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7 de janeiro de 2021

O regresso do bom velho Froome poderá ser no Algarve

© Ronen Topelberg & Brian Veloimages/Israel Start-Up Nation
"Chris [Froome] está no caminho certo para ser novamente o 'velho' Chris." A garantia é de Rik Verbrugghe, director desportivo da Israel Start-Up Nation, equipa que apostou num Froome que em 2020 não deixou boas indicações nas corridas que realizou, após a longa recuperação da grave queda sofrida no ano antes, no Critérium du Dauphiné. E o bom velho Froome estará a caminho do Algarve.

O plano inicial era o britânico estrear-se com a sua nova equipa na Volta a San Juan, na Argentina. Mas a pandemia obrigou a uma mudança de planos e Portugal encabeça agora a escolha do ciclista. A confirmar-se será a terceira presença e o fim de uma longa espera. 2012 foi a última, precisamente no ano em que a então Sky iniciou a senda vitoriosa na Volta a França, tendo nesse ano ganho com Bradley Wiggins. 

Froome não terminou essa Volta ao Algarve, que também marcou o arranque da sua temporada. O colega de equipa Richie Porte venceu e Wiggins foir terceiro. Já em 2008, terminou na 104ª posição, sendo um ilustre jovem desconhecido numa Barloworld que contava com o português Hugo Sabido. A título de curiosidade, nessa equipa estava outro jovem que se tornaria num vencedor do Tour: Geraint Thomas.

Desde que Froome se transformou num dos grandes nomes da modalidade, apesar da constante presença da Sky/Ineos no Algarve, o britânico optou mais pela "concorrente" Ruta del Sol - realiza-se precisamente nos mesmos dias - ou começou a época mais cedo na Austrália.

A corrida espanhola não está completamente afastada para o arranque de 2021, apesar da Algarvia ser a favorita para Froome começar. Em entrevista ao Het NieuwsbladVerbrugghe não fechou completamente a porta à Ruta del Sol (Volta à Andaluzia) ou à Volta aos Emirados Árabes Unidos (de 21 a 27 de Feveireiro), uma prova com cachês sempre muito apelativos.

Depois do que se espera ser a presença a Volta ao Algarve, o britânico irá à Volta à Catalunha (22 a 28 de Março) e Critérium du Dauphiné (30 de Maio a 6 de Junho), no calendário inicial apresentado, rumo ao grande objectivo: a Volta a França (26 de Junho a 18 de Julho). Os Jogos Olímpicos são hipótese, mas dependerá se for convocado para a selecção britânica e de como serão as regras, nomeadamente se haverá ou não quarentena. Para já, a informação é que não será necessário uma para competir em Tóquio.

E como está Froome?

Depois da notícia de um recorde de 14 equipas World Tour na Algarvia e agora a quase certa presença de Froome, a corrida portuguesa está no caminho certo para mais uma grande edição. "Só" falta saber se a pandemia e as restrições não levam a uma decisão desagradável...

Froome está neste momento na Califórnia, com temperaturas bem mais simpáticas do que aquelas que se fazem sentir na Europa e por lá vai ficar mais umas semanas, garantiu Rik Verbrugghe. Com o estágio em Israel a ser cancelado devido à restrições por causa da covid-19, e apesar da equipa ir reunir-se em Espanha, Froome permanecerá nos Estados Unidos.

Além dos treinos, o ciclista segue o plano de recuperação física. "O Froome da Vuelta não é o Froome de hoje. Devido ao confinamento no Mónaco, no ano passado em Março, e à distância da equipa, a sua reabilitação não foi perfeita. Entretanto já está muito mais forte", assegurou Verbrugghe.

O responsável falou por videoconferência com o britânico e considera que não seria sensato a contratação mais valiosa desde que o projecto israelita foi para a estrada em 2015 interromper a sua reabilitação. "Além disso, não podemos proporcionar-lhe o mesmo treino, [ter o mesmo] o clima e lá é mais calmo", referiu Verbrugghe.

Acrescentou que quando Froome estiver a 100%, "a intensidade do treino irá aumentar, com vista a competição". "Tanto ele, como os responsáveis pela Israel Start-Up Nation estão convencidos que o melhor é ficar outro mês [na Califórnia] e regressar em Fevereiro", explicou.

Aos 35 anos (fará 36 em Maio), a condição física de Froome é uma das grandes incógnitas. Com a porta praticamente fechada na liderança da Ineos, o ciclista optou por sair da equipa que representou durante 11 temporadas. O seu estatuto de líder indiscutível havia chegado ao fim.

Ganhou quatro Tours, um Giro e duas Vueltas e muito mais. Mas nesta recta final da carreira, só pensa em conquistar a quinta Volta a França, para se juntar à elite da elite: Bernard Hinault, Jacques Anquetil, Eddy Merckx e Miguel Indurain são os recordistas, precisamente com cinco triunfos.

O investimento da Israel Start-Up Nation foi grande, a expectativa também é, até porque outra questão é se Froome terá equipa para o ajudar na difícil missão.

»»Recorde de equipas World Tour na Volta ao Algarve. E duas ficaram de fora!««

22 de outubro de 2020

A importância da força mental

© Team Jumbo-Visma
A força psicológica de um atleta, seja em que modalidade for, tem uma influência profunda no sucesso que possa ter. Muitas promessas não passam disso mesmo e, por vezes, a questão mental tem o seu papel. Também já aconteceu o contrário. Serem atletas com menor fulgor nos tempos de formação, mas com a evolução, com a ajuda de uma boa mentalidade e/ou acompanhando psicológico, tornam-se atletas de referência. Na Vuelta há, ou havia, dois casos diferentes. Um já abandonou.

Primoz Roglic é o exemplo de como uma mente forte ajuda a colocar um ciclista no topo. Thibaut Pinot é o exemplo de como quando não se está bem, não se consegue ir buscar qualquer motivação por si próprio. Foram dois anos a recuperar este francês para que pudesse atingir as expectativas criadas no seu país, para que soubesse lidar com essa pressão, principalmente na Volta a França. Porém, em 2020 há um novo retrocesso.

Pinot abandonou a Vuelta, não partindo para o terceiro dia. Tinha avisado que ainda não estava bem das costas. O problema surgiu no primeiro dia do Tour, quando sofreu uma queda. Foi quase um fantasma na Volta a França e na Vuelta começou logo a perder 25:19 minutos em duas etapas. Desde aquele 29 de Agosto que Pinot é um homem derrotado. Manteve-se no Tour apesar de não estar bem, mas nem se percebeu bem porquê. Nada fez e aparentemente nem conseguia fazer. Nem lutar por uma etapa.

No Twitter surgiu uma mensagem de um adepto espanhol de ciclismo que questionava porque razão as equipas enviaram à Vuelta corredores que não estão em condições. No caso de Pinot a questão coloca-se de facto. Se não está bem fisicamente, para quê sujeitá-lo a este embaraço de abandonar ao terceiro dia, depois de dois para esquecer. Pinot não precisava disto, se o problema das costas de facto persiste.

