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24 de novembro de 2019

Passo de qualidade e de sucesso na LA Alumínios-LA Sport

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Vitória na classificação da juventude da Volta a Portugal, conquista da Volta a Portugal do Futuro e mais duas etapas, um circuito e outros bons resultados que foram levando alguns ciclistas da LA Alumínio-LA Sport ao pódio, ou, pelo menos, mostravam, corrida após corrida, como estavam a evoluir. Depois do um ano zero de 2018 como equipa Continental sub-25, foi dado um grande passo de qualidade. E a ambição continua a crescer, com reforços bem interessantes a chegar à equipa de Hernâni Brôco.

Com a UD Oliveirense-InOutBuild e a Miranda-Mortágua a serem há alguns anos referências na formação de jovens ciclistas - para referir as outras duas estruturas de clube que subiram a Continental - , em duas temporadas a LA Alumínios-LA Sport mostrou que quer e pode também ser um bom exemplo. Desde a criação da equipa que o director desportivo tem um discurso de motivar os seus atletas, para acreditarem neles perante um pelotão com ciclistas com mais experiência, passando a palavra que era possível triunfar um dia atingir o sonhado triunfo. Ao segundo ano chegaram as vitórias e logo aquelas que estas três equipas colocam como principais objectivos.

É preciso não esquecer que, como patrocinador, a LA Alumínios deixou uma estrutura de elite para apostar nos jovens e não demorou a alcançar destaque. O que Emanuel Duarte fez na Volta a Portugal marcará a ainda curta carreira, mas também foi de extrema importância para a equipa. Há um ano, foram as constantes presenças em fugas que ajudaram a mostrar a camisola. Agora esteve no pódio final com uma das camisolas.

E inevitavelmente Emanuel Duarte terminou a época como uma das grandes figuras. Vencer a camisola da juventude e depois conquistar a Volta a Portugal do Futuro comprovou o potencial que Brôco viu neste ciclista que conheceu na Sicasal-Constantinos (estrutura também de extrema relevância na formação em Portugal), sendo que em 2018, Duarte esteve na FGP-Cube-Bombarral. Será agora um ciclista que irá gerar alguma curiosidade na sua evolução, numa altura em que passará ao escalão de elite.

Mas há outro ciclista que não pode ficar esquecido. David Ribeiro representa tudo o que Brôco pede aos seus corredores. É muito combativo e essa características levaram-o ao pódio na Volta ao Algarve um dia para vestir a camisola da montanha, feito que repetiu na Volta a Portugal. Não as manteve, mas não deixou de ser um destaque quando se fala das duas competições mais importantes em Portugal. Além disso, passou 2019 na luta por bons resultados e não surpreende que vá continuar, assim como Emanuel Duarte.

Hernâni Brôco vai mesmo manter grande parte do seu plantel, pois tanto Gonçalo Leaça - que tal como Ribeiro está na equipa desde 2018 - Marvin Scheulen e André Ramalho (vencedor do Circuito de Alcobaça) deram garantias que podem contribuir para que a LA Alumínios-LA Sport possa dar mais um passo em frente em 2020. Rodrigo Caixas também irá prosseguir e depois de um ano de adaptação, visto ter sido o seu primeiro como sub-23, a responsabilidade e a aposta neste jovem irá aumentar.

Quanto a reforços, chegará um ciclista muito importante. Bruno Silva foi um dos homens de trabalho da Efapel nos últimos três anos, mas aos 31 anos irá assumir funções bem diferentes. Bruno Silva terá a oportunidade de ser líder, mas será principalmente uma voz de comando e de muita experiência, que poderá fazer diferença num grupo com os ciclistas muito jovens. António Barbio teve esse papel esta temporada, mas decidiu colocar um ponto final na carreira aos 25 anos, tal como André Crispim (23).

Na Efapel não foram muitas as oportunidades que teve para se mostrar, mas em 2019, por exemplo, ganhou o Circuito de Nafarros e somou classificações da montanha: na Volta a Castela e Leão, Memorial Bruno Neves e no Grande Prémio Jornal de Notícias.

Depois chegará Miguel Salgueiro. E fica já o aviso para se seguir com muita atenção este ciclista. É o autêntico todo-o-terreno numa perspectiva que não há vertente em que não tenha qualidade. BTT, ciclocrosse, Salgueiro está sempre na luta por vitórias, tal como na estrada. A sua subida a uma equipa Continental era previsível depois das boas temporadas na Sicasal-Constantinos e de se já ter destacado como júnior. Ciclista rápido e, lá está, muito combativo como Hernâni Brôco tanto gosta. Impossíveis para Salgueiro, não existem.

