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27 de fevereiro de 2021

Circuitos, contra-relógios, crono-escaladas, as sugestões para que a espera não seja até Abril

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Com a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) à espera de poder arrancar com o calendário de estrada a partir de 10 de Abril, os ciclistas do pelotão nacional procuram dar sugestões para que possa haver alguma competição antes, já que nenhuma organização consegue avançar com as corridas previstas para Março. Mantém-se o confinamento e o estado de emergência, mas é possível que a elite profissional possa competir, segundo o que foi estabelecido pelo governo. Porém, o ciclismo continua longe do regresso em Portugal.

Os corredores mantêm os planos de treino, numa espera que, compreensivelmente, se vai tornando frustrante. Uma ideia parece começar a ganhar força: corridas em circuito, utilizando autódromos como o do Estoril - onde em Junho se vai realizar o Mundial de Paraciclismo - ou Portimão, por exemplo.

Outra sugestão passa por contra-relógios ou mesmo crono-escaladas. Em 2020 houve uma Prova de Reabertura em Anadia, precisamente de contra-relógio, que então serviu para não só marcar o regresso à competição, como para testar todos os novos protocolos de segurança sanitária. Também regressou ao calendário o Campeonato Nacional de Rampa.

"Podes fazer provas num autódromo, numa pista, num local fechado, uma corrida com os atletas, com protocolo de segurança, testes PCR, medição de temperatura, fechado ao público", destacou à Lusa Gustavo Veloso, ciclista que prolongou a carreira por mais um ano, tendo trocado a W52-FC Porto pela Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel.

O espanhol realçou ainda o potencial da transmissão televisiva ou em streaming de uma corrida num circuito fechado, menos exigente a nível de logística do que uma prova na via pública. Além disso, não seria necessário polícia para fechar estradas. Veloso foi mais longe nas declarações, acreditando que, nestes moldes, seria possível outros escalões também competirem. Porém, enquanto perdurar o estado de emergência, tal não acontecerá, nem para as categorias dos mais jovens, nem para os masters.

"O que temos é de procurar soluções para estes momentos. Evidentemente, não se pode correr a época toda em circuito, mas temos de voltar o quanto antes. [...] Com três ou quatro corridas em circuito antes do regresso à estrada, pelo menos temos uma opção de ganhar ritmo, motivação, e fazer o nosso trabalho, os adeptos podem desfrutar, e dar visibilidade aos patrocinadores. O que não é bom é estar parado. Assim, toda a gente ganha, e não temos nada a perder", afirmou.

A Sérgio Paulinho (LA Alumínios-LA Sport) também lhe agrada a solução dos circuitos, como explicou à Lusa: "Podendo fazer-se em autódromos, estou de acordo, até porque provavelmente os custos iriam ser bastante reduzidos, por isso seria um grande incentivo para se poder colocar já em prática a época desportiva."

Tiago Machado (Rádio Popular-Bovista) salientou que o pelotão está "apto a fazer tudo e mais alguma coisa, como circuitos, contra-relógios, crono-escaladas, com o objectivo de dar "algum retorno aos patrocinadores".

"Basta ver que no domingo se realizou o Nacional de ciclocrosse, que é num circuito. Não dá para entender o porquê de não se fazerem as competições. Estamos todos ansiosos que recomece, porque treinamos ao frio e à chuva e queremos competir. Só queremos o básico da nossa profissão", disse.

César Fonte (Kelly-Simoldes-UDO) mostra-se mais céptico, pois considera que o sucesso de provas em circuitos "depende muito" da organização e da sua "divulgação mediática". Referiu que "só um dia de corrida" não chegaria, mesmo que visse com bons olhos "alguns circuitos e, logo a seguir, a continuidade do calendário normal".

As sugestões estão dadas, mas quem organiza? "Se alguém as organizar, será bem-vindo e terá o nosso apoio. A federação, no âmbito do seu plano e orçamento, vai assumir a organização de quatro provas no mês de Abril. Não há mais nenhum organizador disponível a fazê-lo. [...] Não temos condições para fazer mais corridas. Se alguém as fizer, terá o nosso acolhimento", explicou Delmino Pereira.

O presidente da FPC considerou que é "uma solução, mas não a solução". E acrescentou: "Não me parece que seja grande solução e nem sequer foi unânime no contexto das equipas."

Pedem-se soluções para terminar com esta longa paragem competitiva. Mas, para já, a expectativa é que só mesmo em Abril retornem as corridas, com a esperança que a partir daí o calendário possa realizar-se, recuperando eventualmente algumas das corridas adiadas em Março. A Volta ao Algarve - que estava agendada para Fevereiro - está à espera de luz verde da UCI para "encaixar" em Maio.

»»Corridas em Portugal só em Abril. Ciclistas desiludidos com adiamentos««

1 de fevereiro de 2021

União entre uma equipa e um ciclista que tanto querem ganhar novamente a Volta a Portugal

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Gustavo Veloso está há cinco anos a tentar uma muito desejada conquista da sua terceira Volta a Portugal. Em Tavira suspira-se por uma vitória nessa corrida há mais tempo. O último a vencer foi Ricardo Mestre, em 2011. A equipa algarvia bem tem tentado encontrar forma de colocar o seu líder no topo do pódio. Esteve perto com Joni Brandão e Frederico Figueiredo mais recentemente. Veloso, desde que Rui Vinhas o bateu em 2016, que tem de viver com uma concorrência interna, onde há sempre alguém pronto a ser líder e a obrigar o espanhol a ficar em segundo plano. 2020 foi a gota de água. Apesar da boa forma, a W52-FC Porto concentrou-se em Amaro Antunes. Veloso adiou a reforma e assinou por uma equipa do Tavira que estará totalmente à sua disposição.

Vinhas, um gregário por excelência, surpreendeu em 2016, é certo. A partir de então Veloso ou não esteve no seu melhor, ou a escolha de líder acabou por ser outra. Com 40 anos, apresentou-se fortíssimo na última Volta a Portugal, sendo mais uma vez segundo, atrás de um companheiro de equipa. Agora com já com 41, celebrados a 29 de Janeiro, prepara-se para a que deverá ser a sua derradeira tentativa. Despedir-se de uma longa carreira em tempo de pandemia, com tão poucas corridas realizadas na época passada e depois de estado tão bem na Volta, não parecia bem. Por isso, adiou a reforma por uma época, mas era necessário mudar de ares.

A Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel espera que as ganas de ganhar e a boa forma que Veloso apresentou em 2020 persistam este ano. Apesar de Frederico Figueiredo demonstrar na primeira época em que não teve concorrência pela liderança que poderia ser uma boa aposta, o ciclista mudou-se para a Efapel, o que ajuda a que não haja questões de quem é o número um na formação algarvia. E é mesmo isso que Veloso quer.

Uma das curiosidades será o reencontro com Alejandro Marque. O primeiro dissabor numa Volta a Portugal foi em 2013. Ambos estavam na OFM-Quinta da Lixa (actual W52-FC Porto), quando Marque venceu a Volta, batendo Veloso, por apenas quatro segundos. Nos dois anos seguintes, Veloso venceria, já sem Marque como colega de equipa.