Enquanto a Pinot poderá fazer bem a longa pausa que se segue até 2021, Primoz Roglic precisou de poucas semanas para se recompor da desilusão do Tour. Seria compreensível se se mantivesse discreto depois de perder a Volta a França naquele contra-relógio final. Pelo menos até ao fim do ano. Mas não. Entrou na Vuelta a não perder tempo para mostrar que está forte. A desilusão será difícil de esquecer, mas faz parte do passado. Roglic quer mais e quer mais já, em Espanha, onde venceu em 2019, já liderando em 2020. Grande atitude. É de um verdadeiro vencedor e de alguém que transmite confiança e motivação aos companheiros da Jumbo-Visma.

Outro exemplo pode ser Daniel Martin. Carreira de altos e baixos deste irlandês. Quando está bem, está mesmo bem. Mas tem problemas em lidar com os piores momentos. Tem, no entanto, a característica de ser um ciclista que não gosta de atirar a toalha ao chão. Tenta perceber o que está mal e mudar para melhor.

Teve uma passagem infeliz pela UAE Team Emirates. Dois anos, durante os quais pareceu não encaixar na equipa, apesar de até ter ganho uma etapa no Tour. Mudou para a Israel Start-Up Nation, podendo aí ser líder sem tanta concorrência (pelo menos para já). Foi preciso esperar dois anos, mas venceu novamente numa grande volta, ao ser o mais forte na terceira etapa da Vuelta (Lodosa - La Laguna Negra de Vinuesa, 166,1 quilómetros). Martin mostra que ainda tem algo para dar.

Tão importante como ganhar a tirada, aos 34 anos o irlandês está a recuperar aquela sua versão, que sempre sonhou pelo menos com um pódio. A Vuelta é difícil, mas, lá está: quando Martin está bem, está mesmo bem. A ver se consegue manter o bom momento até à 18ª etapa final. Está a cinco segundos de Primoz Roglic.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

4ª etapa (23 de Outubro): Garray. Numancia - Ejea de los Caballeros, 191,7 quilómetros

Ao quarto dia, não haverá montanha! Mas não se espere que seja uma etapa para descansar. Nem seria uma tirada da Vuelta se assim fosse. Caso o vento marque presença, será preciso muita atenção. Com a vontade que muitos dos candidatos têm demonstrado em impor ritmos altos, há equipas que sabem bem como colocar em prática os famosos "abanicos" e gerar o caos.

Os sprinters é que não podem desperdiçar as oportunidades. Não são muitas, porque as etapas para eles também não abundam. Espera-se um frente-a-frente entre Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) e Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep), mas Matteo Moschetti (Trek-Segafredo) é um jovem talento que vai tentar intrometer-se na luta, tal como Jasper Philipsen (UAE Team Emirates).

»»Duas etapas e há quem só pense em tentar chegar a Madrid««

»»Não era bluff de Chris Froome««

10 de outubro de 2020

Calma que este domingo vai doer

© Tim de Waele/Getty Images/DeceuninckQuickStep
Depois do dia mais rápido numa etapa da história da Volta a Itália (média de 51.234 quilómetros/hora), o pelotão resolveu baixar o ritmo e preparar-se para o domingo complicado que o espera. Nem entre os que estão na luta pela geral, nem uma Bora-Hansgrohe a pensar em Peter Sagan, ninguém quis "puxar" e foi uma tirada para a fuga triunfar com quase 14 minutos de vantagem. O pensamento foi recuperar e preparar a nona etapa, de alta montanha. João Almeida terá um teste de fogo à sua liderança.

Para o ciclista português foi um dia de "descanso" bem-vindo (Giovinazzo - Vieste, 200 quilómetros) depois de uma semana a ritmo elevado, com Almeida a apresentar-se sempre muito bem na defesa da sua camisola rosa, a aumentar a distância nas bonificações e a sobreviver ao susto de uma queda. Este domingo, o português sabe bem o que o espera e não terá uma etapa fácil se for tão atacada como o próprio está a prever.

"Hoje foi um dia calmo, durante o qual pudemos descansar as pernas para amanhã e ninguém quis perseguir os fugitivos. Os últimos sete dias foram bastante duros e stressantes, por isso, as equipas quiseram ter uma etapa mais fácil, a pensar no domingo, que será um dia muito difícil, com muitas subidas", referiu João Almeida. O ciclista da Deceuninck-QuickStep realçou que "será uma etapa importante para a classificação geral" e salientou: "Não tenho dúvidas que os ciclistas vão estar na ofensiva para ganhar tempo, enquanto eu vou tentar defender a camisola rosa."

Almeida reiterou como juntamente com a equipa foi feito um trabalho duro para manter a liderança, prometendo que na nona etapa vai dar o seu melhor para continuar vestido com a maglia rosa. Não será fácil, até porque além dos ataques esperados, falta saber como irá o ciclista reagir ao desgaste da primeira semana na posição de líder e como irá a equipa ajudá-lo, visto não ser uma formação dotada para a alta montanha.

Porém, do lado do português está a boa forma que está a apresentar, a confiança que foi aumentando de dia para dia e o facto de estar a competir sem a pressão de ter de manter a camisola. Aconteça o que acontecer, o que João Almeida já fez deixa todos na formação belga satisfeitos. Mas que ninguém pense que o português não vai dar luta. A vantagem que detém, com muitos dos principais nomes a estarem a mais de um minuto de distância, faz Almeida sonhar que pode e que tem boas possibilidades de prolongar a sua aventura de rosa.

O corredor de 22 anos já conquistou o respeito das principais figuras. A liderança de Almeida não está a ser vista como um simples acaso. A sua qualidade no contra-relógio e como se está a apresentar nas subidas, obriga a quem quer tirar-lhe a camisola a começar a mexer-se.

E recordando como está a geral, espera-se que uma Bahrain-McLaren, Sunweb e Trek-Segafredo possam ser as equipas que mais interessadas estarão em tornar domingo um dia complicado para João Almeida:

  • Pello Bilbao (Bahrain-McLaren), a 43 segundos
  • Wilco Kelderman (Sunweb), a 48
  • Harm Vanhoucke (Lotto Soudal), a 59
  • Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), a 1:01 minutos
  • Domenico Pozzovivo (NTT), a 1:05
  • Jakob Fuglsang (Astana), 1:19
  • Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma), a 1:21
  • Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe), a 1:26
  • Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), a 1:32
A Jumbo-Visma e a Astana também estarão atentas, ainda que no caso da equipa cazaque, sem Miguel Ángel López e Aleksandr Vlasov (já abandonaram) as escolhas são limitadas para ajudar Fuglsang. Já a Mitchelton-Scott perdeu o seu líder, com Simon Yates a sair do Giro depois de testar positivo de covid-19. Apresentou sintomas ligeiros, segundo a equipa, e o teste confirmou o diagnóstico. A corrida já não lhe estava a correr bem e não terá a oportunidade de tentar recuperar tempo na montanha. Yates e Geraint Thomas (Ineos Grenadiers), duas potenciais figuras do Giro, já estão de fora.

