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18 de setembro de 2020

Volta a Portugal com cinco formações ProTeam e Selecção de sub-23

O pelotão será 20% mais curto do que o habitual na Volta a Portugal, mas terá cinco equipas do segundo escalão (ProTeams), além das nove Continentais portuguesas. Para completar, haverá um selecção nacional, composta maioritariamente por ciclistas sub-23. Estamos em contagem decrescente para uma corrida difícil de colocar na estrada em 2020, mas que tem partida marcada para 27 de Setembro, em Fafe, com medidas de restrição muito elevadas para garantir a segurança de todos os intervenientes em tempo de pandemia. Lisboa coroará o campeão a 5 de Outubro.

Entre as formações ProTeam presentes, destaque para a francesa da Arkéa Samsic, que já não será novidade na Volta, mas este ano é a líder do ranking entre as formações do segundo escalão, o que, a manter até final da temporada, lhe permitirá em 2021 ter acesso directo (sem depender de convites) às três grandes voltas e monumentos, por exemplo.

Mas não é só esta formação a viajar de França. A Nippo Delko One Provence (na foto) está confirmada e tem influência portuguesa. José Azevedo é um dos directores desportivos e o ciclista José Gonçalves faz parte da equipa. De Espanha virão a Caja Rural (uma presença habitual) e a Burgos-BH, esta última com José Neves e Ricardo Vilela entre os seus atletas.

Já de mais longe, dos Estados Unidos da América, estará a Rally Cycling, uma equipa sempre muito interessante de se ver nas corridas. Tem uma mentalidade de perseguir sempre bons resultados, dar espectáculo, enquanto ajuda a formar jovens ciclistas, na sua maioria americanos e canadianos. Há uns anos esteve na Volta ao Algarve.

De referir que Rally Cycling, Burgos-BH e Caja Rural estão a aproveitar para competir em Portugal, pois já este fim-de-semana estarão presentes no Troféu Joaquim Agostinho.

Quanto à Equipa Portugal, a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) explica que serão chamados ciclistas que façam parte das equipas de clube, assim como jovens corredores que estejam em formações estrangeiras. O objectivo passa por dar competição e experiência a atletas sub-23 que tão pouca competição tiveram em 2020 e não vão ter muito mais depois da Volta.

Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel, Aviludo-Louletano, Efapel, Feirense, Kelly-InOutBuild-UDO, LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua, Rádio Popular-Boavista e W52-FC Porto serão as equipas portuguesas. A última parte para a corrida para tentar manter o domínio que começou em 2013, então como OFM-Quinta da Lixa. Numa perspectiva futebolística e contando com a entrada do FC Porto, fala-se da conquista do penta! João Rodrigues terá o dorsal número um.

O pelotão da Edição Especial da Volta a Portugal terá 105 ciclistas, com a FPC a explicar que, perante a opção de um pelotão mais reduzido devido à pandemia, duas equipas ProTeam e quatro Continentais viram os seus pedidos para participar na corrida recusados.

Recorde-se que a FPC assumiu as rédeas da organização depois da Podium (a quem os direitos estão cedidos pela federação) ter adiado a 82ª edição para 2021, depois de alguns municípios terem recusado receber a corrida. Curiosamente, Viseu e Viana do Castelo, assim como Guarda (cuja a autarquia esteve reticente em ser uma das cidades da Volta) estão no percurso já anunciado para a chamada Edição Especial Jogos Santa Casa.

A corrida terá menos etapas, mas contará com as históricas subidas à Senhora da Graça e à Serra da Estrela, com direito a chegada à Torre. Mais pormenores, no link em baixo.

»»Volta a Portugal ganha forma. Edição Especial já tem etapas««

8 de fevereiro de 2020

Rui Costa arranca época com uma vitória, um pódio e uma polémica

© ASO/Pauline Ballet
É difícil pedir melhor começo. Primeiro dia de competição em 2020 e logo uma vitória. Quando tal significou o fim de um jejum de 1073 dias sem triunfos, é um feito ainda mais importante e motivador. Porém, Rui Costa tão rapidamente estava a viver um momento feliz, como se viu envolvido numa polémica. No final da Volta à Arábia Saudita ficou tudo esclarecido, mas foi uma semana de diferentes emoções para o português, que agora se prepara para o regresso à Volta ao Algarve - a última vez foi em 2014 -, corrida na qual será novamente o líder da UAE Team Emirates.

