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4 de janeiro de 2020

O destino dos ciclistas da Katusha-Alpecin

(Fotografia: Facebook Katusha Cycling)
O final da Katusha-Alpecin obrigou muitos ciclistas a terem de procurar alternativas. Doze estavam em final de contrato, pelo que, quando durante a Volta a França começou a ganhar força a possibilidade de a equipa acabar, tiveram mais tempo para encontrar um novo rumo para a carreira. Porém, havia 11 com contrato para 2020 e mesmo a compra da licença por parte da agora chamada Israel Start-Up Nation (ex-Israel Cycling Academy), não houve desde logo certeza sobre o futuro destes ciclistas. E quatro foram mesmo obrigados a procurar novos destinos.

O último destes corredores a conseguir um contrato foi Enrico Battaglin. O italiano - um "todo-o-terreno" de 30 anos, que conta com três vitórias de etapas na Volta a Itália - foi este sábado anunciado como reforço da Bahrain-Merida, procurando assim relançar a sua carreira, depois de ter tido uma temporada à imagem da Katusha-Alpecin: muito abaixo do esperado.

O belga Jens Debusschere foi outro ciclista a chegar à Katusha-Alpecin em 2019 e seguirá agora para a equipa francesa do segundo escalão, B&B Hotels - Vital Concept p/b KTM. O jovem britânico (25 anos), Harry Tanfield encontrou na AG2R um espaço para continuar no World Tour, enquanto o russo Dmitry Strakhov regressa ao seu país para representar a Gazprom-RusVelo, uma formação Profissional Continental (categoria agora denominada como ProTeams).

Nils Politt, Jenthe Biermans, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel assinaram pela Israel Start-Up Nation, com Politt a preparar-se para ser um dos líderes na estreia da equipa na categoria mais elevada do ciclismo mundial.

Dos 12 em final de contrato - eram 13, mas Marcel Kittel colocou um ponto final na carreira, nem terminando a temporada -, só um continua por definir o seu futuro. Ian Boswell teve uma queda grave no Tirreno-Adriatico, a 16 de Março, sofreu uma concussão cerebral e não competiu mais em 2019. Chegou a estar dois meses sem andar de bicicleta. Agora já pedala e não estará afastada a possibilidade de trocar a estrada pela terra batida. O britânico de 28 anos, que esteve cinco temporadas na Sky antes de se mudar para a Katusha-Alpecin em 2018, promete novidades para breve.

Entre os que já estão a vestir os novos equipamentos, o destaque vai inevitavelmente para Ilnur Zakarin, que na CCC procura revitalizar a esperança de poder discutir a vitória numa grande volta. Os dois portugueses, Ruben Guerreiro e José Gonçalves, escolheram caminhos bem diferentes. O primeiro assinou novamente por uma equipa americana. Depois da Hagens Berman Axeon (Continental) e Trek-Segafredo (World Tour), o campeão nacional de 2017 muda-se para a EF Education First e continua assim ao mais alto nível. Já José Gonçalves, o campeão nacional em título de contra-relógio, desce de escalão, para competir pela Nippo Delko One Provence, estrutura que conhece bem, pois por lá passou em 2013 e 2014.

Quanto aos restantes, aqui ficam os seus destinos, com Simon Spilak a seguir o exemplo de Kittel, tendo terminado a carreira aos 33 anos: Marco Haller (Bahrain-Merida), Pavel Kochetkov (CCC), Steff Cras (Lotto Soudal), Matteo Fabro (Bora-Hansgrohe), Willie Smit (Burgos-BH), Nathan Haas (Cofidis), Viacheslav Kuznetsov (Gazprom-RusVelo).

De referir que a partir de Agosto a Katusha-Alpecin contou dois estagiários. O alemão de 20 anos, Juri Hollmann, é um dos reforços da Movistar, enquanto o sprinter holandês de 22 anos, Dylan Bouwmans, regressou à sua anterior equipa, a Metec-TKH Continental Cyclingteam p/b Mantel (Continental).

Como nota final, a Katusha ficou como fornecedora de equipamentos da Israel Start-Up Nation, enquanto a Alpecin dá agora nome à equipa de Mathieu van der Poel: a Alpecin-Fenix (ex-Corendon-Circus).


2 de novembro de 2019

Katusha-Alpecin despede-se com mais uma época para esquecer

(Fotografia: © Facebook Team Katusha-Alpecin)
A Katusha-Alpecin foi de mal a pior. Se 2018 já tinha sido fraco, 2019 foi simplesmente mau de mais. Todo o projecto de cortar com as raízes russas, transformar a equipa numa potência mundial ao contratar alguns ciclistas de renome e tentando afirmar nomes como Ilnur Zakarin, tudo falhou. Não houve dinheiro que conseguisse prever que Marcel Kittel se tornaria numa das piores contratações, é certo, e que aos 31 anos iria terminar a carreira, em Maio. Erik Zabel entrou para a equipa técnica para tentar ajudar na recuperação do sprinter, mas o "afundar" de Kittel acompanhou o "afundar" de uma Katusha-Alpecin, que teve Nils Politt a salvar um pouco a honra nas clássicas, mas sem vitórias, valendo aqui um Zakarin que continuou a desiludir a nível de geral, mas venceu uma etapa no Giro. Foi uma garantia que a estrutura de José Azevedo não terminasse 2019 sem triunfos World Tour. Mas não chega para apagar a má temporada.

Foram cinco vitórias. Além da 13ª etapa na Volta a Itália, antes Rick Zabel conquistou a segunda no Tour de Yorkshire e Kittel tinha começado o ano a ganhar no Troféu Palma, em Espanha, numa altura em que se pensou que talvez o sprinter pudesse recuperar o ritmo de vitórias de outros tempos e assim compensasse o grande investimento feito nele. Para mal da Katusha-Alpecin a história foi bem diferente. Kittel terminou a carreira. Depois de Zakarin vencer no Giro, Alex Dowsett e José Gonçalves sagraram-se campeões nacionais de contra-relógio. Nem mais uma vitória depois disso. Para agravar, as boas exibições também escassearam.

A Katusha-Alpecin foi uma equipa sem identidade, sem garra, sem líderes fortes. A certa altura mais parecia que estava cada um por si, situação que se tornou clara quando durante a Vuelta foi confirmado que não havia garantia de continuidade da equipa, conhecida que já era da saída de patrocinadores como a Alpecin e da marca de bicicletas Canyon. Ambas estarão mais interessadas em colocar o seu dinheiro onde está Mathieu van der Poel (Corendon-Circus). Entretanto foram surgindo notícias que a Israel Cycling Academy poderia comprar a licença World Tour, mas no meio de tanta incerteza, a Katusha-Alpecin conseguiu algum destaque na Vuelta graças a um português.
Ranking: 23º (3985,43 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo uma etapa na Volta a Itália)
Ruben Guerreiro aproveitou a liberdade que os ciclistas da equipa tinham na Vuelta e estreou-se numa grande volta com excelentes performances. Foi dos mais combativos da corrida, ficou perto de ganhar etapas e foi 17º na geral. Em 2018 havia José Gonçalves quem tinha ajudado a tornar a época menos má para a equipa com um 14º lugar no Giro. Já de 2019 esteve longe do esperado para o ciclista de Barcelos. Alguns problemas físicos limitaram Gonçalves, que concretizou o sonho de estar no Tour, mas foi uma prestação muito discreta para a qualidade que tem.

Mas Zakarin não esteve melhor em França e apesar de poder dizer que pagou o esforço do Giro, a verdade é que o russo vê os anos passarem sem afirmar-se como um voltista que possa estar novamente a discutir uma prova de três semanas. Foi terceiro na Vuelta em 2017, já fez outros top dez, incluindo este ano em Itália. Porém, não fez esquecer Joaquim Rodríguez.