O açoriano João Medeiros convenceu a LA Alumínios-LA Sport durante o estágio na segunda metade da temporada, com o júnior João Macedo a ser outra das contratações. Venceu a Volta ao Concelho de Loulé, uma das competições de referência do escalão. Estava no Bairrada, estrutura que não é estranha a ver ciclistas seus chegarem longe no ciclismo, por exemplo, João Almeida, que vai para a Deceuninck-QuickStep. Outro júnior a subir a sub-23 será Rafael Gouveia, que será promovido da equipa de Paio Pires.

A LA Almunínios-LA Sport vai querer continuar a afirmar-se na luta da juventude, mas o próximo passo já começa a passar por almejar a uma conquista de maior destaque entre a elite.

Equipa para 2020: Emanuel Duarte (22 anos), David Ribeiro (24), Marvin Scheulen (22), André Ramalho (23), Gonçalo Leaça (22), Rodrigo Caixas (19), Bruno Silva (31, Efapel), Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos), João Macedo (18, Bairrada), João Medeiros (19, Juventude Lajense/Terauto/Bike, estagiou com a LA Alumínios-LA Sport na segunda metade da temporada de 2019), Rafael Gouveia (18, Paio Pires).

Veja aqui as conquistas das nove equipas Continentais portuguesas em 2019.


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30 de setembro de 2019

Portugal cumpre objectivos nuns Mundiais nada fáceis de enfrentar

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Com o final dos Campeonatos Mundiais em Yorkshire é tempo de fazer balanços e não há dúvidas que países como Estados Unidos, Itália e Holanda saíram bastantes felizes, ainda que as últimas duas selecções tenham visto escapar o título na elite masculina. A Dinamarca também não tem razões de queixas com Mikkel Bjerg a fazer história nos sub-23 (terceiro título consecutivo no contra-relógio) e Mads Pedersen a surpreender tudo e todos na elite. A Bélgica é das equipas que sai mais cabisbaixa, enquanto a selecção de Portugal apontava mais com João Almeida, mas as condições eram difíceis para fazer melhor. Já Rui Costa cumpriu, garantindo o seu quarto top dez em Mundiais.

A comitiva nacional variou entre querer dar experiência aos mais novos - como os juniores Daniela Campos, João Carvalho e André Domingues e também a Maria Martins que, sendo sub-23, correu pela primeira vez na elite por não haver este escalão no sector feminino - e apostar no talento de João Almeida e experiência de Rui Costa, sem esquecer Nelson Oliveira.

Os eleitos para os sub-23 tinham potencial para fazer um bom resultado. João Almeida é um dos jovens que se vai estrear no próximo ano no World Tour, na Deceuninck-QuickStep, André Carvalho está numa das melhores equipas de formação, a americana Hagens Berman Axeon, enquanto Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos) é um dos principais talentos a emergir em Portugal. Já Emanuel Duarte venceu a classificação da juventude da Volta a Portugal e a geral da Volta a Portugal do Futuro, numa época marcante na LA Alumínios-LA Sport como Continental sub-25.

O mau tempo dificultou a missão dos dois primeiros no contra-relógio, com João Almeida a inclusivamente cair. Na prova em linha, as dificuldades de um percurso que chegou a ser encurtado para que os ciclistas não terminassem já com pouca luz natural, devido ao mau tempo e ao horário da corrida (foi no mesmo dia das juniores femininas), acabaram por deixar Portugal longe de um bom resultado, com nenhum dos ciclistas a conseguir ficar na frente da prova quando começaram a verificar-se cortes. André Carvalho foi o melhor, na 30ª posição, com Emanuel Duarte a abandonar.

Na elite, Nelson Oliveira ficou a 14 segundos da medalha de bronze no contra-relógio, continuando a ficar constantemente entre os melhores do mundo nesta especialidade. Foi oitavo, mas o terceiro posto ficou ali tão perto! O ciclista da Movistar teve depois a missão de ajudar Rui Costa na prova em linha e fez o seu trabalho, tal como José Gonçalves e Rui Oliveira. Em condições meteorológicas miseráveis, que levaram a UCI a cortar duas subidas na fase inicial da corrida, não foi fácil conseguir depois chegar ao fim.

