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26 de fevereiro de 2020

"Foi uma semana muito importante no Algarve"

Foi uma semana de intenso trabalho no Algarve para Nils Politt. Além da corrida, o alemão dedicou-se a fazer quilómetros, a pensar nas clássicas que se aproximam. Há um ano, Politt foi dos melhores ciclistas nesta fase da temporada, mas faltou-lhe uma vitória. Porém, ficar em segundo no Paris-Roubaix não foi razão para desanimar. Pelo contrário. Mais do que nunca, o ciclista acredita que pode ganhar, realçando que na Israel Start-Up Nation há um estado de espírito diferente daquele que existia na Katusha-Alpecin.

Depois de arrancar a sua época nas provas de um dia espanholas, Politt viajou até Portugal. No sul do país, ficou bem patente a sua dedicação em apresentar-se forte nas clássicas, com a primeira, Omloop Het Nieuwsblad, a realizar-se já este sábado. O alemão, de 25 anos, chegou a optar por pedalar do hotel em Portimão para a partida e depois de cortar a meta, regressou novamente na sua bicicleta. Fez isso, por exemplo, no segundo dia da Volta ao Algarve, quando o pelotão partiu de Sagres e terminou no Alto da Fóia. Além dos 183,9 quilómetros da etapa, o alemão fez mais cerca de 88 por abdicar do conforto do autocarro da equipa.

"Foi uma semana muito importante no Algarve. Penso que o trabalho ficou feito. Para evoluir [fisicamente] esta semana foi muito boa. Fiquei muito satisfeito nas etapas, mas também no contra-relógio. Saio daqui confiante para as próximas semanas", referiu Politt ao Volta ao Ciclismo, realçando como estava satisfeito com o seu tempo no contra-relógio, no qual foi nono, a 47 segundos de Remco Evenepoel (Deceuninck-QuickStep). O ciclista elogiou a corrida algarvia, considerando que as tiradas são boas, tanto por haver algumas com subidas e outras com uma quilometragem maior. E claro, há um pormenor que agrada a todos: "Está sempre bom tempo aqui!"

Para Politt, aproveitar o sol e as temperaturas bem amenas que marcaram a semana passada no Algarve, significou estar de olhos postos nos grandes objectivos que se aproximam. Porém, salientou que não tem intenção de se apresentar a 100% já este fim-de-semana, ou depois no Paris-Nice, pois quer apresentar-se no seu melhor daqui a um mês, quando arrancar o principal bloco de clássicas, como o monumento Milano-Sanremo, E3 BinckBank, Através da Flandres e claro, os dois monumentos a que mais aponta: Volta a Flandres e Paris-Roubaix. "Sinto-me muito, muito bem", garantiu.


"Os ciclistas estão motivados para ajudarem-se uns aos outros e isso faltou um pouco nos últimos dois anos na Katusha"

Em 2019, Politt esteve perto de surpreender em Paris-Roubaix. Foi com Philippe Gilbert até ao velódromo, onde acabou por ser batido pelo belga. O alemão não esconde que fica sempre alguma frustração, mas realçou que também passou a acreditar ainda mais que pode vencer. "Eu quero ganhar o Paris-Roubaix. Não sei se será este ano porque é muito difícil, mas sei que o que fiz nas clássicas no ano passado foi muito bom e espero repetir", afirmou. Contudo, não quer criar demasiada expectativa: "Não vou colocar muita pressão sobre mim mesmo. Sei que estou forte e que vou dar o meu melhor."

Depois de uma primeira fase de temporada em 2019 de muita qualidade - com destaque, além do segundo lugar em Roubaix, para o quinto na Volta a Flandres na semana anterior e o sexto na E3 BinckBank - Politt viveu uma situação mais tensa quando foi informado que a Katusha-Alpecin não tinha o futuro garantido. Era um dos ciclistas com contrato para 2020, mas tal não dava garantias com a saída de patrocinadores.

No entanto, o alemão disse que estava tranquilo. "Estava confiante que o assunto se ia resolver. Eu sabia os resultados que tinha tido. Sabia que ia encontrar uma equipa. Mas claro que para todos os membros do staff e para os ciclistas foi muito difícil. Não foi bom e espero não passar por nada igual na carreira. Mas tudo acabou bem e estou entusiasmado por competir esta época pela Israel Start-Up Nation", disse.

Na equipa que subiu de escalão ao comprar a licença da Katusha-Alpecin, ficando com maioria dos ciclistas que tinham contrato para esta temporada, vive-se um ambiente diferente da formação anterior: "Os ciclistas estão motivados para ajudarem-se uns aos outros e isso faltou um pouco nos últimos dois anos na Katusha. Todos aqui estão felizes. Essa felicidade está a ser motivadora para todos e facilita a nossa vida." Para Politt, isso também significa estar satisfeito com o apoio que acredita que terá dos seus companheiros nas corridas que se aproximam: "Tenho o apoio necessário. Estamos todos desejosos que comece a época de clássicas. Estão todos numa grande forma."

Recordou como o início de temporada está a ser positivo para a estrutura israelita, com duas vitórias conquistadas (uma etapa na Volta a San Juan, por Rudy Barbier, e na Volta a Antalya, por Mihkel Räim), esperando que André Greipel e Ben Hermans recuperem rapidamente das respectivas lesões. "Estamos a mostrar que somos fortes e isso é bom ver, porque também ajudar a fortalecer ainda mais a equipa", disse. Politt acredita que durante 2020 irá ver-se a Israel Start-Up Nation a lutar por bons resultados, reiterando a qualidade dos ciclistas que estão na equipa. "Vamos ver a Israel Start-Up Nation fazer umas boas corridas", assegurou.

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4 de janeiro de 2020

O destino dos ciclistas da Katusha-Alpecin

(Fotografia: Facebook Katusha Cycling)
O final da Katusha-Alpecin obrigou muitos ciclistas a terem de procurar alternativas. Doze estavam em final de contrato, pelo que, quando durante a Volta a França começou a ganhar força a possibilidade de a equipa acabar, tiveram mais tempo para encontrar um novo rumo para a carreira. Porém, havia 11 com contrato para 2020 e mesmo a compra da licença por parte da agora chamada Israel Start-Up Nation (ex-Israel Cycling Academy), não houve desde logo certeza sobre o futuro destes ciclistas. E quatro foram mesmo obrigados a procurar novos destinos.

O último destes corredores a conseguir um contrato foi Enrico Battaglin. O italiano - um "todo-o-terreno" de 30 anos, que conta com três vitórias de etapas na Volta a Itália - foi este sábado anunciado como reforço da Bahrain-Merida, procurando assim relançar a sua carreira, depois de ter tido uma temporada à imagem da Katusha-Alpecin: muito abaixo do esperado.

