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4 de janeiro de 2020

O destino dos ciclistas da Katusha-Alpecin

(Fotografia: Facebook Katusha Cycling)
O final da Katusha-Alpecin obrigou muitos ciclistas a terem de procurar alternativas. Doze estavam em final de contrato, pelo que, quando durante a Volta a França começou a ganhar força a possibilidade de a equipa acabar, tiveram mais tempo para encontrar um novo rumo para a carreira. Porém, havia 11 com contrato para 2020 e mesmo a compra da licença por parte da agora chamada Israel Start-Up Nation (ex-Israel Cycling Academy), não houve desde logo certeza sobre o futuro destes ciclistas. E quatro foram mesmo obrigados a procurar novos destinos.

O último destes corredores a conseguir um contrato foi Enrico Battaglin. O italiano - um "todo-o-terreno" de 30 anos, que conta com três vitórias de etapas na Volta a Itália - foi este sábado anunciado como reforço da Bahrain-Merida, procurando assim relançar a sua carreira, depois de ter tido uma temporada à imagem da Katusha-Alpecin: muito abaixo do esperado.

O belga Jens Debusschere foi outro ciclista a chegar à Katusha-Alpecin em 2019 e seguirá agora para a equipa francesa do segundo escalão, B&B Hotels - Vital Concept p/b KTM. O jovem britânico (25 anos), Harry Tanfield encontrou na AG2R um espaço para continuar no World Tour, enquanto o russo Dmitry Strakhov regressa ao seu país para representar a Gazprom-RusVelo, uma formação Profissional Continental (categoria agora denominada como ProTeams).

Nils Politt, Jenthe Biermans, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel assinaram pela Israel Start-Up Nation, com Politt a preparar-se para ser um dos líderes na estreia da equipa na categoria mais elevada do ciclismo mundial.

Dos 12 em final de contrato - eram 13, mas Marcel Kittel colocou um ponto final na carreira, nem terminando a temporada -, só um continua por definir o seu futuro. Ian Boswell teve uma queda grave no Tirreno-Adriatico, a 16 de Março, sofreu uma concussão cerebral e não competiu mais em 2019. Chegou a estar dois meses sem andar de bicicleta. Agora já pedala e não estará afastada a possibilidade de trocar a estrada pela terra batida. O britânico de 28 anos, que esteve cinco temporadas na Sky antes de se mudar para a Katusha-Alpecin em 2018, promete novidades para breve.

Entre os que já estão a vestir os novos equipamentos, o destaque vai inevitavelmente para Ilnur Zakarin, que na CCC procura revitalizar a esperança de poder discutir a vitória numa grande volta. Os dois portugueses, Ruben Guerreiro e José Gonçalves, escolheram caminhos bem diferentes. O primeiro assinou novamente por uma equipa americana. Depois da Hagens Berman Axeon (Continental) e Trek-Segafredo (World Tour), o campeão nacional de 2017 muda-se para a EF Education First e continua assim ao mais alto nível. Já José Gonçalves, o campeão nacional em título de contra-relógio, desce de escalão, para competir pela Nippo Delko One Provence, estrutura que conhece bem, pois por lá passou em 2013 e 2014.

Quanto aos restantes, aqui ficam os seus destinos, com Simon Spilak a seguir o exemplo de Kittel, tendo terminado a carreira aos 33 anos: Marco Haller (Bahrain-Merida), Pavel Kochetkov (CCC), Steff Cras (Lotto Soudal), Matteo Fabro (Bora-Hansgrohe), Willie Smit (Burgos-BH), Nathan Haas (Cofidis), Viacheslav Kuznetsov (Gazprom-RusVelo).

De referir que a partir de Agosto a Katusha-Alpecin contou dois estagiários. O alemão de 20 anos, Juri Hollmann, é um dos reforços da Movistar, enquanto o sprinter holandês de 22 anos, Dylan Bouwmans, regressou à sua anterior equipa, a Metec-TKH Continental Cyclingteam p/b Mantel (Continental).

Como nota final, a Katusha ficou como fornecedora de equipamentos da Israel Start-Up Nation, enquanto a Alpecin dá agora nome à equipa de Mathieu van der Poel: a Alpecin-Fenix (ex-Corendon-Circus).


2 de novembro de 2019

Katusha-Alpecin despede-se com mais uma época para esquecer

(Fotografia: © Facebook Team Katusha-Alpecin)
A Katusha-Alpecin foi de mal a pior. Se 2018 já tinha sido fraco, 2019 foi simplesmente mau de mais. Todo o projecto de cortar com as raízes russas, transformar a equipa numa potência mundial ao contratar alguns ciclistas de renome e tentando afirmar nomes como Ilnur Zakarin, tudo falhou. Não houve dinheiro que conseguisse prever que Marcel Kittel se tornaria numa das piores contratações, é certo, e que aos 31 anos iria terminar a carreira, em Maio. Erik Zabel entrou para a equipa técnica para tentar ajudar na recuperação do sprinter, mas o "afundar" de Kittel acompanhou o "afundar" de uma Katusha-Alpecin, que teve Nils Politt a salvar um pouco a honra nas clássicas, mas sem vitórias, valendo aqui um Zakarin que continuou a desiludir a nível de geral, mas venceu uma etapa no Giro. Foi uma garantia que a estrutura de José Azevedo não terminasse 2019 sem triunfos World Tour. Mas não chega para apagar a má temporada.

Foram cinco vitórias. Além da 13ª etapa na Volta a Itália, antes Rick Zabel conquistou a segunda no Tour de Yorkshire e Kittel tinha começado o ano a ganhar no Troféu Palma, em Espanha, numa altura em que se pensou que talvez o sprinter pudesse recuperar o ritmo de vitórias de outros tempos e assim compensasse o grande investimento feito nele. Para mal da Katusha-Alpecin a história foi bem diferente. Kittel terminou a carreira. Depois de Zakarin vencer no Giro, Alex Dowsett e José Gonçalves sagraram-se campeões nacionais de contra-relógio. Nem mais uma vitória depois disso. Para agravar, as boas exibições também escassearam.

A Katusha-Alpecin foi uma equipa sem identidade, sem garra, sem líderes fortes. A certa altura mais parecia que estava cada um por si, situação que se tornou clara quando durante a Vuelta foi confirmado que não havia garantia de continuidade da equipa, conhecida que já era da saída de patrocinadores como a Alpecin e da marca de bicicletas Canyon. Ambas estarão mais interessadas em colocar o seu dinheiro onde está Mathieu van der Poel (Corendon-Circus). Entretanto foram surgindo notícias que a Israel Cycling Academy poderia comprar a licença World Tour, mas no meio de tanta incerteza, a Katusha-Alpecin conseguiu algum destaque na Vuelta graças a um português.
Ranking: 23º (3985,43 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo uma etapa na Volta a Itália)
Ruben Guerreiro aproveitou a liberdade que os ciclistas da equipa tinham na Vuelta e estreou-se numa grande volta com excelentes performances. Foi dos mais combativos da corrida, ficou perto de ganhar etapas e foi 17º na geral. Em 2018 havia José Gonçalves quem tinha ajudado a tornar a época menos má para a equipa com um 14º lugar no Giro. Já de 2019 esteve longe do esperado para o ciclista de Barcelos. Alguns problemas físicos limitaram Gonçalves, que concretizou o sonho de estar no Tour, mas foi uma prestação muito discreta para a qualidade que tem.

