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10 de dezembro de 2019

"Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade"

(Fotografia: © Team Katusha-Alpecin)
Foi apenas um ano na Katusha-Alpecin, mas Ruben Guerreiro considera que a experiência foi muito importante para a sua carreira e até o ajudou a redescobrir o potencial para ser um ciclista de topo nas provas por etapas, a pensar nas grandes voltas. A Vuelta marcou-o de tal forma que só pensa em regressar a uma corrida de três semanas. Prepara-se para mudar novamente para uma equipa americana. Na EF Education First não tem dúvidas que terá as suas oportunidades e é o próprio a dizer: "Porque não afirmar-me como corredor por etapas?"

Aos 25 anos (faz 26 em 2020) sorri ao recordar que já não vai contar mais para as classificações da juventude, mas rapidamente acrescenta que ainda é um jovem com muito para evoluir. Não esconde como as boas prestações na Volta a Espanha o motivaram ainda mais para trabalhar e alcançar os objectivos que tem na carreira. Um deles é ganhar uma etapa numa grande volta e olha também para a classificação geral: "Espero todos os anos fazer uma grande volta e porque não um dia fazer um top dez? Ficaria um palmarés bonito. Vou lutar por esse objectivo."

As fugas que integrou, estar por duas vezes perto de conquistar uma etapa na Vuelta (foi segundo na 15ª), mas principalmente a forma como o seu corpo reagiu à alta montanha e teve a recuperação necessária para estar ao mais alto nível durante três semanas, foram momentos decisivos para Ruben Guerreiro perceber que pode mesmo ambicionar a este tipo de corridas. "A certa altura da carreira não pensava que fosse possível, mas acho que depois da Volta a Espanha posso acreditar outra vez", admitiu ao Volta ao Ciclismo. O Tour recolhe a sua preferência, até porque realiza-se no mês em que faz anos, como realçou. Contudo, não se importa rigorosamente nada em ir ao Giro e/ou Vuelta, agora que inicia nova etapa na sua vida.


"Gostam da minha maneira de correr [na EF Education First]. Vou trabalhar imenso para os ajudar e espero que me ajudem também"

Com o final da Katusha-Alpecin - a licença World Tour foi comprada pela Israel Cycling Academy - e com vínculo apenas até ao final de 2019, a prestação na Vuelta tornou Ruben Guerreiro num ciclista mais pretendido, com a EF Education First a contratá-lo. Depois da então Axeon Hagens Berman e a Trek-Segafredo (equipa com que se estreou no escalão principal) é o regresso aos Estados Unidos. "Acho que me dou bem com a cultura e com o ciclismo americano", disse, acrescentando que os dois anos de contrato dão-lhe alguma tranquilidade para trabalhar, ainda que não tenha problema em competir sob pressão. "Acho que vou ter as minhas oportunidades e que foi a melhor opção."

Quando foi apresentado como reforço da equipa, o director Jonathan Vaughters descreveu o português como "ousado", mas com o talento para justificar essa forma de ser. Ruben Guerreiro espera precisamente poder manter a sua forma de ser e a sua forma de enfrentar as corridas. "Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade", salientou. E acrescentou: "Gostam da minha maneira de correr [na EF Education First]. Também não posso consigo mudar muito. Vou trabalhar imenso para os ajudar e espero que me ajudem também."

Apesar de desejar estar em pelo menos uma das grandes voltas na próxima temporada, o campeão nacional de 2017 não quer afastar-se das clássicas, pois referiu como uma Strade Bianche e as Ardenas lhe assentam bem.

Depois de duas temporadas na Trek-Segafredo com aspectos muito positivos, mas também com quedas ou problemas de saúde a impedirem Ruben Guerreiro de ser mais regular, o português escolheu mudar-se para a Katusha-Alpecin e não hesita em afirmar: "Acho que foi importante para perceber como estava como corredor. Na Trek-Segafredo acho que poderia ter o mesmo espaço, mas o apoio de José Azevedo foi fundamental. Podemos perceber inglês, mas ouvir português conta muito. Foi um ano para analisar, para tentar evoluir e reencaminhar a minha carreira outra vez."


"Foi uma pena que as coisas tivessem terminado assim, mas cresci mais um pouco como ciclista"

Havia mais um compatriota na equipa, o ciclista José Gonçalves, mas o director José Azevedo acabou por ser um apoio essencial para que Ruben Guerreiro chegasse à Vuelta a acreditar que poderia mostrar-se, depois da desilusão de ter ficado fora do Tour. Apesar de ter sido a época mais regular desde que chegou ao World Tour, ainda assim houve uma clavícula partida que contribuiu para adiar o sonho da Volta a França.

Azevedo também teve influência quando o futuro da Katusha-Alpecin começou a ficar muito incerto. A situação não foi fácil de lidar. "Notava-se muito com desenrolar do ano e muitos corredores foram afectados por isso. Eu fui fazendo o meu trabalho e os directores incentivaram-me bastante, tal como o fez José Azevedo. Tentei sempre fazer o meu caminho. Foi uma pena que as coisas tivessem terminado assim, mas cresci mais um pouco como ciclista e tenho de lhes agradecer por este ano na equipa", frisou.

Quando chegou ao World Tour foi considerado por muitos um dos jovens a seguir com atenção. Depois de prestações muito animadoras - dá-se muito bem com os ares da Austrália - a definitiva afirmação poderá ter começado com a estreia numa grande volta, que finalmente aconteceu este ano. Vai para uma equipa que está a apostar em vários ciclistas jovens, como são os casos dos colombianos Daniel Martínez e Sergio Higuita, Hugh Carthy, Sean Bennett e vai chegar Neilson Powless da Jumbo-Visma, assim como o sprinter da Ineos, Kristoffer Halvorsen. Rigoberto Uran, Michael Woods e Sep Vanmarcke, continuam a ser a voz da experiência de uma estrutura que encontrou estabilidade financeira desde que o actual patrocinador investiu no ciclismo e que em 2019 teve como um ponto alto a conquista de um monumento: a Volta a Flandres, por intermédio de Alberto Bettiol.

Ruben Guerreiro reforçará essa aposta nos mais jovens da EF Education First e depois do estágio de Dezembro, o ciclista português ficará a conhecer melhor o seu possível calendário que não passará pela Volta ao Algarve, já que a equipa não elegeu a corrida do sul do país para competir no arranque da temporada.

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16 de novembro de 2019

Uma EF Education First cada vez mais forte

(Fotografia: © EF Education First)
Entre o bom, o muito bom e um futuro a prometer ainda melhor. A EF Education First não teve razões para terminar 2019 apenas satisfeita. Tem muitas razões para acreditar que pode crescer e ver alguns dos seus jovens ciclistas tornarem-se em figuras do pelotão mundial. E em figuras ganhadoras. Os resultados nas grandes voltas foram bons. Ganhar um monumento foi muito bom. Ter Higuita, Carthy e Martínez , por exemplo, pode tornar tudo ainda melhor.

