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27 de fevereiro de 2021

Circuitos, contra-relógios, crono-escaladas, as sugestões para que a espera não seja até Abril

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Com a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) à espera de poder arrancar com o calendário de estrada a partir de 10 de Abril, os ciclistas do pelotão nacional procuram dar sugestões para que possa haver alguma competição antes, já que nenhuma organização consegue avançar com as corridas previstas para Março. Mantém-se o confinamento e o estado de emergência, mas é possível que a elite profissional possa competir, segundo o que foi estabelecido pelo governo. Porém, o ciclismo continua longe do regresso em Portugal.

Os corredores mantêm os planos de treino, numa espera que, compreensivelmente, se vai tornando frustrante. Uma ideia parece começar a ganhar força: corridas em circuito, utilizando autódromos como o do Estoril - onde em Junho se vai realizar o Mundial de Paraciclismo - ou Portimão, por exemplo.

Outra sugestão passa por contra-relógios ou mesmo crono-escaladas. Em 2020 houve uma Prova de Reabertura em Anadia, precisamente de contra-relógio, que então serviu para não só marcar o regresso à competição, como para testar todos os novos protocolos de segurança sanitária. Também regressou ao calendário o Campeonato Nacional de Rampa.

"Podes fazer provas num autódromo, numa pista, num local fechado, uma corrida com os atletas, com protocolo de segurança, testes PCR, medição de temperatura, fechado ao público", destacou à Lusa Gustavo Veloso, ciclista que prolongou a carreira por mais um ano, tendo trocado a W52-FC Porto pela Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel.

O espanhol realçou ainda o potencial da transmissão televisiva ou em streaming de uma corrida num circuito fechado, menos exigente a nível de logística do que uma prova na via pública. Além disso, não seria necessário polícia para fechar estradas. Veloso foi mais longe nas declarações, acreditando que, nestes moldes, seria possível outros escalões também competirem. Porém, enquanto perdurar o estado de emergência, tal não acontecerá, nem para as categorias dos mais jovens, nem para os masters.

"O que temos é de procurar soluções para estes momentos. Evidentemente, não se pode correr a época toda em circuito, mas temos de voltar o quanto antes. [...] Com três ou quatro corridas em circuito antes do regresso à estrada, pelo menos temos uma opção de ganhar ritmo, motivação, e fazer o nosso trabalho, os adeptos podem desfrutar, e dar visibilidade aos patrocinadores. O que não é bom é estar parado. Assim, toda a gente ganha, e não temos nada a perder", afirmou.

A Sérgio Paulinho (LA Alumínios-LA Sport) também lhe agrada a solução dos circuitos, como explicou à Lusa: "Podendo fazer-se em autódromos, estou de acordo, até porque provavelmente os custos iriam ser bastante reduzidos, por isso seria um grande incentivo para se poder colocar já em prática a época desportiva."

Tiago Machado (Rádio Popular-Bovista) salientou que o pelotão está "apto a fazer tudo e mais alguma coisa, como circuitos, contra-relógios, crono-escaladas, com o objectivo de dar "algum retorno aos patrocinadores".

"Basta ver que no domingo se realizou o Nacional de ciclocrosse, que é num circuito. Não dá para entender o porquê de não se fazerem as competições. Estamos todos ansiosos que recomece, porque treinamos ao frio e à chuva e queremos competir. Só queremos o básico da nossa profissão", disse.

César Fonte (Kelly-Simoldes-UDO) mostra-se mais céptico, pois considera que o sucesso de provas em circuitos "depende muito" da organização e da sua "divulgação mediática". Referiu que "só um dia de corrida" não chegaria, mesmo que visse com bons olhos "alguns circuitos e, logo a seguir, a continuidade do calendário normal".

As sugestões estão dadas, mas quem organiza? "Se alguém as organizar, será bem-vindo e terá o nosso apoio. A federação, no âmbito do seu plano e orçamento, vai assumir a organização de quatro provas no mês de Abril. Não há mais nenhum organizador disponível a fazê-lo. [...] Não temos condições para fazer mais corridas. Se alguém as fizer, terá o nosso acolhimento", explicou Delmino Pereira.

O presidente da FPC considerou que é "uma solução, mas não a solução". E acrescentou: "Não me parece que seja grande solução e nem sequer foi unânime no contexto das equipas."

Pedem-se soluções para terminar com esta longa paragem competitiva. Mas, para já, a expectativa é que só mesmo em Abril retornem as corridas, com a esperança que a partir daí o calendário possa realizar-se, recuperando eventualmente algumas das corridas adiadas em Março. A Volta ao Algarve - que estava agendada para Fevereiro - está à espera de luz verde da UCI para "encaixar" em Maio.

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23 de fevereiro de 2021

Corridas em Portugal só em Abril. Ciclistas desiludidos com adiamentos

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Vamos ter de esperar até Abril para que em Portugal haja mais competição. Neste domingo, foi possível disputar-se o campeonato nacional de ciclocrosse, ainda que só na categoria de elite. Porém, no que a todas as vertentes e escalões de ciclismo diz respeito, mais provas apenas daqui a cerca de mês e meio.

Apesar das regras permitirem que se realizem competições na categoria de elite profissional no actual estado de emergência, o ciclismo está com dificuldades em ir para a estrada, terra batida, pista, circuito de bmx... seja qual for a vertente. Estando muitas vezes dependente do sim das Câmaras Municipais, com o confinamento a manter-se no mês de Março, como tem vindo a ser reiterado pelo governo, além da Volta ao Alentejo já adiada, as clássicas da Arrábida e da Primavera e a Prova de Abertura Região de Aveiro também são uma miragem, provas do calendário do ciclismo de estrada.

Quanto aos restantes escalões, esses terão mesmo de esperar pelo levantamento das restrições. A Federação Portuguesa de Ciclismo referiu isso mesmo em comunicado, salientando que "está a trabalhar na reorganização dos calendários desportivos amadores (de escolas a sub-23 e masters) para que a actividade possa ser retomada logo que os decretos do estado de emergência o permitam".

E acrescenta: "Atendendo à importância desportiva, mas também social e económica, do ciclismo profissional de estrada, o respectivo calendário está numa fase mais adiantada de renovação, embora esteja dependente da mobilização dos diferentes parceiros que colaboram com os organizadores, prevendo-se a retoma de competição profissional para o dia 10 de Abril."

Os ciclistas vão tentando manter o foco na preparação, apesar da incerteza. Porám, nas redes sociais, vão demonstrando a tristeza, ansiedade e até mesmo frustração por estarem impossibilitados de competir. Há que não esquecer que a Volta ao Algarve deveria ter sido disputada na semana passada, mas foi adiada para Maio (5 a 9), data ainda à espera de confirmação por parte da UCI.

Tiago Machado, da Rádio Popular-Boavista, expressou precisamente o desapontamento por o calendário não estar a ser cumprido: "Infelizmente vimos novamente o início da temporada ser adiado! O que nos deixa desapontados pois não entendemos o que de diferente temos nós das outras modalidades."

Frederico Figueiredo tenta manter a boa disposição. "Mesmo estando privados de voltar à competição, o trabalho de bastidores e o profissionalismo mantêm-se bem vivos e a lutar contra a maré. Não temos tempos fáceis pela frente, mas fácil seria baixar os braços e não pôr mãos à obra", escreveu no Facebook o reforço da Efapel.

Já João Benta é mais crítico, começando por questionar quando é que a espera chega ao fim, num texto publicado na mesma rede social. "Desde o dia 5 de Outubro de 2020 que a modalidade está suspensa em Portugal.... sim concordo que houve motivos... Mas tudo estava previsto para hoje mesmo estar a terminar a Volta ao Algarve, onde a mesma foi adiada por não haver condições para a sua realização devido ao estado pandémico do país... Mas pergunto eu e nada contra outras modalidades, porquê só o ciclismo profissional parado?!? Vivemos disto e temos famílias para sustentar...", lê-se.

