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11 de dezembro de 2019

Aviludo-Louletano de menor fulgor em 2019 reforça-se para não depender tanto de De Mateos

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Depois de duas temporadas de grande fulgor, com muitas vitórias e sucesso na Volta a Portugal, a Aviludo-Louletano enfrentou um 2019 mais difícil, com menos resultados de nota e uma Volta que acabou em desilusão, depois de muito ter crescido a ambição que Vicente García de Mateos poderia disputar a corrida. O espanhol preparou a época praticamente sempre a pensar na corrida principal para as equipas portuguesas, mas abandonou na penúltima etapa e com ele levou o sonho de pelo menos estar novamente no pódio final, sem, desta feira, ganhar qualquer etapa (somou seis entre 2015 e 2018).

Com a saída de Luís Mendonça para a Rádio Popular-Boavista, a formação algarvia centrou-se quase exclusivamente no seu líder, De Mateos. Leonel Coutinho chegou para ser a aposta em corridas discutidas ao sprint. Apesar de algumas prestações positivas, Coutinho não conseguiu atingir o nível que de certo teria gostado, não se podendo esquecer que em 2018 sofreu uma queda grave. Aos 27 anos decidiu colocar um ponto final na carreira.

Com De Mateos muito concentrado em preparar-se para a Volta a Portugal, com o decorrer da temporada outros ciclistas foram tendo alguma liberdade para disputar vitórias. Luís Fernandes foi um dos destaques muito positivos da Aviludo-Louletano. Venceu as classificações da montanha na Clássica Aldeias do Xisto e no Grande Prémio de Mortágua, sendo uma das figuras na Volta a Portugal, tanto na perspectiva do trabalho que fez em prol da equipa, como por ter tentado vencer a etapa da Senhora da Graça.

Já no Sporting-Tavira havia demonstrado ser um ciclista importante no apoio aos líderes, mas, aos 32 anos, poderá encontrar na Rádio Popular-Boavista maior liberdade e é uma perda relevante para a Aviludo-Louletano para 2020.

No entanto, o director desportivo Jorge Piedade procurou um substituto que pudesse estar ao mesmo nível e contratou Jesús del Pino, da Vito-Feireinse-PNB, com passagem pela Efapel em 2017 e 2018. Importante era também encontrar um ciclista que assumisse mais protagonismo na luta por vitórias, para que a equipa não esteja tão dependente de De Mateos. Do Feirense vai chegar também João Matias. Forte no sprint e com capacidade para ultrapassar terrenos com alguma dificuldade, Matias tornou-se neste últimos três anos um ciclista importante no pelotão nacional e tem o perfil indicado para dar mais opções à Aviludo-Louletano, sem que colida com as ambições de De Mateos. É um lutador e tem muita capacidade de liderança, sabendo motivar os seus companheiros.

Com a excepção de Luís Fernandes, a equipa algarvia vai manter os ciclistas que constituem o bloco de apoio ao ciclista espanhol: Oscar Hernandez, Márcio Barbosa, André Evangelista, Nuno Meireles e David de la Fuente.

Vicente García de Mateos abandonou a Volta a Portugal devido a uma indisposição, deixando assim o saldo da Aviludo-Louletano em 2019 com apenas duas vitórias (foram oito em 2018): uma etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias (primeiro sector da terceira tirada) precisamente por intermédio do espanhol, com Márcio Barbosa a vencer o Circuito da Malveira.

A Aviludo-Louletano pode ter um orçamento bem diferente de uma W52-FC Porto ou Efapel, mas continua empenhada em mostrar que pode provocar uma surpresa na Volta a Portugal, enquanto na próxima temporada, com a chegada de João Matias, procurará mais vitórias antes de chegar à corrida mais ambicionada. Para fechar as contratações, chegará o jovem Daniel Silva (21 anos) da Sicasal-Constantinos e o experimente russo Sergey Shilov (31), que esteve nas últimas duas temporadas na Gazprom-RusVelo e antes representou a Lokosphinx.

Com a equipa do escalão Continental, Shilov participou em várias corridas em Portugal, incluindo a Volta, tendo inclusivamente vencido uma etapa, em Castelo Branco (2014), batendo ao sprint Samuel Caldeira e Manuel Cardoso. Em 2015 conquistou duas tiradas no Troféu Joaquim Agostinho.

Equipa para 2020: Vicente García de Mateos, Oscar Hernandez, Márcio Barbosa, André Evangelista, Nuno Meireles, David de la Fuente, João Matias (Vito-Feirense-PNB), Jesús del Pino (Vito-Feirense-PNB), Daniel Silva (Sicasal-Constantinos), Sergey Shilov (Gazprom-RusVelo).

»»Passo de qualidade e de sucesso na LA Alumínios-LA Sport««

»»Regresso de Joaquim Silva fecha plantel mais experiente««

30 de julho de 2019

Ciclistas a seguir... além dos da W52-FC Porto

Volta a Portugal começa esta quarta-feira (Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A ausência de Raúl Alarcón dá um imediato destaque a uma equipa que tem dominado a Volta a Portugal nos últimos seis anos. A W52-FC Porto é notícia ainda antes da corrida começar e continua a ser a mais forte candidata a ser notícia quando a Volta terminar. Mas, ainda antes de se confirmar a ausência do vencedor das últimas edições, havia uma expectativa de ser uma edição um pouco mais competitiva e há um responsável para se pensar assim: Joni Brandão. A forma do líder Efapel tem-se traduzido numa época de muitas vitórias, além da equipa, na generalidade, apresentar-se mais forte do que em anos anteriores.

Haverá mais candidatos? O Sporting-Tavira aposta forte em Tiago Machado, com José Mendes a ser outra possibilidade, enquanto a Aviludo-Louletano espera que Vicente García de Mateos seja novamente candidato a pelo menos um pódio e conquiste alguma etapa. A luta pela geral poderá não ter uma lista extensa, mas há mais ciclistas a seguir nesta Volta, além da poderosa W52-FC Porto, que mesmo sem Raúl Alarcón, continua a apresentar um bloco muito forte e com mais do que um candidato a líder, como foi ontem aqui referido (pode ler o texto neste link).

De referir que além da saída de última hora da lista de inscritos de Alarcón, também Rinaldo Nocentini foi substituído por David Livramento no Sporting-Tavira. O colombiano Robinson Chalapud não vai participar pela equipa Medellin, depois de ganhar a Volta ao Lago Qinghai, na China. A formação sul-americana vai mesmo competir com menos um ciclista.

