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4 de janeiro de 2020

O destino dos ciclistas da Katusha-Alpecin

(Fotografia: Facebook Katusha Cycling)
O final da Katusha-Alpecin obrigou muitos ciclistas a terem de procurar alternativas. Doze estavam em final de contrato, pelo que, quando durante a Volta a França começou a ganhar força a possibilidade de a equipa acabar, tiveram mais tempo para encontrar um novo rumo para a carreira. Porém, havia 11 com contrato para 2020 e mesmo a compra da licença por parte da agora chamada Israel Start-Up Nation (ex-Israel Cycling Academy), não houve desde logo certeza sobre o futuro destes ciclistas. E quatro foram mesmo obrigados a procurar novos destinos.

O último destes corredores a conseguir um contrato foi Enrico Battaglin. O italiano - um "todo-o-terreno" de 30 anos, que conta com três vitórias de etapas na Volta a Itália - foi este sábado anunciado como reforço da Bahrain-Merida, procurando assim relançar a sua carreira, depois de ter tido uma temporada à imagem da Katusha-Alpecin: muito abaixo do esperado.

O belga Jens Debusschere foi outro ciclista a chegar à Katusha-Alpecin em 2019 e seguirá agora para a equipa francesa do segundo escalão, B&B Hotels - Vital Concept p/b KTM. O jovem britânico (25 anos), Harry Tanfield encontrou na AG2R um espaço para continuar no World Tour, enquanto o russo Dmitry Strakhov regressa ao seu país para representar a Gazprom-RusVelo, uma formação Profissional Continental (categoria agora denominada como ProTeams).

Nils Politt, Jenthe Biermans, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel assinaram pela Israel Start-Up Nation, com Politt a preparar-se para ser um dos líderes na estreia da equipa na categoria mais elevada do ciclismo mundial.

Dos 12 em final de contrato - eram 13, mas Marcel Kittel colocou um ponto final na carreira, nem terminando a temporada -, só um continua por definir o seu futuro. Ian Boswell teve uma queda grave no Tirreno-Adriatico, a 16 de Março, sofreu uma concussão cerebral e não competiu mais em 2019. Chegou a estar dois meses sem andar de bicicleta. Agora já pedala e não estará afastada a possibilidade de trocar a estrada pela terra batida. O britânico de 28 anos, que esteve cinco temporadas na Sky antes de se mudar para a Katusha-Alpecin em 2018, promete novidades para breve.

Entre os que já estão a vestir os novos equipamentos, o destaque vai inevitavelmente para Ilnur Zakarin, que na CCC procura revitalizar a esperança de poder discutir a vitória numa grande volta. Os dois portugueses, Ruben Guerreiro e José Gonçalves, escolheram caminhos bem diferentes. O primeiro assinou novamente por uma equipa americana. Depois da Hagens Berman Axeon (Continental) e Trek-Segafredo (World Tour), o campeão nacional de 2017 muda-se para a EF Education First e continua assim ao mais alto nível. Já José Gonçalves, o campeão nacional em título de contra-relógio, desce de escalão, para competir pela Nippo Delko One Provence, estrutura que conhece bem, pois por lá passou em 2013 e 2014.

Quanto aos restantes, aqui ficam os seus destinos, com Simon Spilak a seguir o exemplo de Kittel, tendo terminado a carreira aos 33 anos: Marco Haller (Bahrain-Merida), Pavel Kochetkov (CCC), Steff Cras (Lotto Soudal), Matteo Fabro (Bora-Hansgrohe), Willie Smit (Burgos-BH), Nathan Haas (Cofidis), Viacheslav Kuznetsov (Gazprom-RusVelo).

De referir que a partir de Agosto a Katusha-Alpecin contou dois estagiários. O alemão de 20 anos, Juri Hollmann, é um dos reforços da Movistar, enquanto o sprinter holandês de 22 anos, Dylan Bouwmans, regressou à sua anterior equipa, a Metec-TKH Continental Cyclingteam p/b Mantel (Continental).

Como nota final, a Katusha ficou como fornecedora de equipamentos da Israel Start-Up Nation, enquanto a Alpecin dá agora nome à equipa de Mathieu van der Poel: a Alpecin-Fenix (ex-Corendon-Circus).


10 de dezembro de 2019

"Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade"

(Fotografia: © Team Katusha-Alpecin)
Foi apenas um ano na Katusha-Alpecin, mas Ruben Guerreiro considera que a experiência foi muito importante para a sua carreira e até o ajudou a redescobrir o potencial para ser um ciclista de topo nas provas por etapas, a pensar nas grandes voltas. A Vuelta marcou-o de tal forma que só pensa em regressar a uma corrida de três semanas. Prepara-se para mudar novamente para uma equipa americana. Na EF Education First não tem dúvidas que terá as suas oportunidades e é o próprio a dizer: "Porque não afirmar-me como corredor por etapas?"

Aos 25 anos (faz 26 em 2020) sorri ao recordar que já não vai contar mais para as classificações da juventude, mas rapidamente acrescenta que ainda é um jovem com muito para evoluir. Não esconde como as boas prestações na Volta a Espanha o motivaram ainda mais para trabalhar e alcançar os objectivos que tem na carreira. Um deles é ganhar uma etapa numa grande volta e olha também para a classificação geral: "Espero todos os anos fazer uma grande volta e porque não um dia fazer um top dez? Ficaria um palmarés bonito. Vou lutar por esse objectivo."

As fugas que integrou, estar por duas vezes perto de conquistar uma etapa na Vuelta (foi segundo na 15ª), mas principalmente a forma como o seu corpo reagiu à alta montanha e teve a recuperação necessária para estar ao mais alto nível durante três semanas, foram momentos decisivos para Ruben Guerreiro perceber que pode mesmo ambicionar a este tipo de corridas. "A certa altura da carreira não pensava que fosse possível, mas acho que depois da Volta a Espanha posso acreditar outra vez", admitiu ao Volta ao Ciclismo. O Tour recolhe a sua preferência, até porque realiza-se no mês em que faz anos, como realçou. Contudo, não se importa rigorosamente nada em ir ao Giro e/ou Vuelta, agora que inicia nova etapa na sua vida.


"Gostam da minha maneira de correr [na EF Education First]. Vou trabalhar imenso para os ajudar e espero que me ajudem também"

Com o final da Katusha-Alpecin - a licença World Tour foi comprada pela Israel Cycling Academy - e com vínculo apenas até ao final de 2019, a prestação na Vuelta tornou Ruben Guerreiro num ciclista mais pretendido, com a EF Education First a contratá-lo. Depois da então Axeon Hagens Berman e a Trek-Segafredo (equipa com que se estreou no escalão principal) é o regresso aos Estados Unidos. "Acho que me dou bem com a cultura e com o ciclismo americano", disse, acrescentando que os dois anos de contrato dão-lhe alguma tranquilidade para trabalhar, ainda que não tenha problema em competir sob pressão. "Acho que vou ter as minhas oportunidades e que foi a melhor opção."