Marque é mais um veterano no pelotão nacional, completando 40 anos em Outubro. Apesar de manter a ambição de querer lutar por vitórias, de temporada para temporada as suas exibições têm ficado cada vez mais longe do que é necessário para disputar a corrida mais desejada, apesar das boas classificações finais, com top 10 ou top 15.

Volvidos oito anos irá Marque dar uma preciosa ajuda para Veloso vencer a Volta? A necessidade de um bom braço-direito na montanha é crucial para tentar fazer frente à W52-FC Porto. Veloso mais do que ninguém, sabe disso.

Este conhecimento poderá ser muito importante na forma como a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel enfrentará essa corrida. Afinal, Veloso tem um conhecimento profundo de como a equipa rival se prepara tacticamente. No entanto, o director Vidal Fitas também irá precisar de um Aleksandr Grigorev e de Alvaro Trueba a grande nível. São dois ciclistas que cumprem a bem a missão de gregário e em quem o responsável confia, mas que cedem cedo na montanha.

E aqui entrará Emanuel Duarte. O melhor jovem da Volta em 2019 e vencedor da Volta a Portugal do Futuro nesse mesmo ano, deixa a LA Alumínios-LA Sport para continuar a sua progressão numa das principais estruturas do pelotão nacional. Com Veloso a ser uma solução de curta duração, Duarte terá a possibilidade de evoluir em 2021, sempre com os olhos postos em bons resultados, claro, e mais tarde assumir-se ele próprio com um papel de maior destaque. É uma aposta de futuro.

Assim como Rafael Lourenço (23 anos), ainda que com objectivos diferentes. Estreou-se como profissional no Sporting-Tavira em 2016, mas na temporada seguinte mudou-se para a formação de Oliveira de Azeméis (actual Kelly-Simoldes-UDO), na qual evoluiu as suas qualidades de sprinter. Será um reencontro com César Martingil. Ambos são muito lutadores e podem ser solução para tentar conquistar vitórias ao longo do ano e não apenas a pensar na Volta.

O espanhol Samuel Blanco (26) está de regresso a Portugal - representou a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e a Liberty Seguros, no final da época de 2018, tendo sido companheiro de Lourenço e Martingil -, sendo mais um homem rápido para o plantel do Tavira.

Quatro reforços com ambição, enquanto entre as permanências está um Rúben Simão que vai continuar o seu trabalho de evolução (tem apenas 20 anos) e estão ainda mais dois ciclistas da total confiança de Vidal Fitas. Valter Pereira (30 anos) tem feito a sua carreira no Tavira, tal como David Livramento (37), um dos corredores mais respeitados do pelotão nacional. São ambos gregários, trepadores e que poderão fazer parte de um grupo muito experiente na ajuda a Veloso.

É o tudo por tudo do espanhol para ganhar novamente a Volta antes de colocar um ponto final na carreira, com a histórica formação do Tavira à procura de maior glória, que há tanto tempo lhe escapa. Aposta forte nessa corrida, mas a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel tem um plantel que poderá conquistar outros triunfos relevantes durante a temporada, principalmente entre os ciclistas mais jovens, ambiciosos e sempre prontos a mostrar o que valem.

Permanências: Alejandro Marque, Aleksandr Grigorev, Alvaro Trueba, César Martingil, David Livramento, Rúben Simão, Valter Pereira.

Reforços: Emanuel Duarte (LA Alumínios-LA Sport), Gustavo Veloso (W52-FC Porto), Rafael Lourenço (Kelly-Simoldes-UDO), Samuel Blanco (Super Froiz).

»»Ano de continuidade mas com um regresso há muito esperado««

»»Nova era no Louletano-Loulé Concelho««

7 de outubro de 2020

Pandemia muda planos de reforma

© João Fonseca Photographer
Se há algo que um atleta gosta é de se despedir pelos seus próprios termos, uns mais em alta do que outros, é certo, uns com planos mais ganhadores do que outros. Marcam-se uns últimos objectivos, uns últimos momentos para assinalar o adeus. Muitas vezes são tão simples como participar em certas corridas, uns juntam o desejo de mais uma vitória, outros de ajudar um companheiro a vencer. Num 2020 marcado por uma pandemia, com corridas canceladas, um calendário com grandes provas a coincidirem, uns Jogos Olímpicos adiados, colocar o ponto final na carreira em 2020 não está a parecer adequado para alguns corredores.

"Eu quero despedir-me do ciclismo com ciclismo de verdade." A frase diz muito e foi ouvida por cá há dois dias. Gustavo Veloso tinha anunciado que 2020 ia ser o seu último ano, despedindo-se do ciclismo aos 40. Mas numa temporada em que mal competiu devido à pandemia e não conseguiu fazer o tri na Volta a Portugal, o espanhol da W52-FC Porto decidiu que se impõe mais um ano a competir.

Lá por fora acontece o mesmo. Tony Martin (35 anos) e André Greipel (38), por exemplo, estavam a ponderar deixar o ciclismo, mas acabaram a renovar contrato com a Jumbo-Visma e a Israel Start-Up Nation, respectivamente. E não apenas por um ano, mas até 2022. Paul Martens (36), também da Jumbo-Visma, adiou a reforma até Junho de 2021.

Alejandro Valverde também só sairá de cena depois dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, naquele que o espanhol vê como o seu último grande objectivo e a medalha que lhe falta num currículo de mais de cem vitórias. E já sabe o que fará depois. Valverde irá assumir novas funções na estrutura da Movistar, equipa que representa desde 2005.

Em Portugal vamos então ter Veloso por mais uma temporada. Vencedor de duas edições da Volta a Portugal (2014 e 2015), a terceira conquista não tem estado fácil. Esteve perto em 2016 e esta época, mas viu colegas de equipa a celebrarem. Primeiro Rui Vinhas e na segunda-feira, Amaro Antunes. Veloso foi segundo em ambas as edições.

"Vou correr mais um ano, para estar numa Volta com todos os adeptos que ano após ano estão na beira da estrada e, desta vez, não puderam estar. Ver a Senhora da Graça vazia não é igual", referiu em declarações à RTP.

Veloso demonstrou na Volta a Portugal que a idade ainda não pesa, apesar de já ter passado por momentos menos bons. Porém, sendo uma das figuras do pelotão nacional, onde está desde 2013, mas já com passagem no início do século pelo Boavista, Veloso certamente que quer terminar a carreira com o tão desejado tri na Volta e sair pela porta grande. Um pouco à imagem de David Blanco, que em 2012 colocou um ponto final na carreira dessa forma e com o recorde de vitórias na geral: quatro.

Essa marca Veloso já não alcançará. Em realidades completamente diferentes, André Greipel já está numa função mais de voz da experiência e Tony Martin quer continuar a ser o gregário de luxo. Já Veloso ambiciona alto para uma derradeira tentativa de vitória na Volta em 2021.

4 de outubro de 2020

Amaro Antunes mais perto da vitória, mas ainda há uma ameaça

© João Fonseca Photographer
O contra-relógio vai mesmo decidir tudo. Nenhum dos candidatos quis aproveitar a Arrábida para, pelo menos, encurtar distâncias. Amaro Antunes está bem encaminhado para conquistar a Volta a Portugal, mas será que um certo ciclista vai deixar? Frederico Figueiredo vai tentar, mas o especialista e maior ameaça até é Gustavo Veloso, colega de Amaro na W52-FC Porto. Estando cada um por si, o espanhol não vai "levantar o pé".

