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29 de agosto de 2020

Pinarello Dogma F12 com nova imagem para a agora Ineos Grenadiers

© CAuldPhoto/Ineos Grenadiers
Este ano apenas a Bora-Hansgrohe mudou a camisola para a Volta a França, regressando a uma versão com mais branco na camisola. Porém, a Ineos também tem novas cores, mas porque, como já havia sido anunciado, adoptou um novo nome a partir do Tour. Surgem assim os equipamentos renovados que os ciclistas vão utilizar na restante temporada, mas também as bicicletas têm agora novas cores, pois a Pinarello não ia passar ao lado da nova fase da agora Ineos Grenadiers.

© Pinarello
Os equipamentos quebram com o passado, sendo agora um azul escuro, tendo na frente o símbolo do Grenadiers, todo-o-terreno que o principal financiador da estrutura,  Sir Jim Ratcliffe, quer agora divulgar através do ciclismo.

© Pinarello
Quanto à bicicleta, a ligação entre a equipa britânica e a Pinarello tem sido uma de maior sucesso em tempos recentes, principalmente no que diz respeito a grandes voltas, mas não só. Actualmente os ciclistas utilizam os modelos Dogma F12 e Dogma F12 X-Light, que foram apresentados em 2019, para substituir a popular Dogma F10.

As bicicletas que entraram em acção neste sábado, na primeira etapa da Volta a França, só têm como diferença a novas cores, que a Pinarello destacou esta semana, aquando da revelação da nova imagem da agora Ineos Grenadiers.

© Pinarello
As Dogma continuam a ser equipadas com Shimano Dura-Ace Di2 e rodas Dura-Ace. Um dos destaques da Dogma F12 é a forma como o quadro foi desenhado para proteger os bidões, permitindo maior aerodinâmica (os famosos ganhos marginais da equipa?).

Não há cabos à vista, o que leva a Pinarello a assegurar que há uma redução de resistência da deslocação do ar em 5%. Apesar dos ciclistas da Ineos Grenadiers competirem com pneus de 26mm, a F12 pode levar de 28mm.

© Pinarello
De recordar que a Ineos Grenadiers (herdeira da Sky), conta com sete vitórias no Tour na última década. Começou com Bradley Wiggins, seguiu-se quatro triunfos de Chris Froome, um de Geraint Thomas e, em 2019, Egan Bernal tornou-se no primeiro colombiano a conquistar a Volta a França.

Froome e Thomas irão à Vuelta e Giro, respectivamente, com Bernal a ter a seu lado em França Andrey Amador, Richard Carapaz, Jonathan Castroviejo, Michal Kwiatkowski, Luke Rowe, Pavel Sivakov e Dylan van Baarle.


19 de agosto de 2020

Froome: saída pela porta pequena (ou pelo menos não tão grande)

© Team Ineos
Por esta altura, a exclusão de Chris Froome da Volta a França não é algo de ficar de boca aberta. As prestações do britânico nas recentes corridas foram simplesmente muito fracas. O ciclista pode escrever nas redes sociais que está a melhorar fisicamente, mas com o Tour tão perto, era difícil imaginar que alguém que ficou consecutivamente para trás - às vezes bem cedo - nas etapas de montanha (e não trabalhava assim tanto para Egan Bernal) pudesse em menos de 15 dias estar em condições de disputar o Tour. É um adeus à Ineos com uma saída pela porta pequena. Ou talvez uma não tão grande como merecia, isto caso consiga vencer a Volta a Espanha, para onde foi seleccionado.

Dave Brailsford anunciou nesta manhã de quarta-feira os eleitos para o Tour e qual o futuro de Froome e também de Geraint Thomas. O galês também ficou de fora e vai ser o líder no Giro (de 3 a 25 de Outubro). Ficaram os elogios a Froome que o momento exigia: "É uma lenda do nosso desporto, um verdadeiro campeão que demonstrou um incrível carácter e determinação para regressar após a queda no ano passado."

Porém, não deixa de ser um renegar do ciclista que tanto deu à equipa para segundo plano. Não há volta a dar. Froome perdeu definitivamente o lugar para Egan Bernal e poderá ter perdido a possibilidade de conquistar o histórico quinto Tour, que o colocaria no grupo dos recordistas: Eddy Merckx, Jacques Anquetil, Bernard Hinault e Miguel Indurain.

Depois do Critérium du Dauphiné, esta decisão de Brailsford parecia ser quase inevitável. Froome esteve desaparecido na Route d'Occitanie e não fez melhor no Tour de l'Avenir e no Dauphiné. Sempre pareceu um homem batido por tudo e por todos. Mesmo quando assumir um papel de trabalho não convencia. E neste aspecto ficava ainda mais claro que se Froome não tinha condições para disputar a vitória no Tour, também não faria sentido escolhê-lo para ser um gregário. Um quatro vezes vencedor da Volta a França? Pareceria simplesmente mau de mais e psicologicamente seriam três semanas de inferno para Froome.

Aos 35 anos é um ponto final da liderança espectacular de Froome na Ineos no Tour. Ficam as memórias, mas o britânico ainda quer ter um futuro. É aqui que se levanta a questão. Estará Froome apenas fora de forma, ou a queda em 2019 no Dauphiné - e que não se pode esquecer que ameaçou a sua carreira - deixou marcas mais profundas?

Mesmo que não venha a conquistar o quinto Tour, Froome já está entre os melhores. Ganhou ainda um Giro, duas Vueltas, etapas e outras importantes corridas. Foi uma carreira em grande de um ciclista que não demorou a "encostar" Bradley Wiggins nos primórdios da então Sky, quando este é que havia sido escolhido para ser o grande capitão da equipa.

Além da questão física, Froome já assinou pela Israel Start-Up Nation. Chegou-se a falar que o britânico poderia sair da Ineos ainda antes do Tour, precisamente para ser líder único em França. Estávamos numa altura que Bernal, Froome e Thomas iam dizendo que queriam ganhar o Tour de 2020. Essa hipótese ficou afastada, mas ciclista e a Ineos anunciaram que iriam mesmo separar-se em 2021.

A história de Froome na Ineos não deveriam enfraquecer a posição do ciclista, mesmo que esteja de saída. Mas também não ajuda. Neste aspecto é impossível não recordar Nicolas Portal, o director desportivo que esteve ao lado de Froome nos grandes momentos do britânico. A sua morte deixou uma vazio na equipa e o divórcio com Froome parece ter sido precipitado sem Portal a segurá-lo e a garantir o lugar de destaque.

E claro, haja mérito para Bernal. Aos 23 anos é uma certeza no presente e para o futuro. Quando Froome caiu em 2019, Thomas quis novamente ser o líder, mas o jovem colombiano demonstrou que não era preciso esperar ou prepará-lo mais. Era o novo número um da Ineos e ganhar o Tour bem que ajudou a conquistar esse estatuto.

Porém, nas recentes corridas, soaram bem alto os alarmes na Ineos que o seu poderio já não está só a ser posto em causa. Foi-lhe retirado por uma Jumbo-Visma que apostou no mesmo jogo da equipa britânica e tornou-se uma especialista onde a Ineos era imbatível. Está na altura de mudar e Brailsford admite que a equipa será um pouco diferente no Tour.

