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5 de janeiro de 2020

Cofidis a novidade, Bahrain McLaren com muitos reforços e mudança radical de equipamento

Aproxima-se o arranque da temporada, com a primeira corrida World Tour marcada para a Austrália: o Tour Down Under de 21 a 26 de Janeiro. 2020 será um ano marcado pelo regresso da francesa Cofidis ao escalão mais alto 11 anos depois, o que faz com que sejam agora 19 as estruturas WorldTeams (nova denominação das formações World Tour). Aqui ficam as primeiras seis, com os plantéis completos, realçando os reforços e não esquecendo aqueles que rumaram a outras equipas.

Destas destaca-se a Bahrain McLaren, novo nome da Bahrain-Merida, que foi das equipas que mais ciclistas contratou e no que diz respeito a equipamentos, foi também das que optou por uma mudança radical de look, deixando o vermelho da camisola e o capacete dourado, tendo agora uma jersey bem vistosa.

Uma nota sobre a corrida australiana. A organização está a acompanhar atentamente a situação dos incêndios que estão a devastar parte do país. A prova realiza-se na zona de Adelaide, que não foi muito afectada pelas chamas, e, por agora, o percurso mantém-se inalterado e não está a ser ponderado o cancelamento.

AG2R La Mondiale
(© Team AG2R La Mondiale)
Romain Bardet, François Bidard, Geoffrey Bouchard, Mickäel Cherel, Clément Chevrier, Benoît Cosnefroy, Silvan Dillier, Axel Domont, Julian Duval, Mathias Frank, Tony Gallopin, Ben Gasteur, Alexandre Geniez, Dorian Godon, Alexis Gougeard, Jaakko Hänninen, Quentin Jauregui, Pierre Latour, Oliver Naesen, Aurélien Paret-Peintre, Nans Peters, Stijn Vanderbergh, Clément Venturini, Alexis Vuillermoz e Larry Warbasse.

Reforços: Andrea Vendrame (Androni Giocattoli-Sidermec), Lawrence Naesen (Lotto Soudal), Harry Tanfield (Katusha-Alpecin) e Clément Champoussin a partir de 1 de Abril (Chambéry Cyclisme Formation).

Saídas: Samuel Dumoulin, Hubert Dupont e Gediminas Bagdonas (terminaram a carreira), Nico Denz (Sunweb).

Astana
(© GettySport/Astana Team)
Miguel Ángel Lópel, Jakob Fuglsang, Ion Izagirre, Gorka Izagirre, Alexey Lutsenko, Luis León Sánchez, Merhawi Kudus, Manuel Boaro, Zhandos Bizhigitov, Hernando Bohórquez, Rodrigo Contreras, Laurens de Vreese, Daniil Fominykh, Omar Fraile, Jonas Gregaard, Yevgeniy Gidich, Dmitriy Gruzdev, Hugo Houle, Yuriy Natarov, Nikita Stalnov, Artyom Zakharov, Aleksandr Vlasov.

Reforços: Fabio Felline (Trek-Segafredo), Davide Martinelli (Deceuninck-QuickStep), Aleksandr Vlasov (Gazprom-RusVelo), Alex Aranburu (Caja Rural), Óscar Rodríguez (Euskadi-Murias), Harold Tejada (Medellin) e Vadim Pronskiy (Vino-Astana Motors).

Saídas: Daria Cataldo (Movistar), Davide Villella (Movistar), Magnus Cort (EF Pro Cycling), Pello Bilbao (Bahrain-Merida), Jan Hirt (CCC), Andrey Zeits (Mitchelton-Scott) e Davide Ballerini (Deceuninck-QuickStep).

Bahrain McLaren
(© Team Bahrain McLaren)
Iván García Cortina, Matej Mohoric, Dylan Teuns, Sonny Colbrelli, Yukia Arashiro, Phil Bauhaus, Grega Bole, Damiano Caruso, Chun Kai Feng, Heinrich Haussler, Domen Novak, Mak Padun, Hermann Pernsteiner, Luka Pibernik, Marcel Sieberg, Jan Tratnik, Stephen Williams.

Reforços: Mikel Landa (Movistar), Pello Bilbao (Astana), Wout Poels (Ineos), Mark Cavendish (Dimension Data), Eros Capecchi (Deceuninck-QuickStep), Enrico Battaglin (Katusha-Alpecin), Rafael Valls (Movistar), Scott Davies (Dimension Data), Marco Haller (Katusha-Alpecin), Kevin Inkelaar (Groupama-FDJ, equipa Continental), Alfred Wright (Great Britain Cycling Team) e Santiago Buitrago (Team Cinelli).

Saídas: Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), Antonio Nibali (Trek-Segafredo), Domenico Pozzovivo (NTT), Rohan Dennis (Ineos), Andrea Garosio (Vini Zabù-KTM), Meiyin Wang (Hengxiang), Valerio Agnoli (sem equipa) e Kristijan Koren (sem equipa).

Bora-Hansgrohe
(© VeloImages/Bora-Hansgrohe)
Peter Sagan, Pascal Ackermann, Rafal Majka, Max Schachmann Daniel Oss, Erik Baska, Cesare Benedetti, Maciej Bodnar, Emanuel Buchmann, Marcus Burghardt, Jempy Drucker, Oscar Gatto, Feliz Grobschartner, Patrik Konrad, Jay McCarthy, Gregor Mühlberger, Pawel Poljanski, Lukas Pöstlberger, Juraj Sagan, Andreas Schillinger, Rüdiger Selig e Michael Schwarzmann.

Reforços: Lennard Kämna (Sunweb), Matteo Fabbro (Katusha-Alpecin), Ide Schelling (SEG Racing Academy), Martin Laas (Illuminate), Patrick Gamper (Tirol KTM).

Saídas: Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep), Shane Archbold (Deceuninck-QuickStep), Davide Formolo (UAE Team Emirates), Christoph Pfingsten (Jumbo-Visma), Peter Kennaugh (terminou a carreira) e Leopold König (sem equipa).

CCC
(© CCC Team)
Greg van Avermaet, Will Barta, Patrick Bevin, Josef Cerny, Alessandro de Marchi, Víctor de la Parte, Simon Geschke, Kamil Gradek, Jonas Koch, Jakub Mareczko, Serge Pauwels, Joey Rosskopf, Szymon Sajnok, Michael Schär, Guillaume Van Keirsbulck, Gijs van Hoecke, Nathan van Hooydonck, Francisco Ventoso, Lukas Wisniowski.