Os três acabariam por abandonar, com Ruben Guerreiro a resistir um pouco mais, ele que poderia funcionar como joker. Porém, também não terminaria, deixando a corrida já depois de garantir que Rui Costa ficava no grupo certo. A partir daí o campeão do mundo de 2013 ficou sozinho. Não foi com Mathieu van der Poel, na movimentação que levou os últimos ciclistas à frente da corrida, pelo que o português ficou a enfrentar a difícil missão de resistir à chuva e frio, sem que ninguém trabalhasse para fechar a diferença. O 10º lugar foi um objectivo cumprido, com Rui Costa a mostrar como tem tendência a aparecer bem nos Mundiais.

"Foi preciso estar muito forte psicologicamente para encarar um Mundial como este, porque foi um dia de muita chuva e frio. Durante uma prova tão longa como esta [261,8 quilómetros], muitas coisas nos passam pela cabeça. As sensações eram boas no início, mas a meio não estava tão bem. Foi preciso ultrapassar esses momentos difíceis, esse sofrimento, para chegar melhor aos últimos quilómetros. A corrida fez-se muito dura com o frio e com a chuva", explicou Rui Costa, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O ciclista considera que o percurso original teria feito uma maior selecção de ciclistas mais cedo, contudo ficou satisfeito com mais um top dez, terminando a 1:10 minutos de Mads Pedersen.

O seleccionador José Poeira não pôde contar com Domingos Gonçalves, que não viajou para Inglaterra, alegando motivos pessoais. Um ciclista a menos numa corrida tão difícil, é algo a lamentar, mas Rui Costa finalizou da melhor forma. "Apesar dos colegas terem ajudado o Rui Costa em determinada fase da corrida, ele ficou sozinho durante muito tempo. Nessa circunstância, não podia ter feito mais do que fez. Esteve muito bem", salientou José Poeira.

Os Mundiais não serão de grandes recordações não só para algumas equipas, mas também para a própria organização. A intempérie que marcou quase toda a semana de provas, colocou à prova o poder de decisão dos comissários e nem sempre as opções foram consensuais. O contra-relógio de sub-23 ficou marcado por quedas aparatosas devido às condições da estrada, que teve partes que mais pareciam piscinas. No entanto, a prova não foi adiada, como aconteceu depois com a das senhoras. A UCI decidiu encurtar as corridas dos sub-23 e da elite, por diferentes razões. Esta opção agradou a uns e não a outros, dependendo das características dos ciclistas e do que preferiam ver num percurso.

Depois houve a desqualificação de Nils Eekhoff, que numa fase inicial caiu e recuperou posição no pelotão pedalando atrás do carro da equipa. Os comissários só analisaram a situação no final, com recurso ao vídeo-árbitro, depois do holandês ter ganho a corrida de sub-23. Além de se questionar a dualidade de critérios, comparativamente com o que aconteceu na Volta a Espanha com Primoz Roglic e Miguel Ángel López, também se perguntou porque não foi tomada uma decisão mais cedo, evitando a enorme desilusão que o jovem ciclista foi obrigado a enfrentar ao não ser declarado o vencedor.

A nível de público, Yorkshire foi o esperado, mesmo com o mau tempo, principalmente no fim-de-semana. Afinal, é um público mais do que habituado a esta meteorologia. Porém, a chuva, vento e frio, que limitaram as transmissões televisivas e criaram constrangimentos aos ciclistas, acabando por tirar algum brilho aos Mundiais, mas houve espectáculo, surpresas, drama, um filme completo de bom ciclismo, para contrabalançar um pouco do que de mau se viu.

Para o ano, os Mundiais irão disputar-se no Cantão de Vaud e no de Valais, na Suíça.


27 de setembro de 2019

Eekhoff inconformado com desqualificação. Título mundial foi para Itália

(Imagem: print screen)
Nils Eekhoff nem queria acreditar no que lhe estava a acontecer. Samuele Battistella demorou um pouco a perceber o que lhe estava a acontecer. O primeiro ganhou um difícil sprint para ser campeão do mundo de sub-23. Mas foi o segundo que acabou a vestir a camisola do arco-íris. Uma desqualificação que está a custar e muito a Eekhoff aceitar, deu o título ao italiano, numa decisão pouco ou nada pacífica dado o passado recente. Numa fase ainda inicial da corrida, Eekhoff caiu e para recuperar o seu lugar no grupo principal, ficou algum tempo atrás do carro da equipa. Com recurso ao video-árbitro, os comissários da UCI não perdoaram.

