Mostrar mensagens com a etiqueta Israel Cycling Academy. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Israel Cycling Academy. Mostrar todas as mensagens

18 de janeiro de 2020

Mais uma parceria entre o ciclismo e a Fórmula 1

(© Israel Start-Up Nation/Israel Cycling Academy)
E já são três. Se até ao final de 2018 o mais próximo que existia entre marcas ligadas à Fórmula 1 e o ciclismo eram parcerias para criar bicicletas - que só estão ao alcance de alguns bolsos -, agora as duas modalidades estão a unir-se cada vez mais. A mais recente junção é entre a recém-chegada ao World Tour Israel Start-Up Nation e a histórica Williams, uma das estruturas mais antigas deste desporto automóvel. Os moldes desta parceria são um pouco diferentes das duas já existentes, pois o foco é mais no marketing, do que na tecnologia.

A McLaren juntou-se à Bahrain no final de 2018 e esta temporada já tem o seu nome na equipa. Perto do Natal, a toda poderosa Ineos anunciou a parceria com a formação que tem dominado a Fórmula 1, a Mercedes. Em ambos os casos, o desenvolvimento tecnológico, a análise de dados, um trabalho que permita uma melhor performance dos atletas, faz parte dos acordos. Já no caso da Israel Start-Up Nation e Williams está em causa promover o nome principalmente da equipa de ciclismo.

"O carro da Williamos terá o logotipo da Israel Start-Up Nation e haverá um marketing cruzado e desenvolvimento de produtos entre os dois programas", explicou Sylvan Adams, um dos donos da estrutura israelita de ciclismo. A Williams terá também um piloto de testes de Israel, Roy Nissany, amigo dos corredores Guy Sagiv e Guy Niv,

Adams referiu que espera que esta parceria possa levar a sua equipa a ter alguma projecção entre os adeptos de Fórmula 1 da Williams, ganhando assim mais apoio. E o objectivo passa também por levar os seus actuais fãs a seguir mais aquele desporto motorizado, apoiando a Williams.

A Israel Start-Up Nation não está certamente a querer passar despercebida quando se prepara para a sua primeira temporada no principal escalão. A compra da licença da Katusha-Alpecin permitiu dar este salto, há muito desejado. Começou por contratar ciclistas bem conhecidos, como André Greipel e Daniel Martin e garantiu que Nils Politt - uma das confirmações de 2019 - fizesse a passagem da Katusha-Alpecin para a equipa israelita. Mudou o nome (era Israel Cycling Academy, que passa a ser a equipa de desenvolvimento, que está no escalão Continental) e agora quer ter a certeza que o novo seja bem conhecido, além do ciclismo. No entanto, é o antigo que aparece no monolugar da Williams (ver fotografia em cima).

A Williams ganha um aliado com algum poderio financeiro, sendo uma equipa que há muito não consegue o destaque que teve nas décadas de 80 e 90, quando lutava e ganhava campeonatos do mundo. O último foi em 1997, com Jacques Villeneuve, tendo sido também a derradeira vez que venceu o Mundial de Construtores. Quanto a Grandes Prémios, Pastor Maldonado venceu em Espanha em 2012, terminando com um jejum que durava de 2004. Mas desde então que não nenhum piloto da Williams sube ao lugar mais alto do pódio.

Terça-feira arranca oficialmente a temporada com o início do Tour Down Under. Este domingo, durante a madrugada na Europa, realiza-se a habitual corrida de apenas 51 quilómetros, que tem sido uma forma diferente de "aquecer motores" para a longa época de ciclismo.

»»A equipa que domina o Tour junta-se à que domina a Fórmula 1««

»»Bahrain terá novo segundo nome de um parceiro mais conhecido da Fórmula 1««

5 de dezembro de 2019

Mais três equipas World Tour confirmadas na Volta ao Algarve

(Fotografia: © João Calado/Volta ao Algarve)
Têm sido presenças habituais em anos recentes e não vão faltar à chamada da 46ª edição da Volta ao Algarve. A Trek-Segafredo e a Sunweb vão regressar, estando também confirmada a estreia de uma equipa que fará a sua primeira temporada na categoria World Tour: a Israel Cycling Academy. Ao lote de formações de topo - são agora dez - acresce duas Profissionais Continentais: a belga Wanty Gobert-Tornans e a espanhola Caja Rural.

O pelotão da Algarvia vai ganhando assim forma e mais uma vez promete ser de elevada qualidade, comprovando como a corrida no sul do país continua entre a preferidas para o arranque de temporada, mesmo com a forte concorrência no calendário. A opção é tanto para que olham mais numa perspectiva de preparação para as clássicas - Greg van Avermaet (CCC) é uma das possíveis estrelas a vir a Portugal - como para as provas de etapas, alguns já com o Giro como primeiro grande objectivo.