O ciclista da Rádio Popular-Boavista recorda o bom exemplo da Volta a Portugal, corrida que decorreu sem que houvesse qualquer caso positivo de covid-19. "Existem propostas para o regresso com a realização de todos os testes ao covid e nem assim existe regresso?!?!", continuou.

Benta recordou com este domingo realizaram-se as corridas de ciclocrosse (feminina e masculina), dizendo que não foram necessários testes. Referiu não estar a criticar os Nacionais se terem disputado - disputaram-se num circuito fechado -, mas pergunta "qual é o requisito necessário".

"Lamento este desabafo mas chega de andar ansioso dia após dia sair para treinar e sem saber quando regressamos a colocar o dorsal... Gostava que me explicassem isso...", escreveu o ciclista (pode ler o texto na íntegra neste link).

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28 de janeiro de 2021

Ano de continuidade mas com um regresso há muito esperado

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Ano de continuidade, na Rádio Popular-Boavista, mas com o regresso "a casa", há muito esperado, de um dos ciclistas portugueses mais acarinhado pelos adeptos. Aliás, este regresso surpreende por só ter acontecido em 2021. Tiago Machado é um dos dois reforços da Rádio Popular-Boavista, equipa onde deu as primeiras pedaladas como profissional e que representou durante cinco temporadas.

Nunca escondeu, na sua longa carreira no estrangeiro, que a porta estava sempre aberta para voltar. Depois das passagens pelo Sporting-Tavira e Efapel, o filho pródigo regressou mesmo a casa. Daniel Freitas é a outra cara nova na equipa, na qual um jovem receberá maior atenção, depois da excelente prestação na Volta a Portugal: Hugo Nunes (na foto).

Com a saída de dois ciclistas influentes, Daniel Silva e David Rodrigues, a chegada de Tiago Machado e Daniel Freitas não só trazem também muita experiência, como são dois atletas que competem sempre com a vitória em mente. Freitas até foi uma das figuras da Volta a Portugal - entre aqueles que não lutavam pela geral -, ao serviço do Miranda-Mortágua. Forte no sprint, foi mostrar como também sabe subir, terminando num excelente 13º lugar. Terminou sempre no top 20 das etapas (em cinco fez top 10), com a excepção do contra-relógio final, no qual foi 31º.

Na Rádio Popular-Boavista poderá, aos 29 anos, será uma das principais apostas na procura por vitórias, sabendo-se que Tiago Machado será sempre um ciclista com um papel mais livre. Gosta de fazer a sua corrida, tentar a sua sorte e não ficar tão preso ao trabalho colectivo. A liderança no Sporting-Tavira não correu como desejava e na Efapel é difícil avaliar uma temporada que praticamente não existiu. Na Volta a Portugal pouco se viu.

Aos 35 anos não dá mostras de estar a pensar em parar e na Rádio Popular-Boavista terá a responsabilidade de não só procurar resultados, como, sendo um ciclista com tanta experiência (nove anos no estrangeiro, oito no World Tour), também será uma voz de liderança para os mais jovens.

Fotografia: Facebook Rádio Popular-Boavista
Pedro Silva, Vinício Rodrigues e Afonso Silva têm entre 19 e 20 anos, Gonçalo Carvalho 23 e mesmo Hugo Nunes tem apenas 24 anos. São ciclistas ainda em progressão e têm a oportunidade de continuar a fazer em 2021, o que em 2020 pouco foi possível. No entanto, este último, Hugo Nunes, comprovou com um grande resultado as qualidades que já lhe eram reconhecidas há muito.

Bom trepador, assumiu a responsabilidade de tentar conquistar a classificação da montanha da Volta a Portugal e conseguiu. Ajudado pela equipa, este discreto ciclista, mas muito certo naquilo que faz na estrada, mostrou um pouco do que pode fazer mais e melhor no futuro, sendo que para este ano haverá maior atenção às suas prestações.

João Benta e Luís Fernandes são mais dois ciclistas experientes que olham sempre para o topo das classificações, assim como Alberto Gallego. O espanhol regressou em 2020 após uma suspensão por doping logo com uma vitória na Prova de Abertura Região de Aveiro. Esperava que fosse o início de um ano em grande, mas, já sabe, não houve plano que resistisse na temporada passada.

A Rádio Popular-Boavista continua a ser uma equipa que tem várias cartas para jogar para perseguir vitórias, para todo o tipo de terreno, para todo o tipo de corrida. Tem sido uma receita com sucesso.

Equipa para 2021:

Permanências: Alberto Gallego, Hugo Nunes, João Benta, Pedro Silva, Luís Fernandes, Gonçalo Carvalho, Vinício Rodrigues e Afonso Silva.

Reforços: Daniel Freitas (Miranda-Mortágua), Tiago Machado (Efapel).

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30 de novembro de 2020

Vozes da experiência mudam de equipa mas continuam a competir


2020 não foi o melhor dos anos para concretizar muitos dos planos! No que diz respeito ao ciclismo, um dos exemplos está a ser o adiamento do final de carreira de alguns atletas. Por cá, Gustavo Veloso já havia dito que queria competir mais um ano (vai para a equipa Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), depois de ficar novamente muito perto de conquistar a sua terceira Volta a Portugal. Entretanto, juntou-se mais um veterano, este com uma carreira internacional de muito respeito: Sérgio Paulinho ainda não vai dizer adeus ao ciclismo. E depois há Tiago Machado. No seu caso, nem se ouve falar de terminar carreira. O que mais quer é continuar a correr, sempre com o seu estilo muito próprio e que o tornam num dos ciclistas mais populares do pelotão nacional.

Em comum, Paulinho e Machado têm o terem optado por regressar às origens. O primeiro vai mudar-se para a LA Alumínios-LA Sport, enquanto o segundo vai novamente trabalhar com José Santos na Rádio Popular-Boavista. Os papéis serão diferentes, mas igual será o prestígio que continuam a trazer ao ciclismo nacional, sendo dois ciclistas com uma longa carreira no estrangeiro.

A Efapel vê sair dois experientes corredores e esta experiência é um ponto muito importante para a LA Alumínios-LA Sport. Esta época, praticamente todos os ciclistas tinham menos de 25 anos, excepção feita a Bruno Silva (32), ciclista contratado precisamente para ser uma voz de comando entre tanta juventude. Sérgio Paulinho já entrou nos 40, tornando-se em mais um exemplo de longevidade na modalidade.

O director desportivo Hernâni Brôco é o primeiro a admitir a relevância de contar com um ciclista com o currículo de Sérgio Paulinho. Mas claro, não significa que não esteja aberta a porta a lutar por vitórias. O ciclista regressou a Portugal em 2017, depois de 12 épocas ao mais alto nível. Deu o salto no ano seguinte a conquistar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, tendo nessa temporada representado a então LA-Pecol.

No World Tour tornou-se num dos melhores gregários, sendo um elemento de confiança para Alberto Contador, por exemplo. Venceu uma etapa no Tour e na Vuelta, mas foi como homem de trabalho que mais se destacou. Quando a Tinkoff acabou, Paulinho regressou a Portugal. Na Efapel procurou assumir um papel de líder, para lutar pela Volta a Portugal (e não só). Não foi uma transformação bem sucedida e acabou por ser novamente gregário, a função em que se sente tão bem. Em 2018, conseguiu um triunfo, numa etapa do Grande Prémio Abimota.

Sempre foi um ciclista de "low profile". O seu trabalho até pode passar despercebido à primeira vista, mas se o seu líder ganhar, sempre sentiu que a missão estava cumprida. Agora, entre a juventude da LA Alumínios-LA Sport, o seu trabalho volta a ser imperceptível à primeira vista.