De repente a Volta a Espanha regressa à mente. O dia em que Primoz Roglic e Miguel Ángel López ficaram para trás após queda e os comissários autorizaram que ficassem atrás dos carros, enquanto na frente a Movistar atacava. Também fica por perceber porque a decisão não foi tomada durante a corrida, evitando toda esta situação. Eekhoff viu os regulamentos serem respeitados à risca e o holandês não se conforma. "Nem sei bem o que sentir neste momento... estou furioso", desabafou. E explicou o que aconteceu: "Caí e desloquei o ombro, meti no sítio, mas também tive um problema mecânico, por isso demorei mais. Voltei e o carro levou-me até à caravana e a partir daí fui sozinho até ao pelotão."

A queda acontece a cerca de 125 quilómetros da meta. "Na minha opinião, eu lutei. Deveria ser possível após uma queda poder ser levado até à caravana. Não sabia que estava a correr um risco", disse. Até à desqualificação passou cerca de uma hora, mas, entretanto, Eekhoff já tinha sido chamado pelo júri da corrida. Ao ser confirmado que não seria o campeão mundial, o holandês admitiu que só queria ir para casa. No hotel foi confortado pelos pais, mas não será fácil para o jovem ciclista lidar com a desilusão, apesar da SEG Cycling, que o representa, estar a analisar se poderá recorrer da decisão da UCI.

Já Samuele Battistella nem percebia o que se estava a passar quando lhe disseram que era ele o campeão mundial de sub-23, em Yorkshire. Só com a camisola do arco-íris vestida e com a medalha de ouro ao peito, finalmente acreditou e percebeu que era mesmo o seu grande momento. "Sinto-me o vencedor. Ele foi desqualificado e há uma razão porque ele não é o vencedor. Lamento por ele, mas eu sou o vencedor. Isto é o ciclismo", afirmou o italiano. O suíço Stefan Bissegger ficou com a medalha de prata, enquanto o fenómeno britânico Thomas Pidcock ganhou assim o bronze.


A corrida foi feita a grande ritmo, com os 171,6 quilómetros a serem feito a uma média horária de 44,025. Chuva, frio, vento, foi um daqueles dias que era certo que vai proporcionar uma prova acidentada e muito complicada, se não mesmo impossível, de controlar. E assim foi. O quarteto português que o diga. Nenhum conseguiu ficar no pequeno grupo que viria a discutir a vitória. Na subida de Greenhow foi feita a selecção, na qual já não estava Emanuel Duarte. Miguel Salgueiro acabou por ceder, enquanto André Carvalho e João Almeida, que não estava muito bem colocados, acabaram por ficar no corte. O primeiro ainda se viu envolvido num incidente que não ajudou nada.

Ainda assim, Carvalho foi o melhor português, na 30ª posição, a 3:02 minutos do vencedor. "Eu sabia que devia colocar-me melhor na fase decisiva e tentei fazê-lo, mas tive um toque com um corredor dos Estados Unidos. Não caí, mas perdi alguns metros para a frente e fiquei com o guiador virado para baixo, tendo de fazer mais de 50 quilómetros numa posição incómoda", explicou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Miguel Salgueiro foi 57º e João Almeida 76º, a 12:42 minutos. Emanuel Duarte abandonou.

Da parte da manhã, competiu Daniela Campos, que se estreou na prova de juniores com um 83º lugar, a 13:21 minutos da campeã que confirmou as expectativas, a americana Megan Jastrab. "A corrida foi caótica. A dada altura, para tentar evitar uma queda, fiz um movimento da perna que me deixou com o pé preso entre o quadro e a roda de trás. A bicicleta começou a travar e as corredoras que vinham atrás chocaram comigo e caí pela segunda vez", contou a ciclista. Nesta queda, Daniela Campos teve de trocar de bicicleta e perdeu muito tempo, mas não quis abandonar, mostrando mais uma vez o seu forte carácter.

Este sábado corre Maria Martins, que pela primeira vez estará entre a elite mundial, visto não haver escalão de sub-23 nas corridas femininas. Será o dorsal 143, com a prova a começar às 11:40 (Eurosport 1), sendo 149,4 quilómetros muito exigentes.