Rigoberto Uran continua a ser o líder, mas já sabe que tem jovens companheiros mais do que preparados para tirar-lhe destaque. E já o estão a fazer. O colombiano foi novamente top dez do Tour, mas ficou longe do objectivo do pódio. Na Vuelta sofreu uma aparatosa queda e só agora em Novembro está a regressar aos treinos. Fracturou a clavícula, omoplata, costelas, cervical e perfurou um pulmão. A ver vamos como regressa em 2020.

Durante toda esta temporada, Uran viu como alguns dos seus colegas estão a evoluir muito bem. Hugh Carthy (25 anos) começou finalmente a mostrar créditos no World Tour. Excelentes exibições no Giro e na Volta à Suíça (e não só), onde ganhou uma etapa e a camisola da montanha. No Giro ficou à porta do top dez. Martínez adiou a sua afirmação definitiva devido a lesão e também a doença. Começou bem o ano e deixou todos a esperar muito com as prestações no Paris-Nice (venceu uma etapa). Acabou por ficar fora do Tour e na Vuelta esteve longe da sua melhor condição física. Para o colombiano de 23 anos, há que esperar por um 2020 sem problemas, pois é mais um ciclista daquele país preparado para conquistar o World Tour.

A EF Education First tem outro colombiano de enorme talento. Deixou Sergio Higuita adaptar-se à Europa na Fundação Euskadi no início da época e inclusivamente veio à Volta ao Alentejo ganhar uma tirada. Fez a sua estreia na equipa americana na Volta à Califórnia e só Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) foi melhor. Foi chamado para a Vuelta e que espectáculo deu! Naquela etapa 18, na chegada a Becerril de la Sierra, parecia que Higuita não estava a aprender a lição de outros dias de não se desgastar tanto, mas afinal foi o ciclista quem ensinou o que a irreverência, muita força de vontade e um ainda mais talento podem fazer. Vai ser um ciclista que estará debaixo de olho pelos adversários para o próximo ano.
Ranking: 11º (8161,99 pontos) 
Vitórias: 17 (incluindo a Volta a Flandres e uma etapa na Vuelta) 
Ciclistas com mais triunfos: Michael Woods, Daniel McLay e Jonathan Caicedo (2)
Sean Bennett e Jonathan Caicedo são mais dois nomes que geram alguma curiosidade, assim como o do mexicano Luis Villalobos, sendo ciclistas que em 2019 estiveram menos pressionados. Villalobos só chegou em Agosto.

O que reforça a confiança desta equipa é - além de saber que tem jovens de muito potencial e que mais uns vão chegar para 2020 - que conta com homens experientes para manter a formação equilibrada. Lawson Craddock, Sebastian Langeveld, Sep Vanmarcke formam parte de uma espinha dorsal desta estrutura. E claro, Michael Woods. O canadiano está a mostrar o seu melhor depois dos 30 anos, ainda que 2019 não tenha sido bem o esperado. Apostou forte na sua estreia no Tour, mas esteve longe das prestações na Vuelta de 2018, quando ganhou uma etapa. Mas este é um ciclista que sabe que pode ganhar nos grandes palcos e foi à Milano-Torino dar mais uma grande vitória a uma EF Education First que passou a acreditar mais do que nunca que está no caminho certo devido a Alberto Bettiol.

Já se sabia que o italiano era forte nas clássicas, mas não era exactamente tido muito em conta para ganhar um monumento. Mas aos 26 anos, Bettiol escolheu a Volta a Flandres para ter o seu grande momento e conquistar outro estatuto. Tanto se estava a olhar para Mathieu van der Poel e Wout van Aert - as duas novas estrelas das clássicas - e claro para os suspeitos do costume como Peter Sagen e Greg van Avermaet, e lá apareceu um Bettiol a confirmar credenciais e a deixar uma EF Education First em extâse.

Há dois anos temia pelo futuro, agora a equipa está a construir um grupo forte, apostando cada vez mais em jovens, contratando para 2020 Neilson Powless (Jumbo-Visma) - reforço para o bloco das corridas por etapas -, Kristoffer Halvorsen (Ineos) - sprinter que vai ocupar a vaga de um Sacha Modolo, que não vai deixar saudades e de Taylor Phinney, que se vai retirar do ciclismo - e o português Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin), que depois de uma estreia na Vuelta tão positiva só pensa em continuar a tornar-se num voltista.

Chegarão ainda Magnus Cort (Astana) e Jens Keukeleire (Lotto Soudal) que comprovam como a equipa quer alargar os horizontes além das provas por etapas, reforçando o bloco das clássicas. Esta é uma equipa que começa a entusiasmar cada vez mais e até se dá ao luxo de continuar a acreditar que ainda é possível fazer algo de Tejay van Garderen, nem que seja como gregário. O 2019 do americano, não convenceu, mais uma vez.


18 de outubro de 2019

Phinney coloca ponto final numa carreira que uma queda mudou drasticamente o rumo

(Fotografia: © EF Education First)
O que poderia ter sido Taylor Phinney se aquele 26 de Maio de 2014 tivesse terminado de forma diferente? Era um dos talentos emergentes nos Estados Unidos e já estava a confirmar todo o seu potencial. Dois dias antes, um jovem Phinney tinha-se sagrado campeão nacional de contra-relógio, mas a prova de fundo mudou todo um rumo de uma carreira que parecia destinada a grandes momentos, mas que depois daquele dia não aconteceram. Aos 29 anos, o americano coloca um ponto final nesta fase da sua vida. Afirmou que o seu corpo assim o exige, após uma época de lesões. Porém, nada de lamentos. Sente-se como se tivesse 15 anos de novo. Será um recomeço, sempre apaixonado pelas bicicletas, mas também pelo mundo das artes, da música, da criatividade.

Filho de medalhados olímpicos, Phinney também começou a somar vitórias logo como júnior na pista e não demorou muito a ser considerado um dos grandes talentos nos Estados Unidos. Na estrada fez parte da sua formação na então Trek-Livestrong presented by Radioshack, a actual Hagens Berman Axeon. É um dos muitos que a equipa de sub-23 preparou e muito bem para entrar no World Tour. No seu segundo ano (2010) nesta formação acabou a estagiar na Radioshack, do principal escalão, mas foi a BMC que o agarrou em 2011. Era muito pretendido depois de vencer o Paris-Roubaix de sub-23, uma etapa no Tour de l'Avenir, duas na Volta ao Utah... 2010 foi um ano incrível.

Na primeira época no World Tour não demorou a confirmar credenciais. Venceu uma tirada no Eneco Tour e estreou-se pouco depois em grandes voltas, em Espanha. Ia-se afirmando como contra-relogista de nível e nos Jogos Olímpicos de Londres (2012) foi quarto - tal como na prova de fundo - e nos Mundiais só foi batido por Tony Martin por seis segundos. E tudo isto aconteceu depois de ter ganho o prólogo no Giro, o que lhe permitiu andar de maglia rosa durante três dias. Era um início de carreira fenomenal. Muito se falava de Phinney e de como poderia evoluir.

2014 começou com a conquista da Volta ao Dubai, mas acabaria por ser o ano maldito. Naquele 26 de Maio, Phinney tentou evitar uma moto, caiu, deslizou até embater num rail e o resultado foi uma lesão terrível. Phinney ficou com uma fractura exposta da tíbia e perónio, fracturou ainda a rótula e rompeu um dos tendões na perna esquerda. Os médicos duvidaram que o americano, então a cerca de um mês de cumprir 24 anos, regressasse ao ciclismo.