Reforços: Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), Pavel Kochetkov (Katusha-Alpecin), Jan Hirt (Astana), Fausto Masnada (Androni Giocattoli-Sidermec), Attila Valter (CCC Development Team), Michal Paluta (CCC Development Team), Kamil Malecki (CCC Development Team) e Georg Zimmermann (Tirol KTM).

Saídas: Amaro Antunes (W52-FC Porto), Lukasz Owsian (Arkéa Samsic), Ricardo Zoidl (Felbermayr-Simplon Wels), Pawel Bernas (Mazowsze-Serce) e Laurens Ten Dam (terminou a carreira).

Cofidis
@MathildeLAzou)
Christophe Laporte, Natnael Berhane, Nicolas Edet, Jesús Herrada, José Herrada, Luis Ángel Maté, Dimitri Clayes, Jesper Hansen, Victor Lafay, Mathias le Turnier, Cyril Lemoine, Marco Mathis, Emmanuel Morin, Anthony Perez, Pierre-Luc Périchon, Stéphane Rosseto, Damien Touzé, Kenneth Vanbilsen.

Reforços: Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep), Fabio Sabatini (Deceuninck-QuickStep), Julien Vermote (Dimension Data), Nathan Haas (Katusha-Alpecin), Guillaume Martin (Wanty-Gobert), Simone Consonni (UAE Team Emirates), Fernando Barceló (Euskadi-Murias), Piet Allegaert (Sport Vlaanderen-Baloise), Attilio Viviani (Arvedi Cycling) e Eddy Finé (V.C.Villefranche Beaujolais).

Saídas: Nacer Bouhanni (Arkéa Samsic), Julien Simon (Total Direct Energie), Hugo Hofstetter (Israel Start-Up Nation), Darwin Atapuma (Colombia Tierra de Atletas-GW Bicicletas), Bert van Lerberghe (Deceuninck-QuickStep), Geoffrey Soupe (Total Direct Energie), Filippo Fortin (Felbermayr-Simplon Wels), Rayane Bouhanni (sem equipa), Zico Waeytens e Loïc Chetout terminaram a carreira.

»»O destino dos ciclistas da Katusha-Alpecin««

»»Principais transferências e calendário nacional de 2020««

20 de dezembro de 2019

A dor de cabeça para a atribuição dos convites

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
A mudança de regras para 2020 quanto à atribuição convites para as grandes voltas, além dos 18 lugares automaticamente atribuídos às equipas do World Tour, tornaram-se numa dor de cabeça para as organizações. Passaram de quatro para dois. A tendência recaía muito em dar um wildcard às equipas Profissionais Continentais da casa, o que era e é sempre essencial para manter alguns desses projectos na estrada. Porém, com escolha limitada, também as "estrangeiras" que procurarem um desses convites vêem a probabilidade reduzir drasticamente. É em Espanha onde a concorrência está mais acesa.

Dos quatro lugares até agora disponíveis, um foi ocupado com a subida da Cofidis a World Tour. Passam a ser 19 as equipas neste escalão. A nova regra determina que a melhor equipa Profissional Continental do ranking ganha acesso às três grandes voltas. A vencedora foi a Total Direct Energie, tal como a Cofidis, uma formação francesa. Com os percursos de Giro, Tour e Vuelta já conhecidos, agora falta saber quais serão as eleitas para completar o pelotão que continuará a ser de 22 equipas neste tipo de corridas.

Na Volta a Itália, de 9 a 31 de Maio, uma outra regra ajudou o director Mauro Vegni a respirar de alívio. Uma consequência da diminuição de convites, é que sem ter a perspectiva de uma presença na grande volta do país dessa equipa, é também difícil convencer patrocinadores a financiarem estruturas do segundo escalão. Para os italianos é ainda mais grave tendo em conta que neste momento não têm qualquer equipa World Tour. 

Em 2017, por exemplo, a Androni ficou de fora porque a organização convidou duas equipas estrangeiras e apenas duas da casa: a polaca CCC e a russa Gazprom-RusVelo. Houve polémica. A Androni resolveu desde então essa questão vencendo a Taça de Itália, que dava entrada directa no Giro, ou seja, a equipa que ganhasse ficava com um convite. Isso acaba a partir de 2020. Nas duas últimas edições, a Israel Cycling Academy ficou com um wildcard o que atirou para fora do Giro uma das quatro formação italianas.

A situação já não era ideal, mas ia havendo esperança de um convite. Porém, com quatro equipas italianas e com as novas regras, ficava a certeza que não haveria espaço para todas. A Nippo Vini Fantini Faizanè fechou portas. Vegni continuava a ter de deixar uma equipa de fora e perante o panorama de ver importantes estruturas terminarem, deixar uma equipa italiana de fora começa a ter repercussões mais graves no ciclismo daquele país.

É aqui que entra uma das nova regras que poderá salvar a situação para as três sobreviventes Profissionais Continentais em Itália: Bardiani-CSF-Faizanè, Androni Giocattoli-Sidermec e Vini Zabú-KTM. A vencedora do ranking - neste caso a Total Direct Energie - pode abdicar da presença numa ou mais grandes voltas. Foi o que aconteceu. Os responsáveis da equipa francesa admitiram que não tinham condições para fazer um calendário tão exigente, já que têm de cumprir com as obrigações com os patrocinadores de competir muito em França. Alguns meios de comunicação social avançaram que Mauro Vegni terá ajudado a persuadir a esta escolha, inclusivamente dando dinheiro em troca. Algo não confirmado. Problema resolvido com esta renúncia, não esquecendo que a Israel Cycling Academy (Israel Start-Up Nation em 2020) também será World Tour depois de ter comprado a licença da Katusha-Alpecin, pelo que não entrará nas contas dos convites.

Viajando até França. No Tour (de 27 de Junho e 19 de Julho) a situação até nem se altera muito. Dos quatro convites, três estavam a ir para as equipas da casa, com a belga Wanty Groupe-Gobert (futura Circus-Wanty Gobert) a ficar com o quarto. A Delko Marseille sido excluída, mas é compensada com a presença em clássicas e em corridas por etapas da ASO, como o Paris-Roubaix e o Paris-Nice, por exemplo. Já a Vital Concept-B&B Hotels, criada em 2018, não ficou nada satisfeita por ficar de fora nas últimas duas edições.

