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6 de janeiro de 2020

Os colegas de equipa de João Almeida e Ruben Guerreiro e a estreia da Israel Start-Up Nation

Continuando com a apresentação das equipas do principal escalão, é inevitável destacar a presença de dois jovens talentos portugueses. João Almeida vai estrear-se no World Tour numa das melhores equipas, a Deceuninck-QuickStep. Já Ruben Guerreiro prepara-se para o seu quarto ano, ainda que com novas cores, representando agora a americana EF Pro Cycling, depois de duas temporadas na Trek-Segafredo e uma na Katusha-Alpecin.

Depois há a Ineos e Jumbo-Visma cujo frente-a-frente na Volta à França é cada vez mais aguardado com enorme expectativa, principalmente depois de conhecida a decisão da formação holandesa em apostar no trio Roglic/Kruijswijk/Dumoulin, com a Ineos a levar o vencedor de 2019, Egan Bernal, quer Chris Froome recupere ou não das graves lesões da queda no Critérium du Dauphiné, em Junho.

Neste grupo de sete hoje publicado, das 19 WorldTeams (como são agora apelidadas as equipas pela UCI), há ainda que referir a estreia da Israel Start-Up Nation, ex-Israel Cycling Academy, que passa a ser o nome da equipa de desenvolvimento, que está no escalão Continental. A estrutura israelita chega à categoria principal depois de comprar a licença da Katusha-Alpecin. Ficou com sete ciclistas da equipa que saiu de cena, mas contratou também nomes bem conhecidos como Daniel Martin e André Greipel.

Pode ver neste link as primeiras seis equipas publicadas no domingo.

Deceuninck-QuickStep
(© Sigfrid Eggers/Deceuninck-QuickStep)
Julian Alaphilippe, Remco Evenepoel, Bob Jungels, Yves Lampaert, Zdenek Ztybar, Fabio Jakobsen, Álvaro Hodeg, Kasper Asgreen, Rémi Cavagna, Tim Declercq, Dries Devenyns, Mikkel Frolich Honoré, Iljo Keisse, James Knox, Michael Morkov, Florian Sénéchal e Pieter Serry.

Reforços: João Almeida (Hagens Berman Axeon), Sam Bennett (Bora-Hansgrohe), Shane Archbold (Bora-Hansgrohe), Mattia Cattaneo (Androni Giocattoli-Sidermec), Bert van Lerberghe (Cofidis), Davide Ballerini (Astana), Stijn Steels (Roompot-Charles), Andrea Bagioli (Colpack), Ian Garrison (Hagens Berman Axeon), Jannik Steimle (Vorarlberg Santic) e Mauri Vansevenant a partir de 1 de Julho (EFC-L&R-Vulsteke).

Saídas: Philippe Gilbert (Lotto Soudal), Elia Viviani (Cofidis), Enric Mas (Movistar), Max Richeze (UAE Team Emirates), Eros Capecchi (Bahrain McLaren), Petr Vakoc (Alpecin-Fenix), Fabio Sabatini (Cofidis) e Davide Martinelli (Astana).

EF Pro Cycling
(© EF Pro Cycling)
Rigoberto Uran, Daniel Martínez, Sergio Higuita, Sep Vanmarcke, Hugh Carthy, Michael Woods, Sebastian Langeveld, Tejay van Garderen, Alberto Bettiol, Sean Bennett, Jonathan Caicedo, Simon Clarke, Lawson Craddock, Mitchell Docker, Moreno Hofland, Alex Howes, Tanel Kangert, Lachlan Morton, Owen Logan, Tom Scully, Julius van den Berg, Luis Villalobos e James Whelan.

Reforços: Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin), Neilson Powless (Jumbo-Visma), Jens Keukeleire (Lotto Soudal), Magnus Cort (Astana), Kristoffer Halvoresen (Ineos), Jonas Rutsch (Lotto-Kern Haus) e Stefan Bissegger (Swiss Racing Academy).

Saídas: Sacha Modolo (Alpecin-Fenix), Daniel McLay (Arkéa Samsic), Joe Dombrowski (UAE Team Emirates), Nathan Brown (Rally Cycling), Matti Breschel e Taylor Phinney terminaram a carreira.

Groupama-FDJ
(© Groupama-FDJ)
Thibaut Pinot, David Gaudu, Arnaud Démare, Stefan Küng, Rudy Molard, Anthony Roux, Marc Sarreau, Bruno Armirail, William Bonnet, Mickaël Delage, Antoine Duchesne, Kilian Frankiny, Kevin Geniets, Jacopo Guarnieri, Ignatas Konovalovas, Matthieu Ladagnous, Olivier le Gac, Tobias Ludvigsson, Valentin Madouas, Sébastien Reichenbach, Miles Scotson, Romain Seigle, Ramon Sinkeldam, Léo Vincent e Benjamin Thomas.

Reforços: Fabian Lienhard (IAM Excelsior), Alexys Brunel e Simon Guglielmi (ambos da equipa Continental da Groupama-FDJ).

Saídas:Daniel Hoelgaard (Uno-X Norwegian), Benoît Vaugrenard e Steve Morabito terminaram a carreira.

Ineos
(© Team Ineos)
Chris Froome, Egan Bernal, Geraint Thomas, Michal Kwiatkowski, Tao Geoghegan, Pavel Sivakov, Iván Ramiro Sosa, Dylan van Baarle, Jonathan Castroviejo, Leonardo Basso, Owain Doull, Eddie Dunbar, Filippo Ganna, Michal Golas, Sebastián Henao, Vasil Kiryienka, Christian Knees, Chris Lawless, Gianni Moscon, Jhonatan Narváez, Salvatore Puccio, Luke Rowe, Ian Stannard e Ben Swift.

Reforços: Richard Carapaz (Movistar), Rohan Dennis (Bahrain-Merida), Brandon Smith Rivera (GW-Shimano), Ethan Hayter (Great Britain Cycling Team) e Carlos Rodriguez (Kometa sub-19).

Saídas: Wout Poels (Bahrain McLaren, David de la Cruz (UAE Team Emirates), Diego Rosa (Arkéa Samsic), Kenny Elissonde (Trek-Segafredo) e Kristoffer Halvorsen (EF Pro Cycling).

Israel Start-Up Nation
(© Israel Start-Up Nation)
Matthias Brändle, Matteo Badilatti, Rudy Barbier, Guillaume Boivin, Davide Cimolai, Alexander Cataford, Itamar Einhorn, Omer Goldstein, Ben Hermans, Guy Niv, Guy Sagiv, Krists Neilands, Mihkel Räim e Tom Van Asbroeck.

Reforços: André Greipel (Arkéa Samsic), Daniel Martin (UAE Team Emirates), Rory Sutherland (UAE Team Emirates), Daniel Navarro, Alex Dowsett, Nils Politt, Mads Würtz Schmidt, Rick Zabel, Reto Hollenstein, Jenthe Biermans (todos da Katusha-Alpecin cuja licença World Tour a equipa israelita comprou), Hugo Hofstetter (Cofidis), Patrick Schelling (Voralberg Santic), Travis McCabe (Floyd's Pro Cycling), James Piccoli (Elevate-KHS Pro Cycling), Alexis Renard (Côtes d'Armor-Marie Morin) e Norman Vahtra (Cycling Tartu).