A Sunweb tem sido uma das equipas em destaque na Algarvia. Este ano o dinamarquês Soren Kragh Andersen foi uma das figuras ao ser segundo no contra-relógio e no Malhão. Foi uma excelente última etapa do jovem ciclista de 25 anos, mas Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) defendeu-se ainda melhor, com Andersen a ficar a 14 segundos da camisola amarela, somando assim mais um segundo lugar, mas na classificação geral. Já em 2018 a equipa tinha subido ao pódio final com Sam Oomen, que foi o vencedor da camisola da juventude. Em 2019, o holandês foi quinto na geral, numa época que começou bem, mas acabou cedo devido a um problema na artéria ilíaca (na perna). Está fora de competição desde a Volta a Itália, mas deverá regressar em 2020.

Quanto à Trek-Segafredo, a equipa americana costuma trazer ciclistas mais dotados para as clássicas e este ano esteve presente aquele que viria a ser uma das grandes surpresas do ano ao vencer os Mundiais de Yorkshire: Mads Pedersen. No entanto, a equipa tem estado a reforçar cada vez mais o bloco para as grandes voltas e porque não pensar que um Vincenzo Nibali, nova cara da equipa para 2020, possa mostrar-se nas estradas algarvias.

A Israel Cycling Academy comprou a licença da Katusha-Alpecin e está a preparar a sua estreia no World Tour. A equipa já é bem conhecida dos adeptos portugueses, marcando presença em corridas nacionais, incluindo a Volta a Portugal. Com esta subida de escalão, vem agora à Volta ao Algarve, aguardando-se agora por saber se trará algumas da figuras que tem contratado, como André Greipel e Daniel Martin, ambos vencedores de etapas na Algarvia. Nils Politt fará a passagem da Katusha-Alpecin para a Israel Cycling Academy. Este ano foi um dos destaques na fase das clássicas e a sua preparação passou pela Volta ao Algarve.

Quanto às equipas Profissionais Continentais, tanto a Wanty Gobert-Tornans e a Caja Rural têm elegido a corrida algarvia como uma das suas preferidas no início de temporada. No entanto, até será um pouco estranho na formação espanhola não se ver um ciclista português, como aconteceu este ano com Domingos Gonçalves, ou antes do Rafael Reis e Joaquim Silva, para referir apenas épocas mais recentes. Pelo menos até ao momento, não foi anunciado nenhum reforço oriundo de Portugal, com gémeo de Barcelos a não renovar para 2020.

O pelotão ainda não está fechado e mantém-se a expectativa de ver novamente a Ineos, também ela uma equipa que não tem faltado à Algarvia, onde costuma subir ao pódio final, muitas vezes com vitórias. Michal Kwiatkowski já anunciou que o seu início de temporada não deveria fugir ao habitual, com a Volta ao Algarve nos planos, mas ainda nada é oficial. Nas últimas cinco edições, a Jumbo-Visma não tem faltado, mas para não surge na lista para 2020.

Tal como a Israel Cycling Academy, a Cofidis também se prepara para subir a World Tour, o que neste caso seria um regresso. A equipa francesa, como Profissional Continental, tem estado na corrida portuguesa.

Equipas estrangeiras confirmadas: Astana, Bora-hansgrohe, CCC, Deceuninck-QuickStep, Groupama-FDJ, Israel Cycling Academy, Lotto Soudal, Sunweb, Trek-Segafredo, UAE Team Emirates (World Tour); Caja Rural e Wanti Gobert-Tornans (Profissional Continental).


5 de novembro de 2019

Mais uma oportunidade para André Greipel e Mark Cavendish

(Fotografias: © Arkéa Samsic e © Team Dimension Data)
André Greipel vai regressar ao World Tour, numa derradeira tentativa de sair do ciclismo pela porta grande. A experiência na Arkéa Samsic não foi positiva e o alemão procurava um novo desafio para evitar a retirada aos 37 anos. A Israel Cycling Academy vai dar a oportunidade que o "Gorila" procurava. No aproximar do final de uma era no sprint, também Mark Cavendish vai mudar de ares, esperando que ao reunir-se com um dos homens responsáveis pelo seu sucesso, possa reencontrar-se com algumas boas exibições frente a uma nova geração que já tomou conta da especialidade. A Bahrain-Merida quer tentar recuperar o sprinter, que ainda não perdeu a esperança de tornar-se o recordista de vitórias no Tour.

