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24 de dezembro de 2019

Como preparar o Natal? Thomas fez 300 quilómetros num treino e já foi batido

Não. Não se vai dar conselhos para esta quadra natalícia que, já sabe, acaba muitas vezes por se tornar irresistível abusar um pouco nos doces. Mas se há boa maneira para "deitar fora" as calorias em excesso é umas boas pedaladas. Se calhar para o comum dos mortais não é nada boa ideia tentar imitar o que estes ciclistas fizeram recentemente, mas é uma forma de poder comer mais uns sonhos ou rabanadas sem grande preocupação!

Há uns dias, Geraint Thomas mostrou que fez 309 quilómetros num só treino, juntamente com uns companheiros da Ineos, durante o estágio em Espanha. E em bicicleta de contra-relógio. Foram cerca de oito horas e meia a pedalar, a uma média de 36 quilómetros hora. E parece que o galês respondeu a um desafio para fazer a distância em menos de nove horas. Missão cumprida. Sem surpresa foi um autêntico reboliço nas redes sociais, pois foi um treino que meteu respeito pela distância. Egan Bernal, por exemplo, gosta mais de mostrar como se acumula muitos metros de altitude...

Mas fiquemos pelos treinos mais perto do Natal que os ciclistas tornaram públicos. Depois de muitos terem feito as contas de quanto tempo demoram a fazer a distância que Thomas fez num "mero" treino, eis que um corredor, menos conhecido, mas ainda assim do World Tour, resolveu mostrar como 300 quilómetros é (e passando à expressão e em tom de brincadeira) "para meninos". 500,51 quilómetros!!! É caso para colocar mais do que um ponto de exclamação.

Willie Smit, sul-africano de 30 anos é o autor da proeza, feita no dia 22. Demorou cerca de 17 horas e teve ainda um acumulado de 4694 metros. Já se sabia que Smit é daqueles que tem muita capacidade de sofrimento, pois fez a última semana da Vuelta com 16 pontos no joelho, após uma queda que o deixou muito mal tratado. Mas 500 quilómetros num dia... É de respeito. Não conseguiu um contrato com a Israel Star-up Nation, que comprou a licença da Katusha-Alpecin, onde estava Smit. Porém, a Burgos-BH, que contratou o ciclista, sabe que Smit está a fazer tudo e até ir um pouco mais além para começar bem a época.

A todos um feliz Natal e boas pedaladas para aqueles que escolham "queimar" os excessos com uns bons passeios de bicicleta. Mas não é preciso tanto! 

2 de outubro de 2019

Nuno Bico termina carreira aos 25 anos

Um dos mais prometedores ciclistas portugueses a chegar ao mais alto nível do ciclismo vai terminar a carreira aos 25 anos. Nuno Bico confirmou que não consegue recuperar de um problema físico e foi aconselhado pelo médico a deixar a alta competição. Uma lesão na artéria ilíaca obrigou o campeão nacional de sub-23 em 2015 a colocar um ponto final no ciclismo, mas despede-se sem arrependimentos: "Se eu pudesse voltar atrás, viveria tudo outra vez."

Nuno Bico é mais um corredor a revelar que sofre desta lesão e apesar de ter sido operado, não conseguiu atingir ultrapassar as limitações que provoca. Este ano, Fabio Aru (UAE Team Emirates) afastou-se da competição durante uma semanas precisamente para ser operado a esta artéria, tendo já regressado às corridas, mas persiste a dúvida se irá conseguir recuperar a forma física de outrora. Sam Oomen (Sunweb) também está a recuperar do mesmo problema e não compete desde que abandonou a Volta a Itália, no final de Maio. Só tem um regresso previsto em 2020. Joe Dombrowski (EF Education First) e a campeã do mundo Annemiek van Vleuten (Mitchelton-Scott) também com esta lesão, mas conseguiram voltar a competir ao mais alto nível.

O problema na artéria ilíaca prejudica a circulação do sangue numa ou nas duas pernas, o que retira força no momento de pedalar, provocando ainda dores e também cansaço prematuro. Eugenio Alafaci anunciou igualmente que vai terminar a carreira aos 29 anos por esta razão. O italiano fez quase toda a sua carreira na estrutura da Trek e representou esta época a irlandesa da EvoPro Racing. Porém, competiu pouco e abandonou a maioria das corridas.