Saídas: Kristian Sbaragli (Alpecin-Fenix), Edwin Ávila, Ben Perry, Daniel Turek e Awet Gebremedhin (Israel-Start Up Nation Devo - equipa Continental), Sondre Holst Enger (Riwal Readynez), August Jensen (Riwal Readynez), Riccardo Minali (Nippo Delko One Provence), Nathan Earle (Ukyo), Dennis van Winden (sem equipa), Clément Carisey (Team Pro Immo Nicolas Roux), Hamish Schreurs (sem equipa), Rubén Plaza, Conor Dunne e Roy Goldstein terminaram a carreira.

Jumbo-Visma
(© Jumbo-Visma)
Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, Dylan Groenewegen, Wout van Aert, George Bennett, Laurens de Plus, Tony Martin, Koen Bouwman, Pascal Eenkhoorn, Robert Gesink, Lennard Hofstede, Amund Grondahl Jansen, Sepp Kuss, Tom Leezer, Bert-Jan Lendeman, Paul Martens, Timo Roosen, Mike Teunissen, Antwan Tolhoek, Taco van der Hoorn, Jonas Vingegaard, Maarten Wynants e Jos van Emden.

Reforços: Tom Dumoulin (Sunweb), Christoph Pfingsten (Bora-Hansgrohe), Chris Harper (BridgeLane) e Tobias Foss (Uno-X).

Saídas: Neilson Powless (EF Pro Cycling), Danny van Poppel (Circus-Wanty Gobert), Floris de Tier (Alpecin-Fenix) e Daan Olivier (terminou a carreira em Maio).

Lotto Soudal
(© Lotto Soudal)
Tim Wellens, Thomas de Gendt, Caleb Ewan, Sander Armée, Jasper de Buyst, Stan Dewulf, Frederik Frison, Carl Fredrik Hagen, Adam Hansen, Rasmus Iversen, Roger Kluge, Nikolas Maes, Tomasz Marczynski, Remy Mertz, Gerben Thijssen, Tosh van der Sande, Brian van Goethem, Brent Van Moer, Harm Vanhoucke e Jelle Wallays.

Reforços: Philippe Gilbert (Deceuninck-QuickStep), John Degenkolb (Trek-Segafredo), Steff Cras (Katusha-Alpecin), Jonathan Dibben (Madison Genesis), Matthew Holmes (Madison Genesis), Stefano Oldani (Kometa), Kobe Goossens (Lotto Soudal sub-23), Florian Vermeersch a partir de 1 de Junho, fará a primeira fase da época na Lotto Soudal sub-23 (estava na Creafin-Tuv Sud em 2019).

Saídas: Tiesj Benoot (Sunweb), Lawrence Naesen (AG2R), Jens Keukeleire (EF Pro Cycling), Victor Capenaerts (NTT), Jelle Vanendert (Bingoal-Wallonie Bruxelles), Enzo Wouters (Tarteletto-Isorex), Maxime Monfort e Adam Blythe terminaram a carreira.

21 de dezembro de 2019

Frente unida na Jumbo-Visma para lutar pela Volta a França

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Para quê esperar? A Jumbo-Visma tem mostrado em épocas recentes que quer fazer frente à Ineos na Volta a França e em 2020 a rivalidade vai subir de tom. A equipa holandesa está preparada para olhar olhos nos olhos a formação britânica na grande volta que a Ineos tem dominado e não vai fazer por menos: levará os três líderes e assume que é o ano que não vai "apenas" almejar o pódio. É para ganhar. E por isso, nem esperou mais. Não se deixa arrastar por novelas de quem será o líder, como irá dividir as responsabilidades... Não! A Jumbo-Visma anunciou os oito eleitos para o Tour e também para o Giro e Vuelta.

Não se pode dizer que seja uma novidade. Já para esta época que terminou, anunciou bastante cedo os elementos que iriam ao Giro, mas desta feita foi mais longe. Portanto, sem mais demoras:

Volta a Itália: Dylan Groenewegen, George Bennett, Antwan Tolhoek, Koen Bouwman, Lennard Hofstede, Paul Martens, Amund Grondahl Jansen e Mike Teunissen;

Volta a França: Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, Tom Dumoulin, Wout van Aert, Robert Gesink, Sepp Kuss, Laurens de Plus e Tony Martin;

Volta a Espanha: Steven Kruijswijk, Dylan Groenewegen, Mike Teunissen, Robert Gesink, Jos van Emden, Koen Bouwman, Sepp Kuss e Tony Martin.

Com a contratação de Tom Dumoulin e tendo em conta que o Giro terá três contra-relógios, a hipótese mais falada era a Jumbo-Visma levar este ciclista a Itália (e o próprio não se importaria já que o percurso do Tour não é muito ideal para ele), Roglic a França e Kruijswijk a Espanha (este dois iriam inverter os objectivos comparativamente com 2019). Mas não. 

"Fizemos uma análise a todas as grandes voltas dos últimos cinco anos. Qual era a influência dos contra-relógios na classificação final? Qual era a composição da equipa que conseguiu conquistar e defender a camisola [da liderança]? Descobrimos um elemento em comum. Temos de ir ao Tour com a equipa mais forte possível. Assim teremos uma hipótese de ganhar. Vamos fazer tudo para conquistar a amarela. Estamos muito felizes, orgulhosos e motivados para o fazer", explicou Merijn Zeeman, o director desportivo, durante a apresentação da equipa.

Dumoulin, Roglic e Kruijswijk falam no colectivo e de como querem fazer parte da equipa que ganhará a Volta a França. Nenhum se assume como líder. Discurso para mostrar união, mas claro que este tipo de decisão levanta sempre algumas dúvidas. O passado recente não tem um bom exemplo: o tridente da Movistar (Alejandro Valverde, Mikel Landa e Nairo Quintana) foi uma experiência falhada de liderança tripartida. Os egos meteram-se no caminho e todos queriam ganhar, não estando muito interessados em trabalhar para os companheiros.

Ciclistas diferentes, de personalidades diferentes, mas passar das palavras aos actos, será o objectivo principal da Jumbo-Visma para garantir que terá de facto uma frente unida para lutar com a Ineos. "Toda a força, com os três líderes! É muito bom descobrir que os três estamos na mesma página", disse Dumoulin. E no papel a equipa é fortíssima, não só por este trio, mas pelos gregários de luxo que tem e um Wout van Aert que ajudará quando for preciso, mas será também um ciclista para conquistar alguma etapa ao sprint, um objectivo secundário em 2020 na Volta a França.

É por isso que nesta super equipa não há espaço para um dos melhores sprinters do momento. Dylan Groenewegen teve de abrir mão de um Tour que a Jumbo-Visma já só tem interesse em vencer na geral. Porém, é um ciclista que os responsáveis não querem ver insatisfeito, pelo que lhe vão dar a oportunidade de se tornar em mais um a ganhar etapas nas três grandes voltas. Vai ter apoio no Giro e Vuelta, eventualmente também a pensar na camisola dos pontos. Vai ainda apostar forte na Milano-Sanremo. O holandês deixou a mensagem que está feliz com o calendário para 2020. Tem 26 anos e muito tempo para regressar ao Tour no futuro.