O belga Jens Debusschere foi outro ciclista a chegar à Katusha-Alpecin em 2019 e seguirá agora para a equipa francesa do segundo escalão, B&B Hotels - Vital Concept p/b KTM. O jovem britânico (25 anos), Harry Tanfield encontrou na AG2R um espaço para continuar no World Tour, enquanto o russo Dmitry Strakhov regressa ao seu país para representar a Gazprom-RusVelo, uma formação Profissional Continental (categoria agora denominada como ProTeams).

Nils Politt, Jenthe Biermans, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel assinaram pela Israel Start-Up Nation, com Politt a preparar-se para ser um dos líderes na estreia da equipa na categoria mais elevada do ciclismo mundial.

Dos 12 em final de contrato - eram 13, mas Marcel Kittel colocou um ponto final na carreira, nem terminando a temporada -, só um continua por definir o seu futuro. Ian Boswell teve uma queda grave no Tirreno-Adriatico, a 16 de Março, sofreu uma concussão cerebral e não competiu mais em 2019. Chegou a estar dois meses sem andar de bicicleta. Agora já pedala e não estará afastada a possibilidade de trocar a estrada pela terra batida. O britânico de 28 anos, que esteve cinco temporadas na Sky antes de se mudar para a Katusha-Alpecin em 2018, promete novidades para breve.

Entre os que já estão a vestir os novos equipamentos, o destaque vai inevitavelmente para Ilnur Zakarin, que na CCC procura revitalizar a esperança de poder discutir a vitória numa grande volta. Os dois portugueses, Ruben Guerreiro e José Gonçalves, escolheram caminhos bem diferentes. O primeiro assinou novamente por uma equipa americana. Depois da Hagens Berman Axeon (Continental) e Trek-Segafredo (World Tour), o campeão nacional de 2017 muda-se para a EF Education First e continua assim ao mais alto nível. Já José Gonçalves, o campeão nacional em título de contra-relógio, desce de escalão, para competir pela Nippo Delko One Provence, estrutura que conhece bem, pois por lá passou em 2013 e 2014.

Quanto aos restantes, aqui ficam os seus destinos, com Simon Spilak a seguir o exemplo de Kittel, tendo terminado a carreira aos 33 anos: Marco Haller (Bahrain-Merida), Pavel Kochetkov (CCC), Steff Cras (Lotto Soudal), Matteo Fabro (Bora-Hansgrohe), Willie Smit (Burgos-BH), Nathan Haas (Cofidis), Viacheslav Kuznetsov (Gazprom-RusVelo).

De referir que a partir de Agosto a Katusha-Alpecin contou dois estagiários. O alemão de 20 anos, Juri Hollmann, é um dos reforços da Movistar, enquanto o sprinter holandês de 22 anos, Dylan Bouwmans, regressou à sua anterior equipa, a Metec-TKH Continental Cyclingteam p/b Mantel (Continental).

Como nota final, a Katusha ficou como fornecedora de equipamentos da Israel Start-Up Nation, enquanto a Alpecin dá agora nome à equipa de Mathieu van der Poel: a Alpecin-Fenix (ex-Corendon-Circus).


24 de dezembro de 2019

Como preparar o Natal? Thomas fez 300 quilómetros num treino e já foi batido

Não. Não se vai dar conselhos para esta quadra natalícia que, já sabe, acaba muitas vezes por se tornar irresistível abusar um pouco nos doces. Mas se há boa maneira para "deitar fora" as calorias em excesso é umas boas pedaladas. Se calhar para o comum dos mortais não é nada boa ideia tentar imitar o que estes ciclistas fizeram recentemente, mas é uma forma de poder comer mais uns sonhos ou rabanadas sem grande preocupação!

Há uns dias, Geraint Thomas mostrou que fez 309 quilómetros num só treino, juntamente com uns companheiros da Ineos, durante o estágio em Espanha. E em bicicleta de contra-relógio. Foram cerca de oito horas e meia a pedalar, a uma média de 36 quilómetros hora. E parece que o galês respondeu a um desafio para fazer a distância em menos de nove horas. Missão cumprida. Sem surpresa foi um autêntico reboliço nas redes sociais, pois foi um treino que meteu respeito pela distância. Egan Bernal, por exemplo, gosta mais de mostrar como se acumula muitos metros de altitude...

Mas fiquemos pelos treinos mais perto do Natal que os ciclistas tornaram públicos. Depois de muitos terem feito as contas de quanto tempo demoram a fazer a distância que Thomas fez num "mero" treino, eis que um corredor, menos conhecido, mas ainda assim do World Tour, resolveu mostrar como 300 quilómetros é (e passando à expressão e em tom de brincadeira) "para meninos". 500,51 quilómetros!!! É caso para colocar mais do que um ponto de exclamação.

Willie Smit, sul-africano de 30 anos é o autor da proeza, feita no dia 22. Demorou cerca de 17 horas e teve ainda um acumulado de 4694 metros. Já se sabia que Smit é daqueles que tem muita capacidade de sofrimento, pois fez a última semana da Vuelta com 16 pontos no joelho, após uma queda que o deixou muito mal tratado. Mas 500 quilómetros num dia... É de respeito. Não conseguiu um contrato com a Israel Star-up Nation, que comprou a licença da Katusha-Alpecin, onde estava Smit. Porém, a Burgos-BH, que contratou o ciclista, sabe que Smit está a fazer tudo e até ir um pouco mais além para começar bem a época.

A todos um feliz Natal e boas pedaladas para aqueles que escolham "queimar" os excessos com uns bons passeios de bicicleta. Mas não é preciso tanto! 

10 de dezembro de 2019

"Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade"

(Fotografia: © Team Katusha-Alpecin)
Foi apenas um ano na Katusha-Alpecin, mas Ruben Guerreiro considera que a experiência foi muito importante para a sua carreira e até o ajudou a redescobrir o potencial para ser um ciclista de topo nas provas por etapas, a pensar nas grandes voltas. A Vuelta marcou-o de tal forma que só pensa em regressar a uma corrida de três semanas. Prepara-se para mudar novamente para uma equipa americana. Na EF Education First não tem dúvidas que terá as suas oportunidades e é o próprio a dizer: "Porque não afirmar-me como corredor por etapas?"

Aos 25 anos (faz 26 em 2020) sorri ao recordar que já não vai contar mais para as classificações da juventude, mas rapidamente acrescenta que ainda é um jovem com muito para evoluir. Não esconde como as boas prestações na Volta a Espanha o motivaram ainda mais para trabalhar e alcançar os objectivos que tem na carreira. Um deles é ganhar uma etapa numa grande volta e olha também para a classificação geral: "Espero todos os anos fazer uma grande volta e porque não um dia fazer um top dez? Ficaria um palmarés bonito. Vou lutar por esse objectivo."

