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21 de dezembro de 2019

Frente unida na Jumbo-Visma para lutar pela Volta a França

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Para quê esperar? A Jumbo-Visma tem mostrado em épocas recentes que quer fazer frente à Ineos na Volta a França e em 2020 a rivalidade vai subir de tom. A equipa holandesa está preparada para olhar olhos nos olhos a formação britânica na grande volta que a Ineos tem dominado e não vai fazer por menos: levará os três líderes e assume que é o ano que não vai "apenas" almejar o pódio. É para ganhar. E por isso, nem esperou mais. Não se deixa arrastar por novelas de quem será o líder, como irá dividir as responsabilidades... Não! A Jumbo-Visma anunciou os oito eleitos para o Tour e também para o Giro e Vuelta.

Não se pode dizer que seja uma novidade. Já para esta época que terminou, anunciou bastante cedo os elementos que iriam ao Giro, mas desta feita foi mais longe. Portanto, sem mais demoras:

Volta a Itália: Dylan Groenewegen, George Bennett, Antwan Tolhoek, Koen Bouwman, Lennard Hofstede, Paul Martens, Amund Grondahl Jansen e Mike Teunissen;

Volta a França: Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, Tom Dumoulin, Wout van Aert, Robert Gesink, Sepp Kuss, Laurens de Plus e Tony Martin;

Volta a Espanha: Steven Kruijswijk, Dylan Groenewegen, Mike Teunissen, Robert Gesink, Jos van Emden, Koen Bouwman, Sepp Kuss e Tony Martin.

Com a contratação de Tom Dumoulin e tendo em conta que o Giro terá três contra-relógios, a hipótese mais falada era a Jumbo-Visma levar este ciclista a Itália (e o próprio não se importaria já que o percurso do Tour não é muito ideal para ele), Roglic a França e Kruijswijk a Espanha (este dois iriam inverter os objectivos comparativamente com 2019). Mas não. 

"Fizemos uma análise a todas as grandes voltas dos últimos cinco anos. Qual era a influência dos contra-relógios na classificação final? Qual era a composição da equipa que conseguiu conquistar e defender a camisola [da liderança]? Descobrimos um elemento em comum. Temos de ir ao Tour com a equipa mais forte possível. Assim teremos uma hipótese de ganhar. Vamos fazer tudo para conquistar a amarela. Estamos muito felizes, orgulhosos e motivados para o fazer", explicou Merijn Zeeman, o director desportivo, durante a apresentação da equipa.

Dumoulin, Roglic e Kruijswijk falam no colectivo e de como querem fazer parte da equipa que ganhará a Volta a França. Nenhum se assume como líder. Discurso para mostrar união, mas claro que este tipo de decisão levanta sempre algumas dúvidas. O passado recente não tem um bom exemplo: o tridente da Movistar (Alejandro Valverde, Mikel Landa e Nairo Quintana) foi uma experiência falhada de liderança tripartida. Os egos meteram-se no caminho e todos queriam ganhar, não estando muito interessados em trabalhar para os companheiros.

Ciclistas diferentes, de personalidades diferentes, mas passar das palavras aos actos, será o objectivo principal da Jumbo-Visma para garantir que terá de facto uma frente unida para lutar com a Ineos. "Toda a força, com os três líderes! É muito bom descobrir que os três estamos na mesma página", disse Dumoulin. E no papel a equipa é fortíssima, não só por este trio, mas pelos gregários de luxo que tem e um Wout van Aert que ajudará quando for preciso, mas será também um ciclista para conquistar alguma etapa ao sprint, um objectivo secundário em 2020 na Volta a França.

É por isso que nesta super equipa não há espaço para um dos melhores sprinters do momento. Dylan Groenewegen teve de abrir mão de um Tour que a Jumbo-Visma já só tem interesse em vencer na geral. Porém, é um ciclista que os responsáveis não querem ver insatisfeito, pelo que lhe vão dar a oportunidade de se tornar em mais um a ganhar etapas nas três grandes voltas. Vai ter apoio no Giro e Vuelta, eventualmente também a pensar na camisola dos pontos. Vai ainda apostar forte na Milano-Sanremo. O holandês deixou a mensagem que está feliz com o calendário para 2020. Tem 26 anos e muito tempo para regressar ao Tour no futuro.

E no que diz respeito a monumentos, Wout van Aert - ainda a recuperar da grave lesão após queda na Volta a França - vai com tudo para a Volta a Flandres e Paris-Roubaix, além de ser o líder para as restantes clássicas do pavé. Eventualmente Groenewegen terá a sua oportunidade em alguma mais propícia para sprinters, como a AG Driedaagse Brugge-De Panne. Para a Liège-Bastogne-Liège, Roglic assumiu o desejo de tentar vencer o monumento das Ardenas e nesta semana de três clássicas belgas, Dumoulin prefere a Amstel Gold Race.

Mas regressando às grandes voltas. A nível de geral a concentração estará no Tour, mas não significa que Groenewegen tenha exclusividade no Giro e Vuelta. A Jumbo-Visma levará ciclistas para lutar por uma vitória final, sendo provas em que o colectivo tem importância, mas não tem sido tão essencial como acontece na corrida francesa. Em Itália, George Bennett terá novamente a sua oportunidade. Tem sido difícil a sua afirmação como líder, mas mostrou ser um gregário importante. Com a chegada de Dumoulin, ir ao Giro sem ter de trabalhar para um dos três líderes é definitivamente um momento que o neozelandês tem de aproveitar.

Ainda assim o Giro será muito centrado em Groenewegen, mas a Vuelta é sempre tão montanhosa, que se justifica levar um Kruijswijk ainda à procura de uma vitória em grandes voltas, ainda que o terceiro lugar no Tour de 2019 tenha tido um sabor muito especial. Só ter Gesink e Kuss a seu lado é a prova de como a Jumbo-Visma não quer abdicar por completo de estar na luta por vencer novamente em Espanha, depois da conquista de Roglic em Setembro último.

Na teoria, a Jumbo-Visma tem uma equipa fortíssima, seja para o Tour, seja para as clássicas ou para os sprints. Será candidata a vencer muitas corridas. Mas na Volta a França, um dos assuntos mais falados será certamente como irá este trio com tanta ambição individual funcionar quando for necessário escolher alguém, a não ser que a estrada ajude nessa selecção. E depois será preciso ver se, ao contrário do que aconteceu na Movistar, quem "ficar para trás" na luta pela geral, assume o papel de ajudar quem estiver em condições de ganhar a camisola amarela.

O mais animador é ver uma equipa que tem tudo para definitivamente fazer a Ineos suar bastante no Tour. O ciclismo e a Volta a França ficam a ganhar.

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20 de dezembro de 2019

A dor de cabeça para a atribuição dos convites

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
A mudança de regras para 2020 quanto à atribuição convites para as grandes voltas, além dos 18 lugares automaticamente atribuídos às equipas do World Tour, tornaram-se numa dor de cabeça para as organizações. Passaram de quatro para dois. A tendência recaía muito em dar um wildcard às equipas Profissionais Continentais da casa, o que era e é sempre essencial para manter alguns desses projectos na estrada. Porém, com escolha limitada, também as "estrangeiras" que procurarem um desses convites vêem a probabilidade reduzir drasticamente. É em Espanha onde a concorrência está mais acesa.

Dos quatro lugares até agora disponíveis, um foi ocupado com a subida da Cofidis a World Tour. Passam a ser 19 as equipas neste escalão. A nova regra determina que a melhor equipa Profissional Continental do ranking ganha acesso às três grandes voltas. A vencedora foi a Total Direct Energie, tal como a Cofidis, uma formação francesa. Com os percursos de Giro, Tour e Vuelta já conhecidos, agora falta saber quais serão as eleitas para completar o pelotão que continuará a ser de 22 equipas neste tipo de corridas.

Na Volta a Itália, de 9 a 31 de Maio, uma outra regra ajudou o director Mauro Vegni a respirar de alívio. Uma consequência da diminuição de convites, é que sem ter a perspectiva de uma presença na grande volta do país dessa equipa, é também difícil convencer patrocinadores a financiarem estruturas do segundo escalão. Para os italianos é ainda mais grave tendo em conta que neste momento não têm qualquer equipa World Tour. 

