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27 de fevereiro de 2021

Novos protagonistas quiseram aparecer mas no final... ganhou quem mais sabe

© Luc Claessen/Getty Images/Deceuninck-QuickStep
Início da época de clássicas que não desiludiu! O fim-de-semana de abertura deste tipo de corridas, com destaque para as provas de pavé teve uma Omloop Het Nieuwsblad bem animada, com alguns novos protagonistas a quererem entrar na luta com os habituais candidatos nesta fase do ano, mas no final ganhou a equipa que melhor sabe fazê-lo neste terreno.

Ver a Deceuninck-QuickStep correr nas clássicas é arte no ciclismo. Ver a Deceuninck-QuickStep preparar sprints é a perfeição a alta velocidade. A temporada conta com poucas corridas - muitos cancelamentos e adiamentos devido à pandemia -, mas a equipa belga já soma cinco vitórias. E não deu hipóteses na Omloop Het Nieuwsblad. Uma clássica do pavé, uma vitória. Tentou com Julian Alaphilippe, não resultou, o francês trabalhou depois intensamente para um companheiro. Zdenek Stybar caiu, mas estava lá um Davide Ballerini cada vez mais a sair do segundo plano, que na Deceuninck-QuickStep pouco quer dizer. Todos acabam por ter a sua oportunidade.

Aos 26 anos, está há dois na Deceuninck-QuickStep, o que diz ser o cumprir de um sonho. Se já em 2020 tinha demonstrado que poderia começar a entrar nas contas para sprinter de referência, na Omloop Het Nieuwsblad não desperdiçou a oportunidade para ganhar. E tanto o italiano, como toda a equipa quase fizeram parecer fácil ganhar! Toda a concorrência ficou a ver Ballerini de longe enquanto cortava a meta, depois de 200,5 quilómetros da clássica belga.

Mas se a Deceuninck-QuickStep mostrou o esperado, há outros dois destaques menos comuns nestas andanças. A Ineos encontrou um ciclista que poderá fazer o mesmo que Ian Stannard há uns anos. Provavelmente até mais. Thomas Pidcock finalmente optou por se dedicar à estrada (ainda que não vá deixar o ciclocrosse) e a sua chegada à Ineos Grenadiers - esteve em 2018 e 2019 na Team Wiggins - é precisamente para dar outro poderio à equipa britânica nestas corridas.

Porém, Pidcock também é ciclista que se adapta bem às provas por etapas. Aos 21 anos chega ao World Tour com selo de corredor completo, forte também no contra-relógio. Em 2017 foi campeão mundial em juniores na especialidade.

Na Omloop Het Nieuwsblad ficou uma pequena amostra do que o britânico poderá fazer. A forma como recuperou lugar na frente da corrida depois de ter ficado no grupo atrasado, foi um momento de muita classe de Pidcock. Infelizmente uma queda acabaria por estragar-lhe a corrida já nos quilómetros finais.

Se a Ineos Grenadiers não tem muita tradição neste tipo de corrida, a Movistar também não.  Aqui e ali a equipa espanhola já tentou no passado mostrar-se nas clássicas do pavé. Até Alejandro Valverde experimentou recentemente. Porém, tem agora um ciclista de qualidade para este terreno. Ivan Cortina chegou da Bahrain-Mclaren com o plano de se tornar num sério candidato a vitórias no pavé. O 11º lugar do espanhol pode muito bem ser o revelar que está a aquecer para o que aí vem neste calendário específico.

E temos ainda André Carvalho. O único português em prova estreou-se numa prova World Tour. O ciclista da Cofidis tem duas missões nesta altura da época: adaptar-se a uma nova realidade e dar o apoio possível aos líderes, neste caso Christophe Laporte. É isso que Carvalho está a fazer, terminando na 77ª posição, a 3:07 minutos de Ballerini.

A equipa francesa está a dar tempo de corrida ao português de 23 anos. Este domingo estará novamente em acção na Kuurne-Bruxelles-Kuurne (dorsal 136) e também está na lista para a prova Le Samyn.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

Maria Martins começou temporada

Enquanto a campeã mundial Anna van der Breggen (SD Worx) dava um daqueles espectáculos a que já nos habituámos, deixando todas para trás e cortando a meta sozinha, a Omloop Het Nieuwsblad para senhoras tinha uma Maria Martins a arrancar a época da Drops-Le Col s/p Tempur.

A vontade já era muita, depois de um 2020 para esquecer na estrada devido à razão que já se sabe. 2021 também não se apresenta fácil com a pandemia a continuar a limitar a realização de corridas, mas a portuguesa de 21 anos foi à Bélgica sentir o que é competir numa clássica do pavé. A época começou com um 41º lugar, a 7:13 minutos da vencedora, sendo uma experiência que vai ajudar a jovem ciclista a crescer num pelotão feminino cada vez mais competitivo.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

Mais portugueses

O trio luso da UAE Team Emirates competiu em França, na Faun-Ardèche, uma corrida mais para trepadores. Por isso mesmo, Rui Costa aproveitou para se mostrar, terminando na 12ª posição, a 46 segundos de David Gaudu.

Atenção a este ciclista francês da Groupama-FDJ. Com Thibaut Pinot a estar numa fase novamente mais complicada, com o Tour a nem aparecer nos seus planos para 2021 - vai ao Giro -, poderá estar a chegar o momento de Gaudu assumir um papel de maior relevância. E vai à Volta à França.

Quanto aos gémeos Oliveira, terminaram juntos: Ivo foi 119º e Rui 120º, ambos a 19:10 minutos de Gaudu.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

»»Novo equipamento e bicicleta no arranque de época de Maria Martins««

»»Corridas em Portugal só em Abril. Ciclistas desiludidos com adiamentos««

17 de fevereiro de 2021

Ulissi e Viviani de regresso a diferentes velocidades

Fotografias: © UAE Team Emirates e © Cofidis
A preparação para a nova temporada começou com um susto para Diego Ulissi e Elia Viviani. Os dois italianos pararam os treinos após problemas cardíacos. Um recebeu agora autorização para voltar a pedalar, outro, no domingo, vai mesmo competir.

Diego Ulissi vai regressar aos treinos. O regresso às corridas ainda não se sabe, mas o ciclista italiano realizou mais um exame para tentar perceber a causa do batimento cardíaco irregular, detectado durante os testes físicos em Dezembro. Então foi diagnosticada uma miocardite e o tempo de paragem previsto era de vários meses. Porém, chegam agora boas notícias.