As fugas que integrou, estar por duas vezes perto de conquistar uma etapa na Vuelta (foi segundo na 15ª), mas principalmente a forma como o seu corpo reagiu à alta montanha e teve a recuperação necessária para estar ao mais alto nível durante três semanas, foram momentos decisivos para Ruben Guerreiro perceber que pode mesmo ambicionar a este tipo de corridas. "A certa altura da carreira não pensava que fosse possível, mas acho que depois da Volta a Espanha posso acreditar outra vez", admitiu ao Volta ao Ciclismo. O Tour recolhe a sua preferência, até porque realiza-se no mês em que faz anos, como realçou. Contudo, não se importa rigorosamente nada em ir ao Giro e/ou Vuelta, agora que inicia nova etapa na sua vida.


"Gostam da minha maneira de correr [na EF Education First]. Vou trabalhar imenso para os ajudar e espero que me ajudem também"

Com o final da Katusha-Alpecin - a licença World Tour foi comprada pela Israel Cycling Academy - e com vínculo apenas até ao final de 2019, a prestação na Vuelta tornou Ruben Guerreiro num ciclista mais pretendido, com a EF Education First a contratá-lo. Depois da então Axeon Hagens Berman e a Trek-Segafredo (equipa com que se estreou no escalão principal) é o regresso aos Estados Unidos. "Acho que me dou bem com a cultura e com o ciclismo americano", disse, acrescentando que os dois anos de contrato dão-lhe alguma tranquilidade para trabalhar, ainda que não tenha problema em competir sob pressão. "Acho que vou ter as minhas oportunidades e que foi a melhor opção."

Quando foi apresentado como reforço da equipa, o director Jonathan Vaughters descreveu o português como "ousado", mas com o talento para justificar essa forma de ser. Ruben Guerreiro espera precisamente poder manter a sua forma de ser e a sua forma de enfrentar as corridas. "Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade", salientou. E acrescentou: "Gostam da minha maneira de correr [na EF Education First]. Também não posso consigo mudar muito. Vou trabalhar imenso para os ajudar e espero que me ajudem também."

Apesar de desejar estar em pelo menos uma das grandes voltas na próxima temporada, o campeão nacional de 2017 não quer afastar-se das clássicas, pois referiu como uma Strade Bianche e as Ardenas lhe assentam bem.

Depois de duas temporadas na Trek-Segafredo com aspectos muito positivos, mas também com quedas ou problemas de saúde a impedirem Ruben Guerreiro de ser mais regular, o português escolheu mudar-se para a Katusha-Alpecin e não hesita em afirmar: "Acho que foi importante para perceber como estava como corredor. Na Trek-Segafredo acho que poderia ter o mesmo espaço, mas o apoio de José Azevedo foi fundamental. Podemos perceber inglês, mas ouvir português conta muito. Foi um ano para analisar, para tentar evoluir e reencaminhar a minha carreira outra vez."


"Foi uma pena que as coisas tivessem terminado assim, mas cresci mais um pouco como ciclista"

Havia mais um compatriota na equipa, o ciclista José Gonçalves, mas o director José Azevedo acabou por ser um apoio essencial para que Ruben Guerreiro chegasse à Vuelta a acreditar que poderia mostrar-se, depois da desilusão de ter ficado fora do Tour. Apesar de ter sido a época mais regular desde que chegou ao World Tour, ainda assim houve uma clavícula partida que contribuiu para adiar o sonho da Volta a França.

Azevedo também teve influência quando o futuro da Katusha-Alpecin começou a ficar muito incerto. A situação não foi fácil de lidar. "Notava-se muito com desenrolar do ano e muitos corredores foram afectados por isso. Eu fui fazendo o meu trabalho e os directores incentivaram-me bastante, tal como o fez José Azevedo. Tentei sempre fazer o meu caminho. Foi uma pena que as coisas tivessem terminado assim, mas cresci mais um pouco como ciclista e tenho de lhes agradecer por este ano na equipa", frisou.

Quando chegou ao World Tour foi considerado por muitos um dos jovens a seguir com atenção. Depois de prestações muito animadoras - dá-se muito bem com os ares da Austrália - a definitiva afirmação poderá ter começado com a estreia numa grande volta, que finalmente aconteceu este ano. Vai para uma equipa que está a apostar em vários ciclistas jovens, como são os casos dos colombianos Daniel Martínez e Sergio Higuita, Hugh Carthy, Sean Bennett e vai chegar Neilson Powless da Jumbo-Visma, assim como o sprinter da Ineos, Kristoffer Halvorsen. Rigoberto Uran, Michael Woods e Sep Vanmarcke, continuam a ser a voz da experiência de uma estrutura que encontrou estabilidade financeira desde que o actual patrocinador investiu no ciclismo e que em 2019 teve como um ponto alto a conquista de um monumento: a Volta a Flandres, por intermédio de Alberto Bettiol.

Ruben Guerreiro reforçará essa aposta nos mais jovens da EF Education First e depois do estágio de Dezembro, o ciclista português ficará a conhecer melhor o seu possível calendário que não passará pela Volta ao Algarve, já que a equipa não elegeu a corrida do sul do país para competir no arranque da temporada.

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2 de novembro de 2019

Katusha-Alpecin despede-se com mais uma época para esquecer

(Fotografia: © Facebook Team Katusha-Alpecin)
A Katusha-Alpecin foi de mal a pior. Se 2018 já tinha sido fraco, 2019 foi simplesmente mau de mais. Todo o projecto de cortar com as raízes russas, transformar a equipa numa potência mundial ao contratar alguns ciclistas de renome e tentando afirmar nomes como Ilnur Zakarin, tudo falhou. Não houve dinheiro que conseguisse prever que Marcel Kittel se tornaria numa das piores contratações, é certo, e que aos 31 anos iria terminar a carreira, em Maio. Erik Zabel entrou para a equipa técnica para tentar ajudar na recuperação do sprinter, mas o "afundar" de Kittel acompanhou o "afundar" de uma Katusha-Alpecin, que teve Nils Politt a salvar um pouco a honra nas clássicas, mas sem vitórias, valendo aqui um Zakarin que continuou a desiludir a nível de geral, mas venceu uma etapa no Giro. Foi uma garantia que a estrutura de José Azevedo não terminasse 2019 sem triunfos World Tour. Mas não chega para apagar a má temporada.

Foram cinco vitórias. Além da 13ª etapa na Volta a Itália, antes Rick Zabel conquistou a segunda no Tour de Yorkshire e Kittel tinha começado o ano a ganhar no Troféu Palma, em Espanha, numa altura em que se pensou que talvez o sprinter pudesse recuperar o ritmo de vitórias de outros tempos e assim compensasse o grande investimento feito nele. Para mal da Katusha-Alpecin a história foi bem diferente. Kittel terminou a carreira. Depois de Zakarin vencer no Giro, Alex Dowsett e José Gonçalves sagraram-se campeões nacionais de contra-relógio. Nem mais uma vitória depois disso. Para agravar, as boas exibições também escassearam.

