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22 de novembro de 2019

Quando se uniu a Movistar ganhou... mas não repetiu a união

(Fotografia: © Giro d'Italia)
Alejandro Valverde não foi o ciclista ganhador de temporadas recentes e a Movistar até se ressentiu um pouco nos números finais de vitórias. Porém, a equipa espanhola finalmente conquistou uma grande volta, terminando com uma espera de três anos. E tendo em conta que as três semanas fazem parte da génese desta histórica estrutura, há razões para alguma satisfação. Mas não muita. É que acabou por ser uma época com mais do mesmo relativamente às lutas internas, numa equipa que tanta dificuldade tem a agir como tal. Se nesse aspecto foi mais do mesmo, já a preparação para 2020 causa estranheza. Haverá muitas mudanças, algo pouco normal num director como Eusebio Unzué, mais conhecido por contratar muito pouco, dando prioridade à continuidade, sempre com uma espinha dorsal quase intocável.

Muitas das equipas World Tour adorariam ter conquistado etapas nas três grandes voltas e uma geral. Mas para a Movistar acaba por ficar mais vincado o novo desaire no Tour, em que o mal amado Nairo Quintana conquistou uma etapa para salvar um pouco a honra numa corrida em que apostar pelo segundo ano consecutivo no tridente Quintana/Landa/Valverde correu novamente mal. O colombiano estava isolado, enquanto Landa fez a sua corrida, com um Valverde a ser tudo menos um elemento de união.

Poder-se-ia pensar que depois de no Giro Richard Carapaz ter conseguido unir a equipa, inclusivamente Landa trabalhou para o equatoriano, resultando na conquista da grande volta - a última havia sido a Vuelta de 2016 com Quintana -, que a Movistar continuasse a ter um colectivo que funcionasse como tal. Mas não.

Contudo, próprio Carapaz antes de alcançar esse feito, contrariou a ideia de um Landa como líder único no Giro, assumindo-se sempre como co-líder e atacando em etapas para garantir que os responsáveis o vissem como tal. No Tour foi cada um por si entre os chefes-de-fila, enquanto na Vuelta foi a batalha Valverde (segundo)/Quintana (quarto). E não ajudou à imagem da equipa os seus ciclistas terem atacado o eventual vencedor Primoz Roglic (Jumbo-Visma) quando este caiu numa etapa, com a justificação que tentou aproveitar o vento para fazer cortes no pelotão. A organização acabou por intervir e apenas ficou a polémica, tanto da atitude da Movistar, como da decisão dos comissários de esperar que o pelotão ficasse novamente junto, num precedente que ainda haverá dar que falar no futuro.
Ranking: 7º (10.398 pontos) 
Vitórias: 21 (incluindo a geral no Giro e duas etapas, uma no Tour e duas na Vuelta) 
Ciclistas com mais triunfos: Alejandro Valverde e Richard Carapaz (5)
Desentendimentos à parte, a Movistar ressentiu-se da falta de um Valverde avassalador, como tem acontecido em anos recentes. Aos 39 anos, o espanhol teve alguns problemas físicos e não conseguiu estar na discussão de tantas corridas como costumava. Nem nas suas Ardenas apareceu ao seu melhor. Na época em que vestiu a camisola de campeão do mundo, Valverde deu as primeiras mostras de estar na recta final da carreira. Mas ainda falta ir a Tóquio tentar a título olímpico.

Esta é uma equipa muito dependente das suas figuras para conquistar vitórias, mas a escolha recaiu em trazer novas caras para 2020, num corte bastante radical com o passado recente. Sai Landa (Bahrain-Merida), Quintana (Arkéa-Samsic), um dos importantes homens de trabalho Winner Anacona (Arkéa-Samsic) e Rubén Fernández vai procurar relançar a carreira como líder na Fundação Euskadi. Jasha Sütterlin sai ao fim de um ano para a Sunweb e Daniele Bennati terminou a carreira. Carlos Betancur, Rafael Valls, Jaime Rosón e Jaime Castrillo também vão mudar de ares. Depois há ainda um Andrey Amador que renovou, mas devido a um desentendimento entre Unzué e o empresário Giuseppe Acquadro, o ciclista que tem sido um elemento imprescindível na Movistar está de saída, talvez para a Ineos.

A equipa britânica garantiu ainda um Carapaz que inicialmente estaria mais tentado em continuar na Movistar para ser líder indiscutível, mas com a influência de Acquadro assinou por uma Ineos nada preocupada em ter agora quatro ciclistas que podem e querem discutir grandes voltas.

Com tanta saída, haverá naturalmente entradas para compensar, curiosamente de muitos estrangeiros, numa equipa que sempre abriu muito as portas aos ciclistas da casa. Foi buscar vários jovens como o britânico Gabriel Cullaigh, o alemão Juri Hollman, o americano Matteo Jorgenson, o suíço Johan Jacobs e dois colombianos, Einer Augusto Rubio e Diego Alba. Contratou também dois espanhóis: Sergio Samitier e Iñigo Elosegui. Todos vão fazer a sua estreia ao mais alto nível.

Porém, o mais relevante é como a Movistar parece querer deixar de dividir lideranças, Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) foi contratado para ser o líder para as grandes voltas, com Dario Cataldo a deixar a Astana para reforçar este bloco. Da mesma equipa chega um Davide Villella que quer concentrar-se nas clássicas.

Uma nova era vai começar na Movistar, com Enric Mas a ter a partir de agora o enorme peso de ser um espanhol à frente da única equipa espanhola do World Tour. E já foi lançado o repto para os 40 anos da estrutura, ganhar a Volta a França, a única grande volta que falta conquistar com o nome Movistar. Com tanta saída, Marc Soler espera que possa ter nova oportunidade de lutar pela geral numa das grandes voltas, Giro ou Vuelta.

Quem continua a fazer parte da espinha dorsal é o português Nelson Oliveira. Renovou por mais duas temporadas. É um ciclista que está grande parte da temporada muito preso a um papel de gregário que desempenha tão bem, com 2019 a não ter sido excepção. Porém, continua vivo o objectivo de vencer um contra-relógio, a sua especialidade, num dos grandes palcos, sendo que a maior liberdade é dada nas clássicas. Oliveira é um ciclista exemplar que os responsáveis da Movistar não dispensam.

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18 de novembro de 2019

Sonho olímpico para dois portugueses

Nelson Oliveira vai à procura da medalha no contra-relógio
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É oficial. Portugal vai poder estar representado nos Jogos Olímpicos de Tóquio por dois ciclistas, tanto na prova de estrada, como no contra-relógio. Rui Costa e Nelson Oliveira são os candidatos naturais a serem seleccionados por José Poeira, em condições normais. O difícil percurso de 234 quilómetros com quase cinco mil metros de acumulado será o objectivo do poveiro, enquanto o ciclista de Anadia tem os olhos postos na sua especialidade do esforço individual e até pensa em alterar a sua época para chegar mais forte aos Jogos.

Serão 44,2 quilómetros muito complicados. Mesmo com Nelson Oliveira a preferir terrenos menos planos, o percurso do contra-relógio de Tóquio será difícil e imprevisível. Oliveira irá para os seus terceiros Jogos, tendo sido 18º em Londres (2012) e sétimo no Rio de Janeiro (2016). Aos 30 anos está mais do que consagrado entre os melhores desta vertente do ciclismo, mas ainda persegue uma medalha ou nos Jogos ou nos Mundiais, nunca esquecendo que ganhou a prata em 2009, enquanto sub-23, nos Campeonatos do Mundo realizados em Mendrisio, Suíça.



