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12 de novembro de 2019

Trio de luxo para colocar bem alta a expectativa da Efapel

(Fotografias: © Podium/Paulo Maria - António Carvalho;
© João Fonseca Photographer - Luís Mendonça e Tiago Machado)
 
Se há equipa que apostou muito nos reforços foi a Efapel. A precisar de um bloco mais forte para ajudar Joni Brandão e assim enfrentar uma W52-FC Porto que faz do colectivo a sua arma para ajudar um líder que, quando chega o momento, faz a diferença, a equipa não se poupou em seduzir nomes de peso. Brandão soube fazer essa diferença de líder na Efapel na Volta a Portugal em 2019 (e não só), mas em 2020 o responsável Rúben Pereira quer garantir que a seu lado estejam alguns dos melhores ciclistas do pelotão nacional e aumentar o poderio do colectivo. Era algo essencial. E nada melhor do que ir tirar uma das figuras da equipa rival e juntar um dos mais corredores mais combativos e outro com experiência World Tour, que neste aspecto fará companhia a Sérgio Paulinho.

António Carvalho (30, W52-FC Porto), Luís Mendonça (33, Rádio Popular-Boavista) e Tiago Machado (34m Sporting-Tavira) formam um trio de luxo que se funcionar bem ao serviço de Joni Brandão, então a Efapel poderá tornar-se numa ameaça ainda maior ao domínio da W52-FC Porto. Mas há ainda mais um nome a ter em conta. Tiago Antunes (22) pode ser jovem e vai dar o salto para o profissionalismo, mas chega à Efapel depois de ano e meio na SEG  Racing Academy, uma das mais importantes estruturas de formação no ciclismo. É um dos talentos emergentes da modalidade em Portugal.

O director desportivo Rúben Pereira tem agora à sua disposição uma equipa mais forte, mas tem também o desafio de lidar com egos de corredores ambiciosos, mas que têm provas dadas que ao trabalharem para o colectivo, são elementos de enorme valor. No entanto, também procuram resultados pessoais.

Quando se fala de gregários por excelência, Tiago Machado foi um durante os nove anos que passou no estrangeiro, ainda que nunca tenha desperdiçado uma oportunidade para se mostrar quando lhe era dada liberdade. Regressou a Portugal para assumir um papel de liderança no Sporting-Tavira que tinha perdido aquele que agora será seu companheiro, Joni Brandão. Contudo, a "transformação" não decorreu como o esperado, um pouco à imagem do que aconteceu com Sérgio Paulinho, quando o ciclista voltou ao seu país em 2017, depois de uma carreira exemplar no World Tour como gregário.

Paulinho é um homem de trabalho por excelência e a Efapel beneficia mais ao explorar essa sua vertente, mesmo aos 39 anos. Machado também o é, tendo ainda aquela vertente atacante que poderá a qualquer momento resultar numa vitória. E vencer está sempre nos horizontes de Luís Mendonça. Rafael Silva tem sido a opção principal para os sprints, mas terá agora concorrência. Porém, o ciclista que este ano alcançou três vitórias, somando ainda vários segundos lugares na Rádio Popular-Boavista, tem trabalhado na evolução nas subidas e o segundo lugar na Clássicas Aldeias do Xisto foi a prova que pode pensar em vários tipos de terrenos e não apenas nas corridas mais típicas para sprinters, que em Portugal escasseiam.

No entanto, os objectivos pessoais de Mendonça não chocarão com os de Brandão - o ciclista que ganhou nas Aldeias do Xisto -, o que significa que quando chegar a Volta a Portugal, o primeiro terá as suas oportunidades, mas irá depois trabalhar para o líder. Sabe fazê-lo bem, que o diga Vicente García de Mateos, quando ambos se cruzaram na Aviludo-Louletano.

Já António Carvalho tem sido importantíssimo nas conquistas recentes na Volta da W52-FC Porto. No entanto, nunca escondeu que um dia gostaria de ter a sua oportunidade. Na equipa do Sobrado era difícil, na Efapel poderá quanto muito ocupar o segundo lugar na hierarquia. Será um ciclista que precisará de objectivos pessoais. Venceu por duas vezes o Grande Prémio Jornal de Notícias e este ano conseguiu finalmente a sua etapa na Volta a Portugal e logo na mítica Senhora da Graça. Alguma corrida irá ter Carvalho como o líder da Efapel, mas em condições normais, a Volta será para trabalhar.

Rúben Pereira terá de fazer algo idêntico ao que Nuno Ribeiro faz na W52-FC Porto. Com tanto ciclista com potencial para ganhar, todos têm de ter o seu espaço para lutar por vitórias, para que quando chegar o momento de ser gregário, a motivação esteja sempre em alta.

Não há dúvidas quem será o número um da Efapel, equipa que faz desde já um discurso a pensar em ganhar a Volta a Portugal com Joni Brandão, ainda que até lá haverá muito para lutar. Mas com a época das equipas nacionais a ser muito pensada na chamada "grandíssima", não surpreende que ainda em 2019 se fale em ganhar a edição da Volta de 2020, depois de mais um segundo lugar de Brandão. Perder no contra-relógio para João Rodrigues foi difícil de digerir, mas também motivou ainda mais um ciclista que aos 29 anos (fará 30 a 20 de Novembro), depois de três segundos lugares, acredita mais do que nunca que é possível subir o degrau que lhe falta no pódio.