Taylor Phinney pode não ter conseguido ser o corredor em que se estava a transformar, mas tornou-se num exemplo de perseverança. O americano teve de reaprender a andar de bicicleta e a 3 de Agosto de 2015 estava a competir no Utah e um dias depois venceu a primeira etapa do USA Pro Challenge. A BMC levou-o aos Mundiais para conquistar a medalha de ouro no contra-relógio colectivo. De quando em vez via-se um pouco daquele Phinney antes da queda, mas aos poucos, com o passar das corrida, ia ficando claro que o ciclista dificilmente seria o mesmo.

Em 2017 mudou-se para a Cannondale-Drapac, actual EF Education First, e conseguiu cumprir o desejo de estar na Volta a França, que terminou, tal como em 2018. No ano passado, Phinney surgiu de confiança renovada, apostado em mostrar-se nas clássicas. Queria provar que poderia viver um segundo fôlego na carreira e foi oitavo no Paris-Roubaix.

Porém, esta época de 2019 foi marcada por lesões e na hora do adeus, Phinney destacou esse facto. "Senti que o meu corpo fez esta escolha por mim", desabafou. Afirmou ainda como agora está bem ao saber que não vai mais exigir do seu corpo o necessário para estar no World Tour. Foram nove anos ao mais alto nível, contra todas as expectativas após a queda nos nacionais de Chattanooga.

"Acho que há muito poder em reconhecer que já não se tem a paixão genuína pelo que se está a fazer. [...] Sinto que tenho estado a preparar-me para isto há algum tempo, a cultivar a capacidade de expressar a minha opinião honesta e dizer: 'Penso que não quero fazer mais isto.'"

A música, corridas de enduro, a sua fundação farão parte do seu futuro. Phinney sente que aos 29 anos é um afortunado por ter sido ciclista profissional: "Agora tenho regressado aos desportos freestyle extremos com a minha bicicleta de montanha e... sinto-me como se tivesse 15 anos outra vez!"

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17 de outubro de 2019

Como Ruben Guerreiro convenceu a EF Education First a melhorar a proposta de contrato

(Fotografia fornecida pela EF Education First)
Depois de uma Volta a Espanha que convenceu todos que era um ciclista para continuar no World Tour, Ruben Guerreiro definiu agora o seu futuro, que passará novamente pelos Estados Unidos. A EF Education First ofereceu dois anos de contrato ao português, que chegou a recusar uma proposta inicial, mas mostrou argumentos que convenceram o director Jonathan Vaughters a melhorá-la.

"O Ruben é ousado, mas dá motivos para o ser. Durante as negociações contratuais, ele disse-me que não aceitaria a minha oferta, que ele valia mais. Ele disse-me para o ver na Vuelta no dia seguinte, que me ia mostrar. Ele não ganhou a etapa, mas foi segundo. Fiquei impressionado", explicou Vaughters. O director refere-se à 15ª tirada, com chegada ao Santuario del Acebo. Foi um dos dias em que Guerreiro andou em fuga, com Sepp Kuss a vencer e com o português e Tao Geoghegan Hart (Ineos) a não conseguirem apanhar o americano da Jumbo-Visma. Mas foi uma grande performance de Guerreiro.

Vaughters não terá sido o único a ficar impressionado com Ruben Guerreiro, pois a Lotto Soudal chegou a ser dada como possível interessada. Guerreiro fez nove top 20 na Vuelta, incluindo um quarto lugar, além do segundo posto. Andou sempre muito activo e conseguiu o 17º lugar na geral, naquela que era uma muito aguardada estreia numa grande volta, na terceira temporada no World Tour.

Com as palavras de Vaughters percebe-se agora que Ruben Guerreiro teve uma motivação extra no dia em que ficou perto de ganhar uma etapa em Espanha, mas todas as exibições - mesmo noutras corridas - comprovaram um potencial reconhecido desde os tempos de sub-23, mas que estava difícil ser exposto ao mais alto nível. Quando foi contratado pela formação americana Trek-Segafredo em 2017, Guerreiro foi considerado uma das principais promessas a chegar ao World Tour, mas quedas, lesões e doenças foram adiando a sua afirmação. Não conseguia ter uma época sem problemas, apesar dos arranques promissores, sendo um ciclista que se dá muito bem com os ares da Austrália nos primeiros dias das temporadas.

Em 2019 mudou-se para a Katusha-Alpecin. Também não foi um ano perfeito, mas Guerreiro conseguiu ser mais regular, com boas classificações em provas por etapas e a chamada para a Volta a Espanha foi um objectivo concretizado. Com a equipa de José Azevedo então em risco de não continuar (foi entretanto comprada pela Israel Cycling Academy), Guerreiro sabia que uma renovação era improvável, mas rapidamente se tornou num dos homens mais falados muito falado na Vuelta. E confirmou ainda que não é só em clássicas ou provas de uma semana que podem contar com ele.

No anúncio da sua contratação, a EF Education First refere precisamente esta característica de Guerreiro. "Estou entusiasmado por poder continuar a crescer como um ciclista de grandes voltas", afirmou o português, que aos 25 anos vai representar a sua terceira equipa dos Estados Unidos.

Antes da Trek-Segafredo, Guerreiro esteve duas épocas na então Axeon Hagens Berman, a estrutura de formação de Axel Merckx que tantos corredores tem colocado no World Tour (João Almeida vai seguir esse caminho, depois dos gémeos Oliveira, no que diz respeito a portugueses). "Aprendi inglês com a equipa. Para mim é um regresso a casa. A América é o meu segundo país e estou muito feliz por regressar a casa para uma equipa americana", afirmou o ciclista, que no seu primeiro ano de elite sagrou-se campeão nacional, em Gondomar (2017).

Ruben Guerreiro é o sétimo reforço para 2020, depois Jens Keukeleire (30 anos, Lotto Soudal), Magnus Cort (26, Astana), Kristoffer Halvorsen (23, Ineos), Neilson Powless (23, Jumbo-Visma), Stefan Bissegger (21, Swiss Racing Academy) e Jonas Rutsch (21, Lotto-Kern Haus). Após ganhar estabilidade financeira com a chegada do patrocinador EF Education-First, a estrutura de Jonathan Vaughters tem valorizado ciclistas mais experientes, mas está cada vez mais a contratar jovens ciclistas, alguns com o plano de ajudar na sua formação e outros, como Guerreiro, que já são uma mais-valia no World Tour.

Rigoberto Uran, Sep Vanmarcke e Michael Woods, por exemplo, vão continuar a ser figuras principais, mas Daniel Martínez, Sergio Higuita e Hugh Carthy estão a ser cada vez mais jovens certezas de um futuro promissor, numa equipa que quer vencer em todas as frentes.