A Volta a França tem estado sempre no plano de temporada do português - por vezes não foi cumprido, principalmente devido a quedas mais ou menos graves nas clássicas -, mas em 2020, com menos de uma semana a separar o final do Tour da prova de estrada dos Jogos, Nelson Oliveira não se importaria de regressar ao Giro - grande volta que fez em 2012 e 2013 - e depois ir à Vuelta. Apesar do principal objectivo de Oliveira ser o contra-relógio, os dois eleitos pelo seleccionador farão as duas provas em Tóquio. A de estrada está marcada para dia 25 de Julho (o Tour termina a 19), enquanto o contra-relógio, para homens e mulheres, realiza-se a 29. A 26 será a prova em linha das senhoras, que não terá representantes portuguesas.

Perante as muitas mudanças entre entrada e saída de ciclistas na equipa de Oliveira, só no estágio de Dezembro o corredor ficará a saber qual o plano delineado pela Movistar, mas não restam dúvidas de como já pensa em preparar a sua temporada de forma a tentar chegar a Tóquio o melhor possível para lutar por uma medalha.


Se Nelson Oliveira não tem à espera uma missão fácil, ainda assim depende dele próprio. Já Rui Costa só contará com a ajuda precisamente do compatriota, enquanto selecções como Itália, Holanda, França, Espanha, Colômbia e Bélgica levarão cinco ciclistas, o máximo permitido (no contra-relógio são dois). Serão 234 quilómetros que de planos pouco têm, com 4865 metros de acumulado.



Também ainda não são conhecidos os planos para Rui Costa para 2020 na UAE Team Emirates, sabendo que também este ciclista, campeão do mundo em 2013, gosta de dar preferência ao Tour. Em 2010, no Rio de Janeiro, Rui Costa foi 10º e quatro anos antes foi 13º.

Oliveira não é o único que prefere mudar o seu calendário habitual para melhor encaixar os Jogos Olímpicos no planeamento. Vincenzo Nibali, por exemplo, não quer ir ao Tour. Mas há também corredores que não estão a ver qualquer problema em ter muito pouco tempo de recuperação entre a grande volta e os Jogos Olímpicos, tendo ainda em conta a longa viagem e o diferente fuso horário. São mais nove horas na cidade japonesa do que em Portugal Continental. Tom Dumoulin e Alejandro Valverde poderão ser dois ciclistas que vão optar por esse calendário, mas ainda não está confirmado.

E nunca é de mais recordar que Portugal conta com uma medalha olímpica no ciclismo. Em Atenas 2004, um jovem talento chamado Sérgio Paulinho conquistou a prata, numa corrida ganha por uma das grandes figuras da modalidade, Paolo Bettini, com Axel Merckx a ficar com o bronze.

Poderão haver mais ciclistas portugueses nos Jogos Olímpicos de Tóquio, pois na pista luta-se por uma qualificação inédita nesta vertente, nas disciplinas do omnium e madison. Na pista, Portugal poderá estar também representado no feminino, pois Maria Martins tem feito grandes prestações no omnium.

Neste link pode confirmar a lista oficial de vagas divulgada pela UCI.

30 de setembro de 2019

Portugal cumpre objectivos nuns Mundiais nada fáceis de enfrentar

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Com o final dos Campeonatos Mundiais em Yorkshire é tempo de fazer balanços e não há dúvidas que países como Estados Unidos, Itália e Holanda saíram bastantes felizes, ainda que as últimas duas selecções tenham visto escapar o título na elite masculina. A Dinamarca também não tem razões de queixas com Mikkel Bjerg a fazer história nos sub-23 (terceiro título consecutivo no contra-relógio) e Mads Pedersen a surpreender tudo e todos na elite. A Bélgica é das equipas que sai mais cabisbaixa, enquanto a selecção de Portugal apontava mais com João Almeida, mas as condições eram difíceis para fazer melhor. Já Rui Costa cumpriu, garantindo o seu quarto top dez em Mundiais.

A comitiva nacional variou entre querer dar experiência aos mais novos - como os juniores Daniela Campos, João Carvalho e André Domingues e também a Maria Martins que, sendo sub-23, correu pela primeira vez na elite por não haver este escalão no sector feminino - e apostar no talento de João Almeida e experiência de Rui Costa, sem esquecer Nelson Oliveira.

Os eleitos para os sub-23 tinham potencial para fazer um bom resultado. João Almeida é um dos jovens que se vai estrear no próximo ano no World Tour, na Deceuninck-QuickStep, André Carvalho está numa das melhores equipas de formação, a americana Hagens Berman Axeon, enquanto Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos) é um dos principais talentos a emergir em Portugal. Já Emanuel Duarte venceu a classificação da juventude da Volta a Portugal e a geral da Volta a Portugal do Futuro, numa época marcante na LA Alumínios-LA Sport como Continental sub-25.

O mau tempo dificultou a missão dos dois primeiros no contra-relógio, com João Almeida a inclusivamente cair. Na prova em linha, as dificuldades de um percurso que chegou a ser encurtado para que os ciclistas não terminassem já com pouca luz natural, devido ao mau tempo e ao horário da corrida (foi no mesmo dia das juniores femininas), acabaram por deixar Portugal longe de um bom resultado, com nenhum dos ciclistas a conseguir ficar na frente da prova quando começaram a verificar-se cortes. André Carvalho foi o melhor, na 30ª posição, com Emanuel Duarte a abandonar.

Na elite, Nelson Oliveira ficou a 14 segundos da medalha de bronze no contra-relógio, continuando a ficar constantemente entre os melhores do mundo nesta especialidade. Foi oitavo, mas o terceiro posto ficou ali tão perto! O ciclista da Movistar teve depois a missão de ajudar Rui Costa na prova em linha e fez o seu trabalho, tal como José Gonçalves e Rui Oliveira. Em condições meteorológicas miseráveis, que levaram a UCI a cortar duas subidas na fase inicial da corrida, não foi fácil conseguir depois chegar ao fim.

Os três acabariam por abandonar, com Ruben Guerreiro a resistir um pouco mais, ele que poderia funcionar como joker. Porém, também não terminaria, deixando a corrida já depois de garantir que Rui Costa ficava no grupo certo. A partir daí o campeão do mundo de 2013 ficou sozinho. Não foi com Mathieu van der Poel, na movimentação que levou os últimos ciclistas à frente da corrida, pelo que o português ficou a enfrentar a difícil missão de resistir à chuva e frio, sem que ninguém trabalhasse para fechar a diferença. O 10º lugar foi um objectivo cumprido, com Rui Costa a mostrar como tem tendência a aparecer bem nos Mundiais.

"Foi preciso estar muito forte psicologicamente para encarar um Mundial como este, porque foi um dia de muita chuva e frio. Durante uma prova tão longa como esta [261,8 quilómetros], muitas coisas nos passam pela cabeça. As sensações eram boas no início, mas a meio não estava tão bem. Foi preciso ultrapassar esses momentos difíceis, esse sofrimento, para chegar melhor aos últimos quilómetros. A corrida fez-se muito dura com o frio e com a chuva", explicou Rui Costa, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O ciclista considera que o percurso original teria feito uma maior selecção de ciclistas mais cedo, contudo ficou satisfeito com mais um top dez, terminando a 1:10 minutos de Mads Pedersen.

