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24 de novembro de 2019

Passo de qualidade e de sucesso na LA Alumínios-LA Sport

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Vitória na classificação da juventude da Volta a Portugal, conquista da Volta a Portugal do Futuro e mais duas etapas, um circuito e outros bons resultados que foram levando alguns ciclistas da LA Alumínio-LA Sport ao pódio, ou, pelo menos, mostravam, corrida após corrida, como estavam a evoluir. Depois do um ano zero de 2018 como equipa Continental sub-25, foi dado um grande passo de qualidade. E a ambição continua a crescer, com reforços bem interessantes a chegar à equipa de Hernâni Brôco.

Com a UD Oliveirense-InOutBuild e a Miranda-Mortágua a serem há alguns anos referências na formação de jovens ciclistas - para referir as outras duas estruturas de clube que subiram a Continental - , em duas temporadas a LA Alumínios-LA Sport mostrou que quer e pode também ser um bom exemplo. Desde a criação da equipa que o director desportivo tem um discurso de motivar os seus atletas, para acreditarem neles perante um pelotão com ciclistas com mais experiência, passando a palavra que era possível triunfar um dia atingir o sonhado triunfo. Ao segundo ano chegaram as vitórias e logo aquelas que estas três equipas colocam como principais objectivos.

É preciso não esquecer que, como patrocinador, a LA Alumínios deixou uma estrutura de elite para apostar nos jovens e não demorou a alcançar destaque. O que Emanuel Duarte fez na Volta a Portugal marcará a ainda curta carreira, mas também foi de extrema importância para a equipa. Há um ano, foram as constantes presenças em fugas que ajudaram a mostrar a camisola. Agora esteve no pódio final com uma das camisolas.

E inevitavelmente Emanuel Duarte terminou a época como uma das grandes figuras. Vencer a camisola da juventude e depois conquistar a Volta a Portugal do Futuro comprovou o potencial que Brôco viu neste ciclista que conheceu na Sicasal-Constantinos (estrutura também de extrema relevância na formação em Portugal), sendo que em 2018, Duarte esteve na FGP-Cube-Bombarral. Será agora um ciclista que irá gerar alguma curiosidade na sua evolução, numa altura em que passará ao escalão de elite.

Mas há outro ciclista que não pode ficar esquecido. David Ribeiro representa tudo o que Brôco pede aos seus corredores. É muito combativo e essa características levaram-o ao pódio na Volta ao Algarve um dia para vestir a camisola da montanha, feito que repetiu na Volta a Portugal. Não as manteve, mas não deixou de ser um destaque quando se fala das duas competições mais importantes em Portugal. Além disso, passou 2019 na luta por bons resultados e não surpreende que vá continuar, assim como Emanuel Duarte.

Hernâni Brôco vai mesmo manter grande parte do seu plantel, pois tanto Gonçalo Leaça - que tal como Ribeiro está na equipa desde 2018 - Marvin Scheulen e André Ramalho (vencedor do Circuito de Alcobaça) deram garantias que podem contribuir para que a LA Alumínios-LA Sport possa dar mais um passo em frente em 2020. Rodrigo Caixas também irá prosseguir e depois de um ano de adaptação, visto ter sido o seu primeiro como sub-23, a responsabilidade e a aposta neste jovem irá aumentar.

Quanto a reforços, chegará um ciclista muito importante. Bruno Silva foi um dos homens de trabalho da Efapel nos últimos três anos, mas aos 31 anos irá assumir funções bem diferentes. Bruno Silva terá a oportunidade de ser líder, mas será principalmente uma voz de comando e de muita experiência, que poderá fazer diferença num grupo com os ciclistas muito jovens. António Barbio teve esse papel esta temporada, mas decidiu colocar um ponto final na carreira aos 25 anos, tal como André Crispim (23).

Na Efapel não foram muitas as oportunidades que teve para se mostrar, mas em 2019, por exemplo, ganhou o Circuito de Nafarros e somou classificações da montanha: na Volta a Castela e Leão, Memorial Bruno Neves e no Grande Prémio Jornal de Notícias.

Depois chegará Miguel Salgueiro. E fica já o aviso para se seguir com muita atenção este ciclista. É o autêntico todo-o-terreno numa perspectiva que não há vertente em que não tenha qualidade. BTT, ciclocrosse, Salgueiro está sempre na luta por vitórias, tal como na estrada. A sua subida a uma equipa Continental era previsível depois das boas temporadas na Sicasal-Constantinos e de se já ter destacado como júnior. Ciclista rápido e, lá está, muito combativo como Hernâni Brôco tanto gosta. Impossíveis para Salgueiro, não existem.

O açoriano João Medeiros convenceu a LA Alumínios-LA Sport durante o estágio na segunda metade da temporada, com o júnior João Macedo a ser outra das contratações. Venceu a Volta ao Concelho de Loulé, uma das competições de referência do escalão. Estava no Bairrada, estrutura que não é estranha a ver ciclistas seus chegarem longe no ciclismo, por exemplo, João Almeida, que vai para a Deceuninck-QuickStep. Outro júnior a subir a sub-23 será Rafael Gouveia, que será promovido da equipa de Paio Pires.