Este ano Alberto Bettiol conquistou um muito celebrado monumento, Carthy venceu uma etapa na Volta à Suíça, Martínez outra no Paris-Nice, Higuita na Vuelta (e que grande vitória foi para quem começou a temporada na Fundação Euskadi para preparar o salto para o World Tour) e Michael Woods ganhou recentemente a Milano-Torino. São 16 vitórias em 2019, a melhor temporada desde 2014 (23).

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12 de setembro de 2019

Da vitória no Alentejo à conquista de Espanha

(Fotografia: © La Vuelta)
Sergio Higuita chegou ao World Tour em Maio e não perdeu tempo para deixar a sua marca. Era esse o seu objectivo, pois o pequeno colombiano é grande em ambição e ainda maior na dedicação a trabalhar para alcançar o topo. Cerca de um mês antes de disputar a Volta a Califórnia com Tadej Pogacar, Higuita esteve na Volta ao Alentejo, tendo ganho na etapa que terminou em Portalegre. Meio ano depois atingiu o ponto mais alto da sua curta carreira. Até agora, claro, pois a vitória na 18ª tirada da Vuelta é apenas o início de um caminho que muito promete para este jovem colombiano.

Higuita é mais um dos ciclistas da nova geração que está a afirmar-se muito rapidamente ao mais alto nível. Foi um dos atletas que conseguiu na Manzana Postobón mostrar o seu talento, convencendo os responsáveis da EF Education First. No entanto, a equipa americana preferiu colocar o ciclista na Fundação Euskadi na primeira parte do ano, de forma a permitir uma maior adaptação à realidade europeia. Numa entrevista ao Volta ao Ciclismo, Higuita afirmava que estava a ser uma uma experiência positiva, principalmente para se adaptar ao Inverno na Europa, já que pela Manzana Postobón tinha realizado algumas corridas no Velho Continente.

A aposta da EF Education First em colocá-lo na formação espanhola foi acertada. Higuita evoluiu o suficiente para entrar pela porta grande no World Tour. Higuita sabia que a sua estreia seria na Volta à Califórnia. Logo então ficou bem clara a ambição do jovem colombiano, que queria apresentar-se forte na nova equipa. Foi segundo, a 16 segundos de Pogacar (UAE Team Emirates). Estava feita a apresentação no World Tour. Foi quarto na Volta à Polónia e chegou à Vuelta com direito a receber muita atenção, numa equipa com Rigoberto Uran e Daniel Martínez, dois compatriotas, um já veterano e outro também visto como grande promessa.

Aos 22 anos, Higuita enfrentou a Vuelta como enfrentou a sua chegada ao World Tour. Sem medo, com vontade de mostrar-se, com ainda mais vontade de vencer. A sua impetuosidade já lhe criou alguns dissabores, pois por vezes desgasta-se desnecessariamente. Porém, a Vuelta também está para aprender. É por isso que está com liberdade e sem responsabilidade. Mas também é verdade que a mesma impetuosidade teve um papel importante na sua vitória de etapa esta quinta-feira, em Becerril de la Sierra.

O jovem colombiano esteve ao ataque praticamente desde o primeiro quilómetro. Não teve problema em trabalhar para tentar manter a fuga, no que poderia parecer que estava novamente a desperdiçar forças. Mas desta feita encontrou as que precisava para aproveitar a vantagem que ganhou na descida antes da última subida do dia. Como a etapa não terminava em alto, ainda teve quase 30 quilómetros em plano ou em descida para manter à distância (15 segundos na meta) o quarteto de perseguidores: Primoz Roglic, Alejandro Valverde, Miguel Ángel López e Rafal Majka.

Foram 178,2 quilómetros que Higuita não esquecerá, mesmo que pela frente lhe esperem grandes conquistas. E a EF Education First também se irá lembrar como o jovem que chegou a meio da época garantiu a única vitória de etapa numa grande volta em 2019 para a equipa. A aposta na Vuelta foi forte, mas a queda na sexta etapa deixou Uran no hospital (está a recuperar de graves lesões) e também Hugh Carthy abandonou. Tejay van Garderen sofreria outra queda que o levaria a deixar a corrida no dia seguinte. Higuita também caiu com Uran e Carthy, mas aí está ele, a transformar a sua enorme ambição em vitórias.

Já se pode mostrar optimismo

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Foi Primoz Roglic quem admitiu que pode mostrar algum optimismo, mas acrescenta de imediato que é necessário manter a concentração. A louca etapa de quarta-feira deixou marcas em todos e, sem surpresa, principalmente em Nairo Quintana. Depois de recuperar mais de cinco minutos, o colombiano perdeu um. Ainda está no pódio, mas foi novamente ultrapassado pelo companheiro da Movistar, Alejandro Valverde. Porém, mais uma vez, Quintana falhou onde deveria ser mais forte: na montanha.

Foi Miguel Ángel López quem tentou assustar Roglic. A Astana jogou as cartas na perfeição, mas o esloveno da Jumbo-Visma não se assusta facilmente nesta Volta a Espanha, não revela qualquer debilidade, apenas mostra a capacidade de manter a calma quando é atacado e, ao seu ritmo, não deixa os rivais escapar. Foi assim com López. O colombiano chegou a ganhar uma vantagem que nunca foi muito além dos 20 segundos, mas Roglic manteve-se com Valverde e acabaria por apanhar López.

Faltam apenas dois dias para a Movistar e a Astana encontrarem forma de quebrar Roglic. A tirada desta sexta-feira começa com uma terceira categoria, tem algum sobe e desce, mas sem subidas muitos complicadas ou categorizadas. O vento poderá marcar presença, pelo que a Jumbo-Visma terá de estar atenta para não deixar Roglic sozinho, como aconteceu na quarta-feira, caso alguma equipa tente partir o pelotão. Com as forças a escassearem, também é possível que se guarde os últimos ataques para sábado, para as derradeiras montanhas.

Valverde está a 2:50 minutos de Roglic, Quintana a 3:31 e López a 4:17. Trabalhou tanto na 18ª etapa, mas Roglic até foi segundo e bonificou seis segundos. Para o colombiano o esforço valeu a pena para recuperar a liderança da juventude. Ultrapassou Pogacar, que ficou agora a 32 segundos de López.


Classificações completas, via ProCyclingStats.

19ª etapa: Ávila - Toledo (165,2 quilómetros)


Tem tudo para ser uma etapa para os sprinters, mas atenção ao vento e ao quilómetro final. Será em subida e em empedrado, pelo que trará uma dificuldade extra para a preparação do sprint, caso não seja uma fuga a triunfar, como tem sido tão habitual na Vuelta.




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10 de setembro de 2019

Depois dos ferimentos graves, Uran quer ter calma na recuperação a pensar em 2020

(Fotografia: © EF Education First)
Ano difícil para Rigoberto Uran que acabou mal, mas o ciclista admitiu agora que poderia ter sido bem pior. A queda na sexta etapa teve consequências muito mais graves do que a clavícula partida, que foi inicialmente confirmada pela equipa. O colombiano explicou o que lhe aconteceu e afirmou: "Segundo o médico é um milagre estar vivo."