A UAE Team Emirates informou que o mais recente exame revelou que o problema era uma "miocardite antiga, provavelmente de origem viral". Ulissi recebeu autorização para progressivamente voltar a treinar. Contudo, irá fazê-lo debaixo de uma monitorização periódica para garantir que não há qualquer problema de saúde a afectar o ciclista.

O afastamento do italiano de 31 anos tinha sido uma má notícia para a equipa. Em 2020, foi dos melhores corredores da UAE Team Emirates, com duas vitórias de etapa no Giro, além de ter conquistado a Volta ao Luxemburgo. Um todo-o-terreno capaz do melhor e do pior, mas que na época passada demonstrou que ainda tem muito para dar.

2021 não tinha começado bem para os italianos. Além de Ulissi, também Elia Viviani havia sido afastado dos treinos devido a problemas cardíacos. Uma arritmia levou-o a fazer vários exames e chegou a ter um microchip debaixo da pele para que o seu batimento cardíaco fosse monitorizado minuciosamente, enquanto treinava.

O sprinter, de 32 anos, recebeu luz verde para competir e anunciou ao site BiciPro que estará na Volta aos Emirados Árabes Unidos, que começa este domingo. É a prova que em 2021 marca o arraque da temporada de corridas World Tour.

Viviani tem treinado com os seus companheiros de forma a melhorar a preparação do sprint, depois de na época transacta ter ficado em branco na sua estreia pela Cofidis. Sobre pressão para alcançar resultados na equipa francesa, o italiano considera a primeira corrida que irá participar este ano ideal para trabalhar o "comboio" para preparar o sprint. Disse que ficará satisfeito com um quinto ou sexto lugar nesta discussão. Porém: "Obviamente que espero estar lá a lutar para ganhar." A Cofidis também espera isso mesmo, dado o investimento feito no sprinter que tanto ganhou nos dois anos que esteve na Deceuninck-QuickStep.

»»Os portugueses no World Tour««

27 de outubro de 2020

Como controlar na Volta a Espanha? A pergunta de difícil resposta

© Unipublic/Charly López/La Vuelta

Como controlar na Volta a Espanha? Ainda é algo que até equipas como a Ineos Grenadiers ou agora a Jumbo-Visma não descobriram. Conseguem estar na frente do pelotão e impor algum ritmo, mas não é fácil poder dizer que está tudo controlado. Há algo que há muito faz parte da génese da grande volta espanhola, principalmente desde que passou para a fase final do calendário: os ciclistas têm uma mentalidade muito mais atacante, muito mais auspiciosa e muito menos cautelosa, no que diz respeito em procurar os seus resultados.

Enquanto ainda se discutiam tácticas no Giro, na Vuelta era a loucura, num ano em que as corridas coincidiram durante seis dias. Ritmo elevados, ataques, não tem havido muita paz. O que é óptimo para o espectáculo, mas é uma dor de cabeça para a equipa que tem a camisola vermelha. É que até os principais rivais parecem arriscar mais quando se está em Espanha, comparativamente com Itália e França.

Grande parte desta mentalidade está relacionada precisamente por ser a última grande volta, onde muitos ciclistas tentam salvar algo da época, se eventualmente não correu bem. Ainda mais se algum falhou noutra prova de três semanas. E há o outro lado, de alguém que esteja muito motivado e há procura de um derradeiro sucesso, sem medo de arriscar, por não ter nada a perder.

Em 2020 entra na equação o ter sido um ano atípico, com menos corridas e há muito mais ciclistas e equipas a precisarem de sair desta época com uma vitória importante. Cofidis e Movistar são exemplo disso, enquanto a EF Pro Cycling está no lado de quem está num bom momento, com Michael Woods a ganhar a sétima etapa. Mas até há outro exemplo: a Jumbo-Visma. Ganhou dois monumentos e tem outras conquistas importantes, mas falhou o principal objectivo: o Tour.

Com um percurso muito montanhoso e etapas normalmente curtas - este último aspecto bem diferente do Giro -, além de um Outono bem chuvoso e de 18 tiradas em vez de 21, esta Vuelta torna-se imprevisível, ou quase. Afinal espera-se sempre que tudo possa acontecer!

Mais exemplos

Guillaume Martin (Cofidis) é um daqueles ciclistas a querer salvar algo de uma temporada marcada por um Tour que começou tão bem, mas que terminou em quebra. Na Vuelta está a ser o contrário: iniciou mal e está a melhorar, sendo já o líder da classificação da montanha.

Alejandro Valverde e toda a Movistar estão a ter um 2020 para esquecer. Já venceu uma etapa na Vuelta, mas olha para a geral com Enric Mas... Mas também com Soler e agora Valverde a quererem ganhar. O velho problema de demasiado ciclistas a pensarem em si próprios nesta formação... Depois da etapa desta terça-feira, os três estão no top dez.

Foi um dia em que a Ineos Grenadiers teve de se aplicar para não deixar que um grupo de quase 40 ciclistas ganhasse demasiada vantagem, para não colocar em risco a liderança de Richard Carapaz. A Jumbo-Visma mudou de táctica, pelo menos por um dia. Sepp Kuss e George Bennett foram para a frente e o segundo colocou-se como possível plano B a Primoz Roglic, ainda que 2:39 minutos seja uma diferença que não assuste em demasia Carapaz, mas abre as opções da Jumbo-Visma.

E temos ainda Rui Costa. O português da UAE Team Emirates anda muito activo nesta Vuelta. O campeão nacional ameaça alcançar uma vitória, mostrando que preparou muito bem a sua presença na grande volta espanhola.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

8ª etapa: Logroño - Alto de Moncalvillo, 164 quilómetros

Numa Vuelta tão difícil de controlar, a boa forma dos candidatos é essencial. Richard Carapaz afirmou que não tem qualquer problema em já ter vestido a camisola vermelha, querendo mantê-la até final. São etapas como a desta quarta-feira que se joga muito na luta pela geral e todos os que estão a apresentar-se fortes - Daniel Martin (Israel Start-Up Nation), Hugh Carty (EF Pro Cycling), Enric Mas, Felix Grosschartner (Bora-Hansgrohe), Esteban Chaves (Mitchelton-Scott) -, além de Roglic e Carapaz têm mais uma oportunidade para se afirmarem notop dez. Este pareceu ficar um pouco definido logo nos primeiros dias. Porém, na sétima etapa (Vitoria-Gasteiz - Villanueva de Valdegovia, 159,7 quilómetros), percebeu-se que ainda há muito em jogo.