Portanto, no Tour, a Cofidis e a Total Direct Energie eram crónicas convidadas, assim como a Arkéa-Samsic, que também não terá problemas em assegurar uma entrada para 2020. Portanto, a Vital Concept-B&B Hotels (o nome dos patrocinadores irá inverter-se a partir de Janeiro) e a Circus-Wanty Gobert estarão na luta pelo último wildcard, com a formação belga a já ter a garantia que estará nas clássicas, pois ao ser segunda do ranking, garantiu esses lugares. A Delko - que terá José Gonçalves no seu plantel - continua a "jogar por fora".

É em Espanha que a concorrência está maior. A Total Direct Energie não abdicou da sua entrada na Vuelta, pelo que só haverá mesmo dois convites. O director Javier Guillén tem estendido a mão às equipas espanholas que surgiram recentemente no segundo escalão, mas agora não o poderá fazer. Ou seja, havia a Caja Rural e nos últimos dois anos a Burgos-BH e Euskadi-Murias subirão ao segundo escalão e foram convidadas. A última não vai para a estrada em 2020, mas chegará a Fundação Euskadi, ou melhor Fundacíon-Orbea (a quarta convidada era a Cofidis, que apesar de ser francesa, a empresa tem muito peso no ciclismo espanhol, sendo, por exemplo, um patrocinador da federação).

Mas a francesa Arkéa-Samsic também quer estar na Vuelta e o seu reforço, Nairo Quintana, até foi à apresentação do percurso. E depois há Mathieu van der Poel. O holandês gostaria de se estrear numa grande volta em Espanha. Resultado, Javier Guillén já alertou que, apesar do orgulho em ter um ciclista como Van der Poel a querer ir à Vuelta, não haverá lugar para a Corendon. Guillén salientou que a prioridade irá para as equipas espanholas, o que criará problemas à Arkéa-Samsic.

Contudo, se o critério caseiro subsistir, qual ficará de fora? A Caja Rural tem uma década de história e tal terá o seu peso. A Fundacíon-Orbea pode só agora chegar ao nível de Profissional Continental, mas o entusiasmo em redor desta equipa e a força do ciclismo basco poderá dar argumentos para lutar com a Burgos-BH, mesmo que esta última tenha feito uma boa Vuelta em 2019 (Ángel Madrazo venceu uma etapa e andou vários dias com a camisola de líder da montanha).

Sendo a última grande volta (de 14 de Agosto a 6 de Setembro), é possível que os convites só sejam atribuídos no mês de Abril, ou seja, a temporada que as equipas estiverem a realizar será outro dos argumentos de peso.

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14 de dezembro de 2019

Trocou o ciclismo pelo boxe

(Fotografia: Twitter de Zico Waeytens)
Aos 28 anos Zico Waeytens precisou de um novo desafio. O ciclismo de alta competição não o motivava mais, pelo que engrossou a lista de corredores que colocaram um ponto final na carreira em 2019. Ao anúncio do adeus segue-se a pergunta do costume: o que irá fazer agora? O que não se estaria muito à espera é que a resposta seja: boxe. O belga diz que é bom na modalidade, mas que ainda tem de evoluir a sua técnica, numa altura em que o primeiro combate já está marcado. Até lá e porque o boxe não lhe dá um ordenado, Waeytens teve de arranjar um emprego.

Como ciclista, este sprinter  de 1,80 metros esteve na Topsport Vlaanderen, três temporadas na Sunweb (no World Tour), passou pela Vérandas Willems-Crelan em 2018, antes de fechar a carreira na Cofidis. O momento alto da carreira foi a vitória na quarta etapa da Volta à Bélgica em 2016. Agora trabalha no departamento de marketing de uma empresa, mas conta com o apoio do patrão na aventura do boxe.

(Fotografia: © Team Cofidis)
"Treino todos os dias, mesmo que não viva do boxe, longe disso. O meu patrão conhece o meu projecto e apoia-me. Mas estou a conseguir conjugar o desporto e a minha vida profissional sem problema, até agora", explicou o antigo ciclista ao DH Les Sports. Pode precisar de ter de melhor a sua técnica como pugilista, mas, apesar de ter feito a última corrida em Outubro - no Memorial Rik Van Steenbergen - e de nunca mais ter andado de bicicleta, Waeytens diz estar em boa forma. Porém... "O meu tronco não está suficientemente desenvolvido e tenho de ganhar músculo nos meus braços."

Waeytens está determinado em singrar no boxe e não esconde como adora a modalidade. "Estava cansado do ciclismo profissional, precisava de um novo desafio", admitiu, contando como continua a receber convites dos antigos parceiros de treino, Yves Lampaert (Deceuninck-QuickStep) e Jens Debusschere (Katusha-Alpecin), para andar de bicicleta. Por enquanto, vai recusando e concentra-se apenas no boxe. "Sinto falta da bicicleta? Não", disse.

Foi através de amigos que descobriu o seu potencial no boxe e é treinado por Filiep Tampere, que também treina a campeã mundial de peso pluma de 2014, Delfine Persoon. "Assim recebo conselhos regularmente. Estou extremamente motivado pela perspectiva do meu primeiro combate. Recebi muitas mensagens simpáticas de ciclistas", afirmou o belga, que a 25 de Abril irá então demonstrar as suas capacidades como pugilista no seu primeiro combate.

31 de agosto de 2019

A hora de Ruben Guerreiro

Ruben Guerreiro foi quarto classificado no sprint, depois de muitos quilómetros em fuga
e de ter tentado afastar-se do grupo (Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Dizer que Ruben Guerreiro está a confirmar o seu potencial na Vuelta, seria minimizar o que este ciclista já alcançou. Aquele corredor que se está a ver é o Ruben que tem adiado a sua afirmação no World Tour, muito por culpa de quedas ou algum problema de saúde. Nem todos os talentos conseguem ter um impacto imediato, o que não significa que não o venham a ter. Em boa hora Ruben Guerreiro está a mostrar-se, não só na etapa deste sábado, mas na maioria dos dias desta primeira semana de Volta a Espanha. E que seja só o início das boas exibições!

O murro no guiador ao cortar a meta no quarto lugar, demonstrou uma natural frustração de quem muito trabalhou, de quem arriscou numa estrada molhada, debaixo de chuva, de quem foi um verdadeiro guerreiro, numa etapa em que a fuga triunfou novamente na Vuelta.

Não foi desta que ganhou, naquela que está a ser a sua estreia numa grande volta. Mas este é o Ruben que em 2017, quando entrou no World Tour pela porta da Trek-Segafredo, foi incluído no grupo dos "rookies" a seguir com muita atenção. Começou bem numa Austrália que nas épocas seguintes sempre foi um bom ponto de partida para o português. Mas também rapidamente começaram os percalços que o afastavam a competição e a afirmação. 

