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24 de dezembro de 2019

Como preparar o Natal? Thomas fez 300 quilómetros num treino e já foi batido

Não. Não se vai dar conselhos para esta quadra natalícia que, já sabe, acaba muitas vezes por se tornar irresistível abusar um pouco nos doces. Mas se há boa maneira para "deitar fora" as calorias em excesso é umas boas pedaladas. Se calhar para o comum dos mortais não é nada boa ideia tentar imitar o que estes ciclistas fizeram recentemente, mas é uma forma de poder comer mais uns sonhos ou rabanadas sem grande preocupação!

Há uns dias, Geraint Thomas mostrou que fez 309 quilómetros num só treino, juntamente com uns companheiros da Ineos, durante o estágio em Espanha. E em bicicleta de contra-relógio. Foram cerca de oito horas e meia a pedalar, a uma média de 36 quilómetros hora. E parece que o galês respondeu a um desafio para fazer a distância em menos de nove horas. Missão cumprida. Sem surpresa foi um autêntico reboliço nas redes sociais, pois foi um treino que meteu respeito pela distância. Egan Bernal, por exemplo, gosta mais de mostrar como se acumula muitos metros de altitude...

Mas fiquemos pelos treinos mais perto do Natal que os ciclistas tornaram públicos. Depois de muitos terem feito as contas de quanto tempo demoram a fazer a distância que Thomas fez num "mero" treino, eis que um corredor, menos conhecido, mas ainda assim do World Tour, resolveu mostrar como 300 quilómetros é (e passando à expressão e em tom de brincadeira) "para meninos". 500,51 quilómetros!!! É caso para colocar mais do que um ponto de exclamação.

Willie Smit, sul-africano de 30 anos é o autor da proeza, feita no dia 22. Demorou cerca de 17 horas e teve ainda um acumulado de 4694 metros. Já se sabia que Smit é daqueles que tem muita capacidade de sofrimento, pois fez a última semana da Vuelta com 16 pontos no joelho, após uma queda que o deixou muito mal tratado. Mas 500 quilómetros num dia... É de respeito. Não conseguiu um contrato com a Israel Star-up Nation, que comprou a licença da Katusha-Alpecin, onde estava Smit. Porém, a Burgos-BH, que contratou o ciclista, sabe que Smit está a fazer tudo e até ir um pouco mais além para começar bem a época.

A todos um feliz Natal e boas pedaladas para aqueles que escolham "queimar" os excessos com uns bons passeios de bicicleta. Mas não é preciso tanto! 

3 de outubro de 2019

Sénéchal agrediu Walscheid e já foi multado pela equipa

(Imagem: print screen)
Enquanto Álvaro Hodeg celebrava a conquista da Sparkassen Münsterland Giro, na Alemanha, um companheiro seu libertou da pior maneira toda a frustração por acabar a corrida a cair. Sénéchal agrediu um ciclista da Sunweb. Max Walscheid estava a dar uma entrevista quando o francês o atinge no capacete. O alemão reagiu e acabou por ser um outro ciclista da Deceuninck-QuickStep que afastou Sénéchal, colocando um ponto final no desentendimento.

Um momento insólito, mas que a equipa belga não deixou passar sem reagir rapidamente. Numa mensagem no Twitter, a Deceuninck-QuickStep anunciou que o caso foi tratado internamente, com Sénéchal a ser multado. O valor não foi divulgado, mas terá como destino uma organização de caridade.

Também Sénéchal utilizou a mesma rede social para abordar o caso: "O meu sentido pedido de desculpa para o Max Walscheid e para a Team Sunweb, a minha equipa e os meus fãs. O que eu fiz depois da corrida foi completamente inaceitável e não representa quem eu sou. Peço muitas desculpas por isto!" O francês não explicou o que o levou a agir daquela forma, mas os meios de comunicação social avançam que terá culpado Walscheid pela queda. O alemão disputou o sprint, sendo quinto.


Falta agora saber se Sénéchal incorre em mais alguma sanção imposta pela UCI, que não se pronunciou ainda sobre o sucedido.

Esta não é a primeira situação insólita de 2019 protagonizada por ciclistas da Deceuninck-QuickStep. Em Janeiro, Iljo Keisse foi expulso da Volta a San Juan depois de simular o acto sexual enquanto tirava uma fotografia com uma rapariga de 18 anos. Foi feita uma queixa na polícia e Keisse teve de pagar uma multa. A equipa também sofreu repercussões por não agir de forma célere, com o seu director Patrick Lefevere até a insinuar que a jovem queria dinheiro. A organização da corrida é que não gostou nada do sucedido.

»»A brincadeira de que ninguém se está a rir««

»»Os "atropelos" aos regulamentos««

7 de setembro de 2019

Froome novamente operado... por corte num dedo

(Fotografia: © Team Ineos)
"Este não é o meu ano." Não é preciso acrescentar muito mais ao sentimento de Chris Froome. Agora que até estava a pedalar novamente, ainda que numa pista exterior, longe das estradas, eis que o britânico sofreu um acidente com uma faca de cozinha. Resultado? Froome teve de ser operado ao polegar esquerdo. Apesar do infortúnio, o ciclista da Ineos manteve a boa disposição ao anunciar nas redes sociais o sucedido.

