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21 de dezembro de 2019

Frente unida na Jumbo-Visma para lutar pela Volta a França

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Para quê esperar? A Jumbo-Visma tem mostrado em épocas recentes que quer fazer frente à Ineos na Volta a França e em 2020 a rivalidade vai subir de tom. A equipa holandesa está preparada para olhar olhos nos olhos a formação britânica na grande volta que a Ineos tem dominado e não vai fazer por menos: levará os três líderes e assume que é o ano que não vai "apenas" almejar o pódio. É para ganhar. E por isso, nem esperou mais. Não se deixa arrastar por novelas de quem será o líder, como irá dividir as responsabilidades... Não! A Jumbo-Visma anunciou os oito eleitos para o Tour e também para o Giro e Vuelta.

Não se pode dizer que seja uma novidade. Já para esta época que terminou, anunciou bastante cedo os elementos que iriam ao Giro, mas desta feita foi mais longe. Portanto, sem mais demoras:

Volta a Itália: Dylan Groenewegen, George Bennett, Antwan Tolhoek, Koen Bouwman, Lennard Hofstede, Paul Martens, Amund Grondahl Jansen e Mike Teunissen;

Volta a França: Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, Tom Dumoulin, Wout van Aert, Robert Gesink, Sepp Kuss, Laurens de Plus e Tony Martin;

Volta a Espanha: Steven Kruijswijk, Dylan Groenewegen, Mike Teunissen, Robert Gesink, Jos van Emden, Koen Bouwman, Sepp Kuss e Tony Martin.

Com a contratação de Tom Dumoulin e tendo em conta que o Giro terá três contra-relógios, a hipótese mais falada era a Jumbo-Visma levar este ciclista a Itália (e o próprio não se importaria já que o percurso do Tour não é muito ideal para ele), Roglic a França e Kruijswijk a Espanha (este dois iriam inverter os objectivos comparativamente com 2019). Mas não. 

"Fizemos uma análise a todas as grandes voltas dos últimos cinco anos. Qual era a influência dos contra-relógios na classificação final? Qual era a composição da equipa que conseguiu conquistar e defender a camisola [da liderança]? Descobrimos um elemento em comum. Temos de ir ao Tour com a equipa mais forte possível. Assim teremos uma hipótese de ganhar. Vamos fazer tudo para conquistar a amarela. Estamos muito felizes, orgulhosos e motivados para o fazer", explicou Merijn Zeeman, o director desportivo, durante a apresentação da equipa.

Dumoulin, Roglic e Kruijswijk falam no colectivo e de como querem fazer parte da equipa que ganhará a Volta a França. Nenhum se assume como líder. Discurso para mostrar união, mas claro que este tipo de decisão levanta sempre algumas dúvidas. O passado recente não tem um bom exemplo: o tridente da Movistar (Alejandro Valverde, Mikel Landa e Nairo Quintana) foi uma experiência falhada de liderança tripartida. Os egos meteram-se no caminho e todos queriam ganhar, não estando muito interessados em trabalhar para os companheiros.

Ciclistas diferentes, de personalidades diferentes, mas passar das palavras aos actos, será o objectivo principal da Jumbo-Visma para garantir que terá de facto uma frente unida para lutar com a Ineos. "Toda a força, com os três líderes! É muito bom descobrir que os três estamos na mesma página", disse Dumoulin. E no papel a equipa é fortíssima, não só por este trio, mas pelos gregários de luxo que tem e um Wout van Aert que ajudará quando for preciso, mas será também um ciclista para conquistar alguma etapa ao sprint, um objectivo secundário em 2020 na Volta a França.

É por isso que nesta super equipa não há espaço para um dos melhores sprinters do momento. Dylan Groenewegen teve de abrir mão de um Tour que a Jumbo-Visma já só tem interesse em vencer na geral. Porém, é um ciclista que os responsáveis não querem ver insatisfeito, pelo que lhe vão dar a oportunidade de se tornar em mais um a ganhar etapas nas três grandes voltas. Vai ter apoio no Giro e Vuelta, eventualmente também a pensar na camisola dos pontos. Vai ainda apostar forte na Milano-Sanremo. O holandês deixou a mensagem que está feliz com o calendário para 2020. Tem 26 anos e muito tempo para regressar ao Tour no futuro.

E no que diz respeito a monumentos, Wout van Aert - ainda a recuperar da grave lesão após queda na Volta a França - vai com tudo para a Volta a Flandres e Paris-Roubaix, além de ser o líder para as restantes clássicas do pavé. Eventualmente Groenewegen terá a sua oportunidade em alguma mais propícia para sprinters, como a AG Driedaagse Brugge-De Panne. Para a Liège-Bastogne-Liège, Roglic assumiu o desejo de tentar vencer o monumento das Ardenas e nesta semana de três clássicas belgas, Dumoulin prefere a Amstel Gold Race.

Mas regressando às grandes voltas. A nível de geral a concentração estará no Tour, mas não significa que Groenewegen tenha exclusividade no Giro e Vuelta. A Jumbo-Visma levará ciclistas para lutar por uma vitória final, sendo provas em que o colectivo tem importância, mas não tem sido tão essencial como acontece na corrida francesa. Em Itália, George Bennett terá novamente a sua oportunidade. Tem sido difícil a sua afirmação como líder, mas mostrou ser um gregário importante. Com a chegada de Dumoulin, ir ao Giro sem ter de trabalhar para um dos três líderes é definitivamente um momento que o neozelandês tem de aproveitar.

Ainda assim o Giro será muito centrado em Groenewegen, mas a Vuelta é sempre tão montanhosa, que se justifica levar um Kruijswijk ainda à procura de uma vitória em grandes voltas, ainda que o terceiro lugar no Tour de 2019 tenha tido um sabor muito especial. Só ter Gesink e Kuss a seu lado é a prova de como a Jumbo-Visma não quer abdicar por completo de estar na luta por vencer novamente em Espanha, depois da conquista de Roglic em Setembro último.

Na teoria, a Jumbo-Visma tem uma equipa fortíssima, seja para o Tour, seja para as clássicas ou para os sprints. Será candidata a vencer muitas corridas. Mas na Volta a França, um dos assuntos mais falados será certamente como irá este trio com tanta ambição individual funcionar quando for necessário escolher alguém, a não ser que a estrada ajude nessa selecção. E depois será preciso ver se, ao contrário do que aconteceu na Movistar, quem "ficar para trás" na luta pela geral, assume o papel de ajudar quem estiver em condições de ganhar a camisola amarela.

O mais animador é ver uma equipa que tem tudo para definitivamente fazer a Ineos suar bastante no Tour. O ciclismo e a Volta a França ficam a ganhar.

»»Época quase perfeita de uma Jumbo-Visma que se afirmou como ameaça à Ineos««

»»A equipa que domina o Tour junta-se à que domina a Fórmula 1««

6 de dezembro de 2019

Época quase perfeita de uma Jumbo-Visma que se afirmou como ameaça à Ineos

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Época perto da perfeição e que consagrou a determinação e paciência para ver esta equipa renascer quase das cinzas para se tornar naquela que mais ameaça a supremacia da Ineos. Com os resultados nas três grandes voltas, ficou-se com a certeza que esta é uma formação que não só tem potencial para ganhar, mas que o pode mesmo fazer. Todo o potencial que vinha a demonstrar nas últimas temporadas foi transformado em resultados que tornaram a Jumbo-Visma numa equipa definitivamente de topo.