Joni Brandão (29 anos): Chega à Volta com seis vitórias esta temporada, das nove da Efapel. O regresso à equipa foi o que a carreira do ciclista precisava, depois de dois anos menos conseguidos no Sporting-Tavira, também marcados por um problema de saúde. Esses tempos difíceis estão para trás e Joni não vai à procura de estar novamente no pódio: quer ganhar. Duas questões: perante a boa forma já apresentada, o pico será mesmo na Volta? Se sim, então será um fantástico Joni, tendo em conta o que já fez esta época; vai a Efapel estar à altura de uma W52-FC Porto no apoio ao líder? É um conjunto equilibrado, com  Henrique Casimiro e Sérgio Paulinho, a mostrarem estarem bem no teste final que foi o Troféu Joaquim Agostinho (primeiro e terceiro classificado).

Vicente García de Mateos (30): Dois terceiros lugares, duas classificações dos pontos e etapas ganhas, três no ano passado. O espanhol da Aviludo-Louletano tem de estar entre os candidatos, ainda que 2019 não tenha sido um ano com exibições tão convincentes como em temporadas anteriores, principalmente a nível de discussão de vitórias. Porém, somou alguns top dez e o plano passou mesmo por apostar tudo na Volta  a Portugal. No mínimo é para repetir 2017 e 2018, mas na equipa algarvia sonha-se sempre com algo mais.

Tiago Machado (33): Nunca escondeu que gostaria de regressar a Portugal e tentar ganhar a Volta. Finda a carreira lá fora, escolheu o Sporting-Tavira para ser o líder, mas está longe de ser um ciclista ganhador e pouco tem aparecido na discussão das corridas. Ainda assim surge como número um da formação de Vidal Fitas, que conta com um motivado José Mendes (34). Sagrou-se campeão nacional pela segunda vez em Melgaço e está mais confiante. Poderá ser um plano B (ou mesmo A) muito viável, caso Machado não confirme o seu estatuto de líder na estrada. O Sporting-Tavira precisa desesperadamente de bons resultados. A relação com o clube de Alvalade poderá terminar no final desta temporada, na qual a equipa somou apenas dois triunfos. Além do título nacional, César Martingil venceu a Clássica da Primavera, em Março. Vitórias precisam-se!

Luís Mendonça (33): Correu o risco de ficar de fora da Volta devido à utilização de uma substância no tratamento a um joelho. No entanto, a decisão da Autoridade Antidopagem de Portugal chegou a tempo de permitir que o ciclista da Rádio Popular-Boavista fosse inscrito. É um homem para caçar etapas. Tem trabalhado muito a montanha para não se limitar a discutir ao sprint, ainda que não seja ciclista para lutar pela geral. Esse será João Benta (32), tão habituado ao top dez, mas ainda à procura do pódio. Mendonça tem tendência a não passar despercebido, agora falta saber como irá apresentar-se Benta, ciclista sempre com potencial para fazer algo de nota.

João Matias (28): A sua estreia na Volta, há dois anos, ficou marcada por andar vários dias com a camisola da montanha. Uma surpresa, até para o ciclista, que entretanto dedicou-se à sua especialidade: tentar ganhar etapas mais ao sprint. Ainda não alcançou a vitória, mas em pouco tempo tornou-se num ciclista respeitado no pelotão e que não vira a cara à luta. Faz da determinação uma arma muito forte e a sua "escola" de pista também tem influência no ciclista que é hoje. Atenção a Óscar Pelegrí. É ciclista para entrar em fugas, adaptando-se bem a certas subidas, sendo mais uma opção para a Vito-Feirense-PNB.

Domingos Gonçalves (30): Regressou à Caja Rural, mas uma queda na Volta à Catalunha estragou-lhe parte da temporada. Está em contra-relógio para obter bons resultados e será precisamente nesta especialidade que poderá começar por apostar para tentar ganhar uma etapa (é bicampeão nacional, tendo o irmão, José,lhe "tirado" o título este ano), mas certamente que se verá Domingos em ataques e fugas, que há um ano foi uma táctica que lhe rendeu uma vitória em Boticas.

Mario Gonzalez (27): Nome conhecido do ciclismo nacional depois de três anos no Sporting-Tavira. O espanhol está agora na Euskadi-Murias e regressa com a possibilidade de procurar um resultado próprio e não ficar preso ao trabalho de gregário. Se passar bem a etapa da Torre, Gonzalez poderá entrar na luta por um top dez.

Fabio Duarte (33): Apesar da equipa Medellin contar com Óscar Sevilla, que aos 42 anos não pára de alcançar bons resultados, como o segundo lugar na China há três dias, ainda assim, não é o espanhol de quem mais se espera. Fabio Duarte foi considerado um colombiano de grande potencial, mas nunca conseguiu dar o salto para o mais alto nível do ciclismo. Ainda assim, na primeira metade da década ficou perto de ganhar etapas no Giro e na Vuelta. Se estiver bem é um ciclista a ter em conta, mas poderá ter o mesmo problema de Sevilla: acabou de chegar da China e mal teve tempo para se adaptar a Portugal.

Brice Feillu (34): É impossível deixar de fora este francês. É um vencedor de uma etapa da Volta a França, em 2009, num dia com final em Andorra. Tem muita experiência de grandes voltas, tendo feito sete Tours e um Giro, apesar de ter representado equipas do segundo escalão. Em 2011 esteve no World Tour ao serviço da Leopard Trek. Está numa fase de menos fulgor da carreira, mas não significa que não possa ir atrás de um bom resultado até porque conhece a Volta a Portugal. Será a sua terceira participação. Depois da estreia em 2008, o destaque vai para 2012, quando foi sexto na geral, a 1:57 minutos do vencedor David Blanco (Efapel). Então representou a Saur-Sojasun, vestindo agora as cores da Arkéa-Samsic, equipa que procura subir ao World Tour e que viu no último domingo Warren Barguil ser 10º no Tour. A Arkéa-Samsic não trouxe a sua melhor equipa, mas tem ciclistas a querer mostrar serviço.

Prólogo (31 de Julho): Viseu - Viseu, 6 km (contra-relógio individual)


A Volta a Portugal arranca com o habitual prólogo. Há sempre potencial de alguém perder alguns segundos, pelo que o objectivo passa muito por evitar percalços, mas não se pode ir com a mãos nos travões.


25 de novembro de 2018

Depois de uma boa época, uma ainda melhor

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Início de época forte, uma pequena acalmia para depois apostar tudo na Volta a Portugal. A equipa Aviludo-Louletano-Uli realizou uma excelente temporada que não será esquecida e só poderá servir de mote para continuar a dar os passos em frente que têm sido dados nas recentes temporadas. Se ganhar pela segunda vez consecutiva o Troféu Liberty Seguros é importante, conquistar a Volta ao Alentejo e depois repetir o pódio na Volta a Portugal, vencer três etapas e a camisola dos pontos é algo que só pode deixar orgulhoso o director desportivo.

