer carreira lá fora é muito difícil. Penso que o nosso país, apesar de estar a evoluir bastante, ainda não tem as condições para um atleta ser profissional de XCO. Na estrada também é difícil, mas é diferente", explicou ao Volta ao Ciclismo. Esta decisão surge na altura de dar o passo para os sub-23, depois de uma última temporada de júnior muito positiva.

Na ACD Milharado-Escola de Ciclismo Manuel Martins, Salgueiro venceu umas das competições mais importantes do seu escalão, a Volta ao Concelho de Loulé, e uma etapa na Volta a Portugal. "As coisas nunca correm todas como queremos numa época. Houve pontos altos e baixos, houve resultados que estava à espera de melhor e que por algum motivo não consegui e outros que não tinha qualquer objectivo e que correram bastante bem, como foi o caso da Volta a Loulé. Mas acho que foi uma época em grande, tirando um ou outro obstáculo", afirmou. Miguel Salgueiro admitiu que as maiores desilusões aconteceram nos Nacionais, nos de estrada e nos de BTT: "Tive avarias mecânicas em ambos. É algo que não se consegue controlar... Mas saio satisfeito desta época. Penso que foi uma com resultados de relevo."

"[A Sicasal-Constantinos-Delta Café] é uma das melhores [equipas] e espero estar à altura da aposta que estão a fazer em mim"

Em 2018, o jovem ciclista estará na Sicasal-Constantinos-Delta Cafés: "Estou bastante contente. Era a equipa que gostava de ir. É uma das melhores e espero estar à altura da aposta que estão a fazer em mim." Salgueiro não quer colocar a fasquia demasiado alta logo na primeira temporada como sub-23, salientando que será um ano de aprendizagem. "Não podemos ser irrealistas e esperar grandes resultados no primeiro ano de sub-23. É, acima de tudo, um de adaptação. Vai ser uma realidade completamente diferente, mas temos de começar por algum lado e estou disposto a sofrer um bocadinho e dar o meu melhor em todas as provas", referiu.

Grande parte da temporada dos sub-23 é feita em corridas nas quais estão presentes as formações de elite. Porém, Salgueiro não aponta nenhuma como possível para se tentar mostrar. Pelo menos, não para já. "O objectivo em 2018 será aprender ao máximo, evoluir e desfrutar", reiterou. Espera estar na Volta a Portugal do Futuro e a médio prazo na Volta de elite, para assim dizer que a fez em todos os escalões.

No entanto, os sonhos vão bem mais longe. Deixa escapar um grande sorriso ao admitir que gostaria de estar na Volta a França, mas também em clássicas como o Paris-Roubaix e a Volta a Flandres. E claro, os Mundiais: "Poder entrar numa prova e saber que temos a possibilidade de usar a camisola arco-íris durante um ano..." Miguel Salgueiro suspira ao pensar nessa hipótese.

Quer tornar-se num "ciclista completo", precisando de melhorar as suas capacidades de trepador, como o próprio realçou. "Mas não me safo mal", garantiu. Porém, é a "rolar e ao sprint" que se sente mais à vontade. Como contra-relogista também vai deixando boas indicações. A etapa na Volta a Portugal que venceu foi precisamente nesta especialidade e no Troféu Internacional Município de Anadia, que decorreu recentemente no Velódromo Nacional, esteve a bom nível na perseguição individual, tendo sido segundo classificado.

"Os gémeos Oliveira e o João Matias são uma inspiração para qualquer ciclista português"

Ser ciclista em Portugal pode não é fácil, com as dificuldades a surgirem logo nos escalões jovens, mas Miguel Salgueiro elogiou as formações que representou: "Em termos de equipa estive sempre bem. Não me posso queixar de nada, nem no BTT, nem na estrada." Contudo, salientou o apoio essencial dos pais, seja moral, seja financeiro, pois sempre o ajudaram a ter o material que precisava, referindo que tem o que precisa e que as bicicletas topo de gama podem esperar para quando chegar à elite. E reiterou: "Tenho condições para continuar a evoluir aqui em Portugal."