Uran foi um dos envolvidos numa queda que afectou vários ciclistas na sexta etapa da Volta a Espanha. Os corredores caíram uns por cima dos outros e o líder da EF Education First ficou com vários ferimentos. "Amigos, a vida e a bicicleta deram-me duros golpes, mas nenhum como este fim-de-semana.  Depois de sete horas de cirurgia, o médico disse à minha família que o puzzle estava completo, o que foi um choque", escreveu no seu Instagram. Garantindo que agora está bem, enumerou as fracturas: clavícula, omoplata, costelas, cervical e o pulmão também foi afectado. A perfuração do pulmão foi anunciada publicamente no dia seguinte à queda e gerou grande preocupação.

É a segunda vez esta época que Uran acaba uma corrida no hospital. No Paris-Nice partiu a clavícula e teve de ser operado. Foi a mesma que fracturou na Vuelta. "Agora há que ter paciência e ficar por aqui e recuperar. Este 2019 tem sido difícil", desabafou no mesmo texto que publicou na rede social.

Aos 32 anos, Rigoberto Uran apostava em repetir a prestação da Volta a França que o levou ao pódio em 2017. Então foi segundo, atrás de Chris Froome. Não foi um mau Tour, mas o sétimo lugar a mais de cinco minutos de Egan Bernal ficou muito aquém do que pretendia, não tendo conseguido também nenhuma vitória de etapa. Apostou depois tudo na Vuelta, com a EF Education First a levar a Espanha uma equipa muito forte, com mais dois colombianos ao lado de Uran: Sergio Higuita e Daniel Martínez. Hugh Carthy era outro dos ciclistas que poderia ter sido importante na luta por uma boa classificação, mas o britânico também caiu naquele dia e partiu a clavícula. Foi aliás uma etapa para esquecer para a formação americana, pois Tejay van Garderen ia na fuga e acabaria também por sofrer uma queda. Abandonou no dia seguinte.

Para Uran começa um longo processo de recuperação com o objectivo de se apresentar forte em 2020, numa altura em que a EF Education First começa a preparar a sua sucessão como líder de grandes voltas, não só com Daniel Martínez, mas também com Sergio Higuita, que acabou de chegar ao World Tour e já colocou todos a falar dele.


29 de agosto de 2019

EF Education First perde dois ciclistas e não ganhou para o susto com outros três

Van Garderen ainda não sabe se continua em prova. Dois companheiros abandonaram
(Fotografia: © Luiz Angel Gomez/PhotoGomezSport/La Vuelta)
Costuma ser um início de grande volta mais típico do Tour, mas este ano as quedas estão a marcar mais a Vuelta. E estão a afectar equipas em bloco. No contra-relógio inaugural foi a Jumbo-Visma que teve metade dos ciclistas a cair, enquanto na UAE Team Emirates foram seis, dos oito. Quase uma semana depois foi a vez da EF Education First a sentir os efeitos de uma queda, mas desta feita com resultados mais graves. Rigoberto Uran e Hugh Carthy foram para o hospital e estão fora da corrida, enquanto Sergio Higuita ficou com as costas bem marcadas, mas prosseguiu, tal como Logan Owen. Mais tarde seria Tejay van Garderen a sofrer uma queda aparatosa e só na manhã desta sexta-feira será tomada a decisão sobre se continua ou não em prova.

Em comum, as quedas tiveram água, com a excepção de a de Van Garderen. Terá sido novamente a estrada molhada que terá levado um ciclista da Jumbo-Visma a perder o controlo da bicicleta. Higuita explicou que esse corredor, que não identificou, "travou numa curva [numa descida] e a roda fugiu de debaixo dele". A partir daí, quem vinha atrás quase não teve hipótese de evitar cair também. Entre os vários ciclistas que foram ao chão estiveram Nicolas Roche (Sunweb) - antigo líder da Vuelta - e Víctor de la Parte (CCC), que foram mais dois corredores a abandonar.

A EF Education First confirmou que tanto Uran como Carthy partiram a clavícula esquerda e vão ser operados. Um rude golpe nas aspirações da equipa, com Uran a ser um candidato à geral - a lesão é no mesmo lado que sofreu uma fractura em Março, no Paris-Nice -, enquanto Hugh Carthy tinha estado muito bem na ajuda na subida a Javalambre, na quarta-feira. Higuita ficou a 3:46 da liderança, com Daniel Martínez a estar a 4:49 do novo líder, Dylan Teuns (Bahrain-Merida) e sem Uran terá de assumir maior protagonismo, mesmo depois de ter começado mal a Vuelta. Quanto a Van Garderen, que estava na fuga quando caiu, será reavaliado pelo médico antes da sétima etapa.

A CCC não adiantou os ferimentos de De la Parte, já um muito desiludido Roche teve de levar pontos no antebraço, além das "queimaduras" habituais de quem teve um encontro imediato com o alcatrão.

A lista de abandonos engrossou nesta sexta etapa feita a grande ritmo: 42,03 quilómetros/hora, nos 198,9 entre Mora de Rubielos e Ares del Maestrat. Devido a quedas, na quarta-feira abandonou Gregor Mühlberger, da Bora-Hansgrohe, com Steven Kruijswijk a deixar a Vuelta na quarta etapa com dores no joelho, consequência do incidente no contra-relógio por equipas do primeiro dia.

Já a UAE Team Emirates parece ter afastado os azares, depois de todos menos Valerio Conti e Sergio Henao (este último porque já tinha ficado para trás) terem caído no contra-relógio. Fabio Aru e Tadej Pocagar estão a demonstrar boa forma, tentando recuperar algum terreno perdido desde então.

Não foi o Herrada mais velho a ganhar, foi o mais novo

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Um dia depois de José Herrada ter ficado em lágrimas pelo terceiro lugar na etapa, quando esteve tão perto de ganhar uma etapa na Vuelta aos 31 anos, foi a vez do mais novo dos Herrada, Jesús (29), ir para a fuga e ter um final bem mais feliz. Ambos estão na Codidis e Jesús tem sido sempre o ciclista com maior potencial, mesmo quando estavam na Movistar.

Há um ano foi um herói espanhol ao vestir a camisola vermelha durante dois dias, mas faltava-lhe a grande vitória numa grande volta, não esquecendo que já conta com uma etapa no Critérium du Dauphiné e esta época conquistou a primeira edição do Challenge Mont Ventoux.

Mais uma vitória espanhola depois de Ángel Madrazo (Burgos-BH) e está mais do que confirmado que se há grande volta em que as equipas Profissionais Continentais têm mais possibilidade de ter protagonismo, além de aparecer na televisão ao integrar fugas, é na Vuelta.

Foi também um dia em que um português esteve mais perto de vencer uma etapa. Nelson Oliveira teve permissão da Movistar para entrar na fuga, mas a subida final foi madrasta e acabou ultrapassado por Herrada e Dylan Teuns. Não foi desta o ciclista de Anadia somou mais uma tirada em Espanha, depois da vitória em 2015, então ao serviço da Lampre-Merida.

Quanto ao belga da Bahrain-Merida, Dylan Teuns, está a ser o ciclista de destaque nesta segunda metade da temporada na equipa. Venceu uma etapa no Tour, em La Planche des Belles Filles, e agora é líder da Vuelta. Não conseguiu sprintar com Herrada, pois acabou por ser ele sempre a trabalhar ao perceber que poderia ser líder. David de la Cruz (Ineos) também beneficiou da fuga para saltar para o segundo lugar, a 38 segundos, com Miguel Ángel López (Astana) a ceder a camisola da liderança outra vez um dia depois de a ter alcançado. Ficou a um minuto de Teuns.