"Não sou alguém que esteja a olhar para o passado. Quero apenas olhar para o futuro e começar a partir daí. Estou ciente das minhas capacidades e vou dar o meu melhor", afirmou Greipel, no dia em que a Israel Cycling Academy confirmou mais uma figura para o projecto que se prepara para dar o salto para o World Tour, em 2020. Greipel vai juntar-se a Dan Martin, irlandês que trocará a UAE Team Emirates pela equipa israelita, que comprou a licença da Katusha-Alpecin.

Nas últimas três temporadas, o tempo começou a apanhar Greipel e as vitórias diminuíram, sendo claro a dificuldade em medir forças com os sprinters então emergentes (entretanto já mais do que confirmados) como Fernando Gavira e Dylan Groenewegen, por exemplo. A difícil relação com o então director da Lotto Soudal, Paul de Geyter - que acabou por sair da equipa - resultou no adeus de Greipel a uma estrutura, depois de oito anos de muitas e importantes vitórias.

O alemão venceu apenas uma etapa na Tropicale Amissa Bongo, em Janeiro, pela Arkéa Samsic. Na Volta a França, mal se viu nos sprints. Greipel nem terminou a temporada, rescindindo o contrato em Outubro. A Israel Cycling Academy justifica a contratação do veterano por acreditar que pode ainda ganhar, mas "mais importante, pela vasta experiência que traz à equipa, tanto nas clássicas, como nas discussões ao sprint". Ou seja, Greipel vai ter de assumir um papel de voz de comando, numa equipa que vê a chegada ao World Tour como apenas mais uma passo na sua subida de nível. A Israel Cycling Academy quer tornar-se nos próximos anos numa equipa forte e ganhadora.

11 etapas no Tour, sete no Giro, quatro na Vuelta... e são apenas algumas de um currículo de luxo de um sprinter fantástico e que é difícil não pensar que merece um final de carreira mais animador do que a temporada que Greipel viveu na Arkéa Samsic, equipa que pertencia ao escalão Profissional Continental. E há que não esquecer que na primeira fase da sua carreira foi um lançador importante para Mark Cavendish, outro sprinter à procura de melhores dias.

O diagnóstico do vírus Epstein-Barr fez a carreira do britânico cair a pique. A Dimension Data ainda renovou contrato com o ciclista para 2019, mas depois até o deixou de fora do Tour, algo que não acontecia há 13 anos. Aos 34, Cavendish é um sprinter que merece o respeito de todos, mas já não é visto como ameaça de outrora. O britânico recusa desistir e viu com bons olhos a possibilidade de trabalhar de novo com o director Rod Ellingworth, o homem que o ajudou a sagrar-se campeão do mundo em 2011 e não só. Ellingworth deixou a Sky/Ineos para liderar uma Bahrain-Merida que vai entrar na era pós-Vincenzo Nibali e tentar dar um passo rumo ao plano de se tornar numa das equipas referências do pelotão mundial.

Recentemente Cavendish regressou à pista e mostrou estar bem melhor fisicamente, mas mantém-se a incógnita de como se poderá apresentar na estrada em 2020. O britânico não faz segredo que lhe resta um objectivo a cumprir na carreira: igualar ou mesmo ultrapassar as vitórias de etapas no Tour de Eddy Merckx (34). Cavendish vai em 30. Uma marca ali tão perto, mas que depois das últimas três temporadas parece estar tão longe de alcançar.

Greipel e Cavendish, dois gigantes do sprint, dois ciclistas que marcaram uma era e serão sempre recordados como dos melhores na vertente. O tempo não perdoa, mas nenhum está ainda disposto a deixar a bicicleta. Assinaram apenas por uma temporada pelas respectivas equipas. É o tudo ou nada para ambos.

»»Sky perde um dos directores que a levou ao sucesso e que mudou o ciclismo britânico««

»»Época de despedida para muitos dos ciclistas mais experientes««

8 de outubro de 2019

Israel Cycling Academy quer ficar com pelo menos sete dos 11 ciclistas da Katusha

(Fotografia: Facebook Israel Cycling Academy)
O objectivo de ver a Israel Cycling Academy tornar-se numa equipa do World Tour está presente praticamente desde a criação da equipa. Cinco anos depois da estreia como Continental (foi Profissional Continental nas últimas duas épocas), o sonho do magnata Sylvan Adams está apenas pendente do sim da UCI, depois de ter comprado a licença da Katusha-Alpecin. A equipa israelita não quer perder tempo e já vai preparando a nova época, começando com a escolha de ciclistas, sendo que nem todos os que estavam na estrutura liderada por José Azevedo - que está de saída - e que tinham contrato para 2020, deverão ficar. E falta também saber todos os que vão acompanhar a Israel Cycling Academy para o World Tour.