Classificações da corrida de sub-23, via First Cycling.




»»Domingos Gonçalves de fora dos Mundiais««

»»Juniores campeões mundiais em Yorkshire já estão a caminho de uma equipa World Tour««

22 de dezembro de 2017

"Vou apostar mais na estrada. Acho que é o caminho certo"

Seja na estrada, no BTT, no ciclocrosse, na pista, dêem-lhe uma bicicleta e Miguel Salgueiro mostra as suas qualidades de ciclista. Tem dividido o seu tempo principalmente entre as duas primeiras vertentes, mas aos 18 anos fez uma escolha para assim concretizar o objectivo de se tornar profissional. Será na estrada que Salgueiro irá apostar, mas claro que espreitará uma oportunidade para não deixar completamente de parte pelo menos o BTT. Já a pista até se poderá tornar um complemento na sua evolução na estrada.

"Vou apostar mais na estrada. Acho que é o caminho certo. O XCO [uma classe do BTT] não tem grande saída em Portugal e mesmo para fazer carreira lá fora é muito difícil. Penso que o nosso país, apesar de estar a evoluir bastante, ainda não tem as condições para um atleta ser profissional de XCO. Na estrada também é difícil, mas é diferente", explicou ao Volta ao Ciclismo. Esta decisão surge na altura de dar o passo para os sub-23, depois de uma última temporada de júnior muito positiva.

Na ACD Milharado-Escola de Ciclismo Manuel Martins, Salgueiro venceu umas das competições mais importantes do seu escalão, a Volta ao Concelho de Loulé, e uma etapa na Volta a Portugal. "As coisas nunca correm todas como queremos numa época. Houve pontos altos e baixos, houve resultados que estava à espera de melhor e que por algum motivo não consegui e outros que não tinha qualquer objectivo e que correram bastante bem, como foi o caso da Volta a Loulé. Mas acho que foi uma época em grande, tirando um ou outro obstáculo", afirmou. Miguel Salgueiro admitiu que as maiores desilusões aconteceram nos Nacionais, nos de estrada e nos de BTT: "Tive avarias mecânicas em ambos. É algo que não se consegue controlar... Mas saio satisfeito desta época. Penso que foi uma com resultados de relevo."

"[A Sicasal-Constantinos-Delta Café] é uma das melhores [equipas] e espero estar à altura da aposta que estão a fazer em mim"

Em 2018, o jovem ciclista estará na Sicasal-Constantinos-Delta Cafés: "Estou bastante contente. Era a equipa que gostava de ir. É uma das melhores e espero estar à altura da aposta que estão a fazer em mim." Salgueiro não quer colocar a fasquia demasiado alta logo na primeira temporada como sub-23, salientando que será um ano de aprendizagem. "Não podemos ser irrealistas e esperar grandes resultados no primeiro ano de sub-23. É, acima de tudo, um de adaptação. Vai ser uma realidade completamente diferente, mas temos de começar por algum lado e estou disposto a sofrer um bocadinho e dar o meu melhor em todas as provas", referiu.

Grande parte da temporada dos sub-23 é feita em corridas nas quais estão presentes as formações de elite. Porém, Salgueiro não aponta nenhuma como possível para se tentar mostrar. Pelo menos, não para já. "O objectivo em 2018 será aprender ao máximo, evoluir e desfrutar", reiterou. Espera estar na Volta a Portugal do Futuro e a médio prazo na Volta de elite, para assim dizer que a fez em todos os escalões.

No entanto, os sonhos vão bem mais longe. Deixa escapar um grande sorriso ao admitir que gostaria de estar na Volta a França, mas também em clássicas como o Paris-Roubaix e a Volta a Flandres. E claro, os Mundiais: "Poder entrar numa prova e saber que temos a possibilidade de usar a camisola arco-íris durante um ano..." Miguel Salgueiro suspira ao pensar nessa hipótese.

Quer tornar-se num "ciclista completo", precisando de melhorar as suas capacidades de trepador, como o próprio realçou. "Mas não me safo mal", garantiu. Porém, é a "rolar e ao sprint" que se sente mais à vontade. Como contra-relogista também vai deixando boas indicações. A etapa na Volta a Portugal que venceu foi precisamente nesta especialidade e no Troféu Internacional Município de Anadia, que decorreu recentemente no Velódromo Nacional, esteve a bom nível na perseguição individual, tendo sido segundo classificado.