Jorge Piedade não escondeu que queria ganhar a Grandíssima, mas com a W52-FC Porto a continuar a estar um ou mais patamares acima da restante concorrência, a equipa algarvia tentou discutir o que era possível. Pode não ter conquistado o prémio máximo, mas saiu da Volta com um resultado excelente, confirmando o seu crescimento em competitividade em recentes temporadas.

Há muita tendência para julgar as épocas das equipas portuguesas pelo que fazem na Volta, já que também há a tendência a apostar quase tudo nesta corrida. No entanto, o director Jorge Piedade preparou a sua equipa para conquistar mais vitórias. Se Vicente García de Mateos continua e continuará a ser o líder, Luís Mendonça ganhou mais destaque e mais oportunidades, com o espanhol a ser "guardado" para Agosto, para a Volta.

Mendonça pode ter chegado tarde ao ciclismo profissional, mas tem sido um trabalhador incansável, que além dos sprints quer também discutir resultados na montanha, seguindo as mudanças que De Mateos também realizou nos últimos dois anos.. A sua evolução, dedicação e vontade de vencer foram preponderantes na grande vitória na Volta ao Alentejo, onde um português não ganhava desde 2006 (Sérgio Ribeiro).

Um momento marcante da temporada, só ultrapassado por uma Volta a Portugal de grande nível.  Antes, um susto. Devido a alegadas irregularidades no passaporte biológico de Vicente García de Mateos, o espanhol foi suspenso, mas o Tribunal Arbitral de Desporto deu luz verde para competir, enquanto decorria o seu processo. O espanhol, que em 2017 já tinha estado muito bem na Volta, repetiu o terceiro lugar na geral, a vitória na classificação por pontos, mas em vez de uma etapa, ganhou três! A sua época foi toda a preparada a pensar na Volta e De Mateos não falhou, mesmo que não tenha conseguido disputar a vitória na geral. É o que lhe fica a faltar. A ele e à equipa.

Ranking: 3º (2332 pontos)
Vitórias: 9 (incluindo a Volta ao Alentejo e três etapas da Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Vicente García de Mateos (3)
Contudo, há ainda que falar noutro ciclista muito relevante e uma das melhores contratações em 2018. Luís Fernandes trocou uma equipa algarvia por outra - estava no Sporting-Tavira - e tornou-se num braço direito essencial para os seus líderes. Deu mais força ao bloco em redor de De Mateos, tendo um papel preponderante em vários dos bons resultados que a equipa alcançou esta temporada, tendo alguma liberdade em certas corridas. A fechar a época conquistou a sua vitória, no Circuito Póvoa da Galega.

Márcio Barbosa regressou a uma equipa profissional, depois da suspensão e de uma passagem pelo ACDC Trofa. Foi subindo de forma ao longo do ano, venceu o Grande Prémio de Mortágua, mas, pelo que fez no passado, é um ciclista que poderá dar mais à equipa, pois não é por acaso que é considerado um dos melhores trepadores portugueses. Vai continuar a merecer a confiança em 2019.

Óscar Hernández (ganhou o Troféu Liberty Seguros - em 2017 foi De Mateos o vencedor - e uma etapa no Troféu Joaquim Agostinho) e Rui Rodrigues (Circuito da Moita) deram as outras vitórias à equipa de Loulé, num total de nove. Este último não permanecerá na estrutura em 2019 - vai para a Vito-Feirense-BlackJack -, mas é a saída de Luís Mendonça que acaba por marcar este final de ano. Não havendo um substituto claro, Leonel Coutinho passará a ser uma das opções para o sprint, sendo um ciclista que devido a lesão perdeu parte da temporada e que espera recolocar a sua carreira num bom rumo na formação algarvia. Da equipa do Feirense chega também Ricardo Vale.

Nuno Meireles é um todo o terreno, que transmite confiança no trabalho que realiza e deixa o Miranda-Mortágua após um ano na equipa. De Espanha virá outro sprinter: Francisco Garcia Rus, de 26 anos, que representou o GSport-Valencia Sports-Wolfbike.

Vicente García de Mateos, Luís Fernandes, Óscar Hernández, Márcio Barbosa, André Evangelista, David de la Fuente e Juan Ignacio (Nacho) Perez são ciclistas os que vão continuar a representar a equipa que se passará a chamar Ludofoods-Louletano-Aviludo.

A manutenção de Vicente García de Mateos é com o claro objectivo de continuar na perseguição do sonho de vencer a Volta a Portugal. Tal como está a acontecer com a Efapel, por exemplo, construir um bloco forte em redor do líder é essencial, se se quer estar mesmo na luta pelo primeiro lugar e não apenas pelo pódio, o que significa debater-se contra o poderio colectivo da W52-FC Porto. Cada época tem sido melhor para o Louletano. Falta o prémio máximo: a camisola amarela da Volta a Portugal.

Veja aqui todos os resultados da Aviludo-Louletano-Uli em 2018 e das restantes equipas nacionais.

»»Uma época para recordar««

»»Volta a Portugal desiludiu mas a Efapel teve razões para sorrir««

10 de agosto de 2018

Decisões guardadas para a Senhora da Graça

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Com ao dia da Torre a não ter subida à Torre, então pode-se dizer que este sábado se poderá ter de facto a etapa rainha da Volta a Portugal. E que assim seja. Não apenas porque tem um percurso complicado, mas porque com um contra-relógio que perante as actuais diferenças poderá ser favorável a Raúl Alarcón, os adversários que ainda ambicionem chegar à camisola amarela têm uma última oportunidade na Senhora da Graça para colocar o camisola amarela em sentido. Apesar de a etapa desta sexta-feira até oferecer algumas subidas e se poderia esperar algum ataque, a mítica subida de sábado esteve na mente de todos. Ainda assim, o quarteto do costume chegou a juntar-se na frente, o suficiente para Edgar Pinto demonstrar que está bem, para Joni Brandão subir à liderança da montanha por um ponto e para Vicente García de Mateos ganhar a sua segunda etapa (é o terceiro a bisar, depois de Alarcón e do italiano da MSTina Focus, Riccardo Stacchiotti).

Para a derradeira tirada em linha da 80ª edição da Volta a Portugal, teremos 155,2 quilómetros, que começam em Felgueiras e seguem para Mondim de Basto. A primeira metade da etapa será de muito sobe e desce, mas a verdadeira montanha aparece na segunda fase, com duas primeiras categorias, no Alto da Barra e no Barreiro antes da mítica subida à Senhora da Graça. A W52-FC Porto vai ter o seu teste de fogo. Ou pelo menos é o que espera o director desportivo Nuno Ribeiro. Joni Brandão (Sporting-Tavira) será garantidamente uma das figuras, pois apesar de ter garantido a liderança da classificação da montanha, disse logo que o que quer é a geral. Está a 52 segundos de Alarcón.