"É uma compra/fusão da nossa parte. A maioria dos ciclistas que têm contrato com a Katusha vão ficar. Dos 11 ficarão seguramente pelo menos sete. O mesmo acontecerá com o staff. Virão quatro massagistas e quatro mecânicos", explicou um dos directores da Israel Cycling Academy, o espanhol Óscar Guerrero. Nils Politt, Enrico Battaglin, Jenthe Biermans, Jens Debusschere, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Dmitry Strakhov, Harry Tanfield, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel são os corredores que tinham vínculo contratual por mais uma temporada com a Katusha-Alpecin. Politt foi uma das figuras de 2019, principalmente nas clássicas e os novos responsáveis querem fazer do alemão uma das referências, a par de Dan Martin, irlandês que vai deixar a UAE Team Emirates.

O canadiano James Piccoli (28 anos, Elevate-KHS Pro Cycling) e o francês Hugo Hofstetter (sprinter de 25 anos da Cofidis) são as outras contratações já garantidas. Entre os que vão permanecer na Israel Cycling Academy, destaque para o letão Krists Neilands, que em 2017 venceu a classificação da juventude da Volta a Portugal, pois a equipa israelita tem sido uma presença habitual no nosso país. E de recordar que conta com um português, o massagista Pedro Claudino.

Matthias Brändle (29), Davide Cimolai (29), Ben Hermans (33) e Tom van Asbroeck (29) demonstram como a estrutura quer contar nesta passagem a World Tour com ciclistas experientes e habituados ao mais alto nível. O ciclista da Estónia Mihkel Räim (26) também renovou, mas entre os corredores israelitas apenas Itamar Einhorn (22) assinou para 2020, até ao momento.

Guerrero admite que a Israel Cycling Academy está atenta ao mercado, enquanto resolve a situação com os ciclistas da Katusha-Alpecin. Em entrevista ao jornal Marca, alerta que será preciso "mudar o chip" agora que se dá o salto para o World Tour, depois de duas temporadas como Profissional Continental em que conseguiu estar em algumas corridas importantes, incluindo as duas participações na Volta a Itália. "O nível vai ser o máximo porque vamos competir em todas as grandes provas. Creio que vamos ter um plantel competitivo. Vamos ter ciclistas de qualidade, tanto por parte dos que renovam, como os que chegam da Katusha. O primeiro ano não vai ser fácil, certamente, porque vai ser uma grande mudança", salientou o responsável.

A Israel Cycling Academy assumiu no início desta temporada que queria chegar ao World Tour em 2020. O plano inicial era tentar uma das duas licenças que estariam disponíveis, já que a UCI vai aumentar o escalão de 18 para 20 equipas, mas a crise na Katusha-Alpecin, com a saída do seu segundo patrocinador e da marca de bicicletas Canyon, foi uma oportunidade que Sylvan Adams não deixou escapar. A equipa esteve muito activa em 2019, na procura de bons resultados e para somar pontos para o ranking, mas no final o poderio financeiro tem tudo para ser o empurrão que a estrutura precisava para chegar ao principal escalão.

»»José Azevedo vai deixar a Katusha-Alpecin e quer ser novamente director desportivo««

»»W52-FC Porto não pediu licença para permanecer no segundo escalão««

»»"Infelizmente as notícias sobre Israel são mais sobre a guerra do que sobre a vida normal"««

14 de abril de 2019

Colombiano Ávila conquista Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Joni Brandão finalmente abriu a contagem da Efapel no que diz a respeito a vitórias em 2019, neste seu regresso à equipa. Porém, ser o mais forte na terceira e última etapa do Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela não foi suficiente para bater um colombiano forte no sprint, mas que faz jus à tradição de trepadores daquele país, pois também sabe defender-se na montanha. E foi isso que fez após vencer a primeira etapa, tendo sido assim ficado com a camisola amarela da quarta edição desta corrida 2.1 do calendário internacional.

A Israel Cycling Academy (Profissional Continental) ambiciona alto e quer ser World Tour já em 2020, sendo que tem presença garantida no Giro pelo segundo ano consecutivo. O objectivo de subir de escalão é há muito conhecido e faz com que a equipa esteja muito dedicada em somar pontos no ranking. Tem um longo plantel e não fez segredo que procurou um calendário extenso, que lhe permitisse lutar em várias frentes. Essa luta passa por Portugal - deverá regressar à Volta em Agosto - e na Beiras e Serra da Estrela um colombiano veio conquistar a sua primeira vitória numa corrida por etapas.