A LA Almunínios-LA Sport vai querer continuar a afirmar-se na luta da juventude, mas o próximo passo já começa a passar por almejar a uma conquista de maior destaque entre a elite.

Equipa para 2020: Emanuel Duarte (22 anos), David Ribeiro (24), Marvin Scheulen (22), André Ramalho (23), Gonçalo Leaça (22), Rodrigo Caixas (19), Bruno Silva (31, Efapel), Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos), João Macedo (18, Bairrada), João Medeiros (19, Juventude Lajense/Terauto/Bike, estagiou com a LA Alumínios-LA Sport na segunda metade da temporada de 2019), Rafael Gouveia (18, Paio Pires).

Veja aqui as conquistas das nove equipas Continentais portuguesas em 2019.


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8 de setembro de 2019

Emanuel Duarte conquista Volta a Portugal do Futuro

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Final de época de sonho para a LA Alumínios-LA Sport. Depois de conquistar a classificação da juventude na Volta a Portugal, Emanuel Duarte foi até à do Futuro confirmar esse estatuto de melhor jovem vencendo a competição mais desejada para o seu escalão de sub-23. É a afirmação de um projecto 100% português, liderado por Hernâni Brôco.

O ciclista algarvio, de 22 anos, venceu a primeira etapa, na quinta-feira, e não mais largou a camisola amarela. O último dia não foi fácil, com duas segundas categorias em Serra de São Mamede e Cabeço do Mouro. Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos) fugiu para a vitória em Portalegre, com Emanuel Duarte e o companheiro Gonçalo Leaça a controlarem as operações e até conseguiram um pequeno corte de quatro segundos para Pedro Miguel Lopes, que ainda aspirava à vitória final. O jovem da UD Oliveirense-InOutBuild terminou na geral a 1:11 minutos,  saltando da quarta posição para a segunda. Contudo, não conseguiu dar continuidade à senda de vitórias da equipa de Manuel Correia, depois de José Neves ganhar em 2017 e Venceslau Fernandes em 2018.

"É uma alegria imensa. A equipa veio para cá a pensar na vitória. Felizmente conseguimos duas camisolas, a amarela e a branca, o que para nós tem uma importância imensa", salientou Emanuel Duarte, o detentor da amarela, enquanto a branca (dos pontos) ficou para Leaça, que no sábado venceu o contra-relógio. Foi uma Volta a Portugal memorável para a equipa que arrancou em 2018 com um patrocinador bem conhecido do ciclismo nacional, mas com uma nova estrutura, dedicada aos sub-25. Pertence ao escalão Continental, o que permite competir em todas as competições do calendário nacional (e não só), como a Volta ao Algarve e a Volta a Portugal.

O ano zero (2018) não foi fácil, mas foram criadas as bases para que fosse possível preparar melhor 2019 e os resultados estão à vista, pois às conquistas de Emanuel Duarte, junta-se a vitória de André Ramalho no Circuito de São Bernardo, em Alcobaça. Além dos triunfos houve outras exibições de nota, sem esquecer como David Ribeiro foi líder da montanha por um dia na Volta ao Algarve e, depois de muito lutar, também chegou a andar de azul na Volta a Portugal.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Tiago Leal (Miranda-Mortágua) fechou o pódio na Volta a Portugal do Futuro, a 2:00 minutos de Emanuel Duarte. A UD Oliveirense-InOutBuild conquistou a classificação por equipas, com Pedro Miguel Lopes a ter como consolação a camisola laranja da geral da juventude. Com a fuga do último dia, Miguel Salgueiro foi o rei da montanha.

Etapas:

1ª Sertã (115,6 quilómetros): Emanuel Duarte (LA Alumínios-LA Sport)
2ª Abrantes (168,2): Rafael Lourenço (UD Oliveirense-InOutBuild)
3ª Abrantes-Castelo de Vide (79,9): Jose Martinez (Baque-Ideus-BH Team)
4ª Castelo de Vide (8,4 - contra-relógio individual): Gonçalo Leaça (LA Alumínios-LA Sport)

5ª Portalegre (122,8): Carlos Salgueiro (Sicasal-Constantinos)

(Nota: No sábado houve dupla jornada, com uma etapa em linha de manhã e o contra-relógio à tarde.)

Classificações via FirstCycling.


A época de ciclismo em Portugal aproxima-se rapidamente do fim. No sábado (14 de Setembro) realiza-se a última prova de estrada, com a estreia da clássica Rota da Filigrana Gondomar-Póvoa de Lanhoso, que contará com as equipas sub-25 e o pelotão de elite. A 5 de Outubro a temporada encerrá oficialmente com o habitual Festival de Pista de Tavira.