Froome cortou um tendão e, por isso, teve de ser operado. Porém, não será o problema do dedo que vai atrasar o seu regresso à competição. Afinal, ainda nem se sabe quando poderá acontecer. O britânico continua a sua longa recuperação após a aparatosa queda durante o reconhecimento do contra-relógio, no Critérium du Dauphiné, em Junho. O ciclista fracturou o fémur, cotovelo, algumas costelas, sofrendo fracturas também no esterno, osso situado na parte anterior e média do tórax, e na vértebra C7.

Aos 34 anos, luta para recuperar a condição física necessária para tentar cumprir o seu principal objectivo nesta fase da carreira: a quinta vitória na Volta a França. O ciclista tem partilhado nas redes sociais a sua recuperação e mostrado como está a encarar este enorme desafio. Começou por pedalar em casa apenas com a perna boa e recentemente recebeu autorização para dar umas voltinhas na pista, mas ainda que sem esforçar em demasia.

Percebe-se porque Froome já só tem um desejo: "Não posso esperar por 2020." De facto, 2019 não está a ser nada feliz. Contudo, há que salientar a atitude do atleta, que continua motivado e empenhado em regressar, mesmo sem saber quando vai acontecer.

Entretanto vai assistindo à preparação da sua equipa para a próxima temporada, sabendo que haverá mais um reforço de peso. Richard Carapaz (Movistar), vencedor do Giro, estará na Ineos, ao lado de um Egan Bernal que, após vencer o Tour, dificilmente voltará a ser gregário.

Froome continuará a ser o capitão da Ineos, mas sabe que não terá muita margem de erro, caso não consiga recuperar o nível de antes da queda. Vive um dos maiores desafios da carreira, mas este sempre foi um ciclista que nunca baixou os braços até alcançar o que queria. Foi assim que venceu quatro Tours, duas Vueltas e aquele Giro de 2018 foi um dos maiores exemplos. Não é qualquer ciclista que anda sozinho em fuga nas montanhas durante 80 quilómetros, tendo assim ganho a corrida.


11 de junho de 2019

Os "atropelos" aos regulamentos

(Imagem: print screen)
A imagem de um ciclista a correr até à meta sem a bicicleta acabou por ser um dos temas em destaque na última semana. Quem acompanha mais o ciclismo certamente se lembrou quando Chris Froome desatou a correr Mont Ventoux acima quando a sua bicicleta ficou danificada após uma queda provocada pelo público. A moto que ia à frente de Froome, Richie Porte e Bauke Mollema ficou sem espaço para passar e foi a loucura total nos minutos seguintes. Desta feita não era a Volta a França e nem houve nenhum adepto a intervir. Tudo aconteceu numa corrida amadora, ainda que a razão que levou Eamon Lucas a correr em sapatos com encaixe de pedais (nada prático para quem não conhece) foi o mesmo de Froome: bicicleta danificada.

O americano Eamon Lucas tornou-se bastante conhecido pelo seu sprint de cerca de 200 metros sem bicicleta. Sem surpresa deu várias entrevistas e, em poucas palavras, o ciclista, de 26 anos, estava na fuga quando se viu envolvido numa queda a poucos metros da meta. Os danos na corrente e no desviador não lhe permitiam completar a prova belga Gullegem Kermesse a pedalar. Sem problema. Entregou a bicicleta a um espectador e toca a correr. Admitiu que lhe custou bastante, mas lá conseguiu o desejado top dez.


A corrida é de categoria 1.12B, normal entre as amadoras. Tal não significa que se possa ignorar o regulamento UCI que estipula que o ciclista tem de terminar a prova com a bicicleta. Pode cortar a meta a pé, mas na posse da bicicleta. Os comissários da corrida belga validaram o resultado de Lucas, tornando este em mais um exemplo de como o regulamento não é cumprido à risca.

Ainda recentemente na Volta a Itália, Miguel Ángel López (Astana) esbofeteou o adepto que o fez cair depois de resolver correr ao lado do ciclista! O colombiano descarregou toda a sua frustração e desde logo esperava-se que a decisão dos comissários fosse a expulsão e a multa correspondente (cerca de 200 francos suíços, 178 euros), visto ser isso que o regulamento dita. Os comissários consideraram que foi uma "reacção humana" e López pôde partir no dia seguinte para a última etapa do Giro.

Foi uma decisão que não gerou polémica, pois já são demasiados os exemplos de adeptos irresponsáveis que estragam corridas a ciclistas. Porém, não deixou de ir contra o regulamento e a UCI decidiu que iria investigar porque razão López não foi sancionado. O colombiano ainda não está livre de ser penalizado.

Depois temos o escandaloso exemplo da Volta à Califórnia. Este foi mau de mais e só se pode dizer que ainda bem que foi Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) a ganhar a geral, pois se Tejay van Garderen tem vencido... muito se falaria da polémica (e esta foi mesmo muito polémica) decisão.

O americano da EF Education First, o líder naquela quarta etapa, teve um problema mecânico a cerca de dez quilómetros do fim. Não conseguiu reentrar no pelotão, que foi afectado por uma queda antes dos três quilómetros finais. Alguns ciclistas da geral ficaram para trás. A decisão, foi que todos, incluindo Van Garderen que tinha perdido quase um minuto, ficassem com o tempo do vencedor. De recordar que só quando há incidentes dentro dos três quilómetros é que esta regra se aplica, excepto em etapas de montanha, o que não era o caso. Ou seja, quem ficou para trás na queda e ainda mais Van Garderen deveria ter perdido tempo.