Mateos teve um discurso mais cuidadoso. Admitiu a vontade de continuar a lutar, mas com duas etapas conquistadas, a liderança nos pontos e ainda um potencial pódio, a Volta do espanhol e da Aviludo-Louletano-Uli está mais do que feita. Não será de estranhar se estiver mais atento ao que Edgar Pinto irá fazer. O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack está a 17 segundos de Mateos, que por sua vez está a 1:41 de Alarcón. Percebe-se porque poderão pensar mais na disputa pelo pódio. Porém, Edgar Pinto irá certamente perceber como estará fisicamente. Se puder tentar algo mais que o terceiro lugar, irá tentar. Há muito que este ciclista aguarda para estar numa posição como esta na Volta a Portugal. Não vai desperdiçar para ir mais longe.

João Benta esteve no sprint com Mateos - o quarteto da frente acabou por se deixar apanhar -, mas o ciclista da Rádio Popular-Boavista está a 2:19 de Alarcón. Terá liberdade para tentar aquilo que a sua condição física o permitir. Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) surge a um segundo de Benta, mas estará incumbido de ajudar Joni Brandão. Xuban Errazkin teve esta sexta-feira uma quebra, mas poderá ser importante no apoio a Edgar Pinto e a camisola da juventude continua segura. Todos os restantes ciclistas aparecem a mais de quatro minutos.

A grande questão será quando haverá ataques. Assistir-se-á a uma marcação entre os quatro da frente que irão constantemente estudar-se para perceber alguma debilidade. Mas a Senhora da Graça poderá mesmo ser o palco do espectáculo final antes do contra-relógio de 17,3 quilómetros de Fafe. Alarcón não tem mostrado falhas, mesmo que a W52-FC Porto possa não estar com o poderio de outros anos, mas o ciclista tem sempre mantido o discurso que nada está ganho e que terá de estar muito atento para garantir a sua segunda vitória na Volta.

Que venha a Senhora da Graça e que traga algum espectáculo e emoção final, ou que tal proporcione para o contra-relógio.

Pode ver aqui as classificações da oitava etapa, Barcelos-Braga (147,6 quilómetros).



3 de agosto de 2018

O dia foi da Aviludo-Louletano-Uli, mas o calor continua a ser protagonista

Alguns ciclistas até paravam para se refrescar, numa preciosa ajuda
dos bombeiros (Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Trabalho exímio da Aviludo-Louletano-Uli. Primeiro e segundo classificado na etapa e um recado de Vicente García de Mateos aos críticos. Uma queda partiu o pelotão e, por momentos, Domingos Gonçalves chegou a ser dado como o novo líder, mas o ciclista da Rádio Popular-Boavista terá de procurar outra oportunidade, pois a amarela continua com Rafael Reis. Era de tudo isso que se deveria destacar da segunda etapa da Volta a Portugal. Mas não, o calor continua no centro das atenções e a corrida começa a ser notícia lá fora por este factor. Fazem-se comparações com o que aconteceu com o Tour Down Under, na Austrália, que perante condições idênticas optou por encurtar etapas. O martírio do tempo quente vai continuar rumo à etapa rainha da corrida no domingo.

Uma das recentes vitórias dos ciclistas foi a aplicação do protocolo de tempo extremo. Ao ser incluindo nos regulamentos da UCI, passou a prever que podem ser feitas alterações às corridas devido a questões de meteorologia. O frio e a neve têm sido das principais razões para a sua aplicação, mas o calor não lhe fica atrás. O Tour Down Under não consegue escapar às temperaturas muito altas em Janeiro e pelo menos nas últimas duas edições houve etapas encurtadas. Com mais de 40 graus, a organização tem optado por tentar salvaguardar a saúde dos corredores. É difícil agradar a todos, com uns a considerarem que devem ser canceladas, outros não se importam de enfrentar o calor. Noutras corridas já se chegou a anular tiradas e até a Volta a França não escapa a estas medidas. Na inesquecível tirada em que Chris Froome correu a pé pelo Mont Ventoux, os ciclistas não foram ao topo devido ao forte vento.

Na Volta a Portugal o ciclismo não tem parado... tirando quando alguns ciclistas ficaram debaixo das mangueiras dos bombeiros. As equipas redobraram ou mesmo triplicam os esforços para garantir que os seus corredores não sofrem de desidratação. Estes defendem-se como podem. Vão muito mais devagar (média pouco acima dos 30 quilómetros/hora) e aproveitam todas as mangueiradas para apanhar um verdadeiro duche frio. Merecem todo o respeito estes ciclistas porque a corrida não pára. A Associação de Ciclistas Profissionais (CPA, na sigla em francês) colocou no Twitter que ia pedir à organização da Volta para aplicar o protocolo de tempo extremo. "O organizador é responsável pela segurança e saúde dos ciclistas e não pode deixá-los competir nestas condições terríveis. Todos os ciclistas têm de ter os mesmos direitos e tratamentos", lê-se.

Já na quinta-feira, Tiago Machado chamou a atenção para o que os ciclistas estão a enfrentar e apelou para que se seguisse o exemplo do Tour Down Under, referindo mesmo que a RTP iria compreender. As transmissões televisivas têm um peso enorme, ainda mais quando é a Volta a Portugal que dá praticamente todo o protagonismo e retorno mediático aos patrocinadores das equipas portuguesas.

Foram 203,6 quilómetros entre Beja e Portalegre. Um ambiente tórrido, mas que mesmo assim só viu um ciclista sair de cena. O dinamarquês Louis Bendixen, da Team Coop, nem partiu e tornou-se assim na segunda desistência, depois do português Joaquim Silva (Caja Rural).

O dia do Louletano


 (Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
"Não está só o Porto e o Sporting nesta Volta. O Louletano também está." A frase é peremptória e é o sinal de ambição que sempre acompanha Luís Mendonça. Dois segundos lugares consecutivos. No primeiro ficou frustrado, agora foi como se tivesse ganho. Foi ele quem lançou o sprint, apanhou Domingos Gonçalves que tentou afastar-se da concorrência, mas depois foi Vicente García de Mateos quem aproveitou a roda para ganhar. Duas cartadas, dois ases. Perfeito para a Aviludo-Louletano-Uli que já tem a sua etapa. Falta a geral. Sim, o director desportivo, Jorge Piedade, quer ganhar a Volta com Mateos.