Edwin Ávila, 29 anos, já somou alguns triunfos em tiradas, como na Volta ao Ruanda, Azerbaijão ou a Taiwan, por exemplo, estando na sua segunda temporada com a formação israelita. Também já tinha algumas classificações secundárias, mas pela primeira vez conquistou uma geral. Tem escola de pista, vertente na qual ganhou medalhas. É um ciclista que faz do sprint a sua arma, mas é um atleta completo, podendo defender-se noutros terrenos, como tão bem se viu num Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela, que satisfaz mais os trepadores. No segundo dia até perdeu a liderança para Daniel Mestre (W52-FC Porto), vencedor dessa etapa, mas aguentou a subida à Torre e a ascensão final que, na Covilhã, viu Joni Brandão tentar ganhar pela segunda vez esta corrida, ele que conquistou a primeira edição.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Quatro segundos apenas separaram os ciclistas, com Vicente García de Mateos a ser segundo, a dois segundos de Ávila. Brandão fechou o pódio. O colombiano fez terceiro na etapa de 177,4 quilómetros entre Celorico da Beira e Covilhã, o mesmo resultado do dia antes. As bonificações fizeram a diferença nas contas finais. A equipa colocou ainda Guy Niv na sétima posição da geral, o que ajudou à vitória na classificação colectiva.

A Efapel subiu ainda ao pódio com Henrique Casimiro, que foi o rei da montanha, enquanto a camisola da juventude ficou para Alex Molenaar, ciclista holandês de 19 anos da Monkey Town-à Bloc CT. Neste link pode ver as classificações, via ProCyclingStats.

O ciclismo em Portugal regressa a 1 de Maio com a Clássica Aldeias do Xisto, que irá também definir o vencedor da Taça de Portugal. A 4 e 5 realiza-se o Troféu O Jogo.


27 de março de 2019

O gesto de companheirismo no meio do caos

(Imagem: print screen)
Dia de vídeos no ciclismo. Ainda estamos a tentar recuperar o fôlego depois de ver Niccolo Bonifazio (Direct Energie) descer a mais de 85 quilómetros/hora na Milano-Sanremo, mas esta quarta-feira mais dois vídeos estão a chamar muita atenção. Um mais do que outro, mas vamos começar pelas imagens que demonstram o que de bom pode ter o ser humano, antes de se falar de um acto de insensibilidade total.

Na Driedaagse Brugge-De Panne (conhecida por Três Dias de De Panne, mas que agora é só um dia) um estreitamento de estrada provocou o caos a pouco mais de dez quilómetros para a meta. Vários ciclistas foram ao chão, até se vê uma bicicleta a voar. Entre a confusão, Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) chamou a atenção por ser um dos afectados, já que era uma dos candidatos à vitória. Vê-se o alemão a tentar levantar-se, enquanto por baixo dele estava outro ciclista, da Israel Cycling Academy. E uma bicicleta no meio de ambos.

Não há aqui qualquer crítica a Ackermann. Já se sabe que quando um ciclista cai, normalmente a primeira coisa que pensa é em seguir caminho o mais rapidamente possível. Há que destacar o que se vê pouco depois. Enquanto o alemão tenta regressar à corrida, um corredor da Mitchelton-Scott encosta a sua bicicleta e vai ajudar o homem da Israel Cycling Academy. É que além de Ackermann, tinha então uma bicicleta em cima do seu corpo. O atleta da equipa australiana não só tira a bicicleta, como dirigi-se ao companheiro de profissão.

Nas imagens só se voltou a ver o ciclista da formação israelita já levantado. A equipa e o corredor que estava no chão ajudaram a perceber o que aconteceu, aproveitando no Twitter para agradecer o gesto de Michael Hepburn, o ciclista da Michelton-Scott. Zak Dempster, o corredor da Israel Cycling Academy, tem em comum com o seu "salvador" ser australiano... e tê-lo como amigo.

"Heppy é um dos meus bons amigos e eu estava como que um pouco estranhamente preso debaixo da minha bicicleta e sem fôlego. Eu só o ouvi perguntar 'estás bem' e depois começou a tirar as bicicletas de cima de mim. Foi muito simpático por parte do Michael e é por isso que é dos meus melhores companheiros", afirmou um agradecido Dempster.

No Twitter, a Israel Cycling Academy partilhou o vídeo, agradecendo o gesto e afirmando que não ficou surpreendida. Aqui ficam as imagens.