© Giro d'Italia
Triunfo da fuga

O dia pertenceu aos fugitivos, com Alex Dowsett a dar a primeira vitória ao mais alto nível à Israel Start-Up Nation. A estrutura ainda não tinha uma vitória numa grande volta, nem sequer numa corrida World Tour. O momento surgiu na primeira época em que está no principal escalão e num Giro em que esteve há dois anos pela primeira vez.

A Israel Start-Up Nation apostou forte nesta etapa, pois além de colocar Dowsett na frente, o britânico foi acompanhado por Matthias Brändle. A dupla funcionou bem e Dowsett acabou por afastar-se de Salvatore Puccio (Ineos Grenadiers), Matthew Holmes (Lotto Soudal) e Joey Rosskopf (CCC). A demora na reacção custou caro.

Dowsett fez 17 quilómetros de um autêntico contra-relógio, a sua especialidade. Em 2013 já havia vencido uma etapa no Giro, mas a carreira do britânico não foi a esperada. Há muito que anda afastado das boas exibições, conquistando alguns triunfos em corridas secundárias e títulos nacionais de contra-relógio. Mas prometeu mais no início da carreira. Aos 32 anos, emocionou-se com nova vitória no Giro. Quem sabe, agora ganhe nova motivação para fazer algo que há muito promete, mas ainda não concretizou: tentar ser novamente o recordista da hora.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

9ª etapa: San Ralvo - Roccaraso, 208 quilómetros

A Volta a Itália deixa a zona costeira e começa a ter um percurso mais interior. A nona etapa leva o pelotão aos Montes Apeninos. Só neste domingo os ciclistas vão ter pela frente quatro mil metros de acumulado! Duas primeiras categorias e duas segundas pelo meio. Não haverá descanso, apesar da primeira fase da etapa ser mais plana. A última subida será de cerca de dez quilómetros, com uma média de 5,7%. O derradeiro quilómetro chegará aos 12%. Segunda-feira é dia de descanso.

»»João Almeida controla, Arnaud Démare ganha««

»»Dia com um susto. Mas tudo tranquilo««

7 de outubro de 2020

Pandemia muda planos de reforma

© João Fonseca Photographer
Se há algo que um atleta gosta é de se despedir pelos seus próprios termos, uns mais em alta do que outros, é certo, uns com planos mais ganhadores do que outros. Marcam-se uns últimos objectivos, uns últimos momentos para assinalar o adeus. Muitas vezes são tão simples como participar em certas corridas, uns juntam o desejo de mais uma vitória, outros de ajudar um companheiro a vencer. Num 2020 marcado por uma pandemia, com corridas canceladas, um calendário com grandes provas a coincidirem, uns Jogos Olímpicos adiados, colocar o ponto final na carreira em 2020 não está a parecer adequado para alguns corredores.

"Eu quero despedir-me do ciclismo com ciclismo de verdade." A frase diz muito e foi ouvida por cá há dois dias. Gustavo Veloso tinha anunciado que 2020 ia ser o seu último ano, despedindo-se do ciclismo aos 40. Mas numa temporada em que mal competiu devido à pandemia e não conseguiu fazer o tri na Volta a Portugal, o espanhol da W52-FC Porto decidiu que se impõe mais um ano a competir.

Lá por fora acontece o mesmo. Tony Martin (35 anos) e André Greipel (38), por exemplo, estavam a ponderar deixar o ciclismo, mas acabaram a renovar contrato com a Jumbo-Visma e a Israel Start-Up Nation, respectivamente. E não apenas por um ano, mas até 2022. Paul Martens (36), também da Jumbo-Visma, adiou a reforma até Junho de 2021.

Alejandro Valverde também só sairá de cena depois dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, naquele que o espanhol vê como o seu último grande objectivo e a medalha que lhe falta num currículo de mais de cem vitórias. E já sabe o que fará depois. Valverde irá assumir novas funções na estrutura da Movistar, equipa que representa desde 2005.

Em Portugal vamos então ter Veloso por mais uma temporada. Vencedor de duas edições da Volta a Portugal (2014 e 2015), a terceira conquista não tem estado fácil. Esteve perto em 2016 e esta época, mas viu colegas de equipa a celebrarem. Primeiro Rui Vinhas e na segunda-feira, Amaro Antunes. Veloso foi segundo em ambas as edições.

"Vou correr mais um ano, para estar numa Volta com todos os adeptos que ano após ano estão na beira da estrada e, desta vez, não puderam estar. Ver a Senhora da Graça vazia não é igual", referiu em declarações à RTP.

Veloso demonstrou na Volta a Portugal que a idade ainda não pesa, apesar de já ter passado por momentos menos bons. Porém, sendo uma das figuras do pelotão nacional, onde está desde 2013, mas já com passagem no início do século pelo Boavista, Veloso certamente que quer terminar a carreira com o tão desejado tri na Volta e sair pela porta grande. Um pouco à imagem de David Blanco, que em 2012 colocou um ponto final na carreira dessa forma e com o recorde de vitórias na geral: quatro.

Essa marca Veloso já não alcançará. Em realidades completamente diferentes, André Greipel já está numa função mais de voz da experiência e Tony Martin quer continuar a ser o gregário de luxo. Já Veloso ambiciona alto para uma derradeira tentativa de vitória na Volta em 2021.

9 de julho de 2020

Froome rumo a um grande desafio no adeus à Ineos

© Team Ineos
Era um dos segredos mais mal guardados do mercado de transferências. A saída de Chris Froome da Ineos parecia ser cada vez mais iminente, principalmente quando Egan Bernal se vai assumindo como o líder da equipa. Ficam para trás os tempos de respeito à hierarquia, que o faziam sempre falar do companheiro como número um. Não perdeu o respeito pelo companheiro, apenas demonstrou que também o merece e que não pode ser um número dois.

Uma década de sucesso depois, Froome deixa a Ineos rumo a um enorme desafio. A Israel Start-Up Nation há muito que queria contar com uma figura de topo, para assim também poder lá chegar o mais rapidamente possível. Ao contrário da UAE Team Emirates, por exemplo, que muito aposta em jovens, a aposta nas contratações da formação israelita é em ciclistas experientes, casos de Daniel Martin e André Greipel para este ano.

Com Froome em final de contrato, os rumores que o britânico estava a procurar outras soluções foram crescendo, ao ponto de chegar a ser avançado que poderia deixar a Ineos ainda antes da próxima Volta a França. Isso não vai acontecer. Froome vai à procura do quinto Tour com a Ineos, antes de se mudar em Janeiro para a Israel Start-Up Nation. Por quanto tempo? Até ao final da carreira, explicou a futura equipa do britânico.

A razão é simples: a Ineos não garante liderança única a Froome. Aos 35 anos, o britânico tem de enfrentar o que obrigou Bradley Wiggins a lidar aos 32 anos. Ou seja, a nova geração está aí, tem muita qualidade e a Ineos quer apostar nela. Froome perdeu estatuto.

"Dadas as suas conquistas, o Chris está, compreensivelmente, desejoso de ter um papel de líder único na equipa no próximo capítulo da sua carreira, o que é algo que não lhe conseguimos garantir neste ponto. Uma saída da Ineos pode certamente dar-lhe isso", disse o director da equipa, Dave Brailsford, num comunicado da equipa.