O espanhol foi terceiro há um ano. Quase ficou de fora desta edição devido a irregularidades no passaporte biológico. Foi o Tribunal Arbitral do Desporto quem levantou a suspensão, enquanto o processo ainda decorre. Mateos mandou calar. Os críticos, os detractores, fosse quem fosse que o esteja a colocar em causa. Mateos não se quis alongar nesses comentários. Só pensa em competir. Só pensa que a partir deste sábado começa a Volta, por assim dizer.

A montanha chega na chamada Etapa Vida, que irá passar por muitas das localidades mais afectadas pelos incêndios de 2017. Serão 177,8 quilómetros entre a Sertã e Oliveira do Hospital, com duas quartas categorias, duas terceiras e uma segunda, na Serra da Lousã, pelo que poderá haver uma nova classificação geral.

(Texto continua por baixo da imagem.)



Rafael Reis (Caja Rural) estará de amarelo, depois de provisoriamente ter perdido para Domingos Gonçalves. Uma queda a 500 metros da meta cortou o pelotão, mas ficaram dúvidas se antes já haveriam diferenças. Os comissários acabaram por optar dar o mesmo tempo a todos os que estavam no grupo. O líder da juventude e segundo à geral, César Martingil, ficou um pouco mal tratado, mas garantiu não ter nada partido. Mario Vogt (Sapura Cyling) manteve a camisola azul da montanha, o Sporting-Tavira não desarma da classificação colectiva, mas a dos pontos tem um novo líder: depois de dois segundos lugares, Luís Mendonça vai amanhã partir de verde.

Pode ver aqui as classificações.

O pontapé na roda

Merece o destaque, pois não é todos os dias que vemos um ciclista dar um pontapé numa roda de a fazer voar para longe. Quando se fizer um best of de maus tratos ao equipamento, o de Domingos Gonçalves tem de lá estar! Já com o pelotão lançado para começar a arrumar as suas peças para discutir a etapa, o campeão nacional de fundo e contra-relógio furou. Uma falha de comunicação fez com que o director desportivo, José Santos, não se apercebesse que o ciclista já tinha encostado e foi atrás de Filipe Cardoso que estava a recuar no pelotão.

Nas imagens é notório como Domingos gritou para o rádio ao ver o seu carro de apoio passar. Tirou ele a roda de trás e saiu remate! Foi Joaquim Andrade, da Vito-Feirense-BlackJack quem parou para o seu mecânico ajudar um potencial adversário para um final a que certamente a equipa também tinha pretensões. Um gesto extraordinário de fair play.

»»Calor roubou as atenções e fez a primeira vítima na Volta a Portugal««

»»"Perdi alguma confiança, mas comecei a acreditar novamente em mim"««

21 de novembro de 2017

O ano da confirmação de Mateos e de um Louletano-Hospital de Loulé cada vez mais ambicioso

Vicente Garcia de Mateos. Eis um ciclista que se deveria seguir com atenção em 2017, ainda mais quando no ano anterior tinha terminado no top dez da Volta a Portugal. Claro que num pelotão que ia contar novamente com uma super equipa como a W52-FC Porto, que iria ter um Sporting-Tavira renovado e fortalecido, uma Efapel que foi buscar Sérgio Paulinho ao World Tour, o Louletano-Hospital de Loulé quase que poderia passar despercebido. Quase, porque a equipa algarvia estava determinada em entrar na discussão das corridas, por mais forte que fosse a concorrência. O ciclista espanhol era a grande aposta e não demorou a mostrar que poderia tornar-se num sério candidato a algo mais do que um top dez na Volta a Portugal. A contratação mais falada foi a de Luís Mendonça, que aos 31 anos chegou à elite nacional. Apostou tarde no ciclismo, mas vontade e ambição não lhe faltavam e o sprinter não se inibiu de andar na frente, mesmo quando ao seu lado teve um Fernando Gaviria e um André Greipel na Volta ao Algarve. No primeiro sprint, Mendonça foi o melhor português.

Jorge Piedade, director desportivo, preparou a temporada para que o seu líder, Mateos, estivesse sempre em crescendo. A primeira vitória surgiu logo na Clássica Aldeias do Xisto e por Espanha somou bons resultados, como o 13º lugar na Volta à Comunidade de Madrid e o sétimo na Volta a La Rioja. Em Junho ganhou o Grande Prémio Abimota e uma etapa. Com o aproximar da Volta a Portugal, Mateos entrou numa fase mais discreta, quebrada apenas com o sexto lugar nos Nacionais. No Troféu Joaquim Agostinho foi apenas 29º, o que talvez tenha contribuído para não entrar no lote dos grandes favoritos para a Volta a Portugal.

Ranking nacional: 4º (1528 pontos)
Vitórias: 4 (incluindo uma etapa na Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Vicente Garcia de Mateos (4)

Contudo, tal não deverá acontecer de novo. A Volta serviu para Mateos enviar uma clara mensagem: contem com ele para fazer frente aos melhores. Porém, também o Louletano-Hospital de Loulé deixou a sua mensagem: um orçamento mais pequeno, uma equipa mais curta não significa que não se possa ser grande, principalmente quando se pode ter menos, mas o que se têm é de qualidade. O ciclista espanhol realizou uma Volta a Portugal a todos os níveis espectacular. Venceu uma etapa e terminou em terceiro. Para quem ainda há poucos anos procurava entrar mais em sprints, a evolução de Mateos foi notória e impressionante. Em 2018 a equipa algarvia vai querer mais e tens razões e base para isso.

O Louletanto-Hospital de Loulé chegou à Volta sem Luís Mendonça, que dias antes havia sido agredido durante um treino por um condutor. Fracturou o braço e não houve tempo para recuperar. Logo na primeira etapa foi Oscar Hernandez que não teve condições para prosseguir, deixando Mateos sem uma importante ajuda. Ainda assim, a reacção foi lutar pelo pódio e Jorge Piedade não tem dúvidas que o seu ciclista poderia estar com a camisola amarela antes da Serra da Estrela se tivesse mais apoio. Nessa etapa ficou mais do que claro que é preciso mais do que um Vicente Garcia de Mateos em forma para bater a W52-FC Porto.

E é esse passo que a formação algarvia quer dar em 2018. Márcio Barbosa (A.C.D.C. Trofa) poderá ser um reforço importante para a montanha, por exemplo. Certo será que a Aviludo-Louletano, como se chamará na próxima temporada, e Vicente Garcia de Mateos não serão novamente remetidos para um segundo plano na habituais listas de candidatos.

18 de agosto de 2017

Amaro Antunes mantém liderança do ranking quando vão começar os tradicionais circuitos

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Amaro Antunes continua na liderança do ranking nacional após a Volta a Portugal. O ciclista algarvio entrou como número um na corrida, contudo, apesar da excelente prestação, viu Vicente García de Mateos aproximar-se. O espanhol do Louletano-Hospital de Loulé também foi um dos destaques da Volta e encurtou a distância de 201 pontos para apenas 33, tendo ultrapassado Rinaldo Nocentini (Sporting-Tavira).