Quando foi apresentado como reforço da equipa, o director Jonathan Vaughters descreveu o português como "ousado", mas com o talento para justificar essa forma de ser. Ruben Guerreiro espera precisamente poder manter a sua forma de ser e a sua forma de enfrentar as corridas. "Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade", salientou. E acrescentou: "Gostam da minha maneira de correr [na EF Education First]. Também não posso consigo mudar muito. Vou trabalhar imenso para os ajudar e espero que me ajudem também."

Apesar de desejar estar em pelo menos uma das grandes voltas na próxima temporada, o campeão nacional de 2017 não quer afastar-se das clássicas, pois referiu como uma Strade Bianche e as Ardenas lhe assentam bem.

Depois de duas temporadas na Trek-Segafredo com aspectos muito positivos, mas também com quedas ou problemas de saúde a impedirem Ruben Guerreiro de ser mais regular, o português escolheu mudar-se para a Katusha-Alpecin e não hesita em afirmar: "Acho que foi importante para perceber como estava como corredor. Na Trek-Segafredo acho que poderia ter o mesmo espaço, mas o apoio de José Azevedo foi fundamental. Podemos perceber inglês, mas ouvir português conta muito. Foi um ano para analisar, para tentar evoluir e reencaminhar a minha carreira outra vez."


"Foi uma pena que as coisas tivessem terminado assim, mas cresci mais um pouco como ciclista"

Havia mais um compatriota na equipa, o ciclista José Gonçalves, mas o director José Azevedo acabou por ser um apoio essencial para que Ruben Guerreiro chegasse à Vuelta a acreditar que poderia mostrar-se, depois da desilusão de ter ficado fora do Tour. Apesar de ter sido a época mais regular desde que chegou ao World Tour, ainda assim houve uma clavícula partida que contribuiu para adiar o sonho da Volta a França.

Azevedo também teve influência quando o futuro da Katusha-Alpecin começou a ficar muito incerto. A situação não foi fácil de lidar. "Notava-se muito com desenrolar do ano e muitos corredores foram afectados por isso. Eu fui fazendo o meu trabalho e os directores incentivaram-me bastante, tal como o fez José Azevedo. Tentei sempre fazer o meu caminho. Foi uma pena que as coisas tivessem terminado assim, mas cresci mais um pouco como ciclista e tenho de lhes agradecer por este ano na equipa", frisou.

Quando chegou ao World Tour foi considerado por muitos um dos jovens a seguir com atenção. Depois de prestações muito animadoras - dá-se muito bem com os ares da Austrália - a definitiva afirmação poderá ter começado com a estreia numa grande volta, que finalmente aconteceu este ano. Vai para uma equipa que está a apostar em vários ciclistas jovens, como são os casos dos colombianos Daniel Martínez e Sergio Higuita, Hugh Carthy, Sean Bennett e vai chegar Neilson Powless da Jumbo-Visma, assim como o sprinter da Ineos, Kristoffer Halvorsen. Rigoberto Uran, Michael Woods e Sep Vanmarcke, continuam a ser a voz da experiência de uma estrutura que encontrou estabilidade financeira desde que o actual patrocinador investiu no ciclismo e que em 2019 teve como um ponto alto a conquista de um monumento: a Volta a Flandres, por intermédio de Alberto Bettiol.

Ruben Guerreiro reforçará essa aposta nos mais jovens da EF Education First e depois do estágio de Dezembro, o ciclista português ficará a conhecer melhor o seu possível calendário que não passará pela Volta ao Algarve, já que a equipa não elegeu a corrida do sul do país para competir no arranque da temporada.

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2 de novembro de 2019

Katusha-Alpecin despede-se com mais uma época para esquecer

(Fotografia: © Facebook Team Katusha-Alpecin)
A Katusha-Alpecin foi de mal a pior. Se 2018 já tinha sido fraco, 2019 foi simplesmente mau de mais. Todo o projecto de cortar com as raízes russas, transformar a equipa numa potência mundial ao contratar alguns ciclistas de renome e tentando afirmar nomes como Ilnur Zakarin, tudo falhou. Não houve dinheiro que conseguisse prever que Marcel Kittel se tornaria numa das piores contratações, é certo, e que aos 31 anos iria terminar a carreira, em Maio. Erik Zabel entrou para a equipa técnica para tentar ajudar na recuperação do sprinter, mas o "afundar" de Kittel acompanhou o "afundar" de uma Katusha-Alpecin, que teve Nils Politt a salvar um pouco a honra nas clássicas, mas sem vitórias, valendo aqui um Zakarin que continuou a desiludir a nível de geral, mas venceu uma etapa no Giro. Foi uma garantia que a estrutura de José Azevedo não terminasse 2019 sem triunfos World Tour. Mas não chega para apagar a má temporada.

Foram cinco vitórias. Além da 13ª etapa na Volta a Itália, antes Rick Zabel conquistou a segunda no Tour de Yorkshire e Kittel tinha começado o ano a ganhar no Troféu Palma, em Espanha, numa altura em que se pensou que talvez o sprinter pudesse recuperar o ritmo de vitórias de outros tempos e assim compensasse o grande investimento feito nele. Para mal da Katusha-Alpecin a história foi bem diferente. Kittel terminou a carreira. Depois de Zakarin vencer no Giro, Alex Dowsett e José Gonçalves sagraram-se campeões nacionais de contra-relógio. Nem mais uma vitória depois disso. Para agravar, as boas exibições também escassearam.

A Katusha-Alpecin foi uma equipa sem identidade, sem garra, sem líderes fortes. A certa altura mais parecia que estava cada um por si, situação que se tornou clara quando durante a Vuelta foi confirmado que não havia garantia de continuidade da equipa, conhecida que já era da saída de patrocinadores como a Alpecin e da marca de bicicletas Canyon. Ambas estarão mais interessadas em colocar o seu dinheiro onde está Mathieu van der Poel (Corendon-Circus). Entretanto foram surgindo notícias que a Israel Cycling Academy poderia comprar a licença World Tour, mas no meio de tanta incerteza, a Katusha-Alpecin conseguiu algum destaque na Vuelta graças a um português.
Ranking: 23º (3985,43 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo uma etapa na Volta a Itália)
Ruben Guerreiro aproveitou a liberdade que os ciclistas da equipa tinham na Vuelta e estreou-se numa grande volta com excelentes performances. Foi dos mais combativos da corrida, ficou perto de ganhar etapas e foi 17º na geral. Em 2018 havia José Gonçalves quem tinha ajudado a tornar a época menos má para a equipa com um 14º lugar no Giro. Já de 2019 esteve longe do esperado para o ciclista de Barcelos. Alguns problemas físicos limitaram Gonçalves, que concretizou o sonho de estar no Tour, mas foi uma prestação muito discreta para a qualidade que tem.

Mas Zakarin não esteve melhor em França e apesar de poder dizer que pagou o esforço do Giro, a verdade é que o russo vê os anos passarem sem afirmar-se como um voltista que possa estar novamente a discutir uma prova de três semanas. Foi terceiro na Vuelta em 2017, já fez outros top dez, incluindo este ano em Itália. Porém, não fez esquecer Joaquim Rodríguez.