Mas Zakarin não esteve melhor em França e apesar de poder dizer que pagou o esforço do Giro, a verdade é que o russo vê os anos passarem sem afirmar-se como um voltista que possa estar novamente a discutir uma prova de três semanas. Foi terceiro na Vuelta em 2017, já fez outros top dez, incluindo este ano em Itália. Porém, não fez esquecer Joaquim Rodríguez.

Quem acabou por marcar muito a temporada da Katusha-Alpecin foi um ciclista que nem ganhou, mas aos 25 anos confirmou a aptidão para as clássicas do pavé. E não fosse um senhor chamado Philippe Gilbert, talvez tivesse conquistado o seu primeiro monumento. O Paris-Roubaix foi preencher um currículo invejável, como é o do belga, mas Politt deixou bem claro que tem capacidade para também ele conquistar grandes vitórias. Foi quinto na Volta a Flandres, sexto na E3 BinckBank Classic e o alemão foi o autor de algumas das raras boas exibições que se viu em 2019 de ciclistas da Katusha-Alpecin.

Não surpreende por isso que, dos 11 corredores que tinham contrato com a equipa para 2020, Politt seja aquele que a Israel Cycling Academy tenha admitido rapidamente que queria manter, depois de anunciar a compra da licença da equipa suíça (a Katusha deverá manter-se como patrocinador). Enrico Battaglin, Jenthe Biermans, Jens Debusschere, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Dmitry Strakhov, Harry Tanfield, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel são os restantes com vínculo para 2020. Ruben Guerreiro vai mudar-se para a EF Education First, Gonçalves para a Delko Marseille Provence e Zakarin também irá mudar de ares, para a CCC.

O desafio de José Azevedo como director geral de uma equipa World Tour não correu como certamente ambicionava e o próprio já admitiu que quer regressar ao cargo que ocupou anteriormente com sucesso. Como director desportivo venceu uma Vuelta com Chris Horner, então na RadioShack-Leopard (2013). A Jumbo-Visma foi dada como interessada em receber o português.

A Katusha-Alpecin terminou 2019, a nível de ranking, como a pior entre as do World Tour e foi ainda batida por formações Profissionais Continentais: Direct Energie, Wanty-Gobert, Corendon-Circus, Israel Cycling Academy e Cofidis.


24 de maio de 2019

O espectáculo chegou ao Giro e Nibali já se irritou com Roglic

(Fotografia: Giro d'Italia)
Foi preciso esperar meia Volta a Itália, mas o espectáculo dos últimos dois dias já começam a compensar uma primeira fase algo aborrecida, com excepção dos contra-relógios. O Giro está a aquecer, tanto na estrada como na guerra de palavras, o que só significa que as emoções começam a aquecer. A 13ª etapa foi tão espectacular como se previa e começou a colocar os candidatos nos seus lugares. Enquanto uns apresentam-se mais fortes do que se pensaria, outros acabaram derrotados e a precisar de um milagre ao estilo Chris Froome 2018 ou Vincenzo Nibali 2016.

E o italiano era um homem pouco satisfeito no final de um dia com duas primeiras categorias - a última a coincidir com a meta e foram 44 quilómetros de subida com poucos pontos de descanso - e uma segunda pelo meio. Nibali nem perdeu tempo para Primoz Roglic, o ciclista que se pode dizer que é o líder virtual já que Jan Polanc é o real, mas detém a camisola rosa a prazo. Porém, Nibali foi "vítima" de uma marcação cerrada de Roglic, com o esloveno a não se importar de ver a maior parte da concorrência atacar, só respondendo a Nibali.

"Disse-lhe: Se quiseres também vir e tirar uma fotografia da minha casa, eu mostrou-te a minha colecção de troféus quando quiseres", afirmou um Nibali, que terá insinuado que a Jumbo-Visma nunca lhe perdoou por ter atacado no dia em que Steven Kruijswijk caiu, acabando por perder o Giro, em 2016, ano de uma recuperação milagrosa de Nibali para vencer a sua segunda Volta a Itália. O ciclista da Bahrain-Merida considera que se Roglic continuar com esta atitude não vai ganhar o Giro e deixou bem claro que não vai "puxar" o rival: "Eu não ganho, mas ele também não." Haverá outro ciclista a agradecer se assim for...

Foram um casal bem unido na última subida do dia, mas fica claro que vai ser uma relação difícil e uma rivalidade que, após estas palavras, só ganhou ainda mais interesse. Na perspectiva de Roglic, estará tudo bem, pois continua apenas com Polanc na frente e já recuperou cerca de minuto e meio, estando a 2:25 da rosa. Já Nibali foi ultrapassado por Ilnur Zakarin e Bauke Mollema. Que grande etapa dos dois, com o russo a vencer, num triunfo que a Katusha-Alpecin estava desesperadamente a precisar.

Houve uma aproximação de vários ciclistas a Roglic, que não vai conseguir estar tão descansado nos próximos dias. O destaque para um Mikel Landa endiabrado pelo segundo dia consecutivo. Mas as etapas de alta montanha estão apenas a começar e começa também o teste para se perceber quem recupera melhor de dia para dia.

Com poucas razões para sorrir está Miguel Ángel Lopez. Simon Yates era um homem destroçado. Aqui ficam os pontos a destacar da 13ª etapa: Pinerolo - Ceresole Reale, 196 quilómetros.

Jan Polanc (UAE Team Emirates) sobreviveu. Soube agarrar-se a outros ciclistas para não perder a camisola rosa. Perdeu contacto com o grupo de favoritos na segunda categoria e com a ajuda de Bob Jungels (Deceuninck-QuickStep) recuperou posição. Enquanto o luxemburguês disse adeus ao top dez - ficou a 17:22 do líder -, Polanc aproveitou depois o trabalho da Mitchelton-Scott para Yates, da Astana para López, foi seguindo as rodas de ciclistas que lhe iam aparecendo pela frente, fazendo sozinho os últimos cinco quilómetros, minimizando assim as perdas. Foi muito sofrimento, mas que deixou Polanc ainda de rosa e com ambição de não querer ceder facilmente a liderança.