"Os gémeos Oliveira e o João Matias são uma inspiração para qualquer ciclista português"

Ser ciclista em Portugal pode não é fácil, com as dificuldades a surgirem logo nos escalões jovens, mas Miguel Salgueiro elogiou as formações que representou: "Em termos de equipa estive sempre bem. Não me posso queixar de nada, nem no BTT, nem na estrada." Contudo, salientou o apoio essencial dos pais, seja moral, seja financeiro, pois sempre o ajudaram a ter o material que precisava, referindo que tem o que precisa e que as bicicletas topo de gama podem esperar para quando chegar à elite. E reiterou: "Tenho condições para continuar a evoluir aqui em Portugal."

Essa evolução poderá passar também pela pista. Como cadete e no seu primeiro ano de júnior, Salgueiro recordou que fez algumas provas nesta vertente, mas o BTT coincidiu muitas vezes com as corridas de pista este ano e a escolha foi para o XCO. A partir de 2018 será diferente. O ciclista espera ter a oportunidade para apostar também na pista até porque considera que pode tirar grandes benefícios, como acontece com alguns corredores. "Os gémeos Oliveira e o João Matias são uma inspiração para qualquer ciclista português. Temos um campeão do mundo, da Europa, várias medalhas... São uma inspiração", frisou.

Salgueiro demonstra ser um jovem com os pés bem assentes na terra, não se deixando levar por ilusões, mas sim pelo trabalho que quer realizar para mostrar a sua qualidade. O ciclista muda de categoria num ano em que duas equipas que eram de sub-23 estarão no pelotão de elite (Miranda-Mortágua e Liberty Seguros-Carglass), com a LA Alumínios a mudar a sua estrutura para um formato de sub-25. Para jovens como Salgueiro é animador a perspectiva de terem a possibilidade de subir mais rapidamente no pelotão nacional. "É motivador. Alguns atletas que discutiam comigo as corridas em juniores vão dar esse salto [para equipas sub-25]. Mas temos de ir com calma. Estou contente para onde vou. Um passo de cada vez. Mas claro que é motivador para se trabalhar mais e melhor para o mais cedo possível se dar esse salto", disse.

Miguel Salgueiro será um dos jovens a seguir e, para que não exista confusão, caso numa classificação se veja Carlos Salgueiro, será Miguel. É assim que o tratam, mas o seu nome é Carlos Miguel, pelo que o primeiro é o que normalmente é referido nas tabelas. Seja Carlos ou Miguel, a Sicasal-Constantinos-Delta Cafés assegurou um ciclista com potencial para ter o nome em destaque.

»»Rui Oliveira: "Foi um primeiro ano espectacular. Aprendi coisas que nunca pensei aprender"««

»»"Estamos confiantes que poderemos criar a curto prazo um projecto muito forte no ciclismo"««

17 de dezembro de 2017

Portugueses com seis medalhas no Troféu Internacional Município de Anadia

Miguel Salgueiro e  Rodrigo Caxias subiram ao pódio na perseguição individual
O último dia de competição no Velódromo Nacional teve os juniores em destaque para Portugal na conquista de medalhas, mas naturalmente que o centro das atenções foram para as disciplinas olímpicas, dominadas pela selecção belga. No final, o saldo registou-se em seis medalhas para ciclistas portugueses, com Ivo Oliveira a ser o único vencedor e com o irmão Rui a ser o único a subir duas vezes ao pódio, no terceiro lugar.

O saldo terminou então com vitória e terceiro lugar no scratch, na categoria de sub-23, terceiro no omnium em elite e este domingo Wilson Esperança (Sicasal-Bombarral) - na foto ao lado - foi segundo no scratch em juniores. Na mesma categoria, Miguel Salgueiro (ACD Milharado) e Rodrigo Caxias (LA Alumínios/SGR Ambiente/CCA Paio Pires) foram ao pódio na perseguição individual, que teve o francês Donavan Grondin como claro vencedor.

Um dos momentos do dia foi de mais um susto para a selecção nacional. Maria Martins caiu na corrida por pontos, mas conseguiu prosseguir. Foi uma competição acidentada para as raparigas da equipa, já que Soraia Silva também caiu no primeiro dia. Antes dessa prova, a júnior Maria Martins tinha tido uma boa prestação no scratch, na categoria de sub-23, terminando na quinta posição. Soraia foi 11ª.