Nuno Bico explicou o que tem vivido nos últimos anos: "Apesar de ter sido operado em 2017 para corrigir a situação, tornou-se muito difícil lidar novamente com a dor durante a Volta a Espanha. Consultei os médicos mal regressei a casa e, por conselho médico, devo abandonar o desporto de alta competição", escreveu Nuno Bico no Instagram. O ciclista admitiu que têm sido uns dias difíceis, mas afirmou que sabe a sorte que teve por ter podido "pedalar por todo o mundo e conhecer tantas pessoas incríveis".

Bico foi uma aposta ainda muito jovem na Rádio Popular de José Santos, antes de mudar-se para a Klein Constantia em 2016, equipa que servia de formação para a actual Deceuninck-QuickStep, que foi entretanto extinta. As boas exibições abriram as portas do World Tour e depois de mostrar todo o seu potencial na prova de sub-23 dos Mundiais do Qatar, ao participar numa fuga, na qual muito trabalhou até ser anulada, Nuno Bico esperou quase até ao final do ano para anunciar que a Movistar o tinha contratado.

Mas não foram duas temporadas fáceis na equipa espanhola. Bico não se conseguiu afirmar e acabaria por baixar de escalão em 2019, esperando reencontrar na Burgos-BH a confiança e alegria de competir. Conseguiu a desejada chamada à Volta a Espanha que, infelizmente, acabou por ser a sua primeira grande volta, mas também a sua última corrida: "Foi um enorme prazer viver o sonho de fazer o que se ama como emprego."


28 de agosto de 2019

De um incidente caricato ao momento mais esperado de uma carreira

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Miguel Ángel López foi um autêntico Super-Homem em Javalambre. O colombiano fez jus à alcunha e pareceu voar rumo à recuperação da camisola vermelha. Porém, se de López não há dúvidas que ainda muito se há-de falar nesta Vuelta, é justo que o destaque do dia seja para Ángel Madrazo. Há uma frase difícil de esquecer, da autoria de Rui Vinhas. Após ganhar a Volta a Portugal, o ciclista disse que "todos os gregários deveriam viver um momento assim". Madrazo, de 31 anos, certamente concordará. Tem uma carreira a trabalhar para outros e quando encontrou uma equipa que lhe deu liberdade, foi à procura do seu momento. Teve logo um muito bom no segundo dia da Vuelta, quando vestiu a camisola da montanha, o que lhe permitiu subir ao pódio. Mas agora venceu uma etapa numa grande volta, um triunfo muito especial para o ciclista e extremamente importante para a Burgos-BH.

"O triunfo da raiva, sacrifício e perseverança", escreveu a equipa no Twitter. A festa foi efusiva, pois não só a Burgos-BH alcançou uma vitória histórica para o projecto, como Jetse Bol foi segundo. A vontade era tanta que o carro até tentou dar um empurrãozinho! Agora já se pode dizer uma piada, mas a 24 quilómetros do fim da etapa, não houve vontade nenhuma de rir. A dar o apoio a Bol, quem conduzia o carro da Burgos-BH distraiu-se e acabou por tocar em Madrazo que seguia à frente. O espanhol evitou a queda a muito custo e quase que José Herrada (Cofidis) sofria por "tabela". É caso para dizer, que susto!


Um incidente caricato que poderia ter custado o momento que dá nova vida a uma Burgos-BH a precisar urgentemente de uma boa notícia. Estamos a falar de uma equipa que começou o ano a auto-suspender-se devido aos casos de doping, ainda antes da UCI a sancionar. Grande parte da estrutura foi alterada, desde ciclistas a staff, tudo para apostar num recomeço que limpasse a má imagem deixada, um ano depois de ter subido ao escalão Profissional Continental.

Este é um projecto com mais de dez anos de existência. A ambição de estar na Vuelta fez com que os seus responsáveis apostassem na mudança de nível. Mas não tem sido fácil e o futuro não irá ficar mais facilitado só porque ganhou uma etapa na Volta a Espanha. Se a UCI manter o novo regulamento quanto à atribuição de convites para as grandes voltas, as organizações passaram a ter apenas dois em vez de quatro. A Burgos-BH sabe que dificilmente receberá um em 2020 se não subir o nível das exibições e resultados.