Estes são três exemplos recentes, havendo mais, mas levanta-se a questão se o regulamento é para ser cumprido à risca, ou se poderão existir atenuantes, como no caso de López? O problema de utilizar os regulamentos quase como se fossem linhas de orientação é abrir precedentes que outros ciclistas possam utilizar mais tarde para se defenderem se o caso for idêntico, mas a decisão diferente. Mas é difícil não pensar como seria injusto López ser expulso... Lado racional vs lado emocional, devem os regulamentos e os comissários ter esta questão em conta? Se houver coerência nas decisões, porque não.

Regressando ao caso de Froome em 2016, para dar outro exemplo. O britânico viu ser-lhe dado o mesmo tempo de Porte e Mollema, o que o levou a manter a camisola amarela. Porte concordou dadas as circunstâncias excepcionais do que tinha acontecido, Mollema nem por isso e até questionou se a opção teria sido a mesma se tivesse sido ele a ficar para trás em vez de Froome.

O caso da Volta à Califórnia foi demasiado mau para ser verdade e não há atenuantes que justifiquem o que se passou. E foi numa corrida World Tour! Já Eamon Lucas admitiu que se fosse uma prova profissional que não iria manter o resultado, mas como foi uma amadora e a decisão foi a seu favor, ficou, naturalmente, contente. Mas não deixa de ser estranho que se concorde que se termine uma corrida de bicicleta... sem a bicicleta!

E já agora, no dia seguinte, Lucas venceu uma corrida, também na Bélgica. Como festejou? Talvez este tipo de celebração nunca tenha sido tão apropriado!

2 de abril de 2019

Martin e Bardet roubados quando caíram em Barcelona

(Fotografia: Facebook UAE Team Emirates)
Já não bastava ter sofrido uma queda aparatosa e que tirou o top dez a Daniel Martin e deixou Romain Bardet sem saber o que esperar do seu futuro próximo, os dois ciclistas foram roubados quando estavam no chão. Ambos caíram na última etapa, no circuito de Barcelona, na Volta à Catalunha, e ficaram sem os seus ciclocomputadores.

Os ciclistas confirmaram o roubo no Twitter e, mais do que o valor do equipamento, ficar sem os importantes dados das suas performances deixou-os bastante aborrecidos. Martin (UAE Team Emirates) escreveu que precisava de actualizar os seus valores dos treinos e "apelou" a quem roubou o ciclocomputador que envie os dados. Romain Bardet (AG2R) partilhou a mensagem de Martin, dizendo que "alguém não tinha ficado de mãos vazias perante a falta de sorte" dos ciclistas, confirmando que também ele tinha ficado sem a importante ferramenta.
Para os dois ciclistas foi um final de corrida, no domingo, muito infeliz, ainda mais para o francês. Martin acabou por se levantar e ainda terminou a prova. Caiu da quinta para a 23ª posição na geral, mas não ficou com grandes mazelas. Já Bardet perdeu um potencial oitavo lugar, tendo abandonado. Aguarda para conhecer o seu tempo de paragem, com suspeita de fractura nas costelas.

Este foi mais um episódio infeliz de uma Volta à Catalunha que desportivamente até proporcionou muito espectáculo. Na primeira etapa um homem filmou a queda de Domingos Gonçalves (Caja Rural), rindo-se do sucedido e, ao aproximar-se do português, brincou a dizer que ia ficar com a bicicleta, enquanto o ciclista gemia de dores, pois tinha fracturado o ombro e a omoplata.

Martin e Bardet, conheceram o lado pior de certas pessoas, ao contrário de Wout van Aert. Na Omloop Het Nieuwsblad, o belga da Jumbo-Visma perdeu o seu ciclocomputador. Fez um apelo no Twitter, explicando em quando sector o equipamento tinha caído e um adepto encontrou e devolveu-o. Em troca recebeu uma camisola autografada (ver link em baixo).

28 de março de 2019

Atirou bicicleta de outra ciclista para longe. A resposta: "Pelo menos atira na minha direcção!"

(Imagem: print screen)
A Driedaagse Brugge-De Panne (ou Três Dias de De Panne, versão um dia) volta a ter um vídeo em destaque que não é o sprint final. Um dia depois de na corrida masculina ter havido um excelente exemplo de companheirismo, na feminina houve um exemplo de exactamente o contrário. Foi "no calor do momento", justificou Elisa Longo Borghini, mas atirar a bicicleta de outra ciclista para longe após uma queda não foi um gesto nada bonito. A resposta não se fez esperar.

A italiana da Trek-Segafredo caiu juntamente com Lizzy Banks (Bigla Pro Cycling). As bicicletas ficaram entrelaçadas e Borghini teve dificuldade em separá-las. Banks estava uns metros mais atrás, ainda a tentar recuperar. Borghini lá conseguiu o que pretendia e foi a bicicleta da ciclista da outra equipa que saiu primeiro e a opção da italiana foi atirá-la para fora da estrada, longe de onde estava Banks. "Pelo menos atira a bicicleta na minha direcção, eh", escreveu a britânica no Twitter, explicando que regressou à corrida na sua bicicleta suplente, mas acabou por abandonar dada a incapacidade de reentrar no grupo da frente.

