Mostrar mensagens com a etiqueta João Benta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Benta. Mostrar todas as mensagens

15 de dezembro de 2019

Rádio Popular-Boavista com razões para celebrar e a contratar para a montanha

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
A época foi boa. Muito boa. A Rádio Popular-Boavista foi combativa praticamente toda a temporada, com Luís Mendonça a destacar-se e a aproveitar a oportunidade de não ter de partilhar lideranças. Quando chegou a Volta a Portugal, as individualidades destacaram-se à vez, dando força a um colectivo que conseguiu que a experiência triunfasse, mas com a juventude a confirmar ser uma aposta ganha.

Com a Volta a ser o palco de eleição para as equipas portuguesas, uma das mais antigas do pelotão nacional realizou uma corrida para mais tarde recordar. Luís Gomes (foi também rei da montanha) e João Benta conquistaram etapas. Só a W52-FC Porto foi superior na classificação por equipas, pois a Rádio Popular-Boavista terminou a corrida com três ciclistas no top dez: Benta (6º e uma presença habitual), David Rodrigues (7º) e Daniel Silva (9º). Além destes resultados, foram constantes as presenças em fugas dos corredores, sempre à procura de mais e melhor.

Nada de novo na forma de competir desta equipa. E foi por isso que Luís Mendonça encaixou tão bem na Rádio Popular-Boavista, depois de dois anos na Aviludo-Louletano. Não sentiu minimamente a responsabilidade de preencher a vaga deixada pelo ciclista que tantas vitórias deu em 2018: Domingos Gonçalves (seis). Mendonça é um corredor que gosta de estar bem praticamente toda a temporada e apesar de ter somado vários segundos lugares (prova de como está sempre disponível para lutar por vitórias em quase todo o tipo de terreno, sendo mais forte ao sprint), conseguiu conquistar a Taça de Portugal, a primeira etapa e a geral do Troféu O Jogo. A pequena frustração aconteceu na Volta. Foi importante no trabalho para a equipa, mas continua a faltar-lhe a etapa que tanto persegue. Vai agora à procura dessa vitória na Efapel.

Daniel Silva fecharia a contagem de vitórias da equipa em 2019 no Grande Prémio de Mortágua, naquele que foi a melhor temporada desde o seu regresso. E aos 34 anos vai continuar a ser uma das vozes de liderança de uma Rádio Popular-Boavista que poderá não ter os mesmo argumentos financeiros de uma W52-FC Porto ou Efapel, mas que reforçou-se a pensar ainda mais na montanha. Chegará um dos ciclistas mais consistentes do pelotão: Luís Fernandes. Depois de Sporting-Tavira e Aviludo-Louletano, é numa equipa do Porto que irá ter mais espaço para mostrar o que já se conhece deste atleta. É dos melhores trepadores em Portugal e aos 32 anos não lhe falta experiência e aquele espírito combativo que tanto agrada a José Santos.

Fernandes juntar-se-á a Benta, Silva e Rodrigues, num bloco muito interessante, sem esquecer o jovem Hugo Nunes. E este ciclista vai ter a companhia de Gonçalo Carvalho. Ambos representaram a Miranda-Mortágua, mas Carvalho optou por competir em França em 2019, no UC Mónaco. Volta agora para o seu país, sendo mais um trepador de talento, que tem sido presença regular nas selecções jovens.

Mas destaque-se Hugo Nunes, um dos exemplos de como a aposta na juventude compensou. Chegou à Rádio Popular-Boavista cotado como um dos melhores enquanto sub-23 e não desiludiu. Aproveitou este passo para evoluir junto a trepadores de referência como João Benta e Daniel Silva. Fiável no trabalho para os companheiros, não deixou de agarrar os momentos em que lhe era concedida mais liberdade. É um ciclista a seguir em 2020, tal como Carvalho e Afonso Silva. No seu primeiro ano como sub-23, o alentejano mostrou que está a adaptar-se bem pelotão de elite.

Para 2020, José Santos irá começar a aproveitar o projecto de formação sub-23 da JV Perfis-Gondomar Cultural. Vinício Rodrigues é o primeiro a dar o salto. Já Pedro Silva, do Seissa-Roriz, passará directamente do escalão de juniores para a Rádio Popular-Boavista e difere das características de muitos companheiros. É um bom rolador e forte no sprint.