O belga, de 27 anos, não é um ciclista que se veja como uma grande ameaça a López ou Primoz Roglic (Jumbo-Visma) os principais nomes na luta pela vitória, nesta fase da corrida. Dizer que também foi dada a liderança a Richard Carapaz no Giro e que depois o equatoriano deu uma lição de ciclismo a todos e que Teuns pode fazer o mesmo, talvez seja de mais. Porém, Teuns colocou-se numa posição de lutar por um bom lugar e será de esperar que tentará vender caro a camisola que agora veste.

De referir que Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) continua a ser o melhor português, mantendo o 18º lugar, estando a 4:38 de Teuns.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

7ª etapa: Onda - Mas de la Costa (183,2 quilómetros)



Teuns terá já um teste importante no regresso da alta montanha à Vuelta. Mais uma chegada em alto, de primeira categoria, mas antes haverá o "aquecimento" com uma terceira, segunda e outra terceira consecutivas. Depois o pelotão poderá respirar um pouco, mas não muito. Há mais uma segunda categoria e uma ascensão não categorizada antes de enfrentar Mas de la Costa. São apenas 4,1 quilómetros, mas começam com 22,5% de pendente e acabam com 17,5%! No meio haverá uns metros a 25%, a 14%, sendo que os 10% serão a fase mais fácil... A média é de 12,5%. Brutal! Típica subida da Vuelta.





»»De um incidente caricato ao momento mais esperado de uma carreira««

»»Uma nova chegada em alto para ajudar a definir os candidatos««

13 de agosto de 2019

Doença força fim de carreira, mas ciclista quer dedicar-se à vela e música. Até tem uma banda

(Fotografia: © EF Education First)
A carreira foi longa e até ao fim o gosto pelo ciclismo manteve-se intacto. Foi precisamente por isso que Matti Breschel tentou aguentar as dores e todo o mal-estar que uma doença sem cura lhe provocam. No entanto, rendeu-se ao facto de o melhor ser colocar um ponto final no ciclismo. Sem mágoas ou saudosismo, pois este dinamarquês não esconde que até é um alívio retirar-se e poder dedicar-se à vela e à música.

O corredor da EF Education First sofre de artrite psoriática e as dores têm acompanhado o ciclista durante esta temporada. A medicação que tomava para tentar controlar o problema acabava por ter efeitos que não ajudava nos seus objectivos profissionais. "Foi um grande alívio tomar finalmente a decisão de retirar-me porque estava a debater-me muito em encontrar uma boa forma. A medicação que estava a tomar deixavam-me k.o.. Estava a dormir 15 horas por dia, era super cansativo, especialmente para a minha cabeça", salientou Breschel, no anúncio da sua despedida.

"Para mim não fazia sentido ter uma doença como esta e continuar a ser um ciclista profissional. Especialmente nas duas últimas etapas da Volta a Itália que fiz, eu estava com muitas dores e pensei para comigo que 'se tivesse de parar o Giro, então deixaria de ser um ciclista profissional'. E foi quando tomei a decisão na quarta etapa, mas já andava a pensar muito entre Fevereiro e Maio", explicou.

Matti Breschel, de 34 anos, abandonou naquela quarta etapa, mas ainda fez um regresso recentemente, na clássica londrina Prudential RideLondon-Surrey, a 4 de Agosto. Apesar do entusiasmo por competir novamente, não terminou e agora vai mesmo pensar na próxima fase da sua vida. As ideias iniciais passam por dedicar-se a uma das suas paixões: música. Toca guitarra, bateria e baixo e até tem uma banda. Um trio chamado The Broom Wagons.

Qualquer inspiração no carro vassoura, não é pura coincidência, até porque todos os elementos são ou foram ciclistas: Christopher Juul-Jensen, dinamarquês da Mitchelton-Scott e Anders Lund, que se retirou em 2013 e quando foi filmado o único vídeo da banda que está no YouTubePorém, Breschel também quer aprender a velejar e explicou porquê: "É quase o mesmo sentimento de um longo treino de bicicleta nas montanhas, quando se está longe de tudo." Parece que ser novamente modelo está fora de questão, pois antes de ser ciclista desfilou em Milão, Londres e Nova Iorque.

No momento de fazer o balanço da carreira, Breschel realçou que está orgulhoso de tudo o que viveu, referindo como teve a possibilidade de conhecer o mundo com o ciclismo, como fez parte de grandes equipas, conhecendo tantas pessoas "porreiras" e como foi uma "experiência de vida".

Foi um homem de clássicas e venceu a Através das Flandres (2010), tendo alcançado top dez tanto na Volta a Flandres, como no Paris-Roubaix. Dos monumentos só não fez a Liège-Bastogne-Liège. O pavé sempre foi o seu terreno preferido. Participou nas três grandes voltas e ganhou uma etapa na Vuelta em 2008. O que poderia ter sido o grande momento da carreira escapou-lhe por tão pouco. A camisola do arco-íris de campeão do mundo acabou no corpo de Thor Hushovd, que bateu no sprint Breschel em Geelong, na Austrália (2010). Mas somou vitórias importantes, como etapas na Volta à Suíça, Catalunha, Luxemburgo e na "sua" Dinamarca, tendo ainda sido campeão nacional.

"Foi óptimo ter o Matti na equipa. Ele é uma pessoa inteligente e generosa e um ciclista incrivelmente astuto", afirmou o director da EF Education First, Jonathan Vaughters.  O dinamarquês representou durante quatro anos esta formação americana, interrompendo a estadia em 2017, quando esteve na Astana. Tinkoff, Robobank fazem parte do seu currículo, com a CSC a ser onde se afirmou depois de um ano na Team PH, ambas da Dinamarca.

artrite psoriática precipitou o final da carreira de Matti Breschel, que se junta assim a uma lista que conta com Mark Renshaw (Dimension Data) - eterno lançador de Mark Cavendish -, Laurens ten Dam (CCC), Markel Irizar (Trek-Segafredo), Lars Bak (Dimension Data), Steve Morabito (Groupama-FDJ), Roy Curvers (Sunweb) e Samuel Dumoulin (AG2R), entre outros, que vão terminar a carreira no final da temporada. Daan Olivier (Jumbo-Visma), de apenas 26 anos, também já abandonou a modalidade durante a época, depois de não ter conseguido recuperar de uma lesão provocada por uma queda.

O que é a artrite psoriática?

A explicação aqui transcrita é retirada do site da CUF: "A artrite psoriática é uma doença articular inflamatória crónica que afeta pessoas com história pessoal ou familiar de psoríase. Atinge as articulações e pode provocar dor, limitação e incapacidade funcional em graus variáveis. Evolui por surtos (crises com sintomas) intercalados por períodos de remissão (períodos sem sintomas), de forma imprevisível. Para já, não existe cura. Também não existe forma de prevenir."