Borghini, uma das melhores ciclistas do pelotão feminino, também recorreu ao Twitter para admitir o erro. "Peço desculpa pelo atirar da bicicleta. Foi feito no calor do momento e eu estava muito frustrada porque as bicicletas não se desemaranhavam. Foi inaceitável e eu sinto mesmo muito. As minhas desculpas à Bigla Pro Cycling. Eu nunca intencionalmente causaria danos em alguém ou na sua propriedade", escreveu.


A italiana terminou a corrida na 82ª posição, a 23 segundos da vencedora Kirsten Wild (WNT-Rotor Pro Cycling). De referir que a portuguesa Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport) foi 43ª, a oito segundos.

Borghini talvez consiga entrar na lista dos melhores "lançamentos de bicicleta" e perante o que a italiana fez, torna-se irresistível recordar um dos mais memoráveis. É que se tentasse fazer de propósito, Bradley Wiggins, recuando a 2013 ao Giro del Trentino, nunca teria conseguido fazer isto...




»»O gesto de companheirismo no meio do caos««

»»Mais um incidente depois da meta a provocar a queda de ciclistas««

10 de outubro de 2018

Roubaram o troféu do Tour de Geraint Thomas

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Uma distracção e Geraint Thomas ficou sem o troféu que ganhou em Julho ao conquistar a Volta a França. A taça estava exposta num evento dedicado à modalidade em Birmingham, Inglaterra, juntamente com os ganhos por Chris Froome no Giro, em Maio, e na Vuelta de 2017. Só o de Thomas desapareceu e a polícia já está a investigar o sucedido. O galês não esconde a desilusão pelo que aconteceu, mas espera que ou seja devolvido, ou que apareça de outra forma.

Os troféus foram emprestados à Pinarello, marca de bicicletas utilizada pela Sky, e o roubo aconteceu quando já decorria a arrumação no final do dia 29 de Setembro. A equipa explicou que o troféu esteve momentaneamente sem qualquer vigia e foi nessa altura que desapareceu. "É uma grande infelicidade que isto tenha acontecido. Não é preciso dizer que o troféu tem um valor limitado para quem o levou, mas tem um grande significado para mim e para a equipa. Espero que quem o tenha levado tenha a bondade de o devolver. Um troféu é importante, mas o que mais interessa são as memórias incríveis daquele verão incrível e ninguém poderá tirar essas", afirmou Geraint Thomas.

(Fotografia: Facebook Pinarello)
Aquele troféu significou a quarta vitória consecutiva da Sky em grandes voltas e a primeira de Thomas, depois de anos como gregário. É também um marco para o ciclismo britânico, pois graças à vitória de Froome no Giro, Thomas no Tour e depois de Simon Yates (Mtichelton-Scott) na Vuelta, a Grã-Bretanha conquistou as três grandes voltas no mesmo ano, com três ciclistas diferentes. Um feito inédito.

"Estamos obviamente devastados com isto. Aceitamos a total responsabilidade e já pedimos desculpas pessoalmente ao Geraint. Obviamente esperamos que o troféu possa ser recuperado", disse o director da Pinarello no Reino Unido, Richard Hemington.

O objectivo do troféu estar exposto era para que os fãs o pudessem ver de perto, como explicou a Sky, tal como as bicicletas pintadas para celebrar as três vitórias. Após a sua vitória no Tour, Thomas tem andado muito dedicado a eventos para mostrar a sua conquista. Só participou em mais duas corridas desde a Volta a França, na Volta à Alemanha e à Grã-Bretanha, mas sem qualquer pretensão de vencer. O pouco treino e o desgaste da temporada levou-o a abdicar dos Mundiais.

Entre as muitas homenagens de que foi alvo, o galês tem agora um velódromo com o seu nome e, desportivamente, decidiu renovar com a Sky até 2021, apesar da CCC lhe ter feito uma proposta para liderar a nova vida da BMC.

Geraint Thomas irá começar a pensar em 2019, num ano que poderá marcar o regresso ao Giro, com Froome a querer atacar apenas o Tour, para tentar selar o quinto triunfo. Mas, por agora, Thomas terá de treinar sem ter um troféu que muito mereceu, como fonte de inspiração e motivação.



6 de setembro de 2018

Mais um incidente depois da meta a provocar a queda de ciclistas

(Imagem: Print screen)
Há uma semana, o helicóptero voou baixo de mais e a deslocação de ar fez com que as grades de segurança, de plástico, se deslocassem para a estrada, provocando a queda a alguns ciclistas. Agora, numa altura em que os ciclistas pensam que podem começar a relaxar, já que tinham cortado a meta, novo incidente, com um membro da organização a originar uma queda que deixou Dylan van Baarle mal tratado e sem certeza se irá continuar na corrida.

É um daqueles momentos que só visto. Nas imagens televisivas vê-se um homem a correr, de costas para os ciclistas, quando finalmente se virou, já não foi a tempo de evitar o choque com Alexandre Geniez, o vencedor da etapa. A meta estava colocada numa descida e foi discutida ao sprint, pelo que a velocidade era elevada. Não ajudou a estrada ser muito estreita e naquela zona da meta ainda fica com menos espaço devido à colocação dos repórteres fotográficos. A situação não seria fácil, mas se tudo tivesse sido cumprido à letra, dificilmente haveria problemas. Porém, o membro da organização tapou o único espaço que restava. para passar.