Contudo, no papel de quem tem muito a ensinar, Brôco espera que Paulinho possa dar uma ajuda na evolução de ciclistas que nesta nova era da equipa tiveram um 2019 muito positivo e um 2020 longe do esperado, ainda que seja um ano que pouco se possa dizer sobre a prestação das equipas nacionais, devido às escassas corridas disputadas. A continuidade de Sérgio Paulinho, mesmo que seja apenas por mais um ano, é uma excelente notícia.

Quanto a Tiago Machado, é um regresso já esperado à estrutura de José Santos. Esteve cinco épocas no Boavista quando passou a profissional, antes de ir para o estrangeiro, com oito anos no World Tour e um no segundo escalão. Nunca escondeu a possibilidade de um dia voltar à agora Rádio Popular-Boavista, mas quando decidiu prosseguir a sua carreira em Portugal em 2019, escolheu o então Sporting-Tavira e depois a Efapel.

Na formação algarvia não foi o líder que o próprio queria ser, principalmente na Volta a Portugal. É um desejo ganhar esta corrida, mas têm estado longe de sequer lutar por um pódio. Na Efapel, sabia que não teria, em circunstâncias normais, esse papel e teve de ajudar Joni Brandão.

Na Rádio Popular-Boavista, Machado (35 anos) poderá ser mais aquele ciclista que bem se conhece. Irreverente, sempre pronto a animar corridas e para quem não há impossíveis. Em representação da Selecção Nacional, venceu em 2018 a Prova de Abertura Região de Aveiro (estava na Katusha-Alpecin), tendo pedalado sozinho durante 80 quilómetros! Um bom exemplo de como para Machado há que arriscar para ganhar.

Na equipa de José Santos corre-se muito assim. Os ciclistas têm muitas vezes mais liberdade, mesmo que haja um líder. Machado encaixa na perfeição na mentalidade da Rádio Popular-Boavista e será um corredor com caminho livre para ir à procura de vitórias. 

Um regresso em 2021

Na próxima época irá regressar a Portugal mais um experiente ciclista. Ricardo Vilela, depois de seis anos no estrangeiro, sempre no nível Profissional Continental (Caja Rural, Manzana Postobón e Burgos-BH) estará de volta à última equipa que representou antes de sair do país: a W52-FC Porto (então a OFM-Quinta da Lixa).

Aos 32 anos será mais um reforço de luxo para a formação que domina o pelotão nacional, podendo ser uma opção tanto para liderança, como para ajudar companheiros, visto esta ser uma equipa com mais chefes-de-fila. Não esquecer que Joni Brandão trocará a Efapel pela formação azul e branca para se juntar a Amaro Antunes e João Rodrigues.

3 de agosto de 2020

Tiago Machado o melhor entre as equipas portuguesas em Espanha

Não foi um domingo fácil para Efapel e Feirense, que foram até Espanha para regressar à competição. Desde Março, na Clássica da Primavera, que as equipas portuguesas não participavam numa corrida em pelotão, com a Prova de Reabertura (a 5 de Julho) a ter sido um contra-relógio individual. A chuva marcou presença no Circuito de Getxo-Memorial Hermanos Otxoa e levou a quedas, com os furos a também estragarem os planos de alguns ciclistas.

Tiago Machado foi o melhor entre as equipas lusas, mas o melhor português foi Nelson Oliveira, que acabou por ser chamado pela Movistar para completar a equipa. Para o ciclista foi a oportunidade de também ele regressar (finalmente) à competição, tal como os gémeos Oliveira, da UAE Team Emirates. Para Rui foi ainda mais especial, pois ainda não tinha competido na estrada em 2020.

Com cinco equipas World Tour presentes, que aproveitaram para ficar mais tempo em Espanha depois da Volta a Burgos - até o campeão do mundo, Mads Pedersen, esteve presente nesta prova de um dia -, as equipas portuguesas pretendiam mostrar-se e não desperdiçar a oportunidade pois, nos tempos de correm, nunca é certo se haverá muitas mais.

António Carvalho, da Efapel, chegou a estar na fuga, mas as equipas World Tour acabaram por tomar conta das operações. Damiano Caruso deu a vitória à Bahrain-McLaren, batendo ao sprint o também italiano Giacomo Nizzolo (NTT), que cortou a meta um segundo depois. A fechar o pódio ficou um ciclista bem conhecido do pelotão português. Eduard Prades (Movistar) representou a então OFM-Quinta da Lixa (actual W52-FC Porto) em 2013 e 2014.

A armada portuguesa

A representação nacional foi grande na 75ª edição do Circuito de Getxo-Memorial Hermanos Otxoa, que em 1994 foi conquistado por Orlando Rodrigues. O melhor foi então Nelson Oliveira (Movistar) ao terminar na 22ª posição, a 41 segundos de Caruso. Entre as equipas portuguesas, foi Tiago Machado quem se destacou na 29ª posição, a 51 segundos.

Quanto aos restantes ciclistas da Efapel, o colombiano Nicolas Saenz foi 43º, a 2:44 minutos, Rafael Silva e Luís Mendonça terminaram juntos em 68º e 69º, a nove minutos, seguindo-se o espanhol Gerard Armillas, 84º, a 11:05. António Carvalho e César Fonte não terminaram, este último devido a uma queda, que envolveu também Rafael Silva.

"Foi um dia com alguns azares e aparato propiciado pela chuva e um pelotão muito nervoso neste regresso à competição. Tivemos duas quedas que acabaram por dominar os nossos líderes, felizmente nada de grave e uma avaria mecânica na bicicleta de Luís Mendonça, já nos últimos quilómetros. Mas de forma global hoje correu tudo bem e é um dia positivo, com a Efapel presente na fuga do dia, que tinha ciclistas com muita qualidade e o Tiago Machado a chegar no grupo principal", afirmou o director desportivo da Efapel, Rúben Pereira, citado pela assessoria da equipa.

Relativamente ao Feirense, o espanhol Óscar Pelegrí foi o melhor ao terminar na 44ª posição, a 2:44 minutos do vencedor. Seguiu-se Gonçalo Amado, 53º a 5:07 e Jesús Azozamena, 55º a 5:09. Fábio Oliveira e Rafael Reis foram 61º e 62º, respectivamente, a 6:33, tendo ambos estado envolvidos numa queda. Mais abaixo na tabela ficaram António Ferreira, 86º a 11:42 e Afonso Eulálio, 97º a 13:14.

Entre os gémeos Oliveira. Rui fez a sua primeira corrida de 2020 na UAE Team Emirates, fechando na 87ª posição, a 11:42. Recorde-se que o jovem ciclista caiu numa prova de pista em Janeiro e fracturou a clavícula. Quando se preparava para regressar em Março, o calendário foi suspenso devido à pandemia.. O irmão e companheiro de equipa, Ivo, cortou a meta segundos depois (a 12:03), no 93º lugar.

E houve ainda mais um português. Daniel Viegas, que está na equipa espanhola Kometa Xstra, foi 49º lugar, a 2:51 minutos.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

Sorrisos e sustos

A Bahrain-McLaren teve um domingo muito positivo, pois além da vitória de Caruso no Circuito de Getxo-Memorial Hermanos Otxoa, Sonny Colbrelli venceu a segunda etapa da Route d'Occitanie.

Porém, a equipa não ganhou para o susto com Mikel Landa. O espanhol foi segundo na Volta a Burgos, atrás de Remco Evenepoel (Deceuninck-QuickStep), mas uma queda fez recordar os azares que Landa já sofreu num passado recente. Desta feita parece que tudo está bem com o líder da Bahrain-McLaren para a Volta a França.