Não é fácil poder dizer que subiu ao pódio nas três grandes voltas (dois terceiros lugares e um primeiro), ganhou etapas (cinco no Tour!), mostrou ter um bloco capaz de controlar as corridas e além disso pode dividir as atenções entre o sprinter Dylan Groenewegen e apoiar na montanha Steven Kruijswijk. Mas foi a posta total em Primoz Roglic que deu os maiores frutos a nível do grande sonho para 2019. Roglic falhou no Giro, mas aprendeu as lições e o esloveno fez história na Vuelta. O primeiro ciclista do seu país a ganhar uma prova de três semanas.

Roglic foi avassalador quase toda a temporada. Competiu sempre com a vitória em mente. Vencei a Volta aos Emirados, Tirreno-Adriatico e Volta à Romandia e ainda fechou a época com duas clássicas italianas: Giro dell'Emilia e Tre Valli Varesine. A desilusão acabou por ser nos Mundiais, onde esteve visivelmente esgotado, sendo apenas 12º no contra-relógio - cortou a meta ao lado do campeão Rohan Dennis que tinha partido três minutos depois - e abandonou na prova em linha. Recuperou para ganhar depois as clássicas italianas e ser sétimo na Lombardia.

Claro que entrar tão forte na temporada fez com que começasse o Giro num pico de forma muito acima dos adversários e acabou por aprender que deveria ter guardado esse pico para um pouco mais tarde na corrida. Na Vuelta foi bem mais calculista tanto na preparaçã como na prova e resultou. Mereceu a vitória e agora já olha para o Tour. Não apenas para um lugar no pódio. Pode ter chegado tarde ao ciclismo, tendo começado como desportista como um promissor saltador de esqui, mas está mais do que confirmada a sua qualidade como ciclista.
Ranking: 3º (13128,07 pontos) 
Vitórias: 51 (geral e duas etapas da Volta a Espanha, cinco etapas na Volta a França e duas no Giro) 
Ciclista com mais triunfos: Dylan Groenewegen (15)
E o que dizer de Dylan Groenewegen... Cada vez mais um sprinter que vai conquistando o seu lugar entre os grandes da especialidade. 15 vitórias em 2019 (mais duas que Roglic), mais uma no Tour (tem quatro em três anos) e também ganha por cá, na Volta ao Algarve. Por mais que a Jumbo-Visma olhe para as classificações gerais, com um sprinter desta qualidade e com este ritmo de vitórias, é impossível a equipa não continuar a dar condições para que Groenewegen esteja sempre na discussão de qualquer corrida que participe.

Depois houve aqueles que não venceram tanto ou mesmo nada, mas que são peças essenciais em elevar a Jumbo-Visma a um nível que a Ineos parecia ter colocado como inatingível. Kruijswijk conseguiu um pódio no Tour há muito devido numa corrida destas. George Bennett pode não estar a tornar-se no líder que se chegou a pensar que seria, mas lidera o bloco de gregários com autoridade, Sepp Kuss segue esses passos, Mike Teunissen (mais dotado para terrenos menos inclinados) até recebeu um prémio pelo seu trabalho ao ganhar a primeira etapa do Tour e vestir a camisola amarela e claro, Tony Martin. O alemão pode não conseguir ser o contra-relogista de outros tempos, mas é novamente aquele que faz um trabalho incansável para os seus líderes.

A muita juventude em redor de Roglic acabou por não ser a melhor escolha no Giro, mas quando a Jumbo-Visma conjugou o talento dos mais novos com a experiência de um Tony Martin ou Robert Gesink, ganhou uma Vuelta. Ainda há seis anos, a então Rabobank correu o risco de acabar, mas está agora no topo, e depois de Denis Menchov em 2009 no Giro, a agora Jumbo-Visma ganhou novamente nas três semanas.

E não, não se pode esquecer de Wout van Aert. Não foram as exibições esperadas nas clássicas, mas no Critérium du Dauphiné resolveu mostrar na sua época de estreia no World Tour outras qualidades: também sabe sprintar e é um forte contra-relogista. Foi destas duas formas que venceu duas etapas na corrida francesa, conquistando no final a classificação dos pontos. Chegou ao Tour e estava a ser uma das figuras. Ganhou uma etapa e era o favorito para o contra-relógio. A temporada foi interrompida nesse dia devido a um toque numa grade e uma queda gravíssima. Ainda está a recuperar. Ter-se-ia gostado de ver muito mais do belga em 2019, mas pelo menos ficou-se a saber que Van Aert é muito mais que um excelente ciclista para as clássicas do pavé.

Depois de anos a apostar em ciclistas que estão actualmente a ter os resultados que se desejava e que são figuras não só da equipa, mas da modalidade, a Jumbo-Visma quer dar mais um passo de consolidação e destronar a Ineos na Volta a França, mas olhando com ambição total para um Giro e Vuelta, sem esquecer as clássicas (Wout van Aert) e sprints (Groenewegen). Tem equipa para se dividir pelos vários objectivos e a chegada de Tom Dumoulin dá mais uma alternativa para as grandes voltas.

Ao contrário do que se poderia esperar, não vai haver luta de egos por um Tour. Dumoulin procura o título olímpico, pelo que prefere regressar a Itália e a um Giro que já ganhou, a ir a um Tour que pouco lhe assenta e arriscar chegar a Tóquio desgastado. Roglic vai a França, faltando saber como vai juntar esforços com Kruijswijk. Ambos acreditam mais do que nunca que podem ir mais longe no Tour. A Ineos já sente a pressão da Jumbo-Visma e os ciclistas da equipa britânica já vão falando desta aproximação que só pode ser boa para o espectáculo do ciclismo.


15 de outubro de 2019

Uma Volta a França de assustar o melhor dos trepadores

(Imagem: Le Tour de France)
Se a edição de 2019 foi das melhores em anos recentes, a organização do Tour resolveu deixar todos a sonhar com algo inacreditável para 2020. Uma coisa é certa, não se poderá dizer tão cedo que a Volta a França não tem as dificuldades de uma Vuelta por exemplo. Para o ano será montanha, mais um pouco de montanha e quando alguém pensar em descansar, terá mais um pouco de montanha para enfrentar antes de chegar a Paris.

A expressão de Caleb Ewan demonstrou perfeitamente o sentimento de um sprinter, mas diga-se que os candidatos à geral também não pareceram muito tranquilos com o que estavam a ver durante a apresentação desta terça-feira, em Paris. Sorrisos só da parte de Thibaut Pinot (um Tour à sua medida) e de Julian Alaphilippe. Romain Bardet também não tem razões de queixa. E sim, são todos franceses! Tom Dumoulin não esteve presente, mas não tem razões para sorrir, tal como Primoz Roglic (ambos serão colegas na Jumbo-Visma em 2020), é que a ASO apenas colocou um contra-relógio e... é a subir... e não é numa subida qualquer!