Quem acabou por marcar muito a temporada da Katusha-Alpecin foi um ciclista que nem ganhou, mas aos 25 anos confirmou a aptidão para as clássicas do pavé. E não fosse um senhor chamado Philippe Gilbert, talvez tivesse conquistado o seu primeiro monumento. O Paris-Roubaix foi preencher um currículo invejável, como é o do belga, mas Politt deixou bem claro que tem capacidade para também ele conquistar grandes vitórias. Foi quinto na Volta a Flandres, sexto na E3 BinckBank Classic e o alemão foi o autor de algumas das raras boas exibições que se viu em 2019 de ciclistas da Katusha-Alpecin.

Não surpreende por isso que, dos 11 corredores que tinham contrato com a equipa para 2020, Politt seja aquele que a Israel Cycling Academy tenha admitido rapidamente que queria manter, depois de anunciar a compra da licença da equipa suíça (a Katusha deverá manter-se como patrocinador). Enrico Battaglin, Jenthe Biermans, Jens Debusschere, Alex Dowsett, Reto Hollenstein, Daniel Navarro, Dmitry Strakhov, Harry Tanfield, Mads Würtz Schmidt e Rick Zabel são os restantes com vínculo para 2020. Ruben Guerreiro vai mudar-se para a EF Education First, Gonçalves para a Delko Marseille Provence e Zakarin também irá mudar de ares, para a CCC.

O desafio de José Azevedo como director geral de uma equipa World Tour não correu como certamente ambicionava e o próprio já admitiu que quer regressar ao cargo que ocupou anteriormente com sucesso. Como director desportivo venceu uma Vuelta com Chris Horner, então na RadioShack-Leopard (2013). A Jumbo-Visma foi dada como interessada em receber o português.

A Katusha-Alpecin terminou 2019, a nível de ranking, como a pior entre as do World Tour e foi ainda batida por formações Profissionais Continentais: Direct Energie, Wanty-Gobert, Corendon-Circus, Israel Cycling Academy e Cofidis.


23 de outubro de 2019

E se a Hagens Berman Axeon ficasse com os ciclistas que forma e fosse do World Tour?

(Fotografia: © Davey Wilson/Hagens Berman Axeon)
Ian Garrison tornou-se no mais recente membro da Hagens Berman Axeon a formar-se com distinção na equipa, que é como a quem diz, vai para o World Tour em 2020. O americano, de 21 anos, acompanhará João Almeida para a Deceuninck-QuickStep, enquanto Mikkel Bjerg assinou pela UAE Team Emirates. A estrutura liderada por Axel Merckx continua a afirmar-se como uma referência na formação de jovens ciclistas e desde 2009 que têm sido muitos os que, após passagem pela equipa dos Estados Unidos, conseguem dar o salto para o mais alto nível do ciclismo. Alguns singraram, outros nem por isso. Mas se Merckx ficasse com os corredores que forma e tivesse uma equipa do World Tour, teria um plantel bem interessante, principalmente para as provas por etapas e para o contra-relógio. Mas também com ciclistas de qualidade para o sprint e clássicas.

Nos três ciclistas que vão sair este ano, a Hagens Berman Axeon teria um dos maiores especialistas do contra-relógio da nova geração: o dinamarquês Bjerg (20 anos) conseguiu o feito inédito de conquistar três títulos mundiais de sub-23 no esforço individual e aponta ser o próximo recordista da hora. Garrison foi segundo em Yorkshire, atrás de Bjerg, depois de ser campeão nacional de elite. O americano tem também características interessantes para o sprint. Quanto a João Almeida, mais um campeão nacional de contra-relógio, mas em sub-23, tendo também o título da prova em linha, está a tornar-se num ciclista interessante nas corridas por etapas de uma semana, além de ter clássicas que lhe assentam tão bem. Venceu a Liège-Bastogne-Liège do seu escalão, na época passada.

Mas recuando a ciclistas que noutras temporadas saíram da Hagens Berman Axeon, que já teve outros nomes como Bontrager ou Trek-Livestrong, por exemplo. Tao Geoghegan Hart é um dos exemplos de maior sucesso. Depois de se adaptar à então Sky, o britânico de 24 anos teve um 2019 de completa afirmação e pode ser um grande vencedor. Conquistou de forma brilhante duas etapas na Volta aos Alpes, perdendo a geral para o companheiro Pavel Sivakov. Foi ao Giro e Vuelta, e em Espanha muito lutou por uma etapa. Por enquanto poderá ficar preso ao papel de gregário dado o plantel de qualidade da agora Ineos, mas Hart mostra potencial para mais.

Neilson Powless (23) foi um dos elementos importantes na vitória de Primoz Roglic na Vuelta. Na Jumbo-Visma mostrou uma boa evolução nas corridas por etapas e em Portugal, fez top dez na Volta ao Algarve. Vai mudar-se para a Education First talvez à procura de um espaço que definitivamente não teria na formação holandesa.

A última Volta a Espanha acabou por ser o palco para alguns dos jovens ex-Hagens Berman Axeon, caso de Ruben Guerreiro (25). Saiu no mesmo ano que Hart, mas para a Trek-Segafredo. Não tem sido fácil a afirmação do português, mas na Vuelta viu-se finalmente um pouco mais do que Guerreiro pode dar no World Tour, o que o fez receber uma proposta de contrato da EF Education First, deixando assim a Katusha-Alpecin. Quer apostar nas grandes voltas.

E falando de portugueses, Ivo e Rui Oliveira (23) fazem parte da "turma de 2018". Fizeram a estreia no World Tour em 2019 com a UAE Team Emirates com sortes diferentes. Ivo esteve vários meses a recuperar de uma grave queda num treino, enquanto Rui esteve a bom nível na ajuda a líderes nas clássicas e na preparação de sprints. Será que André Carvalho conseguirá seguir os passos dos seus compatriotas? Em 2020 cumprirá a sua segunda temporada na Hagens Berman Axeon.

Um dos sprinters de quem Rui Oliveira se poderá tornar num fiel aliado é Jasper Philipsen. O belga de 21 anos já ganhava no World Tour ao quinto dia pela UAE Team Emirates, no Tour Down Under, e fez uma temporada de excelentes resultados. Um sprint e homem de clássicas com um futuro promissor. Sean Bennett (23) foi mais discreto na temporada de estreia, mas ainda assim a EF Education First levou-o ao Giro. É um americano visto com muita capacidade para ser um voltista de respeito. Também Will Barta (23) teve um ano de adaptação na CCC.

Da equipa de Merckx saiu um dos principais especialistas de clássicas da actualidade: Jasper Stuyven. Aos 27 anos talvez se esperasse que o seu currículo tivesse mais corridas de um dia muito importantes além da Kuurne-Bruxelles-Kuurne, mas a concorrência é enorme. Na Trek-Segafredo tornou-se um ciclista essencial e é de uma regularidade incrível, terminando quase sempre entre os melhores nas corridas em que aposta forte. E este ano até ganhou uma corrida por etapas: a Volta a Alemanha.