(Fotografia: Giro d'Italia)
➤ Ilnur Zakarin sofreu uma queda traumatizante no Giro de 2016, quando lutava pelo pódio. Foi numa descida. A 13ª etapa teve uma descida perigosa, mas o russo aguentou-se como pôde e, desta vez, não perdeu contacto. Na subida foi aquele Zakarin que infelizmente se tem visto tão pouco, mas ao perceber-se a forma do líder da Katusha-Alpecin, não foi surpresa vê-lo ganhar de forma autoritária. Desde o Tour de 2016 que não ganhava uma etapa numa grande volta, mas mais do que o triunfo, subiu ao terceiro lugar a 2:56 de Polanc, ou seja, a 31 segundos de Roglic. O discurso já é lutar pelo pódio e tentar vestir a camisola rosa, ainda que dê o favoritismo todo ao esloveno.

➤ A Trek-Segafredo mostrou-se afoita e até pareceu estranho ver um Bauke Mollema ao ataque tão cedo na etapa quando está na luta pela geral. Com um irresistível Giulio Ciccone - que recuperou a camisola azul da montanha - e Gianluca Brambilla a ajudar, Mollema encontra-se agora numa posição bem interessante. Não só por estar em quarto lugar, a 3:06, mas principalmente por revelar uma forma física que há muito não apresentava nesta fase adiantada de uma grande volta. Não está só a pensar em etapas como na última Vuelta. O holandês é mais um a olhar bem para cima.

➤ Se esta versão de Mikel Landa fosse a mais vista, então o espanhol já poderia ter um currículo bem diferente. Neste Giro já caiu, fez uns péssimos contra-relógios, mas em dois dias foram cerca de dois minutos recuperados para Roglic, mas ainda tem quase mais três a separá-los. Nada que desmoralize um Landa que já avisou que enquanto tiver pernas vai andar ao ataque. O problema é que tem de recuperar o tempo perdido e ganhar bastante, pois falta um contra-relógio... Destaque ainda para Richard Carapaz. Foi um excelente dia para a Movistar, táctica perfeita ao colocar Hector Carretero e Andrey Amador na frente, mas a rivalidade interna entre Landa e Richard Carapaz é real. O equatoriano claro que não atacou quando o espanhol o fez, mas, mais tarde, aproveitou para também ele ganhar tempo a Roglic e não deixar Landa ultrapassá-lo na classificação.

➤ Simon Yates e a Mitchelton-Scott são uma sombra do que foram há um ano no Giro. Fala-se de uma lesão na anca do britânico, mas o certo é que ficou para trás na derradeira dificuldade. Era um ciclista frustrado - até refilou com um ciclista da EF Education First por não o ajudar -, derrotado e destroçado. São quase seis os minutos que o separam de Roglic. Precisa de fazer o que Chris Froome lhe fez em 2018. O que se passa com Yates? Não há explicações, mas o Giro só terá a ganhar se ainda conseguir mostrar o seu melhor.

➤ São furos, são avarias mecânicas... Está a acontecer de quase tudo a Miguel Ángel López e hoje, tal como no segundo contra-relógio, acabou por custar tempo. O colombiano não quer atirar a toalha ao chão, depois de na quinta-feira mostrar que poderia recuperar a desvantagem e um dia depois ter voltado a ficar para trás. São mais de cinco minutos para Roglic, mas não lhe chamam o Super-Homem em vão e falta muita montanha.

➤ Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) está confirmado como homem para o top dez e Tanel Kangert (EF Education First) quer ser a surpresa entre os melhores, estando na 11ª posição. Pavel Sivakov vestiu a camisola de líder da juventude depois da quebra de Hugh Carthy (EF Education First), num dia em que a Ineos perdeu Tao Geoghegan Hart. O britânico caiu e partiu a clavícula, tal como aconteceu a Egan Bernal, que falhou o Giro pela mesma razão.

➤ E claro que não pode faltar Amaro Antunes (CCC), o único português no Giro. Esta era uma etapa que ajudaria a decidir o que iria procurar numa Volta a Itália na qual, de repente, se viu num top dez. Na quinta-feira já tinha saído desse grupo, ainda que por poucos segundos, mas na 13ª tirada ficou demonstrado que vai regressar ao plano inicial. Ou seja, Amaro Antunes vai à procura de ganhar etapas, depois de perder mais de 20 minutos, estando a 25:21. Liberdade total para entrar nas fugas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

14ª etapa: Saint-Vincent - Courmayeur, 131 quilómetros


Uma daquelas etapas para quebrar com as maratonas deste Giro. Quase dá vontade de dizer que é um sprint montanhoso. Não vai haver muito tempo para descansar se a tendência atacante se mantiver. Só há 14 quilómetros planos! Será um teste à resistência física de todos. Nibali deixou a dica que Roglic não vai pode estar tão descansado e percebe-se porquê. Esta etapa deve agradar a Nibali, não só pelas subidas, mas pelas descidas que podem ser muito importantes.




1 de dezembro de 2018

José Gonçalves um dos poucos que se salvou de uma época para esquecer

(Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
2018 para esquecer. Pouco se aproveitou da época da Katusha-Alpecin. Houve bons momentos, é certo. Um deles foi proporcionado por José Gonçalves, mas para uma equipa que investiu num dos melhores sprinters do mundo, que queria colocar Inur Zakarin a lutar por mais do que o top dez no Tour e que conta no plantel com ciclistas como Tony Martin, Alex Dowsett, Simon Spilak e Ian Boswell, terminar o ano com cinco vitórias, as mais importantes no Tirreno-Adriatico, e com um conjunto de exibições muito aquém do desejado, não deixam dúvidas que, para o ano, muito terá de melhorar.

É inevitável não concentrar grande parte do falhanço da Katusha-Alpecin no rendimento muito abaixo do normal de Marcel Kittel. A aposta financeira foi grande, com a equipa a deixar sair Alexander Kristoff. O norueguês podia não estar a render como noutros tempos, em termos de qualidade de triunfos, mas ia vencendo. Kittel, um dos melhores sprinter da actualidade e da história foi uma sombra de si mesmo. A Katusha-Alpecin e o ciclista passaram praticamente o ano todo a dizer que as vitórias iam chegar na próxima corrida. A próxima corrida chegava e nada. Vinha outra e nada.

As duas etapas no Tirreno-Adriatico pareciam ser um sinal positivo, mas a época de Kittel resumiu-se àqueles dois dias de Março. No final de Agosto, já depois de uma Volta à França bem diferente da de 2017, quando conquistou cinco etapas, Kittel abandonou a Volta a Alemanha, nem partindo para a segunda etapa. O próprio não percebia o que se passava e foi submetido a exames médicos, para tentar perceber se estaria com algum problema de saúde, como em 2015. Mas não. A responsabilidade foi antes atribuída a uma má recuperação da queda no Tour de 2017, que ditou então o adeus à corrida, com o ciclista a considerar que o que estaria a precisar era parar, recuperar e regressar em 2019 ao seu nível. A Katusha-Alpecin espera bem que sim, já que não se confirmaram os rumores que Kittel poderia estar de saída.