Já se sabe que Rui Costa vive uma fase na carreira em que não é um líder indiscutível da equipa. Tadej Pogacar continua a demonstrar bem as razões da nova geração estar a tomar conta deste estatuto em várias formações. O esloveno está a ser fenomenal na Volta à Comunidade Valenciana, que se prepara para conquistar em condições normais. Mas lá longe, na Arábia Saudita, na primeira edição de mais uma corrida no Médio Oriente, Rui Costa esteve também ele muito bem.

Como por norma acontece nesta zona do globo, as provas são mais dadas aos sprinters. Algumas, como a Volta aos Emirados Árabes Unidos, a organização coloca uma etapa com uma subida mais difícil para favorecer os trepadores, mas o normal é ver muitos sprinters a competir nestas corridas. Na Arábia Saudita as etapas podem não ter sido completamente planas, contudo, o pódio é o exemplo perfeito de como será mais uma prova que apelará aos homens rápidos do pelotão. Dois sprinters ficaram nos dois primeiros lugares: Phil Bauhaus (primeira vitória numa geral na era Bahrain McLaren) e Nacer Bouhanni (estreia animadora do francês pela Arkéa Samsic, tendo ganho uma tirada).

Rui Costa fechou o pódio, depois de se ter tornado o primeiro ciclista a vencer uma etapa na Volta à Arábia Saudita. É preciso recuar a 2017 para recordar quando celebrou um triunfo: venceu uma etapa e a geral nos Emirados Árabes Unidos, na então apelidada Volta a Abu Dhabi. Mais do que estar a tentar recuperar algum estatuto na equipa, começar bem a temporada é importante quando aponta alto aos Jogos Olímpicos. Não indo ao Tour, é nesta fase inicial da época que o campeão do mundo de 2013 procurará o seu primeiro pico de forma, talvez a pensar muito nas clássicas das Ardenas, especialmente no monumento Liège-Bastogne-Liège. Boas exibições e vitórias neste arranque de 2020 podem ser decisivas na altura de lhe ser concedida liberdade para lutar pela vitória, mesmo que não seja o líder.

Nesse aspecto, os objectivos foram alcançados na Arábia Saudita. Porém, teria sido dispensável estar envolvido numa polémica que, felizmente para o ciclista, acabou por ser apaziguada por um dos intervenientes. 

Na segunda etapa, Reinardt Janse van Rensburg (NTT) sofreu um toque de Rui Costa e caiu. Estando praticamente na frente do pelotão, o resultado foram vários ciclistas a sofrerem uma queda. As imagens televisivas mostraram o sul-africano a aproximar-se do português, com Rui Costa a tirar a mão direita do guiador. Seguiu-se a queda.

Rapidamente foi acusado de ter sido o responsável pelo sucedido e de ter tido um acto de pouco ou nenhum fair play. As imagens propagaram-se nas redes sociais e as acusações também. Rui Costa afirmou que o gesto tinha sido em sua defesa e que Van Rensburg tinha ido ao autocarro da UAE Team Emirates esclarecer a situação. Dois dias depois o sul-africano explicou publicamente ao pormenor o que aconteceu, colocando um ponto final na polémica.

A explicação de Van Rensburg

"Há muita especulação que o Rui Costa me fez cair, empurrado-me e fazendo-me perder o equilíbrio. Para ser sincero, a queda foi iniciada por mim ao tocar na roda do companheiro da minha equipa que estava à minha frente, o que me levou a perder o equilíbrio. Depois bati na bicicleta do Marco Marcato [da UAE Team Emirates]. Nesta altura, o Rui, que já tinha a mão na minha cara, deu-me um empurrão como uma reacção para se defender. Aconteceu que o empurrão sucedeu no momento em que a minha roda da frente estava presa entre a bicicleta do Marco e o pé dele, que tinha vindo para trás enquanto pedalava."

Assumindo a sua parte da responsabilidade, o sul-africano ainda assim salientou que as mãos são para ficar no guiador, mas assegurou que deseja que se siga em frente após o incidente. Revelou também que ficou satisfeito por os comissários não terem penalizado Rui Costa, referindo como temeu que este fosse expulso da corrida ou sofresse uma sanção, algo que não aconteceu.

Ivo Oliveira e José Neves também em prova

Rui Costa acabou por ser o português que se destacou nesta primeira edição da Volta à Arábia Saudita, lutando até final pela vitória na geral, que "fugiu" por 13 segundos. A seu lado esteve Ivo Oliveira e foram boas as indicações do ciclista de Gaia. Depois de alguns dias de competição no final de 2019 para recuperar sensações após a longa paragem de meia ano devido a uma grave queda  - correu o risco de ficar paraplégico -, Ivo quer em 2020 afirmar-se de vez.