E no que diz respeito a monumentos, Wout van Aert - ainda a recuperar da grave lesão após queda na Volta a França - vai com tudo para a Volta a Flandres e Paris-Roubaix, além de ser o líder para as restantes clássicas do pavé. Eventualmente Groenewegen terá a sua oportunidade em alguma mais propícia para sprinters, como a AG Driedaagse Brugge-De Panne. Para a Liège-Bastogne-Liège, Roglic assumiu o desejo de tentar vencer o monumento das Ardenas e nesta semana de três clássicas belgas, Dumoulin prefere a Amstel Gold Race.

Mas regressando às grandes voltas. A nível de geral a concentração estará no Tour, mas não significa que Groenewegen tenha exclusividade no Giro e Vuelta. A Jumbo-Visma levará ciclistas para lutar por uma vitória final, sendo provas em que o colectivo tem importância, mas não tem sido tão essencial como acontece na corrida francesa. Em Itália, George Bennett terá novamente a sua oportunidade. Tem sido difícil a sua afirmação como líder, mas mostrou ser um gregário importante. Com a chegada de Dumoulin, ir ao Giro sem ter de trabalhar para um dos três líderes é definitivamente um momento que o neozelandês tem de aproveitar.

Ainda assim o Giro será muito centrado em Groenewegen, mas a Vuelta é sempre tão montanhosa, que se justifica levar um Kruijswijk ainda à procura de uma vitória em grandes voltas, ainda que o terceiro lugar no Tour de 2019 tenha tido um sabor muito especial. Só ter Gesink e Kuss a seu lado é a prova de como a Jumbo-Visma não quer abdicar por completo de estar na luta por vencer novamente em Espanha, depois da conquista de Roglic em Setembro último.

Na teoria, a Jumbo-Visma tem uma equipa fortíssima, seja para o Tour, seja para as clássicas ou para os sprints. Será candidata a vencer muitas corridas. Mas na Volta a França, um dos assuntos mais falados será certamente como irá este trio com tanta ambição individual funcionar quando for necessário escolher alguém, a não ser que a estrada ajude nessa selecção. E depois será preciso ver se, ao contrário do que aconteceu na Movistar, quem "ficar para trás" na luta pela geral, assume o papel de ajudar quem estiver em condições de ganhar a camisola amarela.

O mais animador é ver uma equipa que tem tudo para definitivamente fazer a Ineos suar bastante no Tour. O ciclismo e a Volta a França ficam a ganhar.

»»Época quase perfeita de uma Jumbo-Visma que se afirmou como ameaça à Ineos««

»»A equipa que domina o Tour junta-se à que domina a Fórmula 1««

6 de dezembro de 2019

Época quase perfeita de uma Jumbo-Visma que se afirmou como ameaça à Ineos

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Época perto da perfeição e que consagrou a determinação e paciência para ver esta equipa renascer quase das cinzas para se tornar naquela que mais ameaça a supremacia da Ineos. Com os resultados nas três grandes voltas, ficou-se com a certeza que esta é uma formação que não só tem potencial para ganhar, mas que o pode mesmo fazer. Todo o potencial que vinha a demonstrar nas últimas temporadas foi transformado em resultados que tornaram a Jumbo-Visma numa equipa definitivamente de topo.

Não é fácil poder dizer que subiu ao pódio nas três grandes voltas (dois terceiros lugares e um primeiro), ganhou etapas (cinco no Tour!), mostrou ter um bloco capaz de controlar as corridas e além disso pode dividir as atenções entre o sprinter Dylan Groenewegen e apoiar na montanha Steven Kruijswijk. Mas foi a posta total em Primoz Roglic que deu os maiores frutos a nível do grande sonho para 2019. Roglic falhou no Giro, mas aprendeu as lições e o esloveno fez história na Vuelta. O primeiro ciclista do seu país a ganhar uma prova de três semanas.

Roglic foi avassalador quase toda a temporada. Competiu sempre com a vitória em mente. Vencei a Volta aos Emirados, Tirreno-Adriatico e Volta à Romandia e ainda fechou a época com duas clássicas italianas: Giro dell'Emilia e Tre Valli Varesine. A desilusão acabou por ser nos Mundiais, onde esteve visivelmente esgotado, sendo apenas 12º no contra-relógio - cortou a meta ao lado do campeão Rohan Dennis que tinha partido três minutos depois - e abandonou na prova em linha. Recuperou para ganhar depois as clássicas italianas e ser sétimo na Lombardia.

Claro que entrar tão forte na temporada fez com que começasse o Giro num pico de forma muito acima dos adversários e acabou por aprender que deveria ter guardado esse pico para um pouco mais tarde na corrida. Na Vuelta foi bem mais calculista tanto na preparaçã como na prova e resultou. Mereceu a vitória e agora já olha para o Tour. Não apenas para um lugar no pódio. Pode ter chegado tarde ao ciclismo, tendo começado como desportista como um promissor saltador de esqui, mas está mais do que confirmada a sua qualidade como ciclista.
Ranking: 3º (13128,07 pontos) 
Vitórias: 51 (geral e duas etapas da Volta a Espanha, cinco etapas na Volta a França e duas no Giro) 
Ciclista com mais triunfos: Dylan Groenewegen (15)
E o que dizer de Dylan Groenewegen... Cada vez mais um sprinter que vai conquistando o seu lugar entre os grandes da especialidade. 15 vitórias em 2019 (mais duas que Roglic), mais uma no Tour (tem quatro em três anos) e também ganha por cá, na Volta ao Algarve. Por mais que a Jumbo-Visma olhe para as classificações gerais, com um sprinter desta qualidade e com este ritmo de vitórias, é impossível a equipa não continuar a dar condições para que Groenewegen esteja sempre na discussão de qualquer corrida que participe.

Depois houve aqueles que não venceram tanto ou mesmo nada, mas que são peças essenciais em elevar a Jumbo-Visma a um nível que a Ineos parecia ter colocado como inatingível. Kruijswijk conseguiu um pódio no Tour há muito devido numa corrida destas. George Bennett pode não estar a tornar-se no líder que se chegou a pensar que seria, mas lidera o bloco de gregários com autoridade, Sepp Kuss segue esses passos, Mike Teunissen (mais dotado para terrenos menos inclinados) até recebeu um prémio pelo seu trabalho ao ganhar a primeira etapa do Tour e vestir a camisola amarela e claro, Tony Martin. O alemão pode não conseguir ser o contra-relogista de outros tempos, mas é novamente aquele que faz um trabalho incansável para os seus líderes.

A muita juventude em redor de Roglic acabou por não ser a melhor escolha no Giro, mas quando a Jumbo-Visma conjugou o talento dos mais novos com a experiência de um Tony Martin ou Robert Gesink, ganhou uma Vuelta. Ainda há seis anos, a então Rabobank correu o risco de acabar, mas está agora no topo, e depois de Denis Menchov em 2009 no Giro, a agora Jumbo-Visma ganhou novamente nas três semanas.