Froome não iria ganhar a Volta a França e, por agora, é difícil imaginá-lo a discutir a Vuelta (de 20 de Outubro a 8 de Novembro), mas até lá ainda tem muito tempo para melhorar, ao contrário se fosse ao Tour, que arranca a 29 de Agosto, em Nice. Depois irá então mudar-se para uma Israel Start-Up Nation, que está a reforçar-se a pensar em dar todo o apoio ao seu líder. Michael Woods (EF Pro Cycling), Patrick Bevin (CCC), Daryl Impey (Mitchelton-Scott) e Fredrik Carl Hagen (Lotto Soudal) já estão garantidos.

No entanto, na equipa de Israel poderá muito bem estar a aumentar alguma ansiedade. Afinal que Froome contrataram?

Equipa da Ineos para a Volta a França: Egan Bernal, Richard Carapaz (foi a surpresa, pois estava previsto que iria ao Giro tentar ganhar pela segunda vez - será o braço-direito de Bernal), Pavel Sivakov (um estreante), Andrey Amador, Jonathan Castroviejo, Michal Kwiatkowski, Luke Rowe e Dylan van Baarle.

22 de julho de 2020

Ineos ganha a potência de um 4x4... no nome

© Team Ineos
Novo nome a partir da Volta a França. Ou melhor, um acréscimo. Uma das paixões do magnata, que em 2019 passou a patrocinar a equipa britânica, são os carros. Sir Jim Ratcliffe não se conformou com o final de produção dos Land Rover Defender e criou o seu próprio 4X4. Agora vai utilizar o ciclismo para o promover. Portanto, há que memorizar: Ineos Grenadiers.

A partir de 29 de Agosto, quando o Tour arrancar de Nice (pelo menos assim se espera), a equipa terá este nome e vestirá um novo equipamento. O anúncio oficial será feito na semana anterior na cidade francesa, segundo explicou a Ineos, em comunicado.

Lê-se como Ratcliffe identificou um espaço no mercado para apostar num 4x4, através da Ineos Automotive. Salientou como o magnata é um "entusiasta de carros e um aventureiro experiente". O Grenadier foi revelado este mês, mas só estará disponível mais para o final de 2021. Mas ao colocar o nome na equipa de ciclismo e tendo em conta que é uma das melhores, muito se vai ouvir falar no nome deste 4x4. A publicidade perfeita! A vantagem de apostar no ciclismo.

O Cycling Weekly avança que o equipamento trocará o vermelho pelo azul, o que, a confirmar-se, significaria um regresso às origens, do tempo da Sky. Há pouco mais de um ano Ratcliffe assumiu o patrocínio da equipa, depois da Sky ter anunciado que não renovaria o contrato no final de 2019. Porém, a Ineos ficou com a equipa muito antes e a última Volta a França, ganha por Egan Bernal, já foi com o nome da empresa do magnata, um dos homens mais ricos do Reino Unido.

Grenadier com ligação a Portugal

Imagem: Ineos Grenadrier
Este 4x4 tem uma curiosidade para os portugueses. O chassi de longarinas é produzido pela Gestamp Automoción, empresa espanhola que possui três fábricas em Portugal. O Observador explica que este chassi vai ser produzido na Gestamp Aveiro.

Outra curiosidade deste veículo é que qualquer parecença com o Land Rover Defender, não é coincidência. Ratcliffe é um fã deste modelo e quando deixou de ser produzido até terá tentado comprar os desenhos do 4x4 à Jaguar Land Rover. Ouviu um não, mas isso não parou o empresário britânico. Avançou com um projecto próprio. O Grenadier terá um motor BMW.

Conhecida equipa para o regresso à competição

Estamos em contagem decrescente para o regresso da competição por parte das equipas World Tour. A Ineos escolheu a Volta a Burgos para retomar a acção e na terça-feira espera então ter os seus primeiros ciclistas na estrada: Richard Carapaz, Eddie Dunbar, Filippo Ganna, Sebastián Henao, Christian Knees, Carlos Rodriguez e Iván Ramiro Sosa.

9 de julho de 2020

Froome rumo a um grande desafio no adeus à Ineos

© Team Ineos
Era um dos segredos mais mal guardados do mercado de transferências. A saída de Chris Froome da Ineos parecia ser cada vez mais iminente, principalmente quando Egan Bernal se vai assumindo como o líder da equipa. Ficam para trás os tempos de respeito à hierarquia, que o faziam sempre falar do companheiro como número um. Não perdeu o respeito pelo companheiro, apenas demonstrou que também o merece e que não pode ser um número dois.

Uma década de sucesso depois, Froome deixa a Ineos rumo a um enorme desafio. A Israel Start-Up Nation há muito que queria contar com uma figura de topo, para assim também poder lá chegar o mais rapidamente possível. Ao contrário da UAE Team Emirates, por exemplo, que muito aposta em jovens, a aposta nas contratações da formação israelita é em ciclistas experientes, casos de Daniel Martin e André Greipel para este ano.

Com Froome em final de contrato, os rumores que o britânico estava a procurar outras soluções foram crescendo, ao ponto de chegar a ser avançado que poderia deixar a Ineos ainda antes da próxima Volta a França. Isso não vai acontecer. Froome vai à procura do quinto Tour com a Ineos, antes de se mudar em Janeiro para a Israel Start-Up Nation. Por quanto tempo? Até ao final da carreira, explicou a futura equipa do britânico.

A razão é simples: a Ineos não garante liderança única a Froome. Aos 35 anos, o britânico tem de enfrentar o que obrigou Bradley Wiggins a lidar aos 32 anos. Ou seja, a nova geração está aí, tem muita qualidade e a Ineos quer apostar nela. Froome perdeu estatuto.

"Dadas as suas conquistas, o Chris está, compreensivelmente, desejoso de ter um papel de líder único na equipa no próximo capítulo da sua carreira, o que é algo que não lhe conseguimos garantir neste ponto. Uma saída da Ineos pode certamente dar-lhe isso", disse o director da equipa, Dave Brailsford, num comunicado da equipa.

Além de Bernal, há Pavel Sivakov, Tao Geoghegan Hart, Iván Ramiro Sosa e Eddie Dunbar, só para falar dos jovens talentos. E para 2020, a Ineos ainda foi buscar Richard Carapaz à Movistar, o vencedor do Giro de 2019.

A queda no Critérium du Dauphiné em Junho do ano passado, pode até ter precipitado o fim do estatuto de líder número um da equipa. Mas a verdade é que Bernal chegou e tomou o World Tour de assalto antes disso. Froome sabia que era inevitável ter de lutar por um lugar. Não ajuda ainda a dúvida que persiste se vai voltar a ser o Froome de sempre.

Na próxima Volta a França - que arranca a 29 de Agosto - o ambiente na Ineos vai ser bem quentinho. Se em 2018 o galês Geraint Thomas desafiou a liderança de Froome e ganhou o Tour, mesmo com a equipa a manter o apoio total ao seu líder, este ano o britânico sabe que será bem diferente. Bernal é o presente e o futuro da equipa. Froome é cada vez mais o passado.

Para não arriscar ficar em segundo plano, Froome deixa o conforto da Ineos. Para já, as palavras são muito de circunstância. "Sinto que podemos alcançar grandes feitos juntos", disse Froome sobre a mudança.

Construir um bloco forte

Mas é de facto um enorme desafio para o ciclista e para a nova equipa. A Israel Start-Up Nation era do escalão Continental em 2015. Em 2017 subiu ao segundo e este ano é World Tour, depois de ficar com licença da extinta Katusha-Alpecin.