O seleccionador José Poeira não pôde contar com Domingos Gonçalves, que não viajou para Inglaterra, alegando motivos pessoais. Um ciclista a menos numa corrida tão difícil, é algo a lamentar, mas Rui Costa finalizou da melhor forma. "Apesar dos colegas terem ajudado o Rui Costa em determinada fase da corrida, ele ficou sozinho durante muito tempo. Nessa circunstância, não podia ter feito mais do que fez. Esteve muito bem", salientou José Poeira.

Os Mundiais não serão de grandes recordações não só para algumas equipas, mas também para a própria organização. A intempérie que marcou quase toda a semana de provas, colocou à prova o poder de decisão dos comissários e nem sempre as opções foram consensuais. O contra-relógio de sub-23 ficou marcado por quedas aparatosas devido às condições da estrada, que teve partes que mais pareciam piscinas. No entanto, a prova não foi adiada, como aconteceu depois com a das senhoras. A UCI decidiu encurtar as corridas dos sub-23 e da elite, por diferentes razões. Esta opção agradou a uns e não a outros, dependendo das características dos ciclistas e do que preferiam ver num percurso.

Depois houve a desqualificação de Nils Eekhoff, que numa fase inicial caiu e recuperou posição no pelotão pedalando atrás do carro da equipa. Os comissários só analisaram a situação no final, com recurso ao vídeo-árbitro, depois do holandês ter ganho a corrida de sub-23. Além de se questionar a dualidade de critérios, comparativamente com o que aconteceu na Volta a Espanha com Primoz Roglic e Miguel Ángel López, também se perguntou porque não foi tomada uma decisão mais cedo, evitando a enorme desilusão que o jovem ciclista foi obrigado a enfrentar ao não ser declarado o vencedor.

A nível de público, Yorkshire foi o esperado, mesmo com o mau tempo, principalmente no fim-de-semana. Afinal, é um público mais do que habituado a esta meteorologia. Porém, a chuva, vento e frio, que limitaram as transmissões televisivas e criaram constrangimentos aos ciclistas, acabando por tirar algum brilho aos Mundiais, mas houve espectáculo, surpresas, drama, um filme completo de bom ciclismo, para contrabalançar um pouco do que de mau se viu.

Para o ano, os Mundiais irão disputar-se no Cantão de Vaud e no de Valais, na Suíça.


25 de setembro de 2019

Rohan Dennis recorreu a bicicleta da BMC para ser campeão pela segunda vez

(Fotografia: © Twitter UCI)
Rohan Dennis reapareceu e foi o contra-relogista de classe superior que se conhece. Desde que estranhamente abandonou a Volta a França, no dia antes do contra-relógio para o qual era o favorito a ganhar, que o campeão do mundo se resguardou em casa, junto da sua família, enquanto treinou para o que acabou por ser o principal objectivo de uma fraca temporada. Deu uma única entrevista neste período de tempo, na qual não explicou o que o levou a deixar o Tour, limitando-se a dizer que tudo que se tinha dito e escrito havia sido exagerado. Dennis regressou e voltou a deixar a concorrência longe nos Mundiais e, no entanto, a difícil relação com a sua equipa continua a ser tema depois de não ter utilizado uma bicicleta Merida, mas sim da marca que lhe deu alguns dos seus maiores triunfos: BMC. Dennis é agora um bicampeão do mundo de contra-relógio, mas a incerteza quanto ao seu futuro é grande.

Por altura em que se publica este texto, ainda não há qualquer reacção da Bahrain-Merida quanto à conquista do seu ciclista. A Deceuninck-QuickStep e a Ineos, por exemplo, rapidamente colocaram nas redes sociais menções às conquistas de Remco Evenepoel e Filippo Ganna, medalha de prata e bronze, respectivamente.

Dennis desapareceu na 12º etapa do Tour - por momentos nem a equipa sabia o que tinha acontecido - e uma das razões adiantas nos meios de comunicação social para o abandono foi um possível descontentamento com o material que a Merida lhe estava a disponibilizar para o contra-relógio. O australiano nunca confirmou essa versão e numa entrevista ao The Advertiser, garantiu que nunca disse mal de nenhum patrocinador. Não corria desde 18 de Julho e reapareceu esta quarta-feira com uma BMC e não uma bicicleta da Merida. A bicicleta destes Mundiais foi pintada toda de preto, sem menção à marca.

O próprio ciclista admitiu a troca, referindo que foram os responsáveis da selecção australiana que determinaram que seria o melhor para ele, que aquela bicicleta seria a mais indicada para a sua posição corporal. Questionado se teria problemas com a Bahrain-Merida, limitou-se a dizer que teriam de perguntar à equipa, mas realçou como a escolha na selecção supera a da equipa que representa durante o ano. Os regulamentos permitem que ao representar o seu país nos Mundiais, os ciclistas possam escolher o seu equipamento, o que não significa que não vá ter problemas com quem lhe paga o salário.

As marcas apostam forte em ter ciclistas de renome a utilizarem as suas bicicletas. Para a Merida foi a oportunidade de ter novamente um campeão do mundo, depois de Rui Costa ter-se mudado para a então Lampre. No entanto, ao ver Dennis ser novamente campeão sem que se tenha visto a marca Merida em destaque durante a transmissão televisiva é um rude golpe mediático.

Rohan Dennis tem mais um ano de contrato com a Bahrain-Merida, equipa que escolheu depois do final da BMC. Esteve longe de ser um ano fantástico para o australiano, mas que até apareceu bem na Volta à Suíça, sendo segundo atrás de Egan Bernal (Ineos). Uma classificação algo surpreendente, mas que abriu expectativas para o Tour. Contudo, foi o Dennis do costume, com as temporadas a passar e o tal voltista em que prometeu tornar-se não se ver.

A Bahrain-Merida já contratou Mikel Landa e Wout Poels e poderá muito bem apostar mais num Dylan Teuns que se destacou tanto no Tour como na Vuelta. O problema de Dennis é que pode ser bicampeão do mundo de contra-relógio, mas o papel que poderá desempenhar numa equipa não é nesta fase da sua carreira claro. Não é um líder que dê garantias e não se tem apresentado disponível para ser gregário. Aos 29 anos, o australiano prepara-se para enfrentar um 2020 muito importante para definir o que resta da sua carreira.

Remco Evenepoel espectacular

O belga não quis competir em sub-23 - escalão a que ascendeu este ano - por respeito aos adversários. Dada a experiência que pôde viver na Deceuninck-QuickStep em 2019, Remco Evenepoel considerou mais justo saltar o escalão e ir directamente dos juniores para a elite nos Mundiais. Há um ano ganhou os títulos no contra-relógio e na prova de estrada e esta quarta-feira só um Rohan Dennis fortíssimo não permitiu um autêntico conto de fadas. Ainda assim, aos 19 anos, Evenepoel foi segundo, a 1:09 minutos, deixando atrás de si alguns dos principais nomes da especialidade, como Nelson Oliveira.

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
O português chegou a estar numa posição de conquistar finalmente uma medalha em Mundiais, mas uma ligeira quebra na fase final fê-lo perder o pódio por menos de 15 segundos. Com os ciclistas separados por pequenas diferenças, Nelson caiu de um potencial terceiro posto para oitavo, mas foi mais um excelente resultado e o quarto top dez em Mundiais de elite.