Em 2017, por exemplo, a Androni ficou de fora porque a organização convidou duas equipas estrangeiras e apenas duas da casa: a polaca CCC e a russa Gazprom-RusVelo. Houve polémica. A Androni resolveu desde então essa questão vencendo a Taça de Itália, que dava entrada directa no Giro, ou seja, a equipa que ganhasse ficava com um convite. Isso acaba a partir de 2020. Nas duas últimas edições, a Israel Cycling Academy ficou com um wildcard o que atirou para fora do Giro uma das quatro formação italianas.

A situação já não era ideal, mas ia havendo esperança de um convite. Porém, com quatro equipas italianas e com as novas regras, ficava a certeza que não haveria espaço para todas. A Nippo Vini Fantini Faizanè fechou portas. Vegni continuava a ter de deixar uma equipa de fora e perante o panorama de ver importantes estruturas terminarem, deixar uma equipa italiana de fora começa a ter repercussões mais graves no ciclismo daquele país.

É aqui que entra uma das nova regras que poderá salvar a situação para as três sobreviventes Profissionais Continentais em Itália: Bardiani-CSF-Faizanè, Androni Giocattoli-Sidermec e Vini Zabú-KTM. A vencedora do ranking - neste caso a Total Direct Energie - pode abdicar da presença numa ou mais grandes voltas. Foi o que aconteceu. Os responsáveis da equipa francesa admitiram que não tinham condições para fazer um calendário tão exigente, já que têm de cumprir com as obrigações com os patrocinadores de competir muito em França. Alguns meios de comunicação social avançaram que Mauro Vegni terá ajudado a persuadir a esta escolha, inclusivamente dando dinheiro em troca. Algo não confirmado. Problema resolvido com esta renúncia, não esquecendo que a Israel Cycling Academy (Israel Start-Up Nation em 2020) também será World Tour depois de ter comprado a licença da Katusha-Alpecin, pelo que não entrará nas contas dos convites.

Viajando até França. No Tour (de 27 de Junho e 19 de Julho) a situação até nem se altera muito. Dos quatro convites, três estavam a ir para as equipas da casa, com a belga Wanty Groupe-Gobert (futura Circus-Wanty Gobert) a ficar com o quarto. A Delko Marseille sido excluída, mas é compensada com a presença em clássicas e em corridas por etapas da ASO, como o Paris-Roubaix e o Paris-Nice, por exemplo. Já a Vital Concept-B&B Hotels, criada em 2018, não ficou nada satisfeita por ficar de fora nas últimas duas edições.

Portanto, no Tour, a Cofidis e a Total Direct Energie eram crónicas convidadas, assim como a Arkéa-Samsic, que também não terá problemas em assegurar uma entrada para 2020. Portanto, a Vital Concept-B&B Hotels (o nome dos patrocinadores irá inverter-se a partir de Janeiro) e a Circus-Wanty Gobert estarão na luta pelo último wildcard, com a formação belga a já ter a garantia que estará nas clássicas, pois ao ser segunda do ranking, garantiu esses lugares. A Delko - que terá José Gonçalves no seu plantel - continua a "jogar por fora".

É em Espanha que a concorrência está maior. A Total Direct Energie não abdicou da sua entrada na Vuelta, pelo que só haverá mesmo dois convites. O director Javier Guillén tem estendido a mão às equipas espanholas que surgiram recentemente no segundo escalão, mas agora não o poderá fazer. Ou seja, havia a Caja Rural e nos últimos dois anos a Burgos-BH e Euskadi-Murias subirão ao segundo escalão e foram convidadas. A última não vai para a estrada em 2020, mas chegará a Fundação Euskadi, ou melhor Fundacíon-Orbea (a quarta convidada era a Cofidis, que apesar de ser francesa, a empresa tem muito peso no ciclismo espanhol, sendo, por exemplo, um patrocinador da federação).

Mas a francesa Arkéa-Samsic também quer estar na Vuelta e o seu reforço, Nairo Quintana, até foi à apresentação do percurso. E depois há Mathieu van der Poel. O holandês gostaria de se estrear numa grande volta em Espanha. Resultado, Javier Guillén já alertou que, apesar do orgulho em ter um ciclista como Van der Poel a querer ir à Vuelta, não haverá lugar para a Corendon. Guillén salientou que a prioridade irá para as equipas espanholas, o que criará problemas à Arkéa-Samsic.

Contudo, se o critério caseiro subsistir, qual ficará de fora? A Caja Rural tem uma década de história e tal terá o seu peso. A Fundacíon-Orbea pode só agora chegar ao nível de Profissional Continental, mas o entusiasmo em redor desta equipa e a força do ciclismo basco poderá dar argumentos para lutar com a Burgos-BH, mesmo que esta última tenha feito uma boa Vuelta em 2019 (Ángel Madrazo venceu uma etapa e andou vários dias com a camisola de líder da montanha).

Sendo a última grande volta (de 14 de Agosto a 6 de Setembro), é possível que os convites só sejam atribuídos no mês de Abril, ou seja, a temporada que as equipas estiverem a realizar será outro dos argumentos de peso.

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5 de dezembro de 2019

Total Direct Energie renuncia à Volta a Itália

(Imagem: © Team Total Direct Energie)
No ano em que começou a nova forma de apurar equipas  do segundo escalão para as corridas World Tour, não sendo agora apenas por convite, a Total Direct Energie foi a melhor entre as Profissionais Continentais, mas não vai aproveitar a vaga que estava à sua espera para a Volta a Itália. O director da equipa francesa justifica a decisão com o facto de ter um número insuficiente de ciclistas que lhe permita atacar todas as provas do principal calendário, além do calendário mais caseiro que pretende fazer, ainda que não tenha adiantado se irá renunciar a mais alguma das participações a que tem direito.

"Depois de discutir com os responsáveis desportivos, decidimos não ir. Apesar de estarmos muito felizes pelo primeiro lugar no ranking Pro Continental em Outubro, o nosso recrutamento está quase completo. Não tivemos tempo suficiente para ajustar a nossa força de trabalho", salientou Jean-René Bernaudeau, no comunicado divulgado pela Total Direct Energie. O director da estrutura acrescentou: "Colocar-nos-íamos em perigo se fossemos lá [à Volta a Itália]. O plantel não é suficiente para ter sucesso na Milano-Sanremo, corridas da Flandres, o Giro e a Volta a França."

A possibilidade da Total Direct Energie renunciar à Volta a Itália já tinha sido avançada pelo jornal L'Equipe, que escreveu que o responsável pela prova italiana teria entrado em contacto com Bernaudeau para o persuadir a não ir ao Giro. Assim abriria uma vaga para que pudesse ser convidada uma equipa da casa. Vegni estaria também disponível a compensar financeiramente a formação francesa se renunciasse. 

A compra da Total da empresa Direct Energie traduziu-se não só na continuidade do patrocínio à equipa de ciclismo, como um reforço no orçamento. A formação chegou a ser dada como uma das interessadas em subir ao escalão World Tour, sendo uma das favoritas para conseguir as duas novas licenças que então estavam disponíveis. No entanto, a Total Direct Energie optou por se manter como Profissional Continental e, como é tão natural nas formações deste país, a principal aposta é sempre as competições internas. A AG2R e a Groupama-FDJ estão há muito no World Tour e mesmo assim olham muito para a conquista de bons resultados nas provas francesas, sejam ou não da principal categoria.

A Total Direct Energie vai continuar a olhar para a Volta a França, ainda que a Vuelta deva entrar nos planos da equipa. Já na primeira fase da temporada, as clássicas serão objectivo, ainda mais quando tem um Niki Tepstra na equipa.

Em Itália, a notícia terá sido recebida com alívio pelas três equipas do país que restam no segundo escalão. A Androni Giocattoli-Sidermec, Bardiani-CSF-Faizanè e Neri Sottoli-Selle Italia não terão de lutar por dois convites. Vegni está mais do que interessado em ter as três no Giro numa altura em que o ciclismo italiano perdeu mais uma das equipas que era Profissional Continental. A Nippo-Vini-Fantini fechou portas, em parte por ter uma possibilidade reduzida de participar no Giro. E há que não esquecer que Itália não tem qualquer equipa no World Tour desde que a Lampre-Merida foi vendida à UAE Team Emirates, no final de 2016.