Além de Bernal, há Pavel Sivakov, Tao Geoghegan Hart, Iván Ramiro Sosa e Eddie Dunbar, só para falar dos jovens talentos. E para 2020, a Ineos ainda foi buscar Richard Carapaz à Movistar, o vencedor do Giro de 2019.

A queda no Critérium du Dauphiné em Junho do ano passado, pode até ter precipitado o fim do estatuto de líder número um da equipa. Mas a verdade é que Bernal chegou e tomou o World Tour de assalto antes disso. Froome sabia que era inevitável ter de lutar por um lugar. Não ajuda ainda a dúvida que persiste se vai voltar a ser o Froome de sempre.

Na próxima Volta a França - que arranca a 29 de Agosto - o ambiente na Ineos vai ser bem quentinho. Se em 2018 o galês Geraint Thomas desafiou a liderança de Froome e ganhou o Tour, mesmo com a equipa a manter o apoio total ao seu líder, este ano o britânico sabe que será bem diferente. Bernal é o presente e o futuro da equipa. Froome é cada vez mais o passado.

Para não arriscar ficar em segundo plano, Froome deixa o conforto da Ineos. Para já, as palavras são muito de circunstância. "Sinto que podemos alcançar grandes feitos juntos", disse Froome sobre a mudança.

Construir um bloco forte

Mas é de facto um enorme desafio para o ciclista e para a nova equipa. A Israel Start-Up Nation era do escalão Continental em 2015. Em 2017 subiu ao segundo e este ano é World Tour, depois de ficar com licença da extinta Katusha-Alpecin.

Além de Martin e Greipel, Nils Politt (um homem mais de clássicas) acaba por ser a grande referência, numa equipa que vai precisar de contratar muito mais e com qualidade se de facto quer levar Froome a vitórias no Tour. É nesta corrida que o ciclista está agora concentrado, pois quer não só entrar no grupo de recordistas com cinco conquistas, como quer o sexto triunfo para ser o mais ganhador de sempre na corrida mais histórica do ciclismo.

Richie Porte, actualmente na Trek-Segafredo, até já foi um nome apontado. Se se confirmasse a contratação, seria o regresso de uma dupla que foi temível. Porte foi um fiel escudeiro de Froome. Mas será que o australiano quer deixar o estatuto de líder? Aos 35 anos, também o está a perder para a nova geração, há que referir esse pormenor.

Mas para já é só um rumor. Froome também deverá ter feito as suas exigências. Poderá querer levar com ele algumas pessoas de confiança, tanto ciclistas, como membros do staff. É algo habitual nas grandes figuras. O plantel actual pode ter ciclistas de qualidade, mas não a necessária para fazer frente a uma Ineos ou Jumbo-Visma.

Esta notícia vem criar uma enorme expectativa não só para 2021, mas já para o próximo Tour. Froome é um ciclista de saída, Bernal tem lugar cativo na Ineos... Muito se vai falar desta dupla. São mais adversários, do que companheiros.

Quanto à Israel Start-Up Nation - que conta com um português na equipa, o massagista Pedro Claudino - está a viver um sonho. "O Chris é o melhor ciclista da sua geração e vai liderar a nossa equipa na Volta a França e [outras] grandes voltas. Esperemos fazer história juntos, enquanto o Chris persegue mais vitórias no Tour e nas grandes voltas, conquistas que farão do Chris um sério caso de ser considerado o melhor ciclista de sempre", afirmou Sylvan Adams, um dos donos da equipa.

É o adeus à Sky/Ineos com quem conquistou quatro Tours (mais sete etapas), duas Vueltas (mais cinco) e um Giro (com aquela famosa etapa de 80 quilómetros de fuga pela montanha até Bardonecchia e rumo à camisola rosa). E só para falar das grandes voltas.

Aconteça o que acontecer, Froome já está na história como um dos melhores de sempre. Mas já sabe... um grande campeão quer sempre mais, principalmente enquanto sente que pode alcançar vitórias!

»»Lutar pela geral no Tour? Bardet nem quer ouvir falar disso««

»»Peter Sagan mantém palavra: vai ao Giro e falha clássicas do pavé««

15 de maio de 2020

Chris Froome de saída da Ineos? Um tema diferente para se discutir

© Team Ineos
Perante um ano atípico, sem corridas e em sequer certeza se haverão corridas, pouco se fala do mercado de transferências. São vários os nomes de relevo em final de contrato, com Chris Froome a destacar-se, não fosse ele o detentor de sete vitórias em grandes voltas. Parece surreal pensar que o britânico não renovará pela Ineos, mas como 2020 está a ser algo surreal, então foi noticiado que Froome poderá estar a ponderar rumar a outra equipa. A melhor parte? Até pode sair já este Verão e fazer o Tour com as novas cores.

A notícia foi avançada ontem pelo site Cycling News e claro que criou uma onda de interesse, ainda mais quando os recentes temas vão sempre bater à pandemia e ao confinamento. Interessados no britânico não devem faltar. Afinal, mesmo estando a poucos dias de celebrar 35 anos, Froome é Froome. Além da idade, persiste a dúvida sobre se o britânico irá conseguir regressar ao nível necessário para ganhar uma Volta a França, depois da grave queda há quase um ano no Critérium du Dauphiné. Mas... Froome é Froome e muito tem o ciclista feito para passar a mensagem que vai estar forte, seja quando for que o Tour aconteça (a esperança é que arranque no final de Agosto).

Mudanças com a época a decorrer é algo muito raro no ciclismo. Entre os casos mais recentes temos, por exemplo, Rohan Dennis em 2014 - da Garmin Sharp para a BMC - e Carlos Verona em 2016, quando trocou a Etixx-Quick Step pela Orica-BikeExchange.

No caso de Froome, até não é difícil perceber porque se fala de uma eventual saída já. Há poucos dias Egan Bernal afirmou que, estando bem fisicamente, não se vai sacrificar por ninguém na Volta a França. Venceu o último Tour, tem uma qualidade e um potencial do mais elevado que se viu nos últimos anos, tem perfil de líder e é visto como o sucessor de Froome na Ineos.

Inevitavelmente, Froome sabe que se o colombiano estiver em boa forma, pode ter dificuldades em impor-se. Não será como aconteceu em 2018 com Geraint Thomas. Mesmo sendo o galês o ciclista melhor fisicamente, Froome - que tinha ganho o Giro - nunca perdeu o estatuto de líder na equipa, mesmo que Thomas tenha conseguido segurar a camisola amarela até Paris.

Thomas é outro galo para o poleiro, mas mesmo sendo um vencedor do Tour, se já em 2019 teve poucos argumentos para se impor perante Bernal, agora estará reduzido a um eventual azar ou deslize tanto do colombiano, como de Froome. No entanto, também vai afirmando que quer ser líder.