Além de Martin e Greipel, Nils Politt (um homem mais de clássicas) acaba por ser a grande referência, numa equipa que vai precisar de contratar muito mais e com qualidade se de facto quer levar Froome a vitórias no Tour. É nesta corrida que o ciclista está agora concentrado, pois quer não só entrar no grupo de recordistas com cinco conquistas, como quer o sexto triunfo para ser o mais ganhador de sempre na corrida mais histórica do ciclismo.

Richie Porte, actualmente na Trek-Segafredo, até já foi um nome apontado. Se se confirmasse a contratação, seria o regresso de uma dupla que foi temível. Porte foi um fiel escudeiro de Froome. Mas será que o australiano quer deixar o estatuto de líder? Aos 35 anos, também o está a perder para a nova geração, há que referir esse pormenor.

Mas para já é só um rumor. Froome também deverá ter feito as suas exigências. Poderá querer levar com ele algumas pessoas de confiança, tanto ciclistas, como membros do staff. É algo habitual nas grandes figuras. O plantel actual pode ter ciclistas de qualidade, mas não a necessária para fazer frente a uma Ineos ou Jumbo-Visma.

Esta notícia vem criar uma enorme expectativa não só para 2021, mas já para o próximo Tour. Froome é um ciclista de saída, Bernal tem lugar cativo na Ineos... Muito se vai falar desta dupla. São mais adversários, do que companheiros.

Quanto à Israel Start-Up Nation - que conta com um português na equipa, o massagista Pedro Claudino - está a viver um sonho. "O Chris é o melhor ciclista da sua geração e vai liderar a nossa equipa na Volta a França e [outras] grandes voltas. Esperemos fazer história juntos, enquanto o Chris persegue mais vitórias no Tour e nas grandes voltas, conquistas que farão do Chris um sério caso de ser considerado o melhor ciclista de sempre", afirmou Sylvan Adams, um dos donos da equipa.

É o adeus à Sky/Ineos com quem conquistou quatro Tours (mais sete etapas), duas Vueltas (mais cinco) e um Giro (com aquela famosa etapa de 80 quilómetros de fuga pela montanha até Bardonecchia e rumo à camisola rosa). E só para falar das grandes voltas.

Aconteça o que acontecer, Froome já está na história como um dos melhores de sempre. Mas já sabe... um grande campeão quer sempre mais, principalmente enquanto sente que pode alcançar vitórias!

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15 de maio de 2020

Chris Froome de saída da Ineos? Um tema diferente para se discutir

© Team Ineos
Perante um ano atípico, sem corridas e em sequer certeza se haverão corridas, pouco se fala do mercado de transferências. São vários os nomes de relevo em final de contrato, com Chris Froome a destacar-se, não fosse ele o detentor de sete vitórias em grandes voltas. Parece surreal pensar que o britânico não renovará pela Ineos, mas como 2020 está a ser algo surreal, então foi noticiado que Froome poderá estar a ponderar rumar a outra equipa. A melhor parte? Até pode sair já este Verão e fazer o Tour com as novas cores.

A notícia foi avançada ontem pelo site Cycling News e claro que criou uma onda de interesse, ainda mais quando os recentes temas vão sempre bater à pandemia e ao confinamento. Interessados no britânico não devem faltar. Afinal, mesmo estando a poucos dias de celebrar 35 anos, Froome é Froome. Além da idade, persiste a dúvida sobre se o britânico irá conseguir regressar ao nível necessário para ganhar uma Volta a França, depois da grave queda há quase um ano no Critérium du Dauphiné. Mas... Froome é Froome e muito tem o ciclista feito para passar a mensagem que vai estar forte, seja quando for que o Tour aconteça (a esperança é que arranque no final de Agosto).

Mudanças com a época a decorrer é algo muito raro no ciclismo. Entre os casos mais recentes temos, por exemplo, Rohan Dennis em 2014 - da Garmin Sharp para a BMC - e Carlos Verona em 2016, quando trocou a Etixx-Quick Step pela Orica-BikeExchange.

No caso de Froome, até não é difícil perceber porque se fala de uma eventual saída já. Há poucos dias Egan Bernal afirmou que, estando bem fisicamente, não se vai sacrificar por ninguém na Volta a França. Venceu o último Tour, tem uma qualidade e um potencial do mais elevado que se viu nos últimos anos, tem perfil de líder e é visto como o sucessor de Froome na Ineos.

Inevitavelmente, Froome sabe que se o colombiano estiver em boa forma, pode ter dificuldades em impor-se. Não será como aconteceu em 2018 com Geraint Thomas. Mesmo sendo o galês o ciclista melhor fisicamente, Froome - que tinha ganho o Giro - nunca perdeu o estatuto de líder na equipa, mesmo que Thomas tenha conseguido segurar a camisola amarela até Paris.

Thomas é outro galo para o poleiro, mas mesmo sendo um vencedor do Tour, se já em 2019 teve poucos argumentos para se impor perante Bernal, agora estará reduzido a um eventual azar ou deslize tanto do colombiano, como de Froome. No entanto, também vai afirmando que quer ser líder.

A Froome não agradará nada ter de competir num Tour sem sentir que tem toda uma equipa a apoiá-lo. Passados oito anos, Froome vê-se no lugar de Bradley Wiggins (com as devidas diferenças do que ambos alcançaram na carreira): está a perder estatuto. No entanto, não é ciclista de desistir, ou virar a cara a uma luta, a um desafio e quererá mostrar, pelo menos este ano (se houver Tour), que merece toda a confiança

Chris Froome quer competir pelo menos mais quatro anos e ganhar dois Tours, para assim ser o recordista solitário. Ficar na Ineos - sem dúvida a sua casa - parece ser sempre o caminho mais óbvio e provável. Mas, caso se confirme que está mesmo a ponderar sair, quem está interessado e (mais importante) quem pode pagar a Froome, mesmo que este reduza um pouco as exigências salariais?

Esta paragem forçada na época devido à pandemia está a deixar várias equipas com problemas financeiros preocupantes. Ainda assim, há quem vá mantendo alguma estabilidade e pode olhar para o futuro com ambição. Curiosamente, a Ineos pode ser a equipa mais poderosa financeiramente, mas a ligação do patrocinador ao mundo do petróleo - que muito desceu durante as últimas semanas - já fez abanar um pouco a estrutura da equipa de ciclismo. Porém, para já, renovar com Froome é uma opção.

Se sair, há duas equipas que já estão a ser dadas como muito interessadas: Movistar e Israel Start-Up Nation. A equipa espanhola contratou Enric Mas para preencher as vagas de Mikel Landa e Nairo Quintana, mas o jovem ciclista ainda tem muito a provar quanto a poder discutir uma grande volta, principalmente um Tour. Já tem um pódio na Vuelta, talento não lhe falta, mas não se pode ainda olhar para Mas como um forte candidato a uma vitória em França. Aos 40 anos, Alejandro Valverde continua a ser a voz de comando na equipa, mas já pouco poderá dizer se Froome chegar para tentar conquistar o seu quinto Tour.

Jose Joaquin Rojas, um dos históricos da Movistar, até brincou com a situação, abrindo as portas da formação espanhola a Froome com uma mensagem no Twitter: "Amigo, sabes que em Espanha temos boa comida e tu terás um bom apoio." Fica à consideração de Froome, que saberá que tem gregários de qualidade naquela equipa, como o português Nelson Oliveira. Outro aspecto importarnte, a empresa de telecomunicações Movistar está a entrar no mercado britânico. Froome seria um rosto excelente, a pensar no lado promocional.