Num outro pormenor relativo à Total Direct Energie, a equipa apresentou há uns dias os novos equipamentos, que não sofreram alterações de maior comparativamente aos que foram adoptados com a chegada da Total. As mangas passam a ser vermelhas (como se pode ver na fotografia em cima), com a justificação que assim os adeptos poderão identificar mais rapidamente os ciclistas da formação francesa.


1 de dezembro de 2019

Giro ou Tour? Para Bernal não é preciso escolher

(Fotografia: © Team Ineos)
Com tantos líderes na equipa, faz-se um pouco de jogo de adivinhas para tentar perceber como vai a Ineos dividir os seus ciclistas pelas três grandes voltas. Talvez mais do que nunca a formação britânica tem potencial para ganhar as três no mesmo ano, já que conta também com um lote alargado de excelentes corredores que podem ser divididos pelas corridas para ajudar os líderes. É o que dá ter jovens que já não são apenas promessas. No centro deste jogo de adivinhas está Egan Bernal, que sabe bem o que quer fazer em 2020: o Giro e o Tour. Não é preciso escolher apenas uma das corridas.

A decisão já mais do que conhecida é que Chris Froome vai dar o tudo por tudo para ganhar a quinta Volta a França. Porém, a sua condição física é uma enorme incógnita após a queda durante o Critérium du Dauphiné. Egan Bernal venceu o Tour em 2019 e não vê os seus quase 23 anos na perspectiva de ter ainda muito tempo para ganhar mais e assim poder "ceder" uma edição para ajudar Froome. Bernal vê que sendo muito jovem já cumpriu o seu sonho e agora quer mais. E a sua atenção não se centra apenas na prova francesa.

No entanto, a Ineos contratou Richard Carapaz, que venceu o Giro esta época com a Movistar, sendo que Geraint Thomas - vencedor do Tour em 2018 - deverá ser "empurrado" para a grande volta italiana. A Ineos gostaria de ver Bernal ao lado de Froome sem ter nas pernas uma Volta a Itália e talvez levar depois o colombiano à Vuelta. Caso o britânico não consiga discutir a vitória, Bernal assumiria de imediato as rédeas.

Porém, o colombiano já tem vindo a dizer o quanto gostou do percurso do Giro e agora não deixou dúvidas quanto ao que vai defender no próximo estágio da equipa, quando a próxima temporada ficar mais delineada: "Gostaria de correr o Giro e depois ir ao Tour. Estou super entusiasmado com a possibilidade de fazer o Giro. Fazer as duas é muito complicado, mas se tomarmos a decisão, poderíamos fazê-lo bem."

O ciclista realçou ainda que sabe que é "quase impossível" ganhar as duas, mas diz ser "uma pessoa muito aberta para ir seja ao Giro, Tour e Vuelta", pois "afinal são três corridas muito importantes". E Bernal quer ganhar todas durante a sua carreira. Salientou como não sente qualquer pressão e que na Ineos as opiniões dos ciclistas são ouvidas. "Entre todos vamos tentar chegar a um calendário ideal para que nos sintamos cómodos e agradados com as corridas e papéis que vamos ter", afirmou na entrevista dada ao jornal espanhol As.

Egan Bernal parece estar mesmo decidido em correr um Giro que não fez durante a sua passagem de duas épocas pela formação italiana Androni: "É uma corrida muito bonita.Vivi lá dois anos e tenho bastantes amigos. Já corri o Tour, portanto, poderia tentar Itália."

Se a Ineos aceitar a ideia de Bernal, então muito se falará de como será a relação com Carapaz, com o equatoriano a já estar habituado a partilhar lideranças e partir em segundo plano. Este ano aconteceu no Giro que ganhou, com Mikel Landa a ser a escolha número um da Movistar no arranque da prova. Thomas poderá passar para terceira opção ou quanto muito esperar por uma Vuelta, sem garantias que seja o líder indiscutível. Mas tudo acaba por estar um pouco dependente de como irá recuperar Chris Froome nos primeiros meses da temporada.

Perante a intenção de Bernal, há que recordar que ganhar o Giro e o Tour na mesma temporada tem demonstrado ser algo impossível em tempos recentes. O último a alcançar o feito foi Marco Pantani em 1998. Alberto Contador tentou em 2015, ganhou o Giro, mas cedeu no Tour (quinto). Nairo Quintana (2017) foi segundo em Itália e "desapareceu" em França (12º). Chris Froome (2018) foi, ainda assim, quem fez melhor. Ganhou o Giro e ainda conseguiu - a muito custo e com a ajuda preciosa do então estreante Bernal - fazer terceiro no tour. Tem a palavra a Ineos.

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2 de novembro de 2019

Katusha-Alpecin despede-se com mais uma época para esquecer

(Fotografia: © Facebook Team Katusha-Alpecin)
A Katusha-Alpecin foi de mal a pior. Se 2018 já tinha sido fraco, 2019 foi simplesmente mau de mais. Todo o projecto de cortar com as raízes russas, transformar a equipa numa potência mundial ao contratar alguns ciclistas de renome e tentando afirmar nomes como Ilnur Zakarin, tudo falhou. Não houve dinheiro que conseguisse prever que Marcel Kittel se tornaria numa das piores contratações, é certo, e que aos 31 anos iria terminar a carreira, em Maio. Erik Zabel entrou para a equipa técnica para tentar ajudar na recuperação do sprinter, mas o "afundar" de Kittel acompanhou o "afundar" de uma Katusha-Alpecin, que teve Nils Politt a salvar um pouco a honra nas clássicas, mas sem vitórias, valendo aqui um Zakarin que continuou a desiludir a nível de geral, mas venceu uma etapa no Giro. Foi uma garantia que a estrutura de José Azevedo não terminasse 2019 sem triunfos World Tour. Mas não chega para apagar a má temporada.

Foram cinco vitórias. Além da 13ª etapa na Volta a Itália, antes Rick Zabel conquistou a segunda no Tour de Yorkshire e Kittel tinha começado o ano a ganhar no Troféu Palma, em Espanha, numa altura em que se pensou que talvez o sprinter pudesse recuperar o ritmo de vitórias de outros tempos e assim compensasse o grande investimento feito nele. Para mal da Katusha-Alpecin a história foi bem diferente. Kittel terminou a carreira. Depois de Zakarin vencer no Giro, Alex Dowsett e José Gonçalves sagraram-se campeões nacionais de contra-relógio. Nem mais uma vitória depois disso. Para agravar, as boas exibições também escassearam.

A Katusha-Alpecin foi uma equipa sem identidade, sem garra, sem líderes fortes. A certa altura mais parecia que estava cada um por si, situação que se tornou clara quando durante a Vuelta foi confirmado que não havia garantia de continuidade da equipa, conhecida que já era da saída de patrocinadores como a Alpecin e da marca de bicicletas Canyon. Ambas estarão mais interessadas em colocar o seu dinheiro onde está Mathieu van der Poel (Corendon-Circus). Entretanto foram surgindo notícias que a Israel Cycling Academy poderia comprar a licença World Tour, mas no meio de tanta incerteza, a Katusha-Alpecin conseguiu algum destaque na Vuelta graças a um português.
Ranking: 23º (3985,43 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo uma etapa na Volta a Itália)
Ruben Guerreiro aproveitou a liberdade que os ciclistas da equipa tinham na Vuelta e estreou-se numa grande volta com excelentes performances. Foi dos mais combativos da corrida, ficou perto de ganhar etapas e foi 17º na geral. Em 2018 havia José Gonçalves quem tinha ajudado a tornar a época menos má para a equipa com um 14º lugar no Giro. Já de 2019 esteve longe do esperado para o ciclista de Barcelos. Alguns problemas físicos limitaram Gonçalves, que concretizou o sonho de estar no Tour, mas foi uma prestação muito discreta para a qualidade que tem.

Mas Zakarin não esteve melhor em França e apesar de poder dizer que pagou o esforço do Giro, a verdade é que o russo vê os anos passarem sem afirmar-se como um voltista que possa estar novamente a discutir uma prova de três semanas. Foi terceiro na Vuelta em 2017, já fez outros top dez, incluindo este ano em Itália. Porém, não fez esquecer Joaquim Rodríguez.