Até ao triunfo em Javalambre, só por duas vezes a equipa havia vencido em 2019. Primeiro no Alto de Montejunto, no Troféu Joaquim Agostinho, por intermédio do português José Neves. Depois foi à China ganhar uma etapa na Volta ao Lago Qinghai com Matthew Gibson. Curiosamente, nenhum dos ciclistas foi chamado para a Vuelta.


Ficou rapidamente bem claro como a Burgos-BH ia dar o tudo por tudo para dar nas vistas na Vuelta. Madrazo tinha o objectivo de vestir a camisola de líder da montanha. Já a tem e agora quer levá-la até Madrid. Difícil, mas há que tentar. Depois queria ganhar uma etapa. Já está. Vuelta feita para Burgos-BH? De certa forma sim, mas quanto mais conseguir melhor, pois em causa pode estar um projecto que sem a presença na Volta a Espanha, poderá deixar de fazer sentido existir como Profissional Continental. Madrazo - que chegou a representar a Movistar durante cinco épocas e a Caja Rural em três, antes das duas na francesa Delko Marseille Provence KTM - irá tentar continuar a ser figura, mas quem sabe ainda se veja também os portugueses Ricardo Vilela e Nuno Bico em destaque.

López vs Roglic

Apenas com cinco etapas cumpridas e esta Vuelta já teve a capacidade para deixar exposto quem está em melhor condições para lutar pela vitória. Contudo, tendo em conta a muita montanha que ainda há pela frente, o que é verdade hoje, poderá não ser bem assim amanhã...

Após a primeira chegada em alto, Miguel Ángel López foi o Super-Homem nos 11,1 quilómetros da estreia da subida de Javalambre na Vuelta. Local muito interessante e que não surpreenderá se regressar em percursos futuros. O colombiano comprovou o que já tinha demonstrado e mesmo sem ter uma Astana a ajudá-lo, sozinho deu conta de tudo e todos. Só não apanhou o trio da frente, que chegou a ter mais de dez minutos de vantagem.

Primoz Roglic (Jumbo-Visma) não é tanto de "explosões" nas subidas, mas ao seu ritmo não deixou escapar Alejandro Valverde e com 14 segundos a separá-lo de López, tem o colombiano debaixo de olho. Poderá revelar-se uma luta muito interessante entre o esloveno e o colombiano, uma que não se viu no Giro, mas está a começar a aquecer na Vuelta.

E Valverde? Lá vai dizendo que Nairo Quintana é que é o líder, mas continua a atacar por ele, sem se preocupar com o colombiano. Quintana cedeu um pouco, mas está a 23 segundos. Valverde ficou a 28. Na Movistar vive-se mais do mesmo e não se aprendeu a lição da Volta a Itália: foi difícil, mas a equipa lá se uniu em redor de Richard Carapaz e venceu a corrida.

Rigoberto Uran, Johan Esteban Chaves, Fabio Aru, Pierre Latour, Rafal Majka, Sergio Higuita e a lista continua, todos quebraram. Aconteceu o mesmo com Nicolas Roche. Perdeu a camisola da liderança para López, mas o ciclista da Sunweb realizou uma prestação que o coloca como número um da Sunweb, pois Wilco Kelderman também entra na tal lista. Roche ficou a 57 segundos de López, enquanto o holandês já tem 1:50 minutos para recuperar.


Há um destaque português. Este é um Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) que se espera ver mais vezes e ainda com margem para melhorar. Subiu 18 posições na geral, é 18º, a 3:18 minutos de López, depois de um excelente 15º lugar em Javalambre.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

6ª etapa: Mora de Rubielos - Ares del Maestrat (198,9 quilómetros)



Será um dia mais longo na bicicleta e, para não variar, com muito sobe e desce. Tendo em conta que no sábado a etapa apresenta-se mais difícil, é possível que na geral não se tente fazer grandes diferenças nesta sexta-feira. Será mais um bom dia para uma fuga triunfar. A subida final é uma terceira categoria com 7,8 quilómetros, com uma pendente média de 5%.




»»Uma nova chegada em alto para ajudar a definir os candidatos««

»»Uma Vuelta muito irlandesa««