A maior surpresa nos reforços chama-se Alberto Gallego. O espanhol cumpriu quase quatro anos de suspensão por doping, depois da sua defesa de contaminação não ter convencido a UCI. Após boas prestações precisamente na Rádio Popular-Boavista (foi terceiro no Troféu Joaquim Agostinho, por exemplo), Gallego preparava-se para representar a Caja Rural, mas foi suspenso ainda antes da primeira corrida pela nova equipa. Aos 29 anos recebe agora um voto de confiança por parte de um director que o conhece tão bem e será mais um ciclista para a montanha.

Com as corridas no calendário nacional a terem a maioria dificuldades montanhosas, à Rádio Popular-Boavista não lhe faltam alternativas para mais uma vez ser muito combativa toda a temporada, mesmo com as saídas de elementos importantes como Mendonça e Luís Gomes (Kelly-InOutBuild-UDO). E claro, os olhos estão bem postos em chegar novamente ao pódio na geral da Volta a Portugal, com Daniel Silva a ter sido o último em 2016.

Equipa para 2020: João Benta, Daniel Silva, David Rodrigues, Afonso Silva, Hugo Nunes, Luís Fernandes (Aviludo-Louletano), Gonçalo Carvalho (UC Mónaco), Vinício Rodrigues (JV Perfis-Gondomar Cultural), Pedro Silva (Seissa-Roriz), Alberto Gallego (sem equipa).

»»Aviludo-Louletano de menor fulgor em 2019 reforça-se para não depender tanto de De Mateos««

»»Passo de qualidade e de sucesso na LA Alumínios-LA Sport««

9 de agosto de 2019

W52-FC Porto ao ataque, Efapel à defesa e a Rádio Popular-Boavista a intrometer-se

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Ataque, contra-ataque e mais uns ataques. A W52-FC Porto não quis deixar a Efapel um metro descansada, começando por colocar Ricardo Mestre na fuga e depois provocando constantes mexidas, principalmente a partir da aproximação às duas subidas finais. Uns testes à resistência da equipa rival já a pensar que, na etapa da Senhora da Graça, este tipo de movimentações poderão ter outro de efeito. Haverá muito mais montanha para enfrentar antes da mítica subida. Esta é uma posição diferente para a W52-FC Porto - mais habituada a defender a liderança do que a ter de atacar - e para a Efapel, em tempos recentes. Ficou claro na oitava etapa que não haverá paz este sábado na tentativa de recuperar a amarela. Joni Brandão reagiu bem e vai à luta confiante vestido de líder. E mesmo com um contra-relógio para acertar contas no domingo, muito da Volta vai ser jogado na Senhora da Graça.

A tirada será curta, 133,5 quilómetros e com constante sobe e desce, como cada vez mais se vê nas provas por etapas. Se os ataques começarem cedo, será um teste duríssimo para todos, com a Efapel a estar em foco. Já demonstrou ter mais dificuldades em manter a equipa junto de Joni Brandão nas maiores dificuldades, mas a W52-FC Porto não é a mesma desde a queda de Bragança.

Logo no arranque em Fafe, o pelotão vai começar a subir. Serão 1200 metros, a com uma pendente média de 7,6% até Golães. A exigência vai aumentando com 13,5 quilómetros a 3,4% até ao alto do Viso. As duas subidas serão um aquecimento para o momento mais importante das etapas em linha da Volta. Serão três primeiras categorias para ajudar a decidir a corrida: Alto da Barra (13,3 quilómetros, a 5,8% de média), Barreiro (9,9, a 6,5%) e Senhora da Graça (8,3, a 7,2%).



Joni Brandão tem apenas um segundo a separá-lo de um jovem ambicioso João Rodrigues. O algarvio não assume a liderança com Gustavo Veloso a 18 segundos da liderança (perdeu três segundos no Alto de Santa Quitéria), mas, não havendo nenhum volte face, é Rodrigues quem está melhor fisicamente depois de ambos os ciclistas da W52-FC Porto terem ficado maltratados na já referida queda. Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) não está fora da luta. A 34 segundos tudo é possível. No entanto, o espanhol dá mostras de alguma quebra, ainda que, sendo forte no contra-relógio, poderá tentar gerir a etapa de forma a manter-se perto do pódio e apostar nos 19,5 quilómetros finais de domingo entre Gaia e Porto.

Edgar Pinto poderá assumir um papel importante, pois estando a 1:46 minutos, continua a não ter liberdade para escapar. Ou seja, um ataque seu terá de ter resposta da Efapel, que tem Henrique Casimiro a 52 segundos e que não vai ter um dia calmo para defender a amarela de Brandão. A W52-FC Porto já mostrou que parte da táctica passará por "partir" cedo a Efapel, que, contudo, poderá ter uma aliada inesperada.