E não, não se pode esquecer de Wout van Aert. Não foram as exibições esperadas nas clássicas, mas no Critérium du Dauphiné resolveu mostrar na sua época de estreia no World Tour outras qualidades: também sabe sprintar e é um forte contra-relogista. Foi destas duas formas que venceu duas etapas na corrida francesa, conquistando no final a classificação dos pontos. Chegou ao Tour e estava a ser uma das figuras. Ganhou uma etapa e era o favorito para o contra-relógio. A temporada foi interrompida nesse dia devido a um toque numa grade e uma queda gravíssima. Ainda está a recuperar. Ter-se-ia gostado de ver muito mais do belga em 2019, mas pelo menos ficou-se a saber que Van Aert é muito mais que um excelente ciclista para as clássicas do pavé.

Depois de anos a apostar em ciclistas que estão actualmente a ter os resultados que se desejava e que são figuras não só da equipa, mas da modalidade, a Jumbo-Visma quer dar mais um passo de consolidação e destronar a Ineos na Volta a França, mas olhando com ambição total para um Giro e Vuelta, sem esquecer as clássicas (Wout van Aert) e sprints (Groenewegen). Tem equipa para se dividir pelos vários objectivos e a chegada de Tom Dumoulin dá mais uma alternativa para as grandes voltas.

Ao contrário do que se poderia esperar, não vai haver luta de egos por um Tour. Dumoulin procura o título olímpico, pelo que prefere regressar a Itália e a um Giro que já ganhou, a ir a um Tour que pouco lhe assenta e arriscar chegar a Tóquio desgastado. Roglic vai a França, faltando saber como vai juntar esforços com Kruijswijk. Ambos acreditam mais do que nunca que podem ir mais longe no Tour. A Ineos já sente a pressão da Jumbo-Visma e os ciclistas da equipa britânica já vão falando desta aproximação que só pode ser boa para o espectáculo do ciclismo.


26 de novembro de 2019

Van Aert não vai ter de pagar indemnização milionária: "Foi feita justiça"

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Wout van Aert já pode respirar um pouco mais de alívio e concentrar-se na sua recuperação física. O tribunal decidiu a favor do ciclista belga, o que significa que não terá de pagar uma indemnização de 1,1 milhões de euros, que era exigida pelo director da sua antiga equipa. Nick Nuyens ainda pode recorrer, mas o corredor admitiu que recebeu esta terça-feira uma motivação extra.

Em causa estava a rescisão de contrato por parte de Van Aert, há pouco mais de um ano, com a Veranda’s Willems-Crelan. Um dos pontos de descontentamento foi não ter sido avisado das negociações que decorriam com a Roompot-Charles para uma fusão, que veio a acontecer. A gota de água terá acontecido quando Nuyens terá tentado que um dos treinadores assinasse uma declaração incriminatória contra Van Aert, segundo o Cyclingnews. Niels Albert não o fez e foi uma das testemunhas importantes no decorrer do processo.

Van Aert já tinha acordado com a Jumbo-Visma mudar-se em 2020, mas, após a UCI ter dado luz verde, aceitando a rescisão - mas ficaria atenta à decisão judicial -, o ciclista começou a competir pela nova equipa em Março deste ano.

No entanto, Nuyens, que ficou como director da estrutura após a fusão, sempre defendeu que Van Aert não tinha justificação para quebrar o vínculo contratual que durava até Dezembro de 2019, avançando então para os tribunais. Exigia cerca de 1,1 milhão de euros de indemnização.

"Foi feita justiça. Que alívio. Dá-me uma grande motivação para continuar a trabalhar no meu regresso e para ser capaz de me concentrar 100% nisto. Gostaria de agradecer a todos os que me apoiaram", escreveu Van Aert no Twitter.

A decisão a favor do ciclista de 25 anos foi do tribunal de trabalho de Mechelen, na Bélgica, segundo o Het Nieuwsblad. Nuyens terá de pagar as despesas legais, mais uma má notícia para o director depois da Roompot-Charles ter fechado portas no final desta temporada.

Quanto à recuperação de Van Aert após a grave queda na Volta a França, o ciclista tem partilhado a sua evolução nas redes sociais e estará cada vez mais perto de regressar, sendo a sua esperança de ainda fazer uma parte da temporada de ciclocrosse, que tanto gosta. Não têm sido semanas fáceis, com o belga a admitir que chegou a recorrer a uma ajuda psicológica (ver link em baixo).


1 de novembro de 2019

Van Aert precisou de ajuda para recuperar do trauma da queda no Tour

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Wout van Aert está a dar as primeiras pedaladas a pensar na preparação para a temporada de ciclocrosse na esperança que antes do final do ano possa estar de regresso à competição. Vai perder as primeiras provas, mas ainda ambiciona uma presença no Mundial. Esta sexta-feira partilhou no Strava o seu primeiro treino nesta vertente, depois de ter passado as últimas semanas a recuperar da grave queda no contra-relógio da Volta a França. Para o belga está a ser um desafio, não apenas a nível físico, mas também mental. O ciclista belga admitiu que precisou de ajuda para ultrapassar o que percebeu ser um trauma.

Aquele 19 de Julho será um dia que marcará a carreira de Van Aert. O próprio já admitiu que poderia ter sido ali o fim do ciclismo para ele. Estava a ser uma estreia de sonho no Tour. Tinha ajudado a equipa a vencer o contra-relógio colectivo, ganhou a 10ª etapa, andou quatro dias de camisola verde e na 13ª tirada estava a discutir a vitória no contra-relógio individual quando, a dois quilómetros da meta em Pau, tocou nas barreiras numa curva e sofreu uma aparatosa queda. Fez um golpe profundo na perna, de tal forma que logo no momento, um dos assistentes da corrida tapou-o com as faixas de publicidade que estavam no local.

Mais tarde, o ciclista explicou que a primeira operação ainda em França não tinha sido feita de forma correcta e teve de ser novamente submetido a uma intervenção cirúrgica. Durante algum tempo, até simplesmente andar era algo limitado, não podendo exagerar. A carreira vai mesmo continuar, mas foi preciso recorrer ao um "treinador mental", como descreve Van Aert, para conseguir sentir-se outra vez à vontade na bicicleta.

"Durante muito tempo pensei que não era necessário, mas talvez o devesse tê-lo feito mais cedo", admitiu ao jornal belga De Zondag. "Percebi que quando assistia às corridas ficava ansioso quando passavam rapidamente por curvas. Pensei que não teria problemas depois da queda, mas aparentemente é um trauma", acrescentou o ciclista de 25 anos.

Van Aert começou a trabalhar com Rudy Heylen e recorrer a alguém com experiência na psicologia do desporto tem sido essencial na sua recuperação: "Não quero ter medo [a andar de bicicleta]."