Quem acabou por marcar muito a temporada da Katusha-Alpecin foi um ciclista que nem ganhou, mas aos 25 anos confirmou a aptidão para as clássicas do pavé. E não fosse um senhor chamado Philippe Gilbert, talvez tivesse conquistado o seu primeiro monumento. O Paris-Roubaix foi preencher um currículo invejável, como é o do belga, mas Politt deixou bem claro que tem capacidade para também ele conquistar grandes vitórias. Foi quinto na Volta a Flandres, sexto na E3 BinckBank Classic e o alemão foi o autor de algumas das raras boas exibições que se viu em 2019 de ciclistas da Katusha-Alpecin.

Não surpreende por isso que, dos 11 corredores que tinham contrato com a equipa para 2020, Politt seja aquele que a Israel Cycling Academy tenha admitido rapidamente que queria manter, depois de anunciar a compra da licença da equipa suíça (a Katusha deverá manter-se como patrocinador). Enrico Battaglin, Jenthe Biermans, Jens Debusschere, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Dmitry Strakhov, Harry Tanfield, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel são os restantes com vínculo para 2020. Ruben Guerreiro vai mudar-se para a EF Education First, Gonçalves para a Delko Marseille Provence e Zakarin também irá mudar de ares, para a CCC.

O desafio de José Azevedo como director geral de uma equipa World Tour não correu como certamente ambicionava e o próprio já admitiu que quer regressar ao cargo que ocupou anteriormente com sucesso. Como director desportivo venceu uma Vuelta com Chris Horner, então na RadioShack-Leopard (2013). A Jumbo-Visma foi dada como interessada em receber o português.

A Katusha-Alpecin terminou 2019, a nível de ranking, como a pior entre as do World Tour e foi ainda batida por formações Profissionais Continentais: Direct Energie, Wanty-Gobert, Corendon-Circus, Israel Cycling Academy e Cofidis.


25 de outubro de 2019

Director do Giro quer convencer Egan Bernal a escolher a grande volta italiana

(Fotografia: © Team Ineos)
Peter Sagan confirmar que se vai estrear na Volta a Itália é um momento de alegria para Mauro Vegni. Poucos ciclistas rivalizam com o eslovaco quanto a mediatismo e é um ciclista que não vai para uma corrida com outro pensamento que não seja somar vitórias. Porém, se a parte dos sprints e luta pela camisola dos pontos já tem um grande nome para começar, o director do Giro deseja contar com a nova estrela das grandes voltas e até espera juntar os corredores que poderão vir a ser os seus rivais nos próximos anos. Depois de há dois anos Chris Froome ter sido o pretendido, Vegni vira as suas atenções para Egan Bernal e está disposto a pagar para ter o colombiano em Itália.

Richard Carapaz esteve na apresentação do percurso, na quinta-feira, e deixou indicações de que poderá regressar para tentar vencer novamente a grande volta. Vai trocar a Movistar pela Ineos, pelo que o equatoriano sabe que seja qual for a corrida em que esteja, haverá sempre outro forte ciclista a poder disputar o estatuto de líder. Se Chris Froome recuperar das lesões da grave queda de Junho, irá ao Tour e Bernal deixou em aberto a possibilidade de eventualmente não ir a França, apesar de ter ganho este ano a grande volta aos 22 anos. Vegni sabe que poderá ter argumentos para convencer o colombiano e a Ineos.

"Se isso acontecer [Froome for ao Tour], então não sei se o Bernal é o ciclista ideal para o ajudar... Poderá haver outras opções. Penso que a decisão da Ineos irá depender da saúde e forma dos seus corredores", referiu Vegni. O director do Giro ainda não iniciou qualquer conversação com a Ineos, mas a hipótese de oferecer uma verba para garantir Bernal poderá ser uma forma de ter o colombiano em Itália. Era suposto ter competido este ano, mas uma queda levou-o a mudar os planos. Foi ao Tour e ganhou!

Vegni terá oferecido cerca de 1,4 milhões de euros para ter Froome na edição de 2018, depois do britânico ter ganho o Tour e a Vuelta. E não se arrependeu. O responsável da corrida ainda passou por momentos difíceis com as suspeitas que Froome teria utilizado indevidamente uma substância para a asma na Volta a Espanha, num episódio longo e nada benéfico para ninguém. Foi ilibado pouco antes do Giro começar e aquela etapa de Bardonecchia (80 quilómetros de fuga pela montanha) será sempre um dos momentos marcantes do ciclismo. E venceu o Giro.

Além de Bernal, Vegni gostaria ainda de juntar Geraint Thomas para assim ter um trio muito forte da Ineos. A expectativa até é que o galês vá mesmo ao Giro e para enfrentar a equipa britânica, o percurso com três contra-relógios poderá ter deixado a Jumbo-Visma a pensar em juntar Primoz Roglic ao seu reforço para 2020, Tom Dumoulin. Depois de desiludir no Tour, Romain Bardet e a AG2R terão ponderado em mudar de ares e apostar no Giro, mas com três contra-relógios, Itália não é a melhor das opções se o plano for para lutar pela geral.

Mas é a nova geração que a Volta a Itália gostaria de poder juntar. Remco Evenepoel poderá estrear-se em grandes voltas pela Deceuninck-QuickStep no Giro e Tadej Pogacar, terceiro na Vuelta, também poderá ser aposta da UAE Team Emirates. Todos nomes que Vegni não se importaria de ver na lista de inscritos e assim ter no Giro o primeiro grande embate entre os ciclistas do futuro, que já são bem o presente, depois do que fizeram em 2019.

»»Giro com última semana de muita e boa montanha. Haverá contra-relógio a triplicar««

»»Froome e Bernal. Líder e gregário no Tour?««

24 de outubro de 2019

Giro com última semana de muita e boa montanha. Haverá contra-relógio a triplicar

(Imagem: Giro d'Italia)
O que o Tour tira, o Giro dá. Não vai faltar contra-relógio na Volta a Itália, com três etapas para os ciclistas mais fortes neste especialidade. Também não falta uma última semana de poderosa montanha e corredores como Tom Dumoulin ou Primoz Roglic terão gostado do que viram. Geraint Thomas também. E Peter Sagan não se assustou com os dias finais e vai estrear-se nesta grande volta, algo que já se suspeitava, até porque foi à apresentação do percurso, esta quinta-feira. O eslovaco, a primeira grande confirmação do Giro2020, pensará mais na camisola dos pontos e nos sprints, enquanto Richard Carapaz, o vencedor de 2019, pode não ter um percurso à sua imagem, mas com tanta montanha, poderá ter possibilidade de fazer diferença para contra-balançar o ser mais fraco no contra-relógio.

De Budapeste (Hungria) a Milão (de 9 a 31 de Maio, 3579,8 quilómetros), o que saltou logo à vista foram os três contra-relógios. Enquanto no Tour só serão 36 quilómetros no penúltimo dia, no Giro serão 58,8 divididos por três e não há contra-relógio colectivo. Depois, aquela última semana... Muita da principal da acção poderá ficar guardada para o final, mesmo que na quinta tirada o Etna volte a entrar no percurso, mas surge muito cedo para ser uma subida com poder de decisão na geral.

Como já havia sido anunciado, o Giro viaja à Hungria para os três primeiros dias. Além do contra-relógio a abrir, será o momento dos sprinters aparecerem, com duas das seis etapas para este tipo de ciclistas. Depois o pelotão viaja para a Sicília, para então começar o périplo por Itália, país que que espera ver Vincenzo Nibali mostrar que ainda tem mais um fôlego para dar naquela que será a sua nova equipa, a Trek-Segafredo.

Com etapas complicadas, a exigirem muita atenção para não se cair em armadilhas de subidas que podem cortar o pelotão e, claro, o vento pode sempre marcar presença, numa grande volta que é ainda a que mais sofre com o mau tempo, é no segundo fim-de-semana que haverá um início do melhor que poderá acontecer no Giro. Chega o segundo dos contra-relógios e uma tirada de montanha para aquecer a última semana.