Existem cinco tipos de artrite psoriática, que podem afectar diferentes parte do corpo e com diferentes consequências. "Além do envolvimento articular, outras estruturas podem também estar inflamadas, particularmente as unhas, o olho e as enteses (sítios de inserção dos tendões no osso). A artrite psoriática pode ainda estar associada a outras doenças importantes como diabetes mellitus, hipertensão arterial e dislipidemia", lê-se no site.

»»Fim de carreira aos 26 anos««

»»Regressou após quatro anos de suspensão e agradeceu à equipa com vitória em Leiria««

15 de julho de 2019

Final louco de etapa com a Ineos a reordenar a Volta a França

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Há alturas em que é mesmo bom falhar por completo as previsões. Esta segunda-feira foi uma dessas alturas. Uma etapa que se pensaria ser do mais normal, com uma fuga a ser perseguida pelas equipas dos sprinters e com estes a disputar a vitória, com todos satisfeitos de ao fim de dez dias poder finalmente ter uma folga, veio o vento e foi o caos! Não foi uma surpresa. Os ciclistas estavam avisados que nos últimos 40/50 quilómetros havia a possibilidade de o vento causar problemas. Estavam avisados, mas foram muitos os que não evitaram complicar muito as contas do Tour, numa etapa que de calma teve mais de 150 quilómetros, mas foi a loucura total na parte final.

Se no domingo, no que foi um autêntico passeio para o pelotão, a Ineos ainda assim mostrou os dentes, 24 horas depois soltou a fera. Nem foi a primeira a lançar os famosos "abanicos" (expressão espanhola). A EF Education First iniciou uma tentativa falhada e depois da derradeira subida do dia, com cerca de 40 quilómetros para a meta em Albi (foram 217,5 no total), a equipa americana repetiu a dose que, com a ajuda da Ineos e da Deceuninck-QuickStep, rapidamente começou a partir o pelotão.

Em poucos minutos a etapa passou a merecer toda a atenção, depois de quilómetros de monotonia. Começou a difícil missão de decifrar de quem estaria a ficar para trás. Mas não foi difícil perceber pela forma como as três equipas estavam a acelerar na frente, tendo-se juntado depois a Movistar, que havia alguém importante em grandes sarilhos. Os nomes lá foram aparecendo. Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) - que desilusão para o francês que partiu para a 10ª etapa como o melhor entre os candidatos e estava a mostrar estar em excelente forma -, Jakob Fuglsang (Astana) e Richie Porte (Trek-Segafredo) foram apanhados numa armadilha cada vez mais utilizada e que tem a Ineos e a Deceuninck-QuickStep como especialistas em prepará-la, tal como a Lotto Soudal, que neste caso, sem aspirações à geral, limitou-se a esperar que Caleb Ewan aguentasse para discutir o sprint.

Por momentos a maior surpresa foi Rigoberto Uran. A EF Education First foi vítima da táctica que ela própria colocou em prática. Mas Mikel Landa roubou essa surpresa. De repente, uma Movistar tão satisfeita por desta vez ter sobrevivido aos "abanicos", mostrava estar um pouco em pânico. Onde estava Landa? Ao espanhol parece acontecer sempre algo nas grandes voltas. Desta feita, estava na frente da corrida, bem colocado, quando Warren Barguil (Arkéa Samsic) tem uma repentina mudança de direcção devido a um toque em Julian Alaphilippe. Empurra inadvertidamente Landa, que é literalmente atirado contra um grupo de adeptos na berma da estrada. No final, Barguil pediu desculpa ao ciclista espanhol, que não escondeu ter ficado incrédulo com o que lhe aconteceu. Perdeu mais dois minutos e com este azar e ficou a 3:03 de Geraint Thomas.

O galês e a sua Ineos foram mesmo os grandes vencedores do dia. Bom... e Nairo Quintana. O colombiano deve estar a pensar que desta vez fez tudo bem, ele que conhece a sensação de ser apanhado nos "abanicos". Quando a Movistar recuou para ajudar Landa, foi Alejandro Valverde que ficou com aquele que é agora o líder principal quase sem discussão. Quase, porque já se sabe que Landa não é de baixar os braços, atitude que lhe valeu uma excelente recuperação no último Giro, até ao quarto lugar, quando também começou mal a corrida.

Thomas tem 1:12 minutos de desvantagem para um Julian Alaphilippe que continua a não preocupar muito. O trabalho da Deceuninck-QuickStep, a que nem o sprinter Elia Viviani escapou, não só foi para manter a camisola amarela com o francês e tentar garantir que fica com uma vantagem para prolongar o estatuto de número da Volta a França. Teve o objectivo de colocar Enric Mas numa posição bem mais favorável. Quando chegarem os Pirenéus no final desta semana, o espanhol não terá companheiros para o ajudar, pelo que assim fica com uma distância bastante interessante na luta pelo menos por um pódio. São 34 segundos a separá-lo de Thomas e Mas é um ciclista que tem perícia em aproveitar o trabalho de outras equipas quando lhe falta ajuda.

Adam Yates (Mitchelton-Scott) surge finalmente num lugar mais esperado e um ciclista de quem pouco se fala, mas que já vai aparecendo no radar, Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe), reforçou o seu estatuto de pretendente a um top dez.

Em dois dias, a Ineos impôs-se e de que maneira. A equipa pode não estar a controlar tão obviamente o Tour desde cedo, como em edições anteriores, mas tem a corrida muito bem controlada. Quando quis mexer, mexeu e fez cair peças importantes entre os rivais. Thomas tem a amarela na mira, Bernal está na retaguarda, preparado para o que der e vier, sendo agora o líder da juventude já que Giulio Ciccone (Trek-Segafredo) foi mais uma das vítimas dos "abanicos".

Como tudo mudou ainda antes dos Pirenéus!

Diferenças entre candidatos após a louca 10ª etapa:

2º Geraint Thomas (Ineos)
3º Egan Bernal (Ineos) a 4 segundos
4º Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma) a 15
5º Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe) a 33
6º Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) a 34
7º Adam Yates (Mitchelton-Scott) a 35
8º Nairo Quintana (Movistar) a 52
9º Daniel Martin (UAE Team Emirates) a 57
11º Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) a 1:21 minutos
13º Rigoberto Uran (EF Education First) a 2:06
15º Romain Bardet (AG2R) a 2:08
16º Jakob Fuglsang (Astana) a 2:10
20º Richie Porte (Trek-Segafredo) a 2:47
21º Mikel Landa (Movistar) a 3:03
25º Fabio Aru (UAE Team Emirates) a 4:45
26º Guillaume Martin (Wanty-Group Gobert) a 4:47

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Jumbo-Visma entre a desilusão e a explosão de alegria

Está a ser um Tour alucinante para a equipa holandesa. Na primeira etapa o seu sprinter, Dylan Groenewegen, caiu, mas o lançador Mike Teunissen ganhou e vestiu a camisola amarela. No dia seguinte a equipa foi a melhor no contra-relógio. Groenewegen entretanto já alcançou a sua vitória, mas nesta última etapa antes do dia de descanso, foi apanhado nos "abanicos". George Bennett, que era o ciclista melhor colocado na geral também foi afectado.