A Katusha-Alpecin foi uma equipa sem identidade, sem garra, sem líderes fortes. A certa altura mais parecia que estava cada um por si, situação que se tornou clara quando durante a Vuelta foi confirmado que não havia garantia de continuidade da equipa, conhecida que já era da saída de patrocinadores como a Alpecin e da marca de bicicletas Canyon. Ambas estarão mais interessadas em colocar o seu dinheiro onde está Mathieu van der Poel (Corendon-Circus). Entretanto foram surgindo notícias que a Israel Cycling Academy poderia comprar a licença World Tour, mas no meio de tanta incerteza, a Katusha-Alpecin conseguiu algum destaque na Vuelta graças a um português.
Ranking: 23º (3985,43 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo uma etapa na Volta a Itália)
Ruben Guerreiro aproveitou a liberdade que os ciclistas da equipa tinham na Vuelta e estreou-se numa grande volta com excelentes performances. Foi dos mais combativos da corrida, ficou perto de ganhar etapas e foi 17º na geral. Em 2018 havia José Gonçalves quem tinha ajudado a tornar a época menos má para a equipa com um 14º lugar no Giro. Já de 2019 esteve longe do esperado para o ciclista de Barcelos. Alguns problemas físicos limitaram Gonçalves, que concretizou o sonho de estar no Tour, mas foi uma prestação muito discreta para a qualidade que tem.

Mas Zakarin não esteve melhor em França e apesar de poder dizer que pagou o esforço do Giro, a verdade é que o russo vê os anos passarem sem afirmar-se como um voltista que possa estar novamente a discutir uma prova de três semanas. Foi terceiro na Vuelta em 2017, já fez outros top dez, incluindo este ano em Itália. Porém, não fez esquecer Joaquim Rodríguez.

Quem acabou por marcar muito a temporada da Katusha-Alpecin foi um ciclista que nem ganhou, mas aos 25 anos confirmou a aptidão para as clássicas do pavé. E não fosse um senhor chamado Philippe Gilbert, talvez tivesse conquistado o seu primeiro monumento. O Paris-Roubaix foi preencher um currículo invejável, como é o do belga, mas Politt deixou bem claro que tem capacidade para também ele conquistar grandes vitórias. Foi quinto na Volta a Flandres, sexto na E3 BinckBank Classic e o alemão foi o autor de algumas das raras boas exibições que se viu em 2019 de ciclistas da Katusha-Alpecin.

Não surpreende por isso que, dos 11 corredores que tinham contrato com a equipa para 2020, Politt seja aquele que a Israel Cycling Academy tenha admitido rapidamente que queria manter, depois de anunciar a compra da licença da equipa suíça (a Katusha deverá manter-se como patrocinador). Enrico Battaglin, Jenthe Biermans, Jens Debusschere, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Dmitry Strakhov, Harry Tanfield, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel são os restantes com vínculo para 2020. Ruben Guerreiro vai mudar-se para a EF Education First, Gonçalves para a Delko Marseille Provence e Zakarin também irá mudar de ares, para a CCC.

O desafio de José Azevedo como director geral de uma equipa World Tour não correu como certamente ambicionava e o próprio já admitiu que quer regressar ao cargo que ocupou anteriormente com sucesso. Como director desportivo venceu uma Vuelta com Chris Horner, então na RadioShack-Leopard (2013). A Jumbo-Visma foi dada como interessada em receber o português.

A Katusha-Alpecin terminou 2019, a nível de ranking, como a pior entre as do World Tour e foi ainda batida por formações Profissionais Continentais: Direct Energie, Wanty-Gobert, Corendon-Circus, Israel Cycling Academy e Cofidis.


17 de outubro de 2019

Como Ruben Guerreiro convenceu a EF Education First a melhorar a proposta de contrato

(Fotografia fornecida pela EF Education First)
Depois de uma Volta a Espanha que convenceu todos que era um ciclista para continuar no World Tour, Ruben Guerreiro definiu agora o seu futuro, que passará novamente pelos Estados Unidos. A EF Education First ofereceu dois anos de contrato ao português, que chegou a recusar uma proposta inicial, mas mostrou argumentos que convenceram o director Jonathan Vaughters a melhorá-la.

"O Ruben é ousado, mas dá motivos para o ser. Durante as negociações contratuais, ele disse-me que não aceitaria a minha oferta, que ele valia mais. Ele disse-me para o ver na Vuelta no dia seguinte, que me ia mostrar. Ele não ganhou a etapa, mas foi segundo. Fiquei impressionado", explicou Vaughters. O director refere-se à 15ª tirada, com chegada ao Santuario del Acebo. Foi um dos dias em que Guerreiro andou em fuga, com Sepp Kuss a vencer e com o português e Tao Geoghegan Hart (Ineos) a não conseguirem apanhar o americano da Jumbo-Visma. Mas foi uma grande performance de Guerreiro.

Vaughters não terá sido o único a ficar impressionado com Ruben Guerreiro, pois a Lotto Soudal chegou a ser dada como possível interessada. Guerreiro fez nove top 20 na Vuelta, incluindo um quarto lugar, além do segundo posto. Andou sempre muito activo e conseguiu o 17º lugar na geral, naquela que era uma muito aguardada estreia numa grande volta, na terceira temporada no World Tour.

Com as palavras de Vaughters percebe-se agora que Ruben Guerreiro teve uma motivação extra no dia em que ficou perto de ganhar uma etapa em Espanha, mas todas as exibições - mesmo noutras corridas - comprovaram um potencial reconhecido desde os tempos de sub-23, mas que estava difícil ser exposto ao mais alto nível. Quando foi contratado pela formação americana Trek-Segafredo em 2017, Guerreiro foi considerado uma das principais promessas a chegar ao World Tour, mas quedas, lesões e doenças foram adiando a sua afirmação. Não conseguia ter uma época sem problemas, apesar dos arranques promissores, sendo um ciclista que se dá muito bem com os ares da Austrália nos primeiros dias das temporadas.

Em 2019 mudou-se para a Katusha-Alpecin. Também não foi um ano perfeito, mas Guerreiro conseguiu ser mais regular, com boas classificações em provas por etapas e a chamada para a Volta a Espanha foi um objectivo concretizado. Com a equipa de José Azevedo então em risco de não continuar (foi entretanto comprada pela Israel Cycling Academy), Guerreiro sabia que uma renovação era improvável, mas rapidamente se tornou num dos homens mais falados muito falado na Vuelta. E confirmou ainda que não é só em clássicas ou provas de uma semana que podem contar com ele.