A época vai entrar na fase dos tradicionais circuitos e esta curta diferença poderá animar o final de temporada. Já este sábado haverá o 2º Circuito da Pêra Rocha Liberty Seguros, no Bombarral (16:30) e no domingo será o Circuito de São Bernardo, em Alcobaça (16:30), que inclui no programa a final da Taça de Portugal de Paraciclismo Jogos Santa Casa (14:30). Na segunda-feira será Nafarros a receber o pelotão a partir das 10:00, com a Malveira a ser o palco competitivo no domingo, dia 27.

Quanto ao ranking, se no individual ainda está tudo em aberto, já por equipas a W52-FC Porto aumentou ainda mais a distância para o agora segundo classificado, Sporting-Tavira (ultrapassou a Efapel), depois de ter dominado a Volta a Portugal.

Ranking individual:

1ºAmaro Antunes (W52-FC Porto) - 1295 pontos 
2º Vicente García de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé) - 1262 
3º Rinaldo Nocentini (Sporting-Tavira) - 1093 
4º Raúl Alarcón (W52-FC Porto) - 1076 
5º João Benta (Rádio Popular-Boavista) - 660 
6º Daniel Mestre (Efapel) - 611 
7º Gustavo César Veloso (W52-FC Porto) - 497 
8º Alejandro Marque (Sporting-Tavira) - 446 
9º Sérgio Paulinho (Efapel) - 406 
10º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) - 397 

Equipas:

1ª W52-FC Porto - 3501 pontos  
2ª Sporting-Tavira - 1999 
3ª Efapel - 1672
4ª Louletano-Hospital de Loulé - 1502
5ª Rádio Popular-Boavista - 1410

Em baixo fica o vídeo com os melhores momentos da Volta a Portugal, ganha pelo espanhol Raúl Alarcón, da W52-FC Porto.



»»"Os meus colegas foram uma fonte de inspiração. Se não meti o pé no chão foi por causa deles"««


13 de agosto de 2017

A Volta disputada segundo a segundo

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Bonifica-se na meta volante, bonifica-se mais um pouco na chegada e segundo a segundo se vai confirmando uma candidatura. Tem sido este o jogo de Gustavo Veloso, Vicente García de Mateos e Rinaldo Nocentini. Raúl Alarcón já assume por completo que a W52-FC Porto aposta mesmo quase tudo em Veloso, pois mesmo de camisola amarela vestida, lança o seu líder para que este bonifique. Com diferenças tão curtas, a Volta pode ser ganha ou perdida por um segundo e, por isso, o trio que neste momento apresenta-se como o candidato - sem nunca tirar Alarcón da equação - faz tudo para os ir conquistando. Na Torre podem jogar-se minutos, ou então, se este teimoso (mas emocionante) equilíbrio se mantiver, será mesmo tudo disputado ao segundo em Viseu.

A etapa da Torre acaba por ser uma grande incógnita. Sem chegada em alto e com cerca de 69 quilómetros a separar o prémio da montanha da meta, com três terceiras categorias pelo meio, ou as diferenças são mesmo significativas durante a subida da etapa rainha, ou então, alguém que passe menos bem, tem possibilidade de recuperar, se não perder por completo as forças nas pequenas subidas que terá pela frente.

Raúl Alarcón e Gustavo Veloso têm o discurso bem afinado: querem definir melhor a classificação na Torre. Nocentini já vai analisando as suas capacidades de contra-relogista, enquanto Mateos prepara-se para uma luta contra o que diz ser uma "equipazo".

Nesta altura, Mateos tem motivação de sobra. Venceu finalmente uma etapa, em Oliveira de Azeméis, e ganhou 16 segundos a Alarcón (está a 14): 10 da bonificação da vitória, dois na meta volante e quatro no corte que houve na meta. O espanhol não parece estar preocupado com esse facto, pois lançou Veloso para que este fosse buscar três segundos na meta volante. Nocentini ficou com um nesse momento, mas na meta só o ciclista do Louletano-Hospital de Loulé foi buscar segundos. Esta é uma luta que tem estado acesa nas últimas etapas. Os três têm sprintando constantemente para ganhar segundos.

Agora é esperar para ver que segundos se ganham ou se perdem na Torre para depois fazer contas para o contra-relógio. Veloso tem estado em crescendo de forma, Alarcón começou forte, mas agora está mais discreto, se calhar na perspectiva de ajudar o líder da equipa. Claro que se chegar ao contra-relógio com vantagem... Será cada um por si. Mateos gosta mais de subidas curtas como a da etapa deste domingo. Passando na Torre, a chegada pode ser novamente ao seu jeito. Nocentini vai espreitando, mas a descrição tem sido a sua táctica. Parece estar à espera do momento certo para finalmente mostrar as garras e causar uma pequena surpresa.

Os restantes ciclistas estão a mais de minuto e meio, começando por João Benta (Rádio Popular-Boavista). Será muito difícil reentrar na luta, mas se há etapa com capacidade para mudar a geral, é a da Torre.



Veja aqui as classificações.


6 de agosto de 2017

"Não fico feliz com um pódio, estou aqui para ganhar"

Há dois anos não se esperaria estar a falar de um Vicente García de Mateos candidato a vencer a Volta a Portugal. No entanto, em 2016 foi oitavo e tornou-se claro que o espanhol estava a preparar-se para atacar algo mais. Preparou-se como nunca e está feito num trepador com uma confiança de quem somou vitórias que o fazem acreditar ser possível estar ao nível dos favoritos. Ou melhor, ser um dos favoritos. E não tem receio de mostrar toda essa confiança, assegurando que só tem um objectivo para a Volta: conquistá-la.

"Não fico feliz com um pódio, estou aqui para ganhar", salientou ao Volta ao Ciclismo o espanhol do Louletano-Hospital de Loulé, acrescentando: "Claro que um pódio para a equipa seria uma vitória, mas estamos aqui para ganhar." Mateos acredita que está em condições de enfrentar as subidas muito complicadas que vão aparecer nesta Volta a Portugal, explicando que fez uma preparação diferente a pensar no desafio que quer vencer. Os resultados apareceram com a vitória na Clássica Aldeias do Xisto e no Grande Prémio Abimota. "Ganhar dá sempre confiança e ainda mais quando se ganha sabendo-se que não se está a 100% e que ainda há margem para melhorar", disse.