»»A importância da força mental««

13 de fevereiro de 2020

Os ciclistas com inícios de época nada desejáveis

André Greipel vai falhar a Volta ao Algarve
(Fotografia: Facebook Israel Start-Up Nation)
A época começou há poucas semanas, mas já há quem esteja a lamentar algum azar. Nos casos de Matteo Moschetti e André Greipel a frustração será ainda maior, pois estavam num bom momento, mas quedas afastaram ambos das corridas, o que significa que o alemão não irá regressar à Volta ao Algarve, como estava previsto. Porém, há quem esteja mais desiludido, pois problemas de saúde provocaram finais de carreira, dois deles muito precoces.

Começando precisamente por estas despedidas forçadas, com uma delas a verificar-se em Portugal. João Carneiro já tinha estado afastado grande parte da temporada de 2019 devido a problemas de saúde. Apesar da Kelly-InOutBuild-UDO ter renovado com o jovem ciclista, foi anunciado há poucos dias que Carneirinho, como é conhecido, foi aconselhado por médicos a não praticar desporto de alta competição. Foi o adeus ao ciclismo aos 20 anos. Mais oito tem Jimmy Turgis, francês da B&B Hotels-Vital Concept. Devido a um problema cardíaco terminou a carreira. Nos testes de pré-época ficou claro que a questão - que era conhecida pelo ciclista e médicos - agravava sempre que se sujeitava a esforços intensos.

Há ano e meio, o seu irmão mais novo, Tanguy (actualmente com 21 anos) teve de deixar a modalidade quando estava a fazer a sua primeira temporada como profissional, também na B&B Hotels-Vital Concept. Em Janeiro, por razões idênticas às de Turgis, Kiriyenka (Ineos) finalizou uma longa carreira, durante a qual foi campeão do mundo de contra-relógio e tornou-se num dos melhores gregários do pelotão. Beñat Intxausti estava sem equipa após o término da Euskadi-Murias e como nunca recuperou de uma mononucleose, optou por seguir outro caminho no ciclismo, que não a carreira de atleta.

Estes são os exemplos mais extremos de um arranque de época que esteve longe de ser o que desejavam. Porém, outros ciclistas também não foram felizes. Aos 37 anos, André Greipel procura uma derradeira fase de sucesso de uma carreira que está em declínio. A passaem pela Arkéa Samsic foi para esquecer e o alemão nem terminou a temporada na equipa. Na Israel Start-Up Nation, Greipel regressou ao World Tour com expectativas de conquistar mais algumas vitórias, apesar de já ser impossível esconder que não está a acompanhar os sprinters da nova geração.

Os três top dez nos sprints do Tour Down Under deram alguma confiança tanto ao ciclista, como à equipa. Preparava-se regressar à Volta ao Algarve, onde sabe o que é ganhar. Greipel treinava com o colega Rick Zabel em Colónia, numa estrada que tinha água e alguma lama. O ciclista acabou por cair. Deslocou o ombro, colocou-o no sítio e conseguiu regressar a casa. No entanto, os exames médicos identificaram uma fractura e Greipel poderá mesmo de ter de ser operado. Estará longe da competição durante três meses.

Matteo Moschetti pensava que o azar de 2019 - ano de estreia no World Tour na Trek-Segafredo - tinha ficado para trás. O jovem italiano estava extremamente motivado após as vitórias em duas das corridas do Challenge de Maiorca, mas na terceira etapa da Etoile de Bessèges caiu e ainda não foi estipulado uma data para o regresso. Moschetti (23 anos) sofreu várias fracturas, como na omoplata e costelas, mas a mais grave foi num osso na zona pélvica, que obrigou a uma intervenção cirúrgica.

No mesmo incidente de Moschetti ficou envolvido Sebastian Langeveld. O veterano holandês (35 anos) da EF Pro Cycling fracturou a clavícula, já foi operado e espera que dentro de uma a duas semanas possa pelo menos retomar os treinos, tendo a vista a época das clássicas.

Na primeira etapa da Volta a San Juan, no final de Janeiro, Christophe Laporte viu a sua época sofrer um enorme revés. O sprinter da Cofidis caiu, ainda tentou permanecer em prova, mas abandonou no dia seguinte. Fracturou o pulso direito e só deverá regressar às corridas em Maio. A equipa espera poder contar com o ciclista na Volta à Suíça e, principalmente, no Tour, onde estará ao lado de Elia Viviani. Para Laporte, a gravidade da queda significou o abdicar de objectivos como os monumentos Milano-Sanremo, Volta a Flandres e Paris-Roubaix, assim como o Paris-Nice.

»»Kiryienka forçado a antecipar final de carreira««

»»Intxausti termina a carreira a pensar onde poderia ter chegado««

28 de janeiro de 2020

Cofidis é inscrição de última hora e traz Viviani à Volta ao Algarve

(Fotografia: Facebook Team Cofidis)
Forçada a alterar o seu calendário, a Cofidis escolheu a Volta ao Algarve depois de ter sido cancelada a Volta a Omã. Esta inscrição de última hora garantiu assim à única corrida portuguesa do ProSeries mais uma das principais figuras do sprint mundial: Elia Viviani. O italiano confirmou a sua presença, considerando que é uma boa opção para juntar às provas de início de temporada a pensar nos primeiros objectivos da temporada.

O campeão europeu de fundo, quer estar bem nos Mundiais de Pista, para depois apostar em algumas das clássicas da Primavera (Milano-Sanremo no topo das ambições) e no Tirreno-Adriatico, que se realiza antes do monumento italiano. Viviani vai regressar depois ao Giro e, como explicou numa entrevista ao Cyclingnews, a segunda parte da temporada terá o Tour e os Jogos Olímpicos nos planos, sendo que em Tóquio estará novamente na pista. Em 2016, no Rio de Janeiro, conquistou a medalha de ouro no omnium.

A Cofidis torna-se assim a 12ª equipa do World Tour (subiu de escalão em 2020) a estar na Algarvia entre 19 e 23 de Fevereiro, reforçando assim o nome da empresa na corrida. No passado dia 14, o naming da prova do sul do país passou a ser Volta ao Algarve Cofidis. A mudança de calendário da equipa ocorreu devido à morte do Sultão Qaboos bin Said. A organização da Volta a Omã cancelou a corrida devido aos 40 dias de luto no país, que só terminam a 21 de Fevereiro. A prova estava marcada para 11 a 16 do próximo mês.

André Greipel (Israel Start-Up Nation) e Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) são dois dos sprinters que poderão lutar com Viviani pelas vitórias na primeira etapa, em Lagos, e na terceira, em Tavira.

