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15 de agosto de 2018

Um dos mais antigos patrocinadores despede-se do ciclismo

(Fotografia: Twitter Lionel Mawditt)
Os equipamentos nem sempre eram dos que tinham mais opiniões favoráveis. Mas certo é que camisolas com feijões coloridos nunca passaram despercebidas e nos Estados Unidos a equipa Jelly Belly há muito que reunia muitos adeptos, até porque aqueles feijões são difíceis de resistir quando se começa a comer. Porém, é o fim da linha para a Jelly Belly no ciclismo. A empresa anunciou que irá abandonar a modalidade 19 anos depois. É um dos patrocinadores mais antigos, mas chegou o momento de procurar novas oportunidades, segundo justificou um dos responsáveis.

"Apesar de termos apreciado esta longa relação com a equipa e com a modalidade do ciclismo, sentimos que é altura de procurar oportunidades mais próximas aos nossos programas de patrocínio, de acordo com os objectivos da empresa. Foi um prazer apoiar esta equipa e as suas corridas, de providenciar uma plataforma para identificar jovens talentos e para desenvolver e preparar atletas para avançarem para o nível mais alto da modalidade", disse o representante da Jelly Belly, Rob Swaigen.

O futuro da estrutura Continental é agora incerto. O director Danny Van Haute tem esperança que outro patrocinador surja e em declarações ao Velonews explicou: "Deverei saber algo dentro de duas semanas. Normalmente temos dois ou três anos de contrato com a Jelly Belly e depois os outros parceiros seguem o mesmo caminho."

A Jelly Belly - que este ano chama-se Jelly Belly powered by Maxxis - não é das equipas mais ganhadoras, mas tem tido o seu papel em dar oportunidades a jovens ciclistas, principalmente americanos. Por lá passou Tylar Farrar, que durante muitos anos representou a Garmin, tendo terminado a carreira no ano passado na Dimension Data. Phil Gaimon (também já retirado) é outro nome com ligações à equipa, assim como Lachlan Morton, que reavivou a carreira precisamente na Jelly Belly, depois de uns anos na Garmin, estando agora na Dimension Data.

Uma das principais corridas para a Jelly Belly era a Volta à Califórnia. Com a subida à categoria World Tour da prova, a equipa ainda conseguiu um convite em 2017, apesar de pertencer ao terceiro escalão. Esta ano ficou de fora, no que foi um rude golpe. Algumas das estruturas americanas, como a Hagens Berman Axeon e a Rally Cycling pediram a licença Profissional Continental, mas, infelizmente, a Jelly Belly sai de cena e não haverá mais os equipamentos com os feijões na estrada.

No Twitter da formação é possível ler várias mensagens a lamentar esta anunciada despedida, que estão a ser partilhadas pela equipa.


12 de julho de 2018

O que comem os ciclistas durante uma grande volta?

(Fotografia: ©ASO/Alex Broadway)
A nutrição é um ponto essencial para os ciclistas realizarem boas prestações. Actualmente os famosos pratos a abarrotar de massa já são variados com refeições preparadas ao pormenor, mas há também que ter em conta os gostos pessoais dos ciclistas. Estamos a falar de gastos de cinco mil calorias por dia, ou mais, durante 21 etapas. Há uma descrição que é fantástica: uma grande volta "é como uma festa de Halloween que dura três semanas!"

É referência é da responsabilidade de Sophie Roullois, uma das responsáveis por esta área na EF Education First-Drapac p/b Cannondale, equipa de Rigoberto Uran. "Eu coloco uns mini Snickers [nos sacos entregues durante a corrida]", admitiu, num artigo publicado no site Bicycling. Lê-se ainda mais uns exemplos, como as gomas que Peter Sagan tornou famosas, mas que afinal têm mais fãs no pelotão. O chef da Mitchelton-Scott afirma que há pelo menos um ciclista da equipa que não as dispensa. Nicki Strobel explicou também que durante a temporada não incentiva muito as dietas "gordas", mas, quando chega um Tour, ou outra grande volta, não tem dúvidas: "Os hidratos de carbono são reis!"

Outra perspectiva diferente é como gerir não só os gostos pessoais, mas as diferentes nacionalidades, que tem enorme influência de como os ciclistas preferem as suas refeições. Olga Belenko, chef da EF Education First-Drapac p/b Cannondale, explica como é inevitável que o arroz, massa e batatas façam parte das refeições, mas os ciclistas latinos "gostam das coisas simples e separadas, como os vegetais, carne grelhada, molhos e nada muito picante". Quanto aos nórdicos, preferem "batata cozida e sabores cremosos" e os americanos "são doidos" por caril e especiarias. Mas diz Belenko que há algo que todos os ciclistas gostam: panquecas!