Começando precisamente por esta etapa, a penúltima. Não é uma crono-escalada pura, já que dos 36 quilómetros, uma boa parte são planos. Haverá a subida ao Col de la Chevestraye antes da La Planche des Belles Filles, um local que está cada vez mais a tornar-se uma referência no Tour. São cerca de seis quilómetros a 8,4% de média, com a fase final a chegar aos 14%. Para Pinot (Groupama-FDJ), que consegue defender-se bem no contra-relógio, ter um perfil de montanha beneficia-o, já para não falar de Bardet. O líder da AG2R é muito mau no esforço individual, mas talvez consiga minimizar perdas sendo a subir. E claro que há que recordar: esta é a penúltima etapa de um Tour que irá massacrar o melhor dos trepadores. Não haverá tempo para corrigir falhas. O dia seguinte é de consagração.

Haverá muito a pensar nas equipas sobre as escolhas a fazer, ainda mais quando se estará em ano de Jogos Olímpicos. O Tour até começará uma semana mais cedo, mas ainda assim, quem for até ao fim e quiser ir a Tóquio, só terá seis dias para recuperar. Vincenzo Nibali, por exemplo, é um ciclista que está inclinado a escolher o Giro e depois os Jogos Olímpicos, não indo a França. E não será de surpreender que mais ciclistas sigam o mesmo plano em 2020, mas as decisões deverão ser tomadas quando forem conhecidos os percursos da Volta a Itália e da corrida em Espanha. Principalmente do Giro.

Na Volta a França esperam ao pelotão nove etapas de montanha, seis finais em alto, num total de 29 subidas categorizadas. Há ainda três tiradas que a organização apelida de "acidentadas" e as restantes são consideradas planas, mas muitas terão pequenas armadilhas (atenção ao vento em algumas das tiradas). Estas poderão criar dificuldades às equipas que apostem no sprint em conseguir garantir que de facto os homens mais rápidos disputem as vitórias. Este poderá ser um Tour com muito menos sprinters do que o normal. Chegar a Paris será um inferno que nenhum deles alguma vez enfrentou. Até Peter Sagan poderá enfrentar mais dificuldades para continuar a senda de conquistas de camisolas verdes.

Algo pouco habitual no Tour, além de apenas um contra-relógio (nem um colectivo foi incluído), é existir uma etapa de montanha logo ao segundo dia. Se um sprinter pode vestir a camisola amarela no primeiro dia, também a perderá logo de seguida. Nice receberá duas etapas e o início da terceira. E para não se ter dúvidas que este é de facto um Tour diferente, só haverá uma etapa acima dos 200 quilómetros.

O norte de França não entra no percurso, mas regressa o Maciço Central. Os Pirenéus chegarão primeiro do que os Alpes e a ASO procurou incluir novas subidas, deixando de fora locais míticos como o Mont Ventoux e o Alpe d'Huez. Mas haverá o Col de la Madeleine, na 17ª etapa, considerada a rainha. Na descrição do director da corrida, Christian Prudhomme, lê-se: "Apenas um grande campeão poderá ganhar no Col de la Loze." É uma subida a 2304 mil metros de altitude, que se tornará no sétimo ponto mais alto da Volta a França. Será uma etapa em que os ciclistas vão procurar reconhecer muito bem antes, pois haverá muitas estradas que nunca foram passadas, incluindo uma via construída apenas para bicicletas que levará até Méribel. E no dia seguinte haverá mais de quatro mil metros de acumulado para fazer!

Entre a 16ª e 18ª etapa muito poderá ficar decidido, mas claro que o objectivo deste percurso é que a decisão vá até La Planche des Belles Filles. Num Tour tão difícil que até levou Chris Froome a dizer que nunca tinha visto nada assim, descrevendo-o como "brutal", será muito difícil a equipas como a Ineos e a Jumbo-Visma controlarem. São etapas que convidam a ataques, o que faz com que Julian Alaphilippe tenha gostado do percurso, com o ciclista da Deceuninck-QuickStep a garantir que não quer lutar pela geral, mas não se importará de repetir o brilharete de 2019, ganhando etapas e andando de amarelo.

Tanta dureza pode resultar em espectáculo, mas poderá haver algum cuidado nos primeiros dias, com as equipas e ciclistas a preocuparem-se em poupar forças a pensar que haverá muito sofrimento pela frente. Uma Volta a França como esta acaba por ser uma incógnita como será enfrentada e até levanta a dúvida de quem a quererá enfrentar.

À primeira vista, assenta bem aos colombianos de características de trepador, com Egan Bernal, o vencedor de 2019, à cabeça. Nairo Quintana poderá estar satisfeito com o que viu. Além dos francesas referidos, Pinot e Bardet, o espanhol Mikel Landa (que vai para a Bahrain-Merida) também gostará da muita montanha e do pouco contra-relógio. Chris Froome (Ineos) teria apreciado mais contra-relógio, tal como Dumoulin e Roglic. Steven Kruijswijk será uma aposta da Jumbo-Visma que talvez se adapte melhor. A Mitchelton-Scott tem os irmãos Yates para um percurso com esta dificuldade.

As etapas e a indicação do tipo de percurso: 

1ª etapa (27 de Junho): Nice - Nice (156 quilómetros, plana)

2ª etapa (28): Nice - Nice (187, montanha)

3ª etapa (29): Nice - Sisteron (198, plana)

4ª etapa (30): Sisteron - Orcière-Merlette (157, montanha)

5ª etapa (1 de Julho): Gap - Privas (183, plana)

6ª etapa (2): Le Teil - Mont Aigoual (191, montanha)

7ª etapa (3): Millaur - Lavaur (168, plana)

8ª etapa (4): Czères-sur-Garonne - Loudenvielle (140, montanha)

9ª etapa (5): Pau - Laruns (154, montanha)

Dia de descanso em La Charente-Maritime (6)

10ª etapa (7): Îled'Oleron - Île de Ré (170, plana)

11ª etapa (8): Châtelaillon-Plage - Poitiers (167, plana)

12ª etapa (9): Chauvigny - Sarran (218, acidentada)

13ª etapa (10): Châtel-Guyon - Puy Mary (191, acidentada)

14ª etapa (11): Clermont-Ferrand - Lyon (197, acidentada)

15ª etapa (12): Lyon - Grand Colombier (175, montanha)

Dia de descanso em Isère (13)

16ª etapa (14): La-Tour-du-Pin - Villard de Lans (164, montanha)

17ª etapa (15): Grenoble - Méribel Col de la Loze (168, montanha)

18ª etapa (16): Méribel - La Roche-sur-Foron (168, montanha)

19ª etapa (17): Bour-en-Bresse - Champagnole (160, plana)

20ª etapa (18): Lure - La Planche des Belles Filles (36, contra-relógio)

21ª etapa (19): Mantes-la-Jolie - Paris (122, plana)



15 de setembro de 2019

Equipas da Vuelta uma a uma

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Ponto final na terceira e última grande volta do ano. Houve espectáculo, reviravoltas, polémica, confirmações de jovens ciclistas e um vencedor justo, Primoz Roglic (Jumbo-Visma). Entra-se agora em modo final de temporada, com os Mundiais (entre 22 e 29 de Setembro) e o último monumento, Lombardia (12 de Outubro), como os derradeiros grandes objectivos de uma temporada que, a nível do World Tour, terminará novamente na China, com a Volta a Guangxi (17 a 22 de Outubro). Para concluir a Vuelta, uma análise às equipas, sem esquecer os ciclistas portugueses. A ordem é da classificação colectiva, que mais uma vez foi ganha pela espanhola Movistar.