(Fotografia: © ASO)
Mas quando uma equipa tem qualidade, dá nisto: Steven Kruijswijk manteve-se na frente e está na luta pelo Tour; Wout van Aert aproveitou a ausência de Groenewegen e foi sprintar, ganhando a sua primeira etapa numa grande volta, na sua estreia. Consegue-se perceber porque o belga ficou quase sem palavras perante o que alcançou, ainda mais quando foi preciso o photo finish (imagem de cima) para determinar o vencedor. Bateu Elia Viviani por muito pouco.

Depois de meses tão difíceis no final do ano passado e início de 2019, em que correu o risco de ficar parado devido ao litígio com a sua antiga equipa, Van Aert não deu as vitórias esperadas nas clássicas, ainda que tenha alcançado bons resultados. Porém, apareceu nesta fase da temporada a mostrar qualidade de sprinter, vencendo assim uma tirada no Critérium du Dauphiné, um dia depois de conquistar o contra-relógio individual. Ficou o aviso para o Tour, que agora confirmou.

11ª etapa (17 de Julho): Albi - Toulouse, 167 quilómetros


A organização não colocou nem um contra-relógio, nem uma etapa de montanha complicada a seguir ao dia de descanso, que não faz bem a todos os ciclistas. É uma etapa para os sprinters, com muitos corredores certamente ainda a tentar recuperar do choque do que aconteceu esta segunda-feira e a esperar que não se repita. O Tour partirá depois para uma fase mais complicada e decisiva, com destaque para o contra-relógio individual de sexta-feira e o Tourmalet no sábado, com a alta montanha a começar logo na quinta-feira.




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8 de abril de 2019

Uma vitória num monumento que vale muito mais do que o nome na história

(Fotografia: © EF Education First)
Uma vitória num monumento é sempre um ponto alto da temporada, mesmo para uma equipa como a Deceuninck-QuickStep, tão habituada em conquistá-los. Porém, para certas equipas, um triunfo destes vai muito além desse ponto alto, dessa glória que é vencer uma das corridas mais históricas e importantes do ciclismo. Para algumas equipas pode ser a fonte de sobrevivência. Há cerca de ano e meio o director Jonathan Vaughters até recorreu ao crowdfunding para tentar salvar a sua equipa. Não foi preciso e agora parece ter encontrado alguma estabilidade financeira que lhe permite pensar um pouco mais além da presente época. Os resultados começam a aparecer.

Desde 2014 que o início de época não era tão animador. A temporada está longe de estar feita só porque Alberto Bettiol venceu a Volta a Flandres, ou porque Daniel Martínez ganhou uma etapa no Paris-Nice. No entanto, a confiança pode muito bem se ter instalado numa equipa que recentemente tanto alcançava um bom resultado, como caía quase num quase esquecimento. Atravessou mesmo um jejum de dois anos sem triunfos do nível World Tour.

Em pouco mais de uma década de história - foi criada em 2007 -, esta equipa já venceu quatro dos cinco monumentos - só falta a Milano-Sanremo -, etapas em todas as grandes voltas e inclusivamente um Giro, por intermédio do canadiano Ryder Hesjedal. Já foi em 2012, numa das vitórias mais surpreendentes dos últimos anos. E recordando os monumentos: Johan Vansummeren ganhou o Paris-Roubaix em 2011, Daniel Martin deu a Liège-Bastogne-Liège em 2013 e a Lombardia em 2014 à equipa, além da Volta a Flandres de Bettiol no domingo.

A fusão com a Cannondale (antiga Liquigas) em 2015 marcaria o início de uma época difícil para a estrutura. Algumas boas vitórias iam surgindo, mas nem todos os ciclistas rendiam perto do esperado apesar do potencial como Joe Dombrowski, Andrew Talansky - ainda venceu um Critérium du Dauphiné antes de se retirar muito cedo -, Pierre Rolland e Sep Vanmarcke, um dos melhores ciclistas das clássicas do norte, mas sempre perseguido por algo que o impede de alcançar uma grande vitória.

Com a saída da Garmin no final dessa época de 2015, a equipa perdeu força financeira e segurar bons ciclistas tornou-se uma missão difícil. Daniel Martin foi o primeiro grande nome a partir para outro projecto, mas nas temporadas seguintes, além do veterano Ryder Hesjedal, jovens promissores também foram saindo, casos de Davide Formolo, Matej Mohoric, Dylan van Baarle, Rylan Mullen e até Alberto Bettiol foi para a BMC. Só por um ano, pois após o ponto final nesse projecto, comprado pela CCC, o italiano regressou "a casa". E em boa hora.

A EF Education First salvou a estrutura da Slipstream de Jonathan Vaughters no final de 2017. Primeiro fez parceria com a Drapac, mas em 2019 ficou com o naming solitário, após a saída da Drapac da equipa principal. "Durante muitos anos, lutámos para dispormos de fundos e não conseguíamos ter atenção aos pequenos detalhes que são necessários para ganhar. Com a EF Education First a tomar conta, a patrocinar e financiar, nós podemos olhar para esses detalhes, a perspectiva da ciência desportiva, do treino, da orientação, do apoio. E esses detalhes dão resultado e grandes resultados", salientou o director da equipa, no rescaldo da vitória de Bettiol na Volta a Flandres.

Rigoberto Uran tem carregado quase todo o peso da responsabilidade de dar resultados à equipa, um pouco a par de um Sep Vanmarcke, a quem parece sempre faltar algo, ou acontecer algo nos momentos decisivos. Porém, esta EF Education First talvez esteja a conseguir olhar pela primeira vez em alguns anos para um futuro que vá além de uma temporada. Já tem o seu colombiano promissor, Daniel Martínez, e já contratou outro, Sergio Higuita. Contratou também um dos grandes talentos americanos, Sean Bennett, escola Axel Merckx, ou seja, Hagens Berman Axeon, tal como Logan Owen. Ainda não perdeu a esperança quanto a Dombrowski e Hugh Carthy vai dando sinais que talvez seja 2019 o ano da afirmação. Do Equador, mas de uma equipa colombiana, chegou Jonathan Caicedo.

Taylor Phinney é a eterna incógnita, mas sem dúvida uma voz de comando. Enquanto alguns dos mais novos vão começando a mostrar-se, caso de Martínez nas provas por etapas e agora de Bettiol nas clássicas (a primeira vitória profissional ser num monumento é fenomenal), outros estão no processo de adaptação ao nível World Tour. Além destes jovens, esta EF Education First consegue segurar ciclistas experientes que ainda têm muito por alcançar. Michael Woods surgiu tarde como homem de vitórias, mas mais do que a tempo de singrar. De Rigoberto Uran espera-se mais algum pódio numa grande volta e mantém-se vivo o sonho de uma vitória. O azar de Vanmarcke alguma vez terminará? Há ainda um Sebastian Langeveld que dá indicações de estar num segundo fôlego na carreira.

Talvez faltasse um tónico para de uma vez por todas se juntar a alguma estabilidade financeira, os resultados que justifiquem o investimento do patrocinador. Não há muito melhor do que uma vitória na Volta a Flandres.