A chef da equipa americana conta ainda como não pode estar sempre a servir as mesmas comidas todos os dias, tentando adaptar algumas receitas às necessidades específicas deste tipo de atletas. E há espaço para pedidos especiais. Olga Belenko contou que o mais estranho que recebeu foi quando quiseram um jantar tipicamente russo.

Como pequenas curiosidades, Uran parece que gosta muito de bananas da terra e de vez em quando lá aparece com umas para serem cozinhadas. Na Mitchelton-Scott não se revelaram nomes, mas Strobel referiu como há um ciclista que gosta apenas de uma omelete com banana: "É a primeira vez que ouço falar disto, apenas uma normal omelete de três ovos com banana esmagada nela!" 

Também a Gazzetta dello Sport pegou neste tema da nutrição, desta feita com Vincenzo Nibali como foco. O italiano acredita que poderá estar perante uma última possibilidade de ganhar o Tour pela segunda vez e não está a deixar nada ao acaso. Está a ser acompanhado por uma nutricionista que prepara diariamente os menus que o chef deverá preparar para Nibali. Como bom italiano que é não dispensa uma boa "pasta" ou um saboroso risotto, mas não dispensa a carne e a preferência de peixe vai para o atum e salmão. Para sobremesa, os gelados estão fora de questão por questões higiénicas, mas um cheesecake, uma mousse de chocolate proteica ou um tiramisu podem entrar no menu.

Para terminar, não se pense que um ciclista não cede a tentações. Phil Gaimon, ciclista americano que se retirou em 2016, contou ao Bicycling que a manteiga de amêndoas é uma das preferidas entre os corredores e que uma tigela de cereais à noite também era algo muito normal. Pessoalmente, Gaimon confessou como se "atirava" às bolachas que pessoas que não conhecia lhe ofereciam. Os médicos da equipa obrigavam-no a prometer que não as comeria, mas Gaimon não resistia.

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29 de janeiro de 2018

Gaimon e Cancellara vão resolver "diferendo" na estrada

Desafio aceite! Phil Gaimon aceitou a proposta de Fabian Cancellara de se defrontarem numa das corridas que o suíço organiza, desde que deixou o profissionalismo em 2016. É caso para dizer que os dois antigos corredores vão resolver na estrada um "diferendo" que começou em Novembro quando o americano publicou um livro, no qual relançava as insinuações que Cancellara teria recorrido a um motor na sua bicicleta para ganhar a Volta a Flandres, em 2010. O suíço colocou os seus advogados em acção para que o livro deixasse de ser vendido, exigindo ainda um pedido de desculpas. Porém, das palavras vai-se passar... aos pedais. Só falta saber onde e quando.

"Vamos ver quantos watts o Gaimon ainda tem. Eu tenho uns bons números, mesmo que não por muito tempo já que não estou em forma. Ele deveria vir a uma das minhas corridas. Há nove para escolher, para ver o quanto ele é bom", afirmou Fabian Cancellara em recentes declarações à Gazzetta dello Sport. Logo em Novembro, no auge, digamos, da polémica, Cancellara (36 anos) havia deixado uma mensagem no Twitter a incitar Gaimon a aparecer numa das suas corridas.

O americano, de 32 anos, lá cedeu. "Nunca era o meu objectivo, mas está bem. Eu deixo-te para trás na tua própria corrida. No entanto, tenho algumas condições. O meu pessoal vai falar com o teu", escreveu Phil Gaimon no Twitter. Entre as tais condições estará a possibilidade de ser o americano a escolher qual a prova em que quer participar.

O Chasing Cancellara decorre maioritariamente na Europa, mas tem uma passagem por Abu Dhabi, a 20 de Março, no circuito Yas Marina, que tem recebido a última etapa da Volta a Abu Dhabi (já agora, que Rui Costa ganhou no ano passado). Mas essa não deverá interessar a Phil Gaimon, que é provável que procure terreno mais montanhoso. As duas corridas que têm os Alpes como cenário serão mais atractivas. A 24 de Junho decorre a Disentis-Andermatt e a 19 de Agosto realiza-se uma das mais exigentes deste calendário: Aigle a Villars-sur-Ollon, com passagens nos Col des Mosses, Col du Pillon, Col de la Croix, com um desnível acima dos 2700 metros em pouco mais de 80 quilómetros.

Ambos os ciclistas terminaram a carreira em 2016. Fabian Cancellara mantém-se ligado ao desporto, também numa vertente de empresário e até experimentou o triatlo. Entretanto esteve na universidade. Phil Gaimon, muito menos mediático, escreveu um livro que acabou por lhe trazer bastante atenção, intitulado Draft Animals: Living the Pro Cycling Dream (Once in a While).