Quem acabou por marcar muito a temporada da Katusha-Alpecin foi um ciclista que nem ganhou, mas aos 25 anos confirmou a aptidão para as clássicas do pavé. E não fosse um senhor chamado Philippe Gilbert, talvez tivesse conquistado o seu primeiro monumento. O Paris-Roubaix foi preencher um currículo invejável, como é o do belga, mas Politt deixou bem claro que tem capacidade para também ele conquistar grandes vitórias. Foi quinto na Volta a Flandres, sexto na E3 BinckBank Classic e o alemão foi o autor de algumas das raras boas exibições que se viu em 2019 de ciclistas da Katusha-Alpecin.

Não surpreende por isso que, dos 11 corredores que tinham contrato com a equipa para 2020, Politt seja aquele que a Israel Cycling Academy tenha admitido rapidamente que queria manter, depois de anunciar a compra da licença da equipa suíça (a Katusha deverá manter-se como patrocinador). Enrico Battaglin, Jenthe Biermans, Jens Debusschere, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Dmitry Strakhov, Harry Tanfield, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel são os restantes com vínculo para 2020. Ruben Guerreiro vai mudar-se para a EF Education First, Gonçalves para a Delko Marseille Provence e Zakarin também irá mudar de ares, para a CCC.

O desafio de José Azevedo como director geral de uma equipa World Tour não correu como certamente ambicionava e o próprio já admitiu que quer regressar ao cargo que ocupou anteriormente com sucesso. Como director desportivo venceu uma Vuelta com Chris Horner, então na RadioShack-Leopard (2013). A Jumbo-Visma foi dada como interessada em receber o português.

A Katusha-Alpecin terminou 2019, a nível de ranking, como a pior entre as do World Tour e foi ainda batida por formações Profissionais Continentais: Direct Energie, Wanty-Gobert, Corendon-Circus, Israel Cycling Academy e Cofidis.


1 de outubro de 2019

José Gonçalves regressa a equipa francesa

(Fotografia: © João Fonseca Photographer/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Depois de três anos no World Tour, na Katusha-Alpecin, José Gonçalves vai regressar a uma equipa onde começou a sua carreira fora de Portugal. O campeão nacional de contra-relógio assinou pela Delko Marseille Provence para 2020 e espera que a experiência que ganhou ao mais alto nível possa ajudá-lo a alcançar novamente bons resultados na formação francesa.

Gonçalves esteve na então na La Pomme Marseille em 2013 e 2014, que pertencia ao escalão Continental, mas entretanto subiu a Profissional Continental. "Ao ter alcançado bons resultados no World Tour durante os últimos três anos e tendo conquistado o título nacional de contra-relógio recentemente, pude ganhar mais experiência e melhorar o meu nível desportivo. No entanto, a época de 2019 não foi a minha melhor devido a um vírus, mas tentei dar o meu melhor. Tenho a certeza que ainda tenho muito para dar", afirmou José Gonçalves.

A Delko Marseille Provence recorda como o português conquistou pela equipa uma vitória na corrida de um dia Polynormande, tendo depois ganho a Volta à Turquia (ao serviço da Caja Rural) e a Ster ZLM, já na Katusha-Alpecin, que com a época quase no fim continua sem ter futuro definido. José Gonçalves é um ciclista que participou nas três grandes voltas, com um 14º lugar no Giro em 2018 e esteve perto de ganhar etapas na Vuelta quando estava na Caja Rural. Fez este ano a sua estreia no Tour, mas não foi feliz, ainda que tenha chegado a Paris.

"Ele vai ter um papel de liderança nas corridas por etapas de uma semana e em provas do World Tour. Estamos a contar com o valor desportivo que ele pode nos trazer", salientou o director da equipa, Frédéric Rostaing.

A Delko Marseille Provence marca presença em algumas das principais provas em França, incluindo o Paris-Roubaix e o Paris-Nice, por exemplo, mas este ano esteve também na Flèche Wallonne, entre outras corridas na Bélgica, Espanha e Itália, por exemplo. No entanto, não entra na equação quando são atribuídos os convites para a Volta a França.

As grandes voltas saem do calendário de José Gonçalves, que apostará nas corridas que sempre lhe assentaram bem, numa nova fase da carreira que começará aos 30 anos.

José não deverá ser o único dos Gonçalves a regressar a uma equipa que já representou. O irmão gémeo, Domingos, também poderá estar de volta à Rádio Popular-Boavista, depois de um 2019 muito difícil na Caja Rural. O ciclista de Barcelos recebeu uma segunda oportunidade na equipa espanhola, mas os problemas físicos foram limitando a sua temporada, principalmente a grave queda na Volta à Catalunha. Abandonou na Volta a Portugal, mas foi chamado para a Vuelta, que acabaria também por não terminar. Não foi depois ao Mundial de Yorkshire, alegando motivos pessoais. Em 2018 teve uma época espectacular ao serviço da Rádio Popular-Boavista, com muitas vitórias, incluindo uma etapa na Volta a Portugal e um top dez, sendo um ciclista cujas características são apreciadas pelo director desportivo José Santos.


17 de setembro de 2019

Rui Costa lidera Portugal nos Mundiais mas não será a única aposta

(Fotografia: © PhotoFizza/UAE Team Emirates)
A selecção portuguesa vai contar com seis ciclistas na prova de elite, apostando na experiência, mas também haverá espaço para a juventude. E os jovens que vão completar a comitiva nos restantes escalões vão a Yorkshire apresentar-se com argumentos para tentar alcançar um bom resultado nos Mundiais que arrancam este domingo e terminam a 29 de Setembro.

Rui Costa (UAE Team Emirates) e Nelson Oliveira (Movistar) são dois ciclistas com muita experiência em Mundiais e claro que o primeiro conquistou uma das maiores vitórias do ciclismo nacional, ao sagrar-se campeão em 2013. Ambos demonstraram boa forma recentemente. Rui Costa foi sétimo no Grande Prémio de Montreal e Nelson Oliveira realizou uma Vuelta de grande nível no seu habitual trabalho de gregário.

O especialista no contra-relógio, foi ainda o eleito por José Poeira para essa prova, com o campeão nacional, José Gonçalves (Katusha-Alpecin) a ficar "guardado" para a prova em linha. O seleccionador chamou ainda o irmão gémeo de José, Domingos Gonçalves (Caja Rural). Para fechar, dois dos jovens talentos portugueses: Ruben Guerreiro (25 anos, Katusha-Alpecin) vem de uma Volta a Espanha sensacional, na sua estreia em grandes voltas, enquanto Rui Oliveira (23) tem feito uma primeira epoca no World Tour pela UAE Team Emirates de muita qualidade, estando mais preso ao trabalho de apoio aos líderes.

Este grupo de ciclistas dá a Portugal várias soluções, para um percurso de 285 quilómetros propício a ataques e que será importante ter mais do que um ciclista preparado para tentar estar na frente da corrida nos momentos decisivos. A colocação será chave. "Durante cerca de 100 quilómetros, a partir do quilómetro 60 de prova, os corredores vão andar por estradas muito sinuosas, com subidas íngremes, curvas e viragens muito técnicas. É necessário estar sempre bem colocado, havendo tensão constante, o que vai aumentar o stress competitivo e provocar um desgaste muito grande, antes mesmo do circuito final, essencialmente urbano. Aqui as maiores dificuldades serão técnicas, devido às curvas, viragens e descidas exigentes. Tem também alguns topos. Acabará por ser duro porque os corredores vão ali chegar com quase 200 quilómetros e cada metro que se perca para a roda da frente numa curva ou viragem custa muito a recuperar", afirmou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

O seleccionador nacional aposta num top dez na corrida em linha e na prova de esforço individual (54 quilómetros): "É um contra-relógio que abre mais a possibilidade de bons resultados aos corredores possantes que tiveram a vida mais dificultada nos Mundiais de Bergen e de Innsbruck. No entanto, acredito nas capacidades do Nelson Oliveira para nos dar uma alegria. A prova vai obrigar a uma criteriosa escolha dos andamentos a utilizar, porque exige muitas mudanças de ritmo, devido às subidas, mas também às estradas estreitas e sinuosas. O atravessamento de zonas de ventos cruzados é outro factor relevante."