No anúncio da sua contratação, a EF Education First refere precisamente esta característica de Guerreiro. "Estou entusiasmado por poder continuar a crescer como um ciclista de grandes voltas", afirmou o português, que aos 25 anos vai representar a sua terceira equipa dos Estados Unidos.

Antes da Trek-Segafredo, Guerreiro esteve duas épocas na então Axeon Hagens Berman, a estrutura de formação de Axel Merckx que tantos corredores tem colocado no World Tour (João Almeida vai seguir esse caminho, depois dos gémeos Oliveira, no que diz respeito a portugueses). "Aprendi inglês com a equipa. Para mim é um regresso a casa. A América é o meu segundo país e estou muito feliz por regressar a casa para uma equipa americana", afirmou o ciclista, que no seu primeiro ano de elite sagrou-se campeão nacional, em Gondomar (2017).

Ruben Guerreiro é o sétimo reforço para 2020, depois Jens Keukeleire (30 anos, Lotto Soudal), Magnus Cort (26, Astana), Kristoffer Halvorsen (23, Ineos), Neilson Powless (23, Jumbo-Visma), Stefan Bissegger (21, Swiss Racing Academy) e Jonas Rutsch (21, Lotto-Kern Haus). Após ganhar estabilidade financeira com a chegada do patrocinador EF Education-First, a estrutura de Jonathan Vaughters tem valorizado ciclistas mais experientes, mas está cada vez mais a contratar jovens ciclistas, alguns com o plano de ajudar na sua formação e outros, como Guerreiro, que já são uma mais-valia no World Tour.

Rigoberto Uran, Sep Vanmarcke e Michael Woods, por exemplo, vão continuar a ser figuras principais, mas Daniel Martínez, Sergio Higuita e Hugh Carthy estão a ser cada vez mais jovens certezas de um futuro promissor, numa equipa que quer vencer em todas as frentes.

Este ano Alberto Bettiol conquistou um muito celebrado monumento, Carthy venceu uma etapa na Volta à Suíça, Martínez outra no Paris-Nice, Higuita na Vuelta (e que grande vitória foi para quem começou a temporada na Fundação Euskadi para preparar o salto para o World Tour) e Michael Woods ganhou recentemente a Milano-Torino. São 16 vitórias em 2019, a melhor temporada desde 2014 (23).

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8 de outubro de 2019

Israel Cycling Academy quer ficar com pelo menos sete dos 11 ciclistas da Katusha

(Fotografia: Facebook Israel Cycling Academy)
O objectivo de ver a Israel Cycling Academy tornar-se numa equipa do World Tour está presente praticamente desde a criação da equipa. Cinco anos depois da estreia como Continental (foi Profissional Continental nas últimas duas épocas), o sonho do magnata Sylvan Adams está apenas pendente do sim da UCI, depois de ter comprado a licença da Katusha-Alpecin. A equipa israelita não quer perder tempo e já vai preparando a nova época, começando com a escolha de ciclistas, sendo que nem todos os que estavam na estrutura liderada por José Azevedo - que está de saída - e que tinham contrato para 2020, deverão ficar. E falta também saber todos os que vão acompanhar a Israel Cycling Academy para o World Tour.

"É uma compra/fusão da nossa parte. A maioria dos ciclistas que têm contrato com a Katusha vão ficar. Dos 11 ficarão seguramente pelo menos sete. O mesmo acontecerá com o staff. Virão quatro massagistas e quatro mecânicos", explicou um dos directores da Israel Cycling Academy, o espanhol Óscar Guerrero. Nils Politt, Enrico Battaglin, Jenthe Biermans, Jens Debusschere, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Dmitry Strakhov, Harry Tanfield, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel são os corredores que tinham vínculo contratual por mais uma temporada com a Katusha-Alpecin. Politt foi uma das figuras de 2019, principalmente nas clássicas e os novos responsáveis querem fazer do alemão uma das referências, a par de Dan Martin, irlandês que vai deixar a UAE Team Emirates.

O canadiano James Piccoli (28 anos, Elevate-KHS Pro Cycling) e o francês Hugo Hofstetter (sprinter de 25 anos da Cofidis) são as outras contratações já garantidas. Entre os que vão permanecer na Israel Cycling Academy, destaque para o letão Krists Neilands, que em 2017 venceu a classificação da juventude da Volta a Portugal, pois a equipa israelita tem sido uma presença habitual no nosso país. E de recordar que conta com um português, o massagista Pedro Claudino.

Matthias Brändle (29), Davide Cimolai (29), Ben Hermans (33) e Tom van Asbroeck (29) demonstram como a estrutura quer contar nesta passagem a World Tour com ciclistas experientes e habituados ao mais alto nível. O ciclista da Estónia Mihkel Räim (26) também renovou, mas entre os corredores israelitas apenas Itamar Einhorn (22) assinou para 2020, até ao momento.

Guerrero admite que a Israel Cycling Academy está atenta ao mercado, enquanto resolve a situação com os ciclistas da Katusha-Alpecin. Em entrevista ao jornal Marca, alerta que será preciso "mudar o chip" agora que se dá o salto para o World Tour, depois de duas temporadas como Profissional Continental em que conseguiu estar em algumas corridas importantes, incluindo as duas participações na Volta a Itália. "O nível vai ser o máximo porque vamos competir em todas as grandes provas. Creio que vamos ter um plantel competitivo. Vamos ter ciclistas de qualidade, tanto por parte dos que renovam, como os que chegam da Katusha. O primeiro ano não vai ser fácil, certamente, porque vai ser uma grande mudança", salientou o responsável.

A Israel Cycling Academy assumiu no início desta temporada que queria chegar ao World Tour em 2020. O plano inicial era tentar uma das duas licenças que estariam disponíveis, já que a UCI vai aumentar o escalão de 18 para 20 equipas, mas a crise na Katusha-Alpecin, com a saída do seu segundo patrocinador e da marca de bicicletas Canyon, foi uma oportunidade que Sylvan Adams não deixou escapar. A equipa esteve muito activa em 2019, na procura de bons resultados e para somar pontos para o ranking, mas no final o poderio financeiro tem tudo para ser o empurrão que a estrutura precisava para chegar ao principal escalão.

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1 de outubro de 2019

José Gonçalves regressa a equipa francesa

(Fotografia: © João Fonseca Photographer/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Depois de três anos no World Tour, na Katusha-Alpecin, José Gonçalves vai regressar a uma equipa onde começou a sua carreira fora de Portugal. O campeão nacional de contra-relógio assinou pela Delko Marseille Provence para 2020 e espera que a experiência que ganhou ao mais alto nível possa ajudá-lo a alcançar novamente bons resultados na formação francesa.