Movistar: Nairo Quintana venceu uma etapa e foi líder por um dia. Alejandro Valverde também picou o ponto e aos 39 anos foi segundo na Vuelta, o que significa que não se pode dizer que tenha sido uma corrida má da equipa espanhola. Porém, queria ganhar, mas mais uma vez ter dois líderes que não estão muito interessados em ajudar o companheiro só prejudicou a concretização dos objectivos. Chegou-se ao ponto de ver Marc Solar protestar publicamente por ter de esperar por Quintana e abdicar de lutar pela etapa. O colombiano tem responsabilidade por ter novamente falhado na montanha, onde deveria fazer diferenças e assim ter deixado escapar o pódio, mas também não ajudou estar isolado dentro da equipa. Valverde fez a sua corrida, mas tem sempre o dia em que se afasta da luta pela vitória final. O episódio do ataque quando Roglic e vários outros ciclistas tinham caído não ajudou a que esta equipa ficasse bem vista. Uma Movistar unida e Roglic e a Jumbo-Visma poderiam ter tido uma rival à altura. Quanto a Nelson Oliveira, foi a prestação de nível habitual. É um dos melhores gregários do pelotão internacional e corrida após corrida demonstra porquê. Chegou a andar em fuga, mas não foi desta que repetiu a vitória de etapa de 2015. Foi 46º a 2:20.59 horas de Roglic.

Astana: Equipa fortíssima nas provas por etapas de uma semana, mas falhou nas três grandes voltas. Na Vuelta apostou tudo num Miguel Ángel López que começa a tornar-se num eterno candidato, sem confirmar credenciais. Ainda é um ciclista jovem, tem apenas 25 anos, mas esperava-se que pelo menos tivesse conquistado um lugar no pódio nesta edição. Começou bem no contra-relógio por equipas, López chegou a liderar por três vezes, mas como tem sido habitual, há sempre algo que acontece a este corredor. Ou cai, ou fura, ou simplesmente não tem pernas para os rivais, como foi o caso. Na última etapa de montanha, López deixou ainda escapar a camisola da juventude. A equipa não foi uma boa ajuda nas primeiras etapas mais complicadas, mas após o primeiro dia de folga, López não se pode queixar dos companheiros. No final, fica um quinto lugar a saber a pouco do colombiano (a 4:48 minutos de Roglic) e a vitória de etapa de Jakob Fuglsang, a sua primeira e já muito merecida numa grande volta. López acabou por subir ao pódio em Madrid como o ciclista mais combativo da Vuelta.

Jumbo-Visma: Aliou a juventude à experiência, escolhendo um sete de qualidade para rodear Primoz Roglic. Fez toda a diferença quando comparada com a equipa que foi ao Giro. Também havia qualidade, mas faltou mais experiência. Mesmo perdendo cedo Steven Kruijswijk, a Jumbo-Visma fez uma Vuelta positiva. Ainda assim, deixou algumas vezes o líder demasiado cedo sozinho. Aí valeu Primoz Roglic ser um grande chefe-de-fila. Respondeu a tudo, foi calculista, frio e não se deixou levar por emoções como no Giro. Venceu o contra-relógio e ganhou margem para ganhar a Vuelta, que segurou. Vitória mais do que merecida daquele que de facto foi o melhor entre os candidatos e que ficou ainda com a camisola verde dos pontos. Mas uma palavra para um excelente Sepp Kuss. Foi um gregário de luxo e tem apenas 25 anos. Na 15ª etapa foi para a fuga para eventualmente ajudar mais tarde Roglic. Não foi preciso e o americano aproveito para ganhar. Cuidado com esta Jumbo-Visma para 2020. A equipa melhora a cada grande volta e agora ganhou uma. Começou a Vuelta a cair no contra-relógio colectivo e acabou a ganhar. É a prova que o importante é como se acaba e não como se começa. Foi o contrário do que se viu no Giro.

Mitchelton-Scott: Era uma Vuelta para principalmente testar Johan Esteban Chaves. O vencedor de 2018, Simon Yates, ficou desta feita de fora depois de ter feito o Giro e o Tour. Chaves regressou este ano após uma longa ausência por doença, após a Volta a Itália do ano passado. Ganhou uma emotiva etapa no Giro, mas o regresso à liderança da equipa na Vuelta não correu bem. Rapidamente começou a ficar fora da disputa até pelo top dez e mesmo ficando entre os 20 melhores, terminar a quase uma hora de Roglic lança muitas dúvidas sobre o futuro deste colombiano de 29 anos. Luka Mezgec pouco se viu nos sprints e num acabou por cair e acabou a Vuelta no hospital. De resto, foi uma equipa discreta, muito diferente da Mitchelton-Scott de 2018.

AG2R: Com Pierre Latour a não aproveitar a oportunidade de lutar por um bom resultado, valeu à equipa francesa Geoffrey Bouchard, um ciclista que há um ano foi estagiário na segunda metade da temporada, depois de se destacar nos escalões amadores. Tem 27 anos e na sua primeira grande volta foi o rei da montanha. A partir da segunda semana e aproveitando uma fuga, apresentou a sua candidatura ao título a Ángel Madrazo, que esteve mais de meia volta como o líder da classificação. Bouchard venceu e foi assim o destaque de uma equipa que de outra forma estava a passar ao lado da corrida.

Sunweb: Foi uma época muito aquém do esperado nas grandes voltas dada a lesão de Tom Dumoulin no Giro. Na Vuelta, a equipa salvou um pouco deste 2019 na Vuelta. Nicolas Roche foi líder durante três dias - acabaria por abandonar pouco depois devido a uma queda - e Nikias Arndt venceu uma etapa. Foi ainda activa em fugas, na procura por mais vitórias. Wilco Kelderman voltou a desiludir, apesar de ter recuperado posições até ao sétimo lugar. Um menos mal, mas a equipa gostaria de ter mais garantias do ciclista agora que vai perder Dumoulin para a Jumbo-Visma.

Euskadi-Murias: Fez o que se esperava, ainda que Óscar Rodríguez tenha desiludido um pouco. Não se mostrou na montanha e esteve longe de lutar por um top dez. Ainda assim, foi uma boa Vuelta para a equipa Profissional Continental. Os seus ciclistas foram incansáveis para tentar ganhar uma etapa e Mikel Iturria conseguiu-a. O futuro da equipa está um pouco incerto, mas a prestação na corrida espanhola foi positiva e uma boa apresentação a potenciais patrocinadores.

Bahrain-Merida: Dylan Teuns foi a figura da equipa no Tour e na Vuelta, ainda que em Espanha partilhe a atenção com Hermann Pernsteiner. O belga esteve perto de ganhar outra etapa numa grande volta, mas teve como consolação vestir a camisola vermelha por um dia. Depois andou num sobe e desce na classificação, mas não conseguiu um top dez, com o seu companheiro austríaco também a lá estar por dois dias, sendo uma das surpresas da Vuelta. Viu-se pouco do jovem talento ucraniano Mark Padun. Foi uma Bahrain-Merida de que não se esperaria muito mais do que aquilo que fez.

Dimension Data: Há um ano salvou a temporada na Vuelta, mas desta feita Ben King não conseguiu ganhar etapas e os companheiros não estiveram muito melhor. Quase que deu para esquecer que Louis Meintjes esteve na corrida, não fosse vê-lo em fuga. Ben O'Connor continua a tentar repetir a forma da primeira metade da temporada de 2018, mas está longe de o conseguir. Vuelta fraca da equipa sul-africana, tal como toda a temporada.