Quanto aos sub-23, as escolhas foram feitas após os testes feitos durante a semana passada no Centro de Alto Rendimento, em Anadia. Os dois jovens da Hagens Berman Axeon, João Almeida e André Carvalho vão estar no contra-relógio (30,3) e na prova em linha (186,9) e estarão acompanhados nesta última por um Emanual Duarte (LA Alumínios-LA Sport) a viver um momento muito especial da sua ainda curta carreira, tendo ganho a classificação da juventude da Volta a Portugal e pouco depois conquistou a Volta a Portugal do Futuro. A equipa fica completa com Miguel Salgueiro, um dos sub-23 que mais se destacou em 2019 entre as equipas de clube, ao serviço da Sicasal-Constantinos, sendo uma presença regular na selecção.

De recordar que João Almeida é o actual campeão nacional das duas vertentes em sub-23 e está a caminho da Deceuninck-QuickStep, por quem assinou para 2020 e 2021, pelo que será um ciclista que irá receber muita atenção por parte das outras selecções.

Os juniores só farão a prova em linha (148,1): André Domingues (Escola de Ciclismo Bruno Neves) e João Carvalho (Bairrada). No sector feminino, Maria Martins (Sopela Women's Team) foi chamada para a corrida de elite (149,4 quilómetros), pois não há o escalão de sub-23. A ciclista de 20 anos tem feito uma temporada muito positiva, com vitórias e numa das principais corridas do ano, foi sexta classificada na segunda etapa do Madrid Challenge by La Vuelta. O percurso de Yorkshire não é o que melhor encaixa nas suas características, mas Maria Martins faz sempre questão de ser competitiva nas corridas que faz.

Para fechar a comitiva, a júnior Daniela Campos (5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ) irá competir nas duas provas, ou seja, terá pela frente 86 quilómetros na prova em linha e no contra-relógio (13,7) que abrirá a participação portuguesa nos Mundiais.

O calendário de Yorkshire abre no domingo com a estreia do contra-relógio misto e em estilo de estafeta. Ou seja, primeiro partirão os três ciclistas masculinos e depois do segundo cortar a meta, partem as três senhoras. O tempo é tirado quando a segunda passar a meta. Uma novidade que substitui o contra-relógio por equipas.

Aqui ficam os horários das corridas que vão contar com os corredores portugueses, recordando que os Mundiais serão transmitidos pelo Eurosport. O fuso horário é igual ao da Grã-Bretanha.

Dia 23: 10:10 contra-relógio juniores femininas: Harrogate - Harrogate, 13,7 quilómetros

24: 10:10: Contra-relógio sub-23: Ripon - Harrogate, 30,3 quilómetros

25: 13:10 contra-relógio elite masculina: Northallerton - Harrogate, 54 quilómetros

26: 12:10 prova de fundo juniores: Richmond - Harrogate, 148,1 quilómetros

27: 8:40 prova de fundo juniores femininas: Doncaster - Harrogate, 86 quilómetros

14:00 prova de fundo sub-23: Docaster - Harrogate, 186,9 quilómetros

28: 11:40 prova de fundo elite feminina: Bradford - Harrogate, 149,4 quilómetros

29: 8:40 prova de fundo elite masculina: Leeds - Harrogate, 280 quilómetros


8 de julho de 2019

Van der Poel é um íman de patrocinadores e deixa Katusha com futuro incerto

(Fotografia: © Kathrin Schafbauer/Katusha-Alpecin)
Aí está a equipa com futuro incerto além de 2019. Nos últimos anos algumas equipas têm chegado a esta fase da temporada com a corda da garganta quanto à sua continuidade e agora é a vez da Katusha-Alpecin. O director da estrutura, José Azevedo, assumiu a incerteza, sendo que talvez no primeiro dia de folga da corrida seja possível perceber se a equipa vai ou não prosseguir na próxima temporada. O grande problema estão nas possíveis iminentes saídas da Canyon, marca das bicicletas, e da Alpecin, cujos contratos terminam no final do ano, com as atenções a centrarem-se na aposta da nova estrela do ciclismo: Mathieu van der Poel.

Desde que tomou de assalto a época de clássicas, que o holandês tem sido assunto quanto à pretensão de equipas World Tour em contratá-lo. O próprio tem referido que quer permanecer na Corendon-Circus, equipa que este ano subiu a Profissional Continental, com a qual tem contrato até 2022. Mas houve sempre outra influência que se tinha de ter em conta: a Canyon. Ficou bem claro como a marca estava a apostar neste ciclista, com as campanhas publicitárias a serem reforçadas. Há uma semana não restaram mais dúvidas que a Canyon passaria a ter uma palavra a dizer no futuro de Van der Poel, ao torná-lo embaixador da marca para os próximos quatro anos.

A Deceuninck-QuickStep era uma pretendente, com a Specialized certamente a adorar poder juntar Van der Poel a outra grande estrela, ainda que da Bora-Hansgrohe, Peter Sagan. Mas a Canyon não vai deixar escapar uma autêntica mina de ouro. O Tuttobici escreveu que a marca irá abandonar a Katusha-Alpecin para assim ganhar maior fulgor financeiro para investir na Corendon-Circus e ajudar a equipa a aumentar a sua qualidade e com o World Tour eventualmente em perspectiva. A Canyon está representada no principal escalão também com a Movistar.

Segundo publicações como o Cycling News e o Cycling Weekly, a Alpecin poderá reforçar o projecto da Corendon-Circus, o que deixa a Katusha dependente do seu magnata russo, Igor Makarov, ainda que não esteja confirmado oficialmente o interesse da Alpecin na equipa de Van der Poel.

José Azevedo admitiu ao Cycling News que a situação é incerta, mas garantiu que não está preocupado e que apenas está a pensar na Volta a França: "De momento não posso dizer nada sobre o futuro. Por agora temos 10 ciclistas com contrato [para 2020]. Ainda não começámos a preparar 2020." As renovações estarão por agora suspensas, como é o caso de Ilnur Zakarin, que terá a CCC interessada em contratá-lo. Os portugueses José Gonçalves e Ruben Guerreiro também estão em final de contrato.

O nome Katusha chegou ao ciclismo em 2009 e inicialmente o projecto quis abrir portas aos ciclistas russos, mas não as fechando a estrangeiros, de forma a garantir resultados. Joaquim Rodríguez tornou-se na grande figura quando assinou em 2010 e a sua saída, em 2016, acabou por coincidir com a queda de resultados e exibições da equipa. Numa altura em que quis cortar, não totalmente, mas quase, com as raízes russas, passando inclusive a ter uma licença suíça, a estrutura não se consegue apresentar competitiva praticamente em nenhum terreno.

Ilnur Zakarin está longe de confirmar expectativas na luta pela geral nas três grandes voltas - ainda esta segunda-feira deu um trambolhão na classificação do Tour, estando a 4:11 minutos de Julian Alaphilippe -, com o pódio na Vuelta de 2017 a saber a muito pouco. A vitória de etapa no Giro foi espectacular, mas exige-se mais do russo, cujo o 10º lugar na geral ficou aquém do esperado. Depois houve a aposta falhada a nível desportivo e principalmente financeiro em Marcel Kittel. O sprinter somou três vitórias pela equipa em ano e meio, tendo rescindido em Maio para gozar uma sabática e recuperar a motivação e vontade de competir ao mais alto nível.