Nelson Oliveira vai continuar a perseguir a medalha que lhe tem escapado, enquanto de Remco Evenepoel se espera que mais cedo ou mais tarde vista a camisola de campeão do mundo de elite no contra-relógio e muito provavelmente numa prova de estrada, que vai participar no domingo.

De referir que Primoz Roglic teve um dia para esquecer. O esloveno esteve longe do ciclista que foi medalha de prata nos Mundiais de Bergen, há dois anos, com a Vuelta a ter o seu peso numa prestação que o fez ser ultrapassado por Rohan Dennis, que partiu três minutos depois! Tony Martin fechou mais um top dez, mas parece cada vez mais difícil que venha a conseguir o ambicionado quinto título. O recordista da hora Victor Campenaerts caiu, teve de trocar de bicicleta... outro corredor que teve um dia para esquecer. Já Alex Dowsett vai recordá-lo, pois a correr em casa foi quinto, na sua melhor classificação de sempre em Mundiais.

(O texto continua por baixo da classificação, via FirstCycling.)


Virar de página em Yorkshire
(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
A partir desta quinta-feira arrancam as provas em linha, com a prova de juniores masculinos (12:10, com transmissão no Eurosport 1). Os portugueses André Domingues (dorsal 114) e João Carvalho (113) vão marcar presença na corrida de 148,1 quilómetros, com partida em Richmond e chegada em Harrogate, onde o pelotão irá cumprir três voltas ao circuito urbano. Antes os corredores vão ultrapassar duas subidas que deverão encurtar o grupo principal. Em Kidstones, ao quilómetro 44,7 há uma escalada de 3900 metros, com inclinação média de 4,3% e máxima de 11,3%. Em Summerscales (87,4), a subida terá 6,4 quilómetros, com pendente média de 3,9%.

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17 de setembro de 2019

Rui Costa lidera Portugal nos Mundiais mas não será a única aposta

(Fotografia: © PhotoFizza/UAE Team Emirates)
A selecção portuguesa vai contar com seis ciclistas na prova de elite, apostando na experiência, mas também haverá espaço para a juventude. E os jovens que vão completar a comitiva nos restantes escalões vão a Yorkshire apresentar-se com argumentos para tentar alcançar um bom resultado nos Mundiais que arrancam este domingo e terminam a 29 de Setembro.

Rui Costa (UAE Team Emirates) e Nelson Oliveira (Movistar) são dois ciclistas com muita experiência em Mundiais e claro que o primeiro conquistou uma das maiores vitórias do ciclismo nacional, ao sagrar-se campeão em 2013. Ambos demonstraram boa forma recentemente. Rui Costa foi sétimo no Grande Prémio de Montreal e Nelson Oliveira realizou uma Vuelta de grande nível no seu habitual trabalho de gregário.

O especialista no contra-relógio, foi ainda o eleito por José Poeira para essa prova, com o campeão nacional, José Gonçalves (Katusha-Alpecin) a ficar "guardado" para a prova em linha. O seleccionador chamou ainda o irmão gémeo de José, Domingos Gonçalves (Caja Rural). Para fechar, dois dos jovens talentos portugueses: Ruben Guerreiro (25 anos, Katusha-Alpecin) vem de uma Volta a Espanha sensacional, na sua estreia em grandes voltas, enquanto Rui Oliveira (23) tem feito uma primeira epoca no World Tour pela UAE Team Emirates de muita qualidade, estando mais preso ao trabalho de apoio aos líderes.

Este grupo de ciclistas dá a Portugal várias soluções, para um percurso de 285 quilómetros propício a ataques e que será importante ter mais do que um ciclista preparado para tentar estar na frente da corrida nos momentos decisivos. A colocação será chave. "Durante cerca de 100 quilómetros, a partir do quilómetro 60 de prova, os corredores vão andar por estradas muito sinuosas, com subidas íngremes, curvas e viragens muito técnicas. É necessário estar sempre bem colocado, havendo tensão constante, o que vai aumentar o stress competitivo e provocar um desgaste muito grande, antes mesmo do circuito final, essencialmente urbano. Aqui as maiores dificuldades serão técnicas, devido às curvas, viragens e descidas exigentes. Tem também alguns topos. Acabará por ser duro porque os corredores vão ali chegar com quase 200 quilómetros e cada metro que se perca para a roda da frente numa curva ou viragem custa muito a recuperar", afirmou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

O seleccionador nacional aposta num top dez na corrida em linha e na prova de esforço individual (54 quilómetros): "É um contra-relógio que abre mais a possibilidade de bons resultados aos corredores possantes que tiveram a vida mais dificultada nos Mundiais de Bergen e de Innsbruck. No entanto, acredito nas capacidades do Nelson Oliveira para nos dar uma alegria. A prova vai obrigar a uma criteriosa escolha dos andamentos a utilizar, porque exige muitas mudanças de ritmo, devido às subidas, mas também às estradas estreitas e sinuosas. O atravessamento de zonas de ventos cruzados é outro factor relevante."

Quanto aos sub-23, as escolhas foram feitas após os testes feitos durante a semana passada no Centro de Alto Rendimento, em Anadia. Os dois jovens da Hagens Berman Axeon, João Almeida e André Carvalho vão estar no contra-relógio (30,3) e na prova em linha (186,9) e estarão acompanhados nesta última por um Emanual Duarte (LA Alumínios-LA Sport) a viver um momento muito especial da sua ainda curta carreira, tendo ganho a classificação da juventude da Volta a Portugal e pouco depois conquistou a Volta a Portugal do Futuro. A equipa fica completa com Miguel Salgueiro, um dos sub-23 que mais se destacou em 2019 entre as equipas de clube, ao serviço da Sicasal-Constantinos, sendo uma presença regular na selecção.

De recordar que João Almeida é o actual campeão nacional das duas vertentes em sub-23 e está a caminho da Deceuninck-QuickStep, por quem assinou para 2020 e 2021, pelo que será um ciclista que irá receber muita atenção por parte das outras selecções.

Os juniores só farão a prova em linha (148,1): André Domingues (Escola de Ciclismo Bruno Neves) e João Carvalho (Bairrada). No sector feminino, Maria Martins (Sopela Women's Team) foi chamada para a corrida de elite (149,4 quilómetros), pois não há o escalão de sub-23. A ciclista de 20 anos tem feito uma temporada muito positiva, com vitórias e numa das principais corridas do ano, foi sexta classificada na segunda etapa do Madrid Challenge by La Vuelta. O percurso de Yorkshire não é o que melhor encaixa nas suas características, mas Maria Martins faz sempre questão de ser competitiva nas corridas que faz.

Para fechar a comitiva, a júnior Daniela Campos (5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ) irá competir nas duas provas, ou seja, terá pela frente 86 quilómetros na prova em linha e no contra-relógio (13,7) que abrirá a participação portuguesa nos Mundiais.

O calendário de Yorkshire abre no domingo com a estreia do contra-relógio misto e em estilo de estafeta. Ou seja, primeiro partirão os três ciclistas masculinos e depois do segundo cortar a meta, partem as três senhoras. O tempo é tirado quando a segunda passar a meta. Uma novidade que substitui o contra-relógio por equipas.