A Froome não agradará nada ter de competir num Tour sem sentir que tem toda uma equipa a apoiá-lo. Passados oito anos, Froome vê-se no lugar de Bradley Wiggins (com as devidas diferenças do que ambos alcançaram na carreira): está a perder estatuto. No entanto, não é ciclista de desistir, ou virar a cara a uma luta, a um desafio e quererá mostrar, pelo menos este ano (se houver Tour), que merece toda a confiança

Chris Froome quer competir pelo menos mais quatro anos e ganhar dois Tours, para assim ser o recordista solitário. Ficar na Ineos - sem dúvida a sua casa - parece ser sempre o caminho mais óbvio e provável. Mas, caso se confirme que está mesmo a ponderar sair, quem está interessado e (mais importante) quem pode pagar a Froome, mesmo que este reduza um pouco as exigências salariais?

Esta paragem forçada na época devido à pandemia está a deixar várias equipas com problemas financeiros preocupantes. Ainda assim, há quem vá mantendo alguma estabilidade e pode olhar para o futuro com ambição. Curiosamente, a Ineos pode ser a equipa mais poderosa financeiramente, mas a ligação do patrocinador ao mundo do petróleo - que muito desceu durante as últimas semanas - já fez abanar um pouco a estrutura da equipa de ciclismo. Porém, para já, renovar com Froome é uma opção.

Se sair, há duas equipas que já estão a ser dadas como muito interessadas: Movistar e Israel Start-Up Nation. A equipa espanhola contratou Enric Mas para preencher as vagas de Mikel Landa e Nairo Quintana, mas o jovem ciclista ainda tem muito a provar quanto a poder discutir uma grande volta, principalmente um Tour. Já tem um pódio na Vuelta, talento não lhe falta, mas não se pode ainda olhar para Mas como um forte candidato a uma vitória em França. Aos 40 anos, Alejandro Valverde continua a ser a voz de comando na equipa, mas já pouco poderá dizer se Froome chegar para tentar conquistar o seu quinto Tour.

Jose Joaquin Rojas, um dos históricos da Movistar, até brincou com a situação, abrindo as portas da formação espanhola a Froome com uma mensagem no Twitter: "Amigo, sabes que em Espanha temos boa comida e tu terás um bom apoio." Fica à consideração de Froome, que saberá que tem gregários de qualidade naquela equipa, como o português Nelson Oliveira. Outro aspecto importarnte, a empresa de telecomunicações Movistar está a entrar no mercado britânico. Froome seria um rosto excelente, a pensar no lado promocional.

A Movistar pode ter a concorrência da Israel Start-Up Nation, pelo menos a nível de interesse. A equipa que este ano chegou ao World Tour precisa muito de um líder com capacidade de vencer. Daniel Martin é um ciclista de top dez, mas não um candidato a uma vitória numa grande volta e já pouco se acredita que chegue sequer a um pódio. Nesta equipa não haverá discussões de lideranças. Se Froome assinasse seria o número um. Contudo, apesar de alguns corredores de qualidade, a formação israelita não tem um bloco que possa colocar Froome a concorrer com a Ineos, por exemplo. O magnata Sylvan Adams estará disponível para aumentar o orçamento da equipa para garantir Froome, segundo notícias divulgadas em Israel.

Olhando para o aspecto financeiro há duas equipas que dinheiro têm, interesse desportivo é que não. A UAE Team Emirates pode contratar Froome, mas, com Joxean Fernández Matxin ao leme, esta equipa está num processo de rejuvenescimento e o britânico não tem lugar. Tadej Pogacar é o jovem líder que a formação de Rui Costa e dos gémeos Oliveira quer levar à vitória no Tour e noutras grandes voltas. A Jumbo-Visma ainda menos espaço tem. Conta com demasiados líderes: Steven Kruijswijk, Primoz Roglic e Tom Dumoulin.

A Bahrain-McLaren tem agora Rod Ellingworth a coordenar e a sua longa ligação à Sky/Ineos poderia ajudar a influenciar Chris Froome. Mikel Landa é que não acharia piada nenhuma e com a equipa a ser uma das que reduziu os ordenados quando a temporada foi suspensa, seria difícil explicar aos atletas uma contratação de peso, ainda mais a meio da época e até mesmo para 2021.

Outras formações poderiam - em condições normais - surgir na lista, mas entre as dificuldades financeiras, ou o terem os plantéis com líderes definidos, percebe-se as razões de a Movistar e a Israel Start-Up Nation surgirem nos meios de comunicação social especializados como as principais candidatas, se não houver uma renovação.

Depois de tantas semanas em que falar do ciclismo actual era difícil (se não impossível) sem referir o coronavírus, pelo menos há uma novela de transferência a desenrolar-se, mesmo que no final fique tudo como está.

26 de fevereiro de 2020

"Foi uma semana muito importante no Algarve"

Foi uma semana de intenso trabalho no Algarve para Nils Politt. Além da corrida, o alemão dedicou-se a fazer quilómetros, a pensar nas clássicas que se aproximam. Há um ano, Politt foi dos melhores ciclistas nesta fase da temporada, mas faltou-lhe uma vitória. Porém, ficar em segundo no Paris-Roubaix não foi razão para desanimar. Pelo contrário. Mais do que nunca, o ciclista acredita que pode ganhar, realçando que na Israel Start-Up Nation há um estado de espírito diferente daquele que existia na Katusha-Alpecin.

Depois de arrancar a sua época nas provas de um dia espanholas, Politt viajou até Portugal. No sul do país, ficou bem patente a sua dedicação em apresentar-se forte nas clássicas, com a primeira, Omloop Het Nieuwsblad, a realizar-se já este sábado. O alemão, de 25 anos, chegou a optar por pedalar do hotel em Portimão para a partida e depois de cortar a meta, regressou novamente na sua bicicleta. Fez isso, por exemplo, no segundo dia da Volta ao Algarve, quando o pelotão partiu de Sagres e terminou no Alto da Fóia. Além dos 183,9 quilómetros da etapa, o alemão fez mais cerca de 88 por abdicar do conforto do autocarro da equipa.

"Foi uma semana muito importante no Algarve. Penso que o trabalho ficou feito. Para evoluir [fisicamente] esta semana foi muito boa. Fiquei muito satisfeito nas etapas, mas também no contra-relógio. Saio daqui confiante para as próximas semanas", referiu Politt ao Volta ao Ciclismo, realçando como estava satisfeito com o seu tempo no contra-relógio, no qual foi nono, a 47 segundos de Remco Evenepoel (Deceuninck-QuickStep). O ciclista elogiou a corrida algarvia, considerando que as tiradas são boas, tanto por haver algumas com subidas e outras com uma quilometragem maior. E claro, há um pormenor que agrada a todos: "Está sempre bom tempo aqui!"

Para Politt, aproveitar o sol e as temperaturas bem amenas que marcaram a semana passada no Algarve, significou estar de olhos postos nos grandes objectivos que se aproximam. Porém, salientou que não tem intenção de se apresentar a 100% já este fim-de-semana, ou depois no Paris-Nice, pois quer apresentar-se no seu melhor daqui a um mês, quando arrancar o principal bloco de clássicas, como o monumento Milano-Sanremo, E3 BinckBank, Através da Flandres e claro, os dois monumentos a que mais aponta: Volta a Flandres e Paris-Roubaix. "Sinto-me muito, muito bem", garantiu.