Monte Bondone, Passo dello Stelvio (será o ponto mais alto, Cima Coppi, a 2758 metros de altitude), Colle dell'Agnello, Col d'Izoard (numa visita a França), e chegadas em alto a Piancavallo e Madonna di Campiglio fazem com que não haja margens para erros ou quebras físicas. Em qualquer dos dias pode-se perder muito tempo, se alguém não estiver bem. Há que esperar que a neve não pregue partidas e leve a mudanças de última hora no percurso. Sempre um risco neste tipo de subidas em Maio.

O Colle dell'Agnello é um regresso bem-vindo. Talvez não para Steven Kruijswijk, mas o holandês deverá pensar mais no Tour, do que no Giro, deixando Itália para Roglic, ou o seu novo companheiro, Dumoulin (que trio este da Jumbo-Visma para 2020).



A última vez que se subiu o Colle dell'Agnello (21,3 quilómetros) foi em 2016, quando Kruijswijk parecia tão bem encaminhado para vencer o Giro. Mas Nibali teve outras ideias e não ajudou o holandês cair no início da descida e perder ali a maglia rosa. Até um merecido pódio escaparia.

De salientar que nesta última semana brutal, todas as etapas em linha têm 200 ou mais quilómetros, com o fecho do Giro a ser novamente com um contra-relógio, de 16,5 quilómetros em Milão. Este percurso final concorre com o do Tour para ver quais as etapas mais difíceis, numas grandes voltas que vão ficando cada vez mais impiedosas até mesmo para os puros trepadores.

As etapas e a indicação do tipo de percurso:

1ª etapa (9 de Maio): Budapeste - Budapeste (9,5 quilómetros, contra-relógio individual)

2ª etapa (10): Budapeste - Györ (193, plana)

3ª etapa (11): Székesfehérvár - Nagykanizsa (197, plana)

4ª etapa (12): Monreale - Agrigento (134, acidentada)

5ª etapa (13): Enna - Etna (150, montanha)

6ª etapa (14): Catania - Villafranca Tirrena (138, acidentada)

7ª etapa (15): Mileto - Caigliatello Silano (223, acidentada)

8ª etapa (16): Castrovillari - Brindisi (216, plana)

9ª etapa (17): Giovinazzo - Vieste (190, acidentada)

Dia de descanso (18)

10ª etapa (19): San Salvo - Tortoreto Lido (212, acidentada)

11ª etapa (20): Portgo Sant'Elpidio - Rimini (181, plana)

12ª etapa (21): Cesenatico - Cesenatico (206, acidentada)

13ª etapa (22): Cervia - Monselice (190, plana)

14ª etapa (23): Conegliano - Valdobbiadene (33,7, contra-relógio individual)

15ª etapa (24): Rivolto - Piancavallo (183, montanha)

Dia de descanso (25)

16ª etapa (26): Udine - Valdobbiadene (226, montanha)

17ª etapa (27): Bassano del Grappa - Madonna di Campiglio (202, montanha)

18ª etapa (28): Pinzolo - Lago di Cancano (209, montanha)

19ª etapa (29): Morbegno - Asti (251, plana)

20ª etapa (30): Alba - Sestriere (200, montanha)

21ª etapa (31): Cernusco di Naviglio - Milan (16,5, contra-relógio individual) 




»»Uma Volta a França de assustar o melhor dos trepadores««

19 de outubro de 2019

Rebellin afinal não se vai retirar e até sonha em regressar à Volta a Itália aos 48 anos

Anunciou que terminaria a longa carreira após os Nacionais e que iria tentar despedir-se como campeão. Porém, Davide Rebellin não consegue parar, nem aos 48 anos. Ainda antes da corrida de Compiano, no final de Junho, o italiano deu o dito por não dito e afirmou que gostaria de continuar e que tinha capacidade para o fazer. Entretanto, a sua ambição cresceu e de que maneira: sonha em estar novamente na Volta a Itália. É improvável, para não dizer impossível, mas o plano está em marcha e Rebellin acredita que não só poderá estar presente, como poderá terminar o Giro. A sua última participação remonta a 2008. Abandonou, tal como nas cinco edições anteriores, somando 12 presenças no total. Venceu uma etapa em 1996, quando foi sexto na geral, a sua melhor classificação.

O plano está então delineado e passa pela Hungria. Rebellin vai assinar pela equipa húngara Epowers Factory Team, que está a preparar a subida ao escalão Profissional Continental e assim tentar um convite para o Giro, que começa precisamente naquele país. Serão três etapas. "É uma sorte poder continuar a andar de bicicleta num projecto ajudado por patrocinadores da Hungria. Regressar ao Giro na minha idade seria motivo de orgulho e estou convencido que, enfrentando-o da maneira certa, poderei terminá-lo", afirmou o italiano à Marca.

Segundo o jornal espanhol, os responsáveis da equipa explicaram que esta receberá apoio do governo húngaro e da marca de bicicletas do país Epowers. A presença na Volta a Itália seria vista como um passo para desenvolver o ciclismo na Hungria, através da construção de velódromos e da criação de escolas da modalidade.

O antigo ciclista Sandro Lerici será um dos directores e explicou que a equipa está a ser formada. A licença Profissional Continental poderá ser confirmada em Novembro, já que na primeira lista divulgada, o nome da estrutura húngara não estava incluída.

Além de Rebellin, Darwin Atapuma será outra das contratações. O colombiano nunca conseguiu confirmar as expectativas criadas ainda muito novo, nem na BMC, muito menos na UAE Team Emirates e quase passou despercebido em 2019 ao serviço da Cofidis. Giuliano Kamberaj, Michele Corradini, Filippo Rocchetti, Paolo Baccio, Riccardo Stacchiotti, Manuel Allori, Andrea Cacciotti, Daniel Dina, Jalel Duranti, Gregorio Ferri, Viktor Filutas, Filippo Magli, János Pelikán, Bálazs Rózsa, Gergely Szarka, Andrea Toniatti, Nicola Toffali e Federico Zurlo estão a ser adiantados como os eleitos pela Epowers Factory Team.

Os dois últimos nomes poderão chamar também um pouco a atenção. Zurlo tem experiência World Tour. Esteve na Lampre-Merida e fez a passagem para a UAE Team Emirates (2016 e 2017), antes de se mudar para a MsTina-Focus, equipa que representou na Volta a Portugal no ano passado. Quanto a Toffali tem uma ligação ao nosso país mais directa, pois nas duas últimas temporadas representou o Sporting-Tavira. Há vários nomes italianos no plantel, o que será mais um argumento para tentar ir ao Giro. Realce ainda para Riccardo Stacchiotti, outro ciclista que esteve na MsTina-Focus em 2018 e venceu duas etapas da Volta a Portugal nesse ano.

"A nossa ideia é estar na partida do Giro [9 de Maio], mas isso também depende da RCS [organizadora da corrida] e de questões políticas. Nós estamos a trabalhar para poder estar lá e estamos a terminar a formação de uma grande equipa", salientou à Marca o director, Sandro Lerici.

Mesmo que reúna as condições para ser Profissional Continental, a Epowers Factory Team terá de aguardar por um convite da organização para cumprir o objectivo. Em 2018, a Israel Cycling Academy recebeu um que não surpreendeu, já que o arranque da Volta a Itália era precisamente em Israel. Porém, a situação era diferente. A estrutura ia no seu segundo ano como Profissional Continental, com ciclistas com algum peso - Ben Hermans, Rubén Plaza e Kristian Sbaragli - e também uma maior influência e apoio nos bastidores. A sua presença no Giro, há muito que era falada e preparada.

Depois haverão apenas dois convites disponíveis e não quatro como até 2019. Em Itália, a mudança de regras da UCI está a abanar com as estruturas Profissionais Continentais. A Nippo Vini Fantini Faizanè já não irá para a estrada em 2020. Sem equipas no World Tour desde que a Lampre-Merida foi vendida a UAE Team Emirates, dar um convite a uma equipa húngara recém-formada e deixar de fora equipas italianas Profissionais Continentais há muito estabelecidas no ciclismo transalpino e que tanto precisam do Giro para expor os patrocinadores, não seria uma notícia nada bem recebida. São três e uma ficará sempre de fora se não houver nenhuma alteração no regulamento, o que já preocupa bastante qualquer dos responsáveis, que nem querem imaginar perder um convite para a Hungria.