Guerreiro é um dos muitos ciclistas de qualidade que estiveram na Hagens Berman Axeon. Numa entrevista ao Volta ao Ciclismo em 2016, o director da equipa Axel Merckx disse sobre o português: "Ele é um dos maiores talentos que está aí. Ele deu sinais de ser um pouco frágil, mas isso não faz mal. Ele irá aprender a viver como um ciclista profissional e perceber que entrar no World Tour não é suficiente. Ele terá de evoluir e ficar mais forte."

De facto, essa fragilidade tem sido o problema para Ruben Guerreiro. Parece que sempre que começa a aproximar-se de grandes momentos, algo mau acontece. Porém, Merckx também disse que acreditava iria conseguir tornar-se num ciclista mais forte. Além da Austrália, Guerreiro esteve muito bem em provas como Volta à Califórina, Turquia, Algarve, entre outras. E claro, sem esquecer como da primeira vez que participou no Campeonato Nacional de elite, ganhou, num difícil circuito por Gondomar, em 2017. Foi um dos melhores ciclistas daquele escalão a surgir em Portugal nos últimos anos e tinha de o ser para ser chamado por Merckx e dois anos depois dar o salto mais desejado.

Não tem sido fácil para Ruben Guerreiro acompanhar as elevadas expectativas. Após dois anos muito inconstantes na Trek-Segafredo, Ruben optou por uma mudança para uma Katusha-Alpecin, com um português como director, José Azevedo, além de ter José Gonçalves no plantel.

Não tem sido a melhor das equipas nos últimos anos, mas talvez podendo ter um perfil mais discreto tenha ajudado Ruben Guerreiro a encontrar alguma estabilidade e a afastar-se da pressão e afastar os azares que o perseguiam. Assinou por apenas um ano, ficando claro que tinha de se mostrar para poder continuar ao mais alto nível. E está a fazê-lo e não apenas na Vuelta, mas claro que uma grande volta é um palco com outro mediatismo.

Está na 21ª posição, a mais de 11 minutos e já esteve no top 20, mas a geral não é a preocupação do português, que está com liberdade para fazer a sua corrida. Na difícil subida de Javalambre na quinta etapa, Ruben esteve muito bem, terminando na 15ª posição. Este sábado esteve ainda melhor.

O futuro da Katusha-Alpecin é incerto, mas com exibiçōes deste nível numa estreia na Vuelta adiada há ano, talvez o futuro de Ruben possa ficar mais certo no World Tour, um escalão que tantas vezes não perdoa quem demora mais tempo a afirmar-se, mas que continua a ser o lugar deste promissor ciclista de 25 anos. Chegou a hora de Ruben Guerreiro destacar-se.

9ª etapa: Andorra la Vella - Cortals d'Encamp (94,4 quilómetros)



Este domingo será um daqueles dias que se tornou imagem de marca da Vuelta: etapa curta e sempre a subir e descer! Apesar de ainda se estar a terminar a primeira semana da corrida, não é dia para o quarteto da frente falhar. E se alguém quer reentrar na luta pela geral, eis um perfil de etapa a pedir ataques. 

Pela terceira vez, Miguel Ángel López vestiu a camisola vermelha para no dia seguinte perdê-la. Desta feita para Nicolas Edet (Cofidis), um dos homens da fuga do dia e que teve o alemão Nikias Arndt (Sunweb) a ser o mais forte no sprint final. No entanto, sendo uma etapa tão curta, não altera em nada a responsabilidade da Astana de López - que não arriscou nada com a chuva na parte final da etapa e não se importou de perder bastante tempo para o novo líder -, da Movistar de Alejandro Valverde e Nairo Quintana e da Jumbo-Visma de Primoz Roglic. O esloveno deverá ser o alvo a abater, pois na terça-feira é dia de contra-relógio e não há rival que não o queira ver com uma margem de diferença maior possível. 

Quanto à Cofidis, com Edet a ter ganho uma vantagem maior do que seria de esperar muito devido à chuva nos quilómetros finais - tem 3:01 minutos para López, com Dylan Teuns (Bahrain-Merida) a andar num iô-iô nesta classificação, de líder passou para 18º e agora é segundo, a 2:21 - a equipa francesa poderá tentar ajudar o ciclista a pelo menos ir para o dia de folga como líder, mas muito dependerá se Edet recupera do esforço deste sábado (Valls-Igualada, 166,9 quilómetros), mas não será uma missão nada fácil. Até Quintana está a prometer atacar! 

Quanto às cinco difíceis subidas deste domingo, o destaque vai para a categoria especial de Coll de la Gallina (imagem à direita). Serão 12,2 quilómetros de ascensão, com uma pendente média de 8,3%. Entre o quilómetro três e 11, o melhor que os ciclistas terão são pendentes a 7%, estando várias vezes acima dos 10%.

A subida final, Cortals d’Encamp, terá 5,7 quilómetros, com pendente média de 8,3%, sendo a fase inicial a mais complicada. Porém, atenção à aproximação, pois o piso será em gravilha, cerca de quatro quilómetros, segundo o director da corrida Fernando Escartín.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




»»Um filme que já se viu««

»»Movistar define líder. Quintana diz que não é ele««

29 de agosto de 2019

EF Education First perde dois ciclistas e não ganhou para o susto com outros três

Van Garderen ainda não sabe se continua em prova. Dois companheiros abandonaram
(Fotografia: © Luiz Angel Gomez/PhotoGomezSport/La Vuelta)
Costuma ser um início de grande volta mais típico do Tour, mas este ano as quedas estão a marcar mais a Vuelta. E estão a afectar equipas em bloco. No contra-relógio inaugural foi a Jumbo-Visma que teve metade dos ciclistas a cair, enquanto na UAE Team Emirates foram seis, dos oito. Quase uma semana depois foi a vez da EF Education First a sentir os efeitos de uma queda, mas desta feita com resultados mais graves. Rigoberto Uran e Hugh Carthy foram para o hospital e estão fora da corrida, enquanto Sergio Higuita ficou com as costas bem marcadas, mas prosseguiu, tal como Logan Owen. Mais tarde seria Tejay van Garderen a sofrer uma queda aparatosa e só na manhã desta sexta-feira será tomada a decisão sobre se continua ou não em prova.