Após duas temporadas de enorme sucesso na Deceuninck-QuickStep, o italiano tornou-se num dos reforços da Cofidis, que regressou ao World Tour, uma década depois. A temporada não começou da melhor forma, com Viviani a sofrer uma queda aparatosa na segunda etapa do Tour Down Under. Ficou com alguns ferimentos, mas terminou a corrida australiana. O sprinter continua naquele país, onde fará mais duas corridas, primeiro em Torquay, esta quinta-feira, e depois a Cadel Evans Great Ocean Road Race, no domingo.

Equipas na Volta ao Algarve

WorldTeams (nova designação das equipas World Tour): Astana, Bora-Hansgrohe, CCC,  Cofidis, Deceuninck-QuickStep, Groupama-FDJ, Ineos, Israel Start-Up Nation, Lotto Soudal, Sunweb, Trek-Segafredo e UAE Team Emirates.

ProTeams: Alpecin-Fenix, Caja Rural, Circus-Wanty Gobert, Fundación-Orbea e Uno-X.

Continentais: Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel, Aviludo-Louletano, Efapel, Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense, LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua, Rádio Popular-Boavista e W52-FC Porto.


5 de janeiro de 2020

Cofidis a novidade, Bahrain McLaren com muitos reforços e mudança radical de equipamento

Aproxima-se o arranque da temporada, com a primeira corrida World Tour marcada para a Austrália: o Tour Down Under de 21 a 26 de Janeiro. 2020 será um ano marcado pelo regresso da francesa Cofidis ao escalão mais alto 11 anos depois, o que faz com que sejam agora 19 as estruturas WorldTeams (nova denominação das formações World Tour). Aqui ficam as primeiras seis, com os plantéis completos, realçando os reforços e não esquecendo aqueles que rumaram a outras equipas.

Destas destaca-se a Bahrain McLaren, novo nome da Bahrain-Merida, que foi das equipas que mais ciclistas contratou e no que diz respeito a equipamentos, foi também das que optou por uma mudança radical de look, deixando o vermelho da camisola e o capacete dourado, tendo agora uma jersey bem vistosa.

Uma nota sobre a corrida australiana. A organização está a acompanhar atentamente a situação dos incêndios que estão a devastar parte do país. A prova realiza-se na zona de Adelaide, que não foi muito afectada pelas chamas, e, por agora, o percurso mantém-se inalterado e não está a ser ponderado o cancelamento.

AG2R La Mondiale
(© Team AG2R La Mondiale)
Romain Bardet, François Bidard, Geoffrey Bouchard, Mickäel Cherel, Clément Chevrier, Benoît Cosnefroy, Silvan Dillier, Axel Domont, Julian Duval, Mathias Frank, Tony Gallopin, Ben Gasteur, Alexandre Geniez, Dorian Godon, Alexis Gougeard, Jaakko Hänninen, Quentin Jauregui, Pierre Latour, Oliver Naesen, Aurélien Paret-Peintre, Nans Peters, Stijn Vanderbergh, Clément Venturini, Alexis Vuillermoz e Larry Warbasse.

Reforços: Andrea Vendrame (Androni Giocattoli-Sidermec), Lawrence Naesen (Lotto Soudal), Harry Tanfield (Katusha-Alpecin) e Clément Champoussin a partir de 1 de Abril (Chambéry Cyclisme Formation).

Saídas: Samuel Dumoulin, Hubert Dupont e Gediminas Bagdonas (terminaram a carreira), Nico Denz (Sunweb).

Astana
(© GettySport/Astana Team)
Miguel Ángel Lópel, Jakob Fuglsang, Ion Izagirre, Gorka Izagirre, Alexey Lutsenko, Luis León Sánchez, Merhawi Kudus, Manuel Boaro, Zhandos Bizhigitov, Hernando Bohórquez, Rodrigo Contreras, Laurens de Vreese, Daniil Fominykh, Omar Fraile, Jonas Gregaard, Yevgeniy Gidich, Dmitriy Gruzdev, Hugo Houle, Yuriy Natarov, Nikita Stalnov, Artyom Zakharov, Aleksandr Vlasov.

Reforços: Fabio Felline (Trek-Segafredo), Davide Martinelli (Deceuninck-QuickStep), Aleksandr Vlasov (Gazprom-RusVelo), Alex Aranburu (Caja Rural), Óscar Rodríguez (Euskadi-Murias), Harold Tejada (Medellin) e Vadim Pronskiy (Vino-Astana Motors).

Saídas: Daria Cataldo (Movistar), Davide Villella (Movistar), Magnus Cort (EF Pro Cycling), Pello Bilbao (Bahrain-Merida), Jan Hirt (CCC), Andrey Zeits (Mitchelton-Scott) e Davide Ballerini (Deceuninck-QuickStep).

Bahrain McLaren
(© Team Bahrain McLaren)
Iván García Cortina, Matej Mohoric, Dylan Teuns, Sonny Colbrelli, Yukia Arashiro, Phil Bauhaus, Grega Bole, Damiano Caruso, Chun Kai Feng, Heinrich Haussler, Domen Novak, Mak Padun, Hermann Pernsteiner, Luka Pibernik, Marcel Sieberg, Jan Tratnik, Stephen Williams.

Reforços: Mikel Landa (Movistar), Pello Bilbao (Astana), Wout Poels (Ineos), Mark Cavendish (Dimension Data), Eros Capecchi (Deceuninck-QuickStep), Enrico Battaglin (Katusha-Alpecin), Rafael Valls (Movistar), Scott Davies (Dimension Data), Marco Haller (Katusha-Alpecin), Kevin Inkelaar (Groupama-FDJ, equipa Continental), Alfred Wright (Great Britain Cycling Team) e Santiago Buitrago (Team Cinelli).

Saídas: Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), Antonio Nibali (Trek-Segafredo), Domenico Pozzovivo (NTT), Rohan Dennis (Ineos), Andrea Garosio (Vini Zabù-KTM), Meiyin Wang (Hengxiang), Valerio Agnoli (sem equipa) e Kristijan Koren (sem equipa).

Bora-Hansgrohe
(© VeloImages/Bora-Hansgrohe)
Peter Sagan, Pascal Ackermann, Rafal Majka, Max Schachmann Daniel Oss, Erik Baska, Cesare Benedetti, Maciej Bodnar, Emanuel Buchmann, Marcus Burghardt, Jempy Drucker, Oscar Gatto, Feliz Grobschartner, Patrik Konrad, Jay McCarthy, Gregor Mühlberger, Pawel Poljanski, Lukas Pöstlberger, Juraj Sagan, Andreas Schillinger, Rüdiger Selig e Michael Schwarzmann.