Chegarão ainda o espanhol Gerard Armillas (24 anos), um rolador por excelência, e o colombiano de 22 anos Nicolás Saenz, que estava sem equipa desde o final da Manzana Postobón. É um trepador, portanto, mais um ciclista que tem tudo para entrar no bloco de apoio a Joni Brandão. O português Diogo Almeida vai dar o salto da equipa de júniores da estrutura da Efapel, para evoluir junto às principais figuras.

Muitas saídas

Com 11 ciclistas para 2020, a Efapel optou por mudar quase todo o plantel, mostrando que é também uma nova era, após a saída do director Américo Silva, a meio da temporada. Só permaneceram quatro: José Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho e o irmão Pedro. A maior surpresa talvez seja a saída de Henrique Casimiro, que tem vindo a ser um dos destaque da equipa. Há quatro anos que faz top dez na Volta, esta época ganhou o Troféu Joaquim Agostinho e foi o melhor apoio que Joni Brandão teve nas etapas de montanha da Volta a Portugal. As forças faltaram na etapa da Senhora da Graça, mas toda a restante corrida foi de elevado nível.

Bruno Silva foi também um dos homens de confiança nas três temporadas que esteve de amarelo. Em 2020 representará a LA Alumínios-LA Sport. O espanhol Marcos Jurado foi um lutador e deu algumas alegrias à Efapel nos dois últimos anos, enquanto o uruguaio Fabricio Ferrari e o búlgaro Nikolay Mihaylov não corresponderam totalmente às expectativas na época que estiveram de amarelo. Antonio Angulo dá o salto para a Fundação Euskadi, que na próxima temporada será Profissional Continental.

O investimento da Efapel é grande para tentar terminar de vez com o jejum na Volta a Portugal. David Blanco ganhou em 2012, mas desde então que a actual W52-FC Porto não dá hipótese. Brandão, Carvalho e Mendonça, por exemplo, têm contratos até 2021 numa tentativa de dar outra estabilidade aos ciclistas, num país onde o mais normal são vínculos anuais. A expectativa será muito alta.

Equipa para 2020:  Joni Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho, Pedro Paulinho, Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista), António Carvalho (W52-FC Porto), Tiago Machado (Sporting-Tavira), Gerard Armillas (Team Compak), Tiago Antunes (SEG Academy), Nicolás Saenz (Team AV Villas), Diogo Almeida (júnior da Efapel). 

»»Regresso a Portugal de dois jovens ciclistas««

»»Regresso de Joaquim Silva fecha plantel mais experiente««

31 de outubro de 2019

Regresso a Portugal de dois jovens ciclistas

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Algumas das equipas portuguesas têm estado a anunciar os seus plantéis para 2020 e já se sabe que dois jovens vão regressar a Portugal para se estrearem como ciclistas de elite. Tiago Antunes e Gonçalo Carvalho vão reforçar a Efapel e a Rádio Popular-Boavista, respectivamente. O primeiro esteve as últimas duas temporadas no estrangeiro, enquanto o segundo trocou a Miranda-Mortágua pela U.C. Mónaco em 2019. Ambos são bons trepadores, mas terão papéis diferentes nas suas equipas.

Tiago Antunes, 22 anos (foto em cima), foi esta quinta-feira anunciado como reforço da Efapel, equipa que está a fortalecer o seu bloco, muito a pensar em dar a Joni Brandão mais e melhor apoio. Antunes fez parte da sua formação na Sicasal-Constantinos, mas em 2018, depois de feito o final de temporada na espanhola Aldro, surgiu o que parecia ser uma oportunidade de ouro. Abriram-se as portas do Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas em Abril Tiago Antunes deixou o projecto. Ao perceber que não iria competir em provas importantes como lhe havia sido dito, regressou à Aldro. Não ficou muito tempo, dando o salto para a SEG Racing Academy, uma das mais prestigiadas equipas de formação. Daquela estrutura saíram ciclistas como Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) e Cees Bol (Sunweb).

O ciclista português tem oscilado entre resultados de nota, inclusivamente pódios, com alguns abaixo das expectativas. Porém, continua a ser visto como um dos talentos jovens de grande potencial e a Efapel quer tentar que exibições como as que fez em Portugal na recta final desta temporada (venceu a Volta às Terras de Santa Maria da Feira, por exemplo) se tornem constantes, agora que poderá encontrar alguma estabilidade competitiva neste seu regresso a Portugal.

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quanto a Gonçalo Carvalho (faz 22 anos a 3 de Dezembro - foto do lado direito) foi uma presença habitual esta época na selecção nacional de sub-23, tendo competido nas prestigiadas Ronde de l'Isard e Tour de l'Avenir. É um ciclista que encaixa muito bem numa Rádio Popular-Boavista que tanto gosta de corredores combativos, que gostem de arriscar e que não têm problemas em entrar em fugas. Apesar da sua juventude, o director desportivo José Santos sabe que poderá ver de Gonçalo Carvalho prestações como as de Hugo Nunes, que este ano foi um atleta incansável tanto na ajuda a companheiros, como a procurar também ele dar resultados à equipa. Será um reencontro entre ambos, já que representaram a Miranda-Mortágua antes de em 2019 seguirem caminhos diferentes.