1:13 separa Gustavo de Amaro, com Frederico Figueiredo a 13 segundos. O problema para o líder da Atum General-Tavira- Maria Nova Hotel é que o contra-relógio é o seu calcanhar de Aquiles. Por mais que vá tentar, manter o lugar no pódio será um objectivo. Amaro Antunes também está longe de ser forte nesta especialidade, o que faz com que a sua maior preocupação seja quem está a mais de um minuto.

Para Veloso, a estrada decidirá o mais forte. No prólogo, que venceu, deixou Amaro Antunes a 32 segundos em apenas sete quilómetros. Em Lisboa, esta segunda-feira, serão 17,7 quilómetros, em terreno plano e com empedrado. Veloso, além de ser melhor contra-relogista, está num terreno que o beneficia.

É quase um déjà vu. Em 2016, também Veloso tentou tirar a camisola amarela ao colega Rui Vinhas. Não conseguiu. Anda desde esse ano à procura da terceira vitória na Volta e aos 40 de idade não está longe. Porém, apesar do prólogo não ter sido o melhor para Amaro, as circunstâncias são outras neste último dia. Certamente que, como aconteceu com Vinhas, a motivação de Amaro estará em alta. Já foi segundo em 2017, agora pode vencer uma corrida que, mesmo quando foi para a CCC durante dois anos, nunca escondeu que queria ganhar.

Numa Volta a Portugal que se resumiu muito à etapa da Senhora da Graça, a W52-FC Porto fez o que tem feito há oito anos. Domina e até tem novamente dois ciclistas que podem ganhar.

© João Fonseca Photographer
A Efapel abdicou de um ataque de Joni Brandão na Arrábida, que provavelmente pouco resultado teria, para levar António Carvalho a uma vitória de etapa que merecia. O ciclista apresentou-se forte desde o início da corrida, mas acabou a sacrificar-se por Brandão. A Efapel perdeu a Volta na Senhora da Graça e ainda não foi desta que conseguiu contrariar a W52-FC Porto, mas Carvalho, um antigo ciclista da equipa do Sobrado, foi a Setúbal conquistar a etapa, ele que em 2019 havia vencido na Senhora da Graça. 
Não se pode dizer que serve de compensação para a equipa, mas sim de prémio para o ciclista.

Entre a Ribeira das Naus e a Praça do Comércio, a Volta chegará ao fim, com pouco para contar, mas ainda com Veloso a querer reescrever uma história que Amaro espera estar perto de ter um final feliz e assim levar a taça novamente para o Algarve, tal como João Rodrigues em 2019.

De salientar que na última etapa em linha (Loures-Setúbal, 161 quilómetros), Luís Gomes foi para a fuga, somando mais do que os pontos que precisava para garantir a camisola vermelha. Só um o separava de Daniel McLay (Arkéa Samsic), mas o britânico já estava satisfeito com as duas vitórias de etapa. Para a Kelly-Simoldes-UDO é mais um objectivo alcançado, depois do mesmo ciclista ter ganho a tirada que terminou no Alto de Santa Luzia, em Viana do Castelo.

Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista) já tinha garantida a camisola da montanha, numa conquista muito importante para um jovem de apenas 23 anos.

Classificações completas, via FirstCycling.




27 de setembro de 2020

Gustavo Veloso e uma estreia aos 40 anos

© João Fonseca Photographer
Ver Gustavo Veloso de camisola amarela na Volta a Portugal não é novidade. Além de já ter ganho a corrida em 2014 e 2015, já foi líder noutras edições. Aos 40 anos, mostra que a idade é mesmo apenas um número e que podem contar com ele numa W52-FC Porto habituada a ter mais do que um potencial candidato. Também no ano passado, quando se pensava que o espanhol já não estaria com os mais fortes, Veloso andou de amarelo. Em 2020, veste desde cedo a familiar cor e estreou-se a ganhar em prólogos na Volta. Nunca é tarde!

"É a minha 11ª Volta. Já tinha três segundos lugares em prólogos. Desta vez estive quase para fazer segundo de novo, mas, felizmente, consegui vencer. A idade é apenas um número, o que conta é a determinação, o trabalho e acreditar em nós próprios", salientou. Não quer falar já de candidaturas à vitória final, pois a corrida apenas percorreu sete dos 1183,9 quilómetros: "A pandemia prejudicou todos os atletas, mas chegámos todos praticamente nas mesmas condições. A corrida acaba de começar e faltam os dias duros para definir a classificação geral."

As diferenças não foram muito grandes, como esperado, num traçado em Fafe com uma fase mais técnica, com descidas, no início, e um troço final fisicamente mais exigente, com subida e empedrado.

João Rodrigues, vencedor de 2019 e companheiro de Veloso na W52-FC Porto, completou a distância com mais oito segundos do que os 9:39 minutos do primeiro líder da Volta. Joni Brandão (Efapel), fez mais sete segundos, com o antigo ciclista azul e branco e agora na Efapel, António Carvalho, a somar mais seis segundos. Bom início para o atleta que conquistou a Senhora da Graça no ano passado.

Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) perdeu 12 segundos. Já Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel) perdeu 23 segundos. Nada de grave, mas para sete quilómetros, continua a ser a prova que o contra-relógio mantém-se como ponto fraco deste ciclista.

Quanto a Rafael Reis é um especialista, mas mais uma vez viu escapar-lhe uma vitória. Agora por apenas um segundo. Em 2018, o corredor, então da Caja Rural, venceu o prólogo em Setúbal e vestiu a amarela. Era um grande objectivo este ano para o ciclista e para o Feirense, a precisar de um bom resultado. Já na Prova de Reabertura, em Julho, um contra-relógio em Anadia, Rafael Reis foi segundo, com três segundos a separá-lo de Rui Costa (UAE Team Emirates). Ainda terá mais uma oportunidade, na última etapa da Volta: 17,7 quilómetros, em Lisboa.

Nas outras classificações, a W52-FC Porto assumiu a liderança por equipas, enquanto o espanhol Carlos Canal, da Burgos-BH, é o melhor jovem (camisola branca), tendo sido 26º no prólogo, a 28 segundos de Veloso. A camisola da montanha e dos pontos terão amanhã os seus primeiros líderes.

Classificações completas, via FirstCycling.

1ª etapa: Montalegre – Santa Luzia (Viana do Castelo), 180 quilómetros



A primeira etapa em linha é também a mais longa da Edição Especial. Haverá duas terceiras categorias, a primeira no Alto de Covide, a segunda a coincidir com a meta, em Santa Luzia, num final bem conhecido pelo pelotão.

»»Quem desafia a W52-FC Porto? Volta a Portugal arranca este domingo, mas já com uma má notícia««

»»Menos dias de Volta a Portugal será uma experiência interessante««

30 de dezembro de 2019

Mais um ano de vitórias, uma nova figura central, mas um 2020 a começar com uma preocupação

(© João Fonseca Photographer)
A nível interno foi um ano habitual para a W52-FC Porto. Ou seja, soma vitórias durante todo o ano, com diferentes ciclistas e termina a ganhar a Volta a Portugal. A novidade chamou-se João Rodrigues, que aproveitou a oportunidade para se tornar numa das figuras do ciclismo nacional. Há um ano foi o gregário de luxo de Raúl Alarcón, em 2019 foi ele o dono da camisola amarela na Volta. Porém, sendo Profissional Continental, olhava-se para a W52-FC Porto com outra responsabilidade a nível internacional. Somou alguns top dez, mas não será aposta para continuar.