Rebellin foi uma referência do ciclismo italiano. Fez a tripla das Ardenas, ganhou o Paris-Nice, o Tirreno-Adriatico, até ganhou a prata nos Jogos Olímpicos de Pequim. Porém, foi apanhado nas malhas do doping e tornou-se no primeiro italiano a perder uma medalha olímpica por essa razão. Após a suspensão, nunca mais conseguiu entrar numa equipa de topo. A polaca CCC, então Profissional Continental, foi a melhor formação que lhe deu uma oportunidade. Rebellin tem sido um sobrevivente, participando em projectos da Argélia ao Kuwait e este ano esteve na Croácia. Mas em Itália há quem não esqueça a fase negra da sua carreira.

Independentemente de ir ou não ao Giro, Rebellin quer continuar a competir e se o projecto for para a frente - a apresentação oficial deverá decorrer em Dezembro -, começa-se a questionar se o italiano vai tentar prolongar a carreira até aos 50 anos.


19 de setembro de 2019

Sunweb ameaça processar Preidler por eventual doping desde o Giro de 2017

(Fotografia: © Pymouss/Wikimedia Commons)
Georg Preidler foi acusado pelo Ministério Público de Innsbruck de fraude, ou seja, por recorrer a doping desde 2017 e não só em 2018, como inicialmente admitiu. A notícia caiu que nem uma bomba na Sunweb. Ao ser envolvido na Operação Ardelass, em Março, o ciclista confessou as irregularidades no ano de 2018, mas acusação agora conhecida abrange um dos anos em que Preidler esteve na equipa alemã, tendo sido um dos importantes gregários de Tom Dumoulin na conquista da Volta a Itália. A Sunweb ameaça agora processar o corredor e Dumoulin ficou em choque, realçando que não ficará surpreendido se for mesmo verdade: "Agora sei que posso ter tido um colega de equipa que poderá não ter corrido limpo."

Quando o escândalo rebentou, afectando várias modalidades, ao ser ligado ao médico no centro do esquema de doping, Mark Schmidt, Preidler deixou de imediato a Groupama-FDJ e confessou que tinha tirado sangue, ainda que garanta que nunca chegou a fazer a posterior transfusão. Admitiu o erro e mostrou arrependimento. Disse então que o caso remontava a 2018, após sair da Sunweb. Porém, a acusação do Ministério Público aponta que Preidler recorreu regularmente à prática de "doping de sangue, tomando também hormonas de crescimento, começando na Volta de Itália na Primavera de 2017 até à sua confissão".

Preidler tem duas semanas para recorrer da acusação, mas já sabe que pode enfrentar novo processo judicial, caso se venha a provar que utilizou doping ainda na Sunweb. A equipa alemã considera, que juntamente com a Groupama-FDJ, é uma vítima das acções de Preidler e está a ponderar processar o austríaco por danos. Vai contactar a formação francesa para perceber se a Groupama-FDJ quer analisar a situação conjuntamente.

"As notícias demonstram mais uma vez a importância e relevância do anti-doping no nosso desporto. Afinal, não podemos mudar a natureza das pessoas, mas podemos influenciar o comportamento através de mecanismos de investigação efectivos. Sempre defendemos mais controlos independentes e assim aumentando as hipóteses de detecção e e tornar as pessoas mais inclinadas em abrandar este tipo de erros custosos", lê-se no comunicado da equipa, publicado no site holandês, AD.nl. A Sunweb garantiu ainda que o não ter renovado contrato com o austríaco para 2018 nada teve a ver com eventuais irregularidades no passaporte biológico do ciclista.

Quanto a Dumoulin, reitera o orgulho que sente na conquista do Giro de 2017, mas há uma sensação de traição, ainda mais porque Preidler foi dos ciclistas com quem teve uma relação mais próxima na Sunweb, ainda mais sendo ambos praticamente da mesma idade (29 anos, separados por cinco meses). Dumoulin, contou que partilhavam a mesma vontade de ir longe e de triunfar no ciclismo. "Não sei se [a acusação] é verdade, claro que espero que não. Mas, para ser sincero, não ficaria surpreendido. Ele não era o alegre Georg que eu conhecia. Ele foi amargo, inseguro e fechado. Penso que era muito difícil para ele ver que tinha trabalhado tanto quanto podia e depois não foi o suficiente para ser o ciclista que ele queria. Penso que são dúvidas que todos os atletas, incluindo eu, lidam de quando em vez durante as carreiras. Mas ele recorreu ao doping enquanto outros não o fizeram, nem fazem. Se estou zangado? Sim!"

Dumoulin prossegue salientando como Preidler tomou uma "decisão terrível" que não só influenciou o próprio austríaco, mas também as pessoas em seu redor. "Ele cometeu um erro e tem de pagar por ele." No entanto, Dumoulin espera que Preidler possa recolocar a sua vida no caminho certo e que possa ser novamente aquela pessoa alegre dos primeiros tempos em que foram companheiros, desde 2013, na então Argos-Shimano.


19 de junho de 2019

Roglic admitiu que queda na 15ª etapa deixou marcas

Primoz Roglic liderou durante cinco dias o Giro
(Fotografia: © Giro d'Italia)
Chegou à Volta a Itália como o ciclista imbatível em todas as corridas que tinha feito até então, o que fez dele... um homem a bater. Mesmo não tendo qualquer pódio numa grande volta, Primoz Roglic era um dos principais favoritos, para não dizer o principal. Porém, depois de um começo muito forte, o sonho de conquistar a sua primeira corrida de três semanas foi-se desvanecendo na montanha. O esloveno confessou agora que sofreu com algumas dores, incluindo no estômago, depois de ter caído na etapa 15, mas não foi só por isso que não ganhou o Giro.

Foram 21 etapas - duas vitórias e cinco de camisola rosa - durante as quais Roglic viveu todo o tipo de emoções. Não surpreende por isso que não o perturbe nada ter ficado de fora dos eleitos do Tour que arranca dia 6 de Julho: "Gostaria de descansar e fazer coisas que não são tão dolorosas!" E depois de uma primeira fase da temporada em que venceu a Volta aos Emirados Árabes Unidos, Tirreno-Adriatico e Volta à Romandia, tendo fechado o pódio no Giro, o esloveno bem pode dizer que merece uma pausa.

Porém, é também necessário tirar ilações desta primeira aposta em ganhar uma grande volta por parte de Roglic. Para o ciclista e para a Jumbo-Visma, equipa que voltou a sonhar no Giro, mas depois de Steven Kruijswijk em 2016, também não conseguiu com Roglic. "Aprendi muito neste Giro e a equipa também. Penso que precisávamos desta experiência para o futuro. Precisamos de analisar e aprender com os nossos erros", referiu o ciclista à STA, agência eslovena de notícias.

E um desses erros foi: "A diferença para com os outros favoritos foi que fiquei sozinho nos momentos-chave. E todos correram contra mim. Todos tinham medo de mim, todos sabiam que eu era um problema, por isso, correram para evitar que eu ganhasse." Ainda antes do Giro, Robert Gesink foi excluído devido a uma queda na Liège-Bastogne-Liège, na qual fracturou a clavícula e a pélvis. Já durante a Volta a Itália, Roglic perdeu o ciclista que se tornou este ano no seu braço-direito: Laurens de Plus abandonou na sétima etapa devido a doença. Os jovens companheiros fizeram o que poderam, mas ainda estão em fase de evolução e os mais velhos desiludiram um pouco.

Depois, aquela 15ª tirada marcou definitivamente o Giro de Roglic. Caiu quando estava na bicicleta de um colega, pois o seu director desportivo tinha parado para urinar e não pôde ajudar o seu ciclista quando este sofreu um problema mecânico. Na ânsia de recuperar tempo para o grupo de favoritos, Roglic caiu, batendo com o corpo, num rail de protecção. Esse dia deixou afinal marcas físicas no esloveno.