O ciclista da AG2R foi só o primeiro. Um polícia terá evitado que caísse desamparado, mas Dylan van Baarle não teve a mesma sorte. Quase deu uma cambalhota por cima do homem que também caiu no choque com Geniez. Mark Padun (Bahrain-Merida) e Dylan Teuns (BMC) não conseguiram evitar o incidente, mas com eles está tudo bem, tal como com Geniez. Van Baarle é que passou de estar a disputar uma etapa na Vuelta - foi segundo - para o risco de ser forçado a abandonar.

A Sky confirmou que o holandês não sofreu qualquer fractura, contudo, está bastante dorido e há uma preocupação com a coxa direita. A forma como passar a noite e como se sentirá de manhã poderá determinar a continuidade ou não do holandês. O membro da organização não saiu incólume do acidente, mas não tem ferimentos graves.

A situação não deixou ninguém satisfeito. No entanto, foi Gianni Bugno, presidente da Associação de Ciclistas Profissionais, que deu voz a uma maior revolta. "Não percebo porque está tanta gente na zona da meta. Se houvesse um sprint com cem ciclistas a cortar a meta ao mesmo tempo, poderia ter sido bem mais sério", afirmou o antigo ciclista. Bugno lamentou que casos como este aconteçam "apesar das medidas de segurança e de toda a polícia". Apelou ainda que a UCI intervenha para que os regulamentos das organizações sejam cumpridos.

"Não há circunstância atenuadoras. Estamos muito desiludidos por esta última falta de atenção para com os ciclistas. O ciclismo está a tornar-se num desporto perigoso em vez de melhorar [a segurança] e nesta altura já não estamos com vontade de ouvir aqueles que não respeitam as regras", afirmou o italiano.

A organização já pediu desculpa pelo sucedido, esperando que os ciclistas afectados possam continuar na corrida, mas Bugno disse que já não se aceitam desculpas por "acidentes previsíveis".

As duas situações geraram naturais criticas de alguns ciclistas. São inadmissíveis em qualquer corrida, mas o impacto é ainda maior quando se está numa das mais importantes  e mediáticas provas a nível mundial, na qual exige-se o maior e mais o perfeito do profissionalismo, para a segurança de todos.


»»Yates e Mitchelton-Scott mostraram frieza, irritando Valverde e Quintana««

»»Queda grave de Petilli marcou etapa. Italiano ficou inconsciente mas já recebeu alta hospitalar««

19 de agosto de 2018

Irmão de Miguel Ángel López atingido por moto que "invadiu" percurso da Volta à Colômbia

Quatro ciclistas foram chocaram de frente contra uma moto que entrou no percurso da última etapa da Volta à Colômbia. Um deles é o irmão de Miguel Ángel López, ciclista da Astana, que, segundos os meios de comunicação social locais, foi o que ficou ferido com maior gravidade. O acidente ocorreu no sábado, durante a penúltima etapa e motivou uma reacção de López no Twitter: "Imprudência total Segurança zero do ciclista por falta de permissão nas estradas. A federação colombiana deve garantir 100% da segurança."

O ciclista da Astana aponta assim a responsabilidade à federação, pois um insólito tinha acontecido antes, com a fase final do percurso a ter de ser alterada devido a uma actividade cultural. Foi precisamente no desvio que se deu o embate, não sendo ainda conhecido se o motard desobedeceu ao corte de estrada, ou se esta não estava devidamente assinalada para que não entrassem veículos não autorizados.

Além de Luis López, Johnatan Sarmiento e Aristóbulo Cala foram os outros ciclistas afectados, não sendo conhecido o nome do quarto corredor. Cala venceu a Volta à Colômbia em 2017 e confirmou o número de afectados no acidente (inicialmente eram apontados só três) explicou ao El Tiempo o que aconteceu: "Estávamos a chegar à [via] Carmen de Viboral numa curva um pouco fechada e um motard vinha bastante rápido. Ao ver-nos assustou, travou, mas a velocidade era tal que não controlou a moto e chocou de frente contra nós."

O ciclista, de 28 anos, confirmou que López foi quem ficou em pior estado, sendo de imediato transportado para o hospital. A bicicleta de Cala ficou destruída, como se pode ver nas fotografias partilhadas no Twitter (em baixo).


"Isto não pode acontecer uma corrida tão importante como a Volta à Colômbia. O presidente da Câmara de Rionegro não cedeu as estradas e não permitiu que se as fechassem. A federação teve de desviar a corrida e aconteceu isto", referiu Cala, que foi mais longe: "Espero que haja alguma responsabilidade porque foi uma tentativa de homicídio contra um ciclista." Cala considera que foi um milagre. "Deus estava comigo e protegeu-me porque o impacto foi impressionante", salientou.

Cala não terminou a corrida, acabando por também ele ser transportado para o hospital. O ciclista tem hematomas nos braços, ferimentos nas pernas e ainda três dedos da mão esquerda foram afectados. Quanto a Luis López, o El Espectador escreveu que o ciclista foi transferido para um hospital em Medellín, onde continua internado. A federação garantiu que irá garantir que o ciclista receba todos os cuidados médicos necessários. "Continuaremos a comprometer os melhores esforços na procura do crescimento do ciclismo e da segurança dos nossos atletas", escreveu num comunicado.