Aqui ficam os horários das corridas que vão contar com os corredores portugueses, recordando que os Mundiais serão transmitidos pelo Eurosport. O fuso horário é igual ao da Grã-Bretanha.

Dia 23: 10:10 contra-relógio juniores femininas: Harrogate - Harrogate, 13,7 quilómetros

24: 10:10: Contra-relógio sub-23: Ripon - Harrogate, 30,3 quilómetros

25: 13:10 contra-relógio elite masculina: Northallerton - Harrogate, 54 quilómetros

26: 12:10 prova de fundo juniores: Richmond - Harrogate, 148,1 quilómetros

27: 8:40 prova de fundo juniores femininas: Doncaster - Harrogate, 86 quilómetros

14:00 prova de fundo sub-23: Docaster - Harrogate, 186,9 quilómetros

28: 11:40 prova de fundo elite feminina: Bradford - Harrogate, 149,4 quilómetros

29: 8:40 prova de fundo elite masculina: Leeds - Harrogate, 280 quilómetros


21 de agosto de 2019

Os portugueses na Vuelta

A Vuelta irá contar com o maior contingente português nas grandes voltas em 2019. Serão cinco divididos por quatro equipas. No Giro, Portugal contou apenas com Amaro Antunes (CCC). No Tour, Rui Costa (UAE Team Emirates) e Nelson Oliveira (Movistar) foram os representantes nacionais. Na Vuelta só o corredor de Anadia repete a presença e é de longe o mais experiente. Para três dos ciclistas é uma estreia não só na Volta a Espanha - que começa este sábado - , mas mesmo numa corrida de três semanas.

© Caja Rural
Domingos Gonçalves (Caja Rural)
30 anos. Estreia na Vuelta
Nesta sua segunda passagem pela equipa espanhola, Domingos Gonçalves alcançou um dos seus objectivos para a temporada. Foi chamado para a Volta a Espanha e vai finalmente mostrar-se num dos maiores palcos do ciclismo mundial. Contudo, não tem sido uma temporada fácil para o gémeo de Barcelos. A grave queda na Volta à Catalunha afastou-o das corridas durante mais de dois meses e apesar de procurar sempre que pode uma vitória, 2019 está a ser bem diferente de 2018. Na Rádio Popular-Boavista venceu por seis ocasiões, incluindo os dois títulos nacionais e uma etapa na Volta a Portugal. Na Caja Rural a realidade é outra, mas foi o primeiro a dizer que tinha de alcançar bons resultados se não queria que acontecesse o mesmo que no final de 2016, quando a equipa não renovou contrato. Vai à caça de etapas, que o irmão, José, já chegou a estar perto de conquistar. Em forma, Domingos é um ciclista muito forte, que entra nas fugas a pensar que tudo é possível. Se esta for a atitude, é corredor para não passar despercebido. Abandonou na Volta a Portugal devido a indisposição, mas recebeu o voto de confiança de uma equipa que celebra os dez anos como estrutura profissional.

© Movistar
Nelson Oliveira (Movistar)
30 anos. Quinta presença Vuelta
É um dos homens de confiança da equipa, que durante o Tour renovou contrato por mais dois anos com o ciclista. Gregário por excelência, a vida de Nelson Oliveira não tem sido fácil com as constantes divisões entre mais do que um líder. E esta Vuelta promete não ser muito diferente da Volta a França. Nairo Quintana repete a presença, com a rivalidade interna a ser desta feita com o vencedor do Giro, Richard Carapaz. Há ainda Alejandro Valverde e Marc Soler... Porém, apesar desta instabilidade na Movistar, o ciclista português tem sempre se destacado pelo bom trabalho que realiza e não se espera outra coisa em Espanha. Será ainda mais essencial logo na primeira etapa, no contra-relógio colectivo e a ver vamos se lhe é dada liberdade na 10ª tirada para "ir a fundo" no contra-relógio individual.

© Burgos-BH
Nuno Bico (Burgos-BH)
25 anos. Estreia na Vuelta
A passagem pela Movistar não correu como esperava e Nuno Bico procurou uma equipa onde pudesse reencontrar a estabilidade emocional, sem a pressão de estar no World Tour. A alegria de competir ressurgiu na Burgos-BH. A época começou de forma tremida, também devido a doença, mas o português acabou por ser bastante regular e importante no apoio aos companheiros. Parte do seu papel nesta sua primeira Vuelta poderá passar precisamente por essa ajuda aos colegas, mas a Burgos-BH precisa urgentemente de resultados, pelo que não será de afastar a possibilidade de tentar entrar em fugas.



© Burgos-BH
Ricardo Vilela (Burgos-BH)
31 anos. Terceira presença na Vuelta
Ciclista muito experiente e de quem a Burgos-BH espera que apareça nas etapas de montanha. Esteve na Vuelta em 2015, com a Caja Rural e em 2017, com a Manzana Postobón. Vilela tem sido discreto esta época, mas, ainda assim, bastante regular. Nos Nacionais, em Melgaço, mostrou que estava a melhorar a sua forma, pelo que a Vuelta seria o seu principal objectivo. O início de temporada da Burgos-BH foi muito complicada, com uma suspensão devido aos casos de doping. A equipa sofreu mudanças profundas e precisa de estar bem nesta Volta a Espanha, pois a partir de 2020 poderá ter dificuldades em receber o convite para a corrida devido à mudança nos regulamentos de atribuição de wild cards. Se tal acontecer, será um rude golpe para uma estrutura que subiu no ano passado a Profissional Continental, precisamente a pensar em estar na Vuelta. Vilela será dos ciclistas com mais responsabilidade, mas é também dos que melhor sabe lidar com ela.

© Katusha-Alpecin
Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin)
25 anos. Estreia na Vuelta
Finalmente uma grande volta para Ruben Guerreiro. Há um ano parecia estar a caminho dessa estreia, até que uma queda num treino acabou com a possibilidade. Agora na Katusha-Alpecin, esta estreia acontece numa altura muito complicada para a equipa, ainda sem futuro garantido para 2020. Doença, problemas físicos, a chegada ao World Tour deste ciclista tem sido marcada por muitos problemas que têm prejudicado a sua evolução, mas a troca de formação - estava na Trek-Segafredo - até parece ter resultado nesse aspecto. Tem tendência a começar bem as temporadas e acabar também forte. A equipa e o seu director José Azevedo bem precisam que Ruben mostre o potencial que há muito lhe é reconhecido. A Katusha-Alpecin vai sem aspirações à geral, pelo que a ordem é lutar por etapas.


22 de julho de 2019

Nelson Oliveira renova por uma Movistar ainda a definir os líderes para 2020

Em dia de descanso da Volta a França, dois dos ciclistas presentes da Movistar definiram o seu futuro para as próximas duas temporadas, um deles o português Nelson Oliveira. A equipa espanhola está a começar a arrumar a casa e começou pela sua espinha dorsal, com o ciclista da Anadia a fazer parte dela nos quatro anos em que representa uma das formações mais antigas do pelotão mundial. Andrey Amador, que muito se tem visto na montanha do Tour a trabalhar, também irá permanecer.