Apesar da subida de escalão, o director desportivo Nuno Ribeiro deixou sempre bem claro que os objectivos internos mantinham-se inalterados. E mais uma vez esta W52-FC Porto demonstrou todo o seu poderio, reforçado por ser Profissional Continental. Plantel maior e reforçado com referências das equipas rivais, como Daniel Mestre e Edgar Pinto (Efapel e Vito-Feirense, respectivamente), recuperando Joaquim Silva e Rafael Reis (estavam na Caja Rural) e começando o trabalho com dois jovens da Miranda-Mortágua, Jorge Magalhães e Francisco Campos.

É este lado de desenvolver jovens da W52-FC Porto que se tem de falar dado o sucesso de João Rodrigues. Está desde 2016 na equipa, tem apenas 25 anos e foi sendo preparado precisamente para o momento que viveu em Agosto, numa Avenida dos Aliados com um ambiente sensacional para consagrar o vencedor da Volta a Portugal. O plano inicial era ser aposta no início da temporada, para ser testado no papel de líder. Ganhou a Volta ao Alentejo, tendo no contra-relógio alcançado a sua primeira vitória como profissional.

A Volta era para Raúl Alarcón, que ia procurar a terceira conquista. Caiu no Grande Prémio Abimota, partiu a clavícula e ficou de fora. Gustavo Veloso foi chamado para substituir e há muito que não se via o espanhol àquele nível. Mas era a Volta de Rodrigues, que não se assustou com um Joni Brandão (Efapel) forte. O colectivo da W52-FC Porto voltou a fazer a diferença e no final, quando tudo dependia só dele, Rodrigues fez valer toda a sua preparação nos últimos dois anos para se tornar num bom contra-relogista. António Carvalho, Ricardo Mestre, Daniel Mestre (vencedor da classificação dos pontos), Edgar Pinto e um Samuel Caldeira que foi uma autêntica locomotiva a puxar o pelotão em muitas etapas, controlaram a corrida. A equipa venceu ainda cinco etapas, incluindo na Serra da Estrela e na Senhora da Graça!

Mas há que dar valor a toda a temporada. 18 vitórias (etapas, clássicas e classificações gerais), ao que se junta mais 15 classificações como montanha, pontos e por equipas. Ganharam os mais experientes - Ricardo Mestre conquistou o Grande Prémio Jornal de Notícias, por exemplo -, ganharam os mais novos, com Francisco Campos a fechar o ano a vencer a Rota da Filigrana, a nova corrida do calendário nacional, depois de já ter ser o mais forte no Grande Prémio Anicolor.

Lá fora, Edgar Pinto foi a principal escolha. Já tem experiência após dois anos na Skydive Dubai e em 2018, já no Feirense, venceu a Volta à Comunidade de Madrid. Este ano venceu uma etapa nas Astúrias e foi quinto na Volta à Turquia, uma corrida World Tour. Já na recta final da temporada, Joaquim Silva foi à China ser sétimo, depois de ter sido 10º no Luxemburgo.

No entanto, esta aposta na subida de escalão não compensou o esforço financeiro dos patrocinadores. Em algumas corridas lá fora, principalmente por Espanha, a W52-FC Porto esteve um pouco aquém do valor que tinha. A equipa estará de regresso ao nível Continental em 2020. Esta situação levou ciclistas como Joaquim Silva (Miranda-Mortágua), Rafael Reis (Feirense) e António Carvalho (Efapel) a mudarem de ares, à procura de mais liberdade para alcançar os seus resultados, já que não haverá tantas corridas para dividir lideranças. César Fonte também está de saída para a Efapel.

Nada que preocupe em demasia Nuno Ribeiro, que recuperou Amaro Antunes, de regresso após dois anos na CCC. Vai partilhar estatuto de líder com João Rodrigues, depois de ter feito uma dupla imbatível com Alarcón. Um desafio interessante. De um lado um Rodrigues vencedor da Volta e que quer mais de forma a ambicionar chegar a uma equipa World Tour, do outro um Amaro à procura de repetir o fabuloso ano de 2017.

Mas a maior preocupação não será conjugar estes dois ciclistas, mas sim lidar com uma indefinição chamada Alarcón. O espanhol está suspenso provisoriamente por suspeita de "uso de métodos proibidos e/ou substâncias proibidas", segundo a UCI. Não só a W52-FC Porto não sabe se poderá contar com Alarcón em 2020, como se o pior acontecer e o ciclista for sancionado, uma das dúvidas é se as irregularidades abrangem as duas Voltas a Portugal que venceu.

Será impossível afastar o fantasma que esta situação trará à equipa até que o caso seja concluído. Entretanto, além de Amaro Antunes, foi anunciado como reforço José Mendes. O campeão nacional vai deixar o Sporting-Tavira para vestir de azul e branco, mas terá um papel mais de apoio aos líderes, diferente do que aconteceu na formação algarvia. O espanhol Raúl Rico, que em Junho assinou pela Vito-Feirense-PNB, também é dado como ciclista da formação do Sobrado em 2020.

A equipa continuará forte naquele que será o ano de despedida de Gustavo Veloso, mas a Efapel está a tentar aproximar-se do nível da rival. O projecto de ser Profissional Continental foi curto, mas não restam dúvidas que para 2020, mesmo com as saídas e a dúvida sobre Alarcón, a W52-FC Porto será novamente a equipa que todos quererão bater e não será fácil.

Veja neste link todas as vitórias da W52-FC Porto e das restantes equipas portuguesas de elite.

Equipa para 2020: João Rodrigues, Rui Vinhas, Edgar Pinto, Samuel Caldeira, Daniel Mestre, Ricardo Mestre, Francisco Campos, Jorge Magalhães, Raúl Alarcón, Gustavo Veloso, Tiago Ferreira, Amaro Antunes (CCC), José Mendes (Sporting-Tavira), Raúl Rico (Vito-Feirense-PNB).


»»João Matias destacou-se numa época difícil do Feirense, mas com jovens ciclistas a mostrarem-se««

»»O momento de Frederico Figueiredo na nova fase do Tavira««

20 de setembro de 2019

Gustavo Veloso marca despedida mas ainda não sabe em que equipa

Veloso venceu duas Voltas a Portugal e andou cinco dias de amarelo em 2019
(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Começou como profissional em Portugal e é cá que quer acabar. Gustavo Veloso está preparado para colocar um ponto final numa carreira com quase 20 anos. Mas antes, haverá mais uma temporada. Disso tem a certeza, só não sabe em que equipa. Apenas a possibilidade de fazer uma grande volta poderá fazer Veloso deixar o pelotão nacional, mas nem o próprio acredita que tal seja provável.

O espanhol fará 40 anos a 29 de Janeiro, uma idade que há muito colocava como objectivo de chegar a competir, para então tomar uma decisão de deixar a vida de ciclista. "Serei um privilegiado por decidir quando vou terminar a minha carreira", afirmou Veloso ao site La Voz de Asturias. "Isto é uma como uma balança. Metes o que sacrificas por seres ciclista profissional de um lado e os benefícios que tens, chega a uma altura em que se desequilibra", acrescentou.