Em comum, as quedas tiveram água, com a excepção de a de Van Garderen. Terá sido novamente a estrada molhada que terá levado um ciclista da Jumbo-Visma a perder o controlo da bicicleta. Higuita explicou que esse corredor, que não identificou, "travou numa curva [numa descida] e a roda fugiu de debaixo dele". A partir daí, quem vinha atrás quase não teve hipótese de evitar cair também. Entre os vários ciclistas que foram ao chão estiveram Nicolas Roche (Sunweb) - antigo líder da Vuelta - e Víctor de la Parte (CCC), que foram mais dois corredores a abandonar.

A EF Education First confirmou que tanto Uran como Carthy partiram a clavícula esquerda e vão ser operados. Um rude golpe nas aspirações da equipa, com Uran a ser um candidato à geral - a lesão é no mesmo lado que sofreu uma fractura em Março, no Paris-Nice -, enquanto Hugh Carthy tinha estado muito bem na ajuda na subida a Javalambre, na quarta-feira. Higuita ficou a 3:46 da liderança, com Daniel Martínez a estar a 4:49 do novo líder, Dylan Teuns (Bahrain-Merida) e sem Uran terá de assumir maior protagonismo, mesmo depois de ter começado mal a Vuelta. Quanto a Van Garderen, que estava na fuga quando caiu, será reavaliado pelo médico antes da sétima etapa.

A CCC não adiantou os ferimentos de De la Parte, já um muito desiludido Roche teve de levar pontos no antebraço, além das "queimaduras" habituais de quem teve um encontro imediato com o alcatrão.

A lista de abandonos engrossou nesta sexta etapa feita a grande ritmo: 42,03 quilómetros/hora, nos 198,9 entre Mora de Rubielos e Ares del Maestrat. Devido a quedas, na quarta-feira abandonou Gregor Mühlberger, da Bora-Hansgrohe, com Steven Kruijswijk a deixar a Vuelta na quarta etapa com dores no joelho, consequência do incidente no contra-relógio por equipas do primeiro dia.

Já a UAE Team Emirates parece ter afastado os azares, depois de todos menos Valerio Conti e Sergio Henao (este último porque já tinha ficado para trás) terem caído no contra-relógio. Fabio Aru e Tadej Pocagar estão a demonstrar boa forma, tentando recuperar algum terreno perdido desde então.

Não foi o Herrada mais velho a ganhar, foi o mais novo

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Um dia depois de José Herrada ter ficado em lágrimas pelo terceiro lugar na etapa, quando esteve tão perto de ganhar uma etapa na Vuelta aos 31 anos, foi a vez do mais novo dos Herrada, Jesús (29), ir para a fuga e ter um final bem mais feliz. Ambos estão na Codidis e Jesús tem sido sempre o ciclista com maior potencial, mesmo quando estavam na Movistar.

Há um ano foi um herói espanhol ao vestir a camisola vermelha durante dois dias, mas faltava-lhe a grande vitória numa grande volta, não esquecendo que já conta com uma etapa no Critérium du Dauphiné e esta época conquistou a primeira edição do Challenge Mont Ventoux.

Mais uma vitória espanhola depois de Ángel Madrazo (Burgos-BH) e está mais do que confirmado que se há grande volta em que as equipas Profissionais Continentais têm mais possibilidade de ter protagonismo, além de aparecer na televisão ao integrar fugas, é na Vuelta.

Foi também um dia em que um português esteve mais perto de vencer uma etapa. Nelson Oliveira teve permissão da Movistar para entrar na fuga, mas a subida final foi madrasta e acabou ultrapassado por Herrada e Dylan Teuns. Não foi desta o ciclista de Anadia somou mais uma tirada em Espanha, depois da vitória em 2015, então ao serviço da Lampre-Merida.

Quanto ao belga da Bahrain-Merida, Dylan Teuns, está a ser o ciclista de destaque nesta segunda metade da temporada na equipa. Venceu uma etapa no Tour, em La Planche des Belles Filles, e agora é líder da Vuelta. Não conseguiu sprintar com Herrada, pois acabou por ser ele sempre a trabalhar ao perceber que poderia ser líder. David de la Cruz (Ineos) também beneficiou da fuga para saltar para o segundo lugar, a 38 segundos, com Miguel Ángel López (Astana) a ceder a camisola da liderança outra vez um dia depois de a ter alcançado. Ficou a um minuto de Teuns.

O belga, de 27 anos, não é um ciclista que se veja como uma grande ameaça a López ou Primoz Roglic (Jumbo-Visma) os principais nomes na luta pela vitória, nesta fase da corrida. Dizer que também foi dada a liderança a Richard Carapaz no Giro e que depois o equatoriano deu uma lição de ciclismo a todos e que Teuns pode fazer o mesmo, talvez seja de mais. Porém, Teuns colocou-se numa posição de lutar por um bom lugar e será de esperar que tentará vender caro a camisola que agora veste.

De referir que Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) continua a ser o melhor português, mantendo o 18º lugar, estando a 4:38 de Teuns.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

7ª etapa: Onda - Mas de la Costa (183,2 quilómetros)



Teuns terá já um teste importante no regresso da alta montanha à Vuelta. Mais uma chegada em alto, de primeira categoria, mas antes haverá o "aquecimento" com uma terceira, segunda e outra terceira consecutivas. Depois o pelotão poderá respirar um pouco, mas não muito. Há mais uma segunda categoria e uma ascensão não categorizada antes de enfrentar Mas de la Costa. São apenas 4,1 quilómetros, mas começam com 22,5% de pendente e acabam com 17,5%! No meio haverá uns metros a 25%, a 14%, sendo que os 10% serão a fase mais fácil... A média é de 12,5%. Brutal! Típica subida da Vuelta.





»»De um incidente caricato ao momento mais esperado de uma carreira««

»»Uma nova chegada em alto para ajudar a definir os candidatos««

8 de maio de 2019

Vuelta sem surpresas nos convites no último ano "descansado" para as equipas espanholas

Domingos Gonçalves espreita a oportunidade de se estrear numa grande volta
(Facebook: Caja Rural)
Convites distribuídos sem surpresas, num último ano em que as equipas espanholas Profissionais Continentais têm entrada praticamente garantida na "sua" corrida. A Vuelta já completou o pelotão para próxima edição (de 24 de Agosto a 15 de Setembro) e se havia grande volta que não se esperava surpresas, era esta. No entanto, em 2020 tudo será diferente.