12 de novembro de 2019

Trio de luxo para colocar bem alta a expectativa da Efapel

(Fotografias: © Podium/Paulo Maria - António Carvalho;
© João Fonseca Photographer - Luís Mendonça e Tiago Machado)
 
Se há equipa que apostou muito nos reforços foi a Efapel. A precisar de um bloco mais forte para ajudar Joni Brandão e assim enfrentar uma W52-FC Porto que faz do colectivo a sua arma para ajudar um líder que, quando chega o momento, faz a diferença, a equipa não se poupou em seduzir nomes de peso. Brandão soube fazer essa diferença de líder na Efapel na Volta a Portugal em 2019 (e não só), mas em 2020 o responsável Rúben Pereira quer garantir que a seu lado estejam alguns dos melhores ciclistas do pelotão nacional e aumentar o poderio do colectivo. Era algo essencial. E nada melhor do que ir tirar uma das figuras da equipa rival e juntar um dos mais corredores mais combativos e outro com experiência World Tour, que neste aspecto fará companhia a Sérgio Paulinho.

António Carvalho (30, W52-FC Porto), Luís Mendonça (33, Rádio Popular-Boavista) e Tiago Machado (34m Sporting-Tavira) formam um trio de luxo que se funcionar bem ao serviço de Joni Brandão, então a Efapel poderá tornar-se numa ameaça ainda maior ao domínio da W52-FC Porto. Mas há ainda mais um nome a ter em conta. Tiago Antunes (22) pode ser jovem e vai dar o salto para o profissionalismo, mas chega à Efapel depois de ano e meio na SEG  Racing Academy, uma das mais importantes estruturas de formação no ciclismo. É um dos talentos emergentes da modalidade em Portugal.

O director desportivo Rúben Pereira tem agora à sua disposição uma equipa mais forte, mas tem também o desafio de lidar com egos de corredores ambiciosos, mas que têm provas dadas que ao trabalharem para o colectivo, são elementos de enorme valor. No entanto, também procuram resultados pessoais.

Quando se fala de gregários por excelência, Tiago Machado foi um durante os nove anos que passou no estrangeiro, ainda que nunca tenha desperdiçado uma oportunidade para se mostrar quando lhe era dada liberdade. Regressou a Portugal para assumir um papel de liderança no Sporting-Tavira que tinha perdido aquele que agora será seu companheiro, Joni Brandão. Contudo, a "transformação" não decorreu como o esperado, um pouco à imagem do que aconteceu com Sérgio Paulinho, quando o ciclista voltou ao seu país em 2017, depois de uma carreira exemplar no World Tour como gregário.

Paulinho é um homem de trabalho por excelência e a Efapel beneficia mais ao explorar essa sua vertente, mesmo aos 39 anos. Machado também o é, tendo ainda aquela vertente atacante que poderá a qualquer momento resultar numa vitória. E vencer está sempre nos horizontes de Luís Mendonça. Rafael Silva tem sido a opção principal para os sprints, mas terá agora concorrência. Porém, o ciclista que este ano alcançou três vitórias, somando ainda vários segundos lugares na Rádio Popular-Boavista, tem trabalhado na evolução nas subidas e o segundo lugar na Clássicas Aldeias do Xisto foi a prova que pode pensar em vários tipos de terrenos e não apenas nas corridas mais típicas para sprinters, que em Portugal escasseiam.

No entanto, os objectivos pessoais de Mendonça não chocarão com os de Brandão - o ciclista que ganhou nas Aldeias do Xisto -, o que significa que quando chegar a Volta a Portugal, o primeiro terá as suas oportunidades, mas irá depois trabalhar para o líder. Sabe fazê-lo bem, que o diga Vicente García de Mateos, quando ambos se cruzaram na Aviludo-Louletano.

Já António Carvalho tem sido importantíssimo nas conquistas recentes na Volta da W52-FC Porto. No entanto, nunca escondeu que um dia gostaria de ter a sua oportunidade. Na equipa do Sobrado era difícil, na Efapel poderá quanto muito ocupar o segundo lugar na hierarquia. Será um ciclista que precisará de objectivos pessoais. Venceu por duas vezes o Grande Prémio Jornal de Notícias e este ano conseguiu finalmente a sua etapa na Volta a Portugal e logo na mítica Senhora da Graça. Alguma corrida irá ter Carvalho como o líder da Efapel, mas em condições normais, a Volta será para trabalhar.

Rúben Pereira terá de fazer algo idêntico ao que Nuno Ribeiro faz na W52-FC Porto. Com tanto ciclista com potencial para ganhar, todos têm de ter o seu espaço para lutar por vitórias, para que quando chegar o momento de ser gregário, a motivação esteja sempre em alta.

Não há dúvidas quem será o número um da Efapel, equipa que faz desde já um discurso a pensar em ganhar a Volta a Portugal com Joni Brandão, ainda que até lá haverá muito para lutar. Mas com a época das equipas nacionais a ser muito pensada na chamada "grandíssima", não surpreende que ainda em 2019 se fale em ganhar a edição da Volta de 2020, depois de mais um segundo lugar de Brandão. Perder no contra-relógio para João Rodrigues foi difícil de digerir, mas também motivou ainda mais um ciclista que aos 29 anos (fará 30 a 20 de Novembro), depois de três segundos lugares, acredita mais do que nunca que é possível subir o degrau que lhe falta no pódio.

Chegarão ainda o espanhol Gerard Armillas (24 anos), um rolador por excelência, e o colombiano de 22 anos Nicolás Saenz, que estava sem equipa desde o final da Manzana Postobón. É um trepador, portanto, mais um ciclista que tem tudo para entrar no bloco de apoio a Joni Brandão. O português Diogo Almeida vai dar o salto da equipa de júniores da estrutura da Efapel, para evoluir junto às principais figuras.

Muitas saídas

Com 11 ciclistas para 2020, a Efapel optou por mudar quase todo o plantel, mostrando que é também uma nova era, após a saída do director Américo Silva, a meio da temporada. Só permaneceram quatro: José Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho e o irmão Pedro. A maior surpresa talvez seja a saída de Henrique Casimiro, que tem vindo a ser um dos destaque da equipa. Há quatro anos que faz top dez na Volta, esta época ganhou o Troféu Joaquim Agostinho e foi o melhor apoio que Joni Brandão teve nas etapas de montanha da Volta a Portugal. As forças faltaram na etapa da Senhora da Graça, mas toda a restante corrida foi de elevado nível.

Bruno Silva foi também um dos homens de confiança nas três temporadas que esteve de amarelo. Em 2020 representará a LA Alumínios-LA Sport. O espanhol Marcos Jurado foi um lutador e deu algumas alegrias à Efapel nos dois últimos anos, enquanto o uruguaio Fabricio Ferrari e o búlgaro Nikolay Mihaylov não corresponderam totalmente às expectativas na época que estiveram de amarelo. Antonio Angulo dá o salto para a Fundação Euskadi, que na próxima temporada será Profissional Continental.

O investimento da Efapel é grande para tentar terminar de vez com o jejum na Volta a Portugal. David Blanco ganhou em 2012, mas desde então que a actual W52-FC Porto não dá hipótese. Brandão, Carvalho e Mendonça, por exemplo, têm contratos até 2021 numa tentativa de dar outra estabilidade aos ciclistas, num país onde o mais normal são vínculos anuais. A expectativa será muito alta.

Equipa para 2020:  Joni Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho, Pedro Paulinho, Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista), António Carvalho (W52-FC Porto), Tiago Machado (Sporting-Tavira), Gerard Armillas (Team Compak), Tiago Antunes (SEG Academy), Nicolás Saenz (Team AV Villas), Diogo Almeida (júnior da Efapel). 