Além do trabalho de protecção a Rui Costa, Ivo aproveitou a oportunidade na quarta etapa para se mostrar e foi quinto no sprint ganho por Nacer Bouhanni. Tal como Rui Costa vai viajar até ao Algarve para continuar a temporada (de 19 a 23 de Fevereiro).

Quanto a José Neves, iniciou a sua segunda temporada na Burgos-BH, mas é um trepador nato e este não era um percurso que se adaptasse às suas características. Não foi nenhuma surpresa que tenha estado mais discreto em termos de geral, terminando a 12:25 minutos de Bauhaus (68º). 

Rui Costa é um ciclista com mais "explosão", por assim dizer, em subidas curtas. Neves gosta muito mais da alta montanha e é aí que se vê o melhor deste jovem português de 24 anos. A Arábia Saudita foi uma forma de apurar a forma de um ciclista que tem a ambição de em 2020 estrear-se numa grande volta, nomeadamente na Vuelta.

Classificação da Volta à Arábia Saudita, via FirstCycling.




24 de dezembro de 2019

Como preparar o Natal? Thomas fez 300 quilómetros num treino e já foi batido

Não. Não se vai dar conselhos para esta quadra natalícia que, já sabe, acaba muitas vezes por se tornar irresistível abusar um pouco nos doces. Mas se há boa maneira para "deitar fora" as calorias em excesso é umas boas pedaladas. Se calhar para o comum dos mortais não é nada boa ideia tentar imitar o que estes ciclistas fizeram recentemente, mas é uma forma de poder comer mais uns sonhos ou rabanadas sem grande preocupação!

Há uns dias, Geraint Thomas mostrou que fez 309 quilómetros num só treino, juntamente com uns companheiros da Ineos, durante o estágio em Espanha. E em bicicleta de contra-relógio. Foram cerca de oito horas e meia a pedalar, a uma média de 36 quilómetros hora. E parece que o galês respondeu a um desafio para fazer a distância em menos de nove horas. Missão cumprida. Sem surpresa foi um autêntico reboliço nas redes sociais, pois foi um treino que meteu respeito pela distância. Egan Bernal, por exemplo, gosta mais de mostrar como se acumula muitos metros de altitude...

Mas fiquemos pelos treinos mais perto do Natal que os ciclistas tornaram públicos. Depois de muitos terem feito as contas de quanto tempo demoram a fazer a distância que Thomas fez num "mero" treino, eis que um corredor, menos conhecido, mas ainda assim do World Tour, resolveu mostrar como 300 quilómetros é (e passando à expressão e em tom de brincadeira) "para meninos". 500,51 quilómetros!!! É caso para colocar mais do que um ponto de exclamação.

Willie Smit, sul-africano de 30 anos é o autor da proeza, feita no dia 22. Demorou cerca de 17 horas e teve ainda um acumulado de 4694 metros. Já se sabia que Smit é daqueles que tem muita capacidade de sofrimento, pois fez a última semana da Vuelta com 16 pontos no joelho, após uma queda que o deixou muito mal tratado. Mas 500 quilómetros num dia... É de respeito. Não conseguiu um contrato com a Israel Star-up Nation, que comprou a licença da Katusha-Alpecin, onde estava Smit. Porém, a Burgos-BH, que contratou o ciclista, sabe que Smit está a fazer tudo e até ir um pouco mais além para começar bem a época.

A todos um feliz Natal e boas pedaladas para aqueles que escolham "queimar" os excessos com uns bons passeios de bicicleta. Mas não é preciso tanto! 

2 de outubro de 2019

Nuno Bico termina carreira aos 25 anos

Um dos mais prometedores ciclistas portugueses a chegar ao mais alto nível do ciclismo vai terminar a carreira aos 25 anos. Nuno Bico confirmou que não consegue recuperar de um problema físico e foi aconselhado pelo médico a deixar a alta competição. Uma lesão na artéria ilíaca obrigou o campeão nacional de sub-23 em 2015 a colocar um ponto final no ciclismo, mas despede-se sem arrependimentos: "Se eu pudesse voltar atrás, viveria tudo outra vez."

Nuno Bico é mais um corredor a revelar que sofre desta lesão e apesar de ter sido operado, não conseguiu atingir ultrapassar as limitações que provoca. Este ano, Fabio Aru (UAE Team Emirates) afastou-se da competição durante uma semanas precisamente para ser operado a esta artéria, tendo já regressado às corridas, mas persiste a dúvida se irá conseguir recuperar a forma física de outrora. Sam Oomen (Sunweb) também está a recuperar do mesmo problema e não compete desde que abandonou a Volta a Itália, no final de Maio. Só tem um regresso previsto em 2020. Joe Dombrowski (EF Education First) e a campeã do mundo Annemiek van Vleuten (Mitchelton-Scott) também com esta lesão, mas conseguiram voltar a competir ao mais alto nível.