Com a subida da Burgos-BH e da Euskadi-Murias ao segundo escalão na temporada passada, a organização não quis deixar as duas equipas fora da maior corrida do país, juntado-as assim à Caja Rural como wildcards da Vuelta. Era a forma de tornar os projectos sustentáveis, num país com tradição no ciclismo, mas apenas com a Movistar ao mais alto nível, no World Tour e só com a Caja Rural como Profissional Continental até ao final de 2017.

Este ano, só a Burgos-BH tremeu um pouco quanto ao convite, dado os casos de doping que levaram a equipa a auto-suspender-se no arranque da temporada, ainda antes da sanção oficial da UCI. Tremeu, mas não caiu, o que deixará três portugueses à espreita de uma chamada para a Vuelta: Ricardo Vilela, José Neves e Nuno Bico. Ao trio junta-se Domingos Gonçalves, que poderá ir pela Caja Rural. O campeão nacional de estrada e contra-relógio encontra-se a recuperar das lesões que resultaram da violenta queda na Volta à Catalunha. Só Vilela sabe o que é fazer grandes voltas, precisamente duas Vueltas.

O problema das equipas espanholas são as regras que serão implementadas a partir de 2020. A UCI pretende que duas Profissionais Continentais passem a qualificar-se directamente para as grandes voltas através do ranking das equipas. Isto caso mantenha 18 equipas World Tour, pois pondera aumentar para 20, dado os 23 pedidos de licença para o próximo ano, o que poderia levar ao anulamento desta qualificação via ranking.

Se se mantiver o plano inicial da UCI, nesta fase da época, nenhuma das três espanholas está sequer perto dos dois primeiros lugares. As organizações das grandes voltas ficarão com dois convites para atribuir, o que significará que uma equipa de Espanha ficará irremediavelmente de fora. Não é difícil imaginar como a formação que for excluída terá mais dificuldades em segurar ou encontrar patrocinadores novos que estejam dispostos a pagar, sem terem garantido a exposição mediática de uma Vuelta.

E há que não esquecer que Alberto Contador quer ver a sua Kometa também como Profissional Continental já na próxima temporada, o que poderá significar quatro equipas espanholas para apenas dois convites. E o nome Contador pode ter muito peso no momento de decidir...

A quarta equipa a receber convite para 2019 foi a Cofidis. Não sendo espanhola tem lugar mais do que garantido como as que são, não fosse um nome com fortes ligações ao ciclismo no país, sendo um dos patrocinadores da federação, por exemplo. É a única equipa do segundo escalão que consegue participar em duas grandes voltas e assim tem sido há algum tempo, pois como francesa, recebe o wildcard para o Tour.

Ao contrário das formações de Espanha, a Cofidis não está muito preocupada com a questão do ranking, pois até o lidera entre as equipas Profissionais Continentais e tem sido habitual terminar num dos dois primeiros postos. E também poderá garantir um lugar sendo World Tour, já que pediu licença para subir de escalão em 2020.

As dúvidas das equipas espanholas são partilhadas pelas italianas, com a agravante de Itália não ter qualquer formação no World Tour. Para já, há que concentrar no presente, mas o futuro não será fácil para quem precisar de estar em grandes voltas para assegurar sobrevivência de projectos, pelo menos, ao nível Profissional Continental.

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10 de janeiro de 2019

Entregues os dois primeiros convites para a Volta a França

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
A organização da Volta a França entregou os dois primeiros convites para a 106ª edição. Não houve surpresas. A Cofidis e a Wanty-Groupe Gobert vão repetir a presença dos últimos anos. Quanto aos restantes dois wildcards, o nervosismo entre as equipas francesas vai crescer, pois há mais quatro Profissionais Continentais e alguém vai ter de ficar de fora.

A Cofidis é uma das principais formações gaulesas. Já pertenceu ao principal escalão, mas como Profissional Continental tem sempre tido um plantel forte e que lhe vai garantindo a presença no Tour, ainda que desde 2008 não vença uma etapa no Tour. Será a 23ª vez que a Cofidis estará na Volta a França. A grande questão é desde já se Nacer Bouhanni se vai comportar de acordo com as exigências do seu director desportivo Cédric Vasseur? Em 2018 o sprinter ficou de fora das escolhas depois de muitas polémicas e para esta temporada a equipa reforçou-se ainda mais para a montanha, juntando John Darwin Atapuma, Natnael Berhane e Jesper Hansen aos irmãos Herrada, Nicolas Edet e Luis Ángel Maté.

Quanto à Wanty-Groupe Gobert recebeu pela terceira vez consecutiva o convite para o Tour. Tem sido a mais forte do ranking europeu e a sua presença na Volta a França tem sido muito importante para a consolidação financeira da estrutura. Apesar de ainda não ter conseguido uma vitória, as exibições dos seus ciclistas são sempre das que animam etapas. É das equipas convidadas que mais se tem mostrado, a par da Direct Energie.

"A Grand Départ [grande partida] da Volta a França em Bruxelas será um ponto alto da nossa época e da história da nossa equipa. A partida da terceira etapa em Binche, casa do nosso principal patrocinador, Wanty, promete ser uma enorme festa para o mundo do ciclismo", salientou o director geral da equipa, Jean-François Bourlart.

Com o início precisamente na Bélgica, a 6 de Julho, para a Wanty-Groupe Gobert era ainda mais importante receber este convite. Porém, haverá três equipas francesas desesperadas por garantir os dois restantes. A Israel Cycling Academy também gostaria de estar entre as eleitas, assim como a espanhola Euskadi-Murias, mas qualquer uma delas seria uma surpresa total receberem um wildcard.

A Direct Energie tem sido uma presença crónica, mas tanto a Arkéa Samsic, como a Vital Concept-B&B Hotels reforçaram-se a pensar em garantir o muito desejado convite. Há ainda outra equipa francesa do segundo escalão, a Delko Marseille Provence, mas tem sido uma carta fora do baralho para o Tour.

Vital Concept-B&B Hotels foi a excluída em 2018, na luta directa com a Arkéa Samsic. A contratação de Bryan Coquard esteve longe de ser uma garantia, ao contrário de Warren Barguil, que se mudou para a Arkéa Samsic (ex-Fortuneo-Samsic). Vencedor de duas etapas e da camisola da montanha no Tour em 2017, ao serviço da Sunweb, era impossível ficar de fora. Contudo, Barguil foi uma desilusão em 2018. Não só no Tour, mas durante toda a temporada. A equipa foi então buscar André Greipel, ciclista com 11 triunfos de etapa só na corrida francesa para ter assim dois nomes com algum peso.