A Movistar pode ter a concorrência da Israel Start-Up Nation, pelo menos a nível de interesse. A equipa que este ano chegou ao World Tour precisa muito de um líder com capacidade de vencer. Daniel Martin é um ciclista de top dez, mas não um candidato a uma vitória numa grande volta e já pouco se acredita que chegue sequer a um pódio. Nesta equipa não haverá discussões de lideranças. Se Froome assinasse seria o número um. Contudo, apesar de alguns corredores de qualidade, a formação israelita não tem um bloco que possa colocar Froome a concorrer com a Ineos, por exemplo. O magnata Sylvan Adams estará disponível para aumentar o orçamento da equipa para garantir Froome, segundo notícias divulgadas em Israel.

Olhando para o aspecto financeiro há duas equipas que dinheiro têm, interesse desportivo é que não. A UAE Team Emirates pode contratar Froome, mas, com Joxean Fernández Matxin ao leme, esta equipa está num processo de rejuvenescimento e o britânico não tem lugar. Tadej Pogacar é o jovem líder que a formação de Rui Costa e dos gémeos Oliveira quer levar à vitória no Tour e noutras grandes voltas. A Jumbo-Visma ainda menos espaço tem. Conta com demasiados líderes: Steven Kruijswijk, Primoz Roglic e Tom Dumoulin.

A Bahrain-McLaren tem agora Rod Ellingworth a coordenar e a sua longa ligação à Sky/Ineos poderia ajudar a influenciar Chris Froome. Mikel Landa é que não acharia piada nenhuma e com a equipa a ser uma das que reduziu os ordenados quando a temporada foi suspensa, seria difícil explicar aos atletas uma contratação de peso, ainda mais a meio da época e até mesmo para 2021.

Outras formações poderiam - em condições normais - surgir na lista, mas entre as dificuldades financeiras, ou o terem os plantéis com líderes definidos, percebe-se as razões de a Movistar e a Israel Start-Up Nation surgirem nos meios de comunicação social especializados como as principais candidatas, se não houver uma renovação.

Depois de tantas semanas em que falar do ciclismo actual era difícil (se não impossível) sem referir o coronavírus, pelo menos há uma novela de transferência a desenrolar-se, mesmo que no final fique tudo como está.

3 de março de 2020

Nicolas Portal, o jovem director desportivo que marcou o sucesso da Ineos

© Team Ineos
Se tanto se fala de uma nova geração de ciclistas, que tão cedo está a conquistar grandes vitórias, também se tem de falar como um jovem director desportivo se tornou uma referência, numa equipa que marca profundamente o ciclismo mundial. Nicolas Portal foi um dos homens mais importantes por trás das vitórias de Chris Froome, Geraint Thomas e Egan Bernal na Volta a França. Também ele se tornou numa das figuras da estrutura britânica, admirado e respeitado e que, sem dúvida, teve um forte contributo na importância e sucesso que a Ineos conquistou.

Infelizmente é pela pior das razões que Portal se tornou notícia esta terça-feira. Quando na Ineos se discute o que fazer com um indisciplinado Gianni Moscon, ou se tenta perceber se Chris Froome irá recuperar a sua melhor forma, o anúncio da morte de Portal deixou todos na equipa, e no mundo do ciclismo em geral, em choque. Portal sofreu um ataque cardíaco na sua casa em Andorra. Tinha apenas 40 anos. Sem surpresa, as reacções vão muito além dos ciclistas da Ineos. A palavra choque surge em muitas delas.

Como ciclista, Portal obteve alguns resultados de nota, com destaque para a vitória numa equipa no Critérium du Dauphiné, em 2004. Então representava a equipa com que tinha chegado ao profissionalismo, a AG2R. Lá estagiou em 2001, assinando contrato no ano seguinte. Em 2006 mudou-se para a espanhola Caisse d'Espargne (actual Movistar). A época de 2009 ficou marcada por problemas de saúde. Uma arritmia cardíaca fez com que perdesse parte da temporada.

No ano seguinte, a Sky contratou o francês, que cumpriu o calendário, mas no final da temporada colocou um ponto final na carreira. O projecto britânico dava os seus primeiros passos e o Dave Braisford, o director da equipa, viu em Portal um potencial reforço de qualidade para a equipa técnica. Portal viu Bradley Wiggins vencer o Tour em 2012, mas foi como um muito jovem director desportivo que ajudou Chris Froome a ganhar a mítica corrida no ano seguinte e ainda por mais três vezes. Tudo o que se seguiu faz parte da história do ciclismo e o nome de Nicolas Portal ficará sempre ligado a alguns dos maiores sucessos da então Sky, agora Ineos.

Alguns ciclistas contam que Portal tinha algumas dificuldades em comunicar com os corredores naqueles primeiros tempos na nova função. Mas o tempo, a experiência, levou-o a tornar-se numa voz de comando na equipa, tanto dentro, como fora. Brailsford, por exemplo, é um homem que pouco fala publicamente. Portal não demorou a tornar-se como um porta-voz sempre que era "chamado" pelos meios de comunicação social, por exemplo.

Numa das suas últimas entrevistas, Portal foi questionado sobre precisamente a nova geração de ciclistas, como Egan Bernal e os mais que prováveis rivais Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) e Remco Evenepoel (Deceuninck-QuickStep). Ao Cyclingnews realçou como além do talento natural, a tecnologia hoje existente permite que os jovens ciclistas tenham muito mais cedo a percepção do que podem ou não fazer, do que precisam de melhorar, de como gerir a sua evolução.

A Ineos foi uma equipa que se destacou precisamente por conseguir explorar o que tantas vezes se apelidou de ganhos marginais, actualmente algo muito trabalhado por todas as formações ao mais alto nível. Portal, o homem das tácticas, o homem que sempre incutiu confiança aos seus ciclistas, o nice guy do pelotão - como tantos o descrevem -, a voz de comando, deixa a Ineos e o ciclismo mais pobre com a sua morte precoce.

»»Kiryienka forçado a antecipar final de carreira««

11 de fevereiro de 2020

Movistar "liberta" Amador após guerra com empresário do ciclista

(Fotografia: © Team Movistar)
Depois de semanas de indefinição e de um intenso braço-de-ferro, a Movistar divulgou um curtíssimo comunicado dando conta que chegou a acordo com Andrey Amador. Vão seguir caminhos separados. O ciclista da Costa Rica tem assim o caminho livre para assinar pela Ineos, como há muito pretende. Uma batalha resolvida, mas as consequências da guerra que esta situação agravou entre o director da equipa espanhola, Eusebio Unzué, e o empresário Giuseppe Acquadro, poderão não ter ficado pela saída de importantes ciclistas da equipa no final de 2019.

Durante anos, Acquadro foi um importante aliado de Unzué na contratação de ciclistas. Com uma aposta forte nos corredores da América Latina e com a formação espanhola a ser sempre muito receptiva a estes atletas, a relação foi profícua, mas azedou rapidamente no ano passado. De tal forma, que Unzué não só afirmou que não trabalharia mais com o agente, como houve ciclistas que tiveram de deixar Acquadro caso quisessem assinar pela Movistar. Imanol Erviti é um exemplo, pois só ao deixar o empresário pôde renovar, enquanto Sergio Samitier (ex-Euskadi-Murias), teve de o fazer se queria dar o salto para esta formação do principal escalão.