Veloso referiu como "são muitos anos e já custa estar longe de casa, da família", realçando como este é um momento que todos os atletas acabam por ter de enfrentar. Mas para o espanhol seria mais traumático se tivesse de abandonar devido a uma lesão ou por não ter equipa. E sem equipa, Veloso tem a certeza que não fica, apesar de, por enquanto, ainda não ter proposta para continuar na W52-FC Porto: "Não tenho pressa. Sei que não vou ter problema em arranjar equipa."

2019 foi uma época de renascimento para o veterano ciclista. Quase ficou de fora da Volta a Portugal, sendo chamado para colmatar a ausência de Raúl Alarcón, que havia partido a clavícula. Veloso apareceu fortíssimo e andou cinco dias de amarelo. Conseguiu que se pensasse que talvez pudesse lutar por uma terceira vitória que nunca surgiu como ambicionou depois dos triunfos de 2014 e 2015, ainda que a Volta a Portugal tenha sido sempre ganha por um companheiro de equipa. E foi novamente assim este ano. Uma queda deixou as suas marcas em Veloso e João Rodrigues estava claramente mais forte. O espanhol foi terceiro, um excelente resultado que já não se esperava, principalmente depois de duas temporadas em que ficou longe de ser sequer um candidato.

Mas Veloso mostrou que ainda pode ser um ciclista que luta por vitórias, tendo ganho este ano o prólogo do Troféu Joaquim Agostinho. Mais um triunfo num currículo que conta com outra conquista de uma prestigiada corrida de uma semana: Volta a Catalunha. Em 2008 bateu por 16 segundos um tal de Rigoberto Uran. No ano seguinte concretizou um dos seus grandes sonhos ao conquistar uma etapa da Volta a Espanha, em Xorret de Cati. Nesse dia ficaram no top dez ciclistas como Alejandro Valverde (eventual vencedor dessa edição), Cadel Evans e Ivan Basso.

Estes momentos marcantes na carreira foram ao serviço da Xacobeo-Galicia (2008-2010), equipa pela qual fez quatro Vueltas e um Giro. No ano seguinte representou a Andalucia-Caja Granada e foi novamente à grande volta espanhola. Antes tinha estado duas épocas na Kaiku, uma na Relax-Bodysol, depois de três temporadas na sua primeira equipa como profissional: Carvalhelhos-Boavista (2001 a 2003).

Em 2013 regressou a Portugal para a então OFM-Quinta da Lixa, actual W52-FC Porto, que tem sido a sua casa. Independentemente da equipa que represente em 2020, Veloso quer sair com boas exibições. "O ano que vem vai ser o último em que vou correr. Tudo tem um princípio e tudo tem um fim. E eu quero deixar andando bem", realçou à La Voz de Asturias.

»»Temporada nacional fecha com mais uma vitória da W52-FC Porto««

»»João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto««

7 de agosto de 2019

Queda de Veloso e Rodrigues aumenta incerteza na véspera de subir a Serra do Larouco

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Regresso à estrada, após o dia de descanso, com algum nervosismo, muita chuva e uma queda que Gustavo Veloso parecia adivinhar. De um momento para o outro, a Volta a Portugal ganha uma nova incerteza. Já perto da meta, em Bragança, uma queda deixou no chão o camisola amarela, o segundo classificado João Rodrigues e o camisola verde Daniel Mestre. Todos apresentaram queixas físicas e os últimos dois foram ao hospital após a etapa. Joni Brandão (Efapel) também caiu, com Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) a ser o único dos quatro primeiros a sair incólume do caótico final de etapa. Esta quinta-feira é dia de subir a Serra do Larouco, numa das tiradas mais importantes da corrida e as sequelas das quedas poderão ser determinantes, quando as diferenças estão tão curtas.

Gustavo Veloso bem avisava antes do arranque em Moncorvo que seria uma etapa que teria de ser feita com muita atenção. Depois do calor veio a chuva e aumentou o risco de quedas, que nesta edição da Volta têm sido frequentes. O camisola amarela só queria que todos chegassem bem a Bragança. Mais parecia um prenúncio. Numa rotunda, bastou cair um que vários se seguiram, incluindo os três homens da W52-FC Porto, que estavam juntos. Gerou-se alguma confusão, com os ciclistas a chegarem a conta gotas à meta, nada preocupados com o tempo, já que a queda deu-se nos três quilómetros finais, mas se Brandão pareceu estar relativamente tranquilo, Veloso apresentava queixas e Rodrigues não conseguiu esconder um esgar de dor enquanto era ajudado a terminar a etapa por Daniel Mestre e Luís Gomes, o corredor da Rádio Popular-Boavista.

João Rodrigues, que está a 15 segundos de Veloso na geral, explicou que as dores eram na perna. A equipa escreveu no seu site que tanto o algarvio, como Daniel Mestre foram transportados para o hospital, mas não apresentavam "cuidados de maior". Já Rúben Pereira garantiu que Joni Brandão está bem, assim como Henrique Casimiro e Bruno Silva. "Apesar da queda final, onde grande parte da equipa ficou envolvida, não houve males de maior nem mazelas", afirmou o director desportivo.

Serra do Larouco ainda mais decisiva

É uma das etapas mais difíceis e com potencial para se fazerem diferenças. No entanto, perante os acontecimentos desta quarta-feira, ganha ainda mais importância, pois será essencial perceber como estão os dois principais ciclistas da W52-FC Porto. A meta coincide com uma primeira categoria de 9,2 quilómetros, com uma pendente média de 5,8%. Antes, a cerca de 40 quilómetros do final, está colocada outra dificuldade de primeira categoria, em Torneiros, com 4,5 quilómetros e inclinação média de 8,7%.

Até ao quinto classificado, Henrique Casimiro, há 45 segundos de diferença e até ao 10º, Luís Fernandes (Aviludo-Louletano), são 1:33 minutos de diferença. Em qualquer das subidas, quem passar mal pode perder tempo que fará mossa na classificação geral. A W52-FC Porto poderá sofrer mais ataques do que o esperado dado o que aconteceu, mas continua a ter outra arma: Edgar Pinto. Caiu na Serra da Estrela, mas parece estar bem e a 1:14 minutos não será uma carta fora do baralho se for preciso tentar sacar um ás, caso Veloso e/ou Rodrigues não estejam bem.

A Efapel tem dois homens no top dez, tal como a Aviludo-Louletanto e a Rádio Popular-Boavista, com David Rodrigues (esteve muito bem na Serra da Estrela) e João Benta. Mesmo com a Senhora da Graça à espera de todos no sábado, a etapa desta quinta-feira tem potencial para mexer com a geral, com uma maior dúvida a surgir agora que uma queda abanou uma W52-FC Porto que tem controlado a Volta a Portugal.

A etapa começa em Bragança às 12:55, no Parque Quinta da Braguinha e terá 156,2 quilómetros.