No keirin, disciplina olímpica que não contou com portugueses, a jovem belga Nicky Degrendele bateu a actual vice-campeã europeia Simona Krupeckaite (Lituânia) e a atual campeã olímpica, Elis Ligtlee (Holanda). Nos homens, o lituano Vasilijus Lendel foi o mais forte. O holandês Sam Ligtlee foi segundo e o compatriota Svajunas Jonauskas, terceiro.

Mas a principal atenção acabou por se focar no madison, última corrida do Troféu Internacional Município de Anadia. João Matias e César Martingil uniram esforços pela selecção nacional, enquanto Ivo e Rui Oliveira vestiram as cores da Axeon Hagens Berman. Os gémeos terminaram na sexta posição com nove pontos, enquanto Matias e Martingil foram oitavos, com cinco. A Bélgica terminou com 29, com a prestação de Lindsay de Vylder e Robbe Ghys - dupla campeã de sub-23, seguindo-se duas equipas de holandeses. Em segundo ficaram Dion Beukeboom e Jan-Willem van Schip (23) e a fechar o pódio Yoeri Havik e Wim Stroetinga (15). De recordar que Beukeboom irá em Agosto tentar bater o recorde da hora de Bradley Wiggins.

16 de dezembro de 2017

Nova medalha para Rui Oliveira e os dois pontos que tiraram o bronze a Miguel Salgueiro

Dia intenso de ciclismo de pista no Velódromo Nacional. O omnium foi o principal destaque do programa de sábado do Troféu Internacional Município de Anadia e a selecção portuguesa apostou forte. O trabalho de João Matias, César Martingil, Ivo e Rui Oliveira acabou por resultar numa medalha de bronze para o último, sendo a segunda do gémeo, depois do terceiro lugar na corrida de sub-23 de scratch na sexta-feira. Mesmo a fechar, Miguel Salgueiro viu escapar-lhe o pódio na meta da derradeira corrida do omnium, na categoria de juniores. Por dois pontos, o ciclista do ACD Milharado ficou sem a medalha.

Para se perceber melhor o quanto este bronze de Rui Oliveira é importante e motivador, há que ter em conta que o ciclista da Axeon Hagens Berman começou a pré-época há pouco tempo, sendo esta a primeira competição a pensar em 2018. Depois temos o espanhol Sebastián Mora que soma medalhas na pista e ganhou somando 151 pontos, no conjunto de todas as provas que compõem o omnium. Seguiu-se o americano Daniel Halloway, que tirou o segundo lugar a Rui Oliveira na última prova, a corrida por pontos. Halloway venceu o omnium na Taça do Mundo que se realizou no fim-de-semana passado, ficando desta feita com a prata (144 pontos). Rui somou 139, mas há ainda que referir que Ivo foi sétimo (112), seguindo-se João Matias (13º, 41) e César Martingil (17º, 15).

Nas senhoras, a junior Maria Martins foi mostrar-se à elite, terminando o omnium na 13ª posição, com 48 pontos. A prova foi ganha pela canadiana Stephanie Roorda (156 pontos), com a norueguesa Anita Yvonne Stenberg (146) e a holandesa Winanda Spoor (111) a fecharem o pódio.

(Fotografia: João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Regressando a Miguel Salgueiro, o júnior não está a competir pela selecção, mas teve um companheiro de equipa, Francisco Marques, que muito trabalhou para o ajudar na corrida por pontos. O terceiro lugar era mais do que possível e o júnior português entrou muito bem a tentar somar pontos. Porém, a aliança entre os franceses Donavan Grondin e Victor Charlot acabou por resultar no primeiro e terceiro lugar. Grondin, já com a vitória mais do que garantida (153 pontos), ajudou Charlot (110) a vencer o último sprint da corrida por pontos, o que lhe permitiu ultrapassar Salgueiro, ficando com apenas mais dois pontos. O espanhol Beñat Felipe Lekuona foi segundo (112).

O Troféu Internacional Município de Anadia termina este domingo, com o keirin a abrir o programa às 10:00. Não haverá interrupções até ao final da competição, que deverá acontecer cerca das 15:30.

»»Gémeos Oliveira e João Matias em destaque no primeiro dia de competição««

»»Gémeos Oliveira lideram selecção no Troféu Internacional Município de Anadia««