De sprinter a trepador não foi uma mudança assim tão grande, pois afinal Vicente García de Mateos já tinha mostrado essa capacidade quando corria em Espanha: "O que aconteceu foi que quando vim para Portugal, o Jorge Piedade [director desportivo] não me pedia isso. Pedia que lutasse nos sprints e eu tentei melhorar esse aspecto. Quando tive liberdade mostrei que podia subir e estar com os melhores... E aqui estamos."

Vem aí a Senhora da Graça, na terça-feira, naquele que será o primeiro grande teste aos candidatos. Mateos afirma que é natural estar preocupado com as etapas mais duras, mas são as consideradas menos complicadas que o deixam mais apreensivo. "Um furo ou outro qualquer percalço que pode custar tempo... Essas etapas preocupam-me muito e há que estar muito atento." E este domingo foi a prova que num dia supostamente mais calmo, tudo pode mudar, neste caso com uma queda que deixou a maioria dos candidatos para trás. Como foi nos últimos três quilómetros, não houve problemas a nível de tempo.

Com a W52-FC Porto a mostrar todo o seu poderio, Mateos não se deixa intimidar e acredita que os seus colegas vão dar-lhe o apoio necessário. "A equipa está muito forte e mostrou isso mesmo no Abimota. Eles confiam em mim e eu neles", frisou. No entanto, o ciclista espanhol de 28 anos perdeu um elemento que durante a temporada se revelou importante. Luís Mendonça foi agredido durante um treino cerca de uma semana antes da Volta começar. Ficou com o braço partido e acabou substituído por Pedro Paulinho: "Foi muito triste perder o Luís desta forma. Pensávamos que ia ser um homem para nas chegadas perigosas me ajudar muito. É lamentável que não possa estar aqui."

Vicente García de Mateos é o nono classificado a 29 segundos de Raúl Alárcon, depois de três dias de corrida. A segunda etapa, que ligou Reguengos de Monsaraz (o regresso ao Alentejo do pelotão na Volta a Portugal) a Castelo Branco, foi a mais longa (214,7 quilómetros) e acabou por ficar marcada por duas quedas já dentro dos três quilómetros finais. A primeira afectou Rui Vinhas e Ricardo Mestre, da W52-FC Porto, com João Benta (Rádio Popular-Boavista) a também ir ao chão. Porém, foi a segunda que deixou maiores preocupações, principalmente para Edgar Pinto. O líder da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack fez um corte na testa e ficou mal-tratado nas costelas. Foi transportado para o hospital e ainda não há confirmação se irá ou não continuar em prova.

Quanto ao vencedor, Samuel Caldeira aumentou a conta para a W52-FC Porto. Em três dias, duas vitórias para a equipa de Nuno Ribeiro. Raúl Alárcon continua de amarelo e é também líder na classificação por pontos.


O dia ficou ainda marcado pelo muito calor, mas a etapa desta segunda-feira também preocupa as equipas nesse aspecto. Serão 162,1 quilómetros que começam em Figueira de Castelo Rodrigo, com a meta à espera dos ciclistas em Bragança.

»»W52-FC Porto já manda««

»»Oh Rui, fica lá mais um ano... Ou mesmo até aos 50!««

»»Luís Mendonça agredido durante um treino, tem a Volta a Portugal em risco: "Foram momentos de terror"««

4 de agosto de 2017

Analisando os principais candidatos: Marque ganha vantagem

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Um prólogo nada decide mas se Alejandro Marque ganhasse a Volta a Portugal com 11 segundos de vantagem sobre Gustavo Veloso, teríamos de recuar a este primeiro dia de corrida e aos 5,4 quilómetros de contra-relógio em Lisboa. Ainda é cedo, muito cedo, para fazer previsões, mas na primeira amostra dos principais candidatos à vitória, o espanhol do Sporting-Tavira ganhou vantagem a todos e a distância até é bem simpática e certamente que põe em sentido os adversários.

Marque foi terceiro no contra-relógio, a três segundos de Damien Gaudin, ciclista da equipa do exército francês Armée de Terre. Começamos então pelo espanhol. É um vencedor da Volta a Portugal (2013) que este ano regressou a uma equipa onde se sente em casa. Joni Brandão era suposto ser o líder, mas Marque sempre admitiu que esperava ter a sua oportunidade. Talvez não fosse bem assim que a queria, mas um problema de saúde afastou o colega da Volta e o espanhol pode assim lutar pela vitória, tal como Rinaldo Nocentini. Mas já lá vamos ao italiano.

O contra-relógio é uma das armas de Marque, pelo que só talvez Gustavo Veloso consiga estar ao seu nível. Há que não esquecer que a Volta termina precisamente com um esforço individual e se ganhou mais de 10 segundos em 5,4 quilómetros, se estiver bem em Viseu pode conquistar pelo menos o dobro ou até um pouco mais em 20,1. Pode não ser um ciclista explosivo na montanha, mas sendo algo imprevisível nas suas tácticas, os adversários terão de estar muito atentos.

Nocentini (39 anos) ficou a 10 segundos de Marque o que desde logo confirma que o italiano chega à Volta a Portugal na boa forma que demonstrou no princípio do ano na Volta ao Algarve, por exemplo. Tem 39 anos, mas ainda não pensa em retirar-se e quer ganhar a Volta. A preparação já foi feita de outra forma, agora que conhece as dificuldades que a corrida portuguesa impõe. Está confiante e deixa o sinal que podem contar com ele para a luta. Para já não há problema numa liderança partilhada. O director desportivo, Vidal Fitas, irá certamente jogar com estas duas armas. Porém, se se mantiverem assim tão próximos a ver vamos se não terá de haver uma escolha.

Gustavo Veloso confirmou que é candidato, mas, lá está, já não é aquele dominador de outrora. O espanhol terminou fora do top dez, algo que não se esperava. Foi 12º, a 11 segundos de Marque, 14 de Gaudin, o vencedor. Aos 37 anos também fica a questão se Veloso não poderá fazer alguma gestão de esforço, jogando um pouco mais frio, já que tem a seu favor o facto de estar inserido na melhor equipa do pelotão nacional. Diz-se que a W52-FC Porto é a Sky portuguesa e Veloso de poder-se-á dizer que tal como Froome já demonstrou que é humano e pode ser batido. Ainda assim, é dos principais favoritos e só os ciclistas do Sporting-Tavira o bateram, isto falando apenas dos candidatos.

A curiosidade para com Sérgio Paulinho (37) é enorme! Em 5,4 quilómetros não se vai tirar conclusões, mas pelo menos no que diz respeito ao contra-relógio, o líder da Efapel comprovou que está bem, tal como tinha mostrado nos Nacionais (foi terceiro). A grande questão para com o medalha de prata olímpica (em 2004 na prova de estrada) é como estará na montanha. Terá capacidade para aguentar dia após dia o ritmo da frente? A sua candidatura é mais do válida por toda a qualidade que sabemos que tem, contudo, teremos mesmo de esperar pelas etapas mais difíceis para perceber se Paulinho é candidato à vitória, ao pódio ou ao top dez. No prólogo foi 15º a 14 segundos de Marque.