De referir que a Rádio Popular-Boavista reforçou-se com o sub-23 da JV Perfis-Gondomar Cultural, Vinício Rodrigues, começando assim a cumprir-se um dos objectivos da criação desta equipa de formação, que passa por preparar ciclistas que eventualmente possam dar o salto para a estrutura de José Santos. Pedro Silva do Seissa-Roriz também foi contratado, assim como o espanhol Alberto Gallego, que regressa à competição depois de cumprir uma suspensão por doping. Luís Fernandes (Aviludo-Louletano) irá igualmente juntar-se a esta equipa. João Benta, Daniel Silva, David Rodrigues e Afonso Silva renovaram.

Quanto à Efapel, vai promover o júnior Diogo Almeida e contratou Gerard Armillas (Team Compak). Joni Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho, Pedro Paulinho vão continuar e a maior expectativa são os anúncios oficiais de três reforços de peso que têm sido dados como estando a caminho da equipa de Rúben Pereira: Tiago Machado (Sporting-Tavira), Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista) e António Carvalho (W52-FC Porto).

Outras duas equipas têm estado a anunciar os ciclistas para 2020. A LA Alumínios-LA Sport de Hernâni Brôco confirmou a continuidade de Emanuel Duarte (vencedor da camisola da juventude na Volta a Portugal, conquistando depois a geral da Volta a Portugal do Futuro), David Ribeiro, Marvin Scheulen, André Ramalho, Gonçalo Leaça, Rodrigo Caixas, João Medeiros (estagiou com a equipa na segunda metade da temporada de 2019).

Pedro Silva, director desportivo da Miranda-Mortágua, vai contar com Hugo Sancho, Artur Chaves, Daniel Freitas, Gaspar Gonçalves, Pedro Pinto, dois reforços muito importantes como é o caso de Joaquim Silva (W52-FC Porto) e Ángel Sanchez (W52-FC Porto), juntando-se Leangel Linarez (Kuota-Construcciones Paulino, estagiou na equipa portuguesa a partir de Agosto).

Em todas as equipas aqui referidas, haverá mais novidades nos próximos dias.

»»Época de despedida para muitos dos ciclistas mais experientes««

»»Fundação Euskadi reforça-se com ciclistas da Murias, Movistar e com um da Efapel««

28 de setembro de 2018

Nuns Mundiais marcados pelas subidas, a vitória foi decidida a descer

(Fotografia: © BettiniPhoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol)
Muito se espera de subidas, dos ataques durante estas dificuldades, de quem quebra, de quem se destaca. Mas até é bastante normal ver as descidas serem tão decisivas quanto as subidas (que o diga Chris Froome no último Giro). Em Innsbruck muito se fala da dificuldade dos percursos, mas houve um suíço que esperou pela descida final para desferir o ataque que decidiu a corrida. Marc Hirschi é mais um ciclista a juntar o título mundial ao europeu, tal como fez Remco Evenepoel em juniores. O suíço pode não ter realizado uma exibição tão marcante como o belga (tão cedo não se assistirá a algo igual), mas Hirschi fez uma excelente corrida, tal como toda a sua selecção. A Suíça foi tacticamente perfeita e saiu de Innsbruck com um título mundial de sub-23, que nunca havia conquistado.

Depois de um ano a evoluir na equipa de formação da Sunweb, Marc Hirschi (20 anos) já sabe que tem lugar garantido na estrutura principal em 2019. Conquistar o título europeu e mundial é uma boa forma de se apresentar ao colegas. Quando as principais movimentações começaram, já dentro do circuito final, a Suíça colocou quatro dos seus seis ciclistas na frente da corrida.

Esta aposta condicionou todas as outras selecções. Rússia e Bélgica foram das que mais trabalharam, com a Itália a ajudar, mas por pouco tempo. Tal como na corrida de juniores, os italianos preferiram atacar sozinhos do que unirem-se em torno de um objectivo comum. O trabalho da Bélgica permitiu que Bjorg Lambrecht (ciclista da Lotto Soudal e mais um apelidado de novo Merckx) conseguisse ir para a frente, ficando com Hirschi e um surpreendente finlandês. Jaakko Hänninen escolheu o palco perfeito para sair do anonimato.

Lambrecht atacou, contra-atacou, refilou com os companheiros de ocasião por considerar que não ajudavam o suficiente, mas nunca conseguiu deixá-los para trás. Hirschi foi frio. Pouco ajudou na fuga, passando apenas por meros segundos na frente. São atitudes por vezes pouco apreciadas, mas o suíço optou por se poupar e, com a lição bem estudada, foi na descida final, algo técnica, que acelerou e nunca mais ninguém o apanhou. Ganhou com 15 segundos de vantagem sobre Lambrecht que, com muita dificuldade, bateu ao sprint a surpresa vinda da Finlândia.

As desilusões

A grande desilusão chama-se Colômbia, principalmente Ivan Sosa. O ciclista da Androni Giocattoli-Sidermec foi uma das revelações da temporada e aos 20 anos já assinou contrato com a Trek-Segafredo. O percurso montanhoso de 174,3 quilómetros parecia assentar tão bem a Sosa, mas nem terminou a corrida.