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30 de julho de 2019

Ciclistas a seguir... além dos da W52-FC Porto

Volta a Portugal começa esta quarta-feira (Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A ausência de Raúl Alarcón dá um imediato destaque a uma equipa que tem dominado a Volta a Portugal nos últimos seis anos. A W52-FC Porto é notícia ainda antes da corrida começar e continua a ser a mais forte candidata a ser notícia quando a Volta terminar. Mas, ainda antes de se confirmar a ausência do vencedor das últimas edições, havia uma expectativa de ser uma edição um pouco mais competitiva e há um responsável para se pensar assim: Joni Brandão. A forma do líder Efapel tem-se traduzido numa época de muitas vitórias, além da equipa, na generalidade, apresentar-se mais forte do que em anos anteriores.

Haverá mais candidatos? O Sporting-Tavira aposta forte em Tiago Machado, com José Mendes a ser outra possibilidade, enquanto a Aviludo-Louletano espera que Vicente García de Mateos seja novamente candidato a pelo menos um pódio e conquiste alguma etapa. A luta pela geral poderá não ter uma lista extensa, mas há mais ciclistas a seguir nesta Volta, além da poderosa W52-FC Porto, que mesmo sem Raúl Alarcón, continua a apresentar um bloco muito forte e com mais do que um candidato a líder, como foi ontem aqui referido (pode ler o texto neste link).

De referir que além da saída de última hora da lista de inscritos de Alarcón, também Rinaldo Nocentini foi substituído por David Livramento no Sporting-Tavira. O colombiano Robinson Chalapud não vai participar pela equipa Medellin, depois de ganhar a Volta ao Lago Qinghai, na China. A formação sul-americana vai mesmo competir com menos um ciclista.

Joni Brandão (29 anos): Chega à Volta com seis vitórias esta temporada, das nove da Efapel. O regresso à equipa foi o que a carreira do ciclista precisava, depois de dois anos menos conseguidos no Sporting-Tavira, também marcados por um problema de saúde. Esses tempos difíceis estão para trás e Joni não vai à procura de estar novamente no pódio: quer ganhar. Duas questões: perante a boa forma já apresentada, o pico será mesmo na Volta? Se sim, então será um fantástico Joni, tendo em conta o que já fez esta época; vai a Efapel estar à altura de uma W52-FC Porto no apoio ao líder? É um conjunto equilibrado, com  Henrique Casimiro e Sérgio Paulinho, a mostrarem estarem bem no teste final que foi o Troféu Joaquim Agostinho (primeiro e terceiro classificado).

Vicente García de Mateos (30): Dois terceiros lugares, duas classificações dos pontos e etapas ganhas, três no ano passado. O espanhol da Aviludo-Louletano tem de estar entre os candidatos, ainda que 2019 não tenha sido um ano com exibições tão convincentes como em temporadas anteriores, principalmente a nível de discussão de vitórias. Porém, somou alguns top dez e o plano passou mesmo por apostar tudo na Volta  a Portugal. No mínimo é para repetir 2017 e 2018, mas na equipa algarvia sonha-se sempre com algo mais.

Tiago Machado (33): Nunca escondeu que gostaria de regressar a Portugal e tentar ganhar a Volta. Finda a carreira lá fora, escolheu o Sporting-Tavira para ser o líder, mas está longe de ser um ciclista ganhador e pouco tem aparecido na discussão das corridas. Ainda assim surge como número um da formação de Vidal Fitas, que conta com um motivado José Mendes (34). Sagrou-se campeão nacional pela segunda vez em Melgaço e está mais confiante. Poderá ser um plano B (ou mesmo A) muito viável, caso Machado não confirme o seu estatuto de líder na estrada. O Sporting-Tavira precisa desesperadamente de bons resultados. A relação com o clube de Alvalade poderá terminar no final desta temporada, na qual a equipa somou apenas dois triunfos. Além do título nacional, César Martingil venceu a Clássica da Primavera, em Março. Vitórias precisam-se!

Luís Mendonça (33): Correu o risco de ficar de fora da Volta devido à utilização de uma substância no tratamento a um joelho. No entanto, a decisão da Autoridade Antidopagem de Portugal chegou a tempo de permitir que o ciclista da Rádio Popular-Boavista fosse inscrito. É um homem para caçar etapas. Tem trabalhado muito a montanha para não se limitar a discutir ao sprint, ainda que não seja ciclista para lutar pela geral. Esse será João Benta (32), tão habituado ao top dez, mas ainda à procura do pódio. Mendonça tem tendência a não passar despercebido, agora falta saber como irá apresentar-se Benta, ciclista sempre com potencial para fazer algo de nota.

João Matias (28): A sua estreia na Volta, há dois anos, ficou marcada por andar vários dias com a camisola da montanha. Uma surpresa, até para o ciclista, que entretanto dedicou-se à sua especialidade: tentar ganhar etapas mais ao sprint. Ainda não alcançou a vitória, mas em pouco tempo tornou-se num ciclista respeitado no pelotão e que não vira a cara à luta. Faz da determinação uma arma muito forte e a sua "escola" de pista também tem influência no ciclista que é hoje. Atenção a Óscar Pelegrí. É ciclista para entrar em fugas, adaptando-se bem a certas subidas, sendo mais uma opção para a Vito-Feirense-PNB.

Domingos Gonçalves (30): Regressou à Caja Rural, mas uma queda na Volta à Catalunha estragou-lhe parte da temporada. Está em contra-relógio para obter bons resultados e será precisamente nesta especialidade que poderá começar por apostar para tentar ganhar uma etapa (é bicampeão nacional, tendo o irmão, José,lhe "tirado" o título este ano), mas certamente que se verá Domingos em ataques e fugas, que há um ano foi uma táctica que lhe rendeu uma vitória em Boticas.

Mario Gonzalez (27): Nome conhecido do ciclismo nacional depois de três anos no Sporting-Tavira. O espanhol está agora na Euskadi-Murias e regressa com a possibilidade de procurar um resultado próprio e não ficar preso ao trabalho de gregário. Se passar bem a etapa da Torre, Gonzalez poderá entrar na luta por um top dez.

Fabio Duarte (33): Apesar da equipa Medellin contar com Óscar Sevilla, que aos 42 anos não pára de alcançar bons resultados, como o segundo lugar na China há três dias, ainda assim, não é o espanhol de quem mais se espera. Fabio Duarte foi considerado um colombiano de grande potencial, mas nunca conseguiu dar o salto para o mais alto nível do ciclismo. Ainda assim, na primeira metade da década ficou perto de ganhar etapas no Giro e na Vuelta. Se estiver bem é um ciclista a ter em conta, mas poderá ter o mesmo problema de Sevilla: acabou de chegar da China e mal teve tempo para se adaptar a Portugal.

Brice Feillu (34): É impossível deixar de fora este francês. É um vencedor de uma etapa da Volta a França, em 2009, num dia com final em Andorra. Tem muita experiência de grandes voltas, tendo feito sete Tours e um Giro, apesar de ter representado equipas do segundo escalão. Em 2011 esteve no World Tour ao serviço da Leopard Trek. Está numa fase de menos fulgor da carreira, mas não significa que não possa ir atrás de um bom resultado até porque conhece a Volta a Portugal. Será a sua terceira participação. Depois da estreia em 2008, o destaque vai para 2012, quando foi sexto na geral, a 1:57 minutos do vencedor David Blanco (Efapel). Então representou a Saur-Sojasun, vestindo agora as cores da Arkéa-Samsic, equipa que procura subir ao World Tour e que viu no último domingo Warren Barguil ser 10º no Tour. A Arkéa-Samsic não trouxe a sua melhor equipa, mas tem ciclistas a querer mostrar serviço.