"Os ciclistas estão motivados para ajudarem-se uns aos outros e isso faltou um pouco nos últimos dois anos na Katusha"

Em 2019, Politt esteve perto de surpreender em Paris-Roubaix. Foi com Philippe Gilbert até ao velódromo, onde acabou por ser batido pelo belga. O alemão não esconde que fica sempre alguma frustração, mas realçou que também passou a acreditar ainda mais que pode vencer. "Eu quero ganhar o Paris-Roubaix. Não sei se será este ano porque é muito difícil, mas sei que o que fiz nas clássicas no ano passado foi muito bom e espero repetir", afirmou. Contudo, não quer criar demasiada expectativa: "Não vou colocar muita pressão sobre mim mesmo. Sei que estou forte e que vou dar o meu melhor."

Depois de uma primeira fase de temporada em 2019 de muita qualidade - com destaque, além do segundo lugar em Roubaix, para o quinto na Volta a Flandres na semana anterior e o sexto na E3 BinckBank - Politt viveu uma situação mais tensa quando foi informado que a Katusha-Alpecin não tinha o futuro garantido. Era um dos ciclistas com contrato para 2020, mas tal não dava garantias com a saída de patrocinadores.

No entanto, o alemão disse que estava tranquilo. "Estava confiante que o assunto se ia resolver. Eu sabia os resultados que tinha tido. Sabia que ia encontrar uma equipa. Mas claro que para todos os membros do staff e para os ciclistas foi muito difícil. Não foi bom e espero não passar por nada igual na carreira. Mas tudo acabou bem e estou entusiasmado por competir esta época pela Israel Start-Up Nation", disse.

Na equipa que subiu de escalão ao comprar a licença da Katusha-Alpecin, ficando com maioria dos ciclistas que tinham contrato para esta temporada, vive-se um ambiente diferente da formação anterior: "Os ciclistas estão motivados para ajudarem-se uns aos outros e isso faltou um pouco nos últimos dois anos na Katusha. Todos aqui estão felizes. Essa felicidade está a ser motivadora para todos e facilita a nossa vida." Para Politt, isso também significa estar satisfeito com o apoio que acredita que terá dos seus companheiros nas corridas que se aproximam: "Tenho o apoio necessário. Estamos todos desejosos que comece a época de clássicas. Estão todos numa grande forma."

Recordou como o início de temporada está a ser positivo para a estrutura israelita, com duas vitórias conquistadas (uma etapa na Volta a San Juan, por Rudy Barbier, e na Volta a Antalya, por Mihkel Räim), esperando que André Greipel e Ben Hermans recuperem rapidamente das respectivas lesões. "Estamos a mostrar que somos fortes e isso é bom ver, porque também ajudar a fortalecer ainda mais a equipa", disse. Politt acredita que durante 2020 irá ver-se a Israel Start-Up Nation a lutar por bons resultados, reiterando a qualidade dos ciclistas que estão na equipa. "Vamos ver a Israel Start-Up Nation fazer umas boas corridas", assegurou.

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13 de fevereiro de 2020

Os ciclistas com inícios de época nada desejáveis

André Greipel vai falhar a Volta ao Algarve
(Fotografia: Facebook Israel Start-Up Nation)
A época começou há poucas semanas, mas já há quem esteja a lamentar algum azar. Nos casos de Matteo Moschetti e André Greipel a frustração será ainda maior, pois estavam num bom momento, mas quedas afastaram ambos das corridas, o que significa que o alemão não irá regressar à Volta ao Algarve, como estava previsto. Porém, há quem esteja mais desiludido, pois problemas de saúde provocaram finais de carreira, dois deles muito precoces.

Começando precisamente por estas despedidas forçadas, com uma delas a verificar-se em Portugal. João Carneiro já tinha estado afastado grande parte da temporada de 2019 devido a problemas de saúde. Apesar da Kelly-InOutBuild-UDO ter renovado com o jovem ciclista, foi anunciado há poucos dias que Carneirinho, como é conhecido, foi aconselhado por médicos a não praticar desporto de alta competição. Foi o adeus ao ciclismo aos 20 anos. Mais oito tem Jimmy Turgis, francês da B&B Hotels-Vital Concept. Devido a um problema cardíaco terminou a carreira. Nos testes de pré-época ficou claro que a questão - que era conhecida pelo ciclista e médicos - agravava sempre que se sujeitava a esforços intensos.

Há ano e meio, o seu irmão mais novo, Tanguy (actualmente com 21 anos) teve de deixar a modalidade quando estava a fazer a sua primeira temporada como profissional, também na B&B Hotels-Vital Concept. Em Janeiro, por razões idênticas às de Turgis, Kiriyenka (Ineos) finalizou uma longa carreira, durante a qual foi campeão do mundo de contra-relógio e tornou-se num dos melhores gregários do pelotão. Beñat Intxausti estava sem equipa após o término da Euskadi-Murias e como nunca recuperou de uma mononucleose, optou por seguir outro caminho no ciclismo, que não a carreira de atleta.

Estes são os exemplos mais extremos de um arranque de época que esteve longe de ser o que desejavam. Porém, outros ciclistas também não foram felizes. Aos 37 anos, André Greipel procura uma derradeira fase de sucesso de uma carreira que está em declínio. A passaem pela Arkéa Samsic foi para esquecer e o alemão nem terminou a temporada na equipa. Na Israel Start-Up Nation, Greipel regressou ao World Tour com expectativas de conquistar mais algumas vitórias, apesar de já ser impossível esconder que não está a acompanhar os sprinters da nova geração.

Os três top dez nos sprints do Tour Down Under deram alguma confiança tanto ao ciclista, como à equipa. Preparava-se regressar à Volta ao Algarve, onde sabe o que é ganhar. Greipel treinava com o colega Rick Zabel em Colónia, numa estrada que tinha água e alguma lama. O ciclista acabou por cair. Deslocou o ombro, colocou-o no sítio e conseguiu regressar a casa. No entanto, os exames médicos identificaram uma fractura e Greipel poderá mesmo de ter de ser operado. Estará longe da competição durante três meses.

Matteo Moschetti pensava que o azar de 2019 - ano de estreia no World Tour na Trek-Segafredo - tinha ficado para trás. O jovem italiano estava extremamente motivado após as vitórias em duas das corridas do Challenge de Maiorca, mas na terceira etapa da Etoile de Bessèges caiu e ainda não foi estipulado uma data para o regresso. Moschetti (23 anos) sofreu várias fracturas, como na omoplata e costelas, mas a mais grave foi num osso na zona pélvica, que obrigou a uma intervenção cirúrgica.

No mesmo incidente de Moschetti ficou envolvido Sebastian Langeveld. O veterano holandês (35 anos) da EF Pro Cycling fracturou a clavícula, já foi operado e espera que dentro de uma a duas semanas possa pelo menos retomar os treinos, tendo a vista a época das clássicas.