De referir que esta Driedaagse Brugge-De Panne teve outra imagem que vale a pena ver, que é Dylan Groenewegen (Jumbo-Visma) a ganhar ao sprint com tanta autoridade que parecia que Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) ia devagar!

Quanto ao outro vídeo, esse tornou-se mais viral e envolve o português Domingos Gonçalves. O ciclista da Caja Rural sofreu uma aparatosa queda na primeira etapa da Volta à Catalunha e um homem que assistia à descida filmou o incidente. Até aqui tudo bem. O que está a provocar muito desagrado é a reacção: riu-se e até brincou que lhe ia roubar a bicicleta.

Domingos Gonçalves partiu a clavícula e a omoplata. Poucas razões para sequer sorrir, certamente. A reacção do homem está a sofrer fortes críticas nas redes sociais e nos sites espanhóis que noticiaram esta atitude insensível para com o ciclista que ainda se ouve a gemer com as dores que as lesões lhe estavam a provocar.

Mas para terminar antes com um exemplo do que de bom esta modalidade tem - o espectáculo desportivo que pode proporcionar -, aqui fica a alucinante descida de Bonifazio na Milano-Sanremo de sábado.


»»Milano-Sanremo o monumento dos sprinters? A tradição já não é o que era««


»»Movistar com quase toda a equipa em final de contrato««

20 de janeiro de 2018

Convites para o Giro atribuídos. Não haverá despedida para Damiano Cunego

Cunego esteve em destaque no Giro em 2016. Lutou pela classificação da montanha,
o que o levou ao pódio 12 anos depois da última vez. Porém, acabou em segundo
(Fotografia: Giro d'Italia)
Uma Volta a Itália, quatro etapas e mais duas na Vuelta, três Lombardias, três Giros del Trentino (actual Volta aos Alpes), uma Amstel Gold Race e um título mundial de juniores. Há muito que Damiano Cunego se apagou, mas o italiano não deixa de ser uma figura do ciclismo transalpino, um destaque da então Lampre e antes na Saeco. Foram 35 vitórias como profissional. Em 2015 mudou-se para a Nippo-Vini Fantini, à procura de um último fôlego na sua carreira, numa equipa com responsabilidades diferentes, mas com a ambição de com Cunego destacar-se onde qualquer estrutura italiana mais quer: no Giro. Em 2017 foi uma tremenda desilusão ficar de fora da 100ª edição, mas a Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini tinha renovado a esperança de um convite para 2018, quando Cunego anunciou que pretendia terminar a carreira na Volta a Itália. Porém, o derradeiro desejo do ciclista não foi atendido.

A organização do Giro, que se realiza de 4 a 27 de Maio, anunciou os destinatários dos quatro convites: Androni Giocattoli-Sidermec, Wilier Triestina-Selle Italia, Bardiani-CSF e Israel Cycling Academy. Três equipas italianas e, sem surpresa, a formação israelita. Esta última tinha entrada praticamente garantida dada as três primeiras etapas da corrida estarem agendadas para aquele país. A equipa que esteve na Volta a Portugal no ano passado - venceu a classificação da juventude com o letão Krists Neilands - reforçou-se em 2018, a pensar precisamente na muito provável estreia numa grande volta. O veterano espanhol Rubén Plaza (37 anos) acaba por ser o rosto mais conhecido, ao lado do italiano Kristian Sbaragli (27).

A dúvida agora é se irão estar presentes os quatro israelitas que fazem parte do plantel: Roy Goldstein (campeão nacional de estrada), Guy Sagiv (actual campeão nacional de contra-relógio e campeão de estrada em 2015 e 2016), Aviv Yechezkel (campeão nacional de contra-relógio em 2016) e Omer Goldstein, jovem promessa de 21 anos que chegou a ser dispensado da equipa de desenvolvimento no ano passado por razões disciplinares, mas recebeu uma segunda oportunidade e logo para a estrutura principal.

Quanto às equipas italianas, depois da polémica de 2017 quando a Androni Giocattoli-Sidermec foi preterida, tal como a Nippo-Vini Fantini, em prol de duas formações estrangeiras - a polaca CCC Sprandi Polkowice e a russa Gazprom-RusVelo - o director Gianni Savio estava bem mais descansado, pois tinha presença garantida. A sua equipa foi a vencedora da Taça de Itália, que tem como um dos prémios o convite para o Giro. A Willier Triestina-Selle Italia, do veterano Filippo Pozzatto e do jovem talentoso sprinter Jakub Mareczko, tem sido sempre escolhida.