Dia movimentado de Moncorvo a Bragança

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A sexta etapa, de 189,2 quilómetros, foi tudo menos calma. Com três contagens de montanha logo nos primeiros 55, houve tantas movimentações que, na última subida, o pelotão partiu-se e ficaram os candidatos à geral na frente, com alguns companheiros de equipa e os restantes corredores atrasaram-se. A W52-FC Porto estava praticamente completa e aproveitou para garantir pontos para Daniel Mestre na classificação da camisola verde. Entretanto, Luís Gomes já tinha assegurado a azul da montanha, tirando-a por um ponto a David Ribeiro, da LA Alumínios-LA Sport. O pelotão acabaria por se voltar a juntar.

Os últimos 100 quilómetros foram mais "normais" até à fase final algo caótica, muito porque a chuva tornou perigosa a passagem por Bragança. A fuga triunfou, com a Euskadi-Murias a conquistar a segunda vitória de etapa, agora com o espanhol Hector Saez. Foi a primeira vitória como profissional deste ciclista de 25 anos, que foi campeão nacional de juniores em 2010.

Vários portugueses estavam na fuga e quando o grupo começou com ataques e contra-ataques a 15 quilómetros da meta, só Rafael Lourenço conseguiu ficar numa posição de discutir uma etapa que valeria ouro para a UD Oliveirense-InOutBuild. Contudo, tornou-se a primeira vítima das condições meteorológicas. Caiu e o sonho ficou adiado.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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»»Livramento preparou caminho que Marque não concluiu com a vitória que o Sporting-Tavira tanto precisa««

5 de agosto de 2019

Livramento preparou caminho que Marque não concluiu com a vitória que o Sporting-Tavira tanto precisa

Livramento realizou uma excelente exibição para ajudar Marque e a equipa
a vencer a etapa que acabou por escapar (Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Se há um ciclista que merecia que se entregasse um prémio da combatividade, esse é David Livramento. É um daqueles atletas de quem pouco se fala, mas que muito trabalha. É um verdadeiro homem da casa no Tavira, equipa que já passou por diferentes nomes, mas sempre com Livramento a ser um dos ciclistas de confiança. Chegou a esta Volta a Portugal chamado à última hora para substituir Rinaldo Nocentini e, para aqueles que podem não notar tão bem a importância do trabalho de alguém como Livramento, esteve na frente de uma fuga que tinha mais sete ciclistas, mas foi ele quem andou a "puxar" sozinho durante tanto tempo, na procura de abrir caminho para uma vitória que o Sporting-Tavira tanto procura e precisa, com Alejandro Marque a ser a aposta do dia.

David Livramento fez mais do que manter a fuga viva. Na subida de segunda categoria o pelotão até deixou claro que não ia perseguir o grupo da frente, mas David Livramento, sozinho (há que continuar a salientar esse aspecto), conseguiu inclusivamente aumentar em alguns segundos a vantagem, que passou a rondou os três minutos. Tempo confortável para se disputar a etapa. O Sporting-Tavira bem precisava de uma exibição de nível numa Volta a Portugal na qual lutar pela geral já não é objectivo, pelo que está em marcha o plano B: apostar forte em ganhar uma etapa.

Depois da desilusão na Torre, Alejandro Marque tentou reconquistar algum ânimo, contudo, terminou novamente triste. O trabalho de Livramento foi fenomenal, mas acabou por também permitir que os adversários se poupassem, apesar de ter imposto um ritmo elevado. Marco Tizza andou quase sempre mais na retaguarda e guardou forças essenciais para bater um Marque que não conseguiu finalizar a preparação feita por Livramento. Na derradeira subida do dia - uma terceira categoria, com final em empedrado e com uma inclinação final que até foi feita por Tizza aos ziguezagues - Marque tentou isolar-se. Livramento já tinha terminado a sua missão e houve alguns ataques e contra-ataques antes do espanhol da formação algarvia ficar na frente.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Tizza apareceu e passou directo por um Marque cujo o murro no guiador após cortar a meta espelhava bem o seu estado de alma. A última vitória de etapa na Volta a Portugal do Sporting-Tavira foi em 2016, por intermédio de Jesús Ezquerra. No ano passado, este aspecto foi atenuado pelo segundo lugar na geral de Joni Brandão. No entanto, nesta edição, Tiago Machado continua a perder tempo (está a 3:40 de Gustavo Veloso), Marque está a 7:09, sobrando o "senhor regularidade" Frederico Figueiredo, que a 2:08 pode ainda ambicionar ao top dez, mas que já foi afectado por quedas. José Mendes, campeão nacional de fundo, está "afundado" na classificação a mais de 26 minutos de Veloso.

Resultados precisam-se na equipa de Vidal Fitas que está a finalizar o contrato que liga o Clube Ciclismo de Tavira ao Sporting, sem garantia de continuidade.

Já a Amore & Vita-Prodir está a salvar a sua temporada na Volta a Portugal. Segunda vitória na corrida, a terceira da temporada. Depois de Davide Appollonio ter ganho a primeira etapa, o director Ivano Fanini avisou que a equipa queria mais. Foi um esforço tremendo de Tizza, que mal cortou a meta, não aguentou e ficou sentado junto às grades a tentar recuperar o fôlego.

O pelotão chegou 1:44 minutos depois. Houve um aceleramento na tentativa de provocar pequenos cortes e Joni Brandão (Efapel) ganhou dois segundos ao líder Gustavo Veloso (W52-FC Porto) e quatro ao segundo classificado João Rodrigues (W52-FC Porto) e ao terceiro Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano). Uma aproximação ao pódio, mas com os olhos postos na camisola amarela ainda tem 25 segundos para recuperar.

Os 158 quilómetros entre Oliveira do Hospital e Guarda foram os últimos da primeira fase da Volta, que esta terça-feira terá o seu dia de descanso com Daniel Mestre (W52-FC Porto) na liderança dos pontos, Emanuel Duarte na juventude e agora David Ribeiro na montanha, o que significa que a LA Alumínios-LA Sport veste duas camisolas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

6ª etapa: Moncorvo - Bragança, 189,2 km (quarta-feira)



O regresso à competição será o dia perfeito para os homens mais rápidos do pelotão aproveitarem a oportunidade para conquistar uma vitória, com as decisões na geral a começarem-se a jogar no dia seguinte, quinta-feira, na Serra do Larouco.

»»João Rodrigues perfeito, Veloso de amarelo, Mestre de verde. Domínio da W52-FC Porto intocável após a Torre««

»»Subida à Torre será enfrentada com ânimos diferentes««

4 de agosto de 2019

João Rodrigues perfeito, Veloso de amarelo, Mestre de verde. Domínio da W52-FC Porto intocável após a Torre

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Depois de se afirmar como elemento essencial de trabalho na W52-FC Porto, João Rodrigues não demorou em confirmar a sua capacidade para ser um líder. Já assim o tinha demonstrado ao vencer a Volta ao Alentejo e fê-lo novamente numa das duas etapas míticas da Volta a Portugal. Três vitórias na carreira como elite, todas em 2019. O algarvio não se limitou a vencer na Torre. Foi imperial. Fez uma subida de qualidade, plena de confiança, com direito a um teste antes de o ataque decisivo. Ninguém o apanhou. Aos 24 anos, João Rodrigues vive uma época de sonho e colocou-se definitivamente na posição para disputar a Volta. Mas haverá hierarquias a respeitar, pois a Torre colocou, como se esperava, todos no seu lugar e colocou Gustavo Veloso como um sério candidato a uma vitória já pouco esperada nesta fase da carreira. É o espanhol que está de amarelo e portanto a primeira opção, mas sabendo que haverá alguém pronto a assumir a responsabilidade se ceder.