Em dois anos consecutivos, quedas no Paris-Roubaix estragaram parte da época de Nelson Oliveira, o que o levou em 2019 a não participar na corrida e assim ter maiores garantias de aprimorar a forma para estar no Tour que tanto gosta. Independentemente das provas em que é chamado, Nelson Oliveira prima pela regularidade. Tem sido um gregário por excelência, mas está entre os melhores contra-relogistas do mundo, pelo que continua atrás da grande vitória na sua especialidade, com a recente medalha de prata nos Jogos Europeus a motivar ainda mais o corredor de 30 anos.

Já tem uma etapa numa grande volta, quando triunfou em Tarazona na Volta a Espanha, em 2015, então ao serviço da Lampre-Merida. Foi a segunda e última temporada na equipa italiana, depois de três na americana RadioShack, que lhe proporcionou a estreia no World Tour em 2011.

A renovação do português não surpreendeu, tal como as de Jorge Arcas (27 anos), Héctor Carretero (24), Antonio Pedrero (27) e de José Joaquín Rojas (34). Lluís Mas (29) chegou esta temporada à Movistar, mas convenceu os responsáveis a darem-lhe maior estabilidade. O espanhol esteve a bom nível no Giro, no trabalho para a vitória de Richard Carapaz.

Já a renovação de Andrey Amador não parecia tão certa. O ciclista da Costa Rica está desde 2011 na Movistar, mas chegou a ser dado como um possível reforço de uma Arkéa Samsic, que estará próxima de contratar Nairo Quintana. Amador é um dos homens de confiança do colombiano e que acabou por se resignar a estar mais em segundo plano, principalmente nas grandes voltas, apesar de ter tentado apelar a uma oportunidade no Giro, corrida na qual chegou a vestir a camisola rosa. Porém, com Quintana e Valverde e agora com Landa, as oportunidades para Amador escasseiam. No entanto, preferiu continuar na Movistar. A equipa espanhola anunciou as renovações, com o As a escrever que Imanol Erviti (35) será o senhor que se segue, pois já haverá acordo.

Em Março, a Movistar só tinha garantido Marc Soler (25) e Carlos Verona (26) para 2020, com Alejandro Valverde (39) a entretanto renovar até 2021, ano em que pretende retirar-se. A questão da equipa prende-se agora com os líderes para as grandes voltas.

Quintana (29) dá cada vez mais mostras que não tem lugar na Movistar e a Profissional Continental Arkéa Samsic deverá mesmo ser o seu destino. A sua exibição no Tour está a ser abertamente criticada por Valverde. O espanhol disse que o colombiano não avisou que não estava bem no Tourmalet. Quintana reagiu a dizer que avisou para que a equipa não puxasse tanto, mas Landa pediu um pouco mais de ritmo e o colombiano acabou por não dizer mais nada. No dia seguinte, foi para a fuga, mas quando Landa o apanhou, Quintana não ajudou nada, ficando mesmo para trás.

O futuro de Mikel Landa (29) também está incerto. A Bahrain-Merida procura um ciclista para preencher a vaga que vai ficar vaga com a saída de Vincenzo Nibali para a Trek-Segafredo e o espanhol será o favorito. Porém, Eusebio Unzué vai fazer um forcing para convencer Landa a continuar na Movistar, um ciclista que o director há muito queria ter na equipa e que finalmente conseguiu em 2018.

No entanto, Unzué não terá conseguido convencer Richard Carapaz (26). O interesse da Ineos não é novo e Dave Brailsford terá oferecido cerca de 1,5 milhões de euros por ano. Inicialmente a informação era que o equatoriano preferiria ficar na Movistar, mesmo a ganhar menos, mas afinal poderá mesmo estar a caminho da equipa britânica.

A contratação de Enric Mas (24 anos, Deceuninck-QuickStep) torna-se ainda mais essencial se tal acontecer e a Movistar poderá em 2020 ter apenas espanhóis como referências para as grandes voltas, não esquecendo que Marc Soler continua pacientemente à espera que chegue a sua oportunidade.

De referir que entre os portugueses no World Tour, falta definir o futuro de Rui Costa (UAE Team Emirates), Amaro Antunes (CCC) e José Gonçalves e Ruben Guerreiro de uma Katusha-Alpecin que ainda não tem garantida a continuidade no pelotão.

2 de julho de 2019

Os portugueses no Tour

Nelson Oliveira, José Gonçalves e Rui Costa com ambições diferentes
Chegou o momento de se entrar em modo Tour. Arranca-se com destaque para os três portugueses na Volta a França e os três papéis diferentes que desempenharão. Só José Gonçalves estava desde o início da temporada previsto para a corrida francesa e confirmou a chamada. Rui Costa e Nelson Oliveira tiveram presença incerta até à última, mas a boa forma mostrada nas mais recentes corridas assegurou o lugar de dois dos ciclistas referência do ciclismo nacional no World Tour.

Começando pelo estreante. José Gonçalves prepara-se para fazer o pleno nas grandes voltas, estreando-se aos 30 anos na Volta a França. Conta com quatro participações na Vuelta - a de 2015 foi sensacional, tendo estado perto de ganhar etapas ao serviço da Caja Rural - e duas no Giro, já com a Katusha-Alpecin. Foi precisamente, há um ano, que provocou uma ligeira surpresa ao mostrar que estava a evoluir para se tornar um voltista. Começou forte no contra-relógio, logo com um quarto lugar, andou pelo top dez, terminando num excelente 14º lugar. Ficou o aviso que José Gonçalves poderia ser mais que um caça-etapas, como se esperaria naquela edição.

Este ano foi "guardado" para o Tour, com Zakarin a chegar a França com um Giro nas pernas, que, mais uma vez, ficou aquém do esperado a nível de geral apesar do 10º posto e de uma etapa ganha. O russo terá sempre um estatuto de líder no Tour, mas o ciclista português não esteve estes meses todos a preparar-se para o Tour para ser um mero gregário. Será uma oportunidade de ouro para o gémeo de Barcelos se mostrar na corrida de três semanas que continua acima de todas as outras a nível de mediatismo e prestígio. Como sempre se diz, o Tour... é o Tour!

José Gonçalves vai chegar a França com a camisola de campeão nacional no contra-relógio, conquistada no dia em que a equipa confirmou a convocatória. Revelou então que se sentia bem, em forma e ainda com espaço para melhorar rumo à Volta a França. Depois do que fez no Giro no ano passado, o grande ponto de interesse será perceber se Gonçalves está preparado para atacar a geral. Um top 20 seria excelente e qualquer coisa acima será brilhante, mas também terá os olhos postos numa etapa, já que a Katusha-Alpecin continua a precisar urgentemente de vitórias.

Equipa da Katusha-Alpecin: Ilnur Zakarin, Alex Dowsett, Jens Debusschere, José Gonçalves, Marco Haller, Nils Politt, Mads Würtz Schmidt, Rick Zabel.

Nelson Oliveira (30 anos) sabe bem o que é correr o Tour. Vai para o seu quarto. Nos últimos dois anos, quedas no Paris-Roubaix estragaram-lhe grande parte da temporada, mas está de volta a uma corrida que tanto gosta, ainda que foi um sprint até à última para garantir um lugar na Movistar. É mais homem de contra-relógio do que de sprints e esse ponto forte do português será importante na segunda etapa, no contra-relógio colectivo de 27,6 quilómetros. Com Nairo Quintana e Mikel Landa na equipa, bem que será preciso alguém para puxar por dois ciclistas que, já se sabe, não são nada ases na arte de competir contra o relógio.