Toda esta experiência tem sido mais um teste à resistência mental de Van Aert. Há um ano enfrentava a possibilidade de nem sequer competir em 2019 depois de ter rompido contrato com a Vérandas Willems-Crelan. O belga acabaria por antecipar em um ano a estreia pela Jumbo-Visma, mas demorou a aparecer no seu melhor. Não foi nas clássicas como se esperava, mas sim mais para o meio do ano, principalmente no Critérium du Dauphiné e no Tour. Um ano depois de toda a incerteza que o marcou - fez uma temporada muito abaixo do normal no ciclocrosse, antes de começar na estrada, em Março -, Van Aert enfrenta novas dificuldades, pois além da recuperação física e mental, ainda está a lidar em tribunal com o caso do contrato com a Vérandas Willems-Crelan.

O então director daquela equipa, Nick Nuyens, considera que Van Aert não teve razão em quebrar o vínculo que o ligava à estrutura por mais uma época. Pede mais de um milhão de euros de indemnização, algo que o ciclista espera que não seja condenado a pagar. "Nunca ganhei esse dinheiro. Se eu não tinha razão, espero não ter de pagar esse valor", afirmou na mesma entrevista.

22 de outubro de 2019

Antigo director de equipa de Van Aert quer mais de um milhão de euros de indemnização

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
A rescisão de contrato de Wout van Aert com a Veranda´s Willems-Crelan há mais de um ano continua por resolver. O caso foi para tribunal e o director da equipa quer mais de um milhão de euros de indemnização, considerando que o ciclista não teve razão para terminar o vínculo contratual um ano mais cedo do que o suposto.

Em Setembro de 2018, Van Aert alegou que não tinha condições para continuar na Veranda's Willems-Crelan, depois de se saber que iria haver uma fusão com a Roompot-Charles. O belga tinha sido um dos ciclistas em destaque na época de clássicas e tinha um contrato garantido com a Jumbo-Visma, que lhe permitiria dar o salto para o World Tour em 2020, depois de finalizar a ligação com a sua equipa de então. Desde logo, Nick Nuyens, o director da estrutura, anunciou que levaria o caso a tribunal.

Este terça-feira realizou-se mais uma audiência em Melchelen, na Bélgica. "Acharia muito estranho se recebesse uma sentença por isto", afirmou Van Aert, citado pelo Het Nieuwsblad. O jornal refere que Nuyens procura uma indemnização de 1 150 000 euros. Uma decisão deverá ser conhecida a 26 de Novembro.

O responsável da equipa negou sempre que tenham acontecido "coisas inaceitáveis" como alegou o ciclista. Van Aert acabaria por antecipar a sua ida para a Jumbo-Visma, depois da UCI ter aceite o pedido feito pelo corredor e o seu advogado, ainda que tenha deixado claro que ficaria atenta ao processo judicial. Até este "sim", Van Aert correu o risco de falhar a temporada de 2019. O belga, de 25 anos, acabaria por ter uma primeira temporada no World Tour memorável, apesar de não ter conseguido brilhar nas clássicas. Fê-lo no Critérium du Dauphiné (venceu duas etapas e classificação dos pontos) e na Volta a França. Venceu uma tirada e o contra-relógio colectivo e estava a ser uma das figuras até que sofreu uma queda aparatosa no contra-relógio individual.

Van Aert ainda está a recuperar das graves lesões e ainda não se sabe se conseguirá estar presente na temporada de ciclocrosse. No ano passado, esteve muito longe do seu melhor nesta vertente, na qual já conquistou vários títulos e alimentou uma rivalidade com Mathieu van der Poel, que tanto se espera ver agora na estrada. A situação da quebra de contrato e indefinição do futuro terão afectado Van Aert há um ano e o ciclista há muito que quer colocar um ponto final neste caso: "Neste momento, para mim não tem tudo a ver com o dinheiro, pois a minha carreira está em primeiro lugar."

15 de outubro de 2019

Uma Volta a França de assustar o melhor dos trepadores

(Imagem: Le Tour de France)
Se a edição de 2019 foi das melhores em anos recentes, a organização do Tour resolveu deixar todos a sonhar com algo inacreditável para 2020. Uma coisa é certa, não se poderá dizer tão cedo que a Volta a França não tem as dificuldades de uma Vuelta por exemplo. Para o ano será montanha, mais um pouco de montanha e quando alguém pensar em descansar, terá mais um pouco de montanha para enfrentar antes de chegar a Paris.

A expressão de Caleb Ewan demonstrou perfeitamente o sentimento de um sprinter, mas diga-se que os candidatos à geral também não pareceram muito tranquilos com o que estavam a ver durante a apresentação desta terça-feira, em Paris. Sorrisos só da parte de Thibaut Pinot (um Tour à sua medida) e de Julian Alaphilippe. Romain Bardet também não tem razões de queixa. E sim, são todos franceses! Tom Dumoulin não esteve presente, mas não tem razões para sorrir, tal como Primoz Roglic (ambos serão colegas na Jumbo-Visma em 2020), é que a ASO apenas colocou um contra-relógio e... é a subir... e não é numa subida qualquer!

Começando precisamente por esta etapa, a penúltima. Não é uma crono-escalada pura, já que dos 36 quilómetros, uma boa parte são planos. Haverá a subida ao Col de la Chevestraye antes da La Planche des Belles Filles, um local que está cada vez mais a tornar-se uma referência no Tour. São cerca de seis quilómetros a 8,4% de média, com a fase final a chegar aos 14%. Para Pinot (Groupama-FDJ), que consegue defender-se bem no contra-relógio, ter um perfil de montanha beneficia-o, já para não falar de Bardet. O líder da AG2R é muito mau no esforço individual, mas talvez consiga minimizar perdas sendo a subir. E claro que há que recordar: esta é a penúltima etapa de um Tour que irá massacrar o melhor dos trepadores. Não haverá tempo para corrigir falhas. O dia seguinte é de consagração.

Haverá muito a pensar nas equipas sobre as escolhas a fazer, ainda mais quando se estará em ano de Jogos Olímpicos. O Tour até começará uma semana mais cedo, mas ainda assim, quem for até ao fim e quiser ir a Tóquio, só terá seis dias para recuperar. Vincenzo Nibali, por exemplo, é um ciclista que está inclinado a escolher o Giro e depois os Jogos Olímpicos, não indo a França. E não será de surpreender que mais ciclistas sigam o mesmo plano em 2020, mas as decisões deverão ser tomadas quando forem conhecidos os percursos da Volta a Itália e da corrida em Espanha. Principalmente do Giro.

Na Volta a França esperam ao pelotão nove etapas de montanha, seis finais em alto, num total de 29 subidas categorizadas. Há ainda três tiradas que a organização apelida de "acidentadas" e as restantes são consideradas planas, mas muitas terão pequenas armadilhas (atenção ao vento em algumas das tiradas). Estas poderão criar dificuldades às equipas que apostem no sprint em conseguir garantir que de facto os homens mais rápidos disputem as vitórias. Este poderá ser um Tour com muito menos sprinters do que o normal. Chegar a Paris será um inferno que nenhum deles alguma vez enfrentou. Até Peter Sagan poderá enfrentar mais dificuldades para continuar a senda de conquistas de camisolas verdes.