Depois há Portugal. Simplesmente, não correu bem. "Foi uma prestação que ficou aquém das expectativas e muito longe do valor que estes corredores já demonstraram no passado. A verdade é que, no momento decisivo da corrida, não fomos capazes de nos mantermos junto dos melhores", afirmou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

O melhor foi o estreante Gonçalo Carvalho. E que boa corrida fez o ciclista do Miranda-Mortágua. Esteve muito bem na protecção a João Almeida, sempre perto do ciclista que aspirava a um bom resultado em Innsbruck. André Carvalho também se mostrou, só com Tiago Antunes a sentir-se "vazio" logo no início do circuito final, tendo abandonado. No entanto, a colocação no pelotão foi um elemento chave. Na penúltima subida a Patscherkofels, quando se deu a movimentação mais importante, o trio descolou.

Gonçalo Carvalho terminou na 38º posição a 5:41 minutos do vencedor. Seguiu-se André Carvalho foi 51º, a 9:27 e João Almeida 78º, a 19:25 (resultados completos da corrida de sub-23 neste link).

Este sábado, as senhoras vão disputar o título mundial nos 156,2 quilómetros entre Kufstein-Innsbruck. A holandesa Chantal Blaak vai tentar defender a camisola do arco-íris que conquistou há um ano e assim imitar a compatriota Annemiek van Vleuten, que se sagrou bicampeã de contra-relógio. Não haverá ciclistas portuguesas na prova.


27 de setembro de 2018

Sub-23 com miras apontadas ao topo

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A sorte dá trabalho, diz João Almeida. Mas se há algo que nenhum dos quatro portugueses escolhidos para a prova de sub-23 dos Mundiais de Innsbruck tem problemas é  em trabalhar. E muito. Com uma temporada positiva a nível internacional da selecção, ambicionar alto não é de mais. Não se exigem medalhas, mas numa prova em que se espera ser de enorme dureza, o quarteto tem toda a capacidade para colocar um ou mais ciclistas na disputa por um bom resultado, estando João Almeida inevitavelmente à cabeça.

A chegada à Hagens Berman Axeon permitiu ao ciclista ter à sua disposição uma estrutura que está entre as melhores na formação, sendo que este ano ascendeu ao escalão Profissional Continental. A vitória na Liège-Bastogne-Liège de sub-23 foi o ponto alto, mas houve muito mais: o quinto lugar na Ronde de l'Isard (venceu a classificação da juventude), segundo no Giro (também foi o melhor jovem), segundo nos Nacionais, tanto no contra-relógio como na prova de fundo de sub-23, 10º no contra-relógio nos Europeus de sub-23, foi ainda sétimo no Tour de l'Avenir, ou Volta a França do Futuro. Em Innsbruck participou no contra-relógio, tendo ficado na 30ª posição. Mas é a prova desta sexta-feira que mais esperava.

"Se estiver num dia bom consigo estar com os 15/20 melhores e no final será necessário um pouco de sorte, embora saibamos que a sorte dá muito trabalho. Nas últimas semanas fiz provas longas e duras na Bélgica, que contribuíram para o meu estado de forma. Preparei-me bem", afirmou à Federação Portuguesa de Ciclismo.

João Almeida é um bom trepador e a experiência internacional que ganhou nas últimas duas épocas (esteve na Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 em 2017) faz a diferença num jovem de 20 anos. Mas numa prova com uma forte concorrência era importante ter ao seu lado ciclistas de elevado nível. Tiago Antunes (21 anos) é mais um dos talentos da nova geração portuguesa que começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por mudar-se para a equipa espanhola Aldro. No entanto, não ficou muito tempo, assinando por outro dos grandes projectos de formação, a SEG Racing.

Antunes não teve a estabilidade de Almeida - que se espera que chegue agora já que tem contrato para 2019 -, mas esteve bem na Volta a Portugal do Futuro, depois do Tour de l'Avenir não ter sido o desejado. O segundo lugar atrás de Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) comprovou a subida de forma. Se estiver bem, Tiago Antunes não poderá ser visto "apenas" como uma ajuda a João Almeida, será mesmo mais uma opção para um lugar de nota.

André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) regressou este ano a Portugal depois de uma passagem pela Team Cipollini. É um trepador que promete e que já sabe o que é estar em Mundiais. Esse conhecimento poderá ser importante. Carvalho (20 anos) realizou uma boa temporada, sempre muito regular, tendo ficado perto de conquistar a Taça de Portugal de sub-23, mas que Francisco Campos (Miranda-Mortágua), não deixou.

O outro Carvalho, o Gonçalo (Miranda-Mortágua) não ficou atrás em termos exibicionais e foi o melhor português na juventude da Volta a Portugal (foi terceiro, à frente de André). Fará a sua estreia nestas andanças, mas se conseguir controlar uma natural ansiedade, o jovem de 20 anos poderá ter um papel muito importante na selecção portuguesa. "É a primeira vez que estou num Mundial, o que é gratificante. Preparei-me para chegar em boas condições estou motivado para uma corrida que me agrada, porque sou um trepador", disse o ciclista do Miranda-Mortágua.

O percurso de 174,3 quilómetros entre Kufstein e Innsbruck agrada aos quatro, apesar de ser duro. A primeira selecção deverá acontecer nos 2,6 quilómetros de subida para Gnadenwald, a pouco mais de 100 quilómetros para o fim. A ascensão tem 10,5% de pendente média. Pouco depois entra-se no "circuito olímpico", com quatro subidas a Patscherkofel, com 7,9 quilómetros de extensão. Serão 2910 metros de acumulado que beneficia os bons trepadores e Portugal terá quatro bons ciclistas com esta características.