Reforços: Lennard Kämna (Sunweb), Matteo Fabbro (Katusha-Alpecin), Ide Schelling (SEG Racing Academy), Martin Laas (Illuminate), Patrick Gamper (Tirol KTM).

Saídas: Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep), Shane Archbold (Deceuninck-QuickStep), Davide Formolo (UAE Team Emirates), Christoph Pfingsten (Jumbo-Visma), Peter Kennaugh (terminou a carreira) e Leopold König (sem equipa).

CCC
(© CCC Team)
Greg van Avermaet, Will Barta, Patrick Bevin, Josef Cerny, Alessandro de Marchi, Víctor de la Parte, Simon Geschke, Kamil Gradek, Jonas Koch, Jakub Mareczko, Serge Pauwels, Joey Rosskopf, Szymon Sajnok, Michael Schär, Guillaume Van Keirsbulck, Gijs van Hoecke, Nathan van Hooydonck, Francisco Ventoso, Lukas Wisniowski.

Reforços: Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), Pavel Kochetkov (Katusha-Alpecin), Jan Hirt (Astana), Fausto Masnada (Androni Giocattoli-Sidermec), Attila Valter (CCC Development Team), Michal Paluta (CCC Development Team), Kamil Malecki (CCC Development Team) e Georg Zimmermann (Tirol KTM).

Saídas: Amaro Antunes (W52-FC Porto), Lukasz Owsian (Arkéa Samsic), Ricardo Zoidl (Felbermayr-Simplon Wels), Pawel Bernas (Mazowsze-Serce) e Laurens Ten Dam (terminou a carreira).

Cofidis
@MathildeLAzou)
Christophe Laporte, Natnael Berhane, Nicolas Edet, Jesús Herrada, José Herrada, Luis Ángel Maté, Dimitri Clayes, Jesper Hansen, Victor Lafay, Mathias le Turnier, Cyril Lemoine, Marco Mathis, Emmanuel Morin, Anthony Perez, Pierre-Luc Périchon, Stéphane Rosseto, Damien Touzé, Kenneth Vanbilsen.

Reforços: Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep), Fabio Sabatini (Deceuninck-QuickStep), Julien Vermote (Dimension Data), Nathan Haas (Katusha-Alpecin), Guillaume Martin (Wanty-Gobert), Simone Consonni (UAE Team Emirates), Fernando Barceló (Euskadi-Murias), Piet Allegaert (Sport Vlaanderen-Baloise), Attilio Viviani (Arvedi Cycling) e Eddy Finé (V.C.Villefranche Beaujolais).

Saídas: Nacer Bouhanni (Arkéa Samsic), Julien Simon (Total Direct Energie), Hugo Hofstetter (Israel Start-Up Nation), Darwin Atapuma (Colombia Tierra de Atletas-GW Bicicletas), Bert van Lerberghe (Deceuninck-QuickStep), Geoffrey Soupe (Total Direct Energie), Filippo Fortin (Felbermayr-Simplon Wels), Rayane Bouhanni (sem equipa), Zico Waeytens e Loïc Chetout terminaram a carreira.

»»O destino dos ciclistas da Katusha-Alpecin««

»»Principais transferências e calendário nacional de 2020««

20 de dezembro de 2019

A dor de cabeça para a atribuição dos convites

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
A mudança de regras para 2020 quanto à atribuição convites para as grandes voltas, além dos 18 lugares automaticamente atribuídos às equipas do World Tour, tornaram-se numa dor de cabeça para as organizações. Passaram de quatro para dois. A tendência recaía muito em dar um wildcard às equipas Profissionais Continentais da casa, o que era e é sempre essencial para manter alguns desses projectos na estrada. Porém, com escolha limitada, também as "estrangeiras" que procurarem um desses convites vêem a probabilidade reduzir drasticamente. É em Espanha onde a concorrência está mais acesa.

Dos quatro lugares até agora disponíveis, um foi ocupado com a subida da Cofidis a World Tour. Passam a ser 19 as equipas neste escalão. A nova regra determina que a melhor equipa Profissional Continental do ranking ganha acesso às três grandes voltas. A vencedora foi a Total Direct Energie, tal como a Cofidis, uma formação francesa. Com os percursos de Giro, Tour e Vuelta já conhecidos, agora falta saber quais serão as eleitas para completar o pelotão que continuará a ser de 22 equipas neste tipo de corridas.

Na Volta a Itália, de 9 a 31 de Maio, uma outra regra ajudou o director Mauro Vegni a respirar de alívio. Uma consequência da diminuição de convites, é que sem ter a perspectiva de uma presença na grande volta do país dessa equipa, é também difícil convencer patrocinadores a financiarem estruturas do segundo escalão. Para os italianos é ainda mais grave tendo em conta que neste momento não têm qualquer equipa World Tour. 

Em 2017, por exemplo, a Androni ficou de fora porque a organização convidou duas equipas estrangeiras e apenas duas da casa: a polaca CCC e a russa Gazprom-RusVelo. Houve polémica. A Androni resolveu desde então essa questão vencendo a Taça de Itália, que dava entrada directa no Giro, ou seja, a equipa que ganhasse ficava com um convite. Isso acaba a partir de 2020. Nas duas últimas edições, a Israel Cycling Academy ficou com um wildcard o que atirou para fora do Giro uma das quatro formação italianas.

A situação já não era ideal, mas ia havendo esperança de um convite. Porém, com quatro equipas italianas e com as novas regras, ficava a certeza que não haveria espaço para todas. A Nippo Vini Fantini Faizanè fechou portas. Vegni continuava a ter de deixar uma equipa de fora e perante o panorama de ver importantes estruturas terminarem, deixar uma equipa italiana de fora começa a ter repercussões mais graves no ciclismo daquele país.

É aqui que entra uma das nova regras que poderá salvar a situação para as três sobreviventes Profissionais Continentais em Itália: Bardiani-CSF-Faizanè, Androni Giocattoli-Sidermec e Vini Zabú-KTM. A vencedora do ranking - neste caso a Total Direct Energie - pode abdicar da presença numa ou mais grandes voltas. Foi o que aconteceu. Os responsáveis da equipa francesa admitiram que não tinham condições para fazer um calendário tão exigente, já que têm de cumprir com as obrigações com os patrocinadores de competir muito em França. Alguns meios de comunicação social avançaram que Mauro Vegni terá ajudado a persuadir a esta escolha, inclusivamente dando dinheiro em troca. Algo não confirmado. Problema resolvido com esta renúncia, não esquecendo que a Israel Cycling Academy (Israel Start-Up Nation em 2020) também será World Tour depois de ter comprado a licença da Katusha-Alpecin, pelo que não entrará nas contas dos convites.