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6 de agosto de 2019

LA Alumínios-LA Sport lidera duas classificações na Volta a Portugal: "Melhor acho que era impossível"

(Fotografia: © João Fonseca Photographer / LA Alumínios-LA Sport)
O objectivo estava bem definido: vestir a camisola da montanha com David Ribeiro, o máximo de tempo possível. Porém, a meio da Volta a Portugal, a LA Alumínios-LA Sport está a superar expectativas, sendo uma das equipas em destaque na prova rainha do ciclismo nacional. Não é qualquer uma que pode dizer que divide as camisolas com a toda poderosa W52-FC Porto, ao vestir duas das quatro em discussão. O feito tem ainda mais significado quando se está perante uma formação que, sendo Continental, é sub-25 e 100% portuguesa. David Ribeiro andou desde a primeira etapa atrás da camisola azul da montanha e finalmente conseguiu-a na Guarda, antes do dia folga. Já Emanuel Duarte subiu a Torre com categoria e veste de branco, como líder da juventude. O que se pode dizer? "Melhor acho que era impossível", afirmou Hernâni Brôco.

É, naturalmente, um director desportivo feliz e muito orgulhoso do que foi alcançado. E esperançoso. É o primeiro a admitir que a sua equipa terá um desafio muito complicado para manter as duas camisolas. Contudo, garantiu que todos os ciclistas vão à luta para que pelo menos uma fiquei na LA Alumínios-LA Sport e assim haver um corredor no pódio no grande final da Volta no Porto. "O que lhes disse foi que chegámos onde chegámos e vamos desfrutar ao máximo do dia de descanso e destas duas camisolas. Agora que as temos vestidas é tentar segurá-las ao máximo e, quem sabe, chegar ao Porto de azul ou de branco. Seria fantástico ficar pelo menos com uma camisola. Sabemos que é difícil, mas vamos lutar por ela com todas as nossas forças", salientou Hernâni Brôco ao Volta ao Ciclismo.

O responsável explicou como o plano inicial era David Ribeiro repetir o feito da Volta ao Algarve, quando vestiu na primeira etapa a camisola da montanha. O basco Peio Goikoetxea começou por estragar a festa, mas Ribeiro não baixou os braços. Hernâni Brôco sabe que com chegadas na Serra do Larouco e na Senhora da Graça pela frente, além de muitas subidas pelo meio, que o seu jovem ciclista de 23 anos, não vai ter uma missão nada fácil. Entrar em fugas será essencial para manter o sonho vivo.


"É difícil gerir as emoções. Para a maior parte é a primeira Volta que fazem e em Portugal é a única prova com um mediatismo tão grande. Eles não estão habituados"

"Quanto à juventude, sabia que tinha dois atletas bastante fortes para esta camisola. Com o Emanuel, na chegada à Torre, numa subida tão longa, eu sabia que ele ia fazer diferenças", admitiu. Se o corredor de 22 anos mantiver o nível, os seus maiores adversários deverão ser dois bascos: Unai Cuadrado (21 anos, Fundação Euskadi), a 33 segundos e Urko Berrade (21, Euskadi-Murias), a 1:04 minutos. Na quarta posição surge outro português, mas Pedro José Lopes (UD Oliveirense-InOutBuild) está a mais de 15 minutos.

Agora será preciso gerir emoções num ambiente a que estes jovens ciclistas estão pouco habituados. Neste aspecto, Hernâni Brôco realça a importância de António Barbio. Os objectivos pessoais do ciclista não correram de feição e Barbio já deixou de parte a intenção de procurar um bom lugar na geral. O director desportivo afirmou que foi o próprio ciclista a dizer que queria lutar por o que a equipa já tinha. "Isso deixa-me orgulhoso e tranquilo", referiu. "É difícil gerir as emoções. Para a maior parte é a primeira Volta que fazem e em Portugal é a única prova com um mediatismo tão grande", realçou, acreditando que a equipa vai continuar à altura do desafio.

Independentemente do que venha a acontecer, a Volta a Portugal da LA Alumínios-LA Sport já terá o carimbo de muito positiva. O projecto sub-25 nasceu em 2018 e deu um salto de qualidade em 2019. Luís Almeida "deixou" a elite para apostar na formação e de ciclistas portugueses. Brôco e os seus corredores destacam sempre como o seu patrocinador nunca lhes coloca pressão para alcançar vitórias, mas o trabalho de evolução está à vista, tentando tornar-se na prova como as equipas sub-25 têm o seu espaço e o seu sucesso, apesar de não ser consensual no ciclismo nacional as vantagens deste tipo de estruturas. Além da LA Alumínios-LA Sport, estão no pelotão nacional na mesma condição a UD Oliveirense-InOutBuild de Manuel Correia e a Miranda-Mortágua de Pedro Silva.