Joe Dombroski (EF Education First), Ian Boswell (Sky e Katusha-Alpecin) e Ben King (RadioShack Garmin/Cannondale e Dimension Data) foram ciclistas que afirmaram-se no World Tour. Somam bons resultados, mesmo que não sejam figuras de primeira linha e são bons gregários sempre que necessário, caso principalmente de Boswell. King conseguiu ser uma grande figura em 2018 quando venceu duas etapas na Vuelta. Dombrowski foi talvez a maior desilusão deste trio. Entre quedas e problemas de saúde vai adiando a confirmação de um ciclista de nível para as provas por etapas. Aos 28 anos está de malas feitas para a UAE Team Emirates.

E como o contra-relógio é muito bem trabalhado na Hagens Berman Axeon, um dos primeiros nomes a sair para o World Tour foi Alex Dowsett (31). Desde que trocou a Movistar pela Katusha-Alpecin que quase que se apagou, mas é um especialista no esforço individual e foi recordista da hora.

Taylor Phinney (29) foi um dos jovens que mais entusiasmou, mas o americano teve uma queda a estragar-lhe a carreira e anunciou o adeus ao ciclismo no final desta temporada. Outro especialista no contra-relógio.

Já George Bennett (29) não se dá muito bem com o contra-relógio, mas o neozelandês poderia formar um bloco interessante em grandes voltas com Tao Geoghegan Hart, Neilson Powless, Dombrowski, Boswell, King e Guerreiro, com jovens como Barta, Sean Bennett, Jhonatan Narváez (Quick-Step Floors e Ineos) a poderem tornar-se em casos de sucesso em breve. Lawson Craddock, Nathan Brown (ambos na EF Education First) e Sam Bewley (Mitchelton-Scott) são homens de trabalho importantes

Porém, nem todos os que saltaram da Hagens Berman Axeon para o World Tour singraram. Casos de Timothy Roe, Bjorn Selander e Ruben Zepuntke, por exemplo. Este último, abandonou o ciclismo aos 24 anos, dedicando-se agora ao triatlo. Gregory Daniel é o exemplo mais recente e prepara-se para descer ao escalão Continental aos 24 anos, depois de passar pela Trek-Segafredo.

Aqui ficam todos os que se "formaram" na equipa de Axel Merckx e que foram ou vão directamente para o World Tour (há mais ciclistas que ou estão ou passaram por formações do segundo escalão), pois mesmo podendo ter um plantel forte se pertencesse à categoria máxima e ficasse com os melhores ciclistas, a Hagens Berman Axeon - que vai descer novamente ao nível Continental depois de dois anos como Profissional Continental - prefere manter-se fiel ao seu lema: desenvolver a próxima geração do ciclismo.

2019
Ian Garrison (Deceuninck-QuickStep)
Mikkel Bjerg (UAE Team Emirates)
João Almeida (Deceuninck-QuickStep)

2018
Jasper Philipsen (UAE Team Emirates)
Will Barta (CCC) 
Rui Oliveira (UAE Team Emirates)
Ivo Oliveira (UAE Team Emirates)
Sean Bennett (EF Education First)

2017
Chris Lawless (Sky)
Jhonatan Narváez (Quick-Step Floors)
Neilson Powless (Lotto-Jumbo)
Logan Owen (EF Education First-Drapac p/b Cannondale)

2016
Tao Geoghegan Hart (Sky)
Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo)
Gregory Daniel Trek-Segafredo

2014
Ruben Zepuntke (Cannondale-Garmin)

2013
Jasper Stuyven (Trek Factory Racing)
Lawson Craddock (Giant-Shimano)
Nathan Brown (Garmin-Sharp)

2012
Joe Dombrowski (Sky)
Ian Boswell (Sky)

2011
George Bennett (RadioShack-Nissan)

2010
Taylor Phinney (BMC)
Alex Dowsett (Sky)
Jesse Sergent (RadioShack)
Ben King (RadioShack)
Timothy Roe (BMC)

2009
Sam Bewley (RadioShack)

17 de outubro de 2019

Como Ruben Guerreiro convenceu a EF Education First a melhorar a proposta de contrato

(Fotografia fornecida pela EF Education First)
Depois de uma Volta a Espanha que convenceu todos que era um ciclista para continuar no World Tour, Ruben Guerreiro definiu agora o seu futuro, que passará novamente pelos Estados Unidos. A EF Education First ofereceu dois anos de contrato ao português, que chegou a recusar uma proposta inicial, mas mostrou argumentos que convenceram o director Jonathan Vaughters a melhorá-la.

"O Ruben é ousado, mas dá motivos para o ser. Durante as negociações contratuais, ele disse-me que não aceitaria a minha oferta, que ele valia mais. Ele disse-me para o ver na Vuelta no dia seguinte, que me ia mostrar. Ele não ganhou a etapa, mas foi segundo. Fiquei impressionado", explicou Vaughters. O director refere-se à 15ª tirada, com chegada ao Santuario del Acebo. Foi um dos dias em que Guerreiro andou em fuga, com Sepp Kuss a vencer e com o português e Tao Geoghegan Hart (Ineos) a não conseguirem apanhar o americano da Jumbo-Visma. Mas foi uma grande performance de Guerreiro.

Vaughters não terá sido o único a ficar impressionado com Ruben Guerreiro, pois a Lotto Soudal chegou a ser dada como possível interessada. Guerreiro fez nove top 20 na Vuelta, incluindo um quarto lugar, além do segundo posto. Andou sempre muito activo e conseguiu o 17º lugar na geral, naquela que era uma muito aguardada estreia numa grande volta, na terceira temporada no World Tour.

Com as palavras de Vaughters percebe-se agora que Ruben Guerreiro teve uma motivação extra no dia em que ficou perto de ganhar uma etapa em Espanha, mas todas as exibições - mesmo noutras corridas - comprovaram um potencial reconhecido desde os tempos de sub-23, mas que estava difícil ser exposto ao mais alto nível. Quando foi contratado pela formação americana Trek-Segafredo em 2017, Guerreiro foi considerado uma das principais promessas a chegar ao World Tour, mas quedas, lesões e doenças foram adiando a sua afirmação. Não conseguia ter uma época sem problemas, apesar dos arranques promissores, sendo um ciclista que se dá muito bem com os ares da Austrália nos primeiros dias das temporadas.

Em 2019 mudou-se para a Katusha-Alpecin. Também não foi um ano perfeito, mas Guerreiro conseguiu ser mais regular, com boas classificações em provas por etapas e a chamada para a Volta a Espanha foi um objectivo concretizado. Com a equipa de José Azevedo então em risco de não continuar (foi entretanto comprada pela Israel Cycling Academy), Guerreiro sabia que uma renovação era improvável, mas rapidamente se tornou num dos homens mais falados muito falado na Vuelta. E confirmou ainda que não é só em clássicas ou provas de uma semana que podem contar com ele.

