18 de maio de 2016

Etixx aposta em Jungels. Sky fica sem aposta

O adeus de Landa ao Giro, prova na qual foi terceiro em 2015

(Fotografia: Twitter @TeamSky)
A expulsão de Alexey Tsatevich por parte da Katusha era o tema que ameaçava dominar grande parte do dia. Pelo menos até à aproximação das últimas dificuldades do dia. Mas afinal o assunto "morreu" rapidamente. O abandono de Mikel Landa transformou-se no choque do dia, provavelmente de todo o Giro. O espanhol sofreu uma gastroenterite e não aguentou a difícil etapa, deixando assim a Sky orfã de um líder. O azar volta a atingir a equipa britânica na Volta a Itália.

Os problemas começaram logo na primeira dificuldade do dia, depois de uma noite mal passada. Landa já perdia seis minutos. Os colegas tentaram ajudar o espanhol a recuperar, mas na subida seguinte tornou-se evidente que simplesmente não dava.

A Sky não se dá com os ares italianos. Em 2013, Bradley Wiggins fez do Giro a sua aposta, no ano seguinte à vitória do Tour. A chuva marcou grande parte da primeira fase da prova e Wiggins começou a perder tempo nas descidas. Foi um martírio para o britânico. Na 12ª etapa foi para casa. No ano seguinte foi Dario Cataldo a principal aposta, mas acabou por ser Sebastian Henao o melhor: 22º a quase uma hora do vencedor Nairo Quintana. 

Em 2015, a Sky tinha grande ambição, dando a Richie Porte - o então habitual braço direito de Chris Froome no Tour - a oportunidade de liderar. O australiano teve um início de ano sensacional, começou bem o Giro, mas depois veio o episódio da roda dada por Simon Clarke, que por ser de outra equipa, acabou por valer a Porte uma sanção de perda de tempo. Seguiu-se um mau contra-relógio e a desistência veio na 15ª etapa devido a uma lesão num joelho. E ficará para a história o autocarro exclusivo para Richie Porte. Uma experiência única... numa perspectiva que não mais aconteceu.

2-0 para a gastroenterite. Primeiro foi Fabian Cancellara (Trek-Segafredo) a ver uma gastroenterite arruinar-lhe o sonho de chegar à camisola rosa, agora foi Mikel Landa a ficar sem hipótese de lutar pelo seu objectivo.

O melhor ciclista da Sky é Nicolas Roche, 26º a nove (!) minutos do líder. Será altura de começar a pensar em vencer etapas para salvar um pouco a honra.

Etixx-QuickStep e o espírito de equipa perfeito

A união desta equipa belga tem sido um exemplo. Depois de uma época de clássicas - sempre um grande objectivo da equipa - que não correu bem, o mês de Maio começa a compensar e muito. Depois do trabalho para levar Marcel Kittel a duas vitórias e à camisola rosa, esta terça-feira Gianluca Brambilla fez o sacrifício supremo. Admitindo que não tinha capacidade para se manter entre os melhores, trabalhou enquanto teve forças para ajudar Bob Jungels, que estava a apenas um segundo da sua liderança.

O trabalho foi importante. A Etixx tem o terceiro ciclista líder. E há que lembrar que após a segunda etapa, Marcel Kittel ofereceu pulseiras rosa aos companheiros para os motivar para chegar à liderança. Essa motivação foi muito além do desejo do sprinter alemão, que já não está em prova.

Bob Jungels lidera com 26 segundos de vantagem sobre Andrey Amador (Movistar). Não se espera que Jungels venha a ser um verdadeiro candidato, mas vai reforçando a liderança da juventude e um top dez é cada vez mais possível.

Segunda fila a fazer frente aos líderes

A 10ª etapa entre Campo Bisenzio e Sestola (219 quilómetros) ajudou a definir um pouco melhor o topo da classificação. Não se fizeram grandes diferenças entre os principais candidatos, mas há equipas que arriscam-se a ter uma questão que terão de responder o mais tardar na última semana do Giro.

Andrey Amador e Jakob Fuglsang voltaram a mostrar-se melhor que os seus líderes. Não ganharam muito tempo, mas além de se apresentarem como um plano B muito viável, no caso de Amador, poderá transformar-se numa dor de cabeça para a Movistar. O ciclista da Costa Rica atacou, acabando por não alcançar uma diferença que preocupe o líder Alejandro Valverde. Porém, voltou a terminar à frente do espanhol e até beneficiou de uma ajuda de um colega, que ficou com Amador e não com Valverde. É segundo, com 26 segundos de vantagem sobre o espanhol, que vem logo atrás em terceiro.

Quanto a Fuglsang, o dinamarquês tem quase um minuto a mais que Vincenzo Nibali, que é o líder indiscutível. Porém, a Astana poderá tentar manter Fuglsang na corrida, para precaver algum percalço do italiano.

Podemos sempre contar com a Bardiani

Para animar o Giro há sempre a certeza que a Bardiani-CSF vai dar espectáculo. E assim foi hoje. Com três homens na fuga era certo que a equipa italiana ia apostar tudo. Stefano Pirazzi tinha a ajuda necessária para vencer e acabou num trio com Damiano Cunego (Nippo-Vini Fantini) e o colega Giulio Ciccone. Com Cunego preocupado em somar pontos para recuperar a camisola da montanha (que conseguiu), Ciccone atacou na descida antes da última dificuldade e nunca mais foi visto por ninguém.

O responsável pela terceira vitória italiana no Giro (depois de Ulissi e Brambilla) tem 21 anos, está a cumprir a sua primeira grande volta e vence na primeira etapa de verdadeira montanha. Melhor cartão de visita é impossível.

Uma palavra ainda para Ilnur Zakarin. O russo da Katusha mostrou que está recuperado tanto física como mentalmente de um contra-relógio terrível (caiu duas vezes e trocou uma vez de bicicleta), cortando a meta com os favoritos. Zakarin ainda pode ter uma palavra a dizer neste Giro.


Stage 10 - Highlights por giroditalia


Etapa 11 - Modena - Asolo (227 quilómetros)

Senhores sprinters é novamente a vossa vez... se sobreviverem ao sobe e desce final e restar alguma força. Depois de três etapas para os candidatos se mostrarem, a Volta a Itália regressa a uma etapa "calma" durante pouco mais de 200 quilómetros. Os últimos 20 prometem muito entretenimento até Asolo.

Começam com uma subida de quarta categoria a Forcella Mostaccin, que chega a ter pendentes a 10, 11, 14 e o máximo será de 16%. Isto em 2900 metros. Depois de um terreno sempre incerto, os ciclistas enfrentarão um pequeno muro de um quilómetro a 7%, a cerca de cinco da meta. Um pouco de pavé à mistura e é espectáculo garantido.

Perante estas características finais, André Greipel (Lotto Soudal) é o favorito entre os sprinters ainda em prova, podendo chegar à sua terceira vitória, quarta da equipa. Isto claro se passar. Não é missão fácil para sprinters, mas o alemão já mostrou que consegue passar este tipo de dificuldades. Porém, esta etapa é também perfeita para uma fuga resultar e até para algum candidato tentar fazer diferenças. Aqueles 20 quilómetros finais tornam tudo imprevisível.


Giro d'Italia 2016 - Stage 11 por giroditalia

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