Talvez a má época de Kittel - que ainda assim foi quem mais venceu - pudesse ter sido um pouco compensada se Zakarin tivesse confirmado as expectativas, depois do terceiro lugra na Vuelta em 2017. O russo teve finalmente o Tour como principal objectivo, deixando o Giro de fora do seu calendário. Sim, é um bom trepador. Sim, sabe mexer nas corridas. E sim, tem uma tendência a sofrer quedas ou outro tipo de azares. Quando parece que nada há a fazer para salvar a corrida, Zakarin começa a subir de forma e na classificação. No Tour lá conseguiu entrar no top dez, na Vuelta no top 20. Porém, fica sempre aquela sensação que talvez possa fazer mais e melhor.

A Simon Spilak foi dado o papel de ser o ciclistas para as corridas de uma semana, uma especialidade sua, como comprovam as duas Voltas à Suíça e uma à Romandia, mas o esloveno de 32 anos também nunca conseguiu apresentar-se ao nível de 2017, por exemplo. De Tony Martin só se pode dizer que entra naquela lista de corredores de quem sai da Quick-Step Floors, tem dificuldades ou não consegue de todo render o que rendia na formação belga (Kittel também está na lista, por agora). Conquistar mais um título nacional de contra-relógio foi pouco. A Katusha-Alpecin aliviou um pouco a folha salarial, pois Martin irá para Lotto-Jumbo (futura Jumbo) em Janeiro.


Ranking: 17º (2757 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo duas etapas no Tirreno-Adriatico)
Ciclista com mais triunfos: Marcel Kittel (2)

Ian Boswell veio da Sky, mas não foi nem o gregário esperado, nem um ciclista que pudesse fazer a diferença em certas corridas. O colombiano Jhonatan Restrepo não confirmou o que muito se esperava dele e está de saída para a Manzana Postobón. Depois houve o acidente de Marco Haller, atropelado durante um treino. Esteve praticamente seis meses fora de competição, numa ausência importante no comboio de Kittel, mas que não serve de desculpa para o sprinter.

Mas nem tudo foi mau. O australiano Nathan Haas (29 anos), reforço vindo da Dimension Data, aproveitou bem dispor de alguma liberdade. Deu uma das vitórias à equipa (segunda etapa da Volta a Omã), tentou aparecer noutras provas, como na Volta à Califórnia, esteve perto de vencer em duas ocasiões na Suíça e acabou a época com um pódio na Volta à Turquia.

O alemão Nils Politt (24) demonstrou que poderá vir a ser aposta num futuro próximo, tendo ajudado a boa prestação na "sua" corrida. Venceu uma etapa e foi segundo na geral na Volta à Alemanha, mas ao longo do ano teve exibições consistentes e poderá começar a ser um ciclista com outro tipo de responsabilidade.

E temos José Gonçalves. Sem Zakarin no Giro, prova na qual o ciclista de Barcelos tinha sido um excelente gregário em 2017, a perspectiva era que Gonçalves pudesse perseguir a vitória de etapas. Tentou logo no contra-relógio inaugural (chegou a liderar) - foi quarto - e procurou esse triunfo nos dias seguintes. Foi terceiro na quinta etapa. Quando chegou a alta montanha, o português não se deixou enterrar na classificação. Foram exibições de grande nível praticamente durante todo o Giro, para tentar segurar um inesperado top 20, que se fixou num brilhante 14º posto.

Foi um José Gonçalves diferente, um ciclista mais forte na alta montanha e que agora se esperará para ver que aposta fará em 2019. Não conseguiu atingir o mesmo pico de forma na Vuelta, mas foi uma boa temporada para o gémeo, que viu o irmão renovar o título nacional de contra-relógio, com 12 segundos a separá-los.

Naquele que acabou por ser o ano de despedida de Tiago Machado do World Tour, o ciclista foi uma das figuras da Katusha-Alpecin na Vuelta. Com Zakarin fora da discussão do pódio, Machado teve liberdade e muito tentou procurar uma fuga de sucesso, entre as várias que triunfaram na corrida espanhola. Não encontrou o caminho de uma grande vitória, mas foi aquele ciclista que bem se conhece, lutador, que não sabe o que desistir quer dizer. E há que recordar que começou o ano com uma vitória que Prova de Abertura Região de Aveiro, ao serviço da selecção nacional, numa fuga solitária de 80 quilómetros! A equipa perde um ciclista muito regular, que foi um gregário importante neste quatro anos em que a representou.

Vitórias precisam-se em 2019

O nome de Joaquim Rodríguez continua a ser muito falado, pois desde que se retirou que esta Katusha-Alpecin não teve um ciclista que estivesse tanto na frente, tanto em destaque nas grandes voltas e não só. O director José Azevedo tem tornar em sucesso esta passagem para uma nova vida da equipa, que vai deixando cada vez mais para trás as origens russas. Contudo, nem com Kittel conseguiu recolocar a Katusha-Alpecin entre as formações mais ganhadoras.

Daniel Navarro, 35 anos, vai regressar ao World Tour depois de seis temporadas na Cofidis. Ciclista muito experiente que reforçará o bloco da montanha. Enrico Battaglin e Jens Debusschere serão uma mais valia para as clássicas e também nos sprints. Foi ainda contratado o jovem britânico Harry Tanfield, que aos 24 anos dará o salto para a categoria principal.

Sai Tiago Machado, entra Ruben Guerreiro entre os portugueses. Após dois anos na Trek-Segafredo, o campeão nacional de 2017 muda-se para a Katusha-Alpecin à procura de mais oportunidades, esperando também mudar a sua sorte, já que a sua passagem pelo World Tour está muito marcada por quedas e problemas de saúde que o têm limitado.

Dmitry Strakhov é um russo que conseguiu entrar na equipa que deixou de ser a que abria portas para os ciclistas deste país. O nome não é estranho, pois afinal andou por Portugal a ganhar e muito: Clássica da Arrábida, duas etapas na Volta ao Alentejo e uma etapa e a geral no Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela. O oitavo lugar na Volta à Grã-Bretanha, já como estagiário da equipa, terá ajudado a convencer os responsáveis da Katusha-Alpecin em contratá-lo. Os resultados foram interessantes, mas a ver vamos o que mostrará na elite mundial.

Permanências: Jenthe Biermans, Ian Boswell, Steff Cras, Alex Dowsett, Matteo Fabbro, José GonçalvesNathan Haas, Marco Haller, Reto Hollenstein, Marcel Kittel, Pavel Kochetkov, Viacheslav Kuznetsov, Nils Politt, Simon Spilak, Mads Würtz Schmidt, Willie Smit, Rick Zabel e Ilnur Zakarin.