Ineos: Foi das piores grandes voltas da equipa. Todos os ciclistas começaram a falhar logo nas primeiras etapas. Tao Geoghegan Hart tentou salvar algo, entrando em fugas e ficou perto de ganhar uma etapa. Wout Poels e David de la Cruz foram desilusões completas e a restante equipa passou mais tempo na retaguarda do pelotão ou em grupos atrasados. Salvo Hart, foi uma prestação má de mais para uma equipa do estatuto da Ineos.

Bora-Hansgrohe: Sam Bennett pode ter ficado frustrado por não ter ido ao Giro nem ao Tour, mas estreou-se na Vuelta com duas vitórias e ficou perto de vencer em Madrid, sendo batido por Fabio Jakobsen. Mas esta equipa alemã mostrou novamente que pode alcançar mais do que ganhar etapas. Rafal Majka fechou mais um top dez (sexto, a 7:33). Porém, o polaco voltou a revelar que não tem capacidade para discutir uma grande volta e pode começar a perder espaço, dado os ciclistas que estão a emergir na estrutura, como Emanuel Buchmann. Boa volta da Bora-Hansgrohe.

Deceuninck-QuickStep: Cinco vitórias de etapas: duas pelo veterano e sempre com enorme classe, Philippe Gilbert, duas pelo estreante Fabio Jakobsen (incluindo em Madrid) e uma pelo jovem francês Rémi Cavagna. É preciso dizer mais? Apenas uma referência a James Knox. Teve azar no Giro, caindo e abandonando. Na Vuelta, caiu na polémica antepenúltima etapa, ficou muito mal tratado e não resistiu na tirada de montanha de sábado. Conseguiu acabar, mas saiu do top dez, ficando em 11º. Ainda sim, boa prestação do britânico de 23 anos.

Lotto Soudal: Foi a equipa habitual, a procurar vitórias de etapa, mas desta feita sai de Espanha a zero. O objectivo de Thomas de Gendt em querer terminar o maior número de grandes voltas consecutivas, não falhando nenhuma durante a temporada, fez com que chegasse à Vuelta muito cansado. Há um ano tornou-se no primeiro belga a ganhar a camisola da montanha na corrida espanhola, desta feita, pouco se viu deste excelente ciclista.

UAE Team Emirates: A equipa não esteve bem na montanha e Fernando Gaviria está a ter um ano de estreia na formação dos Emirados Árabes Unidos para esquecer. Fabio Aru foi para casa mais cedo. Porém, houve Tadej Pogacar. Um estreante numa grande volta, que há um ano era amador, mas tinha vencido de forma espectacular a Volta a França do Futuro. E foi ainda mais espectacular na Vuelta. Três vitórias de etapa, a última num ataque a mais de 30 quilómetros da meta! E com essa ousadia, garantiu ainda o terceiro lugar no pódio e a camisola da juventude. Um fenómeno!

Katusha-Alpecin: Sem líder para a geral, sem um grande sprinter e com a equipa ainda sem ter definido o seu futuro, os oito ciclistas eleitos para a Vuelta tinham liberdade para fazerem a sua corrida. E a referência foi Ruben Guerreiro. Ao terceiro ano no World Tour estreou-se finalmente numa grande volta e que grande corrida fez o português de 25 anos. Andou muitas vezes em fuga, fez um segundo e um quarto lugar, terminou em 17º na geral a 42:05 minutos e foi dos ciclistas que mais se mostrou na Vuelta, merecendo destaque por parte dos meios de comunicação social. Estará a caminho da Lotto Soudal e, se assim for, é um contrato mais do que merecido para continuar ao mais alto nível. Ruben Guerreiro confirmou todo o seu potencial na Volta a Espanha.

Groupama-FDJ: Foi à Vuelta sem grande ambição e mostrou ainda menos na corrida. Marc Sarreau é um sprinter interessante, mas não tem capacidade para disputar etapas com os melhores da especialidade. A Groupama-FDJ limitou-se a cumprir calendário e a dar alguma experiência a Bruno Armirail e eventualmente seria o objectivo para Benjamin Thomas, que, no entanto, abandonou após a 11ª etapa.

Cofidis: A equipa francesa Profissional Continental (que pode estar a caminho do World Tour) tem alcançado resultados bem melhores na Vuelta do que no Tour. Tal como em 2018 vestiu a camisola vermelha, ainda que por um dia, com Nicolas Edet, com Jesús Herrada - que tinha sido líder há um ano - a ganhar uma etapa. O irmão, José, também esteve perto. Foi uma equipa combativa e sai da Vuelta com o sentimento de missão cumprida.

Trek-Segafredo: John Degenkolb está de saída e tirando a vitória na etapa de Roubaix no Tour em 2018, não vai deixar saudades. Esteve desaparecido na Vuelta. Gianluca Brambilla nunca mais foi o ciclista dos tempos da QuickStep e a restante equipa pouco se mostrou, perante a fraca exibição das duas principais figuras. Edward Theuns quase salvou a honra, mas perdeu ao sprint frente a Sam Bennett na terceira etapa. Vuelta fraca da equipa americana.

EF Education-First: Correu quase tudo mal à formação dos Estados Unidos. Levou um dos blocos mais fortes, mas na sexta etapa perdeu Rigoberto Uran e Hugh Carthy numa queda e nesse mesmo dia, Tejay van Garderen, que ia na fuga, também caiu e não partiu na tirada seguinte. Daniel Martínez desiludiu, mas Sergio Higuita confirmou as expectativas. O primeiro colombiano falhou o Tour por lesão, regressou com uma vitória nos Jogos Pan-Americanos, mas ficou doente, o que prejudicou a sua preparação para a Volta a Espanha. Ainda não foi desta que confirmou credenciais na luta pela geral. Já o estreante Higuita venceu uma etapa em que esteve praticamente os 178 quilómetros em fuga, os últimos sozinho. 22 anos de um talento que irá à procura de se tornar também ele um grande voltista da Colômbia.

Caja Rural: Merecia mais. Equipa muito lutadora que ficou tão perto de ganhar uma etapa, mas acabou por ser a única Profissional Continental que não o conseguiu fazer. Alex Aranburu foi duas vezes segundo e somou mais boas prestações. Vai assinar por duas temporadas pela Astana. Jonathan Lastra também andou muito em fuga e a desilusão foi o russo Sergei Chernetski, que deveria ter-se mostrado na montanha e procurado um bom lugar na geral. Foi 111º, a mais de quatro horas de Roglic. Também Domingos Gonçalves ficou aquém das expectativas, na sua estreia em grandes voltas. Não se viu em fugas e foi uma pena não ter conseguido mostrar aquela sua característica garra quando está em boa forma. Abandonou, não partindo para a 14ª etapa.

CCC: Quando é um ciclista mais forte no sprint a mostrar-se em fugas em etapas de montanha, Jonas Koch, diz muito sobre uma equipa. A CCC foi outra equipa a passar despercebida, esperando que pelo menos tenha servido para que um jovem talentoso como Will Barta tenha ganho experiência para se mostrar no futuro. Vuelta fraca da formação polaca a precisar de bons reforços para 2020.