Viajando até França. No Tour (de 27 de Junho e 19 de Julho) a situação até nem se altera muito. Dos quatro convites, três estavam a ir para as equipas da casa, com a belga Wanty Groupe-Gobert (futura Circus-Wanty Gobert) a ficar com o quarto. A Delko Marseille sido excluída, mas é compensada com a presença em clássicas e em corridas por etapas da ASO, como o Paris-Roubaix e o Paris-Nice, por exemplo. Já a Vital Concept-B&B Hotels, criada em 2018, não ficou nada satisfeita por ficar de fora nas últimas duas edições.

Portanto, no Tour, a Cofidis e a Total Direct Energie eram crónicas convidadas, assim como a Arkéa-Samsic, que também não terá problemas em assegurar uma entrada para 2020. Portanto, a Vital Concept-B&B Hotels (o nome dos patrocinadores irá inverter-se a partir de Janeiro) e a Circus-Wanty Gobert estarão na luta pelo último wildcard, com a formação belga a já ter a garantia que estará nas clássicas, pois ao ser segunda do ranking, garantiu esses lugares. A Delko - que terá José Gonçalves no seu plantel - continua a "jogar por fora".

É em Espanha que a concorrência está maior. A Total Direct Energie não abdicou da sua entrada na Vuelta, pelo que só haverá mesmo dois convites. O director Javier Guillén tem estendido a mão às equipas espanholas que surgiram recentemente no segundo escalão, mas agora não o poderá fazer. Ou seja, havia a Caja Rural e nos últimos dois anos a Burgos-BH e Euskadi-Murias subirão ao segundo escalão e foram convidadas. A última não vai para a estrada em 2020, mas chegará a Fundação Euskadi, ou melhor Fundacíon-Orbea (a quarta convidada era a Cofidis, que apesar de ser francesa, a empresa tem muito peso no ciclismo espanhol, sendo, por exemplo, um patrocinador da federação).

Mas a francesa Arkéa-Samsic também quer estar na Vuelta e o seu reforço, Nairo Quintana, até foi à apresentação do percurso. E depois há Mathieu van der Poel. O holandês gostaria de se estrear numa grande volta em Espanha. Resultado, Javier Guillén já alertou que, apesar do orgulho em ter um ciclista como Van der Poel a querer ir à Vuelta, não haverá lugar para a Corendon. Guillén salientou que a prioridade irá para as equipas espanholas, o que criará problemas à Arkéa-Samsic.

Contudo, se o critério caseiro subsistir, qual ficará de fora? A Caja Rural tem uma década de história e tal terá o seu peso. A Fundacíon-Orbea pode só agora chegar ao nível de Profissional Continental, mas o entusiasmo em redor desta equipa e a força do ciclismo basco poderá dar argumentos para lutar com a Burgos-BH, mesmo que esta última tenha feito uma boa Vuelta em 2019 (Ángel Madrazo venceu uma etapa e andou vários dias com a camisola de líder da montanha).

Sendo a última grande volta (de 14 de Agosto a 6 de Setembro), é possível que os convites só sejam atribuídos no mês de Abril, ou seja, a temporada que as equipas estiverem a realizar será outro dos argumentos de peso.

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14 de dezembro de 2019

Trocou o ciclismo pelo boxe

(Fotografia: Twitter de Zico Waeytens)
Aos 28 anos Zico Waeytens precisou de um novo desafio. O ciclismo de alta competição não o motivava mais, pelo que engrossou a lista de corredores que colocaram um ponto final na carreira em 2019. Ao anúncio do adeus segue-se a pergunta do costume: o que irá fazer agora? O que não se estaria muito à espera é que a resposta seja: boxe. O belga diz que é bom na modalidade, mas que ainda tem de evoluir a sua técnica, numa altura em que o primeiro combate já está marcado. Até lá e porque o boxe não lhe dá um ordenado, Waeytens teve de arranjar um emprego.

Como ciclista, este sprinter  de 1,80 metros esteve na Topsport Vlaanderen, três temporadas na Sunweb (no World Tour), passou pela Vérandas Willems-Crelan em 2018, antes de fechar a carreira na Cofidis. O momento alto da carreira foi a vitória na quarta etapa da Volta à Bélgica em 2016. Agora trabalha no departamento de marketing de uma empresa, mas conta com o apoio do patrão na aventura do boxe.

(Fotografia: © Team Cofidis)
"Treino todos os dias, mesmo que não viva do boxe, longe disso. O meu patrão conhece o meu projecto e apoia-me. Mas estou a conseguir conjugar o desporto e a minha vida profissional sem problema, até agora", explicou o antigo ciclista ao DH Les Sports. Pode precisar de ter de melhor a sua técnica como pugilista, mas, apesar de ter feito a última corrida em Outubro - no Memorial Rik Van Steenbergen - e de nunca mais ter andado de bicicleta, Waeytens diz estar em boa forma. Porém... "O meu tronco não está suficientemente desenvolvido e tenho de ganhar músculo nos meus braços."

Waeytens está determinado em singrar no boxe e não esconde como adora a modalidade. "Estava cansado do ciclismo profissional, precisava de um novo desafio", admitiu, contando como continua a receber convites dos antigos parceiros de treino, Yves Lampaert (Deceuninck-QuickStep) e Jens Debusschere (Katusha-Alpecin), para andar de bicicleta. Por enquanto, vai recusando e concentra-se apenas no boxe. "Sinto falta da bicicleta? Não", disse.

Foi através de amigos que descobriu o seu potencial no boxe e é treinado por Filiep Tampere, que também treina a campeã mundial de peso pluma de 2014, Delfine Persoon. "Assim recebo conselhos regularmente. Estou extremamente motivado pela perspectiva do meu primeiro combate. Recebi muitas mensagens simpáticas de ciclistas", afirmou o belga, que a 25 de Abril irá então demonstrar as suas capacidades como pugilista no seu primeiro combate.