"Quando se vêem as imagens, as acelerações dele não são nada naturais. É como se tivesse problemas em manter os pés nos pedais. Aquele cabrão provavelmente tinha um motor." Esta foi a frase que originou toda a polémica, com Gaimon a defender-se, dizendo que foi tirada do contexto e que não estava a alegar nada de novo. As suspeitas de Cancellara utilizar um motor na sua bicicleta já existem desde a tal Volta a Flandres em 2010, mas o livro de Gaimon reacendeu o interesse que até levou o novo presidente da UCI, David Lappartient, a querer que o caso fosse investigado. Numa nota à parte, em Março deverão ser anunciadas novas medidas de fiscalização das bicicletas para descobrir eventuais motores.

Quanto ao frente-a-frente entre Gaimon e Cancellara é esperar por novidades, mas não deixa de ser um ponto de interesse extra-ciclismo profissional! De referir que as corridas do Chasing Cancellara estão abertas ao público em geral e a primeira está marcada para 9 de Março, em Maiorca. Pode ver mais informações no site oficial.

»»A nova vida de um Cancellara universitário, triatleta e empresário««

»»Uma frase num livro e o alegado motor de Cancellara volta a ser assunto do dia««

»»Cancellara quer que livro deixe de ser vendido e exige pedido de desculpas««

14 de novembro de 2017

Cancellara quer que livro deixe de ser vendido e exige pedido de desculpas

(Fotografia: Edward Madden/Flickr)
Acabou-se o silêncio. Fabian Cancellara passou ao ataque, ainda que sem dar a cara. Através dos seus advogados e empresário, o suíço reagiu às declarações expressas num livro de Phil Gaimon, antigo ciclista que, tal como Cancellara, terminou a carreira há um ano. O americano voltou a levantar suspeitas sobre a utilização de um motor na bicicleta na Volta a Flandres e Paris-Roubaix em 2010, por parte do Spartacus, como era conhecido. A frase reavivou antigos rumores e até o novo presidente da UCI, David Lappartient quer que o caso seja investigado. Depois de uns dias sem qualquer reacção do visado, Cancellara faz agora as suas exigências.

O empresário do ex-ciclista, Armin Meier, afirmou ao jornal belga Het Nieuwsblad: "Os nossos advogados exigem à editora americana Penguin Random House que a venda do livro seja cessada imediatamente e que o escritor, Phil Gaimon, pela desculpa." O antigo ciclista da Cannondale-Drapac acabou por divulgar um comunicado, mas não com as desculpa exigidas por Cancellara.

"Não esperava que isto fosse tirado do contexto e transformado num deslizamento de terras. Peço desculpa a quem perdeu tempo e energia com isto. Não era assim que eu queria vender livros e não compensa a dor de cabeça", lê-se no texto de Gaimon. De recordar que em causa está a passagem do livro Draft Animals: Living the Pro Cycling Dream (Once in a While) em que o americano recorda os dois monumentos de 2010: "Quando se vêem as imagens, as acelerações dele não são nada naturais. É como se tivesse problemas em manter os pés nos pedais. Aquele cabrão provavelmente tinha um motor."

Os rumores não são novos, mas o livro reacendeu uma antiga discussão. Porém, Gaimon realçou que não faz qualquer acusação, apenas fala sobre o eterna suspeita de Cancellara ter um motor na bicicleta: "Eu repeti um rumor que está bem documentado e tem muitos anos. Mantenho a minha opinião, mas é só isso e se alguém abriu de facto o livro, saberia que o que disse foi longe de ser uma acusação."

Gaimon explicou que o livro pretende demonstrar uma imagem do desporto, mas disse que se alguém estiver à espera que ele seja um dos que denuncia tudo, então ficarão desiludidos. "Não refiro nenhum escândalo que não se tenha ouvido antes e provavelmente demonstro empatia para com alguns dopados que vocês querem que eu odeie. Suponho que esse tipo de leitor ficará desapontado", escreveu no comunicado. O americano, de 31 anos, refere-se ao facto de ser amigo e de defender Tom Danielson, ciclista que em 2015 acusou positivo de uma substância anabolizante e foi suspenso por quatro anos, optando por terminar a carreira.

"A história que quero contar é sobre o que significa seguir um sonho (...). É a minha verdade (...) e despendi muito tempo e emoção sobre ela, mas as minhas opiniões nem sempre são populares e eu percebo que algumas pessoas ficarão zangadas. Espero que alguns de vocês leiam para lá do barulho e desfrutem", afirmou Gaimon.