No anúncio da sua contratação, a EF Education First refere precisamente esta característica de Guerreiro. "Estou entusiasmado por poder continuar a crescer como um ciclista de grandes voltas", afirmou o português, que aos 25 anos vai representar a sua terceira equipa dos Estados Unidos.

Antes da Trek-Segafredo, Guerreiro esteve duas épocas na então Axeon Hagens Berman, a estrutura de formação de Axel Merckx que tantos corredores tem colocado no World Tour (João Almeida vai seguir esse caminho, depois dos gémeos Oliveira, no que diz respeito a portugueses). "Aprendi inglês com a equipa. Para mim é um regresso a casa. A América é o meu segundo país e estou muito feliz por regressar a casa para uma equipa americana", afirmou o ciclista, que no seu primeiro ano de elite sagrou-se campeão nacional, em Gondomar (2017).

Ruben Guerreiro é o sétimo reforço para 2020, depois Jens Keukeleire (30 anos, Lotto Soudal), Magnus Cort (26, Astana), Kristoffer Halvorsen (23, Ineos), Neilson Powless (23, Jumbo-Visma), Stefan Bissegger (21, Swiss Racing Academy) e Jonas Rutsch (21, Lotto-Kern Haus). Após ganhar estabilidade financeira com a chegada do patrocinador EF Education-First, a estrutura de Jonathan Vaughters tem valorizado ciclistas mais experientes, mas está cada vez mais a contratar jovens ciclistas, alguns com o plano de ajudar na sua formação e outros, como Guerreiro, que já são uma mais-valia no World Tour.

Rigoberto Uran, Sep Vanmarcke e Michael Woods, por exemplo, vão continuar a ser figuras principais, mas Daniel Martínez, Sergio Higuita e Hugh Carthy estão a ser cada vez mais jovens certezas de um futuro promissor, numa equipa que quer vencer em todas as frentes.

Este ano Alberto Bettiol conquistou um muito celebrado monumento, Carthy venceu uma etapa na Volta à Suíça, Martínez outra no Paris-Nice, Higuita na Vuelta (e que grande vitória foi para quem começou a temporada na Fundação Euskadi para preparar o salto para o World Tour) e Michael Woods ganhou recentemente a Milano-Torino. São 16 vitórias em 2019, a melhor temporada desde 2014 (23).

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30 de setembro de 2019

Portugal cumpre objectivos nuns Mundiais nada fáceis de enfrentar

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Com o final dos Campeonatos Mundiais em Yorkshire é tempo de fazer balanços e não há dúvidas que países como Estados Unidos, Itália e Holanda saíram bastantes felizes, ainda que as últimas duas selecções tenham visto escapar o título na elite masculina. A Dinamarca também não tem razões de queixas com Mikkel Bjerg a fazer história nos sub-23 (terceiro título consecutivo no contra-relógio) e Mads Pedersen a surpreender tudo e todos na elite. A Bélgica é das equipas que sai mais cabisbaixa, enquanto a selecção de Portugal apontava mais com João Almeida, mas as condições eram difíceis para fazer melhor. Já Rui Costa cumpriu, garantindo o seu quarto top dez em Mundiais.

A comitiva nacional variou entre querer dar experiência aos mais novos - como os juniores Daniela Campos, João Carvalho e André Domingues e também a Maria Martins que, sendo sub-23, correu pela primeira vez na elite por não haver este escalão no sector feminino - e apostar no talento de João Almeida e experiência de Rui Costa, sem esquecer Nelson Oliveira.

Os eleitos para os sub-23 tinham potencial para fazer um bom resultado. João Almeida é um dos jovens que se vai estrear no próximo ano no World Tour, na Deceuninck-QuickStep, André Carvalho está numa das melhores equipas de formação, a americana Hagens Berman Axeon, enquanto Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos) é um dos principais talentos a emergir em Portugal. Já Emanuel Duarte venceu a classificação da juventude da Volta a Portugal e a geral da Volta a Portugal do Futuro, numa época marcante na LA Alumínios-LA Sport como Continental sub-25.

O mau tempo dificultou a missão dos dois primeiros no contra-relógio, com João Almeida a inclusivamente cair. Na prova em linha, as dificuldades de um percurso que chegou a ser encurtado para que os ciclistas não terminassem já com pouca luz natural, devido ao mau tempo e ao horário da corrida (foi no mesmo dia das juniores femininas), acabaram por deixar Portugal longe de um bom resultado, com nenhum dos ciclistas a conseguir ficar na frente da prova quando começaram a verificar-se cortes. André Carvalho foi o melhor, na 30ª posição, com Emanuel Duarte a abandonar.

Na elite, Nelson Oliveira ficou a 14 segundos da medalha de bronze no contra-relógio, continuando a ficar constantemente entre os melhores do mundo nesta especialidade. Foi oitavo, mas o terceiro posto ficou ali tão perto! O ciclista da Movistar teve depois a missão de ajudar Rui Costa na prova em linha e fez o seu trabalho, tal como José Gonçalves e Rui Oliveira. Em condições meteorológicas miseráveis, que levaram a UCI a cortar duas subidas na fase inicial da corrida, não foi fácil conseguir depois chegar ao fim.

Os três acabariam por abandonar, com Ruben Guerreiro a resistir um pouco mais, ele que poderia funcionar como joker. Porém, também não terminaria, deixando a corrida já depois de garantir que Rui Costa ficava no grupo certo. A partir daí o campeão do mundo de 2013 ficou sozinho. Não foi com Mathieu van der Poel, na movimentação que levou os últimos ciclistas à frente da corrida, pelo que o português ficou a enfrentar a difícil missão de resistir à chuva e frio, sem que ninguém trabalhasse para fechar a diferença. O 10º lugar foi um objectivo cumprido, com Rui Costa a mostrar como tem tendência a aparecer bem nos Mundiais.

"Foi preciso estar muito forte psicologicamente para encarar um Mundial como este, porque foi um dia de muita chuva e frio. Durante uma prova tão longa como esta [261,8 quilómetros], muitas coisas nos passam pela cabeça. As sensações eram boas no início, mas a meio não estava tão bem. Foi preciso ultrapassar esses momentos difíceis, esse sofrimento, para chegar melhor aos últimos quilómetros. A corrida fez-se muito dura com o frio e com a chuva", explicou Rui Costa, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O ciclista considera que o percurso original teria feito uma maior selecção de ciclistas mais cedo, contudo ficou satisfeito com mais um top dez, terminando a 1:10 minutos de Mads Pedersen.

O seleccionador José Poeira não pôde contar com Domingos Gonçalves, que não viajou para Inglaterra, alegando motivos pessoais. Um ciclista a menos numa corrida tão difícil, é algo a lamentar, mas Rui Costa finalizou da melhor forma. "Apesar dos colegas terem ajudado o Rui Costa em determinada fase da corrida, ele ficou sozinho durante muito tempo. Nessa circunstância, não podia ter feito mais do que fez. Esteve muito bem", salientou José Poeira.