Vital Concept-B&B Hotels garantiu Pierre Rolland e Arthur Vichot, dois dos corredores mais bem cotados entre os franceses. Já a Direct Energie, continua a ter Lilian Calmejane como o principal destaque para as três semanas, mas contratou Niki Terpstra, um homem de clássicas, é certo, com dois monumentos - Paris-Roubaix e Volta a Flandres -, contudo, é sempre um ciclista que se poderá destacar em fugas.

Os dois convites deverão ser anunciados na próxima semana, assim como os para o Giro. Um também já está atribuído, pois quem ganha a Taça de Itália garante automaticamente o wildcard para a edição da corrida no ano seguinte. Pelo segunda temporada consecutiva, a vencedora foi a Androni Giocattoli-Sidermec.

De salientar que este será o último ano em que as organizações podem atribuir os quatro convites para as grandes voltas. A partir de 2020, duas das presenças serão definidas através do ranking mundial por equipas. As duas melhores Profissionais Continentais (passarão a ser chamadas de ProTeams) terão direito a participar nas três grandes voltas. As organizações ficarão com dois convites por entregar em cada uma das competições.


15 de dezembro de 2018

Primeiras equipas confirmadas na Volta ao Algarve

Amaro Antunes com equipamento para 2019
da CCC. Algarvio vai regressar à "sua" corrida
(Fotografia: Chris Auld Photography/CCC Team)
Prenda de Natal adiantada com o anúncio das primeiras equipas confirmadas para a Volta ao Algarve. Das cinco conhecidas, quatro são do World Tour e uma Profissional Continental, com destaque para o regresso de Amaro Antunes à "sua" corrida, no ano que marcará a sua estreia ao mais alto nível do ciclismo. A CCC tomou conta da estrutura da BMC e o algarvio vai assim estar novamente na disputa, depois de ter vencido no Malhão em 2017, então ao serviço da W52-FC Porto.

Na última edição, Amaro ficou de fora depois da CCC não ter recebido um convite. A equipa polaca pertenceu ao segundo escalão em 2018, pelo que com a forte presença de equipas do primeiro, com as nove portuguesas e com o ranking europeu a influenciar a escolha das Profissionais Continentais, um ano depois de um triunfo marcante, Amaro teve de ficar de fora. Até esteve na "concorrente" Ruta del Sol, mas uma queda grave na terceira etapa, obrigou-o a abandonar.

Há outros dois portugueses do World Tour poderão estar em destaque, pois a Katusha-Alpecin também estará presente, com José Gonçalves a ter no seu calendário a prova portuguesa e Ruben Guerreiro não esquecerá a excelente exibição também no Malhão esta época, tendo ficado a quatro segundos de apanhar Michal Kwiaktkowski.

Ainda não se sabe se a Sky virá tentar mais uma vitória no Algarve, depois de nas últimas sete edições ter vencido quatro: Richie Porte em 2012, Geraint Thomas em 2015 e 2016 e Kwiatkkowski em 2018 (ganhou também em 2014, mas pela Omega Pharma-Quick-Step). Já a Sunweb estará novamente nas estradas algarvias e ficaremos a desejar que Tom Dumoulin se junte ao pelotão!

A Bora-Hansgrohe também já é presença habitual, ainda que, salvo alguma mudança de calendário, não será desta que Peter Sagan viajará até ao sul do país. Rafal Majka tem a Volta ao Algarve no seu programa e quem sabe se possa juntar um Sam Bennett para discutir os sprints de Lagos e Tavira, um Jay McCarthy ou um Emanuel Buchmann.

Além das quatro equipas do World Tour estará a Cofidis, do segundo escalão, mais uma equipa que tem escolhido o Algarve como preparação para a temporada, com o sprinter Nacer Bouhanni a ser uma possibilidade, ou então o companheiro (e rival) Christophe Laporte. Com a formação francesa a querer apostar mais na conquista de corridas e não só de etapas, tem dois reforços importantes, casos de John Darwin Atapuma (UAE Team Emirates) e Natnael Berhani (Dimension Data), que vão tentar dar um novo empurrão nas carreiras, agora ao lado dos irmãos Herrada. A ver vamos quem serão os eleitos para a Algarvia.

A estas primeiras confirmações juntam-se as nove equipas portuguesas, com a W52-FC Porto a ter desta feita estatuto de Profissional Continental. O pelotão da 45ª Volta ao Algarve vai assim ganhando forma. Há que não esquecer que este ano houve um recorde de 13 equipas do principal escalão, numa corrida de categoria 2.HC, só atrás das provas World Tour.

Apesar de não ter aparecido entre confirmações deste sábado da organização, a Quick-Step Floors também não deverá falhar nova presença, com o director Patrick Lefevere a já ter falado da possibilidade de convocar o jovem belga de quem muito se fala destes os últimos Mundiais: Remco Evenepoel. Campeão do Mundo e da Europa de juniores em contra-relógio e na prova de fundo, aos 18 anos (fará 19 a 25 de Janeiro) este ciclista ganhou quase todas as corridas em que participou em 2018. A Quick-Step Floors, ou melhor, a Deceuninck-Quick Step como se passará a chamar, não quis esperar e contratou Evenepoel, mas vai colocá-lo aos poucos nas competições, para que se possa adaptar a uma realidade bem diferente.

Mesmo sendo tão jovem e no seu primeiro ano como profissional e como sub-23, se vier à Algarvia, Evenepoel será desde logo uma das estrelas do pelotão. A corrida realiza-se entre 20 e 24 de Fevereiro, com partida marcada para Portimão (pode ver o perfil das cinco etapas no link em baixo), ficando-se agora à espera de conhecer as restantes equipas e perceber se haverá novo recorde quanto a presenças do World Tour.


7 de setembro de 2018

Nem Majka sabia quem era. Chama-se Óscar Rodríguez e é mais um espanhol em destaque na Vuelta

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Se em França se tem tido várias razões para falar dos seus ciclistas e equipas na Vuelta, ainda assim, há sempre aquele sentimento de alguma frustração por no Tour não se ter visto tanto dos "homens da casa". Já em Espanha, o sentimento é oposto. Os espanhóis tem conseguido estar em destaque, muito por culpa de Alejandro Valverde, é certo, e também devido Luis Ángel Maté (líder da montanha). Jesús Herrada também já é uma razão e agora - saltando da enorme experiência de Valverde, para um jovem que pode muito bem estar a dar o salto na carreira - Óscar Rodríguez. Tem apenas 23 anos, pertence à Euskadi-Murias e foi ganhar a etapa que terminava numa das subidas mais difíceis do ciclismo. La Camperona chega a ter quase 20% de pendente nos seus últimos dois quilómetros.