A corrida começa às 11:10 (hora portuguesa) e terá transmissão no Eurosport.

»»Isso não se faz a um campeão do mundo««

16 de agosto de 2018

Equipa portuguesa ambiciosa para a Volta a França do Futuro

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Se há equipa que tem um grupo de ciclistas que tem potencial para receber muita atenção na Volta a França do Futuro, é o da selecção portuguesa. São corredores que demonstram enorme qualidade apesar de ainda serem muito jovens. À cabeça está um João Almeida que está a realizar um 2018 a todos os níveis fantástico, naquele que está a ser o seu primeiro ano na Hagens Berman Axeon. É vista por muitos como uma das melhores equipa de formação, orientada por Axel Merckx e que conta com mais dois portugueses que começam a demonstrar na estrada toda a qualidade já reconhecida na pista: Ivo e Rui Oliveira, que também estarão na corrida francesa.

Para lutar por um bom resultado na mais importante prova por etapas de sub-23, José Poeira chamou também Tiago Antunes, ciclista que começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo, tendo em Abril optado por mudar-se para a equipa espanhola de Manolo Saiz, a Aldro Team, mas no início deste mês passou a estagiar na SEG Racing Academy. É um projecto holandês de formação por onde passaram Fabio Jakobsen - uma das estrelas em ascensão na Quick-Step Floors -  e Stephen Williams, britânico que está a estagiar com a Bahrain-Merida, mas já assinou contrato até 2020.

A completar a selecção estão dois ciclistas que competem em Portugal. André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau) e Marcelo Salvador (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés) fazem desta equipa uma que tem corredores para todos os terrenos que irão ser enfrentados neste Tour de l'Avenir, o nome oficial da competição.

João Almeida tem sido dos jovens ciclistas em destaque nesta temporada. Venceu a Liège-Bastogne-Liège de sub-23, foi quinto na Ronde de l'Isard e ganhou a classificação da juventude, tendo feito o mesmo no Giro para o seu escalão, no qual foi segundo na geral.

"É uma equipa equilibrada, com corredores capazes de estar com os melhores nas etapas de montanha, mas também com elementos prontos para se baterem pelas primeiras posições nos dias em que os sprinters tiverem oportunidades. Além disso, completa-se com jovens que sabem cumprir a missão de trabalhar para o colectivo e que chegam a este momento da época com a frescura física necessária para enfrentar um desafio com a importância e a exigência da Volta a França do Futuro", salientou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Se há prova que tem ajudado a impulsionar a carreira de muitos ciclistas, tem sido esta. Egan Bernal (Sky), David Gaudu (Groupama-FDJ), Marc Soler (Movistar), Miguel Ángel López (Astana), Warren Barguil (Fortuneo-Samsic), Johan Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), Nairo Quintana (Movistar), fazem parte de uma lista de corredores que venceram o Tour de l'Avenir e que hoje são algumas das principais figuras do ciclismo mundial. Isto só para referir dos mais recentes.

Nesta edição, há mais um colombiano que é forte candidato a juntar-se a este lote de luxo. Ivan Ramiro Sosa é um dos ciclistas que será seguido atentamente. Tem apenas 20 anos e estará a caminho da Trek-Segafredo, depois de na Androni Giocattoli-Sidermec ter aparecido a grande nível na Volta aos Alpes e há cinco dias conquistou a Volta a Burgos.

Pode ver aqui a lista de inscritos.

Etapas
1ª: Grand-Champ - Elven, 138,2 km
2ª: Drefféac - Châteaubriant, 144,2
3ª: Le Lude - Châteaudu, 171,2
4ª: Orléans - Orléans, 20,2 (contra-relógio por equipas)
5ª: Beaugency - Levroux, 145,8
6ª: Le Blanc - Cérilly, 181,1
7ª: Moutiers - Méribe, 35,4
8ª: La Bathie - Crest-Voland Cohennoz, 81,1
9ª: Séez - Val d'Isère, 83

20 de maio de 2018

João Almeida em destaque numa semana de acção para os jovens portugueses

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Em França estiveram sete portugueses, enquanto noutro continente foi Ivo Oliveira quem esteve em competição, num momento marcante da sua carreira. Nos últimos dias a nova geração de ciclistas do país mostrou-se, com João Almeida a ser mais uma vez o principal destaque. Ainda com a brilhante vitória na Liège-Bastogne-Liège de sub-23 bem fresca na memória, Almeida fechou quinto na Ronde de l'Isard, uma das principais corridas deste escalão. Desta feita foi ao serviço da Selecção Nacional que o ciclista obteve mais um excelente resultado, tendo ainda sido o melhor jovem da competição que tem visto muitos dos seus vencedores (e não só) chegar ao World Tour.

Dos seis ciclistas que representaram a selecção na Ronde de l'Isard, Hugo Nunes também estava a bom nível. Porém, o ciclista do Miranda-Mortágua sofreu uma queda na última etapa e apesar de ter conseguido reentrar no grupo, acabaria por não aguentar o ritmo. Caiu de 16º para 25º, o que custou também o terceiro lugar da equipa na classificação colectiva. A selecção terminou no quinto posto.