Os Mundiais não serão de grandes recordações não só para algumas equipas, mas também para a própria organização. A intempérie que marcou quase toda a semana de provas, colocou à prova o poder de decisão dos comissários e nem sempre as opções foram consensuais. O contra-relógio de sub-23 ficou marcado por quedas aparatosas devido às condições da estrada, que teve partes que mais pareciam piscinas. No entanto, a prova não foi adiada, como aconteceu depois com a das senhoras. A UCI decidiu encurtar as corridas dos sub-23 e da elite, por diferentes razões. Esta opção agradou a uns e não a outros, dependendo das características dos ciclistas e do que preferiam ver num percurso.

Depois houve a desqualificação de Nils Eekhoff, que numa fase inicial caiu e recuperou posição no pelotão pedalando atrás do carro da equipa. Os comissários só analisaram a situação no final, com recurso ao vídeo-árbitro, depois do holandês ter ganho a corrida de sub-23. Além de se questionar a dualidade de critérios, comparativamente com o que aconteceu na Volta a Espanha com Primoz Roglic e Miguel Ángel López, também se perguntou porque não foi tomada uma decisão mais cedo, evitando a enorme desilusão que o jovem ciclista foi obrigado a enfrentar ao não ser declarado o vencedor.

A nível de público, Yorkshire foi o esperado, mesmo com o mau tempo, principalmente no fim-de-semana. Afinal, é um público mais do que habituado a esta meteorologia. Porém, a chuva, vento e frio, que limitaram as transmissões televisivas e criaram constrangimentos aos ciclistas, acabando por tirar algum brilho aos Mundiais, mas houve espectáculo, surpresas, drama, um filme completo de bom ciclismo, para contrabalançar um pouco do que de mau se viu.

Para o ano, os Mundiais irão disputar-se no Cantão de Vaud e no de Valais, na Suíça.


17 de setembro de 2019

Rui Costa lidera Portugal nos Mundiais mas não será a única aposta

(Fotografia: © PhotoFizza/UAE Team Emirates)
A selecção portuguesa vai contar com seis ciclistas na prova de elite, apostando na experiência, mas também haverá espaço para a juventude. E os jovens que vão completar a comitiva nos restantes escalões vão a Yorkshire apresentar-se com argumentos para tentar alcançar um bom resultado nos Mundiais que arrancam este domingo e terminam a 29 de Setembro.

Rui Costa (UAE Team Emirates) e Nelson Oliveira (Movistar) são dois ciclistas com muita experiência em Mundiais e claro que o primeiro conquistou uma das maiores vitórias do ciclismo nacional, ao sagrar-se campeão em 2013. Ambos demonstraram boa forma recentemente. Rui Costa foi sétimo no Grande Prémio de Montreal e Nelson Oliveira realizou uma Vuelta de grande nível no seu habitual trabalho de gregário.

O especialista no contra-relógio, foi ainda o eleito por José Poeira para essa prova, com o campeão nacional, José Gonçalves (Katusha-Alpecin) a ficar "guardado" para a prova em linha. O seleccionador chamou ainda o irmão gémeo de José, Domingos Gonçalves (Caja Rural). Para fechar, dois dos jovens talentos portugueses: Ruben Guerreiro (25 anos, Katusha-Alpecin) vem de uma Volta a Espanha sensacional, na sua estreia em grandes voltas, enquanto Rui Oliveira (23) tem feito uma primeira epoca no World Tour pela UAE Team Emirates de muita qualidade, estando mais preso ao trabalho de apoio aos líderes.

Este grupo de ciclistas dá a Portugal várias soluções, para um percurso de 285 quilómetros propício a ataques e que será importante ter mais do que um ciclista preparado para tentar estar na frente da corrida nos momentos decisivos. A colocação será chave. "Durante cerca de 100 quilómetros, a partir do quilómetro 60 de prova, os corredores vão andar por estradas muito sinuosas, com subidas íngremes, curvas e viragens muito técnicas. É necessário estar sempre bem colocado, havendo tensão constante, o que vai aumentar o stress competitivo e provocar um desgaste muito grande, antes mesmo do circuito final, essencialmente urbano. Aqui as maiores dificuldades serão técnicas, devido às curvas, viragens e descidas exigentes. Tem também alguns topos. Acabará por ser duro porque os corredores vão ali chegar com quase 200 quilómetros e cada metro que se perca para a roda da frente numa curva ou viragem custa muito a recuperar", afirmou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

O seleccionador nacional aposta num top dez na corrida em linha e na prova de esforço individual (54 quilómetros): "É um contra-relógio que abre mais a possibilidade de bons resultados aos corredores possantes que tiveram a vida mais dificultada nos Mundiais de Bergen e de Innsbruck. No entanto, acredito nas capacidades do Nelson Oliveira para nos dar uma alegria. A prova vai obrigar a uma criteriosa escolha dos andamentos a utilizar, porque exige muitas mudanças de ritmo, devido às subidas, mas também às estradas estreitas e sinuosas. O atravessamento de zonas de ventos cruzados é outro factor relevante."

Quanto aos sub-23, as escolhas foram feitas após os testes feitos durante a semana passada no Centro de Alto Rendimento, em Anadia. Os dois jovens da Hagens Berman Axeon, João Almeida e André Carvalho vão estar no contra-relógio (30,3) e na prova em linha (186,9) e estarão acompanhados nesta última por um Emanual Duarte (LA Alumínios-LA Sport) a viver um momento muito especial da sua ainda curta carreira, tendo ganho a classificação da juventude da Volta a Portugal e pouco depois conquistou a Volta a Portugal do Futuro. A equipa fica completa com Miguel Salgueiro, um dos sub-23 que mais se destacou em 2019 entre as equipas de clube, ao serviço da Sicasal-Constantinos, sendo uma presença regular na selecção.

De recordar que João Almeida é o actual campeão nacional das duas vertentes em sub-23 e está a caminho da Deceuninck-QuickStep, por quem assinou para 2020 e 2021, pelo que será um ciclista que irá receber muita atenção por parte das outras selecções.

Os juniores só farão a prova em linha (148,1): André Domingues (Escola de Ciclismo Bruno Neves) e João Carvalho (Bairrada). No sector feminino, Maria Martins (Sopela Women's Team) foi chamada para a corrida de elite (149,4 quilómetros), pois não há o escalão de sub-23. A ciclista de 20 anos tem feito uma temporada muito positiva, com vitórias e numa das principais corridas do ano, foi sexta classificada na segunda etapa do Madrid Challenge by La Vuelta. O percurso de Yorkshire não é o que melhor encaixa nas suas características, mas Maria Martins faz sempre questão de ser competitiva nas corridas que faz.

Para fechar a comitiva, a júnior Daniela Campos (5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ) irá competir nas duas provas, ou seja, terá pela frente 86 quilómetros na prova em linha e no contra-relógio (13,7) que abrirá a participação portuguesa nos Mundiais.

O calendário de Yorkshire abre no domingo com a estreia do contra-relógio misto e em estilo de estafeta. Ou seja, primeiro partirão os três ciclistas masculinos e depois do segundo cortar a meta, partem as três senhoras. O tempo é tirado quando a segunda passar a meta. Uma novidade que substitui o contra-relógio por equipas.