Acquadro tem muita influência no ciclismo, com uma lista de alguns dos melhores ciclistas da actualidade. Em anos recentes tem-se verificado uma forte aproximação à Ineos, com Egan Bernal a ser um dos seus clientes mais mediáticos. O agente não tem problemas em admitir que se há uma equipa que paga melhor, que irá tentar colocar os seus atletas nela. Além da Ineos, a Astana também beneficia do trabalho de Acquadro, tendo, por exemplo, os irmãos Izagirre, dois ex-Movistar, com passagem pela então Bahrain-Merida.

O final da relação com a Movistar precipitou-se quando começou a tentar levar Richard Carapaz para a Ineos. Estávamos em plena Volta a Itália quando Acquadro fez saber do desejo de melhorar o salário do equatoriano. Porém, entretanto, já estaria em negociações com a Ineos. Carapaz ganhou essa grande volta, apesar de Mikel Landa ser a principal aposta da equipa espanhola e acabaria mesmo por escolher a estrutura britânica para prosseguir a carreira em 2020.

Era suposto liderar a Movistar na Vuelta, mas Carapaz foi uma semana antes competir num critérium na Holanda, sem autorização da sua equipa. Acquadro chegou a admitir que nada foi dito a Unzué, porque este teria dito não. Carapaz caiu, lesionou-se e ficou de fora da grande volta espanhola.

Entre os clientes de Acquadro está também Nairo Quintana, um ciclista que há muito que tinha entrado em rota de colisão com o responsável da Movistar e que mudou-se para a Arkéa Samsic. Mas acabaria por ser Andrey Amador a gerar definitivamente uma guerra entre Unzué e Acquadro. A meio da temporada foi anunciada a renovação de contrato do ciclista que representou a equipa espanhola durante 11 anos. No entanto, acabaria por mudar de ideias perante o interesse da Ineos e em meados de Setembro iniciou-se o complicado divórcio, com a equipa britânica na expectativa.

Acquadro afirmava que Amador não tinha assinado nada com a Movistar. Unzué dizia o contrário e afirmou que se o ciclista quisesse sair, teria de pagar. O caso acabou na UCI, que ainda não anunciou uma decisão. E já não precisa. Com a época a decorrer, Amador pode finalmente assinar pela Ineos, aguardando-se agora por este anúncio*.

Com Acquadro a ter uma lista de atletas tão relevante, a equipa pode encontrar dificuldades nos próximos anos em contratar ciclistas importantes ou emergentes, principalmente quando procurar na América Latina, a não ser que enterre o machado de guerra com o empresário.

Quanto a Amador, a Movistar limitou-se a escrever nas redes sociais que tinha chegado a acordo com ciclista e que lhe deseja o melhor para o futuro. Já o corredor foi mais emotivo na hora do adeus, agradecendo todo o apoio ao longo de 11 anos, considerando que encontrou naquela estrutura uma segunda família quando deixou o seu país (carta completa em baixo, publicada no Twitter de Amador).


O eterno gregário e a liderança que lhe escapou

Amador tornou-se num dos melhores ciclistas de trabalho do pelotão e a Ineos irá ganhar um homem muito importante na sua estrutura. Aos 33 anos, esta mudança não é para assumir um papel de maior protagonismo. Essa oportunidade surgiu em 2015 e 2016 e pensou que 2017 repetiria no Giro esse estatuto. Mas não. A equipa levou Alejandro Valverde e apesar das tentativas de Amador em ter protagonismo, o espanhol foi a aposta. Amador percebeu definitivamente que nunca seria um líder da equipa. Ainda assim, nesse 2017 foi oitavo na grande volta onde sempre se deu bem, tendo sido quarto em 2015 e envergou a camisola rosa por um dia em 2016. A Costa Rica vestiu-se dessa cor para celebrar o feito.

Com a chegada de Landa fechou-se ainda mais o espaço para ter oportunidades para lutar por resultados pessoais. Na Ineos viverá uma nova experiência, numa equipa com um ambiente mais calmo e com um ritmo de sucesso bem mais elevado. E o ordenado será vai subir, algo também importante quando já não lhe restará muito mais tempo para assinar grandes contratos. Em boa forma, não será de estranhar ver Amador ganhar um lugar entre os gregários de confiança dos líderes da equipa britânica.

Acquadro fez um "desvio" polémico em 2018

Esta situação não é a primeira polémica de uma transferência que envolve o empresário. Em 2018 ficou acordado verbalmente que Iván Ramiro Sosa, um dos colombianos em ascensão e que estava na Androni Giocattoli-Sidermec, iria para a Trek-Segafredo. Foi inclusivamente anunciado como reforço. Porém, antes que fosse colocada uma assinatura num contrato, Sosa foi "desviado" para a Ineos. Acquadro é o seu representante, tendo ainda na equipa ciclistas como Michal Kwiatkowski e Jonathan Castroviejo (um ex-Movistar). David de la Cruz é outro corredor representado por Acquadro. O espanhol deixou a Movistar rumo à UAE Team Emirates, outra equipa que o agente também já estará a reforçar relações, pois, afinal, o poderio económico tem aumentado de ano para ano.

(*NOTA: Andrey Amador assinou pela Ineos até 2022 no dia seguinte, 12 de Fevereiro.)


30 de janeiro de 2020

Kiryienka forçado a antecipar final de carreira

© Filip Bossuyt/Wikimedia Commons
Camisola aberta, ritmo certo, uma locomotiva que arruinava tantos dos adversários dos seus líderes na então Sky. O trabalho de Vasil Kiryienka tornou-se uma referência na equipa que tem dominado a Volta a França, tendo sido muito importante nas vitórias de Chris Froome. Quando a montanha chegava, lá estava ele a colocar aquele ritmo infernal para tantos, que se tornou numa imagem de marca. Era difícil atacar quando o bielorrusso estava na frente do pelotão. Aos 38 anos já preparava a sua retirada, mas queria competir mais uma temporada. Porém, uma anomalia cardíaca antecipou o adeus ao ciclismo de um atleta que também teve os seus momentos de glória, como o título mundial de contra-relógio em 2015. Porém, é inevitável ser lembrado como um como um dos melhores gregários.

A época passada já tinha ficado marcada por algumas semanas de afastamento devido ao problema que agora força a sua reforma. Ainda assim, conquistou mais uma medalha no esforço individual. Ficou com o ouro nos Jogos Europeus que se realizaram no seu país, relegando o português Nelson Oliveira para a segunda posição. Já tinha ficado de fora dos dois últimos Tours, ganhos por Geraint Thomas e Egan Bernal, mas continuava a ser visto pela Ineos como um elemento importante.

"É uma desilusão para o Kiry e para nós como equipa. Ele é verdadeiramente um dos melhores ciclistas de equipa da sua geração. Quando um corredor numa fuga olhava para trás e via o Kiry de camisola aberta na frente do pelotão, a liderar a perseguição, sabia que o seu tempo tinha terminado", salientou Dave Brailsford. O director geral da Ineos acrescentou que, apesar de ser "uma decisão difícil, é obviamente a mais correcta".

Kiryienka reforçou isso mesmo: "É um dia muito triste para mim, mas é a decisão certa, baseada no conselho que me foi dado pela equipa médica. Tive uma carreira maravilhosa e desfrutei todos os minutos com esta equipa. Foi uma viagem incrível e estou tão agradecido por todo o apoio que recebi durante a minha carreira", afirmou o ciclista, em declarações publicadas no comunicado da Ineos.