Na primeira etapa da Volta a San Juan, no final de Janeiro, Christophe Laporte viu a sua época sofrer um enorme revés. O sprinter da Cofidis caiu, ainda tentou permanecer em prova, mas abandonou no dia seguinte. Fracturou o pulso direito e só deverá regressar às corridas em Maio. A equipa espera poder contar com o ciclista na Volta à Suíça e, principalmente, no Tour, onde estará ao lado de Elia Viviani. Para Laporte, a gravidade da queda significou o abdicar de objectivos como os monumentos Milano-Sanremo, Volta a Flandres e Paris-Roubaix, assim como o Paris-Nice.

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18 de janeiro de 2020

Mais uma parceria entre o ciclismo e a Fórmula 1

(© Israel Start-Up Nation/Israel Cycling Academy)
E já são três. Se até ao final de 2018 o mais próximo que existia entre marcas ligadas à Fórmula 1 e o ciclismo eram parcerias para criar bicicletas - que só estão ao alcance de alguns bolsos -, agora as duas modalidades estão a unir-se cada vez mais. A mais recente junção é entre a recém-chegada ao World Tour Israel Start-Up Nation e a histórica Williams, uma das estruturas mais antigas deste desporto automóvel. Os moldes desta parceria são um pouco diferentes das duas já existentes, pois o foco é mais no marketing, do que na tecnologia.

A McLaren juntou-se à Bahrain no final de 2018 e esta temporada já tem o seu nome na equipa. Perto do Natal, a toda poderosa Ineos anunciou a parceria com a formação que tem dominado a Fórmula 1, a Mercedes. Em ambos os casos, o desenvolvimento tecnológico, a análise de dados, um trabalho que permita uma melhor performance dos atletas, faz parte dos acordos. Já no caso da Israel Start-Up Nation e Williams está em causa promover o nome principalmente da equipa de ciclismo.

"O carro da Williamos terá o logotipo da Israel Start-Up Nation e haverá um marketing cruzado e desenvolvimento de produtos entre os dois programas", explicou Sylvan Adams, um dos donos da estrutura israelita de ciclismo. A Williams terá também um piloto de testes de Israel, Roy Nissany, amigo dos corredores Guy Sagiv e Guy Niv,

Adams referiu que espera que esta parceria possa levar a sua equipa a ter alguma projecção entre os adeptos de Fórmula 1 da Williams, ganhando assim mais apoio. E o objectivo passa também por levar os seus actuais fãs a seguir mais aquele desporto motorizado, apoiando a Williams.

A Israel Start-Up Nation não está certamente a querer passar despercebida quando se prepara para a sua primeira temporada no principal escalão. A compra da licença da Katusha-Alpecin permitiu dar este salto, há muito desejado. Começou por contratar ciclistas bem conhecidos, como André Greipel e Daniel Martin e garantiu que Nils Politt - uma das confirmações de 2019 - fizesse a passagem da Katusha-Alpecin para a equipa israelita. Mudou o nome (era Israel Cycling Academy, que passa a ser a equipa de desenvolvimento, que está no escalão Continental) e agora quer ter a certeza que o novo seja bem conhecido, além do ciclismo. No entanto, é o antigo que aparece no monolugar da Williams (ver fotografia em cima).

A Williams ganha um aliado com algum poderio financeiro, sendo uma equipa que há muito não consegue o destaque que teve nas décadas de 80 e 90, quando lutava e ganhava campeonatos do mundo. O último foi em 1997, com Jacques Villeneuve, tendo sido também a derradeira vez que venceu o Mundial de Construtores. Quanto a Grandes Prémios, Pastor Maldonado venceu em Espanha em 2012, terminando com um jejum que durava de 2004. Mas desde então que não nenhum piloto da Williams sube ao lugar mais alto do pódio.

Terça-feira arranca oficialmente a temporada com o início do Tour Down Under. Este domingo, durante a madrugada na Europa, realiza-se a habitual corrida de apenas 51 quilómetros, que tem sido uma forma diferente de "aquecer motores" para a longa época de ciclismo.

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6 de janeiro de 2020

Os colegas de equipa de João Almeida e Ruben Guerreiro e a estreia da Israel Start-Up Nation

Continuando com a apresentação das equipas do principal escalão, é inevitável destacar a presença de dois jovens talentos portugueses. João Almeida vai estrear-se no World Tour numa das melhores equipas, a Deceuninck-QuickStep. Já Ruben Guerreiro prepara-se para o seu quarto ano, ainda que com novas cores, representando agora a americana EF Pro Cycling, depois de duas temporadas na Trek-Segafredo e uma na Katusha-Alpecin.

Depois há a Ineos e Jumbo-Visma cujo frente-a-frente na Volta à França é cada vez mais aguardado com enorme expectativa, principalmente depois de conhecida a decisão da formação holandesa em apostar no trio Roglic/Kruijswijk/Dumoulin, com a Ineos a levar o vencedor de 2019, Egan Bernal, quer Chris Froome recupere ou não das graves lesões da queda no Critérium du Dauphiné, em Junho.

Neste grupo de sete hoje publicado, das 19 WorldTeams (como são agora apelidadas as equipas pela UCI), há ainda que referir a estreia da Israel Start-Up Nation, ex-Israel Cycling Academy, que passa a ser o nome da equipa de desenvolvimento, que está no escalão Continental. A estrutura israelita chega à categoria principal depois de comprar a licença da Katusha-Alpecin. Ficou com sete ciclistas da equipa que saiu de cena, mas contratou também nomes bem conhecidos como Daniel Martin e André Greipel.

Pode ver neste link as primeiras seis equipas publicadas no domingo.

Deceuninck-QuickStep
(© Sigfrid Eggers/Deceuninck-QuickStep)
Julian Alaphilippe, Remco Evenepoel, Bob Jungels, Yves Lampaert, Zdenek Ztybar, Fabio Jakobsen, Álvaro Hodeg, Kasper Asgreen, Rémi Cavagna, Tim Declercq, Dries Devenyns, Mikkel Frolich Honoré, Iljo Keisse, James Knox, Michael Morkov, Florian Sénéchal e Pieter Serry.

Reforços: João Almeida (Hagens Berman Axeon), Sam Bennett (Bora-Hansgrohe), Shane Archbold (Bora-Hansgrohe), Mattia Cattaneo (Androni Giocattoli-Sidermec), Bert van Lerberghe (Cofidis), Davide Ballerini (Astana), Stijn Steels (Roompot-Charles), Andrea Bagioli (Colpack), Ian Garrison (Hagens Berman Axeon), Jannik Steimle (Vorarlberg Santic) e Mauri Vansevenant a partir de 1 de Julho (EFC-L&R-Vulsteke).

Saídas: Philippe Gilbert (Lotto Soudal), Elia Viviani (Cofidis), Enric Mas (Movistar), Max Richeze (UAE Team Emirates), Eros Capecchi (Bahrain McLaren), Petr Vakoc (Alpecin-Fenix), Fabio Sabatini (Cofidis) e Davide Martinelli (Astana).