A campanha de clássicas de Nils Pollit animou um pouco a formação de Azevedo, que rapidamente começou a falar em construir um conjunto em redor do alemão. Mas a verdade, é que apesar de algum poderio financeiro, a Katusha-Alpecin não conseguiu construir uma equipa forte, nem ao conseguir atrair um Kittel - que se revelou ter sido uma escolha completamente errada, apesar de ter realizado antes uma temporada sensacional na então QuickStep-Floors - e antes um Tony Martin, que saiu da mesma equipa e que eclipsou-se por completo na Katusha-Alpecin. Está agora na Jumbo-Visma e a muito melhor nível.

Em 2019, são apenas cinco vitórias: Marcel Kittel no Trofeo Palma (Espanha), Rick Zabel na segunda etapa da Tour de Yorkshire (Grã-Bretanha), Ilnur Zakarin na 13ª etapa da Volta a Itália, tendo sido 10º na geral e os títulos nacionais de contra-relógio para Alex Dowsett - outra contratação que tem rendido muito abaixo do esperado - e José Gonçalves - este sim, um ciclista que nos dois anos em que está na equipa tem estado em destaque.

Makarov poderá manter o patrocínio, mas também poderá significar um investimento bem menor e uma inevitável mudança quanto ao nível dos ciclistas. Por agora fica o ponto de interrogação, esperando-se para ver se a Katusha-Alpecin conseguirá sobreviver tal como aconteceu recentemente com estruturas como a actual EF Education First ou a BMC que agora é CCC. Mesmo a Deceuninck-QuickStep atravessou algumas dúvidas por falta de um patrocinador principal, ainda que não tenha estado em causa a continuidade da equipa belga, como poderá ser o caso da Katusha-Alpecin.

2 de julho de 2019

Os portugueses no Tour

Nelson Oliveira, José Gonçalves e Rui Costa com ambições diferentes
Chegou o momento de se entrar em modo Tour. Arranca-se com destaque para os três portugueses na Volta a França e os três papéis diferentes que desempenharão. Só José Gonçalves estava desde o início da temporada previsto para a corrida francesa e confirmou a chamada. Rui Costa e Nelson Oliveira tiveram presença incerta até à última, mas a boa forma mostrada nas mais recentes corridas assegurou o lugar de dois dos ciclistas referência do ciclismo nacional no World Tour.

Começando pelo estreante. José Gonçalves prepara-se para fazer o pleno nas grandes voltas, estreando-se aos 30 anos na Volta a França. Conta com quatro participações na Vuelta - a de 2015 foi sensacional, tendo estado perto de ganhar etapas ao serviço da Caja Rural - e duas no Giro, já com a Katusha-Alpecin. Foi precisamente, há um ano, que provocou uma ligeira surpresa ao mostrar que estava a evoluir para se tornar um voltista. Começou forte no contra-relógio, logo com um quarto lugar, andou pelo top dez, terminando num excelente 14º lugar. Ficou o aviso que José Gonçalves poderia ser mais que um caça-etapas, como se esperaria naquela edição.

Este ano foi "guardado" para o Tour, com Zakarin a chegar a França com um Giro nas pernas, que, mais uma vez, ficou aquém do esperado a nível de geral apesar do 10º posto e de uma etapa ganha. O russo terá sempre um estatuto de líder no Tour, mas o ciclista português não esteve estes meses todos a preparar-se para o Tour para ser um mero gregário. Será uma oportunidade de ouro para o gémeo de Barcelos se mostrar na corrida de três semanas que continua acima de todas as outras a nível de mediatismo e prestígio. Como sempre se diz, o Tour... é o Tour!

José Gonçalves vai chegar a França com a camisola de campeão nacional no contra-relógio, conquistada no dia em que a equipa confirmou a convocatória. Revelou então que se sentia bem, em forma e ainda com espaço para melhorar rumo à Volta a França. Depois do que fez no Giro no ano passado, o grande ponto de interesse será perceber se Gonçalves está preparado para atacar a geral. Um top 20 seria excelente e qualquer coisa acima será brilhante, mas também terá os olhos postos numa etapa, já que a Katusha-Alpecin continua a precisar urgentemente de vitórias.

Equipa da Katusha-Alpecin: Ilnur Zakarin, Alex Dowsett, Jens Debusschere, José Gonçalves, Marco Haller, Nils Politt, Mads Würtz Schmidt, Rick Zabel.

Nelson Oliveira (30 anos) sabe bem o que é correr o Tour. Vai para o seu quarto. Nos últimos dois anos, quedas no Paris-Roubaix estragaram-lhe grande parte da temporada, mas está de volta a uma corrida que tanto gosta, ainda que foi um sprint até à última para garantir um lugar na Movistar. É mais homem de contra-relógio do que de sprints e esse ponto forte do português será importante na segunda etapa, no contra-relógio colectivo de 27,6 quilómetros. Com Nairo Quintana e Mikel Landa na equipa, bem que será preciso alguém para puxar por dois ciclistas que, já se sabe, não são nada ases na arte de competir contra o relógio.

Mas a qualidade de Nelson Oliveira vai mais além. É um gregário fortíssimo, não tanto em alta montanha, mas para essa fase haverá outros homens. As suas prestações merecem a confiança dos líderes e dos responsáveis técnicos de uma Movistar que vem de uma vitória na Volta a Itália, mas ao eleger pelo segundo ano consecutivo o tridente Quintana/Landa/Valverde para o Tour, gera novamente muita desconfiança, tendo em conta que em 2018 foi simplesmente uma prestação muito fraca.

Quintana diz ser o líder, Landa não gosta de ser segundo e já o foi para Richard Carapaz no Giro... Avisou que se vê a subir ao pódio em Paris... Valverde regressou à competição, tendo falhado o Giro por lesão e está novamente a vencer (a Rota da Occitânia e o Campeonato Nacional de fundo) e certamente que estará mais do que ansioso para ganhar uma etapa no Tour com a camisola de campeão do mundo depois de uma temporada muito abaixo do que habituou. Nelson Oliveira estará lá para fazer o seu trabalho (e fá-lo praticamente sempre muito bem) que não se avizinha nada fácil perante uma equipa potencialmente "partida" por ambições de demasiados líderes juntos.

Equipa da Movistar: Nairo Quintana, Mikel Landa, Alejandro Valverde, Marc Soler, Andrey Amador, Carlos Verona, Imanol Erviti, Nelson Oliveira.

Em comum, os três portugueses escalados para ir ao Tour têm o estar em final de contrato com as respectivas equipas. Se há um sob maior pressão é Rui Costa (32 anos). Em 2018 falhou todas as grandes voltas, com uma lesão no joelho contraída no Paris-Nice a prejudicar-lhe quase toda a temporada. Surgiu bem nos Mundiais em Setembro e esta época tem oscilado entre boas e umas menos convincentes exibições. Porém, este a bom nível nos testes finais rumo ao Tour, com um segundo lugar na Volta à Romandia e na Volta à Suíça - que já venceu três vezes - não lutou pela geral, mas esteve a bem na montanha.

A grande questão é como encaixará Rui Costa numa UAE Team Emirates que leva Fabio Aru e Daniel Martin, que não serão nada menos do que líderes. Esse estatuto o poveiro já não o tem. O italiano regressa após longa ausência. Foi operado à artéria ilíaca (na perna) e espera que o pior tenha finalmente passado. Quando Aru mete na cabeça que é para ganhar, então vemos o melhor deste ciclista, mas se dá numa de derrotista... Quanto a Daniel Martin, não é ciclista para lutar por uma vitória na geral, dificilmente pelo pódio. Top dez e etapa. É o conjunto perfeito de objectivos para o irlandês.