Burgos-BH: Ángel Madrazo fez a Volta a Espanha de uma Burgos-BH a precisar e muito de uma boa prestação. O espanhol de 31 anos venceu uma etapa e foi durante 14 dias líder da classificação da montanha. Porém, gastou muitas forças na primeira metade da Vuelta e até aparecer Geoffrey Bouchard (AG2R), ninguém estar interessado naquela camisola. Quando o francês entrou na disputa, Madrazo e a Burgos-BH não teve capacidade para defender a liderança. Porém, a equipa conseguiu muito mais do que apenas mostrar o equipamento e tem de ser considerada uma boa corrida de uma Burgos-BH, que foi sempre colocando ciclistas em fugas à procura de mais. Quanto aos dois portugueses, não se viu Ricardo Vilela nas etapas de montanha como se esperaria (105º, a 4:04.24 horas) e na estreia numa grande volta, Nuno Bico sai de Espanha como o lanterna vermelha (153º, a 5:56.02). Numa corrida tão difícil, Bico terminou, o que foi o mais importante para quem foi para a Burgos-BH para recuperar a alegria de competir. E muitos foram os que não chegaram ao fim desta difícil 74ª edição da Volta a Espanha.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




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14 de setembro de 2019

Roglic conquista a Vuelta e o seu lugar na história

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Em Fevereiro de 2017 escreveu-se neste blog: "Desculpa Roglic, mas vamos falar de Amaro Antunes". Nesse dia o algarvio tinha acabado de vencer no Alto do Malhão, numa Volta ao Algarve conquistada pelo esloveno. Era uma vitória demasiado importante para o ciclismo nacional para não deixar Roglic em segundo plano. Hoje tudo é diferente e Roglic merece todo o destaque. Hoje é dia de Primoz Roglic ter textos sobre ele escritos nas mais variadas línguas, lidos em todo o mundo. Sim, vai partilhar um pouco da ribalta com o compatriota Tadej Pogacar, é inevitável, mas hoje é o dia que Roglic entra para história da Eslovénia, um país que agora pode dizer que tem um vencedor de uma grande volta. Sempre se há-de recordar que Roglic foi um saltador de esqui, que começou tarde no ciclismo, mas o importante é que chegou mais do que a tempo de ter o seu lugar na história.

Pé ante pé, Roglic foi conquistando estatuto na equipa, Jumbo-Visma, e no pelotão mundial. Começou a ganhar etapas - a primeira foi no Giro logo em 2016, o seu primeiro ano no World Tour -, com foco no contra-relógio. Depois foi-se afirmando em provas de uma semana. Ainda assim, há dois anos continuava-se a duvidar que se estaria perante um voltista com capacidade para lutar pela vitória na geral. O Tour de 2018 mudou tudo. Roglic ficou à porta do pódio, falhando, curiosamente, na sua especialidade, o contra-relógio. Pagou o esforço de no dia antes ter apostado numa fuga solitária para ganhar a etapa. Não subiu ao pódio em Paris, mas foi como se gritasse bem alto que estava na altura de ter a oportunidade de ser líder indiscutível.

A Jumbo-Visma apostou tudo no esloveno no Giro, mas foi entusiasmo a mais. Entrou forte em 2019 - ganhou todas as provas até à Volta a Itália: Volta aos Emirados Árabes Unidos, Tirreno-Adriatico e Volta à Romandia - e entrou ainda mais forte no Giro, quebrando a partir do meio da corrida. Fez pódio, terceiro, o que foi um prémio merecido. Mas Roglic queria mais.

Aprendeu a lição. Surgiu na Vuelta com menos competição antes da corrida, só competindo nos nacionais, na prova em linha (foi quarto). Entrou com calma na Volta a Espanha, ainda que tenha tido um arranque acidentado com a queda colectiva no contra-relógio por equipas. Nas etapas seguintes - e na Vuelta quase todas são difíceis -, manteve-se atento aos rivais, foi controlando o seu esforço e, no contra-relógio individual (10ª etapa), venceu e vestiu a vermelha, para não mais a largar.

Foi atacado por todos e sempre respondeu. Soube aliar-se nos momentos certos a rivais para ganhar tempo a outros rivais e assim foi garantindo a vantagem que, por outro lado, foi desmoralizando uma concorrência que percebeu que Roglic estava forte de mais, física e mentalmente.

Roglic aprendeu a lição do Giro, mas a Jumbo-Visma também. Foi escolhido um grupo mais forte, entre jovens e experientes ciclistas e nem a saída de Steven Kruijswijk devido à queda na primeira etapa, enfraqueceu a equipa. Tony Martin foi o bom velho Martin ainda que também tenha abandonado por queda na antepenúltima etapa. George Bennett variou entre o melhor e uns momentos menos bons, Robert Gesink é a voz da experiência e Sepp Kuss é um jovem de grande maturidade, tendo ganho uma etapa. Lennard Hofstede e Neilson Powless cumpriram a suas funções, sendo normalmente dos primeiros a serem sacrificados juntamente com Tony Martin.

A Jumbo-Visma não foi perfeita e chegou a deixar cedo de mais o seu líder sozinho, mas também aí Roglic comprovou que é o chefe-de-fila que a equipa precisa. Respondeu com categoria às dificuldades e só o facto da Vuelta ser propícia a reviravoltas é que não deixou que se dissesse há mais tempo que a corrida estava ganha.

Na Plataforma de Gredos, Roglic pôde finalmente celebrar. Não é dos ciclistas mais efusivos, mas o lugar na história é seu. Agora há que chegar a Madrid este domingo para fechar um ciclo que a equipa da Jumbo-Visma tanto queria e começar a pensar no próximo, o da consolidação entre as melhores equipas nas grandes voltas. Ou seja, ser a grande rival da Ineos! A descendente da Rabobank ganha novamente uma grande volta dez anos depois de Denis Menchov ter conquistado o Giro. 

Foi um caminho difícil, de incerteza - a estrutura quase fechou portas quando perdeu o patrocínio da Rabobank -, mas aí está uma Jumbo-Visma a ganhar e a ser a única equipa que colocou um ciclista no pódio das três grandes voltas. Roglic foi terceiro no Giro e Kruijswijk alcançou a mesma posição no Tour.

Depois de Madrid, depois da festa será altura de assumir o próximo desafio para 2020. Roglic irá atrás da confirmação de voltista vencedor, querendo uma segunda vitória que nem sempre é fácil de alcançar. Que o diga Tom Dumoulin! O holandês que será precisamente um dos rostos novos da Jumbo-Visma para assim rivalizar com a Ineos. Conquistada a Vuelta, arranca uma nova era numa equipa que já pode dizer que sabe o que é ganhar uma grande volta em tempos recentes.

Pogacar irresistível


(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Roglic chegou tarde ao ciclismo, mas aos 29 anos está longe de ser um velho corredor. Porém, já sabe que na Eslovénia terá o seu rival na história que este país começa a escrever na modalidade. Com apenas 20 anos (faz 21 a 21 de Setembro), Pogacar já conquistou tudo e todos. Mais uma brilhante exibição na 20ª etapa, Arenas de San Pedro - Plataforma de Gredos (190,4 quilómetros). Na primeira tirada de montanha da última semana, Pogacar fraquejou um pouco, mas para quem não sabia o que era competir três semanas, ficou-se a saber que tem de facto tudo e mais alguma coisa para ser um excelente voltista.