O problema na artéria ilíaca prejudica a circulação do sangue numa ou nas duas pernas, o que retira força no momento de pedalar, provocando ainda dores e também cansaço prematuro. Eugenio Alafaci anunciou igualmente que vai terminar a carreira aos 29 anos por esta razão. O italiano fez quase toda a sua carreira na estrutura da Trek e representou esta época a irlandesa da EvoPro Racing. Porém, competiu pouco e abandonou a maioria das corridas.

Nuno Bico explicou o que tem vivido nos últimos anos: "Apesar de ter sido operado em 2017 para corrigir a situação, tornou-se muito difícil lidar novamente com a dor durante a Volta a Espanha. Consultei os médicos mal regressei a casa e, por conselho médico, devo abandonar o desporto de alta competição", escreveu Nuno Bico no Instagram. O ciclista admitiu que têm sido uns dias difíceis, mas afirmou que sabe a sorte que teve por ter podido "pedalar por todo o mundo e conhecer tantas pessoas incríveis".

Bico foi uma aposta ainda muito jovem na Rádio Popular de José Santos, antes de mudar-se para a Klein Constantia em 2016, equipa que servia de formação para a actual Deceuninck-QuickStep, que foi entretanto extinta. As boas exibições abriram as portas do World Tour e depois de mostrar todo o seu potencial na prova de sub-23 dos Mundiais do Qatar, ao participar numa fuga, na qual muito trabalhou até ser anulada, Nuno Bico esperou quase até ao final do ano para anunciar que a Movistar o tinha contratado.

Mas não foram duas temporadas fáceis na equipa espanhola. Bico não se conseguiu afirmar e acabaria por baixar de escalão em 2019, esperando reencontrar na Burgos-BH a confiança e alegria de competir. Conseguiu a desejada chamada à Volta a Espanha que, infelizmente, acabou por ser a sua primeira grande volta, mas também a sua última corrida: "Foi um enorme prazer viver o sonho de fazer o que se ama como emprego."


28 de agosto de 2019

De um incidente caricato ao momento mais esperado de uma carreira

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Miguel Ángel López foi um autêntico Super-Homem em Javalambre. O colombiano fez jus à alcunha e pareceu voar rumo à recuperação da camisola vermelha. Porém, se de López não há dúvidas que ainda muito se há-de falar nesta Vuelta, é justo que o destaque do dia seja para Ángel Madrazo. Há uma frase difícil de esquecer, da autoria de Rui Vinhas. Após ganhar a Volta a Portugal, o ciclista disse que "todos os gregários deveriam viver um momento assim". Madrazo, de 31 anos, certamente concordará. Tem uma carreira a trabalhar para outros e quando encontrou uma equipa que lhe deu liberdade, foi à procura do seu momento. Teve logo um muito bom no segundo dia da Vuelta, quando vestiu a camisola da montanha, o que lhe permitiu subir ao pódio. Mas agora venceu uma etapa numa grande volta, um triunfo muito especial para o ciclista e extremamente importante para a Burgos-BH.

"O triunfo da raiva, sacrifício e perseverança", escreveu a equipa no Twitter. A festa foi efusiva, pois não só a Burgos-BH alcançou uma vitória histórica para o projecto, como Jetse Bol foi segundo. A vontade era tanta que o carro até tentou dar um empurrãozinho! Agora já se pode dizer uma piada, mas a 24 quilómetros do fim da etapa, não houve vontade nenhuma de rir. A dar o apoio a Bol, quem conduzia o carro da Burgos-BH distraiu-se e acabou por tocar em Madrazo que seguia à frente. O espanhol evitou a queda a muito custo e quase que José Herrada (Cofidis) sofria por "tabela". É caso para dizer, que susto!


Um incidente caricato que poderia ter custado o momento que dá nova vida a uma Burgos-BH a precisar urgentemente de uma boa notícia. Estamos a falar de uma equipa que começou o ano a auto-suspender-se devido aos casos de doping, ainda antes da UCI a sancionar. Grande parte da estrutura foi alterada, desde ciclistas a staff, tudo para apostar num recomeço que limpasse a má imagem deixada, um ano depois de ter subido ao escalão Profissional Continental.