Notório foi como Roglic nunca conseguiu fazer alianças. Aliás, o que conseguiu foi irritar bastante Vincenzo Nibali. O líder da Jumbo-Visma assumiu uma postura sempre muito defensiva, sempre mais a observar e a responder ataques, do que a mexer a corrida. Nibali chegou mesmo a dizer que não "puxaria" Roglic e que poderia não ganhar o Giro, mas Roglic também não o faria. E assim foi, Richard Carapaz surpreendeu ao ficar com a camisola rosa.

Roglic garantiu que "não há nenhum problema" entre os dois e até congratulou o italiano pela presença no pódio. Aos 29 anos, Roglic tornou-se na esperança eslovena de ver o país ter um vencedor de uma grande volta. Ainda não está confirmado se irá à Vuelta, ficando-se também à espera de saber como irá enfrentar os Mundiais. É um dos melhores contra-relogistas do mundo e foi segundo há dois anos, em Bergen. Em Innsbruck abdicou dessa vertente para se concentrar na prova em linha. Contudo, o título mundial de contra-relógio começa a chamar por Roglic. Esta época, em cinco individuais ganhou três.

Vai assistir à Volta a França pela televisão, depois de em 2018 ter ficado à porta do pódio. A Jumbo-Visma vai apostar na geral com Steven Kruijswijk, que na edição passada foi quinto, atrás do companheiro de equipa. Porém, ao contrário de Roglic na Giro, o holandês não terá toda a equipa em seu redor. Dylan Groenewegen vai à procura de vitórias ao sprint e cresceu a curiosidade de ver Wout van Aert, depois de ganhar duas etapas no Critérium du Dauphiné e a classificação dos pontos. Laurens de Plus espera ser o braço-direito de Kruijswijk que não conseguiu ser de Roglic, com George Bennett a ser o outro homem forte para a montanha.


3 de junho de 2019

As equipas do Giro uma a uma

(Fotografia: Giro d'Italia)
Rapidamente se vai começar a falar da Volta a França, mas aqui fica um pouco mais de Giro. As equipas uma a uma. A ordem é a da classificação colectiva.

Movistar: Estava difícil elogiar a Movistar. Desde que Nairo Quitana ganhou a Vuelta em 2016 que tem cometido erros atrás de erros nas grandes voltad em tácticas, em escolhas, em apostas... Mas quando corre bem, corre muito bem. Não foi com Mikel Landa, foi com Richard Carapaz. O equatoriano impôs-se e até conseguiu que o espanhol fosse um valioso braço direito. Mas toda a equipa está de parabéns. Funcionou como tal, teve um líder que uniu todos em seu redor e fez a diferença individualmente nos momentos certos. Ganhou o Giro com Carapaz e colectivamente, como aliás é habitual, só que desta vez foi mesmo a melhor equipa.

Astana: Mantém-se a opinião que era o conjunto mais forte, mas parece que houve um desânimo que foi acompanhando os azares que se sucederam a Miguel Ángel López. Não deixou de ser um Giro positivo, mas a equipa não foi tão coesa como se esperava. Ainda assim, três vitórias de etapa (duas por Pello Bilbao e uma por Dario Cataldo), uma classificação da juventude e o top dez com López, fazem da Volta a Itália boa para a Astana, mesmo que tenha falhado o objectivo de lutar para vencê-la.


Bahrain-Merida: Desilusão para Vincenzo Nibali por não ter discutido mais intensamente o Giro. Apresentou-se bem, mas se mostrou ser capaz de defrontar Primoz Roglic, Carapaz foi demasiado forte para o italiano. O segundo lugar é merecido e comprova que Nibali continua bem vivo e a poder ainda conquistar mais umas boas vitórias. À Bahrain-Merida faltou, no entanto, uma vitória de etapa. Ainda assim, a equipa realizou um bom Giro, tendo em conta que teve de mandar para casa Kristijan Koren, por estar envolvido no caso de doping Aderlass. Porém, destaque-se o positivo: Damiano Caruso foi um super gregário e o segundo lugar de Nibali muito se deve a este italiano.

EF Education First: Não ganhou etapas, não colocou nenhum ciclista no top dez - ficaram à porta - e ainda assim foi um Giro positivo a pensar no futuro próximo. A equipa americana finalmente ganhou estabilidade, principalmente financeira, o que lhe permite poder ter tempo para trabalhar alguns ciclistas. Hugh Carthy é um deles. Foi líder da juventude por um dia, mas apagou-se logo a seguir. Contudo, não desapareceu. Está ali potencial para muito mais. Joe Dombrowski voltou a dar o ar da sua graça. Será desta que "pega"? A EF Education First foi muito activa, desinibida e soube animar as etapas. Agora há que dar mais um passo, pois não pode continuar à espera apenas de Rigoberto Uran.

Mitchelton-Scott: Que bonito foi ver Johan Esteban Chaves ganhar uma etapa depois de um ano de martírio. Mas não, não salvou o descalabro de Giro da equipa australiana. Simon Yates engoliu as palavras que disse no início. Afinal não havia razões para o temer (disse com uma linguagem mais colorida). Há um ano "apagou-se" quase com Roma à vista, desta feita começou a desaparecer logo na média montanha. Yates esteve mal, mas a equipa também. Foi tão forte e coesa no Giro de 2018 e desta feita partiu-se, talvez desfeita por um líder que não teve nada a ver com o Yates que quase ganhou a Volta a Itália há um ano e conquistou depois a Vuelta.

Ineos: Para quem tinha perdido Egan Bernal devido a uma queda poucos dias antes do início do Giro, a Ineos não esteve assim tão mal. Na primeira grande volta com o novo nome, o destaque vai, claro, para Pavel Sivakov. Sem pressão, foi nono e foi líder da juventude, mas López apoderou-se da camisola branca. O russo foi muito regular. Não entrou em loucuras e tentou conhecer-se melhor numa grande volta em que foi líder. Foi uma pena Tao Geoghegan Hart abandonar por uma clavícula partida. Já tinha perdido tempo, mas talvez fosse o ciclista ideal para perseguir uma etapa. Iván Ramiro Sosa desiludiu, enquanto Eddie Dunbar aproveitou muito bem a chamada de última hora. A Ineos tem garantidamente mais um jovem talento.


(Fotografia: Giro d'Italia)
Trek-Segafredo: Viu-se uma das melhores versão de Bauke Mollema, mas o holandês não conseguiu manter-se entre os principais candidatos quando os grandes ataques se deram. O quinto lugar é bom para o holandês, mas o seu estatuto de líder está cada vez mais em risco. Giulio Ciccone foi irresistível. Vestiu a camisola azul de rei da montanha no primeiro dia e só um dia a cedeu ao companheiro Gianluca Brambilla. Ganhou uma etapa, andou constantemente em fugas. Deu muito espectáculo e é uma contratação com futuro promissor para a equipa. Não vai demorar muito a assumir outras responsabilidades e merece.

Bora-Hansgrohe: Pascal Ackermann não perdeu tempo em acabar com as conversas que a equipa tinha feito mal em deixar de fora Sam Bennett, uma das figuras do Giro de 2018 e um dos ciclistas que mais ganhou esta temporada. Estreia perfeita do alemão em grandes voltas. Duas etapas, ficou perto de aumentar a contagem e garantiu a classificação dos pontos. O eterno gregário, Cesare Benedetti, também venceu uma tirada e Rafal Majka foi sexto na geral. Não é mau para o polaco, mas mais uma vez percebeu-se que dificilmente este ciclista poderá disputar uma vitória numa grande volta. É homem de top dez e pouco mais, a não ser que mude um pouco a sua atitude, principalmente em assumir mais as corridas.

Androni Giocattoli-Sidermec: Quando se vê esta equipa competir pensa-se como é possível que não há muito tempo correu risco de fechar porque não recebia convites para o Giro. Excelentes ciclistas - há muito mais talento por ali além de Egan Bernal e Iván Ramiro Sosa -, uma atitude atacante que só valoriza as etapas, mesmo as mais aborrecidas e uma muito merecida vitória com Fausto Masnada. Andrea Vendrame viu um problema numa corrida tirar-lhe provavelmente outro triunfo e Mattia Cattaneo foi uma das figuras.