Gonçalves esteve na então na La Pomme Marseille em 2013 e 2014, que pertencia ao escalão Continental, mas entretanto subiu a Profissional Continental. "Ao ter alcançado bons resultados no World Tour durante os últimos três anos e tendo conquistado o título nacional de contra-relógio recentemente, pude ganhar mais experiência e melhorar o meu nível desportivo. No entanto, a época de 2019 não foi a minha melhor devido a um vírus, mas tentei dar o meu melhor. Tenho a certeza que ainda tenho muito para dar", afirmou José Gonçalves.

A Delko Marseille Provence recorda como o português conquistou pela equipa uma vitória na corrida de um dia Polynormande, tendo depois ganho a Volta à Turquia (ao serviço da Caja Rural) e a Ster ZLM, já na Katusha-Alpecin, que com a época quase no fim continua sem ter futuro definido. José Gonçalves é um ciclista que participou nas três grandes voltas, com um 14º lugar no Giro em 2018 e esteve perto de ganhar etapas na Vuelta quando estava na Caja Rural. Fez este ano a sua estreia no Tour, mas não foi feliz, ainda que tenha chegado a Paris.

"Ele vai ter um papel de liderança nas corridas por etapas de uma semana e em provas do World Tour. Estamos a contar com o valor desportivo que ele pode nos trazer", salientou o director da equipa, Frédéric Rostaing.

A Delko Marseille Provence marca presença em algumas das principais provas em França, incluindo o Paris-Roubaix e o Paris-Nice, por exemplo, mas este ano esteve também na Flèche Wallonne, entre outras corridas na Bélgica, Espanha e Itália, por exemplo. No entanto, não entra na equação quando são atribuídos os convites para a Volta a França.

As grandes voltas saem do calendário de José Gonçalves, que apostará nas corridas que sempre lhe assentaram bem, numa nova fase da carreira que começará aos 30 anos.

José não deverá ser o único dos Gonçalves a regressar a uma equipa que já representou. O irmão gémeo, Domingos, também poderá estar de volta à Rádio Popular-Boavista, depois de um 2019 muito difícil na Caja Rural. O ciclista de Barcelos recebeu uma segunda oportunidade na equipa espanhola, mas os problemas físicos foram limitando a sua temporada, principalmente a grave queda na Volta à Catalunha. Abandonou na Volta a Portugal, mas foi chamado para a Vuelta, que acabaria também por não terminar. Não foi depois ao Mundial de Yorkshire, alegando motivos pessoais. Em 2018 teve uma época espectacular ao serviço da Rádio Popular-Boavista, com muitas vitórias, incluindo uma etapa na Volta a Portugal e um top dez, sendo um ciclista cujas características são apreciadas pelo director desportivo José Santos.


18 de setembro de 2019

José Azevedo vai deixar a Katusha-Alpecin e quer ser novamente director desportivo

Com a incerteza a continuar a pairar sobre o futuro da Katusha-Alpecin, José Azevedo já definiu parte do seu. O antigo ciclista português vai deixar a equipa no final de 2019 e deseja regressar ao antigo papel de director desportivo. Nas últimas três temporadas, Azevedo foi o director-geral da estrutura, numa fase de mudança que se revelou difícil e com poucos resultados de sucesso desportivamente.

"Independentemente de a equipa continuar, eu já informei a direcção que farei o meu trabalho até ao final do ano e depois vou parar. O meu contrato termina este ano e o meu desejo é ser director desportivo. É isso que quero fazer outra vez. Para 2020 estou livre", afirmou José Azevedo ao Cyclingnews.

O português, que celebra 46 anos esta quinta-feira, assumiu o cargo de director-geral com a responsabilidade de liderar a equipa na fase em que começou a quebrar com as suas raízes russas. A Katusha-Alpecin passou a ter licença suíça e também deixou de apostar tanto nos ciclistas da Rússia. Porém, apesar da capacidade financeira para contratar alguns ciclistas de referência do pelotão, a formação nunca encontrou uma resposta para a saída de Joaquim Rodríguez, que terminou a carreira no final de 2016. O sucessor era suposto estar na casa e até era russo, mas Ilnur Zakarin nunca confirmou tudo o que se esperava dele, apesar de vitórias em etapas e top dez em grandes voltas. No entanto, nunca conseguiu estar na discussão de uma corrida de três semanas.

Tony Martin foi a primeira grande contratação para a nova Katusha-Alpecin, mas o alemão foi uma sombra do ciclista de anos anteriores. Só se voltou a ver o melhor de Martin quando se mudou esta época para a Jumbo-Visma. Ainda assim, 2017 foi um ano com 17 vitórias para a equipa, mas também foi nesta temporada que se tomou uma decisão que mexeu muito com o número de triunfos da equipa.

Alexander Kristoff começou a dar mostras que não conseguia estar ao nível dos melhores sprinters nas principais corridas e chegou a ser criticado por estar gordo! O ciclista estava em final de contrato e mudou-se para a UAE Team Emirates em 2018. Apesar de não ser o Kristoff de outros tempos, o norueguês somou nove das 17 vitórias da equipa no último ano na Katusha, incluindo nas clássicas Eschborn-Frankfurt 'Rund um den Finanzplatz' e Prudential RideLondon-Surrey Classic. E ainda juntou o título europeu ao currículo.

José Azevedo escolheu fazer uma contratação que se esperaria elevar a Katusha-Alpecin a outro nível nos sprints: Marcel Kittel. Vinha de uma temporada com 14 vitórias, incluindo a geral da Volta ao Dubai e cinco etapas no Tour. Acabou por ser uma aposta completamente falhada. O sprinter alemão conquistou apenas três vitórias em ano e meio, até que anunciou a sua retirada em Maio, aos 31 anos.

Nem nas gerais das grandes voltas, nem nos sprints, Katusha não se conseguiu mostrar. Nils Politt ainda se afirmou nas clássicas, mas faltou a tão necessária grande vitória para uma equipa que em 2018 só somou cinco, as mesmas que tem em 2019, com destaque para a etapa no Giro por intermédio de Zakarin, ciclista que está a caminho da CCC.

A Katusha-Alpecin não conseguiu encontrar uma nova identidade de sucesso e arrisca agora mudar por completo. José Azevedo explicou na mesma entrevista que continua a ser procurada uma solução e que, por isso, ainda não se libertou os 11 ciclistas que têm contrato para 2020: Nils Politt, Enrico Battaglin, Jenthe Biermans, Jens Debusschere, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Dmitry Strakhov, Harry Tanfield, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel. O ainda director-geral referiu que os corredores que têm o vínculo contratual a terminar estão livres para negociar o seu futuro, entre eles os portugueses Ruben Guerreiro (poderá estar a caminho da Lotto Soudal) e José Gonçalves.

A salvação poderá ser uma fusão com uma equipa Profissional Continental. Em França chegou-se a noticiar o interesse da Arkéa-Samsic, que foi desmentido pela equipa, mas a Israel Cycling Academy estará mesmo a procurar concretizar esta solução para garantir a licença World Tour.