Prólogo (31 de Julho): Viseu - Viseu, 6 km (contra-relógio individual)


A Volta a Portugal arranca com o habitual prólogo. Há sempre potencial de alguém perder alguns segundos, pelo que o objectivo passa muito por evitar percalços, mas não se pode ir com a mãos nos travões.


23 de janeiro de 2019

Sporting-Tavira na Argentina com muita experiência e com bicicletas de travão de disco

O Sporting-Tavira não só mudou um dos seus líderes, como também vai mudar as bicicletas. A equipa algarvia é a primeira no país a passar para os travões de disco, que vão assim chegar ao pelotão português. Vidal Fitas realça como é um sistema que pode trazer vantagens e não antevê problemas, como por exemplo, no momento de ter de trocar rapidamente de rodas. De partida para a Argentina, é o arranque para uma nova temporada com novas caras e a ambição de quebrar o domínio da W52-FC Porto.

Esse tem sido o discurso de Tiago Machado desde que foi anunciado como reforço do Sporting-Tavira. Mas, para já, é altura de ganhar forma e tentar começar bem a temporada. Depois do Gabão em 2018, a equipa viaja esta quinta-feira para competir na Volta a San Juan, corrida argentina que vai contar com um lote de ciclistas muito fortes, principalmente ao nível do sprint. Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) e Mark Cavendish (Dimension Data) são alguns de cabeça de cartaz, juntando-se nomes que partem como candidatos à vitória na geral, como Nairo Quintana e Richard Carapaz (Movistar), Julian Alaphilippe (Deuceninck-QuickStep) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal). Estará ainda presente a sensação dos Mundiais de Innsbruck, com Remco Evenepoel (Deuceninck-QuickStep) a ter estreia marcada como profissional na Argentina, depois de ter ganho praticamente todas as provas de juniores em que participou em 2018.

O director desportivo do Sporting-Tavira considera importante que a equipa esteja numa corrida que terá uma cobertura mediática maior do que a do Gabão. Na corrida africana, Rinaldo Nocentini venceu duas etapas e lutar por vitórias na Argentina é algo que está nos planos. Porém, não é o principal objectivo.

"Essencialmente, o que pretendemos é ganhar ritmo competitivo para podermos depois, no início de época em Portugal, apresentar uma melhor condição do que aquela que estamos agora. No entanto, não quer dizer que, se a nossa condição der para tentar disputar a corrida ou uma etapa, não o façamos. É a primeira corrida do ano e nós não sabemos como vamos estar em relação aos nossos adversários. Essa é sempre a incógnita nesta altura. Sabes como estás, mas não sabes como estão os outros", salientou Vidal Fitas ao Volta ao Ciclismo.

O seis eleito prima pela experiência: Tiago Machado, José Mendes, Rinaldo Nocentini, Alejandro Marque, Aleskandr Grigorev e Nicola Toffali. Os dois primeiros estão de regresso a Portugal depois de vários anos a competir no estrangeiro, com presença nas três grandes voltas. Oito das nove épocas de Tiago Machado no pelotão internacional foram passados no World Tour. Aos 33 anos regressou com a ambição de lutar por vitórias, sendo o novo rosto da liderança, depois de Joni Brandão ter optado por voltar à Efapel.

(Fotografia: KTM)
A outra grande novidade para 2019 é a adopção de bicicletas com travão de disco. O Sporting-Tavira troca as Jorbi pelas KTM Revelator Lisse Prestige e seguirá a tendência que já se tem visto no World Tour. Apesar de continuar a não ser consensual entre os ciclistas a utilização deste sistema de travagem, a maioria das marcas já aposta nele.

"Praticamente, em 2019, todas as grandes marcas internacionais estão a optar por esta solução. Esta marca propor-nos isso. Em 2018, a Trek e a Specialized, por exemplo, praticamente já só tinham modelos equipados com este tipo de sistema de travagem. Do que sei, este ano, a maior parte delas também tem essa solução, portanto, se isto é uma realidade dos próximos anos, quanto mais cedo começarmos a trabalhar nela, mais cedo nos adaptaremos ao que temos de nos adaptar", explicou.

Vidal Fitas realçou que há vantagens, como a maior eficácia numa descida, por exemplo. Porém, há ainda um pouco a aprender. "Uma coisa é andar no BTT e outra é no pelotão e se ter de trocar de rodas e essas coisas todas. Há actuações que início podem correr mal, mas quanto mais cedo nos adaptarmos, mais cedo conseguimos pôr isto a funcionar", salientou. E precisamente sobre a questão de mudança de roda, que tantas vezes é essencial que decorra de forma célere, o responsável não acredita que será um problema: "É uma questão de prática, de ter as coisas mecanizadas para um novo sistema. Não estou a ver que demore assim tanto tempo. Os encaixes são fáceis. É uma questão de mecanizar bem as coisas. Não vai ser por aí que as coisas não funcionarão."

Sete etapas para todos os gostos

A Volta a San Juan realiza-se de domingo a domingo (de 27 de Janeiro a 3 de Fevereiro), com um dia de descanso na quinta-feira, 31 de Janeiro. A presença de sprinters tão importantes como os que escolheram a Argentina nesta fase inicial da temporada, tem razão de ser. Só duas etapas serão claramente para trepadores (quarta e sexta), além do curto contra-relógio de 12 quilómetros no terceiro dia.

Há um ano, a corrida teve um vencedor surpresa, com o homem da casa Gonzalo Najar (Sindicato Empleados Públicos de San Juan) a bater nomes como Rafal Majka, Tiesj Benoot e Jarlinson Pantano, por exemplo. Contudo, o ciclista de 25 anos testou positivo por CERA e terminou a época a ser suspenso por quatro anos, com a vitória a ser atribuída ao então segundo classificado, o veteraníssimo Óscar Sevilla (Medellin).

Aos 42 anos, o espanhol estará de regresso para tentar novo triunfo. A Medellin será uma das nove equipas Continentais, onde se inclui o Sporting-Tavira: Equipo Continental Municipalidad de Pocito, Asociacion Civil Mardan, Agrupacion Virgen De Fatima, Municipalidad de Rawson Somos Todos, Start Team Gusto, Team Beltrami Tsa-Hopplà-Petroli Firenze e Biesse Carrera.

Do escalão Profissional Continental estarão presentes a Androni Giocattoli-Sidermec, Neri Sottoli-Selle Italia-KTM, Nippo Vini Fantini Faizanè, Caja Rural e Israel Cycling Academy. O pelotão fica completo com as selecções da Argentina, México, Chile, Cuba, Brasil, Uruguai e Peru.

Etapas:

  • 1ª etapa: San Juan-Pocito (159,1 quilómetros)
  • 2ª etapa: Chimbas-Peri Lago Punta Negra (160,2)
  • 3ª etapa (contra-relógio individual): Pocito-Pocito (12)
  • 4ª etapa: San José de Jáchal Valle Fértil-Villa San Agustín (185,8)
  • 31 de Janeiro (quinta-feira): dia de descanso
  • 5ª etapa: San Martín-Alto Colorado (169,5)
  • 6ª etapa: Autódromo El Villicúm-Autódromo El Villicúm (153,5)
  • 7ª etapa: San Juan-San Juan (141,3)

Equipa do Sporting-Tavira em 2019: Frederico Figueiredo, David Livramento, Rinaldo Nocentini, Alejandro Marque, Aleskandr Grigorev, Valter Pereira, Nicola Toffali, Alvaro Trueba, Tiago Machado (Katusha-Alpecin), José Mendes (Burgos-BH), César Martingil (Liberty Seguros-Carglass), Ricardo Martins, Diogo Ribeiro e Rúben Simão (os três do Sporting/Tavira/Formação Eng. Brito da Mana).