A LA Alumínios-LA Sport vai partir para a sexta etapa com todos os seus elementos em prova e com todos focados em continuar a realizar uma Volta de sonho: 171-António Barbio, 172-Gonçalo Leaça, 173-Emanuel Duarte, 174-David Ribeiro, 175-Fábio Oliveira, 176-André Ramalho, 177-Marvin Scheulen.

6ª etapa: Moncorvo - Bragança, 189,2 km



O regresso à competição será o dia perfeito para os homens mais rápidos do pelotão aproveitarem a oportunidade para conquistar uma vitória, com as decisões na geral a começarem-se a jogar na quinta-feira, na Serra do Larouco. Daniel Mestre tem três metas volantes para defender e até tentar consolidar a sua liderança na classificação dos pontos. Soma 81, mais 29 do que o norueguês August Jensen (Israel Cycling Academy). Além de ajudar Mestre, a W52-FC Porto irá proteger a camisola amarela de Gustavo Veloso e o segundo lugar de João Rodrigues, pois aproximam-se as etapas decisivas, antes do contra-relógio final.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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18 de novembro de 2018

O ano zero numa nova era de um patrocinador histórico

O nome LA Alumínios há muito que tem ligação ao ciclismo português. Porém, em 2018 houve um recomeço, com o patrocinador a apostar na juventude. Foi uma das três equipas Continentais sub-25 que integrou o pelotão nacional, com Hernâni Brôco ao leme. Um ano zero, por assim dizer. Não houve vitórias, mas numa temporada de aprendizagem, houve ciclistas que aproveitaram a oportunidade para se mostrarem. Fábio Mansilhas, David Ribeiro e Gonçalo Leaça, por exemplo, procuraram os seus momentos de destaque, ainda que não restem dúvidas que esta seja uma equipa em construção e há procura de se consolidar nas próximas temporadas.

Com Nuno Almeida a ser o mais velho (27 anos, feitos em Outubro) e o mais experiente, com a maioria do plantel a primar pela inexperiência, os objectivos da LA Alumínios eram claros: desenvolver os jovens ciclistas, limar arestas do novo projecto a pensar no futuro próximo e tentar sempre lutar por um bom resultado, mesmo que tudo e todos parecessem estar contra eles.

A chegada das três equipas Continentais sub-25 - LA Alumínios, Miranda-Mortágua e Liberty Seguros-Carglass - não foi recebida de braços abertos por todos os intervenientes da modalidade. Teriam os jovens ciclistas capacidade para estar nas corridas internacionais, principalmente numa Volta ao Algarve e a Portugal? Não foi uma experiência fácil para ninguém.

No caso da LA Alumínios, o ex-ciclista Hernâni Brôco - um jovem director desportivo (37 anos), que depois de um ano na estrutura sub-23 da Sicasal-Constantinos-Delta Cafés, estreou-se ao nível Continental na sua nova função - não escondeu o orgulho pelos seus corredores na Volta a Portugal, por exemplo Estiveram activos em fugas e só um abandonou. Paulo Silva saiu de prova na penúltima etapa e o director desportivo considerou que com um pouco mais de experiência, o ciclista teria ultrapassado as dificuldades e terminado a corrida.


Ranking: 10º (14 pontos)
Prémios: David Ribeiro venceu a classificação da montanha na Clássica da Primavera

E é isso que o Brôco e os restantes responsáveis pela estrutura querem dar aos seus corredores: experiência, para que a equipa possa tornar-se num patamar importante na formação de jovens talentos em Portugal, sendo outra opção, profissional, além dos essenciais conjuntos de sub-23.

A LA Alumínios fez o possível em 2018, com as armas que tinha. Agora quer mais. Nos primeiros passos do que é um novo projecto, apesar de ter um patrocinador bem antigo, 2018 serviu para lançar as bases, pelo que será preciso esperar mais duas ou três temporadas para se perceber se este conceito de sub-25 no nível Continental é de facto uma boa aposta e como esta estrutura irá crescer.

Para já, a LA Alumínios tem tudo preparado para 2019, com muitas caras novas. Há uma renovação do plantel, com apenas três corredores a transitarem da época de 2018: David Ribeiro, Gonçalo Leaça e Fábio Oliveira. Nuno Almeida não renovou e, sem contrato, optou por terminar a carreira, apesar de ter apenas 27 anos.

António Barbio será um dos rostos mais conhecidos, sendo um ciclista que venceu uma etapa na Volta a Portugal em 2016 pela Efapel e que este ano representou o Miranda-Mortágua, com um triunfo no Memorial Bruno Neves. Mas Hernâni Brôco foi buscar ciclistas bem interessantes. André Crispim fez a sua evolução na Liberty Seguros-Carglass e poderá ter agora mais liberdade para mostrar o seu potencial. Já André Ramalho tem sido presença na selecção nacional e dá o salto depois de mostrar bom nível na Jorbi-Team José Maria Nicolau. Boa opção para a montanha e é uma oportunidade que não surpreende que tenha recebido.