Mas a qualidade de Nelson Oliveira vai mais além. É um gregário fortíssimo, não tanto em alta montanha, mas para essa fase haverá outros homens. As suas prestações merecem a confiança dos líderes e dos responsáveis técnicos de uma Movistar que vem de uma vitória na Volta a Itália, mas ao eleger pelo segundo ano consecutivo o tridente Quintana/Landa/Valverde para o Tour, gera novamente muita desconfiança, tendo em conta que em 2018 foi simplesmente uma prestação muito fraca.

Quintana diz ser o líder, Landa não gosta de ser segundo e já o foi para Richard Carapaz no Giro... Avisou que se vê a subir ao pódio em Paris... Valverde regressou à competição, tendo falhado o Giro por lesão e está novamente a vencer (a Rota da Occitânia e o Campeonato Nacional de fundo) e certamente que estará mais do que ansioso para ganhar uma etapa no Tour com a camisola de campeão do mundo depois de uma temporada muito abaixo do que habituou. Nelson Oliveira estará lá para fazer o seu trabalho (e fá-lo praticamente sempre muito bem) que não se avizinha nada fácil perante uma equipa potencialmente "partida" por ambições de demasiados líderes juntos.

Equipa da Movistar: Nairo Quintana, Mikel Landa, Alejandro Valverde, Marc Soler, Andrey Amador, Carlos Verona, Imanol Erviti, Nelson Oliveira.

Em comum, os três portugueses escalados para ir ao Tour têm o estar em final de contrato com as respectivas equipas. Se há um sob maior pressão é Rui Costa (32 anos). Em 2018 falhou todas as grandes voltas, com uma lesão no joelho contraída no Paris-Nice a prejudicar-lhe quase toda a temporada. Surgiu bem nos Mundiais em Setembro e esta época tem oscilado entre boas e umas menos convincentes exibições. Porém, este a bom nível nos testes finais rumo ao Tour, com um segundo lugar na Volta à Romandia e na Volta à Suíça - que já venceu três vezes - não lutou pela geral, mas esteve a bem na montanha.

A grande questão é como encaixará Rui Costa numa UAE Team Emirates que leva Fabio Aru e Daniel Martin, que não serão nada menos do que líderes. Esse estatuto o poveiro já não o tem. O italiano regressa após longa ausência. Foi operado à artéria ilíaca (na perna) e espera que o pior tenha finalmente passado. Quando Aru mete na cabeça que é para ganhar, então vemos o melhor deste ciclista, mas se dá numa de derrotista... Quanto a Daniel Martin, não é ciclista para lutar por uma vitória na geral, dificilmente pelo pódio. Top dez e etapa. É o conjunto perfeito de objectivos para o irlandês.

Haverá ainda um Alexander Kristoff a lutar nos sprints. Estes três ciclistas vão precisar que os restantes cinco sejam bons gregários. A Rui Costa poderá não restar mais do que uma oportunidade para entrar numa fuga e tentar uma vitória de etapa, sendo que haverá um Sergio Henao desejoso de fazer o mesmo. O campeão do mundo de 2013 tem de mostrar bom nível se quiser continuar numa equipa em remodelação, a preparar jovens de enorme talento para tomarem conta das lideranças (Tadej Pogacar à cabeça). Este é um Tour decisivo para o português, que já venceu três etapas na corrida francesa, na sua melhor fase da carreira, então na Movistar: uma em 2011 e duas em 2013.

Equipa da UAE Team Emirates: Fabio Aru, Sven Erik Bystrom, Rui Costa, Sergio Henao, Alexander Kristoff, Vegard Stake Laengen, Dan Martin, Jasper Philipsen.

A Volta a França arranca este sábado, com Bruxelas a receber a partida. E numa viagem até à Bélgica, prepara-se para recordar como um dos grandes do ciclismo que nasceu naquele país: Eddy Merckx. De salientar ainda que se celebra 100 anos desde que a camisola amarela foi envergada pela primeira vez na mítica corrida.

»»Volta a França perde mais um dos candidatos««

»»Susto na Ineos. Thomas foi ao hospital após queda na Volta à Suíça««

25 de junho de 2019

Finalmente a merecida medalha

(Fotografia: © Movistar Team)
"Resultado que me faz ir sonhando." Foi assim que Nelson Oliveira reagiu a uma medalha há muito merecida e que agora se espera que seja apenas a primeira. A prata pode ter colocado o português como o segundo melhor da Europa nos campeonatos que se estão a realizar em Minsk, mas este ciclista é um dos melhores do mundo em contra-relógio e só foi batido por um que já vestiu a camisola do arco-íris na especialidade.

Aos 30 anos, Nelson Oliveira quebrou uma espécie de enguiço. Somou top dez em Mundiais, Europeus e Jogos Olímpicos, mas faltava-lhe a medalha que há dois anos, nos Mundiais de Bergen, ficou a sete segundos de distância, com Chris Froome a ficar com o bronze. Desde que passou ao escalão de elite, que Oliveira comprovou que era um contra-relogista de topo, mas faltava um pódio, como os que somou nas camadas jovens: vice-campeão mundial de contra-relógio em 2009, terceiro no europeu de contra-relógio no mesmo ano, tendo ainda sido vice-campeão europeu de fundo.

Mas aí está a primeira medalha de elite, mais do que merecida, isto a nível internacional, pois já soma quatro títulos nacionais. Era um objectivo da temporada. Alcançar finalmente um grande resultado na sua especialidade. Uma vitória é o que procura e uma medalha de prata a este nível é uma conquista. Mas Nelson Oliveira quer mais. A nível de selecção será em Yorkshire que vai tentar o pódio nuns Mundiais, sendo sempre um candidato a lugar mais alto. Outro dos objectivos é vencer um contra-relógio numa grande volta, com a camisola da Movistar, a sua equipa.

Num percurso de 28,6 quilómetros, essencialmente plano, que nem é o preferido do ciclista de Anadia, Oliveira foi melhorando com o decorrer do contra-relógio. 33:31 minutos foi o tempo de Nelson Oliveira, mais 28 segundos que Vasil Kyrienka. Aos 37 anos, o bielorrusso não desperdiçou a oportunidade única de ser campeão europeu em casa, juntando assim este título ao conquistado nos Mundiais de Richmond, em 2015.

A sua carreira ficou marcada pelo trabalho de gregário, sendo uma autêntica locomotiva a impor ritmo. Numa altura em que vai perdendo estatuto na Ineos, Kyrienka demonstrou que quem sabe, não esquece, ele que sempre foi forte nesta especialidade.

Claro que se poderá sempre dizer que em Minsk não estiveram a maioria dos principais nomes. O calendário dos Europeus, numa altura tão importante da temporada, com a Volta a França à porta, acaba por não atrair muitas figuras. E há que não esquecer que esta é apenas a quarta edição em que os profissionais puderam participar nos Europeus, pelo que ainda está a construir o seu prestígio.

Importa quem esteve e Nelson Oliveira esteve e muito bem, ao melhor nível, ao seu nível, depois de ter sido 10º na prova de fundo, o melhor português. Está em boa forma, pelo que há que esperar que consiga convencer os responsáveis da Movistar a chamá-lo para o Tour, já que regressar à corrida francesa era também um dos seus principais objectivos para 2019.