Contratações: Enrico Battaglin (Lotto-Jumbo),  Jens Debusschere (Lotto Soudal), Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo),  Daniel Navarro (Cofidis), Dmitry Strakhov (Lokosphinx - estagiou na Katusha-Alpecin a partir de Agosto) e Harry Tanfield (Canyon Eisberg).

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10 de julho de 2018

O risco das apostas duplas

(Fotografia: © ASO/Bruno Bade)
Já diz o provérbio que "quem tudo quer, tudo perde". A Katusha-Alpecin talvez não queira tudo, mas quer muito e está a ver tudo fugir quando apenas estão decorridas quatro etapas da Volta a França. Por um lado, preparou Ilnur Zakarin para o ataque à geral, depois do Giro ter sido durante três anos a principal aposta e no ano passado ainda foi à Vuelta fazer terceiro. Por outro lado, abriu os cordões à bolsa para garantir um dos melhores sprinters da actualidade: Marcel Kittel. Porém, o alemão está a ter uma temporada muito abaixo das suas capacidades e Zakarin está a ser perseguido por azares, algo que não é novidade para o ciclista.

A fase final da quarta etapa (195 quilómetros entre Le Baule e Sarzeau) voltou a ser acidentado. Rigoberto Uran (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) e Mikel Landa (Movistar) apanharam um susto devido a uma queda que "apanhou" vários corredores, mas conseguiram reentrar na frente. Já Ilnur Zakarin não teve a mesma sorte. E lá perdeu mais 59 segundos. São 1:51 minutos para o líder Greg van Avermaet. Menos de um minuto se colocarmos Chris Froome e Richie Porte como referência, mas, ainda assim, é muito tempo para recuperar ainda mais tendo em conta a resposta da equipa quando Zakarin ficou para trás.

O russo ficou sozinho. Marcel Kittel manteve o seu comboio, ainda que pequeno, é certo, pois mais ciclistas da Katusha-Alpecin ficaram para trás. Zakarin tentou minimizar as perdas, mas a montanha ainda nem chegou e mais uma vez o russo vê-se desde cedo obrigado a ter de recuperar e não em pensar em tentar ganhar tempo. 2017 foi um ano positivo nas duas grandes voltas que realizou, contudo, antes, quedas e outros problemas foram sempre afastando este ciclista de outros voos. Poderia não aparecer numa primeira linha para ganhar o Tour, mas dele era esperado que pudesse estar na luta pelo top 10 e não se vai já colocar de parte a hipótese. Com a capacidade de luta que tem, um pouco mais não seria uma enorme surpresa.

Não é tempo de atirar a toalha ao chão para Zakarin, mas a Katusha-Alpecin vê a frustração aumentar com um Marcel Kittel que anda por ali nos sprints, mas sem estar verdadeiramente na luta. Tem ainda aquela atitude algo derrotista quando furou na segunda etapa, a cerca de sete quilómetros da meta, e rapidamente abdicou de tentar recuperar.

Em 2017 venceu por 13 vezes, mais a geral e classificação dos pontos da Volta ao Dubai. Cinco dos triunfos foram no Tour. Foi aquele super sprinter. Dois anos antes, um problema de saúde fez Kittel quase desaparecer. Mudou-se para a então Etixx-Quick Step, recuperou a sua melhor versão, mas não quis entrar numa batalha pela liderança com Fernando Gaviria e no final da última época quis sair. O resultado da mudança para a Katusha-Alpecin é uma vitória e um conjunto de exibições pouco (ou mesmo nada) convincentes. O Tour não fez, até agora, aparecer o melhor Kittel.

O objectivo da sua contratação foi para garantir mais vitórias. Por esta altura em 2017 a equipa tinha 14. Este ano tem quatro! O último Tour, com Kristoff a ser o líder, foi para esquecer. Este ano, a aposta dupla nos sprints e na geral não está a resultar. Ainda há muita corrida pela frente, mas nem Kittel, nem o seu comboio dão garantias de bons resultados e Zakarin terá de fazer algo de extraordinário. O que poderá valer à Katusha-Alpecin é que o russo é capaz desses momentos brilhantes. A equipa pode ter dinheiro, mas José Azevedo ainda está a tentar encontrar o equilíbrio no seu plantel que eleve a Katusha-Alpecin ao patamar ambicionado. Dividir para apoiar Kittel e Zakarin não está a ter o resultado desejado e o sprinter está a ser uma aposta falhada. A pressão sobre o alemão aumenta a cada dia que passa.

Mais uma para Gaviria

Três etapas ao sprint, duas vitórias. E na que não ganhou, nem esteve na discussão devido a uma queda. Aos 23 anos, Fernando Gaviria está mesmo a confirmar todas as expectativas. Tal como fez no Giro há um ano, está a conquistar os sprints no Tour com tremenda autoridade. Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) é quem mais consegue estar na sua roda, mas quando Gaviria arranca...

Nesta quarta etapa, André Greipel (Lotto Soudal) tentou mudar a táctica e antecipou-se no lançamento do sprint. Ficou perto, mas aos 35 anos, o alemão começa mesmo a ver a nova geração tomar conta de uma especialidade na qual foi uma referência durante muitas temporadas. Mas é excelente ver como não desiste. Com o seu futuro por definir, Greipel ainda tem algo para mostrar.

Na classificação geral, Greg van Avermaet é o primeiro neste Tour a conseguir manter a camisola amarela para um segundo dia.

Pode ver aqui as classificações.

(O texto continua por baixo do vídeo.)




Quinta etapa: Lorient-Quimper, 204,5 quilómetros

Finalmente começa a ver-se um sobe e desce. Duas quartas categorias, mais três de terceira e uma fase final pouco direita começa a pedir a outro tipo de ciclistas para se mostrarem. Será um "aquecimento" para um dos dias mais esperados, pois na quinta-feira será de do Mûr de Bretagne, que terá de ser ultrapassado duas vezes, a segunda para decidir o vencedor.



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10 de dezembro de 2017

Kittel autorizado a vestir equipamento da Katusha-Alpecin para mostrar "hipocrisia da UCI"

(Fotografia: Twitter Katusha-Alpecin)
A Katusha-Alpecin foi a mais recente das equipas a revelar como irá equipar-se em 2018. Na apresentação, em Maiorca, Marcel Kittel foi o centro das atenções, mas não apenas por ser... Kittel, também por estar vestido com as novas cores, tendo em conta que, até ao fim do ano, é ciclista da Quick-Step Floors. O sprinter alemão participou na sessão fotográfica e o seu ainda patrão explicou que autorizou Kittel para assim mostrar a "hipocrisia da UCI". Patrick Levefere mostrou o seu desagrado para com as regras contratuais impostas pelo organismo que tutela o ciclismo mundial.