Algo pouco habitual no Tour, além de apenas um contra-relógio (nem um colectivo foi incluído), é existir uma etapa de montanha logo ao segundo dia. Se um sprinter pode vestir a camisola amarela no primeiro dia, também a perderá logo de seguida. Nice receberá duas etapas e o início da terceira. E para não se ter dúvidas que este é de facto um Tour diferente, só haverá uma etapa acima dos 200 quilómetros.

O norte de França não entra no percurso, mas regressa o Maciço Central. Os Pirenéus chegarão primeiro do que os Alpes e a ASO procurou incluir novas subidas, deixando de fora locais míticos como o Mont Ventoux e o Alpe d'Huez. Mas haverá o Col de la Madeleine, na 17ª etapa, considerada a rainha. Na descrição do director da corrida, Christian Prudhomme, lê-se: "Apenas um grande campeão poderá ganhar no Col de la Loze." É uma subida a 2304 mil metros de altitude, que se tornará no sétimo ponto mais alto da Volta a França. Será uma etapa em que os ciclistas vão procurar reconhecer muito bem antes, pois haverá muitas estradas que nunca foram passadas, incluindo uma via construída apenas para bicicletas que levará até Méribel. E no dia seguinte haverá mais de quatro mil metros de acumulado para fazer!

Entre a 16ª e 18ª etapa muito poderá ficar decidido, mas claro que o objectivo deste percurso é que a decisão vá até La Planche des Belles Filles. Num Tour tão difícil que até levou Chris Froome a dizer que nunca tinha visto nada assim, descrevendo-o como "brutal", será muito difícil a equipas como a Ineos e a Jumbo-Visma controlarem. São etapas que convidam a ataques, o que faz com que Julian Alaphilippe tenha gostado do percurso, com o ciclista da Deceuninck-QuickStep a garantir que não quer lutar pela geral, mas não se importará de repetir o brilharete de 2019, ganhando etapas e andando de amarelo.

Tanta dureza pode resultar em espectáculo, mas poderá haver algum cuidado nos primeiros dias, com as equipas e ciclistas a preocuparem-se em poupar forças a pensar que haverá muito sofrimento pela frente. Uma Volta a França como esta acaba por ser uma incógnita como será enfrentada e até levanta a dúvida de quem a quererá enfrentar.

À primeira vista, assenta bem aos colombianos de características de trepador, com Egan Bernal, o vencedor de 2019, à cabeça. Nairo Quintana poderá estar satisfeito com o que viu. Além dos francesas referidos, Pinot e Bardet, o espanhol Mikel Landa (que vai para a Bahrain-Merida) também gostará da muita montanha e do pouco contra-relógio. Chris Froome (Ineos) teria apreciado mais contra-relógio, tal como Dumoulin e Roglic. Steven Kruijswijk será uma aposta da Jumbo-Visma que talvez se adapte melhor. A Mitchelton-Scott tem os irmãos Yates para um percurso com esta dificuldade.

As etapas e a indicação do tipo de percurso: 

1ª etapa (27 de Junho): Nice - Nice (156 quilómetros, plana)

2ª etapa (28): Nice - Nice (187, montanha)

3ª etapa (29): Nice - Sisteron (198, plana)

4ª etapa (30): Sisteron - Orcière-Merlette (157, montanha)

5ª etapa (1 de Julho): Gap - Privas (183, plana)

6ª etapa (2): Le Teil - Mont Aigoual (191, montanha)

7ª etapa (3): Millaur - Lavaur (168, plana)

8ª etapa (4): Czères-sur-Garonne - Loudenvielle (140, montanha)

9ª etapa (5): Pau - Laruns (154, montanha)

Dia de descanso em La Charente-Maritime (6)

10ª etapa (7): Îled'Oleron - Île de Ré (170, plana)

11ª etapa (8): Châtelaillon-Plage - Poitiers (167, plana)

12ª etapa (9): Chauvigny - Sarran (218, acidentada)

13ª etapa (10): Châtel-Guyon - Puy Mary (191, acidentada)

14ª etapa (11): Clermont-Ferrand - Lyon (197, acidentada)

15ª etapa (12): Lyon - Grand Colombier (175, montanha)

Dia de descanso em Isère (13)

16ª etapa (14): La-Tour-du-Pin - Villard de Lans (164, montanha)

17ª etapa (15): Grenoble - Méribel Col de la Loze (168, montanha)

18ª etapa (16): Méribel - La Roche-sur-Foron (168, montanha)

19ª etapa (17): Bour-en-Bresse - Champagnole (160, plana)

20ª etapa (18): Lure - La Planche des Belles Filles (36, contra-relógio)

21ª etapa (19): Mantes-la-Jolie - Paris (122, plana)



15 de setembro de 2019

Equipas da Vuelta uma a uma

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Ponto final na terceira e última grande volta do ano. Houve espectáculo, reviravoltas, polémica, confirmações de jovens ciclistas e um vencedor justo, Primoz Roglic (Jumbo-Visma). Entra-se agora em modo final de temporada, com os Mundiais (entre 22 e 29 de Setembro) e o último monumento, Lombardia (12 de Outubro), como os derradeiros grandes objectivos de uma temporada que, a nível do World Tour, terminará novamente na China, com a Volta a Guangxi (17 a 22 de Outubro). Para concluir a Vuelta, uma análise às equipas, sem esquecer os ciclistas portugueses. A ordem é da classificação colectiva, que mais uma vez foi ganha pela espanhola Movistar.

Movistar: Nairo Quintana venceu uma etapa e foi líder por um dia. Alejandro Valverde também picou o ponto e aos 39 anos foi segundo na Vuelta, o que significa que não se pode dizer que tenha sido uma corrida má da equipa espanhola. Porém, queria ganhar, mas mais uma vez ter dois líderes que não estão muito interessados em ajudar o companheiro só prejudicou a concretização dos objectivos. Chegou-se ao ponto de ver Marc Solar protestar publicamente por ter de esperar por Quintana e abdicar de lutar pela etapa. O colombiano tem responsabilidade por ter novamente falhado na montanha, onde deveria fazer diferenças e assim ter deixado escapar o pódio, mas também não ajudou estar isolado dentro da equipa. Valverde fez a sua corrida, mas tem sempre o dia em que se afasta da luta pela vitória final. O episódio do ataque quando Roglic e vários outros ciclistas tinham caído não ajudou a que esta equipa ficasse bem vista. Uma Movistar unida e Roglic e a Jumbo-Visma poderiam ter tido uma rival à altura. Quanto a Nelson Oliveira, foi a prestação de nível habitual. É um dos melhores gregários do pelotão internacional e corrida após corrida demonstra porquê. Chegou a andar em fuga, mas não foi desta que repetiu a vitória de etapa de 2015. Foi 46º a 2:20.59 horas de Roglic.