Dos quatro possíveis líderes, faltou pernas a António Carvalho, enquanto Edgar Pinto viveu mais do mesmo: o azar não larga este ciclista! Ainda assim, a 1:07 minutos da amarela, poderá sempre ser um joker, agora que Veloso e Rodrigues serão os protegidos. A Torre foi mais um exemplo do que há muito se sabe. A W52-FC Porto é a mais poderosa, com mais do que uma solução para controlar a Volta e ir ganhando etapas, enquanto vai mantendo a camisola amarela que detém desde o primeiro dia, primeiro com Samuel Caldeira antes de Veloso a vestir. Em cinco etapas, ganhou três, com três ciclistas diferentes: Caldeira, Daniel Mestre (líder da classificação dos pontos) e agora João Rodrigues.


João Rodrigues foi perfeito na subida à Torre
(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Apesar deste regresso da Torre como final de etapa, quatro anos depois - o último vencedor havia sido Delio Fernández, da então W52-Quinta da Lixa -, ter colocado todos no seu lugar, não ditou grandes diferenças. No entanto, deixou claro algumas debilidades e também como há quem não queira virar a cara à luta, apesar de não ter as armas da W52-FC Porto. Foi o caso da Aviludo-Louletano. Tomou, algo surpreendentemente, as rédeas na derradeira subida de cerca de 19 quilómetros (145 no total, que começaram na Pampilhosa da Serra), partindo de imediato o grupo. Excelente trabalho de Óscar Hernández, com Luís Fernandes a tentar escapar, obrigando a que o ritmo se mantivesse alto para o perseguir. O líder, Vicente García de Mateos, esteve bem, mas, tal como aconteceu nas últimas duas edições em que foi terceiro, não consegue atacar os rivais de forma a fazer diferença. Mas está a 20 segundos de Veloso e é um bom contra-relogista. A equipa algarvia sai da Torre com a ambição intocável.

O espanhol perdeu alguns segundos ao estar envolvido num incidente que deitou as aspirações de Edgar Pinto ao chão, literalmente. Num ziguezague numa altura em que ninguém ia com muita força, com a meta à vista, os ciclistas tocaram-se. O corredor da W52-FC Porto caiu e teve de acabar a etapa a pé, pois a bicicleta não ficou em condições. Ficou ainda com feridas visíveis na perna e braço esquerdo. Vicente García de Mateos também quase teve de parar, o que o fez perder ritmo e cinco segundos, bem mais simpático do que os 56 de Edgar Pinto. Este é um ciclista que tem uma carreira marcada por incidentes que o foram afastando de lutar por bons resultados.

Outra equipa a destacar-se pela positiva foi a Rádio Popular-Boavista. Audaz, sem medo de arriscar, não colheu o fruto desejado da vitória de etapa, mas tem João Benta a 1:06 e David Rodrigues a 1:08 - muito atacou este ciclista -, ambos no top dez. Para uma equipa que aposta sempre forte em vencer etapas, sai da Torre a olhar para um possível pódio.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Já pela negativa esteve a Efapel. A equipa desfez-se como um castelo de cartas no primeiros quilómetros da subida à Torre. Até Joni Brandão pareceu sofrer um pouco, mas acabou bem e até tentou um ataque, ainda que pouco convincente. Valeu ao líder um Henrique Casimiro em boa forma, que foi um apoio essencial e o braço direito que Brandão precisa. Esperava-se um pouco mais da equipa, que parecia ser a única a ter argumentos para enfrentar a W52-FC Porto, mas no primeiro teste de fogo, claudicou.

Derrotado saiu o Sporting-Tavira. Alejandro Marque era o melhor classificado, mas pouco antes do início da Torre, ficou para trás devido a um incidente com um ciclista da Vito-Feirense-PNB. Numa táctica estranha e provavelmente falta de comunicação, a equipa atacava na frente, enquanto tentava recolocar o espanhol no grupo principal. Perdeu mais de oito minutos. Tiago Machado pode até ter feito uma boa subida, mas cortou a meta a 1:57 minutos e já são 2:45 para recuperar. Porém, há Frederico Figueiredo. O senhor regularidade. Há dois dias foi o azarado ao cair duas vezes, mas ali esteve junto ao grupo principal na Serra da Estrela, apenas cedendo já perto da meta. Está a 2:01 de Veloso. Será desta que este excelente ciclista vai ter a sua oportunidade?

Há muito que a merece. É um dos melhores ciclistas do nosso pelotão. Um exímio gregário, com capacidade para constantemente terminar entre os melhores, mesmo que não seja a escolha número um da equipa. Há que esperar que o Sporting-Tavira solte as amarras de trabalho a Frederico Figueiredo e o deixe procurar o seu resultado. A equipa não deverá ficar desiludida e bem precisa que alguém se destaque.

Agora começa-se a olhar muito para o próximo fim-de-semana, com a Senhora da Graça e o contra-relógio final entre Gaia e Porto. No entanto, há uma etapa que ainda poderá fazer diferença. Na quinta-feira, haverá duas primeiras categorias em 45 quilómetros, com um difícil final na Serra do Larouco.

Veloso, Rodrigues e Mateos são bons contra-relogistas e poderão sempre ter essa arma final. Já Joni Brandão, ou os homens da Rádio Popular-Boavista, têm de ganhar tempo na montanha. Brandão melhorou substancialmente no esforço individual, mas se 27 segundos podem ser recuperáveis numa boa exibição na montanha, será bem mais complicado bater qualquer dos três ciclistas referidos no contra-relógio. Com as diferenças tão pequenas, está-se, por agora, a perceber que por um segundo se pode ganhar ou perder esta Volta.


Uma referência à LA Alumínios-LA Sport. Mesmo com a luta pela geral a centrar as atenções, não pode ficar de parte como esta equipa está na luta pela montanha com David Ribeiro e conseguiu vestir a camisola branca da juventude com Emanuel Duarte. Falta muita Volta, mas a equipa sub-25 está a encontrar o seu lugar não só de destaque, mas também no pódio. Excelente trabalho dos ciclistas de Hernâni Brôco.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

5ª etapa: Oliveira do Hospital - Guarda, 158 km



Na teoria, esta é uma etapa que até pede movimentações nos últimos 20/25 quilómetros. São duas subidas consecutivas, uma de segunda e outra de terceira categoria, que coincide com a meta na cidade da Guarda. Falta saber se resta força depois de uma Serra da Estrela capaz de desgastar o mais resistente dos ciclistas. Terça-feira é dia de descanso, pelo que poderá ajudar a que alguém tente recuperar algum tempo perdido.

A tirada arranca no Largo Ribeiro do Amaral, em Oliveira do Hospital, às 13:10, com chegada prevista ao Largo General Humberto Delgado por volta das 17:20.