31 de agosto de 2019

A hora de Ruben Guerreiro

Ruben Guerreiro foi quarto classificado no sprint, depois de muitos quilómetros em fuga
e de ter tentado afastar-se do grupo (Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Dizer que Ruben Guerreiro está a confirmar o seu potencial na Vuelta, seria minimizar o que este ciclista já alcançou. Aquele corredor que se está a ver é o Ruben que tem adiado a sua afirmação no World Tour, muito por culpa de quedas ou algum problema de saúde. Nem todos os talentos conseguem ter um impacto imediato, o que não significa que não o venham a ter. Em boa hora Ruben Guerreiro está a mostrar-se, não só na etapa deste sábado, mas na maioria dos dias desta primeira semana de Volta a Espanha. E que seja só o início das boas exibições!

O murro no guiador ao cortar a meta no quarto lugar, demonstrou uma natural frustração de quem muito trabalhou, de quem arriscou numa estrada molhada, debaixo de chuva, de quem foi um verdadeiro guerreiro, numa etapa em que a fuga triunfou novamente na Vuelta.

Não foi desta que ganhou, naquela que está a ser a sua estreia numa grande volta. Mas este é o Ruben que em 2017, quando entrou no World Tour pela porta da Trek-Segafredo, foi incluído no grupo dos "rookies" a seguir com muita atenção. Começou bem numa Austrália que nas épocas seguintes sempre foi um bom ponto de partida para o português. Mas também rapidamente começaram os percalços que o afastavam a competição e a afirmação. 

Guerreiro é um dos muitos ciclistas de qualidade que estiveram na Hagens Berman Axeon. Numa entrevista ao Volta ao Ciclismo em 2016, o director da equipa Axel Merckx disse sobre o português: "Ele é um dos maiores talentos que está aí. Ele deu sinais de ser um pouco frágil, mas isso não faz mal. Ele irá aprender a viver como um ciclista profissional e perceber que entrar no World Tour não é suficiente. Ele terá de evoluir e ficar mais forte."

De facto, essa fragilidade tem sido o problema para Ruben Guerreiro. Parece que sempre que começa a aproximar-se de grandes momentos, algo mau acontece. Porém, Merckx também disse que acreditava iria conseguir tornar-se num ciclista mais forte. Além da Austrália, Guerreiro esteve muito bem em provas como Volta à Califórina, Turquia, Algarve, entre outras. E claro, sem esquecer como da primeira vez que participou no Campeonato Nacional de elite, ganhou, num difícil circuito por Gondomar, em 2017. Foi um dos melhores ciclistas daquele escalão a surgir em Portugal nos últimos anos e tinha de o ser para ser chamado por Merckx e dois anos depois dar o salto mais desejado.

Não tem sido fácil para Ruben Guerreiro acompanhar as elevadas expectativas. Após dois anos muito inconstantes na Trek-Segafredo, Ruben optou por uma mudança para uma Katusha-Alpecin, com um português como director, José Azevedo, além de ter José Gonçalves no plantel.

Não tem sido a melhor das equipas nos últimos anos, mas talvez podendo ter um perfil mais discreto tenha ajudado Ruben Guerreiro a encontrar alguma estabilidade e a afastar-se da pressão e afastar os azares que o perseguiam. Assinou por apenas um ano, ficando claro que tinha de se mostrar para poder continuar ao mais alto nível. E está a fazê-lo e não apenas na Vuelta, mas claro que uma grande volta é um palco com outro mediatismo.

Está na 21ª posição, a mais de 11 minutos e já esteve no top 20, mas a geral não é a preocupação do português, que está com liberdade para fazer a sua corrida. Na difícil subida de Javalambre na quinta etapa, Ruben esteve muito bem, terminando na 15ª posição. Este sábado esteve ainda melhor.

O futuro da Katusha-Alpecin é incerto, mas com exibiçōes deste nível numa estreia na Vuelta adiada há ano, talvez o futuro de Ruben possa ficar mais certo no World Tour, um escalão que tantas vezes não perdoa quem demora mais tempo a afirmar-se, mas que continua a ser o lugar deste promissor ciclista de 25 anos. Chegou a hora de Ruben Guerreiro destacar-se.

9ª etapa: Andorra la Vella - Cortals d'Encamp (94,4 quilómetros)



Este domingo será um daqueles dias que se tornou imagem de marca da Vuelta: etapa curta e sempre a subir e descer! Apesar de ainda se estar a terminar a primeira semana da corrida, não é dia para o quarteto da frente falhar. E se alguém quer reentrar na luta pela geral, eis um perfil de etapa a pedir ataques. 

Pela terceira vez, Miguel Ángel López vestiu a camisola vermelha para no dia seguinte perdê-la. Desta feita para Nicolas Edet (Cofidis), um dos homens da fuga do dia e que teve o alemão Nikias Arndt (Sunweb) a ser o mais forte no sprint final. No entanto, sendo uma etapa tão curta, não altera em nada a responsabilidade da Astana de López - que não arriscou nada com a chuva na parte final da etapa e não se importou de perder bastante tempo para o novo líder -, da Movistar de Alejandro Valverde e Nairo Quintana e da Jumbo-Visma de Primoz Roglic. O esloveno deverá ser o alvo a abater, pois na terça-feira é dia de contra-relógio e não há rival que não o queira ver com uma margem de diferença maior possível. 

Quanto à Cofidis, com Edet a ter ganho uma vantagem maior do que seria de esperar muito devido à chuva nos quilómetros finais - tem 3:01 minutos para López, com Dylan Teuns (Bahrain-Merida) a andar num iô-iô nesta classificação, de líder passou para 18º e agora é segundo, a 2:21 - a equipa francesa poderá tentar ajudar o ciclista a pelo menos ir para o dia de folga como líder, mas muito dependerá se Edet recupera do esforço deste sábado (Valls-Igualada, 166,9 quilómetros), mas não será uma missão nada fácil. Até Quintana está a prometer atacar! 

Quanto às cinco difíceis subidas deste domingo, o destaque vai para a categoria especial de Coll de la Gallina (imagem à direita). Serão 12,2 quilómetros de ascensão, com uma pendente média de 8,3%. Entre o quilómetro três e 11, o melhor que os ciclistas terão são pendentes a 7%, estando várias vezes acima dos 10%.