»»Uma frase num livro e o alegado motor de Cancellara volta a ser assunto do dia««

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10 de novembro de 2017

Uma frase num livro e o alegado motor de Cancellara volta a ser assunto do dia

(Fotografia: Roxanne King/Flickr)
É caso para dizer, lá vamos nós outra vez. Quando Fabian Cancellara terminou a carreira, há um ano, ficou claro que perante um currículo tão brilhante, aquele arranque na Volta a Flandres em 2010 - que deixou Tom Boonen a parecer que estava parado -, nunca deixaria de levantar suspeita sobre um alegado motor na bicicleta. Nem o facto de estar retirado terminou com a desconfiança. E porquê que se volta agora a falar disso? Por causa desta frase escrita num livro: "Quando se vêem as imagens, as acelerações dele não são nada naturais. É como se tivesse problemas em manter os pés nos pedais. Aquele cabrão provavelmente tinha um motor."

Houve direito a ofensa e tudo... O autor é Phil Gaimon, que também colocou um ponto final na carreira em 2016, aos 30 anos. Ao contrário de Cancellara, o seu currículo não o coloca entre os ciclistas mais memoráveis, apesar de algumas classificações interessantes. A sua última equipa foi a Cannondale-Drapac. Gaimon resolveu escrever um livro - o título em inglês é Draft Animals: Living the Pro Cycling Dream (Once in a While) - e não lhe falta publicidade depois de terem sido divulgadas algumas frases, nomeadamente aquela sobre Fabian Cancellara. As suspeitas do americano são sobre a Volta a Flandres e o Paris-Roubaix.

As reacções não se fizeram esperar. Gaimon está a ser alvo de muitas mensagens pouco simpáticas nas redes sociais, segundo o próprio revelou, enquanto a UCI rapidamente veio a público dizer que vai investigar as alegações. O novo presidente, David Lappartient, tem disparado em várias direcções e o doping mecânico não é excepção. O dirigente salientou que, como todos, conhece os rumores e que agora, perante as declarações de Phil Gaimon, há que perceber o que está por detrás delas.

Quanto ao ex-ciclista, já veio a público dizer que não se percebeu onde queria chegar com a afirmação. "Acredito que tenha acontecido algumas vezes naquele ano, mas mal alguém reparou e se tornou numa história [mediática], ninguém o fez novamente", realçou ao Cycling News. Gaimon diz mesmo que ninguém no ciclismo acredita que de facto se vai chegar a alguma conclusão, mesmo com a determinação de Lappartient.

Fabian Cancellara mantém-se em silêncio. Já repetiu tantas vezes que não usou nenhum motor, que desta vez não disse nada publicamente. O suíço sempre se defendeu afirmando que o seu único motor eram as pernas. Já o mecânico que acompanhou Cancellara durante a fase das clássicas em 2010, então na Saxo Bank, considera que era impossível alguém recorrer a tal forma para ganhar vantagem.

"Se houvesse um motor na bicicleta eu teria visto. Não seria possível esconder. As bicicletas do Fabian eram tratadas como todas as outras, por isso era impossível que algo pudesse lá estar escondido", garantiu Rune Kristensen. O mecânico, actualmente ao serviço da Quick-Step Floors, assegura assim também que não havia um tratamento especial para a bicicleta de Cancellara, que, segundo algumas alegações, ficaria à parte das dos colegas de equipa.

Entretanto, o combate ao doping mecânico terá um novo líder: Jean-Christophe Peraud. O antigo ciclista, mais um que acabou a carreira em 2016, irá substituir Mark Barfield, o homem que havia sido escolhido pelo antigo presidente da UCI, Brian Cookson. Apesar das muitas vistorias, nunca nenhum ciclista do pelotão profissional de estrada foi apanhado com um motor. O primeiro caso surgiu nos Mundiais de ciclocross em 2016, na bicicleta da belga Femke Van den Driessche. A ciclista foi suspensa por seis anos, mas optou por terminar a carreira. Desde então, só no ciclismo amador têm surgido alguns casos.

Algumas reportagens têm colocado em causa a forma como a UCI lidera estas vistorias às bicicletas, surgindo alegações que o sistema utilizado, através de um tablet, não é eficaz, ainda mais quando já não se fala apenas de um motor escondido no quadro da bicicleta, mas também com o doping mecânico a já ter chegado às rodas.

Jean-Christophe Peraud, ciclista que representou a AG2R e que foi segundo na Volta a França de 2014, ganha por Vincenzo Nibali, terá muito trabalho pela frente para não só garantir que este doping mecânico não é utilizado no ciclismo, mas também para credibilizar o sistema utilizado na detecção de motores.

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