Haverá ainda um Alexander Kristoff a lutar nos sprints. Estes três ciclistas vão precisar que os restantes cinco sejam bons gregários. A Rui Costa poderá não restar mais do que uma oportunidade para entrar numa fuga e tentar uma vitória de etapa, sendo que haverá um Sergio Henao desejoso de fazer o mesmo. O campeão do mundo de 2013 tem de mostrar bom nível se quiser continuar numa equipa em remodelação, a preparar jovens de enorme talento para tomarem conta das lideranças (Tadej Pogacar à cabeça). Este é um Tour decisivo para o português, que já venceu três etapas na corrida francesa, na sua melhor fase da carreira, então na Movistar: uma em 2011 e duas em 2013.

Equipa da UAE Team Emirates: Fabio Aru, Sven Erik Bystrom, Rui Costa, Sergio Henao, Alexander Kristoff, Vegard Stake Laengen, Dan Martin, Jasper Philipsen.

A Volta a França arranca este sábado, com Bruxelas a receber a partida. E numa viagem até à Bélgica, prepara-se para recordar como um dos grandes do ciclismo que nasceu naquele país: Eddy Merckx. De salientar ainda que se celebra 100 anos desde que a camisola amarela foi envergada pela primeira vez na mítica corrida.

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28 de junho de 2019

Favoritismo confirmado no primeiro dia dos Nacionais

Não houve surpresas no primeiro dia dos Campeonatos Nacionais. Os favoritos confirmaram esse estatuto e saem de Melgaço como os campeões de contra-relógio. Para Daniela Reis já é habitual estar com camisola das quinas. E já lá vão cinco títulos nesta especialidade! José Gonçalves foi tirar a camisola ao irmão e volta a ser campeão de contra-relógio, com o primeiro título a ter sido ganho no longínquo 2012. Nos sub-23 masculinos, João Almeida alcançou a vitória que muito ambicionava.

Domingos Gonçalves havia ganho o contra-relógio nos dois anos anteriores. Desta feita, foi ele a ficar no segundo posto, a 21 segundos do irmão gémeo. "Todos querem ser campeão nacional. O ano passado foi ele, eu fui segundo... Tendo em conta o decorrer da época, eu cheguei com melhor preparação. Hoje fui mais forte", salientou José Gonçalves, que se referiu ao facto de Domingos estar algo azarado neste regresso à Caja Rural. Voltou à competição no início do mês depois de uma grave lesão após queda na Volta ao País Basco.

José apontou um pico de forma para esta fase da temporada, a pensar na Volta a França. E nada melhor que conquistar um título nacional para celebrar a sua primeira convocatória para a corrida francesa. "Tentei fazer a melhor preparação possível para ir ao Tour e hoje saiu a confirmação. Mostrei que estou bem", afirmou. O ciclista de Barcelos estará acompanhado por Ilnur Zakarin, Alex Dowsett, Jens Debusschere, Marco Haller, Nils Politt, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel.

De referir que para a Katusha-Alpecin é o segundo título de contra-relógio em dois dias, depois de Alex Dowsett ter ganho pela sexta vez na Grã-Bretanha. José Gonçalves cumpriu os 32,3 quilómetros em 42:46 minutos. António Carvalho (W52-FC Porto) foi terceiro, a 1:03 minutos (classificação completa neste link, via ProCyclingStats).

João Almeida também havia sido segundo classificado nos Nacionais de Belmonte, em 2018. Então foi batido por Ivo Oliveira, que já não é sub-23. O ciclista da Hagens Berman Axeon era o grande favorito e deixou Jorge Magalhães (W52-FC Porto) a 58 segundos nos 24,6 quilómetros do exigente percurso. No entanto, houve algumas dúvidas sobre o resultado de João Almeida. Contornou o pino errado (faltava um) e falou-se de desclassificação ou de sanção a nível de tempo. Nem uma nem outra e o tempo oficial foi de 32:37 minutos. Guilherme Mota (UD Oliveirense-InOutBuild) fechou o pódio, a 1:53 do vencedor (classificações completas, via ProCyclingStats).

"Foi um contra-relógio muito duro. A meio já me doíam as pernas!", confessou João Almeida, que espera que a vitória em Melgaço possa virar a página numa época não tão profícua como a de 2018.

Quanto a Daniela Reis, a distância para as adversárias diz tudo: 3:41 minutos para Liliana Jesus e 3:48 para Melissa Maia, ambas do CE Gonçalves/Azeitonense. "Foi um contra-relógio muito duro para o que costumamos fazer, mesmo no circuito internacional. A primeira fase era acessível, mas a partir dos 14 quilómetros tornava-se muito exigente. Senti-me muito bem. Encontrei o meu ritmo logo na fase inicial, embora fizesse essa parte a gerir as forças, porque sabia das dificuldades que encontraria mais à frente. Sabia que estava bem preparada e cumpri o objectivo de revalidar o título", afirmou.

A ciclista portuguesa da Doltcini-Van Eyck Sport fez os 24,6 quilómetros em 39:41 minutos. e esta poderá ter sido apenas a primeira subida ao pódio. Aliás, dos três vencedores. São também favoritos para as provas de fundo, com Daniela Reis a mostrar a diferença por estar a competir ao mais alto nível do ciclismo (classificações completas, via ProCyclingStats).

Não há tempo para muito descanso. Este sábado a elite feminina e o escalão de juniores juntam-se na corrida, ainda que com distâncias diferentes: 86,6 e 66,1 quilómetros. A prova arranca às 10 horas. Também ser irão decidir os títulos de cadetes e masters (43,5 quilómetros).


Quanto aos sub-23 serão 143,2 quilómetros e não haverá vida fácil para ninguém, com Melgaço a ter um percurso com poucos metros que se possam considerar planos (perfil de baixo). A prova de elite realiza-se domingo, com 197 quilómetros à espera do pelotão (11 horas).



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»»Finalmente a merecida medalha««

26 de março de 2019

Movistar com quase toda a equipa em final de contrato

(Fotografia: © Movistar Team)
Com a situação da Sky resolvida, não haverá um mercado de transferências louco como se antecipava, caso a equipa britânica não encontrasse um novo patrocinador. A Ineos resolveu essa situação, o que não significa que não haja muitos e bons ciclistas no último ano de contrato. Ainda falta para que se possa começar a oficializar transferências - 1 de Agosto -, mas os movimentos de bastidores já vão acontecendo, como por exemplo com Vincenzo Nibali. Porém, da lista, destaca-se a Movistar. Não só tem os seus três líderes livres para negociarem o futuro, como praticamente toda a equipa está nessa situação. É mais fácil dizer que apenas dois ciclistas têm vínculo além deste ano. Entre os portugueses no World Tour, cinco procuram definir a próxima época.

Nelson Oliveira é um deles. O ciclista da Movistar consagrou-se como um homem importante na estrutura da equipa, apesar de nas últimas temporadas o Paris-Roubaix teimar em estragar-lhe parte da época. Este ano deverá ficar afastado da corrida francesa para assim tentar regressar ao Tour, por exemplo. Os tais dois corredores que estão descansados quanto ao futuro são os espanhóis Marc Soler (até 2021) e Carlos Verona (até 2020).

Ciclistas como Imanol Erviti e José Joaquín Rojas fazem parte da espinha dorsal da estrutura de Eusebio Unzué, com Alejandro Valverde à cabeça. Aos 38 anos, a um mês de completar 39, o campeão do mundo não dá mostras de se querer reformar sem pelo menos ir aos Jogos Olímpicos de Tóquio no próximo ano. É o título que lhe falta. Só não fica na Movistar se não quiser. Já os outros dois ciclistas do famoso "tridente", como lhe chamam, estão longe de ter continuidade garantida.

Nairo Quintana conseguiu encontrar uma harmonia em ter de partilhar a liderança com Valverde, principalmente quando o espanhol tirou o Tour dos seus objectivos. Porém, entrou Mikel Landa e o colombiano não faz segredo que prefere ser o único líder. Os últimos dois anos não foram fáceis na Movistar e uma saída já é um assunto a ser falado há alguns meses. O colombiano mantém-se em silêncio, concentrando-se apenas em estar em condições de disputar a Volta a França.