Marvin Scheulen (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés) é um sub-23 que vai chamando a atenção e tem tudo para ser uma aposta forte de Brôco. Do FGP-Cube-Bombarral chegam Emanuel Duarte e Leonel Firmino e o júnior Rodrigo Caixas (Bairrada) dá um passo importante agora que irá subir de escalão.

Veja aqui todos os resultados das equipas nacionais.

»»Hernâni Brôco: "Ao longo da época todas as corridas foram cursos intensivos"««

28 de agosto de 2018

"Ao longo da época todas as corridas foram cursos intensivos"

Não apontou a vitórias, nem a conquistas de camisolas que eram missões praticamente impossíveis. Porém, tal não significa que não houvessem objectivos e que a LA Alumínios não pudesse ter o seu papel de relevo dentro de uma Volta a Portugal. Com uma equipa sub-25 100% portuguesa, com apenas Nuno Almeida a saber o que é competir a este nível, os jovens ciclistas da equipa de Hernâni Brôco mostraram-se na corrida, aparecendo em muitas fugas. Os objectivos foram cumpridos, desde o de ganhar experiência, superar as dificuldades que encontraram e a mostrar a camisola, sempre importante na competição na qual há um maior mediatismo em todos os meios de comunicação social em Portugal.

Brôco é por isso um director desportivo satisfeito com o que foi alcançado tanto na Volta, como em geral na temporada de estreia deste projecto, numa altura em que já se está a preparar 2019. "Vamos continuar como sub-25. Em termos de preparar novos desafios, novos reforços, o Luís Almeida [responsável máximo da estrutura] quer apostar na juventude e numa equipa portuguesa. Eu respeito e compreendo. E a mim também me dá um prazer enorme trabalhar com jovens. Por isso aceito o desafio", salientou ao Volta ao Ciclismo. "Sem dúvida que para uma estrutura que partiu do zero, a experiência deste ano foi importante para limar algumas arestas da equipa, do staff, da entreajuda, para que todos se conhecessem melhor", acrescentou.

Como equipa Continental, ainda que sub-25, os ciclistas que há um ano estavam todos, menos Nuno Almeida, em estruturas sub-23, tiveram a oportunidade de competir em corridas mais importantes, como a Volta ao Algarve e a Volta a Portugal. Se a primeira lhes proporcionou a emoção de competir ao lado de alguns dos melhores do mundo, a segunda foi o cumprir de um sonho para muitos, que cresceram a ver a prova na televisão. Questionado se perante as naturais dificuldades da Volta a Portugal, ao que acresceu as temperaturas acima dos 40 graus, os seus corredores tiveram um curso intensivo de um nível mais elevado de ciclismo, Brôco foi peremptório na resposta: "Ao longo da época todas as corridas foram cursos intensivos. Acho que eles aprenderam muito com os erros que foram cometendo."


"É de louvar que, se calhar, fomos a equipa que fez mais estágios. O Luís Almeida sempre apostou em trabalho de equipa, estágios, treinos em conjunto durante a semana e penso que isso também se reflectiu na Volta"

Dos sete ciclistas que começaram a Volta em Setúbal, só Paulo Silva não chegou a Fafe, abandonado na penúltima etapa, da Senhora da Graça. Contudo, principalmente os primeiros dias não foram nada fáceis. "O calor foi um dos factores difíceis de superar, sem dúvida. Os carros chegaram a marcar 48 graus, houve médias de 46, temperaturas atípicas mesmo para a Volta a Portugal. Há sempre muito calor, mas estamos a falar de 37 graus de média! No entanto, o staff soube aconselhá-lhos na hidratação antes, durante e depois. Não tivemos baixas por esse factor. Com experiência do staff, os jovens conseguiram superar as dificuldades. Talvez por esse factor, ao longo da Volta, tenha feito diferença. Houve equipas que pagaram esse factor e nós conseguimos salvar-nos", explicou Hernâni Brôco.

Quanto ao abandono de Paulo Silva, o responsável considera que se tivesse mais experiência, talvez tivesse superado os problemas de saúde que o afectaram. "Passou um pouco mal a noite, com vómitos... Pagou o esforço de andar muitos dias em fuga. Todos sabiam que iam ter dias difíceis. O Paulo teve esse menos bom e não conseguiu superar, mas talvez se fosse um ciclista mais maduro, superava com certeza." Brôco falou da importância da parte psicológica dos atletas, que é também trabalhada com a experiência que vão adquirindo.

É por isso que salientou como foi importante todas as condições que foram proporcionada aos corredores durante a temporada. "É de louvar que, se calhar, fomos a equipa que fez mais estágios. Começámos a preparar a época muito cedo. O Luís Almeida sempre apostou em trabalho de equipa, estágios, treinos em conjunto durante a semana e penso que isso também se reflectiu na Volta. Evoluíram muito. E nos circuitos também se vê isso, pois acompanham os melhores. Para eles é importante evoluírem em termos psicológicos, para acreditarem no valor deles", realçou.