Já o convite para a Bardiani-CSF causa algum espanto. Apesar de nos últimos anos ter sido um dos conjuntos que mais se vê nas fugas, animando muito as etapas, conseguindo também vitórias em etapas, há um ano dois dos seus ciclistas foram afastados do Giro no dia antes da corrida começar por terem testado positivo a utilização de uma substância hormonal proibida (mais tarde a contra-análise confirmou e Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni foram suspensos por quatro anos). Muito se falou sobre o futuro da equipa. Os patrocinadores ficaram e a RCS Sport, que organiza a Volta a Itália, parece assim dar o seu voto de confiança, depois do director, Mauro Vegni, de ter chegado a ameaçar levar a equipa a tribunal por eventuais danos provocados à imagem da prova.

E assim ficou novamente a Nippo-Vini Fantini de fora. "Com o passar do tempo notei que o nível do ciclismo está a aumentar. Sinto que está a ficar mais difícil para mim ser competitivo. É altura de me retirar e gostaria de o fazer no Giro, onde, de certa forma, tudo começou", disse Cunego quando anunciou que iria terminar a carreira. Esse início foi em 2004, no sua segunda Volta a Itália (e segunda grande volta), quando tinha apenas 22 anos. Foi nesse ano que ganhou as quatro etapas que tem no seu currículo e a geral.

Mesmo que não se despeça no Giro, foi lá que acabou mesmo por ter um último fôlego quando em 2016 vestiu a camisola da montanha - esteve 12 anos sem subir ao pódio naquela corrida -, que Mikel Nieve (Sky) lhe acabou por tirar. Foi um animador dessa corrida, acabando em segundo nessa classificação específica e, por isso, surpreendeu ainda mais quando a Nippo-Vini Fantini não foi convidada em 2017. Sem wildcard também este ano, faltará agora saber onde irá Damiano Cunego fechar a sua carreira, aos 36 anos. A última vitória aconteceu a 21 de Julho, na sexta etapa da Volta ao Lago Qinghai, na China.

Ontem, a equipa publicou no Facebook um vídeo de homenagem ao ciclista. (Texto continua em baixo)



Amaro Antunes terá de esperar um pouco mais por uma grande volta

Primeiro a Volta ao Algarve, agora o Giro. Amaro Antunes subiu ao escalão Profissional Continental ao assinar pela CCC Sprandi Polkowice, mas não irá estar em duas das corridas que ambicionava. A equipa polaca esteve no Giro100 e com a perspectiva da Polónia vir a receber um início desta competição, havia a expectativa que pudesse surgir novo convite em 2018. Tal não se confirmou.

Fica a faltar a atribuição dos wildcards para a Vuelta, mas a concorrência é maior do que nunca, pois haverá três equipas "da casa" à procura de um lugar, em vez de apenas a Caja Rural, como aconteceu nos últimos anos.

A RCS Sport revelou ainda os convites para as restantes corridas do World Tour que organiza, incluindo o monumento Milano-Sanremo.

Strade Bianche (3 de Março): Androni Giocattoli-Sidermec e Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini

Tirreno-Adriatico (de 7 a 13 de Março): Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, Wilier Triestina-Selle Italia, Israel Cycling Academy e Gazprom-RusVelo.


Milano-Sanremo (17 de Março): Bardiani-CSF, Wilier Triestina-Selle Italia, Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, Cofidis, Gazprom-RusVelo e Israel Cycling Academy.

O anúncio dos wildcards surge poucos dias depois de terem sido apresentadas as quatro camisolas que estarão em discussão na Volta a Itália. Será o primeiro ano em que a Castelli será a responsável, sucedendo à Santini. Destacam-se os pormenores nas mangas e também o fecho em forma de troféu.
»»A edição do Giro que se queria histórica está a tornar-se num pesadelo««

»»Uma batalha nos Alpes para decidir um Giro que já é histórico««

»»Organização lamenta, mas Coquard está mesmo fora do Tour... e do Paris-Nice««

14 de setembro de 2017

"Infelizmente as notícias sobre Israel são mais sobre a guerra do que sobre a vida normal"

Faltava uma confirmação oficial que chegou hoje: Jerusalém vai mesmo receber a partida da Volta a Itália em 2018. Serão três etapas em Israel, no maior evento de ciclismo alguma vez realizado num país ainda sem tradição na modalidade, mas que nos últimos anos tem tido uma equipa que tenta dar uma oportunidade aos jovens talentos. Guy Sagiv é um deles. Campeão nacional de contra-relógio, o ciclista de 22 anos deixa escapar um enorme sorriso quando se fala do seu país receber o Giro. Sendo uma equipa que este ano subiu ao escalão Profissional Continental, naturalmente que já se sonha com a possibilidade de receber um convite da organização. E a julgar pelas contratações, os planos são claros: elevar o nível competitivo da Israel Cycling Academy.