O mesmo site refere que o motard em causa está internado no hospital de Carmen de Viboral e a polícia está a investigar o que aconteceu.

A Volta a Colômbia terminou este domingo com vitória do equatoriano Jonathan Caicedo, companheiro de equipa (Medellín) do espanhol Oscar Sevilla, que foi tercerio, a 51 segundos. A última etapa foi ganha por Sebastian Molano (Manzana Postobón), sprinter que há um ano venceu duas etapas na Volta ao Alentejo e é colega de Ricardo Vilela.

»»Polícia atirou Froome ao chão e adepto quase fez o mesmo a Thomas««

»»Família de ursos "visitou" ciclistas da Quick-Step Floors durante o estágio««

25 de julho de 2018

Polícia atirou Froome ao chão e adepto quase fez o mesmo a Thomas

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
É mesmo caso para dizer que nada nem ninguém derruba a Sky. Ou quase... A equipa tem sobrevivido ao pacote suspeito de Wiggins, ao caso de salbutamol de Froome, a cuspidelas, tentativas de agressões, empurrões... Só um polícia conseguiu deitar Chris Froome ao chão! Já um adepto falhou na pretensão, caso fosse mesmo essa, relativamente a Geraint Thomas.

A intensa 17ª etapa de 65 quilómetros, nos Pirenéus, terminou com um britânico feliz e outro a ter de se resignar ao facto que desta vez não vai ganhar, a não ser que algo inesperado aconteça. E o inesperado por vezes acontece... Com tanta animosidade por parte dos adeptos, que apupam Froome e os companheiros da Sky e até já tentaram fazer bem pior - um homem foi preso no Alpe d'Huez por ter tentado empurrar o ciclista vencedor de quatro Tours -, não seria certamente da autoridade que Froome esperaria ver concretizado a tentativa de outro.

Quando descia rumo ao autocarro, o britânico foi placado por um polícia, que provocou a queda de Froome, segundo o site do jornal Marca. O corredor tinha a capa vestida, tapando a camisola e o agente não terá percebido que se tratava de um dos atletas do Tour. Como a estrada ainda estava interdita, pois não tinham passado todos os ciclistas - o penúltimo do dia, Arnaud Démare, passava naquele momento - -, o polícia tentou impedir uma suposta quebra das regras por parte daquele ciclista, que por acaso era Froome.

É habitual os corredores desceram com cuidado depois de terminarem a etapa, enquanto outros ainda estão a completá-la. Neste caso o polícia não terá percebido que se tratava de um dos ciclista do Tour, contudo, tanto Froome, como um dos membros do staff da Sky ainda terão trocado algumas palavras com o agente. As imagens foram partilhadas no Twitter.


Foi entretanto partilhado no Instagram também um vídeo, mas não se vê a queda (acrescentado ao texto às 22:00).



A Marca também dá conta de outro incidente, mas com Thomas. Já perto do final no Col du Portet, em Saint-Lary-Soulan, um homem com uma camisola da AG2R estica o braço para tocar no líder da Volta a França. O que pretendia? Fosse o que fosse, tudo acabou com Thomas a lançar um olhar reprovador à atitude daquela pessoa e a cortar a meta em terceiro, cimentando a sua liderança. De 1:39 para Froome é agora de 1:59 para Tom Dumoulin (Sunweb).



»»Gianni Moscon foi expulso do Tour««

»»A sexta camisola verde já está garantida««

2 de junho de 2018

Família de ursos "visitou" ciclistas da Quick-Step Floors durante o estágio

Eis uma situação que vai direitinha para os insólitos do ano. Os ursos voltaram a cruzar-se com os ciclistas da Quick-Step Floors, mas desta vez não foi na estrada. Entraram mesmo em casa! Fernando Gaviria, Maximiliano Richeze e Iljo Keisse estão a estagiar nos Estados Unidos. Estão alojados perto do Lago Tahoe, que abrange a fronteira entre a Califórnia e o Nevada e receberam uma visita que começou por ser engraçada, mas que acabou com um valente susto.

O ciclista belga, Keisse, contou no Twitter a aventura desde que a família de ursos apareceu junto da casa, ao "roubo" da comida e a nova visita com os ciclistas desta feita no local. Inicialmente, quando os três ursinhos e a sua mãe apareceram, o pensamento foi "tão fofinhos".

O trio partiu para o treino, com 120 quilómetros à espera dele e ainda uma passagem pelo ginásio. Quando regressou à casa, deu conta da invasão dos animais, que deixaram as "impressões digitais", não resistindo ao apelo da comida que os ciclistas ali deixaram. "Por sorte estávamos a treinar", escreveu Keisse, que ainda brincou: "Fizeram alguma confusão e não deixaram um bilhete de agradecimento."


Já durante a noite, os ciclistas passaram por um pequeno susto, quando a família de ursos regressou: "Já não foi tão fofinho, adoramos-vos mas abraços de ursos, não obrigado!"