»»W52-FC Porto vai a Espanha começar a época««


7 de janeiro de 2019

Efapel e Sporting-Tavira com viagens marcadas para a América do Sul

Joni Brandão está de regresso à Efapel
(Fotografia: Facebook Efapel)
A preparar-se para a sua segunda edição, a Volta à Colômbia promete ter novamente um pelotão com grandes nomes do ciclismo, indo desta feita mais além das muitas estrelas do país que estão no topo mundial da modalidade. Chris Froome, por exemplo, resolveu juntar-se ao vencedor de 2018, Egan Bernal, optando por arrancar a época na América do Sul em detrimento da Austrália. Julian Alaphilippe repete a presença, com Marc Soler a fazer a mesma escolha que Froome para começar 2019. Na lista de inscritos está também o português Joni Brandão.

A Efapel vai marcar presença na corrida colombiana, com o Sporting-Tavira a escolher igualmente atravessar o oceano para dar as que serão primeiras pedaladas oficiais da nova equipa de Tiago Machado e José Mendes. A formação de Vidal Fitas vai à Argentina, competir na Volta a San Juan, que já tem Peter Sagan, Mark Cavendish e Tiesj Benoot entre as confirmações, além de Fernando Gaviria e Nairo Quintana, colombianos que também estarão na corrida do seu país.

A Volta a San Juan é a primeira a realizar-se, entre 27 de Janeiro e 3 de Fevereiro. O veterano Óscar Sevilla venceu em 2018 - após a desclassificação de Gonzalo Najar devido a doping -, com Bauke Mollema a ser o mais forte no ano anterior. Já a grande vitória deste ano é a presença do ciclista que qualquer organização gosta de ver nas suas provas: Peter Sagan. O líder da Bora-Hansgrohe vai fazer muitos quilómetros de avião neste início de temporada, já que se encontra neste momento na Austrália. Além da equipa alemã, estará ainda a Deceuninck-Quick Step - Alaphilippe também estará na Argentina -, Dimension Data, Movistar, UAE Team Emirates e Lotto Soudal para fechar o grupo de estruturas do World Tour.

Do segundo escalão, destaque para a Caja Rural que levará um português: o campeão nacional de estrada e contra-relógio, Domingos Gonçalves. Acrescenta-se a Israel Cycling Academy, Androni Giocattoli-Sidermec, Neri Sottoli-Selle Italia-KTM e a Nippo Vini Fantini Faizanè.

Entre as seis Continentais surge então o Sporting-Tavira, que juntamente com a italiana Biesse Carrera Gavardo são as únicas europeias. As restantes são argentinas e a Medellín viaja da Colômbia, novamente com Sevilla como líder. 42 anos e não pensa em parar! Estão ainda previstas selecções do Brasil, Uruguai, Cuba, Chile, México e, claro, Argentina (pode ver aqui a lista de inscritos que está a ser actualizada à medida que vão sendo conhecidos os ciclistas eleitos, via ProCyclingStats). Ainda não se conhece os convocados da equipa algarvia, mas Tiago Machado, José Mendes e Rinaldo Nocentini são um trio de ciclistas com experiência ao mais alto nível do ciclismo.

Há um ano, o director desportivo Vidal Vitas arrancou a temporada em África, na Tropicale Amissa Bongo (Gabão). E Rinaldo Nocentini foi uma das figuras ao vencer duas etapas, sendo sexto na geral. Joni Brandão foi 23º, mas em 2019 optou por regressar à Efapel. Américo Silva volta assim a contar com um dos melhores corredores portugueses da actualidade, reforçando uma equipa que aposta muito forte na Volta a Portugal, juntando Joni a Sérgio Paulinho, não esquecendo outro nome que tem aparecido entre os melhores da corrida que todos mais querem vencer: Henrique Casimiro.

Joni já confirmou a sua presença na Colômbia. Com a Volta ao Algarve a atrair muitas das melhores equipas do World Tour, os corredores do pelotão nacional sabem o que é estar entre os melhores. No entanto, Froome e Quintana não têm escolhido o Algarvia para o seu calendário. Rigoberto Uran (EF Education First) e Miguel Ángel López (Astana) serão outros dois dos nomes fortes entre uma corrida colombiana que, como só poderia acontecer naquele país, é para trepadores. Mesmo ao jeito de Brandão.

Há muito que se pedia que a Colômbia tivesse uma prova que seduzisse os principais ciclistas. Tendo tantos "padrinhos" de qualidade, não está a ser difícil trazer outros nomes, de outras nacionalidades. Para Joni Brandão será uma oportunidade de ouro de estar entre os melhores voltistas. Excelente forma de começar a temporada.

A Volta à Colômbia disputa-se entre 12 e 17 de Fevereiro (pode ver aqui a lista de inscritos, que está em actualização, via ProCyclingStats). Das equipas já conhecidas, Sky, Bora-Hansgrohe, Movistar, Deceuninck-Quick-Step, Bahrain-Merida, Astana, EF Ecucation First e a UAE Team Emirates são as do World Tour confirmadas. Israel Cycling Academy, Androni Giocattoli-Sidermec e Manzana Postobón são as Profissionais Continentais, enquanto do terceiro escalão, além da Efapel, estarão presentes as colombianas EPM e GW-Shimano.

»»Joni Brandão está de regresso à Efapel: "Foi uma boa aposta de ambas as partes"««

»»Tiago Machado regressa a Portugal e quer quebrar hegemonia do agora rival««

31 de dezembro de 2018

Cinco momentos para recordar da época em Portugal

Em Portugal teremos de esperar até 10 de Fevereiro para ver o pelotão nacional na estrada, com a região de Aveiro a receber mais uma vez o arranque de temporada. Foi precisamente nessa prova que se assistiu a um primeiro grande momento de ciclismo em 2018. Aqui ficam cinco exemplos do melhor que houve nas corridas portuguesas esta temporada. A modalidade por cá é muito mais do que a Volta a Portugal. Se a sexta vitória consecutiva da W52-FC Porto é visto como o ponto alto, vale a pena recordar outros grandes momentos.

Tiago Machado no seu melhor (4 de Fevereiro)
Preso ao trabalho de gregário na Katusha-Alpecin, em anos recentes têm sido poucas as oportunidades para Tiago Machado ser... ele próprio. Ou seja, aquele ciclista sem medo de cometer o que muitas vezes parece ser uma autêntica loucura. De vez em quando, as loucuras são premiadas e no arrancar de época em Portugal, Tiago Machado veio cá mostrar que vale a pena acreditar e arriscar.

Esteve 135 quilómetros dos 155,5 da Prova de Abertura Região de Aveiro em fuga, 80 dos quais sozinho. Chegou à Torreira a olhar para trás, com um pelotão a tentar fechar uma perseguição feroz. Mas Tiago Machado resistiu à concorrência, ao muito vento, ao frio e selou um triunfo com a camisola da Selecção Nacional.

É um ciclista de categoria World Tour e a partir de 2019 poderemos vê-lo a tempo inteiro no pelotão nacional, estando de regresso a Portugal pela mão do Sporting-Tavira. Agora que se libertará novamente do papel de gregário, vamos poder ver mais vezes este lado que tanto caracteriza Tiago Machado.

»»Não digam que está velho e acabado! Eis Tiago Machado««

Ruben Guerreiro quase conquistou o Malhão (18 de Fevereiro)
Quando este ciclista conseguir ter uma temporada sem azares, sejam eles quedas ou problemas de saúde, Ruben Guerreiro vai conseguir certamente mostrar mais vezes e em mais grandes corridas aquela versão do ciclista que subiu ao Alto do Malhão com um nível de quem tem tudo para ser um dos melhores.