Outro regressado é Edgar Pinto, ainda que só tenha estado dois anos fora ao contrário de Paulinho que está na Volta a Portugal 13 anos depois da última presença. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack tem todo o direito para sonhar com um excelente resultado do seu líder (31 anos). Tem sido consistente durante toda a temporada, com realce para o 10º lugar na Volta ao Algarve e o sétimo no Alentejo. Ainda somou o oitavo posto na Clássica Aldeias do Xisto, tendo depois reduzido o ritmo de forma a garantir estar no seu melhor no principal objectivo da temporada para todas as equipas portuguesas. É um excelente trepador, adaptando-se bem a subidas mais explosivas, como às mais longas. Sabe gerir o esforço como poucos e é tacticamente muito perspicaz. Edgar Pinto foi 17º a 15 segundos de Alejandro Marque.

A pequena desilusão veio de Vicente García de Mateos (28). E há que realçar a palavra "pequena". O espanhol é sinónimo de confiança. Quer ganhar a Volta a Portugal e não apenas ficar no pódio, isto depois de há um ano ter sido oitavo. De sprinter a trepador, Mateos confirmou esta sua adaptação com sucesso na vitória na Clássica das Aldeias do Xisto. Sempre se defendeu bem nas subidas, mas agora preparou-se para as enfrentar sempre na frente da corrida. Apesar dos 23 segundos perdidos para Marque, este é um ciclista que estará a criar grande desconfiança nos seus adversários. É que nas subidas mais curtas e explosivas que esta Volta a Portugal tem, Mateos poderá fazer grandes estragos, sendo aí que poderá passar muito da sua táctica para conquistar uma vitória para o Louletano-Hospital de Loulé.

Para terminar, a Rádio Popular-Boavista. Rui Sousa é o líder e não há quem não o queira ver de amarelo. Porém, João Benta é um ciclista a ter em conta e a Volta a Portugal só não começou em festa porque Domingos Gonçalves foi batido por Gaudin por dois segundos. Ainda assim, um excelente começou para o campeão nacional de contra-relógio, que ainda espera vestir também ele a camisola amarela pelo menos um dia. Regressando a Rui Sousa, o contra-relógio nunca foi o seu forte, mas os 19 segundos perdidos (a referência é sempre Marque) demonstram que poderá muito bem estar ao nível dos principais candidatos. Já sabe como é Rui Sousa. É lutar até ao fim e desta vez será mesmo o fim. Em ano de despedida é o tudo por tudo por um final à conto de fadas.

Gaudin é o primeiro camisola amarela
Quanto a João Benta, os 34 segundos a mais do que o espanhol do Sporting-Tavira já preocupam. Ainda assim, o ciclista tem o principal objectivo de ganhar uma etapa e de tentar entrar no top dez. Tudo o mais será bem-vindo, mas este não foi o melhor dos arranques, ainda que este ciclista terá tendência a ir melhorando com o decorrer da corrida.

Pode ver aqui a classificação do prólogo que se realizou em Lisboa, com vista para o Mosteiro dos Jerónimos e para o rio Tejo. Damien Gaudin é o primeiro camisola amarela, enquanto o melhor jovem é o canadiano Travis Samuel H&R Block Pro Cycling Team. O Sporting-Tavira lidera por equipas.


Deixamos Lisboa e rumamos até bem perto: Vila Franca de Xira será o palco da partida da primeira etapa. Serão 203 quilómetros feitos debaixo de muito calor, com Setúbal e receber a chegada. As duas terceiras categorias já perto do final podem ser propícias a ataques, principalmente na Arrábida.

»»Um líder e outros cinco potenciais candidatos. Esta W52-FC Porto é um luxo, mas pode ter um inimigo««

»»"Vou tentar estar no meu melhor para mostrar que a vitória não foi por acaso"««

18 de junho de 2017

Estreia de Fábio Silvestre a vencer pelo Sporting-Tavira no dia da consagração de Vicente García de Mateos

(Fotografia: @JoãoFonsecaPhotographer)
Vicente García de Mateos segurou a liderança conquistada no primeiro dia e garantiu a vitória na 38ª edição do Grande Prémio Abimota. O ciclista espanhol cada vez mais apresenta os seus argumentos, assumindo-se como um candidato sério para lutar pela Volta a Portugal. O ciclista do Louletano-Hospital de Loulé já tinha vencido a Clássica Aldeias do Xisto e em Águeda suportou o calor e o ritmo forte da Rádio Popular-Boavista, equipa que fez tudo para quebrar o pelotão e tentar que Filipe Cardoso recuperasse a desvantagem para Mateos. O dia ficou ainda marcado pelo primeiro triunfo de Fábio Silvestre ao serviço do Sporting-Tavira.

"Sempre acreditei que podia vencer depois da vantagem alcançada em Belmonte. Sinto-me muito bem e confiando nas minhas capacidades e nas da equipa sabia que não podia falhar. Agora vou desfrutar deste triunfo com os meus companheiros e naturalmente já estou a pensar na Volta a Portugal que é o grande objectivo da temporada", afirmou Mateos, citado pelo Louletano-Hospital de Loulé. Filipe Cardoso, vencedor do Abimota em 2008 e 2016, não conseguiu anular a diferença estabelecida basicamente logo na primeira etapa ganha por Mateos. Ficou a 1:18 minutos com César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) a fechar o pódio 1:21.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A última etapa foi a mais longa - 176,4 quilómetros entre Gouveia e Águeda -, mas mesmo com o esforço da Rádio Popular-Boavista, a decisão foi ao sprint e o mais forte foi Fábio Silvestre. O ciclista regressou este ano ao pelotão nacional depois de cinco anos no estrangeiro, dois deles no World Tour. Era uma vitória muito desejada para um corredor que voltou para reencontrar a alegria dos triunfos. Também ele começa a "aquecer" para a Volta a Portugal, corrida que está cada vez mais no pensamento de todos.

Fábio Silvestre bateu no sprint um inesperado César Fonte e Luís Mendonça, ciclista do Louletano-Hospital de Loulé que vai deixando indicações de estar também ele perto de conquistar a primeira vitoria pela equipa algarvia.

No próximo fim-de-semana vão realizar-se os Campeonatos Nacionais em Santa Maria da Feira (contra-relógio) e em Gondomar (estrada). O pelotão regressa à competição no Grande Prémio Internacional Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho entre 6 e 9 de Julho, a um mês do início da Volta a Portugal.