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3 de agosto de 2019

Subida à Torre será enfrentada com ânimos diferentes

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
De um lado temos uma W52-FC Porto sem líder assumido, mas com duas vitórias em quatro etapas e dona da camisola amarela desde o primeiro dia, dividida entre Samuel Caldeira e Gustavo Veloso. Por outro, temos uma Efapel ambiciosa, com o ciclista que ninguém hesita em considerar que chegou à Volta a Portugal em grande forma e como sendo um, senão o, principal candidato à vitória: Joni Brandão. Porém, quatro dias volvidos, está comprovado que pouco importa o que aconteceu até ao arranque da corrida, pois o que interessa agora é que Brandão teve um bom prólogo, mas depois tem sido um dos exemplos de como as coisas podem começar a correr mal. Este domingo há que subir à Torre, numa chegada que estava difícil regressar à Volta. É a etapa que vai começar a colocar todos no seu lugar e vai ser encarada de ânimos bem diferentes pelas duas equipas mais fortes e até mesmo por aquelas que "jogam" por fora.

Brandão teve um prólogo muito positivo, só perdendo para Gustavo Veloso e António Carvalho, da W52-FC Porto, entre os possíveis adversários na luta pela geral. Mas a Volta rapidamente tornou-se complicada. Na primeira etapa caiu juntamente com quase toda a equipa já perto da meta, mas foi salvo pela regra dos três quilómetros, não perdendo tempo. Não houve ferimentos, o que foi o mais importante. No segundo dia, nova queda, mas Brandão não foi afectado e pensava ele que o dia teria corrido bem. Mas não. Antes da partida para a terceira etapa, ficou a conhecer a penalização de que foi alvo por parte dos comissários. O líder da Efapel tinha precisado de receber assistência por problemas mecânicos na bicicleta e chegou mesmo a trocá-la. Num desses momentos, foi considerado que Brandão foi empurrado pelo mecânico. Resultado: 10 segundos de penalização que não caíram nada bem na Efapel.

Brandão foi de poucas palavras quando questionado, sendo difícil esconder o descontentamento. Já o director desportivo Rúben Pereira foi bem directo: "Considero que foi uma medida muito pesada e injusta. Já demonstrámos o nosso desagrado, porque para nós esta foi uma decisão que não foi ponderada. O nosso mecânico teve uma atitude normal. Não houve nenhum impulso nem houve mudança de velocidade no nosso carro. Além disso havia um comissário próximo de nós que de certeza impediria esse tipo de actos. Acredito que se o Colégio de Comissários continuar com este tipo de decisões o pelotão acaba muito reduzido, tendo em conta que 99% das equipas tem o mesmo tipo de procedimento."

Mas para piorar, Joni Brandão perdeu mais seis segundos na chegada a Castelo Branco, já que houve um corte no pelotão. Resultado, num dia perdeu 16 segundos para Veloso e são 23 os que tem para recuperar. Nada de impossível, mas é bem diferente do que ter apenas sete, como era o caso quando na quarta-feira quando cortou a meta em Santo António dos Cavaleiros.

Joni Brandão é o favorito a ganhar na Torre, numa subida que lhe assenta bem, mas irá enfrentar a etapa sabendo que tem de recuperar tempo. Mas este é um ciclista que tem capacidade para recuperar 23 segundos e até ganhar tempo. Contudo, será um dia essencial para que Henrique Casimiro, Sérgio Paulinho e Bruno Silva sejam gregários de luxo. O problema pode mesmo chamar-se W52-FC Porto.

A equipa do director Nuno Ribeiro está habituada a assumir o favoritismo. Este ano vai empurrando-o para Joni Brandão, numa estratégia de tentar aumentar a pressão num rival que está bem claro que a formação azul e branca respeita e muito. No entanto, a W52-FC Porto tem mostrado o seu domínio na Volta. A forma como abordou a fase final da terceira etapa (Santarém - Castelo Branco, 194,1 quilómetros) é mais um exemplo disso mesmo.

Ainda antes de Mestre cortar a meta, Veloso e Caldeira já festejavam efusivamente
(Fotografia:© Podium/Paulo Maria)
Os ciclistas entraram quase todos juntos na recta, quase a preencher toda a frente do pelotão. Por um lado preparavam o sprint de Daniel Mestre, por outro protegiam-se mutuamente, pois Edgar Pinto, João Rodrigues, António Carvalho e, claro, o camisola amarela Gustavo Veloso, vão todos para a Torre como candidatos, num autêntico jogo do adivinha quem é líder! Veloso até deu um exemplo de liderança, assumindo com Samuel Caldeira - o vencedor do prólogo - o lançamento para o sprint vitorioso de Daniel Mestre. Trabalho de equipa perfeito e se se mantiver na montanha, vai ser uma dor de cabeça para os adversários.

A Torre vai também ajudar a perceber quem das outras equipas vai tentar disputar a amarela, ou pelo menos um lugar no pódio.

Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) tem andado discreto, não tentando disputar etapas como nas edições anteriores. Mas tem feito o seu trabalho, pois, é quarto classificado a oito segundos e Mikel Aristi (Euskadi-Murias) e Daniel Mestre, que estão à sua frente, não são adversários para a geral. O espanhol apontou tudo esta época à Volta a Portugal, pelo que a etapa da Torre será um teste muito importante.

O Sporting-Tavira enfrenta também um dia essencial. Não está a ser uma Volta fácil, com Tiago Machado a não ter todos os dias calmos e já perdeu algum tempo (49 segundos). Não é um trepador puro, pelo que a subida a Torre não será uma missão fácil, mas também se sabe como adora um bom desafio. Contudo, é Alejandro Marque que vai tentar garantir de vez o lugar de líder da equipa, pois está a 17 segundos de Veloso - também perdeu seis segundos na terceira etapa - e se conseguir manter-se perto, poderá tornar-se no ciclista a proteger na formação algarvia. Frederico Figueiredo é sempre uma peça essencial na equipa, mas na sexta-feira sofreu duas quedas, pelo que falta saber como estará fisicamente.

Ciclistas como João Benta (Rádio Popular-Boavista) e mesmo Domingos Gonçalves (Caja Rural) vão procurar colocar-se na luta pelo top dez. O ciclista de Barcelos tem estado discreto, mas depois de há um ano ter ficado num nono lugar, que até o surpreendeu um pouco, se Gonçalves estiver bem, não irá recusar a oportunidade de fazer melhor. O senão é a etapa acabar mesmo na Torre, o que não beneficia tanto, ao contrário do que acontece com João Benta.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

4ª etapa: Pampilhosa da Serra - Covilhã (Torre), 145 quilómetros



Quatro anos depois, a Torre será palco de uma chegada de etapa e não "apenas" local de passagem. Serão quase 20 quilómetros, com uma pendente média de 6,6% e para aquecer haverá uma segunda categoria praticamente logo a abrir a etapa, duas terceiras e uma quarta. A Torre é de categoria especial, não estivéssemos a falar do ponto mais alto de Portugal Continental: 1993 metros. Depois de um sábado bem quente, as previsões do Instituto Português do Mar e Atmosfera apontam para 16/17 graus de temperatura máxima, com o vento a rondar os 12/13 quilómetros por hora.

O último ciclista a vencer na Torre, em 2015, foi o espanhol Delio Fernández, da então W52-Quinta da Lixa, actual W52-FC Porto. Rui Sousa foi o último português, no ano antes e, aquando da apresentação da Volta a Portugal, recordou ao Volta ao Ciclismo esse momento, que pode ler no link em baixo.