A Rádio Popular-Boavista ameaça ter uma palavra a dizer. Não na luta directa pela geral, ainda que tenha João Benta e David Rodrigues no top dez, mas porque está decidida em conquistar a classificação colectiva. Para isso, não pode deixar que os ciclistas da W52-FC Porto ganhem muita vantagem. Já na etapa desta sexta-feira (156,6 quilómetros entre Viana do Castelo e Felgueiras), a equipa de José Santos ajudou nas respostas aos ataques da formação azul e branca e não deixou Ricardo Mestre ter demasiada vantagem quando o corredor andou na frente. Ainda por cima,  a Rádio Popular-Boavista tomou-lhe o gosto. Duas vitórias consecutivas: depois de Luís Gomes na Serra do Larouco, foi a fez de João Benta vencer em Felgueiras. Além disso tem Luís Gomes na liderança da classificação da montanha.

Se mantiver a postura, a Rádio Popular-Boavista poderá baralhar a táctica da W52-FC Porto, pois 3:52 minutos de vantagem podem desaparecer num instante na Senhora da Graça. E claro, outra vitória de etapa estará nos planos, com David Rodrigues a ser um homem com contas a ajustar com esta subida, onde há um ano perdeu a etapa para Raúl Alarcón com a meta ali tão perto.

A Volta a Portugal (e o ciclismo nacional) bem estava a precisar de uma corrida assim. Com espectáculo, indefinida nos momentos finais e com uma etapa exigente antes de uma das subidas mais históricas da modalidade por cá. E ainda há um contra-relógio! Fim-de-semana a não perder de ciclismo.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

»»Um segundo chegou para Joni Brandão colocar a W52-FC Porto numa posição pouco habitual««

»»Queda de Veloso e Rodrigues aumenta incerteza na véspera de subir a Serra do Larouco««

24 de novembro de 2018

Uma época para recordar

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Terminar uma temporada e ver que um dos ciclistas de quem muito se exigiu, cumpriu plenamente e ainda houve mais corredores a ter um ano de sucesso, então só pode ser um 2018 muito feliz para a Rádio Popular-Boavista.

Em Fevereiro, o director José Santos disse sobre Domingos Gonçalves: "Acho que ele tem de assumir mais responsabilidade e acho que tem de ter mais cabeça e sangue frio para assumir a liderança da equipa em algumas corridas." No fim de Agosto, o gémeo tinha somado seis vitórias, incluindo os dois títulos nacionais (contra-relógio e de fundo) e uma etapa na Volta a Portugal. Se Gonçalves centrou muita atenção em si, houve mais. David Rodrigues juntou a conquista da Taça de Portugal e aquela memorável exibição na etapa da Senhora da Graça merecia mais. E a equipa não ficou por aqui, numa temporada plena de razões para celebrar.

Este foi um ano de muita qualidade para a Rádio Popular-Boavista, com 11 vitórias, só sendo ultrapassada pela W52-FC Porto. Com armas bem diferentes da equipa do Sobrado, a formação de José Santos conseguiu igualar a ambição a muitos e bons resultados. E Domingos Gonçalves é o nome incontornável de 2018.

Respondeu por completo ao repto do seu director desportivo, começando a ganhar na Clássica da Primavera, em Março, e só terminou com a conquista de um circuito, o de Alcobaça, em Agosto. Aos 29 anos, Gonçalves realizou a sua melhor temporada - ficou ainda com a medalha de prata no contra-relógio dos Jogos do Mediterrâneo - e a recompensa veio não só no formato de triunfos, mas também numa nova oportunidade na Caja Rural, equipa a que regressará em 2019, depois de por lá ter passado em 2016, então ao lado do irmão, José Gonçalves (Katusha-Alpecin).

Mas ter mais ciclistas a conseguir triunfos, é algo que José Santos queria ver. David Rodrigues confirmou o que pode fazer de melhor. Será difícil esquecer como a meta da Senhora da Graça ficou a 250 metros de uma vitória, quando Raúl Alarcón (W52-FC Porto) o ultrapassou. Foi fuga solitária de 70 quilómetros que merecia um final diferente. A mítica subida fica para ser conquistada noutra altura, mas Rodrigues sai de 2018 com a Taça de Portugal, uma etapa no Grande Prémio Abimota e um conjunto de exibições que elevaram o seu estatuto dentro da equipa, o que lhe poderá valer mais destaque no próximo ano.