Essa evolução poderá passar também pela pista. Como cadete e no seu primeiro ano de júnior, Salgueiro recordou que fez algumas provas nesta vertente, mas o BTT coincidiu muitas vezes com as corridas de pista este ano e a escolha foi para o XCO. A partir de 2018 será diferente. O ciclista espera ter a oportunidade para apostar também na pista até porque considera que pode tirar grandes benefícios, como acontece com alguns corredores. "Os gémeos Oliveira e o João Matias são uma inspiração para qualquer ciclista português. Temos um campeão do mundo, da Europa, várias medalhas... São uma inspiração", frisou.

Salgueiro demonstra ser um jovem com os pés bem assentes na terra, não se deixando levar por ilusões, mas sim pelo trabalho que quer realizar para mostrar a sua qualidade. O ciclista muda de categoria num ano em que duas equipas que eram de sub-23 estarão no pelotão de elite (Miranda-Mortágua e Liberty Seguros-Carglass), com a LA Alumínios a mudar a sua estrutura para um formato de sub-25. Para jovens como Salgueiro é animador a perspectiva de terem a possibilidade de subir mais rapidamente no pelotão nacional. "É motivador. Alguns atletas que discutiam comigo as corridas em juniores vão dar esse salto [para equipas sub-25]. Mas temos de ir com calma. Estou contente para onde vou. Um passo de cada vez. Mas claro que é motivador para se trabalhar mais e melhor para o mais cedo possível se dar esse salto", disse.

Miguel Salgueiro será um dos jovens a seguir e, para que não exista confusão, caso numa classificação se veja Carlos Salgueiro, será Miguel. É assim que o tratam, mas o seu nome é Carlos Miguel, pelo que o primeiro é o que normalmente é referido nas tabelas. Seja Carlos ou Miguel, a Sicasal-Constantinos-Delta Cafés assegurou um ciclista com potencial para ter o nome em destaque.

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17 de dezembro de 2017

Portugueses com seis medalhas no Troféu Internacional Município de Anadia

Miguel Salgueiro e  Rodrigo Caxias subiram ao pódio na perseguição individual
O último dia de competição no Velódromo Nacional teve os juniores em destaque para Portugal na conquista de medalhas, mas naturalmente que o centro das atenções foram para as disciplinas olímpicas, dominadas pela selecção belga. No final, o saldo registou-se em seis medalhas para ciclistas portugueses, com Ivo Oliveira a ser o único vencedor e com o irmão Rui a ser o único a subir duas vezes ao pódio, no terceiro lugar.

O saldo terminou então com vitória e terceiro lugar no scratch, na categoria de sub-23, terceiro no omnium em elite e este domingo Wilson Esperança (Sicasal-Bombarral) - na foto ao lado - foi segundo no scratch em juniores. Na mesma categoria, Miguel Salgueiro (ACD Milharado) e Rodrigo Caxias (LA Alumínios/SGR Ambiente/CCA Paio Pires) foram ao pódio na perseguição individual, que teve o francês Donavan Grondin como claro vencedor.

Um dos momentos do dia foi de mais um susto para a selecção nacional. Maria Martins caiu na corrida por pontos, mas conseguiu prosseguir. Foi uma competição acidentada para as raparigas da equipa, já que Soraia Silva também caiu no primeiro dia. Antes dessa prova, a júnior Maria Martins tinha tido uma boa prestação no scratch, na categoria de sub-23, terminando na quinta posição. Soraia foi 11ª.

No keirin, disciplina olímpica que não contou com portugueses, a jovem belga Nicky Degrendele bateu a actual vice-campeã europeia Simona Krupeckaite (Lituânia) e a atual campeã olímpica, Elis Ligtlee (Holanda). Nos homens, o lituano Vasilijus Lendel foi o mais forte. O holandês Sam Ligtlee foi segundo e o compatriota Svajunas Jonauskas, terceiro.