Quanto a Azevedo, substituiu Viacheslav Ekimov no importante cargo na Katusha-Alpecin depois de se ter destacado como director desportivo. Antes de se mudar para a então equipa russa, Azevedo conseguiu um dos feitos recentes numa grande volta, com Chris Horner. Era o director desportivo da RadioShack-Leopard quando o veteraníssimo corredor ganhou a Volta a Espanha em 2013. O americano tinha 42 anos (estava a cerca de um mês de fazer 43) e Azevedo estava a quatro dias dos 40.

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8 de setembro de 2019

Kuss e Roglic em dia perfeito para a Jumbo-Visma. Mas Ruben Guerreiro é cada vez mais uma figura da Vuelta

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Primoz Roglic deu um passo talvez não de gigante, mas bastante grande para ganhar a Vuelta. Porém, é impossível não começar por Ruben Guerreiro. Afinal, não é todos os dias que se tem um português estreante em provas de três semanas a ficar no segundo lugar de uma etapa, sendo novamente destaque numa corrida em que os mais novos vão brilhando, enquanto Roglic faz da experiência uma arma para se aproximar de um triunfo que há dois anos ainda se duvidava ser possível.

Se Ruben Guerreiro não tiver um contrato a surgir-lhe em breve (se é que já não apareceu) então será de estranhar. O ciclista português pode ter duas temporadas iniciais de World Tour algo inconstantes, mas é bem conhecido o seu talento e potencial. Na terceira época, eis a estreia fabulosa numa em grandes voltas. Já tinha sido quarto na oitava tirada e foi 11º do difícil subida de Los Machucos, na sexta-feira. As boas exibições estão a ser constantes e reflectem-se também na geral. É 16º, ainda que a mais de 16 minutos de Primoz Roglic. A diferença não perturbará em nada Guerreiro, que assim poderá continuar a ter liberdade para entrar em mais alguma fuga (ou fugas) até ao final da Vuelta.

As performances do corredor da Katusha-Alpecin estão a chamar a atenção de todos, incluindo dos meios de comunicação social (só é pena não aparecerem fotografias do português nas melhores do dia da organização). O desentendimento com Tao Geoghegan Hart no final da etapa ajudou a chamar mais a atenção, mas já antes os jornalistas "perseguiam" o português para o ouvir. Ruben Guerreiro destacou como não é um trepador puro, mas que está em boa forma. E nota-se. O ciclista de 25 anos tem estado em grande nível na maioria das principais subidas da Vuelta.

O contrato com a Katusha-Alpecin está a chegar ao fim e há que não esquecer que a equipa não tem continuidade garantida para 2020. Custou, mas Ruben Guerreiro está a mostrar na Vuelta o potencial que o levou até à Hagens Berman Axeon (nome actual da formação americana), dando depois o salto para o World Tour, então para a Trek-Segafredo. Não foi por acaso que em 2017 foi considerado por muitos um dos jovens a seguir com atenção. Na Vuelta já não há ninguém que não esteja atento.

Valverde atacou e acabou a aliar-se com Roglic


(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Num dia com quatro primeiras categorias em 154,4 quilómetros entre Tineo e Santuario del Acebo, a luta pela geral ficou guardada para a última das subidas. Entretanto, a Movistar e a Astana tinham feito a jogada habitual de colocar homens na fuga para depois ajudarem os líderes, com a Jumbo-Visma a optar por fazer o mesmo, com Sepp Kuss. Contudo, com Roglic tão forte, a equipa holandesa deu-se ao luxo de dar liberdade ao americano, que, aos 24 anos, aproveitou a oportunidade para conquistar a sua primeira vitória no World Tour, numa das etapas mais difíceis da Volta a Espanha.

Kuss deixou a concorrência a 39 segundos, com Guerreiro e Hart a não reagirem de imediato ao ataque do americano e depois tornou-se numa missão impossível apanhá-lo. O ciclista até teve tempo para celebrar a vitória com o público nos últimos metros da subida.

Enquanto na frente da corrida era o espectáculo Kuss, um pouco mais atrás era o espectáculo Roglic. Desta feita aliou-se com Valverde. Ou melhor, o espanhol percebeu que era melhor aliar-se com o esloveno, já que não ia conseguir quebrá-lo. O líder da Movistar atacou e Roglic até fez parecer fácil seguir na roda do campeão do mundo, ao contrário de Nairo Quintana que ficou para trás e nem Tadej Pogacar conseguiu desta vez manter-se ao lado do compatriota, talvez com a queda da véspera a ter influência na sua condição física.


Roglic está simplesmente mais forte do que todos e se Valverde manteve os 2:25 minutos de diferença, Pogacar (UAE Team Emirates) está agora a 3:42, após os 41 segundos perdidos neste domingo. Miguel Ángel López (Astana) não quis aliar-se ao esloveno, o que se percebe já que ambos estão na luta pela juventude. Porém, pagaram um preço caro na luta pela geral. Para Pogacar o terceiro lugar será sempre uma grande vitória, já López vê esta Vuelta começar a tornar-se num pesadelo. 3:59 minutos para recuperar já deverá ser de mais, a não ser que Roglic tenha uma quebra enorme.

Se já não é fácil ver López como candidato à camisola vermelha, Quintana ficou fora da corrida ao perder mais de um minuto. Já são 5:09 para Roglic.

Nesta edição da Vuelta, a folga é só na terça-feira e apesar de ainda haver pela frente mais duas importantes etapas de montanha na última semana, se alguém quiser fazer frente a Roglic tem de cortar tempo na 16ª tirada, ou então ficará muito dependente de algo ter de acontecer ao esloveno. E para já, o Roglic e a Jumbo-Visma têm a Vuelta muito bem controlada.

Para Valverde foi um mal menor ter terminado a etapa com o rival. Pelo menos ganhou tempo a Pogacar e López, estando assim mais perto de um novo pódio numa grande volta e de segurar o segundo lugar. Mas ainda não quer deixar Roglic descansado.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

16ª etapa: Pravia - Alto de la Cubilla (144,4 quilómetros)



A tirada de segunda-feira terá a última categoria especial da Volta a Espanha. Estar de vermelho no Alto de la Cubilla poderá ser um passo de gigante rumo à vitória final. Não é das maiores dificuldades da Vuelta, numa perspectiva de ter pendentes muito complicadas. Não chega aos 10% de máxima, mas depois de tantos quilómetros, tantas montanhas, o desgaste é enorme e pode pesar numa subida tão longa como esta. Depois de uns primeiros quilómetros mais planos, são pouco mais de 100 sempre a subir e descer e qualquer uma das subidas a acabar sempre acima dos mil metros de altitude. Puerto de San Lorenzo: 10 quilómetros com 8,5% de pendente média; Alto de Cobertoria, 8,3 a 8,2%; Alto de la Cubilla, 17,8 a 6,2%.