"Foi um dia muito difícil. Esteve um temporal tremendo. As subidas eram difíceis, mas as descidas não eram menos, em estrada estreita, molhada e inclinada. Felizmente, conseguimos o objectivo principal, que era ganhar a juventude e conservar o João Almeida nos melhores da geral. Por outro lado, lamento o azar do Hugo Nunes, que estava a fazer uma corrida muito boa. Caiu na primeira descida, fez um grande trabalho para reentrar no grupo dos melhores, mas pagou o esforço, descolando perto do topo da segunda montanha", explicou o seleccionador nacional, José Poeira.

João Almeida ficou a 46 segundos do vencedor, o britânico Stephen Williams, da SEG Racing Academy. Hugo Nunes ficou a 12:02. Quanto aos restantes membros da equipa,  André Carvalho foi 31º a 14:52, Jorge Magalhães 55º a 34:11, Venceslau Fernandes 58º a 36:43 e André Ramalho 70º a 45:46.

O sétimo português na corrida, por assim dizer, foi Tiago Antunes. Há um ano, com as cores da selecção, tinha terminado na 10ª posição. Este ano foi chamado pela sua equipa, a espanhola Aldro Team, para a liderar. O jovem ciclista começou muito bem com um terceiro lugar, mas acabaria por cair na classificação após a segunda etapa. Ainda tentou repetir o top dez, mas desta feita ficou à porta, na 11ª posição, a 2:13 de Williams.

Na Volta à Califórnia, que terminou no sábado com uma vitória muito (mesmo muito) convincente de Egan Bernal (Sky), Ivo Oliveira fez a sua estreia numa corrida do World Tour, sendo que este era um dos objectivos que queria concretizar quando a época arrancou. O companheiro de João Almeida na Hagens Berman Axeon conseguiu ser um dos eleitos para a corrida americana e não passou despercebido.

No primeiro dia até foi repreendido por Fernando Gaviria, ainda que o colombiano da Quick-Step Floors se tenha enganado no ciclista com que queria protestar! Era Jasper Philipsen que tinha provocado o descontentamento de Gaviria depois de uns encostos no sprint. Ivo Oliveira até partiu com a missão de ajudar Philipsen, mas nesse dia fez 11º. O belga acabaria por abandonar após uma queda, o que deixou o ciclista português com liberdade para ser ele a sprintar na quinta etapa.

Bem tentou colocar-se ao lado de alguns dos melhores do mundo. Além de Gaviria, esteve Peter Sagan, Caleb Ewan, Alexander Kristoff e Ivo Oliveira bateu o noruguês, terminando na oitava posição. Mesmo nas etapas de montanha esteve a bom nível, mas foi pena não ter podido ir a fundo no contra-relógio. Foi necessário poupar forças para o dia seguinte, precisamente o da quinta etapa. Sendo a sua especialidade, teria sido interessante vê-lo competir ao mais alto nível, ele que é vice-campeão do mundo de perseguição individual (ciclismo de pista). Mas a sua oportunidade há-de chegar. Na geral, o português terminou na 34ª posição, a 18:35 de Bernal.

Já com outra experiência - está no seu segundo ano com a Trek-Segafredo -, Ruben Guerreiro apareceu em boa forma na Califórnia tendo chegado a integrar o top dez até ao contra-relógio. No final foi 14º a 7:05, deixando boas indicações para quem se está a preparar para fazer a estreia numa grande volta. O campeão nacional tem a Vuelta no seu calendário e a próxima corrida será o Critérium du Dauphiné, que decorre de 3 a 10 de Junho.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Luís Gomes venceu Grande Prémio Anicolor

Por cá, a Rádio Popular-Boavista regressou às vitórias depois de Domingos Gonçalves ter ganho a Clássica da Primavera, a 4 de Março. Luís Gomes conquistou o III Grande Prémio Anicolor, em Águeda (142,6 quilómetros), batendo no sprint os dois homens do Sporting-Tavira que estavam na luta pela vitória: Frederico Figueiredo e o russo Alexander Grigorev. O ciclista de 24 anos juntou ainda a classificação da montanha, com a equipa a ser a melhor colectivamente. O campeão nacional de sub-23, Francisco Campos, foi o melhor jovem, com mais dois colegas do Miranda-Mortágua a subirem também ao pódio. Nuno Meireles ganhou a classificação das metas-volantes e António Barbio ganhou nos "pontos-quentes".

O pelotão nacional está em contagem decrescente para uma das principais corridas do calendário nacional. O Grande Prémio Jornal de Notícias arranca no dia 28, terminando a dia 3 de Junho.

Pode ver aqui os resultados das equipas portuguesas em 2018 e o ranking nacional.

16 de maio de 2018

Sete portugueses num dos palcos mais importantes para os jovens ciclistas

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É um dos principais palcos para os jovens ciclistas. A Ronde de l’Isard atrai a atenção dos olheiros das grandes equipas e nos últimos, quem por ali se mostrou viu abrirem-se as portas do World Tour. A selecção portuguesa estará representada por seis ciclistas, a maioria com características de trepadores, não fosse a corrida francesa marcada pela montanha em três das suas quatro etapas. João Almeida (Hagens Berman Axeon), André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau), Hugo Nunes e Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), André Carvalho e Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) foram chamados por José Poeira e têm assim a oportunidade participar numa das corridas mais importantes para o escalão de sub-23, que inclui selecções e equipas de desenvolvimento.