Ranking: 4º (2037 pontos)
Vitórias: 11 (incluindo os dois títulos nacionais e uma etapa da Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Domingos Gonçalves (6)

Luís Gomes venceu no Grande Prémio Anicolor e, entre os estrangeiros, foi Óscar Pelegrí quem se mostrou com a vitória no Grande Prémio Abimota/Altice e uma etapa no Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Para a história ficam sempre os sucessos, mas a Rádio Popular-Boavista teve em muitas corridas sempre alguém em fugas ou na discussão das vitórias, com Domingos Gonçalves a ser uma presença assídua no top dez. Aliás, há que destacar também que terminou em nono na Volta, algo que nem estava nos seus planos. João Benta - o senhor regularidade quando se entra na fase final de preparação para a Volta - foi sexto, em mais uma prova que foi um ano feliz para a Rádio Popular-Boavista e que na corrida que mais se quer brilhar, a camisola desta equipa foi muito vista.

Se a aposta nos russos Egor Silin e Yuri Trofimov foi perdida, promover o regresso de Daniel Silva deu novo alento, ainda que talvez mais a pensar em 2019. O ciclista esteve suspenso, voltou à competição em Maio e não conseguiu atingir o nível de forma que o levou ao pódio na Volta em 2016. Porém, é um elemento importante e que poderá ser novamente uma aposta forte na próxima temporada. Em boa forma, poderá constituir uma dupla interessante com João Benta, sendo que se prepara para chegar a nova aposta da equipa.

É a pensar em repetir o sucesso desta época que José Santos contratou Luís Mendonça. Domingos Gonçalves será um homem difícil de substituir, mas no que diz respeito à vontade de vencer, ambos equiparam-se. Apesar da aposta tardia no ciclismo, os dois anos na Aviludo-Louletano-Uli permitiram a Mendonça evoluir de sprinter a um ciclista que sobe cada vez melhor e, aos 32 anos, alcançou a sua primeira grande vitória. Não fez por menos: a geral da Volta ao Alentejo. Na equipa algarvia, Vicente García de Mateos é o líder principal, pelo que a ida para a Rádio Popular-Boavista poderá ser uma forma de Mendonça encontrar mais liberdade. Para o ter contratado, José Santos vai apostar forte e exigir muito de Mendonça.

Entre os jovens, que fazem sempre parte desta estrutura, João Salgado mantém-se, com a contratação que chama mais a atenção ser a de Hugo Nunes. É um dos talentos a sair do Miranda-Mortágua. Tem sido escolha na selecção nacional, sendo um bom trepador que, aos 22 anos, dá um passo importante na carreira.

Um dos melhores juniores portugueses junta-se à equipa, Afonso Silva (Sporting-Tavira-Formação Engenheiro Brito da Mana), enquanto de Espanha, da equipa amadora da Caja Rural, chega Antonio Gómez. João Benta, Daniel Silva, Luís Gomes e David Rodrigues permanecem, além de Salgado. Entre as saídas, a não renovação de Pelegrí não deixou de ser um pouco surpreendente, dado os resultados, mas há outro adeus mais marcante. Depois de duas temporadas, Filipe Cardoso deixa a Rádio Popular-Boavista e vai com Pelegrí para a Vito-Feirense-BlackJack.

Veja aqui todos os resultados da Rádio Popular-Boavista em 2018 e das restantes equipas nacionais.

»»Volta a Portugal desiludiu mas a Efapel teve razões para sorrir««

»»Um Edgar Pinto livre de azares e um João Matias cada vez mais líder««

20 de novembro de 2017

Objectivos cumpridos, expectativas confirmadas... Menos uma

José Santos apostou para 2017 em ciclistas com características de lutadores, de quem gosta de entrar em fugas, de mexer com a corrida. Proporcionou o regresso a Portugal de Domingos Gonçalves, numa aposta mais do que ganha. João Benta voltou a uma casa que bem conhecia e isso traduziu-se em resultados. Filipe Cardoso não resistiu ao convite de estar ao lado do amigo Rui Sousa, antes de este se despedir. Além de quatro ciclistas espanhóis, a maior surpresa chegou já com a temporada a decorrer: Egor Silin. O corredor ficou sem espaço na Katusha após a reformulação do modelo da equipa, que passou a ser suíça e mais internacional a nível de ciclistas, ou seja, reduzindo drasticamente o contingente russo.