Aqui ficam os horários das corridas que vão contar com os corredores portugueses, recordando que os Mundiais serão transmitidos pelo Eurosport. O fuso horário é igual ao da Grã-Bretanha.

Dia 23: 10:10 contra-relógio juniores femininas: Harrogate - Harrogate, 13,7 quilómetros

24: 10:10: Contra-relógio sub-23: Ripon - Harrogate, 30,3 quilómetros

25: 13:10 contra-relógio elite masculina: Northallerton - Harrogate, 54 quilómetros

26: 12:10 prova de fundo juniores: Richmond - Harrogate, 148,1 quilómetros

27: 8:40 prova de fundo juniores femininas: Doncaster - Harrogate, 86 quilómetros

14:00 prova de fundo sub-23: Docaster - Harrogate, 186,9 quilómetros

28: 11:40 prova de fundo elite feminina: Bradford - Harrogate, 149,4 quilómetros

29: 8:40 prova de fundo elite masculina: Leeds - Harrogate, 280 quilómetros


8 de setembro de 2019

Kuss e Roglic em dia perfeito para a Jumbo-Visma. Mas Ruben Guerreiro é cada vez mais uma figura da Vuelta

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Primoz Roglic deu um passo talvez não de gigante, mas bastante grande para ganhar a Vuelta. Porém, é impossível não começar por Ruben Guerreiro. Afinal, não é todos os dias que se tem um português estreante em provas de três semanas a ficar no segundo lugar de uma etapa, sendo novamente destaque numa corrida em que os mais novos vão brilhando, enquanto Roglic faz da experiência uma arma para se aproximar de um triunfo que há dois anos ainda se duvidava ser possível.

Se Ruben Guerreiro não tiver um contrato a surgir-lhe em breve (se é que já não apareceu) então será de estranhar. O ciclista português pode ter duas temporadas iniciais de World Tour algo inconstantes, mas é bem conhecido o seu talento e potencial. Na terceira época, eis a estreia fabulosa numa em grandes voltas. Já tinha sido quarto na oitava tirada e foi 11º do difícil subida de Los Machucos, na sexta-feira. As boas exibições estão a ser constantes e reflectem-se também na geral. É 16º, ainda que a mais de 16 minutos de Primoz Roglic. A diferença não perturbará em nada Guerreiro, que assim poderá continuar a ter liberdade para entrar em mais alguma fuga (ou fugas) até ao final da Vuelta.

As performances do corredor da Katusha-Alpecin estão a chamar a atenção de todos, incluindo dos meios de comunicação social (só é pena não aparecerem fotografias do português nas melhores do dia da organização). O desentendimento com Tao Geoghegan Hart no final da etapa ajudou a chamar mais a atenção, mas já antes os jornalistas "perseguiam" o português para o ouvir. Ruben Guerreiro destacou como não é um trepador puro, mas que está em boa forma. E nota-se. O ciclista de 25 anos tem estado em grande nível na maioria das principais subidas da Vuelta.

O contrato com a Katusha-Alpecin está a chegar ao fim e há que não esquecer que a equipa não tem continuidade garantida para 2020. Custou, mas Ruben Guerreiro está a mostrar na Vuelta o potencial que o levou até à Hagens Berman Axeon (nome actual da formação americana), dando depois o salto para o World Tour, então para a Trek-Segafredo. Não foi por acaso que em 2017 foi considerado por muitos um dos jovens a seguir com atenção. Na Vuelta já não há ninguém que não esteja atento.

Valverde atacou e acabou a aliar-se com Roglic


(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Num dia com quatro primeiras categorias em 154,4 quilómetros entre Tineo e Santuario del Acebo, a luta pela geral ficou guardada para a última das subidas. Entretanto, a Movistar e a Astana tinham feito a jogada habitual de colocar homens na fuga para depois ajudarem os líderes, com a Jumbo-Visma a optar por fazer o mesmo, com Sepp Kuss. Contudo, com Roglic tão forte, a equipa holandesa deu-se ao luxo de dar liberdade ao americano, que, aos 24 anos, aproveitou a oportunidade para conquistar a sua primeira vitória no World Tour, numa das etapas mais difíceis da Volta a Espanha.

Kuss deixou a concorrência a 39 segundos, com Guerreiro e Hart a não reagirem de imediato ao ataque do americano e depois tornou-se numa missão impossível apanhá-lo. O ciclista até teve tempo para celebrar a vitória com o público nos últimos metros da subida.

Enquanto na frente da corrida era o espectáculo Kuss, um pouco mais atrás era o espectáculo Roglic. Desta feita aliou-se com Valverde. Ou melhor, o espanhol percebeu que era melhor aliar-se com o esloveno, já que não ia conseguir quebrá-lo. O líder da Movistar atacou e Roglic até fez parecer fácil seguir na roda do campeão do mundo, ao contrário de Nairo Quintana que ficou para trás e nem Tadej Pogacar conseguiu desta vez manter-se ao lado do compatriota, talvez com a queda da véspera a ter influência na sua condição física.


Roglic está simplesmente mais forte do que todos e se Valverde manteve os 2:25 minutos de diferença, Pogacar (UAE Team Emirates) está agora a 3:42, após os 41 segundos perdidos neste domingo. Miguel Ángel López (Astana) não quis aliar-se ao esloveno, o que se percebe já que ambos estão na luta pela juventude. Porém, pagaram um preço caro na luta pela geral. Para Pogacar o terceiro lugar será sempre uma grande vitória, já López vê esta Vuelta começar a tornar-se num pesadelo. 3:59 minutos para recuperar já deverá ser de mais, a não ser que Roglic tenha uma quebra enorme.

Se já não é fácil ver López como candidato à camisola vermelha, Quintana ficou fora da corrida ao perder mais de um minuto. Já são 5:09 para Roglic.

Nesta edição da Vuelta, a folga é só na terça-feira e apesar de ainda haver pela frente mais duas importantes etapas de montanha na última semana, se alguém quiser fazer frente a Roglic tem de cortar tempo na 16ª tirada, ou então ficará muito dependente de algo ter de acontecer ao esloveno. E para já, o Roglic e a Jumbo-Visma têm a Vuelta muito bem controlada.

Para Valverde foi um mal menor ter terminado a etapa com o rival. Pelo menos ganhou tempo a Pogacar e López, estando assim mais perto de um novo pódio numa grande volta e de segurar o segundo lugar. Mas ainda não quer deixar Roglic descansado.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

16ª etapa: Pravia - Alto de la Cubilla (144,4 quilómetros)



A tirada de segunda-feira terá a última categoria especial da Volta a Espanha. Estar de vermelho no Alto de la Cubilla poderá ser um passo de gigante rumo à vitória final. Não é das maiores dificuldades da Vuelta, numa perspectiva de ter pendentes muito complicadas. Não chega aos 10% de máxima, mas depois de tantos quilómetros, tantas montanhas, o desgaste é enorme e pode pesar numa subida tão longa como esta. Depois de uns primeiros quilómetros mais planos, são pouco mais de 100 sempre a subir e descer e qualquer uma das subidas a acabar sempre acima dos mil metros de altitude. Puerto de San Lorenzo: 10 quilómetros com 8,5% de pendente média; Alto de Cobertoria, 8,3 a 8,2%; Alto de la Cubilla, 17,8 a 6,2%.