"Autorizei-o a participar na sessão de fotografias da @katushacycling para provar a hipocrisia do sistema da @uci_cycling. Nós @quickstep_team teremos de pagar até 31 de Dezembro", lê-se no Instagram do director da equipa belga. Os contratos dos ciclistas começam normalmente a 1 de Janeiro, terminando no final do ano acordado. São raros os casos dos corredores que saem a meio da temporada (em Agosto, quando é possível negociar novos vínculos). Neste caso, Lefevere refere-se ao facto de, apesar de Marcel Kittel estar de malas aviadas para a Katusha-Alpecin, já estar inclusivamente a treinar com os novos companheiros, o alemão tem de utilizar o equipamento da Quick-Step Floors e a formação belga paga-lhe o ordenado até dia 31.

Se Lefevere não tivesse autorizado Kittel a vestir o seu futuro equipamento e o sprinter o tivesse feito, por exemplo, o director poderia cortar no salário que ainda tem de pagar ao ciclista como sanção. Esta regra faz com que os reforços tenham de esperar por 1 de Janeiro para se mostrarem com as novas cores, o que num mercado que tenta cada vez mais apostar no marketing e nos produtos ligados as equipas de ciclismo, ter de esperar por "exibir" Kittel, ou seja quem for a estrela contratada, poderá significar menos "dinheiro em caixa" durante umas semanas.

Autorização idêntica terá chegado da Movistar e da Dimension Data, pois Alex Dowsett e Nathan Hass surgiram igualmente equipados a rigor. Porém, durante o estágio que a Katusha-Alpecin está a realizar até ao próximo dia 15, em Espanha, os três ciclistas vestem as camisolas e utilizam as bicicletas da equipa por quem ainda têm contrato.

Kittel motivado para o novo desafio

O sprinter alemão reapareceu ao seu melhor em 2017, com destaque para as cinco vitórias na Volta a França, com a camisola verde a provavelmente escapar-lhe depois de uma queda que o obrigou a abandonar. No entanto, com Fernando Gaviria em clara ascensão na Quick-Step Floors, Marcel Kittel não quis correr o risco de se ver obrigado a ficar de fora no Tour para dar lugar ao colombiano. José Azevedo não desperdiçou a oportunidade para garantir aquele que é considerado um dos melhores na sua especialidade. O director português da equipa "trocou" um Alexander Kristoff em crise de grandes triunfos, por um Kittel de regresso à sua melhor versão.

"Estou muito contente por ter regressado a um nível que havia demonstrado no passado. O meu próximo grande objectivo é conhecer os meus novos companheiros e ver como vamos trabalhar juntos. Não vamos pensar ainda nas vitórias. Estar numa equipa de alto nível internacional é uma forte motivação para mim. Penso que encaixo bem e sinto que juntos poderemos conseguir algo importante. Sinto-me muito bem aqui", referiu Marcel Kittel na apresentação.

José Azevedo agradeceu o que Kristoff deu há equipa durante os seis anos em que a representou, mas não tem dúvidas em dizer que agora tem o melhor sprinter do mundo. "Temos ciclistas para trabalhar e lançá-lo. Este grupo de corredores apoiará o Marcel da melhor maneira", assegurou o director geral. Porém, apesar de Kittel ser a estrela maior, no que diz respeito a objectivos a outra responsabilidade está do lado de Ilnur Zakarin. O ciclista russo foi quinto no Giro e na Vuelta conseguiu finalmente um pódio (terceiro). Em 2018 o ataque será ao Tour e José Azevedo destaca que também Zakarin terá uma boa equipa em seu redor, destacando Ian Boswell (Sky), outro dos reforços para 2018. O ciclista russo afirmou que quer estar entre os cinco primeiros da geral quando cortar a meta nos Campos Elísios.

O responsável português salientou que Simon Spilak será ciclista para lutar por corridas de uma semana e deixa uma garantia quanto a umas das desilusões de 2017: Tony Martin. "Ainda tem muito para dar ao ciclismo", frisou.

Entre os reforços estão ainda Steff Cras, belga de 21 anos, e Willie Smit, sul-africano de 24. Já nas saídas, destaque para o final da carreira dos espanhóis Alberto Losada e Ángel Vicioso, Michael Morkov vai para a Quick-Step Floors, Matvey Mamykin será colega de José Mendes na Burgos-BH - o contingente russo é cada vez mais pequeno e já só serão quatro ciclistas -, enquanto Rein Taaramäe tentará relançar a carreira na Direct Energie, depois de uma época muito apagada.

E não nos podemos esquecer que dois portugueses têm lugar de relevo nesta estrutura. Tiago Machado renovou por mais um ano e vai para o seu quarto nesta formação. José Gonçalves assinou até 2019, depois de uma época de estreia no World Tour muito positiva.


De recordar que a Katusha-Alpecin é uma das nove equipas do World Tour com presença confirmada na Volta ao Algarve, pelo que está em aberto ver de novo Marcel Kittel a lutar nos sprints em Lagos e Tavira. Nesta última cidade, ganhou em 2016.

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2 de dezembro de 2017

Nova era da Katusha-Alpecin com confirmação de Zakarin e despedida de Kristoff

Zakarin realizou uma excelente temporada (Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
Foi o cortar com as raízes russas. José Azevedo tem um enorme desafio pela frente e em 2017 conseguiu um dos seus objectivos como director geral da Katusha-Alpecin: Ilnur Zakarin confirmou credenciais e subiu ao pódio de uma grande volta. Porém, confirmou-se também uma perspectiva negativa: Alexander Kristoff perdeu a chama de vencedor nas principais corridas. É o autor de mais de metade das vitórias deste ano da Katusha-Alpecin, mas só duas foram no World Tour, nas clássicas Eschborn-Frankfurt e Prudential RideLondon-Surrey. Ser campeão da Europa não tem o estatuto de uma vitória no Tour ou num monumento e o norueguês viu ainda Peter Sagan frustrar-lhe a tentativa de ser campeão do mundo no seu país. Tony Martin foi uma das principais contratações da temporada, mas não rendeu nada do que era esperado. Os portugueses Tiago Machado e José Gonçalves fizeram uma temporada muito positiva e viram os seus contratos serem renovados.

A Katusha deixou de ser a equipa de referência da Rússia e não só trocou de nacionalidade - é agora suíça - como entrou um novo patrocinador, a Alpecin, como também terminou com a ligação a muitos ciclistas russos, tornando-se mais internacional. Como curiosidade, um deles, Egor Silin, assinou pela Rádio Popular-Boavista. Tony Martin foi o grande investimento. Depois de cinco anos na estrutura da actual Quick-Step Floors, o quatro vezes campeão do mundo de contra-relógio queria um novo desafio, mas não esteve à altura. Até começou o ano a ganhar na segunda etapa da Volta à Comunidade Valenciana. Depois... nada. Nem exibições à Martin, nem vitórias nos contra-relógios. Salvou-se o título nacional da especialidade.