Em Fafe a equipa teve direito a celebração com champanhe, pois mesmo sem vitórias, os objectivos foram cumpridos, apesar das muitas dúvidas que as três equipas portuguesas Continentais sub-25 têm levantado. Hugo Nunes, ciclista do Miranda-Mortágua, considerou que a prestação na Volta tanto da sua formação, como da Liberty Seguros-Carglass e da LA Alumínios foi "uma chapada de luva branca a toda a gente, mesmo às equipas profissionais". Brôco considera a expressão "forte, mas compreensível". "No início da época criticaram estas estruturas de sub-25. Eu estando numa, não percebia muito bem as críticas", afirmou. Reforçou que a LA Alumínios cumpre todos os requisitos legais e que nas corridas cumpriu com a sua função.

"Fomos um projecto um pouco diferente dos outros de sub-25, pois não tínhamos o objectivo de lutar por vitórias. Fomos crescendo ao longo do ano porque somos uma equipa muito jovem e com uma qualidade e experiência abaixo das outras. Mas fomos crescendo e chegámos à Volta e estivemos ao nível das outras estruturas de sub-25. Quanto aos restantes objectivos traçados para o resto da época, também estamos bastante satisfeitos", frisou o responsável.

Reitera que foi um desafio difícil dirigir a equipa, mas considera que os seus ciclistas "estavam muito bem preparados" para a Volta a Portugal. "Foi um ano complicado. Levar estes jovens a evoluir... assumo que foi um desafio difícil, mas foi enriquecedor para mim e para eles. Criámos um bom grupo. Além de ver que evoluíam fisicamente, conseguimos criar um grupo de trabalho muito importante e constituir praticamente uma família. Acho que isso é muito importante." E disse ainda: "Tentei transmiti-lhes os conhecimentos que tenho de ciclismo e da vida e penso que consegui."


"Foi uma experiência enriquecedora, mas também cansativa. O desgaste não é físico, mas é psicológico. Exige muito de nós, para que nada falte a eles. Foi um desafio interessante"

Foi o segundo ano fora da bicicleta e depois da passagem pela Sicasal-Constantinos-Delta Café - de onde vieram alguns dos ciclistas que estão na LA Alumínios -, aceitou o convite para liderar o novo projecto de um patrocinador há muito ligado ao ciclismo em Portugal. Foi a sua estreia na Volta como director desportivo e Hernâni Brôco falou de um "momento especial". "Todos os primeiros momentos são especiais e este marcou-me muito e fiquei e estou feliz por estar nestas novas funções", salientou.

Mas como foi estar na Volta a Portugal, dentro de um carro e não na bicicleta? "Foi uma experiência enriquecedora, mas também cansativa. O desgaste não é físico, mas é psicológico. Exige muito de nós, para que nada falte a eles. Foi um desafio interessante. Em termos pessoais, muitos perguntaram-me se tinha saudades. Não escondo que o prólogo deixou-me com aquela sensação de começar e de já estar na estrada", referiu.

Recordou que ao ver todos os seus ciclistas na estrada da Volta a Portugal, sentiu que o trabalho tinha sido feito para os levar até àquela importante e mais esperada fase do ano. Foi a Senhora da Graça que mais mexeu com ele, afinal sabe o que é vencer na mítica subida. Foi em 2011, precisamente com as cores da LA, então LA-Antarte. "Se calhar posso dizer que foi o momento mais feliz da minha carreira. Quando vi a Senhora da Graça... Claro que há sempre algo nervoso miudinho e a subida até ao alto mexe sempre comigo. Nos outros dias já estava preparado para o que ia acontecer, mas há sempre momentos especiais que nos fazem recordar os bons momentos da vida e do ciclismo."

»»"Demos uma chapada de luva branca a toda a gente, mesmo às equipas profissionais"««

»»"Se me pagam até ao fim do ano, tenho de trabalhar. Não vou já de férias"««

11 de janeiro de 2018

"A LA Alumínios vai ser certamente uma equipa combativa"

(Fotografia: Patrícia Nunes)
2018 será um ano para recordar na carreira de alguns jovens portugueses. De uma assentada, três equipas pediram a licença Continental, apostando no escalão de sub-25, proporcionando assim a possibilidade de vários ciclistas tornarem-se profissionais e começar desde já a ter acesso a outro nível. Abrem-e as portas das principais competições nacionais - Volta ao Algarve e Volta a Portugal - e possivelmente algumas no estrangeiro, além do pelotão nacional passar de seis para nove formações continentais. Hernâni Brôco aceitou o desafio de dirigir a LA Alumínios, um nome já com muita história no ciclismo nacional, mas que agora se apresenta com um novo projecto, dedicado aos mais jovens e com muita vontade de evoluir.