Como acontece com os gregários, as suas carreiras não podem ser reduzidas apenas a números, pois se escassearam as vitórias, foram muitas e muito importantes aquelas que ajudou outros a alcançar. No entanto, tem algumas a destacar além das já referidas, como as três etapas no Giro (em 2008, 2011 e 2015) e uma na Vuelta (2013), mais uma na Volta ao País Basco, tendo sido campeão nacional de contra-relógio em cinco ocasiões. Ao todo foram 18 triunfos como profissional.

Participou em 20 grandes voltas (sete Giros e outros tantos Tours, mais seis Vueltas). Esteve em três das quatro vitórias de Chris Froome na Volta a França e foi ainda um dos gregários do britânico no Giro que este conquistou em 2018.

Mas a sua capacidade de trabalho despontou antes da sua ida para a Sky. Kiryienka chegou ao World Tour em 2007 pela mão da Tinkoff e dois anos depois mudou-se para a actual Movistar (então Caisse d'Epargne), onde esteve quatro anos. E logo nesse 2009 esteve ao lado de Alejandro Valverde quando o "Bala" venceu a Volta a Espanha.

"Ele tinha uma forma única de manter a parte superior do corpo sólida e gerar uma enorme potência, hora após hora. A única coisa que mudava durante o seu esforço metronómico era o rosto, quando ele procurava as profundezas da energia, dando tudo pela equipa, dia após dia", salientou Brailsford.

Kiryienka pretendia realizar uma última temporada e despedir-se no final de 2020. A saúde obrigou a uma mudança de planos e tornou-se no segundo veterano a ser forçado a terminar a carreira. Por razões bem diferentes, Bernhard Eisel colocou um ponto final ao não encontrar equipa aos 38 anos. A NTT (antiga Dimension Data) não renovou e apesar do desejo de competir mais uma época, Eisel disse adeus. Foi também um ciclista com algumas vitórias importantes, mas destacou-se principalmente no trabalho para os sprinters, tendo sido um fiel companheiro de Mark Cavendish.

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22 de janeiro de 2020

Froome agenda regresso para Fevereiro numa época cheia de dúvidas

© Team Ineos
Abandonou um estágio, regressou no seguinte; a Ineos anuncia Bernal e Thomas como líderes para a Volta a França, no dia seguinte Froome diz que só vai pensar no Tour em 2020... O ciclista britânico vai estar no centro das atenções mais do que nunca. Até mais do que há dois anos, quando uma suspensão por ter superado os valores permitidos de um medicamento para a asma, pairou durante vários meses. Chris Froome já deixou bem claro que esta época será toda preparada a pensar na participação no Tour. É esse o único resultado que lhe interessa, mas para isso terá de ganhar antes uma luta: recuperar 100% das graves lesões após a queda no Critérium du Dauphiné, em Junho.

O ciclista garantiu que está a treinar normalmente, depois dos médicos lhe terem dado luz verde para o fazer. No entanto, as dúvidas são mais do que muitas, sobretudo depois das declarações de um dos directores desportivos da Ineos. Froome abandonou um dos estágios da equipa por, alegadamente, não estar em condições. Dois sites italianos, Bicisport e SpazioCiclismo, citaram o responsável Dario Cioni: "Ele não está bem e quem sabe se recuperará?"

Dias depois, Froome integrou outro estágio da Ineos, em Espanha, e até brincou com a situação. O britânico tenta demonstrar alguma confiança no processo de recuperação, já por parte dos responsáveis da equipa, o discurso é mais cauteloso. Dave Brailsford, o director principal da equipa, é um exemplo disso mesmo. Anunciou que Egan Bernal e Geraint Thomas serão co-líderes no Tour, limitando-se a dizer sobre Froome: "E claro, o Chris está a voltar. Ele ainda ambiciona muito àquela grande quinta vitória e está a trabalhar muito, no duro para regressar ao nível necessário para ser competitivo."

A nomeação de Bernal para o Tour, que venceu em 2019, não é uma surpresa e o próprio colombiano já havia confirmado, mas a escolha de Thomas é apenas mais um sinal que a Ineos quer estar preparada para ter as melhores armas, sem estar dependente da recuperação de Froome. O britânico terá todo o apoio até à Volta a França, mas a  Ineos não está a precisar de olhar para o futuro, pois já tem o novo ciclista do presente. Bernal tem apenas 23 anos, ganhou a grande volta mais desejada e até já fala de não se importar em não ter o Tour como objectivo, pois também quer conquistar o Giro e Vuelta. Claro que ao ser eleito um dos líderes, Bernal só pensa em estar a 100% para tentar vencer novamente o Tour.

A queda no Critérium du Dauphiné vai marcar a carreira de Froome. Falta saber se vai marcar como o princípio do fim, ou se haverá capacidade física e mental para o britânico ser a figura principal de uma história de quem recuperou de lesões que potencialmente poderiam tê-lo afastado do ciclismo, para entrar o restrito grupo de quem venceu o Tour em cinco ocasiões.

Mentalmente, Froome já mostrou vezes sem conta como é forte. Há dois anos lidou com a enorme pressão de toda a suspeita que recaiu sobre ele, com alguns ciclistas a expressarem que não deveria estar no Giro. Nessa corrida, mostrou mais uma vez que o darem como derrotado é um erro. Uma fuga de 80 quilómetros pela montanha para ganhar a camisola rosa foi algo simplesmente épico. Muitas das suas vitórias, principalmente no Tour, têm por trás uma Ineos fortíssima, que protege o líder como poucas equipas. Aos 34 anos, Froome sabe que a luta é só sua para recuperar fisicamente e acabar com todas as dúvidas.

Talvez seja preciso esperar até 26 de Junho, quando começa o Tour, para perceber o que reserva a Chris Froome, que sabe que não terá muito mais tempo para perseguir aquela quinta vitóra. É que além de Bernal, o que não falta na Ineos são jovens talentos preparados para ser as figuras da equipa.

Fracturas no fémur, cotovelo e em algumas costelas, no esterno, osso situado na parte anterior e média do tórax, e na vértebra C7... Depois de tudo isto, Froome não desiste. Falta aquela quinta vitória no Tour. Talvez a sexta e assim ser o recordista solitário, já seja algo que evite pensar perante o desafio que agora enfrenta. Porém, para tentar chegar à quinta, vai fazer o primeiro teste em competição em Fevereiro. A corrida eleita foi a Volta aos Emirados Árabes Unidos, de 23 a 29 do próximo mês. Em Outubro foi ao Japão para um evento de exibição e pedalou durante 3,1 quilómetros. Agora começa a ser mais sério.

Infelizmente para os adeptos portugueses, esta decisão afasta Froome da Volta ao Algarve. Ainda chegou a ser falada como possível a sua vinda ao sul do país, mas com o final em Lagoa a ser no dia em que arranca a prova nos Emirados, será Geraint Thomas a estrela da Ineos na Algarvia, onde irá procurar a sua terceira vitória.


14 de janeiro de 2020

Ineos completa pelotão de uma Volta ao Algarve com novo 'naming'. Feirense fica de fora

(© João Fonseca Photographer)
Onze equipas World Tour, quatro do segundo escalão e as portuguesas Continentais, ainda que com uma ausência. A pouco mais de um mês do arranque de um dos grandes eventos de ciclismo em Portugal, o único que traz ao país alguns dos melhores do mundo da modalidade - este ano há a "concorrência" da Vuelta que terá duas etapas a passar por cá -, foi confirmada oficialmente a presença da Ineos, o que faz com que a 46ª edição vá contar com 11 das 19 equipas da principal categoria. Além disso juntam-se cinco ProTeams, com a novidade a ser a espanhola Fundación-Orbea, uma vez que a Alpecin-Fenix já tinha confirmado ter escolhido para este início de temporada a Volta ao Algarve Cofidis, o novo naming da prova.