Mas a principal atenção acabou por se focar no madison, última corrida do Troféu Internacional Município de Anadia. João Matias e César Martingil uniram esforços pela selecção nacional, enquanto Ivo e Rui Oliveira vestiram as cores da Axeon Hagens Berman. Os gémeos terminaram na sexta posição com nove pontos, enquanto Matias e Martingil foram oitavos, com cinco. A Bélgica terminou com 29, com a prestação de Lindsay de Vylder e Robbe Ghys - dupla campeã de sub-23, seguindo-se duas equipas de holandeses. Em segundo ficaram Dion Beukeboom e Jan-Willem van Schip (23) e a fechar o pódio Yoeri Havik e Wim Stroetinga (15). De recordar que Beukeboom irá em Agosto tentar bater o recorde da hora de Bradley Wiggins.

16 de dezembro de 2017

Nova medalha para Rui Oliveira e os dois pontos que tiraram o bronze a Miguel Salgueiro

Dia intenso de ciclismo de pista no Velódromo Nacional. O omnium foi o principal destaque do programa de sábado do Troféu Internacional Município de Anadia e a selecção portuguesa apostou forte. O trabalho de João Matias, César Martingil, Ivo e Rui Oliveira acabou por resultar numa medalha de bronze para o último, sendo a segunda do gémeo, depois do terceiro lugar na corrida de sub-23 de scratch na sexta-feira. Mesmo a fechar, Miguel Salgueiro viu escapar-lhe o pódio na meta da derradeira corrida do omnium, na categoria de juniores. Por dois pontos, o ciclista do ACD Milharado ficou sem a medalha.

Para se perceber melhor o quanto este bronze de Rui Oliveira é importante e motivador, há que ter em conta que o ciclista da Axeon Hagens Berman começou a pré-época há pouco tempo, sendo esta a primeira competição a pensar em 2018. Depois temos o espanhol Sebastián Mora que soma medalhas na pista e ganhou somando 151 pontos, no conjunto de todas as provas que compõem o omnium. Seguiu-se o americano Daniel Halloway, que tirou o segundo lugar a Rui Oliveira na última prova, a corrida por pontos. Halloway venceu o omnium na Taça do Mundo que se realizou no fim-de-semana passado, ficando desta feita com a prata (144 pontos). Rui somou 139, mas há ainda que referir que Ivo foi sétimo (112), seguindo-se João Matias (13º, 41) e César Martingil (17º, 15).

Nas senhoras, a junior Maria Martins foi mostrar-se à elite, terminando o omnium na 13ª posição, com 48 pontos. A prova foi ganha pela canadiana Stephanie Roorda (156 pontos), com a norueguesa Anita Yvonne Stenberg (146) e a holandesa Winanda Spoor (111) a fecharem o pódio.

(Fotografia: João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Regressando a Miguel Salgueiro, o júnior não está a competir pela selecção, mas teve um companheiro de equipa, Francisco Marques, que muito trabalhou para o ajudar na corrida por pontos. O terceiro lugar era mais do que possível e o júnior português entrou muito bem a tentar somar pontos. Porém, a aliança entre os franceses Donavan Grondin e Victor Charlot acabou por resultar no primeiro e terceiro lugar. Grondin, já com a vitória mais do que garantida (153 pontos), ajudou Charlot (110) a vencer o último sprint da corrida por pontos, o que lhe permitiu ultrapassar Salgueiro, ficando com apenas mais dois pontos. O espanhol Beñat Felipe Lekuona foi segundo (112).

O Troféu Internacional Município de Anadia termina este domingo, com o keirin a abrir o programa às 10:00. Não haverá interrupções até ao final da competição, que deverá acontecer cerca das 15:30.

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»»Gémeos Oliveira lideram selecção no Troféu Internacional Município de Anadia««