EF Pro Cycling
(© EF Pro Cycling)
Rigoberto Uran, Daniel Martínez, Sergio Higuita, Sep Vanmarcke, Hugh Carthy, Michael Woods, Sebastian Langeveld, Tejay van Garderen, Alberto Bettiol, Sean Bennett, Jonathan Caicedo, Simon Clarke, Lawson Craddock, Mitchell Docker, Moreno Hofland, Alex Howes, Tanel Kangert, Lachlan Morton, Owen Logan, Tom Scully, Julius van den Berg, Luis Villalobos e James Whelan.

Reforços: Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin), Neilson Powless (Jumbo-Visma), Jens Keukeleire (Lotto Soudal), Magnus Cort (Astana), Kristoffer Halvoresen (Ineos), Jonas Rutsch (Lotto-Kern Haus) e Stefan Bissegger (Swiss Racing Academy).

Saídas: Sacha Modolo (Alpecin-Fenix), Daniel McLay (Arkéa Samsic), Joe Dombrowski (UAE Team Emirates), Nathan Brown (Rally Cycling), Matti Breschel e Taylor Phinney terminaram a carreira.

Groupama-FDJ
(© Groupama-FDJ)
Thibaut Pinot, David Gaudu, Arnaud Démare, Stefan Küng, Rudy Molard, Anthony Roux, Marc Sarreau, Bruno Armirail, William Bonnet, Mickaël Delage, Antoine Duchesne, Kilian Frankiny, Kevin Geniets, Jacopo Guarnieri, Ignatas Konovalovas, Matthieu Ladagnous, Olivier le Gac, Tobias Ludvigsson, Valentin Madouas, Sébastien Reichenbach, Miles Scotson, Romain Seigle, Ramon Sinkeldam, Léo Vincent e Benjamin Thomas.

Reforços: Fabian Lienhard (IAM Excelsior), Alexys Brunel e Simon Guglielmi (ambos da equipa Continental da Groupama-FDJ).

Saídas:Daniel Hoelgaard (Uno-X Norwegian), Benoît Vaugrenard e Steve Morabito terminaram a carreira.

Ineos
(© Team Ineos)
Chris Froome, Egan Bernal, Geraint Thomas, Michal Kwiatkowski, Tao Geoghegan, Pavel Sivakov, Iván Ramiro Sosa, Dylan van Baarle, Jonathan Castroviejo, Leonardo Basso, Owain Doull, Eddie Dunbar, Filippo Ganna, Michal Golas, Sebastián Henao, Vasil Kiryienka, Christian Knees, Chris Lawless, Gianni Moscon, Jhonatan Narváez, Salvatore Puccio, Luke Rowe, Ian Stannard e Ben Swift.

Reforços: Richard Carapaz (Movistar), Rohan Dennis (Bahrain-Merida), Brandon Smith Rivera (GW-Shimano), Ethan Hayter (Great Britain Cycling Team) e Carlos Rodriguez (Kometa sub-19).

Saídas: Wout Poels (Bahrain McLaren, David de la Cruz (UAE Team Emirates), Diego Rosa (Arkéa Samsic), Kenny Elissonde (Trek-Segafredo) e Kristoffer Halvorsen (EF Pro Cycling).

Israel Start-Up Nation
(© Israel Start-Up Nation)
Matthias Brändle, Matteo Badilatti, Rudy Barbier, Guillaume Boivin, Davide Cimolai, Alexander Cataford, Itamar Einhorn, Omer Goldstein, Ben Hermans, Guy Niv, Guy Sagiv, Krists Neilands, Mihkel Räim e Tom Van Asbroeck.

Reforços: André Greipel (Arkéa Samsic), Daniel Martin (UAE Team Emirates), Rory Sutherland (UAE Team Emirates), Daniel Navarro, Alex Dowsett, Nils Politt, Mads Würtz Schmidt, Rick Zabel, Reto Hollenstein, Jenthe Biermans (todos da Katusha-Alpecin cuja licença World Tour a equipa israelita comprou), Hugo Hofstetter (Cofidis), Patrick Schelling (Voralberg Santic), Travis McCabe (Floyd's Pro Cycling), James Piccoli (Elevate-KHS Pro Cycling), Alexis Renard (Côtes d'Armor-Marie Morin) e Norman Vahtra (Cycling Tartu).

Saídas: Kristian Sbaragli (Alpecin-Fenix), Edwin Ávila, Ben Perry, Daniel Turek e Awet Gebremedhin (Israel-Start Up Nation Devo - equipa Continental), Sondre Holst Enger (Riwal Readynez), August Jensen (Riwal Readynez), Riccardo Minali (Nippo Delko One Provence), Nathan Earle (Ukyo), Dennis van Winden (sem equipa), Clément Carisey (Team Pro Immo Nicolas Roux), Hamish Schreurs (sem equipa), Rubén Plaza, Conor Dunne e Roy Goldstein terminaram a carreira.

Jumbo-Visma
(© Jumbo-Visma)
Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, Dylan Groenewegen, Wout van Aert, George Bennett, Laurens de Plus, Tony Martin, Koen Bouwman, Pascal Eenkhoorn, Robert Gesink, Lennard Hofstede, Amund Grondahl Jansen, Sepp Kuss, Tom Leezer, Bert-Jan Lendeman, Paul Martens, Timo Roosen, Mike Teunissen, Antwan Tolhoek, Taco van der Hoorn, Jonas Vingegaard, Maarten Wynants e Jos van Emden.

Reforços: Tom Dumoulin (Sunweb), Christoph Pfingsten (Bora-Hansgrohe), Chris Harper (BridgeLane) e Tobias Foss (Uno-X).

Saídas: Neilson Powless (EF Pro Cycling), Danny van Poppel (Circus-Wanty Gobert), Floris de Tier (Alpecin-Fenix) e Daan Olivier (terminou a carreira em Maio).

Lotto Soudal
(© Lotto Soudal)
Tim Wellens, Thomas de Gendt, Caleb Ewan, Sander Armée, Jasper de Buyst, Stan Dewulf, Frederik Frison, Carl Fredrik Hagen, Adam Hansen, Rasmus Iversen, Roger Kluge, Nikolas Maes, Tomasz Marczynski, Remy Mertz, Gerben Thijssen, Tosh van der Sande, Brian van Goethem, Brent Van Moer, Harm Vanhoucke e Jelle Wallays.

Reforços: Philippe Gilbert (Deceuninck-QuickStep), John Degenkolb (Trek-Segafredo), Steff Cras (Katusha-Alpecin), Jonathan Dibben (Madison Genesis), Matthew Holmes (Madison Genesis), Stefano Oldani (Kometa), Kobe Goossens (Lotto Soudal sub-23), Florian Vermeersch a partir de 1 de Junho, fará a primeira fase da época na Lotto Soudal sub-23 (estava na Creafin-Tuv Sud em 2019).

Saídas: Tiesj Benoot (Sunweb), Lawrence Naesen (AG2R), Jens Keukeleire (EF Pro Cycling), Victor Capenaerts (NTT), Jelle Vanendert (Bingoal-Wallonie Bruxelles), Enzo Wouters (Tarteletto-Isorex), Maxime Monfort e Adam Blythe terminaram a carreira.