"Este passo é importante e está a abrir outras perspectivas aos jovens. É fundamental  [a equipa] uma vez que este passo era difícil [chegar ao profissionalismo]", explicou Hernâni Brôco ao Volta ao Ciclismo. Mais duas seguiram este exemplo, o Miranda-Mortágua e a Liberty-Carglass - ainda que nestes casos sejam estruturas que já existiam, -, facto que reforça o potencial crescimento para a modalidade. Brôco considera que seria positivo se fossem considerados conjuntos de formação e se forem constituídos "só por ciclistas nacionais, seria muito bom para o ciclismo português".

Dez corredores foram escolhidos para este projecto ambicioso da LA Alumínios, mas que quer que este ano seja de aprendizagem para todos os que compõem a equipa, seja a pedalar ou no apoio aos corredores. Alguns estavam na Sicasal-Constantinos-Delta Cafés, equipa na qual Hernâni Brôco fez a passagem para os bastidores, depois de colocar pela segunda vez um ponto final na carreira e, desta feita, a retirada foi definitiva. "Estamos muito satisfeitos com os ciclistas que temos e o trabalho desenvolvido tem sido de louvar. Todos se enquadram bem nesta filosofia de equipa", salientou.


"Não vamos exigir deles vitórias, mas sim empenho e luta durante todas as provas. Se surgir tudo bem, senão, vamos tentar classificações secundárias"

E qual será a filosofia? "A LA Alumínios vai ser certamente uma equipa combativa. Estamos a incutir-lhes isso." Porém, perante a juventude e a natural falta de experiência da maioria dos ciclistas, o responsável realçou: "Não se pode pedir muito. Todos eles estão a dar um passo grande nas suas carreiras e não vamos exigir deles vitórias, mas sim empenho e luta durante todas as provas." Claro que uma vitória está sempre no horizonte e Hernâni Brôco não o esconde. "Seria importante. Se surgir tudo bem, senão, vamos tentar classificações secundárias. Mas ao menos que sejamos uma equipa reconhecida pela combatividade", afirmou. Um dos objectivos da temporada passa pela criação de "um grupo coeso que daqui a uns anos possa dar algumas alegrias".

Apesar de querer começar bem a época que arranca a 4 de Fevereiro, na Prova de Abertura Região de Aveiro, é entre Maio e Junho que Hernâni Brôco espera ter os seus jovens ciclistas na melhor fase, apontando também na Volta a Portugal, em Agosto. No entanto, é logo a começar que haverá uma prova de fogo: a Volta ao Algarve. Os jovens da LA Alumínios, quase todos entre os 21 e 23 anos, vão estar lado a lado com 13 equipas do World Tour, que trarão ciclistas como Tony Martin, Arnaud Démare e Geraint Thomas, por exemplo. "É uma realidade completamente diferente. Na Volta ao Algarve não vamos esperar muito deles. Será uma fase de aprendizagem. Vamos tentar fazer o nosso melhor, adquirir experiência, vamos deixá-los desfrutar e vão viver boas experiências, certamente", disse.


"Tanto os atletas, como toda a estrutura vai crescer, por isso, 2018 será um ano de aprendizagem para todos. É um projecto que tem tudo para vingar"

Será um início especial para os ciclistas num projecto de quatro anos. Brôco explicou que Luís Almeida, responsável da LA Alumínios, decidiu criar uma equipa nova, apostando num clube, o de ciclismo da Aldeia de Paio Pires, que já tem trabalhado com as camadas mais jovens. Explicou ainda que Luís Almeida não se limita a ser um patrocinador, mas também "uma pessoa mais presente". "A vida assim o permite e criou este projecto de raiz, que quer tentar desenvolvê-lo ao máximo para um dia ser uma equipa de referência nacional."

E Hernâni Brôco não hesita em dizer: "Tanto os atletas, como toda a estrutura vai crescer, por isso, 2018 será um ano de aprendizagem para todos, para criar uma base para o futuro. Vamos tentar fazer a diferença. É um projecto que tem tudo para vingar."

A LA Alumínios será constituída por Nuno Almeida (26 anos, Louletano-Hospital de Loulé), Gonçalo Leaça (21, Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), Rafael Apolinário (22, Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), Paulo Silva (22, Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), Júlio Gonçalves (23, Santa Maria Feira), Patrick Videira (23, Maia), João Fernandes (23, Maia), David Ribeiro (22, Liberty Seguros-Carglass), Fábio Mansilhas (22, Miranda-Mortágua) e Fábio Oliveira (23, Santa Maria Feira).

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15 de junho de 2017

"Sinto a paixão pelas bicicletas, mas não aquela vontade de competir. Saí de consciência tranquila"

Sem arrependimentos, sem saudades e com uma enorme vontade de abraçar o presente a ajudar jovens ciclistas e também em trabalhar na sua clínica de fisioterapia. Hernâni Brôco é um nome incontornável dos últimos anos no ciclismo português. Pode não ter sido dos mais ganhadores, mas numa década de carreira tornou-se num dos ciclistas mais respeitados. Esteve na luta pela Volta a Portugal, foi uma aposta regular na selecção nacional e a sua passagem pela Caja Rural levou-o à Volta a Espanha. Em 2013 anunciou o final da carreira, mas em Fevereiro do ano seguinte regressou, representando o Louletano. Seguiram-se dois anos na LA Alumínios-Antarte. Desta vez diz ter sido o momento certo para colocar um ponto final.