Se sair não será uma surpresa, mas também poderá esperar para perceber a posição de Landa. O espanhol, o antigo amor de Eusebio Unzué que o trouxe finalmente para a equipa há um ano, não deu garantias de renovação. Não tem sido feliz na Movistar, marcado também por quedas e já se percebeu que não tem problemas em saltar de equipa em equipa. Após o fim da Euskaltel-Euskadi, foram dois anos na Astana, outros tantos na Sky e agora vai no segundo da Movistar.

Soler é visto como o próximo líder, assim como Richard Carapaz, o equatoriano a quem não deve faltar interessados, mas a Movistar não deverá querer perder um ciclista com tanto potencial. Já Carlos Betancur (29 anos) ou alcança algo de extraordinário, ou poderá ficar sem mais oportunidades. Winner Anacona (30) e Andrey Amador (32) são mais dois corredores essenciais na estrutura da formação espanhola. Mas será que se sentirão tentados a procurar uma possibilidade de liderança que pouco têm na Movistar?

A equipa que mais se aproxima da espanhola em termos de ciclistas de final de contrato é a super ganhadora de 2019 Astana. Dos nomes destacam-se Jakob Fuglsang, Luís Leon Sánchez, Omar Fraile e Pello Bilbao. Apesar de não serem dos mais novos do pelotão, são todos ciclistas que ficam bem em qualquer equipa. Há ainda Jan Hirt, o checo que muito se mostrou na CCC, mas que ainda não assumiu um maior protagonismo na Astana. Ainda vai a tempo!

Olhando para a lista, percebe-se como se há alguém a querer fazer uma equipa nova do World Tour, então, com um orçamento bem simpático (muito mesmo) poderá ter um plantel sensacional. Só na Deceuninck-QuickStep pode tentar seduzir o homem do momento Julian Alaphilippe, Philippe Gilbert, Elia Viviani e Zdenek Stybar. Há ainda um dos ciclistas que está no topo das preferências para muitos: Enric Mas. Talvez o espanhol seja um que possa mesmo sair, já que a equipa não tem uma estrutura forte para as grandes voltas. Contudo, o director Patrick Levefere prometeu mudar isso se Mas renovar. Quanto aos outros ciclistas é melhor lembrarem-se: quem sai da formação belga tende a ter dificuldades em encontrar o caminho das vitórias...

A Bora-Hansgrohe poderá não segurar o sprinter Sam Bennett, já que o está a excluir das grandes voltas, algo que o irlandês não gosta. E porque não juntá-lo a Sonny Colbrelli da Bahrain-Merida? Claro que desta equipa o destaque vai para Vincenzo Nibali, um alegado desejo da Trek-Segafredo para 2020. Domenico Pozzovivo e Matej Mohoric são mais dois ciclistas em final de contrato.

Em circunstâncias normais, Marcel Kittel seria o corredor mais pretendido. Porém, se os resultados não começarem a aparecer, o futuro do alemão da Katusha-Alpecin apresenta-se como incógnita, até porque é dos mais bem pagos do pelotão. Na equipa de José Azevedo, o outro líder também está nos últimos meses do seu vínculo. Ilnur Zakarin demora em confirmar as expectativas. O Giro poderá ser importante para definir um novo contrato.

Daniel Martin e Alexander Kristoff (UAE Team Emirates), John Degenkolb (Trek-Segafredo), Michael Matthews (Sunweb), Wout Poels (Sky), Johan Esteban Chaves e Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), Tiesj Benoot (Lotto Soudal) e George Bennett (Jumbo-Visma) são mais alguns dos muitos ciclistas à espera de um novo contrato. E uma das grandes dúvidas chama-se Mark Cavendish. A Dimension Data não deixou cair o sprinter que deu muita notoriedade à equipa quando esta subiu ao escalão World Tour e renovou o seu contrato por mais um ano. No entanto, o britânico demora em aparecer numa forma que justifique a aposta e o ordenado, muito devido ao problema de saúde (vírus Epstein-Barr).

Quanto aos portugueses, Rui Costa (UAE Team Emirates) volta a entrar na lista já que no final de 2018 só recebeu uma proposta de renovação por uma temporada. José Gonçalves (Katusha-Alpecin) está nos últimos meses dos dois anos de contrato, contudo, dá indicações de cada vez mais ser um homem com quem José Azevedo conta. O companheiro, Ruben Guerreiro, foi contratado por esta equipa para 2019, mas tem estado a bom nível. Amaro Antunes (CCC) fará tudo para agarrar o lugar que ganhou no World Tour. Um bom Giro poderá ser decisivo para uma renovação.

4 de janeiro de 2019

Os portugueses no World Tour

Serão sete os portugueses no World Tour em 2019. Três farão a sua estreia. Tiago Machado regressou a Portugal, deixando a Katusha-Alpecin para agora representar o Sporting-Tavira. Depois de dois anos na Movistar, Nuno Bico assinou pela Burgos-BH, do escalão Profissional Continental. Amaro Antunes e os gémeos Oliveira são os "reforços" lusos no escalão mais alto do ciclismo mundial.

Rui Costa (UAE Team Emirates)
32 anos, 11ª época no World Tour
(Fotografia: UAE Team Emirates)
Com a UAE Team Emirates a crescer financeiramente, estando a contratar grandes estrelas, Rui Costa terá de mostrar todo o seu melhor em 2019. 2018 foi complicado, muito devido a uma lesão no joelho que o limitou quase toda a temporada. Mas terminou bem, com destaque para o 10º lugar nos Mundiais de Innsbruck. O anunciou demorou, mas a equipa renovou por um ano com o campeão do mundo de 2013 e Rui Costa está decidido a mostrar que ainda pode dar muito à equipa, que quer rapidamente tornar-se numa das mais fortes do pelotão.

O espaço para ser líder ficou reduzido já no ano passado com a chegada de Daniel Martin e Fabio Aru. O poveiro ainda assim teve as suas oportunidades e o mesmo deverá acontecer esta época. Porém, será inevitável que Rui Costa regresse mais a um papel de gregário, principalmente nas grandes voltas, sendo a presença, principalmente no Tour, um dos seus objectivos, depois de em 2018 ter falhado a corrida por lesão. Também não foi nem ao Giro, nem à Vuelta.

E claro que as clássicas das Ardenas continuam no seu pensamento. A Liège-Bastogne-Liège é há muito um sonho, tendo já um terceiro lugar. Mesmo com Daniel Martin, a porta nestas corridas não ficará completamente fechada. Rui Costa quer demonstrar o quanto ainda tem para dar ao mais alto nível do ciclismo e numa equipa que está com uma enorme ambição. Talvez já não tenha o estatuto de líder indiscutível com que chegou à então Lampre-Merida e com apenas um ano de contrato e a ter de garantir um novo, Rui Costa terá de ser o ciclista que a equipa precisa, seja quando lhe for dada liberdade para lutar por vitórias, seja como um gregário de luxo.

Rui Costa tem programado começar a temporada na Volta à Comunidade Valenciana (de 6 a 10 de Fevereiro), seguindo para Omã e Emirados Arábes Unidos. Ainda não é desta que regressa à Volta ao Algarve.

Nelson Oliveira (Movistar)
29 anos, 9ª época no World Tour
(Fotografia: © Photo Gomez Sport/Movistar Team)
O Paris-Roubaix sai do seu calendário, pelo menos em 2019, para tentar ter uma temporada mais tranquila, por assim dizer. Foram três anos consecutivos a cair e nos últimos dois acabou por lhe custar uma presença no Tour. A presença na Volta a França é um dos seus grandes objectivos, ele que é um dos principais ciclistas de confiança para ajudar os líderes da Movistar.