Entre os ciclistas que já anunciaram a presença no sul do país entre 19 e 23 de Fevereiro, não haverá dúvidas que o pelotão será novamente de luxo. Vincenzo Nibali e Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Remco Evenepoel (Deuceninck-QuickStep), Philippe Gilbert (Lotto Soudal), Max Schachmann (Bora-Hansgrohe), sem esquecer o regresso de Rui Costa, que terá ao seu lado na UAE Team Emirates Ivo Oliveira, Mikkel Bjerg e Alexander Kristoff, são alguns exemplos.

Mais confirmações de ciclistas deverão acontecer até ao final do mês, com Geraint Thomas também a ter apontado a Algarvia como local para preparar a temporada, sendo uma corrida que já venceu por duas ocasiões. Pode ser o primeiro estrangeiro a conquistá-la por três vezes, feito igualmente ao alcance do seu companheiro, Michal Kwiatkowski. O polaco também poderá ser mais uma das estrelas na prova, com a Ineos a ser uma equipa com hábitos vencedores no Algarve, quando se chamava Sky. Greg van Avermaet (CCC) preferirá igualmente uma viagem a Portugal. Chris Froome (Ineos) e Mathieu van der Poel (Alpecin-Fenix) são dois nomes que estão a gerar alguma expectativa. O holandês já foi dado como certo por alguma imprensa, mas falta a confirmação oficial. O britânico, dado estar a recuperar das lesões contraídas na queda em Junho, ainda não tem qualquer calendário definido, a não ser o objectivo de estar na Volta a França.

Quanto às ProTeams (nova designação das equipas Profissionais Continentais), a Fundación-Orbea fará a sua estreia, naquele que é o primeiro ano da estrutura neste escalão. No ano passado, como Continental, esteve no nosso país e nunca passou despercebida, tendo sido, por exemplo, uma das principais animadoras da Volta a Portugal e venceu uma etapa na Volta ao Alentejo, por intermédio de Sergio Higuita. A equipa basca gosta de andar ao ataque. Também a norueguesa Uno-X conhece o país. Seguiu o exemplo de subida de escalão e esta presença irá fazer com que a Algarvia seja acompanhada na Noruega.

Apesar de ser uma corrida atractiva para algumas das principais equipas mundiais, há sempre espaço para as formações portuguesas. 2020 não será excepção, mas o Feirense fica de fora. Com a perda de patrocinadores, a equipa sofreu uma reestruturação e a inscrição surgiu um pouco mais tarde. Fica de fora da Algarvia, mas estará na estrada nas restantes corridas portuguesas.

São várias as competições que se realizam na mesma altura da Volta ao Algarve, numa fase do calendário cada vez mais preenchida. Ainda assim, as formações do World Tour continuam a eleger a Algarvia como uma das suas preferidas. A parceria com a Cofidis, cujo contrato foi esta terça-feira assinado entre a empresa e a Federação Portuguesa de Ciclismo, vem reforçar o estatuto e interesse que a corrida gera, tendo um orçamento a rondar os 600 mil euros. Porém, este acordo não significou que a equipa Cofidis estivesse presente, algo que aconteceu em anos recentes. O pelotão será forte, mas é difícil não lamentar que a Jumbo-Visma tenha escolhido outras paragens em 2020 que não o Algarve. Primoz Roglic, vencedor da última Vuelta, tem o seu nome entre os vencedores (2016) e Dylan Groenewegen gosta de ganhar por cá ao sprint.

De referir que a Cofidis também patrocina o Algarve Granfondo, que se realiza no último dia da corrida e vai em conjunto com a federação dinamizar a prática de base, recreativa, desportiva e utilitária do ciclismo junto dos mais jovens, através do já existente programa O Ciclismo Vai à Escola.

As 24 equipas da 46ª Volta ao Algarve Cofidis

WorldTeams (nova designação das equipas World Tour): Astana, Bora-Hansgrohe, CCC, Deceuninck-QuickStep, Groupama-FDJ, Ineos, Israel Start-Up Nation, Lotto Soudal, Sunweb, Trek-Segafredo e UAE Team Emirates.

ProTeams: Alpecin-Fenix, Caja Rural, Circus-Wanty Gobert, Fundación-Orbea e Uno-X.

Continentais: Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel, Aviludo-Louletano, Efapel, Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense, LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua, Rádio Popular-Boavista e W52-FC Porto.

»»Evenepoel na Volta ao Algarve. E Van der Poel?««

»»Os perfis das cinco etapas da Volta ao Algarve««

6 de janeiro de 2020

Os colegas de equipa de João Almeida e Ruben Guerreiro e a estreia da Israel Start-Up Nation

Continuando com a apresentação das equipas do principal escalão, é inevitável destacar a presença de dois jovens talentos portugueses. João Almeida vai estrear-se no World Tour numa das melhores equipas, a Deceuninck-QuickStep. Já Ruben Guerreiro prepara-se para o seu quarto ano, ainda que com novas cores, representando agora a americana EF Pro Cycling, depois de duas temporadas na Trek-Segafredo e uma na Katusha-Alpecin.

Depois há a Ineos e Jumbo-Visma cujo frente-a-frente na Volta à França é cada vez mais aguardado com enorme expectativa, principalmente depois de conhecida a decisão da formação holandesa em apostar no trio Roglic/Kruijswijk/Dumoulin, com a Ineos a levar o vencedor de 2019, Egan Bernal, quer Chris Froome recupere ou não das graves lesões da queda no Critérium du Dauphiné, em Junho.

Neste grupo de sete hoje publicado, das 19 WorldTeams (como são agora apelidadas as equipas pela UCI), há ainda que referir a estreia da Israel Start-Up Nation, ex-Israel Cycling Academy, que passa a ser o nome da equipa de desenvolvimento, que está no escalão Continental. A estrutura israelita chega à categoria principal depois de comprar a licença da Katusha-Alpecin. Ficou com sete ciclistas da equipa que saiu de cena, mas contratou também nomes bem conhecidos como Daniel Martin e André Greipel.

Pode ver neste link as primeiras seis equipas publicadas no domingo.

Deceuninck-QuickStep
(© Sigfrid Eggers/Deceuninck-QuickStep)
Julian Alaphilippe, Remco Evenepoel, Bob Jungels, Yves Lampaert, Zdenek Ztybar, Fabio Jakobsen, Álvaro Hodeg, Kasper Asgreen, Rémi Cavagna, Tim Declercq, Dries Devenyns, Mikkel Frolich Honoré, Iljo Keisse, James Knox, Michael Morkov, Florian Sénéchal e Pieter Serry.

Reforços: João Almeida (Hagens Berman Axeon), Sam Bennett (Bora-Hansgrohe), Shane Archbold (Bora-Hansgrohe), Mattia Cattaneo (Androni Giocattoli-Sidermec), Bert van Lerberghe (Cofidis), Davide Ballerini (Astana), Stijn Steels (Roompot-Charles), Andrea Bagioli (Colpack), Ian Garrison (Hagens Berman Axeon), Jannik Steimle (Vorarlberg Santic) e Mauri Vansevenant a partir de 1 de Julho (EFC-L&R-Vulsteke).