Mas Rodríguez não se deixou intimidar. Nem pela dificuldade, nem pela concorrência, deixando Rafal Majka - que até já fez pódio na Vuelta e venceu uma etapa no ano passado - e Dylan Teuns (BMC), ciclista sem vitórias em grandes voltas, mas já com alguns triunfos bem interessantes. O espanhol passou pelos dois que pensavam que discutiriam entre eles a etapa. No final, Majka limitou-se a dizer que nem sabia quem era o vencedor, sendo quase impossível esconder a frustração do que provavelmente sente ter sido uma oportunidade perdida para ganhar na Vuelta.

Mas chama-se Rodríguez, Óscar Rodríguez, um ciclista que marcará esta edição porque não só venceu na sua estreia numa grande volta, como deu uma vitória a uma equipa que também está na sua primeira corrida do género e que quer recuperar a tradição basca que se perdeu quando a Euskaltel-Euskadi fechou portas. Plantel modesto, mas lutador, o orçamento pode não ser dos maiores, mas o investimento de elevar a equipa ao estatuto de Profissional Continental ficou desde já compensado. Era isto que a Euskadi-Murias mais sonhava. Ganhar uma etapa foi como vencer a Volta a Espanha para esta equipa, pois é uma conquista que se consideraria improvável, mas aqui está ela. E com estrondo.

Foi uma exibição tremenda de um ciclista que chegou a vestir a camisola branca da juventude na última Volta a Portugal. Perdeu-a para Xuban Errazkin (Vito-Feirense-BlackJack), mas vencer em Camperona deixará a mais profunda das marcas numa carreira que poderá começar agora de rumo. Nas últimas duas temporadas tem alcançado um conjunto interessante de resultados e ganhar na Vuelta é uma montra que não passa despercebida.

Este navarro contribuiu para a dose de surpresas que esta corrida lá vai proporcionando. Pode não estar a ser o mais emotivo dos espectáculos até ao momento (o melhor ainda está a ser guardado pelos principais candidatos, ou assim se espera), mas são momentos como o de Herrada vestir a camisola vermelha, quando nem no top dez se pensaria que poderia entrar e agora ver um jovem de uma equipa com um plantel sem comparação possível às do World Tour, ou mesmo à Cofidis - pode ser do segundo escalão, mas é por escolha própria, pois tem potencial e orçamento para estar no primeiro - vencer uma etapa que se esperaria ser controlada pelos principais nomes. Rodríguez pode até nem conseguir acreditar no que fez, mas deixou a sua assinatura e até Majka já deverá ter aprendido o seu nome.

Herrada está vivo e de vermelho

Completamente exausto. Jesús Herrada precisou de algum tempo para recuperar o fôlego depois de uma subida que tem capacidade para deixar o melhor dos trepadores quase a pé. O espanhol da Cofidis sabia que tinha de ultrapassar a Camperona ao seu ritmo, mas claro, tinha de ser elevado. Perdeu cedo o contacto quando a subida ficou mais difícil, mas não quebrou. 3:22 minutos davam-lhe a margem suficiente para garantir mais um dia na liderança. Perdeu uma boa parte da diferença, mas 1:42 minutos ainda é de respeito para tentar aguentar, nem que seja mais uma etapa. É viver dia-a-dia para este ciclista.

A crença pode ser pouca que esta surpreendente liderança do mais novo dos Herrada possa significar uma vitória em Madrid. Porém, precisamente porque a maior responsabilidade de assumir a corrida não lhe pertence, Herrada nada tem a perder e nesta 13ª etapa entre Candás e Camperona (174,8 quilómetros) pedalou assim mesmo, como alguém que só tem tudo a ganhar.

Entre os principais candidatos, foi Nairo Quintana (Movistar) quem deu uma melhor resposta. Recuperou seis segundos para Simon Yates (Mitchelton-Scott), estando agora a oito, desalojando o companheiro Alejandro Valverde do terceiro lugar. O espanhol passou de um para 12 segundos para Yates. As diferenças entre o top dez podem ter aumentado um pouco, mas a distância entre Yates e Emanuel Buchmann - o ciclista da Bora-Hansgrohe foi dos que mais quebrou na Camperona - é de 1:05. Claro que a diferença tem de ser feita para Herrada, pois acredite-se ou não que possa ganhar, é o espanhol quem continua a liderar e são 2:47 de diferença para Buchmann.

José Gonçalves abandonou

Longe da forma apresentada no Giro, corrida na qual terminou na 14ª posição, José Gonçalves perdeu tempo na maioria dos dias na Vuelta, não integrando sequer fugas e estando nos últimos lugares da geral. O gémeo de Barcelos não escondeu que o calor estava a ser um problema, mas foi mantendo-se na corrida. Porém, a 13ª etapa foi madrasta para o português que não terminou, abandonando assim pela terceira vez consecutiva a Volta a Espanha. A Katusha-Alpecin fica reduzida a seis ciclistas, depois de Maurits Lammertink não ter partido para a oitava etapa, naquela que foi na altura a primeira desistência na corrida espanhola.

Outro português que não teve um dia nada fácil foi José Mendes. O ciclista da Burgos-BH - a outra equipa espanhola que tal como a Euskadi-Murias subiu de escalão e faz a sua estreia na Vuelta - foi o último a cortar a meta, a 36:07 minutos de Rodríguez. Tiago Machado, companheiro de Gonçalves, fechou a 26:37, com Nelson Oliveira (Movistar) a ser o melhor entre os portugueses, a 12:05 do vencedor.

Pode ver aqui as classificações completas. Luis Ángel Maté (Cofidis) mantém liderança da montanha, Valverde dos pontos e do prémio combinado e a Bahrain-Merida na tabela colectiva.

14ª etapa: Cistierna - Les Praeres. Nava, 171 quilómetros

Mais uma etapa muito complicada e que vai anteceder uma das mais importantes na Vuelta, a dos Lagos de Covadonga. Será um dia de muito desgaste, com uma segunda categoria, duas primeiras e uma terceira antes de mais um final exigente. O Alto les Praeres oferece aos ciclistas uma subida curta, quatro quilómetros, mas com uma pendente média 12,5%, máxima de 17%. Só no final irá aligeirar um pouco, para 7,2%.



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