Os três ciclistas vão regressar brevemente à Europa, pois estão escalados para a Volta à Suíça, que começa no dia 9. No ano passado, quando estagiava na mesma zona, Matteo Trentin não evitou um choque com um urso e que acabou com um capacete bem danificado. O italiano, agora na Mitchelton-Scott, não ganhou para o susto.

»»Foi picado por uma vespa mas não toma nada para não acusar doping««

»»Quando chegou ao velódromo de Roubaix o portão já estava fechado««

11 de maio de 2018

Froome com vida difícil no Giro. Até perdeu o helicóptero

(Fotografia: Giro d'Italia)
Chegou à Volta a Itália marcado pelo caso do salbutamol detectado na Vuelta. Quis concentrar-se na competição apesar da pressão mediática, mas ainda nem tinha arrancado a corrida e Chris Froome já estava a cair, durante o reconhecimento do contra-relógio inaugural. Entretanto perdeu mais de um minuto para o líder Simon Yates (Mitchelton-Scott) e fora da competição as coisas continuam a não correr bem. Poder-se-ia pensar que o pior para o pelotão seria viajar de Israel para a Sicília. Mas houve um dia de folga para o fazer e recuperar energias. Já atravessar as águas que separam a ilha italiana do sul do continente revelou ser uma aventura para alguns ciclistas. Froome à cabeça.

A Sky e a UAE Team Emirates, de Fabio Aru, terão sido as duas equipas que se fizeram valer dos elevados orçamentos que dispõem para alugar helicópteros para transportar os seus ciclistas e assim reduzir o tempo de viagem, para ajudar na recuperação. Os restantes, como Tom Dumoulin, foram de ferry, depois de terem enfrentado a viagem de autocarro até Messina. Essa acabou por ser a opção que sobrou para Chris Froome.

O britânico foi chamado para fazer os testes anti-doping depois de ter terminado a etapa da subida ao Etna, na quinta-feira. O único problema é que a 30 quilómetros da meta, Froome fez uma "paragem técnica" e quando foi preciso, não conseguiu produzir a amostra necessária de urina, segundo explicou à Gazzetta dello Sport. Foram precisas qualquer coisa como duas horas para conseguir finalmente "ficar livre". No entanto, já não tinha o helicóptero à sua espera.

"Às vezes as coisas complicam-te os dias, mas é assim que as coisas funcionam nas grandes voltas", disse Froome, citado pelo As. Só por volta das 22:00 é que terá conseguido estar no ferry. Porém, o britânico não foi o único azarado. Dumoulin e a restante Sunweb também acabaram por atravessar o estreito bastante tarde, por volta das 21:45, mas porque um dos barcos sofreu uma avaria!

Talvez agora se perceba melhor porque o pelotão esteve tão calmo durante a etapa desta sexta-feira. Já não bastava os três dias na Sicília terem sido intensos a nível competitivo, a viagem para o sul de Itália foi longa e complicada para alguns.

Visconti foi contra um carro da Groupama-FDJ

Do dia do Etna surgiram mais histórias e perder o helicóptero é um mal menor comparado com o que aconteceu com Giovanni Visconti. O ciclista apareceu com algumas feridas no final da corrida. Naturalmente que se pensou em mais uma queda. Mas afinal foi mais do que isso. O italiano da Bahrain-Merida tinha ido ao carro buscar abastecimento para os colegas. Quando regressava ao pelotão, estava atrás do carro da Groupama-FDJ, a andar a 60 quilómetros/hora, quando o veículo travou e Visconti não conseguiu evitar o choque.

"Podia ter entrado pelo vidro traseiro, mas acabei por voar pelo ar. Não sei quantos metros. Considero que tive sorte", admitiu à Gazzetta dello Sport. O ciclista contou que bateu com a cabeça e que por momentos perdeu a noção de onde estava. No entanto, terminou a etapa, a 19:43 minutos de Simon Yates.

Visconti explicou que tem dores no lado esquerdo do corpo, mas continua em prova. Não sabe por que razão o carro da equipa francesa travou de repente, mas não aponta qualquer responsabilidade, salientando que de imediato o ajudaram e pediram desculpa.

E para terminar, uma imagem que merece marcar este Giro. Eduardo Zardini caiu e fracturou a clavícula. Na altura ainda não sabia da gravidade da lesão e quis terminar a etapa na esperança que pudesse continuar em prova. A Wilier Triestina-Selle Italia estava unida para garantir que o seu sprinter Jakub Mareczko subia o Etna dentro do tempo limite. Porém, acabou por rodear um Zardini que nem conseguia apoiar um dos braços no guiador. Cortaram a meta todos juntos, mas o italiano acabou mesmo por se despedir do Giro. Não partiu para a etapa desta sexta-feira. Chegaram com mais de 26 minutos de atraso, com apenas Boy van Poppel (Trek-Segafredo) a cortar a meta mais tarde.

"Esta é uma grande imagem. Toda a equipa ajuda Zardini a atingir a meta com uma clavícula partida. O significado de trabalho de equipa", lê-se no twit partilhado pela equipa. E sim, é uma grande imagem.

Foi uma primeira etapa de montanha atribulada. E este fim-de-semana há mais para enfrentar.