A conversa com Sagiv decorreu antes da confirmação oficial, mas não havia dúvidas da importância de Israel receber a Volta a Itália.  "Espero mesmo que aconteça e que eu esteja lá." Com a primeira parte confirmada, resta agora a Sagiv trabalhar para que caso o tal convite chegue, possa ser uma opção. O israelita tem como objectivo competir nas três grandes voltas e ganhar em etapas em todas elas. E poderá começar a concretizar esses sonhos mais cedo do que se calhar pensava. "Será o maior acontecimento de ciclismo em Israel. Será muito bom para o país. Falar-se-á do país e no ciclismo de lá", salientou ao Volta ao Ciclismo.

E, de facto, do ciclismo israelita pouco se conhece. "Infelizmente as notícias sobre Israel são mais sobre a guerra do que sobre a vida normal", lamenta Sagiv. "É isso que esta equipa também está a tentar promover porque é um país normal, com pessoas normais, que gostam de desporto. Que gostam de ciclismo", acrescentou. Sagiv explicou que a modalidade "é um desporto jovem em Israel, mas está a evoluir no caminho certo". "Esperamos vir a ser um dos grandes países de ciclismo", realçou. 

"Lentamente a equipa tem crescido e estamos a apontar para mais alto. Estamos a crescer já para o próximo ano"

Parte desta evolução acaba por ser da responsabilidade da Israel Cycling Academy, projecto que começou há três anos e que na primeira época como Profissional Continental, procurou consolidar-se neste escalão para em 2018 dar mais um passo rumo a um nível competitivo superior. "Lentamente a equipa tem crescido e estamos a apontar para mais alto. Estamos a crescer já para o próximo ano", afirmou, referindo ainda que se tem verificado um desenvolvimento entre os ciclistas amadores, o que denota um aumento no interesse da modalidade no país. O BTT é a vertente dominante, mas aos poucos a estrada vai conquistando o seu espaço.

A equipa soma oito vitórias em 2017 e recentemente esteve na Volta a Portugal, com o campeão nacional letão, Krists Neilands, a conquistar a classificação da juventude, tendo feito uma excelente exibição na etapa da Torre, acompanhando Amaro Antunes e Raúl Alarcón, tendo cedido já perto da meta. A formação conta ainda com os dois campeões nacionais, Sagiv e Roy Goldstein (de estrada). Sagiv fez em Portugal a sua primeira corrida mais longa e espera que possa ser uma experiência importante se chegar a oportunidade de estar numa corrida de três semanas.

Apesar de ser uma equipa que aposta na juventude, não apenas israelita, a contratação de Ben Hermans (31 anos, BMC) e Rubén Plaza (37, Orica-Scott), revela o interesse de contar com alguma experiência e também com ciclistas com nome já consolidado no pelotão e assim ambicionar a estar em mais corridas de elevado nível. Ou seja, estar entre os melhores e a presença numa Volta a Itália a começar em casa seria perfeita para o projecto israelita. Sondre Holst Enger (23, AG2R), August Jensen (26, Team Coop) e Edwin Ávila (27, Illuminate) são reforços também já confirmados.

Uma jovem e bem disposta equipa na Volta a Portugal
Óscar Guerrero é o director da Israel Cycling Academy. O espanhol já tinha deixado a sua marca depois de ter estado à frente de uma equipa ainda hoje muito recordada: a Euskaltel-Euskadi. Guerrero tem sido o responsável por garantir que a formação israelita acompanhe as ambições do dono, o empresário Ron Baron. Falar do World Tour ainda é cedo. O próximo passo é precisamente estar numa grande volta.

Tudo começou em Novembro de 2014, quando até Peter Sagan esteve presente para assinalar o arranque do projecto. A primeira vitória aconteceu a 9 de Maio de 2015, quando o checo Daniel Turek venceu a quarta etapa da Volta ao Azerbaijão. Mas esta Israel Cycling Academy e os seus jovens ciclistas querem muito mais.

A apresentação de Jerusalém como a cidade que irá receber o arranque do Giro está agendada para segunda-feira. Alberto Contador e Ivan Basso deverão estar presentes, na condição de antigos vencedores da corrida. Será a primeira vez que uma grande volta irá começar fora da Europa, como a organização destacou no comunicado que oficializou um rumor que durava há algumas semanas.