Michal Kwiatkowski foi fantástico nessa etapa, numa jogada inesperada da Sky, que lançou o polaco na frente, mesmo que isso significasse que Geraint Thomas perdesse a camisola amarela para o colega. Ruben Guerreiro não baixou os braços. Encetou uma perseguição Malhão acima. Vai apanhar? Não vai apanhar Kwiatkowski? Foram momentos que fizeram suster a respiração. Haveria nova vitória no Malhão um ano depois de Amaro Antunes lá vencer? Por quatro segundos apenas Kwiatkowski ganhou. A etapa e garantiu também a Algarvia. Quatro segundos apenas tiraram a Ruben Guerreiro a primeira vitória no World Tour e logo em território português.

Ruben, o campeão nacional de 2017, vai mudar-se para a Katusha-Alpecin, depois de dois anos na Trek-Segafredo. Para 2019 só se pode desejar que venham mais exibições deste nível de um ciclista de quem muito se continua a esperar.

»»Quatro segundos separaram Ruben Guerreiro de mais um grande momento português no Malhão««

Luís Mendonça conquistou a Alentejana (18 de Março)
Pode ter começado a dedicar-se a 100% ao ciclismo já tarde, mas Luís Mendonça tem, ano após ano, demonstrado que nunca é tarde para concretizar os sonhos. Já estava tinha feito 30 anos quando conseguiu o seu primeiro contrato profissional, com Jorge Piedade a abrir-lhe as portas da equipa de Loulé. Mendonça é um daqueles atletas que acredita sempre ser possível ir mais além. Faltava-lhe uma grande vitória e não fez por menos: conquistou uma das corridas mais importantes em Portugal e uma de categoria internacional.

Em Évora, Luís Mendonça cortou a meta num misto de felicidade extrema e de algum alívio por finalmente ter concretizado o objectivo, depois de quilómetros de algum natural nervosismo, de quem está tão perto de um triunfo. Foram seis etapas intensas, um contra-relógio em que deu tudo e mais um pouco de si, para no dia seguinte selar a vitória que só o fez acreditar ainda mais que tem tempo para alcançar outras conquistas.

Mendonça recompensou assim a aposta feita nele da Aviludo-Louletano-Uli e durante a restante temporada continuou a aparecer sempre na frente de várias corridas, incluindo na Volta a Portugal. Uma etapa na Grandíssima continua a escapar-lhe, mas em 2019 terá outra liberdade numa Rádio Popular-Boavista que vê em Mendonça um ciclista com tudo o que é necessário para ir atrás de vitórias. Na Alentejana o seu triunfo teve ainda um significado especial para o ciclismo nacional, pois desde 2006 que um português não a vencia. Então tinha sido Sérgio Ribeiro o vencedor.

»»Luís Mendonça: muito trabalho, ainda mais dedicação e uma aposta ganha do Louletano««

»»"Sinto-me mais respeitado e que as pessoas acreditam que posso fazer coisas bonitas"««

Dobradinha de Domingos Gonçalves nos Nacionais (22 e 24 de Junho)
Foi um ano sensacional para Domingos Gonçalves. Seis vitórias, vários top dez, com aquele triunfo na etapa de Boticas na Volta a Portugal a ter certamente um sabor muito especial. Porém, houve um fim-de-semana que demonstrou como o gémeo de Barcelos era um dos ciclistas mais em forma em 2018. Os Nacionais foram de Domingos Gonçalves. Forte no contra-relógio, tendo revalidado o título, exímio na prova de estrada. Em 2017 uma queda tirou-lhe a possibilidade da dobradinha. Em 2018 ficou mesmo com as duas camisolas de campeão nacional.

No contra-relógio deixou o irmão, José, a 12 segundos, na prova de estrada - e o percurso de Belmonte de fácil pouco ou nada tinha - partiu para uma fuga solitária, num daqueles ataques cirúrgicos que tão bem sabe fazer e que lhe valeram vitórias em 2018. Joni Brandão, Henrique Casimiro, Tiago Machado, César Fonte, houve um grupo de respeito na sua perseguição. Mas quando Domingos Gonçalves está a 100% é um ciclista difícil de bater.

O gémeo regressou a Portuga em 2016l, vendo a Rádio Popular-Boavista como a equipa ideal para relançar a sua carreira. Ao segundo ano foi o ciclista que se sabe que pode ser, mas que nem sempre aparece. Vai a caminho de uma segunda oportunidade na Caja Rural, com as duas camisolas de campeão nacional para mostrar lá fora e, espera-se, também por cá.

Mais uma referência a uns Nacionais interessantes, com os gémeos Oliveira a conseguirem os títulos de contra-relógio (Ivo) e de estrada (Rui) na categoria de sub-23, eles que vão passar agora a ser ciclistas de elite, tanto na categoria de idade, como a nível de equipa, pois vão para o World Tour. Foram contratados pela UAE Team Emirates de Rui Costa. E nas senhoras foi Daniela Reis quem fez a dobradinha, a primeira ciclista portuguesa a chegar ao nível mais alto do ciclismo feminino e que em Belmonte demonstrou porquê.

»»José Santos tinha razão. "Não há anos iguais". Desta vez, Domingos fez mesmo a dobradinha««

»»"Já digo há algum tempo que o Domingos é o melhor contra-relogista nacional"««

O destemido Joni Brandão na Serra da Estrela (5 de Agosto)
(Imagem: Print Screen)
A Volta a Portugal foi novamente resumida ao domínio de uma W52-FC Porto, que, por momentos, parecia mostrar alguma fraqueza, mas que afinal apenas mudou um pouco a estratégia, com todo o seu poderio a vir eventualmente ao de cima. Raúl Alarcón venceu sem surpresa a sua segunda Volta, mas houve um dia, durante uma subida em que um ciclista deixou alguma esperança que talvez pudesse haver maior indefinição na corrida. Não conseguiu, é certo, mas a atitude de Joni Brandão foi importante, por ter sido o único que encarou de frente e de forma destemida o desafio de fazer algo que ninguém consegue desde 2013, quando começou a senda de vitórias da equipa do Sobrado.

A etapa rainha ficou sem a subida à Torre devido ao calor, numa decisão criticada por Brandão. O ciclista do Sporting-Tavira não percebeu porque não tinha sido assumida postura idêntica quando pelo sul do país os termómetros passaram dos 40 graus. A etapa perdeu alguma da sua espectacularidade e ficar-se-á sem saber o que poderia ter acontecido se a mítica subida tivesse sido cumprida. Assim, fica para a história o ataque de Brandão e a resposta precisa de Alarcón que arruinou o sonho do adversário do Sporting-Tavira e comprovou que seria quase impossível tirar-lhe uma nova vitória.

A Joni Brandão restou-lhe um segundo lugar na Volta, mas naquele dia ofereceu aos adeptos do ciclismo espectáculo. Não conseguiu repeti a performance. Alarcón não deixou, mas este é o Joni Brandão que a Efapel espera ter de novo nas suas fileiras em 2019.

»»É assim mesmo Joni!««

Momentos extra: um russo em Portugal
Por cá houve um russo que andou a somar conquistas e de forma peremptória. Dmitry Strakhov, ciclista da Lokosphinx, de 23 anos, começou por arrebatar a Clássica da Arrábida, depois foi ao Alentejo ganhar duas etapas e a camisola dos pontos e no Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela venceu uma tirada e a geral. Por Espanha também somou resultados relevantes, o que o levou a ser chamado para um estágio na Katusha-Alpecin a partir de Agosto. Depois de tanto conquistar em Portugal, Strakhov vai agora ser companheiro de José Gonçalves e Ruben Guerreiro. O director da Katusha-Alpecin, José Azevedo, contratou-o para 2019.

»»Strakhov bate César Fonte por um segundo««

»»Russo Strakhov mantém amor por Portugal««