Pogacar fez o que tão poucos têm coragem de fazer. Atacou sozinho a quase 40 quilómetros da meta. Ninguém o conseguiu ou quis seguir. Arriscou e assim garantiu a classificação da juventude que tirou a um Miguel Ángel López que antes tinha tentando atacar, mas nem ele nem a Astana já tinham forças para fazer melhor. A Movistar ficou a olhar não se sabe bem para onde e para quem e Nairo Quintana perdeu o seu lugar no pódio para Pogacar. Alejandro Valverde ainda se teve de aplicar para garantir que não cedia o segundo posto. O esloveno, sem ter qualquer ajuda dos colegas da UAE Team Emirates, saltou de quinto para terceiro, ganhou a sua terceira etapa na Vuelta e tudo na estreia de uma grande volta.

Este sábado e domingo serão dias para se falar de Roglic, mas não vai demorar a que se fala e muito deste fabuloso Pogacar. E puxando um pouco para o lado português, são dois ciclistas vencedores da Volta ao Algarve!

Classificações completas, via ProCyclingStats.

20ª etapa: Fuenlabrada - Madrid (106,6 quilómetros)



Etapa de consagração para Primoz Roglic, Tadej Pogacar e Geoffrey Bouchard (vencedor da classificação da montanha, da AG2R) e com os resistentes sprinters à procura de subir ao último pódio da Vuelta. Cai o pano na 74ª edição da corrida, na qual se celebrou 10 anos de camisola vermelha que vai para a Eslovénia.




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13 de setembro de 2019

Não vale tudo para ganhar

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Não é uma atitude inédita, não há nada nos regulamentos que a proíba, mas o fair play não é uma treta, mesmo quando uma das equipas mais importantes do pelotão internacional, que tem nas suas fileiras o campeão do mundo, resolve quebrar a mais básica das regras de respeito no ciclismo. Atacar a corrida quando o líder tinha ficado envolvido numa queda foi uma atitude de baixo nível para a formação espanhola, com repercussões que podem ir muito além das críticas de que está a ser alvo de ciclistas e até antigos corredores. Ninguém vai esquecer tão cedo o que a Movistar fez.

A queda deu-se aos 65 quilómetros. Foi grave ao ponto do médico da corrida pedir a presença da ambulância, com vários ciclistas no chão. Tony Martin, companheiro de Primoz Roglic na Jumbo-Visma abandonou com um ferimento no olho e Marco Marcato (UAE Team Emirates) também não retomou a prova. Houve mais ciclistas afectados que demoraram a conseguir regressar à corrida. O líder, Primoz Roglic, não sofreu qualquer problema físico, mas teve de trocar de bicicleta. Miguel Ángel López (Astana), quarto na geral, ficou com mais uns arranhões. Os ciclistas da Jumbo-Visma e da Astana ficaram quase todos envolvidos na queda. Quando recomeçaram a pedalar foram surpreendidos com a decisão da Movistar em atacar.

A regra de respeito, vamos chamar assim, tem normalmente a excepção se a corrida já estiver lançada. Ou seja, se a Movistar já estivesse ao ataque quando se deu a queda, a reacção seria um pouco diferente, ainda que provavelmente nunca pacífica. Porém, não foi isso que aconteceu. A Movistar acelerou depois da queda. Marc Soler, José Joaquín Rojas e Nelson Oliveira receberam ordens para aumentar o ritmo, levando com eles Alejandro Valverde, o campeão do mundo e segundo na Vuelta.

Atitude feia, de falta de fair play e que apenas passou a imagem de uma equipa que ao não conseguir derrotar Roglic e a Jumbo-Visma na luta de igual para igual, tentou explorar o azar do líder da Volta a Espanha. Muitas eram as cabeças a abanar de ciclistas de outras equipas em sinal de repreensão à postura Movistar. No final houve críticas, mas nenhuma como a de López: "Os [ciclistas] da Movistar são sempre os mesmos estúpidos que fazem estas coisas. São sempre os mesmos tontos. [...] Estas acções estúpidas são o que a equipa do campeão do mundo faz. É com isso que estamos a lidar. Que campeão do mundo temos!" O colombiano escreveria mais tarde no Twitter um pedido de desculpas pelas palavras utilizadas, explicando que foi no calor do momento.

O colombiano da Astana não escondeu em nada o que sentia perante a acção da Movistar e de Valverde. O espanhol é uma voz de liderança no pelotão, mas não foi o exemplo que se esperaria numa situação como esta e este tipo de atitudes não são esquecidas, com a Movistar arriscar a ficar isolada não só nesta Vuelta, mas noutras corridas também. No final das etapas, Valverde é dos ciclistas que fala praticamente sempre aos jornalistas. Desta feita, rapidamente se afastou recusando fazer qualquer comentário.

A equipa emitiu entretanto um comunicado a pedir desculpa, repetindo o que o seu director desportivo José Luis Arrieta já tinha dito, ou seja, que o ataque já estava programado, para aproveitar o vento. Lê-se que a Movistar nunca quis tirar partido da queda dos rivais e a equipa pede ainda para que haja "um critério único, tanto por parte das equipas, como do regulamento da corrida, sobre como actuar em situações como esta".

As desculpas de pouco servirão, mas o comunicado refere a outra questão em causa nesta 19ª etapa. Os comissários da UCI, perante o ataque da Movistar, decidiram permitir que os ciclistas atrasados pudessem aproveitar os carros para chegar ao grupo da equipa espanhola. Arrieta ficou furioso e foi quando deu ordem aos seus ciclistas para parar o ataque. Já tinham sido percorridos 15 quilómetros. A decisão dos comissários surpreendeu, pois no regulamento nada proíbe uma equipa de atacar só porque o líder sofreu uma queda ou outro problema. Pode ter sido uma decisão feita na perspectiva de manter a verdade desportiva, mas fica aberto um precedente para situações futuras.

Rémi Cavagna, mais um jovem a triunfar na Vuelta

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Como se esperava, a Volta a Espanha está a ser marcada pelas boas prestações de ciclistas com menos de 25 anos. Na etapa entre Ávila e Toledo (165,2 quilómetros), polémicas à parte, Rémi Cavagna estreou-se a ganhar numa grande volta ao estilo do veterano companheiro de equipa Philippe Gilbert. O francês, de 24 anos, deixou o grupo que estava em fuga com mais de 20 quilómetros ainda por cumprir.

Com tanta confusão no pelotão, a perseguição à frente da corrida começou mais tarde. Cavagna não esteve longe de ver a vitória escapar-lhe quase sobre o risco de meta, mas aguentou na subida em empedrado em Toledo. Pela segunda vez, Sam Bennett viu um homem da Deceuninck-QuickStep ficar à sua frente após um ataque, desta feita mais distante, já que Gilbert precisou de "apenas" uns metros para ganhar a sua segunda etapa há uns dias, frente ao irlandês da Bora-Hansgrohe. E já são quatro etapas da Vuelta para a equipa belga.

Na geral acabou por ficar tudo na mesma. A vitória e o restante pódio na Vuelta serão decididos este sábado com Roglic a ter mais 2:50 minutos sobre Valverde, 3:31 sobre Nairo Quintana (Movistar), 4:17 sobre Miguel Ángel López e 4:49 sobre Tadej Pogacar (UAE Team Emirates).

Classificações completas, via ProCyclingStats.