Ao analisar a lista de vencedores recentes, vemos nomes como Pavel Sivakov (assinou pela Sky), Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal), Simone Petilli (UAE Team Emirates), Louis Vervaeke (actualmente na Sunweb depois de se ter formado na Lotto Soudal), Kenny Elissonde (esteve na FDJ antes de se mudar para a Sky) e Alexandre Geniez (passou pela FDJ e agora está na AG2R). Mas não são só os vencedores que acabam por conseguir singrar ao mais alto nível. Jonathan Casteoviejo (Sky), George Bennett (Lotto-Jumbo), Joe Dombrowski (EF Education First-Drapac p/b Cannondale), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Dylan Teuns (BMC) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal) terminaram no pódio desta corrida.

Aqui estão apenas referidos aqueles que fecharam top três e estão no World Tour, pois a lista seria mais longa se se olhar para o top dez e para algumas das mais fortes equipas Profissionais Continentais que contrataram jovens ciclistas que realizaram boas exibições na Ronde de l’Isard.

E há um português que certamente procurará no mínimo repetir o resultado de 2017. Porém, Tiago Antunes quererá ir mais além do que o excelente 10º lugar (foi ainda terceiro na etapa rainha). Desta feita não estará com as cores da selecção, pois representará a sua equipa, a Aldro Team. O responsável, Manolo Saiz, irá apostar forte no ciclista português, de 21 anos. "Vamos com uma equipa compacta, com a qual podemos aspirar a que o Antunes possa lutar por algo importante", lê-se no site da formação espanhola.

O ciclista começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por sair antes de finalizar o contrato, por acordo mútuo, assinando pela Aldro Team. A perspectiva era de assim poder competir em corridas importantes, como a Ronde de l’Isard.

Quanto aos restantes portugueses, todas na selecção, os cinco que actuam em Portugal têm destacado-se nas classificações do seu escalão. André Carvalho, Hugo Nunes e Jorge Magalhães estão em equipas que este ano pertencem escalão Continental, sendo sub-25. No entanto, mesmo representado uma de clube, as exibições de André Ramalho não estão a passar despercebidas. Já o ciclista da Hagens Berman Axeon, João Almeida, está a realizar temporada uma temporada muito positiva, que conta com uma histórica vitória da Liège-Bastogne-Liège de sub-23.

“Considero que é uma equipa homogénea, que dá garantias para uma prova de grande dificuldade”, explicou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que teve de substituir Rui Oliveira por Venceslau Fernandes devido a doença.

Quanto às etapas, que se realizarão entre 17 e 20 de Maio, na primeira serão 125,9 quilómetros entre Lorp-Sentaraille e Eychel, com final em alto.



A segunda termina novamente em alto, depois de 154,3 quilómetros a ligar Fonsorbes a Goulier-Neige.



A terceira é a "mais simpática", ainda que tenha muito sobe e desce à espera do jovem pelotão. Serão 153,4 quilómetros entre Lévignac e Boulogne-sur-Gesse.



A decisão final terá 152,4 quilómetros entre Salies-du-Salat e Saint-Girons, numa etapa que voltará a ter muita montanha para enfrentar.



De referir que a Polartec Kometa de Daniel Viegas também estará presente, mas o português surge como suplente na lista de inscritos que pode ver em baixo (clique para ampliar).


19 de abril de 2018

"Tinha de decidir o que era o melhor para mim e decidi sair"

(Fotografia: Facebook Tiago Antunes)
A decisão foi muito ponderada e Tiago Antunes não tem qualquer dúvida que foi a mais correcta. O ciclista português tinha ingressado, no início do ano, no Centro Mundial de Ciclismo (CMC) da UCI, por onde passaram ciclistas como Chris Froome ou Jarlinson Pantano. No entanto, quatro meses depois, escolheu regressar à Aldro Team, equipa espanhola de Manolo Saiz, pela qual tinha feito duas corridas e tinha a porta aberta para representar em 2018. Não se arrepende por ter escolhido o CMC, apesar das competições prometidas afinal não se terem concretizado. Para o jovem português, mais um dos grandes talentos a despontar, é tempo de tirar partido do que aprendeu na Suíça e continuar a evolução rumo ao profissionalismo.

"O problema foi que ao início apresentaram-me um calendário que incluía muitas provas da UCI, como o Giro e outras corridas que me dariam oportunidades de competir com qualidade. O facto foi que não era bem assim. Eu pensava que a UCI tinha acesso directo a todas as corridas, mas afinal era por candidatura. Eles apresentaram-me o calendário que gostariam de fazer e não a que tinham acesso", explicou Tiago Antunes ao Volta ao Ciclismo. "Não me explicaram isso ou não quiseram explicar", acrescentou.

O corredor, de 21 anos, referiu que ficou com um calendário que não se adequou às suas características, pois as candidaturas para as provas desejadas não eram aceites. Depois de terminar a Liège-Bastogne-Liège de sub-23 - ganha pelo compatriota João Almeida (Hagens Berman Axeon) - anunciou a sua decisão. "Eu saí com acordo deles. Não saí a mal. Tinha de decidir o que era o melhor para mim e decidi sair", afirmou.


"Não me arrependo da decisão que tomei. Aprendi bastantes coisas [no CMC]"

Tiago Antunes disse ainda que também não queria prejudicar os objectivos da selecção nacional e perante todos os factores que pesou, falou com Manolo Saiz - antigo director da ONCE - e avisou que ia voltar: "Ele ficou muito contente!" Antes de tomar a decisão, o ciclista contou como ligou várias vezes a José Poeira, seleccionador nacional, falou com Delmino Pereira, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo e também com os treinadores do CMC.