Astana: Equipa fortíssima nas provas por etapas de uma semana, mas falhou nas três grandes voltas. Na Vuelta apostou tudo num Miguel Ángel López que começa a tornar-se num eterno candidato, sem confirmar credenciais. Ainda é um ciclista jovem, tem apenas 25 anos, mas esperava-se que pelo menos tivesse conquistado um lugar no pódio nesta edição. Começou bem no contra-relógio por equipas, López chegou a liderar por três vezes, mas como tem sido habitual, há sempre algo que acontece a este corredor. Ou cai, ou fura, ou simplesmente não tem pernas para os rivais, como foi o caso. Na última etapa de montanha, López deixou ainda escapar a camisola da juventude. A equipa não foi uma boa ajuda nas primeiras etapas mais complicadas, mas após o primeiro dia de folga, López não se pode queixar dos companheiros. No final, fica um quinto lugar a saber a pouco do colombiano (a 4:48 minutos de Roglic) e a vitória de etapa de Jakob Fuglsang, a sua primeira e já muito merecida numa grande volta. López acabou por subir ao pódio em Madrid como o ciclista mais combativo da Vuelta.

Jumbo-Visma: Aliou a juventude à experiência, escolhendo um sete de qualidade para rodear Primoz Roglic. Fez toda a diferença quando comparada com a equipa que foi ao Giro. Também havia qualidade, mas faltou mais experiência. Mesmo perdendo cedo Steven Kruijswijk, a Jumbo-Visma fez uma Vuelta positiva. Ainda assim, deixou algumas vezes o líder demasiado cedo sozinho. Aí valeu Primoz Roglic ser um grande chefe-de-fila. Respondeu a tudo, foi calculista, frio e não se deixou levar por emoções como no Giro. Venceu o contra-relógio e ganhou margem para ganhar a Vuelta, que segurou. Vitória mais do que merecida daquele que de facto foi o melhor entre os candidatos e que ficou ainda com a camisola verde dos pontos. Mas uma palavra para um excelente Sepp Kuss. Foi um gregário de luxo e tem apenas 25 anos. Na 15ª etapa foi para a fuga para eventualmente ajudar mais tarde Roglic. Não foi preciso e o americano aproveito para ganhar. Cuidado com esta Jumbo-Visma para 2020. A equipa melhora a cada grande volta e agora ganhou uma. Começou a Vuelta a cair no contra-relógio colectivo e acabou a ganhar. É a prova que o importante é como se acaba e não como se começa. Foi o contrário do que se viu no Giro.

Mitchelton-Scott: Era uma Vuelta para principalmente testar Johan Esteban Chaves. O vencedor de 2018, Simon Yates, ficou desta feita de fora depois de ter feito o Giro e o Tour. Chaves regressou este ano após uma longa ausência por doença, após a Volta a Itália do ano passado. Ganhou uma emotiva etapa no Giro, mas o regresso à liderança da equipa na Vuelta não correu bem. Rapidamente começou a ficar fora da disputa até pelo top dez e mesmo ficando entre os 20 melhores, terminar a quase uma hora de Roglic lança muitas dúvidas sobre o futuro deste colombiano de 29 anos. Luka Mezgec pouco se viu nos sprints e num acabou por cair e acabou a Vuelta no hospital. De resto, foi uma equipa discreta, muito diferente da Mitchelton-Scott de 2018.

AG2R: Com Pierre Latour a não aproveitar a oportunidade de lutar por um bom resultado, valeu à equipa francesa Geoffrey Bouchard, um ciclista que há um ano foi estagiário na segunda metade da temporada, depois de se destacar nos escalões amadores. Tem 27 anos e na sua primeira grande volta foi o rei da montanha. A partir da segunda semana e aproveitando uma fuga, apresentou a sua candidatura ao título a Ángel Madrazo, que esteve mais de meia volta como o líder da classificação. Bouchard venceu e foi assim o destaque de uma equipa que de outra forma estava a passar ao lado da corrida.

Sunweb: Foi uma época muito aquém do esperado nas grandes voltas dada a lesão de Tom Dumoulin no Giro. Na Vuelta, a equipa salvou um pouco deste 2019 na Vuelta. Nicolas Roche foi líder durante três dias - acabaria por abandonar pouco depois devido a uma queda - e Nikias Arndt venceu uma etapa. Foi ainda activa em fugas, na procura por mais vitórias. Wilco Kelderman voltou a desiludir, apesar de ter recuperado posições até ao sétimo lugar. Um menos mal, mas a equipa gostaria de ter mais garantias do ciclista agora que vai perder Dumoulin para a Jumbo-Visma.

Euskadi-Murias: Fez o que se esperava, ainda que Óscar Rodríguez tenha desiludido um pouco. Não se mostrou na montanha e esteve longe de lutar por um top dez. Ainda assim, foi uma boa Vuelta para a equipa Profissional Continental. Os seus ciclistas foram incansáveis para tentar ganhar uma etapa e Mikel Iturria conseguiu-a. O futuro da equipa está um pouco incerto, mas a prestação na corrida espanhola foi positiva e uma boa apresentação a potenciais patrocinadores.

Bahrain-Merida: Dylan Teuns foi a figura da equipa no Tour e na Vuelta, ainda que em Espanha partilhe a atenção com Hermann Pernsteiner. O belga esteve perto de ganhar outra etapa numa grande volta, mas teve como consolação vestir a camisola vermelha por um dia. Depois andou num sobe e desce na classificação, mas não conseguiu um top dez, com o seu companheiro austríaco também a lá estar por dois dias, sendo uma das surpresas da Vuelta. Viu-se pouco do jovem talento ucraniano Mark Padun. Foi uma Bahrain-Merida de que não se esperaria muito mais do que aquilo que fez.

Dimension Data: Há um ano salvou a temporada na Vuelta, mas desta feita Ben King não conseguiu ganhar etapas e os companheiros não estiveram muito melhor. Quase que deu para esquecer que Louis Meintjes esteve na corrida, não fosse vê-lo em fuga. Ben O'Connor continua a tentar repetir a forma da primeira metade da temporada de 2018, mas está longe de o conseguir. Vuelta fraca da equipa sul-africana, tal como toda a temporada.

Ineos: Foi das piores grandes voltas da equipa. Todos os ciclistas começaram a falhar logo nas primeiras etapas. Tao Geoghegan Hart tentou salvar algo, entrando em fugas e ficou perto de ganhar uma etapa. Wout Poels e David de la Cruz foram desilusões completas e a restante equipa passou mais tempo na retaguarda do pelotão ou em grupos atrasados. Salvo Hart, foi uma prestação má de mais para uma equipa do estatuto da Ineos.

Bora-Hansgrohe: Sam Bennett pode ter ficado frustrado por não ter ido ao Giro nem ao Tour, mas estreou-se na Vuelta com duas vitórias e ficou perto de vencer em Madrid, sendo batido por Fabio Jakobsen. Mas esta equipa alemã mostrou novamente que pode alcançar mais do que ganhar etapas. Rafal Majka fechou mais um top dez (sexto, a 7:33). Porém, o polaco voltou a revelar que não tem capacidade para discutir uma grande volta e pode começar a perder espaço, dado os ciclistas que estão a emergir na estrutura, como Emanuel Buchmann. Boa volta da Bora-Hansgrohe.