O checo Jan Barta ficou com a medalha de bronze, com Ryan Mullen a ficar certamente desiludido. Um segundo separou os ciclistas, com o irlandês a ser um dos jovens talentos a emergir na especialidade, praticamente sem rival no seu país e que há um ano tinha precisamente conquistado o bronze nos Europeus.

De referir que Portugal soma nove medalhas nos Europeus de Minsk: quatro de bronze, quatro de prata e uma de ouro, esta conquistada no atletismo por Carlos Nascimento, o mais rápido nos 100 metros.

Quanto a Nelson Oliveira, a prata fá-lo continuar a sonhar. E não é o único!


26 de março de 2019

Movistar com quase toda a equipa em final de contrato

(Fotografia: © Movistar Team)
Com a situação da Sky resolvida, não haverá um mercado de transferências louco como se antecipava, caso a equipa britânica não encontrasse um novo patrocinador. A Ineos resolveu essa situação, o que não significa que não haja muitos e bons ciclistas no último ano de contrato. Ainda falta para que se possa começar a oficializar transferências - 1 de Agosto -, mas os movimentos de bastidores já vão acontecendo, como por exemplo com Vincenzo Nibali. Porém, da lista, destaca-se a Movistar. Não só tem os seus três líderes livres para negociarem o futuro, como praticamente toda a equipa está nessa situação. É mais fácil dizer que apenas dois ciclistas têm vínculo além deste ano. Entre os portugueses no World Tour, cinco procuram definir a próxima época.

Nelson Oliveira é um deles. O ciclista da Movistar consagrou-se como um homem importante na estrutura da equipa, apesar de nas últimas temporadas o Paris-Roubaix teimar em estragar-lhe parte da época. Este ano deverá ficar afastado da corrida francesa para assim tentar regressar ao Tour, por exemplo. Os tais dois corredores que estão descansados quanto ao futuro são os espanhóis Marc Soler (até 2021) e Carlos Verona (até 2020).

Ciclistas como Imanol Erviti e José Joaquín Rojas fazem parte da espinha dorsal da estrutura de Eusebio Unzué, com Alejandro Valverde à cabeça. Aos 38 anos, a um mês de completar 39, o campeão do mundo não dá mostras de se querer reformar sem pelo menos ir aos Jogos Olímpicos de Tóquio no próximo ano. É o título que lhe falta. Só não fica na Movistar se não quiser. Já os outros dois ciclistas do famoso "tridente", como lhe chamam, estão longe de ter continuidade garantida.

Nairo Quintana conseguiu encontrar uma harmonia em ter de partilhar a liderança com Valverde, principalmente quando o espanhol tirou o Tour dos seus objectivos. Porém, entrou Mikel Landa e o colombiano não faz segredo que prefere ser o único líder. Os últimos dois anos não foram fáceis na Movistar e uma saída já é um assunto a ser falado há alguns meses. O colombiano mantém-se em silêncio, concentrando-se apenas em estar em condições de disputar a Volta a França.

Se sair não será uma surpresa, mas também poderá esperar para perceber a posição de Landa. O espanhol, o antigo amor de Eusebio Unzué que o trouxe finalmente para a equipa há um ano, não deu garantias de renovação. Não tem sido feliz na Movistar, marcado também por quedas e já se percebeu que não tem problemas em saltar de equipa em equipa. Após o fim da Euskaltel-Euskadi, foram dois anos na Astana, outros tantos na Sky e agora vai no segundo da Movistar.

Soler é visto como o próximo líder, assim como Richard Carapaz, o equatoriano a quem não deve faltar interessados, mas a Movistar não deverá querer perder um ciclista com tanto potencial. Já Carlos Betancur (29 anos) ou alcança algo de extraordinário, ou poderá ficar sem mais oportunidades. Winner Anacona (30) e Andrey Amador (32) são mais dois corredores essenciais na estrutura da formação espanhola. Mas será que se sentirão tentados a procurar uma possibilidade de liderança que pouco têm na Movistar?

A equipa que mais se aproxima da espanhola em termos de ciclistas de final de contrato é a super ganhadora de 2019 Astana. Dos nomes destacam-se Jakob Fuglsang, Luís Leon Sánchez, Omar Fraile e Pello Bilbao. Apesar de não serem dos mais novos do pelotão, são todos ciclistas que ficam bem em qualquer equipa. Há ainda Jan Hirt, o checo que muito se mostrou na CCC, mas que ainda não assumiu um maior protagonismo na Astana. Ainda vai a tempo!

Olhando para a lista, percebe-se como se há alguém a querer fazer uma equipa nova do World Tour, então, com um orçamento bem simpático (muito mesmo) poderá ter um plantel sensacional. Só na Deceuninck-QuickStep pode tentar seduzir o homem do momento Julian Alaphilippe, Philippe Gilbert, Elia Viviani e Zdenek Stybar. Há ainda um dos ciclistas que está no topo das preferências para muitos: Enric Mas. Talvez o espanhol seja um que possa mesmo sair, já que a equipa não tem uma estrutura forte para as grandes voltas. Contudo, o director Patrick Levefere prometeu mudar isso se Mas renovar. Quanto aos outros ciclistas é melhor lembrarem-se: quem sai da formação belga tende a ter dificuldades em encontrar o caminho das vitórias...

A Bora-Hansgrohe poderá não segurar o sprinter Sam Bennett, já que o está a excluir das grandes voltas, algo que o irlandês não gosta. E porque não juntá-lo a Sonny Colbrelli da Bahrain-Merida? Claro que desta equipa o destaque vai para Vincenzo Nibali, um alegado desejo da Trek-Segafredo para 2020. Domenico Pozzovivo e Matej Mohoric são mais dois ciclistas em final de contrato.

Em circunstâncias normais, Marcel Kittel seria o corredor mais pretendido. Porém, se os resultados não começarem a aparecer, o futuro do alemão da Katusha-Alpecin apresenta-se como incógnita, até porque é dos mais bem pagos do pelotão. Na equipa de José Azevedo, o outro líder também está nos últimos meses do seu vínculo. Ilnur Zakarin demora em confirmar as expectativas. O Giro poderá ser importante para definir um novo contrato.

Daniel Martin e Alexander Kristoff (UAE Team Emirates), John Degenkolb (Trek-Segafredo), Michael Matthews (Sunweb), Wout Poels (Sky), Johan Esteban Chaves e Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), Tiesj Benoot (Lotto Soudal) e George Bennett (Jumbo-Visma) são mais alguns dos muitos ciclistas à espera de um novo contrato. E uma das grandes dúvidas chama-se Mark Cavendish. A Dimension Data não deixou cair o sprinter que deu muita notoriedade à equipa quando esta subiu ao escalão World Tour e renovou o seu contrato por mais um ano. No entanto, o britânico demora em aparecer numa forma que justifique a aposta e o ordenado, muito devido ao problema de saúde (vírus Epstein-Barr).

Quanto aos portugueses, Rui Costa (UAE Team Emirates) volta a entrar na lista já que no final de 2018 só recebeu uma proposta de renovação por uma temporada. José Gonçalves (Katusha-Alpecin) está nos últimos meses dos dois anos de contrato, contudo, dá indicações de cada vez mais ser um homem com quem José Azevedo conta. O companheiro, Ruben Guerreiro, foi contratado por esta equipa para 2019, mas tem estado a bom nível. Amaro Antunes (CCC) fará tudo para agarrar o lugar que ganhou no World Tour. Um bom Giro poderá ser decisivo para uma renovação.