Jumbo-Visma: Perante a ambição que tinha e pelo que Primoz Roglic demonstrou na fase inicial do Giro, a Jumbo-Visma sai de Itália como a maior derrotada. Foi um erro o esloveno estar tão forte a abrir, claudicando por completo quando o Giro começou verdadeiramente para a geral, a partir da 12ª etapa. Colectivamente foi o descalabro. As camisolas amarelas desapareciam pouco depois das dificuldades começarem, ou mal o ritmo aumentava nas subidas. Que falta fez Robert Gesink (lesionou-se na Liège-Bastogne-Liège). E ainda mais fez Laurens De Plus, o braço-direito de Roglic durante toda a temporada, mas que na sétima etapa não resistiu e foi para casa devido a doença. As duas vitórias de etapa de Roglic e o terceiro lugar na geral são, naturalmente, excelentes resultados, mas para quem queria ganhar, ficará um ligeiro sabor amargo.

AG2R: Nans Peters venceu uma etapa, foi líder da juventude, a equipa apareceu noutras fugas, mas tendo em conta o potencial desta formação francesa, foi pouco. Tony Gallopin queria mostrar que estava mesmo preparado para ser agora um voltista. Mas não... Alexis Vuillermoz também esteve aquém, tendo sido mais notícia pelo ataque de asma no Mortirolo do que por boas razões. Mas ficou o exemplo de força. Acabou aquela difícil etapa e foi até ao fim no Giro. Ainda assim, corrida fraca para a AG2R.


(Fotografia: Giro d'Italia)
UAE Team Emirates: Para quem não tinha Fabio Aru, esperava-se que Fernando Gaviria fosse a figura. Mas nem por isso. Ganhou uma etapa e por desclassificação de Viviani. O próprio admitiu que não se sentiu um vencedor. Abandonou cedo por lesão. Porém, a equipa teve um grande Giro. Andou oito dias de camisola rosa, seis com Valerio Conti e dois com Jan Polanc. Esperava-se um pouco mais do esloveno, pelo menos que estivesse mais na luta pelo top dez, mas claramente foi para tentar ganhar etapas e não para a geral, ainda que tenha tido um enorme brinde cor-de-rosa. Bom Giro da equipa, tendo em conta que não tinha um líder para lutar pela geral.

Sunweb: Ao perder Tom Dumoulin após queda na quarta etapa, a Sunweb ficou perdida. Sam Oomen ainda conseguiu recolocar-se rapidamente numa posição de ambicionar talvez a um top dez, ou lutar pela juventude. Porém, o holandês apagou-se e foi assim com toda a equipa, até que Chad Haga salvou a honra ao ganhar o contra-relógio final, mas claro que foi muito pouco para uma equipa que estava no Giro para o discutir. De realçar que a vitória é muito especial para Haga. Em 2016 foi um dos ciclistas da então Giant-Alpecin que foi atropelado no estágio em Espanha e dos que ficou em pior estado. Três anos depois, conquistou a segunda vitória na carreira e logo no Giro. Percebeu-se bem porque não conteve as lágrimas. 

Deceuninck-QuickStep: Desilusão total. Elia Viviani queria fazer algo especial, dizia ele, mas acabou por ganhar uma etapa em que foi desclassificado por sprint irregular. Depois passou o tempo a ver os rivais serem mais fortes. Bob Jungels, que já venceu a classificação da juventude no Giro, enterrou-se na geral quando as maiores dificuldades chegaram. O jovem estreante James Knox foi perseguido por azares e abandonou cedo. Eros Capecchi e Pieter Serry ainda tentar salvar o Giro da equipa belga, mas depois de ser um hábito somar vitórias em grandes voltas, esta será para esquecer.


(Fotografia: Facebook CCC Team)
CCC: Víctor de la Parte esteve um pouco aquém, mas o top 25 não é um mau resultado. Porém, é inevitável destacar Amaro Antunes. Fez a sua estreia em grandes voltas, viu-se num surpreendente top 10 quando houve uma reviravolta na classificação, mas quando os principais candidatos começaram a tomar conta das operações, o algarvio regressou ao plano original de se meter em fugas. Excelente o terceiro lugar na 19ª etapa, com o primeiro à vista. Boa Volta a Itália e está na altura de apresentar a renovação de contrato a Amaro Antunes.

Dimension Data: A equipa sul-africana foi uma quase completa nulidade nesta Volta a Itália. Amanuel Gebreigzabhier apareceu na última etapa de montanha e fez uma exibição interessante, mas foi muito, muito pouco. Está a ser um mau ano para a Dimension Data. Esperava-se muito mais de Ben O'Connor. O australiano foi uma revelação na Volta ao Alpes em 2018, estava muito bem no Giro, mas caiu, abandonou e, um ano depois, nunca mais se viu o melhor de O'Connor. Que pena!

Katusha-Alpecin: Ilnur Zakarin tem sido assim. Tanto se pensa que o russo vai mostrar todo o potencial que tanto parece ter, como lá cai na "obscuridade". Excelente exibição na 13ª etapa, que venceu com um grande espectáculo. Um possível pódio estava na mira após esse resultado, mas um dia depois Zakarin já estava a dar trambolhões na geral. Conseguiu recuperar o suficiente para entrar no top dez. Foi 10º, a 12:14 de Carapaz. Se ainda havia dúvidas ficaram esclarecidas. A Katusha-Alpecin precisa urgentemente de um líder forte para as três semanas. E não só...

Lotto Soudal: Caleb Ewan fez o que lhe competia e venceu duas etapas. Ainda não fez esquecer André Greipel, mas o australiano esteve bem nos sprints. Thomas de Gendt foi mais um homem de equipa e não se viu tanto em fugas e muito menos na luta pela camisola da montanha, como gosta e claro que se sente a falta do belga a dar espectáculo. Victor Campenaerts falhou o objectivo de ganhar pelo menos um dos três contra-relógios. Foi segundo em dois. Um pouco frustrante para o belga, o mais recente recordista da hora.

Bardiani-CSF: Desde que há dois anos a equipa perdeu dois ciclistas importantes por doping no dia antes do Giro, que têm vivido tempos difíceis. Em 2018 Giulio Ciccone ainda foi uma das figuras, mas nesta edição, os corredores da equipa italiana do segundo escalão apareceram em algumas fugas, mas esta não é a Bardiani-CSF de tempos recentes. O destaque foi para Giovanni Carboni que andou três dias como líder da juventude.

Groupama-FDJ: Arnaud Démare venceu uma etapa, mas para quem era o líder da equipa, já que o Tour será dedicado a Thibaut Pinot, soube a pouco. O objectivo passava também por vencer a maglia ciclamino, que chegou a vestir, mas esteve muito mal na defesa desta na última etapa para os sprinters e perdeu-a para Pascal Ackermann. Démare continua a ser o ciclista capaz de grandes vitórias, mas também desilude rapidamente. A pensar no futuro, Valentin Madouas, francês de 22 anos, deixou boas indicações.

Israel Cycling Academy: Andou em fugas, Davide Cimolai tentou intrometer-se nos sprints, mas não teve pedalada para os principais nomes da actualidade. Esperava mais de Rubén Plaza e Krists Neilands, mas mostraram-se pouco. Giro discreto para a equipa do segundo escalão. Quer subir a World Tour e tem andando muito activa noutras corridas de menor dimensão, mas ainda há muito a fazer para se destacar entre as melhores.

(Fotografia: Giro d'Italia)
Nippo Vini Fantini Faizanè: Teve um mau início quando o jovem japonês Hiroki Nishimura foi excluído logo na primeira etapa por ter completado o contra-relógio fora do tempo limite. A equipa esforçou-se para limpar essa má imagem e foi sempre activa nas fugas. Porém, ao vencer uma etapa, a equipa Profissional Continental sai do Giro com nota positiva, pois não se poderia pedir mais. Ainda mais porque foi um triunfo marcante, pois Damiano Cima foi o único do trio da fuga que aguentou sobre a meta o "ataque" dos sprinters, deixando Ackermann a dar murros no guiador. O outro japonês da equipa, Sho Hatsuyama (na foto), foi o lanterna vermelha, mas o que importa é que terminou.

Pode confirmar neste link as classificações completas da 102ª edição da Volta a Itália, via ProCyclingStats.

»»Agora vão todos acreditar em Carapaz««

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