"Eu sempre tive a ideia de sair pela porta grande e não com alguém a abrir e dizer 'está aqui a porta de saída, vai andando'. Foi essa a minha opção. Fiz tudo e era o momento de dar a oportunidade aos mais jovens. Foi o momento certo para sair", salientou o antigo ciclista ao Volta ao Ciclismo. E nem foi tão difícil como pensou deixar as corridas. "Gosto da competição, mas na prova de Abertura [na região de Aveiro] pensava que ia sentir um nervoso miudinho, mas não... Sinto a paixão pelas bicicletas, mas não aquela vontade de competir. Saí de consciência tranquila e isso ajuda", explicou.

Em Junho de 2016 Hernâni Brôco já tinha definido o seu futuro. Além da clínica de fisioterapia, iria integrar a Sicasal–Constantinos-Delta Cafés, equipa de sub-23, com sede na sua terra: Torres Vedras. A formação assume o nome dos patrocinadores, contudo, tem como base a Academia Joaquim Agostinho, algo que orgulha ainda mais o agora treinador. "Está a ser bastante produtivo trabalhar com estes jovens. Já os conhecia uma vez que corri lado a lado com eles e também fui presidente do clube de Matos-Cheirinhos e sete destes atletas passaram por lá. Estou feliz com o grupo que tenho", contou.

"Tento dar um acompanhamento mais pessoal, explicando a minha experiência e tentando que eles a aproveitem"

Hernâni Brôco revela o satisfação por ver que em dois anos o projecto já colocou cinco ciclistas nas selecções nacionais, considerando que em 2017 a equipa "é mais coesa e estão todos a trabalhar bem e com muita ambição". O seu trabalho passou de ser em tentar ganhar corridas para preparar os jovens ciclistas para evoluírem e terem condições para estar na posição de potenciais vencedores. "A função de treinador é fazer o programa da época em termos de corrida, fazer a planificação a nível dos treinos e ter uma abordagem diária com eles, avaliar como estão a evoluir", contou. No entanto, Brôco quer igualmente transmitir a sua experiência aos ciclistas: "Tento dar um acompanhamento mais pessoal, explicando a minha experiência e tentando que eles a aproveitem."

O antigo ciclista, de 36 anos, quer que os jovens da equipa vivam uma fase que diz ser muito especial. "Ainda hoje recordo os tempos de formação... São os melhores que temos. Os verdadeiros amigos para a vida são os que fazemos até ao escalão de sub-23." Mas a carreira de Hernâni Brôco teve outros bons momentos e o agora treinador deixa imediatamente fugir um sorriso quando faz uma passeio pelo passado. "Houve coisas que gostaria de ter alcançado. Mas quando olho para trás... Fiz coisas muito bonitas e é isso que recordo. Tenho orgulho no que fiz", recordou. E quais foram essas "coisas muito bonitas"? "A vitória de uma etapa na Volta a Portugal [Senhora da Graça, em 2011], andar de amarelo na Volta, representar a selecção ao longo de mais de 15 anos, tendo estado em Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos... Conheci o mundo com a camisola da selecção. Em termos de equipa, disputei a Volta a Portugal em três anos consecutivos, não ganhei porque os outros foram melhores. Fiz uma Volta a Espanha que foi um momento marcante." Destacou como gostaria de ter feito um Tour, mas não sente tristeza ou frustração por não ter realizado esse sonho.

"Penso que ainda hoje [a formação] é feita por muita carolice de pessoas que estão há muitos anos a trabalhar em prol destes projectos"

A carreira de ciclista ficou para trás. Agora está concentrado em ajudar na formação de futuros corredores, ainda que seja uma missão nada fácil em Portugal. "A saúde da formação está um pouco complicada. Penso que ainda hoje é feita por muita carolice de pessoas que estão há muitos anos a trabalhar em prol destes projectos. Só assim se conseguem fazer bons profissionais. A nossa estrutura [da Sicasal–Constantinos-Delta Cafés] é bastante jovem. São pessoas que gostam de ciclismo e estão a tentar fazer por estes jovens o que foi feito por eles. Passa por aí e não por haver um grande retorno na formação", referiu.

Apesar das dificuldades, Hernâni Brôco destacou como têm surgido muitos talentos no país, considerando que tal se deve também à capacidade dos portugueses em adaptar-se às adversidades. "Temos uma formação com muito potencial", realçou, acrescentando a importância da Federação Portuguesa de Ciclismo estar "a apostar novamente nas corridas no estrangeiro".

Hernâni Brôco está feliz e motivado por continuar ligado ao ciclismo nesta nova fase da sua vida: "Desde os seis anos que ando de bicicleta. Estou a dar continuidade à minha paixão."