Deceuninck-QuickStep: Cinco vitórias de etapas: duas pelo veterano e sempre com enorme classe, Philippe Gilbert, duas pelo estreante Fabio Jakobsen (incluindo em Madrid) e uma pelo jovem francês Rémi Cavagna. É preciso dizer mais? Apenas uma referência a James Knox. Teve azar no Giro, caindo e abandonando. Na Vuelta, caiu na polémica antepenúltima etapa, ficou muito mal tratado e não resistiu na tirada de montanha de sábado. Conseguiu acabar, mas saiu do top dez, ficando em 11º. Ainda sim, boa prestação do britânico de 23 anos.

Lotto Soudal: Foi a equipa habitual, a procurar vitórias de etapa, mas desta feita sai de Espanha a zero. O objectivo de Thomas de Gendt em querer terminar o maior número de grandes voltas consecutivas, não falhando nenhuma durante a temporada, fez com que chegasse à Vuelta muito cansado. Há um ano tornou-se no primeiro belga a ganhar a camisola da montanha na corrida espanhola, desta feita, pouco se viu deste excelente ciclista.

UAE Team Emirates: A equipa não esteve bem na montanha e Fernando Gaviria está a ter um ano de estreia na formação dos Emirados Árabes Unidos para esquecer. Fabio Aru foi para casa mais cedo. Porém, houve Tadej Pogacar. Um estreante numa grande volta, que há um ano era amador, mas tinha vencido de forma espectacular a Volta a França do Futuro. E foi ainda mais espectacular na Vuelta. Três vitórias de etapa, a última num ataque a mais de 30 quilómetros da meta! E com essa ousadia, garantiu ainda o terceiro lugar no pódio e a camisola da juventude. Um fenómeno!

Katusha-Alpecin: Sem líder para a geral, sem um grande sprinter e com a equipa ainda sem ter definido o seu futuro, os oito ciclistas eleitos para a Vuelta tinham liberdade para fazerem a sua corrida. E a referência foi Ruben Guerreiro. Ao terceiro ano no World Tour estreou-se finalmente numa grande volta e que grande corrida fez o português de 25 anos. Andou muitas vezes em fuga, fez um segundo e um quarto lugar, terminou em 17º na geral a 42:05 minutos e foi dos ciclistas que mais se mostrou na Vuelta, merecendo destaque por parte dos meios de comunicação social. Estará a caminho da Lotto Soudal e, se assim for, é um contrato mais do que merecido para continuar ao mais alto nível. Ruben Guerreiro confirmou todo o seu potencial na Volta a Espanha.

Groupama-FDJ: Foi à Vuelta sem grande ambição e mostrou ainda menos na corrida. Marc Sarreau é um sprinter interessante, mas não tem capacidade para disputar etapas com os melhores da especialidade. A Groupama-FDJ limitou-se a cumprir calendário e a dar alguma experiência a Bruno Armirail e eventualmente seria o objectivo para Benjamin Thomas, que, no entanto, abandonou após a 11ª etapa.

Cofidis: A equipa francesa Profissional Continental (que pode estar a caminho do World Tour) tem alcançado resultados bem melhores na Vuelta do que no Tour. Tal como em 2018 vestiu a camisola vermelha, ainda que por um dia, com Nicolas Edet, com Jesús Herrada - que tinha sido líder há um ano - a ganhar uma etapa. O irmão, José, também esteve perto. Foi uma equipa combativa e sai da Vuelta com o sentimento de missão cumprida.

Trek-Segafredo: John Degenkolb está de saída e tirando a vitória na etapa de Roubaix no Tour em 2018, não vai deixar saudades. Esteve desaparecido na Vuelta. Gianluca Brambilla nunca mais foi o ciclista dos tempos da QuickStep e a restante equipa pouco se mostrou, perante a fraca exibição das duas principais figuras. Edward Theuns quase salvou a honra, mas perdeu ao sprint frente a Sam Bennett na terceira etapa. Vuelta fraca da equipa americana.

EF Education-First: Correu quase tudo mal à formação dos Estados Unidos. Levou um dos blocos mais fortes, mas na sexta etapa perdeu Rigoberto Uran e Hugh Carthy numa queda e nesse mesmo dia, Tejay van Garderen, que ia na fuga, também caiu e não partiu na tirada seguinte. Daniel Martínez desiludiu, mas Sergio Higuita confirmou as expectativas. O primeiro colombiano falhou o Tour por lesão, regressou com uma vitória nos Jogos Pan-Americanos, mas ficou doente, o que prejudicou a sua preparação para a Volta a Espanha. Ainda não foi desta que confirmou credenciais na luta pela geral. Já o estreante Higuita venceu uma etapa em que esteve praticamente os 178 quilómetros em fuga, os últimos sozinho. 22 anos de um talento que irá à procura de se tornar também ele um grande voltista da Colômbia.

Caja Rural: Merecia mais. Equipa muito lutadora que ficou tão perto de ganhar uma etapa, mas acabou por ser a única Profissional Continental que não o conseguiu fazer. Alex Aranburu foi duas vezes segundo e somou mais boas prestações. Vai assinar por duas temporadas pela Astana. Jonathan Lastra também andou muito em fuga e a desilusão foi o russo Sergei Chernetski, que deveria ter-se mostrado na montanha e procurado um bom lugar na geral. Foi 111º, a mais de quatro horas de Roglic. Também Domingos Gonçalves ficou aquém das expectativas, na sua estreia em grandes voltas. Não se viu em fugas e foi uma pena não ter conseguido mostrar aquela sua característica garra quando está em boa forma. Abandonou, não partindo para a 14ª etapa.

CCC: Quando é um ciclista mais forte no sprint a mostrar-se em fugas em etapas de montanha, Jonas Koch, diz muito sobre uma equipa. A CCC foi outra equipa a passar despercebida, esperando que pelo menos tenha servido para que um jovem talentoso como Will Barta tenha ganho experiência para se mostrar no futuro. Vuelta fraca da formação polaca a precisar de bons reforços para 2020.

Burgos-BH: Ángel Madrazo fez a Volta a Espanha de uma Burgos-BH a precisar e muito de uma boa prestação. O espanhol de 31 anos venceu uma etapa e foi durante 14 dias líder da classificação da montanha. Porém, gastou muitas forças na primeira metade da Vuelta e até aparecer Geoffrey Bouchard (AG2R), ninguém estar interessado naquela camisola. Quando o francês entrou na disputa, Madrazo e a Burgos-BH não teve capacidade para defender a liderança. Porém, a equipa conseguiu muito mais do que apenas mostrar o equipamento e tem de ser considerada uma boa corrida de uma Burgos-BH, que foi sempre colocando ciclistas em fugas à procura de mais. Quanto aos dois portugueses, não se viu Ricardo Vilela nas etapas de montanha como se esperaria (105º, a 4:04.24 horas) e na estreia numa grande volta, Nuno Bico sai de Espanha como o lanterna vermelha (153º, a 5:56.02). Numa corrida tão difícil, Bico terminou, o que foi o mais importante para quem foi para a Burgos-BH para recuperar a alegria de competir. E muitos foram os que não chegaram ao fim desta difícil 74ª edição da Volta a Espanha.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




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