É neste trabalho que vamos continuar a ver Nelson Oliveira, ainda que sendo um dos melhores contra-relogistas, tendo-o demonstrado novamente tanto na Vuelta como nos Mundiais, o ciclista de Anadia vai procurar a grande vitória que lhe falta na sua especialidade. Nelson Oliveira deseja então uma época em que nenhuma queda acabe por lhe roubar semanas de treino e competição, como aconteceu em 2017 e 2018, para assim preocupar-se "apenas" em atingir os picos de forma quando lhe for exigido que o faça.

Tal como Rui Costa, Nelson Oliveira deverá começar na Volta à Comunidade Valenciana, seguindo para os Emirados Árabes Unidos. Entra no seu último ano de contrato, mas se alcançar a regularidade e o nível exibicional que lhe é habitual, a continuidade no World Tour não deverá ser um problema.

José Gonçalves (Katusha-Alpecin)
29 anos, 3ª época no World Tour
(Fotografia: Katusha-Alpecin)
Depois de no último Giro ter demonstrado que está em plena transformação para ser um voltista com capacidade para mais do que ficar preso ao papel de gregário, José Gonçalves recebeu da Katusha-Alpecin um prémio desejado: estar na Volta a França. Ilnur Zakarin vai apostar primeiro no Giro, pelo que o ciclista de Barcelos poderá ter liberdade para no Tour demonstrar mais uma vez sua qualidade. Se vai à procura de etapas ou de uma boa classificação, teremos de esperar, depois de ter surpreendido com o 14º lugar em Itália.

José Gonçalves ganhou definitivamente o seu espaço de destaque na equipa de José Azevedo e se terá sempre as corridas em que irá estar na ajuda a outros ciclistas, pode-se esperar do gémeo estar na luta por resultados bem positivos, de olhos postos em vitórias. Ano após ano, este ciclista tem evoluído e as expectativas são altas para 2019. Também tem no seu programa a Flèche Wallonne e a Liège-Bastogne-Liège, sendo que antes estará noutro monumento, a Milano-Sanremo.

Arrancará a época igualmente na corrida valenciana, mas depois rumará até ao Algarve. É mais um dos portugueses que está em final de contrato.

Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin)
24 anos, 3ª época no World Tour
(Fotografia: Katusha-Alpecin)
Duas épocas algo frustrantes para Ruben Guerreiro na Trek-Segafredo. Chegou ao World Tour apontado como um dos jovens a seguir. Sempre que parece que está a começar a mostrar todo o seu potencial, algo acontece. Uma queda, problema de saúde, Ruben Guerreiro não conseguiu ter uma temporada livre de problemas. Vai mudar de equipa, juntando-se a José Gonçalves na Katusha-Alpecin.

Poderá encontrar mais espaço para procurar resultados, ainda que não se livrará de algum trabalho de gregário. Um dos seus objectivos passará por finalmente se estrear numa grande volta, depois da presença na Vuelta de 2018 não se ter concretizado. Mas principalmente, Ruben, campeão nacional em 2017, vai desejar por um ano sem azares.

Se assim conseguir, o ciclista português poderá repetir exibições que tem conseguido nos arranques de temporada na Austrália, onde mais uma vez vai dar as primeiras pedaladas oficiais da época, no Tour Down Under. A corrida começa já no dia 15. Ruben irá procurar ser mais regular e tentará estar na frente quando a oportunidade surgir. Foi precisamente uma oportunidade que a Katusha-Alpecin lhe deu para comprovar que a jovem promessa tem o que é preciso para triunfar ao mais alto nível. Assinou apenas por um ano, pelo que há que estar ao seu melhor em 2019.

De acrescentar que Ruben Guerreiro estará na Volta ao Algarve.

Amaro Antunes (CCC Team)
28 anos, estreia no World Tour
(Fotografia: © Chris Auld Photography/CCC Team)
Chegou o momento do algarvio. Não é uma surpresa ver Amaro Antunes chegar ao World Tour. Escolheu o seu caminho e os passos que deu foram os correctos para agora, finalmente, estar entre a elite mundial. Esta estreia acabou por se precipitar com a compra da CCC da estrutura da BMC. Amaro Antunes foi um dos ciclistas da formação polaca a transitar para a agora equipa World Tour. Com a aposta em 2019 a ser em Greg van Avermaet, ou seja em clássicas, Amaro terá liberdade para procurar os seus resultados em algumas corridas.

O algarvio quererá precisamente mostrar-se, procurando vitórias. Se nada de inesperado acontecer, Amaro Antunes tem já um objectivo que tanto sonhou definido: a presença numa grande volta, no Giro. Mas este é um ciclista que gosta de começar bem as temporadas. Vai à Volta à Comunidade Valenciana e depois regressará à "sua" Volta ao Algarve.

De Amaro espera-se um ciclista ambicioso, a querer estar na frente, procurando demonstrar que está onde merece estar. Tem contrato para 2019 e com as intenções da CCC em querer crescer e reforçar-se para se tornar numa formação mais poderosa, o ciclista algarvio terá de manter um nível alto. Mas é o desafio na carreira por que Amaro tanto esperava e não é ciclista de desperdiçar oportunidades.

Ivo e Rui Oliveira (UAE Team Emirates)
22 anos, estreias no World Tour
(Fotografias: UAE Team Emirates)
Quanto aos gémeos Oliveira parecia ser apenas uma questão de quando e para que equipa iriam no World Tour. Foi a UAE Team Emirates que apostou em dois jovens que começaram por mostrar todo o seu potencial na pista, mas que em duas temporadas na Hagens Berman Axeon evoluíram o esperado para agora darem o passo seguinte.

São mais dois "licenciados" da formação de Axel Merckx a chegar ao mais alto nível. Ambos vão ter um ano de adaptação, tanto à equipa como à realidade de estar corrida após corrida entre os melhores do pelotão internacional.

Ivo arranca a temporada já na Austrália, no Tour Down Under e na Cadel Evans Great Ocean Race. Já o irmão Rui deverá começar mais pela pista - Ivo também se juntará à selecção para os compromissos importantes que se aproximam -, antes de em Março rumar às clássicas belgas. E3 BinckBank (ex-E3 Harelbeke) e Através da Flandres são duas corridas em que poderá ser chamado.

Estes dois ciclistas vão continuar a sua evolução, mantendo a aposta na pista. O mais importante para 2019 será a adaptação, para que depois os resultados possam começar a surgir e assim irem conquistando o seu espaço na equipa, que assinou com os gémeos por duas temporadas.

1 de dezembro de 2018

José Gonçalves um dos poucos que se salvou de uma época para esquecer

(Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
2018 para esquecer. Pouco se aproveitou da época da Katusha-Alpecin. Houve bons momentos, é certo. Um deles foi proporcionado por José Gonçalves, mas para uma equipa que investiu num dos melhores sprinters do mundo, que queria colocar Inur Zakarin a lutar por mais do que o top dez no Tour e que conta no plantel com ciclistas como Tony Martin, Alex Dowsett, Simon Spilak e Ian Boswell, terminar o ano com cinco vitórias, as mais importantes no Tirreno-Adriatico, e com um conjunto de exibições muito aquém do desejado, não deixam dúvidas que, para o ano, muito terá de melhorar.

É inevitável não concentrar grande parte do falhanço da Katusha-Alpecin no rendimento muito abaixo do normal de Marcel Kittel. A aposta financeira foi grande, com a equipa a deixar sair Alexander Kristoff. O norueguês podia não estar a render como noutros tempos, em termos de qualidade de triunfos, mas ia vencendo. Kittel, um dos melhores sprinter da actualidade e da história foi uma sombra de si mesmo. A Katusha-Alpecin e o ciclista passaram praticamente o ano todo a dizer que as vitórias iam chegar na próxima corrida. A próxima corrida chegava e nada. Vinha outra e nada.