5 de maio de 2018

Foi picado por uma vespa mas não toma nada para não acusar doping

(Fotografia: Lotto Soudal)
Irreconhecível! Sander Armée está a ser uma figura "silenciosa" deste início de Volta a Itália. O belga foi picado por uma vespa na quinta-feira, véspera do arranque da corrida, e tem o rosto inchado. O que há a salientar é que o ciclista está a competir sem recorrer a qualquer tratamento para não incorrer num teste positivo de doping.

O belga da Lotto Fix ALL poderia tomar cortisona para resolver a situação, mas é uma substância proibida. A outra hipótese seria solicitar a Autorização de Utilização Terapêutica, que tanto se tem falado nos últimos tempos devido principalmente à Sky e, recentemente, pelas admissões de Lieuwe Westra de quando estava na Vacansoleil e Astana ter recorrido a este processo para tomar substâncias proibidas, de forma a melhorar as suas performances.

No entanto, a equipa faz parte do Movimento por um Ciclismo Credível e as regras por que se rege são mais exigentes. Se Armée pedisse a autorização para tomar a cortisona, teria de abandonar a corrida.

Na quinta-feira, o ciclista de 32 anos, ainda brincou um pouco com a situação, colocando umas fotografias no Twitter a perguntar se deveria ou não utilizar óculos durante a apresentação da equipa na cerimónia que abriu a Volta a Itália.

Porém, o inchaço agravou-se e é assim que o ciclista está a competir.
Um grande sacrifício em prol da equipa por parte de Sander Armée, que está a aguentar esta situação para não deixar a Lotto Fix ALL com menos um homem tão cedo na corrida. O belga é um ciclista importante no plano para tentar levar Tim Wellens a um bom resultado na geral, mas também poderá ser aposta para tentar vencer uma etapa, como fez no ano passado na Volta a Espanha.

»»Vegni garante que se Froome ganhar o Giro a vitória não será retirada. A UCI não tem tanta certeza...««

»»Astana ameaça pedir indemnização a Westra após admissão de ter fingido lesões para tomar cortisona««

10 de abril de 2018

Quando chegou ao velódromo de Roubaix o portão já estava fechado

Ciclista furou e foi buscar uma roda ao carro da equipa... que estava a ser rebocado
(Imagem: print screen)
As peripécias num Paris-Roubaix dariam vários livros e certamente, pelo menos, um bom filme. Oficialmente, o último classificado da edição de 2018 foi o italiano da UAE Team Emirates foi Simone Consonni, que cortou a meta a 26.54 minutos do vencedor Peter Sagan, sendo 101º. Porém, houve quem não quisesse abandonar, mesmo que muito provavelmente já não contasse para a classificação, como se veio a confirmar. Foi o caso de Evaldas Siskevicius. Era a quarta vez que estava no monumento francês e para o lituano terminar era ponto de honra. Sobreviveu ao Inferno do Norte, a um furo já não muito longe do fim e ao facto de ter ficado sozinho, com o carro vassoura a receber ordem para seguir para Roubaix, enquanto o ciclista da Delko Marseille Provence KTM ainda pedalava e recusava parar. Quando viu o velódromo, Siskevicius passou rapidamente de pensar "missão cumprida", para ter dificuldades em acreditar no que os seus olhos lhe mostravam: o portão estava fechado.

"Felizmente um comissário foi compreensivo e deixou-me entrar. Assim pude fazer a minha volta e meia na pista", contou o ciclista ao Sporza. Mas pode-se dizer que este foi apenas o insólito final, pois antes já tinha uma história para contar. A menos de 40 quilómetros para a meta, 
Siskevicius (29 anos), ficou com o carro vassoura atrás de si. Nele já iam alguns ciclistas, a precisar urgentemente de um belo duche, e com as bicicletas presas no reboque.

Para o lituano não fazia sentido abandonar quando faltava tão pouco, tendo em conta que já tinha pedalado mais de 230 quilómetros. "Eu nunca desisto, seja na bicicleta, seja noutros aspectos da vida. Não queria desrespeitar a corrida. O Paris-Roubaix é um monumento que devemos honrar", salientou. Siskevicius seguiu e entrou no Carrefour de l’Arbre, sector de cinco estrelas. A 18 quilómetros de terminar a corrida, furou. Receou que era o fim, mas não: "Tive sorte. Estava lá o carro da minha equipa num reboque, mesmo atrás do carro vassoura. Pude ir buscar uma roda", contou. A viatura de apoio da Delko Marseille Provence KTM tinha avariado, o que acabou por calhar mesmo bem para Siskevicius.

E lá seguiu ele, determinado em terminar o Paris-Roubaix e apoiado por algum público que ainda se mantinha nas bermas dos sectores de pavé. Siskevicius admitiu que também esse foi um factor decisivo para chegar ao velódromo. Quando cortou a meta, já Peter Sagan o tinha feito há uma hora, tinha subido ao pódio e a festa na Bora-Hansgrohe estava em alta. Siskevicius teve o momento que ambicionava: terminar. Mesmo que não conte para a classificação, pois chegou fora do tempo limite. Ficou com uma boa história para contar! Em quatro participações no Paris-Roubaix, Siskevicius só terminou em 2016 (80º, a 16:52 de Mathew Hayman), mas se calhar não ficou com tanto para recordar.

No vídeo em baixo vê-se parte da aventura de Siskevicius e como diz um adepto: Chapeau! Grande atitude deste ciclista.