A subida final, Cortals d’Encamp, terá 5,7 quilómetros, com pendente média de 8,3%, sendo a fase inicial a mais complicada. Porém, atenção à aproximação, pois o piso será em gravilha, cerca de quatro quilómetros, segundo o director da corrida Fernando Escartín.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




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29 de agosto de 2019

EF Education First perde dois ciclistas e não ganhou para o susto com outros três

Van Garderen ainda não sabe se continua em prova. Dois companheiros abandonaram
(Fotografia: © Luiz Angel Gomez/PhotoGomezSport/La Vuelta)
Costuma ser um início de grande volta mais típico do Tour, mas este ano as quedas estão a marcar mais a Vuelta. E estão a afectar equipas em bloco. No contra-relógio inaugural foi a Jumbo-Visma que teve metade dos ciclistas a cair, enquanto na UAE Team Emirates foram seis, dos oito. Quase uma semana depois foi a vez da EF Education First a sentir os efeitos de uma queda, mas desta feita com resultados mais graves. Rigoberto Uran e Hugh Carthy foram para o hospital e estão fora da corrida, enquanto Sergio Higuita ficou com as costas bem marcadas, mas prosseguiu, tal como Logan Owen. Mais tarde seria Tejay van Garderen a sofrer uma queda aparatosa e só na manhã desta sexta-feira será tomada a decisão sobre se continua ou não em prova.

Em comum, as quedas tiveram água, com a excepção de a de Van Garderen. Terá sido novamente a estrada molhada que terá levado um ciclista da Jumbo-Visma a perder o controlo da bicicleta. Higuita explicou que esse corredor, que não identificou, "travou numa curva [numa descida] e a roda fugiu de debaixo dele". A partir daí, quem vinha atrás quase não teve hipótese de evitar cair também. Entre os vários ciclistas que foram ao chão estiveram Nicolas Roche (Sunweb) - antigo líder da Vuelta - e Víctor de la Parte (CCC), que foram mais dois corredores a abandonar.

A EF Education First confirmou que tanto Uran como Carthy partiram a clavícula esquerda e vão ser operados. Um rude golpe nas aspirações da equipa, com Uran a ser um candidato à geral - a lesão é no mesmo lado que sofreu uma fractura em Março, no Paris-Nice -, enquanto Hugh Carthy tinha estado muito bem na ajuda na subida a Javalambre, na quarta-feira. Higuita ficou a 3:46 da liderança, com Daniel Martínez a estar a 4:49 do novo líder, Dylan Teuns (Bahrain-Merida) e sem Uran terá de assumir maior protagonismo, mesmo depois de ter começado mal a Vuelta. Quanto a Van Garderen, que estava na fuga quando caiu, será reavaliado pelo médico antes da sétima etapa.

A CCC não adiantou os ferimentos de De la Parte, já um muito desiludido Roche teve de levar pontos no antebraço, além das "queimaduras" habituais de quem teve um encontro imediato com o alcatrão.

A lista de abandonos engrossou nesta sexta etapa feita a grande ritmo: 42,03 quilómetros/hora, nos 198,9 entre Mora de Rubielos e Ares del Maestrat. Devido a quedas, na quarta-feira abandonou Gregor Mühlberger, da Bora-Hansgrohe, com Steven Kruijswijk a deixar a Vuelta na quarta etapa com dores no joelho, consequência do incidente no contra-relógio por equipas do primeiro dia.

Já a UAE Team Emirates parece ter afastado os azares, depois de todos menos Valerio Conti e Sergio Henao (este último porque já tinha ficado para trás) terem caído no contra-relógio. Fabio Aru e Tadej Pocagar estão a demonstrar boa forma, tentando recuperar algum terreno perdido desde então.

Não foi o Herrada mais velho a ganhar, foi o mais novo

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Um dia depois de José Herrada ter ficado em lágrimas pelo terceiro lugar na etapa, quando esteve tão perto de ganhar uma etapa na Vuelta aos 31 anos, foi a vez do mais novo dos Herrada, Jesús (29), ir para a fuga e ter um final bem mais feliz. Ambos estão na Codidis e Jesús tem sido sempre o ciclista com maior potencial, mesmo quando estavam na Movistar.

Há um ano foi um herói espanhol ao vestir a camisola vermelha durante dois dias, mas faltava-lhe a grande vitória numa grande volta, não esquecendo que já conta com uma etapa no Critérium du Dauphiné e esta época conquistou a primeira edição do Challenge Mont Ventoux.

Mais uma vitória espanhola depois de Ángel Madrazo (Burgos-BH) e está mais do que confirmado que se há grande volta em que as equipas Profissionais Continentais têm mais possibilidade de ter protagonismo, além de aparecer na televisão ao integrar fugas, é na Vuelta.

Foi também um dia em que um português esteve mais perto de vencer uma etapa. Nelson Oliveira teve permissão da Movistar para entrar na fuga, mas a subida final foi madrasta e acabou ultrapassado por Herrada e Dylan Teuns. Não foi desta o ciclista de Anadia somou mais uma tirada em Espanha, depois da vitória em 2015, então ao serviço da Lampre-Merida.

Quanto ao belga da Bahrain-Merida, Dylan Teuns, está a ser o ciclista de destaque nesta segunda metade da temporada na equipa. Venceu uma etapa no Tour, em La Planche des Belles Filles, e agora é líder da Vuelta. Não conseguiu sprintar com Herrada, pois acabou por ser ele sempre a trabalhar ao perceber que poderia ser líder. David de la Cruz (Ineos) também beneficiou da fuga para saltar para o segundo lugar, a 38 segundos, com Miguel Ángel López (Astana) a ceder a camisola da liderança outra vez um dia depois de a ter alcançado. Ficou a um minuto de Teuns.

O belga, de 27 anos, não é um ciclista que se veja como uma grande ameaça a López ou Primoz Roglic (Jumbo-Visma) os principais nomes na luta pela vitória, nesta fase da corrida. Dizer que também foi dada a liderança a Richard Carapaz no Giro e que depois o equatoriano deu uma lição de ciclismo a todos e que Teuns pode fazer o mesmo, talvez seja de mais. Porém, Teuns colocou-se numa posição de lutar por um bom lugar e será de esperar que tentará vender caro a camisola que agora veste.

De referir que Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) continua a ser o melhor português, mantendo o 18º lugar, estando a 4:38 de Teuns.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

7ª etapa: Onda - Mas de la Costa (183,2 quilómetros)



Teuns terá já um teste importante no regresso da alta montanha à Vuelta. Mais uma chegada em alto, de primeira categoria, mas antes haverá o "aquecimento" com uma terceira, segunda e outra terceira consecutivas. Depois o pelotão poderá respirar um pouco, mas não muito. Há mais uma segunda categoria e uma ascensão não categorizada antes de enfrentar Mas de la Costa. São apenas 4,1 quilómetros, mas começam com 22,5% de pendente e acabam com 17,5%! No meio haverá uns metros a 25%, a 14%, sendo que os 10% serão a fase mais fácil... A média é de 12,5%. Brutal! Típica subida da Vuelta.





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