As duas etapas no Tirreno-Adriatico pareciam ser um sinal positivo, mas a época de Kittel resumiu-se àqueles dois dias de Março. No final de Agosto, já depois de uma Volta à França bem diferente da de 2017, quando conquistou cinco etapas, Kittel abandonou a Volta a Alemanha, nem partindo para a segunda etapa. O próprio não percebia o que se passava e foi submetido a exames médicos, para tentar perceber se estaria com algum problema de saúde, como em 2015. Mas não. A responsabilidade foi antes atribuída a uma má recuperação da queda no Tour de 2017, que ditou então o adeus à corrida, com o ciclista a considerar que o que estaria a precisar era parar, recuperar e regressar em 2019 ao seu nível. A Katusha-Alpecin espera bem que sim, já que não se confirmaram os rumores que Kittel poderia estar de saída.

Talvez a má época de Kittel - que ainda assim foi quem mais venceu - pudesse ter sido um pouco compensada se Zakarin tivesse confirmado as expectativas, depois do terceiro lugra na Vuelta em 2017. O russo teve finalmente o Tour como principal objectivo, deixando o Giro de fora do seu calendário. Sim, é um bom trepador. Sim, sabe mexer nas corridas. E sim, tem uma tendência a sofrer quedas ou outro tipo de azares. Quando parece que nada há a fazer para salvar a corrida, Zakarin começa a subir de forma e na classificação. No Tour lá conseguiu entrar no top dez, na Vuelta no top 20. Porém, fica sempre aquela sensação que talvez possa fazer mais e melhor.

A Simon Spilak foi dado o papel de ser o ciclistas para as corridas de uma semana, uma especialidade sua, como comprovam as duas Voltas à Suíça e uma à Romandia, mas o esloveno de 32 anos também nunca conseguiu apresentar-se ao nível de 2017, por exemplo. De Tony Martin só se pode dizer que entra naquela lista de corredores de quem sai da Quick-Step Floors, tem dificuldades ou não consegue de todo render o que rendia na formação belga (Kittel também está na lista, por agora). Conquistar mais um título nacional de contra-relógio foi pouco. A Katusha-Alpecin aliviou um pouco a folha salarial, pois Martin irá para Lotto-Jumbo (futura Jumbo) em Janeiro.


Ranking: 17º (2757 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo duas etapas no Tirreno-Adriatico)
Ciclista com mais triunfos: Marcel Kittel (2)

Ian Boswell veio da Sky, mas não foi nem o gregário esperado, nem um ciclista que pudesse fazer a diferença em certas corridas. O colombiano Jhonatan Restrepo não confirmou o que muito se esperava dele e está de saída para a Manzana Postobón. Depois houve o acidente de Marco Haller, atropelado durante um treino. Esteve praticamente seis meses fora de competição, numa ausência importante no comboio de Kittel, mas que não serve de desculpa para o sprinter.

Mas nem tudo foi mau. O australiano Nathan Haas (29 anos), reforço vindo da Dimension Data, aproveitou bem dispor de alguma liberdade. Deu uma das vitórias à equipa (segunda etapa da Volta a Omã), tentou aparecer noutras provas, como na Volta à Califórnia, esteve perto de vencer em duas ocasiões na Suíça e acabou a época com um pódio na Volta à Turquia.

O alemão Nils Politt (24) demonstrou que poderá vir a ser aposta num futuro próximo, tendo ajudado a boa prestação na "sua" corrida. Venceu uma etapa e foi segundo na geral na Volta à Alemanha, mas ao longo do ano teve exibições consistentes e poderá começar a ser um ciclista com outro tipo de responsabilidade.

E temos José Gonçalves. Sem Zakarin no Giro, prova na qual o ciclista de Barcelos tinha sido um excelente gregário em 2017, a perspectiva era que Gonçalves pudesse perseguir a vitória de etapas. Tentou logo no contra-relógio inaugural (chegou a liderar) - foi quarto - e procurou esse triunfo nos dias seguintes. Foi terceiro na quinta etapa. Quando chegou a alta montanha, o português não se deixou enterrar na classificação. Foram exibições de grande nível praticamente durante todo o Giro, para tentar segurar um inesperado top 20, que se fixou num brilhante 14º posto.

Foi um José Gonçalves diferente, um ciclista mais forte na alta montanha e que agora se esperará para ver que aposta fará em 2019. Não conseguiu atingir o mesmo pico de forma na Vuelta, mas foi uma boa temporada para o gémeo, que viu o irmão renovar o título nacional de contra-relógio, com 12 segundos a separá-los.

Naquele que acabou por ser o ano de despedida de Tiago Machado do World Tour, o ciclista foi uma das figuras da Katusha-Alpecin na Vuelta. Com Zakarin fora da discussão do pódio, Machado teve liberdade e muito tentou procurar uma fuga de sucesso, entre as várias que triunfaram na corrida espanhola. Não encontrou o caminho de uma grande vitória, mas foi aquele ciclista que bem se conhece, lutador, que não sabe o que desistir quer dizer. E há que recordar que começou o ano com uma vitória que Prova de Abertura Região de Aveiro, ao serviço da selecção nacional, numa fuga solitária de 80 quilómetros! A equipa perde um ciclista muito regular, que foi um gregário importante neste quatro anos em que a representou.

Vitórias precisam-se em 2019

O nome de Joaquim Rodríguez continua a ser muito falado, pois desde que se retirou que esta Katusha-Alpecin não teve um ciclista que estivesse tanto na frente, tanto em destaque nas grandes voltas e não só. O director José Azevedo tem tornar em sucesso esta passagem para uma nova vida da equipa, que vai deixando cada vez mais para trás as origens russas. Contudo, nem com Kittel conseguiu recolocar a Katusha-Alpecin entre as formações mais ganhadoras.

Daniel Navarro, 35 anos, vai regressar ao World Tour depois de seis temporadas na Cofidis. Ciclista muito experiente que reforçará o bloco da montanha. Enrico Battaglin e Jens Debusschere serão uma mais valia para as clássicas e também nos sprints. Foi ainda contratado o jovem britânico Harry Tanfield, que aos 24 anos dará o salto para a categoria principal.

Sai Tiago Machado, entra Ruben Guerreiro entre os portugueses. Após dois anos na Trek-Segafredo, o campeão nacional de 2017 muda-se para a Katusha-Alpecin à procura de mais oportunidades, esperando também mudar a sua sorte, já que a sua passagem pelo World Tour está muito marcada por quedas e problemas de saúde que o têm limitado.

Dmitry Strakhov é um russo que conseguiu entrar na equipa que deixou de ser a que abria portas para os ciclistas deste país. O nome não é estranho, pois afinal andou por Portugal a ganhar e muito: Clássica da Arrábida, duas etapas na Volta ao Alentejo e uma etapa e a geral no Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela. O oitavo lugar na Volta à Grã-Bretanha, já como estagiário da equipa, terá ajudado a convencer os responsáveis da Katusha-Alpecin em contratá-lo. Os resultados foram interessantes, mas a ver vamos o que mostrará na elite mundial.

Permanências: Jenthe Biermans, Ian Boswell, Steff Cras, Alex Dowsett, Matteo Fabbro, José GonçalvesNathan Haas, Marco Haller, Reto Hollenstein, Marcel Kittel, Pavel Kochetkov, Viacheslav Kuznetsov, Nils Politt, Simon Spilak, Mads Würtz Schmidt, Willie Smit, Rick Zabel e Ilnur Zakarin.

Contratações: Enrico Battaglin (Lotto-Jumbo),  Jens Debusschere (Lotto Soudal), Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo),  Daniel Navarro (Cofidis), Dmitry Strakhov (Lokosphinx - estagiou na Katusha-Alpecin a partir de Agosto) e Harry Tanfield (Canyon Eisberg).

»»Impossível ignorar que é preciso mudar««

»»Sporting-Tavira a melhorar mas com uma época que soube a pouco««