Se de Martin esperava-se mais, de Alexander Kristoff então, nem se fala. A Katusha-Alpecin construiu dois blocos: um para apoiar o norueguês nos sprints e nas clássicas e outro para proteger Ilnur Zakarin. As exibições de Kristoff chegaram a ser penosas de ver, como quando o seu lançador, Rick Zabel, trabalhou muito bem para o seu líder, que depois nem o conseguiu passar para discutir o sprint. Zabel - e o apelido não engana, é mesmo filho Erik Zabel - foi outra das contratações e poderá ser uma aposta ganha num futuro próximo. Tem 23 anos, muito para progredir e vai estar ao lado de Marcel Kittel, podendo muito bem aprender com um mestre do sprint. Nas clássicas, a oportunidade poderá chegar já em 2018.

Com o passar dos meses e com Kristoff a falhar todas as principais metas, o mal-estar começou a ser difícil de esconder. O norueguês chegou a admitir publicamente que lhe tinha dito que estava com peso a mais, com o ciclista a garantir que estava igual a outros anos. Ficou claro que a porta de saída estava aberta. Kristoff assinou pela UAE Team Emirates.

Ranking: 11º (5619 pontos)
Vitórias: 17 (incluindo a Eschborn-Frankfurt e uma etapa e a geral na Volta à Suíça e a Prudential RideLondon-Surrey)
Ciclista com mais triunfos: Alexander Kristoff (9)

Com Kristoff a ganhar em corridas secundárias - Volta a Omã, ou Artic Race, por exemplo -, a pressão de bons resultados recaiu em Ilnur Zakarin. O potencial estava lá, mas o russo parecia ser algo perseguido por algum azar. Ainda assim, já tinha uma etapa no Giro e outra no Tour. Porém, este russo queria um pódio, queria até estar na luta por uma vitória numa grande volta. Itália assenta bem a Zakarin e mais uma vez apareceu em alta. Desta feita não houve incidentes que ditassem o abandono - ainda que tivesse perdido algum tempo muito cedo na corrida - e acabou em quinto, sendo ainda três vezes segundo em etapas. Os resultados renovaram a confiança do russo.

Saltou o Tour para apostar na Vuelta e em boa hora o fez. Grande corrida, quase sempre na frente, na discussão. Ainda não esteve ao nível de debater-se em pé de igualdade com Froome, mas conseguiu um muito esforçado terceiro lugar. É caso para dizer que Zakarin está no ponto.  E foi ainda campeão nacional de contra-relógio. Em 2018 é possível que regresse ao Tour, mas ganhar uma das três principais corridas de três semanas é agora claramente o objectivo. Falta saber qual será a preferida.

Quanto aos portugueses, é uma pena não se poder ver mais Tiago Machado naquela sua versão de homem de ataque, que mexe nas corridas e procura vitórias. Teve liberdade na Liège-Bastogne-Liège, mas apesar de inicialmente o seu grupo de fugitivos ter ganho uma vantagem de respeito, a tentativa não resultou. No resto do ano, Machado foi aquele ciclista que a Katusha tanto aprecia. É de confiança ao lado dos líderes, trabalhador incansável que cumpre à risca o que lhe é pedido. O Tour foi prova disso. Muito se viu o português na frente do pelotão sempre a pensar em Kristoff. José Azevedo renovou por mais um ano com Machado, que teve um resultado que até pode ter passado despercebido, mas foi um de destaque individual: 11º no Tour de Yorkshire.

Já José Gonçalves foi premiado com dois anos de contrato. Finalmente fez a estreia ao mais alto nível e tal como Tiago Machado, já não pode ser aquele ciclista irreverente, que está sempre pronto a atacar. No entanto, teve mais liberdade do que o compatriota. Aquela Strade Bianche será para recordar. Gonçalves integrou a fuga e conseguiu manter-se na frente quando esta terminou. Ficou à porta do top dez (11º) e o próprio admitiu que lhe faltou experiência para talvez conseguir ainda melhor. Porém, ficou o sinal claro que a Katusha-Alpecin tem ciclista para procurar triunfos em algumas corridas. E só para não restarem dúvidas foi à Holanda ganhar a Ster ZLM, além de uma etapa.

No mês antes tinha sido um dos ciclistas mais importantes no trabalho a Ilnur Zakarin na Volta a Itália. Como gregário passou um teste de fogo e na Vuelta lá estava Gonçalves novamente entre os eleitos. Infelizmente acabou por abandonar na sexta etapa devido a uma queda. No entanto, não estragou uma temporada convincente. José Gonçalves conseguiu no seu primeiro ano no World Tour ganhar um lugar de destaque na Katusha-Alpecin.

Para 2018, chega então Kittel para dar as vitórias que Kristoff não foi capaz, mas José Azevedo não se ficou pelo sprinter alemão. Foi buscar Ian Boswell à Sky, ciclista que será um apoio importante para Zakarin, tal como Alex Dowsett (Movistar). O primeiro terá uma missão de apoio na montanha, mas ambos vão ser importantes no contra-relógio. Se a aposta for o Tour - haverá inevitavelmente uma divisão de atenção entre Zakarin e Kittel -, juntamos Tony Martin e o contra-relógio colectivo poderá ser um dia bom para a Katusha-Alpecin. Da Dimension Data chega o australiano Nathan Haas que além das corridas por etapas, será um bom reforço para as clássicas. O sul-africano Willie Smit é a contratação mais desconhecida, sendo mais um jovem (24 anos) que a equipa quererá desenvolver.

O plantel para a próxima temporada é forte: Jhonathan Restrepo, Maurits Lammertink, Mads Würtz Schmidt, Marco Mathis ou os mais experientes Baptiste Planckaert e Simon Špilak (venceu a Volta a Suíça) continuam na Katusha-Alpecin. A equipa de José Azevedo quer atingir outro patamar e reforçou-se bem para alcançar esse objectivo.

5 de setembro de 2017

Como é que Froome pode perder a Vuelta

(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
Chris Froome foi sensacional, mas não resolveu a Volta a Espanha como se calhar pretendia. Bateu todos no contra-relógio e só Vincenzo Nibali não está a mais de dois minutos, mas por apenas dois segundos. O italiano até parecia estar a pedalar rumo a uma catástrofe, mas afinal soube gerir bem o esforço e nos últimos quilómetros recuperou de forma a pelo menos não perder o segundo lugar para um super Wilco Kelderman, que fecha agora o pódio. As distâncias podem não ser decisivas, contudo, mais do que alguém ainda vir a ganhar a Froome, é mais o próprio britânico que poderá ser o principal responsável se perder a Vuelta. Por outro lado, a luta pelo pódio está completamente em aberto. Vão ser quatro dias de nervos.