»»Dois dias em que falhar poderá ser o adeus à luta pela Volta a Espanha««

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31 de agosto de 2019

A hora de Ruben Guerreiro

Ruben Guerreiro foi quarto classificado no sprint, depois de muitos quilómetros em fuga
e de ter tentado afastar-se do grupo (Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Dizer que Ruben Guerreiro está a confirmar o seu potencial na Vuelta, seria minimizar o que este ciclista já alcançou. Aquele corredor que se está a ver é o Ruben que tem adiado a sua afirmação no World Tour, muito por culpa de quedas ou algum problema de saúde. Nem todos os talentos conseguem ter um impacto imediato, o que não significa que não o venham a ter. Em boa hora Ruben Guerreiro está a mostrar-se, não só na etapa deste sábado, mas na maioria dos dias desta primeira semana de Volta a Espanha. E que seja só o início das boas exibições!

O murro no guiador ao cortar a meta no quarto lugar, demonstrou uma natural frustração de quem muito trabalhou, de quem arriscou numa estrada molhada, debaixo de chuva, de quem foi um verdadeiro guerreiro, numa etapa em que a fuga triunfou novamente na Vuelta.

Não foi desta que ganhou, naquela que está a ser a sua estreia numa grande volta. Mas este é o Ruben que em 2017, quando entrou no World Tour pela porta da Trek-Segafredo, foi incluído no grupo dos "rookies" a seguir com muita atenção. Começou bem numa Austrália que nas épocas seguintes sempre foi um bom ponto de partida para o português. Mas também rapidamente começaram os percalços que o afastavam a competição e a afirmação. 

Guerreiro é um dos muitos ciclistas de qualidade que estiveram na Hagens Berman Axeon. Numa entrevista ao Volta ao Ciclismo em 2016, o director da equipa Axel Merckx disse sobre o português: "Ele é um dos maiores talentos que está aí. Ele deu sinais de ser um pouco frágil, mas isso não faz mal. Ele irá aprender a viver como um ciclista profissional e perceber que entrar no World Tour não é suficiente. Ele terá de evoluir e ficar mais forte."

De facto, essa fragilidade tem sido o problema para Ruben Guerreiro. Parece que sempre que começa a aproximar-se de grandes momentos, algo mau acontece. Porém, Merckx também disse que acreditava iria conseguir tornar-se num ciclista mais forte. Além da Austrália, Guerreiro esteve muito bem em provas como Volta à Califórina, Turquia, Algarve, entre outras. E claro, sem esquecer como da primeira vez que participou no Campeonato Nacional de elite, ganhou, num difícil circuito por Gondomar, em 2017. Foi um dos melhores ciclistas daquele escalão a surgir em Portugal nos últimos anos e tinha de o ser para ser chamado por Merckx e dois anos depois dar o salto mais desejado.

Não tem sido fácil para Ruben Guerreiro acompanhar as elevadas expectativas. Após dois anos muito inconstantes na Trek-Segafredo, Ruben optou por uma mudança para uma Katusha-Alpecin, com um português como director, José Azevedo, além de ter José Gonçalves no plantel.

Não tem sido a melhor das equipas nos últimos anos, mas talvez podendo ter um perfil mais discreto tenha ajudado Ruben Guerreiro a encontrar alguma estabilidade e a afastar-se da pressão e afastar os azares que o perseguiam. Assinou por apenas um ano, ficando claro que tinha de se mostrar para poder continuar ao mais alto nível. E está a fazê-lo e não apenas na Vuelta, mas claro que uma grande volta é um palco com outro mediatismo.

Está na 21ª posição, a mais de 11 minutos e já esteve no top 20, mas a geral não é a preocupação do português, que está com liberdade para fazer a sua corrida. Na difícil subida de Javalambre na quinta etapa, Ruben esteve muito bem, terminando na 15ª posição. Este sábado esteve ainda melhor.

O futuro da Katusha-Alpecin é incerto, mas com exibiçōes deste nível numa estreia na Vuelta adiada há ano, talvez o futuro de Ruben possa ficar mais certo no World Tour, um escalão que tantas vezes não perdoa quem demora mais tempo a afirmar-se, mas que continua a ser o lugar deste promissor ciclista de 25 anos. Chegou a hora de Ruben Guerreiro destacar-se.

9ª etapa: Andorra la Vella - Cortals d'Encamp (94,4 quilómetros)



Este domingo será um daqueles dias que se tornou imagem de marca da Vuelta: etapa curta e sempre a subir e descer! Apesar de ainda se estar a terminar a primeira semana da corrida, não é dia para o quarteto da frente falhar. E se alguém quer reentrar na luta pela geral, eis um perfil de etapa a pedir ataques. 

Pela terceira vez, Miguel Ángel López vestiu a camisola vermelha para no dia seguinte perdê-la. Desta feita para Nicolas Edet (Cofidis), um dos homens da fuga do dia e que teve o alemão Nikias Arndt (Sunweb) a ser o mais forte no sprint final. No entanto, sendo uma etapa tão curta, não altera em nada a responsabilidade da Astana de López - que não arriscou nada com a chuva na parte final da etapa e não se importou de perder bastante tempo para o novo líder -, da Movistar de Alejandro Valverde e Nairo Quintana e da Jumbo-Visma de Primoz Roglic. O esloveno deverá ser o alvo a abater, pois na terça-feira é dia de contra-relógio e não há rival que não o queira ver com uma margem de diferença maior possível. 

Quanto à Cofidis, com Edet a ter ganho uma vantagem maior do que seria de esperar muito devido à chuva nos quilómetros finais - tem 3:01 minutos para López, com Dylan Teuns (Bahrain-Merida) a andar num iô-iô nesta classificação, de líder passou para 18º e agora é segundo, a 2:21 - a equipa francesa poderá tentar ajudar o ciclista a pelo menos ir para o dia de folga como líder, mas muito dependerá se Edet recupera do esforço deste sábado (Valls-Igualada, 166,9 quilómetros), mas não será uma missão nada fácil. Até Quintana está a prometer atacar! 

Quanto às cinco difíceis subidas deste domingo, o destaque vai para a categoria especial de Coll de la Gallina (imagem à direita). Serão 12,2 quilómetros de ascensão, com uma pendente média de 8,3%. Entre o quilómetro três e 11, o melhor que os ciclistas terão são pendentes a 7%, estando várias vezes acima dos 10%.

A subida final, Cortals d’Encamp, terá 5,7 quilómetros, com pendente média de 8,3%, sendo a fase inicial a mais complicada. Porém, atenção à aproximação, pois o piso será em gravilha, cerca de quatro quilómetros, segundo o director da corrida Fernando Escartín.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




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