Ver uma camisola da Rádio Popular-Boavista na frente da corrida foi algo que se repetiu durante o ano. A equipa tinha ciclistas para os mais diversos percursos que foram surgindo, mas a vitória demorou a chegar. David Rodrigues abriu a contagem no Grande Prémio de Mortágua, com Domingos Gonçalves a quase proporcionar o fim-de-semana perfeito nos Nacionais. Pouco depois de ver o irmão gémeo, José, ganhar a sua primeira corrida - o Ster ZLM - ao serviço de uma equipa do World Tour, a Katusha-Alpecin, Domingos sagrou-se campeão nacional de contra-relógio e estava bem encaminhado para vestir a mesma camisola, mas na prova em linha. Uma queda estragou-lhe os planos.


Ranking nacional: 5º (1425 pontos)
Vitórias: 7 (incluindo o título nacional de contra-relógio e uma etapa na Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Domingos Gonçalves (3)

Antes da Volta a Portugal, João Benta venceu uma etapa no Troféu Joaquim Agostinho, até que chegou a corrida mais esperada, até porque seria a última Grandíssima para Rui Sousa. A Rádio Popular-Boavista queria ver o seu líder e um dos ciclistas mais admirado e respeitado do pelotão nacional sair em grande, mas ganhar uma etapa na Volta a Portugal era o principal objectivo, fosse com quem fosse. Domingos Gonçalves esteve perto de conquistar a camisola amarela no prólogo, mas acabaria mesmo por ser Rui Sousa a ter o seu final de conto de fadas. Ou o mais próximo disso. Não ganhou a Volta, nem, foi ao pódio mas ganhou uma última tirada. Em Fafe houve festa e lágrimas. Sem este momento a época da equipa teria ficado com um vazio. Rui Sousa teve a despedida merecida.

Domingos Gonçalves ainda apareceu no final de temporada para ganhar o Troféu Concelhio de Oliveira de Azeméis e o Circuito de São Bernardo, em Alcobaça, enquanto Luís Gomes venceu o Circuito de Nafarros.

A equipa da Rádio Popular-Boavista cumpriu com os objectivos de temporada, pois há ainda que não esquecer que João Benta fechou top dez (sétimo) na Volta a Portugal. Esperava-se um pouco mais de Egor Silin, mas talvez também seja por as expectativas serem tão altas tendo em conta os sete anos de experiência do World Tour. Ainda se mostrou na Volta a Portugal, mas soube a pouco. Vamos ver o russo novamente ao serviço de José Santos em 2018. É um ciclista de qualidade e o director desportivo espera certamente tirar um maior rendimento de Silin, agora já completamente adaptado à realidade portuguesa. A sua importância será ainda maior numa altura em que se inicia um novo ciclo na estrutura: a vida pós-Rui Sousa.

»»LA Alumínios-Metalusa-BlackJack: Ambição, confiança, desilusão e revelação««

»»Pelotão nacional de 2018 vai ganhando forma««

18 de abril de 2017

"O melhor na minha carreira ainda está certamente para vir"

Viveu momentos de total descrença, mas João Benta tem hoje um discurso de um ciclista motivado e que acredita que pode ainda a conquistar grandes feitos numa carreira marcada por um acto que quase o atirou para fora do ciclismo. Este ano regressou à estrutura do Boavista, depois de ter recuperado o prestígio no Louletano-Hospital de Loulé. Não esquece e agradece a oportunidade dada pela equipa algarvia, mas agora é sob as ordens de José Santos que sonha concretizar tudo o que ambicionava até à dura sanção de que foi alvo. Se agora acredita que tudo pode acontecer, já passou por uma fase da vida bem negativa, mas o apoio de amigos e família foi essencial para que João Benta seja, aos 30 anos, um dos ciclistas mais importantes do pelotão nacional.

"A certa altura pensava sempre no aspecto negativo e agora começo a acreditar cada vez mais na parte positiva, a acreditar que as coisas vão acontecer. Tive um apoio muito grande de amigos e família e isso ajudou-me bastante a acreditar mais no meu valor", salientou João Benta ao Volta ao Ciclismo. O corredor admitiu que após ter cumprido três anos de suspensão devido a doping, que terminou quase no final de 2013, chegou a pensar que nunca regressaria ao ciclismo, apesar de ser esse o seu objectivo. Quando conseguiu voltar em 2015, pensou então que nunca voltaria a ganhar, mas logo naquele ano venceu duas etapas e a geral do Troféu Joaquim Agostinho.