Os 40,2 quilómetros que começaram no circuito de Navarra e acabaram em Logroños foram encarados por todos como de importância extrema. Não havia tempo para poupanças a pensar na montanha que por aí vem nos quatro competitivos de Vuelta (mais a etapa de consagração de domingo). Todos sabiam que Chris Froome tinha este contra-relógio marcado como um dia essencial para ganhar uma vantagem que pode revelar-se determinante. Froome não desiludiu, Wilco Kelderman foi excelente, Vincenzo Nibali sai um pouco cabisbaixo. Já Alberto Contador esperava mais, mas foi um dos melhores contra-relógios que fez nos últimos anos e para quem já andou fora do top dez, é agora quinto e tem o pódio na mira.

Nibali ficou a 1:58 minutos do britânico da Sky (estava a 1:01) e apesar de não deixar de olhar para a frente na tabela - apesar de estar algo pessimista -, tem mesmo de começar a olhar para trás, pois Kelderman (Sunweb) está somente a 42 segundos. E é melhor o líder da Bahrain-Merida não facilitar nem um metro, é que Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) e Alberto Contador (Trek-Segafredo) podem aproveitar uma subida mais explosiva para criar dificuldades a um Nibali que já demonstrou uma ou outra fraqueza, ainda que tenha sido o rival mais consistente de Chris Froome.

O britânico não arrumou com as decisões na Vuelta, mas ganhou uma margem que lhe vai permitir (e à Sky) controlar ainda mais a corrida, ganhando ainda uma motivação extra pela sua segunda vitória de etapa. Parece impossível controlar ainda mais, mas não é. Com a luta pelo pódio lançada e com quase dois minutos para Nibali, Froome poderá jogar um pouco mais frio, ficando na expectativa quando aparecerem os ataques. Não signifique que vá deixar alguém escapar. Não o fez até agora e com o final tão próximo, não vai deixar certamente, afinal um azar (e teve três numa só etapa - duas quedas e uma avaria) e lá se vão segundos muito rapidamente. Nem Contador irá ter ordem para fugir. Froome já afirmou mais do que uma vez que o espanhol não pode ser excluído da disputa. O britânico sabe como um ataque do líder da Trek-Segafredo pode fazer estragos difíceis de remediar.

Mais do que alguém ainda poder ganhar esta Vuelta, será preciso Froome perdê-la. Está sentado na pole-position, onde gere muito melhor a corrida do que quando tem ainda de fazer alguma jogada de ataque. O ciclista que analisa todos os seus números ao ínfimo pormenor, que raramente dá uma pedalada que não esteja prevista, Froome contará com Mikel Nieve e Wout Poels para estudar bem os adversários durante as próximas etapas. Tudo será controlado, todos os rostos, todas as pedaladas. Já se percebeu que todos irem atacando é algo que não assusta a Sky. Para derrotar o britânico, os rivais vão precisar de mais do que cada um tentar a sua sorte. Chegou o momento de algumas alianças, tentando estudar que objectivos encaixam melhor uns nos outros.

Exemplo: Nibali ataca com Contador. O italiano aponta ainda à camisola vermelha, o espanhol sabe que é muito difícil, mas poderá ficar com a vitória de etapa e ainda chegar ao pódio. E claro, as alianças são momentâneas e Contador pode sempre noutro dia tentar algo mais... Ainda no campo das suposições, Zakarin e Kelderman querem ambos o pódio e podem aliar-se para tirar de lá Nibali e ainda tentar aproximarem-se de Froome... Isto para falar apenas dos cinco primeiros.

O britânico da Sky só perderá esta Vuelta se os adversários o conseguirem enervar. Não é impossível. Se recuarmos à etapa em que caiu duas vezes, a segunda queda aconteceu porque o britânico deixou-se apoderar por algum nervosismo depois da primeira queda e da avaria que o fizeram perder tempo. É um ciclista experiente, mas a ansiedade nestas fases decisivas das corridas, ainda mais quando Froome poderá fazer um pouco de história, pode influenciar até o mais controlado dos ciclistas a nível emocional.

É preciso testar Froome fisicamente, claro, mas a nível psicológico pode estar algo a explorar. Contador e Nibali sabem como o fazer. Já Zakarin e Kelderman ainda estão a aprender este lado do ciclismo. O importante é não deixar Froome ficar confortável nas etapas de montanha. O britânico só tem de resistir mais quatro dias. Quanto mais tempo passar e o vantagem não diminuir, mesmo sendo um ciclista que já demonstrou algumas dificuldades na última semana no passado, Froome irá manter sem problemas de maior a camisola vermelha.

Alianças e algum risco. Vai ser preciso assumir algo diferente e esta quarta-feira isso certamente que irá acontecer. Machucos é uma subida considerada pelo pelotão como brutal e não é para menos (imagem ao lado). Só no início estão rampas de 26% e 25%. Baixa depois um pouco, mas anda quase sempre acima dos 10%. A média de 8,7% é enganadora, pois é influenciada pelas curtas zonas de descanso. Curtas, mas que podem ser importantes para recuperar um pouco de fôlego. Não há ciclista do topo da tabela que não considere que Machucos poderá ser muito importante na decisão desta Vuelta.

E é Froome quem o diz: tudo pode mudar rapidamente nesta Volta a Espanha...


Os portugueses

Em dia de contra-relógio e com dois especialistas portugueses em prova, nem Nelson Oliveira, nem Rafael Reis conseguiram mostrar-se. O quatro vezes campeão nacional foi 24º a 2:47 de Froome, talvez acusando um pouco o esforço de uma Vuelta dura para a Movistar e na qual se tem visto Oliveira a tentar um bom resultado para a equipa espanhola. É de recordar que já chegou a estar à porta do top 10. O vice-campeão nacional ficou a 4:00 de Froome, sendo que Rafael Reis vai continuando a acumular experiência naquela que está a ser a sua primeira grande volta, ao serviço da Caja Rural.

Rui Costa (UAE Team Emirates) ficou a 4:31 e Ricardo Vilela (Manzana Postobón) a 4:47. Não está fácil, mas Rui Costa tem o objectivo de ainda tentar uma vitória de etapa na sua estreia na Vuelta. Já integrou fugas, mas não tem sido sucesso. Tem resistido aos ferimentos nas costas provocados por uma queda e é de esperar uma última tentativa do campeão do mundo de 2013 de ter o seu momento na Vuelta.

AG2R manda para casa dois dos seus ciclistas

O vídeo surgiu ontem na internet, mas as imagens eram pouco nítidas. Nelas viam-se ciclistas agarrados a um carro da AG2R numa subida durante a etapa de domingo. Não se conseguia perceber quem eram, mas a equipa francesa identificou-os e mandou-os para casa. Alexandre Geniez e Nico Denz "apanharam uma boleia" e perante as imagens a equipa nem quis esperar por uma sanção da organização, até porque é a credibilidade da formação que está em causa.

No Paris-Nice, Romain Bardet também fez o mesmo ainda que por razões diferentes, pois o seu objectivo era não perder tempo para a frente da corrida. Foi expulso. A AG2R pediu desculpa pela acção de Geniez e Denz.


Summary - Stage 16 - La Vuelta 2017 por la_vuelta