»»Dois dias em que falhar poderá ser o adeus à luta pela Volta a Espanha««

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31 de agosto de 2019

A hora de Ruben Guerreiro

Ruben Guerreiro foi quarto classificado no sprint, depois de muitos quilómetros em fuga
e de ter tentado afastar-se do grupo (Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Dizer que Ruben Guerreiro está a confirmar o seu potencial na Vuelta, seria minimizar o que este ciclista já alcançou. Aquele corredor que se está a ver é o Ruben que tem adiado a sua afirmação no World Tour, muito por culpa de quedas ou algum problema de saúde. Nem todos os talentos conseguem ter um impacto imediato, o que não significa que não o venham a ter. Em boa hora Ruben Guerreiro está a mostrar-se, não só na etapa deste sábado, mas na maioria dos dias desta primeira semana de Volta a Espanha. E que seja só o início das boas exibições!

O murro no guiador ao cortar a meta no quarto lugar, demonstrou uma natural frustração de quem muito trabalhou, de quem arriscou numa estrada molhada, debaixo de chuva, de quem foi um verdadeiro guerreiro, numa etapa em que a fuga triunfou novamente na Vuelta.

Não foi desta que ganhou, naquela que está a ser a sua estreia numa grande volta. Mas este é o Ruben que em 2017, quando entrou no World Tour pela porta da Trek-Segafredo, foi incluído no grupo dos "rookies" a seguir com muita atenção. Começou bem numa Austrália que nas épocas seguintes sempre foi um bom ponto de partida para o português. Mas também rapidamente começaram os percalços que o afastavam a competição e a afirmação. 

Guerreiro é um dos muitos ciclistas de qualidade que estiveram na Hagens Berman Axeon. Numa entrevista ao Volta ao Ciclismo em 2016, o director da equipa Axel Merckx disse sobre o português: "Ele é um dos maiores talentos que está aí. Ele deu sinais de ser um pouco frágil, mas isso não faz mal. Ele irá aprender a viver como um ciclista profissional e perceber que entrar no World Tour não é suficiente. Ele terá de evoluir e ficar mais forte."

De facto, essa fragilidade tem sido o problema para Ruben Guerreiro. Parece que sempre que começa a aproximar-se de grandes momentos, algo mau acontece. Porém, Merckx também disse que acreditava iria conseguir tornar-se num ciclista mais forte. Além da Austrália, Guerreiro esteve muito bem em provas como Volta à Califórina, Turquia, Algarve, entre outras. E claro, sem esquecer como da primeira vez que participou no Campeonato Nacional de elite, ganhou, num difícil circuito por Gondomar, em 2017. Foi um dos melhores ciclistas daquele escalão a surgir em Portugal nos últimos anos e tinha de o ser para ser chamado por Merckx e dois anos depois dar o salto mais desejado.

Não tem sido fácil para Ruben Guerreiro acompanhar as elevadas expectativas. Após dois anos muito inconstantes na Trek-Segafredo, Ruben optou por uma mudança para uma Katusha-Alpecin, com um português como director, José Azevedo, além de ter José Gonçalves no plantel.

Não tem sido a melhor das equipas nos últimos anos, mas talvez podendo ter um perfil mais discreto tenha ajudado Ruben Guerreiro a encontrar alguma estabilidade e a afastar-se da pressão e afastar os azares que o perseguiam. Assinou por apenas um ano, ficando claro que tinha de se mostrar para poder continuar ao mais alto nível. E está a fazê-lo e não apenas na Vuelta, mas claro que uma grande volta é um palco com outro mediatismo.

Está na 21ª posição, a mais de 11 minutos e já esteve no top 20, mas a geral não é a preocupação do português, que está com liberdade para fazer a sua corrida. Na difícil subida de Javalambre na quinta etapa, Ruben esteve muito bem, terminando na 15ª posição. Este sábado esteve ainda melhor.

O futuro da Katusha-Alpecin é incerto, mas com exibiçōes deste nível numa estreia na Vuelta adiada há ano, talvez o futuro de Ruben possa ficar mais certo no World Tour, um escalão que tantas vezes não perdoa quem demora mais tempo a afirmar-se, mas que continua a ser o lugar deste promissor ciclista de 25 anos. Chegou a hora de Ruben Guerreiro destacar-se.

9ª etapa: Andorra la Vella - Cortals d'Encamp (94,4 quilómetros)



Este domingo será um daqueles dias que se tornou imagem de marca da Vuelta: etapa curta e sempre a subir e descer! Apesar de ainda se estar a terminar a primeira semana da corrida, não é dia para o quarteto da frente falhar. E se alguém quer reentrar na luta pela geral, eis um perfil de etapa a pedir ataques. 

Pela terceira vez, Miguel Ángel López vestiu a camisola vermelha para no dia seguinte perdê-la. Desta feita para Nicolas Edet (Cofidis), um dos homens da fuga do dia e que teve o alemão Nikias Arndt (Sunweb) a ser o mais forte no sprint final. No entanto, sendo uma etapa tão curta, não altera em nada a responsabilidade da Astana de López - que não arriscou nada com a chuva na parte final da etapa e não se importou de perder bastante tempo para o novo líder -, da Movistar de Alejandro Valverde e Nairo Quintana e da Jumbo-Visma de Primoz Roglic. O esloveno deverá ser o alvo a abater, pois na terça-feira é dia de contra-relógio e não há rival que não o queira ver com uma margem de diferença maior possível. 

Quanto à Cofidis, com Edet a ter ganho uma vantagem maior do que seria de esperar muito devido à chuva nos quilómetros finais - tem 3:01 minutos para López, com Dylan Teuns (Bahrain-Merida) a andar num iô-iô nesta classificação, de líder passou para 18º e agora é segundo, a 2:21 - a equipa francesa poderá tentar ajudar o ciclista a pelo menos ir para o dia de folga como líder, mas muito dependerá se Edet recupera do esforço deste sábado (Valls-Igualada, 166,9 quilómetros), mas não será uma missão nada fácil. Até Quintana está a prometer atacar! 

Quanto às cinco difíceis subidas deste domingo, o destaque vai para a categoria especial de Coll de la Gallina (imagem à direita). Serão 12,2 quilómetros de ascensão, com uma pendente média de 8,3%. Entre o quilómetro três e 11, o melhor que os ciclistas terão são pendentes a 7%, estando várias vezes acima dos 10%.

A subida final, Cortals d’Encamp, terá 5,7 quilómetros, com pendente média de 8,3%, sendo a fase inicial a mais complicada. Porém, atenção à aproximação, pois o piso será em gravilha, cerca de quatro quilómetros, segundo o director da corrida Fernando Escartín.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




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