Saídas: Philippe Gilbert (Lotto Soudal), Elia Viviani (Cofidis), Enric Mas (Movistar), Max Richeze (UAE Team Emirates), Eros Capecchi (Bahrain McLaren), Petr Vakoc (Alpecin-Fenix), Fabio Sabatini (Cofidis) e Davide Martinelli (Astana).

EF Pro Cycling
(© EF Pro Cycling)
Rigoberto Uran, Daniel Martínez, Sergio Higuita, Sep Vanmarcke, Hugh Carthy, Michael Woods, Sebastian Langeveld, Tejay van Garderen, Alberto Bettiol, Sean Bennett, Jonathan Caicedo, Simon Clarke, Lawson Craddock, Mitchell Docker, Moreno Hofland, Alex Howes, Tanel Kangert, Lachlan Morton, Owen Logan, Tom Scully, Julius van den Berg, Luis Villalobos e James Whelan.

Reforços: Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin), Neilson Powless (Jumbo-Visma), Jens Keukeleire (Lotto Soudal), Magnus Cort (Astana), Kristoffer Halvoresen (Ineos), Jonas Rutsch (Lotto-Kern Haus) e Stefan Bissegger (Swiss Racing Academy).

Saídas: Sacha Modolo (Alpecin-Fenix), Daniel McLay (Arkéa Samsic), Joe Dombrowski (UAE Team Emirates), Nathan Brown (Rally Cycling), Matti Breschel e Taylor Phinney terminaram a carreira.

Groupama-FDJ
(© Groupama-FDJ)
Thibaut Pinot, David Gaudu, Arnaud Démare, Stefan Küng, Rudy Molard, Anthony Roux, Marc Sarreau, Bruno Armirail, William Bonnet, Mickaël Delage, Antoine Duchesne, Kilian Frankiny, Kevin Geniets, Jacopo Guarnieri, Ignatas Konovalovas, Matthieu Ladagnous, Olivier le Gac, Tobias Ludvigsson, Valentin Madouas, Sébastien Reichenbach, Miles Scotson, Romain Seigle, Ramon Sinkeldam, Léo Vincent e Benjamin Thomas.

Reforços: Fabian Lienhard (IAM Excelsior), Alexys Brunel e Simon Guglielmi (ambos da equipa Continental da Groupama-FDJ).

Saídas:Daniel Hoelgaard (Uno-X Norwegian), Benoît Vaugrenard e Steve Morabito terminaram a carreira.

Ineos
(© Team Ineos)
Chris Froome, Egan Bernal, Geraint Thomas, Michal Kwiatkowski, Tao Geoghegan, Pavel Sivakov, Iván Ramiro Sosa, Dylan van Baarle, Jonathan Castroviejo, Leonardo Basso, Owain Doull, Eddie Dunbar, Filippo Ganna, Michal Golas, Sebastián Henao, Vasil Kiryienka, Christian Knees, Chris Lawless, Gianni Moscon, Jhonatan Narváez, Salvatore Puccio, Luke Rowe, Ian Stannard e Ben Swift.

Reforços: Richard Carapaz (Movistar), Rohan Dennis (Bahrain-Merida), Brandon Smith Rivera (GW-Shimano), Ethan Hayter (Great Britain Cycling Team) e Carlos Rodriguez (Kometa sub-19).

Saídas: Wout Poels (Bahrain McLaren, David de la Cruz (UAE Team Emirates), Diego Rosa (Arkéa Samsic), Kenny Elissonde (Trek-Segafredo) e Kristoffer Halvorsen (EF Pro Cycling).

Israel Start-Up Nation
(© Israel Start-Up Nation)
Matthias Brändle, Matteo Badilatti, Rudy Barbier, Guillaume Boivin, Davide Cimolai, Alexander Cataford, Itamar Einhorn, Omer Goldstein, Ben Hermans, Guy Niv, Guy Sagiv, Krists Neilands, Mihkel Räim e Tom Van Asbroeck.

Reforços: André Greipel (Arkéa Samsic), Daniel Martin (UAE Team Emirates), Rory Sutherland (UAE Team Emirates), Daniel Navarro, Alex Dowsett, Nils Politt, Mads Würtz Schmidt, Rick Zabel, Reto Hollenstein, Jenthe Biermans (todos da Katusha-Alpecin cuja licença World Tour a equipa israelita comprou), Hugo Hofstetter (Cofidis), Patrick Schelling (Voralberg Santic), Travis McCabe (Floyd's Pro Cycling), James Piccoli (Elevate-KHS Pro Cycling), Alexis Renard (Côtes d'Armor-Marie Morin) e Norman Vahtra (Cycling Tartu).

Saídas: Kristian Sbaragli (Alpecin-Fenix), Edwin Ávila, Ben Perry, Daniel Turek e Awet Gebremedhin (Israel-Start Up Nation Devo - equipa Continental), Sondre Holst Enger (Riwal Readynez), August Jensen (Riwal Readynez), Riccardo Minali (Nippo Delko One Provence), Nathan Earle (Ukyo), Dennis van Winden (sem equipa), Clément Carisey (Team Pro Immo Nicolas Roux), Hamish Schreurs (sem equipa), Rubén Plaza, Conor Dunne e Roy Goldstein terminaram a carreira.

Jumbo-Visma
(© Jumbo-Visma)
Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, Dylan Groenewegen, Wout van Aert, George Bennett, Laurens de Plus, Tony Martin, Koen Bouwman, Pascal Eenkhoorn, Robert Gesink, Lennard Hofstede, Amund Grondahl Jansen, Sepp Kuss, Tom Leezer, Bert-Jan Lendeman, Paul Martens, Timo Roosen, Mike Teunissen, Antwan Tolhoek, Taco van der Hoorn, Jonas Vingegaard, Maarten Wynants e Jos van Emden.

Reforços: Tom Dumoulin (Sunweb), Christoph Pfingsten (Bora-Hansgrohe), Chris Harper (BridgeLane) e Tobias Foss (Uno-X).

Saídas: Neilson Powless (EF Pro Cycling), Danny van Poppel (Circus-Wanty Gobert), Floris de Tier (Alpecin-Fenix) e Daan Olivier (terminou a carreira em Maio).

Lotto Soudal
(© Lotto Soudal)
Tim Wellens, Thomas de Gendt, Caleb Ewan, Sander Armée, Jasper de Buyst, Stan Dewulf, Frederik Frison, Carl Fredrik Hagen, Adam Hansen, Rasmus Iversen, Roger Kluge, Nikolas Maes, Tomasz Marczynski, Remy Mertz, Gerben Thijssen, Tosh van der Sande, Brian van Goethem, Brent Van Moer, Harm Vanhoucke e Jelle Wallays.

Reforços: Philippe Gilbert (Deceuninck-QuickStep), John Degenkolb (Trek-Segafredo), Steff Cras (Katusha-Alpecin), Jonathan Dibben (Madison Genesis), Matthew Holmes (Madison Genesis), Stefano Oldani (Kometa), Kobe Goossens (Lotto Soudal sub-23), Florian Vermeersch a partir de 1 de Junho, fará a primeira fase da época na Lotto Soudal sub-23 (estava na Creafin-Tuv Sud em 2019).

Saídas: Tiesj Benoot (Sunweb), Lawrence Naesen (AG2R), Jens Keukeleire (EF Pro Cycling), Victor Capenaerts (NTT), Jelle Vanendert (Bingoal-Wallonie Bruxelles), Enzo Wouters (Tarteletto-Isorex), Maxime Monfort e Adam Blythe terminaram a carreira.