"Fui vendedor, fui cantor... mas o bichinho do ciclismo esteve sempre presente. No entanto, quando regressei, se me perguntassem se iria ganhar alguma corrida, diria que não porque achava que isso não seria fácil. No entanto, fui surpreendido com as minhas capacidades e ganhei", recordou, acrescentando que neste momento sente que "as coisas estão a desenrolar-se bem". "O melhor na minha carreira ainda está certamente para vir", assegurou.


"Vi nesta formação mais do que uma equipa. Consideramos que somos uma família. Temos uma união de grupo muito boa e os resultados vão também reflectir isso"

No Louletano-Hospital de Loulé mostrou que ainda tinha muito para dar depois da longa suspensão. Porém, dois anos depois optou por regressar a uma casa que bem conhecia, pois foi precisamente na actual Rádio Popular-Boavista que Benta despontou como profissional. "Considerei que era uma boa altura para mudar um pouco o meu rumo e tentar algo mais ambicioso. Vi nesta formação mais do que uma equipa. Consideramos que somos uma família. Temos uma união de grupo muito boa e os resultados vão também reflectir isso. Esse factor também teve um grande peso na decisão em aceitar o convite", referiu.

Sendo um ciclista de ataque, as características assentaram perfeitamente neste novo perfil da equipa de José Santos. "Eu gosto muito de atacar! Não sou um corredor de me limitar a ver o que se está a desenrolar." E como gosta de procurar a vitória, João Benta refere que não pensará apenas na Volta a Portugal, até porque sabe como concentrar-se apenas num objectivo pode acabar em frustração: "Tive uma má experiência em 2015. Tinha ganho o Troféu Joaquim Agostinho e isso deu-me uma maior ambição. Mas acabei por sofrer uma queda na chegada a Castelo Branco. Foi uma queda muito feia e que limitou tudo. Uma queda e às vezes todo o trabalho de um ano é deitado fora. E como sou um atleta de ataque, não vou apontar só à Volta a Portugal."

E está a chegar a altura do ano em que se poderá ver mais de João Benta. No final de Abril e início de Maio, a Rádio Popular-Boavista andará por Espanha. O ciclista frisou que quer estar bem na Volta às Astúrias e na Volta Internacional à Comunidade de Madrid. Em Portugal, o Grande Prémio Jornal de Notícias "é uma corrida que se enquadra bem" nas características de João Benta, mas há um objectivo mais sentimental: "Gostava muito de fazer um bocadinho de história e ganhar, pelo menos, a etapa do Montejunto, no Troféu Joaquim Agostinho. Acho que nenhum atleta venceu na chegada ao Montejunto três vezes seguidas." Claro que depois, irá concentrar-se em preparar bem a Volta a Portugal e tentar melhorar o top 20 alcançado nos últimos dois anos, além de estar ao lado de Rui Sousa, que está na sua época de despedida.


"Gostava muito de fazer um bocadinho de história e ganhar, pelo menos, a etapa do Montejunto, no Troféu Joaquim Agostinho"

João Benta reforça como a equipa está forte, ainda mais com a chegada do russo Egor Silin. Apesar das características atacantes de vários ciclistas da Rádio Popular-Boavista, fica a garantia que se for preciso defender uma liderança, seja de quem for, todos estão preparados para assumir essa responsabilidade e abdicar de atacar.

A longa suspensão por doping interrompeu uma carreira que parecia ser promissora. Naquela altura, João Benta assumiu de imediato o erro e nem pediu uma contra-análise. Agora faz parte do passado e o ciclista está concentrado no presente e em construir um bom futuro, mostrando-se como alguém confiante, que sabe o que quer e que aprendeu com os erros. Representar uma equipa estrangeira é uma ambição muito habitual e João Benta realçou que "ainda não se paga para sonhar". Contudo, está concentrado em aproveitar a oportunidade que José Santos lhe está a dar, tal como aproveitou quando o Louletano-Hospital de Loulé lhe reabriu as portas da modalidade: "Em Portugal o ciclismo está a crescer bastante e eu sei analisar que as coisas não são fáceis [ir para o estrangeiro]. Mas isso não vai impedir que eu mantenha a minha mentalidade de trabalhar diariamente e mostrar o meu valor em todas as corridas. Nunca sabemos o dia de amanhã..."

»»Rui Sousa: "Gostaria de retirar-me como campeão nacional"««

»»Egor Silin: "O mais importante é mostrar que estou motivado e que sou um bom ciclista. Não estou aqui para passar o tempo"««

Leia aqui mais conversas.