Este é um projecto com mais de dez anos de existência. A ambição de estar na Vuelta fez com que os seus responsáveis apostassem na mudança de nível. Mas não tem sido fácil e o futuro não irá ficar mais facilitado só porque ganhou uma etapa na Volta a Espanha. Se a UCI manter o novo regulamento quanto à atribuição de convites para as grandes voltas, as organizações passaram a ter apenas dois em vez de quatro. A Burgos-BH sabe que dificilmente receberá um em 2020 se não subir o nível das exibições e resultados.

Até ao triunfo em Javalambre, só por duas vezes a equipa havia vencido em 2019. Primeiro no Alto de Montejunto, no Troféu Joaquim Agostinho, por intermédio do português José Neves. Depois foi à China ganhar uma etapa na Volta ao Lago Qinghai com Matthew Gibson. Curiosamente, nenhum dos ciclistas foi chamado para a Vuelta.


Ficou rapidamente bem claro como a Burgos-BH ia dar o tudo por tudo para dar nas vistas na Vuelta. Madrazo tinha o objectivo de vestir a camisola de líder da montanha. Já a tem e agora quer levá-la até Madrid. Difícil, mas há que tentar. Depois queria ganhar uma etapa. Já está. Vuelta feita para Burgos-BH? De certa forma sim, mas quanto mais conseguir melhor, pois em causa pode estar um projecto que sem a presença na Volta a Espanha, poderá deixar de fazer sentido existir como Profissional Continental. Madrazo - que chegou a representar a Movistar durante cinco épocas e a Caja Rural em três, antes das duas na francesa Delko Marseille Provence KTM - irá tentar continuar a ser figura, mas quem sabe ainda se veja também os portugueses Ricardo Vilela e Nuno Bico em destaque.

López vs Roglic

Apenas com cinco etapas cumpridas e esta Vuelta já teve a capacidade para deixar exposto quem está em melhor condições para lutar pela vitória. Contudo, tendo em conta a muita montanha que ainda há pela frente, o que é verdade hoje, poderá não ser bem assim amanhã...

Após a primeira chegada em alto, Miguel Ángel López foi o Super-Homem nos 11,1 quilómetros da estreia da subida de Javalambre na Vuelta. Local muito interessante e que não surpreenderá se regressar em percursos futuros. O colombiano comprovou o que já tinha demonstrado e mesmo sem ter uma Astana a ajudá-lo, sozinho deu conta de tudo e todos. Só não apanhou o trio da frente, que chegou a ter mais de dez minutos de vantagem.

Primoz Roglic (Jumbo-Visma) não é tanto de "explosões" nas subidas, mas ao seu ritmo não deixou escapar Alejandro Valverde e com 14 segundos a separá-lo de López, tem o colombiano debaixo de olho. Poderá revelar-se uma luta muito interessante entre o esloveno e o colombiano, uma que não se viu no Giro, mas está a começar a aquecer na Vuelta.

E Valverde? Lá vai dizendo que Nairo Quintana é que é o líder, mas continua a atacar por ele, sem se preocupar com o colombiano. Quintana cedeu um pouco, mas está a 23 segundos. Valverde ficou a 28. Na Movistar vive-se mais do mesmo e não se aprendeu a lição da Volta a Itália: foi difícil, mas a equipa lá se uniu em redor de Richard Carapaz e venceu a corrida.

Rigoberto Uran, Johan Esteban Chaves, Fabio Aru, Pierre Latour, Rafal Majka, Sergio Higuita e a lista continua, todos quebraram. Aconteceu o mesmo com Nicolas Roche. Perdeu a camisola da liderança para López, mas o ciclista da Sunweb realizou uma prestação que o coloca como número um da Sunweb, pois Wilco Kelderman também entra na tal lista. Roche ficou a 57 segundos de López, enquanto o holandês já tem 1:50 minutos para recuperar.


Há um destaque português. Este é um Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) que se espera ver mais vezes e ainda com margem para melhorar. Subiu 18 posições na geral, é 18º, a 3:18 minutos de López, depois de um excelente 15º lugar em Javalambre.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

6ª etapa: Mora de Rubielos - Ares del Maestrat (198,9 quilómetros)



Será um dia mais longo na bicicleta e, para não variar, com muito sobe e desce. Tendo em conta que no sábado a etapa apresenta-se mais difícil, é possível que na geral não se tente fazer grandes diferenças nesta sexta-feira. Será mais um bom dia para uma fuga triunfar. A subida final é uma terceira categoria com 7,8 quilómetros, com uma pendente média de 5%.




»»Uma nova chegada em alto para ajudar a definir os candidatos««

»»Uma Vuelta muito irlandesa««