As coisas não decorreram como esperava, mas Antunes não considera que tenha sido uma má escolha ir para a Suíça, depois da passagem pela Sicasal-Constantinos-Delta Cafés: "Não me arrependo da decisão que tomei. Aprendi bastantes coisas. Vi outra realidade do ciclismo e convivi com miúdos de praticamente todo o globo. Havia da Ásia, América do Sul, Europa de Leste... Foi uma experiência enriquecedora para o futuro, sem dúvida." Realçou como mudar de treinadores tem o seu aspecto positivo, pois testou o seu corpo de forma diferente, além de viver e respirar ciclismo 24 horas por dia. Até as deslocações do local onde dormia para o velódromo, em Aigle, eram feitos de bicicleta citadina. "Acabava por fazer uns quilómetros extra", recordou, pois mesmo para as refeições era preciso ir ao velódromo.

A experiência no CMC da UCI era suposto durar até 15 de Junho e Manolo Saiz estava à espera do ciclista português, que acabou por ingressar mais cedo do que o previsto na Aldro Team. "Em princípio a Aldro seria o meu primeiro passo internacional", referiu Antunes, que sabia ter sempre lugar na formação espanhola. "A minha posição ficou salvaguardada na equipa. O Manolo sabia que o meu contrato com a UCI era de apenas seis meses, ou seja, ele ficou a esperar ansiosamente que eu regressasse. Eu disse-lhe que ia para a UCI, mas caso não encontrasse uma equipa de escalão superior, regressaria à Aldro. Ele foi sempre muito atencioso e sempre me apoiou durante estes meses. Foi um regresso natural", frisou.


"Se ele [Manolo Saiz] confia em mim e sendo meu manager, só tenho confiar nessas palavras e mostrar o meu valor"

A estreia será já no domingo, na Ridley-Memorial Momparler, sexta etapa da Taça de Espanha. Esta será uma competição em que Tiago Antunes continuará a participar, mas no seu calendário está também a prova francesa Ronde de l'Isard - que fará pela Aldro e não pela selecção - e o ciclista espera poder ir competindo também no seu país, com especial atenção para a Volta a Portugal do Futuro. "A Aldro esteve em 2017 e creio que este ano quer estar presente", disse.

Tiago Antunes pertence a uma geração que está cada vez mais a dar que falar: a de 1997. Nascidos neste ano temos nomes como Egan Bernal e Pavel Sivakov (actualmente na Sky), Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal), Jhonatan Narvaez (Quick-Step Floors), Pascal Eenkhoorn (Lotto-Jumbo) e a mais recente revelação da Androni-Sidermec-Bottecchia, Iván Ramiro Sosa, que não deverá demorar muito a chegar ao World Tour. No início do ano, quando Antunes partiu para o CMC, Saiz disse que já tinha avisado a Astana, a Quick-Step Floors e a Katusha-Alpecin para estarem atentas ao ciclista português.

No entanto, Antunes não sente que este tipo de palavras lhe coloquem maior pressão. "Pelo Manolo já passaram muitos e muitos corredores e se ele confia em mim e sendo meu manager, só tenho confiar nessas palavras e mostrar o meu valor", salientou. "Estou concentrado principalmente nesta época. Quero tentar mostrar o melhor de mim. Não me sinto pressionado", assegurou.

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4 de junho de 2017

Sub-23 com Mundiais garantidos e com a Volta a França ali tão perto

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Um objectivo ficou cumprido o outro ficou a um ponto. Os sub-23 portugueses estiveram em destaque na Corrida da Paz, na República Checa. Logo no primeiro dia Ivo Oliveira venceu o prólogo e garantiu o apuramento da selecção de sub-23 para os Mundiais de Bergen, em Setembro. O jovem ciclista não conseguiu manter a camisola amarela como ambicionava, mas a equipa nacional continuou na luta, com Tiago Antunes em destaque.

O ciclista, que representa a Sicasal-Constantinos-Delta Cafés, terminou em quinto na última etapa, alcançando o nono lugar na geral, a 3:11 minutos do vencedor, o belga Bjorg Lambrecht. Este resultado e o de Ivo Oliveira permitiram a Portugal somar 15 pontos para a Taça das Nações. Portugal ocupa agora o 16º lugar, tendo ficado a um ponto e a uma posição de garantir o apuramento directo para a Volta a França da categoria. Porém, a expectativa é grande que a equipa nacional possa receber um convite para uma das mais importantes corridas do escalão de sub-23.

Entre as 21 selecções que estiveram presentes da Corrida da Paz, Portugal ficou na sexta posição, a 1:32 da Bélgica, que venceu esta classificação. A última etapa era muito complicada, com 160 quilómetros a começarem e a terminarem em Jeseník. Tiago Antunes, 20 anos, está cada vez mais a afirmar-se com um dos melhores jovens da nova geração. Na segunda etapa já tinha sido 10º e na Ronde de l'Isard, outra corrida de grande importância, foi terceiro na última tirada.

Quanto aos restantes portugueses que concluíram a prova, Ivo Oliveira ficou na 35ª posição a 15:01 minutos e Jorge Magalhães foi 37º a 15:42.