20ª etapa: Arenas de San Pedro - Plataforma de Gredos (190,4 quilómetros)


Seis contagens de montanha e com o vento a poder ter um papel importante para dificultar ainda mais a missão de Roglic, isto partindo do princípio que, sendo a última oportunidade para definir a geral, vão haver ataques. A ausência de Tony Martin será um rude golpe para a Jumbo-Visma no controlo da etapa, não esquecendo que perdeu no início da Vuelta Steven Kruijswijk.

Os ciclistas vão terminar as subidas praticamente sempre acima dos mil metros de altitude e a primeira categoria a enfrentar pode não ter pendentes muito difíceis - a média é de 4,4% -, mas tem 18,4 quilómetros. Depois o pelotão descerá um pouco, antes de voltar logo a subir mais nove quilómetros com dificuldade idêntica. A última primeira categoria da Vuelta será novamente extensa: Puerto de Peña Negra tem 14,2 quilómetros, a 5,9% de pendente média. E para terminar, a 1750 metros de altitude, estará a Plataforma de Gredos, uma terceira categoria com 9,4 quilómetros a 3,8% de média.

Com tanto desgaste na etapa e de toda uma Vuelta tão montanhosa, não serão uns quilómetros finais fáceis para ninguém.

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12 de setembro de 2019

Da vitória no Alentejo à conquista de Espanha

(Fotografia: © La Vuelta)
Sergio Higuita chegou ao World Tour em Maio e não perdeu tempo para deixar a sua marca. Era esse o seu objectivo, pois o pequeno colombiano é grande em ambição e ainda maior na dedicação a trabalhar para alcançar o topo. Cerca de um mês antes de disputar a Volta a Califórnia com Tadej Pogacar, Higuita esteve na Volta ao Alentejo, tendo ganho na etapa que terminou em Portalegre. Meio ano depois atingiu o ponto mais alto da sua curta carreira. Até agora, claro, pois a vitória na 18ª tirada da Vuelta é apenas o início de um caminho que muito promete para este jovem colombiano.

Higuita é mais um dos ciclistas da nova geração que está a afirmar-se muito rapidamente ao mais alto nível. Foi um dos atletas que conseguiu na Manzana Postobón mostrar o seu talento, convencendo os responsáveis da EF Education First. No entanto, a equipa americana preferiu colocar o ciclista na Fundação Euskadi na primeira parte do ano, de forma a permitir uma maior adaptação à realidade europeia. Numa entrevista ao Volta ao Ciclismo, Higuita afirmava que estava a ser uma uma experiência positiva, principalmente para se adaptar ao Inverno na Europa, já que pela Manzana Postobón tinha realizado algumas corridas no Velho Continente.

A aposta da EF Education First em colocá-lo na formação espanhola foi acertada. Higuita evoluiu o suficiente para entrar pela porta grande no World Tour. Higuita sabia que a sua estreia seria na Volta à Califórnia. Logo então ficou bem clara a ambição do jovem colombiano, que queria apresentar-se forte na nova equipa. Foi segundo, a 16 segundos de Pogacar (UAE Team Emirates). Estava feita a apresentação no World Tour. Foi quarto na Volta à Polónia e chegou à Vuelta com direito a receber muita atenção, numa equipa com Rigoberto Uran e Daniel Martínez, dois compatriotas, um já veterano e outro também visto como grande promessa.

Aos 22 anos, Higuita enfrentou a Vuelta como enfrentou a sua chegada ao World Tour. Sem medo, com vontade de mostrar-se, com ainda mais vontade de vencer. A sua impetuosidade já lhe criou alguns dissabores, pois por vezes desgasta-se desnecessariamente. Porém, a Vuelta também está para aprender. É por isso que está com liberdade e sem responsabilidade. Mas também é verdade que a mesma impetuosidade teve um papel importante na sua vitória de etapa esta quinta-feira, em Becerril de la Sierra.

O jovem colombiano esteve ao ataque praticamente desde o primeiro quilómetro. Não teve problema em trabalhar para tentar manter a fuga, no que poderia parecer que estava novamente a desperdiçar forças. Mas desta feita encontrou as que precisava para aproveitar a vantagem que ganhou na descida antes da última subida do dia. Como a etapa não terminava em alto, ainda teve quase 30 quilómetros em plano ou em descida para manter à distância (15 segundos na meta) o quarteto de perseguidores: Primoz Roglic, Alejandro Valverde, Miguel Ángel López e Rafal Majka.

Foram 178,2 quilómetros que Higuita não esquecerá, mesmo que pela frente lhe esperem grandes conquistas. E a EF Education First também se irá lembrar como o jovem que chegou a meio da época garantiu a única vitória de etapa numa grande volta em 2019 para a equipa. A aposta na Vuelta foi forte, mas a queda na sexta etapa deixou Uran no hospital (está a recuperar de graves lesões) e também Hugh Carthy abandonou. Tejay van Garderen sofreria outra queda que o levaria a deixar a corrida no dia seguinte. Higuita também caiu com Uran e Carthy, mas aí está ele, a transformar a sua enorme ambição em vitórias.

Já se pode mostrar optimismo

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Foi Primoz Roglic quem admitiu que pode mostrar algum optimismo, mas acrescenta de imediato que é necessário manter a concentração. A louca etapa de quarta-feira deixou marcas em todos e, sem surpresa, principalmente em Nairo Quintana. Depois de recuperar mais de cinco minutos, o colombiano perdeu um. Ainda está no pódio, mas foi novamente ultrapassado pelo companheiro da Movistar, Alejandro Valverde. Porém, mais uma vez, Quintana falhou onde deveria ser mais forte: na montanha.

Foi Miguel Ángel López quem tentou assustar Roglic. A Astana jogou as cartas na perfeição, mas o esloveno da Jumbo-Visma não se assusta facilmente nesta Volta a Espanha, não revela qualquer debilidade, apenas mostra a capacidade de manter a calma quando é atacado e, ao seu ritmo, não deixa os rivais escapar. Foi assim com López. O colombiano chegou a ganhar uma vantagem que nunca foi muito além dos 20 segundos, mas Roglic manteve-se com Valverde e acabaria por apanhar López.

Faltam apenas dois dias para a Movistar e a Astana encontrarem forma de quebrar Roglic. A tirada desta sexta-feira começa com uma terceira categoria, tem algum sobe e desce, mas sem subidas muitos complicadas ou categorizadas. O vento poderá marcar presença, pelo que a Jumbo-Visma terá de estar atenta para não deixar Roglic sozinho, como aconteceu na quarta-feira, caso alguma equipa tente partir o pelotão. Com as forças a escassearem, também é possível que se guarde os últimos ataques para sábado, para as derradeiras montanhas.

Valverde está a 2:50 minutos de Roglic, Quintana a 3:31 e López a 4:17. Trabalhou tanto na 18ª etapa, mas Roglic até foi segundo e bonificou seis segundos. Para o colombiano o esforço valeu a pena para recuperar a liderança da juventude. Ultrapassou Pogacar, que ficou agora a 32 segundos de López.


Classificações completas, via ProCyclingStats.

19ª etapa: Ávila - Toledo (165,2 quilómetros)


Tem tudo para ser uma etapa para os sprinters, mas atenção ao vento e ao quilómetro final. Será em subida e em empedrado, pelo que trará uma dificuldade extra para a preparação do sprint, caso não seja uma fuga a triunfar, como tem sido tão habitual na Vuelta.




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